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PROVA COMENTADA – CONCURSO FISIOTERAPIA 1. A fisioterapia respiratória pode ser utilizada em pacientes críticos ou não, com o objetivo de prevenir e(ou) tratar complicações respiratórias. Assinale a opção correta quanto aos procedimentos utilizados nessa modalidade terapêutica: A) A hiperoxigenação deve ser utilizada previamente ao procedimento de aspiração endotraqueal para minimizar a hipoxemia induzida pela aspiração traqueal. B) Entre os sistemas de aspiração aberto e fechado, o sistema aberto determina menor risco de hipoxemia, de arritmias e de contaminação e deve ser o preferido. C) Uma vantagem da liberação do paciente do ventilador mecânico é o treinamento dos músculos respiratórios por meio da redução da sensibilidade de disparo dos ventiladores. D) Os umidificadores aquecidos e os trocadores de umidade não determinam bons resultados clínicos para umidificação dos gases durante a ventilação invasiva Olha, gostei desta questão, pois foi bem elaborada e abrange um tema relevante e sem decorebas inúteis. Mas deixa eu parar de rasgar seda e ir logo ao que interessa. Em relação à alternativa "A", os métodos mais comumente utilizados na prevenção da hipoxemia, durante a aspiração endotraqueal de pacientes críticos e em ventilação artificial, são: hiperoxigenação, hiperinflação, hiperoxigenação com hiperinflação e o sistema fechado de aspiração endotraqueal. Para quem quiser saber mais, encontrei um artigo de revisão enfermagem cuja leitura ajudará bastante a quem tiver dúvidas sobre o tema. PREVENÇÃO DA HIPOXEMIA DURANTE A ASPIRAÇÃO ENDOTRAQUEAL Na alternativa B, o candidato que tivesse a mínima idéia do que é um sistema aberto e fechado conseguiria facilmente identificá-la como falsa. Pois o sistema fechado de aspiração foi elaborado especialmente para minimizar contaminação e hipoxemia. Mas aqui cabe uma informação interessante: Alguns trabalhos recentes sobre o tema identificaram que, na prática, este sistema não é todas essas coisas que os livros afirmam ser: Em uma revisão sistemática publicada em 2008, os autores concluem que o sistema fechado parece aumentar o risco de colonizacao, mas traz as vantagens de nao diminuir os volumes pulmonares e nao acarretar queda de saturacao especialmente em pacientes com insuficiencia respiratoria grave e em uso de niveis altos de PEEP. Opinião corroborada por um outro trabalho de revisão de 2009disponível no site http://www.scielo.br/pdf/rbti/v21n1/v21n1a12.pdf. Esta observação não torna a alternativa verdadeira, pois o sistema fechado determina realmente uma menor queda na saturação e consequentemente menor risco de arritmia para o paciente. Alternativa "B": FALSA. Em relação a alternativa "C", se você libera o paciente da ventilação mecânica (eu entendo isso como desmame), Não é necessário e nem possível influenciar a musculatura respiratória por meio de mudanças da sensibilidade. Porém, ao estudar o assunto desta alternativa, encontrei um artigo de revisão no Jornal Brasileiro de Pneumologia que investigou o único artigo publicado sobre o fortalecimento utilizando a sensibilidade do ventilador e concluiu que: "O treinamento dos músculos respiratórios por meio da redução da sensibilidade de disparo dos ventiladores não é fisiológico e parece não representar vantagem na liberação do paciente do ventilador, não sendo recomendada por este Consenso", com um grau de recomendação: B. Acho que a alternativa "D" não merece sequer comentários. GABARITO: Alternativa A 2. Entre as técnicas de crioterapia utilizadas para o tratamento de entorse de tornozelo de Grau I, após o décimo dia da lesão, a mais indicada é a de: A) bolsa de gelo com degravitação, compressão, repouso