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Transtorno de Personalidade Limítrofe
TPB - Borderline
Artigo português - Portugal
Extraído da Wikipédia
Características, causas,
sintomas, diagnóstico,
tratamentos, comorbidades
e referências - 2016
1
Transtorno de personalidade
limítrofe ou borderline
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nota: "Borderline" redireciona para este artigo. Para outros significados,
veja Borderline (desambiguação).
Nota: "Fronteiriço" redireciona para este artigo. Para a relação trabalhista,
veja Frontalier.
Transtorno de personalidade limítrofe
Classificação e recursos externos
CID-10 F60.3
CID-9 301.83
MedlinePlus 000935
eMedicine article/913575
MeSH D001883
Transtorno de personalidade limítrofe (também
chamado Transtorno de personalidade emocionalmente
instável na CID-10, Transtorno de intensidade
emocionalou Transtorno de personalidade
borderline [TPB])[1] (borderline significa "fronteira" ou
"limite" em inglês), é um transtorno de personalidade do
cluster B cuja característica essencial é um padrão de
comportamento marcado pela impulsividade e instabilidade
de afetos, relacionamentos interpessoais e autoimagem. O
padrão está presente no início da idade adulta e ocorre em
uma variedade de situações e contextos.[2]
Outros sintomas comumente incluem um intenso medo de
abandono e intensas crises de raiva e irritabilidade que
outros têm dificuldade em compreender a razão.[2][3][4] As
pessoas com TPB muitas vezes se envolvem
na idealização e desvalorização de outros, alternando entre
uma alta consideração positiva ou uma grande
decepção.[5]Automutilação e comportamento suicida são
comuns.[6]
2
O transtorno é reconhecido no Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais. Devido ao fato de um
transtorno de personalidade ser um padrão mal-adaptativo
de experiências pessoais disseminado, contínuo, inflexível
e com comportamentos patológicos, há uma relutância em
diagnosticá-los antes da adolescência ou início da vida
adulta.[7]. Entretanto, alguns enfatizam que, sem
tratamento, os sintomas podem piorar.[8]
Há um debate em curso sobre a terminologia deste
transtorno, especialmente sobre a adequação da palavra
"borderline" ("limite").[9][10] O manual CID-10 refere-se a
este transtorno como "transtorno de personalidade
emocionalmente instável" e tem critérios diagnósticos
semelhantes. Há uma preocupação com o fato de que o
diagnóstico de TPB cria estigmas propiciando práticas
discriminatórias, porque sugere que a personalidade do
indivíduo é falha.[11] No DSM-5, o nome do distúrbio
permanece o mesmo.[7]
Índice
1 Sinais e Sintomas
1.1Emoções
1.2Comportamento
1.3Automutilação e suicídio
1.4Relacionamentos interpessoais
1.5Autoimagem
1.6Pensamentos
2 Causas
2.1Genética
2.2Anomalias cerebrais
2.2.1Hipocampo
2.2.2Amídala
2.2.3Córtex pré-frontal
2.2.4Eixo Hipotálamo-hipófise-suprarrenal
2.3Fatores Neurobiológicos
2.3.1Estrogênio
3
2.4Experiências adversas na infância
2.5Outros fatores que contribuem para o desenvolvimento
2.6Fatores mediadores e moderadores
2.6.1Função executiva
2.6.2Ambiente familiar
2.6.3Autocomplexidade
2.6.4Supressão de pensamento
3 Diagnóstico
3.1Manual Diagnóstico e Estatístico
3.2Classificação Internacional de Doenças
3.3Subtipos de Millon
3.4Familiares
3.5Mães Borderline
3.6Adolescência
3.7Diagnóstico diferencial e comorbidades
3.7.1Diagnóstico diferencial
3.7.2Comorbidade
3.7.3Transtornos comórbidos do Eixo I
3.8Avaliação inicial
3.9Semiologia adicional e biomarcadores TPB
3.10Critérios do DSM-IV-TR
3.11Diagnósticos comparáveis
3.11.1Transtornos afetivos
4 Tratamento
4.1Psicoterapia
4.2Medicamentos
4.3Serviços
5 Prognóstico
6 Epidemiologia
7 História
8 Ligações externas
9 Referências
Sinais e Sintomas
Os sintomas mais característicos de TPB são uma marcante sensibilidade
a rejeição, pensar sobre e sentir medo de um possível abandono.[12] Acima
de tudo, as características do TPB incluem uma sensibilidade
especialmente intensa nas relações com outras pessoas, dificuldade em
4
regular emoções e impulsividade. Outros sintomas podem incluir
sentimentos de insegurança quanto a autoidentidade e valores pessoais,
ter pensamentos paranoicos quando estressado e dissociação grave.[12]
Emoções
Pessoas com TPB sentem emoções com mais facilidade, maior
profundidade e por mais tempo que as outras.[13][14] As emoções podem
ressurgir repetidamente e persistir por longos períodos de
tempo. [14]Consequentemente, pode demorar mais do que o normal para
uma pessoa com TPB voltar a um estado emocional estável após uma
experiência emocional intensa. [15]
Na opinião de Marsha Linehan, a sensibilidade, intensidade e duração com
a qual as pessoas com TPB experimentam as emoções tem tanto
aspectos positivos quanto negativos.[15] Pessoas com TPB são
excepcionalmente idealistas, alegres e amorosas. [16] Entretanto elas
podem se sentir sufocadas por emoções negativas, experimentando
intenso luto em vez de tristeza, vergonha e humilhação em vez de leve
constrangimento, ódio em vez de irritação e pânico em vez de
nervosismo.[16] Pessoas com TPB são especialmente sensíveis aos
sentimentos de rejeição, isolamento e sensação de fracasso. [17] Seus
esforços para conter ou escapar de suas intensas emoções negativas
podem levar a automutilação ou comportamento suicida antes que
aprendam outras estratégias de enfrentamento. [18] Em geral eles têm
consciência da intensidade de suas emoções negativas e, uma vez que
não são capazes de controlá-las, se desligam delas inteiramente.[15] Isso
pode ser danoso para as pessoas com TPB, já que emoções negativas
nos alertam para a presença de situações problemáticas e estimulam seu
enfrentamento.[15]
Apesar de as pessoas com TPB sentirem intensa alegria, elas são
especialmente suscetíveis a disforia, ou sofrimento mental e emocional.
