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MATERIAL DIDÁTICO DEFICIÊNCIA INTELECTUAL U N I V E R S I DA D E CANDIDO MENDES CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 Impressão e Editoração 0800 283 8380 www.ucamprominas.com.br SUMÁRIO UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO ..................................................................................... 03 UNIDADE 2 – DA DEFICIÊNCIA MENTAL À INTELECTUAL .................................. 08 2.1 História ................................................................................................................. 08 2.2 Conceito ............................................................................................................... 12 UNIDADE 3 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ............................................................ 14 3.1 Etiologia da deficiência intelectual ........................................................................ 14 3.2 Classificação ......................................................................................................... 22 UNIDADE 4 – ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO ......................................... 28 UNIDADE 5 – ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO .......................... 38 5.1 Conceito e definição ............................................................................................. 40 5.2 As salas de recursos ............................................................................................. 43 5.3 A sala de recurso para deficiência intelectual ....................................................... 46 5.4 Atribuições do professor no AEE .......................................................................... 48 5.5 A importância da revisão do PPP e do currículo escolar ....................................... 49 UNIDADE 6 – IDENTIFICAÇÃO/CARACTERIZAÇÃO E TRABALHO COM ALTAS HABILIDADES ........................................................................................................... 51 UNIDADE 7 – CUIDADOS COM ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO DE DOENÇAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ........................................................................................................... 59 UNIDADE 8 – INTRODUÇÃO A DEFICIÊNCIA MENTAL ......................................... 65 UNIDADE 9 - HISTÓRIA, CONCEITO, ETIOLOGIA .................................................. 68 UNIDADE 10 - CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS DEFICIÊNCIAS .................................................................................................. 78 UNIDADE 11 - ABORDAGENS: PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA PARA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ........................................................................ 90 UNIDADE 12 - DEFICIÊNCIA INTELECTUAL NO CONTEXTO ESCOLAR: PERCEPÇÃO DE PAIS, ESCOLA E O PAPEL DOS EDUCADORES NO PROCESSO DE INCLUSÃO ........................................................................................................... 95 UNIDADE 13 - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) E A AVALIAÇÃO ............................................................................................................ 102 UNIDADE 14 - ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO DE DOENÇAS .......................................................................................................... 107 UNIDADE 15 - A TERMINALIDADE ESPECÍFICA E A INSERÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO ............................................. 111 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 117 3 UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO A inclusão social tem sido um desafio para todas as esferas da sociedade, principalmente para as pessoas portadoras de necessidades especiais que, muito além de poderem exercer a cidadania, deparam com a dificuldade de acesso em todos os sentidos. Segundo Mantoan (2006), a inclusão escolar está articulada a movimentos sociais mais amplos, que exigem maior igualdade e mecanismos mais equitativos no acesso a bens e serviços. Ligada a sociedades democráticas que estão pautadas no mérito individual e na igualdade de oportunidades, a inclusão propõe a desigualdade de tratamento como forma de restituir uma igualdade que foi rompida por formas segregadoras de ensino especial e regular. A questão política e social da inclusão é assunto que rende muitas discussões, assim como entender que o tratamento dispensado à diferença não quer dizer tratá-los como iguais, ao contrário, a diferença propõe o conflito, o dissenso, a imprevisibilidade, a impossibilidade do cálculo. O certo é jamais desvalorizar e inferiorizar os cidadãos/alunos por suas diferenças, seja nas escolas comuns ou nas especiais. Vale enfatizar de imediato que a inclusão de indivíduos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino não consiste apenas na permanência junto aos demais alunos, nem na negação dos serviços especializados àqueles que deles necessitem. Ao contrário, implica uma reorganização do sistema educacional, o que acarreta a revisão de antigas concepções e paradigmas educacionais na busca de se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural e social desses alunos, respeitando suas diferenças e atendendo suas necessidades (GLAT; NOGUEIRA, 2002, p. 26). Alguns devem estar se perguntando por que a apostila tem como título “Deficiência intelectual” e não “Deficiência mental”?. Pois bem, vamos de pronto deixar claro que a deficiência intelectual, outrora conhecida como deficiência mental, não é uma doença, não pode ser contraída pelo contato com uma pessoa sadia ou outra com a deficiência. Não é uma doença mental, portanto, não há cura e para entender melhor a diferença entre doença e deficiência, a OMS – Organização Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 4 Mundial da Saúde – propôs três níveis para esclarecer todas as deficiências, a saber: deficiência, incapacidade e desvantagem social. Deficiência – perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. Incapacidade – restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária. Desvantagem – prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência. Em 2001, essa classificação foi revista e reeditada não contendo maisuma sucessão linear dos níveis, mas indicando a interação entre as funções orgânicas, as atividades e a participação social (BATISTA; MANTOAN, 2006). O importante dessa nova definição é que ela destaca o funcionamento global da pessoa em relação aos fatores contextuais e do meio, re-situando-a entre as demais e rompendo o seu isolamento. Essa definição motivou a proposta de substituir a terminologia “pessoa deficiente” por “pessoa em situação de deficiência” (ASSANTE, 2000 apud BRASIL, 2006). Mais recentemente tem-se visto o uso do termo deficiência intelectual. Sassaki (2004) justifica, com muita propriedade, o uso do termo deficiência intelectual: 1) é mais apropriado o termo “intelectual” por referir-se ao funcionamento do intelecto especificamente e não ao funcionamento da mente como um todo; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 5 2) o seu uso consiste em podermos melhor distinguir entre “deficiência mental” e “doença mental”, dois termos que têm gerado muita confusão há décadas, principalmente na mídia. Os dois fenômenos trazem o adjetivo “mental” e muita gente pensa que “deficiência mental” e “doença mental” são a mesma coisa. Então, em boa hora, vamos separar os dois fenômenos. Também no campo da saúde mental (área psiquiátrica), está ocorrendo uma mudança terminológica importante, substituindo o termo “doença mental” por “transtorno mental”. Permanece, sim, o adjetivo “mental” (o que é correto), mas o grande avanço científico foi mudar para “transtorno”. Aqui também se aplica o critério do número (singular e não plural) para a palavra “transtorno”. Dizemos: “pessoa(s) com transtorno mental”, e não “pessoa(s) com transtornos mentais”, mesmo que existam vários transtornos mentais. Segundo especialistas, o transtorno mental pode ocorrer em 20% ou até 30% dos casos de deficiência intelectual, configurando-se aqui um exemplo de deficiência múltipla; 3) hoje em dia cada vez mais se substitui o adjetivo “mental” por “intelectual”. A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde realizaram um evento (no qual o Brasil participou) em Montreal, Canadá, em outubro de 2004, evento esse que aprovou o documento DECLARAÇÃO DE MONTREAL SOBRE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. O termo “intelectual” foi utilizado também em francês e inglês: Déclaration de Montreal sur la Déficiénce Intelectuelle, Montreal Declaration on Intelectual Disability; 4) a expressão “deficiência intelectual” foi oficialmente utilizada já em 1995, quando a Organização das Nações Unidas (juntamente com The National Institute of Child Health and Human Development, The Joseph P. Kennedy, Jr. Foundation, e The 1995 Special Olympics World Games) realizou em Nova York o simpósio chamado INTELECTUAL DISABILITY: PROGRAMS, POLICIES, AND PLANNING FOR THE FUTURE (Deficiência Intelectual: Programas, Políticas e Planejamento para o Futuro); 5) esta substituição ocorreu também na Espanha, conforme notícia publicada em 2002, que se segue: “Espanha – Resolução exige a substituição do termo Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 6 deficiência mental por deficiência intelectual. A Confederação Espanhola para Pessoas com Deficiência Mental aprovou por unanimidade uma resolução substituindo a expressão “deficiência mental” por “deficiência intelectual”. Isto significa que agora a Confederação passa a ser chamada Confederação Espanhola para Pessoas com Deficiência Intelectual (Confederación Española de Organizaciones en favor de Personas con Discapacidad Intelectual). Esta organização aprovou também o novo Plano Estratégico de quatro anos para melhorar a qualidade de vida, o apoio institucional e os esforços de inclusão para pessoas com deficiência intelectual”. Fonte: Digital Disnnet Press Agency, Digital Solidarity, n° 535, Bogotá, 3 de setembro de 2002. Nesse contexto, o desejo de trabalhar com os portadores de deficiência intelectual requer num primeiro momento conhecer os caminhos percorridos pela sociedade desde os primeiros conceitos sobre exclusão, inclusão e deficiência, para num segundo momento manter avivado nos interessados e envolvidos, o desejo de lutar e buscar uma escola melhor, um espaço onde todos sejam vistos por suas habilidades, possibilidades e não por suas deficiências. Além da deficiência intelectual, abordaremos também as altas habilidades e superdotados. O caminho que percorreremos será este: promover uma breve evolução histórica da deficiência mental até a intelectual ao longo dos últimos séculos; conceituar, definir, caracterizar e classificar essa deficiência de acordo com a CID-10 e DSM-IV. O Atendimento Educacional Especializado (AEE), a sala de recursos multifuncionais, a avaliação e identificação e os cuidados com as atividades físicas e os fatores de risco de doenças completam nossos estudos sobre o trabalho com os portadores de deficiência intelectual. Por ora, deixamos uma mensagem inicial para aqueles que buscam capacitação para trabalhar as diferenças e as deficiências, com foco na deficiência intelectual (DI): os espaços escolares não devem ser lugares de discriminação, e Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 7 mesmo que o grau de deficiência se imponha como limite da capacidade de aprendizagem e adaptação ao mundo, todos são cidadãos de pleno direito, considerando as várias dimensões como a dignidade humana. Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos estudos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 8 UNIDADE 2 – DA DEFICIÊNCIA MENTAL À INTELECTUAL Evolutivamente, o conceito de deficiência mental tem uma estreita relação com as concepções socioeconômicas e ideais que nortearam cada período da história do homem. Conhecer essas ideias abre um horizonte para se compreender a deficiência intelectual, clarear o conceito o que, por conseguinte, permite oferecer melhores serviços de atendimento para esse público. 2.1 História Pessoti (1984) promove uma ampla revisão histórica a respeito da deficiência mental, destacando as concepções adotadas, em cada período, que influenciaram as atitudes da sociedade em relação à deficiência. Aranha(1995) também se reporta à história para descrever como a integração social do deficiente foi associada à concepção de deficiência, a qual merece destaque. Na sociedade antiga, as crianças deficientes eram deixadas ao relento para que morressem. Essa atitude era fruto dos ideais morais da época em que a eugenia1 e a perfeição do indivíduo eram considerados valores preponderantes. Já no final do século XV, com os ideais burgueses vigentes nesse período, imperou a visão de que a deficiência era um atributo do indivíduo, tendo, portanto, uma relação direta com o capital, ou seja, o deficiente era considerado improdutivo, do ponto de vista econômico. Até cerca de 1800, a Dl – Deficiência Intelectual – não era considerada um problema científico, embora, de acordo com Woolfson (s.d. apud MORATO, 1993), devam-se considerar algumas referências, segundo as quais a Dl era analisada criteriosamente como distinta da doença mental com rigor descritivo de diferentes tipos, diagnósticos, prognósticos e terapêuticos. 1 Ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie humana. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 9 Segundo Morato (1993), a investigação sobre a Dl pode resumir-se a três períodos. O primeiro período teve início em 1800, perdurando um século, e caracterizou-se por ser um período de grande desenvolvimento científico ao nível da biologia e da psicologia, cujo impacto social é constatável pela evidência das propostas de identificação e classificação da Dl relativamente a outras deficiências, em particular, na distinção da doença mental (DETTERMAN, 1983, 1987; PERRON, 1976; RYNDERS, 1987; apud MORATO, 1993). O segundo período, que se estendeu desde os finais do séc. XIX até à 2ª grande guerra, compreendeu uma fase caracterizada pelas preocupações de definição e classificação da Dl, através da qual emergiram posições e contraposições teóricas de conturbadas consequências sociais e educacionais. O terceiro e último período, com início no pós-guerra, prolongando-se até a atualidade, é caracterizado por uma atitude de mudança marcada pela evolução científica e pelo reforço do movimento humanitário em prol dos direitos pela reivindicação em defesa dos grupos minoritários na sociedade, pelos deficientes de guerra, e pelos movimentos associativos de pais de crianças e jovens com deficiência (MORATO, 1993). Desde 1959, a referência ao comportamento adaptativo surge como elemento de definição da Dl da American Association on Mental Retardation (AAMR), sendo a entidade científica mais antiga e prestigiada na abordagem da problemática da Dl (AAMR, 2006). Posteriormente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reforçou a relação entre adaptação e aprendizagem. A classificação publicada pela AAMR, em 1983, classificava a Dl, até então DM, em função do Coeficiente de Inteligência (Q.l) – obtido a partir da multiplicação por cem do quociente obtido pela divisão da idade mental pela idade cronológica, da seguinte forma: 1. deficiência Mental Leve - Q.l entre 55 e 50; 2. deficiência Mental Moderada - Q.l entre 55/50 e 40/35; 3. deficiência Mental Severa - Q.l entre 40/35 e 25/20; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 10 4. deficiência Mental Profunda - Q.l menor que 25/20. Com o passar dos séculos, as concepções sobre DM foram se ampliando, em parte como consequência das mudanças ocorridas nas sociedades e no campo científico. Mas, foi somente no século XIX que se percebeu uma postura de responsabilidade pública com relação às necessidades dos deficientes. No século XX, as ações se tornaram mais concretas, havendo uma multiplicidade de modos de encarar a DM, acarretando o surgimento de vários modelos explicativos, como o metafísico, o médico, o educacional, o da determinação social e o sócio-construtivista ou sócio-histórico (ARANHA, 1995). Para esta autora, a deficiência mental deve ser encarada como uma construção social, não alheia à concepção de homem e de sociedade vigentes e deve ser tratada como um fenômeno multideterminado. Contudo, segundo Nunes e Ferreira (1994), a DM ainda continua sendo considerada como estando dentro do indivíduo, descontextualizada e sem nexo social como mostra o discurso da maior parte dos órgãos públicos. A conceituação e caracterização da DM adotada no Brasil pelo Ministério da Educação (MEC) segue o modelo proposto pela Associação Americana de Deficiência Mental (AAMR), divulgado em 1992, segundo o qual, a DM se caracteriza pelo funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, desempenho na família e comunidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho (MENEZES; SANTOS, 2002). Este conceito serve como ponto de partida para a implementação de políticas públicas pelo governo brasileiro, que visa um atendimento especializado a estas crianças. Contudo, o próprio governo tem revelado um atendimento precário às pessoas deficientes, em diversas partes do país, apesar de salientar a importância deste tipo de atendimento desde a mais tenra idade da criança. Para o Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 11 governo brasileiro, o trabalho precoce com crianças deficientes tem o objetivo de “[...] proporcionar à criança, nos seus primeiros anos de vida, experiências significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo” (BRASIL, MEC, 1995, p. 11). Voltando um pouco à evolução do conceito, antigamente a própria denominação desvalorizava os sujeitos com deficiência. As atribuições de nomes depreciativos como idiota, imbecil, oligofrênico, anormal, débil mental, inválido, atrasado mental, entre outros, eram comuns para distingui-los dos indivíduos com desenvolvimento típico (COELHO; COELHO, 2001; ALONSO; BERMEJO, 2001). Conforme Morato (1998), a população em geral negligenciava-os por não se enquadrarem no ideal de perfeição. Na Idade Média assistiu-se a um tratamento ambivalente para com estes indivíduos, pois, por um lado, com base na crença cristã, a deficiência era vista como algo divino e estes eram acolhidos e protegidos em instituições de caridade. Por outro lado, eram considerados demônios e sofriam de práticas de ostracismo (MORATO; 1998, SILVA; DESSEN, 2001). O século XV marcou o início de uma mudança de paradigma em relação a estes indivíduos que foi consolidada nos séculos XVII e XVIII, sendo a institucionalização destes uma realidade (SILVA; DESSEN, 2001). Em paralelo, no século XVIII surgiram as primeiras classificações referentes às causas de morte. Este é o marco histórico para o início das classificações das doenças e transtornos mentais (OMS, 2001). A partir do século XIX até meados do século XX, os estudos sobre a deficiência intelectual tornaram-se de caráter mais científico e verificou-se uma sistematização do conceito, apesarda rotulagem negativa subjacente ao mesmo. O autor Pinel caracterizou a deficiência intelectual de idiotismo, com conotação de carência ou insuficiência intelectual (CARVALHO; MACIEL, 2003). Na mesma linha de pensamento, Esquirol referiu que a imbecilidade e o idiotismo devem-se a causas maturacionais e que os órgãos responsáveis pela atividade intelectual apresentam um desenvolvimento atípico. Empiricamente. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 12 começa-se a diferenciar a doença mental da deficiência intelectual (MORATO; 1998). Esta perspectiva é reforçada por Beaugrand que considerou idiota um estado de insuficiência de algumas aptidões intelectuais e morais, sendo as suas causas de ordem orgânica e/ou congênita com origem encefálica e, consequentemente, suscitavam um desenvolvimento deficitário. Nesta altura, a concepção de deficiência intelectual estava associada à perspectiva organicista de origem neurológica, identificada pelo atraso no desenvolvimento dos processos cognitivos (CARVALHO; MACIEL, 2003). 2.2 Conceito Segundo Sarno (2006), os termos deficiência e pessoa deficiente apresentam diferentes conotações na literatura acadêmica. Além disso, tais conceitos mudam ao longo da história, segundo os valores particulares de cada cultura e, até mesmo, em função de valores individuais. Para Ribas (2003), a deficiência é um estado físico ou mental eventualmente limitador que deve ser entendido a partir do ambiente sociocultural e físico em que o indivíduo está inserido e, também, de como a própria pessoa se vê. Segundo a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, pessoa com deficiência é aquela incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência congênita ou não, em suas capacidades físicas ou mentais. A pessoa com deficiência mental é conceituada como aquela que tem necessidades para atuar nas dez áreas de habilidades adaptativas: 1) da comunicação; 2) do autocuidado; 3) das habilidades sociais; 4) da vida familiar; 5) do uso comunitário; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 13 6) da autonomia; 7) da saúde; 8) da segurança; 9) da funcionalidade acadêmica; 10) do lazer e trabalho (Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “d”; e Decreto nº 3.298/99, art. 4º, I). A ideia da deficiência como uma característica do indivíduo que pode ter graus diferentes de limitação, a depender da interferência do ambiente, reflete o conceito usado no cotidiano. Segundo Carreira (1992), as instituições de profissionalização de deficientes e administradores de empresas brasileiras entendem o deficiente mental como a pessoa portadora de distúrbios de aprendizagem e adaptação global. Além de Pessoti et al., Lancillotti (2003) e Marques (2001) também demonstraram como a deficiência mental vem sendo rodeada de preconceitos desde a Grécia Antiga. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 14 UNIDADE 3 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL A deficiência intelectual é uma condição bastante complexa no que se refere a sua definição conceitual e também nomenclatura. O termo “deficiência intelectual” é de uso recente na literatura e veio substituir os termos deficiência mental e retardo mental. Possivelmente esta mudança atende a múltiplas demandas, pois retrata mudanças conceituais mais recentes e é um termo mais preciso para denominar a condição, além dessa ser uma reivindicação de associações dos próprios indivíduos com este tipo de deficiência (VELTRONE; MENDES, 2011). A deficiência intelectual é uma categoria dos diferentes tipos de deficiência existentes. Surge num contínuo da normalidade e não como um estado qualitativamente diferente desta, em que os indivíduos apresentam um conjunto de características comuns, enquadradas no baixo desempenho nos testes psicológicos, nas dificuldades de aprendizagem escolar, nas reações imaturas aos estímulos ambientais e no desempenho social abaixo de média (ALONSO; BERMEJO, 2001; COELHO; COELHO, 2001). 3.1 Etiologia da deficiência intelectual Os fatores etiológicos da Deficiência intelectual podem ser de origem genética, ambiental, multifatorial e de causa desconhecida. Embora esses fatores etiológicos sejam muito variáveis, podem ser, ainda, subdivididos em fatores pré-natais (de origem genética, ambiental e multifatorial), perinatais (ambiental) e pós-natais (ambiental). A ocorrência da Deficiência intelectual de etiologia desconhecida apresenta uma prevalência de 28 a 30% dos casos. Os fatores que atuam no período pré-natal envolvem causas genéticas e ambientais, consistindo nos fatores etiológicos mais importantes no surgimento da DI, com cifras ao redor de 50% dessa população. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 15 Fatores genéticos Monogênicos: 1 a 2% dos nascidos vivos. Herança dominante: Neuroectodermatoses (Esclerose tuberosa, Angiomatoses cerebrais, Deficiências mentais com alterações ósseas, Disostose craniofacial, Oligrofenia com acrocéfalo, Oligrofenia com aracnodactilia, Oligrofenia com discondroplasia). Herança recessiva: Distúrbio de metabolismo lipídico (Idiota amaurótica, Doença de Bielschowsky-Jansky, Doença de Spielmeyr-Vogt, Doença de Kufs, Doença de Normann-Wood, Síndrome de Niemann-Pick, Doença de Gaucher); Distúrbio do metabolismo de mucopolissacarídeo (Doença de Hurler, Doença de Morquio, Doença de Scheie, Doença de Sanfilipo, Doença de Matoteaux); Distúrbio do metabolismo glicídio (Glicogenose, Galactosemia); Distúrbios de metabolismo protídico (Fenilcetonúria, Doença do carope de bordo, Cistationinuria, Doença de Wilson, Doença de Hartnup); Outras formas (Microcefalia familiar, Doença de Sjögren-Larson, Síndrome de Laurence Moon). Herança ligada ao sexo: Doença de Hunter, Doença de Pelizaeus Merzbacher. Fatores genéticos ligados a vários genes, Fatores cromossômicos Anomalias de número de cromossomos somáticos: Trissomia do 21 (Síndrome de Down), Trissomia do 18 (Síndrome de Edward), Trissomia do 13-15 (Síndrome de Patau). Anomalias do número de cromossomos sexuais: Síndrome de Klinefelter, Microcefalia com malformações múltiplas e criptorquidia (Cariótipo XXXY), Disgenesia gonádica e oligofrenia (Síndrome de Turner), Superfêmea (Cariótipo XXX). