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MATERIAL DIDÁTICO 
 
DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
U N I V E R S I DA D E
CANDIDO MENDES
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
Impressão 
e 
Editoração 
 
0800 283 8380 
 
www.ucamprominas.com.br 
 
SUMÁRIO 
 
 
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO ..................................................................................... 03 
 
UNIDADE 2 – DA DEFICIÊNCIA MENTAL À INTELECTUAL .................................. 08 
2.1 História ................................................................................................................. 08 
2.2 Conceito ............................................................................................................... 12 
 
UNIDADE 3 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ............................................................ 14 
3.1 Etiologia da deficiência intelectual ........................................................................ 14 
3.2 Classificação ......................................................................................................... 22 
 
UNIDADE 4 – ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO ......................................... 28 
 
UNIDADE 5 – ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO .......................... 38 
5.1 Conceito e definição ............................................................................................. 40 
5.2 As salas de recursos ............................................................................................. 43 
5.3 A sala de recurso para deficiência intelectual ....................................................... 46 
5.4 Atribuições do professor no AEE .......................................................................... 48 
5.5 A importância da revisão do PPP e do currículo escolar ....................................... 49 
 
UNIDADE 6 – IDENTIFICAÇÃO/CARACTERIZAÇÃO E TRABALHO COM ALTAS 
HABILIDADES ........................................................................................................... 51 
 
UNIDADE 7 – CUIDADOS COM ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO DE 
DOENÇAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA 
INTELECTUAL ........................................................................................................... 59 
 
UNIDADE 8 – INTRODUÇÃO A DEFICIÊNCIA MENTAL ......................................... 65 
 
UNIDADE 9 - HISTÓRIA, CONCEITO, ETIOLOGIA .................................................. 68 
 
UNIDADE 10 - CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO 
DAS DEFICIÊNCIAS .................................................................................................. 78 
 
UNIDADE 11 - ABORDAGENS: PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA 
PARA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ........................................................................ 90 
 
UNIDADE 12 - DEFICIÊNCIA INTELECTUAL NO CONTEXTO ESCOLAR: 
PERCEPÇÃO DE PAIS, ESCOLA E O PAPEL DOS EDUCADORES NO PROCESSO 
DE INCLUSÃO ........................................................................................................... 95 
 
UNIDADE 13 - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) E A 
AVALIAÇÃO ............................................................................................................ 102 
 
UNIDADE 14 - ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO 
DE DOENÇAS .......................................................................................................... 107 
 
UNIDADE 15 - A TERMINALIDADE ESPECÍFICA E A INSERÇÃO DE PESSOAS 
COM DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO ............................................. 111 
 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 117 
 3 
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO 
 
 
A inclusão social tem sido um desafio para todas as esferas da sociedade, 
principalmente para as pessoas portadoras de necessidades especiais que, muito 
além de poderem exercer a cidadania, deparam com a dificuldade de acesso em 
todos os sentidos. 
Segundo Mantoan (2006), a inclusão escolar está articulada a movimentos 
sociais mais amplos, que exigem maior igualdade e mecanismos mais equitativos no 
acesso a bens e serviços. Ligada a sociedades democráticas que estão pautadas no 
mérito individual e na igualdade de oportunidades, a inclusão propõe a desigualdade 
de tratamento como forma de restituir uma igualdade que foi rompida por formas 
segregadoras de ensino especial e regular. 
A questão política e social da inclusão é assunto que rende muitas 
discussões, assim como entender que o tratamento dispensado à diferença não quer 
dizer tratá-los como iguais, ao contrário, a diferença propõe o conflito, o dissenso, a 
imprevisibilidade, a impossibilidade do cálculo. O certo é jamais desvalorizar e 
inferiorizar os cidadãos/alunos por suas diferenças, seja nas escolas comuns ou nas 
especiais. 
Vale enfatizar de imediato que a inclusão de indivíduos com necessidades 
educacionais especiais na rede regular de ensino não consiste apenas na 
permanência junto aos demais alunos, nem na negação dos serviços especializados 
àqueles que deles necessitem. Ao contrário, implica uma reorganização do sistema 
educacional, o que acarreta a revisão de antigas concepções e paradigmas 
educacionais na busca de se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural e 
social desses alunos, respeitando suas diferenças e atendendo suas necessidades 
(GLAT; NOGUEIRA, 2002, p. 26). 
Alguns devem estar se perguntando por que a apostila tem como título 
“Deficiência intelectual” e não “Deficiência mental”?. Pois bem, vamos de pronto 
deixar claro que a deficiência intelectual, outrora conhecida como deficiência mental, 
não é uma doença, não pode ser contraída pelo contato com uma pessoa sadia ou 
outra com a deficiência. Não é uma doença mental, portanto, não há cura e para 
entender melhor a diferença entre doença e deficiência, a OMS – Organização 
 
 
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Mundial da Saúde – propôs três níveis para esclarecer todas as deficiências, a 
saber: deficiência, incapacidade e desvantagem social. 
 Deficiência – perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, 
fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a 
ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido 
ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. 
Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio 
orgânico, uma perturbação no órgão. 
 Incapacidade – restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para 
desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge 
como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência 
psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência 
e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos 
essenciais à vida diária. 
 Desvantagem – prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou 
uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo 
com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma 
discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do 
indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e 
relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência. 
Em 2001, essa classificação foi revista e reeditada não contendo maisuma 
sucessão linear dos níveis, mas indicando a interação entre as funções orgânicas, 
as atividades e a participação social (BATISTA; MANTOAN, 2006). 
O importante dessa nova definição é que ela destaca o funcionamento global 
da pessoa em relação aos fatores contextuais e do meio, re-situando-a entre as 
demais e rompendo o seu isolamento. Essa definição motivou a proposta de 
substituir a terminologia “pessoa deficiente” por “pessoa em situação de deficiência” 
(ASSANTE, 2000 apud BRASIL, 2006). Mais recentemente tem-se visto o uso do 
termo deficiência intelectual. 
Sassaki (2004) justifica, com muita propriedade, o uso do termo deficiência 
intelectual: 
1) é mais apropriado o termo “intelectual” por referir-se ao funcionamento do 
intelecto especificamente e não ao funcionamento da mente como um todo; 
 
 
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2) o seu uso consiste em podermos melhor distinguir entre “deficiência mental” e 
“doença mental”, dois termos que têm gerado muita confusão há décadas, 
principalmente na mídia. Os dois fenômenos trazem o adjetivo “mental” e 
muita gente pensa que “deficiência mental” e “doença mental” são a mesma 
coisa. Então, em boa hora, vamos separar os dois fenômenos. Também no 
campo da saúde mental (área psiquiátrica), está ocorrendo uma mudança 
terminológica importante, substituindo o termo “doença mental” por 
“transtorno mental”. Permanece, sim, o adjetivo “mental” (o que é correto), 
mas o grande avanço científico foi mudar para “transtorno”. Aqui também se 
aplica o critério do número (singular e não plural) para a palavra “transtorno”. 
Dizemos: “pessoa(s) com transtorno mental”, e não “pessoa(s) com 
transtornos mentais”, mesmo que existam vários transtornos mentais. 
Segundo especialistas, o transtorno mental pode ocorrer em 20% ou até 30% 
dos casos de deficiência intelectual, configurando-se aqui um exemplo de 
deficiência múltipla; 
3) hoje em dia cada vez mais se substitui o adjetivo “mental” por “intelectual”. A 
Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde 
realizaram um evento (no qual o Brasil participou) em Montreal, Canadá, em 
outubro de 2004, evento esse que aprovou o documento DECLARAÇÃO DE 
MONTREAL SOBRE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. O termo “intelectual” foi 
utilizado também em francês e inglês: Déclaration de Montreal sur la 
Déficiénce Intelectuelle, Montreal Declaration on Intelectual Disability; 
4) a expressão “deficiência intelectual” foi oficialmente utilizada já em 1995, 
quando a Organização das Nações Unidas (juntamente com The National 
Institute of Child Health and Human Development, The Joseph P. Kennedy, 
Jr. Foundation, e The 1995 Special Olympics World Games) realizou em Nova 
York o simpósio chamado INTELECTUAL DISABILITY: PROGRAMS, 
POLICIES, AND PLANNING FOR THE FUTURE (Deficiência Intelectual: 
Programas, Políticas e Planejamento para o Futuro); 
5) esta substituição ocorreu também na Espanha, conforme notícia publicada em 
2002, que se segue: “Espanha – Resolução exige a substituição do termo 
 
 
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deficiência mental por deficiência intelectual. A Confederação Espanhola para 
Pessoas com Deficiência Mental aprovou por unanimidade uma resolução 
substituindo a expressão “deficiência mental” por “deficiência intelectual”. Isto 
significa que agora a Confederação passa a ser chamada Confederação 
Espanhola para Pessoas com Deficiência Intelectual (Confederación 
Española de Organizaciones en favor de Personas con Discapacidad 
Intelectual). Esta organização aprovou também o novo Plano Estratégico de 
quatro anos para melhorar a qualidade de vida, o apoio institucional e os 
esforços de inclusão para pessoas com deficiência intelectual”. Fonte: Digital 
Disnnet Press Agency, Digital Solidarity, n° 535, Bogotá, 3 de setembro de 
2002. 
Nesse contexto, o desejo de trabalhar com os portadores de deficiência 
intelectual requer num primeiro momento conhecer os caminhos percorridos pela 
sociedade desde os primeiros conceitos sobre exclusão, inclusão e deficiência, para 
num segundo momento manter avivado nos interessados e envolvidos, o desejo de 
lutar e buscar uma escola melhor, um espaço onde todos sejam vistos por suas 
habilidades, possibilidades e não por suas deficiências. 
Além da deficiência intelectual, abordaremos também as altas habilidades e 
superdotados. 
O caminho que percorreremos será este: promover uma breve evolução 
histórica da deficiência mental até a intelectual ao longo dos últimos séculos; 
conceituar, definir, caracterizar e classificar essa deficiência de acordo com a CID-10 
e DSM-IV. 
O Atendimento Educacional Especializado (AEE), a sala de recursos 
multifuncionais, a avaliação e identificação e os cuidados com as atividades físicas e 
os fatores de risco de doenças completam nossos estudos sobre o trabalho com os 
portadores de deficiência intelectual. 
Por ora, deixamos uma mensagem inicial para aqueles que buscam 
capacitação para trabalhar as diferenças e as deficiências, com foco na deficiência 
intelectual (DI): os espaços escolares não devem ser lugares de discriminação, e 
 
 
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mesmo que o grau de deficiência se imponha como limite da capacidade de 
aprendizagem e adaptação ao mundo, todos são cidadãos de pleno direito, 
considerando as várias dimensões como a dignidade humana. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como 
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um 
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados 
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, 
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, 
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma 
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas 
opiniões pessoais. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, 
podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos 
estudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 2 – DA DEFICIÊNCIA MENTAL À INTELECTUAL 
 
Evolutivamente, o conceito de deficiência mental tem uma estreita relação 
com as concepções socioeconômicas e ideais que nortearam cada período da 
história do homem. Conhecer essas ideias abre um horizonte para se compreender 
a deficiência intelectual, clarear o conceito o que, por conseguinte, permite oferecer 
melhores serviços de atendimento para esse público. 
 
2.1 História 
 
Pessoti (1984) promove uma ampla revisão histórica a respeito da 
deficiência mental, destacando as concepções adotadas, em cada período, que 
influenciaram as atitudes da sociedade em relação à deficiência. 
Aranha(1995) também se reporta à história para descrever como a 
integração social do deficiente foi associada à concepção de deficiência, a qual 
merece destaque. Na sociedade antiga, as crianças deficientes eram deixadas ao 
relento para que morressem. Essa atitude era fruto dos ideais morais da época em 
que a eugenia1 e a perfeição do indivíduo eram considerados valores 
preponderantes. Já no final do século XV, com os ideais burgueses vigentes nesse 
período, imperou a visão de que a deficiência era um atributo do indivíduo, tendo, 
portanto, uma relação direta com o capital, ou seja, o deficiente era considerado 
improdutivo, do ponto de vista econômico. 
Até cerca de 1800, a Dl – Deficiência Intelectual – não era considerada um 
problema científico, embora, de acordo com Woolfson (s.d. apud MORATO, 1993), 
devam-se considerar algumas referências, segundo as quais a Dl era analisada 
criteriosamente como distinta da doença mental com rigor descritivo de diferentes 
tipos, diagnósticos, prognósticos e terapêuticos. 
 
1
 Ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie 
humana. 
 
 
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Segundo Morato (1993), a investigação sobre a Dl pode resumir-se a três 
períodos. 
O primeiro período teve início em 1800, perdurando um século, e 
caracterizou-se por ser um período de grande desenvolvimento científico ao nível da 
biologia e da psicologia, cujo impacto social é constatável pela evidência das 
propostas de identificação e classificação da Dl relativamente a outras deficiências, 
em particular, na distinção da doença mental (DETTERMAN, 1983, 1987; PERRON, 
1976; RYNDERS, 1987; apud MORATO, 1993). 
O segundo período, que se estendeu desde os finais do séc. XIX até à 2ª 
grande guerra, compreendeu uma fase caracterizada pelas preocupações de 
definição e classificação da Dl, através da qual emergiram posições e 
contraposições teóricas de conturbadas consequências sociais e educacionais. 
O terceiro e último período, com início no pós-guerra, prolongando-se até a 
atualidade, é caracterizado por uma atitude de mudança marcada pela evolução 
científica e pelo reforço do movimento humanitário em prol dos direitos pela 
reivindicação em defesa dos grupos minoritários na sociedade, pelos deficientes de 
guerra, e pelos movimentos associativos de pais de crianças e jovens com 
deficiência (MORATO, 1993). 
Desde 1959, a referência ao comportamento adaptativo surge como 
elemento de definição da Dl da American Association on Mental Retardation 
(AAMR), sendo a entidade científica mais antiga e prestigiada na abordagem da 
problemática da Dl (AAMR, 2006). Posteriormente, a Organização Mundial de Saúde 
(OMS) reforçou a relação entre adaptação e aprendizagem. 
A classificação publicada pela AAMR, em 1983, classificava a Dl, até então 
DM, em função do Coeficiente de Inteligência (Q.l) – obtido a partir da multiplicação 
por cem do quociente obtido pela divisão da idade mental pela idade cronológica, da 
seguinte forma: 
1. deficiência Mental Leve - Q.l entre 55 e 50; 
2. deficiência Mental Moderada - Q.l entre 55/50 e 40/35; 
3. deficiência Mental Severa - Q.l entre 40/35 e 25/20; 
 
 
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4. deficiência Mental Profunda - Q.l menor que 25/20. 
Com o passar dos séculos, as concepções sobre DM foram se ampliando, 
em parte como consequência das mudanças ocorridas nas sociedades e no campo 
científico. Mas, foi somente no século XIX que se percebeu uma postura de 
responsabilidade pública com relação às necessidades dos deficientes. 
No século XX, as ações se tornaram mais concretas, havendo uma 
multiplicidade de modos de encarar a DM, acarretando o surgimento de vários 
modelos explicativos, como o metafísico, o médico, o educacional, o da 
determinação social e o sócio-construtivista ou sócio-histórico (ARANHA, 1995). 
Para esta autora, a deficiência mental deve ser encarada como uma 
construção social, não alheia à concepção de homem e de sociedade vigentes e 
deve ser tratada como um fenômeno multideterminado. Contudo, segundo Nunes e 
Ferreira (1994), a DM ainda continua sendo considerada como estando dentro do 
indivíduo, descontextualizada e sem nexo social como mostra o discurso da maior 
parte dos órgãos públicos. 
A conceituação e caracterização da DM adotada no Brasil pelo Ministério da 
Educação (MEC) segue o modelo proposto pela Associação Americana de 
Deficiência Mental (AAMR), divulgado em 1992, segundo o qual, a DM se 
caracteriza pelo funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, 
oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a 
duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em 
responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: 
comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, desempenho na família e 
comunidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho 
escolar, lazer e trabalho (MENEZES; SANTOS, 2002). 
Este conceito serve como ponto de partida para a implementação de 
políticas públicas pelo governo brasileiro, que visa um atendimento especializado a 
estas crianças. Contudo, o próprio governo tem revelado um atendimento precário 
às pessoas deficientes, em diversas partes do país, apesar de salientar a 
importância deste tipo de atendimento desde a mais tenra idade da criança. Para o 
 
 
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governo brasileiro, o trabalho precoce com crianças deficientes tem o objetivo de 
“[...] proporcionar à criança, nos seus primeiros anos de vida, experiências 
significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo” 
(BRASIL, MEC, 1995, p. 11). 
Voltando um pouco à evolução do conceito, antigamente a própria 
denominação desvalorizava os sujeitos com deficiência. As atribuições de nomes 
depreciativos como idiota, imbecil, oligofrênico, anormal, débil mental, inválido, 
atrasado mental, entre outros, eram comuns para distingui-los dos indivíduos com 
desenvolvimento típico (COELHO; COELHO, 2001; ALONSO; BERMEJO, 2001). 
Conforme Morato (1998), a população em geral negligenciava-os por não se 
enquadrarem no ideal de perfeição. 
Na Idade Média assistiu-se a um tratamento ambivalente para com estes 
indivíduos, pois, por um lado, com base na crença cristã, a deficiência era vista 
como algo divino e estes eram acolhidos e protegidos em instituições de caridade. 
Por outro lado, eram considerados demônios e sofriam de práticas de ostracismo 
(MORATO; 1998, SILVA; DESSEN, 2001). 
O século XV marcou o início de uma mudança de paradigma em relação a 
estes indivíduos que foi consolidada nos séculos XVII e XVIII, sendo a 
institucionalização destes uma realidade (SILVA; DESSEN, 2001). Em paralelo, no 
século XVIII surgiram as primeiras classificações referentes às causas de morte. 
Este é o marco histórico para o início das classificações das doenças e transtornos 
mentais (OMS, 2001). 
A partir do século XIX até meados do século XX, os estudos sobre a 
deficiência intelectual tornaram-se de caráter mais científico e verificou-se uma 
sistematização do conceito, apesarda rotulagem negativa subjacente ao mesmo. O 
autor Pinel caracterizou a deficiência intelectual de idiotismo, com conotação de 
carência ou insuficiência intelectual (CARVALHO; MACIEL, 2003). 
Na mesma linha de pensamento, Esquirol referiu que a imbecilidade e o 
idiotismo devem-se a causas maturacionais e que os órgãos responsáveis pela 
atividade intelectual apresentam um desenvolvimento atípico. Empiricamente. 
 
 
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começa-se a diferenciar a doença mental da deficiência intelectual (MORATO; 
1998). Esta perspectiva é reforçada por Beaugrand que considerou idiota um estado 
de insuficiência de algumas aptidões intelectuais e morais, sendo as suas causas de 
ordem orgânica e/ou congênita com origem encefálica e, consequentemente, 
suscitavam um desenvolvimento deficitário. 
Nesta altura, a concepção de deficiência intelectual estava associada à 
perspectiva organicista de origem neurológica, identificada pelo atraso no 
desenvolvimento dos processos cognitivos (CARVALHO; MACIEL, 2003). 
 
2.2 Conceito 
Segundo Sarno (2006), os termos deficiência e pessoa deficiente 
apresentam diferentes conotações na literatura acadêmica. Além disso, tais 
conceitos mudam ao longo da história, segundo os valores particulares de cada 
cultura e, até mesmo, em função de valores individuais. 
Para Ribas (2003), a deficiência é um estado físico ou mental eventualmente 
limitador que deve ser entendido a partir do ambiente sociocultural e físico em que o 
indivíduo está inserido e, também, de como a própria pessoa se vê. Segundo a 
Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, elaborada pela Organização das 
Nações Unidas (ONU), em 1975, pessoa com deficiência é aquela incapaz de 
assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida 
individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência congênita ou não, em 
suas capacidades físicas ou mentais. 
A pessoa com deficiência mental é conceituada como aquela que tem 
necessidades para atuar nas dez áreas de habilidades adaptativas: 
1) da comunicação; 
2) do autocuidado; 
3) das habilidades sociais; 
4) da vida familiar; 
5) do uso comunitário; 
 
 
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6) da autonomia; 
7) da saúde; 
8) da segurança; 
9) da funcionalidade acadêmica; 
10) do lazer e trabalho (Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “d”; e Decreto nº 
3.298/99, art. 4º, I). 
A ideia da deficiência como uma característica do indivíduo que pode ter 
graus diferentes de limitação, a depender da interferência do ambiente, reflete o 
conceito usado no cotidiano. Segundo Carreira (1992), as instituições de 
profissionalização de deficientes e administradores de empresas brasileiras 
entendem o deficiente mental como a pessoa portadora de distúrbios de 
aprendizagem e adaptação global. 
Além de Pessoti et al., Lancillotti (2003) e Marques (2001) também 
demonstraram como a deficiência mental vem sendo rodeada de preconceitos desde 
a Grécia Antiga. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 3 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
 
A deficiência intelectual é uma condição bastante complexa no que se refere 
a sua definição conceitual e também nomenclatura. O termo “deficiência intelectual” 
é de uso recente na literatura e veio substituir os termos deficiência mental e retardo 
mental. Possivelmente esta mudança atende a múltiplas demandas, pois retrata 
mudanças conceituais mais recentes e é um termo mais preciso para denominar a 
condição, além dessa ser uma reivindicação de associações dos próprios indivíduos 
com este tipo de deficiência (VELTRONE; MENDES, 2011). 
A deficiência intelectual é uma categoria dos diferentes tipos de deficiência 
existentes. Surge num contínuo da normalidade e não como um estado 
qualitativamente diferente desta, em que os indivíduos apresentam um conjunto de 
características comuns, enquadradas no baixo desempenho nos testes psicológicos, 
nas dificuldades de aprendizagem escolar, nas reações imaturas aos estímulos 
ambientais e no desempenho social abaixo de média (ALONSO; BERMEJO, 2001; 
COELHO; COELHO, 2001). 
 
3.1 Etiologia da deficiência intelectual 
 
Os fatores etiológicos da Deficiência intelectual podem ser de origem 
genética, ambiental, multifatorial e de causa desconhecida. 
Embora esses fatores etiológicos sejam muito variáveis, podem ser, ainda, 
subdivididos em fatores pré-natais (de origem genética, ambiental e multifatorial), 
perinatais (ambiental) e pós-natais (ambiental). A ocorrência da Deficiência 
intelectual de etiologia desconhecida apresenta uma prevalência de 28 a 30% dos 
casos. 
Os fatores que atuam no período pré-natal envolvem causas genéticas e 
ambientais, consistindo nos fatores etiológicos mais importantes no surgimento da 
DI, com cifras ao redor de 50% dessa população. 
 
 
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Fatores genéticos 
Monogênicos: 1 a 2% dos nascidos vivos. 
 Herança dominante: Neuroectodermatoses (Esclerose tuberosa, 
Angiomatoses cerebrais, Deficiências mentais com alterações ósseas, 
Disostose craniofacial, Oligrofenia com acrocéfalo, Oligrofenia com 
aracnodactilia, Oligrofenia com discondroplasia). 
 Herança recessiva: Distúrbio de metabolismo lipídico (Idiota amaurótica, 
Doença de Bielschowsky-Jansky, Doença de Spielmeyr-Vogt, Doença de 
Kufs, Doença de Normann-Wood, Síndrome de Niemann-Pick, Doença de 
Gaucher); Distúrbio do metabolismo de mucopolissacarídeo (Doença de 
Hurler, Doença de Morquio, Doença de Scheie, Doença de Sanfilipo, Doença 
de Matoteaux); Distúrbio do metabolismo glicídio (Glicogenose, 
Galactosemia); Distúrbios de metabolismo protídico (Fenilcetonúria, Doença 
do carope de bordo, Cistationinuria, Doença de Wilson, Doença de Hartnup); 
Outras formas (Microcefalia familiar, Doença de Sjögren-Larson, Síndrome de 
Laurence Moon). 
 Herança ligada ao sexo: Doença de Hunter, Doença de Pelizaeus 
Merzbacher. 
 
Fatores genéticos ligados a vários genes, Fatores cromossômicos 
 Anomalias de número de cromossomos somáticos: Trissomia do 21 
(Síndrome de Down), Trissomia do 18 (Síndrome de Edward), Trissomia do 
13-15 (Síndrome de Patau). 
 Anomalias do número de cromossomos sexuais: Síndrome de Klinefelter, 
Microcefalia com malformações múltiplas e criptorquidia (Cariótipo XXXY), 
Disgenesia gonádica e oligofrenia (Síndrome de Turner), Superfêmea 
(Cariótipo XXX). 
 
 
 
 
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Fatores Ambientais: 
 fatores pré-natais – agentes infecciosos (citomegalovírus, toxoplasmose 
congênita, rubéola congênita, sífilis congênita, varicela); 
 fatores nutricionais; 
 fatores físicos – radiação; 
 fatores imunológicos; 
 intoxicações pré-natais (álcoole drogas, gases anestésicos, 
anticonvulsivantes); 
 transtornos endócrinos maternos – diabetes materna, alterações tireoidianas; 
 hipóxia intrauterina (causada por hemorragia uterina, insuficiência placentária, 
anemia grave, administração de anestésicos e envenenamento com dióxido 
de carbono). 
 
