Porfiria - Trabalho
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Porfiria - Trabalho


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INTRODUÇÃO
De onde vem os mitos sobre a existência de vampiros e lobisomens? Segundo (SILVEIRA). Historiadores acreditam que inicialmente os mitos da existência de vampiros e lobisomens surgiram por causa dela. Porfiria é um grupo de doenças raras, de origem genética, hereditárias ou adiquiridas. Nas quais há deficiência de enzimas envolvidas no processo de formação da heme que forma a molécula de hemoglobina. Em alguns casos a porfiria deixa presas expostas, causa hipersensibilidade à luz solar, o que produz lesões na pele do portadores da doença, como acontece com vampiros ao serem expostos ao sol. Há ainda crescimento de pelos, que também ficam mais espessos. 
Figura 1: Caso avançado da porfiria cutânea tardia, evidenciando sintomas cutâneos.
Fonte: http://noitesinistra.blogspot.com.br/2013/05/porfiria-sindrome-do-vampiro.html
Os portadores de porfiria enfrentam diversas dificuldades como falta de hospitais, laboratórios e profissionais para lidar com a doença. Além disso, o diagnóstico quase sempre é tardio ou equivocado. Soma-se ainda o alto custo do tratamento, pois a maioria dos medicamentos são importados. A dificuldade no diagnóstico também gera preconceitos, levando o portador até mesmo a ser classificado como hipocondríaco.
História da porfiria
O nome "porfiria", derivada do grego "púrpura", foi dado por um estudante de medicina alemão, Schultz, em 1874, devido à coloração púrpura na urina de alguns pacientes. A primeira descrição oficial de um caso de porfiria aguda como uma síndrome foi feita pelo Dr. B.J. Stokvis no ano de 1889. 
Existem relatos de que o Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é reconhecido como o mais importante artista barroco no Brasil, era portador da porfiria, segundo o dermatologista que coordenava os estudos, ossos do artista apresentavam pigmentos avermelhados, o que seria uma marca deixada pela doença. 
Pode ser explicado, por exemplo, porque Aleijadinho usava sempre roupas compridas, preferia sair de casa de madrugada e retornar à noite e trabalhava protegido por um toldo, pois a porfiria torna o doente sensível à luz solar. (PRATES, FABIA.1998)
É uma doença hereditária rara, caracterizada pela formação excessiva e excreção de porfirinas. Essas condições são atribuídas aos distúrbios emocionais, dependendo do tipo, são afetados órgãos do sistema nervoso central, da pele, do fígado, ou do trato intestinal. 
Existem basicamente dois tipos principais de manifestações clínicas características das porfirias, a aguda e a cutânea. 
DESENVOLVIMENTO
2.1 Formação da heme
As porfirias são causadas por deficiências enzimáticas no processo de formação do grupo heme, molécula que compõe a hemoglobina e a mioglobina. Apesar de isso ocorrer em todas as células com núcleo e mitocôndrias, há uma predominância desse processo no fígado e na medula óssea. (DINARDO et. al, 2010).
Substâncias precursoras, denominadas porfirinas, são convertidas mediante ação enzimática. As porfirinas são potencialmente tóxicas e o seu acúmulo, gerado pela deficiência enzimática em cada uma das etapas envolvidas na conversão do complexo inicial glicina/coenzima A em heme, é que causa os sintomas característicos da doença. 
Nesse processo, que acontece inicialmente na mitocôndria depois no citosol e finaliza na mitocôndria, a glicina/coenzima A sob a ação da enzima ALA sintase é convertida em ácido aminolevulínico (ALA), que é condensado pela ALA desidratase, dando origem ao porfobilinogênio (PBG). Ocorre então a conversão de PBG em hidroximetilbilano(HMB). O HMB será convertido em uroporfirinogênio III, através de via enzimática pela uroporfirinogênio sintase ou através de via não enzimática, originando uroporfirinogênio I que será convertido em coproporfirinogênio I que não é precursor para a heme.
O uroporfirinogênio III é descarboxilado pela uroporfirinogênio descarboxilase, originando uroporfirinogênio III. Convertida em seguida em protoporfirinogênio IX pela uroporfirinogênio oxidase. Esta é transformada em protoporfirina IX sob a ação da protoporfirinogênio oxidase. Por último a ferroquelatase insere ferro na molécula de protoporfirina IX dando origem à heme. (DINARDO et. al, 2010).
