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PCR – REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE Profa. Dra. Raquel Alves dos Santos Como isolar um fragmento específico de DNA ou RNA dentro da complexa população celular dessas macromoléculas ? Como obter quantidade suficiente deste fragmento para poder visualizá-lo ? Como atingir esses objetivos de modo eficiente, rápido e prático ? Nas décadas posteriores à descoberta da estrutura do DNA, o progresso das pesquisas dependia de se obter uma metodologia que contemplasse as seguintes questões : Método que permite o isolamento e amplificação de uma região específica do genoma. Bilhões de cópias a partir de uma sequencia alvo de DNA em poucas horas Simula uma duplicação do DNA dentro de um microtubo (versão laboratorial da duplicação do DNA) Ferramenta imprescindível em Biologia Molecular PCR Duplicação do DNA •Enzimas que abrem a fita •Proteínas que mantêm a fita aberta •Primase, que sintetiza o iniciador (primer) •DNA pol III, que alonga o primer •DNA pol I, que retira o primer •Ligase, que une os fragmentos de Okazaki •Nucleotídeos de DNA (dNTPs) •Íons Mg – cofator da DNA pol •Condições fisiológicas de concentração de sais e pH •DNA molde -Tornou possível a amplificação de segmentos específicos de DNA por meio da utilização de uma DNA polimerase de Escherichia coli. Kary Mullis, 1983 Três passos principais da PCR A base da PCR é a mudança de temperatura e o efeito que a mudança de temperatura tem sobre o DNA Na reação de PCR os seguintes passos são repetidos de 20 a 40 vezes: PASSO 1: Desnaturação do DNA - DESNATURAÇÃO A 95C o DNA é desnaturado (a dupla fita é separada) PASSO 2: os primers são anelados - ANELAMENTO A 40 C -65 C os primers se anelam à sua sequencia complementar na fita simples de DNA PASSO 3: a DNA polimerase extende a cadeia de DNA – EXTENSÃO A 72C a DNA polimerase adiciona nucleotídeos à extremidade 3’ dos primers Tampão (sais, pH) primers Deoxinucleotídeos (dNTPs) DNA polimeraseMgCl2 DNA molde Abertura da fita, anelamento e extensão dos primers : através de mudanças de temperatura PCR : reproduz in vitro a duplicação do DNA Primers : oligonucleotídeos desenhados para flanquear uma região específica do genoma (ou do RNAm) Necessidade de conhecer a sequência da região que se vai estudar Vantagem 1 : A PCR é uma técnica altamente específica DNA polimerase e o problema da estabilidade Saiki et al., 1986: -DNA polimerase termoestável obtida de uma bactéria de fontes termais (Thermus aquaticus). Altas temperaturas – desnaturação da enzima (inativação) Automatização da reação 3. Extensão dos iniciadores (Temperatura ótima da enzima: 72ºC) Faz alternações de temperaturas, para que ocorram : 1. Denaturação das cadeias do DNA genômico (94oC) 2. Associação (annealinng) dos iniciadores (45-60oC) Na célula In vitro Primer Primase Sintetizados em laboratório – seqüência conhecida DNA molde DNA celular DNA extraído do organismo que se vai estudar Abertura da fita DNA pol Taq pol (72oC) Alongamento do primer Presentes no meio celular Sintetizados em laboratório (dATP, dCTP, dGTP, dTTP)Nucleotídeos Presente no meio Fornecidos a partir de uma solução de MgCl2 Íons Mg Presente no meio Tampão Sais, pH Enzimas abrem e mantêm a dupla fita aberta Desnaturação pelo calor (95oC) Eventos Desnaturação/Associação/Extensão N = N0 . 