e estabilização. B) criocinética. C) spray frio. D) bolsa química. Quando li esta questão, me pareceu moleza encontrar a resposta, afinal aprendemos na faculdade que as entorses de tornozelo são classificadas da seguinte maneira: Grau I - ligamento preservado, processo álgico ligamentar e edema local. Grau II - frouxidão ligamentar, dor intensa, edema difuso + hematoma. Grau III - ruptura ligamentar parcial ou total, provável fratura por avulsão, dor intensa, instabilidade, edema difuso e hematoma. E que o tratamento seria: Grau I - Crioterapia + compressão + elevação + fortalecimento muscular + propriocepção. Grau II - imobilização de 3 a 4 semanas. Após 20 dias faz-se: crioterapia + fortalecimento muscular + propriocepção. Grau III - cirúrgico. Fonte: http://br.geocities.com/fisioterapiabsb/artigos/e009.html Confesso que nunca tinha ouvido falar em criocinética, se eu estivesse fazendo a prova, com certeza ee marcaria a alternativa "A". Porém, ao pesquisar sobre o assunto realmente fiquei em dúvidsa quanto ao gabarito correto pois na minha opinião as alternativas "A" e "B" estariam corretas. Neste pono, aparentemente não há consenso quanto a qual técnica de crioterapia é mais indicada na fase crônica de entorse de tornozelo. O Gabarito oficial é alternativa "A". Mas de qualquer modo, deixo a seguir os links para quem quiser saber mais sobre o assunto. http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/crioterapia2.htm http://www.findyourself.com.br/site_antigo/boletins/fisioterapia/032crioterp.html http://www.efdeportes.com/efd81/criot.htm http://fisio100.blogs.sapo.pt/4269.html http://fisioterapeutasplugadas.zip.net/arch2008-02-03_2008-02-09.html GABARITO: Alternativa "A" Um leitor do blog chamado Vitor deixou um comentário que vale a pena ser lido sobre a questão acima: Gostaria de comentar a questao 32 (sobre a crioterapia). Ao meu ver, a resposta correta seria a B. O motivo pelo qual penso isso e que analisando o fato de que ja se foram 10 dias, a fase aguda da inflamacao ja cedeu. Por tanto, seria inutil combater um edema (compressao e elevacao) que provavelmente jah nao esta mais em evolucao. Acho que a criocinetica seria muito mais indicada, ja que na fases de reparo e remodelamento seria interessante o movimento (pela questao nutritiva) e a tensao causada pelo mesmo nas fibras colagenas (no sentindo de realinhamento). A criocinetica, ao meu ver, seria a mais indicada, por promover o movimento precoce livre de dor. Vi que vocë disse que nao havia ouvido falar muito de criocinetica. Gostaria de indicar o livro CRIOTERAPIA, do Knight! Vale a pena ler. 3. Um paciente que apresente sinal positivo para o teste especial de Ely deve ser tratado com exercício terapêutico visando ao alongamento do(s): A) músculo retofemoral. B) adutores de quadril. C) músculo tensor da fáscia lata. D) músculos isquiotibiais. Essa pergunta avalia se o candidato conhece o teste ortopédico de Ely. Infelizmente não tem jeito. Se o sujeito pretende passar em um concurso público, uma das etapas é decorar o maior número possível de nomes exóticos de testes ortopédicos. Eu particularmente considero isso uma tremenda crueldade com o candidato, mas . . . fazer o quê? Voltando ao assunto: O teste de Ely avalia se o reto femoral está encurtado. O paciente deita-se em prono e o examinador flexiona passivamente o joelho do paciente. Se durante a flexão ocorrer flexão de quadil na mesma perna, isso indica que o reto femoral está encurtado, como na foto abaixo: Portanto, se o teste de Ely é posito, significa que o reto femoral está encurtado e que precisa ser alongado. GABARITO: Alternativa "A" 4. Acerca dos procedimentos de fisioterapia utilizados durante a ventilação mecânica, assinale