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Transtorno de Personalidade Limítrofe 
TPB - Borderline 
 
Artigo português - Portugal 
Extraído da Wikipédia 
 
 
 
 
Características, causas, 
sintomas, diagnóstico, 
tratamentos, comorbidades 
e referências - 2016 
1 
 
Transtorno de personalidade 
limítrofe ou borderline 
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. 
Nota: "Borderline" redireciona para este artigo. Para outros significados, 
veja Borderline (desambiguação). 
Nota: "Fronteiriço" redireciona para este artigo. Para a relação trabalhista, 
veja Frontalier. 
Transtorno de personalidade limítrofe 
Classificação e recursos externos 
CID-10 F60.3 
CID-9 301.83 
MedlinePlus 000935 
eMedicine article/913575 
MeSH D001883 
Transtorno de personalidade limítrofe (também 
chamado Transtorno de personalidade emocionalmente 
instável na CID-10, Transtorno de intensidade 
emocionalou Transtorno de personalidade 
borderline [TPB])[1] (borderline significa "fronteira" ou 
"limite" em inglês), é um transtorno de personalidade do 
cluster B cuja característica essencial é um padrão de 
comportamento marcado pela impulsividade e instabilidade 
de afetos, relacionamentos interpessoais e autoimagem. O 
padrão está presente no início da idade adulta e ocorre em 
uma variedade de situações e contextos.[2] 
 
Outros sintomas comumente incluem um intenso medo de 
abandono e intensas crises de raiva e irritabilidade que 
outros têm dificuldade em compreender a razão.[2][3][4] As 
pessoas com TPB muitas vezes se envolvem 
na idealização e desvalorização de outros, alternando entre 
uma alta consideração positiva ou uma grande 
decepção.[5]Automutilação e comportamento suicida são 
comuns.[6] 
2 
 
 
O transtorno é reconhecido no Manual Diagnóstico e 
Estatístico de Transtornos Mentais. Devido ao fato de um 
transtorno de personalidade ser um padrão mal-adaptativo 
de experiências pessoais disseminado, contínuo, inflexível 
e com comportamentos patológicos, há uma relutância em 
diagnosticá-los antes da adolescência ou início da vida 
adulta.[7]. Entretanto, alguns enfatizam que, sem 
tratamento, os sintomas podem piorar.[8] 
 
 
 
Há um debate em curso sobre a terminologia deste 
transtorno, especialmente sobre a adequação da palavra 
"borderline" ("limite").[9][10] O manual CID-10 refere-se a 
este transtorno como "transtorno de personalidade 
emocionalmente instável" e tem critérios diagnósticos 
semelhantes. Há uma preocupação com o fato de que o 
diagnóstico de TPB cria estigmas propiciando práticas 
discriminatórias, porque sugere que a personalidade do 
indivíduo é falha.[11] No DSM-5, o nome do distúrbio 
permanece o mesmo.[7] 
Índice 
1 Sinais e Sintomas 
1.1Emoções 
1.2Comportamento 
1.3Automutilação e suicídio 
1.4Relacionamentos interpessoais 
1.5Autoimagem 
1.6Pensamentos 
2 Causas 
2.1Genética 
2.2Anomalias cerebrais 
2.2.1Hipocampo 
2.2.2Amídala 
2.2.3Córtex pré-frontal 
2.2.4Eixo Hipotálamo-hipófise-suprarrenal 
2.3Fatores Neurobiológicos 
2.3.1Estrogênio 
3 
 
2.4Experiências adversas na infância 
2.5Outros fatores que contribuem para o desenvolvimento 
2.6Fatores mediadores e moderadores 
2.6.1Função executiva 
2.6.2Ambiente familiar 
2.6.3Autocomplexidade 
2.6.4Supressão de pensamento 
3 Diagnóstico 
3.1Manual Diagnóstico e Estatístico 
3.2Classificação Internacional de Doenças 
3.3Subtipos de Millon 
3.4Familiares 
3.5Mães Borderline 
3.6Adolescência 
3.7Diagnóstico diferencial e comorbidades 
3.7.1Diagnóstico diferencial 
3.7.2Comorbidade 
3.7.3Transtornos comórbidos do Eixo I 
3.8Avaliação inicial 
3.9Semiologia adicional e biomarcadores TPB 
3.10Critérios do DSM-IV-TR 
3.11Diagnósticos comparáveis 
3.11.1Transtornos afetivos 
4 Tratamento 
4.1Psicoterapia 
4.2Medicamentos 
4.3Serviços 
5 Prognóstico 
6 Epidemiologia 
7 História 
8 Ligações externas 
9 Referências 
 
Sinais e Sintomas 
Os sintomas mais característicos de TPB são uma marcante sensibilidade 
a rejeição, pensar sobre e sentir medo de um possível abandono.[12] Acima 
de tudo, as características do TPB incluem uma sensibilidade 
especialmente intensa nas relações com outras pessoas, dificuldade em 
4 
 
regular emoções e impulsividade. Outros sintomas podem incluir 
sentimentos de insegurança quanto a autoidentidade e valores pessoais, 
ter pensamentos paranoicos quando estressado e dissociação grave.[12] 
Emoções 
Pessoas com TPB sentem emoções com mais facilidade, maior 
profundidade e por mais tempo que as outras.[13][14] As emoções podem 
ressurgir repetidamente e persistir por longos períodos de 
tempo. [14]Consequentemente, pode demorar mais do que o normal para 
uma pessoa com TPB voltar a um estado emocional estável após uma 
experiência emocional intensa. [15] 
Na opinião de Marsha Linehan, a sensibilidade, intensidade e duração com 
a qual as pessoas com TPB experimentam as emoções tem tanto 
aspectos positivos quanto negativos.[15] Pessoas com TPB são 
excepcionalmente idealistas, alegres e amorosas. [16] Entretanto elas 
podem se sentir sufocadas por emoções negativas, experimentando 
intenso luto em vez de tristeza, vergonha e humilhação em vez de leve 
constrangimento, ódio em vez de irritação e pânico em vez de 
nervosismo.[16] Pessoas com TPB são especialmente sensíveis aos 
sentimentos de rejeição, isolamento e sensação de fracasso. [17] Seus 
esforços para conter ou escapar de suas intensas emoções negativas 
podem levar a automutilação ou comportamento suicida antes que 
aprendam outras estratégias de enfrentamento. [18] Em geral eles têm 
consciência da intensidade de suas emoções negativas e, uma vez que 
não são capazes de controlá-las, se desligam delas inteiramente.[15] Isso 
pode ser danoso para as pessoas com TPB, já que emoções negativas 
nos alertam para a presença de situações problemáticas e estimulam seu 
enfrentamento.[15] 
Apesar de as pessoas com TPB sentirem intensa alegria, elas são 
especialmente suscetíveis a disforia, ou sofrimento mental e emocional. 
Zanari et al. reconhece quatro categorias de disforia que são típicas deste 
transtorno: emoções extremas; destrutividade ou autodestrutividade; 
sentimento de identidade fragmentada ou ausente; e sentimento 
de vitimização.[19] Dentro destas categorias, um diagnóstico de TPB é 
fortemente associado com uma combinação de três estados específicos: 
1) se sentir traído, 2) sentir vontade de se machucar e 3)se sentir fora de 
controle.[19] Uma vez que há uma grande variedade nos tipos 
dedisforia que as pessoas com TPB experimentam, a amplitude do 
5 
 
sofrimento é um indicador auxiliar do transtorno de personalidade 
borderline.[19] 
Além das emoções intensas, pessoas com TPB experimentam 
instabilidade emocional. Embora a expressão possa sugerir uma rápida 
mudança entre depressão e exaltação, as oscilações de humor nas 
pessoas com esta condição na verdade ocorrem mais frequentemente 
entre a raiva e a ansiedade e entre depressão e ansiedade.[20] 
 
 Comportamento 
Comportamento impulsivo é comum, incluindo: abuso 
de substâncias e alcoolismo, transtorno alimentar, sexo de risco ou 
indiscriminado com múltiplos parceiros, gastar dinheiro e dirigir 
imprudentemente.[21] 
Comportamento impulsivo também pode incluir abandonar empregos e 
relacionamentos, fugir e se automutilar.[22] 
Pessoas com TPBagem impulsivamente pois isso lhes dá alívio imediato 
de sua dor emocional.[22] Entretanto, a longo prazo, as pessoas com TPB 
sofrem de uma crescente vergonha e culpa que seguem esse tipo de 
ação.[22] Normalmente um ciclo se inicia, no qual a pessoa com TPB sente 
dor emocional, se engajam em um comportamento impulsivo para 
aliviarem a dor, sentem vergonha e culpa por suas ações, sentem dor 
emocional por conta dos sentimentos de vergonha e culpa e então 
experimentam uma maior compulsão por se engajar em um 
comportamento impulsivo para aliviar a nova dor.[22] Conforme o tempo 
passa, o comportamento impulsivo pode se tornar uma resposta 
automática diante a dor emocional.[22] 
 
