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ENDOCRINOLOGIA EM PEQUENOS ANIMAIS Prof. Caio Augusto Leles Costa ENDOCRINOLOGIA • Rotina alta na clínica; • Temos especialistas na área; • Pouco diagnosticada “ainda” • $$$$$$$$ • Sobrevida? E agora????? Chama o endócrino? Mais comuns • Diabetes melito • Hiperadrenocorticismo • Hipoadrenocorticismo • Hipertireoidismo • Hipotireoidismo HIPOTIREOIDISMO EM CÃES H IP O TIR O ID ISM O Localização da Tireóide H IP O TIR O ID ISM O Etiologia (Primário e Secundário) • Primário: - Mais comum em cães e resulta de problemas como a destruição da glândula causada por: • Tireóide Linfocítica ( doença auto-imune caracterizada por infiltrados linfocíticos na glândula ) – GENÉTICA ENVOLVIDA. • Atrofia idiopática ( caracterizada pela perda do parênquima da glândula, não há infiltrado inflamatório) – CAUSA DESCONHECIDA. • Iatrogênico ( remoção cirúrgica e Medicações antitiroideanas) H IP O TIR O ID ISM O metimazol Etiologia (Primário e Secundário) • Secundário: - Resultado da falha no desenvolvimento dos tireotrofos pituitários (que são células da tireóide) ( hipoplasia pituitária ); - Ou de uma disfunção das células tróficas pituitárias, causando comprometimento da secreção de TSH. H IP O TIR O ID ISM O E AINDA TEMOS.... • Hipotireoidismo terciário: - Caracterizado por disfunção hipotalâmica e deficiência de iodo. - Apresentação rara. H IP O TIR O ID ISM O Função dos Hormônios Tiroideanos • Concentração e atividade de enzimas • Metabolismo de minerais e vitaminas • Secreção e degradação de hormônios • Resposta de hormônios no tecido alvo • Desenvolvimento fetal • Estimula a produção de calor • Síntese de proteínas e enzimas • Metabolismo de lipídeos • Efeito cronotrópico e inotrópico sobre o coração • Centro respiratório • Estimula eritropoiese • Estimula metabolismo ósseo H IP O TIR O ID ISM O Como são produzidos H IP O TIR O ID ISM O Quais são eles? • Tiroxina ( T 4 ): Maior quantidade! • Triiodotironina ( T 3 ): Menor quantidade; • TSH (Hipófise ): Correlacionado!! H IP O TIR O ID ISM O TRH: Hormônio liberador de tireotrofinas TSH: Hormônio estimulante da tireóide H IP O TIR O ID ISM O H IP O TIR O ID ISM O Etiologia • Redução na produção de hormônios pela tireóide; • Hipotireoidismo primário : MAIS COMUM; • Ocorre destruição da glândula Tireoide; H IP O TIR O ID ISM O Incidência • Cães entre 2 a 6 anos • Sem predileção por sexo • Predisposição racial: - Cocker - Beagle - Maltês - Boxer - Golder Retriever - Doberman H IP O TIR O ID ISM O Sinais Clínicos • Variam: - Entre indivíduos - Idade de diagnóstico - Raça • Sinais metabólicos - Letargia/intolerância ao exercício - Ganho de peso sem aumento do apetite - Intolerância ao frio H IP O TIR O ID ISM O Sinais Clínicos Dermatológicos • Diminuição da síntese proteica induz a redução mitótica e do consumo de oxigênio; • O que leva: atrofia dérmica, queratinização anormal! - Além do que : •T3 e T4 são essenciais para crescimento do pêlo. H IP O TIR O ID ISM O Sinais Clínicos Dermatológicos • Alopecia simétrica bilateral do tronco e cabeça H IP O TIR O ID ISM O Sinais Clínicos Dermatológicos • “Rabo de rato” H IP O TIR O ID ISM O Sinais Clínicos • Perda de libido; • Atrofia testicular; • Fraqueza; • Andar em círculos; • Convulsão; Isso ocorre devido a uma desmienilização segmentar e acúmulo de mucopolissacarídeos no perineuro e endoneuro dos nervos. “Especula-se que este fato é atribuído a redução do metabolismo geral. ( Jhonson, 1999)” H IP O TIR O ID ISM O Diagnóstico • DIFERENCIAIS: - Anormalidades dermatológicas (sarnas,seborréias,dermatofitoses ); - Outras endocrinopatias: Hiperadreno corticismo. H IP O TIR O ID ISM O Diagnóstico • Exames complementares: - Bioquímica sérica: verifica-se hipercolesterolemia e hipertrigliceremia em 75% dos casos. Lactato desidrogenase, AST, ALT e FA podem ter discreto aumento associado à miopatia e lipidose hepática. - Ultrassonografia: pode ocorrer diminuição significativa da tireóide mas a ausência da diminuição não descarta enfermidade. H IP O TIR O ID ISM O Diagnóstico • Exames gerais ( hemograma, bioquímicos, glicemia ) • DOSAGEM DE T3 livre ou total: NÃO!!!!!! - (pois o mesmo está localizado dentro das células e é secretado em pequena quantidade pela tireóide ( menos de 5 % no cão) ). H IP O TIR O ID ISM O Valores de Referências Hormônio Valores de Referência Canino Felino T4 Total (μg /dL) 1,2 a 4,0 1,2 a 4,8 T4 Livre (ng/dL) 0,5 a 1,6 1,0 a 3,0 T3 Total (ng/dL) 45 a 110 40 a 110 TSH (mUI/mL) Abaixo de 0,6 -- ACTH (pmol/L) 3 a 10 3 a 10 H IP O TIR O ID ISM O Diagnóstico • Dosagem de T4 total ( RIA radioimunoensaio ) OU • Dosagem de T4 livre por Diálise ( mais indicado, 90 % de acurácia ) • Dosagem de TSH ( somente junto com T4 ) H IP O TIR O ID ISM O Diagnóstico • T4 TOTAL por “RIA”: - Dosa o hormônio total ligado as proteínas em um único exame. Porém esta forma do hormônio não está biologicamente ativa. - Interpretação: • T4 total em sua normalidade exclui o hipotiroidismo • T4 total baixo, por si só, NÃO CONFRIMA O DIAGNÓSTICO. H IP O TIR O ID ISM O Interpretando T4 total Abaixo de 0,5 μg/dL Sugere hipotireoidismo, deve-se associar à clínica. Entre 0,5 e 1,5 μg/dL Inconclusivo. VALORES CONCLUSÃO H IP O TIR O ID ISM O T4 livre por Diálise: • Por quê dosar preferencialmente o “Livre” por diálise: - T4 LIVRE: é a fração hormonal não ligada a proteínas, e biologicamente ativa, porém a técnica é mais cara e o percentual de hormônio livre é inferior a 1 %. Valores Conclusão Acima de 1,5 μg/dL Descarta-se hipotireoidismo Entre 0,5 e 1,5 μg/dL Inconclusivo Abaixo de 0,5 μg/dL Sugere hipotireoidismo mais fortemente que o resultado do T4 total H IP O TIR O ID ISM O TSH : • Concentração de TSH: pode estar aumentado. - Sensibilidade de 63 a 87% e especificidade entre82 e 93%. • Resultados e Interpretação da Concentração de TSH Acima de 0,6 ng/dL Hipotireoidismo VALORES CONCLUSÃO Conclusão Diagnóstico • REDUÇÃO - nos níveis de T4 ( diálise ) • AUMENTO - nos níveis de TSH • Sinais clínicos presentes H IP O TIR O ID ISM O FECHAMOS O DIAGNÓSTICO H IP O TIR O ID ISM O Tratamento • Levotiroxina Sódica ( tratamento de escolha ) - 0,02 mg/kg/BID com dose máxima de 0,8 mg (CONTÍNUO) - Ajustar a dose individualmente - Monitorar : 4 a 8 semanas após.... H IP O TIR O ID ISM O Tratamento • Mensurar T4 e TSH em 4 a 6 semanas após inicio da administração da levotiroxina e reavaliar dose. res T4 Conduta Maior que 6 μg/dL Reduzir dose do fármaco Menor que 1,5 μg/dL Avaliar a resposta clínica H IP O TIR O ID ISM O Diabetes Melito em Cães e Gatos D IA B ETES M ELITO Diabetes Melito em cães • “Doença do metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas causa pela deficiência de insulina absoluta ou relativa, que resulta em hiperglicemia e glicosúria no jejum.” D IA B ETES M ELITO D IA B ETES M ELITO Causas • Multifatorial; • Predisposição genética; • OBESIDADE (interfere na ligação da insulina ); • Tumores pancreáticos; D IA B ETES M ELITO Tipos • Dependente de Insulina ( comum ) - Tipo I humano - Destruição das células Beta • Não dependente de Insulina ( raro ) - Tipo II humano - Resistência a insulina D IA B ETES M ELITO Patogenia • Tem-se perda funcional das células β-pancreáticas com resultante queda da concentração da insulina, assim, prejudicando o transporte de glicose e aporte para as células. Há a instalação de uma acentuada gliconeogênese hepática e glicogenólise causando uma hiperglicemia e glicosúria. D IA B ETES M ELITO Sinais Clínicos • Entre 7 a 11 anos ( mais comum ) • Poliúria (A glicosúria provoca diurese osmótica, causando poliúria. ) • Polidipsia (Surge a polidipsia compensatória, que impede a desidratação) • Polifagia (A quantidade de glicose que entra no centro da saciedade na região ventromedial do hipotálamo está diminuída por causa da hipoinsulinemia. ) • Catarata ( sorbitol