Fatores perinatais: 
 anóxia neonatal; 
 traumatismo obstétrico (distócicos de parto com hipoxemia ou anoxemia); 
 prematuridade (anóxia, hemorragia cerebral). 
 
Fatores pós-natais: 
 infecções – meningoencefalites bacterianas e as virais, principalmente por 
herpesvírus; 
 traumatismos crânio-encafálicos; 
 alterações vasculares ou degenerativas encefálicas; 
 fatores químicos – oxigênio utilizado na incubadora; 
 intoxicação pelo chumbo; 
 
 
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 fatores nutricionais – graves condições de hipoglicemia, hipernatremia, 
hipoxemia, envenenamentos, estados convulsivos crônicos. 
 
Causas Multifatorial 
As causas multifatoriais são desconhecidas (28 a 30% dos casos), mas o 
Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, podendo ocasionar 
retardo no crescimento intrauterino, microftalmia, corioretinite, surdez, retardo no 
desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia. 
A Sífilis apresenta como fator etiológico o Treponema pallidum, e caso a 
gestante tenha contato até a 20ª semana, pode acarretar a lues congênita, com 
malformações físicas (tíbia em sabre, nariz em sela, fronte olímpica e dentes de 
Hutchinson). Além disso, a sífilis pode acarretar outras alterações, como por 
exemplo, a surdez, malformações de dentes, alteração óssea, hidrocefalia e retardo 
no desenvolvimento neuropsicomotor. 
Infecções por varicela podem acarretar, dependendo da idade gestacional, 
alterações musculares e retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Contato com 
Toxoplasma gondi pode ter como repercussão a toxoplasmose, e da mesma 
maneira, dependendo da idade gestacional, ter como consequência a toxoplasmose 
congênita com a manifestação da tétrade de Sabin (deficiência mental, microcefalia, 
calcificações intracranianas e corioretinite). Para a prevenção da toxoplasmose, 
deve-se evitar carne crua e o contato com animais. 
A rubéola congênita ocorre pelo efeito teratogênico do vírus da rubéola. A 
infecção do feto é o resultado de infecção primária materna na gravidez ou até o 
terceiro mês antes do parto. A infecção durante as primeiras 8 semanas produz uma 
taxa de infecção fetal de 50%, depois disso, diminui progressivamente. As lesões 
mais frequentes no momento do nascimento sãos as cardiovasculares, 
hematológicas, baixo peso ao nascer, alterações esqueléticas, hepáticas, defeitos 
oculares (retinopatia, microftalmia, hipoplasia da íris, glaucoma congênito e 
cataratas), lesões no Sistema Nervoso Central (perda da audição, deficiências 
intelectuais e motoras, meningoencefalite crônica), complicações pulmonares. Os 
 
 
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distúrbios de audição são a manifestação mais comum, provavelmente por uma 
infecção no final do segundo ou terceiro mês de gestação. 
Em relação ao uso de drogas, deve-se observar que o uso de substâncias 
alcaloides como a nicotina e cafeína pela gestante, dependendo da quantidade e da 
idade gestacional, pode levar a retardo no crescimento intrauterino pela anóxia e 
uma maior probabilidade de parto prematuro (2 vezes mais) e baixo peso. O uso de 
álcool pela gestante afeta 1 a 2% das mulheres férteis, podendo acarretar a 
síndrome alcoólica fetal, caracterizada pela deficiência mental, deficiência no 
crescimento pré e pós-natal, alterações de Sistema Nervoso Central, anomalias 
craniofaciais como epicantus, ponte nasal baixa, filtrum hipoplásico e face achatada. 
A Paralisia Cerebral, lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso 
central, tem como consequência alterações psicomotoras, podendo ou não causar 
deficiência mental. 
A lesão causadora de Paralisia Cerebral não é progressiva, mas o fato de 
afetar o sistema nervoso em desenvolvimento vai dar origem a um conjunto 
complexo de sinais e sintomas, que vão tornar difícil o diagnóstico. 
As formas de Paralisia Cerebral apresentam uma grande diversidade de 
perturbações neuromotoras, cuja classificação proposta por Hagberg et al. (1975 
apud ANDRADA, 1997) é a que reúne maior consenso. Quanto aos efeitos 
funcionais, a Paralisia Cerebral é classificada de tipo espástico, disquinésia atetose, 
ataxia. Andrada (1997) diz que se pode considerar ainda uma forma rara de paralisia 
cerebral hipotônica ou atônica que é referida por alguns autores. 
Basil (1995) descreve que a espasticidade consiste num aumento do tônus 
muscular, como consequência de uma lesão no feixe piramidal. As contrações 
musculares podem ser de dois tipos: a) ocorrendo em repouso, b) ocorrendo quando 
a criança faz um esforço, se emociona ou se surpreende. A criança ao tentar 
flexionar uma parte do corpo não o pode fazer sem flexionar todo o corpo o que vai 
interferir na execução da tarefa. Nas crianças que apresentam este tipo de paralisia, 
quando seguras pelas axilas ou quando tentam caminhar, os membros inferiores 
encontram-se em extensão, os pés em ponta e pernas cruzadas em tesoura, os 
 
 
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membros superiores apresentam, hipertonia, o braço em rotação interna, cotovelo 
semiflexionado, o polegar unido à palma da mão. Existem alterações a nível da 
expressão facial, ocorrendo por vezes ausência de linguagem oral. 
A atetose caracteriza-se pela dificuldade em controlar e em coordenar os 
movimentos. Os movimentos são espasmódicos e incontrolados, ocorrendo no nível 
dos membros da cabeça, músculos da respiração e deglutição. Estes movimentos 
podem ser atenuados pelo repouso, sonolência e determinadas posturas, 
verificando-se o seu aumento em momentos de excitação, insegurança e posição de 
pé. Estes indivíduos apresentam um tônus muscular que varia entre o hipertônico e 
hipotônico. 
Cahuzac (1985 apud SANTOS; SANCHES, 2005) define ataxia como uma 
perturbação da coordenação e da estática, onde observa-se instabilidade do 
equilíbrio, mau controle da cabeça, do tronco e dos membros. 
Basil (1995) refere ser uma síndrome cerebelar, em que existe dificuldade 
em medir a força, a distância e a direção dos movimentos, que costumam ser lentos 
e torpes, desviando-se com facilidade do objetivo pretendido. Existe instabilidade no 
controle do tronco o que vai provocar dificuldade em coordenar os movimentos dos 
braços e como consequência dificultar o caminhar que se apresenta inseguro, rígido 
e com quedas frequentes. 
A Paralisia Cerebral é ainda referida quanto à topografia corporal em 
paraplegia, tetraplegia, monoplegia, diplegia, triplegia. Em relação à topografia 
corporal, Basil (1995) menciona que a paraplegia se refere a situações em que estão 
comprometidos os dois membros inferiores; a tetraplegia em que há compromisso 
dos membros inferiores e superiores, a monoplegia em que existe o 
comprometimento de uma extremidade; a diplegia refere-se a situações em que 
existe maior comprometimento dos membros inferiores que superiores; a triplegia 
são situações de comprometimento de três membros, ahemiplegia o 
comprometimento da parte direita ou esquerda do corpo. 
Basil (1995) chama a atenção para o fato de que raramente encontramos 
uma criança que apresente uma tipologia pura, mas antes quadros mistos. 
 
 
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20 
 
Os diferentes tipos clínicos referidos têm intervenções diferentes, e cada 
criança é por si um ser individual com características muito próprias, com graus de 
deficiência e incapacidades diferentes, o que exige uma avaliação individualizada. 
As crianças com Paralisia Cerebral apresentam com frequência, alterações 
no seu desenvolvimento, devido a deficiências associadas, ou ao fato do seu 
comprometimento motor impedir a realização de atividades motoras, como 
manipular, gatinhar, andar, falar, escrever, que estão dependentes da capacidade de 
efetuar determinados movimentos. A disfunção motora impede a criança de efetuar 
experiências e de provocar efeitos no ambiente de modo a produzirem respostas 
consistentes que a ajudem a estruturar o pensamento. Assim, determinadas fases 
do desenvolvimento vão emergir mais tarde, ou podem até não vir a surgir o que 
afeta a evolução do desenvolvimento. 
Segundo Bobaty e Bobath (1976,1987 apud SANTOS; SANCHES, 2005), a 
lesão cerebral vai afetar o desenvolvimento psicomotor da criança, pela interferência 
na maturação normal do cérebro e pelas alterações no desenvolvimento devido à 
permanência de esquemas anormais de atitudes e movimentos, pela persistência de 
reflexos primitivos que a criança é incapaz de inibir. A área da linguagem está quase 
sempre afetada na criança com Paralisia Cerebral, estando afetadas as formas de 
expressão como a mímica e o gesto, que precisam da coordenação de movimentos 
finos para se efetuarem, e a expressão oral. 
A limitação ou impedimento da expressão oral vai impedir que os pais e 
educadores estabeleçam com a criança um processo interativo, em que se fornecem 
modelos e onde a criança não intervém apenas aprendendo, mas através das suas 
respostas mantém os pais ativos num processo de estimulação. Quando existem 
obstáculos a este processo, gera-se um sentimento de incompetência e de fracasso 
em ambas as partes, visto nenhuma conseguir responder às necessidades da outra. 
Basil (1995) também ressalta que a lesão cerebral afeta quase sempre os 
órgãos da fala, devido a uma perturbação mais ou menos grave no controle dos 
órgãos motores bucofonatórios, que podem afetar o ato de falar ou até impedi-lo por 
completo. Esta dificuldade pode também manifestar-se no nível da mastigação, 
deglutição, controle da saliva ou respiração. Estes problemas em nível da linguagem 
 
 
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expressiva não impedem a compreensão da linguagem, que em alguns casos não 
se encontra afetada. Contudo, se existirem problemas cognitivos ou de audição, o 
desenvolvimento da linguagem compreensiva pode ficar comprometido, tornando 
mais complexo e difícil o processo de aquisição da linguagem. 
Nas situações de paralisia cerebral, nem sempre é possível avaliar com 
precisão a existência ou não de atraso mental, porque na avaliação de crianças com 
perfis complexos de desenvolvimento, as medidas estandardizadas não são as mais 
adequadas, devido às limitações motoras e de linguagem que dificultam a sua 
aplicabilidade. 
Autores como Dalmau (1984 apud BASIL, 1995), baseando-se em 
estatísticas efetuadas na Inglaterra, afirmam que 50% das crianças com paralisia 
cerebral deveriam ser consideradas deficientes mentais e que 40% destas 
apresentam déficits sensoriais associados, o que irá ter consequências sobre o 
desenvolvimento cognitivo. 
O fato destas crianças estarem impedidas de manipular e de agir fisicamente 
sobre o mundo que as rodeia, explorando-o livremente, vai interferir no 
desenvolvimento da inteligência sensório-motora e como consequência influenciar 
negativamente o desenvolvimento do pensamento pré-operatório, operatório e 
formal. No entanto, há opiniões em que a dificuldade de avaliação das reais 
capacidades da criança penaliza os resultados encontrados na aplicação de testes e 
provas. 
A criança com lesão cerebral vai ter, desde o início, dificuldades na interação 
com os outros, pelo fato de não conseguir produzir os gestos e os sons a que o meio 
social dá valor e reconhece como funções comunicativas. Segundo Basil (1995), a 
criança encontra dificuldades em produzir mudanças no comportamento das outras 
pessoas, no sentido de as fazer interagir com elas e este déficit comunicativo limita a 
criança no desenvolvimento cognitivo e social e na construção da sua 
personalidade. Segundo o mesmo autor, a criança que experimenta o fracasso 
quando age sobre o meio, sente-se frustrada, diminui a motivação e o investimento 
necessário a qualquer atividade. O fato de se sentir inapta pode levá-la a desistir, 
porque sente que não é capaz ou que o próprio ambiente não lhe é responsivo. 
 
 
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22 
 
Temos que concordar com Santos e Sanches (2005) quando dizem que o 
desenvolvimento do ser humano assenta na sua capacidade de interagir com os 
outros da sua espécie e de atuar sobre o mundo, sendo que a qualidade e a 
quantidade das interações proporcionadas a uma criança são determinantes no seu 
desenvolvimento social e emocional. A criança com Paralisia Cerebral tem o seu 
desenvolvimento afetado, quer pelas lesões de que é portadora quer pelas 
limitações que daí advém, impedindo-a de experimentar e aprender como os 
demais, prejudicando o seu desenvolvimento. 
É importante ter em mente que o conceito de deficiência inclui a 
incapacidade relativa, parcial ou total, para o desempenho da atividade dentro do 
padrão considerado normal para o ser humano, mas também é preciso deixar claro 
que a pessoa com deficiência pode desenvolver atividades laborais desde que tenha 
condições e apoios adequados às suas características. 
 
3.2 Classificação 
 
Coelho e Coelho (2001) ressaltam que, a partir do século XX, iniciou-se uma 
série de tentativas para sistematizar o conceito de deficiência mental. Inicialmente, 
as principais definições contemplavam o déficit intelectual e do comportamento 
adaptativo, além da imaturidade no que tange ao desenvolvimento e à questão da 
incurabilidade. 
Desde então, as principais mudanças acerca da definição de deficiência 
mental foram realizadas pela American Association on Mental Deficiency 
(atualmente denominada de American Association on Intellectual and Development 
Disability – AAIDD). Esta associação foi criada em 1876 e desde então lidera o 
campo de estudos sobre o tema. A AAIDD tem influência sobre os sistemas de 
classificação internacionalmente conhecidos como CID-10 e o DSM-IV. 
A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas 
Relacionados com a Saúde, conhecida como Classificação Internacional de 
Doenças ou simplesmente CID, tem por objetivo categorizar as descrições 
diagnósticas com base na organização das síndromes. A CID é publicada pela 
 
 
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Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo revista periodicamente e encontra-se 
na sua décima edição. 
O DSM-IV, abreviatura de Diagnostic and Statistical Manual of Mental 
Disorders - Fourth Edition (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais – 
Quarta Edição), é publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA). Assim 
como a CID, usa um sistema categórico. No entanto, considera-se um modelo 
ateórico, tendo por inspiração o modelo organicista. 
Além da CID, a OMS publicou, em 1976, a International Classification of 
Impairment, Disabilities and Handicaps (Classificação Internacional das Deficiências, 
Incapacidades e Desvantagens – CIDID). Nesta, Impairment (deficiência) é descrita 
como as anormalidades nos órgãos e sistemas e nas estruturas do corpo; disability 
(incapacidade) é caracterizada como as consequências da deficiência do ponto de 
vista do rendimento funcional, ou seja, no desempenho das atividades; handicap 
(desvantagem) reflete a adaptação do indivíduo ao meio ambiente resultante da 
deficiência e incapacidade (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189). 
Posterior a várias versões e inúmeros testes, a OMS publicou, em 2001, a 
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF 
(International Classification of Functioning, Disability and Health). 
A CIF é baseada, portanto, numa abordagem biopsicossocial que incorpora 
os componentes de saúde nos níveis corporais e sociais. Assim, na avaliação de 
uma pessoa com deficiência, esse modelo destaca-se do biomédico, baseado no 
diagnóstico etiológico da disfunção, evoluindo para um modelo que incorpora as três 
dimensões: a biomédica, a psicológica (dimensão individual) e a social. Sendo que 
(...) os conceitos apresentados na classificação introduzem um novo paradigma para 
pensar e trabalhar a deficiência e a incapacidade: elas não são apenas uma 
consequência das condições de saúde/doença, mas são determinadas também pelo 
contexto do meio ambiente físico e social, pelas diferentes percepções culturais e 
atitudes em relação à deficiência, pela disponibilidade de serviços e de legislação 
(FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189-190). 
 
 
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24 
 
Em 2002, a AAMR, atualmente AAIDD, definiu retardo mental (expressão 
adotada, à época, por seus proponentes) como sendo uma deficiência originada 
antes dos dezoito anos de idade, caracterizando-se por significativas limitações no 
que tange ao funcionamento intelectual, ao comportamento adaptativo e às 
habilidades práticas, sociais e conceituais (CARVALHO; MACIEL, 2003). 
Os autores acima destacam que o Sistema 2002 da AAMR é a referência 
para a classificação da deficiência mental e tem influenciado ainda outros 
importantes documentos, não apenas internacionais como também nacionais. 
A OMS lançou, em outubro de 2007, a Classificação Internacional de 
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde em versão para crianças e jovens (CIF – CJ). 
Esta é uma versão derivada da Classificação Internacional de Funcionalidade, 
Incapacidade e Saúde (CIF) desenvolvida para contemplar as características do 
desenvolvimento da criança e da influência dos ambientes que a cercam. A CIF – CJ 
pertence à “família” das classificações internacionais desenvolvidas pela OMS para 
aplicação em diversos aspectos relacionados à saúde. Atualmente, a classificação 
da Dl baseia-se mais em critérios adaptativos do que nos índices numéricos de QI. 
O comportamento adaptativo tem-se revelado fundamental na avaliação e 
classificação da Dl, associando a participação na vida ativa com a vida escolar, sem 
descuidar o aspecto sócio-emocional do deficiente intelectual (MORATO; SANTOS, 
2002). 
Este conceito alarga os aspectos a serem avaliados após o diagnóstico da 
Dl, uma vez que anteriormente se utilizava apenas o QI do indivíduo como referência 
que os classifica em leve, moderado, severo ou profundo (LUCKASSON et al. 1997 
apud SOUSA, 2010). 
Abaixo temos uma breve comparação das classificações para deficiência 
mental/intelectual. 
1) AAIDD 
Definição: deficiência caracterizada por limitações significativas no 
funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo – habilidades práticas, 
sociais e conceituais – originando-se antes dos dezoito anos de idade. 
 
 
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Tipos de Apoio: 
 intermitente (Episódico) – o apoio se efetua apenas quando necessário. 
Caracteriza-se por sua natureza episódica, com duração limitada, ou seja, 
nem sempre a pessoa necessita de apoio, mas durante momentos, em 
determinados ciclos da vida; 
 limitado (consistente) – apoios intensivos caracterizados por duração 
contínua, por tempo limitado, mas não intermitente. Como por exemplo, o 
treinamento do deficiente para o trabalho por tempo limitado ou apoios 
transitórios durante o período entre a escola, a instituição e a vida adulta; 
 extensivo (contínuo) – trata-se de um apoio caracterizado pela regularidade, 
normalmente diária em pelo menos em alguma área de atuação, tais como na 
vida familiar, social ou profissional. Nesse caso não existe uma limitação 
temporal para o apoio, normalmente se dá em longo prazo; 
 permanente (constante) – é o apoio constante e intenso, necessário em 
diferentes áreas de atividade da vida. Estes apoios exigem mais pessoal e 
maior intromissão que os apoios extensivos ou os de tempo limitado. 
 
2) CID-10 
Definição: F70-F79 – parada do desenvolvimento ou desenvolvimento 
incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por um 
comprometimento, durante o período de desenvolvimento, das faculdades que 
determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de 
linguagem, da motricidade e do comportamento social. O retardo mental pode 
acompanhar um outro transtorno mental ou físico, ou ocorrer de modo 
independentemente. 
As categorias são: 
F70 – retardo mental leve; 
F71 – retardo mental moderado; 
F72 – retardo mental grave; 
F73 – retardo mental profundo; 
 
 
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26 
 
F78 – outro retardo mental; 
F79 – retardo mental não especificado. 
 
3) DSM-IV 
Definição: a característica essencial do Retardo Mental é um funcionamento 
intelectual significativamente inferior à média (Critério A), acompanhado de 
limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das 
seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, 
habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, autossuficiência, 
habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança (Critério B). O início 
deve ocorrer antes dos 18 anos (Critério C). 
Um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média é definido 
como um QI de cerca de 70 ou menos. Inversamente, o Retardo Mental não deve 
ser diagnosticado em um indivíduo com um QI inferior a 70, se não existirem déficits 
ou prejuízos significativos no funcionamento adaptativo. 
Nível de gravidade refletindo nível de prejuízo intelectual: 
 F70.9 - 317 retardo mental leve (QI de 50-55 a aproximadamente 70); 
 F71.9 - 318.0 retardo mental moderado (QI de 35-40 a 50-55); 
 F72.9 - 318.1 retardo mental severo (QIde 20-25 a 35-40); 
 F73.9 - 318.2 retardo mental profundo (QI abaixo de 20 ou 25); 
 F79.9 - 319 retardo mental, gravidade inespecificada – quando existe forte 
suposição de Retardo Mental, mas a inteligência da pessoa não pode ser 
testada por instrumentos padronizados. 
 
4) CIF 
Definição: deficiências são problemas nas funções ou nas estruturas do 
corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda significativa (AMIRALIAN et 
al., 2000). 
Classificação: 
 
 
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27 
 
 0 - sem deficiência; 
 1- deficiência leve; 
 2 - deficiência moderada; 
 3 - deficiência grave; 
 4 - deficiência completa; 
 8 - sem especificação; 
 9 - sem aplicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 4 – ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO 
 
Quando se fala em necessidades especiais e educação inclusiva, pensa-se, 
num primeiro momento, que ela está relacionada apenas a alunos com deficiência 
mental, auditiva, visual ou física, mas não podemos nos esquecer que as crianças 
superdotadas, talentosas e portadoras de altas habilidades existem e acabam 
fazendo parte do grupo de portadores de necessidades especiais por uma gama de 
justificativas, a primeira delas, porque não são compreendidas pelos professores e 
demais profissionais da educação, os quais geralmente não estão preparados para 
atender a esse público. 
Tentaremos identificá-los e mostrar como podemos atendê-los no cotidiano 
da escola, mas primeiro, vamos a alguns conceitos e definições que auxiliarão muito 
na detecção dessas crianças. 
PRECOCIDADE – chamamos precoce a criança que apresenta alguma 
habilidade específica prematuramente desenvolvida em qualquer área do 
conhecimento. 
GÊNIO – é aquele que não apenas possui um talento relevante como 
também utiliza de forma produtiva, gerando obras de valor. A superdotação 
intelectual não pode ser tratada como sinônimo de genialidade, pois indica apenas 
um dado tipo de capacidade mental, enquanto que a genialidade resulta de uma 
condição de intelecto, condições socioeconômico culturais, motivação e trabalho 
duro (AVELAR, 2009). 
SUPERDOTADOS – seriam, de acordo com essa definição, aquelas 
pessoas que apresentam traços consistentemente superiores em relação a uma 
média e que sejam permanentes, podendo ser identificados em épocas diferentes 
(AVELAR, 2009). 
No Brasil, em 1995, a partir das Diretrizes Gerais para o Atendimento 
Educacional aos Alunos Portadores de Altas Habilidades, Superdotação e Talentos, 
estabelecidas pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação e 
Desporto, foi proposta a seguinte definição: 
 
 
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altas habilidades referem-se aos comportamentos observados e/ou 
relatados que confirmam a expressão de ‘traços consistentemente 
superiores’ em relação a uma média (por exemplo: idade, produção ou série 
escolar) em qualquer campo do saber ou do fazer. Deve-se entender por 
‘traços’ as formas consistentes, ou seja, aquelas que permanecem com 
frequência e duração no repertório dos comportamentos da pessoa, de 
forma a poderem ser registradas em épocas diferentes e situações 
semelhantes (BRASIL, 1995, p. 13). 
 
Podemos ressaltar que essa definição destaca os traços e comportamentos 
acima da média relacionando-os à permanência e duração dos mesmos. 
A definição de superdotação que consta na Política Nacional de Educação 
Especial de 1994 diz que crianças superdotadas e talentosas são as que 
apresentam notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos 
seguintes aspectos, isolados ou combinados (quadro abaixo). 
 
Capacidade intelectual geral 
capacidade que envolve rapidez de pensamento, 
compreensão e memória elevadas, capacidade de 
pensamento abstrato. 
Aptidão acadêmica específica 
atenção, concentração, rapidez de aprendizagem, boa 
memória, motivação por disciplinas acadêmicas do 
seu interesse, capacidade de produção acadêmica. 
Pensamento criador ou produtivo originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas de forma diferente e inovadora. 
Capacidade de liderança 
sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, 
capacidade de resolver situações sociais complexas, 
poder de persuasão e de influência no grupo. 
Talento especial para as artes alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas. 
Capacidade psicomotora 
desempenho superior em velocidade, agilidade de 
movimentos, forçam resistência, controle e 
coordenação motora. 
 
