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Manual de Tiro
Tecinicas de Tiros de Pistola pg.003
Segurança e Conduta Pessoal pg.095
Tecnicas de Tiro de Espingarda pg.118
Pistola Hk70m 9mm pg.147
Utilização de Armas de Fogo pg.168
Armas Especiais pg.172
Glossário pg.174
2
TÉCNICA DE TIRO DE PISTOLA
1. TIRO DE PRECISÃO
Atendendo a que, para o cumprimento da sua missão, os militares 
da GNR podem vir a utilizar armas de fogo, é de primordial 
importância ter sempre presente os elementos fundamentais em que 
se divide a técnica de tiro de pistola. Só através da conjugação dos 
seus aspectos particulares será possível atingir uma qualidade de 
desempenho que permita tirar o melhor rendimento dessa utilização. 
O mesmo é dizer que só assim é possível maximizar as hipóteses de 
efectuar tiro de uma forma eficiente e eficaz.
Para cumprir este objectivo, esta matéria deve ser abordada após a 
instrução sobre a pistola e antes da execução de tiro em carreira de 
tiro (CT). Só após confirmação de uma correcta apreensão da técnica 
de tiro é que se pode considerar a possibilidade de deslocamento à 
CT. Esta complementaridade entre a teoria e a prática permitirá ao 
militar aperceber-se de todos os pormenores relevantes que têm 
interferência no resultado do desempenho.
Para tal, e antes propriamente de passarmos à abordagem da 
técnica de tiro de pistola, convém relembrar algumas das 
especificidades deste tipo de arma. Estas características servem para 
reforçar algumas das considerações que mais adiante serão tecidas no 
âmbito da técnica de tiro com este tipo de arma. Talvez a mais 
importante decorra da sua própria natureza. Na realidade, a pistola é 
uma arma de defesa pessoal, utilizada apenas a curtas distâncias e 
onde a rapidez da acção é preponderante, tendo como características 
mais salientes as seguintes:
• Curto comprimento do cano e da própria arma;
• Falta de apoio para empunhar a arma e executar o disparo.
Destas características, resultam alguns efeitos que se torna 
necessário identificar e compreender, sendo de salientar os que têm a 
ver com:
• O curto comprimento do cano e da arma, dando origem a 
que, qualquer pequeno desvio, resulte numa maior dispersão 
sobre o alvo. Do mesmo modo, um pequeno movimento da 
3
mão pode comprometer a segurança dos restantes elementos na 
CT;
• A falta de apoio, originando uma maior fadiga no braço, o que 
acaba por resultar em erros por parte do atirador, aumentando 
também a dispersão;
• O nervosismo - factor psicológico -, provocado pelo primeiro 
contacto com uma arma muitas vezes desconhecida. O “medo” 
desta ou o facto de não se executar tiro regularmente, aliados 
aos efeitos anteriormente vistos, poderão provocar dispersões 
para além do aceitável, tanto em relação aos resultados 
pretendidos na instrução, como em termos de segurança. Este 
será um dos pormenores a acautelar, obrigando a adoptar 
algumas medidas de prevenção, as quais se podem 
consubstanciar num reforço especial dos aspectos com ela 
relacionados.
1.1 Técnica do tiro de Precisão
A técnica de tiro de precisão divide-se em 5 elementos 
fundamentais:
1. Tomar a posição;
2. Suspender a respiração;
3. Fazer a pontaria;
4. Executar o disparo;
5. Fazer o “seguimento”.
1.1.1 Tomar a posição para o atirador direito 1
A posição mais comum e a que oferece maior 
segurança é a chamada de “Método de Weaver”, cujas 
características são conforme a seguir se enunciam. 
1 Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. 
Admitem-se, contudo, algumas variações, as quais decorrem da constituição 
anatómico-fisiológica de cada militar. Não obstante, devem ser observados e 
respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o 
“tomar da posição” e para os outros elementos em que se divide a técnica de tiro de 
precisão.
4
Contudo, se um atirador tiver uma boa posição de tiro, 
já por si estabelecida, e atira bem, não vale a pena 
tentar alterá-la. Para um iniciado é conveniente 
ensinar a posição referida. Esta deve, no essencial, ser 
a mais natural possível, de forma a proporcionar 
conforto e liberdade de movimento ao atirador.
O tiro de precisão com pistola pode ser executado em 
qualquer posição, segurando a arma com as duas 
mãos. Contudo, em termos de instrução (para os 
cursos), só é considerada a posição de pé e em que a 
arma é empunhada sem qualquer espécie de apoio. 
Assim, o atirador deve tomar os procedimentos que 
dizem respeito a cada um dos itens que se seguem.
1.1.1.1 Enquadramento com o alvo
• O atirador afasta os pés e coloca-se 
exactamente em frente ao alvo como se 
o observasse “olhos nos olhos”;
• Seguidamente, faz rodar ambos os pés 
para a direita de forma a que se fosse 
traçada uma linha imaginária passando 
pelo meio dos seus pés, esta faria um 
ângulo de cerca de 40º2 com a linha do 
alvo.
2 Esta medida angular é meramente indicativa. O importante é que o militar defina 
a sua posição, a que lhe parecer mais cómoda.
5
40º
1.1.1.2 Posição dos pés, pernas e peso do corpo
• Os pés devem estar afastados 
naturalmente, tendo como referência a 
largura dos ombros;
• As pernas não devem estar flectidas nem 
rígidas;
• O peso do corpo deverá ser repartido 
igualmente pelas duas pernas, de modo a 
que o equilíbrio seja perfeito sem 
qualquer tipo de rigidez no corpo.
1.1.1.3 Posição do tronco
Após achar a posição correcta dos pés, o 
tronco deve também ser mantido numa 
posição “natural”, ou seja, não o torcer 
excessivamente pela bacia.
1.1.1.4 Posição do ombro e braço direito
• O ombro direito vai ficar mais afastado 
do alvo, de maneira a que o braço fique 
esticado e direccionado ao seu centro, 
mantendo o pulso firme;
• Para executar o tiro, o braço direito deve 
estar esticado (nunca flectido no 
cotovelo), mas com uma rigidez natural 
(para que não trema com o excesso de 
6
força) e de forma a que qualquer 
movimento ou balanço que nele ocorra 
só possa ter origem nas ancas, nos 
joelhos ou nos tornozelos e nunca no 
ombro;
• Para descanso, após cada disparo, deve 
baixar-se o braço, o qual deve ter uma 
inclinação nunca inferior a 45º3, 
levantando-o de seguida para cada 
disparo.
1.1.1.5 Empunhamento da arma na mão direita
• A mão deve ser aberta, de modo a que a 
parte posterior do punho da arma fique 
apoiada na “chave da mão” (entre o 
indicador e o polegar), ficando o punho 
apoiado entre a região hipotenar (base do 
dedo polegar) e a palma da mão.
O empunhamento deve ser o mais alto 
possível, para evitar balanços da arma;
• Os dedos médio, anelar e mínimo 
abraçam o punho, fazendo força na 
direcção do eixo da arma, ficando o 
indicador livre para actuar no gatilho. 
Esta força ajuda a controlar a reacção da 
3 Esta inclinação tem por objectivo minimizar o risco que possa ser provocado por 
um disparo negligente.
7
arma após o disparo, fazendo diminuir o 
tempo para a execução de um 2º tiro 
preciso.
O polegar pode accionar a patilha de 
segurança4, exercendo um mínimo de 
pressão sobre o local onde assenta – 
normalmente perto da parte superior do 
punho -;
• A mão direita dirige a arma para a frente, 
como que empurrando-a, enquanto a 
outra, a mão fraca, a empurra em sentido 
contrário, da frente para trás, e para 
baixo, para controlar o recuo e o salto da 
arma, permitindo uma rápida 
recuperação;• Não esquecer que qualquer força que 
seja exercida fora da direcção do eixo do 
cano poderá provocar desvios no tiro 
pelo que o eixo do cano deve ser paralelo 
à direcção do braço estendido e a mão 
não deve “quebrar pelo pulso”;
4 O mais indicado é que este movimento seja feito pelo polegar esquerdo, visto 
estar mais liberto para esta acção.
8
• A pistola deve ser segura apenas com a 
força necessária para a manter na mão - a 
força necessária para cumprimentar 
alguém -. O excesso de tensão leva à 
fadiga e a que a mão comece a tremer, 
aumentando os desvios e enervando o 
atirador, que não consegue fixar o alvo;
• Um processo simples e prático de se 
verificar se a arma está bem empunhada 
é espreitando por cima do ombro, ao 
longo do braço, e verificar se está 
perfeitamente alinhada com esse mesmo 
braço ou mão. Caso não esteja, retirar a 
pistola da mão e empunhá-la de novo, 
repetindo-se as vezes necessárias até se 
obter um empunhamento correcto.
1.1.1.6 Posição do ombro e braço esquerdo
Este ombro, vai ficar mais próximo do alvo, 
ficando o braço flectido e com o cotovelo 
junto ao peito, sendo essa flexão 
aproveitada para não só ajudar ao apoio do 
braço direito, como também para conferir 
protecção aos órgãos vitais, como o coração 
e o baço.
9
Ma Ma Bem
1.1.1.7 Posição da mão esquerda
A mão esquerda vai encaixar na arma de 
modo a cobrir com a palma da mão, a parte 
do punho da arma que se encontra 
descoberto, ficando os dedos apoiados sobre 
os da outra mão (e com o polegar esquerdo 
sobre o polegar direito).
1.1.1.8 Posição da cabeça
Deve manter-se erguida, sem estar forçada, 
por forma a ficar nivelada com a linha de 
mira, na direcção do alvo, estando a arma 
entreposta entre ambos. Qualquer posição 
que dificulte a respiração deve, 
evidentemente, ser evitada.
É importante aqui realçar que a arma deve 
ser trazida à linha de vista e não o contrário.
10
1.1.1.9 Posição em relação ao alvo
Definida a posição normal do atirador, cabe 
agora definir os procedimentos a executar 
para que cada atirador consiga adaptar esta 
posição ideal às suas características:
• Com os olhos fechados ou com a cabeça 
voltada para o lado, levantar o braço 
direito na direcção do alvo;
• Abrindo os olhos ou voltando a cabeça 
para a frente, verificar se a arma não 
“quebra pelo pulso” e se o cano está 
direccionado à esquerda ou à direita do 
centro do alvo. A arma deve estar no 
prolongamento do braço5;
• Se o cano estiver direccionado à 
esquerda do centro do alvo, mover 
ligeiramente o pé direito para trás;
5 O atirador deve “espreitar” sobre o ombro para verificar que braço e arma estão 
no mesmo enfiamento.
11
• Se o cano estiver direccionado à direita 
do centro do alvo, mover ligeiramente o 
pé direito para a frente;
• Voltar a fechar os olhos ou virar a cabeça 
e conferir se o cano está direccionado ao 
centro do alvo. Se ainda não estiver, 
repetir os procedimentos anteriores, até 
tal se conseguir, sem ter de fazer 
rotações laterais do braço ou da mão;
• Para se corrigir em elevação, apenas será 
necessário fazer o alinhamento das miras 
ao centro ou à base do centro do alvo 
(conforme a distância do atirador e 
tamanho do alvo).
12
1.1.2 “Suspender” a respiração 
Como os movimentos da caixa torácica, do estômago 
e dos ombros fazem mover consideravelmente o braço 
e mão que empunha a arma, e o que serve de apoio, 
devido à respiração durante o processo de pontaria e 
de disparo, esta deve quase cessar durante este 
período6. No sentido de não provocar um esforço 
sobre o coração e a circulação, os pulmões devem 
conter apenas uma quantidade mínima de ar.
Para o tiro de precisão, deve-se adquirir a seguinte 
técnica de respiração:
• Antes de levantar o braço, inspire e expire repetidas 
vezes, mas não tão profundamente que eleve a 
pulsação desnecessariamente;
• Ao mesmo tempo que inspira pela última vez, 
levante o braço;
• Enquanto expira parte do ar contido nos pulmões, 
aponte o mais rapidamente possível (isto é, levar o 
braço para a posição de pontaria de forma rápida);
• “Suspender” a respiração momentaneamente;
• Aproveite a pausa que ocorre entre os períodos de 
inspiração/expiração para, sem transtornar o normal 
desenrolar do ciclo respiratório, efectuar tiro;
6 Não defendemos aqui a paragem total da respiração porque isso é prejudicial à 
necessária oxigenação celular, o que, a não acontecer poderia trazer alguns 
distúrbios a nível da visão, aumentaria a sensação de cansaço e, consequentemente, 
poderia até originar a antecipação do disparo. Por esta razão, digamos que a 
respiração deve ser minimizada, quase como se existisse a sensação de que o ar 
não entra nem sai.
13
• Se não tiver disparado no período de 
aproximadamente 12 segundos, deve interromper o 
processo e recomeçar depois de uma curta pausa, 
porque, após um certo tempo a apontar, ocorrem os 
primeiros sinais de incerteza. Esses sinais indicam 
claramente que o tempo, dentro do qual se devia ter 
disparado, com certeza se esgotou. Lembre-se: 
nada de tiros em pânico ou a despachar. Nestes 
casos, deve-se libertar o gatilho, baixar o braço e 
procurar descontrair, para depois voltar à execução 
do tiro.
1.1.3 Fazer a pontaria 
Fazer a pontaria7 correcta é pôr em linha quatro 
elementos:
1. Olho do atirador;
2. Alça de mira;
3. Ponto de mira;
4. Alvo.
O perfeito alinhamento de cada um deles fará com que 
o projéctil percorra o espaço e atinja o sítio desejado, 
se não sofrer variações8 até que saia à boca do cano, 
nem se verificar a intervenção de factores externos. 
De entre estes, o mais importante diz respeito ao 
alinhamento das miras.
7 Um conceito idêntico é o de “mirada”. Entende-se por mirada a acção de fazer 
pontaria, ou seja, colocar o olho do atirador, a ranhura da alça de mira, o ponto de 
mira e o alvo, na mesma linha. Como se verifica, mirada encerra um conceito 
diferente de apontar, já que, neste último, o atirador limita-se a dirigir a arma para 
o alvo, sem fazer pontaria. É o que se passa no tiro policial, como veremos, em que 
os olhos do atirador se focam no alvo e não no aparelho de pontaria.
8 Como é óbvio, as variações aqui implícitas não têm a ver propriamente com as 
alterações sofridas pela munição e pelo projéctil, do ponto de vista Físico-Químico, 
mas antes com aquelas que são transmitidas pelos erros cometidos pelo atirador, 
tendo como consequência desvios angulares e paralelos, os quais fazem com que o 
local de impacto seja distinto do desejado.
14
Existem vários tipos de alinhamento das miras. O 
método de tiro será ditado pela precisão requerida, o 
tamanho do alvo e a distância ao mesmo. Para o tiro 
preciso e lento – o qual estamos aqui a tratar -, deve 
utilizar-se uma visão total dos elementos do aparelho 
de pontaria e alvo. Tal requer a concentração no ponto 
de mira mas também um alinhamento cuidadoso da 
alça de mira com uma zona no alvo. Este tiro torna-se 
necessário com a finalidade de ensinar o 
subconsciente a reconhecer o que é uma imagem do 
bom alinhamento das miras. Como as miras são duas 
pode surgir a pergunta: qual delas focamos? Focando 
alternadamente ponto e alça e focando um ponto 
intermédio por forma a efectuar ligeiras correcções no 
enquadramento do ponto ou da alça, mantendo ambos 
focados até se produzir o disparo. A prática de “tiro 
em seco” ajuda bastante neste processo.
Apesar de estarmos a considerar o tiro de precisão, é 
conveniente que o atirador se habitue a adquirir o mais 
rapidamente possíveluma imagem das miras 
alinhadas, uma vez que se pretende, na modalidade de 
tiro policial – como adiante veremos -, um tiro com 
maior rapidez, utilizando uma determinada zona de 
pontaria no alvo, a qual pode ser definida pelo próprio 
atirador ou por quem estiver a dirigir o tiro. Portanto, 
não se aponta a um ponto definido mas a uma 
zona/área, visto ser impossível parar a arma. Na 
prática, esta área corresponde ao que se pode 
denominar como “zona de movimento mínimo” 
(ZMM) sendo nessa condição que deve ocorrer o 
disparo. Efectivamente, é um erro tentar parar 
completamente a arma pois tal não é possível, 
contudo, se mantivermos as miras bem alinhadas e 
centradas, os erros que eventualmente possam surgir 
15
serão erros paralelos, bem mais fáceis de resolver que 
os erros angulares9.
Independentemente das formas que o ponto de mira e 
a ranhura da alça de mira possam ter, o atirador deve 
preocupar-se com o seu correcto alinhamento, 
evitando assim o defeito de ter a boca do cano a 
apontar para o chão, por centrar a sua atenção em 
focar o alvo.
Para o tipo de alças e pontos 
de mira mais frequentes, o 
alinhamento correcto 
corresponde à imagem que se 
pode ver ao lado. O topo do 
ponto de mira encontra-se 
alinhado com o topo da alça, 
sendo que o espaço entre 
ambos - as “janelas” - devem ser iguais (quando não 
aparecem os já referidos erros angulares).
Ora, como é impossível à vista humana focar dois 
objectos a distâncias diferentes, o atirador tem de 
efectuar um movimento constante entre o alinhamento 
das miras e o alvo10. Se o aparelho de pontaria não 
está nítido isso é sinal de que os olhos estão focados 
sobre o alvo, o que o mesmo é dizer que o atirador 
está a focar por cima das miras em vez de através 
delas. Se, ao contrário, o alvo estiver desfocado e o 
aparelho de pontaria estiver nítido quer dizer que o 
atirador está a proceder correctamente.
À medida que o atirador, após tirar a folga ao gatilho, 
o vai pressionando a sua atenção vai-se 
progressivamente concentrando no alinhamento das 
miras e não no alvo, devendo ter uma visão nítida 
9 Para ver a definição de erros angulares e paralelos, consultar o n.º 5.2
10 A este movimento também se chama o “jogo cá-lá-cá-lá”, em que “cá” 
corresponde ao alinhamento do aparelho de pontaria e “lá” à projecção desse 
mesmo alinhamento na zona de pontaria, mas focando o alvo.
16
Janelas
deste alinhamento, enquanto o alvo surge ao fundo, 
desfocado. Esta é a única forma de manter as miras 
alinhadas a fim de alcançar um tiro consistente, 
preciso.
A imagem das miras alinhadas, e a sua projecção na 
zona de pontaria, irão fazer com que o dedo complete 
a pressão sobre o gatilho, produzindo-se o disparo. O 
atirador acaba assim por ser surpreendido pelo próprio 
disparo, visto este ser controlado pelo reflexo olho-
dedo. A sua única preocupação deve centrar-se sobre 
aquele alinhamento, deixando o dedo actuar, como 
que de uma forma inconsciente. Quando as miras se 
decompõem o dedo que prime o gatilho fica como que 
bloqueado, retomando o seu movimento quando as 
miras se voltarem a alinhar.
Podemos então considerar existir um momento 
estático e outro dinâmico, sendo que este – único que 
se manifesta de forma visível – corresponde à acção 
do dedo sobre o gatilho, a qual obedece às 
particularidades que serão referidas mais adiante.
Vejamos então mais pormenorizadamente cada um 
dos quatro elementos.
17
C L
C L
1.1.3.1 Olho do atirador
É comum, neste tipo de tiro, os atiradores 
“piscarem um olho” para fazerem a 
pontaria. Este procedimento não está 
completamente errado, mas geralmente 
provoca vários efeitos:
• Fadiga do olho;
• Vista “nublada”;
• Tremuras no olho;
• Desconcentração;
• Precipitação do disparo (tiro em pânico 
ou a despachar).
Estes efeitos são provocados pela 
contracção dos músculos que rodeiam o 
olho que se fecha, os quais acabam por 
influenciar a estabilidade dos seus 
congéneres do outro olho.
Esta é a razão pela qual se aconselha a 
efectuar tiro com os dois olhos abertos. 
Assim, o atirador com algum treino ou que 
tenha dificuldades em saber qual o olho a 
piscar deve ter consciência de que é 
perfeitamente capaz de executar o tiro com 
ambos os olhos abertos, devendo saber que:
• Quando levanta a arma e a alinha com o 
centro do alvo, mantendo ambos os olhos 
focados nesse alvo, fica a ver dois canos 
da arma, dois aparelhos de pontaria, etc. 
Este “fenómeno” fica a dever-se ao olho 
direito criar uma imagem e o olho 
esquerdo duplicar essa imagem. Assim, o 
atirador tem de manter a focagem num 
dos pontos de mira e alinhar uma das 
alças de mira com ele (o que lhe parecer 
18
mais real, ignorando o outro), ficando a 
ver o alvo nublado (dado que, pelas 
razões já aludidas, a focagem da alça de 
mira, do ponto de mira e do alvo, em 
simultâneo, é impossível). De referir que, 
para o atirador que tenha o olho director 
direito, essa imagem é a que lhe aparece 
à esquerda, como se pode verificar nas 
figuras seguintes:
• Um ligeiro pestanejar do olho é um 
importante auxiliar para melhorar a 
visão, pois permite a limpeza da córnea;
• Caso pretenda confirmar se a pontaria 
estaria correcta, basta piscar o olho 
esquerdo para que o aparelho de pontaria 
fique alinhado com o centro do alvo;
• Se na confirmação anterior, o aparelho 
de pontaria não ficou alinhado com o 
centro do alvo, mas sim ligeiramente à 
19
Imagem 
do olho 
Imagem do 
olho 
Imagem 
do olho 
Imagem do 
olho 
esquerda deste, piscar o olho direito que 
já consegue o alinhamento (o atirador 
tem o olho director esquerdo11).
1.1.3.2 Alça de mira
Tal como o ponto de mira, a ranhura da alça 
de mira também pode ter várias formas 
(“V”,”U”, rectangular, etc.). Em conjunto 
com o ponto de mira, permite ao atirador 
fazer uma pontaria correcta. Assim, o 
enquadramento do ponto de mira deve ser 
bem centrado na ranhura da alça e com o 
topo deste à altura precisa dos bordos 
superiores da ranhura da alça. Admitindo 
que este procedimento é bem executado e 
que a arma está imóvel, o projéctil atingirá 
o alvo exactamente no local desejado.
1.1.3.3 Ponto de mira
Independentemente da forma que o ponto 
de mira possa ter (quadrada, rectangular, 
trapezoidal, ou outra), tem de ser sempre a 
primeira coisa em que o militar deve fixar a 
sua atenção (neste tipo de tiro).
11 Se o atirador está habituado a empunhar a arma com a sua mão direita e o seu 
olho director for o esquerdo, não deve mudar de mão, pois não é essa a sua posição 
natural. O que deve fazer é habituar-se a disparar com ambos os olhos abertos, 
tendo em consideração o que aqui é referido.
20
A sua colocação na extremidade do cano 
torna-o um indicador privilegiado sobre a 
forma com a pontaria está a ser efectuada.
Normalmente, a arma está regulada para 
que o topo do ponto de mira (em conjunto 
com a ranhura da alça de mira) seja 
apontado ao centro do alvo, ou à zona de 
pontaria.
1.1.3.4 Alvo
• Como já foi referido anteriormente, o 
atirador não deve ver o centro do alvo 
nítido, pois, se isto acontecer, é sinal de 
que este não está a focar o aparelho de 
pontaria da arma;
• Quando o centro do alvo tiver dimensões 
reduzidas, ou a distância do atirador a 
este for grande, deve-se fazer o 
alinhamento do aparelho de pontaria à 
base do centro do alvo. Se pelo contrário, 
o centrodo alvo tiver grandes dimensões 
ou a distância for curta, deve-se optar por 
fazer o alinhamento precisamente ao 
centro deste;
21
Bem Mal
• O alvo mais utilizado pela GNR é o 
Silhueta policial II (SPII)12, já que é 
utilizado na execução do tiro de pistola e 
espingarda;
• Através da “leitura do alvo”, o atirador 
pode ir fazendo as correcções 
necessárias. Apercebendo-se do local de 
impacto, efectua as correcções que 
entender convenientes.
1.1.4 Executar o disparo 
A acção do atirador sobre o mecanismo de disparar, 
através do gatilho, merece atenção especial, uma vez 
que é aí que reside a principal causa dos erros 
cometidos no tiro. Para tal o atirador deve ter em 
atenção que:
• O contacto com o gatilho deve ser feito 
com a “cabeça do dedo”, que é a parte 
mais sensível;
• O dedo deve actuar numa direcção 
paralela ao eixo da arma e nunca 
obliquamente, isto é, a pressão deve 
12 Para outras informações sobre alvos, consultar o n.º 4.8 e os Anexos A e B.
22
Alinhamento à base Alinhamento ao centro
ser exercida no sentido da frente para trás e 
horizontalmente;
• Conforme foi dito, o atirador, ao empunhar a arma, 
fica com o dedo indicador livre. Com ele irá actuar 
no gatilho, de forma que a pressão seja contínua, 
sem pressas nem quebras, como que “espremendo” 
o gatilho contra o punho;
• Se houver um puxar brusco do gatilho, desfaz-se a 
pontaria, havendo o consequente desvio.
Este controlo do gatilho pode ser alcançado 
utilizando-se o “treino em seco”, em situação de 
completo relaxe, para que o atirador se aperceba da 
sensação que lhe é transmitida pelo movimento de 
pressão exercido pelo dedo, até ocorrer o disparo, 
certificando-se de que a arma não se move, a ponto de 
desfazer o alinhamento das miras.
Os militares que revelarem alguma dificuldade no 
controlo do gatilho devem aprender e treinar a 
pressionar lentamente o gatilho até se dar o tiro, de 
forma inesperada, de surpresa. Devem igualmente 
aprender a controlar a tendência natural de fechar os 
olhos no momento do disparo.
A evolução para um treino em que os procedimentos 
são executados de forma cada vez mais rápida – mas 
sempre com precisão - auxilia o militar no 
cumprimento daquele objectivo e a fazer um tiro que 
quase o surpreende. Depois, à medida que os alvos se 
tornam maiores e mais próximos, aprende a disparar 
cada vez mais rápido. Precisão primeiro, só depois 
velocidade.
Em todo este processo é preciso não descurar o 
alinhamento das miras. Se o treino for conduzido em 
CT, se as miras baixarem quando se prime o gatilho o 
tiro realizado mostrará bem o resultado.
23
1.1.5 Fazer o “seguimento” 
O “seguimento” do tiro consiste em manter a pontaria 
durante alguns segundos após o disparo ocorrer. Tem 
como objectivo evitar que a arma se mova antes que 
os projécteis tenham abandonado a boca do cano, já 
que o atirador, na ânsia de verificar o resultado do 
disparo que acabou de efectuar, cria o hábito de baixar 
ligeiramente o cano, a fim de observar o alvo. Tantas 
vezes o faz, que acaba por antecipar o tiro uma 
fracção de segundo antes do projéctil abandonar a 
boca do cano, só para poder ver o alvo.
Serve também para antever o resultado do disparo, 
permitindo-lhe fazer as necessárias correcções tiro a 
tiro, sem ter de se deslocar à linha de alvos. O atirador 
procura reproduzir a imagem mental na altura do 
disparo por forma a ter uma ideia aproximada do 
disparo efectuado.
1.2 Sequência ideal para o tiro de precisão
Após estarem adquiridos os elementos vistos anteriormente, 
podemos agora identificar aquilo que será a sequência ideal 
para executar o disparo, a qual é a seguinte:
1. Levantar o braço direito, até à altura do centro do alvo (ou 
à zona de pontaria);
2. Pressionar o gatilho até lhe retirar a folga;
3. Suspender a respiração;
4. Fazer o “jogo Miras/Gatilho”, ou seja, cada vez que olha 
para as miras e verifica se estão alinhadas com o centro do 
alvo, pressionar um pouco o gatilho, voltar a olhar para as 
miras e a pressionar mais um pouco o gatilho, até que o 
disparo aconteça, para surpresa do atirador (para isto é 
fundamental que a pressão exercida no gatilho seja 
contínua e sem sobressaltos);
5. Fazer o “seguimento”;
24
6. Se o atirador constatar que já não consegue executar o 
disparo em tempo oportuno, é preferível não o fazer (pois 
o tiro seria, certamente, uma “gatilhada”), devendo baixar 
o braço, retomar a respiração e, quando estiver pronto, 
voltar a fazer a sequência anterior;
7. “Cada disparo é um disparo”; quer isto dizer que, para 
cada disparo, a concentração deve ser igual.
25
2. TIRO POLICIAL
Este tipo de tiro é, sem dúvida alguma, aquele que deve ser mais 
treinado pelos militares da GNR13, visto que, numa situação policial, 
se for necessário disparar, temos de o fazer rápida e certeiramente, a 
fim de evitar que inocentes sejam feridos, ou mesmo para 
salvaguardar a própria integridade física.
Esta modalidade é também muitas vezes chamada de “tiro 
instintivo”. Só que esta designação não é a correcta, já que a palavra 
“instintivo” implica algo que nós fazemos inconscientemente, como, 
por exemplo, o facto de levarmos o garfo à boca sem nos picarmos 
nele. Ora o tiro policial implica a consciência do que se está a fazer, 
pois se, por exemplo, o Adversário (ADV), de repente, levantar os 
braços em sinal de rendição, o militar da GNR não deve fazer tiro, ou 
deve suspendê-lo, caso já tenha disparado. Por isso, os nossos olhos 
devem estar sempre atentos ao ADV – ao contrário do tiro de 
precisão, em que se deve ter mais atenção ao alinhamento do 
aparelho de pontaria -.
Existem 3 factores fundamentais no tiro policial, devendo ser 
treinados pela ordem que a seguir se indica.
1.º Precisão - Desde crianças, e sem o notarmos, que praticamos 
o tiro policial, pois, quando apontamos o dedo 
a alguém, fazêmo-lo rápida e certeiramente e 
com os dois olhos abertos. Agora, basta 
transportar essa situação para quando temos 
uma arma nas mãos, imaginando que o cano da arma é o 
nosso dedo. Para treinar isto quase que não é necessário ir a 
uma CT, já que, utilizando uma caneta e a imaginação, 
consegue-se um resultado semelhante, tendo o cuidado de 
ficar com a caneta na horizontal;
2.º Potência - Este é o único factor que o militar não pode 
praticar, visto que diz mais respeito ao material que é 
13 Apesar de todas as condições adversas que possam surgir, este tipo de tiro deve 
ser efectuado, no mínimo, uma vez por ano. Numa situação considerada ideal, a 
periodicidade seria de três em três meses.
26
utilizado, nomeadamente às armas e seus calibres. Neste 
aspecto é de salientar que o calibre ideal para as forças 
policiais continua a ser o 9 mm Parabellum14;
3.º Rapidez - Como este tipo de tiro tem duas fases, pode-se 
então afirmar que:
• Na 1ª Fase, torna-se necessário “conhecer a arma” (para 
poder explorar correctamente as suas potencialidades), 
pois o atirador tem de se habituar à própria posição, à 
mirada rápida e à execução do disparo (o que é treinado ao 
nível do tiro de precisão);
• A 2ª Fase já envolve um treino mais apurado, pois, para 
além dos conhecimentos adquiridos na fase anterior, 
acrescenta-se o “saque” da arma do coldre. Por isso, torna-
se necessário saber o que fazer com a arma após o saque, 
conhecer as características do próprio coldre para se 
conseguir um saque rápido, e até mesmo o local onde 
exista um segundocarregador para evitar a “procura do 
carregador”, o que provoca sempre o desvio dos nossos 
olhos em relação ao alvo. Só depois de consolidada a 1ª 
fase é que se pode dar início a esta fase.
2.1 Evolução histórica do tiro policial
Desde a invenção das primeiras armas, que o homem chegou 
à conclusão de que quem as usasse primeiro e certeiramente 
obtinha vantagem sobre os seus oponentes. Com o surgimento 
das primeiras armas de fogo, surgiu também uma nova 
maneira destes se baterem em duelos, relegando para segundo 
plano as espadas. O processo era simples: cada qual, armado 
com a sua pistola na mão, era posicionado “costas com 
costas” e, após a contagem (normalmente dez passos) de um 
elemento neutro à contenda, viravam-se “frente a frente” e 
disparavam, procurando acertar no seu oponente, 
14 Pela sua potência e efeitos produzidos serem mais consentâneos com o que se 
pretende em termos de cumprimento da missão. As suas características, em termos 
balísticos, tornam-no mais eficaz em caso de recurso a arma de fogo.
27
evidenciando já os princípios de um tipo de tiro que, nesta 
altura, se poderia chamar de duelo.
Outra forma de duelo surgiu com os cowboys, que se 
defrontavam “frente a frente”, com a arma no coldre. Os 
principais objectivos consistiam em sacar a arma tão rápido 
quanto possível e disparar certeiramente um sobre o outro. 
Nesta altura, já se faziam notar os factores do tiro policial - 
Rapidez e Precisão -, que, para se obterem, tornava-se 
necessário muito treino.
Até aos nossos dias, este tipo de tiro poucas alterações tem 
sofrido. Nos últimos anos, face a alguns dados estatísticos 
realizados nos EUA, o tiro policial tem sido mais dinâmico, 
caminhando no bom sentido, que é o de efectuar um tiro 
preciso e rápido e, ao mesmo tempo, fornecer relativa 
protecção ao atirador, já que o ADV nem sempre é pacífico.
Observemos alguns dos exemplos mais recentes.
2.1.1 Atirador de pé, de frente para o alvo, silhueta fixa 
O atirador identifica o alvo, empunha a arma com as 
duas mãos, levanta os braços na direcção desse alvo e 
efectua o disparo.
Tem como inconveniente o atirador expor-se 
demasiado, tornando-se numa grande silhueta, 
aumentando assim a possibilidade de ser atingido.
2.1.2 Atirador de pé, de frente para o alvo, silhueta móvel, 
O atirador identifica o alvo e, com o objectivo de 
reduzir a sua silhueta, flecte ligeiramente as pernas, ao 
mesmo tempo que levanta os braços até à altura dos 
olhos, efectuando então o disparo.
Tem como inconveniente o facto de, apesar do 
atirador reduzir a sua silhueta, os dados estatísticos 
anteriormente referidos, demonstrarem que, em 
situações de confronto, os elementos das forças 
policiais eram normalmente atingidos no peito ou na 
28
barriga, ficando-se esta situação a dever ao tiro baixo 
que os seus ADV’s efectuavam, talvez por falta de 
treino.
2.2 Técnica do tiro policial
Conforme já foi referido relativamente ao tiro de precisão, o 
método actualmente utilizado é o método de Weaver. 
“Inventado” por um Sheriff americano com esse nome, tem 
como principais vantagens a rapidez de execução, a precisão 
de tiro e a própria protecção que confere ao atirador. Este é o 
tipo de tiro que mais se assemelha às necessidades da GNR, 
quer pela eficiência, quer pela consciência de como é feito.
A técnica de tiro Policial, divide-se também em 5 elementos 
fundamentais:
1. Tomar a posição;
2. Sacar;
29
Silhueta fixa Silhueta móvel
3. Suspender a respiração;
4. Fazer a pontaria;
5. Executar o disparo.
O tiro policial requer uma atenção particular, se bem que 
repartida, no ponto de mira. Sacrifica-se a precisão à 
velocidade de reacção, o que pode ser fundamental em caso 
de necessidade. A uma curta distância as miras quase que são 
dispensáveis. O atirador, praticamente, limita-se a apontar a 
arma, talvez olhando por cima do aparelho de pontaria. O 
único momento que, eventualmente, possa ter disponível para 
se preocupar com as miras deve ser utilizado para verificar se 
o ponto de mira está direccionado para a sua zona de pontaria. 
Com a vista dirigida para o alvo e trazida a arma para uma 
visão periférica é então efectuado o disparo. O treino e a 
repetição ajudarão na consolidação destas destrezas.
Vejamos então mais pormenorizadamente cada um dos cinco 
elementos fundamentais.
2.2.1 Tomar a posição de pé para o atirador direito 15 
O procedimento a adoptar é idêntico, em todos os 
aspectos, ao referido para o tiro de precisão.
Ainda que não sejam utilizadas, na instrução, o 
atirador deve ter conhecimento de que, utilizando este 
método, ainda poderá tomar mais duas posições:
2.2.1.1 Tomar a posição de joelhos para o atirador 
direito
2.2.1.1.1 Enquadramento com o alvo, posição dos 
pés e das pernas
15 Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. 
Relativamente ao que aqui irá ser enunciado, admitem-se igualmente algumas 
variações, desde que sejam observados e respeitados os princípios subjacentes a 
cada um dos itens a serem abordados para o “tomar da posição” e para os outros 
elementos em que se divide a técnica de tiro policial.
30
• O atirador afasta os pés e coloca-se 
exactamente em frente ao alvo como se o 
observasse “olhos nos olhos”;
• Faz rodar ambos os pés para a direita, de 
forma a que se fosse traçada uma linha 
imaginária passando pelo meio dos seus 
pés, esta faria um ângulo de cerca de 40º 
com a linha do alvo;
• Coloca o joelho direito no solo, de 
maneira a ficar correctamente sentado 
sobre o calcanhar desta perna;
• Seguidamente, faz os ajustamentos 
necessários até estar devidamente 
enquadrado com o alvo.
2.2.1.1.2 Posição do tronco
Para dar uma maior estabilidade deve estar 
ligeiramente flectido para o lado direito e 
para a frente.
2.2.1.1.3 Posição do ombro e braço direito
O ombro vai ficar mais afastado do alvo, 
mantendo as mesmas características como 
para o atirador de pé.
2.2.1.1.4 Posição do ombro e braço esquerdo
O ombro fica mais próximo do alvo. O 
braço é flectido e apoia, na parte inferior 
(antes do cotovelo), sobre o joelho do 
mesmo lado, ficando assim o cotovelo 
ligeiramente avançado em relação ao joelho.
2.2.1.1.5 Posição das mãos e cabeça
31
Mantêm-se iguais à posição do atirador de 
pé.
2.2.1.2 Tomar a posição de deitado para o atirador 
direito16
2.2.1.2.1 Enquadramento com o alvo, posição dos 
pés, das pernas e tronco
O atirador coloca-se exactamente em frente 
ao alvo e toma a posição de atirador 
deitado, afastando naturalmente as pernas e 
flectindo uma delas (consoante apoie ou não 
16 Esta posição deve ser treinada com e sem apoio do braço que empunha a arma a 
fim de que o atirador defina a posição que lhe for mais confortável.
32
o cotovelo no solo) para permitir a 
estabilidade e apoio do tronco no solo.
2.2.1.2.2 Posição dos ombros e braços
O braço direito fica esticado na direcção do 
centro do alvo e o braço esquerdo vai ficar 
ligeiramente flectido, apoiado no solo.
2.2.1.2.3 Posição das mãos
O empunhamento é semelhante às duas 
posições anteriores, não esquecendo que a 
arma deve ficar na vertical, para o correcto 
visionamento do aparelho de pontaria.
2.2.1.2.4 Posição da cabeça
Flectida sobre o braço direito, reduzindo a 
sua silhueta e permitindo um melhor apoio 
desta.
33
2.2.1.2.5 Fazer a pontaria
É também idêntica à das anteriores 
posições, com a seguinte alteração: as duas 
imagens, que anteriormente nos apareciam 
lateralmente, agora vão aparecer quase que 
sobrepostasverticalmente, sendo a imagem 
de cima correspondente à do olho direito e a 
de baixo, à do olho esquerdo, como se pode 
ver na figura.
2.2.2 Sacar 
Relativamente ao tiro de precisão, passa agora a 
existir um elemento novo; o coldre. Aumenta assim o 
grau de dificuldade, já que o atirador passa a ter que 
“sacar a arma” mantendo a precisão e rapidez 
anteriormente adquiridas. Por esta razão, não se deve 
passar à modalidade de tiro policial enquanto não 
tiverem sido apreendidos os procedimentos 
relacionados com a técnica de tiro.
Esta modalidade tem por objectivo primordial o de 
fazer a aproximação da instrução de tiro à realidade da 
GNR, visto que no serviço diário os militares, se 
tiverem de disparar, não terão a arma na mão, mas sim 
34
no coldre. A partir daqui têm de desencadear todo um 
conjunto de procedimentos, para os quais devem ser 
devidamente treinados, a fim de minimizar o risco de 
acidentes e aumentar a rapidez de reacção.
O saque constitui um procedimento preliminar que 
conduz à execução do tiro. A importância de efectuar 
um bom saque está directamente relacionada com o 
coldre que temos17, para o que este deve possuir as 
seguintes características:
• Deve ser seguro e permitir ao atirador correr e subir 
um qualquer obstáculo sem o risco de perder a 
arma;
• Apesar de seguro, deve permitir fácil acesso à 
arma;
• Deve permitir ao atirador um bom empunhamento 
ainda antes de sacar a arma. Mudar ou reajustar o 
empunhamento a meio curso é não só perigoso 
como o gesto se torna mais lento;
• Deve proteger a arma e cobrir o gatilho;
• Deve estar seguro no cinto para não se mover;
• O atirador deve ser capaz de recolocar a arma no 
coldre sem ter que tirar os olhos do suspeito. Deve 
conseguir fazer isto com uma só mão, deixando a 
outra liberta para o que for preciso.
Uma análise cuidada dos procedimentos que devem 
ser executados para efectuar o saque permite realçar 
um conjunto de aspectos que devem ser observados. 
Eles materializam aquilo que se pode considerar como 
sendo a sequência ideal para efectuar este movimento. 
Para tal atentemos nos seguintes aspectos:
• Manter os dois olhos abertos sobre o alvo18;
17 É necessário que os atiradores esquerdos usem os coldres a eles destinados.
18 Não esquecer que estamos na modalidade de tiro policial, pelo que a atenção se 
deve centrar no alvo e não na arma. Cabe ao militar desenvolver e treinar toda esta 
sequência por forma a que execute cada um dos seus passos sem ter a preocupação 
35
• Empunhar a arma correctamente, mantendo o pulso 
direito e colocando o cotovelo ligeiramente para 
fora;
• A mão que não empunha a arma aproxima-se por 
baixo e pelo lado (acompanhando a outra até à 
linha de vista);
• Tomar a linha mais curta (recta) do coldre para o 
alvo, levando a arma em direcção ao alvo logo que 
sai do coldre;
• Ter a preocupação de não colocar a arma no coldre 
com a patilha de segurança em fogo e o cão 
armado.
de verificar onde está a arma e de a preparar para fogo, desviando o seu olhar do 
alvo.
36
Atenção 
centrada no 
Mão esquerda 
auxilia o 
Pronto para 
actuar
2.2.3 Suspender a respiração 
Como este tipo de tiro é feito rapidamente e sem 
aqueles cuidados meticulosos do tiro de precisão, pois 
o objectivo é fazer um agrupamento de impactos numa 
zona, torna-se irrelevante se o atirador respira ou não. 
Mas se o atirador conseguir controlar a respiração no 
momento que antecede o disparo, obterá melhores 
resultados.
2.2.4 Fazer a pontaria 
A pontaria para o tiro policial é diferente daquela 
realizada para o tiro de precisão. Trata-se de apontar a 
uma zona ou área maior. O que importa são os 
impactos e não os pontos. Interessa, sobretudo, acertar 
na silhueta.
Tal como para o tiro de precisão, fazer a pontaria 
correcta é pôr em linha, rapidamente, quatro 
elementos:
1. Olho do atirador;
2. Alça de mira;
3. Ponto de mira;
4. Alvo.
2.2.4.1 Os olhos do atirador
• No tiro policial, o atirador deve manter 
ambos os olhos abertos. Tal facto contraria 
a tendência natural de “piscar um dos 
olhos” para fazer pontaria, mas oferece-lhe 
algumas vantagens tais como a de não 
perder a visão periférica e não perder a 
fracção de segundo ao piscar o olho com a 
37
consequente desconcentração e visão 
nublada do outro olho;
• Assim, o atirador, deve ter consciência de 
que é perfeitamente capaz de executar o tiro 
com ambos os olhos abertos, pois já “treina” 
desde pequeno, conforme foi relembrado 
anteriormente;
• Quando levanta a arma e a alinha com o 
centro do alvo, mantendo ambos os olhos 
focados neste último, também fica a ver 
dois canos da arma, dois aparelhos de 
pontaria, etc. Este “fenómeno”, como já 
vimos, fica a dever-se ao olho direito criar 
uma imagem e o olho esquerdo duplicar 
essa imagem. Assim o atirador tem que 
focar o alvo e alinhar um dos aparelhos de 
pontaria (o que lhe parecer mais real, e 
ignorar o outro);
• Não esquecer que para o atirador que tenha 
o olho director direito, essa imagem é a que 
lhe aparece à esquerda, como já se referiu;
38
Dois olhos Um olho
140º180º
• Se houver dificuldades de alinhamento da 
imagem esquerda da arma, o atirador pode 
optar por alinhar a outra imagem do lado 
direito, ficando ciente que esse alinhamento 
também está correcto, mas está a ser feito 
com o olho esquerdo.
• Se pretender confirmar se a pontaria estaria 
correcta basta fazer o “jogo cá-lá-cá-lá”, 
que consiste em, rapidamente, habituar a 
vista a focar às diferentes distâncias, ou 
seja: cá (vista focada num dos órgãos do 
aparelho de pontaria), lá (vista focada no 
centro do alvo).
2.2.4.2 Alvo
• Neste tipo de tiro, o atirador já deve ver o 
centro do alvo (ou a zona de pontaria) 
nítido, pois os olhos têm de observar o 
ADV;
• Para alvo, mantém-se a Silhueta Policial II 
(SPII).
2.2.4.3 Aparelho de pontaria
Para reforçar a importância de manter os dois 
olhos abertos, vamos então tentar explicar 
onde devemos fazer a mirada no momento de 
efectuar a pontaria, para o que se torna 
necessário distinguir entre: mirar/focar e ver. 
Mirar consiste na acção de focar as miras. Ver 
consiste em perceber, através dos olhos, a 
forma e cor dos objectos, o que o mesmo é 
dizer, tudo aquilo que faz parte do campo de 
visão adjacente à mirada.
Assim, podemos estar a “ver” um conjunto de 
coisas, contudo estamos a “mirar/focar” algo 
39
determinado. Como já vimos, a vista não 
consegue focar dois objectos em simultâneo e 
a distâncias diferentes, como seja o aparelho de 
pontaria e o alvo. Como tal, ao contrário do 
tiro de precisão, é essencial focar o alvo. É, 
contudo, conveniente que este visual seja 
apercebido através do aparelho de pontaria, 
permitindo assim uma rápida percepção do 
alinhamento das miras. Tal requer a 
concentração no ponto de mira, mas também 
um alinhamento cuidadoso da alça de mira e 
um ponto no alvo.
Se fizermos ao contrário podemos perder 
tempo que nos pode ser precioso para 
neutralizar a ameaça19.
2.2.5 Executar o disparo 
Também aqui, a acção do atirador sobre o mecanismo 
de disparar, através do gatilho, merece uma atenção 
especial, já que é aqui que continua a residir a 
principal causa dos maus resultados.
• O contacto com o gatilho deve ser feito com a 
cabeça do dedo, devendo a pressão ser exercida no 
sentido da frente para trás e horizontalmente;
• O disparo, por sermais rápido não significa que 
tem de ser brusco, mas sim executado em “três 
19 Para iniciar os atiradores a efectuar pontaria com os dois olhos abertos, apesar 
do correcto ser focar o ponto de mira, diz a experiência que tal é difícil, pelo que é 
preferível, de início, ensinar a fixar a vista na alça (pois é mais ampla) e uma vez 
assim e com o cano da arma inclinado para baixo, ir levantando esta até que 
vejamos o ponto de mira e posteriormente o alvo.
Se apesar disto o atirador tiver dificuldades, o instrutor pôr-se-á diante do atirador 
para fechar-lhe a profundidade do campo de visão tentando que desta forma o 
consiga. Se necessário colocar os dedos indicadores ao lado da alça para aumentar 
o lugar onde concentrar a vista. Uma vez conseguido isto, tirar os dedos, retirando-
se o instrutor.
