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Hemorragia Digestiva Alta e Baixa; Bridas, hérnias internas e externas e neoplasia TGI INTRODUÇÃO ❖ A hemorragia gastrointestinal (GI) aguda pode ter origem de qualquer seguimento do TGI (incluindo pâncreas, fígado e árvore biliar) e o sangramento pode variar de leve a maciço. ❖ O acometimento aumenta com a idade, e é levemente mais comum em homens. É uma complicação comum em pacientes hospitalizados por outras doenças, principalmente pacientes cirúrgicos. ❖ A maioria dos pacientes tem parada espontânea do sangramento. Entretanto, 15% dos casos o sangramento é persistente e leva ao tratamento de emergência. ❖ É classificada em geral com base na sua localização com relação ao ligamento de Treitz (suspensor do duodeno, que se estende desde o orifício esofágico do diafragma até a junção duodeno-jejunal). o A HGA proximal ao ligamento de Treitz é responsável por mais de 80% dos casos de sangramento agudo. A doença ulcerosa péptica e a hemorragia varicosa são as causas mais comuns. o A maioria das HGB ocorre no cólon e tem como origem os divertículos e as angiodisplasias, sendo considerados responsáveis pela maioria dos casos. o O sangramento obscuro é definido como uma hemorragia que persiste ou que recorre após uma endoscopia negativa ABORDAGEM DO PACIENTE AVALIAÇÃO INICIAL ❖ A constatação de que a via aérea está pérvia para propiciar a respiração do paciente representa a prioridade número um. Uma vez que esta é assegurada, a condição hemodinâmica do paciente torna-se a preocupação dominante e forma a base de tratamento adicional. ❖ O quadro clínico da hemorragia GI é variável da ocorrência de sangue oculto nas fezes ao exame de toque retal, até uma hemorragia exsanguinante. ❖ A reavaliação permanente das condições circulatórias do paciente determina o grau da evolução e das possíveis intervenções subsequentes. A história do sangramento, sua magnitude e frequência também devem fornecer alguma orientação. ❖ Gravidade da hemorragia: o Paciente com embotamento mental, agitação e hipotensão (pressão arterial sistólica < 90 mm Hg em decúbito dorsal) associados a extremidades frias e úmidas são achados compatíveis com choque hemorrágico e sugerem uma perda de mais de 40% do volume sanguíneo do paciente. o Uma frequência cardíaca em repouso de 100 batimentos/min, com uma pressão de pulso diminuída, implica uma perda de volume de 20 a 40%. Assim como queda na pressão de mais de 10 mmHg ou uma elevação do pulso de mais de 20 batimentos por minuto. o Em pacientes sem choque, alterações posturais devem ser obtidas, permitindo ao paciente sentar-se com suas pernas balançando, por 5 minutos. REPOSIÇÃO ❖ Quanto mais grave for o sangramento, mais vigorosa deve ser a reposição. Em pacientes com evidência de instabilidade hemodinâmica ou nos quais o sangramento contínuo é suspeito, dois acessos venosos calibrosos devem ser colocados, preferencialmente na fossa antecubital. o Os pacientes instáveis recebem um bólus de 2L de solução cristaloide, em geral Ringer Lactato. o O sangue é enviado imediatamente para a tipagem e para a realização de provas cruzadas, hematócrito, contagem de plaquetas, perfil de coagulação, bioquímica de rotina e provas de função hepática. o Um cateter de Foley também deve ser inserido na bexiga para avaliação da perfusão de órgãos. HISTÓRIA E EXAME FÍSICO ❖ Tempo e o início, o volume e a frequência são importantes. ❖ Hematêmase, melena e hematoquezia são as manifestações mais comuns da hemorragia aguda. o Hematêmese é mais comum na HGA, pode ser vermelho-rutilante ou mais escuro, aspecto borra de café. o Melena é a evacuação de fezes negras com odor desagradável, geralmente sinal sugestivo de HGA. ❖ A perda crônica de sangue pode levar a sintomas de órgãos terminais não GI, tais como síncope, angina e, até mesmo, IAM. ❖ A história de vômitos pode ser sugestiva de laceração de Mallory-Weiss, enquanto a perda de peso levanta suspeitas sobre um espectro de doenças malignas. ❖ Angiodisplasias, divertículos, colite isquêmica e