 
 
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Um superdotado pode se destacar em uma área ou combinar várias, pode 
também apresentar graus de habilidades diferenciadas. Destaca-se aqui a questão 
das características e dos perfis individuais que são aspectos relevantes com relação 
à superdotação. Assim como nós, os superdotados podem apresentar sentimentos, 
atitudes e comportamentos diversificados, o que os caracteriza e os diferencia 
enquanto pessoa. 
Os pesquisadores George Betts e Maureen Neihart, após anos de estudos, 
pesquisas e observações, distinguiram os perfis dos alunos com altas habilidades 
em 6 tipos: bem sucedido, desafiante, escondido, desistente, rótulo duplo e 
autônomo (tipos explicados ao final da unidade). 
Essa tipificação não é um modelo diagnóstico de classificação, mas sim um 
referencial teórico que tem o objetivo de conscientizar-nos de que esses alunos são 
influenciados pela educação recebida pela família, pelas vivências, por seus 
relacionamentos, sentimentos e pelo desenvolvimento pessoal de cada um. 
Conhecer esses perfis e tipos é importante, pois, a partir deles o educador 
poderá traçar objetivos educacionais apropriados para o aluno superdotado e 
talentoso. 
Joseph Renzulli foi pioneiro ao dizer que os comportamentos de 
superdotação consistem de inter-relação de três traços humanos que são: 
 habilidade acima da média em alguma área do conhecimento – não 
necessariamente muito superior à média. Um dos pilares fundamentais que 
manifesta a potencialidade superior em todo e qualquer campo do 
desempenho humano e envolve duas dimensões: a) habilidades gerais – 
incidem na aptidão de processar/apreender informações, agregar 
experiências que resultem em respostas apropriadas e adequadas a novas 
situações e na capacidade de se engajar às experiências abstratas; e, b) 
habilidades específicas – constituem-se na habilidade de adquirir 
conhecimento, prática e agilidade para atuar em uma ou mais atividades de 
determinadas áreas do saber e/ou fazer; 
 
 
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 envolvimento com a tarefa – motivação, vontade de realizar,perseverança, 
concentração. Refere-se a uma forma depurada e direcionada de motivação, 
uma força motriz canalizada para uma tarefa em particular ou uma área 
específica de atuação. Neste pilar, algumas palavras têm destaque especial 
para definir o envolvimento com a tarefa: perseverança, persistência, 
dedicação e autoconfiança; 
 criatividade – pensar algo diferente, ver novos significados, retirar ideias de 
um contexto e usá-las. Envolve aspectos que geralmente aparecem juntos, 
como fluência, flexibilidade, originalidade de pensamento, abertura a novas 
experiências, curiosidade, sensibilidade e coragem para correr riscos. 
Conforme Alencar & Fleith (2001), na criatividade, constata-se uma 
multiplicidade de concepção. No entanto, as teóricas, por meio da análise de 
várias definições, enfatizam que um ponto fulcral é comum a todas: a 
elaboração de um produto novo, que venha atender às necessidades de uma 
dada cultura. 
 
 
Fonte: Renzulli (2004) 
Para ele, superdotados são aqueles que possuem esse conjunto de traços 
concomitantemente. 
 
 
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Segundo estudos de Guenther (1995), para identificar um superdotado pode-
se usar o teste de QI e a técnica de autoidentificação, conforme apresentamos 
abaixo: 
A – Testes de Inteligência2 (QI) 
Até algumas décadas atrás, o processo de identificação era relativamente 
fácil, pois, para tanto, bastava-se aplicar os testes de inteligência (QI). Entretanto, 
nos últimos anos, observou-se a ineficácia desses testes. Winner (1998, p. 15) diz 
que os testes de QI medem uma estreita gama de habilidades humanas, 
principalmente facilidade com linguagem e número. Há poucas evidências de que 
superdotação em áreas não acadêmicas, como artes ou música, requeiram um QI 
excepcional. 
Nesse sentido, há uma parcela da população que não está incluída nessas 
estatísticas, já que os testes padronizados não privilegiam áreas mais subjetivas, por 
exemplo, habilidades sinestésicas. 
A partir desse conhecimento, percebe-se que para a identificação de 
crianças superdotadas, múltiplos critérios devem ser utilizados considerando-se 
informações obtidas de fontes variadas, incluindo tanto a criança, como seus 
professores, pais e colegas, além, naturalmente, daquelas obtidas pelo psicólogo 
através do uso de testes. Além disso, existem muitos fatores que podem afetar sua 
pontuação, como o cansaço, doenças ou distração. 
Talento musical, artístico e vários outros não são medidos, mas os testes 
dão uma boa indicação de sua habilidade de pensar, raciocinar e resolver 
problemas, o que acaba sendo um fator crítico para o sucesso na vida. 
B – Técnica de autoidentificação 
A técnica de autoidentificação é uma das técnicas sugeridas por Guenther 
(1995) para ajudar nesse processo de identificação. Ela consiste em perguntar à 
 
2
 QI é um rateio geral de sua habilidade de pensar e raciocinar. Sua pontuação é realmente uma 
indicação de como você se compara em relação à maioria das pessoas em seu grupo de idade. Uma 
pontuação de 100, por exemplo, significa que, quando comparado à maioria das pessoas em seu 
grupo de idade, você tem um nível de inteligência normal. Muitos psicólogos consideram aqueles que 
oscilam entre 95 e 100 como tendo QI normal ou médio. 
 
 
 
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criança sobre seus hobbies e interesses principais, as atividades desenvolvidas fora 
da escola, formas de pensamento preferidas, bem como reações a elementos de 
seu ambiente. A nomeação pelos companheiros de sala de aula, dos alunos que se 
destacam em alguns traços é outro critério que deve ser utilizado no processo de 
identificação. 
É muito importante o julgamento, a avaliação e a observação do professor. 
Este desempenha um papel significativo no processo de identificação, no sentido de 
atender às necessidades desses alunos e favorecer o seu desenvolvimento. Para 
facilitar essa identificação, Antipoff (1992, p. 23) sugere ao professor atentar-se: 
 ao melhor aluno; 
 àquele com vocabulário maior; 
 ao aluno mais criativo e original; 
 ao aluno com maior capacidade de liderança; 
 ao aluno com pensamento crítico mais desenvolvido; 
 ao aluno com maior motivação para aprender; 
 ao aluno que os colegas mais gostam; 
 ao aluno com maior interesse nas áreas das ciências; 
 ao aluno que está mais avançado na escola em relação à idade. 
Winner (1998) ressalta também algumas características apresentadas em 
relação às habilidades escolares, algumas atitudes às quais todo professor deve 
ficar atento: 
 leitura precoce por volta dos quatro anos, ou antes, com instrução mínima; 
 fascínio por números e relações numéricas; 
 memória prodigiosa para informações verbais e/ou matemáticas; 
 frequentemente brincam sozinhas e apreciam a solidão; 
 preferem amigos mais velhos, próximos a ela em idade mental; 
 interessam-se por problemas filosóficos, morais, políticos e sociais; 
 
 
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 apresentam alto senso de humor em decorrência de habilidades verbais. 
Visto que o conceito de superdotação é multidimensional, deve-se observar 
também aqueles alunos que se destacam em artes, criatividade, esporte, dança, 
música e não somente em talentos acadêmicos (AVELAR, 2009). 
Existem muitos mitos com relação às crianças superdotadas e talentosas 
tais como: elas conseguem se desenvolver sozinhas sem ajuda, elas são 
fisicamente fracas, são emocionalmente instáveis, elas não são produtivas por muito 
tempo, ou seja, o talento desaparece na vida adulta. Dizem também que a criança 
nasce assim e nada poderá modificá-la, que a criança superdotada continuará a 
demonstrar habilidade intelectual superior independentemente das condições 
ambientais, que a boa dotação é sinônimo de alta produtividade na vida, que 
superdotação é um fenômeno muito raro, sendo poucas as crianças e jovens de 
nossas escolas que podem ser de fato consideradas superdotadas, a criança 
superdotada necessariamente terá um bom rendimento na escola, entre outros 
(WINNER, 1998). 
Para Avelar (2009), esses fatos precisam ser revistos e repensados por 
todos e cabe aos educadores, uma parcela importante no sentido de reconhecer 
capacidades e talentos especiais dos alunos. É preciso que se aprenda a educar no 
sentido de orientar as crianças superdotadas de modo a aumentar, desenvolver, 
crescer e aperfeiçoar sua capacidade e talento. 
Segundo Gallagher (s.d apud Guenther, 2000), três elementos são de uma 
maneira geral essenciais para atender a esses alunos dentro do contexto 
educacional: 
 
1.Modificação do ambiente 
agrupar os alunos mais capazes em grupos 
compatíveis para a realização de atividades paralelas 
ou integradas no trabalho regular da sala de aula. 
 
2.Modificação da postura do 
professor 
o professor na maioria das vezes procura e oferece 
respostas para problemas, conceitos e conteúdos 
colocados em sala de aula, essa posição deve ser 
revista. Por que não colocar questões para os alunos 
ao invés de oferecer respostas prontas e acabadas? 
Dessa maneira eles procurarão por soluções. O 
ensino deve ser centrado nacompreensão da 
natureza do problema ao invés de respostas certas. 
 
 
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35 
 
 
3.Modificação do conteúdo 
ensinado 
os conteúdos devem enfocar temas maiores, ideias 
abrangentes que integram uma gama maior de 
conhecimento, dentro de diversas matérias e 
disciplinas do currículo. As estratégias mais comuns 
para modificação do conteúdo curricular estão 
centradas na aceleração, no enriquecimento, 
sofisticação e novidade. 
 
Muito pode ser feito para os alunos superdotados talentosos. 
Ainda é Avelar (2009) quem nos dá boas dicas: 
 
caso você seja um professor consciente e deseja estimular ao máximo o 
potencial e talento de seus alunos mais capazes com ações que 
desenvolvam a criatividade, que estimulem a vontade do querer aprender e 
conhecer sempre mais e mais, nunca se esqueça de respeitar os 
interesses, características e áreas de talentos de cada um, pois somente 
dessa maneira, você poderá oportunizar que as potencialidades desses 
alunos germinem por todo o sempre. 
 
Nos dois quadros abaixo apresentamos os tipos de superdotados, de acordo 
com estudos de Betts e Neihat (citados anteriormente), mais a título de curiosidade e 
enriquecimento do que para uso como diagnóstico, pois as características podem 
variar de indivíduo para indivíduo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 5 - ATENDIMENTO EDUCACIONAL 
ESPECIALIZADO – AEE 
 
O atendimento educacional especializado é uma modalidade de ensino que 
perpassa todos os níveis, graus e etapas do percurso escolar e tem como objetivos, 
entre outros, identificar as necessidades e possibilidades do aluno com deficiência, 
elaborar planos de atendimento, visando ao acesso e à participação no processo de 
escolarização em escolas comuns, atender o aluno com deficiências no turno oposto 
àquele em que ele frequenta a sala comum, produzir e/ou indicar materiais e 
recursos didáticos que garantam a acessibilidade do aluno com deficiência aos 
conteúdos curriculares, acompanhar o uso desses recursos em sala de aula, 
verificando sua funcionalidade, sua aplicabilidade e a necessidade de eventuais 
ajustes, e orientar as famílias e professores quanto aos recursos utilizados pelo 
aluno (SARTORETTO; SARTORETTO, 2008). 
O atendimento educacional especializado disponibiliza programas de 
enriquecimento curricular no caso de altas habilidades, o ensino de linguagens e 
códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e recursos de 
tecnologia assistiva, dentre outros. Ao longo de todo processo de escolarização, 
esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino 
comum. 
A inclusão escolar tem início na educação infantil, onde se desenvolvem as 
bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento 
global. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a 
riqueza de estímulos nos aspectos físico, cognitivo, emocional, psicomotor e social e 
a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a 
valorização da criança. Nesse sentido, o atendimento educacional especializado 
deve estar presente em todas as etapas e modalidades da educação básica, e se 
destina a apoiar o desenvolvimento dos alunos com deficiências, transtornos globais 
do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. De oferta obrigatória dos 
sistemas de ensino, deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na 
própria escola ou em centro especializado que realize esse serviço educacional. 
 
 
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O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de 
profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de 
Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, do 
sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida 
autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais 
superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção 
de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não 
ópticos, da tecnologia assistiva e outros. 
Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua 
formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e 
conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no 
atendimento educacional especializado e deve aprofundar o caráter interativo e 
interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de 
recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de 
acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos 
ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. 
O atendimento educacional especializado destina-se normalmente aos 
alunos da escola que apresentam algum tipo de deficiência, mas pode estender-se 
também aos alunos de escolas próximas, nas quais esse tipo de serviço ainda não 
esteja organizado. Pode ser realizado individualmente ou em pequenos grupos, em 
horário diferente daquele em que frequentam a classe comum. 
O Decreto nº 6.571, de 17 de setembro de 2008, além da sua disposição 
sobre o apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, ele tem como finalidade a ampliação da oferta do 
Atendimento Educacional Especializado aos alunos com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na 
rede pública de ensino regular. 
De acordo com o disposto neste documento, considera-se Atendimento 
Educacional Especializado – AEE – o conjunto de atividades, recursos de 
acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma 
complementar ou suplementar à formação do ensino regular. 
 
 
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Neste sentido, são objetivos do atendimento educacional especializado: 
I – prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino 
regular aos alunos referidos no artigo 1°; 
II – garantir a transversalidade das ações da educação especialno ensino 
regular; 
III – fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que 
eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e, 
IV – assegurar condições para a continuidade de estudos e nos demais 
níveis de ensino. 
 
3.1 Conceito e definição 
O Atendimento Educacional Especializado (AEE), segundo Mantoan (2004), 
refere-se ao serviço de apoio para melhor atender às especificidades dos alunos 
com deficiência, complementando a educação escolar e devendo estar disponível 
em todos os níveis de ensino. 
A autora diz que a Constituição admite ainda que o atendimento educacional 
especializado deve ser, preferencialmente, oferecido na rede regular de ensino, no 
entanto, também pode ser oferecido fora da rede regular, já que é um complemento 
e não um substitutivo do ensino ministrado na escola comum para todos os alunos. 
Ele deve ser oferecido em horários distintos das aulas das escolas comuns, 
com outros objetivos, metas e procedimentos educacionais. Suas ações são 
definidas conforme o tipo de deficiência que se propõe a atender. O AEE, é de 
acordo com o MEC e a Secretaria de Educação Especial, um serviço da Educação 
Especial que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de 
acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, 
considerando as suas necessidades específicas. 
Fávero (2007, p.15 - 16) afirma que: 
 
 
 
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41 
 
[...] o simples fato de referir a pessoas com deficiência e seu direito à 
educação faz com que surja, de imediato, a noção de que é uma 
diferenciação mais que válida, necessária de tão acostumados que todos 
estão a identificar tais pessoas como titulares de um ensino especial. [...] 
este verdadeiro desafio, que coloca em xeque o costume de associar 
pessoas com deficiência a um ensino diferente apartado, porque as 
soluções que podem surgir disso, além de garantir as pessoas com 
deficiência o seu direito de igualdade, talvez seja uma contribuição para 
melhoria da qualidade de ensino em geral. 
 
 
Pode-se então compreender que de fato o AEE está garantido na legislação, 
contudo não há práticas de ensino específicas para inclusão, a não ser recursos que 
podem auxiliar os processos de ensino e de aprendizagem. O professor, de um 
modo geral, deve considerar as possibilidades de desenvolvimento de cada aluno e 
explorar sua capacidade de aprender. Os alunos com deficiências e condutas 
típicas, devido às suas particularidades, podem necessitar de estratégias, ações e 
recursos diferenciados para que o seu direito à educação seja assegurado. O 
conjunto desses serviços também é oferecido pelo Atendimento Educacional 
Especializado, que devem ser organizados institucionalmente em escolas públicas, 
mas podendo também atender alunos de escolas particulares, atendendo alunos da 
educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, para apoiar e complementar 
os serviços educacionais comuns de forma a favorecer o desenvolvimento desses 
alunos (BRASIL, 2007). 
Assim, o AEE complementa ou suplementa a formação do aluno com vistas 
à sua autonomia e independência na escola e fora dela. E sob o ponto de vista da 
legalidade, um dos pontos de discussão é garantir a aplicação da igualdade de 
acesso à educação formal, assim entramos num dilema que é saber [...] em qual 
hipótese “tratar igualmente o igual e desigualmente o desigual”, fórmula proposta 
ainda na Antiguidade, por Aristóteles. A utilização da fórmula aristotélica, pura e 
simplesmente, já demonstrou que, em certos casos, pode até configurar uma 
conduta discriminatória. Esta fórmula, em razão de sua sabedoria, jamais foi 
alterada, mas vem sendo constantemente aprimorada. A doutrina e jurisprudência 
existentes oferecem como solução o imperativo de tratamento igual para todos, 
 
 
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admitindo-se os tratamentos diferenciados apenas como exceção e desde que eles 
tenham um fundamento razoável para sua adoção (FÁVERO, 2007, p.13). 
Portanto, o AEE é um recurso educacional que propõe estratégias de apoio 
e complementação colocados à disposição dos alunos com deficiências e condutas 
típicas, proporcionando diferentes alternativas de atendimento, de acordo com as 
necessidades educacionais especiais de cada aluno, podendo assim de fato garantir 
o direito à educação plena e de qualidade (OLIVEIRA; ARAÚJO, 2010). 
O Atendimento Educacional Especializado na forma de apoio representa os 
atendimentos que favorecem o acesso ao currículo, podendo ser oferecidos dentro, 
como apoio ao professor relacionado a estratégias em sala de aula, ou fora da sala 
de aula no contraturno da escolarização, no caso para atendimento do aluno. 
Segundo Silva e Maciel (2005), o AEE na forma de complementação 
representa um trabalho pedagógico complementar necessário ao desenvolvimento 
de competências e habilidades próprias nos diferentes níveis de ensino, deve ser 
realizado no contraturno da escolarização do aluno e se efetiva por meio dos 
seguintes serviços: salas de recursos; oficinas pedagógicas de formação e 
capacitação profissional. 
Em linhas gerais, o objetivo do AEE, é o de oferecer o que não é próprio dos 
currículos da base nacional comum, possuindo outros objetivos, metas e 
procedimentos educacionais. Segundo Silva; Maciel (2005, p. 5), 
 
suas ações são definidas conforme o tipo de deficiência ou condutas típicas 
que se propõe a atender, bem como deve contemplar as necessidades 
educacionais especiais de cada aluno, as quais devem estar 
fundamentadas na avaliação pedagógica. 
 
De todo modo, o Atendimento Educacional Especializado não deve ser 
confundido com o reforço escolar nem como atendimento clínico, ou como substituto 
dos serviços educacionais comuns. 
Ressalta-se que a escolarização dos alunos com deficiências e condutas 
típicas deve ser um compromisso da escola e compete à classe comum, que deve 
 
 
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responder às necessidades dos educandos com práticas que respeitem as 
diferenças (SILVA; MACIEL, 2005). 
No que se refere à formação do profissional para atuar na sala de recursos, 
o professor da sala de recursos deverá ter curso de graduação, pós-graduação e/ou 
formação continuada que o habilite para atuar em áreas da educação especial para 
o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. Essa formação 
é específica para cada deficiência ou condutas típicas (OLIVEIRA; ARAÚJO, 2010). 
Portanto, o AEE se valida, de acordo com Fávero (2007), por ser um 
tratamento diferenciado, que tem sede constitucional, e que não exclui as pessoas 
com deficiência dos demais princípios e garantias relativos à educação. Assim, o 
Atendimento Educacional Especializado será válido somente se de fato levar o 
direito à educação. 
 
3.2 As salas de recursos 
Lócus privilegiado do atendimento educacional especializado, a sala de 
recursos multifuncionais torna palpáveis e concretos, em nível de escola, os 
objetivos da política nacional de educação especial, seja pelo conjunto de meios e 
recursos que nela são colocados à disposição do aluno com deficiências, seja, 
sobretudo, pelo fato de que é na escola comum que a salade recursos 
multifuncionais deve funcionar (SARTORETTO; SARTORETTO, 2010). 
As salas de recursos são espaços da escola onde se realiza o atendimento 
educacional especializado de alunos com necessidades educacionais especiais, 
matriculados na escola comum. O atendimento em salas de recursos constitui um 
serviço educacional de natureza pedagógica, feito por professor especializado, num 
espaço dotado de materiais, equipamentos e recursos pedagógicos adequados às 
necessidades educacionais dos alunos da escola que apresentam dificuldades 
acentuadas em relação à aprendizagem, vinculadas a algum tipo de deficiência ou 
não. 
A sala de recursos multifuncionais é, portanto, um espaço da escola comum 
provido de materiais didáticos, pedagógicos e de tecnologia assistiva, onde 
 
 
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trabalham profissionais com formação específica para o atendimento dos alunos 
com dificuldades educacionais especiais em razão de algum tipo de deficiência 
(auditiva, visual, motora, cognitiva, verbal), de transtornos globais de 
desenvolvimento ou de altas habilidades/superdotação. 
Chama-se sala de recursos multifuncionais, precisamente, porque nela se 
concentram materiais didáticos, equipamentos e profissionais aptos a atender, de 
forma flexível, aos diversos tipos de necessidades educacionais especiais 
(SARTORETTO; SARTORETTO, 2010). 
A sala de recursos é parte do Atendimento Educacional Especializado que 
propõe a complementação do atendimento educacional comum. As atividades nesta 
sala devem ocorrer em horário diferente ao turno do ensino regular, para alunos com 
quadros de deficiências (auditiva, visual, física, mental ou múltipla) ou de condutas 
típicas (síndromes e quadros psicológicos complexos, neurológicos ou psiquiátricos 
persistentes) matriculados em escolas comuns, em qualquer dos níveis de ensino, 
considerando-se que na sala deve haver equipamentos e recursos pedagógicos 
adequados às necessidades especiais. O agrupamento dos alunos deverá ocorrer 
por necessidades especiais semelhantes e mesma faixa etária. 
De acordo com Fávero (2007, p.17), elas garantem “[...] o direito a 
educação, direito humano”, fundamental para o desenvolvimento social do aluno 
com necessidades educacionais especiais. Deste modo, os alunos com 
necessidades educacionais especiais têm assegurado na Constituição Federal de 
1988, o direito à educação (escolarização) realizada em classes comuns e ao 
atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à 
escolarização, que deve ser realizado preferencialmente em salas de recursos na 
escola onde estejam matriculados, em outra escola, ou em centros de atendimento 
educacional especializado. 
Esse direito também está assegurado na LDBEN – Lei n° 9.394/96, no 
parecer do CNE/CEB nº 17/01, na Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 
2001, na Lei nº 10.436/02 e no Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. As 
salas de recursos multifuncionais são espaços da escola onde se realiza o 
atendimento educacional especializado para alunos com necessidades educacionais 
 
 
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especiais, por meio do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, centradas 
em um novo fazer pedagógico que favoreça a construção de conhecimentos pelos 
alunos, subsidiando-os para que desenvolvam o currículo e participem da vida 
escolar (ALVES, 2006, p.13). 
A sala de recursos é um espaço que deve conter materiais didáticos, 
pedagógicos, equipamentos e profissionais com formação para o atendimento às 
necessidades educacionais especiais. No que se refere ao atendimento, é 
necessário que o profissional que nela atua considere as diversas áreas de 
conhecimento, os aspectos relacionados ao estágio de desenvolvimento cognitivo 
dos alunos, o nível de escolaridade, os recursos específicos para sua aprendizagem 
e as atividades de complementação e suplementação curricular (ALVES, 2006). 
No que se refere ao atendimento da sala de recursos, se resume ao número 
de 15 a 20 alunos por turma, sendo que o atendimento pode ser coletivo (até 08 
alunos por grupo), devendo ser individualizado quando o aluno demandar apoio 
intenso e diferenciado do grupo, atendimento organizado em módulos de 50 minutos 
até 2 horas/dia; atendimento de alunos de várias escolas da região (BRASIL, 2007). 
Podemos concluir então que não é o aluno que tem que se adaptar à escola, 
mas é ela que, consciente da sua função, coloca-se à disposição do aluno, tornando 
assim a escola um espaço inclusivo. A educação especial é concebida para 
possibilitar que o aluno com necessidades educacionais especiais atinja os objetivos 
propostos para sua educação no ensino regular (BRASIL, 2004). 
A sala de recursos deve ser vista como um espaço organizado com 
materiais didáticos, pedagógicos, equipamentos e profissionais com formação para o 
atendimento às necessidades educacionais especiais. Esse espaço pode ser 
utilizado para o atendimento das diversas necessidades, assim, uma mesma sala de 
recursos, pode ser organizada com diferentes equipamentos e materiais, tendo 
capacidade para atender, conforme cronograma e horários diferenciados, alunos 
surdos, cegos, com baixa visão, com deficiência mental, com deficiência física, com 
deficiência múltipla ou com condutas típicas, desde que o professor tenha formação 
compatível, além de também poder promover apoio pedagógico ao professor da 
classe comum do aluno. 
 
 
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Nesse serviço complementar, implica abordar questões pedagógicas que 
são diferentes das oferecidas no ensino regular e que são necessárias para melhor 
atender às especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais, 
para que os mesmos sejam ativos tanto na sala de aula regular quanto em 
sociedade. Fica claro que a abordagem na sala de recursos não pode ser 
confundida com uma mera aula de reforço (repetição da prática educativa da sala de 
aula), nem com o atendimento clínico, tão pouco um espaço de socialização. 
Reafirma-se o caráter pedagógico desse atendimento, cujo objetivo é suprir 
a necessidade do aluno, assegurando o direito de acesso a recursos que possam 
potencializar suas capacidades, promover o seu desenvolvimento e aprendizagem e, 
consequentemente, levar o aluno à sua própria emancipação, garantindo, assim, 
uma plena convivência social (MINAS GERAIS, 2005), possibilitando a firmação da 
proposta inclusivista, que é a de educar com qualidade, e promover o princípio da 
equidade. 
 
