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SAÚDE DO TRABALHADOR Aula 1: Relação entre conceito de saúde e trabalho Introdução A situação de saúde do trabalhador é quase sempre marcada por condições insalubres de trabalho, expressas nas altas taxas de acidentes no trabalho, intoxicação por agrotóxicos, adoecimento devido à exposição de agentes, físicos e químicos, pela organização do trabalho, entre outros. Neste contexto, de acordo com a 1ª Conferência Nacional de Saúde dos Trabalhadores (1986), o conceito de Saúde do Trabalhador não pode ser limitado apenas ao âmbito da fábrica, nem à sua formulação estritamente biológica. É necessário entender a saúde como determinada pelos processos sociais mais abrangentes, percebendo-a, portanto, como um conceito integral e dinâmico, levando- se em conta que é determinada simultaneamente pelas condições de vida e de trabalho. Nesta aula, vamos conceituar saúde e trabalho. Falaremos também da importância destes conceitos para a criação pelo Ministério da Saúde do conceito de saúde do trabalhador. A partir destes, teremos uma base mais sólida para a discussão das próximas aulas sobre as políticas de saúde e segurança voltadas para o trabalhador. Conceito de saúde Ao longo dos anos, o conceito de saúde vem modificando de acordo com o perfil da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceituou saúde como o bem-estar físico mental e social, e não meramente a ausência de doença. Porém, ainda nos dias de hoje este conceito vem sendo repensado, devido às novas necessidades da população, principalmente no que se refere ao trabalho. A partir de agora veremos os principais conceitos sobre trabalho e sua relação com a saúde! Direito de todos e dever do Estado Você sabe o que consta na Constituição Federal de 1988 sobre saúde? De acordo com o Art. 196, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A partir disso, alguns fatores são essenciais para a saúde e constam no Sistema Único de Saúde (SUS). Conheça-os a seguir! Fatores determinantes e condicionantes da saúde De acordo com a Lei nº 8080/90, que regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS), a saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros: Alimentação; Moradia; Meio ambiente; Trabalho; Renda; Saneamento Básico; Educação; Lazer; Acesso aos bens e serviços essenciais; Conceito de trabalho Trabalho: s.m. Atividade física ou intelectual que visa a algum objetivo; labor, ocupação. O produto dessa atividade; obra. Esforço, empenho. Fig. Preocupação, cuidado, aflição. Emprego: s.m. Ato ou efeito de empregar. Função, cargo, lugar: emprego público. Uso: emprego de uma palavra no sentido próprio. Aplicação: emprego conveniente do capital. Neste caso, o emprego é uma relação estável, podendo ser duradora ou não, onde se vende a força de trabalho aos meios de produção. O Trabalhador Embora seja importante compreender o conceito de trabalho e o de emprego em qualquer ocasião e época, não podemos esquecer também aquele que emprega sua força física ou intelectual neste processo: o trabalhador. Por trabalhador, Pinto (2003) entende como: “aquele que emprega sua energia pessoal, em proveito próprio ou alheio, visando a um resultado determinado, econômico ou não”. Entendendo que este trabalhador está inserido em um contexto social econômico, onde diversas situações, inclusive relacionadas ao trabalho, podem levar ao adoecimento, faz-se necessário uma atenção especial a este grupo. Quem são os trabalhadores Em sua opinião, quem é considerado trabalhador? Marque suas opções. Empregados assalariados Todas as opções citadas anteriormente são exemplos de trabalhadores! Trabalhadores são homens e mulheres que exercem atividades para sustento próprio e/ou de seus dependentes, qualquer que seja sua forma de inserção no mercado de trabalho, nos setores formais ou informais da economia. Trabalhadores agrícolas Trabalhadores são homens e mulheres que exercem atividades para sustento próprio e/ou de seus dependentes, qualquer que seja sua forma de inserção no mercado de trabalho, nos setores formais ou informais da economia. Trabalhadores domésticos Trabalhadores são homens e mulheres que exercem atividades para sustento próprio e/ou de seus dependentes, qualquer que seja sua forma de inserção no mercado de trabalho, nos setores formais ou informais da economia. Autônomos; Trabalhadores avulsos; Servidores públicos; Trabalhadores cooperativados e empregadores (proprietários de micro e pequenas unidades de produção) Ministério da saúde e a Saúde do Trabalhador Portanto, de acordo com o Ministério da Saúde (2001): A Saúde do Trabalhador constitui uma área da saúde pública que tem como objeto de estudo e intervenção as relações entre o trabalho e a saúde. Tem como objetivos a promoção e a proteção da saúde do trabalhador, por meio do desenvolvimento de ações de vigilância dos riscos presentes nos ambientes e condições de trabalho, dos agravos à saúde do trabalhador e a organização e prestação da assistência aos trabalhadores, compreendendo procedimentos de diagnóstico, tratamento e reabilitação de forma integrada, no SUS. Determinantes da saúde dos trabalhadores Ainda segundo o Ministério da Saúde (2001), são determinantes da saúde dos trabalhadores: Condicionantes sociais, econômicos, tecnológicos e organizacionais responsáveis pelas condições de vida. Fatores de risco ocupacionais – físicos, químicos, biológicos, mecânicos. Riscos decorrentes da organização do trabalho – presentes nos processos de trabalho. Por isso as ações de saúde dos trabalhadores têm como foco as mudanças nos processos de trabalho que contemplem as relações trabalho-saúde em toda a sua complexidade, através de uma atuação multiprofissional, interdisciplinar e intersetorial. Participação nas ações de saúde Entenda agora a dinâmica de uma ação de saúde. Os trabalhadores, individual e coletivamente nas organizações, são considerados sujeitos e participantes das ações de saúde, que incluem: Estudo Estudo das condições de trabalho. Identificação Identificação de mecanismos de intervenção técnica para sua melhoria e adequação. Controle Controle dos serviços de saúde prestados. Os conceitos abordados nesta aula são importantes para que possamos entender as políticas criadas sobre saúde e segurança do trabalho e a inserção dos profissionais da saúde neste contexto. De acordo com o Ministério da Saúde (2001), “a Saúde do Trabalhador constitui uma área da saúde pública que tem como objeto de estudo e intervenção as relações entre o trabalho e a saúde”. Neste contexto, cite os objetivos da Saúde do Trabalhador: Resposta: A Saúde do Trabalhador tem como objetivos a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores. Através destes objetivos, o Ministério da Saúde visa à redução dos agravos à saúde dos trabalhadores, como os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais. Aula 2: Evolução histórica da saúde do trabalhador Introdução Nesta aula, vamos abordar a evolução histórica dos conceitos da Medicina do Trabalho à Saúde do Trabalhador. Também falaremos sobre a Revolução Industrial e sua importância na criação do primeiro serviço médico do trabalho, além de sua influência no mundo corporativo. Primeiras referências sobre a associação entre saúde e trabalho Infelizmente, na literatura, poucos são os estudos com as primeiras referências sobre saúde associada ao trabalho. Pode-se considerar como primeiros teóricos: Hipócrates (460 – 370 a.C) Descreveu o quadro clínico da intoxicação por chumbo. Plínio (23 – 79 d.C) Após visitar alguns locais de trabalho (galerias de minas), descreve aspectos dos trabalhadores expostos ao chumbo, mercúrio e poeiras. Agrícola (1494-1555) Escreveu sobre a “asma dos mineiros”, conhecida hoje por silicose. Paracelso (1493-1541) Escreveusobre a intoxicação pelo mercúrio. Estudo do ambiente de trabalho Em 1700, Bernardino Ramazzini, conhecido como “Pai da Medicina do Trabalho”, publica a obra De morbis artificum distriba, onde descreveu doenças de aproximadamente 50 ocupações (Mendes, 1995). A partir das investigações de Ramazzini, o ambiente de trabalho passou a ser estudado a fim de introduzir modificações, visando proteger a integridade física do trabalhador. Dica De certa forma, este trabalho de Ramazzini foi um ponto de partida para a criação da medicina do trabalho, refletindo o momento histórico precursor da Revolução Industrial. Deve-se também a Ramazzini a inclusão da pergunta “Qual é a sua ocupação? ” na anamnese clínica. Revolução Industrial e os trabalhadores A Revolução Industrial foi uma mudança na forma de produção de mercadorias, que teve seu início em meados do século XVIII. Com origem na Inglaterra, revolucionou o modo de produção com o uso de máquinas a vapor e transformações no sistema de trabalho da época. Essa transformação foi um marco decisivo na história e sentimos suas consequências até os dias atuais (Mendes, 1995). Principais consequências da Revolução Industrial Como toda revolução, a Industrial também trouxe algumas consequências para a sociedade: Diminuição do trabalho artesanal e aumento da produção de mercadorias manufaturadas em máquinas; Criação de grandes empresas com a utilização em massa de trabalhadores assalariados; Aumento da produção de mercadorias em menos tempo; Maior concentração de renda nas mãos dos donos das indústrias; Avanços nos sistemas de transportes a vapor (principalmente ferroviário e marítimo); Desenvolvimento de novas máquinas e tecnologias voltadas para a produção de bens de consumo; Surgimento de sindicatos de trabalhadores, com objetivos de defender os interesses da classe trabalhadora; Aumento do êxodo rural (migração de pessoas do campo para as cidades), motivado pela criação de empregos nas indústrias; Aumento da poluição do ar, com a queima do carvão mineral para gerar energia para as máquinas; Crescimento desordenado das cidades, gerando problemas de submoradias; Aumento das doenças e acidentes de trabalhos, em função das péssimas condições de trabalho nas fábricas; Uso em grande quantidade de