câncer são mais comuns em pacientes idosos. Pacientes mais jovens têm sangramento por úlcera péptica, varizes e divertículo de Meckel. ❖ Antecedentes de doença GI, sangramento ou operação prévia devem começar imediatamente a enfocar um diagnóstico diferencial. Uma história de ingestão de salicilatos, de drogas anti-inflamatórias não esteroides e/ou de inibidores seletivos da receptação de serotonina (ISRSs) é comum, principalmente em pacientes idosos. ❖ O exame físico também pode ser revelador. o A orofaringe e o nariz podem, ocasionalmente, simular sintomas de uma origem mais distal e sempre devem ser examinados. Somente em alguns casos, o exame abdominal é útil, mas é importante para excluir a ocorrência de tumorações, esplenomegalia e adenopatia. o A sensibilidade na região epigástrica é sugestiva, mas não diagnóstica, de ulceração péptica ou de gastrite. o Os sinais característicos da doença hepática, incluindo icterícia, ascite, eritema palmar e cabeça de medusa, periumbilical podem ser sugestivos de sangramento relacionado com varizes esofagianas, embora esses pacientes possam apresentar sangramento de outras fontes. o Eventualmente, o exame físico pode revelar indícios que apontem para diagnósticos mais obscuros, tais como telangiectasia da doença de Osler-Weber-Rendu ou lesões pigmentadas da mucosa oral na síndrome de Peutz-Jeghers. o Um exame retal e a anuscopia devem ser realizados para excluir um câncer retal baixo ou sangramentos por hemorroidas. ALGORITMO PARA DIAGNÓSTICO DE HEMORRAGIA GASTROINTESTINAL AGUDA ❖ Embora a melena tenha geralmente origem no trato GI superior, pode ser o resultado de sangramento do intestino delgado ou cólon. Do mesmo modo, a hematoquezia é, algumas vezes, consequência de um sangramento GI alto súbito. Uma abordagem para distinguir essas possibilidades é a introdução de uma sonda nasogástrica (SNG) e o exame do líquido aspirado. Embora a hematêmese em geral seja diagnóstica de sangramento GI alto, a sonda ainda é útil para avaliar o volume de sangramento ativo e para remover o sangue do estômago para facilitar a endoscopia. Se o líquido aspirado for positivo, haverá uma localização efetiva da lesão. A presença de sangue vermelho ou uma aparência de borra de café sugere uma fonte GI superior. A pesquisa de sangue oculto raramente é necessária. A presença de bile em um aspirado gástrico é sugestiva de que o conteúdo do duodeno tenha sido incluído na coleta. Embora uma aspiração gástrica não sanguinolenta e biliosa geralmente exclua uma origem no trato GI alto, esses achados podem, ocasionalmente, ser enganosos. ❖ A endoscopia nestas circunstâncias é altamente positiva para identificar uma lesão GI alta e, se negativa, para direcionar a atenção para uma fonte GI baixa. Para maximizar a eficácia, a endoscopia precoce deve ser realizada dentro das primeiras 24 horas, mesmo em pacientes estáveis ❖ A angiografia ou, até mesmo, a intervenção cirúrgica, podem mostrar-se necessárias em casos de hemorragia volumosa, no trato GI alto ou baixo. Para o sangramento lento ou intermitente do trato GI baixo, atualmente a colonoscopia é o procedimento diagnóstico inicial de escolha. Para sangramentos obscuros, em geral provenientes do intestino delgado, a endoscopia com cápsula endoscópica está se tornando o exame mais adequado. TRATAMENTO ❖ Dependendo da origem do sangramento, estão disponíveis diferentes opções terapêuticas. Dentre elas, incluem-se modalidades farmacológicas, endoscópicas, angiográficas e cirúrgicas. As técnicas angiográficas são, de certo modo, mais genéricas e incluem a angiografia seletiva com infusão de um vasoconstritor, especificamente a vasopressina, ou a embolização.Agentes embólicos incluem materiais temporários, como esponja de gelatina (Gelfoam®; Pharmacia & Upjohn, Pfizer, Nova York) e coágulos autólogos ou dispositivos permanentes, como espirais. HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA ❖ As causas não varicosas são responsáveis por cerca de 80% deste sangramento, com a doença da úlcera péptica (DPU) sendo a mais