Automutilação e suicídio 
Automutilação e comportamento suicida são um dos critérios de 
diagnóstico centrais no DSM-IV. A gestão e recuperação destes 
comportamentos pode ser complexo e desafiador.[23] A incidência de 
suicídios entre pessoas com TPB é entre 3% e 10% ao longo da 
vida.[12][24] Há evidências de que homens diagnosticados com TPB tem 
aproximadamente o dobro de probabilidade de cometerem suicídio em 
relação as mulheres diagnosticadas com TPB[25] Também há evidências 
que uma percentagem considerável de homens que cometem suicídio 
podem ter TPB não diagnosticada.[26] 
6 
 
Automutilação é comum e pode ocorrer com ou sem intenção 
suicida.[27][28] As razões apresentadas para a automutilação não suicida 
diferem das razões para tentativas de suicídio.[18] As razões para a 
automutilação não suicida incluem expressar raiva, autopunição, voltar ao 
normal (geralmente em resposta a dissociação) e distrair-se da dor 
emocional ou de circunstâncias difíceis.[18] Em contraste com isso, as 
tentativas de suicídio tipicamente refletem uma crença de que as vidas das 
outras pessoas vão melhorar depois do suicídio.[18] Ambas automutilações, 
suicidas e não suicidas, são uma resposta ao sentirem emoções 
negativas.[18] 
Abuso sexual, em particular, pode ser um gatilho para comportamento 
suicida em adolescentes com TPB.[29] 
 
Relacionamentos interpessoais 
Pessoas com TPB podem ser muito sensíveis ao modo como outros a 
tratam, sentindo intensa alegria e gratidão diante do que percebem como 
expressões de bondade, e intensa tristeza e raiva ao que entendem como 
uma crítica ou ofensa.[30] Seus sentimentos a respeito dos outros 
normalmente alternam entre o positivo e o negativo após uma decepção, o 
que entendem como uma ameaça de se perder alguém ou de perder a 
estima que alguém importante tenha por eles. Este fenômeno, as vezes 
chamado de clivagem ou pensamento preto-e-branco, inclui a mudança 
entre idealização de outra pessoa (sentimento de amor e admiração) e 
desvalorização (sentimento de raiva ou antipatia).[31] Combinado com os 
distúrbios do humor, idealização e desvalorização podem minar 
relacionamentos com a família, amigos e colegas de trabalho.[32] A 
autoimagem também pode mudar rapidamente do positivo para o negativo. 
Embora desejando fortemente a intimidade, as pessoas com TPB tendem 
a ser inseguras, esquivas ou ambivalentes, ou terrivelmente preocupadas 
com padrões de apego em relacionamentos[33] e muitas vezes veem o 
mundo como perigoso e mau.[30] O TPB está ligado ao aumento dos níveis 
de estresse crônico e aos conflitos nos relacionamentos amorosos, 
diminuição da satisfação dos parceiros românticos, abusodoméstico e 
gravidez indesejada. No entanto, estes fatores parecem estar ligados aos 
transtornos de personalidade em geral.[34] 
Manipulação psicológica para obter carinho é considerada uma 
característica comum de TPB por muitos que tratam o transtorno, bem 
7 
 
como pelo DSM-IV.[35][36] No entanto, alguns profissionais de saúde 
mentaladvertem que uma ênfase excessiva e uma definição muito ampla 
de manipulação pode levar a mal-entendidos e tratamento preconceituoso 
das pessoas com TPB dentro do sistema de saúde.[37] 
 
Autoimagem 
As pessoas com TPB tendem a ter dificuldade em ver uma imagem clara 
de sua própria identidade. Em particular, eles tendem a ter dificuldade em 
saber o que valorizam e apreciam.[38] São muitas vezes inseguros sobre 
suas metas de longo prazo quanto a relações e empregos. Essa 
dificuldade de saber quem eles são e o que eles valorizam pode levar as 
pessoas com TPB a experimentar uma sensação de "vazio" e "perda".[38] 
 
Pensamentos 
As intensas emoções, muitas vezes vividas por pessoas com TPB podem 
dificultar a elas ter controle sobre seu foco de atenção - elas têm 
dificuldade em se concentrar.[38] Além disso, as pessoas com TPB podem 
tender a dissociar o que pode ser entendido como uma forma intensa de 
"viagem", a pessoa fica perdida em seus próprios pensamentos como se 
houvesse se drogado.[39] A dissociação ocorre frequentemente em 
resposta ao experimentar um acontecimento doloroso (ou experimentar 
algo que desencadeia a memória de um acontecimento doloroso). Ela 
consiste em a mente redirecionar automaticamente a atenção para longe 
do tal evento doloroso, supostamente para se proteger contra, enfrentar 
uma emoção intensa e seus comportamentos impulsivos indesejados que 
tal emoção poderiam desencadear.[39] Embora o hábito de bloquear 
intensas emoções dolorosas da mente possa proporcionar um alívio 
temporário, também pode ter o efeito colateral indesejado de bloquear ou 
embotar a experiência de emoções comuns, reduzindo assim o acesso 
das pessoas com TPB às informações contidas nessas emoções que as 
ajudariam a guiar de modo eficaz a tomada de decisões na vida 
diária.[39] Às vezes, é possível para outra pessoa perceber quando alguém 
com TPB está dissociando, pois suas expressões faciais e vocais podem 
tornar-se vazias ou sem expressão, ou elas podem parecer distraídas, 
mas em outros momentos, a dissociação pode ser pouco perceptível.[39] 
 
8 
 
Causas 
Assim como as causas de outros transtornos mentais, as causas do TPB 
são complexas e não há consenso a seu respeito.[10] Evidências sugerem 
que o TPB e o Estresse pós-traumático podem estar relacionados de 
algum modo.[40] A maioria dos pesquisadores concorda que um trauma na 
infância pode ser um fator que contribui para o desenvolvimento do 
transtorno,[41] mas menos atenção tem sido historicamente devotada a 
investigação dos papéis de causalidade desempenhados por 
anormalidades cerebrais congênitas, genéticas, fatores neurobiológicos e 
fatores ambientais que não o trauma.[10][42] Fatores sociais incluem como 
uma pessoa interage, em seu desenvolvimento infantil, com sua família, 
amigos e outras crianças.[43] Fatores psicológicos incluem a personalidade 
e temperamento do indivíduo, moldados pelo seu ambiente e os 
mecanismos de enfrentamento aprendidos para lidar com o 
stress.[43] Esses fatores diferentes combinados sugerem que há múltiplos 
fatores que podem contribuir com o transtorno. 
 
Genética 
A herdabilidade do TPB é estimado em 65%.[44] Ou seja, 65% 
da variabilidade nos sintomas entre indivíduos diferentes com TPB pode 
ser explicada por diferenças genéticas. (Note que isso é diferente de dizer 
que 65% do TPB é "causado" por genes.) Estudos com gêmeos podem 
superestimar o efeito dos genes na variabilidade dos transtornos de 
personalidade devido a fatores complicadores como um ambiente familiar 
compartilhado.[45] 
Estudos com gêmeos, irmãos ou outros familiares 
indicam herdabilidade parcial para agressão impulsiva, mas estudos de 
genes relacionados a serotonina sugerem apenas modestas contribuições 
para o comportamento.[46] 
Familias com gêmeos na Holanda participaramde um estudo em 
andamento feito por Trull e seus colegas, no qual 711 pares de irmãos e 
561 pais foram examinados para identificar a localização dos traços 
genéticos que influenciam o desenvolvimento de TPB.[47] Colaboradores 
da pesquisa descobriram que o material genético no cromossomo nove 
estava ligado com características do TPB.[47] Estudos concluíram que 42% 
da variação no TPB é atribuível a influência genética e 58% era atribuível a 
influências ambientais.[47] 
9 
 
Genes atualmente sob investigação incluem o polimorfismo de 7 
repetições do receptor de dopamina D4 (DRD4), que foi relacionado ao 
apego desorganizado, apesar do efeito combinado do polimorfismo de 7 
repetições e do genótipo 10/10 de transportador de dopamina (DAT) ter 
sido relacionado a anormalidades no controle inibitório, ambos 
características notadas no TPB.[48] 
 