2 n A quantidade de DNA final segue uma função exponencial, onde: N = Número final de cadeias de DNA N0 = Número inicial de DNA molde (template) n = Número de repetições do ciclo 1 ciclo : 1x21=2 2 ciclos : 1x22=4 3 ciclos : 1x23=8 4 ciclos : 1x24=16 Ex.: N0=1 Vantagem 2 : multiplica exponencialmente o segmento alvo em pouco tempo E = eficiência de extensão da reação N=N0 x (1+E) n Eficiência da reação Degradação dos reagentes Esgotamento dos reagentes Saturação da enzima Separação incompleta das fitas Produtos inespecíficos – competição pelos reagentes Efeito platô na amplificação por PCR Número de ciclos Rendimento real Rendimento teórico N=N0 x (1+E) n 100% 80% 60%No ciclos N=1x(1+1)2=42 N=1x(1+0,8)2=3,2 N=1x(1+0,6)2=4 N=1x(1+1)1=21 N=1x(1+0,8)1=1,8 N=1x(1+0,6)1=1,6 N=1x(1+1)3=83 N=1x(1+0,8)3=6 N=1x(1+0,6)2=4 20 7,1x104 7,6x1035,2x105 35 4,8x108 8,7x1061,7x1010 Eficiência da reação depende de : Qualidade do DNA molde Qualidade do primer: sequência e composição Condições da reação: concentração de Mg++, DNA polimerase, dNTPs, etc. Presença de inibidores da reação Condições de amplificação: temperatura de annealing, número de ciclos, tempos de annealing e extensão, etc. Controles da reação Certificar-se de que se está amplificando o DNA alvo, não um DNA estranho : o “branco” Certificar-se de que o resultado negativo é devido à ausência do alvo no DNA de estudo e não um problema de reação : o gene controle (-globina, -actina, GAPDH, etc) ELETROFORESE EM GEL DE AGAROSE Identificação dos produtos das reações... DNA marcado com Brometo de Etídio e visualizado num transluminador, aparelho que emite raios UV. Gel na cuba sendo submetido à um campo elétrico Vantagens e desvantagens - Rápida e simples - Alta sensibilidade - Muito específica - Necessita pouco material biológico - Várias adaptações - Aquisição de reagentes, equipamento e treinamento de pessoal (?) - Alta sensibilidade – falso- positivo (necessidade de controles) PCR é uma ferramenta poderosa na biologia molecular Um único espermatozóide, ou o bulbo de um único fio de cabelo pode servir para amplificar uma determinada região do genoma. A amplificação depende da escolha correta do par de primers A especifidade da PCR depende dos primers Primers Primers de PCR são sequencias curtas de fita simples de DNA (15-40 pb) São manufaturados e comercialmente adquiridos (basta informar a sequencia) Primers são sequencia específicos e se ligam a uma sequencia específica no genoma Quanto mais longos, mais seletivos(15 → 40 pb) A DNA polimerase necessita de um primer para iniciar a polimerização da cadeia de DNA Temperatura de melting É a temperatura na qual metade das fitas de DNA está na forma de fitas simples e a outra metade na forma de dupla hélice. A Tm é dependente da composição do DNA, de modo que o aumento no conteúdo G+C no DNA gera um incremento na Tm ocasionado pelo maior número de ligações de H. Os cálculos básicos para o cálculo da Tm consideram apenas a composição do primer, ou seja, apenas a quantidade de cada base que compõe o primer. Marmur e Doty (1962) propuseram a seguinte fórmula para o cálculo da Tm : (1) Tm = 64.9 + 41.0*(|G| + |C| - 16.4) / (|A| + |T| + |G| + |C|). A fórmula sugerida por Wallace e colaboradores (1979) é: (2) Tm = 2*(|A| + |T|) + 4*(|C| + |G|). Ambas as equações (1) e (2) assumem que o pareamento ocorre em condições padrão de 50 nM de concentração de primers, 50mM de concentração de sal (Na+ ) e pH próximo de 7.0. Em ambas, |A|, |C|, |T| e |G| representam a quantidade de bases Adenina, Citosina, Timina e Guanina, respectivamente. Temperatura de anelamento do primer É a temperatura na qual os primers se pareiam ao DNA molde. Ela pode ser calculada a partir da Tm. T anneal = Tm(primer) – 4ºC EXTRAÇÃO DE ÁCIDOS NUCLEICOS Profa. Dra. Raquel Alves dos Santos Extração de ácidos nucleicos 1) Romper a membrana celular 2) Retirar as proteínas (histonas) e debris celulares 3) Precipitar