comum. Nos 20% remanescentes dos pacientes, a maioria dos quais portadores de cirrose, a hipertensão portal pode levar ao desenvolvimento de varizes esofagogástricas, varizes gástricas isoladas ou gastropatia hipertensiva portal, e qualquer uma delas pode ser a origem de um sangramento GI agudo alto. ❖ A base para o diagnóstico e tratamento de pacientes com um sangramento GI é a endoscopia. A lavagem do estômago com solução salina normal em temperatura ambiente antes do procedimento pode ser útil. Evidências recentes têm sugerido que uma injeção em bólus único de eritromicina intravenosa, que estimula o esvaziamento gástrico, possa melhorar significativamente a visualização. ❖ Doença Ulcerosa Péptica: É a causa mais frequente. Apenas 10 a 15% dos pacientes com DUP desenvolvem sangramento em algum momento. O sangramento é indicação para operação. O sangramento desenvolve-se como uma consequência da erosão da superfície mucosa pelos ácidos pépticos. Embora a perda crônica de sangue seja comum em qualquer úlcera, o significativo ocorre com o envolvimento de alguma artéria. o A terapia endoscópica é recomendada na vigência de sangramento ativo e também em casos de um vaso visível (Forrest I a IIa). Na presença de um coágulo aderente (Forrest IIb), este é removido e a lesão subjacente é avaliada. As úlceras com base limpa ou com um ponto preto, secundário à deposição de hematina, em geral, não são tratadas por via endoscópica. o Tratamento médico: Quando há confirmação de um sangramento de úlcera péptica, a utilização de IBPs (inibidores de bomba de prótons) tem mostrado a capacidade de reduzir o risco de ressangramento e a necessidade de intervenção cirúrgica. Portanto, pacientes com suspeita ou confirmação de uma úlcera sangrante devem ser submetidos ao tratamento com IBPs. o Tratamento endoscópico: Uma vez que a úlcera sangrante foi identificada, a terapia efetiva pode ser feita por via endoscópica para controlar a hemorragia. As opções endoscópicas disponíveis incluem injeção de epinefrina, sondas térmicas e coagulação, bem como a aplicação de grampos sobre o vaso responsável pelo sangramento. ● Lacerações de Mallory-Weiss: São lacerações mucosas e submucosas que ocorrem próximas à junção esofagogástrica. Essas lesões geralmente se desenvolvem em pacientes alcoólatras após um período de náuseas e vômitos intensos e seguidos de consumo excessivo de álcool, mas podem ocorrer em qualquer paciente que tem uma história de vômitos repetidos. O mecanismo proposto por Mallory e Weiss em 1929 é a contração forçada da parede abdominal contra uma cárdia não relaxada, resultando em laceração da mucosa da porção proximal da cárdia, como resultado do aumento na pressão intragástrica. Tais lesões são responsáveis por 5% a 10% dos casos de sangramento GI. Elas geralmente são diagnosticados com base na história. Frequentemente, a endoscopia é utilizada para confirmar o diagnóstico. Para evitar que a lesão passe despercebida, é importante realizar manobra de retroflexão e observar a área imediatamente abaixo da junção esofagogástrica. A maioria das lacerações ocorre ao longo da curvatura menor e, menos comumente, na curvatura maior. A terapia de suporte com frequência é suficiente, pois 90% dos episódios de sangramento são autolimitados, e a mucosa frequentemente apresenta reparação total em 72 horas. Em casos raros de sangramento ativo grave, a terapia endoscópica local com injeção ou eletrocoagulação pode ser efetiva. ● HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA ❖ A incidência de sangramento baixo, no entanto, aumenta com a idade, e sangramento GI baixo pode ser mais comum em pacientes idosos. Em mais de 95% dos pacientes com sangramento GI baixo, a fonte da hemorragia é o cólon. O intestino delgado é apenas ocasionalmente responsável e, pelo fato de essas lesões não serem tipicamente diagnosticadas com a combinação de endoscopia superior e inferior, elas serão consideradas “Hemorragia Aguda Gastrointestinal de Origem Obscura”. ❖ O sangramento GI baixo se apresenta com hematoquezia, que