mão-de-obra infantil nas fábricas; Carga horária de trabalho que ultrapassavam 15 horas por dia. De uma forma geral, duas áreas foram diretamente impactadas: Condição de vida social e trabalho A Revolução Industrial (1760-1850) teve papel de destaque na mudança das condições de vida social e de trabalho. As condições de trabalho eram péssimas, as doenças e os acidentes eram numerosos, não havia limites na jornada de trabalho, ultrapassando 16 horas de trabalho por dia. O ambiente era fechado, e as máquinas não tinham qualquer proteção. Além disso, também havia disseminação de doenças infectocontagiosas. (MENDES). Classes sociais O novo sistema industrial criado a partir da Revolução Industrial também trouxe mudanças nas relações sociais, com a criação de duas novas classes sociais: Os empregadores, proprietários das fábricas e dos bens produzidos pelo trabalho; Os operários, que vendem aos empregadores sua força de trabalho em troca de salário. Principais consequências da Revolução Industrial De acordo com Mendes; Dias, 1991, o primeiro serviço médico surgiu industrial surgiu em 1830 da seguinte forma: Robert Dernham (proprietário de uma fábrica têxtil), preocupado com o fato de seus operários não disporem de nenhum cuidado médico a não ser aquele propiciado por instituições filantrópicas, procurou o Dr. Robert Baker, seu médico, pedindo que indicasse qual a maneira pela qual ele, como empresário, poderia resolver tal situação. Baker aconselha Dernham a contratar um médico de sua confiança, para que servisse de intermediário entre ele, os trabalhadores e o público em geral. Seu trabalho seria visitar todos os compartimentos das fábricas e verificar de que forma o trabalho estaria influenciando na saúde dos empregados. A resposta do empregador foi a contratação de Baker para trabalhar na sua fábrica, surgindo assim, em 1830, o primeiro serviço de Medicina do Trabalho. Características do primeiro Serviço Médico Industrial As principais características desse primeiro Serviço Médico Industrial, conforme Mendes e Dias (1991) eram: Os serviços deveriam ser dirigidos por pessoas de inteira confiança do empresário e que se dispusessem a defendê-lo; Eles deveriam ser centrados na figura do médico; A prevenção dos danos à saúde resultantes dos riscos do trabalho deveria ser tarefa eminentemente médica; A responsabilidade pela ocorrência dos problemas de saúde ficava transferida para o médico. Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional e Saúde do Trabalhador Por fim, vamos entender a diferença entre os conceitos de Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional e Saúde do Trabalhador? (De acordo com Mendes e Dias (1991) No campo da saúde, hoje trabalhamos com o modelo Saúde do Trabalhador, que tem características próprias e políticas que a embasam. Porém, antes da criação deste conceito, passamos pelos modelos Medicina do Trabalho e Saúde Ocupacional. Nesse contexto, cite uma característica do modelo Medicina do Trabalho (Serviço Médico Industrial), uma da Saúde Ocupacional e uma da Saúde do Trabalhador. RESPOSTA: Medicina do Trabalho: Deveriam ser serviços dirigidos por pessoas de inteira confiança do empresário e que se dispusessem a defendê-lo; Deveriam ser serviços centrados na figura do médico; A prevenção dos danos à saúde resultantes dos riscos do trabalho deveria ser tarefa eminentemente médica; A responsabilidade pela ocorrência dos problemas de saúde ficava transferida para o médico. Saúde Ocupacional O modelo mantém o referencial deste modelo firmado no mecanicismo; Não concretiza o apelo à interdisciplinaridade: as atividades apenas se justapõem de maneira desarticulada e são dificultadas pelas lutas corporativas; A capacitação de recursos humanos, a produção de conhecimento e de tecnologia de intervenção não acompanha o ritmo da transformação dos processos de trabalho; O modelo, apesar de enfocar a questão no coletivo de trabalhadores, continua a abordá-los como "objeto" das ações de saúde; A manutenção da saúde ocupacional ficava no âmbito do trabalho, em detrimento do setor da saúde. Saúde do Trabalhador Ganha corpo um novo pensar sobre o processo saúde-doença, e o papel exercido pelo trabalho na sua determinação; Há o desvelamento circunscrito, porém inquestionável, de um adoecer e morrer dos trabalhadores, caracterizado por verdadeiras "epidemias", tanto de doenças profissionais clássicas (Intoxicação por chumbo, mercúrio, benzeno e a silicose) quanto de "novas" doenças relacionadas ao trabalho, como a LER (lesões por esforços repetitivos), por exemplo; São denunciados as políticas públicas e o sistema de saúde, incapazes de dar respostas às necessidades de saúde da população, e dos trabalhadores, em especial; Surgem novas práticas sindicais em saúde, traduzidas em reivindicações de melhores condições de trabalho, através da ampliação do debate, circulação de informações. Aula 3: Evolução histórica da saúde do trabalhador no brasil Introdução Nesta aula, vamos começar revendo de que forma eram tratados os escravos no Brasil. Também vamos relembrar um pouco dos principais períodos políticos no Brasil no séc. XX e as mudanças políticas voltadas para o trabalhador. Falaremos do conceito de Saúde do Trabalhador na Constituição Federal (1988) e de que forma as políticas e programas voltados para os trabalhadores são garantidos e colocados em prática através do Sistema Único de Saúde. Oficialmente, a história da Saúde do Trabalhador no Brasil tem início no final do século XIX, já com os trabalhadores assalariados. Porém, não podemos nos esquecer dos escravos, que com sua força de trabalho colaboraram para a construção do nosso país. Entenda melhor a seguir!Escravidão no Brasil As primeiras tentativas de escravidão no Brasil iniciam-se com os índios que aqui viviam, no período do “descobrimento do Brasil”. Porém, estas tentativas não foram bem-sucedidas, uma vez que houve grandes reações dos grupos indígenas, que lutavam até a morte contra os colonizadores ou fugiam para regiões mais remotas. Diante das dificuldades encontradas na escravização dos indígenas, a solução encontrada pelos colonizadores foi buscar mão-de-obra em outro lugar: no continente africano. Embora ainda fosse possível encontrar índios escravizados, a escravidão no Brasil tem como referência a dos negros, devido ao seu maior número. Os colonizadores portugueses traziam os negros de suas colônias estabelecidas no continente africano, para utilizá-los como mão-de-obra compulsória nos engenhos. Serviços realizados pelos escravos: servir o senhor de engenho, derrubar árvores, queimar os troncos, limpar os terrenos, cortar a cana-de-açúcar, levar os feixes para a moenda (movidas por eles). Além disso, eles eram também responsáveis pelo transporte dos produtos até os portos, onde alguns tinham trabalho doméstico. Dormiam em senzalas, tinham uma má alimentação, péssimas condições sanitárias, além de serem castigados e torturados. Também era costume da época marcar os escravos com alguma “identificação do senhor”. Muitas foram as mudanças ocorridas na organização do trabalho após a abolição da escravatura. A evolução da saúde do trabalhador no Brasil A saúde do trabalhador passa a ter nova definição e delineamento institucional a partir da Constituição Federal de 1988, com a regulamentação do Sistema Único de Saúde (SUS). Vamos verificar como era a organização dos serviços de saúde que atendiam os trabalhadores antes do SUS. A história da saúde do trabalhador no Brasil se esbarra com a história da saúde da população em geral e com a evolução das Políticas Públicas da Saúde, Trabalho e Aposentadoria. Década de 1920 A história dos trabalhadores sempre foi marcada por altos índices de acidentes do trabalho e adoecimento. As questões voltadas para a saúde dos trabalhadores começam a ter uma atenção mais específica por volta da década de 1920, com a criação da Lei nº 4.682 de 24 de janeiro de 1923, de autoria do Deputado Eloy Chaves. Essa lei instituiu o sistema de Caixas de Aposentadorias e Pensão (CAPs), tendo objetivos previdenciários (aposentadorias, pensões, auxílios, entre outros) e assistência médica e farmacêutica aos empregados e dependentes. Devido ao seu “caráter previdenciário”, para alguns autores esta Lei é considerada o ponto de partida, no Brasil, da Previdência Social propriamente dita. Período de 1930-1945 Também conhecido como Era Vargas, esse período foi marcado por muitas mudanças na política e na economia do país. No governo Getúlio Vargas, houve a ascensão da industrialização, a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e leis sobre acidentes de trabalho. Com a criação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, as empresas passam a constituir seus próprios “serviços médicos”. É criada ainda a regulamentação da jornada de trabalho, a Lei de Sindicalização e o Ministério do Trabalho. Período de 1964-1985 Período marcado pela Ditadura Militar, que resultou do golpe dado pelos militares em 1964, com o afastamento do presidente João Goulart, tendo como sucessor o Marechal Castelo Branco. As principais características desse período foram: Proibição aos reajustes salariais. Uso de métodos violentos contra os opositores ao regime. Censura aos meios de comunicação. Repressão aos movimentos sociais e manifestações de oposição. Cassação de direitos políticos de opositores Aumento do número de acidentes de trabalho. Proibição de greves. Perda da autonomia pelos sindicatos. Criação do Instituto de Previdência Social (INPS). DICA O período entre 1969 e 1973 também ficou conhecido como o “Milagre Econômico”, devido ao forte crescimento da economia com altos investimentos em infraestrutura. Porém, após este período, o Brasil mergulhou em um grande endividamento externo e interno. Constituição Federal de 1988 até os dias atuais A Constituição Federal foi promulgada no dia 5 de outubro de 1988. Nela, são definidos os direitos dos cidadãos, sejam eles individuais, coletivos, sociais ou políticos; e são estabelecidos limites para o poder dos governantes. Entre os direitos dos cidadãos, podemos destacar o assegurado no Art. 