40
tempos”, ou seja tirar a folga do gatilho (arma na 
direcção do alvo), “jogo cá-lá-cá-lá”, e pressionar, 
continuamente, o resto do gatilho, até surgir o 
disparo. Como é evidente, por este tipo de tiro ser 
mais rápido que o outro, este processo deve ser 
desenvolvido quase em simultâneo.
2.3 Sequência ideal para o tiro policial
Após estarem adquiridos os elementos vistos anteriormente, 
podemos agora identificar aquilo que será a sequência ideal 
para executar o disparo, a qual é a seguinte:
1. Levar a arma até à altura do centro do alvo;
2. Pressionar o gatilho até lhe retirar a folga;
3. Fazer o “jogo cá-lá-cá-lá” (se para tal houver tempo);
4. Pressionar continuamente o resto do gatilho até se dar o 
disparo;
5. “Cada disparo é um disparo”, quer isto dizer que para cada 
disparo, a concentração deve ser igual. O primeiro disparo 
deve ser certeiro, por forma a imobilizar o ADV.
2.4 Métodos de tiro policial
Conforme se pode depreender daquilo que foi enunciado ao 
nível do tiro de precisão e do tiro policial, a posição, o 
empunhamento, o alinhamento das miras, o controlo do 
gatilho e o seguimento podem ser considerados como a base 
de sustentação sobre a qual deverão ser desenvolvidas as 
destrezas técnicas a nível do tiro. O atirador deve, por isso, 
cumprir com estes requisitos básicos antes de avançar para 
tarefas mais complexas. Não se exige que faça pontuações ao 
nível do tiro de precisão, mas sim que o seu tiro seja 
consistente, independentemente da zona do alvo, fazendo um 
grupamento cuja circunferência que contém os impactos não 
exceda os 10 cm de raio - valor que diminui à medida que se 
encurta a distância -. O tiro consistente é bastante mais 
importante do que um tiro bom e os outros maus.
41
Após ter apreendido aqueles requisitos, deve-se passar à fase 
seguinte, a qual consiste na prática das modalidades de tiro 
policial mais adequadas às situações com que o militar se 
poderá eventualmente confrontar.
Conforme se verá para cada uma delas, a utilização 
apropriada das miras, de acordo com os requisitos da situação 
em concreto, acaba por ser o resultado de um método reactivo 
– conciliando rapidez de reacção e precisão -, o qual deve ser 
devidamente treinado e automatizado.
As modernas técnicas de tiro de pistola estão orientadas para 
um tipo de defesa considerada standard face a um ataque, 
sendo esta o disparo rápido de 2 tiros dirigidos ao peito do 
agressor. A razão de ser destes dois tiros tem a ver com a 
necessidade de assegurar que o adversário fica efectivamente 
imobilizado. Tal é conseguido não só à custa do armamento, 
do poder que nos confere a arma, como também do impacto 
que isso tem sobre o sistema nervoso do ADV. Para além 
disto aumentam também as probabilidades de efectuar um tiro 
certeiro, visto haver sempre a possibilidade de falhar o 
primeiro tiro.
O método utilizado para efectuar estes dois tiros depende da 
situação concreta, e sempre da habilidade e destreza do 
utilizador. A cadência, por sua vez, depende da proximidade 
do alvo. Geralmente, quanto mais perto estiver o ADV, maior 
deverá ser a cadência (menor o tempo entre dois disparos). 
Quanto mais longe estiver, menor será a cadência (maior o 
tempo entre os dois disparos). Isto tem todo o sentido quando 
nos apercebemos que um alvo mais próximo é um alvo mais 
fácil e representa uma maior ameaça que um alvo distante. O 
tempo para reagir aumenta com a distância. Desta forma um 
alvo a 5 mts. deve ser imobilizado mais depressa que um alvo 
a 50 mts.
O disparo destes dois tiros pode ocorrer segundo dois 
métodos: o par controlado e o par acelerado. Aquele é o 
primeiro e mais básico método, em que o primeiro disparo é 
efectuado e o segundo só se produz quando se tiver 
42
readquirido de novo a imagem e feito os necessários 
ajustamentos para realinhar a pistola. A prática contínua faz 
com que diminua o tempo de intervalo entre tiros, derivado a 
um maior controlo do recuo da arma e ao desenvolvimento e 
consolidação da melhor técnica para conseguir efectuar os 
dois disparos com eficiência e eficácia. A posição, baseada no 
método de Weaver, permite que a pistola volte à mesma 
posição e alinhamento após ter efectuado o disparo. A 
velocidade com que a arma volta ao alvo determina a 
velocidade com que se pode efectuar o segundo disparo.
O segundo método é uma progressão natural do primeiro, 
diferindo apenas na cadência acelerada. Por esta razão é 
denominado de par acelerado. Pelo facto de, quanto mais 
perto estivermos do ADV mais rapidamente o podermos 
atingir, neste método a sequência é mais rápida que a anterior. 
Aqui, praticamente, não há tempo para realinhar as miras, 
assim que se recuperar do primeiro disparo efectua-se novo 
disparo, olhando apenas de relance para as miras, mas sem 
esperar “vê-las” efectivamente. A sequência do par 
controlado será 
miras/tiro/recuperação/verificação/alinhamento/miras/tiro. A 
do par acelerado será miras/tiro/recuperação/miras/tiro. A 
única diferença entre os dois é a cadência acelerada.
Existe uma variação destes dois métodos, quando estamos 
perante dois adversários que estão perto um do outro. Neste 
caso, após dispararmos o primeiro tiro, devemos aproveitar o 
movimento que a arma faz para efectuar outro tiro sobre o 
segundo indivíduo. Assim que o tivermos devidamente 
enquadrado disparamos. O atirador pode reparar no ponto de 
mira enquadrado com o peito do segundo alvo, mas não 
esperará para o confirmar. Usando esta técnica nos dois alvos 
a uma distância de 5 mts. pode-se esperar um tempo inferior a 
1,5 seg. para efectuar dois disparos eficazes.
Conforme se pode ver nos alvos que se seguem, a distribuição 
do tiro corresponde a prestações diferentes em termos de 
precisão e rapidez de execução.
43
Seja qual for o método seleccionado ou a forma como os tiros 
são realizados, aquilo que acontece depois deve ser pensado e 
trabalhado antes da situação ocorrer. Aqueles que pretendam 
sair vencedores do confronto estudam primeiro, depois 
encaram os conflitos.
2.5 Tipos de carregamento
Ao utilizar a arma de fogo, não chega disparar para um sítio 
qualquer do corpo do adversário. Para o imobilizar o tiro deve 
ser dirigido para uma área vital por forma a maximizar o 
potencial de paragem. Em seres humanos isto significa 
colocar os tiros na zona torácica ou na cabeça.
Os projécteis incapacitam os alvos de duas maneiras: uma é 
causando perda de sangue suficiente ao ADV para o fazer 
parar. A outra é atingir o sistema nervoso central (cérebro ou 
coluna vertebral). Como se pode facilmente constatar, dos 
dois pontos a atingir é mais fácil disparar (e acertar) na zona 
44
Atirador 
conjuga 
Atirador 
rápido e 
Atirador 
lento mas 
torácica que emqualquer uma das outras, visto neste caso a 
área ser maior. Contudo, o objectivo não é aniquilar o 
adversário, mas sim incapacitá-lo, atingi-lo e impedir que nos 
atinja, ou a qualquer outra pessoa.
Em todo este processo, é fundamental procurar (apesar de 
difícil) controlar os tiros efectuados por forma a trocar de 
carregador com munição na câmara, o que previne contra 
uma eventual necessidade de ter de o fazer sem ter a certeza 
de quantas munições faltam para que o carregador fique 
vazio. Caso tal não aconteça, e o atirador tenha notado que a 
corrediça está à retaguarda, deve introduzir o segundo 
carregador o mais rapidamente possível, procedimento este 
que deve ser devidamente treinado.
As figuras que se seguem ilustram algumas das acções a 
realizar para efectuar a troca de carregadores no mais curto 
espaço de tempo possível, nunca perdendo de vista o alvo. 
Este é um aspecto que não deve ser esquecido, fazendo com 
que o militar se habitue a executar a operação completa sem 
se preocupar com as peças que deve accionar nem com o 
local onde irá buscar o carregador suplente.
45
A necessidade de 
recarregar poderá ocorrer 
Baixe ligeiramente a 
arma e retire o 
Trocar o carregador vazio pelo 
carregador municiado e, se 
possível, guardá-lo no porta 
carregadores
Substituir o carregador, 
tendo a preocupação de o 
ajustar no seu alojamento
46
Levar a corrediça à frente e voltar de novo à acção
Numa situação real, os alvos são difíceis de atingir pois 
movem-se, não são os alvos de papel que se encontram 
estáticos numa CT, contra os quais estamos habituados a 
disparar, pelo que podem ser precisos vários tiros para abater 
um alvo. Por essa razão devemos controlar o número de tiros 
efectuados, para saber as munições que ainda restam no 
carregador.
É importante que nos apercebamos da sensação do disparo, 
em especial da última munição. O recuo pode ser sentido 
como dois movimentos separados; o movimento recuante da 
extracção/ejecção e o movimento para a frente da introdução 
da munição na câmara. Quando o último tiro é disparado 
apenas se sente o movimento para a retaguarda visto que o 
carregador vazio irá activar o detentor da corrediça e impedir 
o movimento para a frente. Esta sensação diferente deve ser 
memorizada com o treino, servindo para despoletar a resposta 
condicionada para um carregamento de emergência.
Existem basicamente dois tipos de carregamento que é 
preciso aprender e praticar. O primeiro é o carregamento 
táctico, utilizado quando o atirador se apercebe que deve 
estar prestes a ficar sem munições. Para tal convém escolher 
um local seguro e fazer a troca por outro carregador, 
colocando o usado num local de fácil acesso, pois pode ser 
necessário reutilizá-lo. O segundo tipo é o do carregamento 
rápido, utilizado quando o carregador que a arma tem fica 
vazio. A troca de carregador deve ser feita o mais rápido 
possível. Um bom atirador não necessita de olhar para a sua 
arma para a recarregar. Mesmo durante a noite e sob stress o 
atirador deve estar apto a trabalhar pelo tacto.
É preciso evitar deixar cair carregadores no chão 
desnecessariamente durante o treino pois podem-se danificar 
47
os lábios e causar avarias. É também preciso limpar a 
sujidade que tenha ficado no carregador, por isso, em caso de 
treino, deve ser colocado no chão uma manta ou qualquer 
objecto que impeça o carregador de entrar em contacto com o 
solo, o que também previne a introdução de elementos 
estranhos na arma.
48
3. TÉCNICA DE TIRO COM PISTOLAS METRALHADORAS
Este tipo de armas, derivado ao seu tamanho compacto, à maior 
capacidade de transporte de munições, maior poder de fogo e aos 
acessórios disponíveis, contribuíram significativamente para o 
equipamento de unidades especiais, favorecendo e contribuindo para 
o seu emprego táctico de uma forma mais eficiente e eficaz.
As duas maiores vantagens de uma pistola metralhadora, para 
além do tamanho, são; a confiança que o atirador retira pelo facto de 
a possuir e o facto de a ela poderem ser acoplados vários 
equipamentos, tais como, por exemplo, um foco luminoso e um laser.
Ao seleccionar-se uma pistola metralhadora, é preciso ter em 
consideração não só a capacidade de fogo a curtas distâncias mas 
também a capacidade de executar um tiro extremamente selectivo e 
preciso. Para além disso, estas armas exercem um forte efeito 
psicológico nos adversários.
Muitos dos princípios da técnica de tiro de pistola aplicam-se ao 
tiro com pistola metralhadora, tais como: uma forte empunhadura, o 
alinhamento das miras e o controlo do gatilho. Ressalva-se aqui, 
apenas, a particularidade do aparelho de pontaria de algumas delas, 
como a HK MP5 A4, o qual dispõe de uma alça de tambor e de um 
anel protector do ponto de mira, pelo que a pontaria é feita de uma 
forma diferente daquela que vimos para as pistolas20.
No tiro semi-automático, o atirador pode-se colocar de forma 
natural, com o pé do lado fraco ligeiramente avançado, encostar e 
pressionar firmemente a arma contra o ombro, apontar e disparar. No 
tiro automático é necessário flectir ligeiramente os joelhos, inclinar o 
tronco um pouco para a frente e segurar com mais força, para 
controlar o movimento da arma. A melhor forma para o atirador se 
aperceber disto é tomar a sua posição e fazer séries curtas de 3/4/5 
tiro, ajustando a mesma à medida que vai fazendo as várias séries.
20 Para mais informações sobre esta arma, consultar o Módulo III-V e o Módulo V, 
referente à Técnica de Tiro de Espingarda.
49
50
Tiro semi- Tiro 
Tiro semi- Tiro 
Apesar dos militares integrados em equipas de intervenção 
obedecerem à voz do superior hierárquico, quanto a fazer tiro 
automático ou semi-automático, a indicação que aqui se deixa é a de 
que o tiro semi-automático deve ser empregue em situações onde se 
pretende obter, para além de superioridade de poder de fogo, alguma 
precisão.
Em termos de segurança, chama-se a atenção para duas coisas: é 
preciso ter cuidado e não colocar a mão em frente do cano pois, 
sendo uma arma compacta, facilmente a mão que a sustém, 
inadvertidamente, pode-se colocar num local onde pode ser atingida; 
É preciso igualmente ter cuidado com a segurança da própria arma 
pois, por vezes, pode haver a tendência (despercebida) para ignorar a 
presença de uma munição na câmara o que é extremamente perigoso.
51
4. TREINO DE TIRO
Grande parte do trabalho policial desenvolve-se de uma forma 
monótona e rotineira, o que tem como consequência um apreciável 
sentido de complacência e de aborrecimento, em certas ocasiões. Isto 
contribui para que essa “distracção” acabe por levar a que o militar 
esteja deficientemente preparado para enfrentar as emergências que 
se lhe deparam. Como é evidente, este nem sempre pode ter uma 
segunda oportunidade para superar uma falha ocorrida na sua atitude 
ou comportamento. É preciso ter a consciência de que, por vezes, 
pode ser necessário uma actuação de emergência para a qual o 
conhecimento da arma e a perícia do seu emprego, podem influir de 
forma decisiva na sobrevivência, lesão ou morte do militar ou de um 
camarada.
No momento em que a arma tiver de ser usada no cumprimento do 
dever, as fracções de segundo e a precisão são de importância vital. 
A arma deverá ser utilizada imediatamente, sem perda de tempo, 
devendo o primeiro disparo ser certeiro. O saque rápido, um bom 
empunhamento e um fogo certeiro são factores que devem dar-se 
quase em simultâneo.
É óbvio que todo omilitar, por utilizar arma de fogo no 
desenvolvimento da sua missão, deve pôr o máximo interesse e 
empenho no seu conhecimento e manejo adequado, porque muito 
provavelmente terá que dela fazer uso no momento menos esperado.
Este pretendido domínio da arma de fogo deve adquirir-se através 
de uma árdua e minuciosa prática, a qual, uma vez obtida, deve 
manter-se com o exercício constante. Ninguém melhor que o próprio 
militar pode saber qual a periodicidade com que deve exercitar. Em 
caso de dúvidas o seu superior hierárquico deve estar à altura de 
prestar os necessários esclarecimentos.
Através da criação e treino de situações fictícias conseguir-se-ão 
um conjunto de respostas controladas e automatizadas, e não de 
improvisação, o que pode ser um importante auxiliar quando o 
militar tiver de enfrentar uma situação que poderá envolver o recurso 
a arma de fogo.
52
Assim, é fundamental ter uma formação adequada, perder medos e 
ter confiança na arma que transportamos. Evita-se situações do 
género “não consegui proteger o meu camarada porque não fui 
suficientemente rápido e destro”.
4.1 A dinâmica do tiro de pistola
Para efectuar uma abordagem correcta à dinâmica envolvida 
no tiro de pistola, o militar deve procurar conhecer as suas 
próprias capacidades (possibilidades e limitações, trabalhando 
estas), e a forma como o adversário tem por hábito agir. 
Mesmo não havendo nenhum adversário especifico, faz com 
que envide esforços para obter toda a informação disponível 
relacionada com casos verídicos e faça uma análise dos 
mesmos, procurando neles algumas regularidades que sirvam 
de indicadores a ter em conta para a definição de situações de 
treino, assim como a natureza do ambiente envolvente, ou 
seja, os locais mais prováveis onde se desenrolem eventuais 
situações de perigo.
Tendo assim por base o estudo efectuado sobre os meios 
envolventes e a forma como o adversário poderá reagir em 
caso de ser atacado, podem-se definir melhor as situações de 
treino que procurem reflectir uma realidade o mais 
aproximada possível de uma eventual situação de perigo.
Neste caso é essencial que para o exercício de treino o militar 
procure estar no mesmo nível de activação que estaria se a 
situação fosse verdadeira, o que envolve uma predisposição 
mental muito forte e uma grande concentração nas tarefas a 
desenvolver. Para tal é fundamental que o militar se lembre 
que a sua prestação estará de acordo com aquilo que treinou, 
portanto é preciso treinar como se tivesse a intenção de lutar.
Numa situação real, os níveis de adrenalina estarão no seu 
máximo, produzindo, em consequência, um conjunto de 
reacções físicas que é importante conhecer, por forma a que 
se desenvolvam estratégias pessoais de controle das mesmas. 
Por esta razão o treino deve ser organizado tendo em 
particular atenção esta componente. Porque deve sempre 
53
esperar o pior, o militar deve treinar de acordo com isso, 
esperando sempre sair da situação da melhor forma.
De entre as reacções físicas que podemos referir, a maior 
parte das quais se produzem como resultado de um conjunto 
de reacções químicas, destacam-se; a diminuição das 
habilidades motoras, a confusão, o encurtamento da 
focalização visual e auditiva, a aceleração do batimento 
cardíaco e um estado de excitação generalizado. De acordo 
com este estado, o militar pode experimentar uma distorção 
do tempo e do espaço em virtude da sua mente estar a operar 
a uma velocidade muito superior ao normal, o que faz com 
que, para alguns, exista a sensação de que o tempo se move 
em câmara lenta, ou mesmo que as distâncias parecem mais 
curtas. Nem todas as pessoas experimentam estes efeitos, os 
quais parecem estar ligados ao factor surpresa. Aqueles que 
estão completamente desprevenidos muito provavelmente, 
experimentá-los-ão todos. Por outro lado aquele que sabe que 
irá estar envolvido numa situação conflituosa não os sentirá 
de maneira tão intensa. Apesar de tentar constantemente 
manter a mente em alerta, não se pode predizer o nível de 
prontidão e a expectativa. É preciso manter estas coisas em 
mente quando treinamos. É preciso procurar minimizar a sua 
vulnerabilidade a estes efeitos de alarme fazendo tudo para 
manter as coisas simples, manter uniformidade no 
empunhamento e estabelecer um conjunto de respostas 
condicionadas às quais possa recorrer com garantias de 
sucesso. Treine como tenciona empenhar-se. Para tal é 
importante ter em conta a sua condição física, quanto melhor 
ela for menor será a possibilidade de ser vítima destes efeitos, 
pois desta forma resistirá melhor ao súbito aumento da 
adrenalina e aos efeitos precoces de fadiga que pode 
provocar.
Estas reacções que sentimos são a prova que estamos 
assustados, mas não com medo, pois esta palavra requer uma 
análise mental da situação, o que leva algum tempo a fazer, 
enquanto que em situações conflituosas, se o militar tiver de 
54
usar a arma, geralmente não se poderá dar ao luxo de parar 
para pensar.
É exactamente sobre estas condições que acabam, em maior 
ou menor grau, por nos limitar o desempenho, que temos de 
criar a habituação necessária para fazer tiro.
É preciso ainda chamar a atenção que o militar deve treinar 
gestos simples e sincronizados, pois, no essencial, é disso que 
se trata o tiro. Tudo o que seja complexificar aquilo que 
(aparentemente) é simples só acaba por causar uma maior 
dificuldade em lidar com a situação, pois acabamos por nos 
desviar das coisas que são essenciais, passando a preocupar-
nos com pequenos detalhes ou pormenores que são 
irrelevantes para o caso. O militar, no treino, tem de se 
preocupar, fundamentalmente, em, no mais curto espaço de 
tempo possível, ter a sua arma pronta a disparar (se for o 
caso) e com as miras no alvo que pretende atingir.
O militar pode sentir alguma dificuldade na tomada de 
decisões críticas e na falta de habilidade em manter os 
pensamentos focalizados na tarefa que está a desenvolver. 
Quando tal acontece numa situação real não há lugar para 
discussões mentais, o procedimento deve estar automatizado 
e a concentração completamente dirigida para a actuação e 
para o que se está a passar à volta, minorando assim os riscos. 
Isto liberta a mente para a análise da situação e para a decisão 
de quando se deve e para onde disparar, ao invés de pensar no 
que fazer para que a arma dispare ou mesmo saber quantas 
munições sobram depois dos tiros já efectuados. A atenção 
inicial deverá ser sempre dirigida para a fonte de perigo, 
excluindo tudo aquilo que não seja fundamental, 
desenvolvendo para tal uma imagem ou uma visão dirigida, 
uma visão de túnel. Mentalmente, o militar pode dispensar 
aquilo que considera informação não essencial, e pode até 
nem se recordar de alguns pormenores, contudo, uma vez 
neutralizada a ameaça é importante que ele procure outros 
alvos hipotéticos, a fim de não ser surpreendido por algum 
pormenor que tenha escapado à sua observação. Isto pode ser 
55
facilmente treinável, se, por exemplo, após ter cumprido o 
objectivo de treino, e antes de voltar a colocar a arma no 
coldre, continuar-se a apontar a mesma para vários sítios, 
seguindo o olhar, como se fosse o seu prolongamento, 
esperando o surgimento de alguém que pudesse ainda 
ameaçar.
Algo que também deve ser desenvolvido é a percepção 
auditiva. Ouvir uma ameaça pode ser tão viável, enquanto 
indicador de um alvo, como ver uma ameaça, portanto é 
precisonão a descurar e ter a capacidade de isolar os sons que 
se produzem à nossa volta, identificando aqueles que são 
mais ameaçadores, como por exemplo, o armar de uma arma, 
ou mesmo a introdução de munição na câmara.
Se tivermos em conta alguns relatórios policiais, referindo 
situações onde foram efectuados disparos, chegaremos à 
conclusão que mais de 80% ocorreram a uma distância não 
superior a 7 mts., sendo que metade destas ocorreram a 5 mts. 
e menos. Em termos tácticos, isto diz-nos que nos devemos 
preocupar em maximizar a distância a que nos encontramos 
da ameaça e minimizar a nossa exposição a ela. Quanto maior 
a distância maior a vantagem para o atirador treinado.
Em termos de treino isto diz-nos ainda que a maior parte do 
mesmo deve ser conduzido a distâncias até 7 mts., em pelo 
menos 80% das vezes.
As situações que envolvam o recurso a arma de fogo são 
violentas e rápidas. O tempo médio estimado é de 3 seg., 
sendo que na maior parte das vezes o suspeito está em 
movimento. A mensagem é clara: dispare o mais rápido 
possível, atingindo o alvo. Não tente acertar no botão do 
casaco do adversário em 3 seg. Um único tiro no peito em 1.5 
seg. é bem mais realista. Deve-se obter o equilíbrio 
apropriado entre a velocidade e a precisão de acordo com o 
contexto do problema.
Cerca de 70% dos casos ocorrem em ambientes com luz 
reduzida. O adversário teme a luz, razão pela qual os 
exercícios de treino não devem ser exclusivamente 
56
conduzidos no exterior e em pleno dia. Procure assegurar uma 
oportunidade para os realizar em condições de luz reduzida, 
pelo menos ocasionalmente. Fazendo isto estará a trabalhar na 
resolução dos problemas e a encontrar as soluções em 
ambientes de fraca luz. Para tal é preciso coordenar luz e tiro, 
em especial se fizer uso de uma lanterna.
Mais de 50% das vezes podemo-nos deparar com mais do que 
um adversário, pelo que convém também efectuar exercícios 
com mais do que um alvo, e de preferência de vários tipos, 
colocando-os em vários locais e de preferência escondidos, 
por forma a dificultar o exercício. Esta dificuldade é 
essencial, pois é disso que o treino trata; treinar o difícil 
para facilitar o desempenho.
O mecanismo de utilização de uma arma para fins defensivos 
envolve não apenas o acto físico de sacar e disparar mas 
também a aquisição visual do alvo e a análise mental que 
determina se é ou não uma ameaça. Esta aquisição visual e 
análise mental precede o tiro e determina a rapidez da 
resposta numa situação real. A determinação da ameaça 
depende daquilo que o adversário faz com as mãos ou naquilo 
que nelas segure.
Treine para que aquilo que conduz ao disparo não seja a voz 
ou o apito de quem está a dirigir o tiro numa carreira mas 
antes o próprio alvo ou a própria ameaça.
4.2 A atitude do militar nos treinos
A importância que deve ser dada ao treino faz com que o 
militar deva ter em conta um conjunto de considerações que 
contribuem para realçar esta necessidade, sendo elas:
• Quanto maior for o seu à vontade para manusear a arma e 
com ela fazer fogo, mais liberdade tem para se concentrar 
exclusivamente no desenrolar da situação para, com o 
necessário sangue-frio, avaliar e decidir pela utilização 
(ou não) da arma, contribuindo assim para a salvaguarda 
57
da sua integridade física e de terceiros, actuando em 
conformidade com a lei;
• Reconhecer que todos cometemos erros, contudo, todos 
acreditamos que estamos na posse da verdade. Existe 
sempre algo a aprender e a melhorar, inclusivé os erros 
que não se sabem;
• Reconhecer a tendência para criticar o sistema quando 
não se obtêm bons resultados;
• A continuidade apenas é assegurada através do treino. Se 
não conhecermos a técnica, não a empregamos 
adequadamente, logo não há continuidade;
• Um atirador não chega a nada se somente atirar. Para se 
lograr um bom desempenho e à vontade é preciso treinar;
• Dosear o esforço, não ir mais depressa que o possível. 
Queimar etapas no tiro apenas conduz ao fracasso. É 
preciso percorrer um percurso evolutivo, começando pelo 
estudo da técnica, e por uma boa preparação física e 
psíquica;
• É preciso aprender correctamente as posições de tiro de 
precisão e corrigir os defeitos pois logo se passará ao tiro 
sem grande tempo para alinhar miras, o que servirá para 
qualquer situação, inclusivé as de visibilidade reduzida;
• A tensão nervosa faz perder muito no resultado. A luta 
contra o relógio, nos treinos, ajudará a minorar os seus 
efeitos nocivos;
• Ao começo do tiro não deve haver tensão, só depois de 
alcançar um bom nível se deve criar essa tensão para que 
se aproxime o mais possível da realidade;
• O atirador deve procurar adoptar uma atitude mental 
correcta. Deve estar preparado para falhar, senão o 
desânimo toma dele conta. A realização dos exercícios 
não deve ser tida como uma obrigação, mas antes como 
um momento agradável, pelo qual se esperou;
• O cumprimento estrito das normas de segurança deve ser 
tido sempre em atenção mas não de tal forma que vá 
58
conflituar com os objectivos da sessão, derivado à sua 
sobrevalorização. Uma vez que todos somos 
profissionais, quem dirige o treino de tiro deve dar o 
máximo de liberdade a quem executa, supervisionando 
todas as operações que seja necessário efectuar, 
sobretudo em caso de interrupção de tiro, por forma a 
que o atirador não pense nem sinta que nas suas mãos 
está algo que é extremamente perigoso;
• Evitar o excesso de confiança. Quando parece que se 
sabe demasiado, aparece o excesso de confiança e 
produzem-se acidentes, por vezes irreparáveis;
• Conduzir o treino o mais perto possível da realidade. 
Para tal, é preciso reproduzir situações prováveis, agindo/
reagindo como se fossem reais. É importante 
movimentar-se, reduzindo a silhueta, e disparar para o 
tronco e não para a cabeça, pois existe uma maior área 
onde é provável acertar;
• Diversificar as situações de treino, por forma a 
habituarmo-nos a diferentes estímulos. Tal pode ser 
conseguido, por exemplo, através de;
♦ Selecção dos alvos para os quais vamos atirar,
♦ Selecção de zonas do alvo distintas,
♦ Adopção de diferentes posições,
♦ Criação de situações de visibilidade reduzida,
♦ Execução do tiro a partir de uma posição coberta,
♦ Etc,
• No treino de tiro, se o atirador não conhece a arma, deve 
trabalhar:
♦ Segurança e empunhamento,
♦ Montagem, desmontagem,
♦ Carregar, descarregar,
♦ Resolver possíveis avarias,
♦ Treinar o carregamento.
• Os dados estatísticos revelam que o recurso a arma de 
fogo se verifica a distâncias curtas, contudo, cerca de 
59
15% parecem ocorrer a distâncias superiores a 50 mts. 
Portanto é importante conduzir pelo menos 15% do seu 
treino a partir desta distância. Aqui exige-se uma maior 
precisão que velocidade, podendo-se aguardar alguns 
segundos até disparar. Isto significa que deve adaptar 
uma posição o mais equilibrada possível. Neste aspecto, 
a posição que oferece este equilíbrio e estabilidade é a 
posição de joelhos, a qual pode ser assumida numa 
questão de segundos, para além de proporcionar maior 
protecção facilitando a sua ocultação devido à redução da 
silhueta.
O treino de “tiro em seco” é uma das melhores formas - 
arriscamo-nos a dizer, indispensável - de se conseguir atingir 
bons resultados na execução do tiro real. Este tipo de treino 
oferece-nos algumas vantagens que muitas vezes não são 
possíveis de conseguir apenas com o tiro real. Destacamos 
algumas delas:• Permite o treino individualizado de cada um dos 
elementos fundamentais da técnica de tiro 
(desenvolvimento da posição correcta, treino do 
empunhamento, de alinhamento das miras, do disparo, de 
respiração e do seguimento);
• Não exige perdas de tempo com deslocações à CT;
• Pode ser praticado em qualquer local, quer no exterior, 
quer em recintos fechados;
• Possibilita a economia de munições;
• Permite o desenvolvimento da condição física específica, 
através do treino dos músculos empenhados no processo 
de disparo.
Quando o treino é limitado apenas à realização do tiro para 
alvos, os atiradores não só não chegam a detectar os seus 
erros como não chegam a corrigir a sua postura. Ao efectuar 
tiro a curtas distâncias, apesar de ser essencial, permite-se 
uma larga margem de erro relativamente à técnica de tiro, 
apesar de se acertar na silhueta. Por este motivo, é necessário 
60
efectuar tiro a distâncias maiores – precisão – por forma a 
darmo-nos conta dos erros que são cometidos.
Conforme se pode facilmente perceber, o factor mais 
importante ao nível dos treinos é usar a imaginação para a 
criação de diferentes cenários.
Os exercícios de treino que a seguir se indicam devem ser 
executados, de preferência, frente a um espelho, por forma a 
que o atirador possa corrigir-se, e pela ordem indicada, 
voltando-se ao início sempre que se pretenda avançar na 
sequência, repetindo as vezes necessárias para se assimilar os 
movimentos. Para a sua execução torna-se necessário dispor 
do seguinte material: 1 pistola, 2 carregadores, 5 invólucros e 
1 alvo AI 1/EPG, por cada atirador.
4.3 Treino de tiro de precisão
4.3.1 Treino da posição em relação ao alvo 
O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição 
correcta em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Com os olhos fechados ou com a cabeça voltada 
para o lado, levantar a arma, na direcção do alvo 
(referência);
• Abrindo os olhos ou rodando a cabeça para o alvo, 
verificar se a pontaria está correcta (centro do 
alvo);
• Caso não esteja apontada em direcção, deslocar a 
posição dos pés, fazendo avançar ou recuar o pé 
direito, conforme o cano se apresente à direita ou à 
esquerda do centro do alvo, respectivamente (nunca 
rodar só os braços);
• Repetir a operação, de modo a que a arma fique 
apontada na direcção do centro do alvo;
61
• Para corrigir a elevação, será necessário ajustar a 
arma na mão, de modo a que esta fique apontada ao 
centro do alvo sem qualquer esforço;
NOTA: Neste exercício não se deve disparar.
4.3.2 Treino da posição e estabilidade da arma 
O objectivo do exercício n.º 2 é: assumir a posição 
correcta e estabilizar a arma. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Em frente a uma parede clara, a uma distância de 
cerca de 5 metros, apontar a arma a essa parede e 
procurar a posição em que é mais fácil centrar e 
estabilizar o ponto de mira, durante períodos até 
aos 15 segundos;
NOTA: Neste exercício não se deve disparar.
4.3.3 Treino de estabilidade da arma 
O objectivo do exercício n.º 3 é: alinhar correctamente 
as miras e estabilizar a arma. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Este treino é realizado, colocando uma marca numa 
parede clara (círculo de papel preto, círculo pintado 
a giz, etc.) e apontando a arma a essa marca, 
procurando a máxima estabilidade das miras;
• A dificuldade poderá ser aumentada, aumentando a 
distância à marca de referência;
• De vez em quando, os olhos devem ser fechados 
durante 2 a 3 segundos e abertos de seguida, 
verificando se a estabilidade por memória muscular 
se mantém;
NOTA: Neste exercício nunca se deve disparar.
62
4.3.4 Treino de disparo 
O objectivo do exercício n.º 4 é: depois de tirar a folga 
do gatilho, pressioná-lo suavemente, sem produzir 
“gatilhadas” (percepção do movimento e peso do 
gatilho):
• Aqui o elemento importante é o disparo. Este deve 
sair durante uma boa focagem do ponto de mira, 
mas sem grande preocupação com o alinhamento 
dos órgãos de pontaria;
• O treino é conduzido sem ponto de referência, em 
frente a uma parede clara;
• Também se deve realizar de olhos fechados ou 
numa sala às escuras;
• De início, o atirador deve procurar aperceber-se da 
folga e peso do gatilho da arma;
• Accionar o gatilho várias vezes, tentando produzir 
um disparo o mais suave possível;
• Deve procurar produzir o disparo em tempo útil, ou 
seja, antes de começar a sentir fadiga por ausência 
de respiração. Como regra, não deve ultrapassar-se 
os 10 segundos até à execução do disparo.
NOTA: Na execução de exercícios de tiro “em seco”, 
sempre que se produzam disparos, deverá ser 
colocado um invólucro na câmara da arma, 
uma borracha ou esponja entre o cão e o 
percutor. Devendo, entre cada 5 disparos, 
mudar-se de invólucro. Os invólucros podem 
obter-se facilmente na arrecadação de 
material de guerra.
4.3.5 Treino de estabilidade e disparo coordenado 
O objectivo do exercício n.º 5 é: accionar o gatilho 
suavemente, sem produzir gatilhadas e sem desalinhar 
as miras (“jogo miras/gatilho”):
63
• Igual ao exercício 3, mas agora pode-se executar o 
disparo;
• Dar atenção a que a pressão exercida no gatilho não 
deve perturbar a estabilidade da arma. Se esta não 
se verificar, deve-se insistir no exercício 4.
4.3.6 Treino da respiração 
O objectivo do exercício n.º 6 é: determinar e treinar a 
capacidade pulmonar. Para tal deve-se ter em atenção 
o seguinte:
• Em frente a uma parede clara, efectuar o 
alinhamento das miras e mantê-lo durante alguns 
segundos, até sentir desconforto e aumento da 
dificuldade em apontar;
• Repetir o processo algumas vezes;
• De seguida, apontar e disparar dentro do tempo útil, 
ou seja, antes de sentir cansaço por apneia - falta de 
oxigénio -.
4.3.7 Treino do “seguimento” 
O objectivo do exercício n.º 7 é: efectuar o 
“seguimento” do disparo. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Tomar a posição de tiro;
• Executar o disparo, observando a técnica correcta 
de todo o processo de tiro;
• Manter as miras alinhadas durante alguns segundos 
após o disparo, procurando manter a estabilidade 
das mesmas, e só depois, desfazer a pontaria.
64
4.3.8 Treino integrado 
O objectivo do exercício n.º 8 é: efectuar disparos 
correctos, observando todos os elementos 
fundamentais para a execução do tiro. Para tal deve-se 
ter em atenção o seguinte:
• Tomar a posição;
• Levar a arma à zona de pontaria;
• Suspender a respiração
• Alinhar correctamente as miras;
• Accionar o gatilho, sempre com a preocupação de 
manter as miras alinhadas e disparar 
(“miras/gatilho”);
• Efectuar o “seguimento”;
• Este exercício deve ser executado em 2 fases: na 
primeira, contra uma parede branca, sem qualquer 
referência; e, na segunda, apontando a uma 
referência.
4.3.9 Treino diversificado 
O objectivo dos exercício que integram este tipo de 
treino é: diversificar as situações de treino, por forma 
a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se 
ter em atenção o seguinte:
• Utilizar diferentes posições (disparando, também, 
com a mão fraca);
• Utilizar diferentes tipos de alvos, ou combinação de 
alvos.
65
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4.4 Treino de tiro policial
4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo 
O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição 
correcta em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Este treino é realizado colocando um alvo AI 
1/EPG, para cada atirador, numa parede clara, a 
uma distância de cerca de 5 metros;• Com os olhos fechados, levantar a arma, 
colocando-a na direcção do alvo;
• Abrindo os olhos, verificar se a pontaria está 
correcta (centro do alvo);
• Caso não esteja apontada em direcção, deslocar a 
posição dos pés, fazendo avançar ou recuar o pé 
direito conforme o cano se apresente à direita ou à 
esquerda do centro do alvo, respectivamente (nunca 
rodar só os braços);
• Repetir a operação de modo a que a arma fique 
apontada na direcção do centro do alvo;
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Utilizar uma composição de figuras geométricas coloridas, criando 
• Para corrigir a elevação, recordar que o cano da 
arma é o prolongamento do dedo (como se fosse 
para apontar a alguém) e assim não deve apontar 
para o chão mas sim ao centro do alvo;
NOTA: Neste exercício não se deve disparar.
4.4.2 Treino para “armar” a pistola 
O objectivo do exercício n.º 2 é: colocar a arma pronta 
a disparar. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:
• Com a mão direita a empunhar a arma e o dedo 
indicador ao longo do guarda-mato, puxar a 
corrediça à retaguarda e deixá-la ir à frente, 
armando a pistola.
NOTA: O carregador deve ser retirado e a arma deve 
estar com a patilha em posição de tiro, para o 
cão poder ficar armado. Neste exercício não 
se deve disparar, mantendo a arma 
direccionada para o alvo.
4.4.3 Treino do saque 
O objectivo do exercício n.º 3 é: sacar a arma do 
coldre. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:
• Sacar a arma do coldre, mantendo os olhos fixos no 
alvo;
• Mão fraca vai auxiliar no empunhamento, quando a 
arma já está completamente fora do coldre;
• Levar a arma à linha de vista.
NOTA: Esta sequência deve ser feita com rapidez, 
sendo que a arma deve descrever uma 
trajectória rectilínea, desde que sai do coldre 
até à linha de vista.
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4.4.4 Treino da sensibilidade da folga do gatilho 
O objectivo do exercício n.º 4 é: retirar a folga do 
gatilho sem executar o disparo. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Levantar a arma e quando esta estiver na direcção 
do alvo, retirar a folga ao gatilho.
NOTA: Neste exercício não se deve disparar.
4.4.5 Treino do “jogo Cá-Lá-Cá-Lá” 
O objectivo do exercício n.º 5 é: habituar a vista a 
focar às diferentes distâncias. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Fazer, rapidamente, o jogo “Cá-Lá-Cá-Lá” ou seja: 
Cá (vista focada num dos órgãos do aparelho de 
pontaria), Lá (vista focada no centro do alvo);
NOTA: Neste exercício nunca se deve disparar.
4.4.6 Treino de disparo 
O objectivo do exercício n.º 6 é: executar o disparo 
correcto. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:
• Aqui o elemento importante é o disparo, dado que a 
folga do gatilho já foi retirada. Pressionar 
continuamente o resto do gatilho, até surgir o 
disparo.
NOTA: Na execução de exercícios de tiro “em seco”, 
sempre que se produzam disparos, deverá ser 
colocado um invólucro na câmara da arma e 
uma borracha ou esponja entre o cão e o 
percutor, devendo, entre cada 5 disparos, 
mudar-se de invólucro. Os invólucros podem 
obter-se facilmente na arrecadação de 
material de guerra. Deve ainda ser colocado o 
invólucro na câmara, e assim sendo já não 
69
deve ser puxada a corrediça à retaguarda. 
Depois do disparo, o atirador só pode 
regressar à posição inicial ou trocar de 
carregador e é sobre isso que constam os 
próximos dois exercícios:
4.4.7 Treino de posição inicial 
O objectivo do exercício n.º 7 é: colocação na posição 
inicial para o próximo disparo. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Se o atirador conseguir colocar-se rápida e 
correctamente na posição inicial ganha tempo para 
poder observar o resultado obtido. Assim deve 
colocar a arma em posição de espera (45º) por 
forma a quando ouvir a voz de fogo só tenha que 
levantar a arma.
4.4.8 Treino de troca de carregador 
O objectivo do exercício n.º 8 é: trocar de carregador 
rapidamente. Para tal deve-se ter em atenção o 
seguinte:
• O atirador deve controlar o n.º de tiros dados, com 
as munições existentes no carregador. Mas quando 
chegar à altura de substituir o carregador vazio, por 
outro municiado, deve fazê-lo com a sua silhueta 
reduzida e mantendo os “olhos no alvo”. Este 
treino deve ser conduzido com e sem corrediça à 
retaguarda.
NOTA: O atirador, à ordem, (na Carreira de tiro esta 
não lhe deve ser dada, visto que a troca se faz 
quando a corrediça fica retida à retaguarda) 
simula o retirar do 1º carregador e faz a 
introdução do 2º, aguardando ordem para 
reiniciar o tiro.
70
4.4.9 Treino diversificado 21 
O objectivo dos exercícios que integram este tipo de 
treino é: diversificar as situações de treino, por forma 
a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se 
ter em atenção o seguinte:
• Utilizar diferentes posições;
• Utilizar diferentes tipos de alvos, ou combinação de 
alvos;
• Seleccionar exercícios que impliquem 
deslocamento do atirador.
4.5 Treino em caso de ferimento no braço
Num confronto o militar nunca deve enjeitar a possibilidade 
de vir a ser ferido num dos braços (ou em qualquer outra zona 
do corpo). Se tal acontecer, a sua prioridade deve ser procurar 
uma zona que o proteja, especialmente se não sabe de onde os 
tiros partiram, pois até o descobrir não poderá contra-atacar.
Torna-se assim importante aprender a manejar a arma com a 
mão fraca, caso tenha sido alvejado e do incidente resulte a 
imobilização do braço da mão forte. Tal implica não só sacar 
e atirar mas também recarregar e resolver avarias.
4.5.1 Treino de manuseamento 
O objectivo dos exercícios que integram este tipo de 
treino é: manusear a arma com a mão fraca, por forma 
a mecanizar procedimentos. Para tal deve-se observar 
a seguinte sequência:
1.º O militar, tendo sido atingido no braço direito, vai 
ter que fazer uso da arma manuseando-a com a 
mão fraca;
21 Ver o exemplo dado para o treino da modalidade de tiro de precisão e ver 
também os exemplos de circuitos práticos no Anexo C.
71
2.º Para tal, vai ter que tirar o fiador para a empunhar 
e preparar para fazer fogo com essa mão.
4.5.2 Treino de recarregamento 
O objectivo dos exercícios que integram este tipo de 
treino é: trocar de carregador e introduzi-lo com a mão 
fraca, por forma a mecanizar procedimentos. Para tal 
deve-se observar a seguinte sequência:
1.º O militar, tendo sido atingido no braço esquerdo, 
verifica que a corrediça está à retaguarda e que 
não existem munições no carregador;
2.º Sem tirar os olhos da ameaça, coloca a arma 
numa posição que facilite o recarregamento e 
substitui o carregador vazio por outro 
municiado22;
22 Após esta operação, o carregador substituído deve ser colocado no mesmo sítio 
de onde se tirou o outro.
72
3.º Após esta operação leva a corrediça à frente e 
prossegue o exercício.
4.5.3 Treino de procedimento em caso de avaria 
O objectivo dos exercícios que integram este tipo de 
treino é: resolver uma avaria com a mão fraca, por 
forma a mecanizar procedimentos distintos. Para tal 
deve-se observar a seguinte sequência:
1.º O militar, tendo sido atingido no braço esquerdo, 
verifica que existe um invólucro a impedir o 
movimento da corrediça para a frente;
2.º Acto contínuo, reduz a silhueta e tenta resolver a 
avaria. Para tal, utiliza o cinturão ou o calcanhar 
da bota, a fim de fazer recuar a corrediça para 
acabar de extrair o invólucro;
4.º Após esta operação leva a corrediça à frente e 
prossegue o exercício.
73
74
4.6 Treino de pistola metralhadora
No treino da pistola-metralhadora,regra geral, não é 
aconselhável efectuar tiro de rajada porque rapidamente se 
fica sem munições. A tendência da própria arma em elevar-se 
desaconselha-o. Se for treinado, é quase tão rápido apertar o 
gatilho tiro a tiro, como disparar em rajadas, mesmo que 
curtas, não havendo necessidade de fazer pontaria a cada 
disparo. Para além disso há uma maior possibilidade de 
atingir o alvo.
Apontar e disparar será a base para todo o treino de tiro com 
pistola metralhadora. Só após se ter vencido esta etapa é que 
o atirador poderá experimentar outro tipo de exercícios com a 
arma, os quais podem incluir um género de tiro de precisão, o 
que certamente conduzirá a um melhor conhecimento da arma 
por parte do atirador.
O treino inicial consiste numa série de exercícios de 
familiarização, os quais consistem em:
• Praticar operações de segurança;
• Conhecer o funcionamento e capacidades da arma;
• Desmontar/montar e fazer a manutenção da arma;
• Exercícios de carregar e descarregar;
• Procedimentos em caso de avaria;
• Adoptar posições de tiro,
• Efectuar tiro.
4.7 Treino de resolução de avarias
Sem qualquer dúvida, um dos atributos mais desejados da 
pistola é a fiabilidade. Contudo, não existe nenhuma que seja 
100% fiável. Tudo aquilo que o homem faz é sujeito a falhas, 
muitas das vezes nos momentos mais inoportunos. Sabendo 
isto é importante aprender e compreender os procedimentos 
75
imediatos que se seguem a quaisquer avarias que surjam com 
a pistola, tentando minimizar não só os riscos de virem a 
surgir, como também procurando resolvê-los no mais curto 
espaço de tempo.
As avarias têm origem nas armas, munições defeituosas, 
atirador ou ainda em carregadores defeituosos. Para prevenir 
o seu surgimento é preciso ter uma pistola devidamente limpa 
e lubrificada - nas peças devidas - e assegurar que os 
carregadores e as munições sejam de qualidade. 
Cada avaria que se verifique há-de ter a sua causa, contudo, 
no meio da refega não existe lugar para fazer um diagnóstico 
da mesma. Os seguintes exercícios que se podem fazer para 
treinar a resolução de avarias permitir-lhe-ão reconhecer as 
características da cada uma e tomar os procedimentos mais 
correctos, a fim de as resolver no mais curto espaço de tempo 
possível. É importante que em todas estas fases a arma seja 
mantida em linha de vista para não só poupar tempo como 
também procurar manter uma visão periférica adequada ao 
controlo da situação.
