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Mecânica dos Solos 2 PROFESSORA: ANALICE FRANÇA LIMA AMORIM AULA 6 Ensaios de campo ‐ Ensaio de cone (CPT) e piezocone (CPTU) Universidade Federal de Pernambuco Centro de Tecnologia e Geociências (CTG) Departamento de Engenharia Civil ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Definição ABNT – NBR 12069 e ASTM D-344: Consiste na cravação de uma ponteira de aço instrumentada em forma de cone no solo, com velocidade padrão constante de 20mm/s, visando obter a estratigrafia do subsolo e alguns parâmetros geotécnicos. Não coleta amostras, porém permite definir o comportamento do material sob carregamento. Objetivo: • Registrar continuamente a resistência à penetração, fornecendo uma descrição detalhada do subsolo. • Propriedades dos solos (especialmente de solos moles) • Capacidade de carga • Estratigrafia ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Equipamentos: 1. Cone Mecânico: as tensões são medidas por sistemas mecânicos (ou hidráulicos) na superfície • Transferência mecânica pelas hastes dos esforços necessários para cravar a ponta cônica qc e o atrito lateral fs. 2. Cone Elétrico: • Células de carga instrumentadas eletricamente; • Medida de qc e fs diretamente na ponteira. 3. Piezocone: • Medidas elétricas de qc e fs; • Contínua monitoração de pressões neutras (u) geradas na cravação. ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE História: Desenvolvido na Holanda (década de 30) para investigar solos moles e estratos arenosos que apoiavam estacas; Bem difundido mundialmente pela qualidade de informações; Procedimento do ensaio: • cravação lenta e constante (estática ou quase-estática) de uma haste com ponta cônica instrumentada (60º de ápice e 10cm2 de área), com uma velocidade padrão constante de 20mm/s. qc resistência de ponta fs resistência por atrito lateral ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Procedimento do ensaio: • Escolha e preparação do equipamento • Calibração • Deslocamento para o local do ensaio • Execução do ensaio Instalação e leituras iniciais Penetração contínua ( 20mm/s) Ensaios de dissipação de poro-pressão (caso do piezocone) Acompanhamento das medições • Cálculo e análise dos resultados ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Medidas do ensaio: • Resistência de Ponta (qt ou qc) • Atrito Lateral (fs) • Pressão neutra (u) fs resistência por atrito lateral qc resistência de ponta ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Principais componentes do equipamento (Schnaid, 2000): elemento poroso conjunto de células de carga referentes à ponta cônica luva de atrito transdutor de pressão ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Detalhe da ponta cônica do equipamento: Ilustração da geometria típica do cone •Diâmetro da luva de atrito ≥ diâmetro do cone (sem exceder 0,35 mm); •Ângulo da ponteira: 60º; •Rugosidade da ponteira: < 0,001 mm. ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Esquema típico do ensaio de piezocone: ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Típico caminhão CPT (Lunne et al., 1997): O equipamento de cravação consiste de uma estrutura de reação sobre a qual é montado um sistema de aplicação de cargas Programas computacionais simples permitem o gerenciamento do processo de aquisição e armazenamento das medidas in situ. ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Máquinas de cravação (Costa Pereira, 1997, Fonte: Coutinho, 2008): ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Hastes de cavação (Ibura): ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Leituras do ensaio piezocone (Ibura): ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Fonte: insitu.com.br ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Aplicabilidade do ensaio: Determinação CPT CPTU Perfil do solo Alta Alta Estrutura do solo Baixa Moderada a alta História de tensões Baixa Moderada a alta Variação espacial das propriedades mecânicas Alta Alta Propriedades