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3 INTRODUÇÃO O desenho técnico representa um meio de ligação indispensável entre vários ramos de um empreendimento industrial. É o idioma internacional que difere de qualquer outro pela clareza e precisão, não se prestando a duvidas ou diferenças de interpretação. É necessário portanto uma técnica de representação, daí surgirem das necessidades e experiências as regras, que são as “NORMAS TÉCNICAS”. Normalização É o processo de formalização e aplicação de regras para um tratamento ordenado de uma atividade especifica. É baseada nos resultados já consolidadas da ciência, da técnica e da experiência. Norma É um documento contendo o resultado de um determinado esforço de normalização, aprovado por autoridade reconhecida. Nível de Normalização : Internacional : ISO - “International System Organization” Nacional : ABNT - “Associação Brasileira de Normas Técnicas” Nacional : ASA - “American Standard Association” Setorial : SAE - “Society American Engeneering” Setorial : AISI - “American Institute of Steel and Iron” Setorial : ASTM - American Society of Testing Materials” MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 1 INTRODUÇÃO 4 CONCEITOS DE REPRESENTAÇÕES DO DESENHO TÉCNICO Quanto ao aspecto geométrico: Desenho Projetivo Desenho resultante de projeções do objeto sobre um ou mais planos que fazem coincidir com o próprio desenho. Compreendendo: Vistas Ortogonais Figuras resultantes da projeção do objeto, sobre planos convenientemente escolhidos, de modo a representar, com exatidão, a forma do mesmo com seus detalhes. Perspectivas Figuras resultantes de projeção, sobre um único plano, com finalidade de permitir uma percepção mais fácil da forma do objeto. Quanto a sua elaboração: Desenho de Componentes Desenho de um ou vários componentes representados separadamente. Desenho de Conjunto Desenho de conjunto mostrando reunidas, componentes, que se associam para formar um todo. Detalhe Vista geralmente ampliada do componente ou parte de um todo complexo. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 2 CONCEITOS DE REPRESENTAÇÕES DO DESENHO TÉCNICO 5 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA Conceito Perspectiva é maneira de representar objetos de acordo com sua posição, forma e tamanho. Existem vários tipos de perspectiva. Nesta seção estudaremos apenas a perspectiva isométrica. A perspectiva isométrica mantém as mesmas medidas de comprimento, largura do objetivo. Para estudar a perspectiva isométrica é necessário conhecer ângulo e a maneira como ele é representando. Ângulo É a figura geométrica formada por duas semi-retas com a mesma origem. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 6 Grau Unidade de medida de ângulo, equivalente a um ângulo central cujo arco é 1/360 de circunferência. A medida em graus é indicada por um numeral seguido do símbolo de grau. Veja alguns exemplos. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 7 Nos desenhos em perspectiva isométrica, os três eixos isométricos (c, a; l) forma entre si ângulos de 120º. Os eixos oblíquos formam com a horizontal ângulos de 30º. Qualquer linha paralela a um eixo isométrico é chamada linha isométrica. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 8 Traçados da Perspectiva Isométrica do Prisma O prisma é usado como base para o traçado da perspectiva isométrica de qualquer modelo. No início, até você adquirir firmeza, o traçado deve ser feito sobre o reticulado. Veja abaixo uma amostra de reticulado. O traçado da perspectiva isométrica é feita da seguinte maneira: Em primeiro lugar são traçados os eixos isométricos Em seguida, são marcadas nesses eixos as medidas de comprimento, largura e altura do prisma. Após isso, é traçada a fase de frente dos prisma, tomando-se como referências as medidas do comprimento e da altura, marcadas nos eixos isométricos. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 9 Traçado de Perspectiva Isométrica com Detalhes Paralelos Depois traçamos a face de cima do prisma tomado como referência as medidas do comprimento e largura, marcadas nos eixos isométricos. Em seguida traçamos a face do lado do prisma tomando como referência as medidas da largura e da altura marcadas nos eixos isométricos. E, por último, para finalizar o traçado da perspectiva isométrica, são apagadas as linhas de construção e reforçado o contorno do modelo.. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 10 Traçado da Perspectiva Isométrica com Detalhes Oblíquos As linhas que não são paralelas aos eixos isométricos são chamadas linhas não-isométricas . MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 11 Traçado da Perspectiva Isométrica com Elementos Arredondados Traçado da Perspectiva Isométrica do Círculo círculo em perspectiva isométrica tem sempre a forma de elipse. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 12 Traçado da Perspectiva Isométrica Isolada ou Associada O componente de um determinado dispositivo, poderá estar representado em perspectiva isométrica, isoladamente ou vários componentes associados formando um conjunto conforme os exemplos: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 3 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA 13 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA Definição Todo o objeto, desde a peça mais simples à estrutura mais complicada, tem três dimensões. O problema do desenho técnico consiste em reproduzir a forma exata de um corpo, com suas três dimensões, sobre uma folha de papel que só possui duas. O método usado, das projeções observador. A sua interpretação se faz pela combinação de duas ou três projeções. O método consiste em representar a forma exata do objeto por meio de duas ou mais projeções sobreplanos que geralmente se encontram segundo ângulos retos, baixando-se perpendiculares de objeto aos planos. Considerando-se os planos de projeção horizontal e vertical prolongados além de sua interseção, quatro ângulos diedros serão formados, os quais se denominam, pela ordem, 1º, 2º, 3º e 4º diedros conforme a figura abaixo: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 14 Projeção Ortogonal Em desenho; técnico, projeção é a representação gráfica do modelo feita em um plano. Existem várias formas de projeção. A ABNT adota a projeção ortogonal, por ser a representação mais fiel à forma do modelo. Para entender como é feita a projeçãoortogonal, é necessário conhecer os seguintes elementos: observador, modelo e plano de projeção. veja os exemplos a seguir: neles, o modelo é representado por um dado. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 15 Linha Projetante A linha projetante perpendicular ao plano de projeção que sai do modelo e o projeta no plano de projeção. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 16 Posição em três planos Unindo perpendicularmente três planos, temos a seguinte ilustração: Cada plano recebe um nome de acordo com sua posição. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA Plano de projeção vertical Plano de projeção lateral Plano de projeção horizontal 17 Vistas Rebatimento de Três Planos de Projeção Quando se tem a projeção ortogonal do modelo, o modelo não é mais necessário e assim é possível rebater os planos de projeção. Com o rebatimento, os planos de projeção, que estavam unidos perpendicularmente entre si, aparecem em um único plano de projeção. Na página seguinte pode-se ver o rebatimento dos planos de projeção, imaginando-se os planos de projeção ligados por dobradiças. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 18 Agora imagine que o plano de projeção vertical fica fixo e que os outros planos de projeção giram um para baixo e outro para direita. O plano de projeção que gira baixo é o plano de projeção horizontal e o plano de projeção que gira para a direita é o plano de projeção lateral. Planos de projeção rebatidos: Agora é possível tirar os planos de projeção e deixar apenas o desenho das vistas do modelo. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 19 Na prática, as vistas do modelo aparecem sem os planos de projeção. Observação : As linhas projetantes auxiliares não aparecem no desenho técnico do modelo. São linhas imaginárias que auxiliam no estudo da teoria da projeção ortogonal. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA As linhas projetantes auxiliares indicam a relação entre as vistas do desenho 20 Vistas Dispondo as vistas alinhadas entre si, temos as projeções da peça formadas pela vista frontal, vista superior e vista lateral esquerda. Observação : Normalmente a vista frontal é a vista principal da peça. As distâncias entre as vistas devem ser iguais e proporcionais ao tamanho do desenho. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 21 Denominação das vistas conforme norma da ABNT VF-Vista Frontal VS - Vista Superior VLe- Vista Lateral Esquerda VLd - Vista Lateral Direita VI - Vista Inferior VP - Vista Posterior MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA VI VF VLD VLe VP VS 22 Exercícios: Complete as projeções : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 23 Complete as projeções.: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 24 Complete as projeções.: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 25 Desenhe a vista que falta.: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 26 Escreva nos modelos representados em perspectiva isométrica as letras dos desenhos técnicos que correspondem às suas faces.: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 27 Escreva nas vistas dos desenhos técnicos as letras dos modelos representados em perspectiva isométrica que correspondem às suas faces.: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 28 Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale com a perspectiva que corresponde à peça : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA X 29 Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale com a perspectiva que corresponde à peça : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA X 30 Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale com a perspectiva que corresponde à peça : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA X 31 Anote embaixo de cada perspectiva o número correspondente às sua projeções : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 32 Anote embaixo de cada perspectiva o número correspondente às sua projeções : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 33 Complete as projeções : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 4 PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA 34 Tipos de Linhas Para desenhar as projeções são usadas vários tipos de linhas. A B C D E F G H J K (1) Se existirem duas alternativas em um mesmo desenho, só deve ser aplicada uma opção. Nota: Se forem usados tipos de linhas diferentes, os seus significados