Zanari et al. reconhece quatro categorias de disforia que são típicas deste
transtorno: emoções extremas; destrutividade ou autodestrutividade;
sentimento de identidade fragmentada ou ausente; e sentimento
de vitimização.[19] Dentro destas categorias, um diagnóstico de TPB é
fortemente associado com uma combinação de três estados específicos:
1) se sentir traído, 2) sentir vontade de se machucar e 3)se sentir fora de
controle.[19] Uma vez que há uma grande variedade nos tipos
dedisforia que as pessoas com TPB experimentam, a amplitude do
5
sofrimento é um indicador auxiliar do transtorno de personalidade
borderline.[19]
Além das emoções intensas, pessoas com TPB experimentam
instabilidade emocional. Embora a expressão possa sugerir uma rápida
mudança entre depressão e exaltação, as oscilações de humor nas
pessoas com esta condição na verdade ocorrem mais frequentemente
entre a raiva e a ansiedade e entre depressão e ansiedade.[20]
Comportamento
Comportamento impulsivo é comum, incluindo: abuso
de substâncias e alcoolismo, transtorno alimentar, sexo de risco ou
indiscriminado com múltiplos parceiros, gastar dinheiro e dirigir
imprudentemente.[21]
Comportamento impulsivo também pode incluir abandonar empregos e
relacionamentos, fugir e se automutilar.[22]
Pessoas com TPBagem impulsivamente pois isso lhes dá alívio imediato
de sua dor emocional.[22] Entretanto, a longo prazo, as pessoas com TPB
sofrem de uma crescente vergonha e culpa que seguem esse tipo de
ação.[22] Normalmente um ciclo se inicia, no qual a pessoa com TPB sente
dor emocional, se engajam em um comportamento impulsivo para
aliviarem a dor, sentem vergonha e culpa por suas ações, sentem dor
emocional por conta dos sentimentos de vergonha e culpa e então
experimentam uma maior compulsão por se engajar em um
comportamento impulsivo para aliviar a nova dor.[22] Conforme o tempo
passa, o comportamento impulsivo pode se tornar uma resposta
automática diante a dor emocional.[22]
Automutilação e suicídio
Automutilação e comportamento suicida são um dos critérios de
diagnóstico centrais no DSM-IV. A gestão e recuperação destes
comportamentos pode ser complexo e desafiador.[23] A incidência de
suicídios entre pessoas com TPB é entre 3% e 10% ao longo da
vida.[12][24] Há evidências de que homens diagnosticados com TPB tem
aproximadamente o dobro de probabilidade de cometerem suicídio em
relação as mulheres diagnosticadas com TPB[25] Também há evidências
que uma percentagem considerável de homens que cometem suicídio
podem ter TPB não diagnosticada.[26]
6
Automutilação é comum e pode ocorrer com ou sem intenção
suicida.[27][28] As razões apresentadas para a automutilação não suicida
diferem das razões para tentativas de suicídio.[18] As razões para a
automutilação não suicida incluem expressar raiva, autopunição, voltar ao
normal (geralmente em resposta a dissociação) e distrair-se da dor
emocional ou de circunstâncias difíceis.[18] Em contraste com isso, as
tentativas de suicídio tipicamente refletem uma crença de que as vidas das
outras pessoas vão melhorar depois do suicídio.[18] Ambas automutilações,
suicidas e não suicidas, são uma resposta ao sentirem emoções
negativas.[18]
Abuso sexual, em particular, pode ser um gatilho para comportamento
suicida em adolescentes com TPB.[29]
Relacionamentos interpessoais
Pessoas com TPB podem ser muito sensíveis ao modo como outros a
tratam, sentindo intensa alegria e gratidão diante do que percebem como
expressões de bondade, e intensa tristeza e raiva ao que entendem como
uma crítica ou ofensa.[30] Seus sentimentos a respeito dos outros
normalmente alternam entre o positivo e o negativo após uma decepção, o
que entendem como uma ameaça de se perder alguém ou de perder a
estima que alguém importante tenha por eles. Este fenômeno, as vezes
chamado de clivagem ou pensamento preto-e-branco, inclui a mudança
entre idealização de outra pessoa (sentimento de amor e admiração) e
desvalorização (sentimento de raiva ou antipatia).[31] Combinado com os
distúrbios do humor, idealização e desvalorização podem minar
relacionamentos com a família, amigos e colegas de trabalho.[32] A
autoimagem também pode mudar rapidamente do positivo para o negativo.
Embora desejando fortemente a intimidade, as pessoas com TPB tendem
a ser inseguras, esquivas ou ambivalentes, ou terrivelmente preocupadas
com padrões de apego em relacionamentos[33] e muitas vezes veem o
mundo como perigoso e mau.[30] O TPB está ligado ao aumento dos níveis
de estresse crônico e aos conflitos nos relacionamentos amorosos,
diminuição da satisfação dos parceiros românticos, abusodoméstico e
gravidez indesejada. No entanto, estes fatores parecem estar ligados aos
transtornos de personalidade em geral.[34]
Manipulação psicológica para obter carinho é considerada uma
característica comum de TPB por muitos que tratam o transtorno, bem
7
como pelo DSM-IV.[35][36] No entanto, alguns profissionais de saúde
mentaladvertem que uma ênfase excessiva e uma definição muito ampla
de manipulação pode levar a mal-entendidos e tratamento preconceituoso
das pessoas com TPB dentro do sistema de saúde.[37]
Autoimagem
As pessoas com TPB tendem a ter dificuldade em ver uma imagem clara
de sua própria identidade. Em particular, eles tendem a ter dificuldade em
saber o que valorizam e apreciam.[38] São muitas vezes inseguros sobre
suas metas de longo prazo quanto a relações e empregos. Essa
dificuldade de saber quem eles são e o que eles valorizam pode levar as
pessoas com TPB a experimentar uma sensação de "vazio" e "perda".[38]
Pensamentos
As intensas emoções, muitas vezes vividas por pessoas com TPB podem
dificultar a elas ter controle sobre seu foco de atenção - elas têm
dificuldade em se concentrar.[38] Além disso, as pessoas com TPB podem
tender a dissociar o que pode ser entendido como uma forma intensa de
"viagem", a pessoa fica perdida em seus próprios pensamentos como se
houvesse se drogado.[39] A dissociação ocorre frequentemente em
resposta ao experimentar um acontecimento doloroso (ou experimentar
algo que desencadeia a memória de um acontecimento doloroso). Ela
consiste em a mente redirecionar automaticamente a atenção para longe
do tal evento doloroso, supostamente para se proteger contra, enfrentar
uma emoção intensa e seus comportamentos impulsivos indesejados que
tal emoção poderiam desencadear.[39] Embora o hábito de bloquear
intensas emoções dolorosas da mente possa proporcionar um alívio
temporário, também pode ter o efeito colateral indesejado de bloquear ou
embotar a experiência de emoções comuns, reduzindo assim o acesso
das pessoas com TPB às informações contidas nessas emoções que as
ajudariam a guiar de modo eficaz a tomada de decisões na vida
diária.[39] Às vezes, é possível para outra pessoa perceber quando alguém
com TPB está dissociando, pois suas expressões faciais e vocais podem
tornar-se vazias ou sem expressão, ou elas podem parecer distraídas,
mas em outros momentos, a dissociação pode ser pouco perceptível.[39]
8
Causas
Assim como as causas de outros transtornos mentais, as causas do TPB
são complexas e não há consenso a seu respeito.[10] Evidências sugerem
que o TPB e o Estresse pós-traumático podem estar relacionados de
algum modo.[40] A maioria dos pesquisadores concorda que um trauma na
infância pode ser um fator que contribui para o desenvolvimento do
transtorno,[41] mas menos atenção tem sido historicamente devotada a
investigação dos papéis de causalidade desempenhados por
anormalidades cerebrais congênitas, genéticas, fatores neurobiológicos e
fatores ambientais que não o trauma.[10][42] Fatores sociais incluem como
uma pessoa interage, em seu desenvolvimento infantil, com sua família,
amigos e outras crianças.[43] Fatores psicológicos incluem a personalidade
e temperamento do indivíduo, moldados pelo seu ambiente e os
mecanismos de enfrentamento aprendidos para lidar com o
stress.[43] Esses fatores diferentes combinados sugerem que há múltiplos
fatores que podem contribuir com o transtorno.