na lente que atrai água e altera a lente ) • Hepatomegalia ( Devido a Lipidose hepática- Excesso de glicose ) ** Formiga na urina do animal D IA B ETES M ELITO Diagnóstico • Sinais clínicos • Bioquímica sérica: verifica-se hiperglicemia, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, aumento das enzimas ALT e FA (caso haja um caso de hiperadreno) associado a enzima FA estará muito elevada). A amilase e a lipase podem estar elevadas em casos de pancreatite. • Urinálise: verifica-se glicosúria e bacteriúria. • Mensuração da frutosamina sérica: a qual é uma glicoproteína que tem ligação irreversível com a glicose e reflete a concentração da glicose média em 2 à 3 semanas prévias D IA B ETES M ELITO Hiperglicemia • Acima de 130 mg/dL a doença já está instaurada! • Sinais clínicos vão aparecer apenas quando for superior a 180 a 220 mg/dL, devido ao limiar de reabsorção tubular renal. D IA B ETES M ELITO Tratamento • INSULINA + ALIMENTAÇÃO D IA B ETES M ELITO Tipos de Insulina • Ação Intermediária: obtidas pela mistura da insulina regular com protamina (formando-se um complexo insulina-protamina pouco solúvel) ou com zinco. Após a administração subcutânea, as enzimas proteolíticas degradam a protamina permitindo a absorção da insulina. - NPH – Neutral Protamine Hagedorn (humano); - Lenta (suíno); *Início de ação com 1 hora e meia com concentração máxima entre 4 e 8 horas e duração de ação de 18 horas. • Ação Prolongada: obtidas através da adição de um excesso de zinco à insulina solúvel na presença de um tampão acetato, obtendo-se então um complexo insulina- zinco sob a forma de suspensão relativamente insolúvel. -PZI (suíno/bovino); -Glargina (micropreciptados); pode ser usado até SID D IA B ETES M ELITO Efeito Somogyi • Efeito Somogyi • Definição: hipoglicemia induzida pelo excesso de insulina que resulta em uma hiperglicemia de rebote e não cede com novas doses de insulina. • Resposta fisiológica hiperglicemiante: catecolaminas, glucagon e cortisol. D IA B ETES M ELITO Tratamento Inicial • Objetivo inicial: eliminação dos sinais clínicos, estabelecimento gradual, controle das comorbidades e insulinoterapia, dieta e exercícios. Insulinoterapia: administração de insulina NPH (100 UI/mL) ou insulina Protocolo NPH 0,25 UI/kg BID D IA B ETES M ELITO Tratamento Inicial • Hospitalização: internamento e acompanhamento do paciente por 24 a 48 horas. Aplicar insulina duas vezes ao dia e sempre oferecer comida antes da aplicação, caso o animal não se alimente, deve-se aplicar somente a metade da dose. • Triagem inicial: após a aplicação da insulina deve-se mensurar a glicose no momento da aplicação, após 3 horas, 6 horas e 9 horas. O objetivo principal é verificar hipoglicemia no paciente, pois o nível mínimo de glicose deve ser de 80 mg/dL, não deve-se baixar disso. *Não deve-se aumentar a dose de insulina do paciente se neste primeiro dia de tratamento ainda houver hiperglicemia, pois há um período de adaptação do organismo. D IA B ETES M ELITO Tratamento Controle • Avaliação semanal: o paciente deve passar por retornos semanais para ajuste da dose e acompanhamento clínico. O objetivo é a melhora clínica, peso estável (paciente para de perder peso) e glicemia entre 100 e 250 mg/dL. *Necessita-se de 2 a 4 semanas para um bom ajuste. • Controle inadequado: caso não haja sucesso no controle da glicemia do paciente, deve-se instituir um aumento na dose da insulina entre 1 a 5 UI/paciente/injeção. D IA B ETES M ELITO Avaliação do Tratamento • Avaliação do tratamento: deve-se avaliar a melhora clínica do paciente, peso estável, glicemia entre 100 e 250 mg/dL e mensuração da frutosamina sérica a qual é uma glicoproteína que tem ligação irreversível com a glicose e reflete a concentração da glicose média em 2 à 3 semanas prévias Interpretação Concentração (μmol/L) Excelente controle 350 a 450 μmol/L Bom 400 a 450 μmol/L Razoável 450 a 500 μmol/L Insuficiente (hiperglicemia) Acima de 500 μmol/L Hipoglicemia prolongada Abaixo de 300 μmol/L D IA B ETES M ELITO Curva Glicêmica • Curva Glicêmica: permite alterações terapêuticas e geralmente é feita após 1 mês da triagem inicial. • É importante manter a rotina do animal (alimentação e aplicação de insulina), para que o exame seja o mais fidedigno possível. • Como fazer: faz-se coletas a cada 1 a 2 horas dependendo do paciente e faz-se a mensuração da glicemia em glicosímetro. • O que observar: nadir glicêmico (ponto mais baixo daglicemia), tempo da duração da insulina e intensidade de flutuação glicêmica. • Interpretação: a glicemia ideal é entre 100 e 250 mg/dL D IA B ETES M ELITO Curva Glicêmica Mensuração Conduta Nadir entre 100 e 150 mg/dL Ideal. Nadir maior que 150 mg/dL Deve-se aumentar a dose. Nadir inferior a 80 mg/dL Deve-se diminuir a dose. Nadir antes de 8 horas (efeito curto) Reavaliar intervalo de aplicação ou trocar de insulina. Nadir após 12 horas (efeito longo) Reavaliar intervalo de aplicação ou trocar de insulina. D IA B ETES M ELITO Complicações da Insulinoterapia • Quando ocorre: por aumento exagerado da dose, sobreposição de 2 horas, inapetência prolongada e correção dos fatores de resistência. • Sinais clínicos da neuroglicopenia: alteração comportamental, fraqueza, convulsões (glicemia abaixo de 20 a 30 mg/dL) e ataxia. • Tratamento: administração de glicose VO (mel) ou EV (glicose 50% - 1 ml/kg). D IA B ETES M ELITO Aplicação • ENSINAR O PROPRIETÁRIO A HOMOGENIZAR! - Armazenamento resfriado - Leve homogenização com a palma da mão - Retirar da geladeira 15 minutos antes (dor) - Recomendações por escrito D IA B ETES M ELITO Dieta • Correção da obesidade: exercício diário e controle do aporte calórico. - Aumento do conteúdo fibroso da dieta: rações de prescrição ou dietas caseiras. - Metade da dieta diária antes de cada aplicação da insulina e após a alimentação retira-se o alimento. D IA B ETES M ELITO Dieta Caseira • 70 g de arroz branco • 70 g de peito de frango • 30 g de fígado de boi • 40 g de farelo de trigo • 1 colher de chá de óleo de canola • ½ colher de chá de sal light • 600 ml de água fervente Fonte: Home Made Diets, Waltham Nutrition D IA B ETES M ELITO Controle • Perda de peso ( atividade física ) • REVISÕES semanais D IA B ETES M ELITO CETOACIDOSE DIABÉTICA C ETO A C ID O SE CETOACIDOSE DIABÉTICA • Complicação GRAVE do Diabetes Melito • Potencialmente fatal • Mortalidade em humanos ( 5 a 10 % ) • Mortalidade em cães e gatos (25 % ,EUA ) C ETO A C ID O SE Fisiopatogenia • É um quadro insulinêmico pela deficiência de insulina e aumento do glucagon, levando a lipólise dos tecidos gordurosos periféricos, assim a gordura será oxidada no fígado e ocorrerá a cetogênese, acarretando na formação de ácidos acetoacético, betahidroxibutírico e acetona. • Há um excesso de corpos cetônicos circulantes havendo um esgotamento do sistema tampão levando a acidose metabólica. C ETO A C ID O SE C ETO A C ID O SE Aspectos Clínicos • Verifica-se poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso em casos clássicos. Em casos graves verifica-se anorexia, letargia, vômitos, desidratação, pelame eriçado, atrofia muscular, taquipnéia, hepatomegalia e odor cetônico. C ETO A C ID O SE Aspectos Clínicos • Desidratação • Fraqueza/Letargia • Taquipnéia • Anorexia • Vômito • Hálito Cetônico • Respiração curta e profunda • Dor abdominal C ETO A C ID O SE Diagnóstico • Sinais prévios de DM • Hiperglicemia ( acima de 500 mg/dL ) • Glicosúria ( Fita de Urina ) • CETONÚRIA (Fita de Urina ) • pH sanguíneo baixo ( acidose ) C ETO A C ID O SE Diagnóstico • Eletrólitos: hipocalemia (por anorexia, perdas urinárias e gastrointestinais) e hiponatremia (por excessiva perda urinária induzida por altas concentrações de glicose e cetose e pela falta de insulina). C ETO A C ID O SE C ETO A C ID O SE Tratamento • Insulina: para suprimir a lipólise, cetogênese e glicogenólise. • Qual: insulina R (ação rápida). • Dose e Via: 0,2 UI/kg (inicial) depois passando para 0,1 UI/kg/hora até a glicose baixar de 250 mg/dL. Deve-se aplicar por via IM ou SC. *O declínio da glicemia deve ser de 75 mg/dL/hora. C ETO A C ID O SE Tratamento • Fluidoterapia: pela instituição de solução NaCl 0,9% em reposição lenta (60 a 100 ml/kg/dia). Somente em casos de choque hipovolêmico que deve-se fazer a reposição rápida. • Reposição de potássio: - Concentração a ser utilizada: 40 mEq/L (16 mL de KCl 19,1%). - Taxa: nunca exceder 0,5 mEq/kg/hora. C ETO A C ID O SE Tratamento • Monitorar tudo e a todo instante C ETO A C ID O SE HIPERADRENOCORTICISMO EM CÃES H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O HIPERADRENOCORTICISMO EM CÃES • “Síndrome de Cushing” • Distúrbio endócrino mais comum em caninos, caracterizado pelo excesso de cortisol endógeno ou exógeno devido a tumor em glândula hipófise/pituitária, adrenal ou iatrogênico. • Tipos: - Dependente da Pituitária ( comum ) - Dependente de Adrenocortical - Iatrogênica Fisiologia do Córtex • O córtex é essencial para a vida, mas a medula não é. O córtex adrenal produz cerca de 30 diferentes hormônios, muitos dos quais têm pouco ou nenhum significado clínico. Os hormônios podem ser divididos em três grupos, com base em suas ações predominantes: - Glicocorticóides: promovem a gliconeogênese. - Mineralocorticóides: importantes para homeostasia da água e dos eletrólitos - Hormônios sexuais: produzidos em pequena quantidade, principalmente os hormônios masculinos que têm uma fraca atividade androgênica H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Figura 1. Regulação da liberação dos glicocorticoides. Fonte: MOONEY e PETERSON, 2009 H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Tumores de Pituitária/Hipófise ( HDP) • O HDP (Hiperadrenocorticismo dependente da pituitária) ocorre em 85% dos casos. • Os tumores podem ser classificados como microtumores/microadenomas ou macrotumores/macroadenomas (podendo comprimir estruturas adjacentes no sistema nervoso central). • Ocorre secreção excessiva de ACTH causa hiperplasia da adrenal que começa a liberar cortisol. O mecanismo de feedback não está presente. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O • Hiperadrenocorticismo Pituitária/Hipófise Dependente Fonte: MOONEY e PETERSON, 2009 H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Tumores nas AdrenoCorticais • Corresponde entre 15 a 20% dos casos de hiperadrenocorticismo. • Os tumores podem ser adenomas (pequenos, bem circunscritos, não metastizam e não são localmente invasivos) ou carcinomas (grandes, localmente invasivos, hemorrágicos e necróticos), podendo ser funcional ou não funcional. • Quando o tumor é funcional tem-se aumento na concentração de cortisol, independente do controle pituitário. • Geralmente ocorre unilateralmente e o lado contralateral se verifica atrofiado. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Hipercorticismo Adrenal Dependente H IP ER A D R EN O C O R TICISM O Iatrogênico • Acontece devido á administração excessiva e prolongada de glicocorticóides para controlar distúrbios alérgicos ou imunomediados. • O eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenocortical está normal, porém a administração de glicocorticóides excessiva suprime as concentrações de ACTH, causando atrofia adrenocortical bilateral. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Aspectos Clínicos • Poliúria (acima de 50 ml/kg/dia) • Polidipsia ( acima de 100 ml/kg/dia) • Polifagia • Taquipnéia ( ofegos ) • Aumento de volume abdominal ( abaulamento-devido a fraqueza muscular). • Alopécia simétrica e bilateral • Fraqueza muscular • Letargia H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Diagnóstico • Exames complementares: -Hemograma: verifica-se leucocitose por neutrofilia madura (presença de neutrófilos hipersegmentados), eosinopenia, linfopenia e eritrocitose discreta. -Bioquímica Sérica: verifica-se aumento de da enzima fosfatase alcalina (em 85% dos casos) devido a presença de isoenzima estimulada por cortisol presente no fígado, aumento do colesterol total e hiperglicemia. -Urinálise: verifica-se isostenúria (densidade abaixo de 1,013), glicosúria e razão proteína-creatinina urinária (acima de 4, sendo que o normal é no máximo 0,5). -Urocultura: importante devido a urina estar diluída e efeitos antiinflamatórios causados pelo cortisol, mascarando possíveis inflamações. -Radiografia: verifica-se hepatomegalia, aumento do contraste abdominal, calcificações distróficas de traqueia e brônquios, massa com opacidade tecido mole ou calcificação na região adrenal e metástase pulmonar de tumor adrenal H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Diagnóstico • Ultrassonografia: - Hipercortisolismo Dependente da Pituitária: verifica-se aumento de volume bilateral de adrenal (sendo a largura máxima normal de 0,8cm), com bordas lisas e regulares e não precisam ser semelhantes. As adrenais podem estar normais. - Hipercortisolismo Dependente de Tumor em Adrenal: verifica- se massa em adrenal de tamanho variável, podendo haver invasão da veia cava caudal e invasão de órgãos adjacentes, unilateral, sendo que adrenal contralateral esta atrofiada. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Diagnóstico • Testes Hormonais ( 2 tipos ): - Teste de estimulação pelo ACTH - Teste de Supressão por dose baixa de dexametasona H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Teste com Dexametasona • O corticosteroide dexametasona inibe o eixo hipófise- adrenal de cão normal em até 8 horas após a aplicação. *O paciente deve estar livre de cortisona por pelo menos 60 dias. • A administração de dexametasona normalmente reduz a secreção de ACTH por meio de feedback negativo na glândula hipofisária. Conseqüentemente ocorre uma diminuição na concentração do cortisol. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Teste com Dexametasona Animal Ação Normal Supressão do eixo hipófise-adrenal até 8horas (níveis de cortisol se mantêm baixos). HDP Ausência de supressão após 8 horas (níveis cortisol se elevam após 8 horas). TA Ausência de supressão a qualquer momento (níveis de cortisol se mantêm elevados). H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Protocolo da supressão Tempo Ação Tempo 0 Coleta de sangue (em recipiente sem anticoagulante) e aplicação de 0,01mg/kg EV de dexametasona. Tempo 4 (4 horas após aplicação) Coleta de sangue (em recipiente sem anticoagulante). Tempo 8 (8 horas após aplicação) Coleta de sangue (em recipiente sem anticoagulante). H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Interpretação 4 horas 8 horas Diagnóstico Menor que 1,5μg/dL Menor que 1,5μg/dL Cão normal Menor que 1,5μg/dL Maior que 1,5μg/dL HDP Maior que 1,5μg/dL Maior que 1,5μg/dL HDP ou TA H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Estimulação pelo ACTH • Importante para controle da efetividade do tratamento e diferenciação de HAC de origem espontânea do iatrogênico. Teste com sensibilidade e especificidade limitados. • Cães com hiperadrenocorticismo iatrogênico apresentam pouco ou nada de aumento no cortisol após a administração de ACTH e este teste não distingue o hiperadrenocorticismo hipófise-dependente do tumor adrenal. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Estimulação pelo ACTH Tempo Ação Tempo 0 Coleta de sangue (em recipiente sem anticoagulante) e aplicação de 0,25mg/cão (acima de 5 kg) ou 0,125mg/cão (abaixo de 5 kg) de ACTH sintético IM. Tempo 1 (após 1h da aplicação) Coleta de sangue (em recipiente sem anticoagulante). H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O Interpretação Resultado (cortisol) Interpretação Abaixo de 6 μg/dL HAC iatrogênico 6 a 18 μg/dL Normal 18 a 24 μg/dL Limítrofe Acima de 24 μg/dL HAC (HDP ou TA) H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O TRATAMENTO • Mitotano: é um agente quimioterápico oral. É um quimioterápico que promove necrose (destruição) ou atrofia da glândula adrenal. • Terapia de Indução: (início de tratamento): deve-se iniciar a administração com 40 a 50 mg/kg SID dividido em 2 doses diárias. • Sem polidipsia ou com diabetes: deve-se utilizar a dosagem de 25 a 35 mg/kg SID. *Deve-se triturar e oferecer com alimento e óleo vegetal. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O MANUTENÇÃO • Momento de Interrupção: quando houver diminuição da ingestão de água (abaixo de 60 mL/kg/hora), alimentos, disposição e início de vômitos. Em geral o protocolo estende- se entre 5 a 9 dias. Então deve-se realizar o teste de estimulação com ACTH com o objetivo de se conseguir 2 a 5 μg/dL de cortisol. • Terapia de Manutenção: 50 mg/kg/semana dividido em 2 a 3 doses ad eternum. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O TRATAMENTO • Deve-se sempre repetir o teste de estimulação com ACTH uma vez ao mês e quando o paciente estiver estável o teste pode ser repetido a cada 6 meses, sempre ajustando a dose quando necessário. O objetivo é manter a concentração de cortisol entre 2 e 5 μg/dL. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O TRATAMENTO • Trilostano: inibidor competitivo da 3β-hidroxiesteroide- desidrogenase (3β-HSD) e causa inibição reversível do cortisol, pois impede a conversão da pregnenolona em progesterona que resultaria na formação do cortisol, mineralocorticoides e esteroides sexuais.Dose Peso Vivo 30 mg/dia 5 kg de PV 60 mg/dia 5 a 20 kg de PV 120 mg/dia 20 a 40 kg de PV 180 mg/dia Acima de 40 kg de PV H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O TRATAMENTO • Deve-se sempre verificar o sucesso do tratamento com o teste de estimulação com ACTH após 14 dias de tratamento (deve- se fazer o teste após 6 horas de administração do trilostano). • Objetivo: manter nível de cortisol entre 2 e 5 μg/dL. • Efeitos adversos: semelhantes ao do mitotano, mas são reversíveis. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O TRATAMENTO • Cetoconazol: inibição reversível da estereoidrogenase adrenal. • Protocolo: - Dose inicial: 5 mg/kg BID - Após 14 dias: 10 mg/kg BID ad eternum • Adrenalectomia: tratamento de escolha para TA não metastático. Tumores maiores que 6 cm são de difícil remoção. - Complicações: tromboembolismo. • Cuidados: tratamento prévio com trilostano (1 mês antes), administração de heparina no trans e pós cirúrgico e caminhadas leves. H IP ER A D R EN O C O R TIC ISM O HIPOADRENOCORTICISMO H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O Definições • Enfermidade caracterizada pela deficiência de mineralocorticoides e/ou glicocorticoides. Ocorre destruição da cortical da adrenal geralmente por causa primária e obscura. • Também conhecido como hipoadrenocorticismo ou Doença de Addison. • Em uma pequena parcela dos pacientes, há perda seletiva da capacidade secretora de glicocorticoides, os chamados casos ‘atípicos’. H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O Aspectos Clínicos H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O Diagnóstico • Sinais clínicos • Histórico • Hemograma: não conclusivo, verifica-se anemia arregenerativa,leucocitose por neutrofilia, eosinofilia e linfocitose. • Bioquímica sérica: verifica-se hipercalemia e hiponatremia (diferenciar de insuficiência renal aguda), hipocloremia, azotemia pré-renal (diferenciar de insuficiência renal crônica na qual verifica-se azotemia renal), hiperfosfatemia, hipoglicemia e acidose metabólica. • Urinálise: isostenúria a hipostenúria. • -Ultrassonografia: verifica-se glândulas adrenais pequenas (menores que 0,3 cm de largura). H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O Teste de estimulação pelo ACTH • Confirmação do diagnóstico; • Resultados pós estimulação abaixo de 2 microgramas/dL; Condição Resultado Diagnóstico Cortisol Basal Maior que 2 