pode variar de sangue vermelho-brilhante até coágulos escuros. Se o sangramento for mais lento ou de uma origem mais proximal, o sangramento GI baixo frequentemente se apresentará como melena. A hemorragia do trato GI baixo tende a ser menos grave e mais intermitente, e cessa espontaneamente mais do que o sangramento GI alto. ● ● HÉRNIA ● ❖ Hérnia é derivada da palavra latina para ruptura. Uma hérnia é definida como uma protrusão anormal de um órgão ou tecido por um defeito em suas paredes circundantes. Embora uma hérnia possa ocorrer em vários locais do corpo, esses defeitos mais comumente envolvem a parede abdominal, em particular a região inguinal. As hérnias da parede abdominal ocorrem apenas em locais onde a aponeurose e a fáscia não são cobertas por músculo estriado. Esses locais incluem mais comumente as áreas inguinal, femoral e umbilical, a linha alba, a porção inferior da linha semilunar e locais de incisões anteriores. ❖ O denominado colo ou orifício de uma hérnia é localizado na camada musculoaponeurótica mais interna, enquanto o saco herniário é revestido por peritônio e faz protrusão no colo. Não existe relação consistente entre a área do defeito da hérnia e o tamanho do saco herniário. ● ● ● ❖ A hérnia é redutível quando seus conteúdos podem ser reposicionados por entre a musculatura circundante, e é irredutível ou encarcerada quando não pode ser reduzida. Uma hérnia estrangulada tem suprimento sanguíneo comprometido para seus conteúdos, o que é uma complicação grave e potencialmente fatal. Ocorre estrangulamento com mais frequência nas hérnias grandes que têm pequenos orifícios. Nessa situação, o pequeno colo da hérnia obstrui o fluxo sanguíneo arterial, a drenagem venosa, ou ambos, para os conteúdos do saco herniário. Adesões entre os conteúdos da hérnia e o revestimento peritoneal do saco podem proporcionar um ponto de acorrentamento que aprisiona os conteúdos da hérnia e predispõe à obstrução intestinal e ao estrangulamento. Um tipo pouco comum de estrangulamento é a hérnia de Richter. Nessa hérnia, uma pequena porção da parede antimesentérica do intestino é aprisionada dentro da hérnia, e pode ocorrer estrangulamento sem a presença de obstrução intestinal. ❖ Uma hérnia externa faz protrusão através de todas as camadas da parede abdominal, enquanto uma hérnia interna é uma protrusão do intestino através de um defeito na cavidade peritoneal. Uma hérnia interparietal ocorre quando o saco herniário é contido na camada musculoaponeurótica da parede abdominal. Em termos amplos, a maioria das hérnias da parede abdominal pode ser separada em hérnias inguinais e ventrais. ❖ Cerca de 75% de todas as hérnias abdominais são hérnias inguinais. Hérnias incisionais correspondem a outros 10 a 15%. Hérnias femorais e outras não usuais representam os 10 a 15% restantes. ❖ Hérnias na virilha em geral devem ser reparadas eletivamente em virtude do risco de estrangulamento, o que resulta em maior mortalidade (e possível mortalidade em pacientes mais idosos). Hérnias inguinais assintomáticas podem ser observadas em homens; se houver desenvolvimento de sintomas, elas podem ser reparadas eletivamente. O reparo pode ser realizado por incisão ou laparoscopia. Uma hérnia encarcerada ou estrangula- da de qualquer tipo requer o reparo cirúrgico de urgência. ● ● CÂNCER GÁSTRICO ● ❖ É umaneoplasia que pode se desenvolver em qualquer região do estômago, com potencial de disseminação aos linfonodos e outros órgãos. Em sua maioria, eles são adenocarcinomas. Outros tipos histológicos incluem linfoma, leiomiossarcoma, tumores neuroendócrinos e carcinomas de células escamosas; porém, estes são incomuns e não serão discutidos aqui. ❖ Epidemiologia: Existem variações epidemiológicas globais acentuadas no câncer gástrico, com maior incidência no Leste Asiático, Europa Oriental e América do Sul, em comparação com o resto do mundo. É mais comum em homens que em mulheres. A taxa de incidência anual populacional por 100,000 é de 80 homens japoneses, 30 mulheres japonesas, 18 homens britânicos, e 10 