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. ATENÇÃO Através do SUS, o Estado assegura o atendimento à saúde da população de forma universal, integral e equânime, por meio de políticas que visam à promoção, proteção e recuperação da saúde. Ainda segundo as diretrizes da Constituição Federal, no Art. 200, compete ao SUS, entre outras atribuições executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador. Conceito de saúde do trabalhador Vamos agora entender de que forma a Lei 8.080/90, conhecida como Lei Orgânica da Saúde, que regulamenta o SUS, conceitua saúde do trabalhador. Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa a recuperação e a reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho, abrangendo: I Assistência ao trabalhador vítima de acidente de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho. II Participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde - SUS, em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho. III Participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde - SUS, da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentem riscos à saúde do trabalhador. IV Avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde. V Informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e a empresas sobre os riscos de acidente de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional. VI Participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas. VII Revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de trabalho, tendo na sua elaboração, a colaboração das entidades sindicais. VIII A garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo o ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores. Não podemos esquecer que cabe à direção nacional do SUS a participação na formulação e implantação das políticas relativas às condições e aos ambientes de trabalho, além de participar da definição de normas, critérios e padrões para controle das condições e dos ambientes de trabalho e coordenar a política de saúde do trabalhador (SUS, Art. 16). Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora Essa política que visa à promoção e à proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos, mediante a execução de ações de promoção, vigilância, diagnóstico, tratamento, recuperação e reabilitação da saúde. Seus objetivos e estratégias incluem (Brasil,2012): O fortalecimento da vigilânciaem saúde do trabalhador e a integração com os demais componentes da vigilância em saúde e com a atenção primária em saúde. A promoção da saúde e de ambientes e processos de trabalho saudáveis. A garantia da integralidade na atenção à saúde do trabalhador. A análise do perfil produtivo e da situação de saúde dos trabalhadores. O fortalecimento e a ampliação da articulação intersetorial. O estímulo à participação da comunidade, dos trabalhadores e do controle social. O desenvolvimento e a capacitação de recursos humanos. O apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. RENAST Hoje, a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) é uma das estratégias para a garantia da atenção integral à saúde dos trabalhadores. Ela tem entre seus componentes os Centros Estaduais e Regionais de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), serviços sentinela de média e alta complexidade, capazes de diagnosticar os agravos à saúde que têm relação com o trabalho e de registrá-los no Sistema de informação de Agravos de Notificação (SINAN-NET). Os CEREST realizam ações de promoção, prevenção, vigilância, assistência e reabilitação em saúde dos trabalhadores urbanos e rurais, independentemente do vínculo empregatício e do tipo de inserção no mercado de trabalho. No Brasil, as ações de saúde e segurança voltadas para os trabalhadores são asseguradas não só através de programas do Ministério da Saúde, mas também do Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério para Previdência Social, o que veremos nas próximas aulas. De acordo com o art. 16 da Lei 8.080/90, cabe à direção nacional do SUS a participação na formulação e na implantação das políticas relativas às condições e aos ambientes de trabalho, além de participar da definição de normas, critérios e padrões para controle das condições e dos ambientes de trabalho e coordenar a política de saúde do trabalhador. Nesta perspectiva, foi criada a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (2012). A que visa essa política? RESPOSTA: Visa à promoção e à proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos, mediante a execução de ações de promoção, vigilância, diagnóstico, tratamento, recuperação e reabilitação da saúde. Aula 4: Consolidação das leis do trabalho (CLT) e normas regulamentadoras (Portaria 3114/78) Introdução Nesta aula, vamos estudar a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e das Normas Regulamentadoras (NRs). A CLT e as NRs representam um avanço no que tange os direitos dos trabalhadores. Nelas estão contidas informações que orientam empregados e empregadores quanto aos direitos e deveres trabalhistas e também abordam a segurança e a saúde dos trabalhadores. Consolidação das Leis do Trabalho – CLT No dia 1º de maio de 1943, foi criada pelo Decreto-Lei nº 5.452 a CLT, ou seja, a Consolidação das Leis do Trabalho. Sancionada pelo presidente Getúlio Vargas, a CLT foi um marco para os trabalhadores, uma vez que seu objetivo principal é regulamentar as relações individuais e coletivas do trabalho, nela previstas. Empregado/empregador Desde a sua publicação, a CLT já sofreu algumas alterações, visando o acompanhamento da modernização da sociedade/ trabalho, sendo um instrumento para a proteção dos direitos dos trabalhadores e também um guia para os empregadores. De acordo com a CLT: Empregador. De acordo com a CLT, considera-se empregador “a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço”. Empregado. Ainda de acordo com a CLT, “considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Principais assuntos abordados na CLT Segundo Zanluca, os principais assuntos abordados na CLT são: • Registro do trabalhador/ carteira de trabalho; • Jornada de trabalho; • Períodos de descanso; • Férias; • Segurança e Medicina do Trabalho; • Categorias especiais de trabalhadores; • Proteção do trabalho da mulher; • Proteção do trabalho do menor; • Contratos individuais de trabalho; • Organização sindical; • Convenções coletivas de trabalho; • Fiscalização. Normas regulamentadoras (NR) Já vimos os principais assuntos abordados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Falaremos agora das Normas Regulamentadoras, que foram geradas a partir do tema segurança e medicina do trabalho do cap. V da CLT. As Normas Regulamentadoras, também conhecidas como NRs, foram regulamentadas pela Portaria nº 3.214 de junho de 1978 (Lei 6.514 de dezembro de 1977). São de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciários, que possuam empregados pela CLT. Atualmente existem 36 Normas Regulamentadoras e é importante ficarmos atentos, pois elas estão sendo atualizadas. Importância das normas Qual a importância das normas? Podemos destacar que as Normas Regulamentadoras são fundamentais, uma vez que dá ao empregador condições de suprir às necessidades dos trabalhadores no que tange à saúde e segurança no trabalho, diminuindo assim a exposição aos riscos ocupacionais e, como consequência, os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. As NRs também orientam os trabalhadores acerca da observação e seu cumprimento. Antes de finalizar esta aula, veja um discurso de Getúlio Vargas, feito em 1943, sobre a implementação dos direitos do trabalhador! Cite três benefícios que a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trouxe para os trabalhadores. RESPOSTA: São os benefícios: Carteira de trabalho; regulamentação da jornada de trabalho; regulamentação de períodos de descanso; férias; proteção do trabalho da mulher; proteção do trabalho do menor. Aula 5: SESMT E CIPA INTRODUÇÃO Nesta aula, estudaremos as Normas Regulamentadoras 4 (SESMT) e 5 (CIPA). Ainda abordaremos o conceito de acidentes de trabalho, uma vez que o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking da Organização Internacional do Trabalho, no que se refere a este tipo de acidentes. Estas normas têm como objetivo geral a preservação da segurança e saúde dos trabalhadores. NR 4 - Serviços Especializados em Engenharia e em Medicina do Trabalho (SESMT) Vamos iniciar esta aula falando da NR 4 - Serviços Especializados em Engenharia e em Medicina do Trabalho (SESMT). Esta Norma Regulamentadora tem como finalidade promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. Também conhecida como NR 4, ou simplesmente SESMT, esta norma é composta por uma equipe de profissionais especialistas em segurança e saúde do trabalhador. De acordo com esta NR, as empresas públicas ou privadas que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) manterão obrigatoriamente Serviços Especializados em Engenharia e em Medicina do Trabalho (SESMT). Profissionais que atuam nos SESMT Agora, veremos quem são os profissionais que atuam nos SESMT. Enfermeiros do Trabalho Enfermeiro portador de certificado de conclusão de curso de especialização em Enfermagem do Trabalho, em nível de pós-graduação, ministrado por universidade ou faculdade que mantenha curso de graduação em Enfermagem. Engenheiros de Segurança do Trabalho Engenheiro ou arquiteto portador de certificado de conclusão de curso de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, em nível de pós-graduação. Médico do Trabalho Médico portador de certificado de conclusão de curso de especialização em Medicina do Trabalho, em nível de pós-graduação. Ele também pode ser portador de certificado de residência médica em área de concentração em saúde do trabalhador ou denominação equivalente, reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica, do MEC, ambos ministrados por universidade ou faculdade que mantenha curso de graduaçãoem Medicina. Auxiliares/ Técnicos de Enfermagem do Trabalho Auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem, portador de certificado de conclusão de curso de qualificação de auxiliar de enfermagem do trabalho, ministrado por instituição especializada reconhecida e autorizada pelo MEC. Técnicos de Segurança do trabalho Técnico portador de comprovação de Registro Profissional, expedido pelo Ministério do Trabalho. ATENÇÃO Nem todas as empresas têm todos esses profissionais compondo a equipe do SESMT. Empresas com menos de 50 funcionários não são obrigadas a ter um SESMT, independentemente do grau de risco. Graus de risco A composição do SESMT de cada empresa deverá ser dimensionada de acordo com o grau de risco e número de empregados do estabelecimento. O grau de risco refere-se ao potencial que o trabalho tem de causar acidentes ou doenças, e varia de 1 a 4. Vamos ver alguns exemplos: Grau de risco 1 Empresa cujo grau de risco para executar suas atividades principais não exige esforço demasiado do empregado. Existe o risco, porém, em menor escala. Exemplo: uma atividade associativa, com atividades de organizações políticas ou religiosas. Grau de risco 2 Empresa cujo grau de risco para executar suas atividades principais exige mais esforços do empregado com relação à empresa com grau de risco 1. O risco é de maior intensidade, porém, não interfere excessivamente na saúde do trabalhador. Atividades recreativas, culturais e desportivas. Exemplo: atividade cinematográfica. Grau de risco 3 Empresa cujo grau de risco para a execução de suas atividades principais já requer cuidados especiais, diferentemente das empresas de graus de riscos 1 e 2. É o caso da saúde e serviços sociais. Exemplo: atividades de atendimento hospitalar, industrial, entre outros. Grau de risco 4 Empresas onde a exposição aos riscos é intensa. As atividades laborais são única e exclusivamente de riscos à saúde, ao bem-estar e à vida do trabalhador. Exemplos: indústrias extrativas, siderúrgicas e metalúrgicas. ATENÇÃO Embora as atividades dos profissionais do SESMT sejam essencialmente preventivas, deve-se fazer atendimento de emergência quando necessário. É importante frisar que as equipes dos SESMT e da CIPA devem manter contato permanente, pois este trabalho em conjunto tem como resultado não só a diminuição de acidentes de trabalho, mas também das doenças ocupacionais. NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) Falando em CIPA, vamos estudar com mais detalhes esta Norma Regulamentadora, que é muito importante e considerada uma das mais conhecidas. Esta Norma Regulamentadora estabelece a obrigatoriedade de as empresas públicas e privadas manterem em funcionamento uma comissão cujo objetivo é trabalhar, preventivamente, para neutralizar ou eliminar riscos ambientais por meio da recomendação de medidas de segurança que visem melhorar as condições de trabalho. Você sabe quem pode fazer parte da CIPA? A CIPA é composta por representantes do empregador e dos empregados. Sendo que os representantes dos empregadores (titular e suplente) serão por eles escolhidos, e os representantes dos empregados (titular e suplente) serão eleitos por voto secreto. Lembrando que qualquer funcionário pode ser candidatar à CIPA. Os funcionários que fazem parte da CIPA também são conhecidos como “cipeiros” e têm mandato de um ano, sendo permitida uma reeleição. De acordo com esta NR, é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para cargo de direção da CIPA, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. Dimensionamento da CIPA O dimensionamento da CIPA será feito levando em consideração o grau de risco da empresa, o número de funcionários e o seu componente - Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE), conforme estabelecido pelo Quadro I da NR-5 em consonância com o Quadro I da NR 4. É importante destacar que a CIPA terá reuniões ordinárias mensais, de acordo com cronograma preestabelecido. Essas reuniões são realizadas dentro do expediente normal da empresa e em local apropriado. Elas terão atas assinadas pelos representantes, com encaminhamento de cópias para todos os membros. Então, cabe à empresa promover treinamento para os membros da CIPA, titulares e suplentes, antes da posse. Atribuições dos integrantes da CIPA Você sabe o que os membros da CIPA fazem? Então, vamos ver: Identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver. Elaborar um plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho. Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho, visando à identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores. Realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas. Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho. Requisitar à empresa as cópias das CAT (comunicações de acidente do trabalho) emitidas. Promover anualmente, em conjunto com o SESMT, a SIPAT. SIPAT Você sabe o que é a SIPAT? Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho Trata-se de uma semana com muitas atividades para os trabalhadores, promovidas pela empresa com o objetivo de divulgar, orientar e promover prevenção de acidentes, segurança e saúde do trabalhador, de forma lúdica e descontraída. Acidentes de trabalho Agora que já vimos um pouco mais sobre as NRs 4 e 5, vamos entender sobre acidentes de trabalho? "Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho" (Art. 19 da Lei nº 8.213/91). A Lei nº 8.213/91 equipara a acidentes de trabalho: O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de: a) Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; c) Ato de imprudência, negligência ou imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho; d) Desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. O acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de trabalho: a) Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; b) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão de obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; c) No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. §1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho. Fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes Devemos ressaltar que existem dois fatores preponderantes para a ocorrência de acidentes de trabalho: Atos inseguros São caracterizados por ações voluntárias e até mesmo involuntárias por parte dos trabalhadores e independem das condições que o ambiente ofereça. Para evitar que atos inseguros aconteçam, os trabalhadores devem evitar: • Usar roupas inadequadas e adornos; • Fumar ou usar chamas próximo de inflamáveis e explosivos; • Intervir em máquinas em funcionamento; • Usar máquinas e equipamentos sem treinamento devido; • Não utilização do equipamento de proteção individual. Condições inseguras Estão diretamente relacionadascom fatores ambientais e compreendem irregularidades ou defeitos materiais, irregularidades técnicas e riscos ambientais existentes nos locais de trabalho. Deve-se evitar também esses fatores: • Falha ou deficiência de manutenção das máquinas; • Falta de ordem ou disposição dos materiais; • Instalações elétricas inadequadas; • Irregularidades e defeitos no piso; • Defeitos em escadas e plataformas elevadas; • Iluminação inadequada. Vimos que os acidentes de trabalho podem ocorrer devido à falha humana ou a algum problema relacionado ao ambiente de trabalho. Se cada um fizer a sua parte, o número de acidentes será reduzido. Portanto, temos que incentivar os trabalhadores para a utilização correta dos equipamentos de proteção individual e manuseio de materiais. Além disso, a empresa deverá seguir corretamente as orientações das Normas Regulamentadoras. De que forma os SESMT e a CIPA podem atuar na prevenção de acidentes de trabalho? RESPOSTA: Através de atividades educativas e de orientação aos trabalhadores, quanto à utilização correta dos equipamentos de proteção individual e manuseio de máquinas. AULA 6: Segurança do trabalhador Introdução Empregadores e empregados devem colaborar, para que se evitem acidentes e adoecimentos. Para auxiliá-los, temos, entre outras, as Normas Regulamentadoras (NRs). Nesta aula, abordaremos as NRs 6, 23, 26 e 32, que tratam de assuntos voltados para a segurança dos trabalhadores, sendo que a NR 32 está voltada especificamente para trabalhadores da área da saúde. NR 6 – Equipamento de proteção individual (EPI) Considera-se equipamento de proteção individual (EPI) todo dispositivo ou produto de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. É importante destacar que a empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, o EPI adequado ao risco, e em perfeito estado de conservação. De acordo com a NR 6, compete ao SESMT ou à CIPA recomendar ao empregador o EPI adequado ao risco existente em determinada atividade. Quando não existir SESMT nem CIPA, cabe ao empregador selecionar o EPI adequado, mediante orientação de profissionais tecnicamente habilitados. Temos que ficar atentos, pois o EPI de fabricação nacional ou importada só poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação – CA, expedido pelo competente do Ministério do Trabalho e Emprego. Exemplos de EPIs O EPI mais conhecido na área da saúde são as luvas. Temos outros EPIs não só na área da saúde, mas em outros segmentos de trabalho. Veja, por exemplo, os equipamentos necessários no caso de incêndio: BALACLAVA Trata-se de um capuz para bombeiros, brigadistas, forneiros, eletricistas ou usuários que necessitem de proteção térmica da face e do pescoço. É Resistente à temperaturas de até 300º C e confeccionado em malha de fibra aramida. Fabricado com alongamento até os ombros ou sem a abertura para os olhos, podendo ser individual ou total. Deve ser 100% anti chama. CAPACETE O capacete para combate a incêndio é confeccionado com fiberglass que é um material resistente a impacto e chamas. Contém revestimento interno, suspensão fixa e carneira tipo catraca de ajuste na parte traseira. São fabricados nas cores amarelo, branco, preto e vermelho. O protetor facial é articulável e transparente. A norma NFPA 1971 é a seguida pelos