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1 BIOSSÍNTESE DE CARBOIDRATOS Raúl René Valle, PhD Rotas metabólicas de síntese – anabólicas – geralmente são reduti- vas e não oxidativas. Contudo, tanto catabolismo como anabolismo ocorre simultanea- mente em equilíbrio dinâmico de tal forma que a energia produzi- da é utilizada por processos biossintéticos. Organização do catabolismo e anabolismo Compostos são sintetizados ou degradados por rotas metabó- licas diferentes que se regulam ou inibem reciprocamente. Podem ter reações em comum, porém uma reação única à rota que não permite a reversibilidade. Os processos anabólicos e catabólicos são controlados por uma ou mais reações específicas para essa rota. Geralmente um processo biossintético é regulado no ini- cio por uma reação exergônica (economia). A energia requerida por um processo biossintético é acoplada à quebra de ATP de tal maneira que o processo é essencial- mente irreversível in vivo. A G’o total [(ATP e NAD(P)H] utilizada numa rota bi- ossintética sempre excede a quantidade mínima requeri- da para fazer um precursor num produto (-). Gliconeogênese (Formação de um açúcar novo). É a formação de glicose utilizando precursores que não são carboidratos; Ocorre em animais, plantas, bactérias e fungos. As reações são es- sencialmente as mesmas em cada caso; A formação de glicose é uma necessidade fundamental nos mamais devido a que o cérebro, o sistema nervoso, eritrócitos, testes, me- dula renal e tecido embriônico a utilizam como a maior ou única fonte de energia; O cérebro humano utiliza cerca de 120 g de glicose cada dia. Em animais superiores ocorre essencialmente no fígado e, em me- nor proporção, na medula renal. 2 Os precursores da glicose em animais são lactato, piruvato, glice- rol e alguns aminoácidos. A glicose formada é distribuída através do sangue Glicose para o sangue Outros monossacarídeos Dissacarídeos Glicoproteínas Glicogênio Amido Sacarose Energia Aminoácidos gliconeogênicos Ciclo do ácido cítrico Fixação de CO2 Glicose 6-fosfato Fosfoenolpiruvato 3-Fosfoglicerato Triacilgliceróis Glicerol Piruvato Lactato Animais Plantas 3 Terceiro desvio Segundo desvio Primeiro desvio Rota da Gliconeogênese Rota da Glicólise Piruvato carboxilase Malato desidrogenase Malato desidrogenase Fosfoenolpiruvato carboxiquinase Frutose 1,6-bisfosfatase Piruvato quinase Fosfofrutoquinase-1 Hexoquinase Glicose 6-fosfatase Glicogênio Alanina 4 A conversão de piruvato a glicose é central na gluconeogênese a con- versão de glicose a piruvato é central à glicólise; Em animais, ambas as rotas metabólicas ocorrem no citossol ha- vendo uma regulação coordenada; Três reações da glicólise são irreversíveis in vivo e não são usadas na gluconeogênese; A conversão de glicose a glicose 6-P (hexoquinase); A fosforilação de frutose 6-P para frutose 1,6-biP (fosfofruto- cinase-1); A conversão de fosfoenolpiruvato a piruvato (piruvato cinase); Estas reações são caracterizadas por uma grande quantidade de G’ o negativa, enquanto em outras reações glicolítica a G’ o 0. Na gluconeogênese estas três reações são desviadas por um con- junto separado de enzimas catalisando reações que são suficien- temente exergônicas para ser efetivamente irreversíveis na direção da síntese de glicose. Portanto, ambos os processos são irreversíveis na célula. A gliconeogênese é cara 2 Piruvatos + 4ATP + 2GTP + 2NADH + 4H2O Glicose + 4ADP + 2GDP + 6Pi + 2NAD + 2H + Mais cara que a glicólise Glicose + 2ADP + 2Pi + 2NAD + 2 piruvatos + 2ATP + 2NADH + 2H+ + 2H2O Muitas plantas armazenam gorduras e proteínas nas sementes pa- ra serem usadas como fonte de energia e precursores biossintéticos antes que os mecanismos fotossintéticos providenciem ambos. Em sementes germinando, a gliconeogênese converte gorduras e proteínas em glicose para a síntese de sacarose outros polissacarí- deos. Nas plântulas a sacarose proporciona grande parte da energia pa- ra o crescimento inicial. As plantas (ao contrario dos animais) podem converter acetil-CoA derivado de gorduras em glicose com o concurso de enzimas no glioxissomo, mitocôndria e citossol. 