mulheres britânicas, 11 homens brancos norte-americanos, e 7 mulheres brancas norte-americanas. A incidência tem caído drasticamente na América do Norte, Austrália e Nova Zelândia desde 1930, mas a redução na Europa foi mais lenta. A American Cancer Society estima que 28,000 novos casos de câncer gástrico serão diagnosticados nos EUA em 2017. A incidência de câncer gástrico diminuiu em 4 vezes nos EUA desde 1930, fato atribuído ao melhor preparo dos alimentos. No entanto, embora o número de casos de carcinoma gástrico distal tenha caído, houve aumento acentuado dos casos de câncer da junção gastroesofágica e gástrica proximal, sobretudo entre homens brancos, por motivos ainda não totalmente claros. O câncer gástrico é duas vezes mais frequente em homens que em mulheres, e é mais comum em idosos. Atualmente, negros, hispânicos e índios norte-americanos têm duas vezes mais chances de desenvolver câncer gástrico que pessoas brancas nos EUA. ❖ Etiologia: O risco de câncer gástrico foi associado ao consumo de alimentos defumados e salgados e à falta de refrigeração. A disseminação do uso de refrigeração foi citada como uma das causas da redução da incidência de câncer gástrico nos EUA desde 1930. Diversos estudos demonstraram uma associação entre Helicobacter pylori e o câncer gástrico. O aumento da incidência de lesões na junção gastroesofágica e na cárdia sugere uma patogênese comum, diferente daquela de lesões gástricas distais, mas a causa ainda não está clara. ❖ Fisiopatologia: Diversos eventos no nível molecular foram implicados no desenvolvimento e progressão do câncer gástrico. O câncer gástrico pode envolver a perda do gene supressor tumoral, p53. Vários proto-oncogenes, como ras, c-myc e erbB2 (HER2/neu), demonstraram estar superexpressados em casos de câncer gástrico. H pylori foi associado a eventos moleculares que podem causar câncer gástrico, como um aumento nas mutações do p53. A Cancer Genome Atlas (TCGA) Research Network classificou o câncer gástrico em quatro subtipos genômicos principais. Estes subtipos apresentam características distintas e alterações moleculares: 1) tumores positivos para vírus Epstein-Barr; 2) tumores instáveis de microssatélite; 3) tumores genomicamente estáveis; 4) tumores instáveis cromossômicos. Esta classificação pode ajudar a guiar a terapia do paciente no futuro. ❖ Classificação de Lauren o Difuso (geralmente ocorre em pacientes jovens e tem prognóstico pior que o tipo intestinal) o Intestinal (geralmente ulcerativo e ocorre no estômago distal mais frequentemente que o tipo difuso) ❖ Classificação da Sociedade Japonesa de Endoscopia o Tipo I: tumores polipoides ou em forma de massa o Tipo II: tumores planos ou de superfície minimamente elevada ou deprimida o Tipo III: os tumores estão associados a uma úlcera ❖ Fatores de risco: anemia perniciosa, H. pylori e compostos N-nitrosos (nitratos). ❖ Diagnóstico: EDA. ❖ Tratamento: se doença localizada, tratar cirurgicamente, em caso de doença metastática é usada a quimioterapia podendo ou não ser associada a radiação. ● ● CÂNCER DE INTESTINO DELGADO ● ❖ Em todas as faixas etárias, os tumores do intestino delgado são raros, correspondendo a cerca de 1% a 6% de todas as neoplasias do trato gastrointestinal. ❖ Os neoplasmas benignos são um pouco mais comuns do que os malignos, e ambos estão relacionados a um diagnóstico difícil, pois determinam queixas vagas e inespecí- ficas. Por isso, sintomas e sinais como dor abdominal, episódios de oclusão intestinal, sangramento digestivo, perda de peso e massa palpável são manifestações comuns a uma grande variedade de afecções digestivas e induzem a um retardo no esclarecimento dessas lesões. ❖ Os linfoma tipo ocidental, leiomiossarcoma, adenocarcinoma são os mais comuns. ❖ Exames de laboratório, de imagem e endoscópicos podem ser úteis na propedêutica complementar, mas frequentemente não são definitivos para confirmação da hipótese diagnóstica. ❖ O princípio geral do tratamento dos blastomas malignos primários do intestino delgado é a ressecção com margens