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 16 Fatores Ambientais: fatores pré-natais – agentes infecciosos (citomegalovírus, toxoplasmose congênita, rubéola congênita, sífilis congênita, varicela); fatores nutricionais; fatores físicos – radiação; fatores imunológicos; intoxicações pré-natais (álcoole drogas, gases anestésicos, anticonvulsivantes); transtornos endócrinos maternos – diabetes materna, alterações tireoidianas; hipóxia intrauterina (causada por hemorragia uterina, insuficiência placentária, anemia grave, administração de anestésicos e envenenamento com dióxido de carbono). Fatores perinatais: anóxia neonatal; traumatismo obstétrico (distócicos de parto com hipoxemia ou anoxemia); prematuridade (anóxia, hemorragia cerebral). Fatores pós-natais: infecções – meningoencefalites bacterianas e as virais, principalmente por herpesvírus; traumatismos crânio-encafálicos; alterações vasculares ou degenerativas encefálicas; fatores químicos – oxigênio utilizado na incubadora; intoxicação pelo chumbo; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 17 fatores nutricionais – graves condições de hipoglicemia, hipernatremia, hipoxemia, envenenamentos, estados convulsivos crônicos. Causas Multifatorial As causas multifatoriais são desconhecidas (28 a 30% dos casos), mas o Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, podendo ocasionar retardo no crescimento intrauterino, microftalmia, corioretinite, surdez, retardo no desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia. A Sífilis apresenta como fator etiológico o Treponema pallidum, e caso a gestante tenha contato até a 20ª semana, pode acarretar a lues congênita, com malformações físicas (tíbia em sabre, nariz em sela, fronte olímpica e dentes de Hutchinson). Além disso, a sífilis pode acarretar outras alterações, como por exemplo, a surdez, malformações de dentes, alteração óssea, hidrocefalia e retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Infecções por varicela podem acarretar, dependendo da idade gestacional, alterações musculares e retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Contato com Toxoplasma gondi pode ter como repercussão a toxoplasmose, e da mesma maneira, dependendo da idade gestacional, ter como consequência a toxoplasmose congênita com a manifestação da tétrade de Sabin (deficiência mental, microcefalia, calcificações intracranianas e corioretinite). Para a prevenção da toxoplasmose, deve-se evitar carne crua e o contato com animais. A rubéola congênita ocorre pelo efeito teratogênico do vírus da rubéola. A infecção do feto é o resultado de infecção primária materna na gravidez ou até o terceiro mês antes do parto. A infecção durante as primeiras 8 semanas produz uma taxa de infecção fetal de 50%, depois disso, diminui progressivamente. As lesões mais frequentes no momento do nascimento sãos as cardiovasculares, hematológicas, baixo peso ao nascer, alterações esqueléticas, hepáticas, defeitos oculares (retinopatia, microftalmia, hipoplasia da íris, glaucoma congênito e cataratas), lesões no Sistema Nervoso Central (perda da audição, deficiências intelectuais e motoras, meningoencefalite crônica), complicações pulmonares. Os Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 18 distúrbios de audição são a manifestação mais comum, provavelmente por uma infecção no final do segundo ou terceiro mês de gestação. Em relação ao uso de drogas, deve-se observar que o uso de substâncias alcaloides como a nicotina e cafeína pela gestante, dependendo da quantidade e da idade gestacional, pode levar a retardo no crescimento intrauterino pela anóxia e uma maior probabilidade de parto prematuro (2 vezes mais) e baixo peso. O uso de álcool pela gestante afeta 1 a 2% das mulheres férteis, podendo acarretar a síndrome alcoólica fetal, caracterizada pela deficiência mental, deficiência no crescimento pré e pós-natal, alterações de Sistema Nervoso Central, anomalias craniofaciais como epicantus, ponte nasal baixa, filtrum hipoplásico e face achatada. A Paralisia Cerebral, lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central, tem como consequência alterações psicomotoras, podendo ou não causar deficiência mental. A lesão causadora de Paralisia Cerebral não é progressiva, mas o fato de afetar o sistema nervoso em desenvolvimento vai dar origem a um conjunto complexo de sinais e sintomas, que vão tornar difícil o diagnóstico. As formas de Paralisia Cerebral apresentam uma grande diversidade de perturbações neuromotoras, cuja classificação proposta por Hagberg et al. (1975 apud ANDRADA, 1997) é a que reúne maior consenso. Quanto aos efeitos funcionais, a Paralisia Cerebral é classificada de tipo espástico, disquinésia atetose, ataxia. Andrada (1997) diz que se pode considerar ainda uma forma rara de paralisia cerebral hipotônica ou atônica que é referida por alguns autores. Basil (1995) descreve que a espasticidade consiste num aumento do tônus muscular, como consequência de uma lesão no feixe piramidal. As contrações musculares podem ser de dois tipos: a) ocorrendo em repouso, b) ocorrendo quando a criança faz um esforço, se emociona ou se surpreende. A criança ao tentar flexionar uma parte do corpo não o pode fazer sem flexionar todo o corpo o que vai interferir na execução da tarefa. Nas crianças que apresentam este tipo de paralisia, quando seguras pelas axilas ou quando tentam caminhar, os membros inferiores encontram-se em extensão, os pés em ponta e pernas cruzadas em tesoura, os Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 19 membros superiores apresentam, hipertonia, o braço em rotação interna, cotovelo semiflexionado, o polegar unido à palma da mão. Existem alterações a nível da expressão facial, ocorrendo por vezes ausência de linguagem oral. A atetose caracteriza-se pela dificuldade em controlar e em coordenar os movimentos. Os movimentos são espasmódicos e incontrolados, ocorrendo no nível dos membros da cabeça, músculos da respiração e deglutição. Estes movimentos podem ser atenuados pelo repouso, sonolência e determinadas posturas, verificando-se o seu aumento em momentos de excitação, insegurança e posição de pé. Estes indivíduos apresentam um tônus muscular que varia entre o hipertônico e hipotônico. Cahuzac (1985 apud SANTOS; SANCHES, 2005) define ataxia como uma perturbação da coordenação e da estática, onde observa-se instabilidade do equilíbrio, mau controle da cabeça, do tronco e dos membros. Basil (1995) refere ser uma síndrome cerebelar, em que existe dificuldade em medir a força, a distância e a direção dos movimentos, que costumam ser lentos e torpes, desviando-se com facilidade do objetivo pretendido. Existe instabilidade no controle do tronco o que vai provocar dificuldade em coordenar os movimentos dos braços e como consequência dificultar o caminhar que se apresenta inseguro, rígido e com quedas frequentes. A Paralisia Cerebral é ainda referida quanto à topografia corporal em paraplegia, tetraplegia, monoplegia, diplegia, triplegia. Em relação à topografia corporal, Basil (1995) menciona que a paraplegia se refere a situações em que estão comprometidos os dois membros inferiores; a tetraplegia em que há compromisso dos membros inferiores e superiores, a monoplegia em que existe o comprometimento de uma extremidade; a diplegia refere-se a situações em que existe maior comprometimento dos membros inferiores que superiores; a triplegia são situações de comprometimento de três membros, ahemiplegia o comprometimento da parte direita ou esquerda do corpo. Basil (1995) chama a atenção para o fato de que raramente encontramos uma criança que apresente uma tipologia pura, mas antes quadros mistos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 20 Os diferentes tipos clínicos referidos têm intervenções diferentes, e cada criança é por si um ser individual com características muito próprias, com graus de deficiência e incapacidades diferentes, o que exige uma avaliação individualizada. As crianças com Paralisia Cerebral apresentam com frequência, alterações no seu desenvolvimento, devido a deficiências associadas, ou ao fato do seu comprometimento motor impedir a realização de atividades motoras, como manipular, gatinhar, andar, falar, escrever, que estão dependentes da capacidade de efetuar determinados movimentos. A disfunção motora impede a criança de efetuar experiências e de provocar efeitos no ambiente de modo a produzirem respostas consistentes que a ajudem a estruturar o pensamento. Assim, determinadas fases do desenvolvimento vão emergir mais tarde, ou podem até não vir a surgir o que afeta a evolução do desenvolvimento. Segundo Bobaty e Bobath (1976,1987 apud SANTOS; SANCHES, 2005), a lesão cerebral vai afetar o desenvolvimento psicomotor da criança, pela interferência na maturação normal do cérebro e pelas alterações no desenvolvimento devido à permanência de esquemas anormais de atitudes e movimentos, pela persistência de reflexos primitivos que a criança é incapaz de inibir. A área da linguagem está quase sempre afetada na criança com Paralisia Cerebral, estando afetadas as formas de expressão como a mímica e o gesto, que precisam da coordenação de movimentos finos para se efetuarem, e a expressão oral. A limitação ou impedimento da expressão oral vai impedir que os pais e educadores estabeleçam com a criança um processo interativo, em que se fornecem modelos e onde a criança não intervém apenas aprendendo, mas através das suas respostas mantém os pais ativos num processo de estimulação. Quando existem obstáculos a este processo, gera-se um sentimento de incompetência e de fracasso em ambas as partes, visto nenhuma conseguir responder às necessidades da outra. Basil (1995) também ressalta que a lesão cerebral afeta quase sempre os órgãos da fala, devido a uma perturbação mais ou menos grave no controle dos órgãos motores bucofonatórios, que podem afetar o ato de falar ou até impedi-lo por completo. Esta dificuldade pode também manifestar-se no nível da mastigação, deglutição, controle da saliva ou respiração. Estes problemas em nível da linguagem Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 21 expressiva não impedem a compreensão da linguagem, que em alguns casos não se encontra afetada. Contudo, se existirem problemas cognitivos ou de audição, o desenvolvimento da linguagem compreensiva pode ficar comprometido, tornando mais complexo e difícil o processo de aquisição da linguagem. Nas situações de paralisia cerebral, nem sempre é possível avaliar com precisão a existência ou não de atraso mental, porque na avaliação de crianças com perfis complexos de desenvolvimento, as medidas estandardizadas não são as mais adequadas, devido às limitações motoras e de linguagem que dificultam a sua aplicabilidade. Autores como Dalmau (1984 apud BASIL, 1995), baseando-se em estatísticas efetuadas na Inglaterra, afirmam que 50% das crianças com paralisia cerebral deveriam ser consideradas deficientes mentais e que 40% destas apresentam déficits sensoriais associados, o que irá ter consequências sobre o desenvolvimento cognitivo. O fato destas crianças estarem impedidas de manipular e de agir fisicamente sobre o mundo que as rodeia, explorando-o livremente, vai interferir no desenvolvimento da inteligência sensório-motora e como consequência influenciar negativamente o desenvolvimento do pensamento pré-operatório, operatório e formal. No entanto, há opiniões em que a dificuldade de avaliação das reais capacidades da criança penaliza os resultados encontrados na aplicação de testes e provas. A criança com lesão cerebral vai ter, desde o início, dificuldades na interação com os outros, pelo fato de não conseguir produzir os gestos e os sons a que o meio social dá valor e reconhece como funções comunicativas. Segundo Basil (1995), a criança encontra dificuldades em produzir mudanças no comportamento das outras pessoas, no sentido de as fazer interagir com elas e este déficit comunicativo limita a criança no desenvolvimento cognitivo e social e na construção da sua personalidade. Segundo o mesmo autor, a criança que experimenta o fracasso quando age sobre o meio, sente-se frustrada, diminui a motivação e o investimento necessário a qualquer atividade. O fato de se sentir inapta pode levá-la a desistir, porque sente que não é capaz ou que o próprio ambiente não lhe é responsivo. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 22 Temos que concordar com Santos e Sanches (2005) quando dizem que o desenvolvimento do ser humano assenta na sua capacidade de interagir com os outros da sua espécie e de atuar sobre o mundo, sendo que a qualidade e a quantidade das interações proporcionadas a uma criança são determinantes no seu desenvolvimento social e emocional. A criança com Paralisia Cerebral tem o seu desenvolvimento afetado, quer pelas lesões de que é portadora quer pelas limitações que daí advém, impedindo-a de experimentar e aprender como os demais, prejudicando o seu desenvolvimento. É importante ter em mente que o conceito de deficiência inclui a incapacidade relativa, parcial ou total, para o desempenho da atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano, mas também é preciso deixar claro que a pessoa com deficiência pode desenvolver atividades laborais desde que tenha condições e apoios adequados às suas características. 3.2 Classificação Coelho e Coelho (2001) ressaltam que, a partir do século XX, iniciou-se uma série de tentativas para sistematizar o conceito de deficiência mental. Inicialmente, as principais definições contemplavam o déficit intelectual e do comportamento adaptativo, além da imaturidade no que tange ao desenvolvimento e à questão da incurabilidade. Desde então, as principais mudanças acerca da definição de deficiência mental foram realizadas pela American Association on Mental Deficiency (atualmente denominada de American Association on Intellectual and Development Disability – AAIDD). Esta associação foi criada em 1876 e desde então lidera o campo de estudos sobre o tema. A AAIDD tem influência sobre os sistemas de classificação internacionalmente conhecidos como CID-10 e o DSM-IV. A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, conhecida como Classificação Internacional de Doenças ou simplesmente CID, tem por objetivo categorizar as descrições diagnósticas com base na organização das síndromes. A CID é publicada pela Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00horas 23 Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo revista periodicamente e encontra-se na sua décima edição. O DSM-IV, abreviatura de Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - Fourth Edition (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais – Quarta Edição), é publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA). Assim como a CID, usa um sistema categórico. No entanto, considera-se um modelo ateórico, tendo por inspiração o modelo organicista. Além da CID, a OMS publicou, em 1976, a International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps (Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens – CIDID). Nesta, Impairment (deficiência) é descrita como as anormalidades nos órgãos e sistemas e nas estruturas do corpo; disability (incapacidade) é caracterizada como as consequências da deficiência do ponto de vista do rendimento funcional, ou seja, no desempenho das atividades; handicap (desvantagem) reflete a adaptação do indivíduo ao meio ambiente resultante da deficiência e incapacidade (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189). Posterior a várias versões e inúmeros testes, a OMS publicou, em 2001, a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF (International Classification of Functioning, Disability and Health). A CIF é baseada, portanto, numa abordagem biopsicossocial que incorpora os componentes de saúde nos níveis corporais e sociais. Assim, na avaliação de uma pessoa com deficiência, esse modelo destaca-se do biomédico, baseado no diagnóstico etiológico da disfunção, evoluindo para um modelo que incorpora as três dimensões: a biomédica, a psicológica (dimensão individual) e a social. Sendo que (...) os conceitos apresentados na classificação introduzem um novo paradigma para pensar e trabalhar a deficiência e a incapacidade: elas não são apenas uma consequência das condições de saúde/doença, mas são determinadas também pelo contexto do meio ambiente físico e social, pelas diferentes percepções culturais e atitudes em relação à deficiência, pela disponibilidade de serviços e de legislação (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189-190). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 24 Em 2002, a AAMR, atualmente AAIDD, definiu retardo mental (expressão adotada, à época, por seus proponentes) como sendo uma deficiência originada antes dos dezoito anos de idade, caracterizando-se por significativas limitações no que tange ao funcionamento intelectual, ao comportamento adaptativo e às habilidades práticas, sociais e conceituais (CARVALHO; MACIEL, 2003). Os autores acima destacam que o Sistema 2002 da AAMR é a referência para a classificação da deficiência mental e tem influenciado ainda outros importantes documentos, não apenas internacionais como também nacionais. A OMS lançou, em outubro de 2007, a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde em versão para crianças e jovens (CIF – CJ). Esta é uma versão derivada da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) desenvolvida para contemplar as características do desenvolvimento da criança e da influência dos ambientes que a cercam. A CIF – CJ pertence à “família” das classificações internacionais desenvolvidas pela OMS para aplicação em diversos aspectos relacionados à saúde. Atualmente, a classificação da Dl baseia-se mais em critérios adaptativos do que nos índices numéricos de QI. O comportamento adaptativo tem-se revelado fundamental na avaliação e classificação da Dl, associando a participação na vida ativa com a vida escolar, sem descuidar o aspecto sócio-emocional do deficiente intelectual (MORATO; SANTOS, 2002). Este conceito alarga os aspectos a serem avaliados após o diagnóstico da Dl, uma vez que anteriormente se utilizava apenas o QI do indivíduo como referência que os classifica em leve, moderado, severo ou profundo (LUCKASSON et al. 1997 apud SOUSA, 2010). Abaixo temos uma breve comparação das classificações para deficiência mental/intelectual. 1) AAIDD Definição: deficiência caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo – habilidades práticas, sociais e conceituais – originando-se antes dos dezoito anos de idade. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 25 Tipos de Apoio: intermitente (Episódico) – o apoio se efetua apenas quando necessário. Caracteriza-se por sua natureza episódica, com duração limitada, ou seja, nem sempre a pessoa necessita de apoio, mas durante momentos, em determinados ciclos da vida; limitado (consistente) – apoios intensivos caracterizados por duração contínua, por tempo limitado, mas não intermitente. Como por exemplo, o treinamento do deficiente para o trabalho por tempo limitado ou apoios transitórios durante o período entre a escola, a instituição e a vida adulta; extensivo (contínuo) – trata-se de um apoio caracterizado pela regularidade, normalmente diária em pelo menos em alguma área de atuação, tais como na vida familiar, social ou profissional. Nesse caso não existe uma limitação temporal para o apoio, normalmente se dá em longo prazo; permanente (constante) – é o apoio constante e intenso, necessário em diferentes áreas de atividade da vida. Estes apoios exigem mais pessoal e maior intromissão que os apoios extensivos ou os de tempo limitado. 2) CID-10 Definição: F70-F79 – parada do desenvolvimento ou desenvolvimento incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por um comprometimento, durante o período de desenvolvimento, das faculdades que determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de linguagem, da motricidade e do comportamento social. O retardo mental pode acompanhar um outro transtorno mental ou físico, ou ocorrer de modo independentemente. As categorias são: F70 – retardo mental leve; F71 – retardo mental moderado; F72 – retardo mental grave; F73 – retardo mental profundo; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 26 F78 – outro retardo mental; F79 – retardo mental não especificado. 3) DSM-IV Definição: a característica essencial do Retardo Mental é um funcionamento intelectual significativamente inferior à média (Critério A), acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, autossuficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança (Critério B). O início deve ocorrer antes dos 18 anos (Critério C). Um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média é definido como um QI de cerca de 70 ou menos. Inversamente, o Retardo Mental não deve ser diagnosticado em um indivíduo com um QI inferior a 70, se não existirem déficits ou prejuízos significativos no funcionamento adaptativo. Nível de gravidade refletindo nível de prejuízo intelectual: F70.9 - 317 retardo mental leve (QI de 50-55 a aproximadamente 70); F71.9 - 318.0 retardo mental moderado (QI de 35-40 a 50-55); F72.9 - 318.1 retardo mental severo (QIde 20-25 a 35-40); F73.9 - 318.2 retardo mental profundo (QI abaixo de 20 ou 25); F79.9 - 319 retardo mental, gravidade inespecificada – quando existe forte suposição de Retardo Mental, mas a inteligência da pessoa não pode ser testada por instrumentos padronizados. 4) CIF Definição: deficiências são problemas nas funções ou nas estruturas do corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda significativa (AMIRALIAN et al., 2000). Classificação: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 27 0 - sem deficiência; 1- deficiência leve; 2 - deficiência moderada; 3 - deficiência grave; 4 - deficiência completa; 8 - sem especificação; 9 - sem aplicação. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 28 UNIDADE 4 – ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO Quando se fala em necessidades especiais e educação inclusiva, pensa-se, num primeiro momento, que ela está relacionada apenas a alunos com deficiência mental, auditiva, visual ou física, mas não podemos nos esquecer que as crianças superdotadas, talentosas e portadoras de altas habilidades existem e acabam fazendo parte do grupo de portadores de necessidades especiais por uma gama de justificativas, a primeira delas, porque não são compreendidas pelos professores e demais profissionais da educação, os quais geralmente não estão preparados para atender a esse público. Tentaremos identificá-los e mostrar como podemos atendê-los no cotidiano da escola, mas primeiro, vamos a alguns conceitos e definições que auxiliarão muito na detecção dessas crianças. PRECOCIDADE – chamamos precoce a criança que apresenta alguma habilidade específica prematuramente desenvolvida em qualquer área do conhecimento. GÊNIO – é aquele que não apenas possui um talento relevante como também utiliza de forma produtiva, gerando obras de valor. A superdotação intelectual não pode ser tratada como sinônimo de genialidade, pois indica apenas um dado tipo de capacidade mental, enquanto que a genialidade resulta de uma condição de intelecto, condições socioeconômico culturais, motivação e trabalho duro (AVELAR, 2009). SUPERDOTADOS – seriam, de acordo com essa definição, aquelas pessoas que apresentam traços consistentemente superiores em relação a uma média e que sejam permanentes, podendo ser identificados em épocas diferentes (AVELAR, 2009). No Brasil, em 1995, a partir das Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos Alunos Portadores de Altas Habilidades, Superdotação e Talentos, estabelecidas pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação e Desporto, foi proposta a seguinte definição: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 29 altas habilidades referem-se aos comportamentos observados e/ou relatados que confirmam a expressão de ‘traços consistentemente superiores’ em relação a uma média (por exemplo: idade, produção ou série escolar) em qualquer campo do saber ou do fazer. Deve-se entender por ‘traços’ as formas consistentes, ou seja, aquelas que permanecem com frequência e duração no repertório dos comportamentos da pessoa, de forma a poderem ser registradas em épocas diferentes e situações semelhantes (BRASIL, 1995, p. 13). Podemos ressaltar que essa definição destaca os traços e comportamentos acima da média relacionando-os à permanência e duração dos mesmos. A definição de superdotação que consta na Política Nacional de Educação Especial de 1994 diz que crianças superdotadas e talentosas são as que apresentam notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados (quadro abaixo). Capacidade intelectual geral capacidade que envolve rapidez de pensamento, compreensão e memória elevadas, capacidade de pensamento abstrato. Aptidão acadêmica específica atenção, concentração, rapidez de aprendizagem, boa memória, motivação por disciplinas acadêmicas do seu interesse, capacidade de produção acadêmica. Pensamento criador ou produtivo originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas de forma diferente e inovadora. Capacidade de liderança sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo. Talento especial para as artes alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas. Capacidade psicomotora desempenho superior em velocidade, agilidade de movimentos, forçam resistência, controle e coordenação motora. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 30 Um superdotado pode se destacar em uma área ou combinar várias, pode também apresentar graus de habilidades diferenciadas. Destaca-se aqui a questão das características e dos perfis individuais que são aspectos relevantes com relação à superdotação. Assim como nós, os superdotados podem apresentar sentimentos, atitudes e comportamentos diversificados, o que os caracteriza e os diferencia enquanto pessoa. Os pesquisadores George Betts e Maureen Neihart, após anos de estudos, pesquisas e observações, distinguiram os perfis dos alunos com altas habilidades em 6 tipos: bem sucedido, desafiante, escondido, desistente, rótulo duplo e autônomo (tipos explicados ao final da unidade). Essa tipificação não é um modelo diagnóstico de classificação, mas sim um referencial teórico que tem o objetivo de conscientizar-nos de que esses alunos são influenciados pela educação recebida pela família, pelas vivências, por seus relacionamentos, sentimentos e pelo desenvolvimento pessoal de cada um. Conhecer esses perfis e tipos é importante, pois, a partir deles o educador poderá traçar objetivos educacionais apropriados para o aluno superdotado e talentoso. Joseph Renzulli foi pioneiro ao dizer que os comportamentos de superdotação consistem de inter-relação de três traços humanos que são: habilidade acima da média em alguma área do conhecimento – não necessariamente muito superior à média. Um dos pilares fundamentais que manifesta a potencialidade superior em todo e qualquer campo do desempenho humano e envolve duas dimensões: a) habilidades gerais – incidem na aptidão de processar/apreender informações, agregar experiências que resultem em respostas apropriadas e adequadas a novas situações e na capacidade de se engajar às experiências abstratas; e, b) habilidades específicas – constituem-se na habilidade de adquirir conhecimento, prática e agilidade para atuar em uma ou mais atividades de determinadas áreas do saber e/ou fazer; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 31 envolvimento com a tarefa – motivação, vontade de realizar,perseverança, concentração. Refere-se a uma forma depurada e direcionada de motivação, uma força motriz canalizada para uma tarefa em particular ou uma área específica de atuação. Neste pilar, algumas palavras têm destaque especial para definir o envolvimento com a tarefa: perseverança, persistência, dedicação e autoconfiança; criatividade – pensar algo diferente, ver novos significados, retirar ideias de um contexto e usá-las. Envolve aspectos que geralmente aparecem juntos, como fluência, flexibilidade, originalidade de pensamento, abertura a novas experiências, curiosidade, sensibilidade e coragem para correr riscos. Conforme Alencar & Fleith (2001), na criatividade, constata-se uma multiplicidade de concepção. No entanto, as teóricas, por meio da análise de várias definições, enfatizam que um ponto fulcral é comum a todas: a elaboração de um produto novo, que venha atender às necessidades de uma dada cultura. Fonte: Renzulli (2004) Para ele, superdotados são aqueles que possuem esse conjunto de traços concomitantemente. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 32 Segundo estudos de Guenther (1995), para identificar um superdotado pode- se usar o teste de QI e a técnica de autoidentificação, conforme apresentamos abaixo: A – Testes de Inteligência2 (QI) Até algumas décadas atrás, o processo de identificação era relativamente fácil, pois, para tanto, bastava-se aplicar os testes de inteligência (QI). Entretanto, nos últimos anos, observou-se a ineficácia desses testes. Winner (1998, p. 15) diz que os testes de QI medem uma estreita gama de habilidades humanas, principalmente facilidade com linguagem e número. Há poucas evidências de que superdotação em áreas não acadêmicas, como artes ou música, requeiram um QI excepcional. Nesse sentido, há uma parcela da população que não está incluída nessas estatísticas, já que os testes padronizados não privilegiam áreas mais subjetivas, por exemplo, habilidades sinestésicas. A partir desse conhecimento, percebe-se que para a identificação de crianças superdotadas, múltiplos critérios devem ser utilizados considerando-se informações obtidas de fontes variadas, incluindo tanto a criança, como seus professores, pais e colegas, além, naturalmente, daquelas obtidas pelo psicólogo através do uso de testes. Além disso, existem muitos fatores que podem afetar sua pontuação, como o cansaço, doenças ou distração. Talento musical, artístico e vários outros não são medidos, mas os testes dão uma boa indicação de sua habilidade de pensar, raciocinar e resolver problemas, o que acaba sendo um fator crítico para o sucesso na vida. B – Técnica de autoidentificação A técnica de autoidentificação é uma das técnicas sugeridas por Guenther (1995) para ajudar nesse processo de identificação. Ela consiste em perguntar à 2 QI é um rateio geral de sua habilidade de pensar e raciocinar. Sua pontuação é realmente uma indicação de como você se compara em relação à maioria das pessoas em seu grupo de idade. Uma pontuação de 100, por exemplo, significa que, quando comparado à maioria das pessoas em seu grupo de idade, você tem um nível de inteligência normal. Muitos psicólogos consideram aqueles que oscilam entre 95 e 100 como tendo QI normal ou médio. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 33 criança sobre seus hobbies e interesses principais, as atividades desenvolvidas fora da escola, formas de pensamento preferidas, bem como reações a elementos de seu ambiente. A nomeação pelos companheiros de sala de aula, dos alunos que se destacam em alguns traços é outro critério que deve ser utilizado no processo de identificação. É muito importante o julgamento, a avaliação e a observação do professor. Este desempenha um papel significativo no processo de identificação, no sentido de atender às necessidades desses alunos e favorecer o seu desenvolvimento. Para facilitar essa identificação, Antipoff (1992, p. 23) sugere ao professor atentar-se: ao melhor aluno; àquele com vocabulário maior; ao aluno mais criativo e original; ao aluno com maior capacidade de liderança; ao aluno com pensamento crítico mais desenvolvido; ao aluno com maior motivação para aprender; ao aluno que os colegas mais gostam; ao aluno com maior interesse nas áreas das ciências; ao aluno que está mais avançado na escola em relação à idade. Winner (1998) ressalta também algumas características apresentadas em relação às habilidades escolares, algumas atitudes às quais todo professor deve ficar atento: leitura precoce por volta dos quatro anos, ou antes, com instrução mínima; fascínio por números e relações numéricas; memória prodigiosa para informações verbais e/ou matemáticas; frequentemente brincam sozinhas e apreciam a solidão; preferem amigos mais velhos, próximos a ela em idade mental; interessam-se por problemas filosóficos, morais, políticos e sociais; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 34 apresentam alto senso de humor em decorrência de habilidades verbais. Visto que o conceito de superdotação é multidimensional, deve-se observar também aqueles alunos que se destacam em artes, criatividade, esporte, dança, música e não somente em talentos acadêmicos (AVELAR, 2009). Existem muitos mitos com relação às crianças superdotadas e talentosas tais como: elas conseguem se desenvolver sozinhas sem ajuda, elas são fisicamente fracas, são emocionalmente instáveis, elas não são produtivas por muito tempo, ou seja, o talento desaparece na vida adulta. Dizem também que a criança nasce assim e nada poderá modificá-la, que a criança superdotada continuará a demonstrar habilidade intelectual superior independentemente das condições ambientais, que a boa dotação é sinônimo de alta produtividade na vida, que superdotação é um fenômeno muito raro, sendo poucas as crianças e jovens de nossas escolas que podem ser de fato consideradas superdotadas, a criança superdotada necessariamente terá um bom rendimento na escola, entre outros (WINNER, 1998). Para Avelar (2009), esses fatos precisam ser revistos e repensados por todos e cabe aos educadores, uma parcela importante no sentido de reconhecer capacidades e talentos especiais dos alunos. É preciso que se aprenda a educar no sentido de orientar as crianças superdotadas de modo a aumentar, desenvolver, crescer e aperfeiçoar sua capacidade e talento. Segundo Gallagher (s.d apud Guenther, 2000), três elementos são de uma maneira geral essenciais para atender a esses alunos dentro do contexto educacional: 1.Modificação do ambiente agrupar os alunos mais capazes em grupos compatíveis para a realização de atividades paralelas ou integradas no trabalho regular da sala de aula. 2.Modificação da postura do professor o professor na maioria das vezes procura e oferece respostas para problemas, conceitos e conteúdos colocados em sala de aula, essa posição deve ser revista. Por que não colocar questões para os alunos ao invés de oferecer respostas prontas e acabadas? Dessa maneira eles procurarão por soluções. O ensino deve ser centrado nacompreensão da natureza do problema ao invés de respostas certas. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 35 3.Modificação do conteúdo ensinado os conteúdos devem enfocar temas maiores, ideias abrangentes que integram uma gama maior de conhecimento, dentro de diversas matérias e disciplinas do currículo. As estratégias mais comuns para modificação do conteúdo curricular estão centradas na aceleração, no enriquecimento, sofisticação e novidade. Muito pode ser feito para os alunos superdotados talentosos. Ainda é Avelar (2009) quem nos dá boas dicas: caso você seja um professor consciente e deseja estimular ao máximo o potencial e talento de seus alunos mais capazes com ações que desenvolvam a criatividade, que estimulem a vontade do querer aprender e conhecer sempre mais e mais, nunca se esqueça de respeitar os interesses, características e áreas de talentos de cada um, pois somente dessa maneira, você poderá oportunizar que as potencialidades desses alunos germinem por todo o sempre. Nos dois quadros abaixo apresentamos os tipos de superdotados, de acordo com estudos de Betts e Neihat (citados anteriormente), mais a título de curiosidade e enriquecimento do que para uso como diagnóstico, pois as características podem variar de indivíduo para indivíduo. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 36 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 37 Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 38 UNIDADE 5 - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE O atendimento educacional especializado é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, graus e etapas do percurso escolar e tem como objetivos, entre outros, identificar as necessidades e possibilidades do aluno com deficiência, elaborar planos de atendimento, visando ao acesso e à participação no processo de escolarização em escolas comuns, atender o aluno com deficiências no turno oposto àquele em que ele frequenta a sala comum, produzir e/ou indicar materiais e recursos didáticos que garantam a acessibilidade do aluno com deficiência aos conteúdos curriculares, acompanhar o uso desses recursos em sala de aula, verificando sua funcionalidade, sua aplicabilidade e a necessidade de eventuais ajustes, e orientar as famílias e professores quanto aos recursos utilizados pelo aluno (SARTORETTO; SARTORETTO, 2008). O atendimento educacional especializado disponibiliza programas de enriquecimento curricular no caso de altas habilidades, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e recursos de tecnologia assistiva, dentre outros. Ao longo de todo processo de escolarização, esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. A inclusão escolar tem início na educação infantil, onde se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento global. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físico, cognitivo, emocional, psicomotor e social e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Nesse sentido, o atendimento educacional especializado deve estar presente em todas as etapas e modalidades da educação básica, e se destina a apoiar o desenvolvimento dos alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. De oferta obrigatória dos sistemas de ensino, deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou em centro especializado que realize esse serviço educacional. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 39 O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, do sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistiva e outros. Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. O atendimento educacional especializado destina-se normalmente aos alunos da escola que apresentam algum tipo de deficiência, mas pode estender-se também aos alunos de escolas próximas, nas quais esse tipo de serviço ainda não esteja organizado. Pode ser realizado individualmente ou em pequenos grupos, em horário diferente daquele em que frequentam a classe comum. O Decreto nº 6.571, de 17 de setembro de 2008, além da sua disposição sobre o apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ele tem como finalidade a ampliação da oferta do Atendimento Educacional Especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública de ensino regular. De acordo com o disposto neste documento, considera-se Atendimento Educacional Especializado – AEE – o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação do ensino regular. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 40 Neste sentido, são objetivos do atendimento educacional especializado: I – prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular aos alunos referidos no artigo 1°; II – garantir a transversalidade das ações da educação especialno ensino regular; III – fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e, IV – assegurar condições para a continuidade de estudos e nos demais níveis de ensino. 3.1 Conceito e definição O Atendimento Educacional Especializado (AEE), segundo Mantoan (2004), refere-se ao serviço de apoio para melhor atender às especificidades dos alunos com deficiência, complementando a educação escolar e devendo estar disponível em todos os níveis de ensino. A autora diz que a Constituição admite ainda que o atendimento educacional especializado deve ser, preferencialmente, oferecido na rede regular de ensino, no entanto, também pode ser oferecido fora da rede regular, já que é um complemento e não um substitutivo do ensino ministrado na escola comum para todos os alunos. Ele deve ser oferecido em horários distintos das aulas das escolas comuns, com outros objetivos, metas e procedimentos educacionais. Suas ações são definidas conforme o tipo de deficiência que se propõe a atender. O AEE, é de acordo com o MEC e a Secretaria de Educação Especial, um serviço da Educação Especial que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. Fávero (2007, p.15 - 16) afirma que: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 41 [...] o simples fato de referir a pessoas com deficiência e seu direito à educação faz com que surja, de imediato, a noção de que é uma diferenciação mais que válida, necessária de tão acostumados que todos estão a identificar tais pessoas como titulares de um ensino especial. [...] este verdadeiro desafio, que coloca em xeque o costume de associar pessoas com deficiência a um ensino diferente apartado, porque as soluções que podem surgir disso, além de garantir as pessoas com deficiência o seu direito de igualdade, talvez seja uma contribuição para melhoria da qualidade de ensino em geral. Pode-se então compreender que de fato o AEE está garantido na legislação, contudo não há práticas de ensino específicas para inclusão, a não ser recursos que podem auxiliar os processos de ensino e de aprendizagem. O professor, de um modo geral, deve considerar as possibilidades de desenvolvimento de cada aluno e explorar sua capacidade de aprender. Os alunos com deficiências e condutas típicas, devido às suas particularidades, podem necessitar de estratégias, ações e recursos diferenciados para que o seu direito à educação seja assegurado. O conjunto desses serviços também é oferecido pelo Atendimento Educacional Especializado, que devem ser organizados institucionalmente em escolas públicas, mas podendo também atender alunos de escolas particulares, atendendo alunos da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, para apoiar e complementar os serviços educacionais comuns de forma a favorecer o desenvolvimento desses alunos (BRASIL, 2007). Assim, o AEE complementa ou suplementa a formação do aluno com vistas à sua autonomia e independência na escola e fora dela. E sob o ponto de vista da legalidade, um dos pontos de discussão é garantir a aplicação da igualdade de acesso à educação formal, assim entramos num dilema que é saber [...] em qual hipótese “tratar igualmente o igual e desigualmente o desigual”, fórmula proposta ainda na Antiguidade, por Aristóteles. A utilização da fórmula aristotélica, pura e simplesmente, já demonstrou que, em certos casos, pode até configurar uma conduta discriminatória. Esta fórmula, em razão de sua sabedoria, jamais foi alterada, mas vem sendo constantemente aprimorada. A doutrina e jurisprudência existentes oferecem como solução o imperativo de tratamento igual para todos, Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 42 admitindo-se os tratamentos diferenciados apenas como exceção e desde que eles tenham um fundamento razoável para sua adoção (FÁVERO, 2007, p.13). Portanto, o AEE é um recurso educacional que propõe estratégias de apoio e complementação colocados à disposição dos alunos com deficiências e condutas típicas, proporcionando diferentes alternativas de atendimento, de acordo com as necessidades educacionais especiais de cada aluno, podendo assim de fato garantir o direito à educação plena e de qualidade (OLIVEIRA; ARAÚJO, 2010). O Atendimento Educacional Especializado na forma de apoio representa os atendimentos que favorecem o acesso ao currículo, podendo ser oferecidos dentro, como apoio ao professor relacionado a estratégias em sala de aula, ou fora da sala de aula no contraturno da escolarização, no caso para atendimento do aluno. Segundo Silva e Maciel (2005), o AEE na forma de complementação representa um trabalho pedagógico complementar necessário ao desenvolvimento de competências e habilidades próprias nos diferentes níveis de ensino, deve ser realizado no contraturno da escolarização do aluno e se efetiva por meio dos seguintes serviços: salas de recursos; oficinas pedagógicas de formação e capacitação profissional. Em linhas gerais, o objetivo do AEE, é o de oferecer o que não é próprio dos currículos da base nacional comum, possuindo outros objetivos, metas e procedimentos educacionais. Segundo Silva; Maciel (2005, p. 5), suas ações são definidas conforme o tipo de deficiência ou condutas típicas que se propõe a atender, bem como deve contemplar as necessidades educacionais especiais de cada aluno, as quais devem estar fundamentadas na avaliação pedagógica. De todo modo, o Atendimento Educacional Especializado não deve ser confundido com o reforço escolar nem como atendimento clínico, ou como substituto dos serviços educacionais comuns. Ressalta-se que a escolarização dos alunos com deficiências e condutas típicas deve ser um compromisso da escola e compete à classe comum, que deve Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 43 responder às necessidades dos educandos com práticas que respeitem as diferenças (SILVA; MACIEL, 2005). No que se refere à formação do profissional para atuar na sala de recursos, o professor da sala de recursos deverá ter curso de graduação, pós-graduação e/ou formação continuada que o habilite para atuar em áreas da educação especial para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos. Essa formação é específica para cada deficiência ou condutas típicas (OLIVEIRA; ARAÚJO, 2010). Portanto, o AEE se valida, de acordo com Fávero (2007), por ser um tratamento diferenciado, que tem sede constitucional, e que não exclui as pessoas com deficiência dos demais princípios e garantias relativos à educação. Assim, o Atendimento Educacional Especializado será válido somente se de fato levar o direito à educação. 3.2 As salas de recursos Lócus privilegiado do atendimento educacional especializado, a sala de recursos multifuncionais torna palpáveis e concretos, em nível de escola, os objetivos da política nacional de educação especial, seja pelo conjunto de meios e recursos que nela são colocados à disposição do aluno com deficiências, seja, sobretudo, pelo fato de que é na escola comum que a salade recursos multifuncionais deve funcionar (SARTORETTO; SARTORETTO, 2010). As salas de recursos são espaços da escola onde se realiza o atendimento educacional especializado de alunos com necessidades educacionais especiais, matriculados na escola comum. O atendimento em salas de recursos constitui um serviço educacional de natureza pedagógica, feito por professor especializado, num espaço dotado de materiais, equipamentos e recursos pedagógicos adequados às necessidades educacionais dos alunos da escola que apresentam dificuldades acentuadas em relação à aprendizagem, vinculadas a algum tipo de deficiência ou não. A sala de recursos multifuncionais é, portanto, um espaço da escola comum provido de materiais didáticos, pedagógicos e de tecnologia assistiva, onde Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 44 trabalham profissionais com formação específica para o atendimento dos alunos com dificuldades educacionais especiais em razão de algum tipo de deficiência (auditiva, visual, motora, cognitiva, verbal), de transtornos globais de desenvolvimento ou de altas habilidades/superdotação. Chama-se sala de recursos multifuncionais, precisamente, porque nela se concentram materiais didáticos, equipamentos e profissionais aptos a atender, de forma flexível, aos diversos tipos de necessidades educacionais especiais (SARTORETTO; SARTORETTO, 2010). A sala de recursos é parte do Atendimento Educacional Especializado que propõe a complementação do atendimento educacional comum. As atividades nesta sala devem ocorrer em horário diferente ao turno do ensino regular, para alunos com quadros de deficiências (auditiva, visual, física, mental ou múltipla) ou de condutas típicas (síndromes e quadros psicológicos complexos, neurológicos ou psiquiátricos persistentes) matriculados em escolas comuns, em qualquer dos níveis de ensino, considerando-se que na sala deve haver equipamentos e recursos pedagógicos adequados às necessidades especiais. O agrupamento dos alunos deverá ocorrer por necessidades especiais semelhantes e mesma faixa etária. De acordo com Fávero (2007, p.17), elas garantem “[...] o direito a educação, direito humano”, fundamental para o desenvolvimento social do aluno com necessidades educacionais especiais. Deste modo, os alunos com necessidades educacionais especiais têm assegurado na Constituição Federal de 1988, o direito à educação (escolarização) realizada em classes comuns e ao atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização, que deve ser realizado preferencialmente em salas de recursos na escola onde estejam matriculados, em outra escola, ou em centros de atendimento educacional especializado. Esse direito também está assegurado na LDBEN – Lei n° 9.394/96, no parecer do CNE/CEB nº 17/01, na Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001, na Lei nº 10.436/02 e no Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. As salas de recursos multifuncionais são espaços da escola onde se realiza o atendimento educacional especializado para alunos com necessidades educacionais Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 45 especiais, por meio do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, centradas em um novo fazer pedagógico que favoreça a construção de conhecimentos pelos alunos, subsidiando-os para que desenvolvam o currículo e participem da vida escolar (ALVES, 2006, p.13). A sala de recursos é um espaço que deve conter materiais didáticos, pedagógicos, equipamentos e profissionais com formação para o atendimento às necessidades educacionais especiais. No que se refere ao atendimento, é necessário que o profissional que nela atua considere as diversas áreas de conhecimento, os aspectos relacionados ao estágio de desenvolvimento cognitivo dos alunos, o nível de escolaridade, os recursos específicos para sua aprendizagem e as atividades de complementação e suplementação curricular (ALVES, 2006). No que se refere ao atendimento da sala de recursos, se resume ao número de 15 a 20 alunos por turma, sendo que o atendimento pode ser coletivo (até 08 alunos por grupo), devendo ser individualizado quando o aluno demandar apoio intenso e diferenciado do grupo, atendimento organizado em módulos de 50 minutos até 2 horas/dia; atendimento de alunos de várias escolas da região (BRASIL, 2007). Podemos concluir então que não é o aluno que tem que se adaptar à escola, mas é ela que, consciente da sua função, coloca-se à disposição do aluno, tornando assim a escola um espaço inclusivo. A educação especial é concebida para possibilitar que o aluno com necessidades educacionais especiais atinja os objetivos propostos para sua educação no ensino regular (BRASIL, 2004). A sala de recursos deve ser vista como um espaço organizado com materiais didáticos, pedagógicos, equipamentos e profissionais com formação para o atendimento às necessidades educacionais especiais. Esse espaço pode ser utilizado para o atendimento das diversas necessidades, assim, uma mesma sala de recursos, pode ser organizada com diferentes equipamentos e materiais, tendo capacidade para atender, conforme cronograma e horários diferenciados, alunos surdos, cegos, com baixa visão, com deficiência mental, com deficiência física, com deficiência múltipla ou com condutas típicas, desde que o professor tenha formação compatível, além de também poder promover apoio pedagógico ao professor da classe comum do aluno. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 46 Nesse serviço complementar, implica abordar questões pedagógicas que são diferentes das oferecidas no ensino regular e que são necessárias para melhor atender às especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais, para que os mesmos sejam ativos tanto na sala de aula regular quanto em sociedade. Fica claro que a abordagem na sala de recursos não pode ser confundida com uma mera aula de reforço (repetição da prática educativa da sala de aula), nem com o atendimento clínico, tão pouco um espaço de socialização. Reafirma-se o caráter pedagógico desse atendimento, cujo objetivo é suprir a necessidade do aluno, assegurando o direito de acesso a recursos que possam potencializar suas capacidades, promover o seu desenvolvimento e aprendizagem e, consequentemente, levar o aluno à sua própria emancipação, garantindo, assim, uma plena convivência social (MINAS GERAIS, 2005), possibilitando a firmação da proposta inclusivista, que é a de educar com qualidade, e promover o princípio da equidade. 5.3 A sala de recurso para deficiência intelectual Os alunos com deficiência mental/intelectual, especialmente os casos mais severos, são os que forçam a escola a reconhecer a inadequação de suas práticas para atender às diferenças dos educandos. De fato, as práticas escolares convencionais não dão conta de atender a esse tipo de deficiência, em todas as suas manifestações, assim como não são adequadas às diferentes maneiras dos alunos, sem qualquer deficiência, abordarem e entenderem um conhecimento de acordo com suas capacidades (MINAS GERAIS, 2005). Essas práticas precisam ser urgentemente revistas, porque, no geral, elas são marcadas pelo conservadorismo, são excludentes e inviáveis para os alunosque temos hoje nas escolas, em todos os seus níveis. Alves (2006) salienta que atendimento para alunos com deficiência mental na sala de recursos deve [...] ser realizadas as adequações necessárias para participação e aprendizagem desses alunos, por meio de estratégias teórico- metodológicas que lhes permitam o desenvolvimento cognitivo e a apropriação ativa Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 47 do saber. As atividades têm como objetivo o engajamento do aluno em um processo particular de descoberta e o desenvolvimento de relacionamento recíproco entre a sua resposta e o desafio apresentado pelo professor (MINAS GERAIS, 2006, p.07). No caso do AEE para a deficiência mental/intelectual, tem suas particularidades, pelo aluno ter condutas típicas referentes a sua deficiência, assim as estratégias de ação tem que ser pensadas conforme a necessidade do aluno e não um padrão de desenvolvimento, e, portanto, cabe ao professor que atua na sala de recursos pensar em estratégia que possam dar um conteúdo e uma significação que sustente a produção desses saberes. Para se diminuir o acaso e a imprecisão, são necessários os conhecimentos científicos, mas também os conhecimentos escolares, que se materializam no currículo e contribuem para a normalização dos sujeitos para viverem socialmente. Para tanto, Vygotsky (s.d apud ALVES, 2006) afirma que uma criança com deficiência mental não é simplesmente menos desenvolvida que outra da sua idade, mas é uma criança que se desenvolve de outro modo. Para ele, as funções psicológicas superiores, que são características do ser humano, estão ancoradas, por um lado, nas características biológicas da espécie humana e, por outro, são desenvolvidas ao longo de sua história social. Assim, não existe uma única forma de aprender e tampouco uma única forma de ensinar, mas o “bom aprendizado” é, para Vygotsky, aquele que envolve sempre a interação com outros indivíduos e a interferência direta ou indireta deles, e, fundamentalmente, o respeito ao modo peculiar de cada um aprender. Deste modo, na sala de recursos devem ser realizadas adequações necessárias para participação e aprendizagem desses alunos, por meio de estratégias teórico-metodológicas que lhes permitam o desenvolvimento cognitivo e a apropriação ativa do saber. As atividades têm como objetivo o engajamento do aluno em um processo particular de descoberta e o desenvolvimento de relacionamento recíproco entre a sua resposta e o desafio apresentado pelo professor (ALVES, 2006). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 48 5.4 Atribuições do professor no AEE É necessário que o professor que atue na sala de AEE, tenha passado inicialmente por uma formação que o habilitou para o exercício da docência e também por outra formação específica na educação especial, inicial ou continuada, pois o mesmo terá diversas atribuições no AEE. São atribuições do professor no AEE: 1. elaborar, executar e avaliar o Plano de AEE do aluno, contemplando a identificação das habilidades e necessidades educacionais específicas dos alunos; a definição e a organização das estratégias, serviços e recursos pedagógicos e de acessibilidade; o tipo de atendimento conforme as necessidades educacionais específicas dos alunos; e, o cronograma do atendimento e a carga horária, individual ou em pequenos grupos; 2. implementar, acompanhar e avaliar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade no AEE, na sala de aula comum e demais ambientes da escola; 3. produzir materiais didáticos e pedagógicos acessíveis, considerando as necessidades educacionais específicas dos alunos e os desafios que este vivencia no ensino comum, a partir dos objetivos e atividades propostas no currículo; 4. estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando a disponibilização dos serviços e recursos e o desenvolvimento de atividades para a participação e aprendizagem dos alunos nas atividades escolares; 5. orientar os professores e as famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno de forma a ampliar suas habilidades, promovendo sua autonomia e participação; 6. desenvolver atividades do AEE, de acordo com as necessidades educacionais específicas dos alunos, tais como o ensino da Língua Brasileira de Sinais-Libras; ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 49 alunos com deficiência auditiva ou surdez; ensino da Informática acessível; ensino do sistema Braille; ensino do uso do soroban; 7. Ensino das técnicas para a orientação e mobilidade; ensino da Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA; ensino do uso dos recursos de Tecnologia Assistiva – TA; atividades de vida autônoma e social; atividades de enriquecimento curricular para as altas habilidades/superdotação; e, atividades para o desenvolvimento das funções mentais superiores (SANTOS, 2011). Assim, o professor que atua no AEE, desempenhará atividades complementares e/ou suplementares na tentativa de eliminação das possíveis barreiras existentes, com o intuito único de gerar uma participação mais efetiva dos alunos, considerando efetivamente as suas necessidades específicas (LIMA; SANTOS, 2011). 3.5 A importância da revisão do PPP e do currículo escolar Ao promover a inclusão, é preciso rever o projeto político pedagógico (PPP) e o currículo da escola. O PPP deve contemplar o atendimento à diversidade e o aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. Já o currículo deve prever a flexibilização das atividades (com mais recursos visuais, sonoros e táteis) para contemplar as diversas necessidades dos alunos. Na implantação da Sala de Recursos Multifuncionais para a oferta de AEE, compete à escola: a) contemplar, no Projeto Político Pedagógico - PPP da escola, a oferta do atendimento educacional especializado, com professor para o AEE, recursos e equipamentos específicos e condições de acessibilidade; b) construir o PPP considerando a flexibilidade da organização do AEE, realizado individualmente ou em pequenos grupos, conforme o Plano de AEE de cada aluno; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 50 c) matricular, no AEE realizado em sala de recursos multifuncionais, os alunos público-alvo da educação especial matriculados em classes comuns da própria escola e os alunos de outra(s) escola(s) de ensino regular, conforme demanda da rede de ensino; d) registrar, no Censo Escolar MEC/INEP, a matrícula de alunos público-alvo da educação especial nas classes comuns; e as matrículas no AEE realizado na sala de recursos multifuncionais da escola; e) efetivar a articulação pedagógica entre os professores que atuam na sala de recursos multifuncionais e os professores das salas de aula comuns, a fim de promover as condições de participação e aprendizagem dos alunos; f) estabelecer redes de apoio e colaboração com as demais escolas da rede, as instituiçõesde educação superior, os centros de AEE e outros, para promover a formação dos professores, o acesso a serviços e recursos de acessibilidade, a inclusão profissional dos alunos, a produção de materiais didáticos acessíveis e o desenvolvimento de estratégias pedagógicas; g) promover a participação dos alunos nas ações intersetoriais articuladas junto aos demais serviços públicos de saúde, assistência social, trabalho, direitos humanos, entre outros (NOTA TÉCNICA – SEESP/GAB/Nº 11/2010). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 51 UNIDADE 6 – IDENTIFICAÇÃO/CARACTERIZAÇÃO E TRABALHO COM ALTAS HABILIDADES Segundo Virgolim (2007), a literatura é abundante nas listagens de características das crianças superdotadas. Embora os autores difiram na forma com que abordam as altas habilidades/superdotação, algumas características são comuns a todos eles. Renzulli (2004), por exemplo, chama a atenção para duas categorias amplas e distintas de habilidades superiores: a superdotação escolar e a superdotação criativo-produtiva. A superdotação escolar pode também ser chamada de “habilidade do teste ou da aprendizagem da lição”, pois é o tipo mais facilmente identificado pelos testes de QI para a entrada nos programas especiais. Como as habilidades medidas nos testes de QI são as mesmas exigidas nas situações de aprendizagem escolar, o aluno com alto QI também tira boas notas na escola. A ênfase neste tipo de habilidade recai sobre os processos de aprendizagem dedutiva, treinamento estruturado nos processos de pensamento, e aquisição, estoque e recuperação da informação. As crianças que apresentam a superdotação escolar tendem a apresentar as seguintes características (Renzulli & Reis, 1997 apud VIRGOLIM, 2007): tira notas boas na escola – apresenta grande vocabulário; gosta de fazer perguntas – necessita pouca repetição do conteúdo escolar; aprende com rapidez – apresenta longos períodos de concentração; tem boa memória – é perseverante; apresenta excelente raciocínio verbal e/ou numérico – é um consumidor de conhecimento; lê por prazer – tende a agradar aos professores; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 52 gosta de livros técnicos/profissionais – tendência a gostar do ambiente escolar. Dentre suas características afetivo-emocionais deste grupo, Renzulli e Reis (1997 apud VIRGOLIM, 2007) destacam: o superdotado do tipo “escolar” tem necessidade de saber sempre mais e busca ativamente por novas aprendizagens. No entanto, pode estabelecer metas irrealisticamente altas para si mesmo (às vezes reforçadas pelos pais) e sofrer por medo de não atingir tais metas. demonstra perseverança nas atividades motivadoras a ele; apresenta grande necessidade de estimulação mental; apresenta grande intensidade emocional; tem paixão em aprender; revela intenso perfeccionismo. Já a superdotação criativo-produtiva implica o desenvolvimento de materiais e produtos originais; aqui, a ênfase é colocada no uso e aplicação da informação – conteúdo – e processos de pensamento de forma integrada, indutiva, e orientada para os problemas reais. O aluno, nesta abordagem, é visto como um “aprendiz em primeira-mão”, no sentido de que ele trabalha nos problemas que têm relevância para ele e são considerados desafiadores. As crianças que apresentam a superdotação do tipo criativo-produtiva tendem a apresentar as seguintes características (Renzulli & Reis, 1997 apud VIRGOLIM, 2007): não necessariamente apresenta QI superior – pensa por analogias; é criativo e original – usa o humor; demonstra diversidade de interesses – gosta de fantasiar; gosta de brincar com as ideias – não liga para as convenções; é inventivo, constrói novas estruturas – é sensível a detalhes; procura novas formas de fazer as coisas – é produtor de conhecimento; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 53 não gosta da rotina – encontra ordem no caos. Algumas características de personalidade são típicas de um grande número de crianças com altas habilidades na área acadêmica, conforme o ponto de vista de Silverman (1993), Galbraith e Delisle (2002) e Neihart, Reis, Robinson e Moon (2002), citados por Virgolim (2007), que também indicam formas de serem trabalhadas em dinâmicas de cunho terapêutico. Isto significa que, na falta de um psicólogo no atendimento, podem ser trabalhadas em sala de aula por professores e, talvez, até com a ajuda de estagiários de psicologia, observando o devido cuidado com o mundo interno da pessoa. Um professor sensível às características peculiares do superdotado pode reservar um momento em suas aulas para que a criança ou o jovem possam se expressar com mais liberdade, falar sobre suas dificuldades, temores e dúvidas. Muitas vezes, ao compartilhar suas emoções, o jovem percebe que elas são comuns aos outros colegas, e que cada um tem uma forma diferente de lidar com estas características e emoções. Dentre estas características, que geralmente se apresentam em diferentes gradações no mundo emocional de cada pessoa superdotada, podemos citar: o perfeccionismo; a perceptividade; a necessidade de entender; a necessidade de estimulação mental; a necessidade de precisão e exatidão; o senso de humor; a sensibilidade e empatia; a intensidade; a perseverança; a autoconsciência; a não conformidade; o questionamento da autoridade; e a introversão. Pois bem, pensando nos diversos estilos de aprendizagem que as crianças apresentam quando tendem a uma determinada inteligência de forma mais expressiva, Armstrong (2001) descreve as necessidades cognitivas específicas do aluno para o melhor desenvolvimento em sala de aula (ver os dois quadros abaixo). Este conhecimento é importante para subsidiar a instrução em sala de aula, de forma que a maior parte da aprendizagem na escola possa ocorrer através dos tipos de inteligências preferidas por eles. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 54 Além disso, o mesmo autor lembra que a maioria dos alunos apresenta áreas fortes em vários domínios, de modo que o professor deve evitar categorizar a criança em apenas uma inteligência. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 55 Reconhecida a alta habilidade/superdotação é chegado o momento de trabalho com este aluno. Existem várias modalidades de atendimento e cada alternativa atende a diferentes necessidades. Mais uma vez, não existe um modelo ideal e podemos considerar que o método adequado é um conjunto de combinações entre as alternativas de atendimento possíveis. Os principais métodos utilizados são apresentados sob uma nomenclatura geral – agrupamentos, aceleração e enriquecimento. Essa nomenclatura, noentanto, esconde as sutilezas que precisam ser consideradas a cada implantação. Qualquer modalidade de atendimento a potenciais diferenciados denuncia e explicita a necessidade de flexibilização das estratégias educativas, de forma que atenda à diversidade apresentada em qualquer grupo humano (CUPERTINO, 2008). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 56 Um deles, básico em qualquer programação para alunos com altas habilidades, é não confundir diferença com superioridade. O agrupamento tem que ser visto apenas como um recurso educacional entre muitos, e não um privilégio destinado a poucos escolhidos. Um outro é reconhecer que, mesmo dentro de um agrupamento, existem amplas diferenças individuais e que o grupo é sempre heterogêneo, o que demanda a inclusão, sempre, também de alguma instrução individualizada. É preciso evitar a completa segregação, dando oportunidade aos alunos para uma convivência escolar com outros de diferentes habilidades. Os benefícios dos agrupamentos estão em contribuir para um aproveitamento em níveis proporcionais às habilidades, incentivando (ou mantendo) a motivação. Nos grupos é facilitada a troca de ideias e interação entre semelhantes, gerando ganhos acadêmicos substanciais. A aceleração é mais uma forma de flexibilizar sistemas educacionais muito cristalizados, desta vez por permitir ao aluno que pule etapas da formação regulamentar. Pode se dar de maneiras diferentes: pela entrada precoce na escola, pela dispensa de cursos, ou pelo estabelecimento de programas de estudos acelerados, flexíveis no ritmo, tarefas e/ou áreas de conhecimento. Um programa que inclua flexibilização/aceleração deve proporcionar ao aluno experiências de aprendizagem usualmente oferecidas a crianças mais velhas que ele, que pode vir a cumprir o programa escolar em menor tempo ou até saltar séries. Como vantagens da aceleração, podemos apontar o fato de poder usar recursos e professores já existentes na instituição de ensino. Essa prática também corresponde à resposta mais rápida que se pode dar diante da constatação da necessidade de atenção diferenciada a alguém com altas habilidades. O aluno mantém-se motivado diante dos estudos, por poder seguir no seu próprio ritmo. Entre as desvantagens pode estar, novamente, o sentimento de isolamento. Para preveni-lo é importante tomar alguns cuidados na avaliação, evitando privilegiar um aspecto do desenvolvimento em detrimento de outros. Além da avaliação pedagógica, para saber se o aluno já domina o conhecimento exigido para Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 57 a série que vai saltar, é necessário considerar aspectos afetivos como a segurança, a autoestima, ou o fato de ter ou não amigos, por exemplo. Nesse caso, podemos analisar duas alternativas como exemplos. Numa delas, a criança é sociável e, mesmo que perca os amigos da série que está deixando, sabemos que manterá os vínculos quando possível, e que fará uma boa adaptação no novo grupo. Ou, ao contrário, ela é reservada, e não terá muitos relacionamentos em nenhum dos grupos. Nos dois casos a aceleração pode ser feita. Se nenhuma das alternativas anteriores se aplica, é preciso dar atenção especial ao processo de adaptação, analisando cuidadosamente onde se localiza a maior insatisfação, privilegiando-a. O enriquecimento curricular é a abordagem educacional pela qual se oferece à criança experiências de aprendizagem diversas das que o currículo regular normalmente apresenta. Isso pode ser feito pelo acréscimo de conteúdos mais abrangentes e/ou mais profundos, e/ou pela solicitação de projetos originais. As vantagens do enriquecimento curricular são atender à diversidade, a cada caso, e manter o aluno no seu ambiente na maior parte do tempo. Como desvantagens, temos o fato de que esse tipo de programa é mais caro, pois precisa da formação de professores e material diferenciado, além de precisar de planejamento gradativo, feito e refeito constantemente conforme o progresso do aluno e a mudança das circunstâncias. As adaptações curriculares, outra forma de enriquecimento, podem assumir diferentes formas. Podem constituir-se no desenho de um programa educacional individualizado dentro dos objetivos, conteúdos e avaliação do currículo regular, dentro do tempo regular de escolarização. Isso implica alterações importantes de objetivos, conteúdos, metodologia, atividades, distribuição do tempo e avaliação. Atinge os conteúdos básicos, optativos e transversais, e envolve não só o aluno, como seus tutores e a equipe escolar. Podem também ser feitas de modo menos radical, com alterações mais focalizadas e não tão abrangentes, como ampliações de alguns conteúdos de algumas disciplinas curriculares, aprofundamento dos conteúdos e variação das atividades. Nesse caso, as mudanças são mais superficiais, e podem ser feitas pelos professores regulares, que têm contato cotidiano com a criança, e que podem auxiliá-la a incrementar seus estudos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 58 Existem outras formas de proporcionar uma educação diferenciada aos alunos com altas habilidades: tutorias específicas – designação de alguém encarregado de auxiliar o aluno em suas atividades de enriquecimento. Essas pessoas podem ser encontradas dentro das instituições de ensino, como um professor que se sinta mobilizado pelo interesse do aluno, por exemplo. Ou podem ser buscadas fora dela, em parcerias com outras instituições ou com voluntários, por exemplo; monitorias – as monitorias funcionam com alunos de séries mais adiantadas auxiliando os de séries inferiores, ou, dentro de uma mesma sala, com alunos habilidosos preparando-se com antecedência sobre os conteúdos a serem abordados, de modo que possam ajudar alunos com um ritmo não tão rápido. As monitorias têm como vantagem o funcionamento de mão dupla: um aluno pode se beneficiar do auxílio de um monitor, ou da motivação e do aprofundamento do conhecimento quando o monitor é ele mesmo. O cuidado que se tem que tomar com elas é para que o aluno mais capaz não se transforme num auxiliar de classe, perdendo ele mesmo as oportunidades para seu próprio desenvolvimento. Temos que cuidar para que esse tipo de atividade seja mesmo estimulante, para que não se torne uma obrigação, tomando do aluno um tempo livre que ele poderia usar em outras coisas que fossem mais do seu agrado. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 59 UNIDADE 7 - ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO DE DOENÇAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL As pesquisas e os noticiários nos mostram todos os dias que as atividades físicas são importantes para uma vida saudável. Para a maioria da população, os benefícios de uma prática desportiva regular, são unanimemente reconhecidos, quer seja uma criança, adolescente, adulto ou idoso. No entanto, e no que se refere à população com deficiência, a sensibilização para as vantagens advindas da prática de atividade física,surgiu ainda que muito recente, fruto da lenta, mas progressiva evolução que este fenômeno tem assistido (CARVALHO; FARKAS, 2005 apud SOUSA, 2010). A população com deficiência intelectual é muitas vezes caracterizada por ter um estilo de vida sedentário onde a falta de atividade física, a dieta rica em gordura e a má condição física têm sido referenciados em diversos estudos (DRAHEIM; WILLIAMS; MCCUBBIN, 2002; EMERSON, 2005; FREY, 2004; HAMILTON et al., 2007; TEMPLE & STANISH, 2008 apud SOUSA, 2010) como fatores influentes que marcam o aumento do risco de desenvolvimento de várias doenças. Os objetivos dos programas de promoção da saúde para pessoas com deficiência, segundo alguns autores, ajudam a reduzir condições secundárias e ajudam a manter a independência funcional proporcionando oportunidades de lazer e prazer com fim a uma melhor qualidade de vida (CARMELI, et al. 2009; CHANIAS et al. 1998; CLUPHF et al.; 2001 apud SOUSA, 2010). Os indivíduos com deficiência intelectual estão em risco de mortalidade e morbidade por doenças crônicas incluindo as doenças cardiovasculares. Vários estudos têm mostrado altas taxas de obesidade neste tipo de população (EMERSON; 2005; HARRIS et al., 2003; OWENS, 2003; RIMMER; WANG, 2005; RUBIN et al., 1998; YAMAKI, 2005 apud SOUSA, 2010). Para vários autores, existe uma relação direta entre inatividade física e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Neste sentido, a prática de atividade Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 60 física regular desempenha um papel fundamental na prevenção primária e secundária das doenças cardiovasculares (MOSS, 2009; PETERSON et al. 2008; SIT et al. 2008; STANISH; FREY; 2008 apud SOUSA, 2010). A revisão de literatura promovida por Sousa (2010) mostra que a prática de atividade física regular para a pessoa deficiente, como meio de reabilitação e integração, contribui para a aceitação das suas limitações: valoriza e divulga as suas capacidades físicas, ajudando-o a relativizar as suas incapacidades; reforça a sua autoestima, dando-lhe qualidade de vida; possibilita condições consideradas necessárias para a alteração da sua visão perante a vida; intensifica a vontade para a ação; disponibilidade para se aproximar dos outros, para comunicar, para conviver; combate eficazmente atitudes pessimistas e facilita a mediatização das suas capacidades, refletindo sobre as suas capacidades em desfavor das limitações (ALVES, 2000). Segundo Auxter e Huetting (s.d apud SOUSA, 2010), a utilização de técnicas e estratégias de ensino mais apropriadas às necessidades dos indivíduos com Dl, conduz a uma maior participação e motivação para a prática desportiva, tais como: 1. pesar as diferenças individuais quando se selecionam as atividades; 2. apurar as atividades de acordo com as necessidades da pessoa com Dl; 3. escolher atividades para conhecer o grau de interesse da pessoa; 4. não menosprezar a capacidade desta população, pois existe uma propensão para designar metas muito baixas para este tipo de população; 5. selecionar atividades sensório-perceptivo-motoras para impulsionar um desenvolvimento específico e geral dos jovens, e incrementar competências recreacionais nos mais velhos, possibilitando a integração social; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 61 6. organizar o envolvimento no qual a atividade está incluída, tornando-a num desafio para o indivíduo favorecendo sempre o êxito; 7. analisar as tarefas abrangidas na atividade para ter a certeza de que as componentes fundamentais à evolução no domínio da atividade são executadas com sucesso; 8. criar um envolvimento de jogo seguro; 9. ser tolerante com os curtos e demorados ganhos, e mais ainda com as pessoas; 10. proporcionar um vasto leque de atividades que tenham significado social e recreacional para a vida adulta. Para Fonseca (2002), a caracterização psicomotora do deficiente intelectual reduz-se a seis aspectos importantes: 1. os elementos de desempenho são menos precisos e mais lentos, donde decorrem problemas de expressão e de processamento, que ao nível da psicomotricidade se expressam por dismetrias, dissincronias e dispraxias; 2. na Dl, em geral, aparecem dificuldades para utilizar as componentes de execução e de performance, devido à disfunção na formulação de estratégias e no entendimento dos atributos necessários à solução dos novos e diferentes problemas; 3. os déficits no desempenho cognitivo dependem da adaptabilidade dos contextos, bem como às características dos indivíduos com Dl; 4. o indivíduo com Dl parece manifestar dificuldades em tarefas não familiares que exijam o recurso às metacomponentes, devido a dificuldades de planificação e execução da decisão, frequentemente caracterizada por falta de flexibilidade. Tal ausência de plasticidade revela uma certa inércia psicomotora para produzir respostas a novos problemas e novas situações, daí que a decisão psicomotora seja restritiva na maioria dos casos; 5. as metacomponentes de inteligência, como a identificação, seleção e a organização de dados do problema, a estratégia unificada e sistemática de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 62 resolução e representação mental da informação, a focagem de atenção, o processamento de recursos de memória, monitorização da solução, a integração dos feedbacks da performance, entre outros, são estimulados inadequadamente, daí a diminuição da interconexão entre as componentes do ato mental; 6. na Dl as componentes do processamento de informação e os fatores psicomotores parecem estar menos livres e menos alcançáveis, daí o surgimento da noção de disfunção na percepção de relações e disfunção sistêmica nos fatores psicomotores de tonicidade, de equilíbrio, de lateralidade, entre outros. Enfim, sabendo que existe uma relação entre os benefícios dos exercícios físicos sobre os fatores de risco de doenças cardiovasculares (obesidade, hipertensão arterial, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) e sabendo que os indivíduos com Dl se caracterizam por ter baixos níveis de condição física e pouca participação em atividades desportivas, é importante e fundamental que se criem condições para que estes possam desenvolver a sua condição física e melhorar o seu estado de saúde (SOUSA, 2010). Vale a pena guardar que as pessoas portadoras de DI têm dificuldades em: distinguir as características dos objetos do meio e em organizar o mundo que os envolve; agrupar os esquemas, em organizar procedimentos de maneira eficaz e em aprender com a experiência; refletir sobre o resultado da própria ação; transferir aprendizagens para novos contextos; operar no nível das representações mentais; mobilizar os próprios recursos cognitivos internos de modo eficiente, sendo muito influenciados por recursos externos. Para atendê-los temos o AEE que deve: ser complementar e/ou suplementar na formação do aluno; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas /tarde - 13:12 as 18:00 horas 63 constituir-se em oferta obrigatória pelos sistemas de ensino; ser realizado pelo profissional da educação; realizar-se na Sala de Recurso Multifuncional; integrar o Projeto Pedagógico da Escola; assegurar o direito às diferenças na escola. O AEE para o aluno com DI se organiza em função dos mecanismos de aprendizagem: 1) motivação; 2) atenção; 3) memória; 4) transferência; 5) metacognição. Na sala de recurso multifuncional, o trabalho deve centrar-se: na atenção aos aspectos que podem potencializar o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno; na eliminação das barreiras que dificultam a aprendizagem desse aluno. A interlocução com o professor do ensino comum deve centrar-se: na obtenção de informações sobre o funcionamento do aluno na sala de aula; no conhecimento das práticas do professor do ensino comum; na observação sobre a organização do espaço físico da sala; na criação, quando necessário, de materiais de suporte para o acesso ao conhecimento em sala de aula regular. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 64 Quanto a avaliação: efetiva-se através do estudo de caso, que visa construir um perfil do aluno que possibilite elaborar o plano de intervenção; o estudo de caso deve ser efetivado pelo professor do AEE em colaboração com o professor do ensino comum e com outros profissionais que trabalham com esse aluno no contexto da escola; vai acontecer em três ambientes principais – na sala de recurso multifuncional, na sala de aula e na família. seu objetivo é recolher informações sobre o aluno considerando aspectos principais: funcionamento cognitivo, a linguagem oral e escrita, o raciocínio lógico, as aprendizagens escolares, os comportamentos e atitudes em situação de aprendizagem, o desenvolvimento psicomotor, a saúde do aluno, o desenvolvimento afetivo e as interações sociais (LIMAVERDE, 2012). Enfim, estamos no século das mudanças de rumo que ainda não são ideais, mas estamos em um caminho bem favorável. E no Brasil, as diretrizes para educação inclusiva e pessoas com deficiências também caminham para uma sociedade mais humana e justa. A aceitação da família e o compromisso da mesma para com seus membros é o primeiro passo para que a pessoa com deficiência seja compreendida, auxiliada em suas necessidades e tenha oportunidade de se tornar um cidadão de direitos. Evidentemente que o trabalho em conjunto com uma equipe multiprofissional e uma escola que tenha políticas e práticas educativas condizentes seguirá para a promoção da cidadania da pessoa com deficiência. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 65 UNIDADE 8 – INTRODUÇÃO A DEFICIÊNCIA MENTAL A inclusão social tem sido um desafio para todas as esferas da sociedade, principalmente para as pessoas portadoras de necessidades especiais que, muito além de poderem exercer a cidadania, deparam com a dificuldade de acesso em todos os sentidos. Segundo Mantoan (2006), a inclusão escolar está articulada a movimentos sociais mais amplos, que exigem maior igualdade e mecanismos mais equitativos no acesso a bens e serviços. Ligada a sociedades democráticas que estão pautadas no mérito individual e na igualdade de oportunidades, a inclusão propõe a desigualdade de tratamento como forma de restituir uma igualdade que foi rompida por formas segregadoras de ensino especial e regular. A questão política e social da inclusão é assunto que rende muitas discussões, assim como entender que o tratamento dispensado à diferença não quer dizer tratá-los como iguais, ao contrário, a diferença propõe o conflito, o dissenso, a imprevisibilidade, a impossibilidade do cálculo. O certo é jamais desvalorizar e inferiorizar os cidadãos/alunos por suas diferenças, seja nas escolas comuns ou nas especiais. Vale enfatizar que a inclusão de indivíduos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino não consiste apenas na permanência junto aos demais alunos, nem na negação dos serviços especializados àqueles que deles necessitem. Ao contrário, implica uma reorganização do sistema educacional, o que acarreta a revisão de antigas concepções e paradigmas educacionais na busca de se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural e social desses alunos, respeitando suas diferenças e atendendo suas necessidades (GLAT; NOGUEIRA, 2002, p. 26). A deficiência, outrora conhecida como deficiência mental, não é uma doença, não pode ser contraída pelo contato com uma pessoa sadia ou outra com a deficiência. Não é uma doença mental, portanto, não há cura e para entender melhor a diferença entre doença e deficiência, a OMS propôs três níveis para esclarecer todas as deficiências, a saber: deficiência, incapacidade e desvantagem social: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 66 Deficiência – perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão; Incapacidade – restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária; Desvantagem – prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência. Em 2001, essa classificação foi revista e reeditada não contendo mais uma sucessão linear dos níveis, mas indicando a interação entre as funções orgânicas, as atividades e a participação social (BATISTA; MANTOAN, 2006). O importante dessa nova definição é que ela destaca o funcionamento global da pessoa em relação aos fatores contextuais e do meio, re-situando-a entre as demais e rompendo o seu isolamento. Essa definição motivou a proposta de substituir a terminologia “pessoa deficiente” por “pessoa em situação de deficiência” (ASSANTE, 2000 apud BRASIL, 2006). Mais recentemente tem-se visto o uso do termo deficiência intelectual. O desejo de trabalhar com os portadores de deficiência intelectual requer num primeiro momento conhecer os caminhos percorridos pela sociedade desde os primeiros conceitos sobre exclusão, inclusão e deficiência, para num segundo momento manter avivado nos interessados e envolvidos, o desejo de lutar e buscar uma escola melhor, um espaço onde todos sejam vistos por suas habilidades, possibilidadese não por suas deficiências. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 67 O caminho que percorreremos será este: promover uma breve evolução histórica da deficiência mental até a intelectual ao longo dos últimos séculos; conceituar e definir as deficiências, caracterizá-las e classificá-las de acordo com a CID-10 e DSM-IV e outros institutos; abordá-las nas perspectivas orgânica, psicanalítica e de acordo com a epistemologia genética; descrever sucintamente as declarações mundiais e a legislação pertinente; analisar a deficiência intelectual no contexto escolar pela ótica dos pais, da própria escola e dos educadores no processo de inclusão. O Atendimento Educacional Especializado (AEE), as atividades físicas e os fatores de risco de doenças, principalmente cardiovasculares e por fim os limites da terminalidade específica e a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho completam nossos estudos sobre o trabalho com os portadores de deficiência intelectual. Vale a pena ler na íntegra a Convenção 159 (que trata da reabilitação profissional e emprego de pessoas com deficiência) da OIT ratificada por meio do Decreto nº 129, de 18 de maio de 1991, sendo, portanto, lei no Brasil desde esta data. Por ora, deixamos uma mensagem inicial para aqueles que buscam capacitação para trabalhar as diferenças e as deficiências, com foco na deficiência intelectual (DI): os espaços escolares não devem ser lugares de discriminação, e mesmo que o grau de deficiência se imponha como limite da capacidade de aprendizagem e adaptação ao mundo, todos são cidadãos de pleno direito, considerando as várias dimensões como a dignidade humana. Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 68 Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. UNIDADE 09 - HISTÓRIA, CONCEITO, ETIOLOGIA Dessen e Silva (2000) realizaram uma pesquisa acerca da produção científica na área de deficiência mental e constataram que no período de 1985 a 1999, a produção aumentou consideravelmente, embora ainda tenhamos muito a pesquisar, descobrir e entender sobre esse universo das deficiências humanas. Veremos que evolutivamente o conceito de deficiência mental tem uma estreita relação com as concepções socioeconômicas e ideais que nortearam cada período da história do homem. Conhecer essas ideias abre um horizonte para se compreender a deficiência mental, clarear o conceito que, por conseguinte, permite oferecer melhores serviços de atendimento para esse público. 2.1 História Em Pessoti (1984) encontramos uma ampla revisão histórica a respeito da deficiência mental, destacando as concepções adotadas, em cada período, que influenciaram as atitudes da sociedade em relação à deficiência. Aranha (1991) também se reporta à história para descrever como a integração social do deficiente foi associada à concepção de deficiência, a qual merece destaque. Na sociedade antiga, as crianças deficientes eram deixadas ao relento para que morressem. Essa atitude era fruto dos ideais morais da época em que a eugenia3 e a perfeição do indivíduo eram considerados valores preponderantes. Já no final do século XV, com os ideais burgueses vigentes nesse período, imperou a visão de que a deficiência era um atributo do indivíduo, tendo, 3 Ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie humana. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 69 portanto, uma relação direta com o capital, ou seja, o deficiente era considerado improdutivo, do ponto de vista econômico (ARANHA, 1991, 1995; GLAT, 1995; SCHWARTZMAN, 1999a, 1999b). Até cerca de 1800, a Dl não era considerada um problema científico, embora de acordo com Woolfson (s.d. apud MORATO, 1993), se devam considerar algumas referências, segundo as quais a Dl era analisada criteriosamente como distinta da doença mental com rigor descritivo de diferentes tipos, diagnósticos, prognósticos e terapêuticos. Segundo Morato (1993), a investigação sobre a Dl pode resumir-se a três períodos. O primeiro período teve início em 1800, perdurando um século, e caracterizou-se por ser um período de grande desenvolvimento científico ao nível da biologia e da psicologia, cujo impacto social é constatável pela evidência das propostas de identificação e classificação da Dl relativamente a outras deficiências, em particular, na distinção da doença mental (DETTERMAN, 1983: 1987; PERRON, 1976; RYNDERS, 1987; apud MORATO, 1993). O segundo período, que se estendeu desde os finais do séc. XIX até à 2ª grande guerra, compreendeu uma fase caracterizada pelas preocupações de definição e classificação da Dl, donde emergiram posições e contraposições teóricas de conturbadas consequências sociais e educacionais. O terceiro e último período, com início no pós-guerra prolongando-se até à atualidade e é caracterizado por uma atitude de mudança marcada pela evolução científica e pelo reforço do movimento humanitário em prol dos direitos pela reivindicação em defesa dos grupos minoritários na sociedade, pelos deficientes de guerra, e pelos movimentos associativos de pais de crianças e jovens com deficiência (MORATO, 1993). Desde 1959, a referência ao comportamento adaptativo surge como elemento de definição da Dl da American Association on Mental Retardation (AAMR) sendo a entidade científica mais antiga e prestigiada na abordagem da problemática da Dl (AAMR, 2002). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 70 Posteriormente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reforçou a relação entre adaptação e aprendizagem (MORATO et al., 1996). A classificação publicada pela AAMR, em 1983, classificava a Dl, até então DM, em função do Coeficiente de Inteligência (Q.l) - obtido a partir da multiplicação por cem do quociente obtido pela divisão da idade mental, pela idade cronológica da seguinte forma: 1. Deficiência Mental Leve - Q.l entre 55 e 50; 2. Deficiência Mental Moderada - Q.l entre 55/50 e 40/35; 3. Deficiência Mental Severa - Q.l entre 40/35 e 25/20; 4. Deficiência Mental Profunda - Q.l menor que 25/20. Com o passar dos séculos, as concepções sobre DM foram se ampliando, em parte como consequência das mudanças ocorridas nas sociedades e no campo científico. Mas, foi somente no século XIX quese percebeu uma postura de responsabilidade pública com relação às necessidades dos deficientes. No século XX, as ações se tornaram mais concretas, havendo uma multiplicidade de modos de encarar a DM, acarretando o surgimento de vários modelos explicativos, como o metafísico, o médico, o educacional, o da determinação social e o sócio-construtivista ou sócio-histórico (ARANHA, 1995). Para esta autora, a deficiência mental deve ser encarada como uma construção social, não alheia à concepção de homem e de sociedade vigentes e deve ser tratada como um fenômeno multideterminado. Contudo, segundo Nunes e Ferreira (1994), a DM ainda continua sendo considerada como estando dentro do indivíduo, descontextualizada e sem nexo social como mostra o discurso da maior parte dos órgãos públicos. A conceituação e caracterização da DM adotada no Brasil pelo Ministério da Educação (MEC) segue o modelo proposto pela Associação Americana de Deficiência Mental (AAMR), divulgado em 1992, segundo o qual, a DM se caracteriza pelo: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 71 funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, desempenho na família e comunidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho (BRASIL, MEC, 1997, p. 27). Este conceito serve como ponto de partida para a implementação de políticas públicas pelo governo brasileiro, que visa um atendimento especializado a estas crianças. Contudo, o próprio governo tem revelado um atendimento precário às pessoas deficientes, em diversas partes do país, apesar de salientar a importância deste tipo de atendimento desde a mais tenra idade da criança. Para o governo brasileiro, o trabalho precoce com crianças deficientes tem o objetivo de “[...] proporcionar à criança, nos seus primeiros anos de vida, experiências significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo” (BRASIL, MEC, 1995, p. 11). Voltando um pouco à evolução do conceito, antigamente a própria denominação desvalorizava os sujeitos com deficiência. As atribuições de nomes depreciativos como idiota, imbecil, oligofrênico, anormal, débil mental, inválido, atrasado mental, entre outros, eram comuns para distingui-los dos indivíduos com desenvolvimento típico (COELHO; COELHO, 2001; ALONSO; BERMEJO, 2001). Conforme Morato (1998), a população em geral negligenciava-os por não se enquadrarem no ideal de perfeição. Na Idade Média assistiu-se a um tratamento ambivalente para com estes indivíduos, pois, por um lado, com base na crença cristã, a deficiência era vista como algo divino e estes eram acolhidos e protegidos em instituições de caridade. Por outro lado, eram considerados demônios e sofriam de práticas de ostracismo (MORATO; 1998, SILVA; DESSEN, 2001). O século XV marcou o início de uma mudança de paradigma em relação a estes indivíduos que foi consolidada nos séculos XVII e XVIII, sendo a institucionalização destes uma realidade (SILVA; DESSEN, 2001). Em paralelo, no Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 72 século XVIII surgiram as primeiras classificações referentes às causas de morte. Este é o marco histórico para o início das classificações das doenças e transtornos mentais (OMS, 2001). A partir do século XIX até meados do século XX, os estudos sobre a deficiência intelectual tornaram-se de caráter mais científico e verificou-se uma sistematização do conceito, apesar da rotulagem negativa subjacente ao mesmo. O autor Pinel caracterizou a deficiência intelectual de idiotismo, com conotação de carência ou insuficiência intelectual (CARVALHO; MACIEL, 2003). Na mesma linha de pensamento, Esquirol referiu que a imbecilidade e o idiotismo devem-se a causas maturacionais e que os órgãos responsáveis pela atividade intelectual apresentam um desenvolvimento atípico. Empiricamente. começa-se a diferenciar a doença mental da deficiência intelectual (MORATO; 1998). Esta perspectiva é reforçada por Beaugrand que considerou idiota um estado de insuficiência de algumas aptidões intelectuais e morais, sendo as suas causas de ordem orgânica e/ou congênita com origem encefálica e, consequentemente, suscitavam um desenvolvimento deficitário. Nesta altura, a concepção de deficiência intelectual estava associada à perspectiva organicista de origem neurológica, identificada pelo atraso no desenvolvimento dos processos cognitivos (CARVALHO; MACIEL, 2003). 2.2 Conceito Segundo Sarno (2006), os termos deficiência e pessoa deficiente apresentam diferentes conotações na literatura acadêmica. Além disso, tais conceitos mudam ao longo da história, segundo os valores particulares de cada cultura e, até mesmo, em função de valores individuais. Para Ribas (2003), a deficiência é um estado físico ou mental eventualmente limitador que deve ser entendido a partir do ambiente sociocultural e físico em que o indivíduo está inserido e, também, de como a própria pessoa se vê. Segundo a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, pessoa com deficiência é aquela incapaz de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 73 assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência congênita ou não, em suas capacidades físicas ou mentais. A pessoa com deficiência mental é conceituada como aquela que tem necessidades para atuar nas dez áreas de habilidades adaptativas: 1) da comunicação, 2) do autocuidado, 3) das habilidades sociais, 4) da vida familiar, 5) do uso comunitário, 6) da autonomia, 7) da saúde e 8) segurança, 9) da funcionalidade acadêmica, 10) do lazer e trabalho. A ideia da deficiência como uma característica do indivíduo que pode ter graus diferentes de limitação, a depender da interferência do ambiente, reflete o conceito usado no cotidiano. Segundo Carreira (1992), as instituições de profissionalização de deficientes e administradores de empresas brasileiros entendem o deficiente mental como a pessoa portadora de distúrbios de aprendizagem e adaptação global. Além de Pessoti e outros, Lancillotti (2003) e Marques (2001) também demonstraram como a deficiência mental vem sendo rodeada de preconceitos desde a Grécia Antiga. Segundo Veltrone e Mendes (2011), a deficiência intelectual é uma condição bastante complexa no que se refere a sua definição conceitual e também nomenclatura. O termo “deficiência intelectual” é de uso recente na literatura e veio substituir os termos deficiência mental e retardo mental. Possivelmente esta mudança atende a múltiplas demandas, pois retrata mudanças conceituais mais recentes e é um termo mais preciso para denominar a condição, além dessa ser uma reivindicação de associações dos próprios indivíduos com este tipo de deficiência. A deficiência intelectual é uma categoria dos diferentes tipos de deficiênciaexistentes. Surge num contínuo da normalidade e não como um estado qualitativamente diferente desta, em que os indivíduos apresentam um conjunto de características comuns, enquadradas no baixo desempenho nos testes psicológicos, nas dificuldades de aprendizagem escolar, nas reações imaturas aos estímulos Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 74 ambientais e no desempenho social abaixo de média (ALONSO; BERMEJO, 2001; COELHO; COELHO, 2001). 