Genética
A herdabilidade do TPB é estimado em 65%.[44] Ou seja, 65%
da variabilidade nos sintomas entre indivíduos diferentes com TPB pode
ser explicada por diferenças genéticas. (Note que isso é diferente de dizer
que 65% do TPB é "causado" por genes.) Estudos com gêmeos podem
superestimar o efeito dos genes na variabilidade dos transtornos de
personalidade devido a fatores complicadores como um ambiente familiar
compartilhado.[45]
Estudos com gêmeos, irmãos ou outros familiares
indicam herdabilidade parcial para agressão impulsiva, mas estudos de
genes relacionados a serotonina sugerem apenas modestas contribuições
para o comportamento.[46]
Familias com gêmeos na Holanda participaramde um estudo em
andamento feito por Trull e seus colegas, no qual 711 pares de irmãos e
561 pais foram examinados para identificar a localização dos traços
genéticos que influenciam o desenvolvimento de TPB.[47] Colaboradores
da pesquisa descobriram que o material genético no cromossomo nove
estava ligado com características do TPB.[47] Estudos concluíram que 42%
da variação no TPB é atribuível a influência genética e 58% era atribuível a
influências ambientais.[47]
9
Genes atualmente sob investigação incluem o polimorfismo de 7
repetições do receptor de dopamina D4 (DRD4), que foi relacionado ao
apego desorganizado, apesar do efeito combinado do polimorfismo de 7
repetições e do genótipo 10/10 de transportador de dopamina (DAT) ter
sido relacionado a anormalidades no controle inibitório, ambos
características notadas no TPB.[48]
Anomalias cerebrais
Alguns estudos de neuroimagem sobre TPB divulgaram descobertas de
redução em regiões do cérebro envolvidas na regulação da resposta ao
estress e emoções, afetando o hipocampo, o cortex orbitofrontal e a
amídala, entre outras áreas.[48] Um número menor de estudos tem usado
ressonância magnética espectroscópica para explorar mudanças nas
concentrações de neurometabólitos em certas regiões cerebrais de
pacientes com TPB, procurando especificamente por neurometabólitos
como a N-acetilaspartato, creatina, compostos relacionados aos
glutamatos e compostos contendo colina.[48]
Hipocampo
O hipocampo tende a ser menor em pessoas com TPB, assim como em
pessoas com Estresse pós-traumático. Entretanto, no TPB, ao contrário do
Estresse pós-traumático, a amídala também tende a ser menor.[49]
Amídala
As amídalas são menores e mais ativas em pessoas com
TPB.[49] Amídalas com volume reduzido também foram encontradas em
pessoas com Transtorno obsessivo compulsivo.[50] Um estudo descobriu
uma atividade incomum na amídala esquerda de pessoas com TPB
quando eles experimentam ou veem sinais de emoções negativas.[51] Uma
vez que as amídalas são a principal estrutura envolvida na geração de
emoções negativas, essa atividade incomumente forte pode explicar a
intensidade e longevidade do medo, tristeza, raiva e vergonha
experimentadas por pessoas com TPB, assim como suas elevadas
sensibilidades diante de demonstrações destas emoções por outras
pessoas.[49]
Córtex pré-frontal
O córtex pré-frontal tende a ser menos ativo em pessoas com TPB,
especialmente quando relembram de memórias de abandono.[52] Essa
inatividade relativa ocorre no córtex anterior cingulado (áreas de
10
Brodmann 24 e 32.[52] Dado o seu papel na regulação da excitação
emocional, a relativa inatividade do córtex pré-frontal pode explicar a
dificuldade que pessoas com TPB tem em regular suas emoções e
respostas ao estress.[53]
Eixo Hipotálamo-hipófise-suprarrenal
O eixo Hipotálamo-hipófise-suprarrenal (eixo HHS) regula a produção
de cortisol, que é liberado em resposta ao estress. A produção de cortisol
tende a ser elevada em pessoas com TPB, indicando um eixo HHS
hiperativo nesses indivíduos.[54] Isso faz com que eles experimentem uma
maior resposta biológica ao estress, o que pode explicar sua maior
vulnerabilidade a irritabilidade.[55] Já que eventos traumáticos podem
aumentar a produção de cortisol e atividade do eixo HHS, uma
possibilidade é que a prevalência de atividade acima da média do eixo
HHS em pessoas com TPB pode simplesmente ser um reflexo da
prevalência acima da média de traumas de infância e de eventos de
amadurecimento entre essas pessoas.[55] Outra possibilidade é que, por ter
sua sensibilidade a eventos traumáticos e produção de cortisol
aumentada, as pessoas com TPB estariam predispostas a experimentar
eventos estressantes de suas infâncias e amadurecimento como
traumáticos.
A produção aumentada de cortisol também está associada com um maior
risco de comportamento suicida.[56]
Fatores Neurobiológicos
Estrogênio
Diferenças individuais nos ciclos de estrogênio das mulheres pode estar
associado à expressão de sintomas de TPB em pacientes do sexo
feminino.[57] Um estudo de 2003 descobriu que os sintomas de mulheres
com TPB eram antecedidos por mudanças nos niveis de estrogênio ao
longo de seus ciclos menstruais, um efeito que permaneceu significativo
mesmo depois que o aumento geral de afetos negativos foram
descontados dos resultados.[58]
Sintomas experimentados devido às alterações dos níveis de estrogênio
podem ser mal diagnosticados como TPB, como alterações de humor
extremas e depressão. Como a endometriose é uma doença influenciada
pelo estrogênio, TPM e Transtorno disfórico pré-menstrual graves são
observados, estes são ambos físicos e psicológicos em suas naturezas.
11
Transtornos do humor influenciados por hormônios, também chamados de
depressão reprodutiva, são esperados que acabem somente com a
menopausa ou após uma histerectomia. Episódios psicóticos tratados com
estrogênio em mulheres com TPB mostraram significativa melhora porém
não devem ser prescrevidos àquelas com endometriose, pois isso agrava
suas condições endócrinas. Drogas estabilizadoras do humor, usadas no
tratamento do transtorno bipolar, não ajudam pacientes com níveis de
estrogênio alterados. Um diagnóstico correto entre transtorno endócrino ou
psiquiátrico precisa ser feito.
Experiências adversas na infância
Há uma forte correlação entre abuso infantil, especialmente abuso sexual
infantil e o desenvolvimento de TPB.[41][59][60][61][62] Muitos indivíduos com
TPB reportam um histórico de abuso e negligência quando
crianças.[63] Pacientes com TPB são significativamente mais propensos a
reportarem abuso verbal, emocional, físico ou sexual por seus cuidadores
de ambos os sexos. Eles também reportam uma alta incidência de incesto
e perda de cuidadores na infância.[64]
Indivíduos com TPB também são mais propensos a reportarem que os
cuidadores de ambos os sexos negavam validação de seus pensamentos
e sentimentos. Cuidadores também foram reportados por terem falhado
em prover a proteção necessária e por terem negligenciado os cuidados
físicos com suas crianças. Pais de ambos os sexos são comumente
culpados de ausência emocional diante da criança e por tratar dos
menores de maneira inconsistente.[64] Ademais, mulheres com TPB que
reportam um histórico de negligência por parte de sua cuidadora e abuso
por parte do cuidador são significativamente mais propensas a reportarem
abuso por terceiros, que não os cuidadores.[64]
Já foi sugerido que crianças que passaram por maus-tratos crônicos e por
dificuldades afetivas podem desenvolver o transtorno de personalidade
borderline.[65]
Entretanto, nenhum desses estudos apresentou evidências de que trauma
infantil necessariamente causa ou contribui para causar TPB. Ao invés
disso, ambos o trauma e o TPB podem ser causados por um terceiro fator.
Por exemplo, pode acontecer de muitos cuidadores que tendem a expor as
crianças a experiências traumáticas o fazem parcialmente por conta de
seus próprios transtornos de personalidade herdados, a predisposição
12
genética para tanto pode ser passada para seus filhos, que desenvolvem
TPB como resultado desta predisposição e de outros fatores, e não como
resultado de um maltrato anterior.[66]
Outros fatores
A intensidade e reatividade da afetividade negativa de uma pessoa, ou a
tendência para sentir emoções negativas, é um indicador de sintomas de
TPB mais forte do que o abusosexual infantil.[67] Essa descoberta, as
diferenças em estruturas cerebrais (veja anomalias cerebrais) e o fato de
alguns pacientes com TPB nao reportarem uma história
traumática,[68] sugerem que o TPB é diferente do Estresse pós-traumático,
que frequentemente o acompanha. Assim, pesquisadores cogitam outra
causa para o desenvolvimento, além do trauma infantil.