mecânicas Moderada a alta Moderada a alta Características de adensamento - Alta Condições do nível d’água - Alta Potencial de liquefação Moderada Alta Economia no custo das investigações Alta Alta ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE VANTAGENS • Penetração rápida (~1m/min),isto é, curto tempo de ensaio; • Perfil estratigráfico contínuo (cada 2cm); • Ensaio padronizado (Norma Brasileira e Norma Americana) - confiável; • Alta precisão e repetibilidade; • Obtenção e processamento automático dos dados, isto é, sem interferência do operador; • Necessidade de apenas um operador; • Relação custo/benefício elevada; DESVANTAGENS • Não coleta amostras, como o SPT. • Necessidade de operador treinado; • Equipamento relativamente complexo; • Suporte técnico ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE 2)1( uaqq ct l st l sb st A Au A Au ff 32 A parcela (1-a) é determinada através da calibração (figura ao lado). a=An/At qt: resistência real no ensaio; u2: pressão neutra medida na base do cone. ft: atrito lateral corrigido; Asb, Ast: áreas da base e topo da luva de atrito; Al: área lateral da luva de atrito. Cálculo – correções aplicadas às medidas de piezocone (Schnaid, 2000): Correção da resistência de ponta: Correção da resistência lateral: u1 u2 u3 ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Parâmetros do ensaio (Cone e piezocone): A razão de atrito (Rf = fs/qc) é o primeiro parâmetro derivado do ensaio, utilizado para a classificação dos solos. Valores de medidas contínuas de qc, fs e Rf são plotados ao longo da profundidade: ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Parâmetros do ensaio (piezocone): Neste caso utiliza-se um novo parâmetro de classificação de solos, Bq (coeficiente de poro-pressão): Sendo: u0 a pressão hidrostática,v0 a tensão vertical in situ qt a resistência real mobilizada. )( )( 02 vot q q uuB ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE RESULTADOS - Perfil típico do ensaio de cone: Costa de Florianópolis, construção do aterro hidráulico da Via expressa sul Razão de atrito RESULTADOS Perfil típico do ensaio de piezocone: Coef. de poro‐ pressão Razão de atrito ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados típicos de um ensaio de piezocone para o depósito do SESI – Ibura (COUTINHO ET AL, 1999) 0 5 10 15 20 0 0,5 1 1,5 0 5 10 15 20 0 2 4 6 8 10 0 5 10 15 20 0 500 1000 0 5 10 15 20 0 500 1000 1500 0 0.5 1 1.5 q (MPa) 0 5 10 15 20 23 D e p t h ( m ) Cone Bearing Pore Press. FactorPore Pressure u u u u u (MPa) 0 0.5 1 Friction Ratio Fr*(%)=f /(q - ) 0 2 4 6 8 10 Bq 0 0.5 1 1.5 TT V0T 1 2 2 1 ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Relação de parâmetros de solos derivados de ensaios de piezocone (CHEN & MAYNE, 1994 a partir de SCHNAID, 2000). : ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Análise/Estatigrafia : Senneset & Jambu (1984) – incluindo experiência brasileira – solos sedimentares porém não testados em solos residuais Sistemas de classificação das argilas utilizando ábacos qt X Bq (Schnaid, 2000) ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Análise/Estatigrafia : Sistemas de classificação das argilas utilizando ábacos qt X Bq (Schnaid, 2000) Robertson e outros (1986) – incluindo experiência brasileira ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Fator do cone Nkt para região metropolitana de Porto Alegre - RS (Schnaid, 2000). k voc u N qS )( Resistência ao Cisalhamento Não – Drenada (Su) kt vot u N qS )( •Su: resistência não-drenada; •qc: resistência de ponta; •qt: resistência corrigida; • vo: tensão vertical in situ; •Nk, Nkt: fatores de capacidade de carga. ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Fatores de cone de argilas brasileiras ede outros países (SCHNAID, 2000). ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Variação de Nkt com IP para argilas brasileiras e européias (modificada de AAS ET AL., 1988 - SCHNAID, 2000). ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Distribuição de OCR com a profundidade em Porto Alegre (SCHNAID, 2000). vo votqOCR ´ )( 305,0 vo t uqOCR ´ 53,0 2 História de Tensões: ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : História de Tensões: Relação entre Bq e OCR para argilas brasileiras (SCHNAID, 2000). ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Variação de K0 com a profundidade em Porto Alegre - RS (SCHNAID, 2000). Estado de Tensões: v hK ´ ´ 0 ´sen10 K ´sen 0 ´)sen1( OCRK vo votqK ´ 1,00 vo uuK ´ )(11,0 5,0 210 Jacky (1944) Mayne e Kulhawy (1982) ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas NA) : Estado de Tensões: Correlação entre ´ e IP para argilas NA (SCHNAID, 2000). ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Abordagem proposta por DUNCAN & BUCHIGNANI, 1976 (SCHNAID, 2000). Módulo de Deformabilidade (não drenado): uu nSE )(25,8 votqM Eu: módulo de Young M: módulo oedométrico ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Exemplo típico de um ensaio de dissipação utilizado para ilustrar o procedimento de cálculo de Ch (SCHNAID, 2000). Coeficiente de adensamento horizontal: t IRT PAC rh 2* )( )()( PiezoconeC CR RRNAC hh T*: fator tempo; R: raio do piezocone; t: tempo de dissipação (t50%); Ir: índice de rigidez = G/Su; G: módulo de cisalhamento Coeficiente RR/CR variam entre 0,13 e 0,15 t50 Distância ui e u0 u(50%)=(ui – u0)/2 ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Fator tempo T*: ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (argilas) : Razão de permeabilidade em argilas (LADD E OUTROS, 1976, JAMIOLKOWSKY a partir de SCHNAID, 2000). Coeficiente de Adensamento: )()( PiezoconeC K KNAC h h v v ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Argilas Recife: História de tensões e parâmetros de tensão in situ para o depósito do SESI – Ibura (COUTINHO ET AL., 1999). ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (areias) : Previsão da densidade relativa através de qc (LANCELLOTTA, 1985 a partir de SCHNAID, 2000). ) ´ log(6698 5,0 vo c r qD Dr: densidade relativa; qc: resistência de ponta; ´vo:tensão vertical in situ. ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (areias) : Relação entre qc, ´vo e Dr (ROBERTSON & CAMPANELLA, 1983 a partir de SCHNAID, 2000). ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (areias) : SCHNAID, 2000. Módulo de Deformabilidade: cqE 5,125 E25: módulo de deformabilidade para 25% da tensão desviadora máxima; qc: resistência de ponta do cone; Na ausência de correlações desenvolvidas para solos arenosos brasileiros recomenda-se, por SCHMERTMANN (1970), SIMONS & MENZIES (1977), ROBERTSON & CAMPANELLA (1983), MEIGH (1987), a utilização de uma abordagem simples, como a proposta por BALDI et all. (1981): ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Resultados – Parâmetros Geotécnicos (areias) : Resultados de ensaio com CPTU (Resistência de penetração, razão de atrito e razão de poro- pressão) e SPT (golpes/30cm) em Port of Oakland, POO7-2 ( Mitchell et. al., 1994) ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Aplicações – Métodos diretos: Valores típicos de k = (qc / pa) / NSPT Previsão da Capacidade de Carga de Estacas: •BUSTAMANTE & GIASENELLI (1982): c p q f cacc qkq fp: atrito lateral unitário qc: resistência de ponta unitária qca: média de qc entre a e –a; kc: fatores de capacidade de carga (próximo slide); : coeficiente de atrito. eliminam-se os valores de qc superiores a 1,3q’ca e inferiores a 0,7q’ca ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Aplicações – Métodos diretos: Previsão da Capacidade de Carga de Estacas: Fatores de capacidade de carga, kc (BUSTAMANTE & GIASENELLI, 1982 a partir de SCHNAID, 2000). •BUSTAMANTE & GIASENELLI (1982): ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Aplicações – Métodos diretos: Coeficiente de atrito, (BUSTAMANTE & GIASENELLI, 1982 a partir de SCHNAID, 2000). Previsão da Capacidade de Carga de Estacas: ENSAIO DE CONE E PIEZOCONE Novos equipamentos: Cone Sísmico Cone Pressiométrico Cone Resistivo