5.3 A sala de recurso para deficiência intelectual 
 
Os alunos com deficiência mental/intelectual, especialmente os casos mais 
severos, são os que forçam a escola a reconhecer a inadequação de suas práticas 
para atender às diferenças dos educandos. De fato, as práticas escolares 
convencionais não dão conta de atender a esse tipo de deficiência, em todas as 
suas manifestações, assim como não são adequadas às diferentes maneiras dos 
alunos, sem qualquer deficiência, abordarem e entenderem um conhecimento de 
acordo com suas capacidades (MINAS GERAIS, 2005). Essas práticas precisam ser 
urgentemente revistas, porque, no geral, elas são marcadas pelo conservadorismo, 
são excludentes e inviáveis para os alunosque temos hoje nas escolas, em todos os 
seus níveis. 
Alves (2006) salienta que atendimento para alunos com deficiência mental 
na sala de recursos deve [...] ser realizadas as adequações necessárias para 
participação e aprendizagem desses alunos, por meio de estratégias teórico-
metodológicas que lhes permitam o desenvolvimento cognitivo e a apropriação ativa 
 
 
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do saber. As atividades têm como objetivo o engajamento do aluno em um processo 
particular de descoberta e o desenvolvimento de relacionamento recíproco entre a 
sua resposta e o desafio apresentado pelo professor (MINAS GERAIS, 2006, p.07). 
No caso do AEE para a deficiência mental/intelectual, tem suas 
particularidades, pelo aluno ter condutas típicas referentes a sua deficiência, assim 
as estratégias de ação tem que ser pensadas conforme a necessidade do aluno e 
não um padrão de desenvolvimento, e, portanto, cabe ao professor que atua na sala 
de recursos pensar em estratégia que possam dar um conteúdo e uma significação 
que sustente a produção desses saberes. Para se diminuir o acaso e a imprecisão, 
são necessários os conhecimentos científicos, mas também os conhecimentos 
escolares, que se materializam no currículo e contribuem para a normalização dos 
sujeitos para viverem socialmente. 
Para tanto, Vygotsky (s.d apud ALVES, 2006) afirma que uma criança com 
deficiência mental não é simplesmente menos desenvolvida que outra da sua idade, 
mas é uma criança que se desenvolve de outro modo. Para ele, as funções 
psicológicas superiores, que são características do ser humano, estão ancoradas, 
por um lado, nas características biológicas da espécie humana e, por outro, são 
desenvolvidas ao longo de sua história social. Assim, não existe uma única forma de 
aprender e tampouco uma única forma de ensinar, mas o “bom aprendizado” é, para 
Vygotsky, aquele que envolve sempre a interação com outros indivíduos e a 
interferência direta ou indireta deles, e, fundamentalmente, o respeito ao modo 
peculiar de cada um aprender. 
Deste modo, na sala de recursos devem ser realizadas adequações 
necessárias para participação e aprendizagem desses alunos, por meio de 
estratégias teórico-metodológicas que lhes permitam o desenvolvimento cognitivo e 
a apropriação ativa do saber. As atividades têm como objetivo o engajamento do 
aluno em um processo particular de descoberta e o desenvolvimento de 
relacionamento recíproco entre a sua resposta e o desafio apresentado pelo 
professor (ALVES, 2006). 
 
 
 
 
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5.4 Atribuições do professor no AEE 
 
É necessário que o professor que atue na sala de AEE, tenha passado 
inicialmente por uma formação que o habilitou para o exercício da docência e 
também por outra formação específica na educação especial, inicial ou continuada, 
pois o mesmo terá diversas atribuições no AEE. 
São atribuições do professor no AEE: 
1. elaborar, executar e avaliar o Plano de AEE do aluno, contemplando a 
identificação das habilidades e necessidades educacionais específicas dos 
alunos; a definição e a organização das estratégias, serviços e recursos 
pedagógicos e de acessibilidade; o tipo de atendimento conforme as 
necessidades educacionais específicas dos alunos; e, o cronograma do 
atendimento e a carga horária, individual ou em pequenos grupos; 
2. implementar, acompanhar e avaliar a funcionalidade e a aplicabilidade dos 
recursos pedagógicos e de acessibilidade no AEE, na sala de aula comum e 
demais ambientes da escola; 
3. produzir materiais didáticos e pedagógicos acessíveis, considerando as 
necessidades educacionais específicas dos alunos e os desafios que este 
vivencia no ensino comum, a partir dos objetivos e atividades propostas no 
currículo; 
4. estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando a 
disponibilização dos serviços e recursos e o desenvolvimento de atividades 
para a participação e aprendizagem dos alunos nas atividades escolares; 
5. orientar os professores e as famílias sobre os recursos pedagógicos e de 
acessibilidade utilizados pelo aluno de forma a ampliar suas habilidades, 
promovendo sua autonomia e participação; 
6. desenvolver atividades do AEE, de acordo com as necessidades 
educacionais específicas dos alunos, tais como o ensino da Língua Brasileira 
de Sinais-Libras; ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para 
 
 
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alunos com deficiência auditiva ou surdez; ensino da Informática acessível; 
ensino do sistema Braille; ensino do uso do soroban; 
7. Ensino das técnicas para a orientação e mobilidade; ensino da Comunicação 
Aumentativa e Alternativa – CAA; ensino do uso dos recursos de Tecnologia 
Assistiva – TA; atividades de vida autônoma e social; atividades de 
enriquecimento curricular para as altas habilidades/superdotação; e, 
atividades para o desenvolvimento das funções mentais superiores (SANTOS, 
2011). 
Assim, o professor que atua no AEE, desempenhará atividades 
complementares e/ou suplementares na tentativa de eliminação das possíveis 
barreiras existentes, com o intuito único de gerar uma participação mais efetiva dos 
alunos, considerando efetivamente as suas necessidades específicas (LIMA; 
SANTOS, 2011). 
 
3.5 A importância da revisão do PPP e do currículo escolar 
 
Ao promover a inclusão, é preciso rever o projeto político pedagógico (PPP) 
e o currículo da escola. O PPP deve contemplar o atendimento à diversidade e o 
aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. Já o currículo deve prever 
a flexibilização das atividades (com mais recursos visuais, sonoros e táteis) para 
contemplar as diversas necessidades dos alunos. 
Na implantação da Sala de Recursos Multifuncionais para a oferta de AEE, 
compete à escola: 
a) contemplar, no Projeto Político Pedagógico - PPP da escola, a oferta do 
atendimento educacional especializado, com professor para o AEE, recursos e 
equipamentos específicos e condições de acessibilidade; 
b) construir o PPP considerando a flexibilidade da organização do AEE, 
realizado individualmente ou em pequenos grupos, conforme o Plano de AEE de 
cada aluno; 
 
 
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c) matricular, no AEE realizado em sala de recursos multifuncionais, os 
alunos público-alvo da educação especial matriculados em classes comuns da 
própria escola e os alunos de outra(s) escola(s) de ensino regular, conforme 
demanda da rede de ensino; 
d) registrar, no Censo Escolar MEC/INEP, a matrícula de alunos público-alvo 
da educação especial nas classes comuns; e as matrículas no AEE realizado na 
sala de recursos multifuncionais da escola; 
e) efetivar a articulação pedagógica entre os professores que atuam na sala 
de recursos multifuncionais e os professores das salas de aula comuns, a fim de 
promover as condições de participação e aprendizagem dos alunos; 
f) estabelecer redes de apoio e colaboração com as demais escolas da rede, 
as instituiçõesde educação superior, os centros de AEE e outros, para promover a 
formação dos professores, o acesso a serviços e recursos de acessibilidade, a 
inclusão profissional dos alunos, a produção de materiais didáticos acessíveis e o 
desenvolvimento de estratégias pedagógicas; 
g) promover a participação dos alunos nas ações intersetoriais articuladas 
junto aos demais serviços públicos de saúde, assistência social, trabalho, direitos 
humanos, entre outros (NOTA TÉCNICA – SEESP/GAB/Nº 11/2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 6 – IDENTIFICAÇÃO/CARACTERIZAÇÃO E 
TRABALHO COM ALTAS HABILIDADES 
 
Segundo Virgolim (2007), a literatura é abundante nas listagens de 
características das crianças superdotadas. Embora os autores difiram na forma com 
que abordam as altas habilidades/superdotação, algumas características são 
comuns a todos eles. 
Renzulli (2004), por exemplo, chama a atenção para duas categorias amplas 
e distintas de habilidades superiores: a superdotação escolar e a superdotação 
criativo-produtiva. 
A superdotação escolar pode também ser chamada de “habilidade do teste 
ou da aprendizagem da lição”, pois é o tipo mais facilmente identificado pelos testes 
de QI para a entrada nos programas especiais. Como as habilidades medidas nos 
testes de QI são as mesmas exigidas nas situações de aprendizagem escolar, o 
aluno com alto QI também tira boas notas na escola. 
A ênfase neste tipo de habilidade recai sobre os processos de aprendizagem 
dedutiva, treinamento estruturado nos processos de pensamento, e aquisição, 
estoque e recuperação da informação. 
As crianças que apresentam a superdotação escolar tendem a apresentar as 
seguintes características (Renzulli & Reis, 1997 apud VIRGOLIM, 2007): 
 tira notas boas na escola – apresenta grande vocabulário; 
 gosta de fazer perguntas – necessita pouca repetição do conteúdo escolar; 
 aprende com rapidez – apresenta longos períodos de concentração; 
 tem boa memória – é perseverante; 
 apresenta excelente raciocínio verbal e/ou numérico – é um consumidor de 
conhecimento; 
 lê por prazer – tende a agradar aos professores; 
 
 
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 gosta de livros técnicos/profissionais – tendência a gostar do ambiente 
escolar. 
Dentre suas características afetivo-emocionais deste grupo, Renzulli e Reis 
(1997 apud VIRGOLIM, 2007) destacam: 
 o superdotado do tipo “escolar” tem necessidade de saber sempre mais e 
busca ativamente por novas aprendizagens. No entanto, pode estabelecer 
metas irrealisticamente altas para si mesmo (às vezes reforçadas pelos pais) 
e sofrer por medo de não atingir tais metas. 
 demonstra perseverança nas atividades motivadoras a ele; 
 apresenta grande necessidade de estimulação mental; 
 apresenta grande intensidade emocional; 
 tem paixão em aprender; 
 revela intenso perfeccionismo. 
Já a superdotação criativo-produtiva implica o desenvolvimento de materiais 
e produtos originais; aqui, a ênfase é colocada no uso e aplicação da informação – 
conteúdo – e processos de pensamento de forma integrada, indutiva, e orientada 
para os problemas reais. O aluno, nesta abordagem, é visto como um “aprendiz em 
primeira-mão”, no sentido de que ele trabalha nos problemas que têm relevância 
para ele e são considerados desafiadores. 
As crianças que apresentam a superdotação do tipo criativo-produtiva 
tendem a apresentar as seguintes características (Renzulli & Reis, 1997 apud 
VIRGOLIM, 2007): 
 não necessariamente apresenta QI superior – pensa por analogias; 
 é criativo e original – usa o humor; 
 demonstra diversidade de interesses – gosta de fantasiar; 
 gosta de brincar com as ideias – não liga para as convenções; 
 é inventivo, constrói novas estruturas – é sensível a detalhes; 
 procura novas formas de fazer as coisas – é produtor de conhecimento; 
 
 
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 não gosta da rotina – encontra ordem no caos. 
 
Algumas características de personalidade são típicas de um grande número 
de crianças com altas habilidades na área acadêmica, conforme o ponto de vista de 
Silverman (1993), Galbraith e Delisle (2002) e Neihart, Reis, Robinson e Moon 
(2002), citados por Virgolim (2007), que também indicam formas de serem 
trabalhadas em dinâmicas de cunho terapêutico. Isto significa que, na falta de um 
psicólogo no atendimento, podem ser trabalhadas em sala de aula por professores 
e, talvez, até com a ajuda de estagiários de psicologia, observando o devido cuidado 
com o mundo interno da pessoa. 
Um professor sensível às características peculiares do superdotado pode 
reservar um momento em suas aulas para que a criança ou o jovem possam se 
expressar com mais liberdade, falar sobre suas dificuldades, temores e dúvidas. 
Muitas vezes, ao compartilhar suas emoções, o jovem percebe que elas são comuns 
aos outros colegas, e que cada um tem uma forma diferente de lidar com estas 
características e emoções. 
Dentre estas características, que geralmente se apresentam em diferentes 
gradações no mundo emocional de cada pessoa superdotada, podemos citar: o 
perfeccionismo; a perceptividade; a necessidade de entender; a necessidade de 
estimulação mental; a necessidade de precisão e exatidão; o senso de humor; a 
sensibilidade e empatia; a intensidade; a perseverança; a autoconsciência; a não 
conformidade; o questionamento da autoridade; e a introversão. 
Pois bem, pensando nos diversos estilos de aprendizagem que as crianças 
apresentam quando tendem a uma determinada inteligência de forma mais 
expressiva, Armstrong (2001) descreve as necessidades cognitivas específicas do 
aluno para o melhor desenvolvimento em sala de aula (ver os dois quadros abaixo). 
Este conhecimento é importante para subsidiar a instrução em sala de aula, 
de forma que a maior parte da aprendizagem na escola possa ocorrer através dos 
tipos de inteligências preferidas por eles. 
 
 
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Além disso, o mesmo autor lembra que a maioria dos alunos apresenta 
áreas fortes em vários domínios, de modo que o professor deve evitar categorizar a 
criança em apenas uma inteligência. 
 
 
 
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Reconhecida a alta habilidade/superdotação é chegado o momento de 
trabalho com este aluno. 
Existem várias modalidades de atendimento e cada alternativa atende a 
diferentes necessidades. Mais uma vez, não existe um modelo ideal e podemos 
considerar que o método adequado é um conjunto de combinações entre as 
alternativas de atendimento possíveis. 
Os principais métodos utilizados são apresentados sob uma nomenclatura 
geral – agrupamentos, aceleração e enriquecimento. Essa nomenclatura, noentanto, esconde as sutilezas que precisam ser consideradas a cada implantação. 
Qualquer modalidade de atendimento a potenciais diferenciados denuncia e 
explicita a necessidade de flexibilização das estratégias educativas, de forma que 
atenda à diversidade apresentada em qualquer grupo humano (CUPERTINO, 2008). 
 
 
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Um deles, básico em qualquer programação para alunos com altas 
habilidades, é não confundir diferença com superioridade. O agrupamento tem que 
ser visto apenas como um recurso educacional entre muitos, e não um privilégio 
destinado a poucos escolhidos. Um outro é reconhecer que, mesmo dentro de um 
agrupamento, existem amplas diferenças individuais e que o grupo é sempre 
heterogêneo, o que demanda a inclusão, sempre, também de alguma instrução 
individualizada. É preciso evitar a completa segregação, dando oportunidade aos 
alunos para uma convivência escolar com outros de diferentes habilidades. 
Os benefícios dos agrupamentos estão em contribuir para um 
aproveitamento em níveis proporcionais às habilidades, incentivando (ou mantendo) 
a motivação. Nos grupos é facilitada a troca de ideias e interação entre semelhantes, 
gerando ganhos acadêmicos substanciais. 
A aceleração é mais uma forma de flexibilizar sistemas educacionais muito 
cristalizados, desta vez por permitir ao aluno que pule etapas da formação 
regulamentar. Pode se dar de maneiras diferentes: pela entrada precoce na escola, 
pela dispensa de cursos, ou pelo estabelecimento de programas de estudos 
acelerados, flexíveis no ritmo, tarefas e/ou áreas de conhecimento. 
Um programa que inclua flexibilização/aceleração deve proporcionar ao 
aluno experiências de aprendizagem usualmente oferecidas a crianças mais velhas 
que ele, que pode vir a cumprir o programa escolar em menor tempo ou até saltar 
séries. 
Como vantagens da aceleração, podemos apontar o fato de poder usar 
recursos e professores já existentes na instituição de ensino. Essa prática também 
corresponde à resposta mais rápida que se pode dar diante da constatação da 
necessidade de atenção diferenciada a alguém com altas habilidades. O aluno 
mantém-se motivado diante dos estudos, por poder seguir no seu próprio ritmo. 
Entre as desvantagens pode estar, novamente, o sentimento de isolamento. 
Para preveni-lo é importante tomar alguns cuidados na avaliação, evitando 
privilegiar um aspecto do desenvolvimento em detrimento de outros. Além da 
avaliação pedagógica, para saber se o aluno já domina o conhecimento exigido para 
 
 
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a série que vai saltar, é necessário considerar aspectos afetivos como a segurança, 
a autoestima, ou o fato de ter ou não amigos, por exemplo. Nesse caso, podemos 
analisar duas alternativas como exemplos. Numa delas, a criança é sociável e, 
mesmo que perca os amigos da série que está deixando, sabemos que manterá os 
vínculos quando possível, e que fará uma boa adaptação no novo grupo. Ou, ao 
contrário, ela é reservada, e não terá muitos relacionamentos em nenhum dos 
grupos. Nos dois casos a aceleração pode ser feita. Se nenhuma das alternativas 
anteriores se aplica, é preciso dar atenção especial ao processo de adaptação, 
analisando cuidadosamente onde se localiza a maior insatisfação, privilegiando-a. 
O enriquecimento curricular é a abordagem educacional pela qual se oferece 
à criança experiências de aprendizagem diversas das que o currículo regular 
normalmente apresenta. Isso pode ser feito pelo acréscimo de conteúdos mais 
abrangentes e/ou mais profundos, e/ou pela solicitação de projetos originais. As 
vantagens do enriquecimento curricular são atender à diversidade, a cada caso, e 
manter o aluno no seu ambiente na maior parte do tempo. 
Como desvantagens, temos o fato de que esse tipo de programa é mais 
caro, pois precisa da formação de professores e material diferenciado, além de 
precisar de planejamento gradativo, feito e refeito constantemente conforme o 
progresso do aluno e a mudança das circunstâncias. 
As adaptações curriculares, outra forma de enriquecimento, podem assumir 
diferentes formas. Podem constituir-se no desenho de um programa educacional 
individualizado dentro dos objetivos, conteúdos e avaliação do currículo regular, 
dentro do tempo regular de escolarização. Isso implica alterações importantes de 
objetivos, conteúdos, metodologia, atividades, distribuição do tempo e avaliação. 
Atinge os conteúdos básicos, optativos e transversais, e envolve não só o aluno, 
como seus tutores e a equipe escolar. Podem também ser feitas de modo menos 
radical, com alterações mais focalizadas e não tão abrangentes, como ampliações 
de alguns conteúdos de algumas disciplinas curriculares, aprofundamento dos 
conteúdos e variação das atividades. Nesse caso, as mudanças são mais 
superficiais, e podem ser feitas pelos professores regulares, que têm contato 
cotidiano com a criança, e que podem auxiliá-la a incrementar seus estudos. 
 
 
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Existem outras formas de proporcionar uma educação diferenciada aos 
alunos com altas habilidades: 
 tutorias específicas – designação de alguém encarregado de auxiliar o 
aluno em suas atividades de enriquecimento. Essas pessoas podem ser 
encontradas dentro das instituições de ensino, como um professor que se sinta 
mobilizado pelo interesse do aluno, por exemplo. Ou podem ser buscadas fora 
dela, em parcerias com outras instituições ou com voluntários, por exemplo; 
 monitorias – as monitorias funcionam com alunos de séries mais 
adiantadas auxiliando os de séries inferiores, ou, dentro de uma mesma sala, 
com alunos habilidosos preparando-se com antecedência sobre os conteúdos a 
serem abordados, de modo que possam ajudar alunos com um ritmo não tão 
rápido. As monitorias têm como vantagem o funcionamento de mão dupla: um 
aluno pode se beneficiar do auxílio de um monitor, ou da motivação e do 
aprofundamento do conhecimento quando o monitor é ele mesmo. O cuidado 
que se tem que tomar com elas é para que o aluno mais capaz não se 
transforme num auxiliar de classe, perdendo ele mesmo as oportunidades para 
seu próprio desenvolvimento. Temos que cuidar para que esse tipo de 
atividade seja mesmo estimulante, para que não se torne uma obrigação, 
tomando do aluno um tempo livre que ele poderia usar em outras coisas que 
fossem mais do seu agrado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 7 - ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO 
DE DOENÇAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA 
INTELECTUAL 
 
 
As pesquisas e os noticiários nos mostram todos os dias que as atividades 
físicas são importantes para uma vida saudável. 
Para a maioria da população, os benefícios de uma prática desportiva 
regular, são unanimemente reconhecidos, quer seja uma criança, adolescente, 
adulto ou idoso. No entanto, e no que se refere à população com deficiência, a 
sensibilização para as vantagens advindas da prática de atividade física,surgiu 
ainda que muito recente, fruto da lenta, mas progressiva evolução que este 
fenômeno tem assistido (CARVALHO; FARKAS, 2005 apud SOUSA, 2010). 
A população com deficiência intelectual é muitas vezes caracterizada por ter 
um estilo de vida sedentário onde a falta de atividade física, a dieta rica em gordura 
e a má condição física têm sido referenciados em diversos estudos (DRAHEIM; 
WILLIAMS; MCCUBBIN, 2002; EMERSON, 2005; FREY, 2004; HAMILTON et al., 
2007; TEMPLE & STANISH, 2008 apud SOUSA, 2010) como fatores influentes que 
marcam o aumento do risco de desenvolvimento de várias doenças. 
Os objetivos dos programas de promoção da saúde para pessoas com 
deficiência, segundo alguns autores, ajudam a reduzir condições secundárias e 
ajudam a manter a independência funcional proporcionando oportunidades de lazer 
e prazer com fim a uma melhor qualidade de vida (CARMELI, et al. 2009; CHANIAS 
et al. 1998; CLUPHF et al.; 2001 apud SOUSA, 2010). 
Os indivíduos com deficiência intelectual estão em risco de mortalidade e 
morbidade por doenças crônicas incluindo as doenças cardiovasculares. Vários 
estudos têm mostrado altas taxas de obesidade neste tipo de população 
(EMERSON; 2005; HARRIS et al., 2003; OWENS, 2003; RIMMER; WANG, 2005; 
RUBIN et al., 1998; YAMAKI, 2005 apud SOUSA, 2010). 
Para vários autores, existe uma relação direta entre inatividade física e o 
desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Neste sentido, a prática de atividade 
 
 
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física regular desempenha um papel fundamental na prevenção primária e 
secundária das doenças cardiovasculares (MOSS, 2009; PETERSON et al. 2008; 
SIT et al. 2008; STANISH; FREY; 2008 apud SOUSA, 2010). 
A revisão de literatura promovida por Sousa (2010) mostra que a prática de 
atividade física regular para a pessoa deficiente, como meio de reabilitação e 
integração, contribui para a aceitação das suas limitações: 
 valoriza e divulga as suas capacidades físicas, ajudando-o a relativizar as 
suas incapacidades; 
 reforça a sua autoestima, dando-lhe qualidade de vida; 
 possibilita condições consideradas necessárias para a alteração da sua visão 
perante a vida; 
 intensifica a vontade para a ação; 
 disponibilidade para se aproximar dos outros, para comunicar, para conviver; 
 combate eficazmente atitudes pessimistas e facilita a mediatização das suas 
capacidades, refletindo sobre as suas capacidades em desfavor das 
limitações (ALVES, 2000). 
 
Segundo Auxter e Huetting (s.d apud SOUSA, 2010), a utilização de técnicas 
e estratégias de ensino mais apropriadas às necessidades dos indivíduos com Dl, 
conduz a uma maior participação e motivação para a prática desportiva, tais como: 
1. pesar as diferenças individuais quando se selecionam as atividades; 
2. apurar as atividades de acordo com as necessidades da pessoa com Dl; 
3. escolher atividades para conhecer o grau de interesse da pessoa; 
4. não menosprezar a capacidade desta população, pois existe uma propensão 
para designar metas muito baixas para este tipo de população; 
5. selecionar atividades sensório-perceptivo-motoras para impulsionar um 
desenvolvimento específico e geral dos jovens, e incrementar competências 
recreacionais nos mais velhos, possibilitando a integração social; 
 
 
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6. organizar o envolvimento no qual a atividade está incluída, tornando-a num 
desafio para o indivíduo favorecendo sempre o êxito; 
7. analisar as tarefas abrangidas na atividade para ter a certeza de que as 
componentes fundamentais à evolução no domínio da atividade são 
executadas com sucesso; 
8. criar um envolvimento de jogo seguro; 
9. ser tolerante com os curtos e demorados ganhos, e mais ainda com as 
pessoas; 
10. proporcionar um vasto leque de atividades que tenham significado social e 
recreacional para a vida adulta. 
Para Fonseca (2002), a caracterização psicomotora do deficiente intelectual 
reduz-se a seis aspectos importantes: 
1. os elementos de desempenho são menos precisos e mais lentos, donde 
decorrem problemas de expressão e de processamento, que ao nível da 
psicomotricidade se expressam por dismetrias, dissincronias e dispraxias; 
2. na Dl, em geral, aparecem dificuldades para utilizar as componentes de 
execução e de performance, devido à disfunção na formulação de estratégias e no 
entendimento dos atributos necessários à solução dos novos e diferentes 
problemas; 
3. os déficits no desempenho cognitivo dependem da adaptabilidade dos 
contextos, bem como às características dos indivíduos com Dl; 
4. o indivíduo com Dl parece manifestar dificuldades em tarefas não 
familiares que exijam o recurso às metacomponentes, devido a dificuldades de 
planificação e execução da decisão, frequentemente caracterizada por falta de 
flexibilidade. Tal ausência de plasticidade revela uma certa inércia psicomotora para 
produzir respostas a novos problemas e novas situações, daí que a decisão 
psicomotora seja restritiva na maioria dos casos; 
5. as metacomponentes de inteligência, como a identificação, seleção e a 
organização de dados do problema, a estratégia unificada e sistemática de 
 
 
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resolução e representação mental da informação, a focagem de atenção, o 
processamento de recursos de memória, monitorização da solução, a integração dos 
feedbacks da performance, entre outros, são estimulados inadequadamente, daí a 
diminuição da interconexão entre as componentes do ato mental; 
6. na Dl as componentes do processamento de informação e os fatores 
psicomotores parecem estar menos livres e menos alcançáveis, daí o surgimento da 
noção de disfunção na percepção de relações e disfunção sistêmica nos fatores 
psicomotores de tonicidade, de equilíbrio, de lateralidade, entre outros. 
Enfim, sabendo que existe uma relação entre os benefícios dos exercícios 
físicos sobre os fatores de risco de doenças cardiovasculares (obesidade, 
hipertensão arterial, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) e sabendo que os 
indivíduos com Dl se caracterizam por ter baixos níveis de condição física e pouca 
participação em atividades desportivas, é importante e fundamental que se criem 
condições para que estes possam desenvolver a sua condição física e melhorar o 
seu estado de saúde (SOUSA, 2010). 
 