Figura 2: Formação da heme
Figura 3: O grupo heme composto pela molécula anelada de porfirina e o ferro em sua região central.
Fonte: http://www.hemoglobinopatias.com.br/hemoglobina/grupo-heme.htm
A partir dai a heme se liga a uma cadeia de globina (cadeia polipeptídica). Quatro cadeias de globina (cada uma com um grupo heme ligado) formam uma molécula de hemoglobina.
Figura 3: Representação da estrutura molecular do grupo heme inserido na globina. No centro, a esfera maior representa o ferro circundado pelo anel de porfirina.
Fonte: http://www.hemoglobinopatias.com.br/hemoglobina/grupo-heme.htm
	As porfirias ocorrem então por deficiência na atividade de uma das oito enzimas envolvidas no processo. Essa deficiência nem sempre inutiliza completamente a enzima. Em muitos casos ela mantem cerca de 50% de sua atividade, o suficiente para não gerar um quadro de anemia. Somente em alguns poucos casos e quando estimulado por uma demanda maior da heme, é que a anemia se faz presente.
2.2 Classificação das porfirias
Não existe uma única forma de classificar as porfirias. Aqui serão discutidas algumas dessas classificações.
Dependendo de onde ocorre o déficit enzimático, fígado ou medula óssea, as porfirias são classificadas em hepáticas e eritropoiéticas respectivamente. Elas são ainda divididas em agudas e crônicas. As hepáticas são classificadas em agudas e crônicas. As eritropoiéticas são classificadas apenas como crônicas como mostra a tabela a seguir.
Tabela 1: Classificação das porfirias de acordo com o local onde se dá o déficit enzimático
	HEPÁTICAS
	AGUDAS
	
	CRÔNICAS
	ERITROPOIÉTICAS
	CRÔNICAS
Outra forma de classificação para as porfirias as divide em agudas, que apresentam sintomas neuroviscerais e psiquiátricos, e cutâneas que desenvolvem fotossensibilidade e reações na pele devido ao acúmulo de porfirinas nesses locais. No total existem oito tipos de porfiria, cada um em particular originado pela deficiência de uma das enzimas. 
As porfirias podem ainda ser classificadas em hereditárias e adquiridas.
Figura 4: Classificação das porfirias segundo a forma de aquisição da doença e relação de cada uma com o déficit enzimático específico.
Fonte: www.porfiria.org.br/porfirias.htm
Uma doença genética, mas nem sempre hereditária.
Cabe aqui abordar a diferença entre doença genética e doença hereditária. Doença genética é provocada por um distúrbio qualquer que afete o material genético. A doença hereditária é aquela na qual os genes defeituosos que geram o distúrbio são passados dos pais para os filhos. Conclui-se que uma doença genética nem sempre é hereditária. Ela pode ser adiquirida através de mutações nos genes.
Doença adquirida \u2013 Porfiria cutânea tardia 
A única forma adquirida da doença é também a mais comum A Porfiria Cutânea Tardia (PCT). Causada por deficiência da uroporfirinogênio descarboxilase devido a mutações no gene UROD que sintetiza a enzima. No entanto a maioria dos portadores dessa mutação jamais irá manifestar sintomatologia característica da doença, a não ser por interações com outros fatores tais como infecção por vírus (HIV e hepatite C), contaminação por metais pesados como o chumbo, ação do álcool, hemodiálise, tumores hepáticos e outros. Esses fatores desempenham um papel muito importante no desencadeamento dos sintomas e desenvolvimento da doença. 
As mutações podem ser influenciadas também pela alimentação. Segundo a ABRAPO o portador da doença deve manter uma dieta rica em carboidratos, que ajudam a diminuir a produção de porfirinas, e evitar álcool, tabaco e drogas. A alimentação também está envolvida em episódios de crises de todos os tipos de porfiria, sendo necessária, uma vez identificado o tipo da doença, de uma dieta bem programada a fim de se amenizar e/ou controlar os sintomas.
Na PCT As porfirinas