Pesquisas mais recentes publicadas em janeiro de 2013, pelo Dr Anthony
Ruocco da Universidade de Toronto, destacaram dois padrões de
atividade cerebral que podem fundamentar a disregulação de emoções
característica deste transtorno; lá foram descritas atividades aumentadas
nos circuitos cerebrais responsáveis pela experiência de emoções
negativas exacerbadas, combinado com a ativação reduzida dos circuitos
cerebrais que normalmente regulam ou suprimem essas emoções
negativas geradas. Essas duas redes neurais são vistas como estando em
operação disfuncional na região frontolimbica mas as regiões específicas
variam muito em cada indivíduo, o que demanda novas pesquisas
utilizando a técnica da neuroimagem. Além disso, destoando de estudos
anteriores, pessoas com TPB demonstraram menor ativação
da amídala em situações de emocionalidade do que em grupos de
controle. O Dr. John Krystal, editor do Biological Psychiatry, acrescentou
que: "Esse novo estudo corrobora com a impressão de que pessoas com
transtorno de personalidade borderline são 'enganadas' por seus cérebros
para terem vidas emocionais tempestuosas, embora não necessariamente
tenham que levar vidas infelizes e improdutivas,"[69]
Escrevendo sobre tradição psicanalítica, Otto Kernberg argumenta que a
falha da criança em alcançar o que ele chamou de clarificação psíquica de
si e do outro poderia aumentar o risco de desenvolver transtorno de
personalidade borderline.[70]
A inabilidade da criança em tolerar a gratificação adiada aos 4 anos não
predispõe desenvolvimento posterior de TPB.[71]
13
Fatores mediadores e moderadores
Função executiva
Ao tempo em que uma alta sensibilidade à rejeição está associada a fortes
sintomas de transtorno de personalidade borderline, a função
executiva parece mediar a relação entre sensibilidade a rejeição e
sintomas de TPB.[71] Ou seja, um grupo de processos cognitivos que
incluem planejamento, memória de trabalho, atenção e solução de
problemas pode ser o mecanismo através do qual a sensibilidade à
rejeição impacta os sintomas de TPB. Um estudo de 2008 descobriu que a
relação entre sensibilidade à rejeição de uma pessoa e os sintomas de
TPB eram mais fortes quando a função executiva era diminuída, e que a
relação era mais fraca quando a função executiva era mais ativa.[71] Isso
sugere que uma função executiva elevada pode ajudar a proteger as
pessoas com alta sensibilidade à rejeição contra os sintomas de TPB.[71]
Um estudo de 2012 descobriu que problemas com a memória de trabalho
podem contribuir para uma maior impulsividade em pessoas com TPB.[72]
Ambiente familiar
O ambiente familiar intercede nos efeitos do abuso sexual infantil no
desenvolvimento do TPB. Um ambiente familiar instável prevê o
desenvolvimento do transtorno, enquanto uma família estável prevê um
risco reduzido. Uma explicação possível é que o ambiente estável
amortece seu desenvolvimento.[73]
Autocomplexidade
Autocomplexidade, ou considerar ter em si muitas características distintas,
parece moderar a relação entre a autodiscrepância Real-Ideal e o
desenvolvimento de sintomas de TPB. Isto é, para indivíduos que
acreditam que suas características não batem com as características que
eles esperam alcançar, uma grande autocomplexidade reduz o impacto de
sua autoimagem conflitante nos sintomas de TPB. Entretanto, a
autocomplexidade não modera a relação entre a autodiscrepância Real-
Devida e o desenvolvimento de sintomas de TPB. Ou seja para indivíduos
que acreditam que suas características reais não batem com as
características que eles já deveriam ter, uma alta autocomplexidade não
reduziria o impacto de sua autoimagem conflitante nos sintomas de TPB.
O papel protetor da autocomplexidade na autodiscrepância Real-Ideal mas
não na discrepância Real-Devida, sugere que o impacto da autoimagem
14
conflituosa ou instável no TPB depende de como o indivíduo se enxerga
em termos de características que eles esperam adquirir ou em termos de
características que eles já deveriam ter.[74]
Supressão de pensamento
Um estudo de 2005 descobriu que supressão de pensamento, ou
tentativas conscientes de se evitar pensar certos pensamentos, media a
relação entre vulnerabilidade emocional e sintomas de TPB.[67] Um estudo
posterior descobriu que a relação entre vulnerabilidade emocional e os
sintomas de TPB não são necessariamente mediados pela supressão de
pensamento. Entretanto, este estudo encontrou que a supressão de
pensamento mediava a relação entre um ambiente invalidador e os
sintomas de TPB.[75]
Diagnóstico
O diagnóstico de transtorno de personalidade borderline é baseado em
uma avaliação psiquiátrica por um profissional de saúde mental
qualificado. O melhor método é apresentar os critérios do transtorno ao
paciente e perguntar se ele acha que as características os descrevem
precisamente.[12] Envolver ativamente os pacientes com TPB em
determinar seu diagnóstico pode ajudar a aceitá-lo mais
facilmente.[12]Embora alguns médicos prefiram não dizer aos seus
pacientes com TPB qual o seu diagnóstico, tanto por preocupação sobre
o estigma relacionado a condição quanto porque TPB era tido como
intratável, normalmente ajuda ao paciente com TPB saber seu
diagnóstico.[12] Isso os ajuda a saber que outros tiveram experiências
semelhantes e podem recomendar tratamentos eficazes.[12]
Em geral, a avaliação psicológica inclui perguntar ao paciente sobre o
início e a gravidade dos sintomas, bem como sobre outras questões sobre
como os sintomas impactam na qualidade de vida do paciente. Questões
de particular importância são as ideações suicidas, experiências com
automutilação e pensamentos sobre machucar os outros.[76] O diagnóstico
é baseado no relato do paciente sobre seus sintomas e nas observações
do médico.[76] Testes adicionais para TPB incluem um exame físico e
testes de laboratório para eliminar outros gatilhos e sintomas possíveis,
como problemas de tireoide e abuso de substâncias.[76]
15
Manual Diagnóstico e Estatístico
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais edição cinco
(DSM-5) removeu seu sistema de múltiplos eixos. Consequentemente,
todos os transtornos, incluindo os transtornos de personalidade, são
listados na seção II do manual. Uma pessoa deve preencher 5 dos 9
critérios para receber um diagnóstico de transtorno de personalidade
borderline.[77] O DSM-5 define os principais aspectos do TPB como um
padrão inflexível de instabilidade nos relacionamentos
interpessoais, autoimagem e afetos, bem como comportamentos
impulsivos sobressaltados.[77]
Além disso, o DSM-5 propõe um critério alternativo de diagnóstico para
Transtorno de Personalidade Borderline em sua sessão III, Esses critérios
alternativos são baseados em pesquisas sobre características e incluem
especificar ao menos quatro de sete traços mal adaptativos.[78]
De acordo com Marsha Linehan, muitos profissionais de saúde mental
acham desafiador diagnosticar TPB usando os critérios do DSM, uma vez
que tas critérios descrevem uma ampla gama de comportamentos.[79] Para
enfrentar este problema, Linehan agrupou os sintomas de TPB em cinco
áreasde disregulação principais: emoções, comportamento, relações
interpessoais, autoimagem e pensamentos.[79]
Classificação Internacional de Doenças
A CID-10 da Organização Mundial da Saúde define um transtorno que é
conceitualmente similar ao Transtorno de Personalidade Borderline,
chamado (F60.3) Transtorno de personalidade emocionalmente instável.
Seus dois subtipos estão descritos abaixo.[80]
F60.30 - Tipo Impulsivo
Pelo menos três dos seguintes sintomas abaixo devem estar presentes; é
obrigatória a presença do sintoma 2
Tendência em agir impulsivamente e sem consideração com as
conseqüências;
Tendência a ter um comportamento briguento e entrar em conflito com os
outros, especialmente quando os atos violentos são contrariados ou
criticados;
Tendência a explosões de ira e violência, com incapacidade de controlar
os resultados subseqüentes;
16
Dificuldade em manter qualquer ação que não ofereça recompensa
imediata;
Humor instável e caprichoso.
F60.31 – Tipo Borderline
Pelo menos três dos sintomas mencionados no Tipo Impulsivo, incluindo o
sintoma 2 (F60.30) devem estar presentes. Em adição, pelo menos dois
dos sintomas abaixo devem estar presentes:
Perturbações e incertezas sobre a autoimagem, metas, preferências
internas (incluindo sexualidade);
Tendência a se envolver em relações intensas e instáveis, sempre levando
a crises emocionais;
Esforços excessivos para se evitar abandono;
Atos ou ameaças recorrentes de autolesão ou suicídio;
Sentimentos crônicos de vazio.
A CID-10 também descreve alguns critérios gerais que definem o que é
considerado um transtorno de personalidade.