o ácido nucleico 4) Retirar os traçosde reagentes do precipitado 5) Diluir o ácido nucleico Objetivo : Liberar DNA/RNA em grandes quantidades, sem prejudicar a ação da Taq polimerase Eliminar debris celulares Eliminar proteínas Eliminar restos de reagentes Impedir a ação das nucleases Evitar contaminação com DNA/RNA de fontes estranhas Evitar contaminação DNA/RNA Fontes : qualquer célula nucleada (DNA) Célula do sangue Células bucais Células bacterianas, fungos, vegetais Células cultivadas Biópsias Material incluído em parafina Amostras forenses : fluídos corporais, folículos capilares, ossos, etc Extraindo DNA de células do sangue Anticoagulante - EDTA 2) Rompimento das hemáceas (sol. hipotônica-sacarose) 1) Obtenção da amostra 3) Lise celular Solução de lise contém : NaCl : estabiliza a dupla hélice (impede denaturação) EDTA : quelante do Mg++ e Ca++- cofatores da DNAse pH em torno de 8,0 (nucleases : pH ótimo = 7,0) SDS : detergente aniônico que : rompe a membrana lípidica recobre as cargas positivas das histonas – DNA é liberado Ação de protease (proteinase K) : digere proteínas (56oC) 4) Extração das proteínas 4.1) Solvente orgânico Fenol e/ou clorofórmio : desnaturam proteínas, tornando- as insolúveis Fenol : pH 7,0 : DNA e RNA ficam na fase aquosa pH <7,0 : DNA é precipitado, ficando só o RNA na fase aquosa Porção polar : interagem com grupos polares das proteínas, competindo pela água Grupo hidrofóbico : pode quebrar ligações internas das proteínas, desestabilizando-as Fase aquosa Contém ácidos nucleicos Fase orgânica : Lipídeos, grandes polissacarídeos e proteínas complexadas ao SDS permanecem na fase fenólica. Fenol : clorofórmio : álcool isoamílico = para retirar excesso de fenol 4.2) Solução com alta concentração de sais (salting out) Cargas da superfície da proteína interagem com as moléculas de água Sais “sequestram” as moléculas de água Aumenta interação proteína- proteína : agregação e precipitação 5) Precipitação do DNA Álcool (etanol ou isopropanol) + Sal (acetato de sódio ou outro) Só quando usa-se etanol Álcool : muda a estrutura do DNA de modo que essas moléculas se agregam; Facilita a interação do Na+ com o fosfato do DNA Sal : dissocia-se e o cátion interage com o grupo fosfato do DNA, tornando a molécula menos hidrofílica 6) Lavagem do material em etanol 70% Por conter mais água, permite que os sais se dissolvam, enquanto mantém o DNA precipitado 7) Dissolução do DNA em água ou tampão (tris/edta-TE) Quantificação Estimativas de pureza : 260/280 nm : contaminação com proteína (1,8-2,0) DNA e RNA • Zerar o espectrofotômetro • Diluir uma pequena alíquota do DNA (anotar fator de diluição) • Fazer a leitura a 230, 260, 280 nm proteína 260/230 nm : contaminação com fenol ou urea (1,9-2,0) 325 nm : contaminação por partículas e sujeira na cubeta Onde : S = tamanho do DNA em Kb N = número de resíduos de bases A, G, C ou T (cada base possui uma absorbância) Para determinar a concentração (C), usar a leitura a A260 nas seguintes equações : www.invitrogen.com (ver ítem “protocols”) EXTRAÇÃO POR KITS COMERCIAIS Sequenciamento de nucleotídeos Método de Sanger Tampão (sais, pH) primers Deoxinucleotídeos (dNTPs) DNA polimerase MgCl2 DNA molde ddATP ddCTP ddGTP ddTTP ddATP AGGTCTGACTGAATGC AGGTCTGACTGAddA AGGTCTGACTGddA AGGTCTGddA AddA AGGTCTGACTGAATGddC AGGTCTGAddC AGGTddC AGGTCTGACTGAATddG AGGTCTGACTddG AGGTCTddG AGddG AddG AGGTCTGACTGAAddT AGGTCTGACddT AGGTCddT AGGddT AddA AddG AGddG A C G T AGGddT AGGTddC AGGTCddT AGGTCTddG AGGTCTGddA AGGTCTGAddC AGGTCTGACddT AGGTCTGACTddG AGGTCTGACTGddA AGGTCTGACTGAddA AGGTCTGACTGAAddT AGGTCTGACTGAATddG AGGTCTGACTGAATGddC