devem ser explicados no respectivo desenho ou por meio de referência às normas específicas correspondentes. Linha Denominação Aplicação geral (ver Figuras 1a, 1b e outros) Contínua larga Contínua estreita Contínua estreita a mão livre (1) A1 contornos visíveis A2 arestas visíveis A1 contornos visíveis B2 linhas de cotas B3 linhas auxiliares B4 linhas de chamadas B5 hachuras B6 contornos de seções rebatidas na própria vista B7 linhas de centros curtas C1 limites de vistas ou cortes parciais ou interrompidas se o limite não coincidir com linhas traço e ponto (ver Figura 1c) D1 esta linha destina-se a desenhos confeccionados por máquinas (ver Figura 1d) Contínua estreita em ziguezague (1) Tracejado larga (1) Tracejado estreita (1) E1 contornos visíveis E2 arestas não visíveis F1 contornos não visíveis F2 arestasnão visíveis Traço e ponto estreita Traço e ponto estreira, larga nas extremidades e na mudança de direção. G1 linhas de centro G2 linhas de simetrias G3 arestas não visíveis H1 planos de cortes Traço e ponto larga J1 indicação das linhas ou superfícies com indicação especial Traço dois pontos estreita K1 contornos peças adjacentes K2 posição limites de peças móveis K3 linhas de centro de gravidade K4 cantos antes da conformação (ver Fig. 1) K5 detalhes situados antes do plano de corte (ver Fig. 1e) MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 5 LINHAS 35 Exemplo : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 5 LINHAS 36 Aplicação Geral : FIGURA 1 Ordem de prioridade de linhas coincidentes Se ocorrer coincidência de duas ou mais linhas de diferentes tipos, devem ser observados os seguintes aspectos, em ordem de prioridade (ver Figura 2): 1) arestas e contornos visíveis (linha contínua larga, tipo de linha A); 2) arestas e contornos não visíveis (linha contínua larga, tipo de linha E ou F); 3) superfícies de cortes e seções (traço e ponto estreita, larga nas extremidades e na mudança de direção; tipo de linha H) 4) linhas de centro (traço e ponto estreita, tipo de linha G); 5) linhas de centro de gravidade (traço e dois pontos, tipo de linha K); 6) linhas de cota e auxiliar (linha contínua estreita, tipo de linha B) FIGURA 2 MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 5 LINHAS 37 Terminação das Linhas de Chamada : As linhas de chamadas devem terminar a) sem símbolo, se elas conduzem a uma linha de cota (Figura 3); b) com um ponto, se termina dentro do objeto representado (Figura 4) c) com uma seta, se ela conduz e/ou contorna a aresta do objeto representado (Figura 5) MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 5 LINHAS 38 PERSPECTIVA EXPLODIDA Como a finalidade da perspectiva isométrica é permitir uma percepção mais fácil da forma do objeto ou peça, nos casos de representação de conjuntos de dispositivos a perspectiva pode apresentar-se na forma de PERSPECTIVA EXPLODIDA conforme os exemplos: Exemplos : Figura 1 - Partes internas de um conversor de torque MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 6 PERSPECTIVA EXPLODIDA 39 Figura 2 - Carcaça e Conversor Figura 3 - Embreagem lateral MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 6 PERSPECTIVA EXPLODIDA 40 DESENHO EM CORTE Corte Significa divisão, separação. Em desenho técnico, o corte de uma peça é sempre imaginário. Ele permite ver as partes internas da peça. Hachuras Na posição em corte, a superfície imaginada cortada é preenchida com hachuras. Elas são linhas estreitas que, além de representarem a superfície imaginada cortada, mostram também os tipos de materiais. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 41 Vista em corte Este é o principal meio de representação usado em desenho. A vista em corte, como próprio nome diz, é o desenho da peça cortada. O local por onde deverá passar este corte, dependerá dos detalhes que se quer mostrar. Você conseguiu identificar a peça tal como ela é na realidade? Se conseguiu, é porque você já a conhecia antes de ver corte, pois ela está representada de maneira errada. Veja porque: Esta peça ao lado foi desenhada em perspectiva, o que nem sempre é suficiente para mostrar como ela se apresenta na realidade. Veja como ela se apresenta vista de frente na figura do lado direito. Quando executamos um corte nesta peça, outro detalhe da mesma, é apresentado, ou seja, existe um furo em sua parte central que não apareceu na representação em perspectiva. Quando esta peça é cortada ao meio, ela se apresenta desta forma, mostrada na figura do lado direito Esta peça aqui apresentada é completamente diferente da anterior MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 42 No entanto, se a cortamos, conforme indicado pela figura acima, a representação do corte precisa ser diferente do anterior, a fim de tornar clara a identificação. Nota-se portanto, que deve existir alguma coisa errada neste sistema de representação, pois duas peças totalmente diferentes receberam representações idênticas de corte. Como o corte é feito para tornar mais fácil a compreensão do desenho, devendo mostrar a peça da melhor maneira possível, foi então criado o sistema de “hachuras” que agora lhe será mostrado. Com a utilização do sistema de hachuras, as peças anteriormente cortadas serão representadas diferentemente, que acabará com a confusão, facilitando sua compressão. As hachuras são linhas paralelas que cobrem só a área que foi atingida pelo corte. Utilizando hachuras para identificar as peças anteriores, você poderá ver como a representação passa a ficar diferente. Observe novamente os cortes hachurados, mostrados na página anterior: O corte da esquerda vem a ser a representação do disco com orifício central e o da direita representa a outra peça. A representação do corte acima ilustrado, se apresentará de forma idêntica à do corte da peça da página anterior. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 43 A fim de que você se acostume melhor com o conceito de hachuras, veja o desenho que se segue: Observe bem as hachuras. Tudo é feito para evitar que duas peças que estejam em contato tenham hachuras na mesma direção, a fim de tornar mais fácil a compreensão. Quando isto se torna impossível, usa-se desenhar as hachuras mais afastadas ou mais próximas, como aparece representado pela tampa e coletor 3P6812, cujas hachuras aparecem na mesma direção, porém com espaçamentos diferentes. Você também pode verificar hachuras em sentido contrário como entre a tampa 9M1164 e o coletor 3P6812. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 44 Aqui são apresentados vários tipos de cortes, onde as hachuras representam a parte da peça que foi atingida pelo corte. Veja se você consegue entender todos eles: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 45 MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 46 Agora a ordem será trocada, isto é, você verá primeiro o corte e depois a peça representada por este corte. Veja se consegue entender todos eles: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 47 Tipos de Corte : A fim de que você se familiarize com a nomenclatura utilizadapara indicar os cortes, seguem abaixo alguns conceitos básicos. Você deverá utilizar sempre estes nomes quando falar sobre cortes. Isto facilitará muito para que outras pessoas entendam melhor o que você está falando. Você poderá dizer que tipo de corte é este aqui representado? Quando você come uma banana, que corte você está executando na mesma? Evidentemente você a está cortando transversalmente. No entanto, quando você corta um pão para passar manteiga, você o está cortando longitudinalmente. Conclui-se portanto que os cortes longitudinais são aqueles feitos no sentido do comprimento da peça, enquanto os cortes transversais são feitos no sentido da largura. Corte Longitudinal Este tipo de corte aqui mostrado, é caracterizado pelo nome de corte longitudinal, ou seja, ele é efetuado no sentido da maior dimensão da peça, isto é no sentido do seu comprimento. Logicamente, este é um corte transversal. Corte Transversal Já este outro tipo de corte é conhecido pelo nome de corte transversal, e o que o caracteriza é que este feito no sentido perpendicular ao do corte longitudinal, isto é, no sentido da largura da peça. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 48 Para desenhar uma projeção em corte, é necessário indicar antes onde a peça será imaginada cortada. Essa indicação é feita por meio de setas e letras que mostram a posição do observador. Outras vezes é necessário cortar apenas uma parte de um desenho a fim de se esclarecer alguns detalhes. Veja este desenho: A fim de tornar mais fácil a identificação das sedes e guias de válvulas foi feito em corte parcial no cabeçote, no local indicado pela linha A_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ A Junto ao cabeçote foi então desenhado o corte, e abaixo deste corte foi escrito “Section A-A” ou seja “Corte A-A”. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 49 Corte Parcial É o corte usado quando é necessário mostrar apenas determinados detalhes internos na projeção. Para limitar a parte cortada, usa-se a linha de ruptura (sinuosa estreita). MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 50 Vejamos mais alguns exemplos de corte parcial : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 51 MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 52 Dois cortes na mesma vista: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 53 Corte Oblíquo Aqui vemos a aplicação de rotação de elementos oblíquos em corte em um atuador rotativo. Corte em Vista Única MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 54 Aplicação de corte, encurtamento e detalhe. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 7 DESENHO EM CORTE 55 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO Introdução Estes conceitos aqui apresentados, têm por finalidade familiarizá-lo com os sólidos geométricos, o que será bastante utilizado para descrição de forma de peças, principalmente neste guia de treinamento. Paralelismo Costuma-se dizer que alguma coisa é paralela à outra, quando ambas estão colocadas numa mesma direção. Como exemplo, tem-se as retas aqui representadas, que dão uma idéia exata do que é paralelismo: Este sólido aqui mostrado chama-se cone e portanto usa-se chamar de cônicos todos os objetos cuja forma se assemelha à forma deste corpo aqui mostrado. Já aqui você pode ver um cilindro, sendo que todos os objetos que possuem esta forma recebem o nome de objetos cilíndricos. A esfera aqui mostrada dá origem ao nome de forma esférica para aqueles objetos que possuem a forma aproximada à deste sólido. A fim de que você perceba mais claramente o que foi dito aqui, observe este lápis. Você pode ver que o mesmo possui um corpo cilíndrico, sendo que a extremidade da esquerda é cônica e a da direita é esférica. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 56 Como um exemplo prático de paralelismo, pode-se dizer que a tampa de uma mesa é paralela ao chão. Após a introdução destes conceitos básicos, lhe serão apresentadas características de apresentação dos componentes mais comumente encontrados nas ilustrações dos conjuntos mecânicos dos equipamentos da Caterpillar, principalmente no que diz respeito às máquinas de terraplenagem. Parafusos Nos desenhos em corte, os parafusos não são cortados, mesmo quando o corte passa por eles. Aqui lhe são apresentados diversos tipos de parafusos, porém, quando representados, eles se assemelham bastante. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO PADRÃO FENDADO FENDADO PRISIONEIRO OU ESTOJO PARAFUSOS DE AJUSTAGEM 57 Aqui aparece um detalhe de um governador de bomba injetora, no qual aparecem os parafusos de regulagem: O parafuso superior (1) é aparafusado à carcaça e fixado pela porca (2). Já o parafuso inferior (4) é fixado pela tampa (3) a qual é estriada, não permitindo que este parafuso gire após esta tampa (3) ter sido colocada. Para se ajustar o parafuso (1) basta afrouxar a porca (2) e utilizar uma chave de fenda introduzida no rasgo situado na cabeça deste parafuso. Já a ajustagem do parafuso (4) é feita com a utilização de uma chave de estria, ou então utilizando-se o furo estriado da tampa (3). Quantas representações de parafuso padrão você consegue identificar nesta válvula ? E na embreagem do volante da página seguinte? MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO RESP. = __________________________ 58 Porcas Em geral as porcas não são cortadas quando representadas em ilustrações de cortes de componentes mecânicos. Há diversos tipos de porcas, mas sua representação é praticamente a mesma. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO RESP. = ___________________________ 59 Neste eixo comando vemos 2 porcas fendadas 1B4442 com seus respectivos contrapinos. Neste turbo compressor podemos podemos ver a representação de porcas padrão e fendada. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 60 Do lado esquerdo da figura abaixo à uma porca grande e fina (L2341). Prendendo o rolamento de esfera à uma porca (3V2) também fina e especial para este fim. Já os parafusos que prendem a engrenagem ao eixo usam porcas grossas (2K337) e são autotravantes. Porcas borboletas são porcas para serem apertados com a mão.Têm asas superiores, que facilitam a colocação dos dedos. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 61 Você lembra o nome deste componente ? R = ____________________________ Você já identificou os parafusos existentes nele. Tente identificar agora as porcas. Arruelas Servem para proteger a peça que será apertada pela porca, servem para travar a porca, etc. Os dois tipos mais comuns de arruelas são acima mostrados. A da esquerda recebe o nome de arruela lisa, enquanto que a da direita recebe o nome de arruela de pressão. Veja os exemplos abaixo : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 62 Rebites São elementos para fixação permanentes entre duas ou mais peças. Logo abaixo vê-se a cinta do freio do D-6, mostrando os rebites que fixam as lonas de freio à cinta. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 63 Travas O próprio nome indica que são feitas para travar alguma coisa. Existem diversos tipos de travas. Na figura ao lado pode-se ver que as hélices do ventilador são fixadas por rebite à parte central. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO TIPO CHAPA ANEL TRAVA 64 Vamos ver exemplos de alguns tipos: No desenho que se segue, vê-se uma trava (2) fixando o pino do pistão (1) para que ele não corra longitudinalmente. As travas assinaladas no desenho abaixo são chapinhas que são dobradas sobre a porca e a base a que são apertados os parafusos. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 65 Pinos e Contra-pinos Os pinos são usados para servir de eixo a alguma peça, para guiar algum encaixe, para evitar que buchas e pistas de rolamentos girem em sua sede, etc. Já os contra pinos são utilizados para evitar que pinos saiam de suas sede, para travar porcas castelos etc. As duas peças da esquerda representam pinos (maciço e oco) enquanto a peça da direita mostra um dos tipos de contra pinos. As figuras representadas pelos números 15 e 13 são respectivamente um pino oco e um pino maciço. As travas (2A2378) da figura ao lado, além de ser dobrada contra a cabeça do parafuso é também dobrada sobre a placa (2A2377). MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 66 Aqui podemos ver a representação de contra pinos travando as porcas fendados na engrenagem do eixo comando. O pino Nº 4 que aparece na parte inferior desta bomba de engrenagens serve de guia para centragem correta da tampa e do corpo da bomba. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 67 Chavetas As chavetas são usadas para evitar que certas peças como engrenagens, polias etc., girem com rotação diferente de seus eixos. Elas travam estas peças ao eixo. Na extremidade esquerda do eixo do alternador tem-se uma bucha presa ao eixo por uma chaveta. Note que a chaveta apenas impede que a bucha gire deslizando sobre o eixo. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 68 As duas chavetas que vemos em tracejado na figura abaixo têm o formato de uma meia-lua. Elas fixam as engrenagens ao eixo. A chaveta (1B8735) que você vê no eixo desta bomba de óleo está desenhada vista por cima, mas é idêntica às outras. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 69 Anéis São aros circulares de metal usado para diversos fins, tais como: Travamento, elementos de vedação, etc. No corte do pistão do desenho abaixo, pode-se ver dois anéis : o de cima é um anel de compressão e o de baixo é um anel de óleo ou raspador. No eixo do comando final mostrado ao lado pode-se ver a chaveta que aparece representada na parte superior direita do eixo maior Nº 17 MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 70 Outros tipos de anel podem ser vistos no conversor de torque representado abaixo. Nas pistas internas e externa do rolamento nº 11 podemos ver os anéis 10 e 14 que evitam que as pistas caminhem para fora de seus alojamentos. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 71 Buchas Normalmente chamamos bucha a um anel de material anti-fricção, que adaptamos a um oríficio por onde passará um eixo. Servem para evitar desgaste de uma peça. Elas podem ser trocadas quando se desgastam. Nesta bomba de óleo ao lado são mostradas diversas buchas embuchando as extremidades dos eixos. As buchas destas bomba, além de servirem de mancal para os eixos, ainda têm a função de vedar perfeitamente o óleo que é impulsionado pelas engrenagens. A figura ao lado mostra um rolete em corte onde duas buchas são mostradas. Uma é cilíndrica (1F2436) e a outra é cilíndrica e flangeada numa das extremidades (1F 2437). MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 1F2436 1F2437 72 Pinos Graxeiros São pinos rosqueados externamente com uma peça. São adaptados em peças que necessitam de lubrificação por graxa. Em sua cabeça tipo meia esfera é adaptada a bomba de graxa que a injeta através da válvula até o ponto que requer a lubrificação. Na figura ao lado, o eixo cardan contém dois pinos graxeiros com representações diferentes. Estes pinos dão acesso para que a graxa possa atingir os rolamentos das cruzetas. Nos rolamentos do desenho ao lado a graxa segue por intermédio do pino graxeiro (2) dentro do eixo canal não mostrado do cubo do ventilador. Entre os dois rolamentos há um furo transversal no eixo, (não mostrado) por onde a graxa nova entra. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO Pinos Graxeiros 73 Engrenagens Servem para transmitir força de um eixo para outro, aumentar ou diminuir sua rotação, inverter o sentido de rotação, etc. Há diverso tipos de engrenagens tais como : cônicas, cilíndricas, etc. Na bomba de transferência de combustível abaixo, do lado direito, você pode ver desenhada uma engrenagem em corte, presa ao eixo por uma chaveta e uma porca. Ainda pode ver as duas engrenagens cortadas no centro da bomba responsáveis pela sucção e envio de óleo ao sistema. Note que na representação de um corte de uma engrenagem, nunca são cortados seus dentes. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 74 Abaixo, na ilustração de uma bombad’água, vê-se a engrenagem que tocará a bomba. Ela está guiada e aparafusada ao eixo e será impulsionada por outra engrenagem que aqui não aparece ilustrada. No desenho abaixo, você pode observar que se trata de um conjunto coroa- pinhão representado em corte. Observe que os dentes nunca são cortados. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 75 Podemos ver aqui a representação de uma coroa cortada (Nº 8) da embreagem lateral (Fig. 1) e um pinhão não cortado (Nº 4) na transmissão direita (Fig. 2). Rolamentos Os rolamentos são usados em mancais de eixos que girem a altas velocidades ou que exijam pouco desgaste e mantenham as folgas dentro de limites bem menores que os admissíveis para os mancais de buchas. A ilustração ao lado indica os tipos de força que atuam sobre um rolamento. O esforço feito pela força F1 é chamado de esforço radial (na direção do raio) e o esforço feito pela força F2 é chamado de esforço axial (na direção do eixo). MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 76 Existem diversos tipos de rolamento : 1) Rolamentos fixos de uma e duas carreira de esferas : É um rolamento que resiste a esforços tanto radiais quanto axiais . Note que na representação ou corte as esferas não são cortadas e as hachuras da pista externa devem estar num sentido inverso ao das hachuras da pista interna como aqui pode ser observado. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 77 2) Rolamento auto-compensador de esferas e rolos: É um rolamento para grandes esforços radiais e pequenos axiais, sendo usado para compensar pequenso empenos do eixo, pois as pistas podem se deslocar compensando pequenas diferenças de alinhamento. Este rolamento auto compensador de esferas da figura abaixo está sendo usado numa bomba de óleo. Note que a pista externa é esférica. 3) Rolamentos de rolos cilindricos : São rolamentos para grandes esforços radiais e nenhum esforço axial. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 78 No desenho abaixo, vê-se os rolamentos de rolos cilíndricos que suportam apenas os esforços radiais. Rolamento de rolos cônicos : Suportam grandes cargas axiais e pequenas radiais. Na figura abaixo, os dois rolamentos da esquerda são de rolos cônicos. Observe que cada um está montado num sentido. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 79 5) Rolamentos de agulhas : São rolamentos que suportam grandes cargas radiais (alta velocidades) e têm um desgaste muito pequeno pois têm uma área de contato bem maior com as pistas. Os rolamentos das engrenagens planetárias da figura abaixo são de agulhas. O número 21 representa um deles, você consegue identificar os outros?. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 80 6) Rolamento de contato angular : Tem a finalidade de suportar pequenas cargas radiais e grandes cargas axiais O rolamento abaixo ilustrado demostrava como é feito o trabalho entre pista e esfera para suportar um esforço axial. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 81 Retentores São elementos encarregados de impedir vazamentos em torno de eixos ou barras que se movam em recipientes que contenham óleo, graxas ou outros líquidos. Observe os retentores desta bomba de transferência de combustível (Figura 1). Eles fazem vedação em torno do eixo, evitando que o óleo do motor se misture com o óleo diesel e vice-versa. No rolete superior (Figura 2) podemos observar o retentor tipo Duo Cone evitando que o óleo do interior do rolete saia. Lembramos que neste tipo de retentor sempre um cone fica fixo e o outro girando. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO Tipo Lábio Tipo Duo Cone Figura - 1 Figura - 2 82 Eixos São elementos encarregados de transmitir potência. Na sua representação em desenho, não são cortados longitudinalmente exceto em alguns casos de cortes parciais para mostrar alguns detalhes. Abaixo são mostrados diversos tipos de eixos. O desenho abaixo mostra um eixo de manivela ou virabrequim. Nele aparecem as bronzinas ou casquilhos dos mancais fixos (3S 9730). É cortado transversalmente, pois não foi necessário representá-lo inteiro, para mostrar todos os detalhes necessários. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 83 Aqui você tem um eixo de cames ou excêntricos (19). Note que o mesmo foi cortado, tendo sido representado integralmente. Neste corte de uma transmissão todos os elementos foram cortados, exceto os eixos. Neles você pode ver as estrias onde se encaixam engrenagens. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 84 Anéis de Borracha A função dos anéis de borracha é a mesma dos retentores, ou seja, vedar : Você consegue colorir os anéis que fazem a vedação entre o corpo e tampa desta bomba de engrenagem? Eles foram cortados mas não hachurados. Molas São elementos usados para dar retorno a uma peça, exercer determinada força contra alguma coisa, etc. Abaixo são mostrados alguns dos muitos tipos de molas existentes. Tração Compressão Torção MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 85 Antes de estudar os diversos tipos de molas, você deverá ter uma noção dos diversos tipos de esforços que podem ser aplicados normalmente. Tipos de Molas - Molas helicoidais - Molas de lâmina 1) Molas Helicoidais : - Mola de torção São molas projetadas para esforços torsionais como aquela utilizada num pregador de roupa. - Mola de tração : Tracionar é puxar, logo, mola de tração é aquela usada para puxar alguma coisa. Você já viu as molas que esticam a lona das camas de armar ? Elas são molas de tração. Aqui vemos uma mola de tração. Ela puxa o conjunto para trás todas as vezes que ele é solto em outra posição. Note que a mola de tração está sem carga e quando isto ocorre, as espirais de arame ficam juntas sem espaço entre elas, Tração (na corda) Compressão (no armário) Torção (na roupa) Flexão (no trampulim) MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO86 - Mola de compressão : São molas que funcionam comprimidas. A mola do seu isqueiro funciona comprimida entre a pedra e o parafuso que a prende. Molas de Lâminas : Como o nome diz, são lâminas que atuam como molas. Um exemplo de mola de lâmina é aquele dos feixes de molas de caminhão. As molas de lâmina atuam por flexão. O desenho abaixo mostra o feixe de molas de lâminas de uma máquina de terraplenagem apoiadas nas extremidades e com carga no meio. Neste desenho você pode ver molas que trabalham comprimidas. As molas foram cortadas para mostrar alguns detalhes. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 87 Juntas São elementos usados para vedar o acoplamento de duas peças, impedindo entrada ou saída de qualquer material. Há juntas de diverso materiais: papel, cortiça, cobre, amianto, etc. As tampas do lado esquerdo do desenho abaixo estão separadas do conjunto por juntas que são representadas por duas linhas paralelas bem próximas. Polias e Correias Polias são rodas especiais para correias e cabos. Correias são elementos usados para transmitir potência a uma máquina ou acessório. De acordo com os diâmetros das polias, pode-se variar a rotação do eixo impulsionado. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 88 A polia no desenho abaixo tem sua parte superior e inferior cortadas para mostrar a parte inferior da bomba d’água. Os rasgos mostram o corte onde se assentam as correias “v”. Esta polia gira o eixo da bomba d’água ilustrada. Aqui você tem um corte de uma polia para correia em “V”. Conicidade A palavra conicidade lembra algo semelhante a um cone. Este sistema de fixação é utilizado a fim de evitar qualquer deslocamento axial da peça que está fixada desta maneira. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 89 A fim de tornar esta fixação mais efetiva, utilizam-se de diversos métodos: 1) Chavetas, pinos e estrias que evitam que o eixo gire sem arrastar a peça consigo. 