fabricantes. LUVAS Luva para bombeiros e brigadistas. Resistente a corte e abrasão. Utilizados nas indústrias que operam com média e baixa temperatura. É confeccionada em couro Termic para resistir à temperaturas de até 300º C. A primeira camada interna é a barreira de vapor constituída de filme de poliuretano anti chama na cor branca para inibir passagem de produtos químicos e líquidos. A segunda camada interna é a barreira de calor constituída de uma manta de 100% de fibra aramida "fire flame kent" com 240g/m2. O punho deve ser em malha para-aramida 300g/m2 sanfonado para inibir entrada de produtos e calor. Toda a costura da luva é feita em linha para-aramida. Atende às normas: BS EN 388:2003; EN 420:2003 e EN 407:2004. BOTAS São botas destinadas a brigadas de incêndio, corpo de bombeiros e profissionais ligados à prevenção e combate a incêndios. Possui proteção mecânica e térmica. Estas botas são construídas por um sistema especial chamado “built-up”, com posterior vulcanização em autoclave. Contém forro interno 100% acrílico com tratamento de retardamento anti chama. Utiliza palmilha e biqueira de aço, o solado e salto de borracha são prensados na cor preta com desenho antiderrapante. Uma tela de nylon anti-corte protege o peito e as laterais dos pés do usuário. Possui ainda um reforço de proteção para a canela do usuário e faixas reflexivas de alta luminescência nas laterais interna e externa do cano. Atende as normas NCh 1350, NCh 772/1 e 772/2. ROUPA ANTICHAMA Calça e casaco confeccionados em tecido com meta-aramida, normalmente composto por três camadas internas sendo: barreira de vapor e umidade, barreira de calor, viscose para proporcionar conforto ao combatente e segurança. Deverá conter faixas refletivas anti chama na cor amarela. ATENÇÃO A lista completa dos equipamentos de proteção individual que constam na NR 6 você encontra aqui. O uso do EPI é muito importante para a prevenção de acidentes e adoecimentos. Por isso precisamos orientar os trabalhadores sobre a importância da utilização do EPI da forma correta. Importante: as empresas devem oferecer treinamento aos trabalhadores quanto ao uso correto do equipamento. Responsabilidades da empresa e dos empregados Conheça agora as principais responsabilidades da empresa e dos empregados: NR 23 – Proteção contra incêndios A NR 23 é curta, mas muito importante para a segurança do trabalhador em relação a incêndios. Os empregadores devem ficar atentos quanto às informações que constam nesta NR, para proporcionar aos trabalhadores um ambiente seguro. O empregador deve providenciar para todos os trabalhadores informações sobre: a) Utilização dos equipamentos de combate ao incêndio; b) Procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança; c) Dispositivos de alarme existentes. Saída de emergência É preciso atenção às seguintes informações: Placa: As aberturas, saídas e vias de passagem devem ser claramente assinaladas por meio de placas ou sinais luminosos, indicando a direção da saída. Portas: Os locais de trabalho deverão dispor de saídas, em número suficiente e dispostas de modo que aqueles que se encontrem nesses locais possam abandoná-los com rapidez e segurança, em caso de emergência. Maçaneta: Nenhuma saída de emergência deverá ser fechada à chave ou presa durante a jornada de trabalho. As saídas de emergência podem ser equipadas com dispositivos de travamento que permitam fácil abertura do interior do estabelecimento. NR 26 – Sinalização de segurança NR 26 extremamente importante, pois um ambiente de trabalho sinalizado evita muitos acidentes. Isso porque o trabalhador fica mais cauteloso quando se depara com um símbolo ou uma cor de alerta. Segundo esta NR, os estabelecimentos ou locais de trabalho devem adotar cores para a segurança, a fim de indicar e advertir seus colaboradores acerca dos riscos existentes. Mas atenção: A utilização de cores não dispensa o emprego de outras formas de prevenção de acidentes. O uso de cores deve ser o mais reduzido possível, a fim de não ocasionar distração, confusão ou fadiga ao trabalhador. Como utilizar as sinalizações da forma correta? Veja o seguinte exemplo: um produto químico utilizado no local de trabalho deve ser classificado quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos trabalhadores. O que fazer? Não podemos esquecer que os trabalhadores devem ser orientados quanto à sinalização de segurança, seja ela representada por cores ou por símbolos. A empresa deverá entrar em contato com entidades especializadas que emitam as normas de sinalizaçãocorreta. Estas entidades podem ser nacionais ou internacionais. No caso do produto químico é preciso estar de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da ONU. NR 32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde A NR 32 é muito importante para os profissionais da área da saúde, pois ela contém as diretrizes básicas para a execução de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores em estabelecimentos de assistência à saúde. Vale destacar que, para esta NR, estabelecimentos de saúde são aqueles que prestam serviços de assistência à saúde da população, além de todas as ações de promoção, recuperação, assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade. Os principais assuntos desta norma estão voltados para a segurança no manuseio dos riscos biológicos, riscos químicos, radiações ionizantes e resíduos. Riscos biológicos Em relação ao risco biológico, a NR faz considerações sobre dois programas: A NR também aborda os seguintes assuntos: Proíbe comportamentos nos postos de trabalho, como o consumo de alimentos, o fumo, o uso de adornos e de calçados abertos, entre outros. A reutilização e a desconexão manual de agulhas são igualmente proibidas, sendo assegurado o uso de materiais perfurocortantes com dispositivo de segurança. Cita a importância da vacinação dos trabalhadores e ressalta que o empregador deve fornecer as vacinas necessárias. Toda a rotina da unidade, inclusive aquela necessária para as situações de emergência com agentes biológicos, deve estar disponível por escrito. Riscos químicos Em relação ao risco químico, a NR trata dos produtos químicos em geral e destaca os gases medicinais e os medicamentos e drogas de risco. Esta NR também traz determinações sobre a manipulação de produtos quimioterápicos antineoplásicos; gases anestésicos e resíduos do serviço de saúde. Rótulo: Os produtos químicos devem conter o rótulo original e, quando manipulados, devem estar devidamente identificados. MANIPULAÇÃO: Deve haver local próprio para a manipulação desses produtos; todo produto químico deve ter ficha descritiva, deve constar do PPRA e ser considerada pelo PCMSO. CAPACITAÇÃO: Assim como no caso de risco biológico, deve haver também capacitação dos funcionários e rotinas para a situação de utilização normal dos produtos e em situação de acidente. Responsabilidades dos empregadores e empregados As responsabilidades dos empregadores e empregados também são citadas, mas de uma forma geral, podemos destacar: Os serviços de saúde devem atender as condições de conforto, iluminação, limpeza, organização, entre outros, tendo como referências: ABNT e ANVISA; Os serviços de saúde devem atender as condições de conforto, iluminação, limpeza, organização, entre outros, tendo como referências: ABNT e ANVISA; Antes da utilização de qualquer equipamento, os trabalhadores devem estar capacitados quanto ao modo de operação e seus riscos; Em todo serviço de saúde deve existir um programa de controle de animais sinantrópicos, o qual deve ser comprovado sempre que exigido pela inspeção do trabalho; Os postos de trabalho devem ser organizados de forma a evitar deslocamentos e esforços adicionais; Nos procedimentos de movimentação e transporte de pacientes, deve ser privilegiado o uso de dispositivos que minimizem o esforço realizado pelos trabalhadores; O transporte de materiais que possa comprometer a segurança e a saúde do trabalhador deve ser efetuado com auxílio de meios mecânicos ou eletromecânicos. ATENÇÃO Os trabalhadores dos serviços de saúde devem ser capacitados para adotar a mecânica corporal correta na movimentação de pacientes ou de materiais, de forma a preservar a sua saúde e integridade física. Também devem ser orientados nas medidas a serem tomadas diante de pacientes com distúrbios de comportamento. Recapitulando A NR 32 estabelece direitos e deveres de empregados e empregadores que atuam em estabelecimentos de saúde. Para que esta NR seja posta em prática, é fundamental que os estabelecimentos e os profissionais estejam envolvidos e devidamente qualificados. Desta forma, os riscos para a saúde serão minimizados, diminuindo assim o número de acidentes e de adoecimentos dos trabalhadores. A Norma Regulamentadora 32 é uma Norma específica para trabalhadores de que área? RESPOSTA: ÁREA DA SAÚDE AULA 7: Ergonomia, riscos ambientais e ambientes insalubres Introdução Para que possamos evitar adoecimento ou acidentes de trabalho por causa destes riscos, é importante estarmos atentos às Normas Regulamentadoras. Nesta aula, estudaremos as NRs 9 (PPRA), 15 (Insalubridade) 16 (Periculosidade) e 17 (Ergonomia). Antes de começarmos a estudar a NR 9 - PPRA, precisamos entender algumas definições. Riscos ambientais Consideram-se riscos ambientais agentes existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. Vamos ver em que consiste cada um destes agentes? Agentes físicos São as diversas formas de energia às quais os trabalhadores possam estar expostos, tais como: ruídos, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom. Agentes químicos São substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de: poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. Agentes biológicos São considerados agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros. Agora sim, podemos definir a NR 9 - PPRA: Esta NR estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implantação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) Agora, vamos ver o que é este programa. O PPRA é um documento