Anomalias cerebrais 
Alguns estudos de neuroimagem sobre TPB divulgaram descobertas de 
redução em regiões do cérebro envolvidas na regulação da resposta ao 
estress e emoções, afetando o hipocampo, o cortex orbitofrontal e a 
amídala, entre outras áreas.[48] Um número menor de estudos tem usado 
ressonância magnética espectroscópica para explorar mudanças nas 
concentrações de neurometabólitos em certas regiões cerebrais de 
pacientes com TPB, procurando especificamente por neurometabólitos 
como a N-acetilaspartato, creatina, compostos relacionados aos 
glutamatos e compostos contendo colina.[48] 
Hipocampo 
O hipocampo tende a ser menor em pessoas com TPB, assim como em 
pessoas com Estresse pós-traumático. Entretanto, no TPB, ao contrário do 
Estresse pós-traumático, a amídala também tende a ser menor.[49] 
Amídala 
As amídalas são menores e mais ativas em pessoas com 
TPB.[49] Amídalas com volume reduzido também foram encontradas em 
pessoas com Transtorno obsessivo compulsivo.[50] Um estudo descobriu 
uma atividade incomum na amídala esquerda de pessoas com TPB 
quando eles experimentam ou veem sinais de emoções negativas.[51] Uma 
vez que as amídalas são a principal estrutura envolvida na geração de 
emoções negativas, essa atividade incomumente forte pode explicar a 
intensidade e longevidade do medo, tristeza, raiva e vergonha 
experimentadas por pessoas com TPB, assim como suas elevadas 
sensibilidades diante de demonstrações destas emoções por outras 
pessoas.[49] 
Córtex pré-frontal 
O córtex pré-frontal tende a ser menos ativo em pessoas com TPB, 
especialmente quando relembram de memórias de abandono.[52] Essa 
inatividade relativa ocorre no córtex anterior cingulado (áreas de 
10 
 
Brodmann 24 e 32.[52] Dado o seu papel na regulação da excitação 
emocional, a relativa inatividade do córtex pré-frontal pode explicar a 
dificuldade que pessoas com TPB tem em regular suas emoções e 
respostas ao estress.[53] 
Eixo Hipotálamo-hipófise-suprarrenal 
O eixo Hipotálamo-hipófise-suprarrenal (eixo HHS) regula a produção 
de cortisol, que é liberado em resposta ao estress. A produção de cortisol 
tende a ser elevada em pessoas com TPB, indicando um eixo HHS 
hiperativo nesses indivíduos.[54] Isso faz com que eles experimentem uma 
maior resposta biológica ao estress, o que pode explicar sua maior 
vulnerabilidade a irritabilidade.[55] Já que eventos traumáticos podem 
aumentar a produção de cortisol e atividade do eixo HHS, uma 
possibilidade é que a prevalência de atividade acima da média do eixo 
HHS em pessoas com TPB pode simplesmente ser um reflexo da 
prevalência acima da média de traumas de infância e de eventos de 
amadurecimento entre essas pessoas.[55] Outra possibilidade é que, por ter 
sua sensibilidade a eventos traumáticos e produção de cortisol 
aumentada, as pessoas com TPB estariam predispostas a experimentar 
eventos estressantes de suas infâncias e amadurecimento como 
traumáticos. 
A produção aumentada de cortisol também está associada com um maior 
risco de comportamento suicida.[56] 
 
Fatores Neurobiológicos 
Estrogênio 
Diferenças individuais nos ciclos de estrogênio das mulheres pode estar 
associado à expressão de sintomas de TPB em pacientes do sexo 
feminino.[57] Um estudo de 2003 descobriu que os sintomas de mulheres 
com TPB eram antecedidos por mudanças nos niveis de estrogênio ao 
longo de seus ciclos menstruais, um efeito que permaneceu significativo 
mesmo depois que o aumento geral de afetos negativos foram 
descontados dos resultados.[58] 
Sintomas experimentados devido às alterações dos níveis de estrogênio 
podem ser mal diagnosticados como TPB, como alterações de humor 
extremas e depressão. Como a endometriose é uma doença influenciada 
pelo estrogênio, TPM e Transtorno disfórico pré-menstrual graves são 
observados, estes são ambos físicos e psicológicos em suas naturezas. 
11 
 
Transtornos do humor influenciados por hormônios, também chamados de 
depressão reprodutiva, são esperados que acabem somente com a 
menopausa ou após uma histerectomia. Episódios psicóticos tratados com 
estrogênio em mulheres com TPB mostraram significativa melhora porém 
não devem ser prescrevidos àquelas com endometriose, pois isso agrava 
suas condições endócrinas. Drogas estabilizadoras do humor, usadas no 
tratamento do transtorno bipolar, não ajudam pacientes com níveis de 
estrogênio alterados. Um diagnóstico correto entre transtorno endócrino ou 
psiquiátrico precisa ser feito. 
 
 Experiências adversas na infância 
Há uma forte correlação entre abuso infantil, especialmente abuso sexual 
infantil e o desenvolvimento de TPB.[41][59][60][61][62] Muitos indivíduos com 
TPB reportam um histórico de abuso e negligência quando 
crianças.[63] Pacientes com TPB são significativamente mais propensos a 
reportarem abuso verbal, emocional, físico ou sexual por seus cuidadores 
de ambos os sexos. Eles também reportam uma alta incidência de incesto 
e perda de cuidadores na infância.[64] 
Indivíduos com TPB também são mais propensos a reportarem que os 
cuidadores de ambos os sexos negavam validação de seus pensamentos 
e sentimentos. Cuidadores também foram reportados por terem falhado 
em prover a proteção necessária e por terem negligenciado os cuidados 
físicos com suas crianças. Pais de ambos os sexos são comumente 
culpados de ausência emocional diante da criança e por tratar dos 
menores de maneira inconsistente.[64] Ademais, mulheres com TPB que 
reportam um histórico de negligência por parte de sua cuidadora e abuso 
por parte do cuidador são significativamente mais propensas a reportarem 
abuso por terceiros, que não os cuidadores.[64] 
Já foi sugerido que crianças que passaram por maus-tratos crônicos e por 
dificuldades afetivas podem desenvolver o transtorno de personalidade 
borderline.[65] 
Entretanto, nenhum desses estudos apresentou evidências de que trauma 
infantil necessariamente causa ou contribui para causar TPB. Ao invés 
disso, ambos o trauma e o TPB podem ser causados por um terceiro fator. 
Por exemplo, pode acontecer de muitos cuidadores que tendem a expor as 
crianças a experiências traumáticas o fazem parcialmente por conta de 
seus próprios transtornos de personalidade herdados, a predisposição 
12 
 
genética para tanto pode ser passada para seus filhos, que desenvolvem 
TPB como resultado desta predisposição e de outros fatores, e não como 
resultado de um maltrato anterior.[66] 
 
Outros fatores 
A intensidade e reatividade da afetividade negativa de uma pessoa, ou a 
tendência para sentir emoções negativas, é um indicador de sintomas de 
TPB mais forte do que o abusosexual infantil.[67] Essa descoberta, as 
diferenças em estruturas cerebrais (veja anomalias cerebrais) e o fato de 
alguns pacientes com TPB nao reportarem uma história 
traumática,[68] sugerem que o TPB é diferente do Estresse pós-traumático, 
que frequentemente o acompanha. Assim, pesquisadores cogitam outra 
causa para o desenvolvimento, além do trauma infantil. 
Pesquisas mais recentes publicadas em janeiro de 2013, pelo Dr Anthony 
Ruocco da Universidade de Toronto, destacaram dois padrões de 
atividade cerebral que podem fundamentar a disregulação de emoções 
característica deste transtorno; lá foram descritas atividades aumentadas 
nos circuitos cerebrais responsáveis pela experiência de emoções 
negativas exacerbadas, combinado com a ativação reduzida dos circuitos 
cerebrais que normalmente regulam ou suprimem essas emoções 
negativas geradas. Essas duas redes neurais são vistas como estando em 
operação disfuncional na região frontolimbica mas as regiões específicas 
variam muito em cada indivíduo, o que demanda novas pesquisas 
utilizando a técnica da neuroimagem. Além disso, destoando de estudos 
anteriores, pessoas com TPB demonstraram menor ativação 
da amídala em situações de emocionalidade do que em grupos de 
controle. O Dr. John Krystal, editor do Biological Psychiatry, acrescentou 
que: "Esse novo estudo corrobora com a impressão de que pessoas com 
transtorno de personalidade borderline são 'enganadas' por seus cérebros 
para terem vidas emocionais tempestuosas, embora não necessariamente 
tenham que levar vidas infelizes e improdutivas,"[69] 
Escrevendo sobre tradição psicanalítica, Otto Kernberg argumenta que a 
falha da criança em alcançar o que ele chamou de clarificação psíquica de 
si e do outro poderia aumentar o risco de desenvolver transtorno de 
personalidade borderline.[70] 
A inabilidade da criança em tolerar a gratificação adiada aos 4 anos não 
predispõe desenvolvimento posterior de TPB.[71] 
13 
 