Posição 1 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de 
disparo. Ao invés de ouvir “pum” ouve-se “click”. Tal pode 
ser causado por uma munição defeituosa, um percutor partido 
ou uma falha na introdução de munição na câmara. O 
procedimento a ter é dar uma pancada seca no carregador 
com a mão fraca para que o mesmo possa ser devidamente 
introduzido, depois rodar a arma lateralmente para a direita, 
puxar a corrediça à retaguarda, a fim de sair a munição 
defeituosa, e deixá-la ir novamente à frente (introduzindo 
nova munição). Se mesmo assim se manter a falha de disparo, 
voltar a repetir o mesmo processo. Se após este procedimento 
ainda se mantiver o mesmo problema então a deficiência pode 
ser devida ao percutor partido, ou simplesmente o carregador 
não ter munições !!!
Posição 2 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de 
ejecção, podendo ser causada por um carregador defeituoso, 
76
que interfere com a ejecção do invólucro, ou por um ejector 
(ou extractor) defeituoso. Tal pode ser visualmente detectado 
pela presença do invólucro que não permite à culatra recuar 
(o que não permite armar novamente a arma, pelo que o 
gatilho fica imobilizado). O procedimento a tomar é 
semelhante ao anterior, procurando tirar o invólucro com a 
mão fraca e deixar ir novamente a corrediça à frente. Esta 
identidade de procedimentos entre as duas situações ajuda a 
resolver os problemas surgidos e a manter as coisas simples, 
fáceis de aprender e mecanizar.
Posição 3 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de 
alimentação, em resultado do carregador não ter mais 
munições. Tal pode ser facilmente detectado porque a 
corrediça fica à retaguarda não existindo nenhuma munição 
na câmara e estando o carregador vazio. O procedimento a 
adoptar será substituí-lo por outro com munições.
Posição 4 de avaria – Esta avaria verifica-se quando a 
corrediça, após ter vindo à retaguarda, não vai à frente, o que 
se pode dever ao defeito dos lábios do carregador. Apesar de, 
neste caso, o carregador ter de ser reparado, pode-se tentar 
resolver esta situação, descendo um pouco o carregador até 
que a corrediça vá à frente. Deve ainda ter o mesmo 
procedimento das posições anteriores, fazendo mais duas ou 
três tentativas para que a corrediça vá à frente.
Qualquer um destes exercícios pode ser aperfeiçoado com 
munições inertes durante a prática de tiro em seco. A melhor 
forma de prevenir estas avarias é efectuar uma manutenção 
regular às armas e transportar consigo carregadores e 
munições em bom estado.
No caso específico dos carregadores devem ser observados 
periodicamente, em especial, o estado da mola elevadora, do 
elevador, dos lábios e se o corpo não se encontra amolgado. 
Aqueles que não se apresentem nas melhores condições 
devem ser utilizados para os treinos e nunca no serviço 
operacional propriamente dito.
77
4.8 Alvos a utilizar
Os alvos que actualmente se podem utilizar para treino são 
muito mais variados que as silhuetas para as quais os 
militares estão habituados a treinar. Efectivamente, existe 
hoje toda uma panóplia de alvos, com especial relevo para os 
“shoot/no shoot”, isto é, alvos aparentemente idênticos, 
diferindo apenas no facto de uma determinada figura poder 
aparecer a empunhar uma arma (“shoot” – deve-se fazer fogo) 
ou um outro objecto qualquer (“no shoot” – não se deve fazer 
fogo, pois não existe o pressuposto da proporcionalidade de 
meios). Para além disso, os alvos podem ser estáticos ou 
móveis, o que ajuda a dar um maior realismo à situação de 
treino.
Os militares devem treinar com variados tipos de alvo por 
forma a não dar a ideia de rotina, mas sim de diversidade. 
Esta questão da diversidade, em particular, é especialmente 
importante pois contribui para uma melhor preparação do 
militar, possibilitando-lhe uma melhor análise e escolha de 
soluções possíveis numa situação real onde possa ser 
necessário utilizar uma arma de fogo.
Tendo em atenção o que se referiu anteriormente, a utilização 
de um alvo táctico ajuda bastante a dar um maior realismo ao 
exercício de treino, levando o atirador a pensar e a procurar 
atingir (quando tal for o caso) o alvo na zona demarcada. 
Relativamente a este pormenor, aconselha-se a evitar os alvos 
que tenham esta zona muito pequena pois senão o atirador 
tem tendência a fazer um tiro de precisão e, por isso, a 
demorar mais tempo, o que numa situação real pode vir a ser 
fatal.
No caso onde não seja possível adquirir estes alvos, o 
formador pode optar por utilizar os alvos SP II, ou outros 
quaisquer, colando-lhe algumas formas geométricas de cores 
diferentes (conforme se viu no treino da modalidade de tiro 
de precisão) ou simplesmente traçando/dobrando uma zona 
do alvo para a qual se pode/não pode disparar. Pode ainda 
78
colocar 3 alvos lado a lado ou 2 em baixo e um em cima ou a 
diferentes alturas.
Na utilização destes exercícios de treino deve-se:
• Procurar alvos com tamanho realístico.
• Procurar distâncias razoáveis.
• Criar cenários com base em exercícios vividos.
• Criar cenários com base em futuros problemas.Se o atirador não puder olhar para o cenário e imaginá-lo 
como verdadeiro então o exercício de pouco servirá.
A chave para o treino de “shoot/no shoot”23 é testar a 
capacidade dos atiradores para pensar com clareza sob 
situações de stress. Tal pode ser feito colando figuras de 
armas (“shoot”) no alvo ou outro tipo de figuras (“shoot/no 
shoot”). O formador pode fazer isto enquanto o formando está 
de costas e depois este recebe a indicação de apenas disparar, 
por exemplo, para os alvos com quadrados vermelhos ou 
círculos azuis.
23 Ver Anexo A.
79
5 CORRECÇÃO DE ERROS NA EXECUÇÃO DE TIRO
Tão importante quanto reconhecer os erros cometidos em CT é 
saber como corrigi-los. Isso implica alguma perseverança e poder 
analítico por parte do atirador. Mas não basta ter alguma noção 
teórica sobre o motivo, ou motivos, que pode(m) estar na sua origem. 
Por vezes é preciso adoptar o procedimento da tentativa erro e ir 
experimentando até se ter algum sucesso. Só através desta insistência 
é que será possível chegar a alguma conclusão concreta e definida.
Não obstante, existem algumas regularidades na ocorrência dos 
erros mais comuns. Para a sua correcção, torna-se necessário ter em 
consideração um conjunto de aspectos que podem exercer influências 
distintas no resultado do desempenho. A consciência da sua 
existência e forma de os controlar será um importante auxiliar para o 
atirador.
5.1 Causas do desvio dos projécteis
5.1.1 Da arma 
• Vibrações do cano, no momento do disparo;
• Demasiado uso do cano (estrias gastas);
• Ferrugem ou aderência de resíduos (pólvora ou 
metal) à câmara da arma;
• Arma não regulada ou irregularidades no aparelho 
de pontaria.
5.1.2 Das munições 
• Diferenças de peso ou dimensões do projéctil;
• Diferenças de qualidade ou quantidade da pólvora.
5.1.3 Circunstâncias exteriores 
• Vento (poderá desviar a trajectória ou produzir 
instabilidade na arma);
80
• Sol (afecta a utilização correcta do aparelho de 
pontaria, pois o atirador dirige, involuntariamente, 
o ponto ou a alça de mira para o lado mais 
iluminado.
5.1.4 Do atirador 
É aqui que reside a principal causa de “desvio dos 
projécteis”, visto que o atirador pode não ter adquirido 
completamente a parte técnica do tiro. Assim, ainda é 
possível na CT, fazer algumas correcções quando os 
atiradores estiverem a obter resultados fracos (logo 
após a sessão de ensaio). Estas devem ser feitas de 
forma a que o atirador se aperceba dos erros 
cometidos. Não basta dizer-lhe, é preciso que ele 
próprio os reconheça, sem a interferência de ninguém.
Natureza dos erros
De uma forma geral, os erros que se verificam mais comummente 
apresentam a seguinte distribuição:
81
3% 
DEFICIÊNCIAS DO 
ARMAMENTO
 E MUNIÇÕES
12% 
DEVIDO AO 
SISTEMA 
NERVOSO 
20% 
MAU 
ALINHAMENTO
DO APARELHO 
65% 
COMETIDAS AO 
PRESSIONAR
 O GATILHO
So
l
Como se pode verificar, o atirador é o responsável pela 
ocorrência da maior parte dos erros cometidos. Regra geral, 
estes podem-se classificar em erros angulares e erros 
paralelos. Os erros angulares têm origem quando o atirador 
desalinha as miras, concentrando-se em focar apenas o ponto 
de mira, ou a alça e o alvo. Sucede, então, que o atirador pode 
estar alinhado com o alvo mas tem um dos elementos do 
aparelho de pontaria desalinhado. O resultado deste 
desalinhamento causa um desvio no ponto de impacto no alvo 
que é tanto maior quanto maior for a distância. Por esta razão, 
este tipo de erro é considerado o mais prejudicial para o 
atirador, e o mais difícil de contrariar, sendo também o que 
ocorre com mais frequência.
Os erros paralelos resultam do desalinhamento do aparelho de 
pontaria com o alvo. Quer isto dizer que o atirador tem as 
miras alinhadas entre si, mas desalinhadas em relação ao alvo. 
Este tipo de erro é menos prejudicial para o atirador e menos 
difícil de contrariar, sendo também o que ocorre com menos 
frequência.
82
No entanto, outros erros poderão ser cometido pelo atirador. 
Vejamos, então, quais poderão ser as causas de alguns dos 
erros mais frequentes.
5.2.1 Impactos distribuídos por todo o alvo sem 
agrupamento definido
Verifica-se quando o atirador altera a posição do 
corpo ou o empunhamento em cada disparo. Se a 
empunhadura for alterada, o controlo do gatilho 
também se modifica, obtendo-se deste modo impactos 
sempre diferentes.
Poderá também ser motivado pelo facto do atirador 
focalizar o alvo e não o aparelho de pontaria da arma.
O atirador deve ter a noção de que:
• Deve encontrar a melhor empunhadura possível. A 
sua importância deve-se ao facto de afectar a 
forma de controlar o gatilho;
• A posição de tiro deve ser correcta e a ideal para 
si. A sua automatização permitirá mantê-la 
inalterável após cada disparo;
• O aparelho de pontaria deve ser focado, deixando 
o alvo na visão periférica. A arma, como 
instrumento de precisão que é, necessita de ter o 
aparelho de pontaria perfeitamente alinhado com o 
local que pretendemos atingir no alvo. Tal só se 
consegue se o focalizar e não o alvo. Caso 
contrário, estará a ver a alça e o ponto de mira 
83
desfocados, logo aumentados, e como tal, a sua 
mirada poderá estar a ser feita por qualquer ponto 
da mancha em que estes estão a ser 
percepcionados, e não do modo exacto, parecendo-
lhe, mesmo assim, estar a apontar correctamente.
5.2.2 Impactos concentrados entre as 12H30 e as 02H00 
Verifica-se quando o atirador encaixa o punho da 
arma junto à base do dedo polegar. Ao ser assim 
empunhada, a arma fica com o rebordo definido pelas 
arestas posterior e lateral direita do carregador, junto à 
zona hipotenar proximal. Quando efectua o disparo, 
puxando o gatilho subitamente, crispa a mão. Os 
músculos dessa zona, actuando em conjunto com os 
dedos, empurram lateralmente a arma, fazendo com 
que a boca do cano suba para o lado direito do 
atirador.
O atirador deve ter a noção de que:
• A empunhadura deve ser feita encaixando a parte 
posterior do punho no vértice do ângulo formado 
pela inserção dos dedos indicador e polegar (zona 
mole);
• Para efectuar o disparo deve mover apenas o dedo 
indicador, permanecendo imóvel o resto da mão;
• A pressão sobre o gatilho deve ser lenta e suave. É 
preferível perder uns décimos de segundo, a fim de 
controlar correctamente o gatilho, do que falhar o 
tiro. Em situação de confronto directo, um erro 
deste tipo pode-lhe custar a vida, ou a de terceiros.
5.2.3 Impactos concentrados entre as 02H00 e as 03H30 
Verifica-se quando o atirador exerce pressão através 
da falange sobre o corpo da arma, empurrando-a para 
o lado direito.
84
Outra causa provável será uma empunhadura 
deficiente. A palma da mão de apoio, ao ser posta 
muito à frente, e não da forma correcta já referida, 
também pode ser responsável por este erro. Colocada 
da forma descrita, o seu vector de força não se 
efectuará no sentido pretendido, mas para o lado 
direito.
Este tipo de concentração poderá advir ainda do facto 
de colocar qualquer porção da falange ou falanginha 
do dedo indicador sobre o gatilho, envolvendo-o 
totalmente. Estará assim a exercer dois tipos de 
pressão sobre o gatilho. Um provocado pela flexão do 
dedo, e para a esquerda. O outro, pelo envolvimento 
do gatilho, e para a direita. Como este último é o 
dominante, a arma irá deslocar-se no seu sentido.
O atirador deve ter a noção de que:
• O dedo polegar deve acompanhara arma sem 
exercer qualquer pressão. Só a sua base é que 
actua e apenas para efectivar a empunhadura;
• Deve concentrar a atenção na posição da mão 
esquerda. Não esquecer que é a zona de flexão da 
palma, junto à implantação dos dedos, que se 
sobrepõe aos dedos da mão direita. A pressão é 
efectuada, da frente para trás, sobre a face anterior 
do punho. Deste modo, a força (de aperto) 
exercida pela palma e pelos dedos desta mão, 
necessária para segurar a arma, ficará equilibrada, 
não provocando desvios;
• Só a falangeta do dedo indicador, pela sua porção 
média, é que pode accionar o gatilho. Como já 
referido, deve encontrar uma situação de 
compromisso entre a forma anatómica da sua mão 
e a arma que utiliza.
5.2.4 Impactos concentrados entre as 03H30 e as 05H00 
85
Verifica-se quando o atirador contrai a mão ao aplicar 
a pressão no gatilho. Não estando a arma segura com a 
tensão suficiente, os dedos polegar e mínimo, fazendo 
excessiva força, são os principais responsáveis por 
este erro. O polegar empurrando para a direita, e o 
mínimo, ao pressionar na zona terminal do punho, 
puxando para baixo.
O atirador deve ter a noção de que:
• Numa empunhadura perfeita, a mão direita apenas 
sustem a arma, cabendo à mão esquerda segurá-la 
e guiá-la. A força, a aplicar pela mão que 
empunha, limita-se às bases dos dedos polegar e 
indicador. Mesmo o dedo médio não pode efectuar 
pressão excessiva;
• Os dedos não devem apertar a arma, como se a 
quisessem espremer.
5.2.5 Impactos concentrados entre as 05H00 e as 06H30 
Verifica-se quando o atirador, por saber que no 
momento do disparo o coice levantará a arma, dobra o 
pulso no sentido contrário procurando compensá-lo. 
Este movimento é puramente reflexo.
No momento do disparo, o atirador pressiona 
excessivamente o punho com os dedos anelar e 
mínimo, provocando um desequilíbrio na arma que se 
manifesta por abaixamento da boca do cano. Este erro 
é designado, incorrectamente, de “gatilhada”.
O atirador deve ter a noção de que:
• A acção a efectuar sobre o gatilho, deverá ser 
lenta, suave e progressiva. Só deste modo 
conseguirá obter um tiro de surpresa, evitando o 
acto reflexo de antecipação do coice. Com o treino 
adequado, este movimento passará a ser cada vez 
mais rápido, mas sem provocar alterações na 
posição da arma;
86
• Numa empunhadura correcta, a arma é segura 
apenas pelas bases dos dedos polegar e indicador, 
e apoiada pela zona de implantação dos dedos da 
mão. Os dedos médio, anelar e mínimo limitam-se 
a acompanhar a parte anterior do punho, sem 
exercerem pressão excessiva. No momento do 
disparo, estes dedos devem permanecer estáticos. 
Só o dedo indicador é que irá exercer pressão 
sobre o gatilho, com o cuidado de não tocar em 
mais nenhuma parte da arma.
Outra das causas pode estar relacionada com a 
“gatilhada”, isto é, quando as miras estão alinhadas, 
instintivamente o atirador pensa em disparar e então o 
dedo efectua um movimento brusco e forte sobre o 
gatilho. Também ocorre quando começamos a apertar 
pouco a pouco o gatilho e, ao não sair o disparo parece 
que nos cansamos, razão pela qual exercemos maior 
força no gatilho produzindo-se dessa forma a 
“gatilhada”. O dedo não deve perder nunca o contacto 
com o gatilho pois se não existir esse contacto 
aumenta a possibilidades de dar “gatilhadas”.
Igualmente se produz porque o ruído da detonação 
incomoda, tendo assim os mecanismos de defesa 
preparados. Provocamos então o disparo para aliviar a 
tensão que produz o estar pendente do disparo do 
camarada que está ao lado.
5.2.6 Impactos concentrados entre as 06H30 e as 08H00 
Verifica-se quando o atirador puxa 
repentinamente o gatilho, dada a sua 
tendência em dar demasiada atenção 
ao alvo. Assim, devido aos 
movimentos da mão, o aparelho de 
pontaria surge-lhe enquadrado com o 
alvo, 1 em cada 5 segundos, levando-
87
o a tomar uma atitude expectante. Ao procurar 
efectuar o tiro no segundo em que tem a mirada 
correcta, o atirador puxa violentamente o gatilho que, 
ao ser assim accionado, provoca um desvio para baixo 
e para a esquerda.
O desvio para a esquerda deve-se ao facto de, ao 
flectir o dedo indicador, este tender naturalmente 
(anatomicamente) a deslocar-se na direcção do dedo 
polegar.
O atirador deve ter a noção de que:
• Deve concentrar mais a atenção no aparelho de 
pontaria deixando o alvo na sua visão periférica. 
Só assim conseguirá verificar qualquer alteração 
que eventualmente provoque, tendo hipótese de a 
corrigir de imediato;
• Obterá deste modo a estabilidade da arma 
necessária para poder efectuar um disparo 
correcto;
• Não se deve esquecer que a pressão no gatilho se 
deve efectuar de modo uniformemente crescente, 
mas o mais lenta possível, para não alterar a 
posição da arma e conseguir que o tiro o 
surpreenda.
5.2.7 Impactos concentrados entre as 08H00 e as 09H30 
Verifica-se quando o atirador pressiona o gatilho de 
uma forma incorrecta.
Os atiradores com a mão pequena, ao efectuarem uma 
boa empunhadura para terem o controlo eficaz da 
arma, só conseguem alcançar o gatilho com a ponta do 
dedo indicador. Ao accionarem-no, a pressão exerce-
se sobre a sua aresta lateral direita, e não na porção 
anterior.
Em relação a atiradores com a mão ou dedos 
compridos, este erro é motivado por utilizarem a 
88
falanginha ou a dobra existente entre esta e a falange 
para pressionarem o gatilho, mas sem o envolverem.
Em ambas as formas anteriores, o atirador empurrará 
o gatilho para a esquerda em vez de o puxar em linha 
recta para trás.
Finalmente, a mão esquerda, que deve apoiar e guiar a 
arma, também pode provocar este tipo de erro se a sua 
colocação for deficiente. Se colocarmos a palma da 
mão muito atrás, em vez de ficarmos com a base de 
implantação dos dedos a pressionar na face anterior da 
coronha, serão as falanges a fazê-lo. Desta forma 
serão os dedos a exercer maior pressão, puxando a 
arma para a esquerda.
O atirador deve ter a noção de que:
• Deve utilizar a parte média da falangeta para 
pressionar o gatilho, exercendo uma acção lenta, 
suave, crescente e em linha recta da frente para 
trás;
• O dedo nunca empurra o gatilho, e, ao inserir-se 
nele, a falangeta deverá fazer com o sentido 
longitudinal do corpo da arma um ângulo de 90º;
• Nos casos de atiradores com mãos 
desproporcionadas em relação à arma que utilizam, 
deverão, em pretérito de uma boa empunhadura, 
encontrar uma situação de compromisso 
empunhadura/arma, que lhes permita efectuar o 
controlo do gatilho da forma descrita;
• As zonas tenar e hipotenar da mão de apoio 
deverão cobrir a platina esquerda, de modo a que 
seja a zona de flexão da palma - inserção dos 
dedos – a pressionarem, da frente para trás, a parte 
anterior do punho.
5.2.8 Impactos concentrados entre as 09H30 e as 11H00 
89
Verifica-se quando o atirador, por saber que, ao ser 
deflagrada, a arma irá subir, numa 
tentativa de amortecer a violência do 
seu impacto, começa a executar este 
movimento quando ainda está a 
pressionar o gatilho.
Por sentir o momento em que o cão 
ultrapassa o ressalto que lhe permite 
vir à frente para embater no percutor, 
o atirador larga violentamente o gatilho.
Sendo estes movimentos simultâneos com a 
deflagração, vão alterar a posição da arma, fazendo-a 
saltar para cima e para a esquerda.
O atirador deve ter a noção de que:
• Não deveantecipar o movimento provocado pelo 
coice antes dele existir. Deverá efectuar a força 
necessária e suficiente com a mão esquerda para 
não deixar que a arma levante muito. Isto 
consegue-se se a mão esquerda pressionar a direita 
para trás, mantendo o cotovelo em direcção ao 
solo;
• Após a deflagração, o gatilho deve ser seguido 
pelo dedo indicador no seu movimento de 
recuperação. Quer isto dizer que, ao ir à frente, o 
dedo não perde o contacto com o gatilho, 
deixando-o armar de forma lenta e suave.
5.2.9 Impactos concentrados entre as 11H00 e as 12H30 
Verifica-se quando o atirador coloca a arma com a 
aresta posterior direita do punho junto à zona de 
flexão da mão.
Nesta posição, ao apertar o punho no instante que 
antecede o disparo, o atirador empurra-o com a palma 
da mão – empalmar -. Como o eixo de rotação da 
arma se encontra na junção do punho com a carcaça, a 
90
boca do cano é elevada. Ao aperceber-se deste 
movimento, a atenção do atirador é desviada para o 
ponto de mira, foca-o, recentrando a pontaria apenas 
por ele. Como a alça baixou mas está desfocada, o 
atirador não toma consciência do erro, pois vê o ponto 
de mira no centro do alvo.
O atirador deve ter a noção de que:
• Ao fazer a pontaria, deve manter sempre focados 
com nitidez quer a alça quer o ponto de mira, 
principalmente no lapso de tempo que antecede o 
disparo. Só assim se conseguirá aperceber das 
alterações da mirada que possam advir, e corrigi-
las atempadamente;
• Deve empunhar a arma convenientemente, o que 
lhe proporcionará o seu correcto controlo. No caso 
vertente, e para que os músculos da palma da mão 
não interfiram com a estabilidade da arma, não se 
pode esquecer que, a empunhadura deve ser 
conseguida através de uma pressão limitada da 
mão direita, devidamente acompanhada da mão 
esquerda.
5.2 Correcções a efectuar pelo Oficial de Tiro
5.3.1 Confirmar o alinhamento do aparelho de pontaria 
• Mostrando a figura correspondente ao aparelho de 
pontaria
91
• Na pistola, por exemplo, a perspectiva que o 
atirador deve ter da mirada aos 10, 15 e 20 mts. É, 
sensivelmente, a seguinte:
Como, à medida que a distância aumenta se torna 
mais difícil enquadrar o ponto de mira na zona de 
pontaria, o resultado traduz-se numa maior 
dispersão.
5.3.2 Folga do gatilho e disparo 
• Depois da sessão de ensaio, aproveitando o 
intervalo após a colagem de pastilhas, e não 
havendo ninguém à frente dos atiradores, isolar um 
dos piores atiradores e chamar os restantes, 
informando-os de que, quando este atirador estiver 
a disparar, devem ter especial atenção ao gatilho e 
ao cano da arma;
• De seguida, chamar o atirador que não obteve bons 
resultados, fingir que vai municiar-lhe a arma 
(introduzindo um invólucro na câmara), dizendo-
lhe que se enquadre com o alvo e faça um disparo;
• É quase certo que este atirador vai dar uma 
gatilhada (o cano vai baixar, no momento do 
92
20mts.10mts. 15mts.
disparo) facto que todos os outros atiradores 
poderão confirmar;
• Explicar ao atirador onde errou, e demonstrar-lhe o 
jogo Miras/Gatilho ou Cá-Lá-Cá-Lá, deixando-o 
disparar duas ou três vezes “em seco” (até que o 
cano não se mova ao disparar);
• Argumentando que se vai proceder à troca do 
invólucro, introduzir uma munição na câmara, 
dizendo-lhe para efectuar mais um disparo, 
utilizando toda a técnica vista anteriormente;
• Assim, o resultado obtido com este disparo, será 
bem melhor que os antecedentes, dando confiança 
ao atirador e demonstrando aos restantes como 
poderão melhorar o seu tiro.
5.3.3 Exercer demasiada força nos dedos ao disparar 
• Para detectar este erro, é necessário que o atirador 
dispare “em seco”. Para se corrigir, basta 
relembrar-lhe que a arma deve ser empunhada com 
a força necessária para se cumprimentar alguém;
• Se não resultar, obrigá-lo a empunhar a arma 
apenas com o polegar e o indicador, mantendo os 
restantes dedos afastados do punho, e disparar uma 
ou duas vezes.
93
94
SEGURANÇA E CONDUTA PESSOAL
“Uma brincadeira com uma arma de fogo acabou da pior 
maneira num bar em Grândola, com um soldado da GNR a 
desfechar um tiro na sua própria cabeça, soube o Correio da 
Manhã.
O acidente teve lugar por volta da uma hora da manhã de ontem 
num bar da vila de Grândola e foi presenciado por um colega da 
vítima e um grupo de mais de cinco pessoas.
Os dois soldados da GNR, ambos a prestar serviço no posto 
territorial de Grândola, estavam a conversar sobre armas de fogo, 
quando, um deles pediu ao colega a arma pessoal emprestada para, 
segundo consta, mostrar um “truque novo”.
Fonte do Comando Geral da GNR disse que o guarda Luís 
Fernando Branco Nunes, de 29 anos, alistado na corporação desde 
1993 retirou as munições que estavam no tambor do revólver.
Todavia, tudo leva a crer que uma bala .32 ficou esquecida no 
tambor e quando o militar levou o revólver à cabeça e premiu o 
gatilho foi atingido mortalmente, perante a estupefacção de todos os 
presentes. O militar da GNR ainda foi evacuado para uma unidade 
hospitalar, mas chegou cadáver.
O mesmo responsável do Comando Geral da GNR, em Lisboa, 
adiantou que o soldado falecido estava fora de serviço, assim como 
o camarada. Recorde-se que este não foi o primeiro acidente com 
armas de fogo manuseadas por agentes de autoridade em aparentes 
brincadeiras que acabam por culminar em morte.”
In Correio da Manhã de 17DEC96
5. A SEGURANÇA NO USO DE ARMAS DE FOGO
Talvez este exemplo sirva de alerta quando não é atribuída a 
devida importância a um princípio irredutível que deve estar sempre 
presente em todos aqueles que fazem uso de armas de fogo, com 
especial incidência nos militares de uma Força de Segurança. A 
segurança é, efectivamente, uma das suas principais 
95
responsabilidades. A inobservância das suas mais elementares regras 
pode conduzir à situação que aqui se reproduz.
A segurança é um conceito que aparece intimamente ligado ao de 
arma de fogo. Com efeito, se perguntarmos a alguém o que tem a 
dizer sobre as armas de fogo, aquele que se sente incomodado com o 
assunto dirá que todas as armas são perigosas. Esta opinião é 
partilhada por aquele que a elas está habituado, pois caso o não 
fossem seriam inúteis. Na realidade, as armas, por si só, são 
ferramentas inofensivas e inertes, até que alguém lhes toque, razão 
pela qual se costuma dizer que não existem armas perigosas, as 
pessoas é que são perigosas. Uma pessoa qualquer que veja uma 
arma carregada pode-a considerar perigosa, contudo a segurança é da 
responsabilidade do utilizador e não tanto de quem o está a observar.
A segurança com as armas de fogo deve significar que apenas o 
adversário, ou o alvo de papel que se encontra numa carreira de tiro, 
se encontra em perigo de vir a ser alvejado, e nada nem ninguém 
para além disso.
A segurança - a todos os níveis -, é um processo mental que deve 
ser aprendido e praticado para que seja efectivo. Os acidentes que 
ocorrem não podem ser prevenidos com leis ou sistemas de 
segurança demasiado seguros que tornem as armas de fogo em 
instrumentos de pouco valor táctico, ou mesmo inúteis. Os acidentes 
com estas armas são causados pela inépcia e pelo descuido 
negligente do seu manuseamento, por intermédio de pessoas que não 
possuem o necessário estado de espírito que lhes permita ter esta 
preocupação sempre presente.
As armas não disparam por elas próprias, alguém, oualgo, faz 
com que elas disparem. As armas que são disparadas 
inadvertidamente ou acidentalmente causam grandes embaraços, 
quando não, tragédias. Quando tal acontece torna-se mais fácil para o 
prevaricador culpar a arma que admitir o erro e aceitar a 
responsabilidade do mesmo.
Disparos acidentais não são de forma alguma “acidentes”, eles são 
causados pela negligência e devem antes ser sempre apelidados de 
disparos negligentes. Esta constatação remete-nos para a conduta 
pessoal do militar, para a sua atitude, assunto a abordar mais à frente.
96
A fim de minimizar a ocorrência deste tipo de disparos, o ensino 
da moderna técnica de tiro tem reservado uma parte dedicada em 
exclusivo à compreensão das regras de segurança. De entre todas as 
que possamos considerar, talvez a mais importante, a regra de ouro 
relativamente à segurança, é: nunca colocar o dedo no gatilho, a 
não ser quando pretenda fazer tiro.
Não obstante a sua importância, e uma vez que as regras devem 
ser vistas numa perspectiva de complementaridade, aqui ficam quatro 
sugestões claras, concisas e fáceis de lembrar:
• Regra um: Todas a armas estão sempre carregadas. Temos 
muito mais confiança com uma arma que sabemos estar 
carregada, pois se tal não acontecer tornam-se inúteis. Por esta 
razão devemos sempre partir do pressuposto de que a arma está 
sempre carregada;
• Regra dois: Nunca aponte a arma a ninguém, se não for para 
fazer tiro. Se alguém lhe apontar a arma tem de partir do 
pressuposto de que está pronto para o atingir, pelo que tem todo o 
motivo para reagir agressivamente contra ele(a). Quando tal 
sucede, a desculpa habitual é que “a arma não está carregada”. 
Deveria então ter em atenção a regra um. Uma excepção a esta 
regra, ocorre quando, por razões evidentes, não se pretende 
disparar sobre o adversário, mas torna-se necessário intimidá-lo 
ou dar-lhe a ordem de largar a arma que tiver empunhada. Se por 
acaso se confirmar que a pessoa está inocente ou não há razão 
para continuar com aquele procedimento, então baixa-se a arma. 
Contudo, quaisquer problemas poderão facilmente ser 
prevenidos, através da observação da regra três;
• Regra três: Mantenha o dedo fora do gatilho até que as miras 
estejam no alvo. Lembre-se que num cenário táctico, as miras 
ainda não estarão no alvo, sendo esta a última possibilidade que 
há de prevenir quaisquer tiros inadvertidos. Mesmo (e sobretudo) 
em deslocamento o dedo que acciona o gatilho deve estar sempre 
colocado ao longo do guarda-mato;
97
• Regra quatro: Certifique-se do seu alvo e do que está por trás 
dele. Não dispare para um som ou um barulho, certifique-se 
sempre que se trata do alvo para o qual quer atirar.
Conforme se pode facilmente concluir, nenhuma destas regras se 
baseiam em dispositivos de segurança, mas antes num adequado 
estado de espírito o qual deve ser sempre observado quando se 
manuseiam armas.
1.2 Instruções de segurança
A preocupação com a segurança começa logo que se toma 
contacto com uma arma. Mas antes de a manusear deve ler-se 
atentamente o manual de instruções, com particular atenção às 
medidas de segurança preconizadas, o que permite ao 
utilizador conhecer tudo aquilo que o fabricante considera 
essencial para uma correcta utilização da sua arma. A razão 
para tal é, fundamentalmente, evitar que um manuseamento 
impróprio ou descuidado da arma possa resultar no tiro 
inesperado (não intencional) podendo, em consequência, causar 
ferimentos, danos patrimoniais ou mesmo a morte do atirador 
ou de outra qualquer pessoa. As mesmas consequências podem 
também advir de modificações não autorizadas, corrosão, ou 
utilização de munições danificadas ou não aconselhadas.
Apesar das armas serem testadas, inspeccionadas e 
empacotadas antes de saírem da fábrica, o fabricante aconselha 
sempre ao potencial utilizador de a inspeccionar 
cuidadosamente, a fim de se assegurar de que não está 
carregada ou avariada, reforçando assim a preocupação 
relativamente à segurança.
Conforme se pode constatar, o próprio fabricante chama desde 
logo a atenção do utilizador para que confirme se a arma está 
ou não descarregada, uma vez que, sem a menor dúvida, uma 
arma descarregada e em segurança é a arma mais segura. 
Neste aspecto particular, mais que em qualquer outro, todo o 
cuidado é pouco. O militar deve ter extremo cuidado ao 
manusear a arma. Como é sabido, e de acordo com o artigo 
98
transcrito, os acidentes ocorrem muito rapidamente e ferir ou 
matar alguém pode ter consequências muito graves.
Para segurança do utilizador e de terceiros, é sempre 
conveniente proceder de acordo com as seguintes instruções de 
segurança:
• Nunca esquecer que uma arma de fogo é um instrumento de 
defesa, pelo que só deve ser utilizado para repelir uma 
agressão actual ou iminente, em legítima defesa ou de 
terceiros, esgotados que tenham sido quaisquer outros meios 
para o conseguir;
• O utilizador de qualquer arma de fogo deve estar 
perfeitamente apto a manuseá-la, conhecer o seu 
funcionamento, montagem e desmontagem e a efectuar as 
operações de segurança;
• Todo o militar deve estar seguro de que conhece e sabe pôr 
em prática os princípios da técnica de tiro;
• Quando pegar na arma manuseá-la sempre como se 
estivesse carregada;
• Não confie na memória nem na palavra de alguém. Uma 
arma deve sempre considerar-se como estando carregada e 
pronta a fazer fogo, até ao momento em que o utilizador se 
assegure pessoalmente do contrário, executando as 
operações de segurança;
• Excepto em situações de serviço que assim o exijam24, uma 
arma de fogo deve ser sempre transportada em segurança e 
sem munição introduzida na câmara;
• Introduza apenas a munição na câmara quando estiver 
pronto para atirar a um alvo conhecido e seguro;
• Sempre que empunhar uma arma, qualquer que seja o 
propósito, aponte-a numa direcção segura, desarme o cão e 
verifique se está descarregada;
24 Estas situações são as decorrentes do enquadramento legal (em particular o DL 
n.º 457/99 de 05 de Novembro). A ordem de introdução de munição na câmara será 
dada pelo Cmdt da força que estiver empenhada ou, na sua impossibilidade, deverá 
ser o próprio militar, mediante a análise que fizer da situação envolvente, a decidir.
99
• Nunca apontar a arma a alguém ou algo - excepto em 
situações imperiosas de serviço -, se não pretende fazer 
fogo, mesmo sabendo que está descarregada;
• Nunca aceite, devolva ou pouse uma arma sem que esteja 
descarregada, com o cão desarmado e com o tambor aberto 
(no caso dos revólveres);
• Verifique com frequência o estado de conservação e limpeza 
da sua arma, pois só assim poderá prevenir futuras avarias, 
que teriam consequências graves em situação de crise. 
Tenha especial atenção ao bom funcionamento e 
desobstrução do carregador, corrediça/culatra, câmara e 
cano;
• Ao terminar o serviço, se possível, guarde a arma na 
arrecadação de material de guerra;
• Não leve a arma para a caserna, nem a deixe guardada no 
armário;
• Não se iniba de chamar à atenção ou repreender um seu 
camarada ou subordinado, sempre que verificar que estão a 
ser desrespeitadas as normas elementares de segurança;
• Ao guardar a sua arma em casa, descarregue-a e efectue as 
operações de segurança, coloque-a num local onde seja 
inacessível a qualquer outra pessoa, em especial a crianças, 
de preferência num compartimento fechado à chave. A arma 
e as munições devem ser guardadas em locais separados;
• Não abandone nunca a sua arma, pois pode ser usada contrasi;
• Nunca deixe a arma em local onde possa ser facilmente 
furtada, como por exemplo no porta-luvas do carro;
• Quando trajar à civil, transporte a sua arma num local 
dissimulado. Deve de preferência usar uma “sovaqueira”;
• Nunca trepe ou salte um obstáculo, com munição 
introduzida na câmara da arma;
• De igual modo, nunca a aponte para si agarrando na boca do 
cano;
100
• Quando transportar a arma na mão, nunca deixe que 
qualquer parte da mão ou outro objecto toquem no gatilho;
• Nunca deixar a pistola pronta a fazer fogo, se essa não for a 
sua intenção;
• Utilize sempre munições de qualidade e do calibre 
apropriado para a sua arma;
• Nunca ingira bebidas alcoólicas ou drogas antes ou durante 
a realização do tiro;
• Utilize sempre óculos de protecção e protectores de ouvidos 
durante o tiro;
• Tenha sempre a patilha de segurança em segurança e o cão 
abatido, apenas alterando esta posição quando estiver pronto 
para fazer tiro. Mantenha a arma apontada numa direcção 
segura - linha de alvos ou espaldão - quando colocar a 
patilha de segurança em fogo;
• Contar os disparos para saber as munições que ficam no 
carregador, para que se possa, numa acção rápida, trocar de 
carregador enquanto existe munição na câmara;
• Mantenha-se fora da zona normal de ejecção dos invólucros, 
afastando da mesma eventuais camaradas que estejam perto 
de si;
• Nunca premir o gatilho ou colocar o dedo no guarda-mato, 
se não tiver em condições de apontar a um alvo e fazer fogo;
• Tenha sempre absoluta certeza quanto ao seu alvo e à zona 
por detrás dele, antes de premir o gatilho. Um projéctil pode 
percorrer uma distância de várias dezenas/centenas de 
metros, para além do alvo - se o espaldão não o retiver -;
• Nunca dispare contra uma superfície dura, como rocha ou 
aço, ou uma superfície líquida, como água;
• Nunca dispare perto de um animal, a não ser que esteja 
treinado para aceitar o som produzido;
• Nunca incorra em “brincadeiras” quando tiver a sua arma 
empunhada;
• Em caso de falha de disparo, mantenha sempre a arma 
apontada ao alvo, ou para uma área segura, e espere 10 seg. 
101
Se por acaso ocorreu uma falha na ignição da munição, 
retardando a mesma, o disparo pode ocorrer passados 10 
seg. Se, após transcorrido este tempo a situação se mantiver, 
accione novamente o gatilho. Se mesmo assim não ocorrer o 
disparo, e o motivo não seja visível (como poderia acontecer 
se não tivesse havido extracção completa, e o invólucro 
estivesse a impedir a introdução da munição seguinte) deve-
se proceder de acordo com a seguinte sequência:
♦ Colocar a patilha/comutador de segurança em segurança,
♦ Retirar o carregador,
♦ Puxar a culatra/corrediça à retaguarda,
♦ Retirar a munição e examiná-la, a fim de determinar se 
houve ou não percussão. Se não houve, a causa pode 
ficar a dever-se ao percutor estar partido, pelo que é 
aconselhável fazer com que a arma seja observada pelo 
mecânico de armamento. Se houve, a causa é a munição.
• Assegure-se sempre que a sua arma não está carregada antes 
de a limpar ou guardar;
• Não efectue modificações na arma, pois o mecanismo de 
segurança e o seu próprio funcionamento podem ser 
afectados;
• Tenha sempre particular atenção a sinais de corrosão, 
utilização de munições danificadas, deixar cair a arma no 
chão, ou outro qualquer tipo de tratamento inapropriado, 
pois tal pode causar estragos imperceptíveis. Se tal 
acontecer entregá-la ao mecânico de armamento da Unidade 
para que seja vista;
• Nunca abusar da utilização da arma, para fins distintos da 
realização de tiro (real/“em seco”);
• Não deixe que lhe aconteça a si, ou junto de si, acidentes em 
que posteriormente diga ou oiça dizer “pensava que a arma 
estava descarregada!...”;
• NÃO LEIA apenas estas regras básicas!, PRATIQUE-AS e 
obrigue quem estiver junto a si a fazê-lo.
102
Pense sempre que o primeiro e mais importante aspecto da 
segurança de qualquer arma é o atirador. Todos os dispositivos 
de segurança são mecânicos e o atirador é o único que põe a 
arma em fogo/segurança. Não confie naqueles dispositivos, 
pense de forma prevista e evite situações que possam provocar 
acidentes.
Pelo facto das armas se distinguirem pelo seu manuseamento, o 
atirador nunca deve disparar com a arma antes de com ela se 
ter familiarizado. É necessário estudar o seu funcionamento e 
praticar o seu manejo, sem a carregar - exercícios “em seco” -, 
para se familiarizar com ela.
1.3 Operações de segurança
Tal como o próprio nome indica, as operações de segurança 
consistem num conjunto de procedimentos sistematizados cujo 
objectivo é garantir ao atirador que a sua arma se encontra em 
segurança.
Independentemente de noutros casos serem necessárias, as 
operações de segurança executam-se obrigatoriamente nas 
seguintes situações:
• Sempre que se manuseia uma arma;
• Sempre que se levanta ou entrega a arma na arrecadação, no 
acto da sua recepção ou guarda;
• Antes e depois da limpeza;
• Antes de executar qualquer operação de desmontagem;
• Imediatamente após a execução de tiro;
• Após o regresso de qualquer serviço em que se utilize a 
arma;
• Ao entregar a arma a um camarada por motivo de serviço.
A fim de verificar se uma arma está descarregada, as operações 
deverão ser executadas respeitando a seguinte sequência:
• Colocar a patilha de segurança/comutador de tiro na posição 
de segurança;
• Retirar o carregador;
103
• Puxar a corrediça/manobrador à retaguarda para verificar se 
existe munição na câmara, verificação essa que deverá ser 
visual e física25 (pela introdução do dedo na câmara);
• Levar a corrediça/manobrador à frente;
• Colocar a patilha de segurança/comutador de tiro em 
posição de tiro;
• Efectuar um (e só um) disparo de segurança em direcção 
segura;
• Voltar a colocar a patilha de segurança/comutador de tiro na 
posição de segurança;
• Introduzir o carregador, verificando se este está 
desmuniciado.
1.4 Segurança na Carreira de Tiro
As regras de segurança enunciadas devem ser tidas em 
consideração quando nos encontramos numa Carreira de Tiro 
(CT), local destinado à prática de tiro. De entre elas, 
sublinham-se as que se seguem, com alguns procedimentos 
específicos.
1.º Na CT, todos os procedimentos são ordenados por 
quem dirige o tiro;
2.º É expressamente proibido manejar as armas sem ter 
sido para tal autorizado;
3.º Na CT é obrigatório o uso de protectores de ouvidos 
(auriculares) já que:
• O som, que é uma perturbação periódica e agradável, 
por vibração do ar, converte-se em barulho ou ruído, 
quando a sua tonalidade, timbre e intensidade 
aumentam até alcançar níveis que o tornam 
desagradável;
25 Esta verificação física auxilia o atirador a reconhecer a sensação que lhe é 
transmitida pelo toque do dedo numa câmara com/sem munição. Isto é 
particularmente importante quando se conduzem operações em condições de fraca 
visibilidade.
104
• A quantidade mínima de décibeis (dB) de um disparo é, 
então, um ruído, pois atinge, normalmente, valores 
acima de 115 dB, valor esse que se enquadra na 
chamada “zona muito perigosa de audição”, como se 
pode observar no quadro seguinte:
Grau de perigo 
para a audição humana
Exemplo e 
décibeis registados
Zona muito perigosa • Reactor de avião (120/140 dB)
• Disparo (110/120 dB)
Zona perigosa • Banda Rock (100/110 dB)
• Walkman (90/100 dB)
Zona desagradável • Trânsito de uma cidade (70/90 dB)
Zona agradável • Conversação normal (45 dB)
• Se ao ruído provocadopelo disparo (que acaba por 
destruir as células responsáveis pela transformação das 
vibrações sonoras em impulsos nervosos), juntarmos a 
destruição que essas células sofrem à medida que a 
idade aumenta, conclui-se que estão reunidas as 
condições para o aparecimento da surdez;
• Todo o atirador deve, aquando da execução das tabelas 
de tiro, usar dispositivos para limitar esse ruído, 
provocado pelos disparos, tais como protectores de 
ouvidos ou tampões-esponja. Quando tais dispositivos 
não existirem, poderão ser utilizadas duas munições 
calibre 9 mm, obtendo-se um efeito similar.
105
4.º Quando não estão a ser manuseadas, as armas devem 
estar com:
• A corrediça/culatra à retaguarda (ou, no caso dos 
revólveres, com o tambor aberto);
• A patilha/comutador de tiro em segurança e visível;
• Cano direccionado ao alvo – quando não estiverem nos 
coldres -;
• Janela de ejecção virada para cima (Espingarda 
Automática G-3 e pistolas metralhadoras);
É ainda admissível que as pistolas sejam transportadas nos 
coldres, mas sempre com a corrediça à retaguarda, sem 
munição na câmara e sem carregador. As pistolas apenas 
não estão assim acondicionadas aquando da execução de 
tiro.
Cabe a quem dirige o tiro determinar qual a modalidade a 
adoptar.
5.º Mesmo depois da explicação do exercício, em caso de 
dificuldade de compreensão, é importante realizar uma 
sessão de ensaio de tiro “em seco”;
6.º Quando for ordenado o sacar da arma (na modalidade 
de tiro policial) esta deve ficar dirigida para a frente e 
para o solo, com uma inclinação de 45o;
7.º Enquanto o atirador não estiver a executar o tiro, deve 
manter o dedo indicador ao longo do guarda-mato, 
evitando assim disparos involuntários;
106
8.º No caso de se efectuar tiro com movimento, um meio 
expedito para reforçar as condições de segurança, a fim 
de evitar um disparo fortuito, é colocar o dedo polegar 
da mão fraca (mão que auxilia aquela que empunha a 
arma) entre o cão e o percutor.
9.º Para realizar qualquer operação, nunca apontar a arma 
em outra direcção que não seja a do alvo;
107
10.º Durante a execução do tiro com pistola, evitar o 
“hábito” de, após o disparo, observar o alvo, apontando 
a arma para o próprio pé do atirador;
11.º Ter particular atenção à colocação do dedo polegar 
esquerdo sobre o outro polegar e nunca sobre o pulso 
direito (pois a corrediça ou o cão, ao virem à retaguarda 
podem ferir a mão esquerda do atirador);
108
12.º Durante a execução do tiro com espingarda ou com 
pistolas metralhadoras, os atiradores esquerdinos devem 
ter particular atenção à colocação do dedo polegar 
direito (nunca sobre a janela de ejecção);
13.º A execução de tiro não deve ser conduzida em 
ambiente repressivo, de maneira a permitir que os 
atiradores estejam concentrados na execução das 
técnicas e na observação dos cuidados de segurança. Ao 
contrário do que por vezes se pensa, um ambiente de 
tensão e nervosismo26 conduz facilmente à perda de 
segurança, além de se reflectir negativamente nos 
resultados do tiro.
14.º Quando houver qualquer interrupção na execução do 
tiro, tomar sempre os seguintes procedimentos, 
adaptando-os às várias armas:
26 Não obstante, este ambiente de tensão e nervosismo é adequado para o treino de 
situações que possam vir a ocorrer, contribuindo para criar um maior realismo. Por 
esta razão, esse treino apenas deve ser conduzido numa fase posterior à técnica de 
tiro e ao tiro em CT. Após a apreensão destes pressupostos, pode-se então partir 
para a criação daquelas situações.