Subtipos de Millon
Theodore Millon propôs quatro subtipos de TPB. Ele sugere que um
indivíduo diagnosticado com TPB pode exibir nenhum, um ou mais dos
seguintes:
Subtipo Características
Desencorajado (inclui características da
personalidade esquiva)
Flexível,
submisso, leal,
humilde; se
sente vulnerável
e em constante
perigo;
Petulante (inclui características passivas-
agressivas)
Negativista,
impaciente,
inquieto,
teimosamente
desafiante,
pesado,
pessimista e
rancoroso;
facilmente
17
cansado e
rapidamente
desiludido.
Impulsivo(inclui
características histriônicas e antissociais)
Caprichoso,
superficial, indeciso,
distraído, frenético e
sedutor; ao temerem
a perda, se tornam
agitados, sombrios e
irritáveis;
potencialmente
suicida.
Autodestrutivo (inclui
características depressivas oumasoquistas)
Voltado para si,
raiva autopunitiva;
conformismo,
comportamentos
respeitosos e
insinuantes se
deterioraram; tenso
e ranzinza;
possivelmente
suicida.
Familiares
As pessoas com TPB tendem a sentir raiva e afastamento de seus
familiares. Por sua vez, os familiares muitas vezes sentem raiva e
desamparo pela forma como o membro da família com TPB se relaciona
com eles.[12]
Um estudo de 2003 descobriu que quanto mais os membros da família
sabem sobre TPB maiores são suas sensações de fardo, sofrimento
emocional e hostilidade com relação a pessoa com TPB.[81] Estas
descobertas podem indicar a necessidade de se investigar a qualidade e a
precisão das informações recebidas pelos membros da família.[81]
Pais de adultos com TPB são muitas vezes ambos sobre-envolvidos e
sub-envolvidos nas interações familiares.[82] Em relacionamentos
amorosos, o TPB está ligado a níveis aumentados de stress e conflitos
18
crônicos, diminuída satisfação do parceiro amoroso, abuso doméstico
e gravidez indesejada. Entretanto, essas ligações podem se aplicar a
transtornos de personalidade em geral.[34]
Mães Borderline
Segundo relatos descritos por pacientes,[83] uma das características
marcantes da mãe borderline é a escolha de um homem calmo, passivo e
submisso como cônjuge ou parceiro. Quando a mãe borderline possui um
ou mais filhos, apenas com relação a um único, o tratamento é
diferenciado da seguinte maneira:
Distorção de frases ditas pelo filho ao relatá-las
Distorção de acontecimentos realizados pelo filho ao relatá-los
Distinção no tratamento do filho com relação aos irmãos
Tratamento do filho com alto tom de voz
Descontrole e fúria no tratamento do filho
Destruição de pertences do filho
Ação de constrangimento do filho perante amigos e familiares
Ação de isolamento afetivo do filho por meio do ciúme e possessão
do cônjuge,
irmãos e demais familiares.
Sensação de incômodo na privacidade do filho
Sensação de incômodo no livre-arbítrio do filho
Ação de busca e leitura de objetos pessoais do filho
Simulação de tentativa de suicídio, usando como argumentos
características do filho
Adolescência
O aparecimento dos sintomas ocorre tipicamente durante a adolescência
ou no início da vida adulta, embora sintomas que sugerem o transtorno
possam ser as vezes observados na infância.[84] Os sintomas entre
adolescentes que indicam o desenvolvimento de TPB na fase adulta
podem incluir problemas com imagem corporal, extrema sensibilidade a
rejeição, problemas de comportamento, automutilação não suicida,
tentativas de encontrar relacionamentos exclusivos e grave
vergonha.[12] Muitos adolescentes experimentam esses sintomas sem mais
tarde desenvolverem TPB, mas aqueles que os experimentam tem 9 vezes
19
mais chances de desenvolver TPB. Eles também tem mais chances de
desenvolver outras inaptidões sociais de longo prazo.[12]
Os clínicos são desencorajados a diagnosticar TPB antes dos 18 anos de
idade, devido aos altos e baixos naturais da adolescência e de uma
personalidade ainda em desenvolvimento. Entretanto, o TPB as vezes
pode ser diagnosticado antes dos 18 anos, nesse caso os sintomas devem
estar presentes de maneira consistente por pelo menos 1 ano.[3]
Um diagnóstico de TPB na adolescência indica que o transtorno
continuará na idade adulta.[3][85] Entre adolescentes que podem ser
diagnosticados com TPB parece existir um grupo no qual o transtorno
permanece estável ao longo do tempo e outro grupo no qual os indivíduos
ora se enquadram no diagnóstico, ora não.[86] O diagnóstico precoce pode
ajudar a criar um plano de tratamento mais eficaz para o
adolescente.[3][85] Terapia familiar é considerada um componente auxiliar
no tratamento de adolescentes com TPB.[87]
Diagnóstico diferencial e comorbidades
SINTOMAS TPB OUTRAS DOENÇAS
DEPRESSÃO
Ânimo baixo, curto e
intermitente
Ânimo baixo, longo e contínuo
MUDANÇAS
DE HUMOR
Muito rápida: segundos, horas, no
máximo um dia; reativo ao
ambiente.
No bipolar, longa: dias, semanas,
meses; sem motivo nenhum.
IDENTIDADE
Mutável, indecisa, não sabe quem é e o
que quer.
Estável concreta
certeza
COGNIÇÃO Alucinações e paranoias ao estresse.
Na esquizofrenia, alucinações
contínuas
DESPERSONALIZAÇÃO
Sensação de irrealidade quando em
estresse.
Pouco frequente, na síndrome do
pânico é contínua.
Comorbidade
Em algumas ocasiões, é dito que o TPB é um "paradigma das comorbidades"
(Martínez Raga et al., 2005) A comorbidade de condições crônicas é comum
com TPB, ou seja, é comum que o transtorno venha acompanhado de outras
doenças. Comparando com aqueles que foram diagnosticados com outros
20
transtornos de personalidade, uma alta taxa de pessoas com TPB também
atende aos critérios diagnósticos de:[88]
transtorno do humor,incluindo depressão nervosa e transtorno
bipolar
transtorno da ansiedade, incluindo transtorno do pânico, fobia
social e transtorno de estresse pós-traumático
outro transtorno de personalidade
abuso de substâncias
transtorno alimentar, incluindo anorexia nervosa e bulimia nervosa
transtorno do déficit de atenção com hiperatividade[89]
transtorno somatoforme
transtorno dissociativo
Transtornos comórbidos do Eixo I
Diferenças entre os sexos no diagnóstico de comorbidades ao longo da vida
Diagnóstico do Eixo I
Geral
(%)
Home
ns (%)
Mulheres (%)
Transtornos do humor 75.0 68.7 80.2
Depressão nervosa 32.1 27.2 36.1
Distimia 9.7 7.1 11.9
Transtorno bipolar do
tipo I
31.8 30.6 32.7
Transtorno bipolar do
tipo II
7.7 6.7 8.5
Transtornos de
ansiedade
74.2 66.1 81.1
Transtorno do
pânico com agorafobia
11.5 7.7 14.6
Transtorno do pânico
sem agorafobia
18.8 16.2 20.9
Fobia social 29.3 25.2 32.7
Fobia específica 37.5 26.6 46.6
Transtorno de estresse pós-
traumático
39.2 29.5 47.2
Trans ansiedade generalizada 35.1 27.3 41.6
21
Transtorno obsessivo-
compulsivo
15.6
-
-
-
---
Transtornos de uso de
substâncias
72.9 80.9 66.2
Alcoolismo 57.3 71.2 45.6
Abuso de substâncias 36.2 44.0 29.8
Transtornos
Alimentares
53.0 20.5 62.2
Anorexia nervosa 20.8 7 * 25
Bulimia nervosa 25.6 10 * 30 *
Transtorno alimentar
não especificado**
26.1 10.8 30.4
Transtornos
Somatoformes**
10.3 10 * 10 *
Transtorno
somatoforme**
4.2 --- ---
Hipocondria** 4.7 --- ---
Transtorno da dor
somatoforme**
4.2 --- ---
Transtornos psicóticos** 1.3 1 * 1 *
* Valores aproximados
** Valores da pesquisa de 1998 [88]
--- Valores não disponibilizados pela pesquisa
Um estudo de 2008 descobriu que, em algum ponto de
suas vidas, 75% das pessoas com TPB atenderam aos
critérios diagnósticos de um transtorno de humor,
especialmente depressão nervosa e transtorno bipolar
do tipo I, aproximadamente 75% atendem ao critério
diagnóstico para transtorno de ansiedade.[90] Quase 73%
atendem ao critério diagnóstico para abuso ou
dependência de substâncias, cerca de 40% para
Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).[90] É
22
importante notar que menos da metade dos
participantes com TPB neste estudo apresentavam
TEPT, uma prevalencia similar ao encontrada em um
estudo anterior.[88] A descoberta de que menos da
metade dos pacientes com TPB experimentam TEPT ao
longo de suas vidas desafia a teoria de que TPB e TEPT
seriam o mesmo transtorno.[88]
Existem marcadas diferenças nos tipos de
comorbidades que uma pessoa com TPB tende a ter de
acordo com seu sexo--[88] um percentual maior de
homens com TPB atendem aos critérios de abuso de
substância, enquanto um percentual maior de mulheres
com TPB atende aos critérios para terem TEPT e
transtornos alimentares.[88][90][91] Em um estudo, 38% dos
participantes com TPB atendiam os critérios para serem
diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção
com Hiperatividade (TDAH).[89] Em outro estudo, 6 de 41
participantes (15%) atendiam os critérios de um
transtorno do espectro autista (um subgrupo que tem
tentativas de suicídio significativamente mais
frequentes).[92]
Apesar de ser um transtorno que muitas vezes passa
sem ser diagnosticado, alguns estudos demonstraram
que "sintomas leves" podem levar a diagnósticos
incorretos. Os muitos e instáveis transtornos do Eixo I do
DSM-IV em pessoas com TPB pode as vezes levar o
médico a não perceber a presença de um transtorno de
personalidade por trás de tudo. Entretanto, uma vez que
um padrão complexo de diagnósticos do Eixo I está
fortemente relacionado com a presença de TPB, os
profissionais da saúde mental podem usar essa
característica de um complexo padrão de comorbidades
como uma pista de que o TPB esteja presente.[88]
23
Avaliação inicial
A avaliação inicial normalmente pode incluir um exame
físico por um médico. Embora não existam testes
fisiológicos para confirmar o TPB, pode-se usar testes de
exclusão de qualquer outra condição médica que
apresenta-se também com sintomas psiquiátricos:
Exames de sangue para medir os níveis de TSH para
excluir hipotireoidismo, e cálcio sérico para descartar uma
doença metabólica.
Um hemograma completo para descartar uma infecção
sistêmica ou qualquer outra doença crônica facilmente
diagnosticada pelo exame de sangue.
A sorologia para excluir a infecção por sífilis ou HIV.
Exames neurológicos como EEG, ressonância
magnética e tomografia computadorizada podem ser
importantes para excluir lesões, tumores, e outras doenças
cerebrais.
Entre outros instrumentos de avaliação psicológica, podem
ser usados questionários de personalidade.[93]
Semiologia adicional e biomarcadores
TPB
Foram observados alguns dos seguintes sinais de funções
fisiológicas atingidos pelo TPB:
Teste de supressão de dexametasona como um
biomarcador de TPB. Os resultados são ambíguos e
parecem ter maior validade para pacientes com
comorbidades com transtorno de estresse pós-
traumático.[94]
Observa-se em pacientes borderlines muitos sintomas
do hipotireoidismo:
cerca de um terço dos pacientes têm
uma tirotropina reativa com hormônio liberador
debilitada.[95] Também são frequentemente
encontrados anticorpos de tireoide.
Sintomas neurológicos leves.
24
Irregularidades no sono.[96]
Reações anormais às drogas:
Procaína e anestésicos opióides: isto porque, em
parte, há um aumento da irritabilidade límbica no
TPB. A administração de procaína estimula
estruturas límbicas tais como a amígdala e o córtex
cingulado, causando mais irritabilidade no humor
dos pacientes TPB.[97]
Os períodos de impregnação de
algumas drogas são muito mais elevados e
também parecem necessitar de doses maiores.
O alprazolam pode piorar notavelmente a falta de
controle da conduta do paciente.
A amitriptilina parece aumentar as ameaças de
suicídio, tendências agressivas e ideações
paranoides[98], especialmente em crianças e
adolescentes que começam a desenvolver o TPB.
Anormalidades no eletroencefalograma. Algumas
características são típicas da esquizofrenia[99] e, em
geral, mal se pode distinguir do transtorno de
personalidade esquizotípica[100]. Por isso, pensava-
se, a princípio, em origem comum das doenças.
As anormalidades bioquímicas e do papel
da serotonina sérica é particularmente evidente
em plaquetas, que são as transportadoras de
serotonina:
Problemas no transporte de serotonina
plaquetária[101] e na atividade
da monoaminaoxidase (MAO)[102].
A paroxetina, um antidepressivo inibidor seletivo do
recaptamento da serotonina, tem uma capacidade
de ligação inferior a esta enzima.[103]
Nível baixo de melatonina.[104]
Baixo nível de transporte de íons, especialmente
o lítio.[105]
Anormalidades na tomografia axial
computadorizada da cabeça.
25
Segundo alguns especialistas, é encontrado
geralmente baixos níveis de vitamina B12 em
pacientes borderlines.[106]
Critérios do DSM-IV-TR
A última versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de
Desordens Mentais versão IV (DSM-IV na sigla em inglês) -
o guia americano amplamente usado por médicos àprocura de um diagnóstico de doenças mentais – define o
TPB (código do DSM-IV-TR: 301.83) como: “um padrão
invasivo de instabilidade dos relacionamentos
interpessoais, autoimagem e afetos e acentuada
impulsividade, que começa no início da idade adulta e está
presente em uma variedade de contextos”. Um diagnóstico
de TPB requer cinco dos nove critérios listados no DSM e
que os mesmos estejam presentes por um significante
período de tempo. Os critérios são[36]:
Critérios diagnósticos segundo o DSM-IV:
Sintomas afectivos
Instabilidade afetiva acentuada devida reatividade
intensa do humor (por exemplo: episódios de disforia,
irritabilidade, ou ansiedade geralmente durante algumas
horas e raramente, no máximo, alguns dias).
Ira, ódio ou raiva inapropriados, intensos e de difícil
controle (por exemplo: apresenta frequentes
demonstrações de irritação, raiva constante, sentimento
de vinganças, lutas corporais recorrentes.)
Sentimentos crônicos de vazio e tédio.
Sintomas impulsivos
Conduta recorrente de tentativas ou ameaças
de suicídio e comportamentos de automutilação.
Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e
intensos, caracterizado por extremos
de idealização e desvalorização, ou amor e ódio, bom ou
mau etc.
Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente
prejudiciais à própria pessoa (por exemplo, exageros em:
26
gastos financeiros, sexo, drogas, álcool, direção
imprudente, comer, cleptomania ou outros tipos de
compulsões.) Nota: não incluir comportamento suicida ou
automutilante estabelecido no critério 4.
Sintomas interpessoais
Esforços frenéticos para evitar um abandono/rejeição
real ou imaginado. Nota: não incluir comportamento
suicida ou automutilante estabelecido no critério 4.
Instabilidade na identidade: autoimagem, preferência
sexual, gostos e valores persistentemente instáveis.
Sintomas cognitivos
Ideação paranoide transitória relacionada ao estresse, ou
severos sintomas dissociativos.
Diagnósticos comparáveis
A Classificação Internacional de Doenças - Volume 10
(CID-10), da Organização Mundial da Saúde, tem um
diagnóstico comparável chamado Transtorno de
Personalidade Emocionalmente Instável – Tipo
Borderline (F60.31). Nele (além do critério geral
de transtorno de personalidade) se requer perturbações
e incertezas sobre a autoimagem, metas, preferências
internas (incluindo sexualidade), oscilações de humor,
tendência em se envolver em relações intensas e
instáveis frequentemente levando a crises emocionais,
excessivos esforços para se evitar abandono,
pensamentos e ameaças recorrentes ou atos de
autolesão e suicídio; e sentimentos crônicos de vazio.