 
Fatores mediadores e moderadores 
Função executiva 
Ao tempo em que uma alta sensibilidade à rejeição está associada a fortes 
sintomas de transtorno de personalidade borderline, a função 
executiva parece mediar a relação entre sensibilidade a rejeição e 
sintomas de TPB.[71] Ou seja, um grupo de processos cognitivos que 
incluem planejamento, memória de trabalho, atenção e solução de 
problemas pode ser o mecanismo através do qual a sensibilidade à 
rejeição impacta os sintomas de TPB. Um estudo de 2008 descobriu que a 
relação entre sensibilidade à rejeição de uma pessoa e os sintomas de 
TPB eram mais fortes quando a função executiva era diminuída, e que a 
relação era mais fraca quando a função executiva era mais ativa.[71] Isso 
sugere que uma função executiva elevada pode ajudar a proteger as 
pessoas com alta sensibilidade à rejeição contra os sintomas de TPB.[71] 
Um estudo de 2012 descobriu que problemas com a memória de trabalho 
podem contribuir para uma maior impulsividade em pessoas com TPB.[72] 
Ambiente familiar 
O ambiente familiar intercede nos efeitos do abuso sexual infantil no 
desenvolvimento do TPB. Um ambiente familiar instável prevê o 
desenvolvimento do transtorno, enquanto uma família estável prevê um 
risco reduzido. Uma explicação possível é que o ambiente estável 
amortece seu desenvolvimento.[73] 
Autocomplexidade 
Autocomplexidade, ou considerar ter em si muitas características distintas, 
parece moderar a relação entre a autodiscrepância Real-Ideal e o 
desenvolvimento de sintomas de TPB. Isto é, para indivíduos que 
acreditam que suas características não batem com as características que 
eles esperam alcançar, uma grande autocomplexidade reduz o impacto de 
sua autoimagem conflitante nos sintomas de TPB. Entretanto, a 
autocomplexidade não modera a relação entre a autodiscrepância Real-
Devida e o desenvolvimento de sintomas de TPB. Ou seja para indivíduos 
que acreditam que suas características reais não batem com as 
características que eles já deveriam ter, uma alta autocomplexidade não 
reduziria o impacto de sua autoimagem conflitante nos sintomas de TPB. 
O papel protetor da autocomplexidade na autodiscrepância Real-Ideal mas 
não na discrepância Real-Devida, sugere que o impacto da autoimagem 
14 
 
conflituosa ou instável no TPB depende de como o indivíduo se enxerga 
em termos de características que eles esperam adquirir ou em termos de 
características que eles já deveriam ter.[74] 
Supressão de pensamento 
Um estudo de 2005 descobriu que supressão de pensamento, ou 
tentativas conscientes de se evitar pensar certos pensamentos, media a 
relação entre vulnerabilidade emocional e sintomas de TPB.[67] Um estudo 
posterior descobriu que a relação entre vulnerabilidade emocional e os 
sintomas de TPB não são necessariamente mediados pela supressão de 
pensamento. Entretanto, este estudo encontrou que a supressão de 
pensamento mediava a relação entre um ambiente invalidador e os 
sintomas de TPB.[75] 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico de transtorno de personalidade borderline é baseado em 
uma avaliação psiquiátrica por um profissional de saúde mental 
qualificado. O melhor método é apresentar os critérios do transtorno ao 
paciente e perguntar se ele acha que as características os descrevem 
precisamente.[12] Envolver ativamente os pacientes com TPB em 
determinar seu diagnóstico pode ajudar a aceitá-lo mais 
facilmente.[12]Embora alguns médicos prefiram não dizer aos seus 
pacientes com TPB qual o seu diagnóstico, tanto por preocupação sobre 
o estigma relacionado a condição quanto porque TPB era tido como 
intratável, normalmente ajuda ao paciente com TPB saber seu 
diagnóstico.[12] Isso os ajuda a saber que outros tiveram experiências 
semelhantes e podem recomendar tratamentos eficazes.[12] 
Em geral, a avaliação psicológica inclui perguntar ao paciente sobre o 
início e a gravidade dos sintomas, bem como sobre outras questões sobre 
como os sintomas impactam na qualidade de vida do paciente. Questões 
de particular importância são as ideações suicidas, experiências com 
automutilação e pensamentos sobre machucar os outros.[76] O diagnóstico 
é baseado no relato do paciente sobre seus sintomas e nas observações 
do médico.[76] Testes adicionais para TPB incluem um exame físico e 
testes de laboratório para eliminar outros gatilhos e sintomas possíveis, 
como problemas de tireoide e abuso de substâncias.[76] 
 
 
15 
 
Manual Diagnóstico e Estatístico 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais edição cinco 
(DSM-5) removeu seu sistema de múltiplos eixos. Consequentemente, 
todos os transtornos, incluindo os transtornos de personalidade, são 
listados na seção II do manual. Uma pessoa deve preencher 5 dos 9 
critérios para receber um diagnóstico de transtorno de personalidade 
borderline.[77] O DSM-5 define os principais aspectos do TPB como um 
padrão inflexível de instabilidade nos relacionamentos 
interpessoais, autoimagem e afetos, bem como comportamentos 
impulsivos sobressaltados.[77] 
Além disso, o DSM-5 propõe um critério alternativo de diagnóstico para 
Transtorno de Personalidade Borderline em sua sessão III, Esses critérios 
alternativos são baseados em pesquisas sobre características e incluem 
especificar ao menos quatro de sete traços mal adaptativos.[78] 
De acordo com Marsha Linehan, muitos profissionais de saúde mental 
acham desafiador diagnosticar TPB usando os critérios do DSM, uma vez 
que tas critérios descrevem uma ampla gama de comportamentos.[79] Para 
enfrentar este problema, Linehan agrupou os sintomas de TPB em cinco 
áreasde disregulação principais: emoções, comportamento, relações 
interpessoais, autoimagem e pensamentos.[79] 
 
Classificação Internacional de Doenças 
A CID-10 da Organização Mundial da Saúde define um transtorno que é 
conceitualmente similar ao Transtorno de Personalidade Borderline, 
chamado (F60.3) Transtorno de personalidade emocionalmente instável. 
Seus dois subtipos estão descritos abaixo.[80] 
F60.30 - Tipo Impulsivo 
Pelo menos três dos seguintes sintomas abaixo devem estar presentes; é 
obrigatória a presença do sintoma 2 
Tendência em agir impulsivamente e sem consideração com as 
conseqüências; 
Tendência a ter um comportamento briguento e entrar em conflito com os 
outros, especialmente quando os atos violentos são contrariados ou 
criticados; 
Tendência a explosões de ira e violência, com incapacidade de controlar 
os resultados subseqüentes; 
16 
 
Dificuldade em manter qualquer ação que não ofereça recompensa 
imediata; 
Humor instável e caprichoso. 
F60.31 – Tipo Borderline 
Pelo menos três dos sintomas mencionados no Tipo Impulsivo, incluindo o 
sintoma 2 (F60.30) devem estar presentes. Em adição, pelo menos dois 
dos sintomas abaixo devem estar presentes: 
Perturbações e incertezas sobre a autoimagem, metas, preferências 
internas (incluindo sexualidade); 
Tendência a se envolver em relações intensas e instáveis, sempre levando 
a crises emocionais; 
Esforços excessivos para se evitar abandono; 
Atos ou ameaças recorrentes de autolesão ou suicídio; 
Sentimentos crônicos de vazio. 
A CID-10 também descreve alguns critérios gerais que definem o que é 
considerado um transtorno de personalidade. 
Subtipos de Millon 
Theodore Millon propôs quatro subtipos de TPB. Ele sugere que um 
indivíduo diagnosticado com TPB pode exibir nenhum, um ou mais dos 
seguintes: 
Subtipo Características 
Desencorajado (inclui características da 
personalidade esquiva) 
Flexível, 
submisso, leal, 
humilde; se 
sente vulnerável 
e em constante 
perigo; 
Petulante (inclui características passivas-
agressivas) 
Negativista, 
impaciente, 
inquieto, 
teimosamente 
desafiante, 
pesado, 
pessimista e 
rancoroso; 
facilmente 
17 
 
cansado e 
rapidamente 
desiludido. 
Impulsivo(inclui 
características histriônicas e antissociais) 
Caprichoso, 
superficial, indeciso, 
distraído, frenético e 
sedutor; ao temerem 
a perda, se tornam 
agitados, sombrios e 
irritáveis; 
potencialmente 
suicida. 
Autodestrutivo (inclui 
características depressivas oumasoquistas) 
Voltado para si, 
raiva autopunitiva; 
conformismo, 
comportamentos 
respeitosos e 
insinuantes se 
deterioraram; tenso 
e ranzinza; 
possivelmente 
suicida. 
 