109
• Aguardar 10 seg. e efectuar novo disparo, pois a 
primeira percussão do fulminante pode não ter sido bem 
efectuada;
• Colocar a patilha/comutador de tiro em segurança;
• Retirar o carregador;
• Puxar a corrediça/culatra à retaguarda;
• Tentar identificar e solucionar a avaria. Caso não seja 
possível, levantar o braço livre, chamando a atenção de 
quem estiver a dirigir o tiro, aguardando que este se lhe 
dirija;
• Em todo este processo a arma e o atirador estão sempre 
direccionados para a linha de alvos.
15.º Fora da linha de tiro a arma está sempre no coldre ou 
devidamente acondicionada;
16.º Se tem que manusear a arma fora da linha de tiro deve:
• Pedir autorização a quem estiver a dirigir o tiro;
• Transportar a arma desmuniciada e descarregada;
• Afastar-se dos camaradas e dirigir-se para zona segura;
17.º Após haver terminado o manuseamento deve pedir 
autorização para se reintegrar, transportando a arma da 
mesma forma quando saiu da linha de tiro;
18.º Quando estiver terminada cada série/sessão de tiro, 
tomar sempre os seguintes procedimentos, adaptando-
os às várias armas:
• Colocar a patilha/comutador de tiro em segurança;
• Retirar o carregador;
• Puxar a corrediça/manobrador à retaguarda, fixando-
a/o;
• Colocar a arma em cima do pano de tenda, ou colocá-la 
no coldre, conforme foi visto no n.º 4;
• Recuar cerca de 2 metros e municiar o carregador 
vazio;
110
• Aguardar a voz de ir “aos alvos”. Após esta, deslocar-se 
até à frente do alvo e verificar o resultado obtido - na 
CT de 100 metros o atirador não se desloca aos alvos, 
pois o resultado é-lhe dado através do 
apontador/pastilheiro e confirmado via rádio -;
• Aguardar a voz de regressar “às linhas” - após esta, 
deslocar-se até à linha -;
19.º Quando estiver terminada a tabela de tiro, quem dirige 
o tiro deve dar indicações a todos os atiradores para:
• Efectuarem as operações de segurança;
• Acondicionarem novamente as armas nos locais onde 
foram transportadas;
• Certificarem-se de que nada fica esquecido e que a CT 
continua limpa.
6. A ATITUDE DO MILITAR
A natureza específica da missão da GNR faz com que a atitude do 
militar, no que diz respeito às armas de fogo e sua posse, seja 
desenvolvida no sentido de ir de encontro a algumas considerações 
que irão aqui ser tecidas. A prática e adopção de uma atitude correcta 
constituirá um forte contributo para minimizar as possibilidades de 
ocorrência de acidentes.
Para além das limitações legais já referidas, sempre que se trate do 
emprego de armas de fogo ou outros meios mortíferos, o militar deve 
ainda observar o seguinte:
• Ser conhecedor das condições em que pode “abrir fogo”, 
procurando, quando tal for absolutamente necessário, e sempre 
que possível, ferir e não matar;
• Antes de “abrir fogo”, e sempre que possível, avisar o Adversário 
(ADV) no mínimo três vezes, de que se vai recorrer a esse meio. 
Para tal, é preciso ter a percepção que o próprio acto de introduzir 
munição na câmara pode ter um efeito psicológico sobre o 
presumível infractor;
111
• Procurar avaliar o local onde se vai “abrir fogo”, incluindo o 
disparo de aviso para o ar, visto que nos centro urbanos, há 
possibilidade de atingir inocentes, dentro ou fora do local da 
actuação;
• Não abandonar nunca a arma, a qual deve estar sempre em 
contacto físico com o atirador nem mudá-la de mão para efectuar 
qualquer operação. Por regra, a mão que empunha a arma 
nunca a deve largar, servindo a outra para a execução das 
operações que forem necessárias;
• Se for necessário disparar contra uma viatura em fuga, tomar uma 
posição o mais baixa possível - de joelhos ou deitado - e apontar 
para os pneus da mesma, nunca directamente para o habitáculo 
dos passageiros;
• É totalmente interdito o fogo de “rajada”;
• Ao ser alvejado de local incerto, é interdita a abertura imediata de 
fogo, pois o procedimento correcto será procurar abrigo e tentar 
localizar a ameaçapara posterior neutralização;
• Deve praticar o disparo e o municiamento com a mão fraca porque 
pode ter essa necessidade em virtude de, por exemplo, ter sido 
ferido na mão forte (mão que empunha a arma);
• Neste sentido, deve também praticar a montagem, desmontagem e 
municiamento da pistola com uma só mão;
• Em situações de alteração da Ordem Pública, as armas devem ter 
o carregador municiado e introduzido, a câmara sem nenhuma 
munição e a patilha de segurança/comutador de tiro em segurança. 
A ordem de introdução de munição na câmara só deve ser dada 
pelo comandante das forças empenhadas e apenas quando houver 
fortes probabilidades de emprego das armas de fogo, já que em 
ambientes de grande tensão, qualquer provocação poderá conduzir 
a um disparo involuntário, levando o resto das forças a julgarem 
que teria sido dada ordem para abertura de fogo. Quando o 
comandante tiver necessidade de dar esta ordem, poderá indicar 
um número reduzido de atiradores.
No caso da patrulha se deparar com uma situação que motive o 
recurso a arma de fogo, e não sendo possível ao militar mais 
antigo dar a ordem de introdução de munição na câmara, terá de 
112
ser o próprio militar a proceder em conformidade com o 
desenrolar da situação;
• Depois de abrir fogo, devem ser tomadas as seguintes medidas:
♦ Identificar os feridos e prestar os primeiros socorros;
♦ Solicitar assistência médica;
♦ Caso tenham ocorrido mortes, não permitir que os corpos 
sejam removidos por parentes ou amigos;
♦ Recolha de identidades de testemunhas neutras, que possam 
ter presenciado a situação;
♦ Preservar os meios de prova (localizando e referenciando 
vestígios dos disparos);
♦ Deter os suspeitos;
♦ Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita).
É preciso, igualmente, não esquecer que a Comunicação Social 
pode aproveitar uma qualquer situação para denegrir a imagem das 
forças policiais, conforme se exemplifica através da legenda e 
fotografias a seguir indicadas:
“A sequência exemplar: um agente da GNR, emboscado atrás de 
um muro, tira a pistola e carrega-a. Agora, ninguém sabe quem 
atirou a matar” in Revista Visão n.º 66 de 27JUN94.
113
2.1 Adequação do estado de espírito/prontidão à situação
As potenciais situações de conflito que actualmente ocorrem a 
todo o momento na nossa sociedade, conduzem à necessidade 
dos agentes das Forças de Segurança, para salvaguarda da sua 
integridade física e da de terceiros, adoptarem uma atitude de 
prontidão, a qual se torna mais perceptível e real quando o 
agente se apercebe que a munição que entretanto introduziu na 
câmara pode ser aquela que lhe poderá salvar a vida.
Enquanto agente de uma Força de Segurança, o militar da 
Guarda pode, com efeito, ver-se envolvido numa situação 
conflituosa que pode ocorrer a qualquer momento em qualquer 
lugar, razão pela qual é preciso que esteja preparado para tal. É 
este estado de permanente prontidão que pode muitas das vezes 
superar a intromissão de um factor surpresa que claramente 
possa jogar contra o militar.
É preciso estar sempre preparado para lidar com situações 
difíceis, as quais podem mesmo envolver a utilização de uma 
arma de fogo. Também é evidente que é impensável estar num 
estado de permanente alerta. A análise constante do evoluir da 
situação deverá dizer ao militar se aquela é ou pode vir a ser 
uma situação de potencial perigo, obrigando-o a reagir em 
conformidade. O essencial é que não se deixe surpreender por 
qualquer evolução inesperada.
O militar deve assim procurar desenvolver um estado de 
espírito em que o surgimento de uma possível ameaça não 
constitua uma surpresa para si. Ao invés de perguntar o que se 
está a passar, ou a tentar perceber isso, o militar deve ter a 
consciência de que o que eventualmente possa estar a acontecer 
é algo que por si já era esperado. Em vez de enfrentar a 
situação com perplexidade, deve-a enfrentar com coragem e 
tenacidade.
A maior parte dos seres humanos têm alguma relutância em 
produzir violência contra os seus semelhantes. Efectivamente, 
mesmo ao ler estas linhas, o leitor não estará emocional e 
psicologicamente preparado para exercer violência contra 
alguém. Mesmo se fosse atacado repentinamente, demorariam 
114
alguns (preciosos) segundos até que se apercebesse aquilo que 
estava de facto a acontecer.
A reacção que muitas pessoas revelam à súbita violência é de 
descrença. A realidade é algo que, momentaneamente, lhes 
escapa. Tal é facilmente perceptível, porque a violência não é 
algo com que tenham de lidar diariamente, sendo esta falta de 
“estímulo” que acaba por conduzir a alguma acomodação.
Com alguma frequência, quando os agentes das forças policiais 
se envolvem em situações potencialmente perigosas, parecem 
inclinados a “negociar” uma saída pacífica duma situação que 
nada tem de pacífico. Para assegurar a execução das reacções 
mais adequadas, o militar precisa de desenvolver um estado 
crescente de alerta e prontidão. Isto auxilia-o na adopção das 
reacções mais apropriadas a qualquer tipo de situação, assim 
como a controlar eventuais tendências de “sobrereacções”. A 
melhor maneira para desenvolver isto é através da definição de 
um código de cores que representam diferentes estados de 
alerta e prontidão, relacionados com diferentes estados de 
espírito.
• Condição branca - O primeiro estado mental corresponde a 
um estado de vigilância normal, de alguma despreocupação 
relativamente ao ambiente circundante, correspondendo à 
situação que experienciamos quando estamos a dormir ou 
envolvidos numa qualquer tarefa, como por exemplo, ler um 
livro. Este estado é caracterizado pela cor branca, sendo de 
evitar sempre que estamos no desempenho do serviço e, em 
especial, quando estamos armados.
• Condição amarela - Se a condição branca corresponde, de 
certa forma, a um relaxamento praticamente total, a uma 
desatenção, esta condição amarela corresponde a algum 
relaxamento, mas de forma atenta. Quando nos encontramos 
neste estado, apercebemo-nos daquilo que se vai 
desenrolando à nossa volta. Digamos que, 99% das vezes o 
ambiente circundante pode não ser hostil, mas encontramo-
115
nos prontos para a eventualidade da situação se inverter. 
Estamos atentos e em alerta.
• Condição laranja - Nesta condição apercebemo-nos da 
possibilidade de um problema específico relativamente ao 
qual começamos a desenvolver um plano táctico. Agora 
apercebemo-nos de que não só pode haver a possibilidade 
de usar uma arma como o alvo específico contra o qual a 
usar. Mentalmente, é fácil transitar da condição amarela 
para a laranja, mas não tanto da branca para a laranja.
• Condição vermelha - A transição da condição anterior para 
esta depende das acções do possível infractor. Atingimos a 
condição vermelha quando nos apercebemos de que é muito 
provável desenrolar-se uma situação com alguma violência, 
pelo que o nosso sistema está em alerta total e pronto para 
uma resposta imediata. Muito provavelmente a pistola 
poderá já estar empunhada e pronta para efectuar o primeiro 
disparo num curto espaço de tempo, aguardando apenas o 
momento ideal para iniciar a acção, o qual corresponde a 
uma acção suficientemente agressiva que, à luz da 
legislação vigente, justifique a nossa resposta. Esta será 
assim uma resposta condicionada, instantânea.
Quando a luta começar não nos podemos prender a 
pormenores irrelevantes que nos possam condicionar a 
nossa acção. É preciso focar toda a atenção no desenrolar da 
situação. Não devemos pensar sequer na possibilidade de 
falhar um tiro.Se por acaso falharmos tal não deve ser 
motivo de preocupação, outras oportunidades surgirão, tal 
como também não devemos pensar de que poderemos ser 
atingidos, contudo devemos sempre minorar o risco de tal 
vir a acontecer. A chave é concentrarmo-nos no momento 
que está a decorrer e nas tarefas a desenvolver, o que 
significa que estamos a focar a nossa concentração e atenção 
naquilo que estamos a fazer. 
Mentalmente falando, existe uma linha muito ténue entre 
aquilo que experienciamos e aquilo que imaginamos, sendo 
116
este o segredo. Temos tendência a reagir antes, durante e 
depois de uma situação conflituosa da forma como 
programámos a nossa acção. Treinámos e programámos as 
reacções adequadas a ter em determinadas situações, as quais 
devem ser o mais variadas possível, sendo dessa forma que 
esperamos vir a reagir.
Podemos também programar a forma como pensamos, através 
de treinos mentais baseados nas probabilidades com que nos 
podemos defrontar. Estes problemas tácticos serão resolvidos 
mentalmente, imaginando-nos a ter o controlo completo do 
nosso corpo, a não vacilar perante a situação e a disparar como 
deve ser, não nos preocupando tanto com o resultado. 
Visualisamos o adversário como alguém que está condenado 
pelos seus próprios actos, não sentindo quaisquer remorsos, 
quando não será a nossa própria integridade física, e a de 
eventuais terceiros, que poderá estar seriamente afectada.
É preciso aprender a controlar a nossa mente da mesma forma 
que é preciso aprender a disparar correctamente.
Todos estes processos que têm a ver com a concentração nas 
tarefas, a visualização mental e o controlo corporal são 
aspectos bastante desenvolvidos ao nível da prática de quase 
todas as modalidades desportivas. Se tiver curiosidade existe 
vasta bibliografia especializada sobre a matéria que lhe dará 
uma visão mais pormenorizada sobre o assunto.
Após a refega, existirá provavelmente a sensação de alívio 
seguida por uma sensação de cumprimento da missão e de 
exaltação por estarmos vivos. Este sentimento poderá durar 
alguns dias, havendo também a tendência para contar o 
sucedido a todos os camaradas e amigos. É preciso resistir a 
esta manifestação entusiástica, tornando-se antes necessário 
manter alguma descrição.
Existirão aqueles que, eventualmente, nos criticarão, nos 
acharão rudes, independentemente da nossa acção ter sido legal 
e necessária, tornando-se mesmo inconvenientes. Para quem 
procede assim, a melhor resposta a dar é ignorar a sua 
presença.
117
É igualmente necessário estarmos preparados para eventuais 
referências pouco abonatórias por parte da comunicação social, 
pelo que, se agimos em consciência e dentro da legalidade, 
cumprimos a nossa missão.
Antes de irmos à luta é preciso estarmos alerta, estarmos 
prontos e decididos. Durante a luta, concentremo-nos na 
solução dos problemas que nos forem surgindo, o que implica 
termos sempre a preocupação de disparar bem. Depois da luta, 
devemos estar conscientes de ter cumprido o nosso dever, mas 
mantendo sempre a tal descrição.
TÉCNICA DE TIRO DE ESPINGARDA
7. TIRO DE ESPINGARDA
1.3 Introdução
A Técnica de Tiro de Espingarda apresenta muitas afinidades 
com a Técnica de Tiro de Pistola. Conforme iremos ver, os 
elementos que as constituem são idênticos. A grande 
diferença reside nas miras27 e nas características da própria 
arma. De tamanho superior, a espingarda é uma arma útil para 
o cumprimento de determinado tipo de missões que podem 
obrigar à utilização de um maior poder de fogo, como forma 
dissuasora. Por esta razão, tal como se referiu para a pistola, o 
militar deve identificar todos os procedimentos que lhe 
permitam tirar o máximo rendimento deste tipo de arma, caso 
dela tenha de fazer uso. Não basta apenas transportar a arma 
consigo, é preciso saber o que fazer e os cuidados a ter 
quando se utiliza uma arma que tem um alcance máximo 
superior aos 1000 metros. A inobservância dos princípios que 
irão aqui ser enunciados poderá conduzir a erros grosseiros 
27 Na pistola temos miras abertas, isto é, os seus contornos não são circulares, 
enquanto na espingarda, ao invés, temos miras fechadas.
118
que, no limite, poderão causar danos em alguém, ou algo, 
situado muito longe do local da contenda.
Comecemos então por tecer algumas considerações 
relativamente aos aspectos mais relevantes que o utilizador 
deve ter em mente para conseguir utilizar a arma de forma 
eficaz.
A eficácia do tiro depende:
• Do conhecimento, manutenção e preparação da arma para 
o tiro, tornando-se absolutamente necessário que o 
atirador:
♦ Conheça perfeitamente a arma que utiliza;
♦ Mantenha a arma em boas condições de limpeza e de 
funcionamento;
♦ Prepare cuidadosamente a arma para o tiro;
♦ Mantenha o aparelho de pontaria rectificado, limpo, 
seco, sem brilho e sem folgas;
♦ Prepare e inspeccione cuidadosamente as munições que 
vai utilizar.
• Do correcto manuseamento da arma e aplicação da técnica 
de tiro, exigindo-se que o atirador:
♦ Saiba manusear a arma com segurança;
♦ Proceda com rapidez e facilidade às mudanças de 
carregador;
♦ Conheça o aparelho de pontaria e seja capaz de 
escolher, com facilidade, a alça apropriada para bater o 
alvo;
♦ Faça um criterioso aproveitamento na escolha da 
posição de tiro;
♦ Execute uma pontaria correcta e a mantenha até ao 
momento do disparo.
8. REQUISITOS FUNDAMENTAIS DO TIRO
119
Para que o atirador possa obter eficácia no tiro, terá de fazer uso 
dos requisitos, ou elementos, fundamentais de tiro, que são:
• Tomar a posição;
• Suspender a respiração;
• Fazer a pontaria;
• Executar o disparo;
• Fazer “seguimento”.
2.1 Tomar a posição
Um dos mais importantes requisitos para o tiro é a posição, a 
qual é evidentemente completada com o correcto 
empunhamento da arma.
Sem uma posição correcta, é quase impossível ao atirador 
conseguir um tiro eficaz e ajustado e muito menos manter a 
pontaria após o primeiro disparo, quando tenha que executar 
uma série de tiros ou uma rajada.
Existem três posições características para o tiro de 
espingarda: a posição de deitado, de joelhos, e de pé.
Estas posições são definidas em função dos seus elementos 
essenciais; no entanto, elas devem sempre conferir ao atirador 
a possibilidade da execução do tiro com o mínimo de esforço 
e o máximo de comodidade, pelo que devem ser sempre feitos 
ajustamentos de pormenor de acordo com a compleição física 
de cada atirador, de forma a obter uma maior eficácia do tiro.
Assim, se a melhor posição para um atirador é aquela que, 
sem desobedecer aos elementos essenciais, lhe permita 
executar o tiro com a arma estabilizada, naturalmente 
suportada sem esforço e com comodidade, conclui-se, então, 
que a melhor posição para esse atirador não é 
necessariamente igual à de outro. De qualquer modo, seja 
qual for a posição tomada, a arma deve ser sempre suportada, 
de forma a que nem os ossos nem os músculos sejam forçados 
a tomar posições tensas, mas sim, constituírem um firme e 
natural suporte para a arma, sem o que não se conseguirá dar 
estabilidade a esta durante o tiro.
120
Para evitar a rigidez da posição, os ossos devem constituir a 
estrutura de base que garanta a firmeza da posição, nunca os 
músculos deverão ser usados para levar a arma à posição 
correcta quando se faz pontaria. Isto conduziria, por um lado, 
a um esforço suplementar dos músculos e, por outro, forçaria 
os ossos a uma posição anti-natural, que não poderiaser 
mantida por longo tempo e que, após o primeiro disparo, seria 
alterada (dada a tendência que os ossos têm de voltar à 
posição inicial).
Daqui resulta que a posição deve garantir que, com a arma 
devidamente empunhada, esta se dirija naturalmente para o 
alvo e esteja praticamente apontada ao mesmo.
2.1.1 Tomar a posição deitada para o atirador direito 28 
A posição de atirador deitado é a mais adoptada. É 
fácil de tomar, estável, confortável e aquela que mais 
diminui a silhueta do atirador. É a posição que 
oferece, em condições normais, maiores garantias de 
precisão do tiro, dada a grande estabilidade que 
permite. No entanto, não se deve pensar que é uma 
posição ideal em todas as situações (aspecto que será 
desenvolvido à frente). Assim, o atirador deve ter em 
consideração o seguinte:
2.1.1.1 Enquadramento com o alvo
O atirador coloca-se exactamente em frente ao 
alvo e toma uma posição deitada, ficando com 
o corpo a fazer um ângulo com cerca de 30º29 
com o eixo da arma, de forma a que a energia 
28 Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. 
Admitem-se, contudo, algumas variações, as quais decorrem da constituição 
anatómico-fisiológica de cada militar. Não obstante, devem ser observados e 
respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o 
“tomar de posição”.
29 Esta medida angular é meramente indicativa. O importante é que o militar defina 
a sua posição, a que lhe parecer mais cómoda.
121
do recuo seja suportada por todo o corpo e não 
somente pelo ombro.
2.1.1.2 Posição dos pés
• Os pés estão naturalmente estendidos e com 
as pontas voltadas para fora;
• O pé direito com a face interna voltada para 
baixo, na direcção do solo;
• O pé esquerdo com a biqueira voltada para 
baixo, conferindo apoio ao atirador.
2.1.1.3 Posição das pernas e tronco
• As pernas confortavelmente afastadas;
• Poderá flectir a perna direita pelo joelho, 
relaxando assim o corpo e conferindo maior 
apoio;
• O tronco deve estar direito.
2.1.1.4 Posição do braço e mão esquerda
• O braço deve ser flectido pelo cotovelo e 
este, deve situar-se, tanto quanto possível, 
por baixo da arma;
• A mão esquerda deve segurar a arma pelo 
guarda-mão com firmeza, mas sem fazer 
esforço, encaixando a arma sobre o “V” 
formado pelo polegar e pelo indicador e 
sobre a palma da mão, mantendo o pulso 
122
30º
direito e os dedos relaxados (o pulso deve 
ficar a cerca de, aproximadamente, 20 cm 
do solo);
• Para os atiradores que não consigam segurar 
a arma na zona do guarda-mão, esta poderá 
ser agarrada na junção do alojamento do 
carregador com o guarda-mão, situando o 
cotovelo esquerdo, por baixo da arma, tanto 
quanto possível. A incapacidade de colocar 
o cotovelo esquerdo por baixo da arma é 
normalmente provocada por um músculo do 
ombro contraído ou preso. A descontracção 
do ombro esquerdo permitirá a tomada da 
posição correcta.
2.1.1.5 Posição do braço e mão direita
• O braço direito deve fazer um ângulo de 
cerca de 45° com o solo e o cotovelo direito 
deve ficar avançado em relação à linha dos 
ombros, de forma a criar no ombro o 
encaixe para o coice da coronha;
• A mão direita deve envolver naturalmente o 
punho, deixando o dedo indicador (dedo 
que dispara) livre para ser apoiado no 
guarda-mato (enquanto não está a executar 
o tiro) ou correctamente colocado no gatilho 
(para disparar).
2.1.1.6 Posição dos ombros, pescoço e cabeça
• Os ombros devem estar praticamente ao 
mesmo nível;
• O pescoço deve estar relaxado, de forma a 
não afectar a circulação;
• A face deve permanecer firmemente 
apoiada contra a coronha (exactamente 
123
abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar 
o delgado a esta última. Caso contrário, o 
atirador, corre o risco de se magoar).
124
2.1.1.7 Situações em que se deve utilizar esta 
posição
Idealmente, a posição de atirador deitado 
deverá ser adoptada nas seguintes situações:
• Quando haja necessidade de grande 
precisão na execução do tiro;
• Para bater um alvo móvel;
• Quando o tempo disponível para a tomada 
de posição o permita (já que esta posição 
exige mais tempo de preparação do que a de 
joelhos ou de pé);
• Quando o alvo a atingir esteja à mesma 
altura do terreno onde se encontra o 
atirador;
• Quando se pretenda imobilizar uma viatura 
em andamento, atingindo as rodas, visto 
oferecer maiores garantias de que o tiro não 
atingirá os ocupantes;
• Para bater alvos colocados a grandes 
distâncias.
2.1.2 Tomar a posição de Joelhos para o atirador direito 
É uma posição equilibrada e também bastante estável.
2.1.2.1 Enquadramento com o alvo
O atirador afasta os pés e coloca-se 
exactamente em frente ao alvo, como se o 
observasse “olhos nos olhos”.
2.1.2.2 Posição dos pés, pernas e tronco
• Rodar ambos os pés para a direita, de forma 
a que se fosse traçada uma linha imaginária 
passando pelo meio dos seus pés, esta 
125
última fizesse um ângulo de cerca de 40º30 
com a linha do alvo;
• Seguidamente, colocar a ponta do pé e o 
joelho direito no solo, de maneira a ficar 
correctamente sentado sobre o calcanhar 
desta perna;
• Inclinar, ligeiramente, o tronco para a 
frente, de forma a deslocar o peso do corpo 
para cima da perna esquerda. Assim, cerca 
de 60% do peso será suportado por esta 
perna, enquanto que o pé e a perna direita 
servem de suporte ao recuo da arma, 
estabilizando a posição durante o tiro;
• A perna esquerda tomará uma posição tal, 
que ficará vertical, quando vista de frente, e 
inclinada, quando vista de lado, ficando o 
pé mais recuado que o joelho.
2.1.2.3 Posição do braço e mão esquerda
• O braço esquerdo fica flectido, apoiando a 
parte inferior (antes do cotovelo) no joelho 
do mesmo lado, (ficando assim o cotovelo 
30
126
4
ligeiramente avançado em relação ao 
joelho);
• O joelho e o cotovelo esquerdo deverão 
situar-se tanto quanto possível por baixo da 
arma;
• A mão esquerda deve segurar a arma na 
junção do alojamento do carregador com o 
guarda-mão com firmeza, mas sem fazer 
esforço, encaixando a arma sobre o “V” 
formado pelo polegar e pelo indicador e 
sobre a palma da mão.
2.1.2.4 Posição do braço e mão direita
• O cotovelo direito é descaído, de forma a 
criar no ombro encaixe para o coice da 
coronha, devendo ser mantido um contacto 
firme da arma contra o ombro;
• A mão direita deve envolver naturalmente o 
punho, deixando o dedo indicador (dedo 
que dispara) livre para ser apoiado no 
guarda-mato (enquanto não está a executar 
o tiro) ou correctamente colocado no gatilho 
(para disparar).
2.1.2.5 Posição dos ombros, pescoço e cabeça
• O ombro esquerdo deve estar ligeiramente 
avançado, enquanto que o direito deve estar 
mais recuado, isto em relação ao alvo;
• O pescoço deve estar relaxado, de forma a 
não afectar a circulação;
• A face deve permanecer firmemente 
apoiada contra a coronha (exactamente 
abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar 
o delgado a esta última).
127
2.1.2.6 Situações em que se deve utilizar esta 
posição
• Quando não há tempo para assumir a 
posição de deitado;
• Sempre que o terreno, pelas suas 
características, não permita a posição de 
deitado;
• Quando o alvo não for visível da posição de 
deitado.
128
2.1.3 Tomar a posição de pé para o atirador direito 
É a posição menos estável e que exige maior esforço 
muscular. Por estas razões, a aquisiçãode uma boa 
posição de pé exige bastantes cuidados e treino, 
podendo ocupar bastante tempo.
2.1.3.1 Enquadramento com o alvo
O atirador afasta os pés (sensivelmente a uma 
distância igual à largura dos ombros) e coloca-
se exactamente em frente ao alvo como se o 
observasse “olhos nos olhos”.
2.1.3.2 Posição dos pés, pernas e tronco
• Rodar ambos os pés para a direita, de forma 
a que se fosse traçada uma linha imaginária 
passando pelo meio dos seus pés, esta 
última fizesse um ângulo de cerca de 40º 
com a linha do alvo;
• O tronco deve ser flectido, ligeiramente, 
para a esquerda.
2.1.3.3 Posição do braço e mão esquerda
• O braço esquerdo fica flectido, devendo 
situar-se, tanto quanto possível, por baixo 
da arma;
• A mão esquerda deve segurar a arma pelo 
guarda-mão com firmeza mas sem fazer 
esforço, encaixando a arma sobre o “V” 
formado pelo polegar e pelo indicador e 
sobre a palma da mão, mantendo o pulso 
direito e os dedos relaxados;
• Para os atiradores que não consigam segurar 
a arma na zona do guarda-mão, esta poderá 
129
ser agarrada na junção do alojamento do 
carregador com o guarda-mão, encostando e 
apoiando o cotovelo e a parte interna do 
antebraço esquerdo ao peito. A 
incapacidade de executar a posição 
anteriormente referida fica-se a dever a que 
normalmente o atirador tem um músculo do 
ombro contraído ou preso. A descontracção 
do ombro esquerdo permitirá a tomada da 
posição correcta;
• O atirador também pode optar por assentar 
o fundo do carregador sobre a palma da mão 
esquerda; mas deve ficar ciente que passa a 
existir a possibilidade de a arma “ficar 
encravada”. Este facto fica-se a dever à 
oscilação do carregador no momento do 
disparo, por existir folga entre este e o seu 
alojamento na arma.
2.1.3.4 Posição do braço e mão direita
• O cotovelo direito é descaído, de forma a 
criar no ombro encaixe para o coice da 
coronha;
• A mão direita deve envolver naturalmente o 
punho, deixando o dedo indicador (dedo 
que dispara) livre para ser apoiado no 
guarda-mato (enquanto não está a executar 
o tiro) ou correctamente colocado no gatilho 
(para disparar);
• A arma deve ser agarrada firmemente, 
puxando-a para trás, de forma a ficar bem 
encaixada contra o ombro.
130
2.1.3.5 Posição dos ombros, pescoço e cabeça
• O ombro esquerdo deve estar ligeiramente 
avançado, enquanto que o direito deve estar 
mais recuado, isto em relação ao alvo;
• O pescoço deve estar relaxado, de forma a 
não afectar a circulação;
• A face deve permanecer firmemente 
apoiada contra a coronha (exactamente 
abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar 
o delgado a esta última).
131
2.1.3.6 Situações em que se deve utilizar esta 
posição
• Quando se torna necessário executar o tiro 
rapidamente;
• Quando se necessita tomar uma posição 
elevada para bater o alvo;
• Para bater alvos em movimento;
• Dado a sua pouca estabilidade, só deve ser 
assumida para bater alvos colocados a 
distâncias inferiores a 100 metros.
2.2 Suspender a respiração
A respiração é um factor importante para a obtenção da 
pontaria correcta, na medida em que, tal como a estabilidade 
da posição, pode provocar oscilação da arma quando se 
efectua a pontaria. Se um atirador respira enquanto tenta 
apontar, a subida ou abaixamento do seu peito provocará a 
oscilação da arma para cima e para baixo, tornando 
impossível a manutenção do alinhamento do aparelho de 
pontaria. O único processo de evitar estes movimentos é 
132
suspender31 a respiração por alguns segundos, momentos 
antes de ultimar a pontaria e efectuar o disparo.
A maneira correcta de respirar e suspender a respiração 
enquanto se faz pontaria é a seguinte:
• Fazer uma inspiração normal e expirar parte do ar 
inspirado;
• Manter algum ar nos pulmões, evitando manter o 
diafragma sobre tensão;
• Não fazer uma suspensão demasiado prolongada, de forma 
a não ultrapassar 10 a 12 segundos;
• Se não se conseguir fazer o disparo, retomar a respiração 
normal com dois ou três ciclos de respiração completa para 
relaxar e repetir então novamente o processo.
2.3 Fazer a pontaria
Na pontaria, o atirador deve preocupar-se fundamentalmente 
com:
2.3.1 O alinhamento correcto do aparelho de pontaria 
O alinhamento correcto do aparelho de pontaria 
(ranhura de mira ou furo dióptrico, ponto de mira e 
túnel de protecção do ponto de mira), define a linha de 
mira; isto é, a correcta relação entre os três 
componentes vistos anteriormente;
De notar, que se for traçada uma linha horizontal 
(imaginária), passando pela extremidade superior dos 
ramos da ranhura de mira em “V” ou pelo centro do 
diópter, ela deverá ser tangente ao topo do ponto de 
mira (e cortando em dois, o túnel de protecção do 
ponto de mira). Por outro lado, se fizermos passar uma 
31 Observam-se aqui os mesmos reparos feitos na Técnica de Tiro de Pistola. A 
“suspensão” da respiração não significa que o atirador deve deixar de respirar, mas 
antes que deve ter a noção de que o ar não entra nem sai. Para optimizar esta 
procedimento deve aproveitar a pausa que se verifica entre cada ciclo 
inspiração/expiração.
133
outra linha vertical pelo vértice da ranhura de mira em 
“V” ou pelo centro do diópter, ela deverá cortar o 
ponto de mira exactamente ao meio (cortando, 
também, em dois, o túnel de protecção do ponto de 
mira);
Para se obter um alinhamento correcto do aparelho de 
pontaria, este deve estar alinhado como se ilustra na 
figura:
134
1
Ranhura 
2
Furo 
Alinhamento 
2.3.2 A mirada, 
A mirada, ou seja o alinhamento do aparelho de 
pontaria em relação ao alvo, inclui o alinhamento do 
aparelho de pontaria e a sua colocação sobre o centro 
(para pequenas distâncias ou centro do alvo de 
grandes dimensões) ou base do alvo (para grandes 
distâncias ou centro do alvo de pequenas dimensões);
Se uma linha vertical cortar ao meio o ponto de mira, 
o centro do alvo deverá aparecer também cortado em 
duas metades. Se uma linha horizontal passar pelo 
topo do ponto de mira, ela deverá ser tangente ao 
bordo inferior do centro do alvo ou, no caso deste ser 
de grandes dimensões, cortá-la horizontalmente em 
duas metades;
Para se obter uma mirada correcta, o aparelho de 
pontaria deverá estar perfeitamente alinhado e 
centrado com o alvo, como se ilustra na figura:
2.3.3 Importância do alinhamento do aparelho de pontaria e 
da mirada
A execução correcta das duas acções é fundamental 
para a obtenção de um tiro eficaz; no entanto, revela-
se mais importante o alinhamento do aparelho de 
135
Mirada ao Mirada à 
pontaria do que a mirada, dado que os erros cometidos 
no primeiro são muito mais significativos do que os 
que se cometem no segundo. Como se sabe, quando o 
aparelho de pontaria não está devidamente centrado, 
comete-se um desvio angular em relação ao eixo do 
cano; erro esse que se traduz, às várias distâncias, num 
desvio tanto maior, quanto mais distante estiver o 
alvo. Todavia, se o alinhamento do aparelho de 
pontaria for correcto, um erro na mirada representa 
um desvio paralelo, que se mantém constante a todas 
as distâncias e que, se for pequeno, tem relativamente 
pouca importância.
136
Desvio Desvio Pontaria 
Como conclusão, um pequeno erro no alinhamento do 
aparelho de pontaria produzirá um maior desvio do 
impacto no alvo do que um pequeno erro na mirada, 
pelo que, a imobilidade da arma durante o disparo é da 
maiorimportância.
Dada a importância da obtenção do perfeito 
alinhamento do aparelho de pontaria e da sua 
manutenção até ao momento do disparo, o atirador 
deve concentrar-se no mesmo antes e depois de 
efectuada a mirada; isto é, procurará inicialmente 
alinhar o ponto de mira e a ranhura de mira ou o furo 
dióptrico e o túnel do ponto de mira, colocando em 
seguida o centro do alvo sobre o ponto de mira e 
finalmente, enquanto prime, lentamente, o gatilho, 
ajusta de novo o alinhamento do aparelho de pontaria. 
Com a prática, estas três acções constituem um 
contínuo e automático processo, sendo efectuadas 
quase simultaneamente. Todavia, apesar da rapidez 
com que possam ser efectuadas, elas são sempre 
distintas, uma vez que a vista humana não consegue 
focar ao mesmo tempo objectos situados em planos 
diferentes, mas somente um de cada vez. Assim, 
quando o atirador olha através da ranhura de mira ou 
furo dióptrico, ele não verá com a mesma nitidez o 
ponto de mira com o seu túnel e o centro do alvo ao 
mesmo tempo. Assim, ele concentra-se primeiro no 
aparelho de pontaria, para estabelecer o alinhamento 
correcto; depois, concentra-se sobre o centro do alvo, 
para obter a mirada correcta e, finalmente, enquanto 
prime o gatilho, deverá focar, novamente, o aparelho 
de pontaria, de forma a assegurar o alinhamento 
correcto. Nesta altura, ele deverá ver com nitidez o 
ponto de mira, enquanto que o centro do alvo não lhe 
aparece nítido, mas sim enublado, conforme se vê na 
ilustração:
137
Com o objectivo de se manterem os contornos do 
ponto de mira nítidos, normalmente não se deve 
apontar directamente para o centro do alvo, mas sim à 
sua base, evitando assim, que o aparelho de pontaria, 
ao projectar-se sobre a cor escura do centro do alvo 
(não no caso do alvo da figura), perca a nitidez e 
origine o seu desalinhamento.
2.3.4 Utilização do olho director 
O olho director é o olho que aponta a direito.
Preferencialmente, o atirador deve apontar com o olho 
director. No entanto, se o olho director não 
corresponder à “mão” que atira, o atirador deve optar 
por atirar com a mão que lhe dá jeito, desprezando o 
olho director, não se devendo contrariar a tendência 
natural para a tomada de posição;
Há atiradores que têm dificuldade em fechar um olho 
para fazer a pontaria. Esses atiradores poderão 
solucionar facilmente o problema, colocando um 
pedaço de cartão improvisado (por exemplo uma 
embalagem exterior de munições) ou o próprio 
bivaque à frente do olho que pretendem tapar, 
podendo assim apontar com os dois olhos abertos, que 
é o processo mais correcto para se fazer pontaria, pois 
não provoca o cansaço inerente ao piscar o olho.
138
BemMal
2.4 Executar o disparo
Um pormenor importante do tiro com espingarda é o modo 
como se prime o gatilho, de forma que tal acção não 
modifique ou altere a pontaria feita até ao momento em que o 
projéctil abandona a boca do cano. Os maus impactos 
resultam normalmente da alteração da pontaria no momento 
em que se prime o gatilho e que antecedem a percussão da 
munição. Esta modificação do alinhamento do aparelho de 
pontaria pode ficar a dever-se, por um lado, à forma como se 
prime o gatilho e, por outro, a uma hesitação ou precipitação 
em relação ao momento em que se espera o recuo da arma.
Dos dois factores apontados, o mais prejudicial é sem dúvida 
o segundo, pois provoca uma reacção do atirador, que o leva a 
alterar a posição, efectuando assim um movimento com o 
corpo, antes de o projéctil abandonar a boca do cano. Em 
suma, o atirador receia o disparo.
Para evitar este inconveniente, o atirador deve concentrar 
mais a sua atenção na pontaria e menos no gatilho, devendo 
este ser premido tão suavemente que não permita ao atirador 
aperceber-se do momento em que o cão é solto. Esta pressão 
deve, com a habituação, fazer-se automaticamente, sem 
desviar a concentração do atirador na pontaria.
Quando o atirador prime o gatilho instantaneamente logo que 
tenha ultimado a pontaria, só por mero acaso conseguirá um 
impacto satisfatório. O atirador deve manter a pontaria, 
exercendo sobre o gatilho uma pressão que vai aumentando 
constante e gradualmente, até se verificar o disparo.
A maneira correcta de premir o gatilho deve constituir uma 
acção livre do dedo indicador para a retaguarda, segundo o 
eixo do cano, com uma pressão que aumente uniformemente 
depois de retirada a folga, de tal forma que o atirador não se 
aperceba do momento em que vai surgir o disparo. Se a 
pressão sobre o gatilho não se exercer segundo o eixo do 
cano, essa força, aplicada obliquamente, desviará o cano para 
139
um ou outro lado, provocando assim o desalinhamento do 
aparelho de pontaria.
Como o gatilho das espingardas é, normalmente, muito 
“pesado”, o atirador poderá optar por colocar o dedo neste, de 
forma a que o seu accionamento seja efectuado pela junção da 
falanginha com a falangeta (curva a seguir à cabeça do dedo).
Assim, mesmo que o disparo aconteça antes do atirador 
esperar, será, em princípio, um bom tiro, porque a pontaria 
era correcta e o atirador foi surpreendido pelo disparo.
2.5 Fazer “seguimento”
O “seguimento” do tiro consiste em manter a pontaria durante 
alguns segundos após o disparo ocorrer. Tem como objectivo 
evitar que a arma se mova antes que os projécteis tenham 
abandonado a boca do cano, já que o atirador, na ânsia de 
verificar o resultado do disparo que acabou de efectuar, cria o 
hábito de baixar ligeiramente o cano, a fim de observar o 
alvo; e tantas vezes o faz, que acaba por antecipar o tiro uma 
fracção de segundo antes do projéctil abandonar a boca do 
cano, só para poder ver o alvo.
140
2.6 Sequência ideal para o tiro
Em resumo, e para se obter um tiro eficaz, o atirador deve 
executar a seguinte sequência:
1. Tomar a posição correcta;
2. Fazer a pontaria;
3. Retirar a folga do gatilho;
4. Suspender a respiração;
5. Rectificar a pontaria;
6. Pressionar o gatilho;
7. Fazer o “seguimento.
9. EXERCÍCIOS DE PONTARIA E “TIRO EM SECO”
Já foram vistas as vantagens dos exercícios do “tiro em seco”, 
aquando da explicação da técnica de tiro com pistola, que devem ser 
executados pela ordem a seguir indicada.
3.1 Treino das posição em relação ao alvo
O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição correcta 
em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em atenção o 
seguinte:
• O atirador coloca-se numa das posições de tiro e verifica 
se está bem posicionado em relação ao alvo;
• Repetir este exercício várias vezes, para cada uma das três 
posições anteriormente vistas.
NOTA: Neste exercício, não se deve disparar.
3.2 Treino de alinhamento do aparelho de pontaria
O objectivo do exercício n.º 2 é: assumir uma posição e 
alinhar o aparelho de pontaria. Para tal deve-se ter em atenção 
o seguinte:
• Começar pela execução do exercício n.º 1;
141
• Depois do atirador assumir a posição correcta, vai alinhar 
o aparelho de pontaria, concentrando-se durante períodos 
de cerca de 15 segundos (deve apontar a uma parede 
branca). Durante a execução deste exercício, a 
preocupação fundamental e exclusiva deverá ser o 
alinhamento do aparelho de pontaria;
• Repetir este exercício para uma das três posições 
anteriormente vistas.
NOTA: Neste exercício, não se deve disparar.
3.3 Treino de mirada
O objectivo do exercício n.º 3 é: alinhar o aparelho de 
pontaria com a base do centro do alvo. Para tal deve-se ter em 
atenção o seguinte:
• Este treino é realizado, colocando um alvo SPIII/EPG a 
uma distância de cerca de 10 a 25 metros;
• Começar pela execução do exercício n.º 1;
• Depois do atirador assumir a posição correcta, vai alinhar 
o aparelho de pontaria com a base do centro do alvo;
NOTA: Neste exercício, não se deve disparar.
3.4 Treino de “folga do gatilho”
O objectivo do exercício n.º 4 é: retirar a folga do gatilho. 
Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:
• Começar pela execução do exercício n.º 1;
• Sem ter a preocupação de alinhamento do aparelho de 
pontaria ou da mirada, pressionar o gatilho até lhe retirar a 
folga (depois de ter armado a culatra);
NOTA: Neste exercício, nunca se deve disparar.
142
3.5 Treino de disparo
O objectivo do exercício n.º 5 é: depois de retirar a folga do 
gatilho, pressioná-lo suavemente, sem produzir “gatilhadas” 
(percepção do movimento e peso do gatilho). Para tal deve-se 
ter em atenção o seguinte:
• Começar pela execução do exercício n.° 1, adoptando uma 
posição à escolha do atirador;
• Depois de assumida a posição de tiro, fechar os olhos e 
concentrar-se única e exclusivamente no accionamento do 
gatilho (atenção à colocação correcta do dedo no gatilho);
• O atirador, de início, deve retirar a folga do gatilho e 
procurar aperceber-se do peso do mesmo, até ser 
produzido o disparo;
• Accionar o gatilho várias vezes, tentando produzir um 
disparo o mais suave possível. No entanto, deve procurar 
produzir o disparo em tempo útil, ou seja, antes de 
começar a sentir fadiga por ausência de respiração; como 
regra, não deve ultrapassar-se os 10 segundos até à 
produção do disparo.
3.6 Treino do “seguimento”
O objectivo do exercício n.º 6 é: efectuar o “seguimento” do 
disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:
• Tomar a posição de tiro;
• Executar o disparo, observando a técnica correcta de todo 
o processo de tiro;
• Manter o aparelho de pontaria e a mirada alinhada durante 
alguns segundos após o disparo, procurando manter a 
estabilidade dos mesmos, só desfazendo a pontaria depois.
3.7 Treino integrado
143
O objectivo do exercício n.º 7 é: efectuar disparos correctos, 
observando todos os elementos fundamentais para a execução 
do tiro. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:
• Tomar a posição de tiro;
• Levar a arma à zona de pontaria;
• Alinhar correctamente o aparelho de pontaria;
• Fazer correctamente a mirada;
• Pressionar o gatilho, retirando a sua folga;
• Suspender a respiração;
• Executar o disparo;
• Efectuar o “seguimento”.
10. TIRO COM ESPINGARDAS CAÇADEIRAS
4.1 Generalidades
O poder derrubante da caçadeira é comparável com a sua 
reputação e aparência intimidativa.
A caçadeira é uma arma versátil e rápida capaz de efectuar 
um tiro preciso a pequenas distâncias, tendo boa penetração e 
derrube. Em caso de haver problemas com a super-penetração 
é aconselhável utilizar munições com chumbos diferentes, 
permitindo assim que os mesmos reduzam a sua velocidade e 
potencial letais se não atingirem o alvo.
Este tipo de armas oferece as seguintes vantagens:
• Reduz a possibilidade de que um presumível infractor 
tenha para a tirar ao militar;
• O seu alcance limitado torna-a aconselhável para 
operações em que tal seja um cuidado acrescido a ter em 
conta (exemplo; busca e montar segurança a essa 
operação).
Contudo, oferece as seguintes desvantagens:
• Reduzida capacidade de carregamento;
144
• Reduzida precisão;
• Fracas características de empunhamento;
• Grande dispersão de tiro (à medida que aumenta a 
distância);
• O recuo é mais pronunciado;
• É mais perigoso para o atirador.
4.2 Técnica de tiro
A caçadeira é encostada ao ombro, da mesma forma que a 
espingarda, contudo é mais concebida para ser apontada que 
para alinhar miras.
Deve-se ensinar o atirador a flectir ligeiramente o joelho da 
perna avançada e inclinar-se para a frente, a fim de 
compensar o recuo, em especial quando se dispara mais que 
um tiro. O recuo da caçadeira é mais parecido com um puxão 
do que propriamente com um “pontapé”, e facilmente levará a 
que o atirador se desequilibre se não fizer esta compensação.
Relativamente à segurança, porque este tipo de armas tem um 
carregador tubular, é frequentemente difícil dizer se o tubo 
tem ou não munição.
145
Manobrador à Manobrador 
4.3 Treino com caçadeira
Tal como com as outra armas, os militares devem estar 
totalmente familiarizados com a caçadeira. Os tópicos a rever 
são:
• Segurança e manuseamento.
• Carregar e descarregar.
• Fazer a manutenção.
• Resolução de possíveis avarias.
• Execução do tiro.
NOTA: A desmontagem e montagem da arma só deve ser 
feita por pessoal especializado.
O treino com este tipo de armas deve envolver a 
criação de situações que levem o militar a fazer tiro 
para uma determinada área, utilizando alvos ou 
pontos de referência (tais como uma caixa em 
cartão). Conforme se referiu, não é tanto a precisão 
que interessa, mas sim a habituação em 
146
carregar/descarregar32 (normal e alternativo) e fazer 
tiro com rapidez.
