TEORIAS DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM.Bélvio Bernardo Francisco
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TEORIAS DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM.Bélvio Bernardo Francisco

Disciplina:Psicologia da Educacao III da Infancia A Adolescencia5 materiais170 seguidores
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1.Introdução
O ser humano é já por si um comunicador. Comunica face a face e a distância; em situações planeadas e espontaneamente; quando fala e quando evita falar; comunica oralmente e por escrito, verbalmente e por gestos. A comunicação faz parte da nossa condição de seres humanos. Por mais que tentemos, não podemos deixar de ter qualquer tipo de comunicação: a acção, a mobilidade, os gestos ou até mesmo o silêncio, contêm uma mensagem que é entendida pela comunidade que a pertencemos.
O presente trabalho partiu do pressuposto de que é através da acção que o ser humano tem acesso ao mundo físico e social, e que é através da actividade social que esse mundo será significado e transformado em conhecimento e linguagem. Partindo desse pressuposto foi pertinente reinterpretadas, neste estudo, as posições teóricas interacionista, comportamentalista e inatista do desenvolvimento da linguagem.
1.1.Objectivos
1.1.1.Objectivo geral
Estudar as teorias de desenvolvimento da linguagem	.
1.1.2.Objectivo geral
Compreender as posições teóricas interacionista, comportamentalista e inatista do desenvolvimento da linguagem humana;
Identificar contributos dos estudos das posições teóricas interacionista, comportamentalista e inatista do desenvolvimento da linguagem.
Objecto de estudo꞉ Teorias de desenvolvimento da linguagem.
Metodológia꞉ O presente estudo teve como metodologia a pesquisa bibliográfica.

2.Teorias de desenvolvimento da linguagem
Durante grande parte do século XX, duas teorias amplamente divergentes organizaram grande parte da pesquisa sobre a aquisição da linguagem. Essas teorias correspondem aproximadamente as posições polares nas fontes do desenvolvimento humano – natureza versus ambiente. A abordagem da teoria da aprendizagem atribui a linguagem a educação; ela diz respeito ao papel preponderante na aquisição da linguagem aos ambientes das crianças, especialmente ao ambiente da linguagem e as actividades de ensino proporcionadas pelos adultos. A abordagem nativista atribui a aquisição da linguagem em grande parte a natureza; ela assume que as crianças nascem prontas para aprender a linguagem verbal e, a medida que amadurece, sua capacidade de uso da linguagem aparece naturalmente, com apenas um mínimo de absorção do ambiente e sem nenhuma necessidade de treinamento especial.
Nas últimas décadas, várias abordagens interacionistas da aquisição de linguagem conquistaram proeminência. Os interacionistas reconhecem que a linguagem e uma propensão inata dos seres humanos, mas negam que seja uma capacidade separada que se desenvolve segundo suas próprias regras. Em vez disso, os interacionistas acreditam que o desenvolvimento da linguagem das crianças esta intimamente ligado ao seu desenvolvimento mental e ao seu lugar na sociedade.
2.1.Explicação da teoria da aprendizagem sobre o desenvolvimento da linguagem
A suposição básica da teoria da aprendizagem e que o desenvolvimento da linguagem e como o desenvolvimento de outros comportamentos e se adapta as mesmas leis de aprendizagem. Segundo esse ponto de vista, a aquisição da linguagem depende da aprendizagem por associação, através dos mecanismos de condicionamento clássico e operante, e da imitação (MILLER & DOLLARD, 1941).
2.1.1.Condicionamento clássico e operante	
Segundo os teóricos da aprendizagem, o significado de uma palavra como "bala" e a soma de todas as associações que a palavra evoca, após ela ter sido comparada com uma grande variedade de experiencias (MOWRER, 1950).
Os teóricos da aprendizagem usam o modelo do condicionamento clássico para considerar a m aneira como as crianças aprendem a entender a linguagem, mas esse mecanismo não considera a capacidade da criança para produzir linguagem. Para explicar esse aspecto da aquisição de linguagem, os teóricos da aprendizagem apontam para o mecanismo do condicionamento operante.