onde consta um conjunto de ações da empresa para a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores. Para a elaboração deste programa, algumas etapas devem ser cumpridas: • Antecipação e reconhecimentos dos riscos; • Estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; • Avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; • Implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia; • Monitoramento da exposição aos riscos; • Registro e divulgação dos dados. ATENÇÃO O PPRA deverá estar articulado com o disposto nas demais NR, em especial com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), previsto na NR-7. E para a sua elaboração, deve-se levar em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Elaboração do PPRA Quem elabora o PPRA? De acordo com a própria NR 9, a elaboração, implantação, acompanhamento e avaliação do PPRA podem ser feitas pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) ou por pessoa ou equipe de pessoas que, a critério do empregador, sejam capazes de desenvolver esse Programa. Empregador Estabelece, implanta e assegura o cumprimento do PPRA como atividade permanente da empresa ou instituição. Trabalhadores I.Colaboraram e participam da implantação e execução do PPRA; II.Seguem as orientações recebidas nos treinamentos oferecidos dentro do PPRA; III. Informam ao seu superior hierárquico direto ocorrências que, a seu julgamento, possam implicar riscos à saúde dos trabalhadores. Atenção! Os empregadores deverão informar os trabalhadores de maneira apropriada e suficiente sobre os riscos ambientais que possam originar-se nos locais de trabalho e sobre os meios disponíveis para prevenir ou limitar tais riscos e para proteger-sedeles. O empregador deverá garantir que, na ocorrência de riscos ambientais nos locais de trabalho que coloquem em situação de grave e iminente risco um ou mais trabalhadores, os mesmos possam interromper de imediato suas atividades, comunicando o fato ao superior hierárquico direto, para as devidas providências. Acesse na íntegra a NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais! Mapa de riscos Aproveitando os agentes que compõem os riscos ambientais e somando aos riscos ocupacionais ergonômicos e de acidentes, pode-se confeccionar o mapa de riscos. MAPA DE RISCOS Tipo de Risco Riscos Ergonômicos: Risco Físico, Risco Químico e Risco Biológico Riscos de Acidentes: Risco Ergonômico e Risco de Acidente NR 15 - Atividades e operações insalubres A NR 15 aborda situações consideradas insalubres no ambiente de trabalho. Essas situações estão divididas por riscos e agentes e estão contempladas em anexos afixados na NR. Para melhor entendermos esta Norma Regulamentadora, precisamos saber o que é limite de tolerância, pois esta informação será útil não só para caracterizar o ambiente insalubre, mas também para a confecção do PPRA (NR 9). O "limite de tolerância" é entendido como a concentração ou intensidade, máxima ou mínima, relacionada à natureza e ao tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante sua vida laboral. NR 15 – Insalubridade A NR 15 também orienta quanto ao adicional incidente sobre o salário mínimo da região, caso seja constatado que o ambiente de trabalho é insalubre: Insalubridade de Grau Máximo 40% Insalubridade de Grau Médio 20% Insalubridade de Grau Mínimo 10% Mas como a insalubridade pode ser eliminada ou neutralizada? A eliminação ou neutralização da insalubridade acontece: Com a adoção de medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância; Com a utilização de equipamento de proteção individual. Cabe à autoridade regional competente, em matéria de segurança e saúde do trabalhador, comprovada a insalubridade por laudo técnico de engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho, devidamente habilitado, fixar adicional devido aos empregados expostos à insalubridade quando impraticável sua eliminação ou neutralização. A eliminação ou neutralização da insalubridade ficará caracterizada através de avaliação pericial por órgão competente, que comprove a inexistência de risco à saúde do trabalhador. NR 16 - Atividades e operações perigosas Para a NR 16, o exercício de trabalho em condições de periculosidade assegura ao trabalhador a percepção de adicional de 30%, incidente sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participação nos lucros da empresa. Clique aqui e saiba mais sobre todas as atividades e operações consideradas perigosas por esta NR. As operações de transporte de inflamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos, em quaisquer vasilhames e a granel, são consideradas em condições de periculosidade. Exclusão para o transporte em pequenas quantidades, até o limite de 200 litros para os inflamáveis líquidos e 135 quilos para os inflamáveis gasosos liquefeitos. DICA Para efeito desta NR, considera-se líquido combustível todo aquele que possua ponto de fulgor maior que 60º C e inferior ou igual a 93º C. NR 17 – Ergonomia A Ergonomia é um assunto muito importante. Atualmente existem muitos afastamentos e aposentadorias devido ao distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT). Está baseada nas ciências biológicas e se relaciona de forma dependente e direta com outras disciplinas, tais como: Anatomia, Fisiologia, Psicologia, Sociologia, Engenharia e Arquitetura, Administração e Engenharia de Produção. A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos, a fim de melhorar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema. Os ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas, de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas (Associação Internacional de Ergonomia, 2000). Fatores que interferem no ambiente de trabalho É muito importante considerarmos que alguns fatores podem interferir no ambiente de trabalho e provoquem desgaste ao trabalhador. Conheça-os agora! Os profissionais da área da saúde do trabalhador devem ficar muito atentos para que os trabalhadores não sejam acometidos por doenças relacionadas ao trabalho. Por isso, é importante conhecermos a NR 17. Esta Norma visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. Fique atento Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho, deve-se observar: Já para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho, conforme estabelecido nesta NR. Cite os tipos de riscos ambientais que constam na NR 9 - PPRA. Resposta: Riscos físicos, riscos químicos e riscos biológicos. AULA 8: Modelos produtivos, o trabalho e a enfermagem Introdução Para entendermos as formas de organização do trabalho em que estamos inseridos nos dias de hoje, é importante conhecermos o contexto histórico em que se situa o trabalho, a fim de apreender as implicações para o processo saúde-doença dos trabalhadores. Nesta aula, abordaremos os três principais modelos de organização do trabalho (taylorismo, fordismo e toyotismo) e suas implicações para a saúde do trabalhador. “O trabalho nunca é neutro em relação à saúde, e favorece seja a saúde, seja a doença” (Dejours, 1992). Com essa afirmação em mente, vamos iniciar nosso estudo com os modelos produtivos e seus reflexos sobre os trabalhadores Taylorismo O taylorismo é uma expressão criada para designar um conjunto de ideias e princípios de gestão criada no final do século XIX. Esse modelo foi criado pelo engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor e tinha como objetivo principal dinamizar o trabalho na indústria, sendo este sistema caracterizado pela organização e divisão de tarefas dentro de uma empresa, com o objetivo de obter o máximo de rendimento e eficiência com o mínimo tempo e atividade. Principais características e objetivos do taylorismo Conheça agora algumas particularidades do taylorismo: Divisão das tarefas de trabalho dentro de uma empresa; Especialização do trabalhador; Treinamento e preparação dos trabalhadores de acordo com as aptidões apresentadas; Análise dos processos produtivos dentro de uma empresa como objetivo de melhoria do trabalho; Adoção de métodos para diminuir a fadiga e os problemas de saúde dos trabalhadores; Uso de métodos padronizados para reduzir custos e aumentar a produtividade; Criação de sistemas de incentivos e recompensas salariais para motivar os trabalhadores e aumentar a produtividade; Uso de supervisão humana especializada para controlar o processo produtivo; Disciplina na distribuição de atribuições e responsabilidades; Uso apenas de métodos de trabalho que já foram testados e planejados para eliminar o improviso; Taylorismo e a saúde do trabalhador Com as mudanças no processo de trabalho taylorista, surgiram situações que ocasionaram adoecimento nos trabalhadores.Isso porque a fragmentação da tarefa direciona para um grande sofrimento no trabalho: a monotonia, causadora de alguns distúrbios. Fordismo O fordismo é uma modalidade de produção criada por Henry Ford (empresário norte-americano) em 1914, para sua indústria de automóveis (Ford). Saiba mais: Característica A principal característica deste modelo, que foi baseado em uma linha de montagem, é a produção em massa. Produção O fordismo foi o sistema de produção que mais se desenvolveu no séc. XX, sendo responsável pela produção em massa de mercadorias diversificadas. Linha de montagem A linha de montagem se baseava em uma esteira sem fim onde, à medida que o produto se deslocava, o trabalhador desenvolvia sua função. A maior representação deste modelo é o Filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Fordismo e a saúde do trabalhador Embora este sistema tenha trazido muitos lucros para os empresários, ele trouxe alguns prejuízos para os trabalhadores. Além dos baixos salários pagos e a proibição das conversas no ambiente de trabalho, para não atrasar a produção, a própria forma de trabalhar fazia com que os trabalhadores desenvolvessem doenças relacionadas aos trabalhos, demasiadamente repetitivos e desgastantes. Toyotismo O toyotismo é um sistema de produção criado pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno na década de 1970. Esta modalidade de produção é