Vale a pena guardar que as pessoas portadoras de DI têm dificuldades em: 
 distinguir as características dos objetos do meio e em organizar o mundo que 
os envolve; 
 agrupar os esquemas, em organizar procedimentos de maneira eficaz e em 
aprender com a experiência; 
 refletir sobre o resultado da própria ação; 
 transferir aprendizagens para novos contextos; 
 operar no nível das representações mentais; 
 mobilizar os próprios recursos cognitivos internos de modo eficiente, sendo 
muito influenciados por recursos externos. 
Para atendê-los temos o AEE que deve: 
 ser complementar e/ou suplementar na formação do aluno; 
 
 
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 constituir-se em oferta obrigatória pelos sistemas de ensino; 
 ser realizado pelo profissional da educação; 
 realizar-se na Sala de Recurso Multifuncional; 
 integrar o Projeto Pedagógico da Escola; 
 assegurar o direito às diferenças na escola. 
 
O AEE para o aluno com DI se organiza em função dos mecanismos de 
aprendizagem: 
1) motivação; 
2) atenção; 
3) memória; 
4) transferência; 
5) metacognição. 
 
Na sala de recurso multifuncional, o trabalho deve centrar-se: 
 na atenção aos aspectos que podem potencializar o desenvolvimento e a 
aprendizagem do aluno; 
 na eliminação das barreiras que dificultam a aprendizagem desse aluno. 
 
A interlocução com o professor do ensino comum deve centrar-se: 
 na obtenção de informações sobre o funcionamento do aluno na sala de aula; 
 no conhecimento das práticas do professor do ensino comum; 
 na observação sobre a organização do espaço físico da sala; 
 na criação, quando necessário, de materiais de suporte para o acesso ao 
conhecimento em sala de aula regular. 
 
 
 
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Quanto a avaliação: 
 efetiva-se através do estudo de caso, que visa construir um perfil do aluno 
que possibilite elaborar o plano de intervenção; 
 o estudo de caso deve ser efetivado pelo professor do AEE em colaboração 
com o professor do ensino comum e com outros profissionais que trabalham 
com esse aluno no contexto da escola; 
 vai acontecer em três ambientes principais – na sala de recurso 
multifuncional, na sala de aula e na família. 
 seu objetivo é recolher informações sobre o aluno considerando aspectos 
principais: funcionamento cognitivo, a linguagem oral e escrita, o raciocínio 
lógico, as aprendizagens escolares, os comportamentos e atitudes em 
situação de aprendizagem, o desenvolvimento psicomotor, a saúde do aluno, 
o desenvolvimento afetivo e as interações sociais (LIMAVERDE, 2012). 
 
Enfim, estamos no século das mudanças de rumo que ainda não são ideais, 
mas estamos em um caminho bem favorável. E no Brasil, as diretrizes para 
educação inclusiva e pessoas com deficiências também caminham para uma 
sociedade mais humana e justa. 
A aceitação da família e o compromisso da mesma para com seus membros é 
o primeiro passo para que a pessoa com deficiência seja compreendida, auxiliada 
em suas necessidades e tenha oportunidade de se tornar um cidadão de direitos. 
Evidentemente que o trabalho em conjunto com uma equipe multiprofissional e uma 
escola que tenha políticas e práticas educativas condizentes seguirá para a 
promoção da cidadania da pessoa com deficiência. 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 8 – INTRODUÇÃO A DEFICIÊNCIA MENTAL 
 
A inclusão social tem sido um desafio para todas as esferas da sociedade, 
principalmente para as pessoas portadoras de necessidades especiais que, muito 
além de poderem exercer a cidadania, deparam com a dificuldade de acesso em 
todos os sentidos. 
Segundo Mantoan (2006), a inclusão escolar está articulada a movimentos 
sociais mais amplos, que exigem maior igualdade e mecanismos mais equitativos no 
acesso a bens e serviços. Ligada a sociedades democráticas que estão pautadas no 
mérito individual e na igualdade de oportunidades, a inclusão propõe a desigualdade 
de tratamento como forma de restituir uma igualdade que foi rompida por formas 
segregadoras de ensino especial e regular. 
A questão política e social da inclusão é assunto que rende muitas 
discussões, assim como entender que o tratamento dispensado à diferença não quer 
dizer tratá-los como iguais, ao contrário, a diferença propõe o conflito, o dissenso, a 
imprevisibilidade, a impossibilidade do cálculo. O certo é jamais desvalorizar e 
inferiorizar os cidadãos/alunos por suas diferenças, seja nas escolas comuns ou nas 
especiais. 
Vale enfatizar que a inclusão de indivíduos com necessidades educacionais 
especiais na rede regular de ensino não consiste apenas na permanência junto aos 
demais alunos, nem na negação dos serviços especializados àqueles que deles 
necessitem. Ao contrário, implica uma reorganização do sistema educacional, o que 
acarreta a revisão de antigas concepções e paradigmas educacionais na busca de 
se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural e social desses alunos, 
respeitando suas diferenças e atendendo suas necessidades (GLAT; NOGUEIRA, 
2002, p. 26). 
A deficiência, outrora conhecida como deficiência mental, não é uma 
doença, não pode ser contraída pelo contato com uma pessoa sadia ou outra com a 
deficiência. Não é uma doença mental, portanto, não há cura e para entender melhor 
a diferença entre doença e deficiência, a OMS propôs três níveis para esclarecer 
todas as deficiências, a saber: deficiência, incapacidade e desvantagem social: 
 
 
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 Deficiência – perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, 
fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a 
ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido 
ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. 
Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio 
orgânico, uma perturbação no órgão; 
 Incapacidade – restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para 
desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge 
como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência 
psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência 
e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos 
essenciais à vida diária; 
 Desvantagem – prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou 
uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo 
com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma 
discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do 
indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e 
relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência. 
Em 2001, essa classificação foi revista e reeditada não contendo mais uma 
sucessão linear dos níveis, mas indicando a interação entre as funções orgânicas, 
as atividades e a participação social (BATISTA; MANTOAN, 2006). 
O importante dessa nova definição é que ela destaca o funcionamento global 
da pessoa em relação aos fatores contextuais e do meio, re-situando-a entre as 
demais e rompendo o seu isolamento. Essa definição motivou a proposta de 
substituir a terminologia “pessoa deficiente” por “pessoa em situação de deficiência” 
(ASSANTE, 2000 apud BRASIL, 2006). Mais recentemente tem-se visto o uso do 
termo deficiência intelectual. 
O desejo de trabalhar com os portadores de deficiência intelectual requer 
num primeiro momento conhecer os caminhos percorridos pela sociedade desde os 
primeiros conceitos sobre exclusão, inclusão e deficiência, para num segundo 
momento manter avivado nos interessados e envolvidos, o desejo de lutar e buscar 
uma escola melhor, um espaço onde todos sejam vistos por suas habilidades, 
possibilidadese não por suas deficiências. 
 
 
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O caminho que percorreremos será este: promover uma breve evolução 
histórica da deficiência mental até a intelectual ao longo dos últimos séculos; 
conceituar e definir as deficiências, caracterizá-las e classificá-las de acordo com a 
CID-10 e DSM-IV e outros institutos; abordá-las nas perspectivas orgânica, 
psicanalítica e de acordo com a epistemologia genética; descrever sucintamente as 
declarações mundiais e a legislação pertinente; analisar a deficiência intelectual no 
contexto escolar pela ótica dos pais, da própria escola e dos educadores no 
processo de inclusão. 
O Atendimento Educacional Especializado (AEE), as atividades físicas e os 
fatores de risco de doenças, principalmente cardiovasculares e por fim os limites da 
terminalidade específica e a inserção de pessoas com deficiência no mercado de 
trabalho completam nossos estudos sobre o trabalho com os portadores de 
deficiência intelectual. 
Vale a pena ler na íntegra a Convenção 159 (que trata da reabilitação 
profissional e emprego de pessoas com deficiência) da OIT ratificada por meio do 
Decreto nº 129, de 18 de maio de 1991, sendo, portanto, lei no Brasil desde esta 
data. 
Por ora, deixamos uma mensagem inicial para aqueles que buscam 
capacitação para trabalhar as diferenças e as deficiências, com foco na deficiência 
intelectual (DI): os espaços escolares não devem ser lugares de discriminação, e 
mesmo que o grau de deficiência se imponha como limite da capacidade de 
aprendizagem e adaptação ao mundo, todos são cidadãos de pleno direito, 
considerando as várias dimensões como a dignidade humana. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como 
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um 
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados 
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, 
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, 
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma 
redação original. 
 
 
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Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir 
para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. 
UNIDADE 09 - HISTÓRIA, CONCEITO, ETIOLOGIA 
 
 
Dessen e Silva (2000) realizaram uma pesquisa acerca da produção 
científica na área de deficiência mental e constataram que no período de 1985 a 
1999, a produção aumentou consideravelmente, embora ainda tenhamos muito a 
pesquisar, descobrir e entender sobre esse universo das deficiências humanas. 
Veremos que evolutivamente o conceito de deficiência mental tem uma 
estreita relação com as concepções socioeconômicas e ideais que nortearam cada 
período da história do homem. Conhecer essas ideias abre um horizonte para se 
compreender a deficiência mental, clarear o conceito que, por conseguinte, permite 
oferecer melhores serviços de atendimento para esse público. 
 
2.1 História 
 
Em Pessoti (1984) encontramos uma ampla revisão histórica a respeito da 
deficiência mental, destacando as concepções adotadas, em cada período, que 
influenciaram as atitudes da sociedade em relação à deficiência. 
Aranha (1991) também se reporta à história para descrever como a 
integração social do deficiente foi associada à concepção de deficiência, a qual 
merece destaque. Na sociedade antiga, as crianças deficientes eram deixadas ao 
relento para que morressem. Essa atitude era fruto dos ideais morais da época em 
que a eugenia3 e a perfeição do indivíduo eram considerados valores 
preponderantes. Já no final do século XV, com os ideais burgueses vigentes nesse 
período, imperou a visão de que a deficiência era um atributo do indivíduo, tendo, 
 
3
 Ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie 
humana. 
 
 
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portanto, uma relação direta com o capital, ou seja, o deficiente era considerado 
improdutivo, do ponto de vista econômico (ARANHA, 1991, 1995; GLAT, 1995; 
SCHWARTZMAN, 1999a, 1999b). 
Até cerca de 1800, a Dl não era considerada um problema científico, embora 
de acordo com Woolfson (s.d. apud MORATO, 1993), se devam considerar algumas 
referências, segundo as quais a Dl era analisada criteriosamente como distinta da 
doença mental com rigor descritivo de diferentes tipos, diagnósticos, prognósticos e 
terapêuticos. 
Segundo Morato (1993), a investigação sobre a Dl pode resumir-se a três 
períodos. 
O primeiro período teve início em 1800, perdurando um século, e 
caracterizou-se por ser um período de grande desenvolvimento científico ao nível da 
biologia e da psicologia, cujo impacto social é constatável pela evidência das 
propostas de identificação e classificação da Dl relativamente a outras deficiências, 
em particular, na distinção da doença mental (DETTERMAN, 1983: 1987; PERRON, 
1976; RYNDERS, 1987; apud MORATO, 1993). 
O segundo período, que se estendeu desde os finais do séc. XIX até à 2ª 
grande guerra, compreendeu uma fase caracterizada pelas preocupações de 
definição e classificação da Dl, donde emergiram posições e contraposições teóricas 
de conturbadas consequências sociais e educacionais. 
O terceiro e último período, com início no pós-guerra prolongando-se até à 
atualidade e é caracterizado por uma atitude de mudança marcada pela evolução 
científica e pelo reforço do movimento humanitário em prol dos direitos pela 
reivindicação em defesa dos grupos minoritários na sociedade, pelos deficientes de 
guerra, e pelos movimentos associativos de pais de crianças e jovens com 
deficiência (MORATO, 1993). 
Desde 1959, a referência ao comportamento adaptativo surge como 
elemento de definição da Dl da American Association on Mental Retardation (AAMR) 
sendo a entidade científica mais antiga e prestigiada na abordagem da problemática 
da Dl (AAMR, 2002). 
 
 
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Posteriormente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reforçou a relação 
entre adaptação e aprendizagem (MORATO et al., 1996). 
A classificação publicada pela AAMR, em 1983, classificava a Dl, até então 
DM, em função do Coeficiente de Inteligência (Q.l) - obtido a partir da multiplicação 
por cem do quociente obtido pela divisão da idade mental, pela idade cronológica da 
seguinte forma: 
1. Deficiência Mental Leve - Q.l entre 55 e 50; 
2. Deficiência Mental Moderada - Q.l entre 55/50 e 40/35; 
3. Deficiência Mental Severa - Q.l entre 40/35 e 25/20; 
4. Deficiência Mental Profunda - Q.l menor que 25/20. 
 
Com o passar dos séculos, as concepções sobre DM foram se ampliando, 
em parte como consequência das mudanças ocorridas nas sociedades e no campo 
científico. Mas, foi somente no século XIX quese percebeu uma postura de 
responsabilidade pública com relação às necessidades dos deficientes. 
No século XX, as ações se tornaram mais concretas, havendo uma 
multiplicidade de modos de encarar a DM, acarretando o surgimento de vários 
modelos explicativos, como o metafísico, o médico, o educacional, o da 
determinação social e o sócio-construtivista ou sócio-histórico (ARANHA, 1995). 
Para esta autora, a deficiência mental deve ser encarada como uma 
construção social, não alheia à concepção de homem e de sociedade vigentes e 
deve ser tratada como um fenômeno multideterminado. Contudo, segundo Nunes e 
Ferreira (1994), a DM ainda continua sendo considerada como estando dentro do 
indivíduo, descontextualizada e sem nexo social como mostra o discurso da maior 
parte dos órgãos públicos. 
A conceituação e caracterização da DM adotada no Brasil pelo Ministério da 
Educação (MEC) segue o modelo proposto pela Associação Americana de 
Deficiência Mental (AAMR), divulgado em 1992, segundo o qual, a DM se 
caracteriza pelo: 
 
 
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funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo 
do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a 
duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo 
em responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes 
aspectos: comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, 
desempenho na família e comunidade, independência na locomoção, saúde 
e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho (BRASIL, MEC, 1997, p. 
27). 
 
Este conceito serve como ponto de partida para a implementação de 
políticas públicas pelo governo brasileiro, que visa um atendimento especializado a 
estas crianças. Contudo, o próprio governo tem revelado um atendimento precário 
às pessoas deficientes, em diversas partes do país, apesar de salientar a 
importância deste tipo de atendimento desde a mais tenra idade da criança. Para o 
governo brasileiro, o trabalho precoce com crianças deficientes tem o objetivo de 
“[...] proporcionar à criança, nos seus primeiros anos de vida, experiências 
significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo” 
(BRASIL, MEC, 1995, p. 11). 
Voltando um pouco à evolução do conceito, antigamente a própria 
denominação desvalorizava os sujeitos com deficiência. As atribuições de nomes 
depreciativos como idiota, imbecil, oligofrênico, anormal, débil mental, inválido, 
atrasado mental, entre outros, eram comuns para distingui-los dos indivíduos com 
desenvolvimento típico (COELHO; COELHO, 2001; ALONSO; BERMEJO, 2001). 
Conforme Morato (1998), a população em geral negligenciava-os por não se 
enquadrarem no ideal de perfeição. 
Na Idade Média assistiu-se a um tratamento ambivalente para com estes 
indivíduos, pois, por um lado, com base na crença cristã, a deficiência era vista 
como algo divino e estes eram acolhidos e protegidos em instituições de caridade. 
Por outro lado, eram considerados demônios e sofriam de práticas de ostracismo 
(MORATO; 1998, SILVA; DESSEN, 2001). 
O século XV marcou o início de uma mudança de paradigma em relação a 
estes indivíduos que foi consolidada nos séculos XVII e XVIII, sendo a 
institucionalização destes uma realidade (SILVA; DESSEN, 2001). Em paralelo, no 
 
 
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século XVIII surgiram as primeiras classificações referentes às causas de morte. 
Este é o marco histórico para o início das classificações das doenças e transtornos 
mentais (OMS, 2001). 
A partir do século XIX até meados do século XX, os estudos sobre a 
deficiência intelectual tornaram-se de caráter mais científico e verificou-se uma 
sistematização do conceito, apesar da rotulagem negativa subjacente ao mesmo. O 
autor Pinel caracterizou a deficiência intelectual de idiotismo, com conotação de 
carência ou insuficiência intelectual (CARVALHO; MACIEL, 2003). 
Na mesma linha de pensamento, Esquirol referiu que a imbecilidade e o 
idiotismo devem-se a causas maturacionais e que os órgãos responsáveis pela 
atividade intelectual apresentam um desenvolvimento atípico. Empiricamente. 
começa-se a diferenciar a doença mental da deficiência intelectual (MORATO; 
1998). Esta perspectiva é reforçada por Beaugrand que considerou idiota um estado 
de insuficiência de algumas aptidões intelectuais e morais, sendo as suas causas de 
ordem orgânica e/ou congênita com origem encefálica e, consequentemente, 
suscitavam um desenvolvimento deficitário. 
Nesta altura, a concepção de deficiência intelectual estava associada à 
perspectiva organicista de origem neurológica, identificada pelo atraso no 
desenvolvimento dos processos cognitivos (CARVALHO; MACIEL, 2003). 
 
2.2 Conceito 
Segundo Sarno (2006), os termos deficiência e pessoa deficiente 
apresentam diferentes conotações na literatura acadêmica. Além disso, tais 
conceitos mudam ao longo da história, segundo os valores particulares de cada 
cultura e, até mesmo, em função de valores individuais. 
Para Ribas (2003), a deficiência é um estado físico ou mental eventualmente 
limitador que deve ser entendido a partir do ambiente sociocultural e físico em que o 
indivíduo está inserido e, também, de como a própria pessoa se vê. Segundo a 
Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, elaborada pela Organização das 
Nações Unidas (ONU), em 1975, pessoa com deficiência é aquela incapaz de 
 
 
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assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida 
individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência congênita ou não, em 
suas capacidades físicas ou mentais. 
A pessoa com deficiência mental é conceituada como aquela que tem 
necessidades para atuar nas dez áreas de habilidades adaptativas: 1) da 
comunicação, 2) do autocuidado, 3) das habilidades sociais, 4) da vida familiar, 5) do 
uso comunitário, 6) da autonomia, 7) da saúde e 8) segurança, 9) da funcionalidade 
acadêmica, 10) do lazer e trabalho. 
A ideia da deficiência como uma característica do indivíduo que pode ter 
graus diferentes de limitação, a depender da interferência do ambiente, reflete o 
conceito usado no cotidiano. Segundo Carreira (1992), as instituições de 
profissionalização de deficientes e administradores de empresas brasileiros 
entendem o deficiente mental como a pessoa portadora de distúrbios de 
aprendizagem e adaptação global. 
Além de Pessoti e outros, Lancillotti (2003) e Marques (2001) também 
demonstraram como a deficiência mental vem sendo rodeada de preconceitos desde 
a Grécia Antiga. 
Segundo Veltrone e Mendes (2011), a deficiência intelectual é uma condição 
bastante complexa no que se refere a sua definição conceitual e também 
nomenclatura. O termo “deficiência intelectual” é de uso recente na literatura e veio 
substituir os termos deficiência mental e retardo mental. Possivelmente esta 
mudança atende a múltiplas demandas, pois retrata mudanças conceituais mais 
recentes e é um termo mais preciso para denominar a condição, além dessa ser 
uma reivindicação de associações dos próprios indivíduos com este tipo de 
deficiência. 
A deficiência intelectual é uma categoria dos diferentes tipos de deficiênciaexistentes. Surge num contínuo da normalidade e não como um estado 
qualitativamente diferente desta, em que os indivíduos apresentam um conjunto de 
características comuns, enquadradas no baixo desempenho nos testes psicológicos, 
nas dificuldades de aprendizagem escolar, nas reações imaturas aos estímulos 
 
 
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ambientais e no desempenho social abaixo de média (ALONSO; BERMEJO, 2001; 
COELHO; COELHO, 2001). 
 
2.3 Etiologia 
 
Os fatores etiológicos da Deficiência Mental podem ser de origem genética, 
ambiental, multifatorial e de causa desconhecida. 
Embora esses fatores etiológicos sejam muito variáveis, podem ser, ainda, 
subdivididos em fatores pré-natais (de origem genética, ambiental e multifatorial), 
perinatais (ambiental) e pós-natais (ambiental). A ocorrência da Deficiência Mental 
de etiologia desconhecida apresenta uma prevalência de 28 a 30% dos casos. 
Os fatores que atuam no período pré-natal envolvem causas genéticas e 
ambientais, consistindo nos fatores etiológicos mais importantes no surgimento da 
DM, com cifras ao redor de 50% dessa população. 
Fatores genéticos 
Monogênicos: 1 a 2% dos nascidos vivos. 
 Herança dominante: Neuroectodermatoses (Esclerose tuberosa, 
Angiomatoses cerebrais, Deficiências mentais com alterações ósseas, 
Disostose craniofacial, Oligrofenia com acrocéfalo, Oligrofenia com 
aracnodactilia, Oligrofenia com discondroplasia). 
 Herança recessiva: Distúrbio de metabolismo lipídico (Idiota amaurótica, 
Doença de Bielschowsky-Jansky, Doença de Spielmeyr-Vogt, Doença de 
Kufs, Doença de Normann-Wood, Síndrome de Niemann-Pick, Doença de 
Gaucher); Distúrbio do metabolismo de mucopolissacarídeo (Doença de 
Hurler, Doença de Morquio, Doença de Scheie, Doença de Sanfilipo, Doença 
de Matoteaux); Distúrbio do metabolismo glicídio (Glicogenose, 
Galactosemia); Distúrbios de metabolismo protídico (Fenilcetonúria, Doença 
do carope de bordo, Cistationinuria, Doença de Wilson, Doença de Hartnup); 
 
 
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Outras formas (Microcefalia familiar, Doença de Sjögren-Larson, Síndrome de 
Laurence Moon). 
 Herança ligada ao sexo: Doença de Hunter, Doença de Pelizaeus 
Merzbacher. 
 
Fatores genéticos ligados a vários genes, Fatores cromossômicos. 
 Anomalias de número de cromossomos somáticos: Trissomia do 21 
(Síndrome de Down), Trissomia do 18 (Síndrome de Edward), Trissomia do 
13-15 (Síndrome de Patau). 
 Anomalias do número de cromossomos sexuais: Síndrome de Klinefelter, 
Microcefalia com malformações múltiplas e criptorquidia (Cariótipo XXXY), 
Disgenesia gonádica e oligofrenia (Síndrome de Turner), Superfêmea 
(Cariótipo XXX). 
 
Fatores Ambientais 
 Fatores pré-natais: agentes infecciosos (citomegalovírus, toxoplasmose 
congênita, rubéola congênita, sífilis congênita, varicela); 
 Fatores nutricionais; 
 Fatores físicos: radiação; 
 Fatores imunológicos; 
 Intoxicações pré-natais (álcool e drogas, gases anestésicos, 
anticonvulsivantes); 
 Transtornos endócrinos maternos: diabetes materna, alterações tireoidianas; 
 Hipóxia intra-uterina (causada por hemorragia uterina, insuficiência 
placentária, anemia grave, administração de anestésicos e envenenamento 
com dióxido de carbono). 
Fatores perinatais: 
 
 
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 Anóxia neonatal; 
 Traumatismo obstétrico (distócicos de parto com hipoxemia ou anoxemia); 
 Prematuridade (anóxia, hemorragia cerebral). 
Fatores pós-natais: 
 Infecções: meningoencefalites bacterianas e as virais, principalmente por 
herpesvírus; 
 Traumatismos crânio- encafálicos; 
 Alterações vasculares ou degenerativas encefálicas; 
 Fatores químicos: oxigênio utilizado na encubadeira; 
 Intoxicação pelo chumbo; 
 Fatores nutricionais: graves condições de hipoglicemia, hipernatremia, 
hipoxemia, envenenamentos, estados convulsivos crônicos. 
 