Familiares 
As pessoas com TPB tendem a sentir raiva e afastamento de seus 
familiares. Por sua vez, os familiares muitas vezes sentem raiva e 
desamparo pela forma como o membro da família com TPB se relaciona 
com eles.[12] 
Um estudo de 2003 descobriu que quanto mais os membros da família 
sabem sobre TPB maiores são suas sensações de fardo, sofrimento 
emocional e hostilidade com relação a pessoa com TPB.[81] Estas 
descobertas podem indicar a necessidade de se investigar a qualidade e a 
precisão das informações recebidas pelos membros da família.[81] 
Pais de adultos com TPB são muitas vezes ambos sobre-envolvidos e 
sub-envolvidos nas interações familiares.[82] Em relacionamentos 
amorosos, o TPB está ligado a níveis aumentados de stress e conflitos 
18 
 
crônicos, diminuída satisfação do parceiro amoroso, abuso doméstico 
e gravidez indesejada. Entretanto, essas ligações podem se aplicar a 
transtornos de personalidade em geral.[34] 
 
Mães Borderline 
Segundo relatos descritos por pacientes,[83] uma das características 
marcantes da mãe borderline é a escolha de um homem calmo, passivo e 
submisso como cônjuge ou parceiro. Quando a mãe borderline possui um 
ou mais filhos, apenas com relação a um único, o tratamento é 
diferenciado da seguinte maneira: 
 Distorção de frases ditas pelo filho ao relatá-las 
 Distorção de acontecimentos realizados pelo filho ao relatá-los 
 Distinção no tratamento do filho com relação aos irmãos 
 Tratamento do filho com alto tom de voz 
 Descontrole e fúria no tratamento do filho 
 Destruição de pertences do filho 
 Ação de constrangimento do filho perante amigos e familiares 
 Ação de isolamento afetivo do filho por meio do ciúme e possessão 
do cônjuge, 
irmãos e demais familiares. 
 Sensação de incômodo na privacidade do filho 
 Sensação de incômodo no livre-arbítrio do filho 
 Ação de busca e leitura de objetos pessoais do filho 
 Simulação de tentativa de suicídio, usando como argumentos 
características do filho 
 
Adolescência 
O aparecimento dos sintomas ocorre tipicamente durante a adolescência 
ou no início da vida adulta, embora sintomas que sugerem o transtorno 
possam ser as vezes observados na infância.[84] Os sintomas entre 
adolescentes que indicam o desenvolvimento de TPB na fase adulta 
podem incluir problemas com imagem corporal, extrema sensibilidade a 
rejeição, problemas de comportamento, automutilação não suicida, 
tentativas de encontrar relacionamentos exclusivos e grave 
vergonha.[12] Muitos adolescentes experimentam esses sintomas sem mais 
tarde desenvolverem TPB, mas aqueles que os experimentam tem 9 vezes 
19 
 
mais chances de desenvolver TPB. Eles também tem mais chances de 
desenvolver outras inaptidões sociais de longo prazo.[12] 
Os clínicos são desencorajados a diagnosticar TPB antes dos 18 anos de 
idade, devido aos altos e baixos naturais da adolescência e de uma 
personalidade ainda em desenvolvimento. Entretanto, o TPB as vezes 
pode ser diagnosticado antes dos 18 anos, nesse caso os sintomas devem 
estar presentes de maneira consistente por pelo menos 1 ano.[3] 
Um diagnóstico de TPB na adolescência indica que o transtorno 
continuará na idade adulta.[3][85] Entre adolescentes que podem ser 
diagnosticados com TPB parece existir um grupo no qual o transtorno 
permanece estável ao longo do tempo e outro grupo no qual os indivíduos 
ora se enquadram no diagnóstico, ora não.[86] O diagnóstico precoce pode 
ajudar a criar um plano de tratamento mais eficaz para o 
adolescente.[3][85] Terapia familiar é considerada um componente auxiliar 
no tratamento de adolescentes com TPB.[87] 
 
Diagnóstico diferencial e comorbidades 
SINTOMAS TPB OUTRAS DOENÇAS 
DEPRESSÃO 
Ânimo baixo, curto e 
intermitente 
Ânimo baixo, longo e contínuo 
MUDANÇAS 
DE HUMOR 
Muito rápida: segundos, horas, no 
máximo um dia; reativo ao 
ambiente. 
No bipolar, longa: dias, semanas, 
meses; sem motivo nenhum. 
 
 IDENTIDADE 
 
Mutável, indecisa, não sabe quem é e o 
que quer. 
 
Estável concreta 
certeza 
 COGNIÇÃO Alucinações e paranoias ao estresse. 
Na esquizofrenia, alucinações 
contínuas 
 
DESPERSONALIZAÇÃO 
Sensação de irrealidade quando em 
estresse. 
Pouco frequente, na síndrome do 
pânico é contínua. 
 
Comorbidade 
Em algumas ocasiões, é dito que o TPB é um "paradigma das comorbidades" 
(Martínez Raga et al., 2005) A comorbidade de condições crônicas é comum 
com TPB, ou seja, é comum que o transtorno venha acompanhado de outras 
doenças. Comparando com aqueles que foram diagnosticados com outros 
20 
 
transtornos de personalidade, uma alta taxa de pessoas com TPB também 
atende aos critérios diagnósticos de:[88] 
 transtorno do humor,incluindo depressão nervosa e transtorno 
bipolar 
 transtorno da ansiedade, incluindo transtorno do pânico, fobia 
social e transtorno de estresse pós-traumático 
 outro transtorno de personalidade 
 abuso de substâncias 
 transtorno alimentar, incluindo anorexia nervosa e bulimia nervosa 
 transtorno do déficit de atenção com hiperatividade[89] 
 transtorno somatoforme 
 transtorno dissociativo 
Transtornos comórbidos do Eixo I 
Diferenças entre os sexos no diagnóstico de comorbidades ao longo da vida 
Diagnóstico do Eixo I 
Geral 
(%) 
Home
ns (%) 
Mulheres (%) 
Transtornos do humor 75.0 68.7 80.2 
Depressão nervosa 32.1 27.2 36.1 
Distimia 9.7 7.1 11.9 
Transtorno bipolar do 
tipo I 
31.8 30.6 32.7 
Transtorno bipolar do 
tipo II 
7.7 6.7 8.5 
Transtornos de 
ansiedade 
74.2 66.1 81.1 
Transtorno do 
pânico com agorafobia 
11.5 7.7 14.6 
Transtorno do pânico 
sem agorafobia 
18.8 16.2 20.9 
Fobia social 29.3 25.2 32.7 
Fobia específica 37.5 26.6 46.6 
Transtorno de estresse pós-
traumático 
39.2 29.5 47.2 
Trans ansiedade generalizada 35.1 27.3 41.6 
21 
 
Transtorno obsessivo-
compulsivo 
15.6 
-
-
- 
--- 
Transtornos de uso de 
substâncias 
72.9 80.9 66.2 
Alcoolismo 57.3 71.2 45.6 
Abuso de substâncias 36.2 44.0 29.8 
Transtornos 
Alimentares 
53.0 20.5 62.2 
Anorexia nervosa 20.8 7 * 25 
Bulimia nervosa 25.6 10 * 30 * 
Transtorno alimentar 
não especificado** 
26.1 10.8 30.4 
Transtornos 
Somatoformes** 
10.3 10 * 10 * 
Transtorno 
somatoforme** 
4.2 --- --- 
Hipocondria** 4.7 --- --- 
Transtorno da dor 
somatoforme** 
4.2 --- --- 
Transtornos psicóticos** 1.3 1 * 1 * 
* Valores aproximados 
** Valores da pesquisa de 1998 [88] 
--- Valores não disponibilizados pela pesquisa 
 