baseada na tecnologia da informática e da robótica, em que o trabalhador não fica limitado a uma única tarefa já que desenvolve diversas atividades na produção. As principais características do toyotismo são: Mão-de-obra multifuncional e bem qualificada. Os trabalhadores são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa. Sistema flexível de mecanização, voltado para a produção somente do necessário, evitando ao máximo o excedente. A produção deve ser ajustada a demanda do mercado. Uso de controle visual em todas as etapas de produção como forma de acompanhar e controlar o processo produtivo. Implantação do sistema de qualidade total em todas as etapas de produção. Além da alta qualidade dos produtos, busca-se evitar ao máximo o desperdício de matérias-primas e tempo. Aplicação do sistema just in time, ou seja, produzir somente o necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária. Uso de pesquisas de mercado para adaptar os produtos às exigências dos clientes. Profundas modificações no trabalho O trabalhador de enfermagem vem sofrendo reflexos desses três tipos de organizações (taylorismo, fordismo e toyotismo) no seu processo laboral e na sua qualidade de vida. Veja alguns exemplos: Ritmos elevados de trabalho A fragmentação do cuidado Precarização das condições laborais e do sistema de saúde Terceirização dos serviços Afiliação às cooperativas Perda de direitos trabalhistas Alienação Analise o cenário a seguir e responda: “Carlos chegou ao posto de saúde com fortes dores nas costas. Disse que trabalha em uma empresa de distribuição de açúcar refinado e que sua função é empilhar os sacos produzidos. O médico recomendou que ele mudasse de função enquanto a lesão não fosse tratada porém Carlos explicou que mesmo sabendo fazer outras atividades, como tarefas administrativas ou dirigir empilhadeiras, seu chefe não permitia a mudança.” Podemos afirmar que a forma de trabalho adotada pela empresa de Carlos, que o impede de realizar outras atividades, é o: Resposta: Taylorismo AULA 9: A saúde mental do trabalhador e a qualidade de vida no trabalho Introdução Nesta aula, vamos abordar alguns fatores que podem gerar angústia e sofrimento ao trabalhador, levando-o a desenvolver algum tipo de transtorno mental. Também vamos falar sobre algumas estratégias que podem ser desenvolvidas pela empresa, a fim de evitar que o trabalhador adquira algum transtorno mental por causa da demanda de trabalho. Saúde mental dos trabalhadores De acordo com levantamentos realizados pela Previdência Social, no Brasil os transtornos mentais já ocupam a terceira posição quando o assunto é afastamento do trabalho. Ainda dentro deste contexto, as doenças que mais afastam no Brasil são: Levantamentos: E ainda, segundo a Organização Mundial da Saúde: “Os transtornos mentais menores acometem 30% dos trabalhadores ocupados, enquanto que os transtornos mentais graves acometem de 5 a 10% dos trabalhadores ocupados”. De acordo com estes dados estatísticos, os profissionais da área da saúde do trabalhador devem ficar muito atentos, pois devem atuar de forma a evitar que o trabalho passe a ser um perigo para o trabalhador. Fatores de adoecimento do trabalhador Mas como um trabalhador adoece? Podemos citar alguns fatores: Organização do trabalho O papel exercido dentro da organização e sua relação com os outros papéis (chefia – subordinado, chefia-chefia, subordinado-subordinado) Relações interpessoais Estrutura e clima organizacional Fatores biológicos, psicológicos e sociais Não podemos esquecer que a maioria das doenças mentais é influenciada por combinações de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, conhecer um pouco da trajetória deste trabalhador sempre ajudará, não só para que o médico faça o nexo causal, mas também para que toda a equipe possa compreender o comportamento do trabalhador e ajudá-lo da forma correta. Influenciada De acordo com Zaher: Possíveis situações problemáticas da vida, como limitadas oportunidades de educação, dificuldades financeiras ou condições inovadoras que possibilitem a geração de incertezas podem ser exemplos de fatores sociais envolvidos na ocorrência de transtornos mentais. Diagnóstico de transtorno mental Fazer um diagnóstico de transtorno mental relacionado ao trabalho não é tarefa fácil, pois segundo a OMS (2002): É possível que a predisposição genética ao desenvolvimento de determinado distúrbio mental se manifeste em pessoas sujeitas a certos estressores e que os transtornos mentais devem-se predominantemente à interação de múltiplos genes de risco com fatores ambientais. Trabalho “Há fatores psicológicos individuais que se relacionam com a manifestação de transtornos mentais, e certos tipos de transtornos mentais, como a depressão, podem ocorrer em consequência da não adaptação a uma situação estressante”. Portanto, temos que ficar atentos ao ambiente de trabalho. Fatores geradores de transtornos mentais Conheça algumas situações que podem gerar transtornos mentais no trabalhador por causa do trabalho: Depressão, Estresse, Burnout, Assédio moral, Violência, Ansiedade, Fadiga, Fobias, Pânico e Alcoolismo. Qualidade de vida no trabalho (QVT) Para Limonfi-França e Zaima (2002), qualidade de vida no trabalho (QVT) “é o conjunto das ações de uma empresa que envolve a implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho”. Embora as empresas tenham a responsabilidade de implantar ações de qualidade de vida no trabalho, o trabalhador também deve fazer a sua parte, pois como escreve Bom Sucesso (1997): A conscientização dos próprios funcionários é de extrema importância quando se pensa em qualidade de vida no trabalho, pois eles precisam compreender seu papel e suas responsabilidades para conseguir melhorias significativas em relação ao seu bem-estar e saúde. A QVT é fundamental para que o trabalhador tenha um ambiente laboral apropriado e que supra suas necessidades. Porém, não podemos somente implantar ações sem uma avaliação do seu impacto na vida dos trabalhadores. Neste sentido, alguns autores desenvolveram modelos de avaliação das ações implantadas pelas empresas, e é sobre esses modelos que falaremos agora. Modelo de Walton O modelo Walton propõe oito variáveis a serem consideradas na avaliação da QVT (WALTON, 1973): Ações e benefícios da QVT Por fim, conheça as ações e benefícios da QVT: Ações As empresas podem adotar algumas ações para promover a QVT, como por exemplo:• Ginástica laboral; • Passeios (com os trabalhadores e família); • Gincanas (promove interação entre os trabalhadores); • Creches; • Estímulo à leitura (criar um espaço para empréstimo de livros); • Promoção de concursos (ex.: música, dança); • Sorteios. Benefícios A implantação de ações que promovam QVT não só geram satisfação para os trabalhadores, como benefícios para a própria empresa, como por exemplo: • Melhora a produtividade; • Diminui o absenteísmo; • Melhora as relações interpessoais; • Diminui taxas de adoecimento e acidentes de trabalho. Quais os possíveis resultados após a implantação de ações de qualidade de vida no trabalho para o trabalhador e para a empresa? Resposta: Trabalhador - Aumenta a qualidade de vida, diminui o estresse, melhora o relacionamento interpessoal, aumenta a produtividade. Empresa - Diminui o absenteísmo, melhoria na produtividade, diminui taxas de adoecimento e acidentes de trabalho. AULA 10: PCMSO e a assistência da equipe de enfermagem Introdução Um dos objetivos da equipe que atua na saúde do trabalhador é evitar acidentes de trabalho e adoecimento dos trabalhadores. Sobre acidentes, já vimos em outras aulas que existem estratégias que colaboram para a prevenção. Na nossa última aula, vamos trabalhar os principais exames médicos realizados nas empresas para a detecção precoce de alguma intercorrência na saúde do trabalhador. Falaremos ainda da atuação da equipe de enfermagem do trabalho e sua importância para a saúde dos trabalhadores. NR 7 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) A Norma Regulamentadora NR 7 estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implantação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO. PCMSO O Programa tem caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. O objetivo é de promover e preservar a saúde do conjunto dos seus trabalhadores. O PCMSO monitora a saúde dos trabalhadores por anamnese e exames laboratoriais. Saiba mais a seguir! Exames médicos do PCMSO O PCMSO deve incluir, entre outros, a realização obrigatória dos exames médicos: Admissional: O exame médico admissional deverá ser realizado antes de o trabalhador assumir suas atividades. Periódico: Para trabalhadores expostos a riscos ou a situações de trabalho que impliquem o desencadeamento ou agravamento de doença ocupacional, ou, ainda, para aqueles que sejam portadores de doenças crônicas, os exames deverão ser repetidos: A cada ano ou a intervalos menores, a critério do médico encarregado, ou se notificado pelo médico agente da inspeção do trabalho, ou, ainda, como resultado de negociação coletiva de trabalho; De acordo com a periodicidade especificada no Anexo n.º 6 da NR 15, para os trabalhadores expostos a condições hiperbáricas; Para os demais trabalhadores: Anual, quando menores de 18 e maiores de 45 anos de idade; A cada dois anos, para os trabalhadores entre dezoito e 45 anos de idade. De retorno ao trabalho: O exame médico de retorno ao trabalho deverá ser realizado obrigatoriamente no primeiro dia da volta do trabalhador ausente por período igual ou superior a 30 dias por motivo de doença ou acidente, de natureza ocupacional ou não, ou parto. De mudança de função: Para fins da NR, entende-se por mudança de função toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou de setor que implique a exposição do trabalhador a risco diferente daquele a que estava exposto antes da mudança. Demissional: Será obrigatoriamente realizado até a data da homologação, desde que o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há mais de: 135 dias para as empresas de graus de risco 1 e 2, segundo o Quadro I da NR-4; 90 dias para as empresas de graus de risco 3 e 4, segundo o Quadro I da NR-4. ATENÇÃO Por determinação do Delegado Regional do Trabalho, com base em parecer técnico conclusivo da autoridade regional competente em matéria de segurança e saúde do trabalhador, ou em decorrência de negociação coletiva, as empresas poderão ser obrigadas a realizar o exame médico demissional, independentemente da época de realização de qualquer outro exame, quando suas condições representarem potencial de risco grave aos trabalhadores. Após a realização dos exames Atestado de Saúde Ocupacional Para cada exame médico realizado, o médico emitirá o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), em duas vias: 1° VIA A primeira via do ASO ficará arquivada no local de trabalho, inclusive frente de trabalho ou canteiro de obras, à disposição da fiscalização. 