PISTOLA HK VP 70 M/978 Calibre 9 mm
2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ARMA
2.1 Ficha histórica e destino
Na década de 1950, a produção de armas voltou a ser uma 
actividade permitida na Alemanha. A empresa HECKLER & 
KOCH GMBH, fixou-se nas antigas instalações da Mauser 
em OBERNDORF-AM-NECKER, na Alemanha Ocidental, 
tendo no início de 1970, começado a produzir a HK Modelo P 
7, rapidamente substituída pela VP 70. Esta arma, apesar de 
algumas inovações, como possuir parte do punho em plástico, 
não obteve o sucesso esperado, devido ao sistema de disparo 
de dupla acção (muito difundido actualmente), ao mau 
posicionamento da patilha de segurança e à falta de estética 
da própria arma. Na GNR, a pistola HK VP 70 Calibre 9 mm, 
Modelo 1978 é uma arma ligeira, individual e de tiro tenso, 
podendo ser destinada à defesa própria do militar da Guarda 
(apesar de ter um gatilho demasiado pesado), ou para “abater 
alvos seleccionados”, através de uma coronha que se pode 
adaptar, conferindo elevada precisão, até à distância de 50 
metros.
2.2 Características de Funcionamento
32
147
2.2.1 Tipo de Funcionamento 
É uma arma semi-automática, de cano fixo, que funciona pela 
acção indirecta dos gases (os gases resultantes da explosão da 
carga da munição exercem a sua acção na culatra, por intermédio 
da base do invólucro).
2.2.2 Corrediça 
A arma não dispõe de culatra propriamente dita, mas sim de um 
bloco, designado de corrediça, que desempenha as mesmas 
funções.
2.2.3 Armar 
Arma no movimento de puxar a corrediça à retaguarda 
e levá-la à frente.
2.2.4 Mecanismo de disparar 
O mecanismo de disparar permite a execução de tiro 
semi-automático (tiro a tiro), sendo o disparo feito em 
acção dupla (ao ser puxado o gatilho, o percutor 
acompanha o movimento deste, através da peça de 
arraste e, quando esta faz o seu abaixamento, o 
percutor solta-se, indo embater no fulminante da 
munição) e ainda, permite o tiro automático (rajadas 
de 3 tiros), quando se lhe adapta uma coronha.
2.2.5 Segurança 
É conseguida através de 
uma patilha de segurança, 
situada à frente e por 
cima do gatilho, que, 
estando na sua posição 
mais baixa, coloca a arma 
em segurança (por imobilização do gatilho) e, estando 
na sua posição mais elevada, coloca a arma pronta a 
efectuar o tiro, sendo apenas necessário pressionar o 
gatilho.
148
2.2.6 Indicador de posição do percutor 
A alavanca esquerda do gatilho indica a posição do 
percutor, já que se torna saliente à medida que se vai 
accionando o gatilho.
2.3 Aparelho de pontaria
• Ranhurada alça de mira com forma rectangular;
• Ponto de mira “tipo rampas” (baseado no efeito de 
contraste de luz e sombra, sendo as rampas a luz e o centro 
destas, a sombra).
2.4 Alimentação
• Carregamento por carregador com capacidade para 18 
munições;
• Transporte no carregador através do elevador e mola.
149
Alça de mira Ponto de mira
2.5 Munições
A pistola utiliza munições de calibre 9 X 19 mm Parabellum 
M/70, com projéctil derrubante e encamisado.
Chama-se a atenção de que, para além desta munição, existe 
também a munição calibre 9 mm M/47, sendo esta mais 
potente e distinguindo-se da primeira, por o projéctil ter uma 
ogiva mais afilada, não devendo ser utilizada nesta pistola, 
visto provocar o desgaste prematuro do material.
A munição 9 mm M/47 foi concebida para ser utilizada nas 
pistolas metralhadoras e noutras pistolas.
3 DADOS NUMÉRICOS
3.1 Pesos
• Peso da arma com carregador municiado
..............................................................................................
1,161 Kg
• Peso da arma
..............................................................................................
845,3 g
• Peso do carregador
..............................................................................................
101,5 g
• Peso da coronha
..............................................................................................
574,1 g
• Peso da munição
..............................................................................................
11,9 g
150
• Peso do projéctil
..............................................................................................
7,5 g
3.2 Dimensões
• Da arma
..............................................................................................
20,4 cm
• Da coronha
..............................................................................................
34,2 cm
• Do cano
..............................................................................................
11,6 cm
• Altura
..............................................................................................
14,2 cm
• Largura
..............................................................................................
3,2 cm
3.3 Estriamento
• N.º de estrias
..............................................................................................
6
• Sentido das estrias
..............................................................................................
Dextrorsum
3.4 Calibre
• Calibre da arma
..............................................................................................
9 mm Parabellum
151
3.5 Capacidade 
• Capacidade do carregador
..............................................................................................
18 munições
3.6 Dotações
• Carregadores
..............................................................................................
3
• Munições
..............................................................................................
54
4 DADOS BALÍSTICOS
4.1 Velocidade Inicial
• (V0)
..............................................................................................
360 m/s
4.2 Alcances
• Prático
..............................................................................................
50 m
5 ORGANIZAÇÃO MECÂNICA DA ARMA
5.1 Divisão da arma
A Pistola HK VP 70 divide-se em 3 grupos:
1. Corrediça;
2. Punho;
3. Carregador.
152
5.2 Descrição das partes principais
5.2.1 Corrediça 
1 - Corrediça com ponto de mira; 2 - Extractor;
3 - Perno de pressão do extractor; 4 - Mola do 
extractor;
5 - Alça de mira; 6 - Mola 
recuperadora do percutor;
7 - Percutor; 8 - Haste-guia 
da mola do percutor;
9 - Cilindro da haste-guia; 10 - Mola do 
percutor;
11 - Eixo do percutor; 12 - Tampa do 
percutor.
5.2.2 Punho 
13 - Alavanca direita do gatilho;
14 - Alavanca esquerda do gatilho com indicador de posição 
do percutor;
15 - Peça de arraste do percutor; 16 - Eixo da 
peça de arraste;
17 - Cavilha da peça de arraste; 18 - Mola da 
peça de arraste;
153
1
2
3
19 - Anilha de fixação; 20 - Alavanca-
guia da peça de arraste;
21 - Gatilho; 22 - Mola do 
gatilho;
23 - Haste-guia da mola do gatilho; 24 - Suporte da 
haste-guia do gatilho;
25 - Alavanca de segurança (contra disparo involuntário);
26 - Mola da alavanca de segurança; 27 - Garfo da alavanca 
de segurança;
28 - Cilindro-guia do eixo do garfo; 29 - Eixo do garfo;
30 - Mola recuperadora; 31 - Armação 
do punho com cano;
32 - Anilha com rosca; 33 - Haste-guia 
da mola amortecedora;
34 - Anel de travamento; 35 - Peça de 
pressão;
36/37 - Molas amortecedoras; 38 - Travão da 
patilha de segurança;
39 - Cavilha de fixação; 40 - Mola do 
armador;
41 - Armador; 42 - Patilha de 
segurança;
43 - Tampa de fecho; 44 - Cilindro-
guia;
45 - Tampa de fecho; 46 - Cavilha de 
fixação;
47 - Detentor do carregador;
48 - Cavilha de fixação do detentor do carregador;
49 - Mola do detentor do carregador.
5.2.3 Carregador 
50 - Corpo do carregador; 51 - Elevador;
52 - Mola elevadora com fixador do fundo do carregador;
53 - Fundo do carregador.
154
155
5.3 Acessórios
Esta arma é constituída pelos seguintes acessórios:
1. Bolsa de Cabedal (coldre);
2. Fiador;
3. Coronha-coldre com francaletes de botões, molas (3 a) e 
placa-bandoleira (3 b);
4. Livro de instruções.
156
1
2
3
4
3
a
3
b
6 DESMONTAR E MONTAR A ARMA
6.1 Generalidades
A desmontagem e montagem da arma são executadas sempre 
que se torne necessário efectuar a sua limpeza ou qualquer 
outra operação de manutenção e ainda durante a instrução 
sobre a arma. Ao utente, estão vedadas quaisquer outras 
operações de desmontagem para além das autorizadas, que se 
resumem às seguintes: Separar a corrediça do punho, 
desmontar o carregador e desmontar o percutor. Quaisquer 
outras operações, somente devem ser executadas pelos 
mecânicos de armas ligeiras ou pessoal técnico autorizado.
Antes de executar qualquer operação de desmontagem, deve 
considerar-se sempre a possibilidade de a arma estar 
carregada, pelo que obrigatoriamente devem executar-se as 
operações de segurança com vista a descarregar a arma.
6.2 Operações de segurança
Para verificar se a arma está descarregada, executar-se-ão as 
operações a seguir descritas, respeitando a sua sequência:
1.º A patilha de segurança deve ser mantida na posição de 
fogo (posição superior), pois, caso contrário, corre-se o 
risco da arma se desmontar ao puxar a corrediça à 
retaguarda;
2.º Retirar o carregador, empurrando com o polegar esquerdo 
o detentor do mesmo para a retaguarda, extraindo assim o 
carregador do seu alojamento;
157
3.º Puxar a corrediça à retaguarda e segurá-la nessa posição;
4.º Observar se não há nenhuma munição na câmara;
5.º Levar de novo a corrediça à frente e efectuar um disparo, 
em direcção segura;
6.º Colocar a patilha de segurança em segurança e introduzir 
o carregador, verificando se está desmuniciado.
6.3 Desmontagem da arma autorizada ao utilizador
6.3.1 Separar a corrediça do punho 
1.º Efectuar as operações de segurança. De notar, que 
a arma só pode ser desmontada se tiver a patilha de 
segurança na posição inferior;
2.º Retirar o carregador;
3.º Segurar a arma com a mão direita e, com a mão 
esquerda, puxar a corrediça à retaguarda, 
levantando-a e deixando-a deslizar para a frente;
158
4.º A corrediça está separada do punho;
5.º Retirar a mola recuperadora.
6.3.2 Desmontar o carregador 
1.º Mantendo o carregador agarrado com a mão 
esquerda, com o fundo deste voltado para cima e a 
face posterior voltada para a retaguarda,premir 
com um punção, vareta, escovilhão ou outro 
objecto pontiagudo o perno de fixação do fundo;
2.º Ao mesmo tempo, actuar com o polegar da mão 
esquerda no fundo do carregador, fazendo-o 
avançar ligeiramente;
3.º Colocar agora o polegar sobre a abertura inferior 
do corpo do carregador e, com a outra mão, retirar 
o fundo do carregador, de forma a não deixar saltar 
a mola elevadora e o fixador do fundo;
159
4.º Aliviar gradualmente a pressão do polegar 
esquerdo, até retirar o fixador do fundo e a mola 
elevadora;
5.º Extrair finalmente o elevador, inclinando a 
abertura inferior do carregador para baixo.
6.3.3 Desmontar o percutor 
1.º A mão esquerda segura na corrediça com a parte 
inferior para baixo e o orifício da boca do cano 
para a esquerda;
2.º A mão direita segura no fundo do carregador e 
introduz o mesmo na ranhura existente na tampa 
do percutor, conforme se mostra na figura, 
rodando um quarto de volta para a esquerda, 
ficando a tampa solta;
160
3.º Retirar o conjunto da haste-guia do percutor;
4.º Rodar a corrediça de forma a ficar com a parte 
inferior virada para cima e, com o polegar 
esquerdo, pressionar o percutor e a sua mola 
recuperadora, até os retirar do seu alojamento da 
corrediça.
6.4 Montagem da arma
A montagem é feita pela ordem inversa. Para tal:
6.4.1 Montar o percutor 
1.º A mão esquerda segura na corrediça com a parte 
inferior para cima e a mão direita introduz o 
161
percutor com a sua mola recuperadora no 
alojamento da corrediça, tendo o cuidado de 
colocar o seu ressalto voltado para cima;
2.º Introduzir o conjunto da haste-guia do percutor, 
com a ranhura da tampa na horizontal, conforme se 
mostra na figura;
3.º Introduzir o elevador do carregador na ranhura da 
tampa do percutor e rodá-lo um quarto de volta 
para a direita.
6.4.2 Montar o carregador 
1.º Mantendo o corpo do carregador empunhado na 
mão esquerda, com a abertura inferior voltada para 
cima e a face posterior voltada para a retaguarda, 
introduzir o elevador. Este, deve deixar-se 
escorregar no interior do corpo do carregador, com 
162
o ramo maior voltado para a sua face posterior e a 
extremidade voltada para cima;
2.º Introduzir a mola elevadora e o fixador do fundo 
do carregador, de forma que a extremidade da 
mola fique paralela aos rebordos da abertura 
inferior do corpo do carregador;
3.º Colocando o polegar esquerdo sobre o fixador do 
fundo do carregador, inserir este, completamente, 
no interior do corpo do carregador e mantê-lo 
nessa posição;
4.º Colocar o fundo, introduzindo as suas guias nos 
rebordos do corpo do carregador e fazendo-o 
deslizar para a retaguarda até que o perno do 
fixador entre no seu orifício central;
5.º Pressionar finalmente o elevador para baixo, 
verificando o funcionamento do carregador.
6.4.3 Montar a corrediça no punho 
1.º Empunhar a arma com a mão direita e, com a outra 
mão, introduzir a mola recuperadora no cano;
2.º Introduzir a parte anterior da corrediça no cano 
com a mola recuperadora;
163
3.º Puxar a corrediça à retaguarda até ao fim do seu 
curso, baixando-a para agarrar nas ranhuras da 
armação e deixá-la voltar à frente;
4.º A corrediça está de novo na sua posição normal;
5.º Colocar a patilha de segurança na posição de fogo;
6.º Introduzir o carregador.
A arma está montada.
6.5 Colocar/retirar a coronha
6.5.1 Colocar a coronha 
1.º Segurar na arma com a mão esquerda e com a 
outra mão segurar na coronha;
2.º Fazer coincidir as ranhuras da coronha com os 
respectivos entalhes na arma e pressionar para 
cima até ao seu total encaixe.
6.5.2 Retirar a coronha 
1.º A coronha só pode ser retirada se o comutador de 
tiro estiver na posição 1;
2.º Segurar na arma e na coronha conforme foi visto 
para a sua colocação e pressionar o fixador da 
coronha, separando-as.
164
7 MANUSEAMENTO PARA EXECUÇÃO DE TIRO
7.1 Municiar
Municiar e desmuniciar os carregadores é feito manualmente. 
Para tal o utilizador deve:
1.º Empunhar o carregador com a mão esquerda, tendo a base 
voltada para baixo e a face posterior voltada para a chave 
da mão;
2.º Agarrar na munição com a outra mão (ficando a base 
desta na direcção do carregador);
3.º Fazer pressão com a munição sobre a parte de cima do 
elevador, forçando-o a baixar e, simultaneamente, 
fazendo-a deslizar por baixo das orelhas do carregador, 
encostar a sua base à face posterior deste último;
4.º As munições seguintes são introduzidas da mesma forma, 
fazendo pressão sobre a munição colocada anteriormente.
7.2 Carregar
1.º Estando a arma com a patilha de segurança em posição de 
tiro (posição superior), empunhar a mesma com a mão 
direita e introduzir o carregador já municiado;
2.º Com os dedos indicador e polegar da mão esquerda, puxar 
com energia, a corrediça à retaguarda, fazendo-a atingir a 
sua posição mais recuada, largando-a depois.
165
7.3 Tiro semi-automático em Acção dupla
1.º Apontar a arma e premir o gatilho, afrouxando, de 
seguida, o dedo indicador para deixar o gatilho voltar 
livremente à sua posição primitiva;
2.º Depois do carregador ficar vazio, após o último tiro, a 
corrediça desta arma não fica retida à retaguarda. Se for 
necessário continuar o tiro basta introduzir novo 
carregador municiado, puxar de novo a corrediça à 
retaguarda e levá-la novamente à frente, introduzindo 
assim uma munição na câmara;
3.º A execução do tiro semi-automático pode ser feita apenas 
com a pistola ou com a coronha, através do seu comutador 
de tiro na posição 1.
7.4 Tiro automático em Acção dupla
A execução do tiro automático apenas pode ser feita através da coronha, 
ficando a arma pronta a efectuar rajadas de 3 tiros pela simples mudança 
do comutador de tiro da posição 1 para a posição 3, seguida da pressão 
sobre o gatilho.
166
7.5 Descarregar
Quando o tiro é interrompido e possam existir munições no 
carregador e/ou na câmara da arma, procede-se da seguinte 
forma:
1.º Extrair o carregador;
2.º Puxar, com energia, a corrediça à retaguarda e verificar se 
não ficou nenhuma munição na câmara, deixando a 
corrediça ir novamente à frente.
7.6 Desmuniciar
Para desmuniciar o carregador, basta empurrar as munições 
para a face anterior deste, fazendo pressão na base destas, até 
saírem do carregador.
8 AVARIAS
8.1 Generalidades
Uma avaria ou interrupção de tiro pode ocorrer por 
deficiência do funcionamento da arma ou por deficiência da 
munição.
Não sendo possível distinguir de imediato se se trata de uma 
ou outra avaria, os procedimentos imediatos devem ser 
sempre tomados admitindo que se trata de uma deficiência da 
munição.
Assim, sempre que ocorra uma interrupção de tiro, devem ser 
executados os procedimentos que a seguir se descrevem, sem 
omissões e pela ordem indicada, os quais constituem a Acção 
Imediata do atirador:
1.º Puxar o cão à retaguarda e, apontando novamente ao alvo, 
disparar de novo, pois pode acontecer que desta segunda 
percussão resulte o tiro;
2.º Caso não ocorra o disparo, colocar a arma em segurança 
mantendo a arma sempre direccionada para o alvo;
3.º Retirar o carregador;
167
4.º Puxar a corrediça à retaguarda, retirando assim a munição 
que se encontrava introduzida na câmara, e fixá-la, 
pressionando o detentor da corrediça;
5.º Identificar e resolver a avaria;
6.º Caso não o consiga fazer, levantar o braço livre para 
chamar a atenção e esperar que o instrutor se lhe dirija.
8.2 Procedimentos a executarnas avarias mais frequentes
8.2.1 Falta de alimentação 
• Verificar se o carregador está bem introduzido;
• Verificar se o carregador tem alguma amolgadela. 
Em caso afirmativo, substituir o mesmo.
8.2.2 Falha na percussão 
• Em caso de defeito da munição ou do fulminante, 
substituir a munição;
• Após verificar que não foi introduzida munição, 
puxar a corrediça à retaguarda e levá-la de novo à 
frente, introduzindo-se assim a munição na câmara;
• Mantendo-se a falha da percussão, existe a 
possibilidade do percutor estar partido.
8.2.3 Falha na extracção/ejecção 
• Puxar a corrediça à retaguarda e remover, se 
necessário manualmente, o invólucro que não foi 
extraído ou ejectado. Levar de novo a corrediça à 
frente, introduzindo a munição na câmara;
• Mantendo-se a falha da extracção/ejecção, existe a 
possibilidade do extractor estar com defeito.
9 MANUTENÇÃO
168
9.1 Generalidades
Tratando-se de uma arma de defesa pessoal, a garantia do seu funcionamento 
em qualquer circunstância é fundamental para o utilizador. A fim de se garantir 
o seu funcionamento, este deverá observar todos os cuidados de manutenção da 
arma, não só no que se refere à execução das operações a seu cargo, mas 
também na solicitação daquelas que estejam a cargo de outros escalões de 
manutenção.
9.2 Manutenção de 1º Escalão
Regra geral, os trabalhos de manutenção de 1º Escalão 
consistem em:
• Desmontagem para limpeza ordinária;
• Passar várias vezes a vareta de limpeza com a mecha 
impregnada em óleo no cano e na câmara. De seguida 
enxugar com um pano seco;
• Limpar a corrediça, o punho e a garra do extractor;
• Lubrificar ligeiramente (com óleo) as peças móveis;
• Limpar o carregador33 e as munições e verificar se a 
distribuição destas permite um manuseamento normal do 
elevador, indispensável ao bom funcionamento da arma;
UTILIZAÇÃO DE ARMAS DE FOGO
A. CUIDADOS GERAIS
Neste capítulo pretende-se tecer algumas considerações genéricas sobre os 
cuidados a ter por qualquer militar da Guarda com o uso e porte da sua arma de 
33 Os carregadores das armas não devem estar permanentemente com munições, a 
fim de não pasmarem as suas molas.
169
defesa, quer de serviço quer particular. Conselhos úteis, imprescindíveis que 
não devem ser esquecidos, pois constituem a garantia de que o militar está 
consciente da sua correcta utilização. Sendo assim:
1) O utilizador de qualquer arma de fogo, deve estar 
perfeitamente apto a manuseá-la, conhecer o seu 
funcionamento, montagem e desmontagem e a efectuar 
as operações de segurança, pelo que ao requisitar ou 
adquirir uma arma de fogo, deve sempre ler atentamente 
o seu manual de instruções;
2) Todo o militar deve estar seguro de que conhece e sabe 
pôr em prática os princípios da técnica de tiro;
3) Não confie na memória . Uma arma deve sempre 
considerar-se como estando carregada e pronta a fazer 
fogo, até ao momento em que o utilizador se assegure 
pessoalmente do contrário, executando as operações de 
segurança;
4) Excepto em situações de serviço que assim o exijam, 
uma arma de fogo deve ser sempre transportada em 
segurança e sem munição introduzida na câmara;
5) Sempre que empunhar uma arma, qualquer que seja o 
propósito, aponte-a numa direcção segura, desarme o 
cão e verifique se está descarregada;
6) Nunca apontar a arma a ninguém , mesmo sabendo que 
esta está descarregada;
7) Nunca aceite ou devolva uma arma sem que esteja com o 
cão desarmado ou com o tambor aberto, no caso dos 
revólveres;
8) Verifique com frequência o estado de conservação e 
limpeza da sua arma, pois só assim poderá prevenir 
futuras avarias, que teriam consequências graves em 
situação de crise;
170
9) Ao terminar o serviço, se possível, guarde a arma na 
arrecadação do material de guerra;
10)Não leve a arma para a caserna, nem a deixe guardada 
no armário;
11)Não se iniba de chamar à atenção ou repreender um seu 
camarada ou subordinado, sempre que verificar que 
estão a ser desrespeitadas as normas elementares de 
segurança;
12) Ao guardar a sua arma em casa, descarregue-a e efectue 
as operações de segurança, coloque-a num local onde 
seja inacessível a qualquer outra pessoa, em especial a 
crianças, de preferência num compartimento fechado à 
chave. A arma e munições devem ser guardadas em 
locais separados;
14)Nunca deixe a arma em local onde possa ser facilmente 
furtada, como por exemplo no porta-luvas do carro;
15) Quando trajar à civil, transporte a sua arma num local 
dissimulado;
16) Nunca trepe ou salte um obstáculo, com munição 
introduzida na câmara da arma;
17) Nunca a arma aponte para si próprio;
18) Introduza apenas a munição na câmara quando estiver 
pronto para atirar a um alvo conhecido e seguro;
19) Quando transportar a arma na mão, nunca deixe que 
qualquer parte da mão ou outro objecto toquem no 
gatilho;
20) Verifique sempre por si mesmo se as armas estão ou 
não carregadas;
21) Não deixe que lhe aconteça a si, ou junto de si, 
acidentes em que posteriormente diga ou oiça dizer 
“pensava que a arma estava descarregada!...”;
22) NÃO LEIA estas regras básicas!, PRATIQUE-AS e 
obrigue quem estiver junto a si a fazê-lo.
171
B. conduta pessoal
Sempre que se trate do emprego de armas de fogo ou outros meios 
mortíferos, para além das limitações legais anteriormente referidas, 
deve ainda observar-se o seguinte:
1. Todos os militares devem ser conhecedores das condições em 
que podem “abrir fogo”, procurando, quando tal for 
absolutamente necessário, e sempre que possível, ferir e não 
matar;
2. Procurar avaliar o local onde se vai “abrir fogo”, incluindo o 
disparo de aviso para o ar, visto que nos centro urbanos, há 
possibilidade de atingir inocentes, dentro ou fora do local da 
actuação;
3. Nunca se deve disparar para o chão em zonas pavimentadas, 
porque existe sempre a possibilidade dos ricochetes atingirem 
inocentes;
4. Se for necessário, disparar contra uma viatura em fuga, tomar 
uma posição o mais baixa possível (de joelhos ou deitado) e 
apontar para os pneus da mesma e nunca directamente para o 
habitáculo dos passageiros;
5. É totalmente interdito o fogo de “rajada”;
6. Ao ser alvejado de local incerto, é interdita a abertura imediata 
de fogo, pois o procedimento correcto será procurar abrigo e 
tentar localizar a ameaça para posterior neutralização;
7. Em situações de alteração da Ordem Pública, as armas devem 
ter o carregador municiado e introduzido, a câmara sem 
nenhuma munição e a patilha de segurança/comutador de tiro 
em segurança. A ordem de introdução de munição na câmara e 
abrir fogo só deve ser dada pelo comandante das forças 
empenhadas.
8. Nunca esquecer que a Comunicação Social aproveita 
qualquer pretexto para denegrir a imagem das forças 
policiais, conforme as fotografias e legenda abaixo indicadas:
172
GUARDA MORRE COM TIRO NA 
CABEÇA
Uma brincadeira com uma arma de fogo acabou da pior 
maneira num bar em Grândola, com um soldado da GNR a 
desfechar um tiro na sua própria cabeça, soube o Correio da 
Manhã.
O acidente teve lugar por volta da uma hora da manhã de 
ontem num bar da vila de Grândola e foi presenciado por um 
colega da vítima e um grupo de mais de cinco pessoas.
Os dois soldados da GNR, ambos a prestar serviço no 
posto territorial de Grândola, estavam a conversar sobre armas 
de fogo, quando, um deles pediu ao colega a arma pessoal 
emprestada para, segundo consta, mostrar um “truque novo”.
Fonte do Comando Geral da GNR disse que o guarda Luís 
Fernando BrancoNunes, de 29 anos, alistado na corporação 
desde 1993 retirou as munições que estavam no tambor do 
revólver.
Todavia, tudo leva a crer que uma bala P. 32 ficou 
esquecida no tambor e quando o militar levou o revólver à 
cabeça e premiu o gatilho foi atingido mortalmente, perante a 
173
estupefacção de todos os presentes. O militar da GNR ainda foi 
evacuado para uma unidade hospitalar, mas chegou cadáver.
O mesmo responsável do Comando Geral da GNR, em 
Lisboa, adiantou que o soldado falecido estava fora de serviço, 
assim como o camarada. Recorde-se que este não foi o 
primeiro acidente com armas de fogo manuseadas por 
agentes de autoridade em aparentes brincadeiras que 
acabam por culminar em morte . 
(Correio da Manhã de 17DEC96)
ARMAS ESPECIAIS
As armas que a seguir se apresentam foram adquiridas para a 
força do Regimento de Infantaria deslocada em Timor. Pelo facto de 
poderem ser desconhecidas para o leitor, aqui fica o registo 
fotográfico de cada uma delas, juntamente com os respectivos 
acessórios de algumas.
10 LANÇA-GRANADAS COUGAR 56 mm
Arma utilizada sobretudo na Manutenção de Ordem Pública, com 
a finalidade de lançar granadas para o interior das manifestações, 
provocando a consequente dispersão dos manifestantes. O Pelotão 
de Operações Especiais pode também utilizá-la para lançar 
granadas de gás ou de espanto no interior de um compartimento.
174
10.1 Tipos de granadas que utiliza
175
11 HK MSG 90
Arma de sniper que equipa o Pelotão de Operações Especiais 
sendo utilizada em missões de assalto como arma para cobrir o 
avanço das equipas de assalto. Pode servir também nas missões de 
segurança pessoal para, de um ponto elevado, neutralizar uma 
ameaça perigosa e para defesa de pontos sensíveis.
176
12 STEYR SSG-69
Arma de sniper que também equipa o Pelotão de Operações 
Especiais tendo a mesma função que a arma anterior, sendo menos 
potente. Contudo, como o sniper policial executa tiro entre os 100 
e os 300 metros, esta arma cumpre na perfeição a sua função.
13 HK MP5 SD6
Arma em tudo igual à HK MP5 A4 com a particularidade de ter 
silenciador o que permite, em missões encobertas, executar tiro 
sem ser detectado, não perdendo a importância do factor surpresa.
177
14 HK MP5 K A1 COM MALA PARA SEGURANÇA 
PESSOAL
Mala utilizada em missões de segurança pessoal, equipada no seu 
interior com uma pistola-metralhadora HK MP5 KA1. Para a pôr 
em funcionamento basta premir o gatilho que se encontra situado 
na pega da referida mala.
GLOSSÁRIO DE TERMOS DO ARMAMENTO
Abertura da culatra - Este é um termo que constitui uma força de 
expressão, na medida em que, na realidade, pretende significar a 
178
abertura da câmara pelo movimento da culatra. Tal como o termo 
“fechamento da culatra”, está tão generalizado que não constitui 
óbice na comunicação verbal e escrita.
A operação a que se refere é uma operação secundária do ciclo de funcionamento 
duma arma, que ocorre entre o destravamento da culatra e a extracção e que 
consiste em a face da culatra deixar de cobrir a entrada da câmara, deixando pois 
de ficar alinhada com o cano se for uma culatra de gaveta ou passando a ficar 
afastada desta abertura se tratar duma culatra de movimento longitudinal.
Adarme – Antiquíssima forma de descrever o diâmetro da alma das 
armas portáteis de cano liso. Este “sistema” ainda é o que hoje se 
aplica à medição do “calibre” das caçadeiras, o adarme de uma 
caçadeira é, simplesmente, o número de esferas de chumbo com o 
diâmetro da alma dessa arma, que perfaz o peso de uma libra. Por 
exemplo, uma “caçadeira de calibre 12” é uma caçadeira tal que 12 
esferas de chumbo do diâmetro da alma dessa arma, pesam uma libra 
“antiga” (0,4895 kg).
Os diâmetros das almas correspondentes aos valores dos adarmes 
mais comuns, são os seguintes:
Adarme 4 23.75 mm
 “ 8 21.21 mm
 “ 10 19.69 mm
 “ 12 18.52 mm
 “ 16 16.81 mm
 “ 20 15.62 mm
 “ 28 13.97 mm
Com o desaparecimento dos projécteis esféricos e a adopção de 
projécteis oblongos a que esta forma de medição não podia ser 
aplicada, ela é (exceptuando o caso das espingardas de caça) 
completamente abandonada, em favor da medida (o calibre) em 
milímetros, centímetros ou polegadas.
Alça (“Rear Sight”) – Designação genérica dos componentes dos 
aparelhos de pontaria destinados a permitir o azeramento dos 
mesmos, operação que se designa habitualmente por “regular a alça 
da arma”. Dos dois elementos componentes do aparelho, é aquele 
que fica mais perto do olho do atirador.
179
Alça fechada – Uma alça em que a visualização do ponto de mira e 
do alvo se faz através de um orifício circular existente num 
componente dessa alça.
Nas espingardas de precisão destinadas ao tiro ao alvo, esse 
componente dispõe por vezes de uma provisão para a aplicação de 
uma íris, tal que a dimensão do orifício do referido componente – o 
dióptero -, pode ser regulada/alterada, para uma melhor adaptação da 
visão às condições de luz ambiente.
Esta classe de alças tem o inconveniente de tornar bastante mais 
difícil a aquisição do alvo mas, por outro lado, as vantagens de tornar 
mais natural a centragem do ponto de mira – o alinhamento alça - 
ponto de mira – e, em condições especiais, de aumentar a 
profundidade de campo da visão.
Pode-se usar juntamente com pontos de mira de poste mas o uso 
mais comum – por mais eficaz – em tiro ao alvo é em conjunto com 
pontos de mira de anel ou pontos de mira de plástico.
Alcance - A distância medida na horizontal entre a origem dessa 
trajectória e o respectivo ponto de cada. O alcance é função 
principalmente da velocidade inicial, do ângulo de projecção e do 
coeficiente balístico do projéctil. 
Alcance eficaz - A distância máxima a que os projecteis disparados 
de um dado sistema de arma, retêm a precisão e a capacidade de 
penetração, compatíveis com a finalidade do seu emprego contra os 
alvos designados.
180
Alcance máximo - A distancia máxima a que um sistema de arma, 
mesmo com grande dispersão, ou sem suficiente capacidade de 
penetração, pode enviar os seus projecteis. O tiro para este distância 
implica, para os sistemas de arma clássicos, o uso de ângulos de 
elevação mais ou menos inferiores a 45º, tanto menores quanto mais 
pequeno seja o coeficiente balístico dos projecteis disparados. È 
porem curioso notar que o máximo de alcance do canhão Berta, 
usado pelas forças Alemãs na I Guerra para o bombardeamento de 
Paris, era obtido com ângulos de elevação superiores a 45º, uma vez 
que neste caso uma parte das trajectórias era percorrida na 
estratosfera.
No caso dos sistemas de arma de cano estriado, para velocidades 
iniciais dos projecteis e de mais condições iguais, o alcance máximo 
é função directa do calibre do sistema. Isto é assim porque, sendo 
aproximadamente constante a relação entre o comprimento e o 
calibre/diâmetro desses projecteis – nos projecteis destes sistemas, o 
comprimento ideal dos projecteis é igual a cerca de seis milímetros – 
o seu peso é igual a (pi.r².6d. d)=( pi. r².12r.d) = (24. pi. r³.), portanto 
um valor proporcional ao cubo do calibre, o que faz com que, dado 
que a área da secção recta é proporcional ao quadrado do calibre, a 
densidade seccional e portanto o coeficiente balístico, sejam 
proporcionais ao próprio calibre. Finalmente, como o alcance é tanto 
maior quanto maior for o coeficiente balístico, torna-se evidente a 
relação directa entre alcance máximo e calibre.
De resto, é esta a razão porque a obtenção de maiores alcances – uma 
vantagem táctica suprema – requernecessariamente o emprego de 
calibres maiores.
Alcance perigoso ou distância máxima de ricochete – Consiste na 
maior distância que pode ser atingida por um ricochete. É igual a ¾ 
do alcance máximo da arma/munição.
Alimentação - O mesmo que municiamento da arma. É a operação 
que consiste na introdução das munições na arma. Nas armas de 
carregamento pela culatra, o carregamento não é precedido de 
alimentação e portanto esta operação não ocorre.
181
Nas armas de repetição, a alimentação faz-se introduzindo as 
munições num depósito da própria arma ou introduzindo um 
carregador cheio nesta.
No contexto das armas automáticas, o termo sistema de alimentação 
refere-se a um dos três processos como as munições são introduzidas 
nessas armas:
• Por meio de uma fita
• Por meio de um tambor
• Por meio de um carregador.
Alma - Nome do furo central, longitudinal, do cano de uma arma. É 
na alma das armas que, durante os disparos, os projecteis ganham a 
velocidade à boca e, nas de cano estriado, o movimento de rotação 
necessário à sua estabilização. As partes da alma são a câmara, a 
concordância e a parte estriada. A alma termina posteriormente, na 
boca.
Alma estriada - Designação de uma alma que em parte é sulcada por 
estrias.
Alma lisa - Designação de uma alma cujas paredes são 
completamente lisas, da câmara à boca.
Alto explosivo – Um explosivo cuja característica é a detonação, isto 
é, a propagação da frente de reacção, tem velocidade superior à 
velocidade do som. As velocidades das reacções destes explosivos 
conhecidos, são normalmente da ordem de vários (2 a 9) quilómetros 
por segundo.
Alvo – Designação genérica de um qualquer ser ou objecto – 
mecanismo, área demarcada desenhada numa cartolina, etc. – que se 
pretende atingir, em princípio, “no centro” com balas ou outros 
projécteis. Os alvos podem ser estáticos ou móveis e, se móveis, 
podem mover-se com velocidade que vão de uns poucos quilómetros 
por hora a várias vezes a velocidade do som. Podem encontrar-se na 
atmosfera, na superfície do solo ou da água ou abaixo desta 
superfície e podem ter um movimento guiado ou não. Podem ainda 
182
dispor de protecções muito variadas, incluindo armaduras 
extremamente resistentes.
Alvo homotético – Alvo de tamanho inferior ao normal que se 
utiliza quando as carreiras de tiro não permitem a execução de tiro às 
distâncias pretendidas. As suas dimensões são calculadas segundo a 
expressão:
D = Dimensão normal do alvo conhecido
D’ = d’ = Dispersão à distância pretendida
D = Dispersão para a distância do alvo 
conhecido
Amortecimento - A absorção da energia de recuo de uma arma. 
Com armas de bala é feito pelo corpo do atirador. Nas peças de 
artilharia é feita pela acção conjunta do freio de amortecimento, do 
recuperador e dos atritos entre as partes recuantes e as partes fixas da 
peça.
Pode também ser considerado como a regulação de um sistema de 
controlo que serve para que quaisquer oscilações na sua saída 
venham a anular-se automaticamente. 
Ângulo de queda duma coronha – Numa espingarda, é o ângulo 
que o eixo do coice da coronha faz com o eixo do cano.
Dentro dos limites práticos, quanto maior este ângulo, maior o salto e 
menor o coice transmitido ao atirador.
Aparelho de pontaria - Designação genérica dos equipamentos 
mecânicos, ópticos ou electroópticos que são usados na pontaria das 
armas, para estabelecer as linhas de mira.
Os aparelhos de pontaria das armas pesadas, e nomeadamente os da 
maioria das peças de artilharia modernas, são frequentemente 
sistemas complexos destinados a permitir, em comando local, o 
cálculo dos ângulos de avanço.
Nas espingardas, pistolas, etc, os aparelhos de pontaria são sempre 
dispositivos relativamente simples, embora por vezes extremamente 
precisos. Estes, se constituídos inteiramente por componentes 
183
D x d’
d
mecânicos, constituem sistemas do género miras metálicas. Se 
contêm espelhos trata-se de alças de reflexão. Se usam lentes, trata-
se das chamadas miras telescópicas ou de aparelhos de visão 
nocturna. Os de natureza electroóptica constam das chamadas miras 
laser.
Apontar - Por definição é a acção de dirigir e controlar uma arma 
por forma a que os projecteis disparados venham atingir um (centro 
do) alvo. Consiste no estabelecimento de uma certa posição 
tridimensional do cano da arma em relação a uma referência especial 
ou seja, no estabelecimento de uma linha de pontaria.
No tiro com peças de artilharia trata-se de movimentar o cano em 
torno de três eixos, o eixo de elevação, o eixo de azimute, elevação 
ou marcação e o eixo que possibilita a horizontalidade dos munhões 
(o eixo de correcção de canting). Para que isto seja feito eficazmente 
e em conformidade com as tácticas modernas, torna-se imperioso, 
quase invariavelmente, o uso de dispositivos auxiliares de cálculo e 
de servo-sistemas que, em conjunto, efectuam automaticamente a 
função de apontar as armas, em função das coordenadas e as 
velocidades do alvo – as chamadas direcções do tiro -, sem que seja 
necessário estabelecer linhas de mira. Aqui, portanto, a noção 
clássica de apontar não é sequer utilizada.
No tiro de precisão feito com armas portáteis equipadas com miras 
metálicas, o acto de apontar define-se como o alinhar do olho com a 
alça e com o ponto de mira e, portanto, paradoxalmente, nem inclui 
geralmente, a visão clara do alvo, uma vez que, neste processo, o 
olho é focado/acomodado sobre o ponto de mira. Uma outra 
característica da técnica do tiro de precisão tal como é efectuado 
pelos bons atiradores, tem a ver com o facto de o disparo se integrar 
com o apontar da arma numa operação única, interdependente, sem 
descontinuidades, vindo o disparo a resultar de um reflexo 
condicionado.
No tiro de precisão feito com armas portáteis equipadas com miras 
telescópicas ou aparelhos de visão nocturna, não se pondo o 
problema de focagem do olho uma vez que as imagens da mira e do 
alvo aparecem no mesmo plano óptico, a tarefa é muito mais fácil, 
184
bastando que a mira esteja bem regulada para que o resultado da 
pontaria seja bom.
No tiro de precisão feito com armas portáteis equipadas com miras 
laser, o processo é completamente diferente. Aqui, o atirador limita-
se a dirigir o feixe de luz emitido pela mira para o local que quer 
atingir e, isto bem feito, basta-lhe realizar o disparo, dado que o 
azeramento da mira deve à partida garantir que os impactos ocorram 
aproximadamente no ponto assinalado pelo feixe luminoso.
No tiro com armas de caça e com armas de tiro a pratos, embora o 
aparelho de pontaria seja semelhante, o processo de apontar é 
completamente diferente. Dado que aqui se trata em princípio de 
alvos moveis, à partida torna-se óbvia a necessidade de o atirador ser 
capaz de identificar permanentemente a posição e a direcção do 
movimento dos alvos, para o que tem de focar a visão sobre eles. É 
de considerar aqui o facto de que a dimensão típica de uma bagada 
serve precisamente para compensar os pequenos erros angulares de 
pontaria que o atirador possa cometer. Aqui, dada a existência de 
uma componente transversal do movimento do alvo, torna-se obvia a 
necessidade de o atirador dirigir os projécteis para uma posição 
futura. Tendo em conta estas considerações é fácil entender as 
técnicas usadas neste tipo de tiro e que podem ser descritas como 
segue. Em qualquer dos casos o atirador mantém a sua visão focada 
no alvo e, sem propriamente se preocupar com o direccionamento da 
arma, deixa que seja a própria adaptação desta arma à suaanatomia, 
a proporcionar, automaticamente, aquele direccionamento.
O disparo é depois executado, ou com a arma apontada para um 
ponto estimado, á frente do alvo ou, no momento em que a arma 
aponta para o alvo, durante um movimento contínuo e suave de 
varrimento, que é iniciado com a arma a apontar para um ponto 
algures atrás dele e que persegue por forma a acompanhá-lo e a 
ultrapassá-lo. Esta última técnica é a mais usada.
Apresentação - É uma operação da alimentação de uma arma e que 
consiste em colocar, de cada vez, um dos cartuchos introduzidos no 
depósito, no caminho da peça que o há-de introduzir na câmara.
185
Arma - Um objecto ou sistema que pode ser usado pelo homem, para 
a caça, para a defesa ou ataque a outros seres ou sistemas, em várias 
modalidades desportivas ou ainda para fins lúdicos.
De notar que uma faca de cozinha, um martelo, uma bengala ou uma 
bota e as próprias mãos podem ser armas, quando usados com 
determinados intentos e consciência.
No âmbito deste trabalho, o termo é usado frequentemente como 
abreviatura de arma de fogo.
Arma de acção directa dos gases - Arma automática que aproveita 
uma parte dos gases produzidos pela deflagração da carga, fazendo-
os actuar sobre uma peça especial (o êmbolo) que comanda a culatra.
Arma de acção indirecta dos gases - Arma em que a culatra está 
apenas fortemente encostada ao cano pela acção da mola 
recuperadora que tem o seu ponto fixo na armadura.
Arma de Ar Comprimido – Designação genérica das armas em que 
a propulsão dos projécteis resulta da expansão, no cano, de uma 
determinada quantidade de ar ou anidrido carbónico comprimido.
Arma automática - Uma arma que, quando devidamente municiada, 
faz tiros sucessivos a partir do momento em que se actue no 
mecanismo do gatilho, até que este deixe de ser actuado ou até se 
acabarem as munições no carregador, tambor ou na fita de 
alimentação. Isto é, uma arma que realiza automaticamente todas as 
operações do ciclo de funcionamento, enquanto o gatilho se mantiver 
pressionado. Uma característica importante destas armas, é o ritmo 
de fogo que produzem. É no contexto das armas automáticas, dado o 
perigo eminente de ocorrência de acidentes do género “cook-off” (ou 
disparo por auto-ignição, correspondendo este termo a uma anomalia 
no funcionamento de certas armas de fogo, em particular das armas 
automáticas, derivado a, após uma longa série de disparos e ao 
consequente sobreaquecimento, o qual leva ao aquecimento 
excessivo do invólucro metálico e da carga, poder ocorrer a ignição 
186
da sua carga de pólvora e portanto o disparo) que se encontram os 
conceitos de câmara aberta e câmara fechada.
As armas automáticas classificam-se quanto à forma como se operam 
os seus automatismos nas seguintes classes:
• Operação com o comando externo
• Operação a gás 
• Operação a gás de uma arma de tambor 
• Operação por inércia da culatra
• Operação por recuo
• Operação com travamento semi-rígido
Estes automatismo são obtidos:
• Nas armas com operação com comando externo, através da 
actuação de uma força motriz “exterior” que no caso das armas 
modernas é fornecida por um motor eléctrico ou hidráulico. 
• Em todos os restantes sistemas de armas automáticas, pelo 
aproveitamento de uma pequena parte da energia libertada pelos 
propulsantes da munição usada no disparo precedente.
Existem armas automáticas nas categorias seguintes:
• Pistolas Metralhadoras
• Espingardas de Assalto
• Metralhadoras
• Peças de Artilharia
Arma branca - Uma arma que, constando essencialmente de uma 
lâmina, se destina à luta corpo a corpo e com a qual é a força própria 
do combatente que produz os ferimentos. O termo “branca” deve-se à 
cor do material - o aço - de que são feitas estas armas. Uma arma 
branca pode ser “de ponta”, “de gume” ou “de ponta e gume”, 
conforme a porção ou porções da lamina que, primariamente, se 
destina a ser usada.
Arma curta (“Hand gun”) – Designação genérica do conjunto das 
Pistolas, revólveres e eventualmente outras armas de dimensões 
muito reduzidas, concebidas para poderem ser facilmente apontadas 
e disparadas com a penas uma mão. Estas armas oferecem 
187
adicionalmente as vantagens de, se necessário ou conveniente, a sua 
posse poder der facilmente ocultada pelo vestuário e de o seu 
transporte ser relativamente muito cómodo. 
Armador - Um componente do mecanismo de armar. É a peça que 
fixa o percutor ou o cão do mecanismo de percussão na posição de 
armado e na qual o mecanismo do gatilho vai actuar, fazendo com 
que ele liberte o percutor, para este realizar a percussão.
Arma de fogo - Termo genérico que designa um qualquer engenho 
em que se usam as pressões dos gases gerados na queima dum 
propulsante dentro de um tubo resistente, fechado numa das 
extremidades, para projectar um ou mais projecteis, pela outra 
extremidade. Um sinónimo deste, é o termo “Arma Pirobalística”.
Arma ligeira, ou portátil - Uma arma - arma de fogo, canhão sem 
recuo ou lançador (individual) de granadas foguete -, que se destina a 
ser transportado e utilizado por um só indivíduo. Nesta classificação 
cabem as pistolas, revólveres, espingardas, pistolas metralhadoras, 
alguns morteiros dos calibres mais pequenos e uma parte das armas 
de propulsão por reacção, destinadas ao combate anti-carro por 
forças de infantaria.
Arma de impulso – Designação genérica das armas em que os gases 
que servem à propulsão do(s) projéctil(eis), encontrando-se 
encerrados dentro dum cano, impulsionam simultaneamente a arma 
em sentido contrário, naquilo que se diz ser o recuo desta.