Um estudo de 2008 descobriu que, em algum ponto de 
suas vidas, 75% das pessoas com TPB atenderam aos 
critérios diagnósticos de um transtorno de humor, 
especialmente depressão nervosa e transtorno bipolar 
do tipo I, aproximadamente 75% atendem ao critério 
diagnóstico para transtorno de ansiedade.[90] Quase 73% 
atendem ao critério diagnóstico para abuso ou 
dependência de substâncias, cerca de 40% para 
Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).[90] É 
22 
 
importante notar que menos da metade dos 
participantes com TPB neste estudo apresentavam 
TEPT, uma prevalencia similar ao encontrada em um 
estudo anterior.[88] A descoberta de que menos da 
metade dos pacientes com TPB experimentam TEPT ao 
longo de suas vidas desafia a teoria de que TPB e TEPT 
seriam o mesmo transtorno.[88] 
 
Existem marcadas diferenças nos tipos de 
comorbidades que uma pessoa com TPB tende a ter de 
acordo com seu sexo--[88] um percentual maior de 
homens com TPB atendem aos critérios de abuso de 
substância, enquanto um percentual maior de mulheres 
com TPB atende aos critérios para terem TEPT e 
transtornos alimentares.[88][90][91] Em um estudo, 38% dos 
participantes com TPB atendiam os critérios para serem 
diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção 
com Hiperatividade (TDAH).[89] Em outro estudo, 6 de 41 
participantes (15%) atendiam os critérios de um 
transtorno do espectro autista (um subgrupo que tem 
tentativas de suicídio significativamente mais 
frequentes).[92] 
 
Apesar de ser um transtorno que muitas vezes passa 
sem ser diagnosticado, alguns estudos demonstraram 
que "sintomas leves" podem levar a diagnósticos 
incorretos. Os muitos e instáveis transtornos do Eixo I do 
DSM-IV em pessoas com TPB pode as vezes levar o 
médico a não perceber a presença de um transtorno de 
personalidade por trás de tudo. Entretanto, uma vez que 
um padrão complexo de diagnósticos do Eixo I está 
fortemente relacionado com a presença de TPB, os 
profissionais da saúde mental podem usar essa 
característica de um complexo padrão de comorbidades 
como uma pista de que o TPB esteja presente.[88] 
 
23 
 
Avaliação inicial 
A avaliação inicial normalmente pode incluir um exame 
físico por um médico. Embora não existam testes 
fisiológicos para confirmar o TPB, pode-se usar testes de 
exclusão de qualquer outra condição médica que 
apresenta-se também com sintomas psiquiátricos: 
Exames de sangue para medir os níveis de TSH para 
excluir hipotireoidismo, e cálcio sérico para descartar uma 
doença metabólica. 
Um hemograma completo para descartar uma infecção 
sistêmica ou qualquer outra doença crônica facilmente 
diagnosticada pelo exame de sangue. 
A sorologia para excluir a infecção por sífilis ou HIV. 
Exames neurológicos como EEG, ressonância 
magnética e tomografia computadorizada podem ser 
importantes para excluir lesões, tumores, e outras doenças 
cerebrais. 
Entre outros instrumentos de avaliação psicológica, podem 
ser usados questionários de personalidade.[93] 
 
Semiologia adicional e biomarcadores 
TPB 
Foram observados alguns dos seguintes sinais de funções 
fisiológicas atingidos pelo TPB: 
Teste de supressão de dexametasona como um 
biomarcador de TPB. Os resultados são ambíguos e 
parecem ter maior validade para pacientes com 
comorbidades com transtorno de estresse pós-
traumático.[94] 
Observa-se em pacientes borderlines muitos sintomas 
do hipotireoidismo: 
 cerca de um terço dos pacientes têm 
uma tirotropina reativa com hormônio liberador 
debilitada.[95] Também são frequentemente 
encontrados anticorpos de tireoide. 
 Sintomas neurológicos leves. 
24 
 
 Irregularidades no sono.[96] 
 Reações anormais às drogas: 
 Procaína e anestésicos opióides: isto porque, em 
parte, há um aumento da irritabilidade límbica no 
TPB. A administração de procaína estimula 
estruturas límbicas tais como a amígdala e o córtex 
cingulado, causando mais irritabilidade no humor 
dos pacientes TPB.[97] 
 Os períodos de impregnação de 
algumas drogas são muito mais elevados e 
também parecem necessitar de doses maiores. 
 O alprazolam pode piorar notavelmente a falta de 
controle da conduta do paciente. 
 A amitriptilina parece aumentar as ameaças de 
suicídio, tendências agressivas e ideações 
paranoides[98], especialmente em crianças e 
adolescentes que começam a desenvolver o TPB. 
 Anormalidades no eletroencefalograma. Algumas 
características são típicas da esquizofrenia[99] e, em 
geral, mal se pode distinguir do transtorno de 
personalidade esquizotípica[100]. Por isso, pensava-
se, a princípio, em origem comum das doenças. 
 As anormalidades bioquímicas e do papel 
da serotonina sérica é particularmente evidente 
em plaquetas, que são as transportadoras de 
serotonina: 
 Problemas no transporte de serotonina 
plaquetária[101] e na atividade 
da monoaminaoxidase (MAO)[102]. 
 A paroxetina, um antidepressivo inibidor seletivo do 
recaptamento da serotonina, tem uma capacidade 
de ligação inferior a esta enzima.[103] 
 Nível baixo de melatonina.[104] 
 Baixo nível de transporte de íons, especialmente 
o lítio.[105] 
 Anormalidades na tomografia axial 
computadorizada da cabeça. 
25 
 
 Segundo alguns especialistas, é encontrado 
geralmente baixos níveis de vitamina B12 em 
pacientes borderlines.[106] 
 
Critérios do DSM-IV-TR 
A última versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de 
Desordens Mentais versão IV (DSM-IV na sigla em inglês) - 
o guia americano amplamente usado por médicos àprocura de um diagnóstico de doenças mentais – define o 
TPB (código do DSM-IV-TR: 301.83) como: “um padrão 
invasivo de instabilidade dos relacionamentos 
interpessoais, autoimagem e afetos e acentuada 
impulsividade, que começa no início da idade adulta e está 
presente em uma variedade de contextos”. Um diagnóstico 
de TPB requer cinco dos nove critérios listados no DSM e 
que os mesmos estejam presentes por um significante 
período de tempo. Os critérios são[36]: 
Critérios diagnósticos segundo o DSM-IV: 
 
Sintomas afectivos 
Instabilidade afetiva acentuada devida reatividade 
intensa do humor (por exemplo: episódios de disforia, 
irritabilidade, ou ansiedade geralmente durante algumas 
horas e raramente, no máximo, alguns dias). 
Ira, ódio ou raiva inapropriados, intensos e de difícil 
controle (por exemplo: apresenta frequentes 
demonstrações de irritação, raiva constante, sentimento 
de vinganças, lutas corporais recorrentes.) 
Sentimentos crônicos de vazio e tédio. 
Sintomas impulsivos 
Conduta recorrente de tentativas ou ameaças 
de suicídio e comportamentos de automutilação. 
Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e 
intensos, caracterizado por extremos 
de idealização e desvalorização, ou amor e ódio, bom ou 
mau etc. 
Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente 
prejudiciais à própria pessoa (por exemplo, exageros em: 
 
26 
 
gastos financeiros, sexo, drogas, álcool, direção 
imprudente, comer, cleptomania ou outros tipos de 
compulsões.) Nota: não incluir comportamento suicida ou 
automutilante estabelecido no critério 4. 
Sintomas interpessoais 
Esforços frenéticos para evitar um abandono/rejeição 
real ou imaginado. Nota: não incluir comportamento 
suicida ou automutilante estabelecido no critério 4. 
Instabilidade na identidade: autoimagem, preferência 
sexual, gostos e valores persistentemente instáveis. 
Sintomas cognitivos 
Ideação paranoide transitória relacionada ao estresse, ou 
severos sintomas dissociativos. 
 