2° VIA A segunda via será obrigatoriamente entregue ao trabalhador, mediante recibo na primeira via. ATENÇÃO Sendo constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, através de exames médicos que incluam os definidos nesta NR, ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames constantes dos Quadros I e II da presente NR. Até o momento vimos a parte referente a exames da NR7. A partir de agora estudaremos a atuação dos profissionais de saúde de acordo com esta norma regulamentadora! Funções do médico coordenador ou encarregado Mesmo sem sintomatologia, caberá ao médico coordenador ou encarregado: Solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT; Indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; Encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho; Orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. ATENÇÃO Embora esta NR tenha como objetivo a prevenção e promoção da saúde do trabalhador, caso haja algum acidente, a Norma orienta que todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à prestação dos primeiros socorros e profissionais treinados para atender os acidentados. Enfermagem do Trabalho Quem são os profissionais que atuam na Saúde do Trabalhador? Dentre os profissionais que atuam na Saúde do Trabalhador, seja no PCMSO (NR 7) e/ou SESMT (NR 4), temos a equipe de Enfermagem do Trabalho. De acordo com Carvalho (2001), a enfermagem do Trabalho é um ramo da Saúde Pública, e como tal, visa: A promoção da saúde do trabalhador; A proteção contra os riscos decorrentes de suas atividades laborais; A proteção contra agentes químicos, físicos, biológicos e psicossociais; A manutenção da saúde no mais alto grau do bem-estar (na recuperação de lesões, nas doenças ocupacionais e não ocupacionais e sua reabilitação para o trabalho). Equipe de enfermagem - definições e atribuições Enfermeiro do trabalho É o profissional portador do certificado de especialização em Enfermagem do Trabalho, em nível de pós-graduação. Ele assiste os trabalhadores, promovendo e zelando pela saúde, fazendo prevenção das doenças ocupacionais e dos acidentes de trabalho ou ainda, prestando cuidados aos doentes e acidentados. É ele que planeja, organiza, dirige, coordena, controla e avalia toda a assistência de enfermagem. Auxiliar/técnico em enfermagem do trabalho Auxiliar ou técnico em enfermagem portador de certificado de conclusão de qualificação de auxiliar ou técnico em enfermagem do trabalho. Este profissional deve estar atento para conhecer os riscos a que os trabalhadores estão expostos e buscar informações sobre como atuar sobre eles, promovendo a educação e a orientação. ATENÇÃO Atuação do enfermeiro do trabalho nos diferentes níveis de prevenção (Carvalho, 2001): 1 - Prevenção primária: abrange a promoção da saúde e proteção específica.2 - Prevenção secundária: diagnóstico precoce, pronto atendimento e limitação do dano. 3 - Prevenção terciária: reabilitação. Funções do enfermeiro do trabalho Assistencial: É o conjunto de cuidados e medidas que visam atender às necessidades de promoção, proteção e recuperação da saúde do trabalhador. A assistência deverá ser apoiada pela aplicação do processo de enfermagem em todas as suas fases. Os problemas de saúde do trabalhador não deverão se analisados de maneira absoluta, mas quanto à sua relação com o ambiente do trabalho. Assistencial Ações de Enfermagem Coordenar, executar e avaliar as atividades de enfermagem nas avaliações de saúde, nas urgências e em procedimentos diversos; Prescrever, na ausência do médico, os medicamentos estabelecidos nos programas de saúde e em rotina aprovada pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT); Realizar consultas de enfermagem; Utilizar o processo de enfermagem para identificar, analisar e avaliar os problemas de saúde dos trabalhadores; Participar, juntamente com a equipe do SESMT, na identificação, controle e avaliação dos fatores nocivos das doenças ocupacionais e na prevenção de acidentes; Identificar os trabalhadores de alto risco, dando-lhes atenção prioritária; Visitar regularmente os locais de trabalho, verificando as condições de trabalho, segurança e higiene ocupacionais, fatores ergonômicos, ente outros; Organizar o programa de imunização da empresa; Supervisionar a execução dos cuidados simples de enfermagem, delegados aos auxiliares de enfermagem e prestar os cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica; Selecionar e padronizar os procedimentos técnicos a serem utilizados pela equipe de enfermagem; Elaborar e executar programas de saúde preventivos. Administrativa: São tarefas relativas a prever, organizar, dirigir, controlar as atividades da área. Administrativa Ações de Enfermagem Participar na elaboração dos projetos de construção e reformas dos serviços de saúde ocupacional; Participar do planejamento, organização e implantação do serviço de saúde ocupacional; Participar do planejamento, execução e avaliação dos programas de saúde; Dirigir os serviços e de enfermagem do trabalho; Organizar programas de educação continuada e treinamentos; Prever, requisitar, controlar e guardar materiais, equipamentos e medicamentos; Realizar auditoria e consultoria com emissão de parecer sobre assuntos de Enfermagem do Trabalho. Educativa: São atividades relacionadas com a educação dos trabalhadores relativas à promoção, proteção, manutenção e recuperação da saúde, prevenção de acidentes e doenças profissionais, além das atividades de educação continuada dos membros da equipe de Enfermagem do Trabalho. Educação: É de grande importância para o enfermeiro conhecer todos os recursos que a comunidade oferece para recomendá-los aos funcionários que necessita de assistência fora da empresa. O distrito sanitário pode oferecer: programas de assistência à criança, a mulher, doenças infecto-parasitárias, entre outros. Educativa Ações de Enfermagem Conhecer e utilizar os recursos da comunidade; Organizar e manter um sistema de referência para educação continuada do pessoal de enfermagem e educação para saúde dos trabalhadores; Treinar os trabalhadores em primeiros-socorros; Participar de atividades educativas em toxicologia industrial para os trabalhadores; Desenvolver trabalho educativo e preventivo nas CIPAs; Planejar e supervisionar estágios de enfermagem. Integração: São as atividades que ajudam os trabalhadores, os órgãos da empresa e também as entidades de classes, as organizações sociais e a comunidade, relacionadas com a empresa, a melhorarem o sentimento de unidade e participação conjunta em torno de causas de interesse de todos. Integração Ações de Enfermagem Atuar como elemento de ligação entre empregados e profissionais dos SESMT, outros setores da empresa, familiares dos empregados e comunidade; Promover intercâmbio com instituições de classe como ABEn, COREn, COFEn, OIT, FUNDACENTRO, OMS; Promover a participação das atividades relacionadas à saúde e segurança dos trabalhadores e da comunidade localiza a empresa. Pesquisa: Compreende estudos e investigação permanente no campo da prática profissional, utilizando metodologia adequada para assegurar a veracidade das conclusões, a correção das medidas e a satisfação dos resultados. Pesquisa Ações de Enfermagem Pesquisar fatos ou fenômenos relacionados com a saúde do trabalhador; Participar de estudos sobre riscos de doenças ocupacionais e segurança com o objetivo de diminuir os índices de mortalidade e morbidade; Informar aos trabalhadores os resultados de pesquisas realizadas; Desenvolver métodos de trabalho e tecnologia apropriada à solução de problemas de enfermagem; Participar de estudos epidemiológicos. Funções do auxiliar/ técnico de Enfermagem do Trabalho Conheça agora as funções do auxiliar/ técnico de Enfermagem do Trabalho: Executar as atividades auxiliares de nível médio atribuídas à equipe de enfermagem, sob a orientação e supervisão do enfermeiro. Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas do estado de saúde do trabalhador, ao nível da sua competência. Preparar o ambiente de trabalho, verificando se estão em ordem os materiais e equipamentos para a realização das atividades da equipe de saúde. Manter em ordem os materiais e equipamentos usados. Preparar o cliente para consultas, exames e tratamento. Executar tratamentos especificamente prescritos ou de rotina, além de outras atividades como: administrar medicamentos, fazer controles, realizar curativos, nebulização, aplicação de vacinas, colher material para exames laboratoriais, entre outras. Prestar atendimentos de primeiros-socorros. Manter em ordem os arquivos, registros e prontuários. Participar dos Programas de Prevenção de Acidentes, motivando o trabalhador a executar suas atividades em condições seguras. Participar dos Programas de Prevenção de Saúde e de medidas de reabilitação. Fazer visitas domiciliares e/ou hospitalares (em casos de acidentes ou ausências prolongadas do trabalhador). “Cabe a todos os profissionais de enfermagem, independentemente da categoria profissional, a sensibilização para as questões de saúde do trabalhador e o compromisso com a promoção e a manutenção da integridade física e psíquica dos trabalhadores em geral” (Ribeiro, 2008).