Arma de pressão de ar - Uma arma ligeira, do género arma de 
impulso, mas em que propulsão do projéctil é feita não por gases 
formados na queima dum propulsante, mas sim por ar ou anidrido 
carbónico (CO2) pré-comprimidos. Estas armas podem funcionar de 
quatro formas distintas:
• na primeira o disparo vai libertar um êmbolo que, por acção 
duma mola pré-comprimida, avançando rapidamente dentro dum 
cilindro onde se comprime a quantidade de gás necessária. Este 
sistema, embora permita grandes velocidades à boca, tem o grave 
188
inconveniente de fazer com que a arma tenha uma grande 
instabilidade no instante do disparo, em virtude do rápido 
movimento do êmbolo e da mola que são corpos com uma massa 
considerável. Este facto torna estas armas incapazes para a 
realização de tiro ao alvo,
• Na segunda, existe também um êmbolo e uma mola mas, para 
obstar ao inconveniente do sistema anterior, existe uma massa 
que, durante o disparo, se desloca em sentido contrário, por 
forma a que o centro de gravidade da arma se mantenha muito 
aproximadamente constante. Este sistema permite uma qualidade 
do tiro muito superior à do sistema anterior, se bem que inferior à 
dos sistemas seguintes,
• Na terceira, a arma dispõe de um depósito cilíndrico onde um 
êmbolo, comandado por uma alavanca, comprime uma certa 
quantidade de ar. No disparo, liberta-se uma espécie de martelo 
percutor que vai bater numa válvula, assim se libertando o gás 
comprimido que é então canalizado para o cano. Este sistema, 
aparte a possibilidade de ser algo permeável a um certo desgaste 
do êmbolo referido e requerer um certo esforço muscular para 
cada disparo, permite de facto disparos de grande qualidade,
• Na quarta, a arma tem associado um depósito de anidrido 
carbónico liquefeito que comunica com uma câmara dotada de 
uma válvula semelhante à do caso anterior. O funcionamento è 
depois semelhante ao anterior e aparte a necessidade de dispor de 
uma botija grandede CO2 e a possibilidade de haver ligeiras 
variações no funcionamento, com variações na temperatura 
ambiente, os disparos podem ser também de grande qualidade,
• As armas de pressão de ar utilizam-se actualmente apenas com 
finalidades desportivas ou lúdicas.
Armar - Nas armas de carregar pela culatra como já antigamente, 
nas armas de carregar pela boca, é a acção que consiste em levar o 
percutor ou o cão a ficar retido pelo armador, com a mola real (mola, 
espiral ou de lâmina, do mecanismo de percussão que é responsável 
pela impulsão do cão ou do percutor durante a percussão) 
comprimida onde fica pronto a agir, se a cauda do gatilho for 
189
actuada. Esta acção pode constar da manipulação directa do cão ou 
percutor ou ser o resultado indirecto da manipulação normal da arma 
para a preparar para o disparo.
Nas armas de repetição, é essencialmente a mesma acção, mas é 
apenas uma das operações que decorrem automaticamente da 
manipulação da culatra, para realizar o ciclo de funcionamento.
Nas armas automáticas e semi-automáticas, é apenas uma das acções 
acessórias ao ciclo de funcionamento destas que decorrem do 
movimento para trás ou para a frente da culatra. A existir em 
qualquer destes tipos de armas um mecanismo de segurança, a sua 
manipulação para a posição de segurança deve ou impedir a acção de 
disparar ou mesmo a própria acção de armar. Noutras a própria acção 
de armar faz com que, automaticamente, a arma fique em segurança.
Na espoleta de um projéctil, bomba, míssil ou mina, é a acção que 
decorre entre os seus componentes e que consiste em, na ocasião 
apropriada, tornadas já desnecessárias a segurança de 
armazenamento, segurança de queda, etc, mudar a condição da 
espoleta de “segura” para a condição de pronta a fazer a iniciação do 
reforçar e/ou do rebentador do engenho onde essa espoleta esteja 
montada.
O armamento das espoletas faz-se como resposta a um dos seguintes 
géneros de estímulos:
• Tempo (medido num mecanismo de relojoaria ou por um 
dispositivo pirotécnico),
• Um conjunto de forças que actuam nos seus componentes 
mecânicos (força de set-bak, força centrífuga, de resistência do 
ar, etc,) que dão informação inequívoca sobre o ambiente onde o 
engenho se encontra,
• A rotação, num determinado número de voltas, de um eixo 
comandado por um pequeno hélice, que é actuado pela corrente 
de ar que incide sobre o engenho durante a sua trajectória,
• A alimentação, com corrente eléctrica, de certos circuitos, 
eléctricos ou electrónicos.
• Da operação de armar, consta frequentemente o alinhamento dos 
elementos explosivos da cadeia explosiva, entre si ou com outros 
componentes, o fechamento de interruptores eléctricos, etc.
190
Arma de repetição - È, essencialmente, uma arma provida com um 
depósito para várias munições ou um alojamento para um carregador 
e que dispõe de um mecanismo de repetição, a fim de que não seja 
necessária, como acontece numa espingarda de carregar pela culatra, 
a operação de carregamento efectuada manualmente entre tiros 
sucessivos.
Esta classe de armas constitui de certa forma um estágio primitivo da 
espingarda semi-automática, distinguindo-se desta porque requer 
manipulação/acção manual da culatra entre tiros, para realizar parte 
dos passos do ciclo de funcionamento.
Por outro lado porém, a rigidez intrínseca durante os disparos, de 
algumas armas deste género, faz delas armas excepcionalmente 
capazes como armas de tiro de precisão.
Arma semi-automática - Uma arma que, enquanto municiada, faz 
um disparo por cada actuação do mecanismo do gatilho, sem que seja 
necessário efectuar qualquer outra operação do seu ciclo de 
funcionamento. Isto é, uma arma em que todas as operações do ciclo 
de funcionamento, à excepção do disparo, se realizam 
automaticamente.
A guerra moderna e os outros géneros de confronto armado, requer 
volumes de fogo, nomeadamente em situação críticas, que já não 
podem ser satisfeitos com armas de repetição. Daí a adopção 
generalizada pelas Forças Armadas de todos os Países, como armas 
de bala, de armas automáticas e semi-automáticas. Em compensação, 
perdeu-se os padrões de alta consistência do tiro que era possível 
realizar com boas armas de repetição.
As armas semi-automáticas existentes, podem ser classificadas 
quanto à forma como operam os seus automatismos, nas seguintes 
classes:
• Operação a gás 
• Operação por inércia da culatra 
• Operação por recuo 
• Operação com travamento semi-rígido 
191
Qualquer que seja o sistema de operação, nestas armas o conceito de 
travamento da culatra é algo diferente do mesmo conceito para as 
armas de tiro simples e armas de repetição. Com efeito, nas armas 
semi-automáticas o travamento da culatra só perdura até o projéctil 
ter atingido um determinado ponto do cano em que as pressões dos 
gases já desceram bastante abaixo da pressão máxima.
Os automatismos são obtidos em todas estas armas pelo 
aproveitamento de uma pequena parte da energia libertada pelo 
propulsante da munição em cada disparo.
Existem armas semi-automáticas nas seguintes categorias:
• Pistolas
• Espingardas (a maior parte das espingardas de assalto também 
podem fazer tiro automático).
• Peças de artilharia.
Arrastamento do gatilho – Um termo da tecnologia do tiro de 
precisão. Designa o defeito que se encontra em alguns dos 
mecanismos do gatilho, dos géneros; gatilho sem folga, gatilho com 
folga e gatilho com dupla folga, e que se manifesta exactamente 
antes do ponto em que o disparo deve ocorrer, tal que o atirador 
sente, mais ou menos nitidamente, um atrito, um “arrastar”, entre as 
peças deste mecanismo. Este defeito, que é totalmente inaceitável, 
até por ser crítico o momento em que ocorre, uma vez que intervém 
grosseiramente na atenção que o atirador está a prestar à pontaria, 
pode ser às vezes corrigido através de afinações do mecanismo mas, 
noutros casos, só pode ser solucionado por um bom armeiro.
Azeramento (“zeroing”) – A operação de ajustar o aparelho de 
pontaria de uma arma ligeira, que tem em vista permitir ao utilizador 
atingir uma dada zona dum alvo, a uma dada distância – a distância 
para a qual a arma fica “azerada” -, com um máximo de precisão, 
apontado exactamente ao centro da zona de pontaria seleccionada 
previamente. Com o azeramento não de pode porém, infelizmente, 
obter quaisquer efeitos na melhoria da consistência do tiro.
192
Bagada – O conjunto das bagas – em princípio feitas de chumbo rijo 
– de uma munição (cartucho) de caça. O disparo de um destes 
cartuchos projecta uma matriz de esferas de chumbo rijo – os bagos 
ou chumbos – que, dadas as pequenas diferenças da resistência do ar 
sobre cada um, se vai alargando radialmente e em profundidade ao 
longo da trajectória dessa matriz. Principalmente esta dispersão em 
profundidade, faz com que, em comparação com o tiro em que se 
projecta um único projéctil, a probabilidade de atingir um alvo em 
movimento seja muito aumentada.
Os diâmetros aproximados da bagada, em centímetros, dependente é 
claro do estrangulamento do cano (choke), são os indicados na tabela 
seguinte:
Bagos – Também designados chumbos de caça, são os projécteis 
esféricos da munição (cartucho) de caça. Estes bagos são feitos de 
uma liga de chumbo e zinco ou chumbo e antimónio, chamada 
chumbo rijo.
Aparte as formas irregulares dos primeiros projécteis proporcionados 
pela Natureza do homem (pedras?), se fizermos a comparação, do 
ponto de vista aerodinâmico, com os outros projécteis modernos das 
Distância (metros)
10 15 20 25 30 35
“choke” do 
cano
Diâmetroda Bagada em Centímetros
Cilíndrico 54 71 88 105 122 140
Cil. 
melhorado
38 55 72 89 106 124
¼ choque 34 49 64 80 97 115
½ choque 31 44 58 73 90 108
¾ choque 27 39 52 66 82 101
Full choque 23 33 45 59 75 94
193
armas de fogo, esta sua forma esférica é a pior possível. Para já, a sua 
tendência para rodopiar sobre si próprios segundo uma direcção 
aleatória, torna as suas trajectórias muito imprevisíveis. Depois, a sua 
densidade seccional, por mais alta que seja a densidade do material 
de que sejam feitos, é muito baixa, daí resultando que a resistência 
do ar que actua neles durante as trajectórias, exerce desacelerações 
muito grandes.
Dada esta relativamente grande influência da resistência do ar no 
avanço destes projécteis, é certamente oportuno mencionar aqui que 
não faz nenhum sentido tentar, pelo aumento das cargas de pólvora, 
tentar aumentar a velocidade inicial das bagadas com o intuito de 
melhorar o tio, pois esses aumentos de velocidade rapidamente se 
dissipam perante uma resistência do ar que duplica com esses 
aumentos de velocidade.
Baixo explosivo – Por definição, é um explosivo em que a 
velocidade de reacção explosiva é inferior à velocidade do som na 
matéria explosiva ainda intacta.
Na realidade, as velocidades das reacções explosivas destes 
explosivos, nas condições normais de utilização (a pressões médias 
da ordem dos 4000 kg/cm2), são da ordem das dezenas de 
centímetros por segundo.
Exactamente por isso, estes explosivos libertam energia de uma 
forma relativamente lenta, o que leva à formação de pressões que 
aumentam progressivamente. Nas suas aplicações como propulsantes 
em munições de armas de fogo e em motores de foguete (por ser esta 
a sua principal aplicação, o termo baixo explosivo é praticamente 
sinónimo de propulsante), estes explosivos queimam ao longo de 
períodos relativamente longos, da ordem dos poucos milisegundos ou 
décimos de milisegundo.
A sua reacção explosiva distingue-se também da dos altos 
explosivos, por haver transmissão de calor ao longo do material 
explosivo, a acompanhar esta reacção.
Os baixos explosivos mais usados nas munições das armas de fogo e 
dos canhões sem recuo, são as pólvoras químicas ou propulsantes 
homogéneos.
194
Os baixos explosivos mais usados em pequenos motores de foguete, 
tais como os que se empregam em mísseis e granadas foguete, são os 
chamados propulsores heterogéneos.
Bala - È o projéctil inerte (construído praticamente na totalidade dos 
casos apenas com materiais metálicos e portanto inertes, de diâmetro 
até 15.24 mm (0.6’’)), da munição de pistola, espingarda, pistola 
metralhadora, metralhadora, etc. Dada a função generalizada entre a 
grande maioria dos apenas iniciados, justifica-se talvez chamar aqui 
a atenção para o uso incorrecto do termo “bala”, para designar as 
munições das armas referidas. A “bala” é evidentemente, apenas um 
componente duma destas munições, aquele que se projecta em 
direcção ao alvo. As balas podem ser formadas de um único corpo 
metálico – p.e. a bala lubrificada ou a bala estriada ou, como é muito 
mais frequente, por mais de um elemento, caso em que se trata das 
chamadas balas compostas.
O termo bala aplica-se no entanto apenas quando os projécteis 
descritos foram concebidos para disporem de estabilidade 
(capacidade que o projéctil tem de manter-se com uma das 
extremidades apontada para a frente ao longo dessa trajectória, isto é, 
para manter aproximadamente constante o seu comportamento, com 
o seu eixo longitudinal aproximadamente coincidente com a tangente 
a essa trajectória) giroscópica (é a forma de estabilidade de projécteis 
que resulta de, quando um corpo está animado de movimento de 
rotação em torno dum dos seus eixos, a direcção espacial desse eixo 
tender a manter-se inalterada). Os projecteis, como estes, mas 
concebidos para usufruírem de estabilidade aerodinâmica (‘e a 
estabilidade que resulta de, considerando o sentido do movimento, o 
seu centro de gravidade, ficar sensivelmente à frente do seu centro de 
pressão), designam-se por flechettes. Os materiais empregues, e a 
construção de cada um dos componentes e a correspondente 
organização do seu funcionamento, em particular no contacto com o 
alvo, é o que distingue os vários géneros de balas que são descritas 
nos artigos seguintes.
195
Bala de borracha - Uma bala feita de borracha sintética que é 
empregue em munições especiais que se destinam a acções do tipo 
controlo de multidões, onde é usada como um meio de dispersão das 
pessoas pelos efeitos violentos, embora normalmente não letais, que 
esse uso implica. De ter em atenção no entanto que a energia cinética 
desta bala, a pequenas distâncias, é tal que pode provocar a morte de 
um indivíduo, se disparada directamente sobre ele.
Bala de plástico - Aproximadamente o mesmo que bala de borracha, 
com excepção do material empregue no seu fabrico que é neste caso 
uma espécie de nylon.
Bala expansiva – Uma bala de munição de caça grossa que é 
construída tendo em vista o aumento do poder de choque que se pode 
retirar da deformação controlada da sua ponta no choque com um 
alvo, por forma a que essa ponta fique com um diâmetro francamente 
superior ao original, isto é, conseguindo fazer com que a bala tenda a 
sofrer, no impacto no alvo, uma deformação considerável através do 
colapso/rompimento parcial da camisa e do esmagamento/expansão 
controlado(a) do núcleo, mantendo a partir daí, aproximadamente, 
essa forma.
Tudo isto sem que haja desagregações consideráveis dos materiais da 
camisa e do núcleo e, portanto, grandes perdas do seu peso original. 
Uma tal deformação conduz normalmente a que ela venha a parar 
num espaço relativamente curto e a libertar portanto com grande 
potência, a sua energia restante.
Por vezes, para facilitar ou tornar mais rápida a dita expansão, certas 
balas empregam na ponta um componente especial chamado um 
expansor.
É de uma bala que funciona desta maneira no local apropriado da 
anatomia dum animal, que se diz que tem um grande poder de 
choque. Tendo em conta, é claro, que dadas as diferenças fisiológicas 
de espécie animal para espécie animal, isto implica que haja uma 
grande variedade de balas expansivas a escolher e empregar 
conforme as espécies a que se destinam.
196
É no entanto de notar o emprego que se faz actualmente de balas 
semelhantes em munições de pistola, pretendendo-se com estas 
conseguir um maior poder derrubante, através da combinação dos 
efeitos de uma penetração suficiente, com o de um poder de choque 
igualmente considerável.
O uso de balas expansivas em acções de guerra, foi primeiramente 
proibido pela Convenção Internacional de Haia, de 1899.
Bala sólida – Uma bala destinada à caça das espécies maiores e mais 
“perigosas”. Funciona através da capacidade de, sem se deformar ou 
apenas com um mínimo de deformação, vencer todas as resistências 
que os tecidos do animal – incluindo a maioria dos ossos -, possam 
oferecer, no trajecto para o órgão vital visado.
É sempre uma bala de ponta romba para uma melhor manutenção da 
direcção original, aquando da perfuração dos tecidos do animal e de 
grande calibre, dada a corpulência e a resistência das espécies 
referidas.
É uma bala feita de um único corpo – como a bala de cobre puro 
concebida originalmente pelo famoso caçador português, o Mestre 
José Pardal -, ou uma bala composta com uma camisa muito espessa 
e resistente a envolver e a reter firmemente um núcleo de material 
bastante rijo.
Em qualquer dos casos, deve ter uma densidade seccional tão grande 
quanto possível. Isto para lheconferir uma grande capacidade de 
penetração para que “lhe pese o rabo”, no dizer deste caçador -.
Balística – Nas armas de fogo convencionais, quando se efectua um 
disparo, o propulsante (pólvora) do cartucho queima muito 
rapidamente e produz grande quantidade de gases a alta temperatura. 
Esses gases, confinados como estão, criam atrás do projéctil – ou 
projécteis -, muito rapidamente, pressões muito altas. A sua expansão 
cria forças que vão pôr em movimento o projéctil, acelerando-o e 
fazendo-o ganhar uma grande velocidade até à boca do cano.
Aí chegado, o projéctil sai para a atmosfera. Os gases vão continuar 
ainda durante um certo espaço a actuar nele, acelerando-o ainda mais 
um pouco mas, se a sua saída do cano não for “simétrica”, imprime-
197
lhe impulsos tendentes a perturbar o seu deslocamento rectilíneo, 
uma vez que já deixou de beneficiar do suporte do cano. Dada a 
pressão a que estão submetidos e a sua muito menor densidade, ao 
expandirem-se, os gases ganham velocidades superiores à do 
projéctil e chegam a ultrapassá-lo. Nessa ocasião, o contacto dos 
gases com o ar atmosférico cria vários fenómenos típicos que se 
traduzem, grosso modo, na formação de chamas e ruído. Dada, no 
entanto, a sua muito pequena inércia, a nuvem de gases perde 
velocidade muito rapidamente e vem a ser ultrapassada pelo projéctil 
que, finalmente, passa a estar somente em contacto com a atmosfera.
A partir daqui, para além da atracção terrestre, e dada a sua 
velocidade muito alta, o projéctil vai encontrar pela frente uma 
grande força desaceleradora, a da resistência do ar. Vai igualmente 
ficar sujeito a outros efeitos dado que a atmosfera não é um meio 
estático e que o seu movimento de rotação a alta velocidade o obriga 
a comportamentos específicos.
Finalmente, se chega ao encontro com o seu alvo, com uma dada 
velocidade restante, vai ser posta à prova a sua capacidade de 
penetração e de realizar os efeitos “terminais” para que foi 
concebido.
Fenómenos semelhantes, embora distintos, ocorrem nos disparos e 
trajectórias dos “projécteis” das munições das armas de propulsão 
por reacção e dos lançadores de granadas-foguete.
A balística é a ciência que estuda as forças actuantes sobre os 
projécteis – e os foguetes – e os correspondentes movimentos destes, 
nos vários meios onde eles têm movimento, isto é, desde a sua 
posição inicial dentro das armas ou lançadores, até ao seu 
atravessamento/penetração dos alvos que são supostos atingir.
Dada a diversidade da natureza desses meios e a consequente muito 
diversa natureza dos fenómenos, existem na realidade várias 
balísticas:
• Balística interna – que é o estudo das forças e movimentos dos 
projécteis enquanto dentro das armas;
• Balística interna das armas de propulsão por reacção – o estudo 
dos fenómenos que ocorrem durante os disparos destas armas;
198
• Balística interna dos motores de foguete – o estudo dos 
fenómenos que ocorrem dentro destes engenhos;
• Balística intermédia ou de transição – o estudo das forças e outras 
acções e movimentos dos projécteis e dos gases do propulsante, 
no relativamente pequeno percurso logo a seguir à sua saída da 
boca do cano;
• Balística externa – o estudo das acções da gravidade e do ar 
atmosférico nos movimentos do projéctil ao longo das possíveis 
trajectórias;
• Balística externa dos foguetes – o estudo das trajectórias destes, 
principalmente dos de trajectória quente;
• Balística terminal – o estudo das forças e movimentos dos 
projécteis após o contacto com os alvos e das reacções destes.
Bandoleira - Um apetrecho que consta essencialmente de uma tira 
forte de tecido, com um recorte especial e que é susceptível de várias 
regulações por forma a ser afinada, montada e usada, em 
conformidade com uma certa técnica entre um ponto de fixação no 
fuste duma espingarda e o braço do atirador que suporta a arma (o 
braço esquerdo, no caso do atirador direito). Aparte a sua utilização 
militar por franco atiradores, é empregue nas posições de tiro deitado 
e joelhos do tiro ao alvo com estas armas, onde tem a função de 
permitir que o dito braço fique completamente descontraído, uma 
contribuição notável para a consistência do tiro nessas posições.
Este uso da bandoleira implica a solução técnica de dois problemas 
específicos. O da sua regulação correcta, dados os terríveis efeitos 
negativos que uma bandoleira mal regulada pode exercer sobre a 
posição de tiro e do seu potencial para transmitir à arma os 
movimentos pulsatórios da circulação sanguínea do atirador, uma vez 
que fique a exercer pressão sobre a artéria humeral, o que é quase 
certo acontecer principalmente na posição de joelhos, se a bandoleira 
for fixada numa posição alta, perto do ombro, e/ou ficar demasiado 
curta e portanto a apertar excessivamente o braço.
Para cada uma das posições a boa regulação da bandoleira só pode 
ser feita eficazmente através de um trabalho sistemático de 
construção da posição, durante umas tantas sessões de tiro sem 
199
bandoleira, nas quais se deverá determinar pelo menos o ponto em 
que a mão esquerda deve ficar sob o fuste, e a melhor regulação da 
chapa de coice. A regulação da bandoleira deverá então decorrer 
destes dados.
O couro não é um bom material para a confecção destes apetrechos, 
porque tende a ceder um pouco sob o esforço, o que conduz, 
imperceptivelmente, à transferência do peso da espingarda para o 
braço.
Também pode ser designado como uma tira forte de couro, lona, ou 
tecido sintético que se usa como acessório duma espingarda, carabina 
ou pistola metralhadora, para facilitar o seu transporte.
Base do invólucro – É a extremidade anterior do invólucro duma 
munição de invólucro metálico. Após o carregamento desta munição, 
a base do invólucro vai ficar encostada à face da culatra, que lhe 
serve de apoio durante o disparo. A base do invólucro tem de ser a 
parte deste com paredes mais espessas, uma vez que é a parte mais 
mal sustentada pelo conjunto câmara-culatra. A fim de permitir a 
extracção, a periferia desta base tem um perfil especial, que pode 
incluir um bocel (rebordo saliente em volta da base do invólucro de 
alguns invólucros metálicos) ou uma ranhura de extracção.
Nas munições de percussão central, é no centro da base do invólucro 
que é cravada ou roscada a escorva e nas munições de percussão 
anelar, é no interior da sua periferia que se aloja o anel de mistura 
ignidora.
Berdan – Nome de um dos primeiros invólucros metálicos que era 
fabricado a partir de uma só peça de metal sucessivamente estirada e 
encalçada, vindo a assumir a configuração que é hoje a única 
utilizada.
Bigorna – Um dos componentes dos sistemas de ignição das 
munições que empregam escorvas de percussão. Nalgumas escorvas 
a bigorna é um componente da própria escorva enquanto noutras a 
bigorna faz parte do invólucro do cartucho. Em qualquer dos casos, o 
corpo/invólucro da escorva é constituído por um pequeno corpo 
200
metálico, em cujo fundo, pela parte de fora, o percutor irá bater. No 
interior deste corpo encontra-se uma pastilha de mistura ignidora. A 
seguira a esta, constituindo-se em apoio desta pastilha, é que fica 
situada a peça de metal que se designa por bigorna.
A parte final da percussão consta na realidade, essencialmente, do 
esmagamento dessa pastilha de material explosivo, pelo percutor, 
entre a base, entretanto deformada, do copo e a bigorna.
Nas munições de armas ligeiras usa-se duas configurações de escorva 
de percussão, a escorva Boxer e a escorva Berdan, sendo quea 
principal diferença entre elas é precisamente que na primeira a 
bigorna faz parte da escorva.
Bloco da culatra – Designação do corpo principal da culatra, que 
aloja o mecanismo de percussão, serve de apoio ao extractor, etc.
Boca do cano – É a extremidade posterior da alma do cano. A 
perfeição do seu acabamento no fabrico e o estado de conservação 
dessa perfeição ao longo da vida do cano, são factores determinantes 
para a consistência do tiro que a arma pode produzir. Sendo o último 
ponto onde os projécteis beneficiam do apoio do cano e, 
simultaneamente, o ponto de saída para a atmosfera dos gases do 
propulsante, a consistência do tiro a produzir por uma arma pode ser 
completamente arruinada por qualquer imperfeição ou defeito num 
dos lados da boca, uma vez que, logo a seguir ao projéctil ter 
abandonado o cano, uma fuga assimétrica dos gases, devida a essa 
imperfeição, actuando quando o projéctil já não beneficia de apoio, 
irá provocar nele, uma forte oscilação. Daqui que, a prática frequente 
de limpezas dum cano introduzindo a vareta pela boca, que conduz 
necessariamente à produção de desgastes assimétricos dessa região, 
seja uma prática a eliminar.
Boca do carregador – É a abertura do carregador ou tambor, por 
onde se faz o seu municiamento.
Boca do invólucro – É a extremidade aberta do invólucro metálico 
por onde é introduzida a carga de propulsante da munição e que, nas 
201
munições de carga unida, é depois fechada pelo projéctil. A zona que 
precede a boca do invólucro é a que primeiro se expande durante o 
disparo, a fim de garantir a obturação para trás.
Bocel – É o rebordo saliente em volta da base do invólucro de alguns 
invólucros metálicos, precisamente os que se designam por 
invólucros com bocel. Nas munições que têm este tipo de invólucro, 
destina-se a:
• Limitar o seu avanço nas câmaras, aquando do seu carregamento,
• Ser agarrado pelo extractor da arma, para se fazer a extracção.
Boxer – Nome de marca de um dos primeiros invólucros metálicos, 
já em desuso há muitos anos, que era fabricado a partir de uma folha 
de metal enrolada a formar um tubo, tubo esse a que se fixavam os 
outros componentes da munição.
Braçadeira - Guarnição da espingarda cujo fim é a ligação do cano 
ao fuste. É constituída por um anel de aço que pode ser fechado ou 
com charneira. Esta última tem um parafuso que permite apertá-la 
mais ou menos, variando, portanto, o aperto do cano ao fuste.
Bucha – Designação comum de qualquer dos cilindros de cortiça e 
feltro usados entre a carga e a bagada nos cartuchos de caça tal como 
estes eram carregados há cerca de 20 ou 30 anos atrás. Este 
componente tinha a função de realizar a obturação para a frente dos 
gases e de amortecer o choque do aumento brusco das pressões sobre 
a bagada.
Note-se no entanto que estas buchas ainda se usam nesta classe de 
munições quando se pretende a maior dispersão possível da bagada, 
para além ainda do que se consegue usando apenas um dispersor.
Modernamente, estas munições utilizam, em vez destas buchas, as 
chamadas buchas de plástico.
Também designa os discos de cartão ou plástico – muitas vezes com 
a inscrição do “número do chumbo” -, que se usavam nestes 
cartuchos para efectuar o seu fechamento.
202
Caçadeira - Designação comum das espingardas de caça.
Cadência de tiro - Número máximo de tiros que poderia obter-se de 
uma arma sem qualquer pausa de funcionamento consecutivo durante 
um minuto, sem provocar desgaste exagerado no material.
Caixa da culatra - O componente de uma arma de fogo a que se 
encontra rigidamente roscado, na sua extremidade posterior, o cano e 
em cujo interior se movimenta a culatra e se encontram outros 
componentes como o ejector, a mola recuperadora, etc. É a caixa da 
culatra que realmente, integrando todos estes componentes e 
proporcionando-lhes apoio ou guiamento, faz a função de dar 
unidade ao funcionamento da arma. A sua estrutura tem de ser 
suficientemente pesada/forte e rígida, para suportar sem cedências as 
enormes forças presentes durante os disparos e, nas armas que se 
usam em modalidades em que se pretende uma grande consistência 
do tiro, para praticamente anular as amplitudes das torsões e absorver 
completamente as vibrações do cano, produzidas durante estes.
Na maioria das armas modernas, a caixa da culatra tem uma abertura 
para a fixação do carregador ou do tambor ou por onde passa a fita 
de alimentação e uma outra lateral por onde se faz a ejecção dos 
invólucros, a janela de ejecção. Mas, por exemplo, nas espingardas 
concebidas para oferecerem o mais alto nível de consistência do tiro, 
por exemplo nas usadas na modalidade de Bench Rest (modalidade 
específica de tiro ao alvo, a várias distâncias e onde, ao invés de 
fazer “10”, os atiradores tentam realizar agrupamentos de, 
geralmente, 5 impactos, com a menor dimensão possível) e nas 
empregues em competição de tiro ao alvo, a caixa da culatra é 
constituída por um volumoso bloco de aço, concebido para se 
comportar com um máximo de rigidez e neste bloco existe apenas, 
no máximo, uma abertura lateral, a da janela de ejecção. De tal forma 
que estas armas são necessariamente apenas armas de tiro simples, 
uma vez que estas não necessitam de abertura lateral para fixação 
dum carregador, sendo o carregamento feito através da própria janela 
de ejecção. Tudo para que a rigidez da caixa da culatra seja a 
máxima possível.
203
Calibre - Termo que, em termos gerais, é usado para sugerir as 
capacidades ofensiva ou defensiva do sistema da arma considerado, 
capacidades estas que correspondem, em termos técnicos, a; alcance 
eficaz, capacidade de penetração, capacidade de neutralização, etc. 
Neste contexto, grande calibre significa portanto grande alcance 
eficaz, grande capacidade de penetração, etc. 
Na descrição de armas de fogo e lançadores de granadas-foguete, o 
termo refere-se, grosso modo, à medida do diâmetro interno dos 
canos ou tubos mas com significados algo diferentes conforme a 
configuração do cano:
• Nas armas de cano estriado, é o diâmetro da alma medido entre 
os salientes das estrias. Nos países de língua inglesa este 
diâmetro é dado em centésimos ou milésimos de polegada. 
(.22, .223, .30, .45, .357, .375, etc) e nos outros em milímetros 
(5.56, 7.62, 9, etc) ou em centímetros,
• Nas peças de artilharia com cano de alma lisa, é simplesmente o 
diâmetro da alma,
• Nos lançadores de granadas-foguete, é o diâmetro interno do tubo 
do lançador,
• Nas armas de caça, o calibre é dado pelo adarme.
Na descrição de munições, o termo exprime, grosso modo, o 
diâmetro dos seus projécteis mas aqui quer se trate de munições 
destinadas a sistemas de arma de cano estriado ou destinadas a 
sistemas de arma de cano liso, o calibre designa sempre o diâmetro 
máximo do corpo do projéctil com a particularidade de, para validar 
esta definição, se ter de considerar que nos projécteis sub-calibre que 
empregam um sabot, o sabot faz parte de um corpo isto é o diâmetro 
a medir é o diâmetro externo do sabot.
Calibre nominal – É o nome/designação por que são conhecidas 
internacionalmente as munições a usar num dado sistema de arma. 
No mesmo calibre nominal as munições só têm de ser do mesmo 
calibre especificado, isto é, só têm de ter em comum as 
características e dimensões do invólucro. Ou seja, cada calibre 
especificado é conhecido por um nome que é o seu calibre nominal.
204
Esse “nome” pode ser formado por um número, conjunto de números 
ou um conjunto de número e palavra (por exemplo. .380, 30-06, 
7.62x51, 7.62x39, ou o .38special), suficientes para designar 
completamente e sem ambiguidades a munição que se aplica.
Do que foi dito pode-se, é claro, inferir que nas munições de cada 
calibre nominal, se pode usar cargas de pólvora diferentes e 
projécteis de diferentes configurações e/ou pesos mas todos os seus 
invólucros têm de ser rigorosamente iguais, sendo que as 
especificações dimensionais do invólucro de cada calibre nominal, 
são dadas em termos do seu calibre especificado.
É também usual dizer-se de uma dada arma que “é de calibre tal” 
empregando-se então para designar o calibre, o calibre nominal da 
munição usada, por exemplo, 30.06 ou 40L70.
Cama do cano – É a preparação da coronha de uma espingarda para 
receber da forma mais extensa, uniforme, íntima e estável possível, a 
superfície externa da caixa da culatra, (e por vezes esta e parte do 
cano) dessa espingarda. Nas espingardas para tiro de precisão, onde 
se pretende levar ao maior potencial possível a contribuição da arma 
para uma grande consistência do tiro, um bom “bedding” revela-se 
uma operação particularmente delicada mas indispensável. Há que 
garantir que, durante cada disparo, a reacção da coronha ao recuo 
seja tanto quanto possível, sempre a mesma, para que as vibrações do 
cano sejam sempre exactamente iguais. Esta regularidade é portanto 
um contributo importantíssimo para a consistência da arma.
A cama do cano pode constar simplesmente de um entalhe na 
madeira executado com rigor, tal que as partes metálicas assentem o 
melhor possível conforme atrás especificado. Modernamente, a cama 
do cano é frequentemente realizada com o recurso a resinas epóxidas 
(produto sintético com a consistência de um líquido viscoso que 
sujeito a uma “cura” operada por um reagente próprio – em geral 
aminas orgânicas, altamente tóxicas -, serve principalmente para 
impregnar telas resistentes de várias fibras – vidro, carbono, kevlar, 
etc. -, por forma a formar placas resistentes a impactos e à corrosão, 
as quais encontram grande aplicação em capacetes, coletes pára-bala, 
etc.) que se aplicam com ou sem telas de fibra de vidro, numa larga 
205
camada, na região do fuste sob a caixa da culatra – o único ponto 
onde, nestas armas, as partes metálicas da arma ficam em contacto 
com a coronha -. As partes metálicas, tratadas com um 
“desmoldante” que vai permitir a sua separação, são depois assentes 
sobre a resina ainda em estado pastoso, e os parafusos de fixação 
apertados com a tensão normal. Após a solidificação da resina e 
removidos os excedentes, a camada presente, além de garantir a 
maior intimidade do contacto, permite, pela sua rigidez, que a arma 
se torne praticamente insensível a possíveis “movimentos” da 
madeira da coronha quando sujeita a mudanças atmosféricas.
Câmara - É a parte da alma, das armas de carregamento anterior 
onde se introduzem as munições no que constitui o carregamento 
destas armas. É portanto a porção anterior da alma do cano. 
Conforme o calibre nominal do sistema da arma a câmara pode ter 
um perfil cilíndrico ou ligeiramente troncónico e, é claro, porque o 
invólucro da munição tem geralmente um diâmetro 
consideravelmente superior ao do projéctil, a câmara tem um 
diâmetro correspondentemente superior ao da parte estriada.
No contexto da balística interna, verifica-se que para maximizar a 
eficiência balística de um qualquer sistema de arma, deve fazer-se 
com que o volume da câmara seja o menor possível. Note-se ainda 
que no caso de se tratar de um sistema de arma que emprega 
invólucros metálicos, tratando-se da medição do volume da câmara 
para este efeito ou por exemplo para determinar a razão de expansão, 
considera-se que as paredes do invólucro fazem parte da câmara e 
que portanto o volume a medir é o do interior do invólucro. No caso 
das armas automáticas, interessando em geral que as munições sejam 
tão curtas como possível, para reduzir o deslocamento da culatra 
tornando mais eficaz o funcionamento da arma, isto corresponde a 
fazer-se sempre o possível para que a câmara seja o mais curta 
possível.
Em todas as armas de um dado calibre nominal, por razões 
relacionadas com a consistência do tiro, a câmara deve ter o menor 
diâmetro possível para optimizar a centragem do projéctil na 
concordância e proporcionar o maior apoio possível aos invólucros 
206
nos disparos. Mas, por outro lado, as câmaras terão de ter diâmetros 
sempre suficientemente grandes para permitir sem falhas o 
carregamento das munições fabricadas dentro das tolerância superior 
e para permitir uma extracção suficientemente fácil, mesmo com os 
canos muito quentes.
Camisa - É o componente das balas compostas que constitui o seu 
invólucro exterior. A camisa é feita geralmente de latão, um material 
muito mais duro e resistente que o chumbo rijo das balas lubrificadas 
e núcleos. Nas balas de munição de espingarda, a camisa tem como 
principal função, conferir-lhes a resistência/capacidade de suportar 
os enormes esforços a que são submetidos no contacto com as almas 
dos canos, aquando os disparos, disparos estes caracterizados pela 
criação de pressões e temperaturas elevadas.
Nas balas de munição de pistola e de pistola-metralhadora, a 
principal função da camisa é dar às balas a dureza suficiente para que 
estas, no trânsito entre os carregadores e as câmaras, nos 
carregamentos, deslizem sem ficarem presas em quaisquer 
obstáculos. Nas balas destinadas a munições de caça grossa, compete 
às camisas dar um contributo importante na balística terminal dessas 
balas, fazendo com que, no impacto com os alvos, a sua expansão se 
faça sob o melhor controlo, ou, no caso das balas sólidas, não ocorra 
quase nenhuma expansão. Em qualquer dos casos mas 
principalmente nos casos das balas destinadas a tiro de precisão, as 
camisas requerem um fabrico muito cuidado, uma vez que a 
regularidade da sua espessura, em cada secção transversal, é um 
factor decisivo para que o centro de gravidade da bala se situe 
exactamente sobre o seu eixo longitudinal e portanto para que a sua 
oscilação na trajectória seja mínima.
Campos de tiro – São extensões de terreno destinadas à execução do 
tiro em campo aberto, sobre alvos terrestres ou aéreos, com 
utilização de sistemas de armas não guiadas ou guiadas, de calibres 
normais ou reduzidos, em condições próximas de combate e com o 
maior realismo possível.
207
Canal de fogo – Um orifício que se situa entre a escorva e o interior 
do invólucro metálico duma munição e por onde os produtos da 
explosão da pastilha de mistura ignidora da escorva, se introduzem, 
por forma a fazerem a iniciação do ignidor ou, directamente, da carga 
principal. A principal diferença, à vista, entre uma escorva Boxer e 
uma escorva Berdan, depois de montadas nos seus alojamentos nas 
bases dos invólucros, é precisamente que na primeira só há um canal 
de fogo, enquanto na segunda há dois. Note-se que no primeiro caso 
o canal de fogo faz de escorva, enquanto que no segundo os canais 
de fogo são perfurações da base do invólucro.
Cano - É o componente de uma arma de fogo ou de uma arma de 
propulsão por reacção que tem por funções: proporcionar o meio 
para o desenvolvimento do impulso sobre os projécteis, o seu 
direccionamento para os alvos e, na maioria dos casos, para impor 
uma rotação sobre si próprios a fim de que venham a beneficiar de 
estabilidade giroscópica durante as trajectórias.
A propulsão/aceleração dos projécteis resulta das enormes forças 
desenvolvidas pelos gases produzidos pelas cargas dos propulsantes 
dentro de um vaso altamente que é o próprio cano, que oferecegrandes limitações à sua expansão. Quando é imprimido um 
movimento de rotação ao projéctil ao longo da sua viagem no cano, 
este resulta da torção imprimida pelas estrias sobre a cinta de 
forçamento ou sobre a camisa desse projéctil. O direccionamento 
resulta da pontaria da arma que consta essencialmente do 
posicionamento espacial do eixo do cano, numa direcção tal que o 
projéctil ao sair dele com uma determinada velocidade, possa 
originar a trajectória balística que passa pelo alvo que se pretende 
atingir.
Os requisitos da concepção e fabrico dos canos resultam geralmente 
dos valores das altas tensões radiais e axiais que têm de suportar, do 
limite do peso, dum comprimento mínimo necessário à obtenção de 
uma dada velocidade à boca e de uma rigidez mínima tal que a flexão 
que resulta do próprio peso e as vibrações produzidas nos disparos, 
se situem dentro de dados limites.
208
Estes requisitos, sendo todos conflituantes entre si, tornam a 
concepção, a escolha dos materiais e o fabrico dos modernos canos 
uma tarefa muito complexa que, pelo menos nos casos dos canos 
para peças de artilharia, só um muito reduzido número de empresas 
tem capacidade para empreender.
Por outro lado, os canos são as partes das armas mais susceptíveis de 
desgaste. Este desgaste acontece através de um processo chamado 
erosão, que consiste da alteração química dos aços, ao nível das 
almas, alteração que resulta do seu contacto com os gases dos 
propulsantes a altas temperaturas e dos atritos entre as almas e os 
projécteis, durante os forçamentos e passagem dos projécteis.
Cano estriado - Um cano em que a parte posterior da alma é 
estriada, isto é, cortada por sulcos helicoidais, os cavados das estrias. 
Entre estes ficam os salientes das estrias cujo desenvolvimento 
igualmente helicoidal à roda das paredes da alma, é verdadeiramente 
responsável pela impressão de movimento de rotação aos projécteis 
das munições que se disparam nesses canos. Estes projécteis ficam a 
beneficiar de uma estabilidade giroscópica durante as suas 
trajectórias.
À parte da alma onde existem as estrias destes canos, chama-se a 
parte estriada.
A maioria das armas de fogo e das armas de propulsão por reacção e 
alguns morteiros empregam canos deste tipo.
Cano liso - Designação genérica dos canos de alma lisa, isto é, em 
que a alma não é cortada por estrias. Este tipo de cano é utilizado em:
• Peças de artilharia, normalmente montadas em carros de assalto, 
destinadas ao disparo de projécteis de tipos específicos,
• Morteiros,
• Espingardas de caça.
Cão - Designação clássica de um componente de alguns mecanismos 
de percussão, cujo movimento é caracteristicamente um de rotação 
em torno dum eixo próprio, o “eixo do cão”. Nalguns destes 
mecanismos é o cão que vai bater num percutor, para este realizar a 
209
percussão, noutros ,quando o percutor se encontra fixado a ele, o cão 
percute directamente a escorva. Em qualquer dos casos, na acção de 
armar, o cão comprime a mola real, vindo a ficar retido pelo 
armador, e é impulsionado por ela para realizar a percussão quando 
se acciona o mecanismo do gatilho. Por outro lado, nalguns 
mecanismos encontra-se um “cão exterior” (um cão que está à vista e 
pode ser armado com o dedo) enquanto que noutros o cão não se vê e 
não se tem acesso a ele. Trata-se então de um cão interior.
Nalgumas das armas que empregam destes mecanismos de 
percussão, o cão pode ter três posições:
• A de armado em que a arma fica pronta a disparar normalmente,
• A de “desarmado ou abatido” em que se a arma estiver carregada 
e o cão receber uma pancada, por exemplo numa queda, a arma 
poderá disparar-se inadvertidamente,
• E uma intermédia, de “descanso ou segurança” em que, em 
princípio, num acidente como este o cão estará retido, 
impossibilitado de realizar a percussão.
Carabina - Designação técnica de uma qualquer espingarda de cano 
curto (menos de cerca de 55 cm), originalmente destinada ao uso por 
tropas de cavalaria.
Em Portugal e noutros países latinos, o termo é usado (erradamente) 
para designar qualquer espingarda de cano estriado para uso civil ou 
mais particularmente, qualquer espingarda de calibre pequeno.
É notável a tendência, desde há uns anos para usar carabinas as 
chamadas carabinas de assalto como armamento principal dos 
exércitos.
Carabina de assalto – Uma carabina concebida segundo as 
especificações comuns às armas de guerra e que, em particular:
• Deve ter dimensões e peso muito reduzidos,
• Deve ter capacidade para fazer tiro semi-automático e tiro 
automático,
• Deve ser desenhada para funcionar com um mínimo de recuo e 
salto, para permitir fazer tiro automático com bom controlo de 
pontaria.
210
Este tipo de arma, um refinamento do conceito de espingarda de 
assalto, é hoje em dia adoptado, como arma comum de infantaria, 
pelas Forças Armadas da maioria dos países mais desenvolvidos, 
dadas as vantagens inerentes ao uso, por combatentes a quem é 
exigida uma grande mobilidade, de armas mais pequenas e mais 
leves que se prestam melhor a ser transportadas por forças que 
frequentemente usam transportes para as suas deslocações, e de 
munições que, sendo também mais pequenas e mais leves, podem ser 
transportadas em maior quantidade.
Estas armas foram possíveis conceber apenas a partir do 
aparecimento de calibres nominais com calibres mais reduzidos mas 
de grande eficiência balística.
Não é no entanto de perder de vista que, com a adopção destes 
calibres, tratando-se da realização de tiro para além dos cerca de 
trezentos metros de distância, se perde alguma capacidade em termos 
de consistência, precisão e capacidade de penetração.
Carabina livre – Designação de uma espingarda de precisão de 
calibre nominal .22LR que se destina às duas modalidades de 
competição a seguir referidas.
Estas duas modalidades de tiro ao alvo, fazem parte dos programas 
da I.S.S.F. e dos Jogos Olímpicos. Trata-se da competição a 50 
metros, constando a primeira de 60 tiros na posição de deitado – a 
chamada “carabina deitado” ou “match inglês” -, e a segunda de 120 
tiros, sendo 40 na posição de deitado, 40 na de pé e 40 na de joelhos 
– a chamada “carabina três posições” -.
O termo “livre” justifica-se por esta ser um dos tipos de arma em que 
o número de restrições impostas à sua constituição é mínimo.
Carabina de pressão de ar – Em geral, uma carabina que funciona 
como uma arma de pressão de ar e que é utilizada para fins lúdicos.
Enquanto arma destinada a tiro ao alvo, trata-se de um objecto 
altamente sofisticado, reunindo nomeadamente todas as 
características próprias semelhantes às de uma espingarda de 
precisão.
211
Carabina standard – Designação de uma espingarda de precisão de 
calibre nominal .22LR que se destina à competição entre senhoras.
Esta espingarda emprega-se em duas modalidades de tiro ao alvo que 
fazem parte dos programas da I.S.S.F. Trata-se de competições a 50 
metros, constando a primeira de 60 tiros na posição de deitado - a 
chamada “carabina deitado” ou “match inglês” - e a segunda de 120 
tiros, sendo 40 na posição de deitado, 40 na de pé e 40 na de joelhos 
– a chamada “carabina três posições” -. Esta faz parte do programa 
dos Jogos Olímpicos.
Carcaça – Designação comum do componente de base das pistolas 
que constitui a sua parte “fixa” sobre a qual na manipulação e nos 
disparos se movimenta a corrediça, onde se introduz o carregador e 
onde se fixam as platinas para que o punho possa ser confortável.
Carga – Das várias definições que se podem encontrar,deixa-se aqui 
a referência a algumas delas:
• Qualquer massa individualizada de um explosivo,
• A massa de pólvora química ou propulsante heterogéneo que 
constitui a principal fonte de energia potencial de um dado 
cartucho ou motor de foguete,
• Qualquer massa com uma função individualizada, tal como as 
que se usam como carga útil de qualquer projéctil convencional, 
míssil, bomba, etc.,
• A massa de agente químico, incendiário, gás, liquefeito, 
fumígeno ou material biológico que constitui o principal 
conteúdo de certas granadas ou bombas,
• termo carga de chumbo significa o mesmo que bagada.
Carga inerte – Designação da “carga” de um projéctil, bomba ou 
granada que simula todas as funções do seu congénere “de combate”, 
excepto as do domínio da balística terminal. Trata-se de uma massa 
de material inerte, com o mesmo peso da carga ou incendiário do 
correspondente engenho de combate, que serve para que esse 
engenho seja capaz de, para todos os efeitos pretendidos, em vários 
exercícios, simular um engenho “real”.
212
Carregador - Um contentor de forma aproximadamente 
paralelepipédica (direito ou ligeiramente curvo), que se destina a 
armazenar uma certa quantidade de munições de uma arma de 
repetição, arma semi-automática ou arma automática e que é usado 
com a finalidade do municíamento dessas armas se fazer de forma 
muito expedita, apenas pela introdução e fixação do carregador na 
arma. Neste tipo de contentor as munições são empurradas para a 
boca do carregador para a extremidade que é introduzida na arma, 
por uma mola, a mola do elevador do carregador.
O armazenamento das munições nos carregadores pode ser feito “em 
linha” isto é, com umas por cima das outras, ou fazendo um zig-zag. 