A explicação do condicionamento operante começa com a observação, de que as crianças emitem um rico repertório de sons mais ou menos ao acaso durante as fases iniciais do balbucio. Esses sons representam os elementos iniciais da linguagem falada, que, segundo os teóricos
da aprendizagem, são pouco a pouco moldados através do reforço e aprimorados através da pratica da criança. O som "da", por exemplo, pode ser moldado em "dada ", ou "b a " em "baba", através de uma atenção entusiasta dos pais as aproximações cada vez mais próximas da criança ao som correcto da palavra.
Para explicar como as crianças produzem formas de palavras e sentenças jamais ouvidas/vistas, Skinner defende que a criança associa as diferentes formas ouvidas/vistas sistematicamente àquelas com as quais já está familiarizada (habituada) por ter aprendido as sequências da língua. O processo de aquisição de língua passa a ser visto como consequência do estabelecimento de associações entre estímulos (por exemplo, palavras ouvidas) e respostas (por exemplo, as vocalizações espontâneas da criança).
2.1.2.Imitação como processo da aquisição da linguagem
Parece obvio que a imitação esta envolvida na aquisição da linguagem, principalmente pelo fato de as crianças adquirirem as línguas que escutam em seus ambientes, não inventando línguas totalmente novas, que os adultos não conseguem entender. Alem disso, a pesquisa moderna tem mostrado que as crianças pequenas frequentemente aprendem a dar nome aos objectos, ouvindo outra pessoa nomeá-las e, depois, repetindo o que ouvem (LEONARD et al., 1983).
Entretanto, a simples imitação não parece explicar como as crianças adquirem a capacidade para compor padrões gramaticais complexos, ou a tendência para usar formas gramaticais que elas nunca ouviram para expressar novas ideias. As crianças, frequentemente, usam um morfema gramatical correctamente nas primeiras vezes que o dizem e, depois, passam por um período de uso incorrecto, antes de retomar a forma correcta.
 Por exemplo, após meses usando a forma plural correcta para "mão", as crianças podem passar por um período em que dizem "maoses", antes de retornar a "mãos". Elas certamente nunca ouviram ninguém dizer "maoses" e, por isso, embora possam ter aprendido a dizer "mãos" por imitação, a imitação não pode explicar o desenvolvimento do uso de uma forma gramatical incorrecta.
Ponderando sobre os mecanismos pelos quais a imitação esta envolvida na aquisição da linguagem, Albert Bandura (1977-1986), importante teórico da aprendizagem, descreveu um tipo de imitação chamado copia do abstracto. Bandura chamou assim esse tipo de imitação porque, em sua opinião, ate m esmo quando as crianças imitam expressões específicas, elas abstraem delas os princípios linguísticos gerais subjacentes. Assim, uma criança repetindo "Joane caminhou para escola" abstrai o princípio gramatical de adicionar “ou” para mostrar o tempo passado e pode, então, prosseguir para dizer "Joane arrumou o brinquedo" sem ter de ouvir essas exactas palavras primeiro.
2.2.Explicação inatista do processo da aquisição da linguagem
A visão inatista da aquisição da linguagem tem sido dominada pela obra do linguista NOAM CHOMSKY (1975,1986). Segundo Chomsky, o fato de as crianças produzirem uma vasta serie de frases, que nunca ouviram antes, impossibilita afirmar que a linguagem poderia ser adquirida fundamentalmente através de mecanismos de aprendizagem, como o condicionamento clássico e operante, ou pelo tipo de imitação que Bandura propôs. Isso não significa que a experiencia não tenha nada a contribuir para a aquisição da linguagem; Chomsky reconhece que "as crianças adquirem boa parte do seu comportamento verbal e não-verbal através da observação casual e da imitação dos adultos e de outras crianças". Mas esses factores, disse ele, não podem ser totalmente responsáveis pela aquisição da linguagem.
Chomsky acredita que a capacidade para compreender e gerar linguagem seja inata e que os princípios pelos quais ela se desenvolve não são os mesmos que aqueles subjacentes a outros comportamentos humanos. Sua visão e corroborada por Steven Pinker (1994) em um livro propositadamente