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DIREITO PENAL CONSTITUCIONAL  CRIMES EM ESPÉCIE

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lado, no caso do consentimento ser posterior à ofensa, será 
caracterizado o perdão, lembrando que, para sua validade, deve ser aceito pela 
outra parte, dada a bilateralidade do ato. 
 
A pessoa jurídica como sujeito passivo dos delitos contra a honra 
A questão é controvertida e possui, como elemento disparador, o disposto na 
Constituição da República, Artigo 225, § 3º, e Artigo 173, § 5º, in verbis: 
 
Artigo 225 
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e 
futuras gerações. 
(...) 
§ 3º – As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente 
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e 
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos 
causados. 
 
Artigo 173 
Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de 
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos 
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme 
definidos em lei. 
(...) 
§ 5º – A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da 
pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições 
compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e 
financeira e contra a economia popular. 
 
 
 
Observações a partir da interpretação do disposto 
A partir da interpretação do disposto nos dispositivos constitucionais citados, 
são cabíveis algumas observações: 
 
 A responsabilidade pessoal dos dirigentes não se confunde com a 
responsabilidade da pessoa jurídica. 
 
 O Superior Tribunal de Justiça, em Verbete Sumular, estabelece que a 
pessoa jurídica pode sofrer dano moral, o que significa dizer que 
reconhece a existência de reputação para pessoa jurídica (Verbete de 
Súmula nº 227). 
 
 A doutrina tem se manifestado pela impossibilidade da pessoa jurídica 
ser sujeito passivo do delito de calúnia, sob o argumento de que ela não 
possa figurar como sujeito ativo de delito sob a ótica da teoria finalista 
da ação. 
 
Decisão proferida em sede de Recurso Especial 
Sobre o tema, assevera Cezar Roberto Bitencourt que a Constituição não dotou 
a pessoa jurídica de responsabilidade penal. Ao contrário, condicionou a sua 
responsabilidade à aplicação de sanções compatíveis com a sua natureza. (op. 
cit. p. 274-275). 
 
Menores e incapazes como sujeitos passivos dos delitos contra a 
honra 
No que concerne à possibilidade de menores e incapazes figurarem como 
sujeitos passivos dos delitos contra a honra, a questão mostra-se um pouco 
menos controvertida, sendo necessário, entretanto, identificar que, em face do 
direito à dignidade e ao respeito, desde que tenham capacidade de 
discernimento para se sentirem ofendidos, é plenamente possível a 
caracterização dos delitos de difamação e injúria. 
 
 
Cabe ressaltar que o consentimento feito pelo responsável é juridicamente 
ineficaz para fins de exclusão de responsabilidade penal do ofensor. Por fim, 
não há que se falar do delito de calúnia em face da impossibilidade da prática 
de crime por ausência de um de seus elementos – a culpabilidade. 
 
No sentido da possibilidade dos inimputáveis figurarem como sujeitos passivos 
no delito de injúria, esclarece Luiz Regis Prado ser a caracterização do delito 
“condicionada à sua possibilidade de percepção do caráter ultrajante da palavra 
ou gesto que lhe é endereçado, avaliada segundo o caso concreto”. (PRADO, 
2010, p. 210). 
 
Ofensas perpetradas no mesmo contexto fático 
No caso de ofensas praticadas no mesmo contexto fático, para que possamos 
identificar a ocorrência de concurso de crimes ou conflito aparente de normas, 
é necessário, inicialmente, identificar a espécie de honra lesionada. 
 
Nesse diapasão, o melhor entendimento é no sentido de que, caso as condutas 
ofensivas lesionem espécies de honra distintas, por exemplo, calúnia e injúria 
ou difamação e injúria, será possível o concurso de crimes. 
 
Por outro lado, conforme Cunha (2009, p. 81), caso condutas ofensivas 
lesionem o mesmo bem jurídico, por exemplo, calúnia e difamação, 
caracterizar-se-á conflito aparente de normas a ser solucionado pelo princípio 
da absorção. 
 
Semelhanças e dessemelhanças entre os delitos de calúnia, 
difamação e injúria 
Na calúnia e na difamação, há a imputação de um fato concreto, que, na 
primeira, deve ser falso e tipificado como crime (não se aplica à contravenção 
penal), não exigidos na difamação. Ambos lesionam a honra objetiva. 
 
 
Na injúria, por sua vez, há lesão à honra subjetiva ao serem atribuídas à vítima 
qualidades negativas à sua dignidade ou decoro. 
 
 Calúnia 
Artigo 138 – caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como 
crime. 
Pena – detenção (de seis meses a dois anos) e multa. 
 
 Difamação 
Artigo 139 – difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação. 
Pena – detenção (de três meses a um ano) e multa. 
 
 Injúria 
Artigo 140 – injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro. 
Pena – detenção (de um a seis meses) ou multa. 
 
Exceção da verdade nos crimes contra a honra 
A exceção da verdade caracteriza-se como incidente processual ou forma de 
defesa indireta, que deve ser oposta no momento da resposta preliminar 
obrigatória prevista no Artigo 396-A do Código de Processo Penal, in verbis: 
 
Artigo 396-A – na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo 
o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar 
as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua 
intimação, quando necessário. 
 
Conceito 
Luiz Regis Prado a define como a “demonstração pelo acusado da verdade do 
fato ofensivo imputado” (PRADO, op. cit. p. 205). Em outros termos, é a 
oportunidade na qual o acusado do delito de calúnia ou, excepcionalmente, no 
 
 
caso de difamação contra a honra de funcionário público no exercício de suas 
funções, pode provar que não proferiu ofensa e, sim, falou a verdade. 
 
Admissibilidade 
A admissibilidade da prova da verdade é prevista no Artigo 138, § 3º e Artigo 
139, parágrafo único, do Código Penal, in verbis: 
Artigo 138 – Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como 
crime: 
(...)§ 3º – Admite-se a prova da verdade, salvo: 
I – se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi 
condenado por sentença irrecorrível; 
II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do Artigo 
141; 
III – se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido 
por sentença irrecorrível. 
Artigo 139 – Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: 
Parágrafo único – A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é 
funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. 
 
Consequências 
Por fim, em relação ao instituto da exceção da verdade, relevante observar 
que, consoante à espécie de delito no qual tenha sido arguida e admitida, as 
consequências serão distintas. Se o delito praticado for o de calúnia, 
configurará causa excludente de tipicidade, uma vez que é elementar do crime 
de calúnia o fato ser considerado falso; no delito de difamação, causa 
excludente de ilicitude. 
 
Veja algumas questões relevantes sobre o tema: 
 
1.1. Ação Penal nos crimes contra a honra 
Em regra, a ação penal é deflagrada por iniciativa do ofendido, que

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