2.3 Etiologia Os fatores etiológicos da Deficiência Mental podem ser de origem genética, ambiental, multifatorial e de causa desconhecida. Embora esses fatores etiológicos sejam muito variáveis, podem ser, ainda, subdivididos em fatores pré-natais (de origem genética, ambiental e multifatorial), perinatais (ambiental) e pós-natais (ambiental). A ocorrência da Deficiência Mental de etiologia desconhecida apresenta uma prevalência de 28 a 30% dos casos. Os fatores que atuam no período pré-natal envolvem causas genéticas e ambientais, consistindo nos fatores etiológicos mais importantes no surgimento da DM, com cifras ao redor de 50% dessa população. Fatores genéticos Monogênicos: 1 a 2% dos nascidos vivos. Herança dominante: Neuroectodermatoses (Esclerose tuberosa, Angiomatoses cerebrais, Deficiências mentais com alterações ósseas, Disostose craniofacial, Oligrofenia com acrocéfalo, Oligrofenia com aracnodactilia, Oligrofenia com discondroplasia). Herança recessiva: Distúrbio de metabolismo lipídico (Idiota amaurótica, Doença de Bielschowsky-Jansky, Doença de Spielmeyr-Vogt, Doença de Kufs, Doença de Normann-Wood, Síndrome de Niemann-Pick, Doença de Gaucher); Distúrbio do metabolismo de mucopolissacarídeo (Doença de Hurler, Doença de Morquio, Doença de Scheie, Doença de Sanfilipo, Doença de Matoteaux); Distúrbio do metabolismo glicídio (Glicogenose, Galactosemia); Distúrbios de metabolismo protídico (Fenilcetonúria, Doença do carope de bordo, Cistationinuria, Doença de Wilson, Doença de Hartnup); Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 75 Outras formas (Microcefalia familiar, Doença de Sjögren-Larson, Síndrome de Laurence Moon). Herança ligada ao sexo: Doença de Hunter, Doença de Pelizaeus Merzbacher. Fatores genéticos ligados a vários genes, Fatores cromossômicos. Anomalias de número de cromossomos somáticos: Trissomia do 21 (Síndrome de Down), Trissomia do 18 (Síndrome de Edward), Trissomia do 13-15 (Síndrome de Patau). Anomalias do número de cromossomos sexuais: Síndrome de Klinefelter, Microcefalia com malformações múltiplas e criptorquidia (Cariótipo XXXY), Disgenesia gonádica e oligofrenia (Síndrome de Turner), Superfêmea (Cariótipo XXX). Fatores Ambientais Fatores pré-natais: agentes infecciosos (citomegalovírus, toxoplasmose congênita, rubéola congênita, sífilis congênita, varicela); Fatores nutricionais; Fatores físicos: radiação; Fatores imunológicos; Intoxicações pré-natais (álcool e drogas, gases anestésicos, anticonvulsivantes); Transtornos endócrinos maternos: diabetes materna, alterações tireoidianas; Hipóxia intra-uterina (causada por hemorragia uterina, insuficiência placentária, anemia grave, administração de anestésicos e envenenamento com dióxido de carbono). Fatores perinatais: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 76 Anóxia neonatal; Traumatismo obstétrico (distócicos de parto com hipoxemia ou anoxemia); Prematuridade (anóxia, hemorragia cerebral). Fatores pós-natais: Infecções: meningoencefalites bacterianas e as virais, principalmente por herpesvírus; Traumatismos crânio- encafálicos; Alterações vasculares ou degenerativas encefálicas; Fatores químicos: oxigênio utilizado na encubadeira; Intoxicação pelo chumbo; Fatores nutricionais: graves condições de hipoglicemia, hipernatremia, hipoxemia, envenenamentos, estados convulsivos crônicos. Causas Multifatorial As causas multifatoriais são desconhecidas (28 a 30% dos casos), mas o Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, podendo ocasionar retardo no crescimento intra-uterino, microftalmia, corioretinite, surdez, retardo no desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia. A Sífilis apresenta como fator etiológico o Treponema pallidum, e caso a gestante tenha contato até a 20ª semana, pode acarretar a lues congênita, com malformações físicas (tíbia em sabre, nariz em sela, fronte olímpica e dentes de Hutchinson). Além disso, a sífilis pode acarretar outras alterações, como por exemplo, a surdez, malformações de dentes, alteração óssea, hidrocefalia e retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Infecções por varicela podem acarretar, dependendo da idade gestacional, alterações musculares e retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Contato com Toxoplasma gondi pode ter como repercussão a toxoplasmose, e da mesma maneira, dependendo da idade gestacional, ter como consequência a toxoplasmose Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 77 congênita com a manifestação da tétrade de Sabin (deficiência mental, microcefalia, calcificações intracranianas e corioretinite). Para a prevenção da toxoplasmose deve-se evitar carne crua e o contato com animais. A rubéola congênita ocorre pelo efeito teratogênico do vírus da rubéola. A infecção do feto é o resultado de infecção primária materna na gravidez ou até o terceiro mês antes do parto. A infecção durante as primeiras 8 semanas produz uma taxa de infecção fetal de 50%, depois disso, diminui progressivamente. As lesões mais frequentes no momento do nascimento sãos as cardiovasculares, hematológicas, baixo peso ao nascer, alterações esqueléticas, hepáticas, defeitos oculares (retinopatia, microftalmia, hipoplasia da íris, glaucoma congênito e cataratas), lesões no Sistema Nervoso Central (perda da audição, deficiências intelectuais e motoras, meningoencefalite crônica), complicações pulmonares. Os distúrbios de audição são a manifestação mais comum, provavelmente por uma infecção no final do segundo ou terceiro mês de gestação. Em relação ao uso de drogas, deve-se observar que o uso de substâncias alcaloides como a nicotina e cafeína pela gestante, dependendo da quantidade e da idade gestacional, pode levar a retardo no crescimento intra-uterino pela anóxia e uma maior probabilidade de parto prematuro (2 vezes mais) e baixo peso. O uso de álcool pela gestante afeta 1 a 2% das mulheres férteis, podendo acarretar a síndrome alcoólica fetal, caracterizada pela deficiência mental, deficiência no crescimento pré e pós-natal, alterações de Sistema Nervoso Central, anomalias craniofaciais como epicantus, ponte nasal baixa, filtrum hipoplásico e face achatada. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas /tarde - 13:12 as 18:00 horas 78 UNIDADE 10 - CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS DEFICIÊNCIAS 3.1 Caracterização A deficiência física é caracterizada pela alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “a”, c/c Decreto nº 3.298/99, art. 4º, I). A Paralisia Cerebral – lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central, tem como consequência alterações psicomotoras, podendo ou não causar deficiência mental. A lesão causadora de Paralisia Cerebral não é progressiva, mas o fato de afetar o sistema nervoso em desenvolvimento vai dar origem a um conjunto complexo de sinais e sintomas, que vão tornar difícil o diagnóstico. As formas de Paralisia Cerebral apresentam uma grande diversidade de perturbações neuromotoras, cuja classificação proposta por Hagberg et al (1975 apud ANDRADA, 1997) é a que reúne maior consenso. Quanto aos efeitos funcionais, a Paralisia Cerebral é classificada de tipo espástico, disquinésiaatetose, ataxia. Andrada (1997) refere que se pode considerar ainda uma forma rara de paralisia cerebral hipotônica ou atônica que é referida por alguns autores. Basil (1995) descreve que a espasticidade consiste num aumento do tônus muscular, como consequência de uma lesão no feixe piramidal. As contrações musculares podem ser de dois tipos: a) ocorrendo em repouso, b) ocorrendo quando a criança faz um esforço, se emociona ou se surpreende. A criança ao tentar flexionar uma parte do corpo não o pode fazer sem flexionar todo o corpo o que vai interferir na execução da tarefa. Nas crianças que apresentam este tipo de paralisia, Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 79 quando seguras pelas axilas ou quando tentam caminhar, os membros inferiores encontram-se em extensão, os pés em ponta e pernas cruzadas em tesoura, os membros superiores apresentam, hipertonia, o braço em rotação interna, cotovelo semi-flexionado, o polegar unido à palma da mão. Existem alterações a nível da expressão facial, ocorrendo por vezes ausência de linguagem oral. A atetose caracteriza-se pela dificuldade em controlar e em coordenar os movimentos. Os movimentos são espasmódicos e incontrolados, ocorrendo no nível dos membros da cabeça, músculos da respiração e deglutição. Estes movimentos podem ser atenuados pelo repouso, sonolência e determinadas posturas, verificando-se o seu aumento em momentos de excitação, insegurança e posição de pé. Estes indivíduos apresentam um tônus muscular que varia entre o hipertônico e hipotônico. Cahuzac (1985) define ataxia como uma perturbação da coordenação e da estática, onde observa-se instabilidade do equilíbrio, mau controle da cabeça, do tronco e dos membros. Basil (1995) refere ser uma síndrome cerebelar, em que existe dificuldade em medir a força, a distância e a direção dos movimentos, que costumam ser lentos e torpes, desviando-se com facilidade do objetivo pretendido. Existe instabilidade no controle do tronco o que vai provocar dificuldade em coordenar os movimentos dos braços e como consequência dificultar o caminhar que se apresenta inseguro, rígido e com quedas frequentes. A Paralisia Cerebral é ainda referida quanto à topografia corporal em paraplegia, tetraplegia, monoplegia, diplegia, triplegia. Em relação à topografia corporal, Basil (1995) menciona que a paraplegia se refere a situações em que estão comprometidos os dois membros inferiores; a tetraplegia em que há compromisso dos membros inferiores e superiores, a monoplegia em que existe o comprometimento de uma extremidade; a diplegia refere-se a situações em que existe maior comprometimento dos membros inferiores que superiores; a triplegia são situações de comprometimento de três membros, a hemiplegia o comprometimento da parte direita ou esquerda do corpo. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 80 Basil (1995) chama a atenção para o fato de que raramente encontramos uma criança que apresente uma tipologia pura, mas antes quadros mistos. Os diferentes tipos clínicos referidos têm intervenções diferentes, e cada criança é por si um ser individual com características muito próprias, com graus de deficiência e incapacidades diferentes, o que exige uma avaliação individualizada. As crianças com Paralisia Cerebral apresentam com frequência, alterações no seu desenvolvimento, devido a deficiências associadas, ou ao fato do seu comprometimento motor impedir a realização de atividades motoras, como manipular, gatinhar, andar, falar, escrever, que estão dependentes da capacidade de efetuar determinados movimentos. A disfunção motora impede a criança de efetuar experiências e de provocar efeitos no ambiente de modo a produzirem respostas consistentes que a ajudem a estruturar o pensamento. Assim, determinadas fases do desenvolvimento vão emergir mais tarde, ou podem até não vir a surgir o que afeta a evolução do desenvolvimento. Segundo Bobaty e Bobath (1976,1987 apud BASIL, 1995), a lesão cerebral vai afetar o desenvolvimento psicomotor da criança, pela interferência na maturação normal do cérebro e pelas alterações no desenvolvimento devido à permanência de esquemas anormais de atitudes e movimentos, pela persistência de reflexos primitivos que a criança é incapaz de inibir. A área da linguagem está quase sempre afetada na criança com Paralisia Cerebral, estando afetadas as formas de expressão como a mímica e o gesto, que precisam da coordenação de movimentos finos para se efetuarem, e a expressão oral. A limitação ou impedimento da expressão oral vai impedir que os pais e educadores estabeleçam com a criança um processo interativo, em que se fornecem modelos e onde a criança não intervém apenas aprendendo, mas através das suas respostas mantém os pais ativos num processo de estimulação. Quando existem obstáculos a este processo, gera-se um sentimento de incompetência e de fracasso em ambas as partes, visto nenhuma conseguir responder às necessidades da outra. Basil (1995) também ressalta que a lesão cerebral afeta quase sempre os órgãos da fala, devido a uma perturbação mais ou menos grave no controle dos Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 81 órgãos motores bucofonatórios, que podem afetar o ato de falar ou até impedi-lo por completo. Esta dificuldade pode também manifestar-se no nível da mastigação, deglutição, controle da saliva ou respiração. Estes problemas em nível da linguagem expressiva não impedem a compreensão da linguagem, que em alguns casos não se encontra afetada. Contudo, se existirem problemas cognitivos ou de audição, o desenvolvimento da linguagem compreensiva pode ficar comprometido, tornando mais complexo e difícil o processo de aquisição da linguagem. Nas situações de paralisia cerebral nem sempre é possívelavaliar com precisão a existência ou não de atraso mental, porque na avaliação de crianças com perfis complexos de desenvolvimento, as medidas estandardizadas não são as mais adequadas, devido às limitações motoras e de linguagem que dificultam a sua aplicabilidade. Autores como Dalmau (1984 apud BASIL, 1995), baseando-se em estatísticas efetuadas em Inglaterra, afirmam que 50% das crianças com paralisia cerebral deveriam ser consideradas deficientes mentais e que 40% destas apresentam déficits sensoriais associados, o que irá ter consequências sobre o desenvolvimento cognitivo. O fato destas crianças estarem impedidas de manipular e de agir fisicamente sobre o mundo que as rodeia, explorando-o livremente, vai interferir no desenvolvimento da inteligência sensório-motora e como consequência influenciar negativamente o desenvolvimento do pensamento pré-operatório, operatório e formal. No entanto, há opiniões que referem que a dificuldade de avaliação das reais capacidades da criança penaliza os resultados encontrados na aplicação de testes e provas. A criança com lesão cerebral vai ter, desde o início, dificuldades na interação com os outros, pelo fato de não conseguir produzir os gestos e os sons a que o meio social dá valor e reconhece como funções comunicativas. Segundo Basil (1995), a criança encontra dificuldades em produzir mudanças no comportamento das outras pessoas, no sentindo de as fazer interagir com elas e este déficit comunicativo limita a criança no desenvolvimento cognitivo e social e na construção da sua personalidade. Segundo o mesmo autor, a criança que experimenta o fracasso Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 82 quando age sobre o meio, sente-se frustrada, diminui a motivação e o investimento necessário a qualquer atividade. O fato de se sentir inapta pode levá-la a desistir, porque sente que não é capaz ou que o próprio ambiente não lhe é responsivo. Temos que concordar com Santos e Sanches (2005) quando dizem que o desenvolvimento do ser humano assenta na sua capacidade de interagir com os outros da sua espécie e de atuar sobre o mundo, sendo que a qualidade e a quantidade das interações proporcionadas a uma criança são determinantes no seu desenvolvimento social e emocional. A criança com Paralisia Cerebral tem o seu desenvolvimento afetado quer pelas lesões de que é portadora quer pelas limitações que daí advém, impedindo-a de experimentar e aprender como os demais prejudicando o seu desenvolvimento. É importante ter em mente que o conceito de deficiência inclui a incapacidade relativa, parcial ou total, para o desempenho da atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano, mas também é preciso deixar claro que a pessoa com deficiência pode desenvolver atividades laborais desde que tenha condições e apoios adequados às suas características. Sobre a Deficiência auditiva, o Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “b”, c/c Decreto nº 5.298/99, art. 4º, II define como a pessoa que perdeu bilateral, parcial ou total a audição, o que corresponde a 41 decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz . De acordo com o Decreto nº 3.298/99 e o Decreto nº 5.296/04, conceitua-se como deficiência visual: Cegueira – na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; Baixa Visão – significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; Os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°; Ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 83 Ressaltamos a inclusão das pessoas com baixa visão a partir da edição do Decreto nº 5.296/04. As pessoas com baixa visão são aquelas que, mesmo usando óculos comuns, lentes de contato, ou implantes de lentes intraoculares, não conseguem ter uma visão nítida. As pessoas com baixa visão podem ter sensibilidade ao contraste, percepção das cores e intolerância à luminosidade, dependendo da patologia causadora da perda visual. A Deficiência Mental é conceituada pelo Decreto nº 3.298/99, alterado pelo Decreto nº 5.296/04, como o funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: a) comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização dos recursos da comunidade; e) saúde e segurança; f ) habilidades acadêmicas; g) lazer; e, h) trabalho (Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “d”; e Decreto nº 3.298/99, art. 4º, I). De acordo com o Decreto nº 3.298/99, conceitua-se como deficiência múltipla a associação de duas ou mais deficiências. As características comportamentais mais evidentes nesta população, referidas por Fonseca (2001) são: 1. Pessoais (falta de motivação, ansiedade, falta de autocontrole, perturbações de personalidade, fraco controle interior e tendência para evitar situações de insucesso, mais do que para procurar os êxitos); 2. Sociais (dificuldades em realizar funções sociais, em estabelecer ligações afetivas. Retardamento evolutivo em situações de jogo, lazer e atividade sexual); Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 84 3. Físicas (falta de equilíbrio, dificuldades de locomoção, coordenação e manipulação). Destacam-se como características cognitivas mais relevantes: Problemas de memória (ativa e semântica); Problemas de categorização; Dificuldades de atenção; Autorregulação; Dificuldades na resolução de problemas; e, Déficits linguísticos (PACHECO; VALÊNCIA, 1993). 3.2 Classificação Coelho e Coelho (2001) afirmam que, a partir do século XX, iniciou-se uma série de tentativas para sistematizar o conceito de deficiência mental. Inicialmente, as principais definições contemplavam o déficit intelectual e do comportamento adaptativo, além da imaturidade no que tange ao desenvolvimento e à questão da incurabilidade. Desde então, as principais mudanças acerca da definição de deficiência mental foram realizadas pela American Association on Mental Deficiency (atualmente denominada de American Association on Intellectual and Development Disability – AAIDD). Esta associação foi criada em 1876 e desde então lidera o campo de estudos sobre o tema. A AAIDD tem influência sobre os sistemas de classificação internacionalmente conhecidos como CID-10 e o DSM-IV. A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, conhecida como Classificação Internacional de Doenças ou simplesmente CID, tem por objetivo categorizar as descrições diagnósticas com base na organização das síndromes. A CID é publicada pela Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 85 Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo revista periodicamente e encontra-se na sua décima edição. O DSM-IV,abreviatura de Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - Fourth Edition (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais - Quarta Edição), é publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA). Assim como a CID, usa um sistema categórico. No entanto, considera-se um modelo ateórico, tendo por inspiração o modelo organicista. Além da CID, a OMS publicou, em 1976, a International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps (Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens – CIDID). Nesta, Impairment (deficiência) é descrita como as anormalidades nos órgãos e sistemas e nas estruturas do corpo; disability (incapacidade) é caracterizada como as consequências da deficiência do ponto de vista do rendimento funcional, ou seja, no desempenho das atividades; handicap (desvantagem) reflete a adaptação do indivíduo ao meio ambiente resultante da deficiência e incapacidade (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189). Posterior a várias versões e inúmeros testes, a OMS publicou, em 2001, a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF (International Classification of Functioning, Disability and Health). A CIF é baseada, portanto, numa abordagem biopsicossocial que incorpora os componentes de saúde nos níveis corporais e sociais. Assim, na avaliação de uma pessoa com deficiência, esse modelo destaca-se do biomédico, baseado no diagnóstico etiológico da disfunção, evoluindo para um modelo que incorpora as três dimensões: a biomédica, a psicológica (dimensão individual) e a social. Sendo que (...) Os conceitos apresentados na classificação introduzem um novo paradigma para pensar e trabalhar a deficiência e a incapacidade: elas não são apenas uma consequência das condições de saúde/doença, mas são determinadas também pelo contexto do meio ambiente físico e social, pelas diferentes percepções culturais e atitudes em relação à deficiência, pela disponibilidade de serviços e de legislação (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189-190). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 86 Em 2002, a AAMR, atualmente AAIDD, definiu retardo mental (expressão adotada, à época, por seus proponentes) como sendo uma deficiência originada antes dos dezoito anos de idade, caracterizando-se por significativas limitações no que tange ao funcionamento intelectual, ao comportamento adaptativo e às habilidades práticas, sociais e conceituais (CARVALHO; MACIEL, 2003). Os autores acima destacam que o Sistema 2002 da AAMR é a referência para a classificação da deficiência mental e tem influenciado ainda outros importantes documentos, não apenas internacionais como também nacionais. A OMS lançou, em outubro de 2007, a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde em versão para crianças e jovens (CIF – CJ). Esta é uma versão derivada da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) desenvolvida para contemplar as características do desenvolvimento da criança e da influência dos ambientes que a cercam. A CIF – CJ pertence à “família” das classificações internacionais desenvolvidas pela OMS para aplicação em diversos aspectos relacionados à saúde. Atualmente, a classificação da Dl baseia-se mais em critérios adaptativos, do que nos índices numéricos de QI. O comportamento adaptativo tem-se revelado fundamental na avaliação e classificação da Dl, associando a participação na vida ativa com a vida escolar, sem descuidar o aspecto sócio-emocional do deficiente intelectual (MORATO; SANTOS, 2002). Este conceito alarga os aspectos a serem avaliados após o diagnóstico da Dl, uma vez que anteriormente se utilizava apenas o Q.I do indivíduo como referência que os classifica em leve, moderado, severo ou profundo (LUCKASSON et al. 1997 apud SOUSA, 2010). Abaixo temos uma breve comparação das classificações para deficiente mental: 1)AAIDD Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 87 Definição: Deficiência caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo - habilidades práticas, sociais e conceituais - originando-se antes dos dezoito anos de idade. Tipos de Apoio: Intermitente (Episódico) – O apoio se efetua apenas quando necessário. Caracteriza-se por sua natureza episódica, com duração limitada, ou seja, nem sempre a pessoa necessita de apoio, mas durante momentos, em determinados ciclos da vida. Limitado (Consistente) – Apoios intensivos caracterizados por duração contínua, por tempo limitado, mas não intermitente. Como por exemplo, o treinamento do deficiente para o trabalho por tempo limitado ou apoios transitórios durante o período entre a escola, a instituição e a vida adulta. Extensivo (Contínuo) – Trata-se de um apoio caracterizado pela regularidade, normalmente diária em pelo menos em alguma área de atuação, tais como na vida familiar, social ou profissional. Nesse caso não existe uma limitação temporal para o apoio, normalmente se dá em longo prazo. Permanente (Constante) – É o apoio constante e intenso, necessário em diferentes áreas de atividade da vida. Estes apoios exigem mais pessoal e maior intromissão que os apoios extensivos ou os de tempo limitado. 2)CID-10 Definição: F70-F79 - Parada do desenvolvimento ou desenvolvimento incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por um comprometimento, durante o período de desenvolvimento, das faculdades que determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de linguagem, da motricidade e do comportamento social. O retardo mental pode acompanhar um outro transtorno mental ou físico, ou ocorrer de modo independentemente. As categorias são: Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 88 F70 – Retardo Mental Leve F71 – Retardo Mental Moderado F72 – Retardo Mental Grave F73 – Retardo Mental Profundo F78 – Outro Retardo Mental F79 – Retardo Mental não Especificado. 3)DSM-IV Definição: A característica essencial do Retardo Mental é um funcionamento intelectual significativamente inferior à média (Critério A), acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, autossuficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança (Critério B). O início deve ocorrer antes dos 18 anos (Critério C). Um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média é definido como um QI de cerca de 70 ou menos. Inversamente, o Retardo Mental não deve ser diagnosticado em um indivíduo com um QI inferior a 70, se não existirem déficits ou prejuízos significativos no funcionamento adaptativo. Nível de gravidade refletindo nível de prejuízo intelectual: F70.9 - 317 Retardo Mental Leve (QI de 50-55 a aproximadamente 70) F71.9 - 318.0 Retardo Mental Moderado (QI de 35-40 a 50-55) F72.9 - 318.1 Retardo Mental Severo (QI de 20-25 a 35-40) F73.9 - 318.2 Retardo Mental Profundo (QI abaixo de 20 ou 25) F79.9 - 319 Retardo Mental, Gravidade Inespecificada– quando existe forte suposição de Retardo Mental, mas a inteligência da pessoa não pode ser testada por instrumentos padronizados. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 89 4)CIF Definição: Deficiências são problemas nas funções ou nas estruturas do corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda significativa (AMIRALIAN et al, 2000). Classificação: 0 – Sem deficiência; 1-Deficiência leve; 2-Deficiência moderada; 3-Deficiência grave; 4-Deficiência completa; 8- Sem especificação; 9-Sem aplicação Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 90 UNIDADE 11 - ABORDAGENS: PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA PARA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Acreditamos que tenha sido percebido que a deficiência mental é uma questão complexa, cujas causas são múltiplas e diversas: umas estão ligadas à própria estrutura do sujeito; outras, a questões lesionais. O fato de elas se intricarem e agirem umas sobre as outras não ajuda em nada a compreensão do fenômeno, pois o resultado disso é que cada um projeta seus fantasmas e inventa remédios. A deficiência mental é uma condição complexa. Seu diagnóstico envolve a compreensão da ação combinada de quatro grupos de fatores etiológicos- biomédicos, comportamentais, sociais e educacionais. A ênfase em elementos dessas dimensões depende do enfoque e da fundamentação teórica que orientam a concepção dos estudiosos (CARVALHO; MACIEL, 2003, p. 2). Jerusalinsk (1999, p. 110) compara o que acontecia na antiguidade grega quando as crianças deficientes eram lançadas desde as alturas do monte Taigeto, ao que acontece em nossa civilização, ou seja, elas são igualmente lançadas a um vazio de significância desde as alturas da Ciência. Para sair desse caos, para existir de fato e de direito, para deixar de ser esse “outro”, o deficiente mental tem de compreender o significado de si mesmo e o sentido de sua vida, ou seja, encontrar a ordem do mundo e o caminho de seu próprio desejo. O “Outro” aqui, segundo a teoria psicanalítica, seria o pai, a mãe ou qualquer ser humano que mantém um vínculo afetivo próximo com a criança. Para Silva (2006), é possível pensar esse “Outro” como figuras reais e concretas, mas também como imagens internas do psiquismo da criança. Compreender é, pois, uma operação que toca no mais essencial da constituição do ser, é parte integrante da pulsão de vida da qual falava Freud (1976). Por essa razão, pode-se tornar uma paixão, a paixão de saber. Ao contrário, pode existir a paixão à ignorância, que diz respeito à pulsão de morte. O sentido da deficiência mental é do interesse da Psicologia, da Psicanálise, da Pedagogia, da Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 91 Psiquiatria e da Neurologia. Entretanto, as diversas contribuições das várias áreas de conhecimento têm em comum um ponto: que este indivíduo, o deficiente mental, traz uma interdição em relação ao saber. Segundo Santana (1995, p. 13), a conceituação da deficiência mental vem sustentada por uma avaliação médica. A deficiência como termo de origem médica, e por esse motivo dita orgânica, não encontrou amparo dentro da psicanálise. Freud (1976) deu sua contribuição na pesquisa do deficiente mental, determinando um lugar para ele, a partir dos estudos sobre a sexualidade infantil. Delimitou esse saber propondo uma clínica onde, mesmo com as dificuldades vinculadas ao corpo, ocorre uma possibilidade via escuta. O pensamento freudiano não se situou face à deficiência, mas em face de um ser de palavras, detendo uma verdade que lhe é escondida, subtraída, ou que não lhe pertence mais (CORDIÈ, 1996, p. 129 apud SILVA, 2006, p. 63). As discussões acerca das contribuições de Freud e Lacan iriam longe, mas torna-se necessário um recorte e uma síntese para focar a abordagem em tela. De acordo com a abordagem psicanalítica e tomando emprestadas as contribuições de Mannoni (1981, p. 33), sabe-se que o deficiente mental traz sempre um discurso coletivo, o qual é proveniente de suas relações com a família, com a escola e com a sociedade. Para esse ser, é muito difícil falar, pois ele é falado. De acordo com a autora, ele cria uma situação dual, tornando-se objeto de um dos pais. Forma-se, em certos momentos, entre o deficiente mental e sua mãe, um só corpo, confundindo-se o desejo de um com o desejo do outro, impedindo-o, até certo ponto, de construir um conhecimento oriundo do outro. Seguindo o pensamento dessa autora, a mensagem do pai, ou seja, a função paterna nunca chega até o deficiente mental. Ele está fadado a permanecer numa certa relação fantasmática com a mãe que, pela ausência mesma do significante paterno, deixa o deficiente reduzido ao estado de objeto, sem esperança alguma de aceder ao nível de sujeito. Pelo contrário, a impossibilidade para o deficiente mental de estabelecer uma identificação significante deixa-o sem defesa contra as situações de dependência dual. Ele não tem a possibilidade de se interrogar sobre a sua falta de ser, porque essa falta, tomada em nível da realidade Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 92 pelos que o rodeiam, vai levá-lo a não sofrer e a preencher um vazio, o seu vazio intelectual, escolar, sem que nunca se coloque a questão de saber se esse vazio real não se duplica na mãe, pela sua própria falta de ser, cujo acesso se acha raramente barrado para a criança pelo significante paterno (MANNONI, 1981, p. 40). Observa-se, então, que a leitura que a psicanálise faz sobre a deficiência mental relaciona-se com um ser sem o saber intelectual, numa relação de evidência de nada compreender, mas é sustentada por um saber, denominado de saber inconsciente. Esse esclarecimento da dimensão inconsciente é contrário à crença em uma debilidade inscrita nos gens de um determinismo biológico, mas é indicativo do uso que o inconsciente faz dessa inscrição genética. Uma vez que sabemos que além de ser imperativo ressignificarmos o lugar do deficiente mental, devemos ressaltar que existe um lugar do pseudodeficiente, e não somente da deficiência inscrita no corpo físico (SILVA, 2006, p. 68). O mesmo autor pondera que a leitura que a psicanálise faz da deficiência também oportuniza aos docentes a explicação de que a educação também é falha, como nós seres humanos; que se continuarmos a entender as práticas educativas como únicas para todos os alunos, sejam estes deficientes ou não, situações de deficiências e déficits sempre irão aparecer, seja nos alunos, nos professores, nos métodos ou nas práticas educativas. O estudo por parte dos docentes sobre a teoria psicanalítica também é imprescindível, dado que é a partir de alguns conceitos advindos dessa teoria que será permitido que os docentes ressignifiquem seus valores e posicionamentos frente aos deficientes, entendendo que as deficiências não são somente orgânicas, mas estruturais também. Ai eles, os docentes,com toda sua formação e práticas educativas e a família, são implicados. Quanto a abordagem da epistemologia genética, esta trouxe uma nova possibilidade de práticas educativas mais eficazes aos docentes, pois permite um conhecimento científico de como se desenvolvem as estruturas cognitivas dos seres humanos e dos deficientes mentais e as possíveis intervenções com os mesmos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 93 Com a ampliação de matrículas na educação básica, aumentou o número de pessoas com deficiência em busca de escolaridade, o que gerou a criação de classes e escolas especializadas. Nesse contexto, surge também a concepção interacionista de inteligência. Essa concepção prevê que as habilidades mentais sensoriais e motoras do sujeito resultam da quantidade e da qualidade das trocas efetuadas entre sujeitos e o meio- ambiente. A respectiva concepção está representada na abordagem da Epistemologia genética de Jean Piaget e o Sócio-Interacionismo de Lev Vygotsky. A abordagem Piagetiana estabelece uma relação de interdependência entre o sujeito e o meio, buscando superar a antiga dicotomia entre objetivismo e subjetivismo. A teoria comportamentalista preconiza que cada estímulo emite uma resposta, entretanto, Piaget (1983) diz que para que isso ocorra é necessário que o sujeito e seu organismo sejam capazes de fornecer tal resposta. Na perspectiva Piagetiana o sujeito não é uma tabula rasa, nem traz consigo o conhecimento inato, mas é um ser que interage com o meio para construir o conhecimento. Nesse sentido, o processo de desenvolvimento cognitivo do indivíduo inicia ao nascimento e termina na fase adulta. A teoria Piagetiana denominada Epistemologia Genética envolve basicamente dois processos: assimilação e acomodação. A assimilação é a incorporação de um novo conceito ou experiência em um conjunto de esquemas já existentes, através da própria atividade do sujeito. E a Acomodação é o processo pelo qual as crianças modificam suas ações, a fim de manejarem novos objetos ou experiências. Os processos de assimilação e acomodação são complementares e se mostram presentes toda a vida do sujeito, permitindo a adaptação intelectual (ALLEBRANDT-PADILHA, 2004). Em linhas gerais, a adaptação consiste numa equilibração contínua destas assimilações e acomodações. É o processo de autorregulação que consiste numa passagem contínua de um estado de menor equilíbrio para outro de equilíbrio superior. Sendo assim, o desenvolvimento mental é uma construção sucessiva. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 94 No tocante a Educação, embora Piaget não tenha sido um educador, a sua teoria orienta em muito as questões educacionais. Inclusive na Educação Especial, a educadora Barbel Inhelder (1963), citada por Mantoan (1995) desenvolveu um estudo aplicando a teoria psicogenética em portadores de Deficiência Mental. Conforme tal estudo, em sua evolução intelectual, a criança com deficiência passaria pelos mesmos estágios da criança normal. Porém, enquanto na criança normal há uma aceleração progressiva do pensamento operatório, na deficiente observa-se lentidão ou até estagnação que conduz a viscosidade no raciocínio. Segundo Mantoan (1997), todas as contribuições inovadoras indicam novas possibilidades na educação de pessoas com deficiência mental. Uma das implicações é a inclusão educacional que contribui para o desenvolvimento das estruturas lógicas concretas. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 95 UNIDADE 12 - DEFICIÊNCIA INTELECTUAL NO CONTEXTO ESCOLAR: PERCEPÇÃO DE PAIS, ESCOLA E O PAPEL DOS EDUCADORES NO PROCESSO DE INCLUSÃO Um fator que provoca a resistência e discriminação da escola frente aos alunos com deficiência, segundo Batista e Mantoan (2006), é o medo face à diferença e ao desconhecido. Quanto a esse tema, o sociólogo Erving Goffman (1982) propôs um conceito, o de “estigmatização”, para descrever esta reação discriminatória perante o que é diferente. Também citam que Freud (1969) nos seus estudos sobre o Estranho, também explica como os sujeitos evitam aquilo que lhes parece estranho e diferente, sobretudo a partir de questões e problemas pessoais e muito íntimos dos próprios sujeitos. Estes estudos e mesmo nossa posição no mundo, no cotidiano, nos levam a observar que a percepção que as pessoas têm de outras é baseada em interesses, preconceitos, atitudes, esquemas sociais e cultura. Isso também ocorre em âmbito escolar, onde se torna cada vez mais natural que professores, depois de certo tempo, tendam a classificá-los em bons, regulares e fracos. Impressão esta, normalmente causada pelo desempenho e pelo comportamento dos alunos, podendo também derivar de atitudes preconcebidas do professor. Implementar uma prática pedagógica que elimine qualquer barreira à aprendizagem, deslocando o foco da problemática, das características do aluno, de suas condições orgânicas, psicossociais, o que o tem responsabilizado pelo seu fracasso na escola para outros fatores como o educador, a escola, o sistema educacional, as influências das representações sociais e os aspectos ideológicos e políticos que determinam tal prática. Esse é o grande desafio do educador do século XXI. Segundo Aquino (1997, p.93), é necessário retirar o foco diagnóstico da figura do “aluno-problema”, deslocando o olhar para as relações conflitivas que o circunscrevem, das quais ele é tão somente porta voz. A interação professor-aluno possui características e reflete efeitos que surgem a partir desta interação no Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 96 ambiente escolar, onde o desempenho está sendo constantemente avaliado. Conforme as ideias de Patto (1997, p. 287), a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem. O professor tem o papel explícito de interferir no processo, diferentemente de situações informais em que a criança aprende por imersão em um ambiente cultural. E o aluno não é somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. Para Herrero (2000), os professores devem, como primeiro objetivo, desenvolver a aceitação e o respeito pelas diferenças, pois estabelece um clima positivo dentro da classe. Partindo do pressuposto acima, salienta-se que o professor deve ter consciência de suas atitudes, limitações e valores próprios, para não rotular os alunos como bons ou ruins, capazes ou incapazes, como nas palavras de Piletti (2004, p.83): “o comportamento do professor em relação aos alunos é de fundamental importância para que ocorra a aprendizagem”, ou seja, se um aluno percebe indiferença e exclusão por parte do professor, sua atenção estará voltada para a autodefesa, enquanto deveria estar focada no conteúdo a ser aprendido. Herrero (2000, p. 12) enfatiza o exposto,ao afirmar que é claro que não haverá mudança na conduta e nas expectativas destes profissionais, sem uma mudança na concepção que tenham sobre inclusão. É claro que a conduta e as expectativas do professor determinam de forma decisiva o êxito ou o fracasso do aluno. Dessa forma, vê-se que a postura ideal de um professor é de manter a neutralidade diante de seus alunos, porém é um processo um tanto difícil, pois, como Patto (1997, p. 287) salienta, o professor “não é neutro, sem sentimentos, frio e distante. É uma pessoa e, como tal, tem sentimentos, simpatias, antipatias, amor, ódio, medo, timidez, etc.” e não está livre de ter sentimentos. Outro fator que contribui é nossa vivência numa sociedade competitiva que possui valores que classificam as pessoas como boas ou fracas, capazes e incapazes. Importante salientar que, apesar da importância da escola, Silva e Dessen (2001) relembram a necessidade de participação da família no processo de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 97 desenvolvimento dos alunos com deficiência intelectual, inserindo-a no contexto escolar, visto que a família constitui o primeiro universo de relações sociais da criança, podendo proporcionar-lhe um ambiente de crescimento e desenvolvimento, especialmente as crianças com deficiência intelectual, as quais requerem atenção e cuidados específicos. Sendo assim, o desenvolvimento do aluno com deficiência intelectual não pode ser isolado do desenvolvimento da família (SILVA; DESSEN, 2001). Partindo da definição do dicionário Aurélio sobre o preconceito ser “conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida”, pode-se dizer que é considerada como uma atitude já que a pessoa não fica indiferente ao alvo e, por estar ligada a emoções e valores resultam na formação de uma imagem positiva ou negativa de uma pessoa. Vale observar que o aluno com deficiência intelectual será mais facilmente aceito e incluso quando assim o for dentro da própria família e para que isso aconteça, os pais têm que conhecê-lo em suas limitações e potencialidades. Dessa forma, a família, apesar de não ser um dos maiores obstáculos frente a inclusão, constitui a base da educação e das interações sociais do filho com deficiência intelectual. Dessa forma, Picchi (2002. p. 95) verifica a necessidade de desvendar e compreender a história da família de forma a “diminuir os preconceitos atribuídos à família, como a de maior parcela de culpa pelas dificuldades encontradas pelo aluno na escola”. Omote (1986, 1987) observa, também, em sua pesquisa sobre a aparência dos deficientes na interpretação de suas competências, como o grau de importância que a aparência física tem no processo de interação entre aluno/aluno e aluno/professor, pois, dependendo da aparência, o aluno pode ser julgado no nível de competência acadêmica. Dessa forma, ser for atraente, terá um julgamento de competência e a integração social fluirá de forma mais harmônica, ao contrário, ou seja, ao apresentar aparência física que não seja agradável, será julgado como possuidor de uma competência inferior aos demais, sendo, portanto, tratado de forma diferenciada, ficando excluído das relações sociais e acadêmicas. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 98 Neste caso, estereótipos e preconceitos, como enfatiza Rodrigues (1999), fazem parte de um pacote maior de normas sociais. E em decorrência disso, estereótipos relativos à raça, aparência física, classe social, deficiência, podem predispor o professor a tratar seus alunos de forma que as expectativas derivadas desse estereótipo acabem de fato ocorrendo. E apesar de cada aluno ser diferente, com suas qualidades peculiares, são avaliados pelo mesmo padrão, e são salientadas as qualidades, positivas ou negativas, com relação a essa dimensão de comportamento. O ambiente escolar, caracteriza-se por ser um ambiente em que os alunos estão sendo constantemente avaliados. [...] O que o professor tem que se dar conta é de que a situação escolar propicia constantes ameaças à autoestima dos alunos e eles devem ser ajudados na maneira de enfrentar com êxito tais ameaças. Deve também o professor esforçar-se por aumentar a motivação de seus alunos a atribuir causalidade interna a seus comportamentos (RODRIGUES, 1999, p.421). Deste modo, vê-se que o aluno ao perceber essas rotulações são conduzidos ao desânimo, à depressão e, na situação escolar, ao abandono da escola ou perda de entusiasmo por assuntos acadêmicos. Por isso, é papel do professor evitar que os alunos atribuem isso aos seus fracassos escolares. Tendo uma visão mais ampla, Patto (1997, p. 300) afirma que esse processo não seria, talvez, tão pernicioso, se os professores conseguissem manter uma atitude de neutralidade diante dos alunos, sem manifestar preferências ou antipatias. Contudo, percebe-se que manter a neutralidade é um processo difícil, pois, de acordo com as ideias de Rodrigues (1999), quando observamos uma pessoa realizando uma ação, tendemos a fazer deduções acerca dos motivos que possam ter causado aquele comportamento. E o preconceito frequentemente contamina nossas percepções. Por isso, é necessário que o professor esteja preparado para receber o aluno com deficiência intelectual e poder auxiliar os pais, como forma de parceria, no Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 99 desenvolvimento escolar do aluno em questão. Uma das maneiras é proporcionar uma conversa com o aluno e sua família, explicando o que tem a oferecer e ter retorno do que o aluno já vivenciou, definindo as contribuições que podem oferecer para o desenvolvimento do aluno com deficiência intelectual. Faz-se necessário, também, que a escola, sensibilize e oriente os pais para que possam ser inseridos no processo educativo do aluno com deficiência intelectual, pois, segundo Picchi (2002, p. 95), além de serem facilitadores para o bom desenvolvimento do aluno, são os que conhecem melhor e serão, com certeza, os primeiros beneficiados em relação a sua independência e melhoria no convívio familiar. Assim, os pais assumirão o papel de corresponsáveis no processo de inclusão do filho com deficiência intelectual. Quando a escola assumir a competência de orientar e apoiar a família do aluno, poderá almejar um trabalho conjunto, que poderá surgir através da mudança de postura do próprio aluno e da aproximação da família. Diante do exposto, é muito importante que o professor conheça as implicações da percepção, bem como a existência e as consequências dos interesses, preconceitos, atitudes, esquemas sociais e cultura que constantemente influenciam nossas percepções e cognições. Só assim será possível um julgamento mais objetivo e menos tendencioso dos outros sem distorções grosseiras da realidade. Estudos de Teles (2010) sobre a inclusão de alunos com deficiência intelectual mostraram que para os educadores, a educação é entendida como um esforço coletivo de construção de conhecimento dentro do espaço formal chamado escola, e que essa construção exige a constante intervenção na zona de desenvolvimento proximal de seus alunos, pois os professores são os mediadores das práticaspedagógicas que podem contribuir ou não para o processo de aprendizagem de alunos. A mesma pesquisadora lembra que este professor também está num constante processo de aprendizagem e que as relações estabelecidas na escola também geram nele novas zonas de desenvolvimento proximal, seja pelas Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 100 interações em sala de aula com os alunos, seja pela interação com outros professores em trocas de experiências, seja pela formação continuada. Para o professor, o conhecimento continua sendo um construto realizado na coletividade. Neste estudo ela percebeu nas falas das professoras que o conceito de desenvolvimento e progressão da escolarização dos alunos pauta-se numa ideologia dominante produzida por um sistema capitalista liberal que entende a igualdade de oportunidades como algo que cabe ao talento individual à ascensão tanto no âmbito educacional como social justificando a permanência das desigualdades de oportunidade e a continuação da exploração das classes menos favorecidas e daqueles que por algum motivo não possuem as mesmas condições de desenvolvimento. A situação econômica e a posição social da família é apontada como um fator causador das diferentes dificuldades dos processos de aprendizagem. Em parte, concordamos com Teles (2010), quando infere que o ideário da escola obrigatória e gratuita que transformaria a sociedade dando condições para que todos tivessem as mesmas oportunidades, diminuindo as desigualdades sociais e a exploração da classe menos favorecida, ainda está para acontecer, pois a escola ainda está se constituindo enquanto um espaço democrático, mas o importante é que ela está caminhando. É verdade que boa parte dos professores ainda se encontra num momento de transição entre práticas de exclusão e práticas de inclusão no contexto escolar possibilitada pela atuação pedagógica em sala de aula inclusiva e também é verdade que por meios das políticas públicas de inclusão, dos cursos de formação continuada e capacitações como esta ele está conseguindo alcançar novos conhecimentos para subsidiar um novo fazer pedagógico. A prática pedagógica se constitui enquanto processo de formação continuada, pois possibilita ao professor confrontar suas angústias, dúvidas com suas certezas e fazeres, levando a reflexão e construção de novas práticas (TELES, 2010). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 101 Focando novamente a família, esta exerce um papel fundamental, na medida em que propicia o crescimento e desenvolvimento dessas crianças através de um ambiente estimulador e de interações e relações saudáveis. Segundo Kreppner (1992 apud DESSEN; SILVA, 2000), a família exerce este papel, principalmente, por meio de sua rede de relações sociais. A família constitui o primeiro universo de relações sociais da criança e “[...] representa, talvez, a forma de relação mais complexa e de ação mais profunda sobre a personalidade humana, dada a enorme carga emocional das relações entre seus membros” (REY; MARTINEZ, 1989, p. 143 apud DESSEN; SILVA, 2000). A complexa rede de relações familiares apresenta características específicas de unicidade e complexidade, constituindo um contexto em desenvolvimento. Portanto, essa gama de interações e relações desenvolvidas no microuniverso da família mostra que o desenvolvimento do indivíduo não pode ser isolado do desenvolvimento da família (DESSEN; LEWIS, 1998). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 102 UNIDADE 13 - ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE E A AVALIAÇÃO No contexto da inclusão escolar defende-se a matrícula preferencial de todos os alunos na rede regular de ensino. Para tanto, assegura-se o atendimento preferencial nas classes comuns e a oferta de serviços de atendimento educacional especializado (AEE). Segundo a Resolução nº 4 de 2 de outubro de 2009, que instituiu as Diretrizes Operacionais para a Educação Especial, o AEE pode ser caracterizado enquanto um serviço educacional que tem como função: Complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem (BRASIL, 2009). O AEE na proposta da inclusão escolar é importante para garantir o desenvolvimento dos alunos tanto nos espaços de atendimento especializado como nos espaços da classe comum da escola regular. Ainda com relação à organização do AEE, segundo o art. 5º, ela é proposta da seguinte maneira: O AEE é realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola, de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, também, em centro de atendimento educacional especializado da rede pública ou de instituição privada, sem fins lucrativos, conveniada com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente (BRASIL, 2009). A Educação Especial (para toda sorte de deficiênciaa, altas habilidades, superdotados e alunos com transtornos globais de desenvolvimento), enquanto área de conhecimento e provisão de serviços, adquire um papel fundamental na medida em que possibilita que a diversidade do alunado seja contemplada com a oferta de recursos e materiais pedagógicos que permitam que todos os alunos tenham iguais oportunidades na escola, garantindo a aprendizagem e o desenvolvimento. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 103 A garantia do AEE é importante na medida em que existe o reconhecimento político das diferenças, sendo este um aspecto fundamental para garantir o acesso, a permanência e o sucesso do aluno dentro da escola. Por outro lado, fica a questão de como será feito a identificação deste alunado. No campo da Educação Especial temos a considerar que o processo de identificação é fundamental para embasar as decisões a serem tomadas, para definir elegibilidade aos serviços educacionais, além das demandas de atendimento, organização de recursos humanos, manejo de sala de aula, organização curricular etc. (SALVIA; YSSELDYKE; BOLT, 2010 apud VELTRONE; MENDES, 2011). Na política da inclusão escolar, a identificação de uma condição de deficiência deve ser voltada para propósitos educacionais, para a identificação das necessidades educacionais especiais. É necessário identificar para definir elegibilidade aos serviços e apoios pedagógicos adequados (BRASIL, 2001, p. 48). Mais do que um processo de diagnóstico clínico, é um processo de avaliação pedagógica, que considera o desenvolvimento das relações de ensino- aprendizagem, o nível de desenvolvimento e condições pessoais do alunado, contexto educacional, instituição educacional, ação pedagógica e características do ambiente e convívio familiar (BRASIL, 2006). A avaliação pedagógica com o objetivo de identificar as necessidadeseducacionais especiais deve ser feita por aqueles que atuam diretamente com os alunos, uma equipe a ser formada no âmbito da escola (BRASIL, 2001). No caso da rede pública do estado de São Paulo, por exemplo, a decisão de encaminhar um aluno aos serviços de apoio especializado passou a ser de responsabilidade da equipe pedagógica da unidade escolar a qual o aluno está matriculado. Esta equipe pode ser composta pelo professor da classe comum, professor da Educação Especial, professor coordenador, assistente técnico pedagógico de Educação Especial e do Ensino Fundamental e supervisor de ensino, e devem ser envolvidos também os pais e os profissionais da área da saúde que prestam atendimento ao referido aluno (SÃO PAULO, 2002). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 104 Os documentos legais e oficiais reconhecem a importância da avaliação pedagógica ser realizada pelos próprios profissionais da escola, mas, por outro lado, também identificam que este é um processo recentemente novo e que nesta fase de transição é preciso considerar a ajuda dos profissionais do campo da Educação Especial na avaliação. Na medida em que a equipe da escola puder realizar sozinha a identificação das necessidades educacionais dos seus alunos, a Educação Especial deve contribuir como assessoramento especializado (BRASIL, 2006). Portanto, na avaliação para a identificação das necessidades educacionais especiais e provimento dos apoios ainda é recomendada a equipe multiprofissional, composta de profissionais de diversos campos de conhecimento (BRASIL, 2001). Salvia, Ysseldyke e Bolt (2010 apud VELTRONE; MENDES, 2011) também ressaltam que os resultados de uma avaliação e seus objetivos não devem focar somente nas características do estudante, mas sim em como estas características interagem no ambiente no qual o sujeito se encontra. Além disso, a avaliação pedagógica deve possibilitar que se identifiquem mudanças a serem feitas e também avaliar os resultados das mudanças feitas para os estudantes. A deficiência intelectual deve ser compreendida enquanto a interação entre uma pessoa com funcionamento intelectual limitado e seu ambiente. Por estar guiada por uma orientação funcional da condição de deficiência, existe um forte compromisso da necessidade de classificação baseada na intensidade dos apoios necessários. A premissa básica é a de que, com os apoios individualizados certos, a pessoa geralmente vai melhorar a maneira como funciona na vida cotidiana. Cirilo (2008) ressalta ainda que não é possível pensar a terminologia e conceituação da deficiência intelectual sem situá-la no contexto social e cultural imediato no qual se encontra. A autora discute ainda que no campo de conhecimento e mesmo prático não é possível estabelecer uma unanimidade do que seja a deficiência intelectual, e isto ocorre no campo da medicina, psicologia e pedagogia. Estudos sobre a temática são sempre importantes de serem desenvolvidos para se compreender como estas mudanças vêm sendo interpretadas para que possamos avançar nas discussões e compreensões sobre a deficiência intelectual. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 105 Considerando a perspectiva de garantir a permanência do aluno na classe comum, a identificação dos alunos com deficiência intelectual se faz necessária para o encaminhamento aos serviços educacionais especializados (AEE). Além disso, tendo em vista o número expressivo de alunos identificados na condição de deficiência intelectual nas estatísticas oficiais (BRASIL, 2006) e as dificuldades atreladas ao processo de como tal aluno pode ser identificado, parece importante questionar como e por quem estes alunos estão sendo identificados. A legislação assegura a formação de professores especializados e capacitados (BRASIL, 2001). Aos professores especializados caberia, especialmente, identificar as necessidades educacionais especiais e trabalhar em colaboração com professores de sala comum para definir e implementar as flexibilizações pedagógicas e adaptações curriculares. É importante que a legislação assegure o profissional especializado, principalmente quando defende a importância da Educação Especial enquanto modalidade de Educação que deve ser trabalhada junto com a educação regular, para proporcionar níveis máximos de aprendizagem e desenvolvimento para todos os alunos. A capacitação do profissional é um dos caminhos para identificação da deficiência intelectual, portanto, que estejam envolvidos profissionais que tenham formação adequada para atuar na avaliação e provisão do atendimento educacional para os alunos com deficiência intelectual. Inclusive a delimitação e critérios mínimos para a formação desta equipe deveria ser um aspecto considerado. Os procedimentos geralmente utilizados na identificação da deficiência intelectual são variados, indo ao encontro da própria composição das equipes. Geralmente começa-se com a entrevista com a família, em seguida ou concomitantemente, um diagnóstico multidisciplinar. Os testes de QI são indicados para propósitos específicos e considerando-se o contexto imediato no qual se encontra o sujeito, e os seus resultados devem ser utilizados para ações práticas (NORONHA; PRIMI; ALCHIERI, 2005; BERGERON; FLOYD; SHANDS, 2008; HAMES, 2008; POLLOWAY, 2009 apud VELTRONE; MENDES, 2011). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 106 A avaliação pedagógica também pode ser utilizada, geralmente para identificar o perfil do aluno. Na escola regular, a busca pela identificação acaba sendo feita prioritariamente com os alunos que não acompanham as exigências escolares, o que justifica a avaliação pedagógica (VELTRONE; MENDES, 2009). Mesmo considerando a complexidade que envolve a deficiência intelectual e a impossibilidade de defini-la sem considerar seu contexto cultural, social e educacional imediato, os pesquisadores acima consideram que a composição da equipe para a identificação destes alunos, bem como os procedimentos utilizados, necessitam de critérios mínimos, para não cairmos no risco da transformação em um processo aleatório e subjetivo, rotulando arbitrariamente os alunos como deficientes intelectuais. Enfim, na proposta da inclusão escolar, a discriminação positiva se faz necessária para que os alunos tenham melhores oportunidades educacionais. A identificação da deficiência intelectual é muito importante para que possamos organizar o atendimento educacional destes alunos, oportunizando o desenvolvimento de práticas e serviços educacionais especializados mais adequados às suas necessidades (VELTRONE; MENDES, 2011). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 107 UNIDADE 14 - ATIVIDADES FÍSICAS E FATORES DE RISCO DE DOENÇAS As pesquisas e os noticiários nos mostram todos os dias que as atividades físicas são importantes para uma vida saudável. Para a maioria da população, os benefícios de uma prática desportiva regular, são unanimemente reconhecidos,quer seja uma criança, adolescente, adulto ou idoso. No entanto, e no que se refere à população com deficiência, a sensibilização para as vantagens advindas da prática de atividade física, surgiu ainda que muito recente, fruto da lenta, mas progressiva evolução que este fenômeno tem assistido (CARVALHO; FARKAS, 2005). A população com deficiência intelectual é muitas vezes caracterizada por ter um estilo de vida sedentário onde a falta de atividade física, a dieta rica em gordura e a má condição física têm sido referenciados em diversos estudos (DRAHEIM; WILLIAMS; MCCUBBIN, 2002; EMERSON, 2005; FREY, 2004; HAMILTON et al., 2007; TEMPLE & STANISH, 2008 apud SOUSA, 2010) como fatores influentes que marcam o aumento do risco de desenvolvimento de várias doenças. Os objetivos dos programas de promoção da saúde para pessoas com deficiência, segundo alguns autores, ajudam a reduzir condições secundárias e ajudam a manter a independência funcional proporcionando oportunidades de lazer e prazer com fim a uma melhor qualidade de vida (CARMELI, et al. 2009; CHANIAS et al. 1998; CLUPHF et al.; 2001 apud SOUSA, 2010). Os indivíduos com deficiência intelectual estão em risco de mortalidade e morbidade por doenças crônicas incluindo as doenças cardiovasculares. Vários estudos têm mostrado altas taxas de obesidade neste tipo de população (EMERSON; 2005; HARRIS et al., 2003; OWENS, 2003; RIMMER; WANG, 2005; RUBIN et al., 1998; YAMAKI, 2005 apud SOUSA, 2010). Para vários autores, existe uma relação direta entre inatividade física e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Neste sentido, a prática de atividade física regular desempenha um papel fundamental na Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 108 prevenção primária e secundária das doenças cardiovasculares (MOSS, 2009; PETERSON et al. 2008; SIT et al. 2008; STANISH; FREY; 2008 apud SOUSA, 2010). A revisão de literatura promovida por Sousa (2010) mostra que a prática de atividade física regular para a pessoa deficiente como meio de reabilitação e integração, contribui para a aceitação das suas limitações: valoriza e divulga as suas capacidades físicas, ajudando-o a relativizar as suas incapacidades; reforça a sua autoestima, dando-lhe qualidade de vida; possibilita condições consideradas necessárias para a alteração da sua visão perante a vida; intensifica a vontade para a ação; disponibilidade para se aproximar dos outros, para comunicar, para conviver; combate eficazmente atitudes pessimistas e facilita a mediatização das suas capacidades, refletindo sobre as suas capacidades em desfavor das limitações (ALVES, 2000). Segundo Auxter e Huetting (s.d apud SOUSA, 2010), a utilização de técnicas e estratégias de ensino mais apropriadas às necessidades dos indivíduos com Dl, conduz a uma maior participação e motivação para a prática desportiva, tais como: 11. Pesar as diferenças individuais quando se selecionam as atividades; 12. Apurar as atividades de acordo com as necessidades da pessoa com Dl; 13. Escolher atividades para conhecer o grau de interesse da pessoa; 14. Não menosprezar a capacidade desta população, pois existe uma propensão para designar metas muito baixas para este tipo de população; 15. Selecionar atividades sensório-perceptivo-motoras para impulsionar um desenvolvimento específico e geral dos jovens, e incrementar competências recreacionais nos mais velhos, possibilitando a integração social; Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 109 16. Organizar o envolvimento no qual a atividade está incluída, tornando-a num desafio para o indivíduo favorecendo sempre o êxito; 17. Analisar as tarefas abrangidas na atividade para ter a certeza de que as componentes fundamentais à evolução no domínio da atividade são executadas com sucesso; 18. Criar um envolvimento de jogo seguro; 19. Ser tolerante com os curtos e demorados ganhos, e mais ainda com as pessoas; 20. Proporcionar um vasto leque de atividades que tenham significado social e recreacional para a vida adulta. Para Fonseca (2002), a caracterização psicomotora do deficiente intelectual reduz-se a seis aspectos importantes: 1. Os elementos de desempenho são menos precisos e mais lentos, donde decorrem problemas de expressão e de processamento, que ao nível da psicomotricidade se expressam por dismetrias, dissincronias e dispraxias; 2. Na Dl, em geral, aparecem dificuldades para utilizar as componentes de execução e de performance, devido à disfunção na formulação de estratégias e no entendimento dos atributos necessários à solução dos novos e diferentes problemas; 3. Os déficits no desempenho cognitivo dependem da adaptabilidade dos contextos, bem como às características dos indivíduos com Dl; 4. O indivíduo com Dl parece manifestar dificuldades em tarefas não familiares que exijam o recurso às metacomponentes, devido a dificuldades de planificação e execução da decisão, frequentemente caracterizada por falta de flexibilidade. Tal ausência de plasticidade revela uma certa inércia psicomotora para produzir respostas a novos problemas e novas situações, daí que a decisão psicomotora seja restritiva na maioria dos casos; 5. As metacomponentes de inteligência, como a identificação, seleção e a organização de dados do problema, a estratégia unificada e sistemática de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 110 resolução e representação mental da informação, a focagem de atenção, o processamento de recursos de memória, monitorização da solução, a integração dos feedbacks da performance, entre outros, são estimulados inadequadamente, daí a diminuição da interconexão entre as componentes do ato mental; 6. Na Dl as componentes do processamento de informação e os fatores psicomotores parecem estar menos livres e menos alcançáveis, daí o surgimento da noção de disfunção na percepção de relações e disfunção sistêmica nos fatores psicomotores de tonicidade, de equilíbrio, de lateralidade, entre outros. Enfim, sabendo que existe uma relação entre os benefícios dos exercícios físicos sobre os fatores de risco de doenças cardiovasculares (obesidade, hipertensão arterial, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) e sabendo que os indivíduos com Dl se caracterizam por ter baixos níveis de condição física e pouca participação em atividades desportivas, é importante e fundamental que se criem condições para que estes possam desenvolver a sua condição física e melhorar o seu estado de saúde (SOUSA, 2010). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 111 UNIDADE 15 - A TERMINALIDADE ESPECÍFICA E A INSERÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO 9.1 Terminalidade específica No atendimento a alunos cujas necessidades educacionais especiais estão associadas a grave deficiência mental ou múltipla, a necessidade de apoios e ajudas intensos e contínuos, bem como de adaptaçõescurriculares significativas, não deve significar uma escolarização sem horizonte definido, seja em termos de tempo ou em termos de competências e habilidades desenvolvidas. As escolas, portanto, devem adotar procedimentos de avaliação pedagógica, certificação e encaminhamento para alternativas educacionais que concorram para ampliar as possibilidades de inclusão social e produtiva dessa pessoa. Quando os alunos com necessidades educacionais especiais, ainda que com os apoios e adaptações necessários, não alcançarem os resultados de escolarização previstos no Artigo 32,1 da LDBEN: “o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo” - e uma vez esgotadas as possibilidades apontadas nos Artigos 24, 26 e 32 da LDBEN - as escolas devem fornecer-lhes uma certificação de conclusão de escolaridade, denominada terminalidade específica. Então, por definição, Terminalidade específica é uma certificação de conclusão de escolaridade – fundamentada em avaliação pedagógica – com histórico escolar que apresente, de forma descritiva, as habilidades e competências atingidas pelos educandos com grave deficiência mental ou múltipla. É o caso dos alunos cujas necessidades educacionais especiais não lhes possibilitaram alcançar o nível de conhecimento exigido para a conclusão do ensino fundamental, respeitada a legislação existente, e de acordo como regimento e o projeto pedagógico da escola. O teor da referida certificação de escolaridade deve possibilitar novas alternativas educacionais, tais como o encaminhamento para cursos de educação de Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 112 jovens e adultos e de educação profissional, bem como a inserção no mundo do trabalho, seja ele competitivo ou protegido. Cabe aos respectivos sistemas de ensino normatizar sobre a idade-limite para a conclusão do ensino fundamental (BRASIL, 2001). 9.2 Inserção de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho Sabemos que a DI deve ser considerada quando as limitações do indivíduo afetam as habilidades para responder às demandas do ambiente físico e social, mas essa visão ou dimensão não deve bastar, ou seja, devemos considerar os fatores psicológicos, emocionais, ambientais, físicos, etiológicos e de saúde fundamentais para o diagnóstico da deficiência intelectual e para que este seja considerado limitação. Desse modo, considerando todos os fatores, as pessoas com deficiência podem ser capacitadas e integradas ao mercado de trabalho a partir de um treinamento especializado, que respeite suas limitações físicas, visuais, auditivas ou mentais (CARREIRA, 1992). O mesmo pode ser considerado para Pessoas com Deficiência Intelectual (PDI), apesar da crença de que a limitação lógico-racional os impede de exercer atividades laborais (CARREIRA 1992). Apesar das barreiras à sua empregabilidade, como educação e profissionalização precárias (PASTORE, 2000; LANCILLOTTI, 2003; SASSAKI, 2003), estima-se4 que um milhão de pessoas com deficiência, 11,1% do total em idade para trabalhar, exerçam alguma atividade remunerada, e que apenas 200 mil, 2,2% do total, são empregados com registro em carteira de trabalho (IBGE apud ETHOS, 2003). Estima-se que 166 mil brasileiros, 8,3% dos dois milhões declarados portadores de deficiências, sejam PDI (IBGE apud ETHOS, 2003). Assim, aplicando 4 Os dados relativos à inclusão da pessoa com deficiência intelectual (PDI) são escassos. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 113 as porcentagens de 11,1% de pessoas com deficiência em idade de trabalhar que exercem alguma atividade remunerada e 2,2% de pessoas que trabalham registradas na CLT, supõe-se que o número de PDI com idade para trabalhar aproxime-se de 750 mil, das quais 82 mil atuam no mercado de trabalho e 16 mil com carteira assinada. É importante lembrar que essas informações não são oficiais e, sim, estimativas do cenário da força de trabalho da PDI no Brasil, a qual aparenta ser muito reduzida, apenas 4% estão trabalhando. A inserção da PDI no mercado de trabalho se deu historicamente por meio do trabalho apoiado, que surge a partir da década de 50, como extensão da Educação Especial (ARAÚJO, 2003). Hoje, no Brasil, a legislação vem sendo desenvolvida para assegurar a todo deficiente a inserção no mercado de trabalho. Assim, a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, sobre os planos e benefícios da Previdência, determina no art. 93 que: A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos, com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas na seguinte proporção: I. até 200 empregados 2% II. de 201 a 500 empregados 3% III. de 501 a 1.000 empregados 4% IV. de 1.001 em diante 5% A integração da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ocorre mediante um sistema de apoio ao trabalho constituído por atividades de educação, qualificação profissional, assistência médica, habilitação e reabilitação para o trabalho, mecanismos legais, estímulos aos empresários, subsídios aos portadores de deficiência, serviços de colocação, campanhas antidiscriminação e por instituições onde é realizado o trabalho de portadores de deficiência de forma abrigada ou, simplesmente, trabalho protegido (PASTORE, 2000). Os serviços de colocação profissional facilitam o ajuste entre a oferta e a procura de mão de obra no mercado de trabalho. No Brasil, os principais serviços de colocação são realizados por entidades ligadas a órgãos governamentais, cuja Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 114 missão é recrutar e colocar no mercado de trabalho as pessoas deficientes; por agências de emprego, empresas privadas especializadas na colocação de mão de obra; e, por entidades de e para portadores de deficiência, que reabilitam, qualificam e buscam colocar sua clientela no mercado de trabalho (PASTORE, 2000). Percebe-se a ausência de um ator importante nesse processo de inclusão, o administrador, mas o uso da linguagem empresarial, como produção, produtividade, lucro, no lugar de leis, exigências e punições, pode ser válido para aproximar a pessoa com deficiência da empresa. Nesse contexto, torna-se importante orientar a instituição responsável pela colocação em focar tal processo nas qualificações do indivíduo, nas limitações que o trabalho impõe ao perfil do cargo e, consequentemente, ao seu ocupante. Além disso, deve-se mostrar ao empresário que se trata de uma mão de obra qualificada, zelosa, disciplinada, que gosta de trabalhar e que trará vantagens econômicas para a empresa (PASTORE, 2000; CARREIRA, 1992). Quanto às técnicas utilizadas para captação de pessoas com deficiência, encontramos materiais desenvolvidos por ONGs e órgãos do governo. Para Carreira (1992), não devem ser adotadas diferenciações na seleção de pessoas deficientes. O autor entende que essa prática desqualificaria o perfil dos cargos e implicaria uma atitude discriminatória. Advoga, então, que as pessoas deficientes devem concorrer por seu mérito, em condições de igualdade, com as pessoasnão deficientes. Pastore (2000) sugere a busca de orientação nas práticas já realizadas em outros países e a formalização de parcerias com organizações voltadas para a identificação de pessoas qualificadas e de vagas que elas possam preencher no setor, ainda, em formação no Brasil. É o caso das Secretarias de Trabalho dos Estados, instituições de e para deficientes, serviços de reabilitação públicos ou privados, os quais estão tornando-se intermediadores de mão de obra. Sugere-se, também, que a empresa recorra a instituições de ensino regular, técnico ou superior, para conversar com professores e identificar candidatos potenciais, ainda que se saiba ser pequeno o número de pessoas com deficiência em tais instituições. Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 115 Em 1999, o Sistema Nacional de Emprego do Rio Grande do Sul (SINE/RS) organizou o Manual das Ocupações Compatíveis à Condição de Pessoas Portadoras de Deficiência, com o objetivo de disponibilizar ao setor privado relações de cargos compatíveis com a condição, ou limitação, da pessoa com deficiência. Segundo o manual, as PDI são aquelas que, através de treinamento específico, podem desempenhar atividades, mas adaptam-se melhor, na maioria dos casos, como auxiliar. (SINE/RS, 1999, p. 20). Neste sentido, relaciona sessenta e seis ocupações compatíveis a PDI. Vale a pena conferir. Em 2002, o Instituto ETHOS publicou o manual “O que as empresas podem fazer pela inclusão de pessoas com deficiência”, propondo a aproximação das empresas e entidades que fornecem consultoria para a captação de pessoas deficientes. Essas entidades facilitam o processo na medida em que realizam o primeiro contato com a pessoa com deficiência, avaliam o potencial e as habilidades que podem ser desenvolvidas por essa pessoa. Enfim, tais instituições se responsabilizam por indicar, encaminhar e substituir um profissional deficiente, quando for o caso. Para que o processo de inclusão seja válido e duradouro, o manual indica a elaboração de um programa estruturado de recrutamento, seleção, contratação e desenvolvimento de pessoas com deficiência. Embora seja uma escolha mais complexa e custosa, tem um retorno sólido em longo prazo. Em 2003, Nambu elaborou o Guia prático para profissionais de recursos humanos, sendo apoiada pela Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), vinculada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), e pela Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado do Brasil (SORRI/ BRASIL). Esse manual procura esclarecer as principais dúvidas sobre as pessoas com deficiência e sua captação (NAMBU, 2003). Apresenta informações mais estruturadas e adaptadas à linguagem dos administradores, mas não apresenta a estrutura de um plano de captação, nem técnicas e procedimentos específicos. Sobre o recrutamento, o manual orienta, como nas outras fontes, a procura de instituições públicas ou privadas responsáveis pela colocação de mão de obra no Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 116 mercado. Lista seis tipos: o sistema público de emprego, o Sistema Nacional de Emprego (SINE), Organizações Não governamentais (ONGs), sites, agências de emprego e núcleo de informações sobre deficiência do Sistema Nacional de Informações sobre Deficiência. Esclarece que não é uma ação discriminatória a empresa fazer anúncios de empregos direcionados para deficientes, uma vez que o decreto nº 3.298/99 está em vigor (NAMBU, 2003). O manual recomenda em relação às PDI o contato com organizações pelas quais elas tenham passado. Entende que é a melhor forma de avaliá-las, pois tais organizações têm maiores informações acerca da pessoa, suas capacidades, habilidades e limitações (NAMBU, 2003). Quanto aos testes psicológicos, sugere que devam ser definidos e aplicados com bom senso. A escolha da ferramenta deve levar em consideração as limitações da deficiência para que o candidato não seja prejudicado. As dinâmicas devem reunir ambos os candidatos, deficientes e não deficientes, e deve-se verificar se nas atividades há tarefas que envolvam as limitações relacionadas a determinadas deficiências (NAMBU, 2003). Por fim, o manual aborda questões acerca da contratação, enfatiza a igualdade entre os contratos de pessoas deficientes e não deficientes e, também, atenta para a caracterização da deficiência, o que viabilizará a identificação dos cargos ocupados por pessoas deficientes, que deve ser realizada mediante laudo emitido pelo médico do trabalho, conforme disposto no Art. 4º do Decreto nº 3.298/99 (NAMBU, 2003). Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: ouvidoria@institutoprominas.com.br ou diretoria@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horários de Atendimento: manhã - 08:00 as 12:00 horas / tarde - 13:12 as 18:00 horas 117 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BÁSICAS BATISTA, Cristina Abranches Mota; MANTOAN, Maria Teresa Egler. Educação inclusiva: atendimento educacional especializado para a deficiência mental. 2 ed. Brasília: MEC, SEESP, 2006. BRASIL. MEC. NOTA TÉCNICA – SEESP/GAB/Nº 11/2010. 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