A Sociedade Chinesa de Psiquiatria tem outro
diagnóstico comparável chamado Transtorno de
Personalidade Impulsiva. Um paciente diagnosticado
com TPI deve demonstrar "explosões afetivas" e
"demonstrável comportamento impulsivo", mais três de
oito sintomas. Este diagnóstico é descrito como um
híbrido dos subtipos impulsivo e borderline do Transtorno
de Personalidade Emocionalmente Instável da CID-10, e
também incorpora seis dos nove critérios do DSM-IV-
27
TR.[107]
Transtornos afetivos
O transtorno de personalidade borderline geralmente co-
ocorre com transtornos de humor. Algumas
características do TPB podem até coincidir com os
mesmos distúrbios, dificultando a avaliação de
diagnóstico diferencial.[108][109][110]
Ambos diagnósticos envolvem sintomas comumentes
conhecidos como oscilações emocionais. Na doença
bipolar do humor, o termo refere-se a episódios cíclicos
de depressão e euforia que duram dias inteiros, semanas
ou até mesmo meses, em geral. No bipolar, não
aparecem sintomas como medo do abandono e rejeição,
demonstrado através de raiva intensa e sentimentos de
ciúmes patológico, rancor e vingança contra a outra
pessoa, além do pensamento extremista e o mecanismo
de cisão que é típica no TPB. No TBP, o humor é muito
reativo, dependendo sempre das circunstâncias
externas, tendo durações curtas (em segundos ou
horas), enquanto que o bipolar possui um humor
independente do ambiente externo, tendo durações
maiores que o borderline (em um dia, semanas ou mais).
Uma situação borderline típica é marcada
por instabilidade e reatividade emocional excessiva que é
muitas vezes referida por desregulação emocional. O
comportamento ocorre em resposta a extressores
externos, intrapsíquicos e psicossociais, podendo
aparecer e desaparecer, de repente e dramaticamente,
durando segundos, minutos ou horas.
A depressão uni ou bipolar é mais generalizada, com
perturbação do sono, apetite, assim como uma marcada
ausência de resposta emocional, ao tempo que o estado
de ânimo de uma personalidade borderline com co-
ocorrência de uma distimia permanece com destacada
reatividade e sem transtornos agudos do sono.[111]
Há um debate sobre a relação entre transtorno bipolar e
TPB. Alguns especialistas argumentam que este último
28
representa uma forma subliminar de transtorno
afetivo[112][113], enquanto outros defendem a distinção
entre as doenças, embora refira-se que muitas vezes
ocorram simultaneamente.[114][115]
Tratamento
A Psicoterapia é o tratamento primário para transtorno de
personalidade bordeline.[116] Tratamentos devem se
basear nas necessidades do indivíduo, ao invés de no
diagnostico geral de TPB. Medicamentos
como antidepressivos são úteis para tratar transtornos
comórbidos, tais como depressão e ansiedade[117] e
alguns dos sintomas como clivagem, impulsividade e
comportamento imprudente mostraram melhora com uso
de antipsicóticos atípicos.[118] Hospitalizações de curto
prazo não foram mais eficazes do que cuidados
comunitários para melhorar os resultados ou como
prevenção de comportamento suicida a longo prazo,
naqueles com TPB.[119]
Medicamentos podem ser usados para tratar comorbidades
e sintomas-alvo, mas a psicoterapia é importantíssima para
um tratamento eficaz.[120]
Psicoterapia
Terapia de longo prazo é atualmente o tratamento mais
indicado para TPB.[121] Existem cinco tratamentos deste
tipo disponíveis: Tratamento baseado em mentalização,
Psicoterapia focada em transferência, Terapia
comportamental dialética (TCD), tratamento geral
psiquiátrico e terapia do esquema.[12] Enquanto a TCD é
a terapia que mais foi estudada, pesquisas empíricas e
estudos de caso demonstram que todos esses
tratamentos são eficazes para tratar TPB, exceto a
terapia do esquema.[12] No longo prazo qualquer terapia,
incluindo a terapia do esquema, é melhor do que nenhum
29
tratamento, especialmente na redução da compulsão por
se automutilar.[121]
As terapias baseadas em mentalização e focadas em
transferência são baseadas em
princípios psicodinâmicos enquanto a terapia
comportamental dialética se baseia em princípios
cognitivos-comportamentais e na atenção plena.[121] O
tratamento geral psiquiátrico combina os princípios
fundamentais de cada um destes tratamentos é
considerado mais fácil de aprender e menos
intensivo.[12] Testes aleatórios controlados demonstraram
que os mais eficazes são a terapia comportamental
dialética e baseada em mentalização, sendo que elas
compartilham muitas semelhanças.[122][123] Pesquisadores
estão interessados em desenvolver versões mais curtas
dessas terapias para aumentar sua disponibilidade,
reduzir o impacto financeiro para os pacientes e diminuir
acarga de recursos que quem provê o tratamento deve
alocar.[121][123]
De uma perspectiva psicodinâmica, um problema
especial da psicoterapia com pessoas com TPB é a
intensa projeção. Ela requer que o terapeuta seja flexível
ao considerar atribuições negativas pelo paciente ao
invés de rapidamente interpretar a projeção.[124]
Alguns outros exemplos de terapias indicadas as
pessoas com TPB incluem:
Terapia comportamental dialética: Estabelecida
nos anos 1990, a terapia comportamental
dialética se tornou uma forma de tratamento do
TPB, originada principalmente como uma
intervenção para pacientes com comportamento
suicida. Essa forma de psicoterapia deriva da
terapia cognitivo-comportamental e enfatiza a
troca e negociação entre o terapeuta e o cliente,
entre o racional e o emocional, e entre a
aceitação e a mudança. O tratamento tem como
alvo os problemas com aautomutilação. O
30
aprendizado de novas habilidades é um
componente principal, incluindo consciência,
eficácia interpessoal, cooperação adaptativa com
decepções e crises; e na correta identificação e
regulação de reações emocionais.
Terapia do esquema: Outra forma de terapia que
também se estabeleceu nos anos 1990 e tem
como base uma aproximação integrativa derivada
de técnicas cognitivas-comportamentais
juntamente com relações objetais e técnicas da
gestalt. Esta terapia se direciona aos mais
profundos aspectos da emoção, personalidade e
esquemas (modos fundamentais de
relacionamento com o mundo). A terapia também
foca o relacionamento com o terapeuta (incluindo
um processo de quase paternidade), vida diária
fora da terapia, e experiências traumáticas na
infância.
Terapia cognitivo-comportamental: A TCC é o
tratamento psicológico mais usado em doenças
mentais, mas parece ter menos sucesso no TPB,
devido parcialmente às dificuldades no
desenvolvimento de uma relação terapêutica e
aderência à terapia. Um estudo recente descobriu
que resultados com essa terapia aparecem, em
média, depois de 16 sessões ao longo de um
ano.
Terapia matrimonial ou familiar: Terapia
matrimonial pode ajudar na estabilização da
relação matrimonial e na redução dos conflitos
matrimoniais que podem piorar os sintomas do
TPB. Terapia familiar pode ajudar a educar os
membros da família acerca do TPB, melhorar a
comunicação familiar, e prover suporte aos
membros da família ao lidar com a doença de
seus amados.
Um dos maiores problemas com as psicoterapias
31
são os elevados números de abandono do
tratamento pelos portadores de TPB.