A propósito, é de notar a enorme contribuição dada ao aumento de 
poder de fogo das pistolas modernas, pela introdução de carregadores 
que, por terem as munições dispostas desta última maneira são 
capazes de acolher até quinze unidades.
A capacidade dos carregadores determina em boa parte a capacidade 
operacional das armas em que se empregam, nomeadamente nas 
situações de combate a distâncias curtas, em que o volume de fogo é 
um factor determinante. Mas onde se pretende utilizar ritmos de fogo 
os maiores possível há que recorrer a armas alimentadas por fita.
Uma grande parte das falhas de fogo dos sistemas de arma onde se 
usam carregadores, devem-se a defeitos ou desgastes destes, dado 
que são componentes relativamente frágeis e fáceis de danificar e 
que, quando os seus lábios deixam de reter as munições na posição 
apropriada, ocasionam as referidas falhas.
Carregamento - É a acção de carregar uma arma. O carregamento é 
também usado para significar um dos seguintes processos:
• A introdução, no invólucro do cartucho, da carga principal bucha 
e projéctil ou projécteis.
• A introdução dos altos explosivos no corpo dos projécteis 
bombas ou outras cargas úteis.
Carregar - É a acção que resulta da introdução de uma munição na 
câmara do cano.
213
Carreira de tiro - Um espaço especialmente concebido para a 
prática de tiro, geralmente em várias modalidades. Consiste numa 
construção permanente destinada à execução de tiro contra alvos 
terrestres e aéreos com armas portáteis de tiro tenso, cano estriado, 
utilizando projécteis inertes de calibres normais.
Incluem três zonas: de serviços, de tiro e perigosa.
Na carreira de tiro de 25 metros podemos encontrar, por zonas: a 
zona de serviços, a zona de tiro e a zona perigosa.
A Zona de serviços é composta por:
• Arrecadação para alvos,
• Sala de escrituração,
• Instalações sanitárias,
• Sistemas de abastecimento de água e energia eléctrica,
• Área de reunião de pessoal,
• Acesso à carreira de tiro.
A Zona de tiro compreende:
• Plataformas para atiradores,
• Espaldão frontal,
• Dois espaldões ou muros laterais,
• Linha de alvos única,
• Caminhos laterais para circulação do pessoal,
• Linha de alvos,
• Caminho transversal junto aos alvos.
A Zona perigosa inclui a Zona perigosa de superfície e a Zona 
perigosa vertical.
Na carreira de tiro de 300 a Zona de serviços é composta por:
• Gabinete do Director,
• Sala de escrituração,
• Caserna, refeitório, sala de estar e cozinha, instalações sanitárias,
• Arrecadações,
• Oficinas de alvos,
• Sistema de abastecimento de água e de condução da energia 
eléctrica,
• Instalação telefónica,
214
• Parque de estacionamento de viaturas,
• Área de reunião do pessoal,
• Acessos à carreira de tiro,
A Zona de tiro compreende:
• Leito,
• Plataforma de tiro,
• Linhas de tiro,
• Linhas de alvos,
• Espaldão convencional,
• Muros pára-balas paralelos ao eixo da carreira de tiro,
• Muros pára-balas laterais/oblíquos ao eixo da carreira de tiro,
• Abrigos dos marcadores de alvos,
• Sistema de alvos,
• Caminhos laterais.
No que se refere ao Tiro Desportivo, a parte do regulamento da 
I.S.S.F. (International Sport Shooting Federation) que se aplica a 
estas instalações, explica praticamente todos os requisitos a que elas 
devem obedecer para satisfazer as necessidades básicas dos 
utilizadores, nas provas patrocinadas por esta instituição.
Entretanto, haverá que prever outras condições básicas, de entre as 
quais se salientam as seguintes:
• O local deve ser aprovado pelas autoridades encarregues do 
planeamento urbanístico e ficar circundado por um espaço 
salvaguardado de construções que possam no futuro implicar o 
abandono da carreira, por questões de segurança na utilização,
• O local deve ser suficientemente isolado, afim de não causar 
problemas de poluição sonora,
215
• Deve procurar-se que a carreira não seja construída sobre solos 
rochosos, onde a probabilidade de ricochete é muito maior,
• Onde o espaço livre e seguro por detrás dos alvos não seja 
ilimitado, haverá que construir espaldões, pára-balas e outras 
protecções que reduzam ao mínimo a possibilidade de projecção 
acidental de um projéctil, para fora do recinto,
• Para obter a iluminação mais favorável, as linhas de tiro devem 
ser viradas a Norte ou a Nordeste,
• As linhas de tiro devem ser espaçosas e bem protegidas da chuva, 
da luz directa, do sol e dos ventos,
• Deverá haver espaços cobertos suficientes para abrigar 
escritórios, salas de classificação, balneários, sanitários, casas 
fortes, etc.,
• No exterior deve haver suficiente espaço para parqueamento de 
viaturas.
Cartucho - É a parte duma munição convencional (duma que não é 
do tipo munição sem invólucro) de uma arma de fogo que se destina 
a implementar o impulso da outra parte, os projécteis.
O cartucho pode ser do tipo invólucro metálico ou do tipo invólucro 
combustível.
Tratando-se de um cartucho de invólucro metálico, o cartucho tem 
também a função fundamental de realizar a obturação, neste caso a 
chamada, “obturação por expansão”.
Qualquer que seja o tipo, os componentes do cartucho são:
216
• O invólucro que, como se disse, pode ser um invólucro metálico 
ou um invólucro combustível,
• A escorva, que pode ser uma escorva de percussão, uma escorva 
eléctrica ou uma escorva mista.
• Na maioria das munições de artilharia, o ignidor.
• A carga principal de propulsante.
O termo cartucho é também usado correntemente, embora 
incorrectamente, para designar as munições das armas de caça (uma 
vez que, com se referiu, diz respeito à parte de uma munição).
Cartucho de salva – Designação comum de uma munição não 
equipada com projéctil, ou seja, de um cartucho de invólucro 
metálico, que se destina a providenciar o impulso de uma granada de 
espingarda. 
Embora parecido com o cartucho de salva domesmo calibre 
especificado, a sua carga é muito diferente da deste, de tal forma que 
seria mesmo bastante perigoso usar um destes cartuchos naquela 
função. Isto porque, o cartucho lança granadas, que deve produzir um 
grande volume de gases, tem de ter uma carga muito volumosa mas 
constituída por uma pólvora de muito menor vivacidade.
Cauda do gatilho - O componente do mecanismo do gatilho de uma 
arma, onde se actua com o dedo para efectuar os disparos. Nas 
modalidades de tiro de precisão em que se estabelece um peso do 
gatilho mínimo, o uso de uma cauda bastante larga pode dar ao 
atirador a sensação de ter de vencer uma menor resistência do 
mecanismo referido.
Cavado da estria – Um dos sulcos de uma alma estriada, isto é, 
propriamente dita, uma estria. Nos seus movimentos nos canos, 
assentam sobre os cavados das estrias, as partes intactas das camisas 
217
das balas e a superfície externa deixada intacta das cintas de 
forçamento e dos sabots dos projécteis de artilharia.
Cavalete – Um dos dispositivos que se usa, em laboratórios 
balísticos e em carreiras de tiro, para fazer a determinação da 
consistência de funcionamento de sistemas de armas. Consta de uma 
estrutura pesada presa ao solo, onde se fixa a arma, estrutura essa que 
inclui geralmente um dispositivo que permite reconduzir a arma 
exactamente sempre à mesma posição depois de cada disparo. Isto 
permite determinar a máxima consistência de tiro de que o conjunto 
arma/lote de munições é capaz mas, ao contrário do que às vezes 
erradamente se pretende, não permite fazer o azeramento das armas. 
Isto porque, sendo o salto da arma num cavalete, muito diferente do 
salto nas mãos do atirador em cada postura de tiro, o PMI (ponto 
médio dos impactos, isto é, o centro geométrico dos centros dos 
impactos de um conjunto de tiros apontados a um mesmo ponto de 
um mesmo alvo e disparados em condições tão exactamente iguais 
quanto possível) dos impactos dos tiros feitos nesse cavalete é 
geralmente muito diferente do PMI dos impactos feitos em condições 
reais.
Cavilha – Designação de um componente do sistema de segurança 
de algumas espoletas. A cavilha, enquanto inserida no mecanismo, 
impede a espoleta de funcionar. A sua remoção constitui o primeiro 
passo do processo de armar a espoleta.
Chama à boca – É a chama que por vezes se forma junto à boca do 
cano das armas de fogo aquando dum disparo, em simultâneo com a 
saída do projéctil. Resulta da combustão, devido ao contacto com o 
oxigénio atmosférico, de alguns dos produtos gasosos da combustão 
da pólvora (p. ex. CO e H2). A combustão é facilitada devido à alta 
temperatura dos gases e também, devido à projecção de partículas 
incandescentes.
A redução ou anulação de chama à boca pode fazer-se – embora não 
se conheçam exactamente as razões – usando os seguintes meios:
• Nalgumas armas de bala, pelo uso de oculta-chamas,
218
• Pelo uso de propulsantes com temperaturas de queima mais 
baixas,
• Usando propulsantes em cuja composição participam 
arrefecedores e moderantes.
Chapa de coice – Designação da peça que cobre a chamada “soleira” 
da coronha duma espingarda ou carabina. Este nome deve-se a que, 
nas armas antigas, tratava-se mesmo de uma peça feita de chapa de 
aço que servia para proteger a coronha das pancadas no chão. 
Nas armas de guerra modernas é quase sempre uma peça de plástico 
resistente. Nas espingardas standard de tiro ao alvo, a chapa de coice 
é uma peça cujo posicionamento sobre a coronha é ajustável 
verticalmente, por forma a permitir melhorar cada uma das (três) 
posições de tiro. Nas espingardas livres de tiro ao alvo, a chapa de 
coice é uma peça altamente elaborada que permite vários 
ajustamentos verticais, laterais e de curvatura, por forma a 
possibilitar o seu apoio no ombro na maior superfície possível, em 
cada posição de tiro.
Ciclo de funcionamento - É o conjunto das principais operações que 
ocorrem numa qualquer arma de fogo moderna (isto é, numa arma de 
carregamento anterior), entre dois disparos consecutivos. 
Compreende (sempre nesta sequência mas, como em qualquer ciclo, 
começando em qualquer delas) as operações seguintes:
• Disparo,
• Destravamento da culatra,
• Extracção (no início do “recuo” da culatra),
• Ejecção,
• Carregamento (no fim da “recuperação”),
• Travamento da culatra.
Paralelamente a estas realizam-se outras operações como sejam o 
armamento do mecanismo de percussão, as eventuais actuações 
automáticas do mecanismo de segurança, etc.
A diferença fundamental entre as armas de carregar pela culatra, 
armas de tiro simples, armas de repetição, armas semi-automáticas e 
armas automáticas, reside precisamente no correspondentemente 
219
crescente grau de automatização com que estas mesmas operações 
decorrem.
Coice da arma - Termo clássico que designa o recuo de uma 
espingarda, ou outra arma de bala. Na realidade o recuo é só um dos 
componentes do coice, o outro é o salto da arma, aquele que se 
traduz no movimento da arma paralelamente ao eixo do cano.
Para o conforto do atirador o coice deve ser tão pequeno quanto 
possível, na prática, quando o coice, por demasiado violento, 
constitua problema pode-se recorrer a pelo menos duas soluções:
• Nas armas de “grosso calibre” cujo coice seja demasiado violento 
, ele pode ser reduzido por um aumento do ângulo de queda da 
coronha, o que pelo contrário, irá aumentar o salto da arma,
• Uma outra solução possível para os sistemas de arma dos calibres 
nominais em que o coice tenda a ser excessivo, é a escolha de 
uma arma mais pesada.
Note-se ainda que uma folga de carregamento excessiva é geralmente 
causa de coice anormalmente grande.
Coice da coronha – É a zona anterior da coronha duma espingarda – 
ou outra arma semelhante -, que assenta no ombro e geralmente 
também na cara do atirador. O termo clássico que designa a face 
anterior da coronha com que o coice vai assentar no ombro, chama-
se “soleira”. Na maioria das armas, esta é quase sempre coberta por 
uma chapa de coice.
220
Colo do invólucro - É a parte estrangulada na extremidade posterior 
do corpo da maioria dos invólucros metálicos, os dos chamados 
invólucros com colo - das munições de artilharia, munições de 
espingarda e de umas poucas munições de pistola, aonde, nestas 
munições, vai ficar fixado o projéctil.
Esse estrangulamento destes invólucros serve precisamente para ser 
possível fixar o projéctil, uma vez que, nestes calibres nominais, este 
tem um diâmetro muito menor que o da parte central do corpo do 
invólucro.
Comburente (ou Oxidante) – Designação genérica das substâncias 
capazes de alimentar a combustão doutra ou doutras (os 
combustíveis). Os comburentes são substâncias que contêm os 
elementos oxidantes (estes elementos encontram-se na tabela 
periódica à direita do azoto, enquanto que os combustíveis são os que 
se encontram à sua esquerda). Nos fenómenos de combustão mais 
comum, o comburente é geralmente o oxigénio do ar.
Combustão – No contexto do tratamento das reacções químicas dos 
baixos explosivos/propulsantes, significa o mesmo que queima ou 
deflagração. No contexto dos explosivos, os termos combustão, 
deflagração e queima, são utilizados indiferentemente, pretendendo 
significar a explosão dos baixos explosivos. Isto dada a semelhança 
aparente entre a forma como se processa este fenómeno (da 
superfície para o interior da massa dos grãos) e a forma como 
queimam os combustíveis sólidos.
Tratando-se simplesmente de combustíveis, é a propagação de uma 
reacçãoexotérmica por condução, convecção e radiação. Trata-se 
aqui de uma reacção química que consiste numa oxidação térmica 
que produz luz, chama faíscas e fumo. A combustão dos 
combustíveis, ao contrário da dos explosivos, depende sempre da 
221
presença de uma matéria comburente exterior a eles, geralmente o 
oxigénio do ar.
Concentração – Termo que surge no contexto mais alargado da 
preparação psicológica dum atleta significando, em termos gerais, o 
cenário, o enquadramento mental, em que esse atleta treina ou 
participa numa competição. “Estar concentrado” significa que pela 
mente não passa nenhuma ideia estranha às técnicas ou às tácticas 
indispensáveis a um desempenho de “alto rendimento”, de tal 
maneira que a sua atenção e energia anímica possam ser 
apropriadamente dirigidas para um “objecto” funcionalmente útil.
Não significando o mesmo, este termo é confundido por vezes com o 
termo “atenção”.
Concordância – A porção da alma que constitui a transição entre a 
câmara e o começo do estriamento onde, idealmente, a ogiva do 
projéctil vai ficar encostada ao início das rampas que conduzem aos 
salientes das estrias. Caso isso não aconteça, é a zona da alma onde o 
projéctil realiza o seu salto livre, até começar a ser cortado pelos 
salientes das estrias.
A concordância define-se ainda mais especificamente, conforme o 
tipo de cartucho usado, como sendo:
• Nos sistemas de arma em que se usa cartucho de invólucro 
metálico, é a zona que fica imediatamente à frente do ponto onde 
deve ficar a extremidade do colo do invólucro,
• Nos sistemas em que se usa cartuchos de invólucro combustível, 
é a zona onde, após o carregamento, fica fixada a cinta de 
forçamento do projéctil.
Consistência do tiro – A consistência de um conjunto de tiros, 
pressupondo que todos eles foram apontados em condições 
exactamente iguais a um mesmo ponto dum alvo, é, por definição, a 
medida – feita por exemplo em termos de desvio médio – da 
concentração à roda do PMI dos vários impactos desses tiros. O 
termo consistência do tiro, considerada esta definição, significa 
portanto o inverso de dispersão à volta do PMI. Neste caso, a 
222
consistência é, na realidade, o resultado das consistências da arma, da 
munição e da actuação do atirador.
Este produto das consistências de cada um dos subsistemas é 
portanto o factor que melhor exprime a “qualidade” do conjunto, o 
valor do funcionamento do sistema, e este é verdadeiramente, de 
facto, o seu substracto mais difícil de obter.
Coronha - O componente de uma espingarda, carabina, pistola, 
metralhadora ou metralhadora, que serve para o utilizador apoiar no 
ombro e no peito, conferindo maior estabilidade à arma, para 
permitir ao utilizador uma maior consistência do tiro.
A natureza do apoio que dá ao cano, faz com que a coronha 
contribua bastante para a regularidade ou irregularidade das 
vibrações do cano, sendo de notar que as coronhas inteiras são 
sempre melhores neste sentido, que as coronhas partidas.
As partes duma coronha convencional são o fuste, o delgado e o 
coice.
Nas armas de caça, conforme a sua configuração na região do 
delgado, as coronhas classificam-se em “coronha de pistola”, 
“coronha de semi-pistola” e “coronha à inglesa”.
Em todos os tipos de armas modernas, dado principalmente a grande 
dificuldade em conseguir boas madeiras e dada a estabilidade dos 
materiais sintéticos perante a humidade e as variações de 
temperatura, é cada vez mais frequente o emprego destes materiais 
para a sua confecção.
Coronha anatómica – Termo aplicado à maioria das coronhas das 
espingardas de tiro ao alvo, em que este componente é um órgão 
bastante sofisticado por forma a incluir uma boa cama do cano e a 
permitir o ajustamento da arma às diversas disposições das partes do 
corpo dos atiradores, nas várias posições de tiro. No mínimo, estas 
coronhas permitem ajustamentos do comprimento do coice e das 
posições da chapa de coice, do apoio regulável da cara do atirador e 
do fixador da bandoleira.
223
Coronha inteira – Uma coronha que é feita de um única peça. Este 
tipo de coronha, por permitir dispor dum cano flutuante, é o que 
melhor se presta a equipar as armas em que é indispensável obter 
uma grande consistência do tiro.
Coronha partida – Uma coronha que o fuste constitui uma peça 
separada que se monta sobre o cano ou se fixa à caixa da culatra.
Corrediça - Designação comum do conjunto da culatra com a caixa 
da culatra das pistolas semi-automáticas que são as partes recuantes 
destas armas. Isto aparte o pequeno movimento do cano nas pistolas 
operadas por recuo.
Culatra - É o componente da arma de fogo moderna que tem pelo 
menos as funções seguintes:
• Fechar anteriormente a câmara do cano, servindo de suporte aos 
invólucros dos cartuchos durante os disparos, e assim tornando 
possível a obturação,
• Alojar o mecanismo de percussão,
• Servir de suporte aos(s) extractor(es), aos mecanismos de 
travamento da culatra e por vezes aos ejectores.
Pelo que, é a culatra, o componente que se pode considerar que é o 
“coração” duma arma, o que realiza grande parte das operações do 
seu ciclo de funcionamento.
Pretende-se quase sempre que sejam peças o mais leves possível e de 
dimensões pequenas, a fim que a energia cinética que acumulam e o 
espaço da arma que ocupam para o seu movimento, sejam tão 
pequenos quanto possível.
Nas peças de artilharia automáticas, há normalmente que dispor de 
um dispositivo especial, eléctrico, hidráulico ou pneumático que 
permita a sua movimentação e a preparação do mecanismo de armar 
antes do primeiro disparo.
Sendo sempre peças com uma solidez suficiente para suportar as 
grandes pressões que se exercem sobre elas, existem numa grande 
variedade de configurações e formas de operar. As culatras das armas 
224
modernas classificam-se, pela forma como se opera o seu 
movimento, em:
• Culatras de cunha ou culatras de gaveta (com movimento 
transversal),
• Culatras de parafuso (com movimento de dupla rotação),
• Culatras de ferrolho (com movimento longitudinal e travamento, 
atrás ou à frente, por rotação),
• Culatras de corrediça (com movimento longitudinal),
• Culatras pendentes (com movimento de báscula).
Cunhete - Uma caixa ou outro contentor para o transporte de 
munições, que deve ser concebida por forma a que as munições 
transportadas fiquem bastante protegidas contra choques e 
influências climatéricas.
Deflagração – Consiste numa reacção química cuja frente de reacção 
se propaga com uma velocidade inferior à velocidade do som, isto é, 
ocorre como um regime subsónico. Este termo é usado com sinónimo 
de queima pretendendo significar a explosão dum baixo explosivo, 
em particular dum propulsante.
Delgado - A parte central e em geral mais fina da coronha que serve 
de apoio à mão, ou para ser agarrada com a mão, que se usa para 
efectuar os disparos. A face superior do delgado, sobre a qual se 
posiciona o dedo polegar, chama-se a “dedeira”. Conforme a 
configuração desta parte da coronha, assim as coronhas se designam 
por “coronhas à inglesa”, “coronhas de pistola” e “coronhas de semi-
pistola”.
Dente do armador - Dente existente no armador, que se encontra 
saliente no interior e no fundo da caixa da culatra, ao qual se vai 
encostar o entalhe de armar e que assim provoca o armar do percutor.
Depósito – É o alojamento onde se depositam as (5 ou mais) 
munições numa arma de repetição, em preparação para a sua 
transferência para o mecanismode repetição, para onde são 
225
impelidas por um impulsor/elevador accionado por uma mola. 
Existem várias configurações de depósitos:
• Tubulares, dentro do fuste ou dentro do coice da coronha,
• De caixa/paralelepipédicos, ficando as munições sobrepostas 
numa só coluna ou em zig-zag, situados por baixo da caixa da 
culatra,
• Mistos das configurações anteriores,
• Rotativos, situados por baixo da caixa da culatra.
Desarmador - Peça necessária para a execução de tiro automático, 
que obriga o detentor do cão a rodar, libertando o cão no momento 
em que a culatra se encontra travada e fechada. Tem por finalidade 
provocar disparos sucessivos sem aliviar a pressão no gatilho.
Desenfiamento de uma infra-estrutura de tiro – É o conjunto de 
disposições destinadas a: deter e absorver os projécteis nas suas 
trajectórias directas ou depois de ricochetearem; limitar a amplitude 
do feixe de trajectórias; evitar a formação de ricochetes, por forma a 
impedirem que projécteis directos e ricochetes saiam para o exterior 
da infra-estrutura de tiro.
São exemplos de dispositivos de desenfiamento vertical superior:
• Espaldão pára-balas,
• Câmara pára-balas,
• Câmara de detenção/recolha de projécteis,
• Limitadores de pontaria,
• Muros diafragmas pára-balas,
• Palas.
São exemplos de dispositivos de desenfiamento vertical inferior:
• Plataformas de tiro elevadas,
• Banquetas de tiro,
• Limitadores de pontaria,
• Abrigos para marcadores,
• Traveses e cordões,
• Degraus,
• Cortaduras,
226
• Espaldões intermédios,
• Espaldão final,
• Câmara pára-balas.
Destravamento da culatra - É uma das fases do ciclo de 
funcionamento da maioria das armas de tiro simples, armas de 
repetição, armas semi-automáticas e armas automáticas. Nos 
sistemas de arma em que se opera com munições de média e grande 
potência, dadas as pressões que as bases dos invólucros exercem na 
face da culatra, há que operar com uma culatra que, de forma 
infalível, enquanto a pressão dos gases dentro do cano for alta, se 
mantenha imóvel ficando a bloquear a expulsão dos invólucros da 
câmara.
Este bloqueamento é garantido nestas armas, precisamente por um 
travamento da culatra, uma operação mecânica que tem lugar após o 
carregamento e fechamento da culatra. Pelo que, após o disparo, há 
que efectuar o correspondente “destravamento”, a fim de dar 
continuidade ao ciclo referido.
Detentor da culatra - Peça destinada a evitar que a culatra deslize 
para fora da caixa da culatra, fazendo-a parar na posição de 
carregamento.
Detentor do cão - Peça existente no mecanismo de disparar das 
armas semi-automáticas e automáticas, que prende o cão, embora o 
gatilho esteja premido e o armador rodado para baixo. O detentor do 
cão é accionado por forma a libertar o cão por uma peça de ligação 
que transmite o movimento do armador ao detentor.
Detonação – É caracterizada por uma propagação da frente de 
reacção com velocidade superior à velocidade do som, sendo nessas 
circunstâncias considerado um regime supersónico. A detonação é 
uma reacção característica das cargas de alto explosivo. Numa 
detonação, a velocidade de reacção explosiva (que é a da própria 
onda explosiva que se propaga no interior do alto explosivo), varia 
entre o 2.000 e os 9.000 m/s. numa tal explosão, a referida 
227
velocidade é tal que não há tempo para que o calor libertado pela 
decomposição molecular duma parte do explosivo se comunique à 
restante massa.
A ordem de grandeza destas velocidades dá lugar a fenómenos que 
decorrem “instantaneamente” e que portanto se caracterizam pela 
extraordinária potência dos seus efeitos. Os efeitos para o exterior da 
ocorrência de uma detonação são os resultantes da formação de uma 
onda de choque, mas os efeitos destrutivos resultam também (a maior 
parte das vezes) da projecção de estilhaços formados e acelerados na 
fragmentação do corpo/invólucro do engenho onde a carga se faz 
transportar.
Detonação por simpatia – É a detonação de uma ou mais cargas de 
alto explosivo provocada pela onda de choque originada pela 
detonação de uma outra massa de alto explosivo que tenha explodido 
na sua proximidade, quando essa onda de choque, propagando-se no 
espaço entre as duas, a(s) atinja com suficiente intensidade.
Detonador - Um componente duma espoleta, que, carregado com 
uma pequena carga dum alto explosivo primário, é o primeiro 
elemento de uma cadeia explosiva de detonação, na medida em que 
lhe compete iniciar o reforçador de espoleta ou directamente a carga 
principal.
Pode também ser um dispositivo eléctro-explosivo ou pirotécnico-
explosivo que tem como carga uma pequena massa dum salto 
explosivo primário e que é usado em demolição, onde serve como 
iniciador da explosão de uma carga de demolição.
Quanto à forma como se dá a sua iniciação, os detonadores podem 
ser classificados como:
• Detonadores de percussão,
• Detonadores de perfuração,
• Detonadores eléctricos.
Em qualquer dos casos, são constituídos por uma cápsula cilíndrica 
cheia até cerca de metade com uma carga comprimida de um 
explosivo primário e completa por um ignidor mecânico, pirotécnico 
ou eléctrico; uma cabeça eléctrica.
228
Dióptero – Termo por que se designam as alças fechadas equipadas 
com mecanismos micrométricos de azeramento que se usam nas 
espingardas de tiro ao alvo. Trata-se obrigatoriamente de 
mecanismos de grande fiabilidade e precisão de funcionamento.
Disciplina de fogo - Atitude tomada pelo utilizador, de uma arma de 
fogo e com a qual esta só desencadeia o tiro sobre objectivos que lhe 
sejam determinados e apenas quando ordenado pelo respectivo 
Comandante.
Disparo - Em geral, este termo designa o conjunto de acções e 
reacções que se processam num sistema de arma desde o instante em 
que se acciona o mecanismo do gatilho da arma até ao instante em 
que o projéctil, granada-foguete ou míssil, sai do cano ou do 
lançador. Ou seja, a acção pela qual, usando uma arma de fogo, um 
lançador ou uma arma de propulsão por reacção e uma munição, 
granada foguete ou míssil, se põe o projéctil, a granada foguete ou o 
míssil em movimento. Isto a fim de que estes, percorrendo uma 
trajectória no espaço, venham a atingir um dado alvo. O disparo é 
portanto um processo na sua maior parte explicado pelas teorias da 
balística interna e vem a propósito referir que um disparo é, neste 
contexto, um processo físico-químico, pelo qual se faz a 
transformação da energia contida numa carga de propulsante em 
gases e calor e da energia interna/calorífica destes, em energia 
cinética dum projéctil ou outro engenho. Ainda a propósito, note-se 
que o disparo de uma arma de pressão de ar, é uma excepção pois é 
um processo meramente físico, pelo qual se transforma a energia 
acumulada numa porção de gás comprimido em energia dum 
projéctil.
Entendido assim, o disparo é portanto a primeira fase dum tiro e a 
consequência de um disparo é um tiro.
No contexto do funcionamento dos mecanismos do gatilho, um 
disparo é meramente a actuação na cauda do gatilho, com uma força 
superior ao peso do gatilho por forma a dar início ao processo 
referido.
229
No contexto das técnicas do tiro de precisão, o termo “disparo” tem 
um significado muito amplo. Significa aqui todo o conjunto de 
acções que vão desde as de concepção e afinação dos mecanismos do 
gatilho, por forma a que seu funcionamento corresponda à 
sensibilidade e às necessidades do atirador, até à aquisição de um 
conjunto de habilidades psico-motoras, nomeadamente as de 
“independência” do dedo que actuano gatilho e de manutenção da 
imobilidade de todo o corpo até depois do projéctil sair da arma. 
Habilidades estas que têm de ser objecto de uma aprendizagem e de 
um treino sistemático, até porque qualquer que seja a técnica 
escolhida para a sua execução, os disparos, tendo de ser executados 
com o atirador em apneia, é imperativo que se completem num 
intervalo de poucos segundos, afim de ser possível manter uma 
perfeita oxigenação do cérebro e portanto manter uma capacidade da 
visão a 100%.
A propósito, sendo que as componentes principais tecnológicas do 
tiro ao alvo, são:
• A posição de tiro (posição exterior e posição interior),
• A pontaria,
• O disparo.
esta última, para ser tecnicamente aceitável e “funcionar 
automaticamente”, é geralmente a de mais difícil domínio, a que 
requer uma verdadeira aprendizagem e uma maior dose de treino.
Finalmente, refira-se que os melhores atiradores dispõem de mais do 
que uma técnica de execução a fim de lhes ser possível adaptarem-se 
às variações das condições ambientes.
Disparo consciente – Termo que designa uma técnica de disparo 
susceptível de ser usada nalgumas disciplinas de tiro ao alvo, 
caracterizado por – além da sua possível associação à técnica de 
disparo em preparação -, o atirador escolher o momento preciso em 
que quer que o disparo ocorra. Consiste essencialmente de, 
encontradas as condições para a realização de uma boa pontaria e 
estando o atirador preparado para manter completamente inalterada a 
sua posição de tiro durante toda a duração do disparo (uma 
preparação só é possível através de anos de treino) e a seguir a uma 
230
“preparação do gatilho”, com um simples movimento do dedo 
indicador, fazer funcionar o mecanismo do gatilho, enquanto todo o 
resto do corpo se mantém imóvel isto é, sem registar qualquer 
contracção ainda que pequena.
Para ser tecnicamente aceitável e útil, esta técnica requer, como se 
disse, um trabalho de preparação longo e sistematizado, 
nomeadamente da capacidade de mobilização inteiramente 
independente do dedo que actua a cauda do gatilho.
Disparo inconsciente – Uma técnica de disparo que é porventura a 
mais usada nas várias disciplinas do tiro ao alvo. Caracteriza-se por 
com ela o atirador escolher simplesmente as alturas em que os 
disparos devem começar a processar-se, mas nunca os momentos 
precisos em que os disparos ocorrem. Para cada tiro, a partir do 
instante em que a sua estabilidade é boa e que sente que todo o 
processo está a decorrer normalmente, o atirador vai aumentar a 
pressão sobre o gatilho, segundo um dos vários métodos possíveis, 
até que, “inesperadamente”, o disparo ocorra.
Esta técnica requer uma boa estabilidade, nomeadamente uma boa 
estabilidade da arma mas, em compensação, não requer a realização 
da técnica do disparo em preparação e não há que recear a ocorrência 
de movimentos incontrolados quase sempre susceptíveis de 
ocorrerem, no instante crítico, quando se executa com uma técnica 
menos que perfeita de disparo consciente.
A única dificuldade está associada com o facto de que as acções de 
disparo, para serem sistematicamente eficazes, requerem a posse 
dum grande automatismo da actuação no gatilho, o que por sua vez 
requer uma grande dose de treino diário.
Dispersão do tiro - Termo que se refere à distribuição do conjunto 
dos impactos dos projécteis disparados sob condições constantes, por 
uma arma ou conjunto de armas iguais que se apontam a um mesmo 
alvo. Note-se que sendo em geral verdade que a dispersão do tiro 
deve ser a menor possível, em certas condições tácticas, é desejável 
um considerável grau de dispersão.
231
Embora apenas qualitativamente, o termo significa o inverso de 
consistência do tiro.
O termo também se aplica à distribuição dos impactos de uma única 
salva.
Dispositivo de desenfiamento – Elementos arquitectónicos 
destinados a interceptar os projécteis, o feixe de trajectórias e evitar a 
formação de ricochetes.
Dispositivo de segurança e armamento - Um dispositivo que faz 
parte duma espoleta e que tem a função de impedir o seu 
funcionamento, isto é, manter na posição de desarmada essa espoleta 
e portanto da cabeça de combate onde ela se monta, até que ela seja 
projectada para além da distância de segurança à boca. Nessa altura, 
este dispositivo passa-a, infalivelmente, à condição de armada.
Distribuição - Acção feita pelo elevador, posição dos elos da fita ou 
alojamento da lâmina por forma que os cartuchos sejam apresentados 
um após outro.
Duração do Fechamento – É o intervalo de tempo, respeitante à 
viagem do percutor – ou do cão e do percutor -, desde que é libertado 
pelo armador do mecanismo do gatilho até que a sua ponta dá lugar 
ao funcionamento da escorva da munição. Este intervalo depende 
sobretudo da distância a percorrer pelo percutor e da relação entre o 
peso deste e a força exercida pela mola real quando comprimida.
Em todas as armas mas em especial nas armas destinadas a realizar 
tiro de precisão, este intervalo de tempo deve ser tão pequeno quanto 
possível porque, ocorrendo numa altura em que o atirador pode 
cometer erros de disparo substanciais, a duração do fechamento, ao 
determinar em grande parte a demora do projéctil em sair do cano, 
condiciona extraordinariamente a consistência do tiro dessas armas. 
Pelo que o tempo de fechamento, um dos factores determinantes da 
qualidade desta classe de armas deve ser, no máximo, da ordem dos 
3 ou 4 milésimos de segundo.
232
Por outro lado, quaisquer tentativas de reduzir a duração do 
fechamento para além dos 2 milisegundos, conduzem quase 
certamente a falhas de percussão.
Nas armas pesadas, a duração de fechamento é geralmente da ordem 
das poucas dezenas de milisegundos.
Efeitos do vento sobre os projécteis - Em primeiro lugar há que 
estabelecer que os desvios provocados pelo vento nas trajectórias dos 
projécteis e portanto os desvios dos impactos num alvo, não são 
menores, ao contrário do que parece, para um projéctil de grande 
velocidade que permita uma menor duração do voo entre a arma e o 
alvo. As amplitudes desses desvios são sim proporcionais às suas 
perdas de velocidade nesse percurso.
De facto, a deflexão (Def) provocada por um vento lateral de 
velocidade Vv sobre um projéctil de velocidade inicial Vi, que leva 
um tempo t a atingir um alvo à distância L, é dada pela expressão 
seguinte (um caso particular da equação de Didion):
Def = Vv x ( t – L/Vi )
Note-se que a quantidade entre parêntesis tem sinal positivo e 
corresponde ao “tempo que o projéctil perde a atingir o alvo, pelo 
facto de perder velocidade”.
Deste postulado, que é fácil provar, pode retirar-se duas conclusões 
muito importantes:
• A primeira diz respeito a que, dado que os projécteis de maior 
velocidade sofrem de uma resistência do ar proporcionalmente 
muito maior, o que os faz perder muito mais da sua velocidade, 
eles são precisamente os mais desviados pelo vento. Daqui que, 
por exemplo, as munições de calibre nominal .22 LR de boa 
qualidade, destinadas a tiro ao alvo, sejam sempre munições de 
velocidade inicial relativamente baixa (velocidade subsónica). E 
que os melhores atiradores usem em dias de muito vento 
munições que produzem velocidades à boca excepcionalmente 
baixas,
• A segunda tem a ver com o facto de, sendo o coeficiente 
balístico o factor que determina a maior ou menor perda de 
233
velocidade dum projéctil que opera numa dada gama de 
velocidades, os projécteis menos afectados pelo vento são os que 
apresentam um coeficiente balístico alto,ou um coeficiente de 
resistência baixo. Este é um facto a ter bem presente pelo menos 
em todas as situações de tiro a grandes distâncias.
Ainda outros factos a ter em conta são:
• Que os ventos de direcções aproximadamente paralelas ao plano 
da trajectória, têm efeitos muito menores do que os de direcções 
aproximadamente normais a este plano. Um vento que sopra na 
base do projéctil fá-lo ter um ponto de impacto mais alto e um 
vento que sopra “ de frente”, um ponto de impacto mais baixo. 
Isto porque um vento “de frente”, retarda ligeiramente o projéctil, 
fá-lo aumentar o tempo de voo para o alvo, aumento esse que, 
dando lugar a que a gravidade actue durante mais tempo, faz com 
que o impacto venha a ser mais baixo do que o do projéctil não 
actuado por este vento. Um vento “de frente” tem, pelas mesmas 
razões, o efeito de reduzir o alcance máximo,
• Que os ventos laterais, desde que os projécteis sejam 
estabilizados por rotação, além de os desviarem lateralmente, 
também lhes provocam - ao darem lugar ao aparecimento do 
efeito de Magnus -, movimentos para cima ou para baixo 
conforme o sentido do vento seja respectivamente da direita para 
a esquerda ou da esquerda para a direita, isto se os disparos se 
fizerem numa arma de passo das estrias direito.
Os efeitos do vento sobre os projécteis dependem muito ainda do tipo 
de projéctil em questão. Um vento lateral desvia um projéctil 
estabilizado aerodinamicamente de uma quantidade que é menor que 
no caso dum projéctil estabilizado giroscopicamente.
Finalmente, há que notar que os desvios causados pelos ventos sobre 
as granadas-foguete na fase de propulsão, além de serem em sentido 
contrário a granada-foguete, nesta fase de aceleração, desvia-se para 
o lado do vento, são proporcionalmente muito maiores, o que explica 
em grande parte a bastante menor consistência do tiro feito com estas 
munições.
234
Efeito de simpatia - Designação do efeito pelo qual uma massa de 
alto explosivo pode ser levada a detonar, dado que uma outra detone 
na sua proximidade, produzindo uma onda de choque que venha a 
atingi-la com suficiente intensidade.
As considerações sobre este efeito, para além de participarem no 
projecto de praticamente todos os engenhos explosivos, são as que 
presidem nos projectos de recintos de paióis de munições, tendo em 
vista a redução do risco de explosão dos materiais contidos em cada 
um deles em caso de acidente num outro.
Ejecção - É a operação do ciclo de funcionamento que consiste na 
expulsão do invólucro metálico da munição anteriormente disparada, 
para fora da caixa da culatra, operação que se sucede á sua extracção 
da câmara. Nos sistemas de arma em que a ejecção pode ser feita 
para trás - em linha com o cano -, a ejecção do invólucro é apenas a 
continuação do movimento de extracção, aproveitando a inércia de 
movimento desta.
Nas armas em que a ejecção pode ser feita transversalmente, ela 
opera-se geralmente pela acção conjunta do extractor e do ejector 
que, num certo ponto do ciclo de funcionamento a seguir à extracção, 
aplicam um binário de forças ao invólucro, fazendo-o rodar sobre si 
próprio e saltar por uma janela de ejecção.
Nalgumas armas a ejecção do invólucro é feita não pelo ejector mas 
sim pela munição seguinte no seu movimento para a frente durante o 
seu carregamento.
Idealmente, a ejecção deveria fazer-se sempre de tal forma que o 
projéctil fosse projectado para a frente e - numa arma destinada a um 
atirador direito - para a direita.
A extracção e a ejecção são as duas operações que não têm lugar no 
ciclo de funcionamento, quando se usam munições de invólucro 
combustível ou munições sem invólucro.
Ejector - Nos sistemas de arma em que a ejecção dos invólucros é 
feita transversalmente/lateralmente, é o componente que em 
conjunção com o extractor, exercendo um binário sobre a base do 
invólucro, realiza a ejecção.
235
Nos sistemas de arma em que a ejecção é feita em linha com o cano, 
a ejecção é feita pelos próprios extractores.
Os ejectores podem ter as seguintes configurações:
• A de uma peça fixa num ponto da caixa da culatra, que corre num 
rasgo da culatra quando esta se move,
• A de uma ponta saliente de um dos lábios do carregador que 
também corre num rasgo da culatra,
• É o próprio percutor que ficando a fazer força sobre a escorva, 
leva à ejecção do invólucro - por acção combinada com a do 
extractor -, logo que este sai da câmara.
• A de um conjunto de um impulsor com uma mola que se montam 
na face da culatra, de tal forma que o impulsor fica a comprimir 
fortemente para a frente um ponto da periferia da base do 
invólucro.
Os ejectores que actuam fixados num ponto da caixa da culatra ou os 
que fazem parte dos carregadores, agem tal que, no fim da acção de 
extracção, um ponto da periferia da base dos invólucros vai bater 
neles quando emergem da face da culatra. Como os invólucros 
continuam agarrados do lado oposto pelo extractor, forma-se então 
um binário que, fazendo-o rodar, acaba por expeli-los pela janela de 
ejecção.
O tipo de ejector que se monta na face da culatra age sob tensão da 
sua mola que o empurra contra um ponto da periferia da base dos 
invólucros, aproximadamente do lado oposto àquele em que actua o 
extractor. De tal forma que os invólucros ficam permanentemente 
sujeitos a um binário de forças que, no momento oportuno, isto é 
logo que o invólucro fica livre para rodar á frente, acaba por realizar 
a ejecção.
Nas armas em que se usa aquilo a que se chama “ejectores 
automáticos”, o impulsor do ejector fica sob a tensão da mola até ao 
ponto do ciclo de funcionamento em que deve ocorrer a extracção. 
Nesse instante o impulsor do ejector é libertado e, sob o impulso da 
mola, vai dar uma pancada no extractor obrigando-o a fazer a 
extracção dos invólucros com tal violência que estes, sob a sua 
própria inércia são projectados bruscamente para fora das câmaras.
236
Note-se que as falhas de ejecção são das causas mais frequentes de 
falhas de fogo, uma vez que os ejectores são componentes sujeitos a 
grandes esforços o que os faz quebrarem-se com bastante frequência.
Elevador - Nas armas de repetição com um depósito sob a caixa da 
culatra, é o conjunto de peças que, no interior desses depósitos, serve 
para empurrar as munições neles introduzidas em direcção à caixa da 
culatra.
Nas armas de bala em que se usa um carregador ou um tambor, é o 
conjunto de peças que serve para empurrar as munições nele 
introduzidas para a boca do carregador ou boca do tambor. Em 
qualquer dos casos, este conjunto é constituído pela mesa e pela mola 
do elevador.
Elo - Peça de metal que suporta cada cartucho de uma fita 
carregadora de uma arma automática.
Empunhadura (duma pistola ou dum revolver) - É o termo 
técnico que se usa para designar a forma como um utilizador 
empunha uma pistola ou revolver.
Em termos de tiro de precisão, a empunhadura envolve bastantes 
complexidades técnicas, ao ponto de alguns teóricos garantirem que 
a aquisição de uma boa empunhadura é “meio caminho andado” na 
formação de um bom atirador.
A “boa empunhadura” caracteriza-se essencialmente por três pontos:
• É totalmente consistente, isto é, é sempre exactamente a mesma, 
em termos de colocação da mão no punho e do aperto deste.
• É tal que o dedo indicador se pode mover livremente da frente 
para trás, paralelamente ao cano e ao fazê-lo não causa qualquer 
movimento espúrio da arma no instante crítico do disparo. Para 
conseguir isto, por vezes há que executar correcções especiais no 
punho.
• Da boa empunhadura resulta, dentro das limitações impostas pela 
concepção de cada arma, que o salto da armaé mínimo sendo que 
a maior parte da energia do recuo é absorvida pelo braço e pelo 
ombro do atirador. Isto significa invariavelmente que a parte 
237
mais alta da mão fica situada o mais perto possível do eixo do 
cano.
Erosão - O termo aplica-se em dois contextos:
• Erosão dos canos : Um processo involuntário e de evolução 
praticamente exponencial, pelo qual os efeitos combinados das 
altas temperaturas e altas pressões dos gases das pólvora e do 
atrito dos projécteis, agindo sobre a superfície metálica das almas 
dos canos, as vão alterando e desgastando mecanicamente. A 
zona da alma onde a erosão é mais intensa é no início da parte 
estriada, ou na zona correspondente, nas armas de alma lisa, onde 
os gases, a alta velocidade e temperatura, rapidamente alteram a 
composição química dos aços da superfície, formando materiais 
quebradiços que facilmente são depois arrastados sob o atrito dos 
projécteis. Este fenómeno é particularmente dependente da 
temperatura dos gases. Na realização de tiro com altos ritmos de 
fogo, a menos que sejam usados métodos de arrefecimento 
artificial, por água ou ar, a temperatura do cano tende a subir 
incessantemente e isto acelera a velocidade da erosão. Esta 
erosão pode ser muito reduzida: pelo uso de certas ligas como a 
de aço crómio-molibdénio, no fabrico dos canos, dada a grande 
resistência destas ligas às altas temperaturas; pelo tratamento, por 
depósito electrolítico nas almas, por exemplo de crómio. Os 
canos com uma alma desenhada de uma forma especial em que o 
início do estriamento se faz bastante mais à frente e termina 
também antes da boca, são também bastante imunes à erosão. O 
uso de qualquer destes métodos, é no entanto um factor de 
complexidade e custo. Uma forma anormal de erosão, decorre da 
utilização de projécteis que não efectuam devidamente a 
obturação para a frente, o que faz com que os gases que se 
passam entre o projéctil e as paredes da alma exerçam um forte 
desgaste nesta.
• Erosão das gargantas das agulhetas dos motores : O fenómeno 
pelo qual as gargantas das agulhetas de De Laval, sujeitas como 
estão a temperaturas muito altas por parte dos gases dos 
propulsantes usados em motores de foguete ou em armas de 
238
propulsão por reacção, também ficam sujeitas a desgastes 
consideráveis, segundo um processo idêntico ao anteriormente 
descrito.
Erro angular - No tiro feito com armas equipadas com aparelhos de 
pontaria do tipo miras metálicas, é em princípio, de longe, o mais 
grave dos dois erros de pontaria possíveis. Este erro resulta do não 
alinhamento das referências “olho director/alça/ponto de mira”, que 
se traduz no apontar da arma segundo uma linha oblíqua à linha que 
une o olho ao centro da zona de pontaria.
Os efeitos do erro angular são proporcionais à razão; distância ao 
alvo/base de mira.
O chamado factor multiplicador do erro angular, a quantidade por 
que se tem de multiplicar o erro de alinhamento na pontaria - o erro 
angular -, para se obter o desvio do impacto no alvo. Dos valores 
concretos deste factor multiplicador pode-se tirar directamente 
algumas conclusões:
• Sendo a base de mira muito menor nas pistolas e revólveres do 
que nas espingardas, para as mesmas distâncias os erros 
angulares têm efeitos muito maiores no tiro com as primeiras 
destas armas, pelo que a pontaria com estas consta praticamente 
só da eliminação dos erros angulares, por mais pequenos que 
estes sejam,
• Porque o factor multiplicador no tiro ao alvo com espingarda a 
300 metros é de facto muito grande, também nesta modalidade de 
tiro há que tomar maiores precauções quanto ao erro angular do 
que no tiro ao alvo de competição com espingarda, a 50 metros.
• Porque o factor multiplicador é muito pequeno no tiro ao alvo 
com espingarda a 10 metros, este erro quase não tem de ser 
considerado nesta modalidade.
Erros no disparo - São os erros mais graves que um atirador de 
espingarda ou pistola, pode fazer e faz normalmente. Resultam 
directamente da necessidade de ter de actuar no mecanismos do 
gatilho para realizar os disparos, o que em si constitui uma acção 
“dinâmica”, em princípio contraditória da necessidade de 
239
estabilizar/imobilizar a arma na acção de a apontar, o que constitui 
uma actividade “estática”.