μg/dL Descartar Cortisol Basal Menor que 2 μg/dL Suspeito Cortisol após Aplicação de ACTH Menor que 2 μg/dL Hipocortisolismo H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O Tratamento da Crise Addisoniana • Correção do choque hipovolêmico: administração de solução NaCl 0,9% a taxa de 40 a 80 mL/kg/hora com adição de 100 mL dextrose 50% por litro de solução de fluído, a fim de fazer solução de glicose 5%. Inicialmente esta terapia é estabelecida por 2 a 3 horas e após isto reduzir a taxa para não mais do que 5 mL/kg/hora. • Glicocorticóide: aplicação de dexametasona 0,5 a 1,0 mg/kg EV e repetir BID. Iniciar com administração de prednisona via oral 0,05 a 0,1 mg/kg até o paciente melhorar. • Correção da hipercalemia e acidose metabólica: raramente necessita intervir. Deve-se administrar insulina regular 0,1 a 0,25 UI/kg e glicose 1 a 2 g/UI (glicose faz com que potássio adentre a célula juntamente com ela). Administração de bicarbonato em dose empírica de 1 mEq/kg ou com base em hemogasometria com o cálculo PC x 0,3 x déficit base. H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O Manutenção • Tratamento de manutenção: - Tratamento mineralocorticoide: - Pivalato de Desoxicortisterona (Percorten - Novartis®): o DOCP não apresenta 11β nem 17α-hidroxilação e portando, apresenta pouca atividade glicocorticoide. Proto colo DOCP 2,2 mg/kg IM ou SC a cada 25 dias Prednisona 0,25 mg/kg a cada 48 horas *Sempre mensurar níveis de eletrólitos como sódio e potássio no 12º e 25º após a aplicação e ajustar a dose com base nesta mensuração H IP O A D R EN O C O R TIC ISM O HIPERTIROIDISMO EM GATOS HIPERTIROIDISMO EM GATOS • “Distúrbio multisistêmico proveniente da produção e secreção excessiva de Tiroxina (T4) e triidotironina (T3) por parte da Tireóide.” • Neoplasias estão envolvidas geralmente! • A patogenia dessa doença ainda não está bem definida, entretanto, pressupõe-se que fatores circulatórios (imunoglobulinas), nutricionais (iodo na dieta) e ambientais (toxinas bociogênicas) possam influenciar em sua patogênese. Efeitos Cardíacos • Aumento da contratilidade; • Aumento da função sistólica e diastólica; • Aumento da Frequência cardíaca; • Hipertrofia. Sinais clínicos • Mais comuns: - Polifagia - Perda de Peso - Agitação - Hiperatividade - Palpar glândulas tireóide! Exame físico Diagnóstico • T4 total ( exame de escolha) • Exame físico + nódulo palpável+ T4 total TRATAMENTO • Drogas que bloqueiam a formação dos hormônios; • Tiamazol (metimazol nos EUA) : - 2,5 mg/gato/SID/2 semanas - 5 mg/gato/manhã – 2,5 mg/gato/noite/2 semanas - Reavaliar a cada 04 semanas e aumentar ou manter a dose. Tratamento • Ração Hills Y/D ( restrição de Iodo ) Tratamento • Tireoidectomia – Cirúrgico • Radioterapia – IODO ¹³¹ Obrigado! Referências • MOONEY C.T., PETERSON M.E. Manual de Endocrinologia Canina e Felina. 3 ed. British Small Animal Veterinary Association. São Paulo: Editora Roca, 2009. • FELDMAN, E.C. Hiperadrenocorticismo. In: ETTINGER, J.S., FELDMAN, E.C.Tratado de Medicina Interna Veterinária. Manole, São Paulo, 1992, pg. 1800. • BOLFER L.H., DA SILVA E.C.M., LANZA C.M., FANUCCI L., MEYER M., SOTELO A., TEIXEIRA R.B. iperadrenocorticismo em Cães – Revisão de Literatura. 2008. • NELSON, R. W. Distúrbios da Glândula Adrenal. NELSON e COUTO. Medicina Interna de Pequenos Animais. 4ª ed. Rio de Janeiro- RJ: Elsevier, 2010, Cap. 53, p.812 a 838. • NAVARRO, C. E. K., Manual de Urinálise Veterinária, São Paulo: Varela, pág. 89,1996 • MACHADO F. J. Uso do Trilostano no Tratamento do Hiperadrenocorticismo Canino. Revisão de Literatura – Estágio Curricular UFRGS, 2010. • CHASTAIN, C.B. O sistema endócrino e metabólico. In: GOLDSTON, R.T., HOSKINS, J.D. Geriatria e Gerontologia do Cão e Gato. Roca, São Paulo, SP, 1999, pg. 335. • CUNHA, M. G. et al Hipertireoidismo Felino – Revisão Bibliográfica. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.5, p.1486-1494, ago, 2008.