Diagnósticos comparáveis 
A Classificação Internacional de Doenças - Volume 10 
(CID-10), da Organização Mundial da Saúde, tem um 
diagnóstico comparável chamado Transtorno de 
Personalidade Emocionalmente Instável – Tipo 
Borderline (F60.31). Nele (além do critério geral 
de transtorno de personalidade) se requer perturbações 
e incertezas sobre a autoimagem, metas, preferências 
internas (incluindo sexualidade), oscilações de humor, 
tendência em se envolver em relações intensas e 
instáveis frequentemente levando a crises emocionais, 
excessivos esforços para se evitar abandono, 
pensamentos e ameaças recorrentes ou atos de 
autolesão e suicídio; e sentimentos crônicos de vazio. 
A Sociedade Chinesa de Psiquiatria tem outro 
diagnóstico comparável chamado Transtorno de 
Personalidade Impulsiva. Um paciente diagnosticado 
com TPI deve demonstrar "explosões afetivas" e 
"demonstrável comportamento impulsivo", mais três de 
oito sintomas. Este diagnóstico é descrito como um 
híbrido dos subtipos impulsivo e borderline do Transtorno 
de Personalidade Emocionalmente Instável da CID-10, e 
também incorpora seis dos nove critérios do DSM-IV-
27 
 
TR.[107] 
Transtornos afetivos 
O transtorno de personalidade borderline geralmente co-
ocorre com transtornos de humor. Algumas 
características do TPB podem até coincidir com os 
mesmos distúrbios, dificultando a avaliação de 
diagnóstico diferencial.[108][109][110] 
Ambos diagnósticos envolvem sintomas comumentes 
conhecidos como oscilações emocionais. Na doença 
bipolar do humor, o termo refere-se a episódios cíclicos 
de depressão e euforia que duram dias inteiros, semanas 
ou até mesmo meses, em geral. No bipolar, não 
aparecem sintomas como medo do abandono e rejeição, 
demonstrado através de raiva intensa e sentimentos de 
ciúmes patológico, rancor e vingança contra a outra 
pessoa, além do pensamento extremista e o mecanismo 
de cisão que é típica no TPB. No TBP, o humor é muito 
reativo, dependendo sempre das circunstâncias 
externas, tendo durações curtas (em segundos ou 
horas), enquanto que o bipolar possui um humor 
independente do ambiente externo, tendo durações 
maiores que o borderline (em um dia, semanas ou mais). 
Uma situação borderline típica é marcada 
por instabilidade e reatividade emocional excessiva que é 
muitas vezes referida por desregulação emocional. O 
comportamento ocorre em resposta a extressores 
externos, intrapsíquicos e psicossociais, podendo 
aparecer e desaparecer, de repente e dramaticamente, 
durando segundos, minutos ou horas. 
A depressão uni ou bipolar é mais generalizada, com 
perturbação do sono, apetite, assim como uma marcada 
ausência de resposta emocional, ao tempo que o estado 
de ânimo de uma personalidade borderline com co-
ocorrência de uma distimia permanece com destacada 
reatividade e sem transtornos agudos do sono.[111] 
Há um debate sobre a relação entre transtorno bipolar e 
TPB. Alguns especialistas argumentam que este último 
28 
 
representa uma forma subliminar de transtorno 
afetivo[112][113], enquanto outros defendem a distinção 
entre as doenças, embora refira-se que muitas vezes 
ocorram simultaneamente.[114][115] 
 
Tratamento 
A Psicoterapia é o tratamento primário para transtorno de 
personalidade bordeline.[116] Tratamentos devem se 
basear nas necessidades do indivíduo, ao invés de no 
diagnostico geral de TPB. Medicamentos 
como antidepressivos são úteis para tratar transtornos 
comórbidos, tais como depressão e ansiedade[117] e 
alguns dos sintomas como clivagem, impulsividade e 
comportamento imprudente mostraram melhora com uso 
de antipsicóticos atípicos.[118] Hospitalizações de curto 
prazo não foram mais eficazes do que cuidados 
comunitários para melhorar os resultados ou como 
prevenção de comportamento suicida a longo prazo, 
naqueles com TPB.[119] 
 
Medicamentos podem ser usados para tratar comorbidades 
e sintomas-alvo, mas a psicoterapia é importantíssima para 
um tratamento eficaz.[120] 
 
Psicoterapia 
Terapia de longo prazo é atualmente o tratamento mais 
indicado para TPB.[121] Existem cinco tratamentos deste 
tipo disponíveis: Tratamento baseado em mentalização, 
Psicoterapia focada em transferência, Terapia 
comportamental dialética (TCD), tratamento geral 
psiquiátrico e terapia do esquema.[12] Enquanto a TCD é 
a terapia que mais foi estudada, pesquisas empíricas e 
estudos de caso demonstram que todos esses 
tratamentos são eficazes para tratar TPB, exceto a 
terapia do esquema.[12] No longo prazo qualquer terapia, 
incluindo a terapia do esquema, é melhor do que nenhum 
29 
 
tratamento, especialmente na redução da compulsão por 
se automutilar.[121] 
As terapias baseadas em mentalização e focadas em 
transferência são baseadas em 
princípios psicodinâmicos enquanto a terapia 
comportamental dialética se baseia em princípios 
cognitivos-comportamentais e na atenção plena.[121] O 
tratamento geral psiquiátrico combina os princípios 
fundamentais de cada um destes tratamentos é 
considerado mais fácil de aprender e menos 
intensivo.[12] Testes aleatórios controlados demonstraram 
que os mais eficazes são a terapia comportamental 
dialética e baseada em mentalização, sendo que elas 
compartilham muitas semelhanças.[122][123] Pesquisadores 
estão interessados em desenvolver versões mais curtas 
dessas terapias para aumentar sua disponibilidade, 
reduzir o impacto financeiro para os pacientes e diminuir 
acarga de recursos que quem provê o tratamento deve 
alocar.[121][123] 
De uma perspectiva psicodinâmica, um problema 
especial da psicoterapia com pessoas com TPB é a 
intensa projeção. Ela requer que o terapeuta seja flexível 
ao considerar atribuições negativas pelo paciente ao 
invés de rapidamente interpretar a projeção.[124] 
Alguns outros exemplos de terapias indicadas as 
pessoas com TPB incluem: 
 Terapia comportamental dialética: Estabelecida 
nos anos 1990, a terapia comportamental 
dialética se tornou uma forma de tratamento do 
TPB, originada principalmente como uma 
intervenção para pacientes com comportamento 
suicida. Essa forma de psicoterapia deriva da 
terapia cognitivo-comportamental e enfatiza a 
troca e negociação entre o terapeuta e o cliente, 
entre o racional e o emocional, e entre a 
aceitação e a mudança. O tratamento tem como 
alvo os problemas com aautomutilação. O 
30 
 
aprendizado de novas habilidades é um 
componente principal, incluindo consciência, 
eficácia interpessoal, cooperação adaptativa com 
decepções e crises; e na correta identificação e 
regulação de reações emocionais. 
 Terapia do esquema: Outra forma de terapia que 
também se estabeleceu nos anos 1990 e tem 
como base uma aproximação integrativa derivada 
de técnicas cognitivas-comportamentais 
juntamente com relações objetais e técnicas da 
gestalt. Esta terapia se direciona aos mais 
profundos aspectos da emoção, personalidade e 
esquemas (modos fundamentais de 
relacionamento com o mundo). A terapia também 
foca o relacionamento com o terapeuta (incluindo 
um processo de quase paternidade), vida diária 
fora da terapia, e experiências traumáticas na 
infância. 
 Terapia cognitivo-comportamental: A TCC é o 
tratamento psicológico mais usado em doenças 
mentais, mas parece ter menos sucesso no TPB, 
devido parcialmente às dificuldades no 
desenvolvimento de uma relação terapêutica e 
aderência à terapia. Um estudo recente descobriu 
que resultados com essa terapia aparecem, em 
média, depois de 16 sessões ao longo de um 
ano. 
 Terapia matrimonial ou familiar: Terapia 
matrimonial pode ajudar na estabilização da 
relação matrimonial e na redução dos conflitos 
matrimoniais que podem piorar os sintomas do 
TPB. Terapia familiar pode ajudar a educar os 
membros da família acerca do TPB, melhorar a 
comunicação familiar, e prover suporte aos 
membros da família ao lidar com a doença de 
seus amados. 
Um dos maiores problemas com as psicoterapias 
31 
 
são os elevados números de abandono do 
tratamento pelos portadores de TPB. 
Medicamentos 
Uma revisão de 2010 da Colaboração 
Cochrane evidenciou que nenhuma medicação 
demonstrou ser promissora para "os sintomas principais 
de TPB como sentimento de vazio crônico, perturbações 
de identidade e abandono." Entretanto, os autores 
descobriram que alguns medicamentos podem afetar 
sintomas isolados associados ao TPB ou as suas 
comorbidades.[125] 
Dos antipsicóticos típicos estudados no TPB, 
o haloperidol pode reduzir a raiva e o flupentixol pode 
reduzir as chances de comportamento suicida. Entre 
os antipsicóticos atípicos, a aripiprazol pode reduzir 
problemas interpessoais, impulsividade, raiva, sintomas 
psicóticos paranóides, depressão, ansiedade e 
patologias psiquiátricas gerais. A Olanzapina pode 
diminuir a instabilidade afetiva, raiva, sintomas psicóticos 
paranóides e ansiedade mas um placebo teve um 
impacto mais positivo na ideação suicida do que a 
olanzapina. Os efeitos da ziprasidona não foram 
significativos.[125] 
Dos estabilizadores do 
humor estudados, valproato semisódio pode aliviar a 
depressão, problemas interpessoais e 
raiva. Lamotrigina pode reduzir impulsividade e 
raiva; topiramato pode aliviar problemas interpessoais, 
impulsividade, ansiedade, raiva e patologias psiquiátricas 
gerais. O efeito da carbamazepina não foram 
significativos. antidepressivos, a amitriptilina pode reduzir 
a depressão, mas mianserina,fluoxetina, fluvoxamina e 
sulfato de fenilzina não tiveram efeito. Os ácidos 
graxos ômega 3 podem melhorar a taxa de suicídios e a 
depressão. Em 2010, experimentos com esses 
medicamentos não tinha sido replicados e os efeitos de 
seu uso a longo prazo não foi avaliado.[125] 
32 
 