2) Prensagem para que a peça se prenda ao eixo. 3) Parafuso com arruela que aperta a peça de encontro ao eixo, etc. Na figura abaixo, você poderá observar que o eixo da corôa possui uma extremidade cônica onde aparece uma peça fixada ao mesmo através de um parafuso de fixação. Válvulas As válvulas são dispositivos que abrem e fecham temporariamente uma passagem. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 90 Existem muitos tipos de válvulas e de muitas finalidades. Vejam algumas : Aqui podemos ver o exemplo de uma válvula carretel da válvula de prioridade da transmissão. Aqui você pode ver uma válvula do motor de 951, guia, mola, sede e seu prato. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 91 Juntas esféricas No desenho abaixo, a junta esférica que une a alavanca da direita com a haste (4B 3561) é uma junta esférica (1B 1750). Ela é constituída de um pino com uma esfera na ponta e presa na alavanca, o qual se aloja em um cilindro com um furo esférico. São tipos de conexão que permitem movimentos em diversas direções. Folgas Quando você vai montar ou regular um conjunto, tem que observar algumas folgas e ajustes a fim de que o serviço seja bem realizado. A maneira de representá-los em desenho é muito simples, como você pode ver abaixo. Na figura ao lado você pode ver o nº 1 com uma seta apontando para o parafuso. Nas literatura que deve acompanhar este desenho você poderá encontrar o torque que deverá dar a este parafuso. O parafuso 2 também deverá ter seu torque procurado na literatura. O nº 3 indica a maior medida permitida de empenamento do flange da direita e da esquerda. Todos esses dados são facilmente localizados na literatura que acompanha o desenho. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 92 Tubos e mangueiras Sua representação é muito simples, bastando olhar o desenho e saber o que ele diz. Em geral elas não são representadas em corte, a não ser que se queira mostrar algum detalhes interno. Embreagem É um dispositivo que permite a execução de acoplamento suave entre dois componentes que estejam girando a velocidade diferentes. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 93 A embreagem da extremidade direita do desenho abaixo vem a ser uma embreagem de direção de uma máquina de esteiras. Os números 14 e 15 representam respectivamente discos de embreagem e discos de aço. O conjunto destes discos com seus respectivos alojamentos recebem o nome de embreagem. Elementos filtrantes Como o próprio nome diz, são elementos encarregados de filtragem de alguma coisa. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 94 No desenho abaixo você pode ver um conjunto de filtragem de ar. Na parte superior do desenho, aparece um pré- purificador de ar. Na parte inferior, você pode ver o alojamento dos elementos filtrantes, onde aparece o elemento primário (7) e o elemento secundário ou segurança (8). Veja agora um filtro de óleo da mesma máquina. Dentro dos alojamentos vão os elementos filtrantes (5S 484), como se pode ver no corte parcial à direita. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 95 Na figura abaixo aparece ilustrado pré-filtro de combustível. No corte parcial, você pode ver o elemento filtrante (22). v MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 8 CARACTERÍSTICAS DE REPRESENTAÇÃO 96 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO Vamos através desse módulo, utilizando os conceitos reunidos dos módulos anteriores, identificar peças e componentes associando vista em corte, vista explodida e na prática. Abaixo podemos ver a representação de uma bomba hidráulica de palhetas de um D4E. Em forma de exercício associe os componentes da vista explodida com os da vista em corte: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 97 Abaixo podemos ver a representação de um diferencial da 950F. Em forma de exercício associe os componentes da vista explodida com os da vista em corte: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 98 Abaixo podemos ver a representação de uma caixa de transferência de uma 950F. Em forma de exercício associe os componentes da vista explodida com os da vista em corte:MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 99 Abaixo podemos ver a representação de um conversor de torque da 950F. Em forma de exercício associe os componentes da vista explodida com os da vista em corte: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 100 Abaixo podemos ver a representação de uma transmissão Power Shitf da 950F. Em forma de exercício associe os componentes da vista explodida com os da vista em corte: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 101 MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 102 Continue o exercício : MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 103 MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 104 A partir de agora use as três folhas de exercícios que segue para testar seu conhecimento usando esta transmissão de um D6D: Exercício 1 - Colorir todas as engrenagens: MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 105 Exercício 2 - Colorir todos os suportes das planetárias. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO 106 Exercício 3 - 1) Quantos rolamentos simples de uma carreira de esferas são mostrados ? R= ______________________ 2) Quantos rolamentos de agulha são mostrados ? R= ______________________ 3) Encontrar, circular e identificar no desenho : Anéis trava, anéis de vedação e pinos-trava. 4) Colorir os eixos mostrados no desenho. MÓDULO I - DESENHO TÉCNICO SEÇÃO 9 PRÁTICAS DE INTERPRETAÇÃO