Prévia do material em texto
Resumo de MicroVet Haemophilus spp. Pequenos bacilos gram (-); Móveis; Fastidiosas, requerem fator X (hemina) e V (NAD – nicotinamida adenina dinucleotídeo) no ágar chocolate, em uma atmosfera de 5 a 10% de CO2; Anaeróbios facultativos; Comensais em membranas mucosas do trato respiratório superior e do trato genital, e não sobrevivem por períodos longos fora de seus hospedeiros; Não formadores de esporos; Catalase e oxidase variável; Reduz nitrato; H. paragallinarum possuem cápsula; Não crescem em MacConkey; Formam colônias pequenas, transparentes em forma de gotas, não hemolíticos, com exceção de H. somnus que tem coloração amarela, e quando isolada em ágar sangue de ovino, produz uma fraca zona de hemólise, além de não precisar de nenhum dos fatores par sobreviver; H. parasuis e H. gallinarum necessitam apenas do fator V para sobreviver; As espécies de Haemophilus são diferenciados pelos requerimentos de fatores para crescimento X e V, pelo crescimento melhorado em uma atmosfera de CO2 pelas reações da catalase e da oxidase e pela utilização de carboidratos. O material coletado dependerá da condição clínica e do tipo de lesão, podendo ser coletado swabs, fragmentos e lavagens. Por serem bactérias frágeis é necessário processar a amostra em no máximo 24 horas, podendo ser conservadas em refrigeração ou congelamento. O fator X é termoestável e está presente nas hemácias. O fator V é termolábil, também está presente nas hemácias e é suscetível às NADases do plasma. O ágar chocolate é preparado pelo aquecimento do ágar sangue, em banho maria a 80°. A cor marrom chocolate é devido a lize das hemácias liberando os fatores X e V, enquanto as NADases plasmáticas são destruídas. Bactérias Staphylococus aureus no ágar sangue liberam o fator V, ao causarem uma hemólise incompleta nas hemácias, assim as colônias de Haemophilus que requerem apenas este fator podem crescer em conjunto com esta colônia, um fenômeno chamado de satelitismo. Os testes para requerimento de fator X e V são: Método do disco: adequado para determinar requerimentos dos fatores X e V; O teste da porfirina é o método mais acurado para determinar os requerimentos de crescimento para fator X. os isolados de Haemophilus crescem a 37° C por 4 horas em caldo contendo um precursor da porfirina. Quando a cultura e exposta no escuro a luz UV, a produção de porfirina é detectada por uma fluorescência vermelha, indicando que o isolado não tem um requerimento para fator X. Alguns testes bioquímicos podem ser realizados utilizando-se meios convencionais para testar a utilização de carboidratos, sendo utilizado um caldo vermelho de fenol contendo 1% de açúcar a ser testado, fatores V e X esterilizado por filtração de 1% de soro. Também há kits bioquímicos comercialmente disponíveis. Vale lembrar que testes sorológicos possuem um baixo valor de diagnóstico. Patogenicidade: Todas bactérias gram-negativas possuem endotoxina na sua parede, que são liberadas quando há lize da bactéria. H. somnus: são siderófilos; adere a vários tipos celulares e causa lesões; tem linhagens em bovinos e ovinos, além de circularem bem no corpo; H. paragallinarum: apresentam fator citotóxico; H. parasuis: presentes na nasofaringe de suínos (doença de Glasser). Mycobacterium spp. Bastonetes gram-positivos; Finos, imóveis, não formadores de esporos; Bacilos ácido-resistentes (ZN-positivos); As espécies patogênicas crescem em meio enriquecido com ovo; Parede celular rica em lipídeos e ácidos micólicos; Alguns produzem pigmentos; São aeróbios; Se multiplicam intracelularmente e causam infecção granulomatosa crônica; Há espécies patogênicas, saprófitos ambientais, e oportunistas; As principais doenças incluem tuberculose, doença de Johne e lepra felina; M. bovis é uma zoonose; Micobactérias patogênicas crescem lentamente, levando semanas para o aparecimento das colônias. A estrutura diferenciada de sua parede, lhe garante uma alta resistência, permitindo que sejam encontradas no solo, em vegetações e na água. O método de ZN é utilizado para diferenciar micobactérias em relação a outras bactérias. A diferenciação de micobactérias patogênicas dá-se a