Causas Multifatorial 
As causas multifatoriais são desconhecidas (28 a 30% dos casos), mas o 
Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, podendo ocasionar 
retardo no crescimento intra-uterino, microftalmia, corioretinite, surdez, retardo no 
desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia. 
A Sífilis apresenta como fator etiológico o Treponema pallidum, e caso a 
gestante tenha contato até a 20ª semana, pode acarretar a lues congênita, com 
malformações físicas (tíbia em sabre, nariz em sela, fronte olímpica e dentes de 
Hutchinson). Além disso, a sífilis pode acarretar outras alterações, como por 
exemplo, a surdez, malformações de dentes, alteração óssea, hidrocefalia e retardo 
no desenvolvimento neuropsicomotor. 
Infecções por varicela podem acarretar, dependendo da idade gestacional, 
alterações musculares e retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Contato com 
Toxoplasma gondi pode ter como repercussão a toxoplasmose, e da mesma 
maneira, dependendo da idade gestacional, ter como consequência a toxoplasmose 
 
 
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congênita com a manifestação da tétrade de Sabin (deficiência mental, microcefalia, 
calcificações intracranianas e corioretinite). Para a prevenção da toxoplasmose 
deve-se evitar carne crua e o contato com animais. 
A rubéola congênita ocorre pelo efeito teratogênico do vírus da rubéola. A 
infecção do feto é o resultado de infecção primária materna na gravidez ou até o 
terceiro mês antes do parto. A infecção durante as primeiras 8 semanas produz uma 
taxa de infecção fetal de 50%, depois disso, diminui progressivamente. As lesões 
mais frequentes no momento do nascimento sãos as cardiovasculares, 
hematológicas, baixo peso ao nascer, alterações esqueléticas, hepáticas, defeitos 
oculares (retinopatia, microftalmia, hipoplasia da íris, glaucoma congênito e 
cataratas), lesões no Sistema Nervoso Central (perda da audição, deficiências 
intelectuais e motoras, meningoencefalite crônica), complicações pulmonares. Os 
distúrbios de audição são a manifestação mais comum, provavelmente por uma 
infecção no final do segundo ou terceiro mês de gestação. 
Em relação ao uso de drogas, deve-se observar que o uso de substâncias 
alcaloides como a nicotina e cafeína pela gestante, dependendo da quantidade e da 
idade gestacional, pode levar a retardo no crescimento intra-uterino pela anóxia e 
uma maior probabilidade de parto prematuro (2 vezes mais) e baixo peso. O uso de 
álcool pela gestante afeta 1 a 2% das mulheres férteis, podendo acarretar a 
síndrome alcoólica fetal, caracterizada pela deficiência mental, deficiência no 
crescimento pré e pós-natal, alterações de Sistema Nervoso Central, anomalias 
craniofaciais como epicantus, ponte nasal baixa, filtrum hipoplásico e face achatada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 10 - CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS 
DEFICIÊNCIAS 
 
3.1 Caracterização 
 
A deficiência física é caracterizada pela alteração completa ou parcial de um 
ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função 
física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, 
monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, 
ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros 
com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que 
não produzam dificuldades para o desempenho de funções (Decreto nº 5.296/04, art. 
5º, §1º, I, “a”, c/c Decreto nº 3.298/99, art. 4º, I). 
A Paralisia Cerebral – lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso 
central, tem como consequência alterações psicomotoras, podendo ou não causar 
deficiência mental. 
A lesão causadora de Paralisia Cerebral não é progressiva, mas o fato de 
afetar o sistema nervoso em desenvolvimento vai dar origem a um conjunto 
complexo de sinais e sintomas, que vão tornar difícil o diagnóstico. 
As formas de Paralisia Cerebral apresentam uma grande diversidade de 
perturbações neuromotoras, cuja classificação proposta por Hagberg et al (1975 
apud ANDRADA, 1997) é a que reúne maior consenso. Quanto aos efeitos 
funcionais, a Paralisia Cerebral é classificada de tipo espástico, disquinésiaatetose, 
ataxia. Andrada (1997) refere que se pode considerar ainda uma forma rara de 
paralisia cerebral hipotônica ou atônica que é referida por alguns autores. 
Basil (1995) descreve que a espasticidade consiste num aumento do tônus 
muscular, como consequência de uma lesão no feixe piramidal. As contrações 
musculares podem ser de dois tipos: a) ocorrendo em repouso, b) ocorrendo quando 
a criança faz um esforço, se emociona ou se surpreende. A criança ao tentar 
flexionar uma parte do corpo não o pode fazer sem flexionar todo o corpo o que vai 
interferir na execução da tarefa. Nas crianças que apresentam este tipo de paralisia, 
 
 
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quando seguras pelas axilas ou quando tentam caminhar, os membros inferiores 
encontram-se em extensão, os pés em ponta e pernas cruzadas em tesoura, os 
membros superiores apresentam, hipertonia, o braço em rotação interna, cotovelo 
semi-flexionado, o polegar unido à palma da mão. Existem alterações a nível da 
expressão facial, ocorrendo por vezes ausência de linguagem oral. 
A atetose caracteriza-se pela dificuldade em controlar e em coordenar os 
movimentos. Os movimentos são espasmódicos e incontrolados, ocorrendo no nível 
dos membros da cabeça, músculos da respiração e deglutição. Estes movimentos 
podem ser atenuados pelo repouso, sonolência e determinadas posturas, 
verificando-se o seu aumento em momentos de excitação, insegurança e posição de 
pé. Estes indivíduos apresentam um tônus muscular que varia entre o hipertônico e 
hipotônico. 
Cahuzac (1985) define ataxia como uma perturbação da coordenação e da 
estática, onde observa-se instabilidade do equilíbrio, mau controle da cabeça, do 
tronco e dos membros. 
Basil (1995) refere ser uma síndrome cerebelar, em que existe dificuldade 
em medir a força, a distância e a direção dos movimentos, que costumam ser lentos 
e torpes, desviando-se com facilidade do objetivo pretendido. Existe instabilidade no 
controle do tronco o que vai provocar dificuldade em coordenar os movimentos dos 
braços e como consequência dificultar o caminhar que se apresenta inseguro, rígido 
e com quedas frequentes. 
A Paralisia Cerebral é ainda referida quanto à topografia corporal em 
paraplegia, tetraplegia, monoplegia, diplegia, triplegia. Em relação à topografia 
corporal, Basil (1995) menciona que a paraplegia se refere a situações em que estão 
comprometidos os dois membros inferiores; a tetraplegia em que há compromisso 
dos membros inferiores e superiores, a monoplegia em que existe o 
comprometimento de uma extremidade; a diplegia refere-se a situações em que 
existe maior comprometimento dos membros inferiores que superiores; a triplegia 
são situações de comprometimento de três membros, a hemiplegia o 
comprometimento da parte direita ou esquerda do corpo. 
 
 
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Basil (1995) chama a atenção para o fato de que raramente encontramos 
uma criança que apresente uma tipologia pura, mas antes quadros mistos. 
Os diferentes tipos clínicos referidos têm intervenções diferentes, e cada 
criança é por si um ser individual com características muito próprias, com graus de 
deficiência e incapacidades diferentes, o que exige uma avaliação individualizada. 
As crianças com Paralisia Cerebral apresentam com frequência, alterações 
no seu desenvolvimento, devido a deficiências associadas, ou ao fato do seu 
comprometimento motor impedir a realização de atividades motoras, como 
manipular, gatinhar, andar, falar, escrever, que estão dependentes da capacidade de 
efetuar determinados movimentos. A disfunção motora impede a criança de efetuar 
experiências e de provocar efeitos no ambiente de modo a produzirem respostas 
consistentes que a ajudem a estruturar o pensamento. Assim, determinadas fases 
do desenvolvimento vão emergir mais tarde, ou podem até não vir a surgir o que 
afeta a evolução do desenvolvimento. 
Segundo Bobaty e Bobath (1976,1987 apud BASIL, 1995), a lesão cerebral 
vai afetar o desenvolvimento psicomotor da criança, pela interferência na maturação 
normal do cérebro e pelas alterações no desenvolvimento devido à permanência de 
esquemas anormais de atitudes e movimentos, pela persistência de reflexos 
primitivos que a criança é incapaz de inibir. A área da linguagem está quase sempre 
afetada na criança com Paralisia Cerebral, estando afetadas as formas de 
expressão como a mímica e o gesto, que precisam da coordenação de movimentos 
finos para se efetuarem, e a expressão oral. 
A limitação ou impedimento da expressão oral vai impedir que os pais e 
educadores estabeleçam com a criança um processo interativo, em que se fornecem 
modelos e onde a criança não intervém apenas aprendendo, mas através das suas 
respostas mantém os pais ativos num processo de estimulação. Quando existem 
obstáculos a este processo, gera-se um sentimento de incompetência e de fracasso 
em ambas as partes, visto nenhuma conseguir responder às necessidades da outra. 
Basil (1995) também ressalta que a lesão cerebral afeta quase sempre os 
órgãos da fala, devido a uma perturbação mais ou menos grave no controle dos 
 
 
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órgãos motores bucofonatórios, que podem afetar o ato de falar ou até impedi-lo por 
completo. Esta dificuldade pode também manifestar-se no nível da mastigação, 
deglutição, controle da saliva ou respiração. Estes problemas em nível da linguagem 
expressiva não impedem a compreensão da linguagem, que em alguns casos não 
se encontra afetada. Contudo, se existirem problemas cognitivos ou de audição, o 
desenvolvimento da linguagem compreensiva pode ficar comprometido, tornando 
mais complexo e difícil o processo de aquisição da linguagem. 
Nas situações de paralisia cerebral nem sempre é possívelavaliar com 
precisão a existência ou não de atraso mental, porque na avaliação de crianças com 
perfis complexos de desenvolvimento, as medidas estandardizadas não são as mais 
adequadas, devido às limitações motoras e de linguagem que dificultam a sua 
aplicabilidade. 
Autores como Dalmau (1984 apud BASIL, 1995), baseando-se em 
estatísticas efetuadas em Inglaterra, afirmam que 50% das crianças com paralisia 
cerebral deveriam ser consideradas deficientes mentais e que 40% destas 
apresentam déficits sensoriais associados, o que irá ter consequências sobre o 
desenvolvimento cognitivo. 
O fato destas crianças estarem impedidas de manipular e de agir fisicamente 
sobre o mundo que as rodeia, explorando-o livremente, vai interferir no 
desenvolvimento da inteligência sensório-motora e como consequência influenciar 
negativamente o desenvolvimento do pensamento pré-operatório, operatório e 
formal. No entanto, há opiniões que referem que a dificuldade de avaliação das reais 
capacidades da criança penaliza os resultados encontrados na aplicação de testes e 
provas. 
A criança com lesão cerebral vai ter, desde o início, dificuldades na interação 
com os outros, pelo fato de não conseguir produzir os gestos e os sons a que o meio 
social dá valor e reconhece como funções comunicativas. Segundo Basil (1995), a 
criança encontra dificuldades em produzir mudanças no comportamento das outras 
pessoas, no sentindo de as fazer interagir com elas e este déficit comunicativo limita 
a criança no desenvolvimento cognitivo e social e na construção da sua 
personalidade. Segundo o mesmo autor, a criança que experimenta o fracasso 
 
 
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quando age sobre o meio, sente-se frustrada, diminui a motivação e o investimento 
necessário a qualquer atividade. O fato de se sentir inapta pode levá-la a desistir, 
porque sente que não é capaz ou que o próprio ambiente não lhe é responsivo. 
Temos que concordar com Santos e Sanches (2005) quando dizem que o 
desenvolvimento do ser humano assenta na sua capacidade de interagir com os 
outros da sua espécie e de atuar sobre o mundo, sendo que a qualidade e a 
quantidade das interações proporcionadas a uma criança são determinantes no seu 
desenvolvimento social e emocional. A criança com Paralisia Cerebral tem o seu 
desenvolvimento afetado quer pelas lesões de que é portadora quer pelas limitações 
que daí advém, impedindo-a de experimentar e aprender como os demais 
prejudicando o seu desenvolvimento. 
É importante ter em mente que o conceito de deficiência inclui a 
incapacidade relativa, parcial ou total, para o desempenho da atividade dentro do 
padrão considerado normal para o ser humano, mas também é preciso deixar claro 
que a pessoa com deficiência pode desenvolver atividades laborais desde que tenha 
condições e apoios adequados às suas características. 
Sobre a Deficiência auditiva, o Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “b”, c/c 
Decreto nº 5.298/99, art. 4º, II define como a pessoa que perdeu bilateral, parcial ou 
total a audição, o que corresponde a 41 decibéis (dB) ou mais, aferida por 
audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz . 
De acordo com o Decreto nº 3.298/99 e o Decreto nº 5.296/04, conceitua-se 
como deficiência visual: 
 Cegueira – na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor 
olho, com a melhor correção óptica; 
 Baixa Visão – significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a 
melhor correção óptica; 
 Os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os 
olhos for igual ou menor que 60°; 
 Ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. 
 
 
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Ressaltamos a inclusão das pessoas com baixa visão a partir da edição do 
Decreto nº 5.296/04. As pessoas com baixa visão são aquelas que, mesmo usando 
óculos comuns, lentes de contato, ou implantes de lentes intraoculares, não 
conseguem ter uma visão nítida. As pessoas com baixa visão podem ter 
sensibilidade ao contraste, percepção das cores e intolerância à luminosidade, 
dependendo da patologia causadora da perda visual. 
A Deficiência Mental é conceituada pelo Decreto nº 3.298/99, alterado pelo 
Decreto nº 5.296/04, como o funcionamento intelectual significativamente inferior à 
média, com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais 
áreas de habilidades adaptativas, tais como: 
a) comunicação; 
b) cuidado pessoal; 
c) habilidades sociais; 
d) utilização dos recursos da comunidade; 
e) saúde e segurança; 
f ) habilidades acadêmicas; 
g) lazer; e, 
h) trabalho (Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “d”; e Decreto nº 3.298/99, 
art. 4º, I). 
De acordo com o Decreto nº 3.298/99, conceitua-se como deficiência 
múltipla a associação de duas ou mais deficiências. 
As características comportamentais mais evidentes nesta população, 
referidas por Fonseca (2001) são: 
1. Pessoais (falta de motivação, ansiedade, falta de autocontrole, 
perturbações de personalidade, fraco controle interior e tendência para evitar 
situações de insucesso, mais do que para procurar os êxitos); 
2. Sociais (dificuldades em realizar funções sociais, em estabelecer ligações 
afetivas. Retardamento evolutivo em situações de jogo, lazer e atividade sexual); 
 
 
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3. Físicas (falta de equilíbrio, dificuldades de locomoção, coordenação e 
manipulação). 
Destacam-se como características cognitivas mais relevantes: 
 Problemas de memória (ativa e semântica); 
 Problemas de categorização; 
 Dificuldades de atenção; 
 Autorregulação; 
 Dificuldades na resolução de problemas; e, 
 Déficits linguísticos (PACHECO; VALÊNCIA, 1993). 
 
 
3.2 Classificação 
 
Coelho e Coelho (2001) afirmam que, a partir do século XX, iniciou-se uma 
série de tentativas para sistematizar o conceito de deficiência mental. Inicialmente, 
as principais definições contemplavam o déficit intelectual e do comportamento 
adaptativo, além da imaturidade no que tange ao desenvolvimento e à questão da 
incurabilidade. 
Desde então, as principais mudanças acerca da definição de deficiência 
mental foram realizadas pela American Association on Mental Deficiency 
(atualmente denominada de American Association on Intellectual and Development 
Disability – AAIDD). Esta associação foi criada em 1876 e desde então lidera o 
campo de estudos sobre o tema. A AAIDD tem influência sobre os sistemas de 
classificação internacionalmente conhecidos como CID-10 e o DSM-IV. 
A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas 
Relacionados com a Saúde, conhecida como Classificação Internacional de 
Doenças ou simplesmente CID, tem por objetivo categorizar as descrições 
diagnósticas com base na organização das síndromes. A CID é publicada pela 
 
 
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Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo revista periodicamente e encontra-se 
na sua décima edição. 
O DSM-IV,abreviatura de Diagnostic and Statistical Manual of Mental 
Disorders - Fourth Edition (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais - 
Quarta Edição), é publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA). Assim 
como a CID, usa um sistema categórico. No entanto, considera-se um modelo 
ateórico, tendo por inspiração o modelo organicista. 
Além da CID, a OMS publicou, em 1976, a International Classification of 
Impairment, Disabilities and Handicaps (Classificação Internacional das Deficiências, 
Incapacidades e Desvantagens – CIDID). Nesta, Impairment (deficiência) é descrita 
como as anormalidades nos órgãos e sistemas e nas estruturas do corpo; disability 
(incapacidade) é caracterizada como as consequências da deficiência do ponto de 
vista do rendimento funcional, ou seja, no desempenho das atividades; handicap 
(desvantagem) reflete a adaptação do indivíduo ao meio ambiente resultante da 
deficiência e incapacidade (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189). 
Posterior a várias versões e inúmeros testes, a OMS publicou, em 2001, a 
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF 
(International Classification of Functioning, Disability and Health). 
A CIF é baseada, portanto, numa abordagem biopsicossocial que incorpora 
os componentes de saúde nos níveis corporais e sociais. Assim, na avaliação de 
uma pessoa com deficiência, esse modelo destaca-se do biomédico, baseado no 
diagnóstico etiológico da disfunção, evoluindo para um modelo que incorpora as três 
dimensões: a biomédica, a psicológica (dimensão individual) e a social. Sendo que 
 
(...) Os conceitos apresentados na classificação introduzem um novo 
paradigma para pensar e trabalhar a deficiência e a incapacidade: elas não 
são apenas uma consequência das condições de saúde/doença, mas são 
determinadas também pelo contexto do meio ambiente físico e social, pelas 
diferentes percepções culturais e atitudes em relação à deficiência, pela 
disponibilidade de serviços e de legislação (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 
189-190). 
 
 
 
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Em 2002, a AAMR, atualmente AAIDD, definiu retardo mental (expressão 
adotada, à época, por seus proponentes) como sendo uma deficiência originada 
antes dos dezoito anos de idade, caracterizando-se por significativas limitações no 
que tange ao funcionamento intelectual, ao comportamento adaptativo e às 
habilidades práticas, sociais e conceituais (CARVALHO; MACIEL, 2003). 
Os autores acima destacam que o Sistema 2002 da AAMR é a referência 
para a classificação da deficiência mental e tem influenciado ainda outros 
importantes documentos, não apenas internacionais como também nacionais. 
A OMS lançou, em outubro de 2007, a Classificação Internacional de 
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde em versão para crianças e jovens (CIF – CJ). 
Esta é uma versão derivada da Classificação Internacional de Funcionalidade, 
Incapacidade e Saúde (CIF) desenvolvida para contemplar as características do 
desenvolvimento da criança e da influência dos ambientes que a cercam. A CIF – CJ 
pertence à “família” das classificações internacionais desenvolvidas pela OMS para 
aplicação em diversos aspectos relacionados à saúde. 
Atualmente, a classificação da Dl baseia-se mais em critérios adaptativos, do 
que nos índices numéricos de QI. 
O comportamento adaptativo tem-se revelado fundamental na avaliação e 
classificação da Dl, associando a participação na vida ativa com a vida escolar, sem 
descuidar o aspecto sócio-emocional do deficiente intelectual (MORATO; SANTOS, 
2002). 
Este conceito alarga os aspectos a serem avaliados após o diagnóstico da 
Dl, uma vez que anteriormente se utilizava apenas o Q.I do indivíduo como 
referência que os classifica em leve, moderado, severo ou profundo (LUCKASSON 
et al. 1997 apud SOUSA, 2010). 
Abaixo temos uma breve comparação das classificações para deficiente 
mental: 
1)AAIDD 
 
 
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Definição: Deficiência caracterizada por limitações significativas no 
funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo - habilidades práticas, 
sociais e conceituais - originando-se antes dos dezoito anos de idade. 
Tipos de Apoio: 
 Intermitente (Episódico) – O apoio se efetua apenas quando necessário. 
Caracteriza-se por sua natureza episódica, com duração limitada, ou seja, 
nem sempre a pessoa necessita de apoio, mas durante momentos, em 
determinados ciclos da vida. 
 Limitado (Consistente) – Apoios intensivos caracterizados por duração 
contínua, por tempo limitado, mas não intermitente. Como por exemplo, o 
treinamento do deficiente para o trabalho por tempo limitado ou apoios 
transitórios durante o período entre a escola, a instituição e a vida adulta. 
 Extensivo (Contínuo) – Trata-se de um apoio caracterizado pela regularidade, 
normalmente diária em pelo menos em alguma área de atuação, tais como na 
vida familiar, social ou profissional. Nesse caso não existe uma limitação 
temporal para o apoio, normalmente se dá em longo prazo. 
 Permanente (Constante) – É o apoio constante e intenso, necessário em 
diferentes áreas de atividade da vida. Estes apoios exigem mais pessoal e 
maior intromissão que os apoios extensivos ou os de tempo limitado. 
 
 
 
2)CID-10 
Definição: F70-F79 - Parada do desenvolvimento ou desenvolvimento 
incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por um 
comprometimento, durante o período de desenvolvimento, das faculdades que 
determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de 
linguagem, da motricidade e do comportamento social. O retardo mental pode 
acompanhar um outro transtorno mental ou físico, ou ocorrer de modo 
independentemente. 
As categorias são: 
 
 
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F70 – Retardo Mental Leve 
F71 – Retardo Mental Moderado 
F72 – Retardo Mental Grave 
F73 – Retardo Mental Profundo 
F78 – Outro Retardo Mental 
F79 – Retardo Mental não Especificado. 
 
3)DSM-IV 
Definição: A característica essencial do Retardo Mental é um 
funcionamento intelectual significativamente inferior à média (Critério A), 
acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo 
menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida 
doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, 
autossuficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança 
(Critério B). O início deve ocorrer antes dos 18 anos (Critério C). 
Um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média é definido 
como um QI de cerca de 70 ou menos. 
Inversamente, o Retardo Mental não deve ser diagnosticado em um 
indivíduo com um QI inferior a 70, se não existirem déficits ou prejuízos significativos 
no funcionamento adaptativo. 
Nível de gravidade refletindo nível de prejuízo intelectual: 
 F70.9 - 317 Retardo Mental Leve (QI de 50-55 a aproximadamente 70) 
 F71.9 - 318.0 Retardo Mental Moderado (QI de 35-40 a 50-55) 
 F72.9 - 318.1 Retardo Mental Severo (QI de 20-25 a 35-40) 
 F73.9 - 318.2 Retardo Mental Profundo (QI abaixo de 20 ou 25) 
 F79.9 - 319 Retardo Mental, Gravidade Inespecificada– quando existe forte 
suposição de Retardo Mental, mas a inteligência da pessoa não pode ser 
testada por instrumentos padronizados. 
 