cirúrgicas livres, às vezes associada à linfadenectomia locorregional, na dependência do tipo histológico e do estadiamento cirúrgico da neoplasia. ❖ Nos casos de tumores metastáticos, a conduta é preferencialmente conservadora, reservando-se a terapêutica cirúrgica principalmente para as complicações obstrutivas e hemorrágicas. ● ● CÂNCER COLORRETAL ● ❖ Definição: Os cânceres colorretais são, em sua maioria, adenocarcinomas derivados de células epiteliais. Aproximadamente 71% dos novos cânceres colorretais surgem no cólon e 29% no reto. Os tipos menos comuns de tumores colorretais malignos são tumores carcinoides, tumores de células estromais gastrointestinais e linfomas. A idade avançada é o maior fator de risco para adenocarcinoma colorretal esporádico, com 99% dos cânceres ocorrendo em pessoas de 40 anos ou mais. ❖ Epidemiologia: O câncer colorretal é o terceiro câncer mais comum no mundo ocidental. Em todo o mundo, as taxas mais altas de incidência de câncer colorretal foram observadas na Europa, na América do Norte, na Austrália, e as mais baixas foram na África e na Ásia. ❖ Etiologia: O câncer colorretal representa uma interação complexa de fatores genéticos e ambientais. o Fatores genéticos: A maioria dos cânceres colorretais é esporádica, em vez de familiar, porém, assim como a idade, a história familiar é o fator de risco mais comum. Há um risco 2 a 3 vezes maior de câncer colorretal em pessoas com história familiar em um único parente de primeiro grau, sendo o risco maior se o câncer se desenvolver em idade jovem (<45 anos). Há um risco 3 a 4 vezes mais elevado de câncer colorretal com 2 parentes de primeiro grau afetados. As síndromes de câncer familiar bem definidas, como a polipose adenomatosa familiar (PAF) e a síndrome de Lynch, são as mais comuns e estão associadas a defeitos genéticos únicos. Entretanto, essas síndromes representam apenas cerca de 5% a 6% dos casos de câncer colorretal. o Fatores ambientais: A obesidade proporciona um risco 1.5 maior de evoluir para câncer de cólon que os indivíduos de peso normal, e também está associada a um maior risco de morte pela doença. Obesidade, ingestão de altas calorias e sedentarismo são provavelmente fatores de risco sinérgicos. A maioria dos estudos (mas não todos) sugere uma relação inversa entre consumo de fibra alimentar e risco de câncer colorretal. Estudos prospectivos grandes com longos períodos de acompanhamento mostraram que a ingestão excessiva de carne vermelha e processada está associada a um aumento do risco de câncer colorretal. ❖ Fisiopatologia: Na maioria dos casos, os cânceres colorretais surgem de pólipos adenomatosos displásicos. Há um processo de várias etapas envolvendo a inativação de uma variedade de genes supressores de tumor e de reparo do ácido desoxirribonucleico (DNA), juntamente com a ativação simultânea de oncogenes. Isso proporciona uma vantagem de crescimento seletivo para a célula epitelial colônica e desencadeia a transformaçãode epitélio colônico normal em pólipo adenomatoso e câncer colorretal invasivo. Mutações das linhas germinativas estão associadas a síndromes de câncer de cólon hereditárias bem descritas, enquanto os cânceres esporádicos surgem do acúmulo gradual de mutações genéticas somáticas. Uma única mutação das linhas germinativas no gene supressor de tumor polipose adenomatosa do cólon (APC) é responsável pela polipose adenomatosa familiar, que é uma síndrome hereditária dominante. A expressão clínica da doença é observada quando ocorre a mutação hereditária de um alelo do APC e, em seguida, uma segunda mutação ou deleção de um segundo alelo. ❖ Tratamento: A ressecção cirúrgica do câncer colorretal localizado é a base do tratamento curativo. A cirurgia deverá ser evitada quando os riscos forem maiores que os potenciais benefícios, como quando o paciente não está em condições de saúde para se submeter a uma cirurgia de grande porte ou está em um estádio avançado da doença (estádio IV) em que a ressecção pode não fazer diferença na sobrevida ou na qualidade de vida. ● ●