partir de características culturais, testes bioquímicos, inoculação em animais, análises cromatográficas e técnicas moleculares. Os materiais utilizados para o diagnóstico laboratorial são: descargas nasais, lavagens traqueobrônquicas, biopsia de linfonodos e leite. Na microscopia direta, é possível se observar, pela coloração de ZN, bastonetes finos, avermelhados com fundo azul. Também pode ser utilizado corantes fluorescentes, como auramina e fluorocromo. As micobactérias são resistentes a desinfetantes químicos e a influencias ambientais, porém são suscetíveis ao tratamento pelo calor (pasteurização). Micoplasmas São gram negativos; São os menores microrganismos procariotas de vida livre, capazes de auto replicação independente; Não possui parede celular, porém apresenta uma tripla camada de membranas limitantes; Não se coram pelo método de gram; São altamente pleomórficos (capacidade de variar de forma), conseguindo passar em filtros de esterilização (0,22 µm); Suscetíveis à dessecação, desinfetantes, ao aquecimento e a detergentes; Micro colônias com aparência de ovo frito, e crescem para dentro do ágar; A maioria é anaeróbio facultativo/ microaerófilos; Não se replicam no meio ambiente; A maioria é hospedeiro específica; Algumas spp. possuem cápsula; Coram melhor com Giemsa, Romanowsky e outros; Resistentes a penicilina e relacionados, que agem na parede celular das bactérias; Na água tendem a estourar; Requerem meio enriquecido, para formar colônias de forma arredondada convexa quando iluminados obliquamente; Micoplasmas não patogênicos são encontrados no rúmen de bovinos e ovinos; São mundialmente encontrados as formas saprófitos e/ou patógenos. No hospedeiro, estão presentes nas mucosas do TRS, TI, TG, nas superfícies articuladas e glândulas mamárias bovinos. Protegidos da luz solar podem sobreviver fora hospedeiro por vários dias. Os micoplasmas são diferenciados por sua especificidade quanto aos hospedeiros, pela morfologia colonial, por requerimentos para colesterol e reações bioquímicas. Podem ser identificados por métodos sorológicos. Requerem meios enriquecidos contendo: Proteínas animais; Um componente esterol; Uma fonte de DNA ou de adenina dinucleotídeo, e levedura (fatores de crescimento); Soro de vários animais (20%), por causa do colesterol; Penicilina, para inibir gram positivas, além do acetato de tálio, que também inibe as gram (+) e fungos; Os meios são tamponados em pH de 7,2 a 7,8 para Mycoplasma e em pH de 6,0 a 6,5 para Ureaplasma; Para culturas de Ureaplasma, adiciona-se ureia ao meio, sendo que o tálio é tóxico para esse microrganismo. Família Enterobacteriaceae Bacilos gram negativos, fermentadores, não formam esporos, móveis; Fermentam o açúcar produzindo ácido, o que é usado como indicador, quando inoculadas em ágar MacConkey vermelho neutro; Crescem em meios não enriquecidos; Oxidase negativos, catalase positivos; Anaeróbios facultativos; Fermentam a glicose e reduzem nitrato a nitrito (identificação bioquímica); Bactérias entéricas que toleram sais biliares no ágar MacConkey; Coliformes: enterobactéria capazes de fermentar lactose. Ex: Usados para produção de alguns tipos de queijos furados, devido a fermentação da lactose produzindo gás, gerando os furos; Tem origem no trato gastrointestinal, sendo parte da microbiota do animal, e tem distribuição mundial; São usados como indicadores de higiene na indústria de água e alimentos; Reduzem nitrato a nitrito; Uma característica importante, é a presença de plasmídeo, permitindo a troca de material genético entre si; São divididos em 3 categorias: Apatogênicos: 90%, grande parte de E. coli; Patógenos oportunistas: E. coli. Produzem fatores de patogenicidade que não se expressam em condições normais, porém eventualmente podem causar patogenicidade, em locais forado trato alimentar. Para identificação destas bactérias são utilizados meios seletivos e indicadores como: Ágar verde brilhante: que possui bile, e corante verde brilhante ao qual a Salmonella é resistente. Neste meio, as colônias e o meio são vermelhos indicando alcalinidade; Ágar xilose-lisina-desoxicolato (XLD): meio usado para o isolamento de Salmonella, onde