Os erros nos disparos a que, pelos enormes desvios que provocam, se 
chama gatilhadas, são erros do processo apontar/disparar, que 
ocorrem quando, no momento crucial deste processo, que é o da 
ultima fase da actuação no mecanismo dum gatilho, o atirador 
imprime, involuntariamente, movimentos indesejáveis à arma, tal 
que esta, durante os instantes em que a bala percorre o cano, se vai 
deslocar “angularmente” por forma a que o resultado dum tiro acaba 
por ser desastroso.
A identificação da natureza destes erros passa necessariamente pelo 
reconhecimento do seguinte: 
• De que estes erros ficam muitas vezes a dever-se ao desejo de 
“libertação”, de raiz psico-fisiológica, que antecede cada disparo 
e que se pode descrever como um desejo do atirador, sujeito a 
uma certa tensão emocional, de libertar-se da ansiedade quanto 
ao resultado daquele disparo. Isto constitui uma dificuldade 
particularmente aguda quanto o atirador, imerso num clima 
gerador de tensão emocional, como é o da competição desportiva, 
sentindo-se pressionado pela responsabilidade de produzir um 
bom resultado dentro de um limite de tempo que sente esgotar-se 
rapidamente e pelos outros sintomas dessa tensão emocional; 
ritmo cardíaco acelerado, sensações de calor excessivo, sudação 
intensa, etc., começa a encarar os disparos como actos de 
“libertação”, como formas de, rapidamente, dar por finda essa 
situação,
• Do facto de que a flexão de cada dedo da mão humana é 
realizado pela contracção de um dado número de fibras 
musculares do antebraço, fibras essas que são todas comuns a um 
mesmo músculo. De forma que, sem uma preparação/treino 
especial continuado, é quase impossível ser capaz de flectir o 
dedo que actua no gatilho da arma, sem que os outros músculos 
do braço também sofram contracções.
• Do facto de que os erros no disparo têm consequências que são 
proporcionalmente mais graves se o tempo/duração de 
fechamento da arma for maior. Daqui que os erros de disparo 
240
sejam particularmente graves no tiro com armas de pressão de ar, 
notáveis como é sabido por terem tempos de fechamento muito 
grandes. Os referidos “movimentos indesejáveis”, resultam 
portanto da impossibilidade prática, inerente até à própria 
anatomia de qualquer indivíduo não profusamente treinado, de 
actuar no mecanismo do gatilho, sem que essa acção psico-
fisiológica desencadeie outros movimentos, esses em si mesmos 
incontrolados e tendentes a destruir a pontaria no momento mais 
crítico.
Dado que todo o atirador acaba por participar em situações geradoras 
de tensão emocional a que ninguém é completamente imune, o 
principal objectivo da aprendizagem e treino das técnicas e das 
tácticas de cada modalidade de tiro de precisão, é exactamente a 
automatização dos procedimentos conducentes à irradiação das 
causas destes erros.
Daqui também que, a preparação de um atirador de alto nível, passe 
necessariamente pela participação num grande número de 
competições ao longo de vários anos de esforços persistentes.
Erro de translação (ou erro paralelo)
Nas armas equipadas com miras metálicas, e no contexto do tiro de 
precisão, é o erro de pontaria que resulta de, a linha de mira/a linha 
olhodirector/alça/ponto de mira, cujo estabelecimento é 
indispensável para eliminar o erro angular, não ser dirigida 
exactamente ao centro do alvo ou ao centro da zona de pontaria. Este 
erro deve ser olhado não só como inevitável em certa medida, mas 
como tendo consequências geralmente pequenas, muito menores que 
as do erro angular, nomeadamente no tiro com pistolas e revólveres. 
Na realidade os bons atiradores com estas armas, aceitam o 
cometimento deste erro, para se concentrarem na redução dos erros 
angulares.
Teoricamente, os erros de translação são independentes da distância 
ao alvo mas, na prática, pela sensação de insegurança que, a grandes 
distâncias, a sua observação pode transmitir ao atirador, são fonte de 
todo o tipo de outros erros, nomeadamente de erros no disparo.
241
A redução automática dos erros de translação, faz-se pela criação de 
uma maior estabilidade do atirador - do seu corpo -, o que é o prémio 
da aquisição de uma posição exterior eficaz e de um treino muscular 
que permita ao atirador sentir-se em conforto total na posição de tiro. 
Estas condições conduzem, na prática, à quase imobilização da arma, 
de tal maneira que o atirador passa a dispor de uma confiança tal que, 
a observação de um período de oscilações acentuadas, é encarado 
apenas como um fenómeno passageiro.
Escape de gases - Um ou mais orifícios no corpo da culatra de 
algumas espingardas que serve(m) para, em caso de ruptura duma 
escorva, por ele(s) se escaparem para o lado, os gases da pólvora que 
se infiltrem pelo orifício de passagem do percutor, quase certamente 
vindo a ferir gravemente a vista do atirador, se não desviados como 
assim se consegue.
Escorva – É o primeiro elemento das cadeias explosivas de ignição 
dos cartuchos e ao mesmo tempo o dispositivo iniciador do 
funcionamento da maioria das munições. Compete-lhe criar uma 
quantidade suficiente de calor/chama fortemente penetrante, junto do 
elemento seguinte da cadeia explosiva, o ignidor nas munições de 
artilharia, ou directamente a carga principal de propulsante nas 
munições de armas ligeiras. Estima-se que o funcionamento de uma 
escorva tenha a duração de 0.001’’.
Empregam-se escorvas nos sistemas de armas seguintes:
• Naqueles em que se emprega munições de invólucro metálico 
ditas de percussão central, em que as escorvas se montam numa 
cavidade central das bases dos invólucros,
• Naqueles em que se emprega munições de invólucro 
combustível, em que as escorvas que são neste caso semelhantes 
a um cartucho de uma munição de arma ligeira, são montadas 
num alojamento da culatra da arma.
Por outro lado existem escorvas de percussão, escorvas eléctricas e 
escorvas mistas. Quando sujeitas as estímulo apropriado – choque de 
um percutor com uma mistura ignidora que é o componente activo da 
escorva, produz uma quantidade suficiente de calor, na forma de 
242
chama e partículas incandescentes que, através dos chamados canais 
de fogo, vão penetrar em toda a massa e fazer a ignição da pólvora 
negra do ignidor ou directamente dos grãos da carga principal.
As misturas iniciadoras das escorvas modernas não produzem sais 
higroscópicos pelo que, na maior parte dos casos, deixou de ser 
obrigatório fazer uma limpeza cuidadosa dos canos após cada sessão 
de tiro.
A designação mais comum da escorva é fulminante.
Escorva Berdan – Uma escorva de percussão para munições de 
espingarda e munições de pistola, mas que apenas é empregue em 
munições fabricadas na Europa e destinadas a uso militar. Consta de 
um corpo que é um pequenino copo de latão ou aço tombaca, que 
contém uma pastilha de mistura ignidora. Este corpo vai encaixar 
numa cavidade situada no centro da base do invólucro, em cujo 
fundo e fazendo parte deste, se projecta uma ponta saliente, a 
bigorna, contra a qual a dita pastilha irá ser esmagada, aquando da 
percussão. A chama produzida na explosão da mistura ignidora 
comunica com a carga principal do propulsante através de dois 
canais de fogo. Esta escorva distingue-se à vista, precisamente 
olhando para o interior do invólucro, uma vez que comunica com 
este através dos referidos dois canis de fogo, ao contrário da do outro 
tipo, a escorva Boxer que o faz apenas através de um.
Esta escorva quase nunca é usada em munições destinadas a usos 
civis porque sendo muito mais difícil a sua substituição nos 
invólucros, o carregamento das munições se torna também mais 
difícil.
Escorva Boxer – Uma escorva de percussão para munições de armas 
de bala, que difere, essencialmente, da escorva Berdan, no facto da 
bigorna fazer parte dela própria e não do invólucro onde a escorva se 
monta. É constituída portanto por um corpo que é um pequeno copo 
de latão ou aço tombaca, pela pastilha de mistura ignidora e por uma 
peça circular com uma ponta saliente central, a bigorna.
A instalação é feita, como na escorva Berdan, por cravação numa 
cavidade do centro da base do invólucro. A comunicação da chama 
243
resultante do seu funcionamento com a carga do propulsante é feita 
através de um único canal de fogo.
Encontra-se em 4 tamanhos e potências muito distintas, conhecidos 
internacionalmente como “Small Pistol”, “Large Pistol”, “Small 
Rifle” e “Large Rifle”.
Este tipod e escorva é o mais utilizado em munições destinadas ao 
uso civil, por a sua fácil remoção, depois de usada, tornar muito mais 
fácil o recarregamento das munições.
Espingarda - Uma arma ligeira de cano estriado, concebida para 
proporcionar as seguintes condições favoráveis à realização de um 
bom tiro de precisão:
• Bons apoios no tronco e num dos braços do utilizador, e ainda 
eventualmente noutros apoios, com vista a conseguir uma boa 
estabilidade da pontaria,
• Uma base de mira “sight radius” suficientemente grande para 
obstar à realização de grandes erros angulares.
A espingarda de guerra é a arma de base das forças de infantaria, 
uma vez que permite a realização de tiro com bons resultados, até 
várias centenas de metros.
Por razões idênticas, é também uma arma cada vez mais usada por 
forças policiais e também o tipo de arma mais utilizada em usos 
civis, sejam estes de natureza desportiva ou de lazer.
Espingarda anti-sniper – Este termo designa modernamente, não 
propriamente uma vulgar espingarda para franco atirador destinada à 
função de combate a este tipo de atirador, mas sim uma arma 
especial, de calibre .50’’ (12,7 mm) ou similar, com cuja grande 
consistência do tiro e grande capacidade de penetração dos projécteis 
dos calibres nominais existentes, se conta para penetrar as paredes 
muito resistentes dos abrigos – interior de casas, beiradas de terraços 
– onde eles estejam a operar em missões de guerrilha urbana.
Espingarda de assalto – Uma espingarda de guerra concebida para 
corresponder aos seguintes requisitos:
• Poder fazer tiro semi-automático e tiro automático,
244
• Utilizar uma munição que lhe permita um alcance eficaz no 
mínimo igual a trezentos metros,
• Utilizar uma munição que permita a realização de tiro automático 
controlado, isto é, sem excesso de salto de tira para tiro,
• Ter dimensões e peso tais que seja fácil o seu transporte e 
utilização por parte de combatentes a quem se pede normalmente 
uma grande mobilidade.
Espingarda para franco-atirador (“Sniper rifle”) – Um franco 
atirador (“Sniper”) é um soldado especialmente treinado para 
desempenhar a função de, a partir de uma posição favorável, 
devidamente camuflada e usando uma espingarda especial equipada 
com uma boa mira telescópica, atirar sobre indivíduos seleccionados 
das forças inimigas. A espingarda referida éuma espingarda para tiro 
de precisão, praticamente sempre da classe espingarda de repetição e 
do género com culatra de ferrolho, especialmente preparada para 
corresponder às exigências do seu emprego específico. Esta 
preparação consiste, entre outras, das seguintes provisões:
• A arma tem de ser de um calibre nominal apropriado às 
distâncias médias de utilização, tendo em vista que mesmo um 
atirador de nível obterá uma maior consistência do tiro com um 
sistema de arma que produza coice e ruído reduzidos. Por 
exemplo, o Exército Norte Americano recomenda os calibres .
222 e .223R (5.56x45) nos casos em que se trate de tiro até aos 
300m,
• Um cano suficientemente pesado, montado geralmente na 
configuração de cano flutuante mas, em qualquer dos casos, 
montado por forma a permitir uma boa precisão do tiro logo no 
primeiro disparo, com o cano ainda frio,
• Um mecanismo do gatilho preparado e afinado para corresponder 
às necessidades do seu utilizador, um atirador de elite,
• Um aparelho de pontaria apropriado o que significa quase 
exclusivamente uma mira telescópica com ampliação de 2x a 
10x,
245
• Uma coronha de material sintético ou de madeira suficientemente 
dura e estável, tratada por forma a que não possa absorver a 
humidade,
• Um “bedding” de resinas sintéticas.
Espingarda de grosso calibre – Em geral, uma espingarda de 
calibre superior a 6 mm, se bem que a legislação indique valores 
diferentes de país para país.
Em termos de competição de tiro ao alvo, em competições 
patrocinadas pela I.S.S.F. o termo significa uma espingarda livre ou 
uma espingarda standard de calibre máximo igual a 8 mm, destinada 
a competições a 300 metros.
Espingarda de guerra – Uma espingarda concebida e construída de 
acordo com os requisitos impostos às demais armas de guerra. Estas 
espingardas, que nas Forças Armadas da maioria dos países mais 
industrializados, eram já todas da classe espingarda de assalto, têm 
vindo modernamente a ser substituídas por carabinas de assalto.
Espingarda livre – Designação comum a duas modalidades de tiro 
ao alvo com espingardas, conduzidas de acordo com as regras 
I.S.S.F. Trata-se de competições a 300 metros, constando a primeira 
de 60 tiros na posição de deitado – a modalidade de “espingarda 
deitado” – e a segunda de 120 tiros – a modalidade de “espingarda 
três posições”, sendo 40 na posição de deitado, 40 na de pé e 40 na 
de joelhos.
Designa também uma espingarda de precisão de calibre até 8 mm, 
que se emprega nas competições acima referidas. O termo “livre” 
justifica-se por estas serem as classes de armas em que o número de 
restrições impostas à sua constituição é mínimo.
Espingarda de precisão – Designação genérica de uma espingarda 
concebida e construída por forma a oferecer ao utilizador um grande 
número de vantagens “técnicas” na sua utilização e, em particular, a 
permitir uma grande consistência do funcionamento próprio, a 
contribuição da arma para a consistência do tiro do sistema de arma. 
246
A propósito, note-se que a consistência de qualquer sistema é algo 
que só se consegue em parte com componentes produzidos com 
materiais de alta qualidade e com alta qualidade de engenharia e 
manufactura.
Para se qualificar como espingarda de precisão, uma espingarda tem 
de reunir no mínimo as características seguintes:
• Por concepção e construção, o conjunto deve ter uma grande 
rigidez estrutural durante os disparos. Note-se que a procura de 
uma grande consistência de funcionamento limita a escolha, à 
partida, a um pequeno número de tipos de armas, uma vez que 
um grau elevado de consistência só se pode obter com uma 
grande rigidez de todas as partes e das uniões entre estas e que 
essa é uma característica apenas inerente a certas configurações 
das armas. Por exemplo, em condições semelhantes, 
nomeadamente para o mesmo calibre nominal, uma espingarda 
de tiro simples com toda a coronha feita de uma só peça e a 
operar com uma culatra de ferrolho, é muito mais rígida e tem um 
funcionamento muito mais consistente que uma qualquer 
espingarda semi-automática.
• O cano deve ser uma peça de material e manufactura de grande 
qualidade, o mais pesado possível e com o comprimento 
apropriado, por forma a reduzir-se ao mínimo os efeitos das 
variações nas vibrações do cano. O passo das estrias tem de ser 
apropriado ao calibre nominal escolhido,
• A caixa da culatra tem também de ser uma peça “inteiramente” 
rígida e construída por forma a permitir um travamento da culatra 
extremamente sólido e radialmente uniforme,
• Como já se disse, a coronha deve preferivelmente ser feita de 
uma só peça e esta fabricada com uma madeira densa e insensível 
às mudanças de humidade ambiente,
• O bedding do cano na coronha deve ser muito sólido, se 
necessário recorre-se ao uso de resinas sintéticas, para a sua 
realização,
• O mecanismo do gatilho deve ser um mecanismo de grande 
precisão e deve permitir todos os ajustamentos que o utilizador 
pretenda, para o afinar para a sua própria sensibilidade,
247
• O aparelho de pontaria tem de ter grande precisão de azeramento, 
por forma a ser possível conseguir obter, muito rápida e 
expeditamente, a máxima precisão de tiro.
Espingarda standard – Designação comum a duas modalidades de 
tiro ao alvo com espingarda, que fazem parte dos programas da 
I.S.S.F. Trata-se de competições de 300 metros, constando a primeira 
de 60 tiros na posição de deitado – a chamada “espingarda deitado” 
ou “match inglês” – e a segunda de 120 tiros, sendo 40 na posição de 
deitado, 40 na de pé e 40 na de joelhos – a chamada carabina “três 
posições” -.
O termo designa também uma espingarda de precisão de calibre 
máximo até 8 mm, que se emprega em tiro a 300 metros, nas 
competições acima referidas.
Espingarda de tiro ao alvo – Designação genérica do conjunto das 
espingardas livres, espingardas standard e espingardas de pressão de 
ar, conjunto este de armas destinada à competição desportiva.
A espingarda de tiro ao alvo é necessariamente uma espingarda de 
precisão especialmente concebida e fabricada com vista a 
proporcionar o mais alto grau permitido pela tecnologia existente, de 
consistência de funcionamento e que se distingue em particular por:
• Serem nela levados aos extremos permitidos pelos regulamentos, 
o peso e as várias possibilidades de ajustamentos susceptíveis de 
permitir a melhor adaptação possível da arma à anatomia de cada 
utilizador,
• Ser equipada com um mecanismo do gatilho de altíssima 
precisão, susceptível de ser ajustado por forma a satisfazer todas 
as necessidades próprias de qualquer atirador,
• Ser dotada de um aparelho de pontaria da mais alta qualidade.
Aparte alguns exemplares manufacturados especialmente para os 
próprios utilizadores, trata-se de armas fabricadas por apenas umas 
poucas empresas especializadas (Anschutz, Hammerly, Unique, 
Walther, e mais duas ou três firmas).
248
Espoleta - Designação genérica de todos os dispositivos equipados 
com um componente explosivo e/ou pirotécnico, e com outros 
componentes mecânicos, eléctricos, electrónicos e/ou ópticos, 
dispositivo esse que serve para ser montado em todos os projécteis 
convencionais, granadas de morteiro, mísseis, bombas e minas, e 
cujas funções são:
• Estabelecer as principais condições de segurança de 
armazenamento e transporte, de segurança de queda e 
possivelmente de segurança à boca destes engenhos,
• Controlar a ocorrência do armamento, no momento apropriado do 
disparo ou lançamento, do engenhoonde está montada,
• Realizar sem falhas e no instante mais apropriado, a iniciação dos 
altos explosivos da carga principal do rebentador desse engenho,
• Em certos casos, proceder à sua autodestruição.
É claro que o tipo e qualidade de fabrico de espoleta que se monta 
num dado engenho, são porventura os factores mais decisivos da 
acção que esse engenho vai ter junto do alvo a que for dirigido. As 
espoletas incluem sempre um dispositivo de segurança e armamento, 
que têm por funções, por vários processos, assegurar que os 
engenhos não funcionem durante o armazenamento e transporte nem 
durante o disparo e provocar, sem falhas, no momento oportuno, na 
proximidade, durante, ou após o contacto com os alvos, as referidas 
iniciações. Ainda assim, nos engenhos de grandes dimensões e 
capacidade destrutiva, as espoletas só são montadas imediatamente 
antes da sua utilização.
Dada a muito grande variedade de engenhos explosivos e das 
condições em que se usam, é enorme a variedade de soluções de 
concepção e tecnológicas, incluindo estas dispositivos mecânicos, 
eléctricos e electromagnéticos, que permitem, isoladamente ou em 
conjunto, dar resposta a todas essas solicitações. Os tamanhos, 
configurações e complexidade variam imenso e, em alguns casos 
uma espoleta pode até constar de vários sub-sistemas implantados em 
vários locais do engenho que serve. Em qualquer dos casos, justifica-
se perfeitamente o enorme investimento que tem sido feito no 
desenvolvimento de espoletas mais eficazes, uma vez que, toda a 
segurança e eficácia dos sistemas de arma onde se empregam, 
249
depende em grande parte do seu bom funcionamento, da sua 
fiabilidade.
Espoleta bouchon – É a espécie de espoleta com retardo que equipa 
a maioria das granadas de mão. No essencial, é constituída por um 
conjunto percutor-mola que é retido até ao lançamento, por um 
manípulo que, por sua vez, é retido por uma cavilha. O início do 
funcionamento desta espoleta – corresponde à actuação do percutor – 
dá-se por libertação deste quando, no lançamento, o utilizador larga o 
manípulo que tinha estado retido pela cavilha durante o transporte da 
granada, cavilha que entretanto se retirou.
Estabilidade – No domínio da Física – da Estática – este termo diz 
respeito à propriedade de um sistema que lhe permite manter-se 
imóvel ou, quando o seu equilíbrio/imobilidade é perturbado, 
desenvolver forças ou binários que o fazem regressar à posição de 
equilíbrio original.
No contexto da pontaria das armas montadas em veículos, o termo 
refere-se à necessidade de tornar esta independente dos movimentos 
de balanço transversal dessas plataformas. Isto é feito geralmente 
pelo recurso a uma referência vertical.
Uma outra forma de estabilidade “física” é referida no contexto das 
técnicas de tiro ao alvo. Aqui o termo implica realmente duas 
condições:
• À partida, à imobilidade espacial – que deve ser tão boa quanto 
possível -, da arma em relação ao alvo, tal como é observada pelo 
atirador ao “dirigi-la” para o alvo, para que lhe seja possível, 
livre de movimentos descontrolados e inesperados da arma, 
concentrar-se no acto de a apontar com precisão e efectuar o seu 
disparo. Esta imobilidade espacial da arma resulta de uma boa 
condição física geral e especial, da adopção de uma posição 
exterior tecnicamente vantajosa, de uma posição interior 
inalterada em relação à aprendida e desenvolvida em treino e, e, 
particular, da estabilidade psicológica que resulta da confiança na 
capacidade própria, pessoal,
250
• À imobilidade do ponto de mira em relação à alça, tal como é 
observado pelo próprio atirador, para que lhe seja possível 
apreciar em todos os instantes o sentido e a amplitude do erro 
angular, para proceder à sua correcção, isto é, que lhe permita 
fazer a pontaria em boas condições.
Estas duas condições são satisfeitas quando haja uma boa 
estabilidade do atirador e uma boa estabilidade da arma.
Do domínio da Dinâmica, uma expressão particular da estabilidade 
“física” ocorre no contexto da balística externa. Trata-se aqui do 
comportamento dum projéctil durante a sua trajectória e o termo 
refere-se à capacidade que esse projéctil tenha para se manter com 
uma das extremidades – a ponta – apontada para a frente ao longo 
dessa trajectória, isto é, para manter aproximadamente constante a 
sua atitude como corpo fuziforme cujo eixo longitudinal se mantenha 
aproximadamente coincidente com a tangente a essa trajectória. 
Esta estabilidade dos projécteis pode ser conseguida por três meios, 
de tal maneira que é conhecida uma estabilidade aerodinâmica, uma 
estabilidade giroscópica e uma variante da primeira, a chamada 
estabilidade por resistência.
A estabilidade dos explosivos ou estabilidade química de explosivos 
é a capacidade de um alto e baixo explosivo ou para se manter 
inalterado quimicamente durante o seu armazenamento.
Três factores extremamente importantes para esta estabilidade são:
• A higroscopicidade do explosivo,
• A sua tendência para reagir ou não ao contacto com os materiais 
metálicos ou outros materiais dos invólucros/contentores,
• O seu comportamento perante as condições atmosféricas 
extremas (frio ou calor intensos).
Estabilidade da arma – Uma forma de estabilidade do âmbito da 
Física. No contexto das técnicas de tiro ao alvo, o termo refere-se à 
faculdade realizada pelo atirador de (quase) imobilizar a linha das 
miras sobre o alvo. Resulta em parte directamente da estabilidade do 
atirador, ma este poderá realizar também uma boa contribuição para 
a estabilidade da arma por um processo de compensação – que 
através do treino passa a ser realizado subconscientemente – com 
251
uma sequência de pequenos movimentos da arma, em sentidos 
contrários aos dos pequenos movimentos do seu corpo.
Estabilidade do atirador – Uma forma de estabilidade do âmbito da 
Física. No contexto das técnicas de tiro ao alvo, o termo refere-se à 
capacidade, que todo o atirador procura ter, de “parar” o seu corpo 
numa dada posição de tiro. Isto, assumindo o atirador que essa é a 
condição necessária e indispensável para obter a desejada 
estabilidade da arma. Aparte o que os regulamentos dizem sobre 
“legalidade” das posições, esta estabilidade resulta da satisfação de 
um dado conjunto de imperativos dos domínios da psicologia e da 
biomecânica:
• Estabilidade emocional,
• Condicionamento mental incluindo capacidade de entrega do 
comando da maior parte das acções ao subconsciente,
• Condição física e funcionamento fisiológico,
• Colocação adequada dos componentes do esqueleto por forma a 
diminuir o jogo dos músculos,
• Desenvolvimento da capacidade de equilíbrio (do jogo 
equilibrado dos grupos musculares), 
• Conforto da posição.
Esta estabilidade, se suficientemente desenvolvida, permite ao 
atirador a calma necessária para se dedicar à apreciação dos outros 
elementos do tiro, nomeadamente à análise das condições 
ambientais, aos disparos e em particular às pontarias.
Por outro lado, há que ter a noção de que, para além de certo ponto, 
independentemente de isso não ser sequer possível, não é de facto 
necessário melhorar a estabilidade do corpo, uma vez que em todas 
as situações práticas, se trata de atingir uma dada área do alvo com 
um projéctil que tem uma certa secção recta não desprezável.
Estabilidade de uma pólvora – Capacidade de uma pólvora química 
para resistir à deterioração durante o armazenamento. As pólvoras 
químicas são produtos quimicamente instáveis que começam a 
degradar-se a partir do momento em que são fabricados,essa 
degradação consiste basicamente na libertação de óxidos nitrosos.
252
No fabrico das pólvoras químicas (a maioria constituída por ésteres 
nítricos) é difícil eliminar totalmente os resíduos ácidos (usados no 
processo de nitração), estes resíduos vão promover a reacção inversa 
(hidrólise dos ésteres nítricos) da qual resulta a libertação de óxidos 
nítrico e nitroso, que à medida que se vão formando vão eles próprios 
catalisar (acelerar) essa mesma reacção, isto é, o envelhecimento das 
pólvora químicas.
Estas pólvoras são sensíveis à acção do calor, luz, humidade, e nos 
casos de temperaturas elevadas, chegam mesmo a decompor-se com 
grande rapidez – na ordem de poucos dias ou horas – quando sujeitas 
aos chamados “castigos térmicos”, em ambientes de temperatura 
superior a cerca de 50ºC.
O processo de degradação é normalmente muito lento às 
temperaturas de armazenamento normais, razão pela qual a única 
forma de travar o processo é introduzir como aditivos, 
estabilizadores que asseguram o prolongamento do tempo de vida 
útil das pólvoras. Uma forma de avaliar a estabilidade química de 
uma pólvora é através do doseamento do estabilizador e seus 
derivados.
Estado de choque – Este termo refere-se e significa a condição 
psico-física altamente desequilibrada a que um animal pode ser 
levado em virtude de ser sujeito a um grande abalo.
No contexto da balística terminal – balística das feridas -, interessa 
sobretudo ter em conta as seguintes considerações:
• No ser humano o estado de choque pode ser causado por 
ferimentos visíveis ou não, por uma concussão forte ou apenas só 
pela acção de um grande excesso da estimulação dos sentidos, e 
traduz-se em perda de forças, sensações de frio e, se não atendido 
devidamente, em perda de consciência e morte.
• Na maioria dos outros vertebrados o estado de choque parece só 
poder ser induzido por ferimentos graves mas, alguns animais 
não aparentam nunca quaisquer sintomas de um estado de choque 
e continuarão a mover-se e a funcionar quase normalmente 
durante bastante tempo, se não atingidos num órgão vital.
253
• Em qualquer dos casos em que o estado de choque se fique a 
dever a um ferimento de projéctil ou estilhaço, a “profundidade” 
desse estado parece ser não só proporcional à energia cinética 
que esse objecto perde em contacto com os tecidos vivos – a 
energia transferida -, mas também inversamente proporcional ao 
intervalo de tempo em que essa conversão de energia se opera – 
portanto à potência do fenómeno de “transferência” da energia -. 
Daqui o emprego extensivo em “caça grossa”, de balas 
expansivas.
Estrangulamento - Designação de uma redução do calibre/adarme 
da alma, na zona da boca dos canos, na maioria das armas de caça. O 
termo mais usado para designar este dispositivo é, no entanto, 
“choque”. O estrangulamento destina-se a, exercendo um aperto 
sobre ela, concentrar axialmente a bagada afim de que esta chegue 
correspondentemente mais concentrada e mais regularmente 
distribuída às várias distâncias do tiro. O “choque” existe em seis 
graduações e, na realidade, em vez de a cada uma destas 
corresponder uma certa medida da boca, a classificação faz-se por 
um processo empírico. De facto, está convencionado entre 
fabricantes deste género de armas, classificá-las, durante as suas 
provas finais, através duma contagem da percentagem do número 
total de chumbos da bagada que ficam no interior dum círculo de 75 
cm de diâmetro, com o centro aproximadamente no PMI, feito o tiro 
para o alvo onde se desenha esse círculo, a uma distância de 30 
metros.
A tabela seguinte, foi elaborada segundo estes pressupostos, dando-
nos conta de um conjunto de dados a ter em conta para uma melhor 
compreensão entre os referidos diâmetros e a distância relativa:
254
Distância em metros
20 25 30 32 40 45 50 55
Choque ⇓ Percentagem de chumbos num círculo de 75 cm
Cilíndric
o
75 63 53 43 35 28 22 18
Cil. 
melhora.
85 74 64 53 43 34 27 22
¼ 
Choque
90 80 70 58 48 39 31 25
½ 
Choque
97 86 76 64 54 43 34 27
¾ 
Choque
100 93 83 70 58 47 38 30
Full 
Choque
100 100 90 74 62 51 41 32
Estratégia – No contexto da tomada de decisões em teatro de guerra, 
a estratégia é o factor básico da formulação das decisões – os outros 
são a táctica e a logística – que diz respeito à necessidade de definir 
os objectivos das missões.
Estrias - São os sulcos, de traçado helicoidal, igualmente espaçados, 
com um passo uniforme ou progressivamente menor, que se 
encontram na parte estriada das almas dos canos da maioria das 
armas de impulso e das armas de propulsão por reacção, e que se 
destinam a conferir aos projécteis disparados nestas armas, uma 
estabilidade giroscópica durante as trajectórias.
De facto, são as porções da alma que ficam entre as estrias, os 
chamados salientes das estrias que, ao cortarem as camisas ou as 
cintas de forçamento dos projécteis, vêm a obrigá-los a adquirir o 
movimento de rotação necessário a esta estabilidade. Às estrias 
propriamente ditas, chama-se por vezes cavados das estrias.
As estrias são abertas por corte/arrancamento de material ou por 
impressão/calcamento da superfície das almas qualquer destes 
processos realizado por meio de tornos especiais, ou por um processo 
255
de martelagem a frio do cano um “macho” de carboneto de 
tungsténio colocado interiormente.
Expansão – É o processo pelo qual a ponta duma bala expansiva se 
deforma de uma maneira especial (sendo esmagada expande-se 
radialmente), ao contacto com os tecidos (macios) dum animal. Este 
processo tem em vista, é claro, a vantagem da aquisição por parte da 
bala de uma secção recta muito maior, a fim de, acrescida a 
superfície frontal que contacta com os tecidos, a transferência da sua 
energia cinética se fazer muito mais rapidamente – ser maior ou ser 
mais rapidamente transmitida, a energia transferida -, com vista a 
conseguir-se realizar um muito maior poder de choque.
Dado que se observem as condições seguintes:
• que o calibre verdadeiro da bala seja minimamente apropriado ao 
abate da espécie animal em causa,
• que a densidade seccional da bala seja suficiente,
• Que a velocidade de impacto seja suficientemente alta para que 
os fluídos se comportem quase como se tratasse dum choque da 
bala com um corpo líquido,
• que a constituição da ponta da bala seja nem demasiadamente 
frágil/elástica nem demasiadamente rígida por forma a que ela se 
deforme mas só até um certo ponto (a dificuldade na concepção 
destas balas reside precisamente em que, cada espécie animal 
oferecendo uma resistência diferente à penetração, cada 
penetração óptima requer uma ponta de uma determinada dureza,
• e que, durante a penetração, a bala não se fragmente e perca uma 
parte substancial da sua massa original, o que faria com que o 
corpo principal perdesse muita da sua energia e portanto, da sua 
capacidade de continuar a perfurar,
a ponta da bala irá deformar-se, mais ou menos rapidamente, através 
do rompimento (em sentido longitudinal) de parte dianteira da 
camisa e da deformação (em sentido radial) da porção subjacente do 
núcleo.
Com isto, a bala toma, mais ou menos, a forma aproximada de um 
pequeno cogumelo, o que a faz perder densidade seccional e portanto 
capacidade de penetração mas a sua energia de impacto terá sido 
256
capaz de a levar a penetrar até à profundidade necessária onde se 
encontram os órgãos vitais. E, mesmo que a bala não atinja nenhum 
órgão vital, terá provocado entretanto, provavelmente, um 
considerável estadode choque.
Expansor – Um componente de algumas balas expansivas. Consta 
de um pequeno acessório, que se instala na ponta da bala e que, no 
choque com o alvo, actuando por dentro da extremidade posterior do 
núcleo, tem por função obrigar esta a expandir-se radialmente, 
tornando mais rápida a expansão da bala.
Extracção - É a operação do ciclo de funcionamento dos sistemas de 
arma em que se usam munições de invólucro metálico, que consiste 
em retirar da câmara da arma o invólucro da munição anteriormente 
disparada. A extracção é geralmente operada por um ou mais 
extractores, embora em certos casos especiais se possa dispensar o 
emprego destes. É de notar que esta operação se torna mais difícil à 
medida que, numa sucessão de tiros, os canos vão aquecendo. Razão 
por que, nalgumas armas automáticas, se usam as chamadas câmaras 
flutuantes.
Extractor - É o componente de um sistema de arma que usa 
munições de invólucro metálico, que agarrando com uma das suas 
extremidades a unha ou garra do extractor, numa porção do bocel ou 
da ranhura de extracção do invólucro, realiza a extracção e que, em 
colaboração com o ejector, contribui também para a ejecção.
A acção do extractor sobre o invólucro tem necessariamente de ser 
realizada de uma forma especial, primeiramente exercendo pouco 
força e movendo-o lentamente e depois, quando o invólucro já se 
encontra solto, agindo, progressivamente, com maior força e 
velocidade.
Existem essencialmente dois tipos de extractores:
• Os extractores de acção longitudinal que se montam em culatras 
que têm um movimento longitudinal e acompanham os 
movimentos destas culatras. São estes os chamados extractores 
de arrasto e extractores elásticos,
257
• Os extractores de alavanca que se montam em culatras de gaveta 
e culatras pendentes e que funcionam com uma acção de 
alavanca perto do fim dos movimentos de abertura destas 
culatras, quando estas actuam no seu braço “longitudinal”. 
Nalguns casos, estes tipo de extractor realiza também a função de 
retenção da culatra na posição de “aberta”.
Dado que os extractores são componentes sujeitos a enormes 
esforços e que falham com uma frequência por vezes notável, as 
falhas de extracção, são razão de uma grande percentagem das falhas 
de fogo.
Face da culatra - É a superfície da extremidade posterior da culatra. 
Num sistema de arma em que se empregam munições de invólucro 
metálico, é portanto a superfície onde vão assentar as bases dos 
invólucros e por onde sai a ponta do percutor quando ocorre a 
percussão. Na maior parte das armas em que a culatra se movimenta 
paralelamente ao eixo do cano, é também da face da culatra que se 
projecta o ejector quando aquela chega à extremidade anterior do seu 
percurso.
Por outro lado, é entre a face da culatra e o ponto da alma onde a 
munição é impedida de continuar a avançar durante o carregamento, 
que se mede a folga de carregamento.
Falha de fogo – É a falha no funcionamento normal de uma arma de 
fogo, que se traduz na inesperada não produção do seu disparo. 
Também designa a falha inesperada no funcionamento de um 
engenho explosivo, que leva a que não ocorra a sua explosão.
Falha de percussão – É a falha de fogo que se traduz no facto do 
percutor não atingir a escorva da munição ou fazê-lo muito 
debilmente. Pode ficar a dever-se a falta de força da mola real, ao 
percutor partido ou desalinhado, ou ainda a falta de lubrificação ou 
acumulação de detritos no seu alojamento.
Fechar a culatra - Esta é uma expressão corrente que pretende 
significar o fechamento da câmara do cano duma arma pela sua 
258
culatra. Apesar de constituir um contra-senso, está tão generalizada 
que não constitui óbice na comunicação verbal e escrita.
A operação a que se refere é uma operação secundária do ciclo de 
funcionamento das armas, que ocorre entre o carregamento e o 
travamento da culatra e consiste em a face da culatra ficar a tapar a 
entrada da câmara, ficando pois alinhada com o cano se se tratar 
duma culatra de gaveta (mais usado em peças de artilharia) ou o mais 
chagada possível a este alojamento se for uma culatra de movimento 
longitudinal.
Folga do gatilho - É o movimento inicial, relativamente livre, que a 
cauda do gatilho de um gatilho com folga pode realizar até se atingir 
o chamado ponto duro, característico do funcionamento desta classe 
de mecanismos do gatilho.
Fragmentação – Este termo tem dois significados muito distintos.
Designação do primeiro efeito da detonação do alto explosivo 
rebentador sobre o corpo e outras partes metálicas do projéctil 
convencional, bomba ou granada que o transporta. Consiste na 
fractura desse corpo em partes/fragmentos que se pretende que, pela 
sua distribuição e energia cinética, tenham a maior capacidade 
possível de neutralização dos alvos visados. Em geral pretende-se 
que os fragmentos não tenham uma massa/densidade seccional 
superior à necessária à neutralização do alvo em causa, a fim de que 
o seu número seja o maior possível. Para que isso aconteça mais 
facilmente os corpos dos engenhos são muitas vezes pré-
fragmentados ou constituídos por fragmentos pré-formados.
Quando não é este o caso, isto é, quando a fragmentação deva 
ocorrer aleatoriamente, o tamanho médio dos fragmentos é função:
• Da razão entre a espessura das paredes do corpo da carga útil e o 
diâmetro da carga do rebentador,
• Da dureza do material do corpo. Vindo os fragmentos a ser tão 
menores quanto maior esta dureza, há no entanto que ter em 
conta que, no caso dos projécteis de artilharia, o endurecimento 
dos corpos tem limites pois eles têm de resistir sem fracturar às 
forças de reacção do impulso durante os disparos,
259
• Da razão de carregamento,
• Das características do alto explosivo.
À fragmentação segue-se a propagação da onda de choque que 
transporta cerca de 60% da energia libertada pelo alto explosivo e a 
projecção a grande velocidade dos fragmentos – normalmente então 
designados por estilhaços.
A outra designação corresponde a uma das formas por que se pode 
processar a penetração duma armadura. Esta forma de penetração 
ocorre quando o material desta é excessivamente rijo e, por falta de 
elasticidade, simplesmente se parte em bocados, bocados estes que 
geralmente se comportam depois como projécteis secundários.
Franco atirador – Um soldado ou polícia especialmente instruído e 
treinado para desempenhar a função de, geralmente a partir de uma 
posição dominante e devidamente dissimulada, usando uma 
espingarda especial, equipada com uma boa mira telescópica, 
neutralizar elementos seleccionados das forças inimigas ou civis 
envolvidos em actividades consideradas altamente perigosas.
Fulminante - Uma pequena pastilha de uma mistura explosiva e que 
se usa em armas de brinquedo para produzir estampidos. A 
composição destas pastilhas é feita a partir de clorato de potássio e 
fósforo vermelho, mistura esta que é sensível ao choque.
Fuste - Nome da parte posterior da maioria das coronhas das 
espingardas, a parte que, na configuração convencional destas armas, 
fica sob o cano, alojando-o e protegendo-o parcialmente e 
principalmente protegendo a mão do atirador quando - na utilização 
normal e quando se manipule a arma equipada de baioneta -, 
geralmente em resultado de uma série grande de disparos, ele é 
levado a ficar muito quente.
Nas espingardas semi-automáticas é praticamente indispensável que 
o fuste cubra também a parte superior do cano, com a finalidade 
dupla de proteger a mão do utilizador contra o aquecimentoreferido 
e para evitar que o ar aquecido pelo cano se eleve através da linha de 
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mira o que afectaria seriamente, as pontarias pela criação de 
miragens.
Gatilho - O termo que, a maior parte das vezes, se usa para designar 
o mecanismo do gatilho.
Designação comum do componente dum mecanismo do gatilho que, 
verdadeiramente, se chama cauda do gatilho, onde se actua com o 
dedo indicador, para efectuar os disparos.
Gatilho de acção directa – Designação genérica dos mecanismos do 
gatilho em que a actuação na cauda do gatilho conduz directamente a 
uma actuação no armador com vista a que este liberte o percutor ou o 
cão, para que se realize o disparo. A grande maioria dos gatilhos são 
deste tipo.
Gatilho de acção indirecta – Designação genérica dos mecanismos 
do gatilho, muitas vezes, mas impropriamente, chamados “gatilhos 
de cabelo”, que incluem um mecanismo de armas normal e um 
mecanismo de armar adicional.
O conjunto destes dois mecanismos é constituído pelas seguintes 
peças:
• Um armador normal,
• A mola deste armador,
• Uma peça que vai funcionar como um martelo,
• Uma mola que serve para impulsionar este martelo e que é 
bastante mais fraca que a mola real,
• Um segundo armador (que às vezes faz parte da própria cauda do 
gatilho do mecanismo e não é o armador do verdadeiro 
mecanismo de armar),
• Uma alavanca.
Depois da arma carregada, o que geralmente compreende também a 
operação de armar do verdadeiro mecanismo de armar, a referida 
“alavanca” é actuada o que faz com que o “martelo”, comprimindo a 
“mola”, vá ficar retido no “armador” secundário do mecanismo 
acessório. Isto faz com que a arma fique pronta para o disparo. Após 
isto, uma – geralmente ligeira – actuação na cauda do gatilho, faz 
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com que o segundo armador liberte o martelo, e é a pancada que este 
vai dar no armador principal do gatilho que vai fazer com que este 
liberte o percutor ou cão.
Este género de mecanismo oferece a vantagem de, não estando o 
armador secundário sujeito à tensão imposta pela mola real, a sua 
movimentação pela cauda do gatilho pode ser feita através de uma 
pressão muito ligeira sobre esta. Daqui o termo “gatilho de cabelo” 
que pretende significar um peso do gatilho quase insignificante, mais 
fácil de exercer.
Tem no entanto o inconveniente de tornar a duração do fechamento 
(embora ligeiramente) maior.
É o género de gatilho mais usado em pistolas livres com gatilhos 
mecânicos mas, para além de o seu uso ser proibido na maioria das 
outras disciplinas patrocinadas pela I.S.S.F., há que ter em conta que, 
devido precisamente à referida facilidade com que ele se presta a 
realizar os disparos, é também o que melhor se presta à ocorrência de 
acidentes, que podem ser muito perigosos.
Além disto, há que considerar que o abuso da referida propriedade 
deste género de gatilho, no respeitante ao uso de pesos de gatilho 
extremamente pequenos é geralmente contraproducente, na medida 
em que isto poderá gerar algum receio – e gera sempre quando o 
atirador fica sujeito a alguma tensão emocional – de que a arma se 
dispare prematuramente e isto constituirá certamente uma inibição 
altamente indesejável.
Gatilho deslizante – Um mecanismo do gatilho da classe gatilho de 
acção directa que se emprega em muitas espingardas e pistolas, 
embora raramente em armas destas destinadas a tiro ao alvo. 
Caracteriza-se por proporcionar os disparos através de um 
movimento relativamente longa da cauda do gatilho, havendo que 
vencer uma resistência quase constante ao longo de todo este 
movimento desde o início e até ao ponto de desenlace.
Quanto ao seu emprego em armas de tiro ao alvo, este género de 
gatilho não oferece qualquer vantagem nas disciplinas de precisão 
pura, mas tem sido usado com bastante sucesso na disciplina de “tiro 
rápido” com pistola, conhecida entre nós por Velocidade Olímpica.
262
Gatilho com dupla folga – Uma espécie de gatilho com folga mas 
em que o movimento da cauda do gatilho se divide em três fases 
intercaladas por dois pontos duras. Com esta disposição, a resistência 
a vencer depois do segundo ponto duro pode ser bastante reduzida o 
que pode facilitar a fase final dos disparos.
Este género de gatilho, de concepção bastante recente, foi desenhado 
especialmente para utilização em pistolas de grosso calibre e pistolas 
sport usadas nas disciplinas em que se faz tiro de velocidade. Aqui, 
apesar de requerer uma técnica especial de disparo, tem tido bastante 
sucesso.
Gatilho eléctrico – Designação genérica dos mecanismos do gatilho 
em que a acção mecânica do disparo decorre dum estabelecimento ou 
corte de corrente eléctrica realizado pela actuação na cauda do 
gatilho, que se vai reflectir numa actuação mecânica no armador, 
actuação esta geralmente realizada por um solenóide.
Usado em armas de tiro ao alvo, este género de gatilho presta-se a 
uma grande regularidade no peso do gatilho, uma vez que a 
resistência do mecanismo é independente da força exercida pela mola 
real no armador, sendo essa precisamente a grande vantagem deste 
género de mecanismo.
Gatilho com folga (ou gatilho de dois estágios) – Uma espécie de 
gatilho de acção directa que se caracteriza por o movimento da cauda 
do gatilho se processar em duas fases. De início, com uma pressão 
relativamente ligeira, a cauda é levada a mover-se até se encontrar 
uma resistência nítida, um ponto duro. A segunda fase consiste em, 
através dum aumento da força sobre a cauda e sem que se sinta que 
esta se movimenta, vindo esta força a ultrapassar o peso do gatilho, 
dar lugar a que o disparo propriamente dito ocorra.
A força necessária para atingir o ponto duro – o chamado “peso da 
folga” – não deve ser excessiva, de tal forma que a força 
complementar para atingir o ponto de desenlace seja ainda uma 
percentagem considerável do valor total do peso do gatilho. De 
contrário, o atirador terá receio de que ocorram – e ocorrerão – 
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disparos inopinados e isso constituirá uma inibição altamente 
indesejável.
Uma noção muito importante a reter, é que, num gatilho deste género 
que se encontre bem afinado, qualquer movimento sensível da cauda 
a partir deste ponto duro deve provocar o disparo. De modo que na 
segunda fase o mecanismo deve funcionar apenas por aumento da 
força sobre a cauda mas sem que esta dê qualquer “sinal” de 
movimento.
Gatilho sem folga – Um género de mecanismo de gatilho de acção 
directa que deve funcionar em tudo exactamente da mesma maneira 
exigida a um gatilho com folga, com a excepção de que nele não 
existe a primeira fase de movimento quase livre, encontrando-se o 
ponto duro logo no início da actuação do dedo sobre a cauda do 
gatilho.
Nos gatilhos das armas em que se encontra estabelecido um valor 
mínimo do peso do gatilho, esta configuração do mecanismo, tem 
comparativamente com o gatilho com folga a desvantagem de que 
não é possível retirar uma parte da resistência a vencer, sem que se 
faça uma espécie de “preparação do gatilho”.
Granada - Designação genérica de qualquer engenho não guiado - 
engenho balístico - que contenha uma carga dum material 
explosivo, incendiário, iluminante, fumígeno, agente químico ou 
agente biológico.
No contexto da artilharia, o mesmo que projéctil convencional de 
artilharia.
Granada defensiva - Designação genérica das granadas de mão que 
libertam um certo número de estilhaços relativamente grandes - com 
uma densidade seccional relativamente grande - à volta do ponto de 
rebentamento, com o que podem produzir raios letais consideráveis.
O adjectivo “defensiva” deve-se a que, dado que a maior densidade 
destes estilhaços lhes confere um alcance

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