Por causa das fracas evidências e do potencial para 
efeitos colaterais sérios pelo uso dessas medicações, os 
parâmetros clínicos para tratamento e gerenciamento de 
TPB do Instituto NICE do Reino Unido, publicado em 
2009, recomenda: "Medicamentos não devem ser usados 
especificamente para transtorno de personalidade 
borderline ou para os sintomas individuais ou 
comportamentos associados ao transtorno." Entretanto, 
"medicamentos podem ser considerados no tratamento 
geral de comorbidades." Eles sugerem uma "revisão no 
tratamento de pessoas com transtorno de personalidade 
borderline que não foram diagnosticadas com uma 
comorbidade mental ou doença física e que atualmente 
são tratadas através da prescrição de medicamentos, 
com o objetivo de reduzir e parar o tratamento com 
drogas desnecessário."[126] 
 
Serviços 
Existe uma diferença significativa entre o número 
daqueles que se beneficiariam do tratamento e do 
número daqueles que são tratados. O assim chamado 
"gap do tratamento" é uma função da desinclinação dos 
afligidos em se submeter ao tratamento, o número de 
diagnósticos inferior ao real pelos profissionais de saúde 
e a limitada disponibilização e acesso a tratamentos 
em estado da arte.[127] Não obstante, indivíduos com TPB 
responderam por cerca de 20 porcento das 
hospitalizações psiquiátricas em uma pesquisa.[128] A 
maioria dos indivíduos com TPB que estão em 
tratamento continua usando o tratamento ambulatorial 
por muitos anos, mas o número daqueles que usam as 
formas de tratamento mais restritivas e custosas, como 
internações, diminui com o tempo.[129] A experiência dos 
prestadores de serviço varia.[130] Mensurar o risco de 
suicídio pode ser um desafio para os profissionais e os 
pacientes tendem a subestimar a letalidade de 
33 
 
comportamentos autodestrutivos. Pessoas com TPB 
tipicamente tem um risco cronicamente elevado de 
suicídio, muito acima do da população em geral, além de 
um histórico de múltiplas tentativas quando em 
crise.[131] Aproximadamente metade dos indivíduos que 
cometem suicídio atendem ao critério para um transtorno 
de personalidade. Transtorno de personalidade 
borderline permanece como o transtorno de 
personalidade mais comumente associado com o 
suicídio.[132] 
 
Prognóstico 
Com tratamento, a maioria das pessoas com TPB pode 
encontrar alívio dos sintomas mais angustiantes e 
alcançar remissão, definida como uma pausa 
consistentes nos sintomas por pelo menos dois 
anos.[133][134] Um estudo longitudinal que acompanhava 
os sintomas de pessoas com TPB descobriram que 
34.5% atingiam a remissão depois de dois anos do início 
do estudo. Dentro de quatro anos, 49.4% atingiram a 
remissão e, dentro de seis anos, 68.6% haviam atingido 
a remissão. No final do estudo, 73.5% dos participantes 
estavam em remissão.[133] Além disso, daqueles que 
atingiram a recuperação dos sintomas, só 5.9% tiveram 
recaídas. Um estudo posterior descobriu que dez anos 
depois da data inicial (durante a hospitalização), 86% dos 
pacientes tem sustentada e estável recuperação dos 
sintomas.[135] 
 
Epidemiologia 
A prelavência do TPB foi inicialmente estimada em 1 a 2 
por cento da população em geral[134][136]e ocorrem três 
vezes mais frequentemente em mulheres do que em 
homens.[137][138] No entanto, a prevalência de TPB em um 
estudo de 2008 verificou-se ser de 5,9% da população 
geral, ocorrendo em 5,6% dos homens e 6,2% das 
34 
 
mulheres.[90] A diferença nas taxas entre homens e 
mulheres neste estudo não considerada estatisticamente 
diferente.[90] 
Transtorno de personalidade borderline é estimado 
contribuir em 20 por cento das internações psiquiátricas 
e ocorrem entre 10 por cento dos pacientes 
ambulatoriais.[6] 
 
História 
A coexistência de intenso humor divergente dentro de um 
indivíduo foi reconhecido 
por Homero, Hipócrates e Areteu, o último descrevendo a 
presença hesitante de raiva impulsiva, melancolia e 
mania dentro de uma única pessoa. O conceito foi 
revivido pelo médico suíço Théophile Bonet em 1684, 
que usando o termo folie maniaco-
mélancolique,[139][140] descreveu o fenômeno dos 
humores instáveis que se seguiam em curso 
imprevisível. Outros escritores observaram o mesmo 
padrão, incluindo o psiquiatra norte-americano C. 
Hughes em 1884 e J. C. Rosse em 1890, que chamou o 
transtorno "insanidade limítrofe".[141] Em 
1921, Kraepelin identificou uma "personalidade excitável" 
que se aproxima bastante das 
características borderline descritas no conceito atual de 
TPB.[142] 
O primeiro trabalho psicanalítico significativo a usar o 
termo borderline/fronteira foi escrito por Adolf Stern em 
1938.[143] Ele descreveu um grupo de pacientes 
portadores do que ele pensava ser uma forma leve 
de esquizofrenia, na fronteira entre a neurose e 
a psicose. 
Os anos 1960 e 1970 viram uma mudança de 
pensamento sobre a condição borderline ser 
esquizofrenia e passou a ser considerada como um 
transtorno afetivo limítrofe (transtorno de humor), à 
35 
 
margem do transtorno bipolar, ciclotimia e distimia. 
O DSM-II, sublinhando a intensidade e a variabilidade 
dos humores, chamou de "personalidade ciclotímica" 
(personalidade afetiva).[3] Enquanto o termo "fronteira" 
estava evoluindo para se referir a uma categoria distinta 
de desordem, psicanalistas, como Otto Kernberg o 
estavam usando para se referir a um amplo espectro de 
questões, descrevendo um nível intermediário de 
organização da personalidade[142] entre a neurose e 
psicose.[144] 
Depois que critérios padronizados foram 
desenvolvidos[145] para distingui-lo de transtornos de 
humor de outros transtornos do Eixo I, o TPB tornou-se 
um diagnóstico de transtorno de personalidade em 1980, 
com a publicação do DSM-III.[134] O diagnóstico foi 
distinguido da esquizofrenia sub-sindrômica que foi 
chamada de "transtorno de personalidade 
esquizotípica".[144] O Eixo II do DSM-IV do Trabalho da 
Associação Americana de Psiquiatria finalmente decidiu 
sobre o nome "transtorno de personalidade borderline", 
que ainda está em uso pelo DSM-IV hoje.[146] No entanto, 
o termo "limite" tem sido descrito como exclusivamente 
insuficiente para descrever os sintomas característicos 
desse transtorno.[147] 
Ligações externas 
Em português 
Amborder, programa do Departamento de Psiquiatria 
da Unifesp 
Amborder - Perguntas mais frequentes 
Teses e Dissertações - Borderline, Biblioteca Digital 
da USP 
Associação Brasileira de Psiquiatria: Transtorno de 
Personalidade Limítrofe 
Ailton Bedani, Breve História dos Borderlines, DOC 
TPB pelo DSM-IV 
Personalidade Borderline 
Teorias da Personalidade 
36 
 
TEI-Transtorno Explosivo Intermitente 
Outros idiomas 
AAPEL – Association d'Aide aux Personnes avec un Etat 
Limit (em francês) 
 
Referências 
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Psiquiatria da Unifesp 
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personali
dade_lim%C3%ADtrofe

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