formam colônias vermelhas (alcalinas) com o centro preto, indicando produção de H2S; Ágar eosina azul de metileno: usado para identificação de E. coli, formando colônias com aspecto metálico. As colônias fermentadoras de lactose e o meio ao redor ficam rosa devido à produção de ácido a partir da fermentação de lactose. Já as colônias não fermentadoras têm cor pálida, assim como o meio ao redor, e são alcalinos devido a utilização de peptonas do meio. Raros isolados de E. coli são mucoides. Serratia marcescens são os únicos patógenos oportunistas com habilidade de produzir pigmento vermelho, e em grande quantidade podem causar intoxicação alimentar (Ex das freiras). Reações em ágar TSI (triple sugar iron): é um indicador não inibitório usado para confirmar que colônias isoladas nos meios VB e XLD são de Salmonella. Alguns testes bioquímicos adicionais também podem ser usados na diferenciação das enterobactérias, como: Teste de produção de lisina descarboxilase: usado para distinguir espécies de Proteus de espécies de Salmonella, já que esses microrganismos têm reações semelhantes em TSI. As espécies de Proteus são negativas no teste, enquanto as espécies de Salmonella invariavelmente produzem a enzima, onde a produção dessa enzima é indicada por uma cor purpura do meio liquido, e em um teste negativo, o meio tem cor amarelo; Produção de uréase: também distingue Proteus de Salmonella, sendo que espécies de Proteus produzem uréase e Salmonella não; Testes de IMViC: composto por 4 testes: produção de indol, teste do vermelho de metila, teste de Voges- Proskauer, utilização do citrato. Formam um grupo de rações bioquímicas para diferenciar E. coli de outros fermentadores de lactose; Testes para motilidade: permitem a diferenciação de espécies de Klebsiella (imóveis) de espécies de Enterobactérias (móveis), uma vez que ambos gêneros produzem colônias mucoides semelhantes. Kits comerciais, API, e testes de sorotipagem também podem ser usados para diferenciação entre spp. Testes de aglutinação em lâmina com antissoro são usados para detectar Ag O (somáticos) e H (flagelares) em todos os 3 gêneros (E. coli, Salmonella e Yersínia), sendo que algumas vezes a detecção de Ag K (capsulares) é realizada. As técnicas moleculares (PCR) também podem ser usadas para diferenciação. E. coli: É geralmente móvel, com flagelos peritríquios e frequentemente fimbriada. Esses fermentadores de lactose produzem colônias de cor rosa em MacConkey e tem reações bioquímicas características nos testes IMViC. Algumas linhagens são hemolíticas. Ag O, H e, por vezes, K são usados na sorotipagem de E. coli. Os Ag O são de natureza lipopolissacarídica localizando-se na parede celular. Os Ag H são de natureza proteica, e os Ag K são compostos de polissacarídeos. Ag F agem como adesinas, facilitando a aderência a superfícies mucosas. Estão naturalmente presentes no trato gastrointestinal, iniciando sua colonização após o nascimento, sendo que a maioria não são patogênicos, porém são oportunistas, assim quando houver um desequilíbrio fisiológico, como estresse ou mudança de dieta, e apresentam patogenicidade quando ficam em meios extra intestinais, sendo um fator de sobrevivência da bactéria em situações adversas. Os fatores de virulência da E. coli são: Ag K: anti-fagocítico, e anti-complemento; Endotoxina (lipídeo A): septicemias e toxemia; Fimbrias; α e β-hemolisinas: destruição de membranas; Sideróforos: cepas invasivas que fazem a remoção de ferro do hospedeiro; Enterotoxinas termo sensível: afeta a Adenil ciclase; Enterotoxinas termo estáveis: afeta a adenilato ciclase. Apresenta 2 subgrupos: STa – que é uma toxina que induz o aumento da atividade da guanilato ciclase em enterócitos, causando o estimulo de secreção de fluidos e de eletrólitos para dentro do ID e inibindo a absorção de fluidos no intestino; já a STb – não possui uma ação esclarecida, sendo responsável pela diarreia; Verotoxinas: inibem a síntese proteica em células eucarióticas; Fatores citotóxicos necrosantes: CNF1 e CNF2; Diagnóstico: Amostras fecais de animais com doença entérica, espécimes teciduais de casos de septicemia, leita mastítico, amostras de