 
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4)CIF 
Definição: Deficiências são problemas nas funções ou nas estruturas do 
corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda significativa (AMIRALIAN et al, 
2000). 
Classificação: 
 0 – Sem deficiência; 
 1-Deficiência leve; 
 2-Deficiência moderada; 
 3-Deficiência grave; 
 4-Deficiência completa; 
 8- Sem especificação; 
 9-Sem aplicação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 11 - ABORDAGENS: PSICANALÍTICA E A 
EPISTEMOLOGIA GENÉTICA PARA DEFICIÊNCIA 
INTELECTUAL 
 
 
Acreditamos que tenha sido percebido que a deficiência mental é uma 
questão complexa, cujas causas são múltiplas e diversas: umas estão ligadas à 
própria estrutura do sujeito; outras, a questões lesionais. O fato de elas se intricarem 
e agirem umas sobre as outras não ajuda em nada a compreensão do fenômeno, 
pois o resultado disso é que cada um projeta seus fantasmas e inventa remédios. 
A deficiência mental é uma condição complexa. Seu diagnóstico envolve a 
compreensão da ação combinada de quatro grupos de fatores etiológicos-
biomédicos, comportamentais, sociais e educacionais. A ênfase em elementos 
dessas dimensões depende do enfoque e da fundamentação teórica que orientam a 
concepção dos estudiosos (CARVALHO; MACIEL, 2003, p. 2). 
Jerusalinsk (1999, p. 110) compara o que acontecia na antiguidade grega 
quando as crianças deficientes eram lançadas desde as alturas do monte Taigeto, 
ao que acontece em nossa civilização, ou seja, elas são igualmente lançadas a um 
vazio de significância desde as alturas da Ciência. 
Para sair desse caos, para existir de fato e de direito, para deixar de ser 
esse “outro”, o deficiente mental tem de compreender o significado de si mesmo e o 
sentido de sua vida, ou seja, encontrar a ordem do mundo e o caminho de seu 
próprio desejo. O “Outro” aqui, segundo a teoria psicanalítica, seria o pai, a mãe ou 
qualquer ser humano que mantém um vínculo afetivo próximo com a criança. Para 
Silva (2006), é possível pensar esse “Outro” como figuras reais e concretas, mas 
também como imagens internas do psiquismo da criança. 
Compreender é, pois, uma operação que toca no mais essencial da 
constituição do ser, é parte integrante da pulsão de vida da qual falava Freud (1976). 
Por essa razão, pode-se tornar uma paixão, a paixão de saber. Ao contrário, 
pode existir a paixão à ignorância, que diz respeito à pulsão de morte. O sentido da 
deficiência mental é do interesse da Psicologia, da Psicanálise, da Pedagogia, da 
 
 
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Psiquiatria e da Neurologia. Entretanto, as diversas contribuições das várias áreas 
de conhecimento têm em comum um ponto: que este indivíduo, o deficiente mental, 
traz uma interdição em relação ao saber. Segundo Santana (1995, p. 13), a 
conceituação da deficiência mental vem sustentada por uma avaliação médica. A 
deficiência como termo de origem médica, e por esse motivo dita orgânica, não 
encontrou amparo dentro da psicanálise. 
Freud (1976) deu sua contribuição na pesquisa do deficiente mental, 
determinando um lugar para ele, a partir dos estudos sobre a sexualidade infantil. 
Delimitou esse saber propondo uma clínica onde, mesmo com as dificuldades 
vinculadas ao corpo, ocorre uma possibilidade via escuta. O pensamento freudiano 
não se situou face à deficiência, mas em face de um ser de palavras, detendo uma 
verdade que lhe é escondida, subtraída, ou que não lhe pertence mais (CORDIÈ, 
1996, p. 129 apud SILVA, 2006, p. 63). As discussões acerca das contribuições de 
Freud e Lacan iriam longe, mas torna-se necessário um recorte e uma síntese para 
focar a abordagem em tela. 
De acordo com a abordagem psicanalítica e tomando emprestadas as 
contribuições de Mannoni (1981, p. 33), sabe-se que o deficiente mental traz sempre 
um discurso coletivo, o qual é proveniente de suas relações com a família, com a 
escola e com a sociedade. Para esse ser, é muito difícil falar, pois ele é falado. De 
acordo com a autora, ele cria uma situação dual, tornando-se objeto de um dos pais. 
Forma-se, em certos momentos, entre o deficiente mental e sua mãe, um só corpo, 
confundindo-se o desejo de um com o desejo do outro, impedindo-o, até certo ponto, 
de construir um conhecimento oriundo do outro. 
Seguindo o pensamento dessa autora, a mensagem do pai, ou seja, a 
função paterna nunca chega até o deficiente mental. Ele está fadado a permanecer 
numa certa relação fantasmática com a mãe que, pela ausência mesma do 
significante paterno, deixa o deficiente reduzido ao estado de objeto, sem esperança 
alguma de aceder ao nível de sujeito. Pelo contrário, a impossibilidade para o 
deficiente mental de estabelecer uma identificação significante deixa-o sem defesa 
contra as situações de dependência dual. Ele não tem a possibilidade de se 
interrogar sobre a sua falta de ser, porque essa falta, tomada em nível da realidade 
 
 
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pelos que o rodeiam, vai levá-lo a não sofrer e a preencher um vazio, o seu vazio 
intelectual, escolar, sem que nunca se coloque a questão de saber se esse vazio 
real não se duplica na mãe, pela sua própria falta de ser, cujo acesso se acha 
raramente barrado para a criança pelo significante paterno (MANNONI, 1981, p. 40). 
Observa-se, então, que a leitura que a psicanálise faz sobre a deficiência 
mental relaciona-se com um ser sem o saber intelectual, numa relação de evidência 
de nada compreender, mas é sustentada por um saber, denominado de saber 
inconsciente. Esse esclarecimento da dimensão inconsciente é contrário à crença 
em uma debilidade inscrita nos gens de um determinismo biológico, mas é indicativo 
do uso que o inconsciente faz dessa inscrição genética. 
Uma vez que sabemos que além de ser imperativo ressignificarmos o lugar 
do deficiente mental, devemos ressaltar que existe um lugar do pseudodeficiente, e 
não somente da deficiência inscrita no corpo físico (SILVA, 2006, p. 68). 
O mesmo autor pondera que a leitura que a psicanálise faz da deficiência 
também oportuniza aos docentes a explicação de que a educação também é falha, 
como nós seres humanos; que se continuarmos a entender as práticas educativas 
como únicas para todos os alunos, sejam estes deficientes ou não, situações de 
deficiências e déficits sempre irão aparecer, seja nos alunos, nos professores, nos 
métodos ou nas práticas educativas. 
O estudo por parte dos docentes sobre a teoria psicanalítica também é 
imprescindível, dado que é a partir de alguns conceitos advindos dessa teoria que 
será permitido que os docentes ressignifiquem seus valores e posicionamentos 
frente aos deficientes, entendendo que as deficiências não são somente orgânicas, 
mas estruturais também. Ai eles, os docentes,com toda sua formação e práticas 
educativas e a família, são implicados. 
Quanto a abordagem da epistemologia genética, esta trouxe uma nova 
possibilidade de práticas educativas mais eficazes aos docentes, pois permite um 
conhecimento científico de como se desenvolvem as estruturas cognitivas dos seres 
humanos e dos deficientes mentais e as possíveis intervenções com os mesmos. 
 
 
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Com a ampliação de matrículas na educação básica, aumentou o número 
de pessoas com deficiência em busca de escolaridade, o que gerou a criação de 
classes e escolas especializadas. 
Nesse contexto, surge também a concepção interacionista de inteligência. 
Essa concepção prevê que as habilidades mentais sensoriais e motoras do sujeito 
resultam da quantidade e da qualidade das trocas efetuadas entre sujeitos e o meio-
ambiente. A respectiva concepção está representada na abordagem da 
Epistemologia genética de Jean Piaget e o Sócio-Interacionismo de Lev Vygotsky. 
A abordagem Piagetiana estabelece uma relação de interdependência entre 
o sujeito e o meio, buscando superar a antiga dicotomia entre objetivismo e 
subjetivismo. A teoria comportamentalista preconiza que cada estímulo emite uma 
resposta, entretanto, Piaget (1983) diz que para que isso ocorra é necessário que o 
sujeito e seu organismo sejam capazes de fornecer tal resposta. 
Na perspectiva Piagetiana o sujeito não é uma tabula rasa, nem traz consigo 
o conhecimento inato, mas é um ser que interage com o meio para construir o 
conhecimento. Nesse sentido, o processo de desenvolvimento cognitivo do indivíduo 
inicia ao nascimento e termina na fase adulta. 
A teoria Piagetiana denominada Epistemologia Genética envolve 
basicamente dois processos: assimilação e acomodação. A assimilação é a 
incorporação de um novo conceito ou experiência em um conjunto de esquemas já 
existentes, através da própria atividade do sujeito. E a Acomodação é o processo 
pelo qual as crianças modificam suas ações, a fim de manejarem novos objetos ou 
experiências. Os processos de assimilação e acomodação são complementares e se 
mostram presentes toda a vida do sujeito, permitindo a adaptação intelectual 
(ALLEBRANDT-PADILHA, 2004). 
Em linhas gerais, a adaptação consiste numa equilibração contínua destas 
assimilações e acomodações. É o processo de autorregulação que consiste numa 
passagem contínua de um estado de menor equilíbrio para outro de equilíbrio 
superior. Sendo assim, o desenvolvimento mental é uma construção sucessiva. 
 
 
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No tocante a Educação, embora Piaget não tenha sido um educador, a sua 
teoria orienta em muito as questões educacionais. Inclusive na Educação Especial, a 
educadora Barbel Inhelder (1963), citada por Mantoan (1995) desenvolveu um 
estudo aplicando a teoria psicogenética em portadores de Deficiência Mental. 
Conforme tal estudo, em sua evolução intelectual, a criança com deficiência 
passaria pelos mesmos estágios da criança normal. Porém, enquanto na criança 
normal há uma aceleração progressiva do pensamento operatório, na deficiente 
observa-se lentidão ou até estagnação que conduz a viscosidade no raciocínio. 
Segundo Mantoan (1997), todas as contribuições inovadoras indicam novas 
possibilidades na educação de pessoas com deficiência mental. Uma das 
implicações é a inclusão educacional que contribui para o desenvolvimento das 
estruturas lógicas concretas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 12 - DEFICIÊNCIA INTELECTUAL NO CONTEXTO 
ESCOLAR: PERCEPÇÃO DE PAIS, ESCOLA E O PAPEL 
DOS EDUCADORES NO PROCESSO DE INCLUSÃO 
 
 
Um fator que provoca a resistência e discriminação da escola frente aos 
alunos com deficiência, segundo Batista e Mantoan (2006), é o medo face à 
diferença e ao desconhecido. Quanto a esse tema, o sociólogo Erving Goffman 
(1982) propôs um conceito, o de “estigmatização”, para descrever esta reação 
discriminatória perante o que é diferente. Também citam que Freud (1969) nos seus 
estudos sobre o Estranho, também explica como os sujeitos evitam aquilo que lhes 
parece estranho e diferente, sobretudo a partir de questões e problemas pessoais e 
muito íntimos dos próprios sujeitos. 
Estes estudos e mesmo nossa posição no mundo, no cotidiano, nos levam a 
observar que a percepção que as pessoas têm de outras é baseada em interesses, 
preconceitos, atitudes, esquemas sociais e cultura. Isso também ocorre em âmbito 
escolar, onde se torna cada vez mais natural que professores, depois de certo 
tempo, tendam a classificá-los em bons, regulares e fracos. Impressão esta, 
normalmente causada pelo desempenho e pelo comportamento dos alunos, 
podendo também derivar de atitudes preconcebidas do professor. 
Implementar uma prática pedagógica que elimine qualquer barreira à 
aprendizagem, deslocando o foco da problemática, das características do aluno, de 
suas condições orgânicas, psicossociais, o que o tem responsabilizado pelo seu 
fracasso na escola para outros fatores como o educador, a escola, o sistema 
educacional, as influências das representações sociais e os aspectos ideológicos e 
políticos que determinam tal prática. Esse é o grande desafio do educador do século 
XXI. 
Segundo Aquino (1997, p.93), é necessário retirar o foco diagnóstico da 
figura do “aluno-problema”, deslocando o olhar para as relações conflitivas que o 
circunscrevem, das quais ele é tão somente porta voz. A interação professor-aluno 
possui características e reflete efeitos que surgem a partir desta interação no 
 
 
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ambiente escolar, onde o desempenho está sendo constantemente avaliado. 
Conforme as ideias de Patto (1997, p. 287), a escola é o lugar onde a intervenção 
pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem. O professor 
tem o papel explícito de interferir no processo, diferentemente de situações informais 
em que a criança aprende por imersão em um ambiente cultural. E o aluno não é 
somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que 
seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. 
Para Herrero (2000), os professores devem, como primeiro objetivo, desenvolver a 
aceitação e o respeito pelas diferenças, pois estabelece um clima positivo dentro da 
classe. 
Partindo do pressuposto acima, salienta-se que o professor deve ter 
consciência de suas atitudes, limitações e valores próprios, para não rotular os 
alunos como bons ou ruins, capazes ou incapazes, como nas palavras de Piletti 
(2004, p.83): “o comportamento do professor em relação aos alunos é de 
fundamental importância para que ocorra a aprendizagem”, ou seja, se um aluno 
percebe indiferença e exclusão por parte do professor, sua atenção estará voltada 
para a autodefesa, enquanto deveria estar focada no conteúdo a ser aprendido. 
Herrero (2000, p. 12) enfatiza o exposto,ao afirmar que é claro que não 
haverá mudança na conduta e nas expectativas destes profissionais, sem uma 
mudança na concepção que tenham sobre inclusão. É claro que a conduta e as 
expectativas do professor determinam de forma decisiva o êxito ou o fracasso do 
aluno. 
Dessa forma, vê-se que a postura ideal de um professor é de manter a 
neutralidade diante de seus alunos, porém é um processo um tanto difícil, pois, 
como Patto (1997, p. 287) salienta, o professor “não é neutro, sem sentimentos, frio 
e distante. É uma pessoa e, como tal, tem sentimentos, simpatias, antipatias, amor, 
ódio, medo, timidez, etc.” e não está livre de ter sentimentos. Outro fator que 
contribui é nossa vivência numa sociedade competitiva que possui valores que 
classificam as pessoas como boas ou fracas, capazes e incapazes. 
Importante salientar que, apesar da importância da escola, Silva e Dessen 
(2001) relembram a necessidade de participação da família no processo de 
 
 
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desenvolvimento dos alunos com deficiência intelectual, inserindo-a no contexto 
escolar, visto que a família constitui o primeiro universo de relações sociais da 
criança, podendo proporcionar-lhe um ambiente de crescimento e desenvolvimento, 
especialmente as crianças com deficiência intelectual, as quais requerem atenção e 
cuidados específicos. Sendo assim, o desenvolvimento do aluno com deficiência 
intelectual não pode ser isolado do desenvolvimento da família (SILVA; DESSEN, 
2001). 
Partindo da definição do dicionário Aurélio sobre o preconceito ser “conceito 
ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos 
fatos; ideia preconcebida”, pode-se dizer que é considerada como uma atitude já 
que a pessoa não fica indiferente ao alvo e, por estar ligada a emoções e valores 
resultam na formação de uma imagem positiva ou negativa de uma pessoa. 
Vale observar que o aluno com deficiência intelectual será mais facilmente 
aceito e incluso quando assim o for dentro da própria família e para que isso 
aconteça, os pais têm que conhecê-lo em suas limitações e potencialidades. 
Dessa forma, a família, apesar de não ser um dos maiores obstáculos frente 
a inclusão, constitui a base da educação e das interações sociais do filho com 
deficiência intelectual. Dessa forma, Picchi (2002. p. 95) verifica a necessidade de 
desvendar e compreender a história da família de forma a “diminuir os preconceitos 
atribuídos à família, como a de maior parcela de culpa pelas dificuldades 
encontradas pelo aluno na escola”. 
Omote (1986, 1987) observa, também, em sua pesquisa sobre a aparência 
dos deficientes na interpretação de suas competências, como o grau de importância 
que a aparência física tem no processo de interação entre aluno/aluno e 
aluno/professor, pois, dependendo da aparência, o aluno pode ser julgado no nível 
de competência acadêmica. Dessa forma, ser for atraente, terá um julgamento de 
competência e a integração social fluirá de forma mais harmônica, ao contrário, ou 
seja, ao apresentar aparência física que não seja agradável, será julgado como 
possuidor de uma competência inferior aos demais, sendo, portanto, tratado de 
forma diferenciada, ficando excluído das relações sociais e acadêmicas. 
 
 
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Neste caso, estereótipos e preconceitos, como enfatiza Rodrigues (1999), 
fazem parte de um pacote maior de normas sociais. E em decorrência disso, 
estereótipos relativos à raça, aparência física, classe social, deficiência, podem 
predispor o professor a tratar seus alunos de forma que as expectativas derivadas 
desse estereótipo acabem de fato ocorrendo. E apesar de cada aluno ser diferente, 
com suas qualidades peculiares, são avaliados pelo mesmo padrão, e são 
salientadas as qualidades, positivas ou negativas, com relação a essa dimensão de 
comportamento. 
O ambiente escolar, caracteriza-se por ser um ambiente em que os alunos 
estão sendo constantemente avaliados. [...] O que o professor tem que se dar conta 
é de que a situação escolar propicia constantes ameaças à autoestima dos alunos e 
eles devem ser ajudados na maneira de enfrentar com êxito tais ameaças. Deve 
também o professor esforçar-se por aumentar a motivação de seus alunos a atribuir 
causalidade interna a seus comportamentos (RODRIGUES, 1999, p.421). 
Deste modo, vê-se que o aluno ao perceber essas rotulações são 
conduzidos ao desânimo, à depressão e, na situação escolar, ao abandono da 
escola ou perda de entusiasmo por assuntos acadêmicos. Por isso, é papel do 
professor evitar que os alunos atribuem isso aos seus fracassos escolares. 
Tendo uma visão mais ampla, Patto (1997, p. 300) afirma que 
 
esse processo não seria, talvez, tão pernicioso, se os professores 
conseguissem manter uma atitude de neutralidade diante dos alunos, sem 
manifestar preferências ou antipatias. 
 
Contudo, percebe-se que manter a neutralidade é um processo difícil, pois, de 
acordo com as ideias de Rodrigues (1999), quando observamos uma pessoa 
realizando uma ação, tendemos a fazer deduções acerca dos motivos que possam 
ter causado aquele comportamento. E o preconceito frequentemente contamina 
nossas percepções. 
Por isso, é necessário que o professor esteja preparado para receber o 
aluno com deficiência intelectual e poder auxiliar os pais, como forma de parceria, no 
 
 
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desenvolvimento escolar do aluno em questão. Uma das maneiras é proporcionar 
uma conversa com o aluno e sua família, explicando o que tem a oferecer e ter 
retorno do que o aluno já vivenciou, definindo as contribuições que podem oferecer 
para o desenvolvimento do aluno com deficiência intelectual. 
Faz-se necessário, também, que a escola, sensibilize e oriente os pais para 
que possam ser inseridos no processo educativo do aluno com deficiência 
intelectual, pois, segundo Picchi (2002, p. 95), além de serem facilitadores para o 
bom desenvolvimento do aluno, são os que conhecem melhor e serão, com certeza, 
os primeiros beneficiados em relação a sua independência e melhoria no convívio 
familiar. Assim, os pais assumirão o papel de corresponsáveis no processo de 
inclusão do filho com deficiência intelectual. 
Quando a escola assumir a competência de orientar e apoiar a família do 
aluno, poderá almejar um trabalho conjunto, que poderá surgir através da mudança 
de postura do próprio aluno e da aproximação da família. 
Diante do exposto, é muito importante que o professor conheça as 
implicações da percepção, bem como a existência e as consequências dos 
interesses, preconceitos, atitudes, esquemas sociais e cultura que constantemente 
influenciam nossas percepções e cognições. Só assim será possível um julgamento 
mais objetivo e menos tendencioso dos outros sem distorções grosseiras da 
realidade. 
Estudos de Teles (2010) sobre a inclusão de alunos com deficiência 
intelectual mostraram que para os educadores, a educação é entendida como um 
esforço coletivo de construção de conhecimento dentro do espaço formal chamado 
escola, e que essa construção exige a constante intervenção na zona de 
desenvolvimento proximal de seus alunos, pois os professores são os mediadores 
das práticaspedagógicas que podem contribuir ou não para o processo de 
aprendizagem de alunos. 
A mesma pesquisadora lembra que este professor também está num 
constante processo de aprendizagem e que as relações estabelecidas na escola 
também geram nele novas zonas de desenvolvimento proximal, seja pelas 
 
 
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interações em sala de aula com os alunos, seja pela interação com outros 
professores em trocas de experiências, seja pela formação continuada. Para o 
professor, o conhecimento continua sendo um construto realizado na coletividade. 
Neste estudo ela percebeu nas falas das professoras que o conceito de 
desenvolvimento e progressão da escolarização dos alunos pauta-se numa ideologia 
dominante produzida por um sistema capitalista liberal que entende a igualdade de 
oportunidades como algo que cabe ao talento individual à ascensão tanto no âmbito 
educacional como social justificando a permanência das desigualdades de 
oportunidade e a continuação da exploração das classes menos favorecidas e 
daqueles que por algum motivo não possuem as mesmas condições de 
desenvolvimento. A situação econômica e a posição social da família é apontada 
como um fator causador das diferentes dificuldades dos processos de 
aprendizagem. 
Em parte, concordamos com Teles (2010), quando infere que o ideário da 
escola obrigatória e gratuita que transformaria a sociedade dando condições para 
que todos tivessem as mesmas oportunidades, diminuindo as desigualdades sociais 
e a exploração da classe menos favorecida, ainda está para acontecer, pois a escola 
ainda está se constituindo enquanto um espaço democrático, mas o importante é 
que ela está caminhando. 
É verdade que boa parte dos professores ainda se encontra num momento 
de transição entre práticas de exclusão e práticas de inclusão no contexto escolar 
possibilitada pela atuação pedagógica em sala de aula inclusiva e também é 
verdade que por meios das políticas públicas de inclusão, dos cursos de formação 
continuada e capacitações como esta ele está conseguindo alcançar novos 
conhecimentos para subsidiar um novo fazer pedagógico. 
A prática pedagógica se constitui enquanto processo de formação 
continuada, pois possibilita ao professor confrontar suas angústias, dúvidas com 
suas certezas e fazeres, levando a reflexão e construção de novas práticas (TELES, 
2010). 
 
 
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Focando novamente a família, esta exerce um papel fundamental, na 
medida em que propicia o crescimento e desenvolvimento dessas crianças através 
de um ambiente estimulador e de interações e relações saudáveis. Segundo 
Kreppner (1992 apud DESSEN; SILVA, 2000), a família exerce este papel, 
principalmente, por meio de sua rede de relações sociais. 
A família constitui o primeiro universo de relações sociais da criança e “[...] 
representa, talvez, a forma de relação mais complexa e de ação mais profunda 
sobre a personalidade humana, dada a enorme carga emocional das relações entre 
seus membros” (REY; MARTINEZ, 1989, p. 143 apud DESSEN; SILVA, 2000). 
A complexa rede de relações familiares apresenta características específicas 
de unicidade e complexidade, constituindo um contexto em desenvolvimento. 
Portanto, essa gama de interações e relações desenvolvidas no microuniverso da 
família mostra que o desenvolvimento do indivíduo não pode ser isolado do 
desenvolvimento da família (DESSEN; LEWIS, 1998). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 13 - ATENDIMENTO EDUCACIONAL 
ESPECIALIZADO – AEE E A AVALIAÇÃO 
 
 
 
No contexto da inclusão escolar defende-se a matrícula preferencial de 
todos os alunos na rede regular de ensino. Para tanto, assegura-se o atendimento 
preferencial nas classes comuns e a oferta de serviços de atendimento educacional 
especializado (AEE). Segundo a Resolução nº 4 de 2 de outubro de 2009, que 
instituiu as Diretrizes Operacionais para a Educação Especial, o AEE pode ser 
caracterizado enquanto um serviço educacional que tem como função: 
 Complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da 
disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que 
eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e 
desenvolvimento de sua aprendizagem (BRASIL, 2009). 
O AEE na proposta da inclusão escolar é importante para garantir o 
desenvolvimento dos alunos tanto nos espaços de atendimento especializado como 
nos espaços da classe comum da escola regular. Ainda com relação à organização 
do AEE, segundo o art. 5º, ela é proposta da seguinte maneira: 
 
O AEE é realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da 
própria escola ou em outra escola, de ensino regular, no turno inverso da 
escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser 
realizado, também, em centro de atendimento educacional especializado da 
rede pública ou de instituição privada, sem fins lucrativos, conveniada com a 
Secretaria de Educação ou órgão equivalente (BRASIL, 2009). 
 
A Educação Especial (para toda sorte de deficiênciaa, altas habilidades, 
superdotados e alunos com transtornos globais de desenvolvimento), enquanto área 
de conhecimento e provisão de serviços, adquire um papel fundamental na medida 
em que possibilita que a diversidade do alunado seja contemplada com a oferta de 
recursos e materiais pedagógicos que permitam que todos os alunos tenham iguais 
oportunidades na escola, garantindo a aprendizagem e o desenvolvimento. 
 
 
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A garantia do AEE é importante na medida em que existe o reconhecimento 
político das diferenças, sendo este um aspecto fundamental para garantir o acesso, 
a permanência e o sucesso do aluno dentro da escola. 
Por outro lado, fica a questão de como será feito a identificação deste 
alunado. No campo da Educação Especial temos a considerar que o processo de 
identificação é fundamental para embasar as decisões a serem tomadas, para definir 
elegibilidade aos serviços educacionais, além das demandas de atendimento, 
organização de recursos humanos, manejo de sala de aula, organização curricular 
etc. (SALVIA; YSSELDYKE; BOLT, 2010 apud VELTRONE; MENDES, 2011). 
Na política da inclusão escolar, a identificação de uma condição de 
deficiência deve ser voltada para propósitos educacionais, para a identificação das 
necessidades educacionais especiais. É necessário identificar para definir 
elegibilidade aos serviços e apoios pedagógicos adequados (BRASIL, 2001, p. 48). 
Mais do que um processo de diagnóstico clínico, é um processo de avaliação 
pedagógica, que considera o desenvolvimento das relações de ensino- 
aprendizagem, o nível de desenvolvimento e condições pessoais do alunado, 
contexto educacional, instituição educacional, ação pedagógica e características do 
ambiente e convívio familiar (BRASIL, 2006). 
A avaliação pedagógica com o objetivo de identificar as necessidadeseducacionais especiais deve ser feita por aqueles que atuam diretamente com os 
alunos, uma equipe a ser formada no âmbito da escola (BRASIL, 2001). No caso da 
rede pública do estado de São Paulo, por exemplo, a decisão de encaminhar um 
aluno aos serviços de apoio especializado passou a ser de responsabilidade da 
equipe pedagógica da unidade escolar a qual o aluno está matriculado. 
Esta equipe pode ser composta pelo professor da classe comum, professor 
da Educação Especial, professor coordenador, assistente técnico pedagógico de 
Educação Especial e do Ensino Fundamental e supervisor de ensino, e devem ser 
envolvidos também os pais e os profissionais da área da saúde que prestam 
atendimento ao referido aluno (SÃO PAULO, 2002). 
 