5 Oxaloacetato Mitocôndria Sacarose Citossol Glioxissomo oxidação Gluconeogênese Ácidos graxos Acetil-CoA Ciclo do Glioxilato Citrato Isocitrato Succinato Oxaloacetato Malato Glioxilato Acetil-CoA Succinato Fumarato Malato Isocitrato Citrato Succinil-CoA -Cetoglutarato Oxaloacetato Fosfoenolpiruvato Frutose 6-fosfato Glicose 6-fosfato Ciclo de Krebs Oxaloacetato 6 Biossíntese de glicogênio, amido, sacarose e outros carboidratos. Numa grande variedade de organismos o excesso de glicose é con- vertido a formas poliméricas para armazenamento e em dissaca- rídeos para transporte A forma principal de armazenamento em vertebrados é o glicogê- nio e em plantas o amido A forma de transporte em vertebrados é glicose, em plantas é sa- carose e em insetos trealose. Triacilglicerol Acetil-CoA Dihidroxiace- tona fosfato Glicerol 3-fosfato desidrogenase Glicerol quinase Glicerol 3-fosfato Glicerol Lipase -oxidação Ácidos Graxos 7 Muitas das reações em que as hexoses são transformadas ou poli- merizadas envolvem açucares nucleotídeos Estes são compostos em que o carbono anomérico de um açúcar é ativado pela união com um nucleotídeo através de uma ligação fosfodiester Açucares nucleotídeos são os substratos para a polimerização de monossacarídeos em dissacarídeos, glicogênio, amido, celulose, etc. Biossíntese de glicogênio O passo inicial para a formação de glicogênio é glicose 6-fosfato que pode ser derivada de glicose livre numa reação catalisada por glucoquinase (fígado) ou hexoquinase (músculo) D-Glicose+ ATP D-glicose 6-fosfato + ADP Para iniciar a formação de glicogênio a D-Glicose 6-fosfato é con- vertida a D-Glicose 1-fosfato pela ação de fosfoglucomutase D-Glicose 6-fosfato D-glicose 1-fosfato A formação de UDP glicose pela ação de UDP-glicose pirofosfori- lase é uma reação chave D-Glicose 1-fosfato + UTP UDP-glicose + PPi UDP-Glicose Uridina Grupo D-glicosil 8 UDP-glicose é o doador de glicose na reação catalisada pela glico- gênio sintase para o terminal não redutor de uma molécula de gli- cogênio em crescimento. Glicogênio sintase não faz a ligação (16). Esta ligação é feita por uma (46) transferase ou (14) para (16) transglicosilase ramificando a cadeia de glicogênioTerminal não redutor Terminal não redutor Terminal não redutor (14) Ponto de ramifi- cação (16) Enzima de ramifica- ção do glicogênio Cadeia de glicogênio Cadeia de glicogênio Terminal não redu- tor da cadeia de glicogênio com n resíduos (n > 4) UDP-Glicose Terminal não redutor Cadeia de glicogênio em elongação n+1 resíduos Glicogênio sintase 9 Biossíntese de amido em plantas e glicogênio em bactéria Amido como glicogênio é um polímero de alto peso molecular de D-glicose numa ligação (14); Amido é sintetizado nos cloroplastos como um dos produtos finais e estáveis da fotossíntese; O mecanismo é similar ao do glicogênio. Um açúcar-nucleotídeo ativado, neste caso ADP-glicose é formado pela condensação de glicose 1-fosfato; Amido sintase transfere os resíduos de glicose da ADP-glicose pa- ra o terminal não redutor de uma molécula de amido em formação Amidon + glicose 1-fosfato + ATP Amidon+1 + ADP + 2Pi Amilase não é pouco ramificada. Amilopectina tem numerosas ramificações unidas numa ligação (16). Amido sintase Cadeia de amido em elongação com n + 1 resíduos ADP-glicose pirofosforilase Terminal não redutor da ca- deia de amido com n resíduos Terminal não redutor ADP-Glicose Glicose 1-fosfato 3-fosfoglicerato Amido sintase 10 Biossíntese de sacarose A maioria das trioses fosfatadas geradas pela fixação de CO2 em plantas é convertida em sacarose ou amido Sacarose é sintetizada no citossol começando com diidroacetona fosfato e gliceraldeído 3-fosfato exportados pelo cloroplasto Após a condensação para frutose 1,6-bisfosfato pela aldolase, hi- drolise pela frutose 1,6-bifosfatase produz frutose 6-fosfato. Sacarose 6-fosfato sintase pode então catalisar a reação Frutose 6-fosfato + UDP-glicose sacarose 6-fosfato + UDP Finalmente sacarose 6-fosfato fosfatase remove o grupo fosfato disponibilizando a sacarose para exportação a outros tecidos Sacarose 6-fosfato sacarose + Pi Sacarose 6-fosfato sintase Sacarose 6-fosfato fosfatase UDP-Glicose Frutose 6-fosfato Sacarose 6-fosfato Sacarose