fluxos urinário e swabs cervicais; Cultivar em ágar MacConkey e sangue aerobiamente por 24 a 48 horas; As colônias em ágar sangue são acinzentadas, redondas, brilhantes e com odor característico, podendo ser hemolíticas ou não hemolíticas; Em MacConkey são de cor rosa forte; As colônias de algumas linhagens de E. coli têm brilho metálico em ágar EMB; Testes IMViC podem ser usados para confirmação. Salmonella São geralmente móveis e não fermentam lactose; Presentes no TI de aves; Nos mamíferos podem estar presentes em quantidades controladas; A sorotipagem é baseada no esquema de Kaufmann e White, no qual Ag O e H são identificados, ocasionalmente Ag K podem ser identificados; Foram divididas em 2 espécies pelo Centers of Disease Control (CDC): S. enterica e S. bongori; S. entérica apresenta 6 subespécies cuja a nomenclatura está relacionada ao local onde foram encontradas, sendo a mais comum a S. enterica enterica; Habitam animais de sangue quente e frio, sendo que em animais de sangue de frio não expressa patogenia; Ocorrem em todo o mundo; São principalmente excretados pelas fezes; A ingestão é a principal rota de infecção, embora também possa ocorrer por meio das mucosas do TRS e da conjuntiva; A microbiota é a primeira linha de defesa contra essas bactérias; Podem estar presentes na água, no solo, alimentos dos animais, carnes e vísceras cruas e vegetais; Podem viver por mais de 9 meses em solos úmidos e protegidos da luz solar; As consequências da infecção variam do estado do portador subclínico à septicemia aguda fatal; Fatore de virulência: Unidades repetidas de Ag O que impedem a quimiotaxia, opsonização e fagocitose: Habilidade de invadir células do hospedeiro, replicar-se dentro destas células e resistir a digestão por fagócitos e à destruição por complementos plasmáticos do complemento; Fixação por fímbrias; Crescimento dentro das células depende do plasmídeo de virulência; LPS é responsável pelos efeitos endotóxicos; São sideróforas: captação do Fe do hospedeiro; Coleta de amostras e meios de isolamento: Isolamento: Verde brilhante e XLD; Caldos enriquecidos: seletivo Cistina, selenito F, Rappaport e tetraionato; As placas são incubadas aerobiamente por até 48 horas, e as subculturas são feitas a partir de caldos enriquecidos em 24 e 48 horas. Confirmação: Sorotipagem: Ag O e H; Fagotipagem: utilizada para identificar isolados com características específicas, como resistência múltipla a antibióticos e virulência aumentada. Staphylococcus São cocos gram positivos; Formato de cacho e uvas; Cápsulas; Anaeróbia facultativa; Catalase positiva, e oxidase negativa; Sendo S. aureus catalase negativa e anaeróbia; Imóveis; Podem ser coagulase positiva ou negativa: a produção de coagulase está relacionada a patogenicidade; Crescem em meios não enriquecidos; Colônias de tamanho médio, brancas ou douradas; Comensais de membranas mucosas e da pele; Relativamente estáveis no meio ambiente; Não formadores de esporos; São termoestáveis. As espécies de Staphylococcus estão amplamente distribuídas no mundo inteiro, e estão presentes nas fossas nasais, garganta, TI, pele e sistema reprodutor. Fatores de virulência: Componentes da superfície celular: Cápsula: anti-fagocítico; Peptídeoglicano e ácido Teicóico: auxilia contra o SI; Proteína A (SpA): se liga à IgG inibindo a opsonização; Proteínas que se ligam à fibronectina, colágeno e fibrinogênio. Toxinas: Citotoxinas: α-toxinas;Leucocidinas; Superantígenos Toxinas que degradam moléculas de adesão do epitélio: Toxinas esfoliativas; Síndrome da pele escaldada. Enzimas Coagulase: coagula o plasma; Dnase; Hialuronidase; Estafiloquinase; Proteases e lipases. Exotoxinas: atacam os eritrócitos. Identificação: Amostra: Clínica: bactérias na fase log; Alimentos: bactérias na fase lag; Outras fontes. Plaqueamento Avaliação das colônias Testes bioquímicos As Staphylococcus podem ser: α-hemolíticos: hemólise completa; β-hemolíticos: hemólise incompleta; γ-hemolíticos: sem hemólise. As Staphylococcus coagulase negativa são apatogênicas, como por exemplo, a S. epidermidis. Streptococcus Gram positivas; Anaeróbios facultativos; Catalase negativos; Fastidiosas; Imóveis;