 
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Os documentos legais e oficiais reconhecem a importância da avaliação 
pedagógica ser realizada pelos próprios profissionais da escola, mas, por outro lado, 
também identificam que este é um processo recentemente novo e que nesta fase de 
transição é preciso considerar a ajuda dos profissionais do campo da Educação 
Especial na avaliação. Na medida em que a equipe da escola puder realizar sozinha 
a identificação das necessidades educacionais dos seus alunos, a Educação 
Especial deve contribuir como assessoramento especializado (BRASIL, 2006). 
Portanto, na avaliação para a identificação das necessidades educacionais especiais 
e provimento dos apoios ainda é recomendada a equipe multiprofissional, composta 
de profissionais de diversos campos de conhecimento (BRASIL, 2001). 
Salvia, Ysseldyke e Bolt (2010 apud VELTRONE; MENDES, 2011) também 
ressaltam que os resultados de uma avaliação e seus objetivos não devem focar 
somente nas características do estudante, mas sim em como estas características 
interagem no ambiente no qual o sujeito se encontra. Além disso, a avaliação 
pedagógica deve possibilitar que se identifiquem mudanças a serem feitas e também 
avaliar os resultados das mudanças feitas para os estudantes. 
A deficiência intelectual deve ser compreendida enquanto a interação entre 
uma pessoa com funcionamento intelectual limitado e seu ambiente. Por estar 
guiada por uma orientação funcional da condição de deficiência, existe um forte 
compromisso da necessidade de classificação baseada na intensidade dos apoios 
necessários. A premissa básica é a de que, com os apoios individualizados certos, a 
pessoa geralmente vai melhorar a maneira como funciona na vida cotidiana. 
Cirilo (2008) ressalta ainda que não é possível pensar a terminologia e 
conceituação da deficiência intelectual sem situá-la no contexto social e cultural 
imediato no qual se encontra. A autora discute ainda que no campo de 
conhecimento e mesmo prático não é possível estabelecer uma unanimidade do que 
seja a deficiência intelectual, e isto ocorre no campo da medicina, psicologia e 
pedagogia. Estudos sobre a temática são sempre importantes de serem 
desenvolvidos para se compreender como estas mudanças vêm sendo interpretadas 
para que possamos avançar nas discussões e compreensões sobre a deficiência 
intelectual. 
 
 
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Considerando a perspectiva de garantir a permanência do aluno na classe 
comum, a identificação dos alunos com deficiência intelectual se faz necessária para 
o encaminhamento aos serviços educacionais especializados (AEE). Além disso, 
tendo em vista o número expressivo de alunos identificados na condição de 
deficiência intelectual nas estatísticas oficiais (BRASIL, 2006) e as dificuldades 
atreladas ao processo de como tal aluno pode ser identificado, parece importante 
questionar como e por quem estes alunos estão sendo identificados. 
A legislação assegura a formação de professores especializados e 
capacitados (BRASIL, 2001). Aos professores especializados caberia, 
especialmente, identificar as necessidades educacionais especiais e trabalhar em 
colaboração com professores de sala comum para definir e implementar as 
flexibilizações pedagógicas e adaptações curriculares. 
É importante que a legislação assegure o profissional especializado, 
principalmente quando defende a importância da Educação Especial enquanto 
modalidade de Educação que deve ser trabalhada junto com a educação regular, 
para proporcionar níveis máximos de aprendizagem e desenvolvimento para todos 
os alunos. 
A capacitação do profissional é um dos caminhos para identificação da 
deficiência intelectual, portanto, que estejam envolvidos profissionais que tenham 
formação adequada para atuar na avaliação e provisão do atendimento educacional 
para os alunos com deficiência intelectual. Inclusive a delimitação e critérios mínimos 
para a formação desta equipe deveria ser um aspecto considerado. 
Os procedimentos geralmente utilizados na identificação da deficiência 
intelectual são variados, indo ao encontro da própria composição das equipes. 
Geralmente começa-se com a entrevista com a família, em seguida ou 
concomitantemente, um diagnóstico multidisciplinar. Os testes de QI são indicados 
para propósitos específicos e considerando-se o contexto imediato no qual se 
encontra o sujeito, e os seus resultados devem ser utilizados para ações práticas 
(NORONHA; PRIMI; ALCHIERI, 2005; BERGERON; FLOYD; SHANDS, 2008; 
HAMES, 2008; POLLOWAY, 2009 apud VELTRONE; MENDES, 2011). 
 
 
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A avaliação pedagógica também pode ser utilizada, geralmente para 
identificar o perfil do aluno. Na escola regular, a busca pela identificação acaba 
sendo feita prioritariamente com os alunos que não acompanham as exigências 
escolares, o que justifica a avaliação pedagógica (VELTRONE; MENDES, 2009). 
Mesmo considerando a complexidade que envolve a deficiência intelectual e 
a impossibilidade de defini-la sem considerar seu contexto cultural, social e 
educacional imediato, os pesquisadores acima consideram que a composição da 
equipe para a identificação destes alunos, bem como os procedimentos utilizados, 
necessitam de critérios mínimos, para não cairmos no risco da transformação em um 
processo aleatório e subjetivo, rotulando arbitrariamente os alunos como deficientes 
intelectuais. 
Enfim, na proposta da inclusão escolar, a discriminação positiva se faz 
necessária para que os alunos tenham melhores oportunidades educacionais. A 
identificação da deficiência intelectual é muito importante para que possamos 
organizar o atendimento educacional destes alunos, oportunizando o 
desenvolvimento de práticas e serviços educacionais especializados mais 
adequados às suas necessidades (VELTRONE; MENDES, 2011). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 14 - ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO 
DE DOENÇAS 
 
 
As pesquisas e os noticiários nos mostram todos os dias que as atividades 
físicas são importantes para uma vida saudável. 
Para a maioria da população, os benefícios de uma prática desportiva 
regular, são unanimemente reconhecidos,quer seja uma criança, adolescente, 
adulto ou idoso. No entanto, e no que se refere à população com deficiência, a 
sensibilização para as vantagens advindas da prática de atividade física, surgiu 
ainda que muito recente, fruto da lenta, mas progressiva evolução que este 
fenômeno tem assistido (CARVALHO; FARKAS, 2005). 
A população com deficiência intelectual é muitas vezes caracterizada por ter 
um estilo de vida sedentário onde a falta de atividade física, a dieta rica em gordura 
e a má condição física têm sido referenciados em diversos estudos (DRAHEIM; 
WILLIAMS; MCCUBBIN, 2002; EMERSON, 2005; FREY, 2004; HAMILTON et al., 
2007; TEMPLE & STANISH, 2008 apud SOUSA, 2010) como fatores influentes que 
marcam o aumento do risco de desenvolvimento de várias doenças. 
Os objetivos dos programas de promoção da saúde para pessoas com 
deficiência, segundo alguns autores, ajudam a reduzir condições secundárias e 
ajudam a manter a independência funcional proporcionando oportunidades de lazer 
e prazer com fim a uma melhor qualidade de vida (CARMELI, et al. 2009; CHANIAS 
et al. 1998; CLUPHF et al.; 2001 apud SOUSA, 2010). 
Os indivíduos com deficiência intelectual estão em risco de mortalidade e 
morbidade por doenças crônicas incluindo as doenças cardiovasculares. Vários 
estudos têm mostrado altas taxas de obesidade neste tipo de população 
(EMERSON; 2005; HARRIS et al., 2003; OWENS, 2003; RIMMER; WANG, 2005; 
RUBIN et al., 1998; YAMAKI, 2005 apud SOUSA, 2010). 
Para vários autores, existe uma relação direta entre inatividade 
física e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Neste sentido, a 
prática de atividade física regular desempenha um papel fundamental na 
 
 
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prevenção primária e secundária das doenças cardiovasculares (MOSS, 2009; 
PETERSON et al. 2008; SIT et al. 2008; STANISH; FREY; 2008 apud SOUSA, 
2010). 
A revisão de literatura promovida por Sousa (2010) mostra que a prática de 
atividade física regular para a pessoa deficiente como meio de reabilitação e 
integração, contribui para a aceitação das suas limitações: 
 valoriza e divulga as suas capacidades físicas, ajudando-o a relativizar as 
suas incapacidades; 
 reforça a sua autoestima, dando-lhe qualidade de vida; 
 possibilita condições consideradas necessárias para a alteração da sua visão 
perante a vida; 
 intensifica a vontade para a ação; 
 disponibilidade para se aproximar dos outros, para comunicar, para conviver; 
 combate eficazmente atitudes pessimistas e facilita a mediatização das suas 
capacidades, refletindo sobre as suas capacidades em desfavor das 
limitações (ALVES, 2000). 
 
Segundo Auxter e Huetting (s.d apud SOUSA, 2010), a utilização de técnicas 
e estratégias de ensino mais apropriadas às necessidades dos indivíduos com Dl, 
conduz a uma maior participação e motivação para a prática desportiva, tais como: 
11. Pesar as diferenças individuais quando se selecionam as atividades; 
12. Apurar as atividades de acordo com as necessidades da pessoa com Dl; 
13. Escolher atividades para conhecer o grau de interesse da pessoa; 
14. Não menosprezar a capacidade desta população, pois existe uma propensão 
para designar metas muito baixas para este tipo de população; 
15. Selecionar atividades sensório-perceptivo-motoras para impulsionar um 
desenvolvimento específico e geral dos jovens, e incrementar competências 
recreacionais nos mais velhos, possibilitando a integração social; 
 
 
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16. Organizar o envolvimento no qual a atividade está incluída, tornando-a num 
desafio para o indivíduo favorecendo sempre o êxito; 
17. Analisar as tarefas abrangidas na atividade para ter a certeza de que as 
componentes fundamentais à evolução no domínio da atividade são 
executadas com sucesso; 
18. Criar um envolvimento de jogo seguro; 
19. Ser tolerante com os curtos e demorados ganhos, e mais ainda com as 
pessoas; 
20. Proporcionar um vasto leque de atividades que tenham significado social e 
recreacional para a vida adulta. 
Para Fonseca (2002), a caracterização psicomotora do deficiente intelectual 
reduz-se a seis aspectos importantes: 
1. Os elementos de desempenho são menos precisos e mais lentos, donde 
decorrem problemas de expressão e de processamento, que ao nível da 
psicomotricidade se expressam por dismetrias, dissincronias e dispraxias; 
2. Na Dl, em geral, aparecem dificuldades para utilizar as componentes de 
execução e de performance, devido à disfunção na formulação de estratégias e no 
entendimento dos atributos necessários à solução dos novos e diferentes 
problemas; 
3. Os déficits no desempenho cognitivo dependem da adaptabilidade dos 
contextos, bem como às características dos indivíduos com Dl; 
4. O indivíduo com Dl parece manifestar dificuldades em tarefas não 
familiares que exijam o recurso às metacomponentes, devido a dificuldades de 
planificação e execução da decisão, frequentemente caracterizada por falta de 
flexibilidade. Tal ausência de plasticidade revela uma certa inércia psicomotora para 
produzir respostas a novos problemas e novas situações, daí que a decisão 
psicomotora seja restritiva na maioria dos casos; 
5. As metacomponentes de inteligência, como a identificação, seleção e a 
organização de dados do problema, a estratégia unificada e sistemática de 
 
 
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resolução e representação mental da informação, a focagem de atenção, o 
processamento de recursos de memória, monitorização da solução, a integração dos 
feedbacks da performance, entre outros, são estimulados inadequadamente, daí a 
diminuição da interconexão entre as componentes do ato mental; 
6. Na Dl as componentes do processamento de informação e os fatores 
psicomotores parecem estar menos livres e menos alcançáveis, daí o surgimento da 
noção de disfunção na percepção de relações e disfunção sistêmica nos fatores 
psicomotores de tonicidade, de equilíbrio, de lateralidade, entre outros. 
Enfim, sabendo que existe uma relação entre os benefícios dos exercícios 
físicos sobre os fatores de risco de doenças cardiovasculares (obesidade, 
hipertensão arterial, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) e sabendo que os 
indivíduos com Dl se caracterizam por ter baixos níveis de condição física e pouca 
participação em atividades desportivas, é importante e fundamental que se criem 
condições para que estes possam desenvolver a sua condição física e melhorar o 
seu estado de saúde (SOUSA, 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 15 - A TERMINALIDADE ESPECÍFICA E A 
INSERÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO 
MERCADO DE TRABALHO 
 
9.1 Terminalidade específica 
 
No atendimento a alunos cujas necessidades educacionais especiais estão 
associadas a grave deficiência mental ou múltipla, a necessidade de apoios e ajudas 
intensos e contínuos, bem como de adaptaçõescurriculares significativas, não deve 
significar uma escolarização sem horizonte definido, seja em termos de tempo ou 
em termos de competências e habilidades desenvolvidas. As escolas, portanto, 
devem adotar procedimentos de avaliação pedagógica, certificação e 
encaminhamento para alternativas educacionais que concorram para ampliar as 
possibilidades de inclusão social e produtiva dessa pessoa. 
Quando os alunos com necessidades educacionais especiais, ainda que 
com os apoios e adaptações necessários, não alcançarem os resultados de 
escolarização previstos no Artigo 32,1 da LDBEN: “o desenvolvimento da 
capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da 
escrita e do cálculo” - e uma vez esgotadas as possibilidades apontadas nos Artigos 
24, 26 e 32 da LDBEN - as escolas devem fornecer-lhes uma certificação de 
conclusão de escolaridade, denominada terminalidade específica. 
Então, por definição, Terminalidade específica é uma certificação de 
conclusão de escolaridade – fundamentada em avaliação pedagógica – com 
histórico escolar que apresente, de forma descritiva, as habilidades e competências 
atingidas pelos educandos com grave deficiência mental ou múltipla. É o caso dos 
alunos cujas necessidades educacionais especiais não lhes possibilitaram alcançar 
o nível de conhecimento exigido para a conclusão do ensino fundamental, 
respeitada a legislação existente, e de acordo como regimento e o projeto 
pedagógico da escola. 
O teor da referida certificação de escolaridade deve possibilitar novas 
alternativas educacionais, tais como o encaminhamento para cursos de educação de 
 
 
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jovens e adultos e de educação profissional, bem como a inserção no mundo do 
trabalho, seja ele competitivo ou protegido. 
Cabe aos respectivos sistemas de ensino normatizar sobre a idade-limite 
para a conclusão do ensino fundamental (BRASIL, 2001). 
 
 
9.2 Inserção de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho 
 
Sabemos que a DI deve ser considerada quando as limitações do indivíduo 
afetam as habilidades para responder às demandas do ambiente físico e social, mas 
essa visão ou dimensão não deve bastar, ou seja, devemos considerar os fatores 
psicológicos, emocionais, ambientais, físicos, etiológicos e de saúde fundamentais 
para o diagnóstico da deficiência intelectual e para que este seja considerado 
limitação. 
Desse modo, considerando todos os fatores, as pessoas com deficiência 
podem ser capacitadas e integradas ao mercado de trabalho a partir de um 
treinamento especializado, que respeite suas limitações físicas, visuais, auditivas ou 
mentais (CARREIRA, 1992). O mesmo pode ser considerado para Pessoas com 
Deficiência Intelectual (PDI), apesar da crença de que a limitação lógico-racional os 
impede de exercer atividades laborais (CARREIRA 1992). 
Apesar das barreiras à sua empregabilidade, como educação e 
profissionalização precárias (PASTORE, 2000; LANCILLOTTI, 2003; SASSAKI, 
2003), estima-se4 que um milhão de pessoas com deficiência, 11,1% do total em 
idade para trabalhar, exerçam alguma atividade remunerada, e que apenas 200 mil, 
2,2% do total, são empregados com registro em carteira de trabalho (IBGE apud 
ETHOS, 2003). 
Estima-se que 166 mil brasileiros, 8,3% dos dois milhões declarados 
portadores de deficiências, sejam PDI (IBGE apud ETHOS, 2003). Assim, aplicando 
 
4
 Os dados relativos à inclusão da pessoa com deficiência intelectual (PDI) são escassos. 
 
 
 
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as porcentagens de 11,1% de pessoas com deficiência em idade de trabalhar que 
exercem alguma atividade remunerada e 2,2% de pessoas que trabalham 
registradas na CLT, supõe-se que o número de PDI com idade para trabalhar 
aproxime-se de 750 mil, das quais 82 mil atuam no mercado de trabalho e 16 mil 
com carteira assinada. É importante lembrar que essas informações não são oficiais 
e, sim, estimativas do cenário da força de trabalho da PDI no Brasil, a qual aparenta 
ser muito reduzida, apenas 4% estão trabalhando. 
A inserção da PDI no mercado de trabalho se deu historicamente por meio 
do trabalho apoiado, que surge a partir da década de 50, como extensão da 
Educação Especial (ARAÚJO, 2003). Hoje, no Brasil, a legislação vem sendo 
desenvolvida para assegurar a todo deficiente a inserção no mercado de trabalho. 
Assim, a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, sobre os planos e benefícios da 
Previdência, determina no art. 93 que: 
A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher 
de dois a cinco por cento dos seus cargos, com beneficiários reabilitados ou 
pessoas portadoras de deficiência, habilitadas na seguinte proporção: 
I. até 200 empregados 2% 
II. de 201 a 500 empregados 3% 
III. de 501 a 1.000 empregados 4% 
IV. de 1.001 em diante 5% 
A integração da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ocorre 
mediante um sistema de apoio ao trabalho constituído por atividades de educação, 
qualificação profissional, assistência médica, habilitação e reabilitação para o 
trabalho, mecanismos legais, estímulos aos empresários, subsídios aos portadores 
de deficiência, serviços de colocação, campanhas antidiscriminação e por 
instituições onde é realizado o trabalho de portadores de deficiência de forma 
abrigada ou, simplesmente, trabalho protegido (PASTORE, 2000). 
Os serviços de colocação profissional facilitam o ajuste entre a oferta e a 
procura de mão de obra no mercado de trabalho. No Brasil, os principais serviços de 
colocação são realizados por entidades ligadas a órgãos governamentais, cuja 
 
 
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missão é recrutar e colocar no mercado de trabalho as pessoas deficientes; por 
agências de emprego, empresas privadas especializadas na colocação de mão de 
obra; e, por entidades de e para portadores de deficiência, que reabilitam, qualificam 
e buscam colocar sua clientela no mercado de trabalho (PASTORE, 2000). 
Percebe-se a ausência de um ator importante nesse processo de inclusão, o 
administrador, mas o uso da linguagem empresarial, como produção, produtividade, 
lucro, no lugar de leis, exigências e punições, pode ser válido para aproximar a 
pessoa com deficiência da empresa. 
Nesse contexto, torna-se importante orientar a instituição responsável pela 
colocação em focar tal processo nas qualificações do indivíduo, nas limitações que o 
trabalho impõe ao perfil do cargo e, consequentemente, ao seu ocupante. Além 
disso, deve-se mostrar ao empresário que se trata de uma mão de obra qualificada, 
zelosa, disciplinada, que gosta de trabalhar e que trará vantagens econômicas para 
a empresa (PASTORE, 2000; CARREIRA, 1992). 
Quanto às técnicas utilizadas para captação de pessoas com deficiência, 
encontramos materiais desenvolvidos por ONGs e órgãos do governo. Para Carreira 
(1992), não devem ser adotadas diferenciações na seleção de pessoas deficientes. 
O autor entende que essa prática desqualificaria o perfil dos cargos e implicaria uma 
atitude discriminatória. Advoga, então, que as pessoas deficientes devem concorrer 
por seu mérito, em condições de igualdade, com as pessoasnão deficientes. 
Pastore (2000) sugere a busca de orientação nas práticas já realizadas em 
outros países e a formalização de parcerias com organizações voltadas para a 
identificação de pessoas qualificadas e de vagas que elas possam preencher no 
setor, ainda, em formação no Brasil. É o caso das Secretarias de Trabalho dos 
Estados, instituições de e para deficientes, serviços de reabilitação públicos ou 
privados, os quais estão tornando-se intermediadores de mão de obra. 
Sugere-se, também, que a empresa recorra a instituições de ensino regular, 
técnico ou superior, para conversar com professores e identificar candidatos 
potenciais, ainda que se saiba ser pequeno o número de pessoas com deficiência 
em tais instituições. 
 
 
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Em 1999, o Sistema Nacional de Emprego do Rio Grande do Sul (SINE/RS) 
organizou o Manual das Ocupações Compatíveis à Condição de Pessoas 
Portadoras de Deficiência, com o objetivo de disponibilizar ao setor privado relações 
de cargos compatíveis com a condição, ou limitação, da pessoa com deficiência. 
Segundo o manual, as PDI são aquelas que, através de treinamento específico, 
podem desempenhar atividades, mas adaptam-se melhor, na maioria dos casos, 
como auxiliar. (SINE/RS, 1999, p. 20). Neste sentido, relaciona sessenta e seis 
ocupações compatíveis a PDI. Vale a pena conferir. 
Em 2002, o Instituto ETHOS publicou o manual “O que as empresas podem 
fazer pela inclusão de pessoas com deficiência”, propondo a aproximação das 
empresas e entidades que fornecem consultoria para a captação de pessoas 
deficientes. Essas entidades facilitam o processo na medida em que realizam o 
primeiro contato com a pessoa com deficiência, avaliam o potencial e as habilidades 
que podem ser desenvolvidas por essa pessoa. Enfim, tais instituições se 
responsabilizam por indicar, encaminhar e substituir um profissional deficiente, 
quando for o caso. 
Para que o processo de inclusão seja válido e duradouro, o manual indica a 
elaboração de um programa estruturado de recrutamento, seleção, contratação e 
desenvolvimento de pessoas com deficiência. Embora seja uma escolha mais 
complexa e custosa, tem um retorno sólido em longo prazo. 
Em 2003, Nambu elaborou o Guia prático para profissionais de recursos 
humanos, sendo apoiada pela Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa 
Portadora de Deficiência (CORDE), vinculada à Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos (SEDH), e pela Sociedade para Reabilitação e Reintegração do 
Incapacitado do Brasil (SORRI/ BRASIL). Esse manual procura esclarecer as 
principais dúvidas sobre as pessoas com deficiência e sua captação (NAMBU, 
2003). Apresenta informações mais estruturadas e adaptadas à linguagem dos 
administradores, mas não apresenta a estrutura de um plano de captação, nem 
técnicas e procedimentos específicos. 
Sobre o recrutamento, o manual orienta, como nas outras fontes, a procura 
de instituições públicas ou privadas responsáveis pela colocação de mão de obra no 
 
 
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mercado. Lista seis tipos: o sistema público de emprego, o Sistema Nacional de 
Emprego (SINE), Organizações Não governamentais (ONGs), sites, agências de 
emprego e núcleo de informações sobre deficiência do Sistema Nacional de 
Informações sobre Deficiência. 
Esclarece que não é uma ação discriminatória a empresa fazer anúncios de 
empregos direcionados para deficientes, uma vez que o decreto nº 3.298/99 está em 
vigor (NAMBU, 2003). 
O manual recomenda em relação às PDI o contato com organizações pelas 
quais elas tenham passado. Entende que é a melhor forma de avaliá-las, pois tais 
organizações têm maiores informações acerca da pessoa, suas capacidades, 
habilidades e limitações (NAMBU, 2003). 
Quanto aos testes psicológicos, sugere que devam ser definidos e aplicados 
com bom senso. A escolha da ferramenta deve levar em consideração as limitações 
da deficiência para que o candidato não seja prejudicado. As dinâmicas devem 
reunir ambos os candidatos, deficientes e não deficientes, e deve-se verificar se nas 
atividades há tarefas que envolvam as limitações relacionadas a determinadas 
deficiências (NAMBU, 2003). 
Por fim, o manual aborda questões acerca da contratação, enfatiza a 
igualdade entre os contratos de pessoas deficientes e não deficientes e, também, 
atenta para a caracterização da deficiência, o que viabilizará a identificação dos 
cargos ocupados por pessoas deficientes, que deve ser realizada mediante laudo 
emitido pelo médico do trabalho, conforme disposto no Art. 4º do Decreto nº 
3.298/99 (NAMBU, 2003). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
 
REFERÊNCIAS BÁSICAS 
 
 
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Brasília: MEC, SEESP, 2006. 
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institucionalização da Oferta do Atendimento Educacional Especializado – AEE em 
Salas de Recursos Multifuncionais, implantadas nas escolas regulares. Disponível 
em: portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=&gid=5294&option... 
GOMES, Adriana Leite Lima Verde et al. A Educação Especial na Perspectiva da 
Inclusão Escolar: o atendimento educacional especializado para alunos com 
deficiência intelectual. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação 
Especial; [Fortaleza]: Universidade Federal do Ceará, 2010. v. 2. (Coleção A 
Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar). 
BATISTA, Cristina Abranches Mota; MANTOAN, Maria Teresa Egler. Educação 
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Brasília: MEC, SEESP, 2006. 
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contexto universal. Campinas: Autores Associados, (coleção polêmicas do nosso 
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2012. 
 
 
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