Medicamentos
Uma revisão de 2010 da Colaboração
Cochrane evidenciou que nenhuma medicação
demonstrou ser promissora para "os sintomas principais
de TPB como sentimento de vazio crônico, perturbações
de identidade e abandono." Entretanto, os autores
descobriram que alguns medicamentos podem afetar
sintomas isolados associados ao TPB ou as suas
comorbidades.[125]
Dos antipsicóticos típicos estudados no TPB,
o haloperidol pode reduzir a raiva e o flupentixol pode
reduzir as chances de comportamento suicida. Entre
os antipsicóticos atípicos, a aripiprazol pode reduzir
problemas interpessoais, impulsividade, raiva, sintomas
psicóticos paranóides, depressão, ansiedade e
patologias psiquiátricas gerais. A Olanzapina pode
diminuir a instabilidade afetiva, raiva, sintomas psicóticos
paranóides e ansiedade mas um placebo teve um
impacto mais positivo na ideação suicida do que a
olanzapina. Os efeitos da ziprasidona não foram
significativos.[125]
Dos estabilizadores do
humor estudados, valproato semisódio pode aliviar a
depressão, problemas interpessoais e
raiva. Lamotrigina pode reduzir impulsividade e
raiva; topiramato pode aliviar problemas interpessoais,
impulsividade, ansiedade, raiva e patologias psiquiátricas
gerais. O efeito da carbamazepina não foram
significativos. antidepressivos, a amitriptilina pode reduzir
a depressão, mas mianserina,fluoxetina, fluvoxamina e
sulfato de fenilzina não tiveram efeito. Os ácidos
graxos ômega 3 podem melhorar a taxa de suicídios e a
depressão. Em 2010, experimentos com esses
medicamentos não tinha sido replicados e os efeitos de
seu uso a longo prazo não foi avaliado.[125]
32
Por causa das fracas evidências e do potencial para
efeitos colaterais sérios pelo uso dessas medicações, os
parâmetros clínicos para tratamento e gerenciamento de
TPB do Instituto NICE do Reino Unido, publicado em
2009, recomenda: "Medicamentos não devem ser usados
especificamente para transtorno de personalidade
borderline ou para os sintomas individuais ou
comportamentos associados ao transtorno." Entretanto,
"medicamentos podem ser considerados no tratamento
geral de comorbidades." Eles sugerem uma "revisão no
tratamento de pessoas com transtorno de personalidade
borderline que não foram diagnosticadas com uma
comorbidade mental ou doença física e que atualmente
são tratadas através da prescrição de medicamentos,
com o objetivo de reduzir e parar o tratamento com
drogas desnecessário."[126]
Serviços
Existe uma diferença significativa entre o número
daqueles que se beneficiariam do tratamento e do
número daqueles que são tratados. O assim chamado
"gap do tratamento" é uma função da desinclinação dos
afligidos em se submeter ao tratamento, o número de
diagnósticos inferior ao real pelos profissionais de saúde
e a limitada disponibilização e acesso a tratamentos
em estado da arte.[127] Não obstante, indivíduos com TPB
responderam por cerca de 20 porcento das
hospitalizações psiquiátricas em uma pesquisa.[128] A
maioria dos indivíduos com TPB que estão em
tratamento continua usando o tratamento ambulatorial
por muitos anos, mas o número daqueles que usam as
formas de tratamento mais restritivas e custosas, como
internações, diminui com o tempo.[129] A experiência dos
prestadores de serviço varia.[130] Mensurar o risco de
suicídio pode ser um desafio para os profissionais e os
pacientes tendem a subestimar a letalidade de
33
comportamentos autodestrutivos. Pessoas com TPB
tipicamente tem um risco cronicamente elevado de
suicídio, muito acima do da população em geral, além de
um histórico de múltiplas tentativas quando em
crise.[131] Aproximadamente metade dos indivíduos que
cometem suicídio atendem ao critério para um transtorno
de personalidade. Transtorno de personalidade
borderline permanece como o transtorno de
personalidade mais comumente associado com o
suicídio.[132]
Prognóstico
Com tratamento, a maioria das pessoas com TPB pode
encontrar alívio dos sintomas mais angustiantes e
alcançar remissão, definida como uma pausa
consistentes nos sintomas por pelo menos dois
anos.[133][134] Um estudo longitudinal que acompanhava
os sintomas de pessoas com TPB descobriram que
34.5% atingiam a remissão depois de dois anos do início
do estudo. Dentro de quatro anos, 49.4% atingiram a
remissão e, dentro de seis anos, 68.6% haviam atingido
a remissão. No final do estudo, 73.5% dos participantes
estavam em remissão.[133] Além disso, daqueles que
atingiram a recuperação dos sintomas, só 5.9% tiveram
recaídas. Um estudo posterior descobriu que dez anos
depois da data inicial (durante a hospitalização), 86% dos
pacientes tem sustentada e estável recuperação dos
sintomas.[135]
Epidemiologia
A prelavência do TPB foi inicialmente estimada em 1 a 2
por cento da população em geral[134][136]e ocorrem três
vezes mais frequentemente em mulheres do que em
homens.[137][138] No entanto, a prevalência de TPB em um
estudo de 2008 verificou-se ser de 5,9% da população
geral, ocorrendo em 5,6% dos homens e 6,2% das
34
mulheres.[90] A diferença nas taxas entre homens e
mulheres neste estudo não considerada estatisticamente
diferente.[90]
Transtorno de personalidade borderline é estimado
contribuir em 20 por cento das internações psiquiátricas
e ocorrem entre 10 por cento dos pacientes
ambulatoriais.[6]
História
A coexistência de intenso humor divergente dentro de um
indivíduo foi reconhecido
por Homero, Hipócrates e Areteu, o último descrevendo a
presença hesitante de raiva impulsiva, melancolia e
mania dentro de uma única pessoa. O conceito foi
revivido pelo médico suíço Théophile Bonet em 1684,
que usando o termo folie maniaco-
mélancolique,[139][140] descreveu o fenômeno dos
humores instáveis que se seguiam em curso
imprevisível. Outros escritores observaram o mesmo
padrão, incluindo o psiquiatra norte-americano C.
Hughes em 1884 e J. C. Rosse em 1890, que chamou o
transtorno "insanidade limítrofe".[141] Em
1921, Kraepelin identificou uma "personalidade excitável"
que se aproxima bastante das
características borderline descritas no conceito atual de
TPB.[142]
O primeiro trabalho psicanalítico significativo a usar o
termo borderline/fronteira foi escrito por Adolf Stern em
1938.[143] Ele descreveu um grupo de pacientes
portadores do que ele pensava ser uma forma leve
de esquizofrenia, na fronteira entre a neurose e
a psicose.
Os anos 1960 e 1970 viram uma mudança de
pensamento sobre a condição borderline ser
esquizofrenia e passou a ser considerada como um
transtorno afetivo limítrofe (transtorno de humor), à
35
margem do transtorno bipolar, ciclotimia e distimia.
O DSM-II, sublinhando a intensidade e a variabilidade
dos humores, chamou de "personalidade ciclotímica"
(personalidade afetiva).[3] Enquanto o termo "fronteira"
estava evoluindo para se referir a uma categoria distinta
de desordem, psicanalistas, como Otto Kernberg o
estavam usando para se referir a um amplo espectro de
questões, descrevendo um nível intermediário de
organização da personalidade[142] entre a neurose e
psicose.[144]
Depois que critérios padronizados foram
desenvolvidos[145] para distingui-lo de transtornos de
humor de outros transtornos do Eixo I, o TPB tornou-se
um diagnóstico de transtorno de personalidade em 1980,
com a publicação do DSM-III.[134] O diagnóstico foi
distinguido da esquizofrenia sub-sindrômica que foi
chamada de "transtorno de personalidade
esquizotípica".[144] O Eixo II do DSM-IV do Trabalho da
Associação Americana de Psiquiatria finalmente decidiu
sobre o nome "transtorno de personalidade borderline",
que ainda está em uso pelo DSM-IV hoje.[146] No entanto,
o termo "limite" tem sido descrito como exclusivamente
insuficiente para descrever os sintomas característicos
desse transtorno.[147]
Ligações externas
Em português
Amborder, programa do Departamento de Psiquiatria
da Unifesp
Amborder - Perguntas mais frequentes
Teses e Dissertações - Borderline, Biblioteca Digital
da USP
Associação Brasileira de Psiquiatria: Transtorno de
Personalidade Limítrofe
Ailton Bedani, Breve História dos Borderlines, DOC
TPB pelo DSM-IV
Personalidade Borderline
Teorias da Personalidade
36
TEI-Transtorno Explosivo Intermitente
Outros idiomas
AAPEL – Association d'Aide aux Personnes avec un Etat
Limit (em francês)
Referências
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Psiquiatria da Unifesp
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Mais referências e fonte em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personali
dade_lim%C3%ADtrofe