a opção correta: A) A expansão e a reexpansão pulmonar diminuem a pressão alveolar, promovendo a expansão de unidades alveolares colabadas. B) A terapia com PEEP promove a expansão alveolar ao final da inspiração. C) A percussão e a vibração transmitem, através da parede torácica, uma onda de energia à broncodilatação. D) A hiperinsuflação, em que se desconecta o paciente do ventilador, seguida de insuflação pulmonar com ressuscitador manual, ocorre com aplicação de volume de ar maior que o correntemente utilizado. Comentário Em relação à alternativa "A": Para aexpansão pulmonar é necessário que ocorra aumento da pressão alveolar (igualzinho uma bexiga de aniversário) se você diminuir a pressão, conforme o enunciado, você estará diminuindo também o volume alveolar e causando um colabamento deste alvéolo. Portanto a alternativa "A" é Falsa. Quanto ao enunciado da alternativa "B", a sigla PEEP significa Pressão Positiva Expiratória Final (Positive End Expiratory Pressure). Portanto a alternativa "B" também é falsa pois indica que a pressão é inspiratória. A alternativa "C" também é falsa, pois as ondas de energia produzidas pela percussão e vibração torácica tem como objetivo a mobilização e a modificação das características reológicas das secreções. Sendo que, em alguns casos, podem até causar broncoespasmo. POrtanto a alternativa "C" também é falsa. OK galera, agora ficou fácil né? alternativa "D" é verdadeira por simples exclusão. É um enunciado até óbvio, pois se você deseja hiper-insuflar, então você precisa insuflar mais do que o normal. Sendo que o normal é o Volume Corrente. GABARITO: Alternativa "D" 5. Um paciente com diagnóstico médico de neurotmese apresentou, no exame de estesiometria, perda da sua esteriognosia e da sua iliognosia na área do dermátomo do nervo ulnar. Considerando o caso clínico acima, assinale a opção correspondente aos estímulos sensoriais que devem ser recuperados no tratamento fisioterapêutico: A) temperatura e forma de objetos B) discriminação de dois pontos e textura C) forma de objetos e textura D) discriminação de dois pontos e temperatura Entendeu alguma coisa? sabe o que é esteriognosia? iliognosia? nem eu. Vamos conferir cada um desses nomes estranhos: Neurotmese: As lesões traumáticas dos nervos periféricos foram classificadas por Seddon em neuropraxia, axonotmese e neurotmese. A neurotmese é transsecção total do nervo. Para quem quiser estudar os outros termos tem um bom resumo no site: http://www.emglab.com.br/html/trauma_de_nervos.html e também no fisioweb Estesiometria: A estesiometria é um teste de sensibilidade tátil. Geralmente se utiliza os monofilamentos de Semmes-Weinstein. O teste é baseado no princípio de que a força necessária para curvar um determinado fio é a mesma em todas as tentativas, o que permite uma boa reprodutibilidade do método. Fontes: O diabetes melito e a desnervação dos membros inferiores: a visão do diabetólogo e A IMPORTÂNCIA DO USO DOS MONOFILAMENTOS DE SEMMES-WEINSTEIN NO EXAME DE SENSIBILIDADE DO PACIENTE PORTADOR DE HANSENÍASE Esteriognosia: Gnosia é o reconhecimento de objetos através dos órgãos dos sentidos. O exame da gnosia é realizado através da visão, da audição, do olfato e do tato. A gnosia tátil (estereognosia) é avaliada com os dedos do paciente fechados. Estereognosia é capacidade de reconhecer um objeto com a mão sem o auxílio da visão. Fonte: Portal da Fisioterapia Iliognosia: Essa eu fico devendo pois não encontrei o significado desta disfunção. Muito bem, fico devendo uma explicação racional para esta pergunta. Pelo enunciado dá pra saber que o paciente tem um comprometimento da transmissão das informações táteis, mas as alternativas são muito parecidas. Se excluirmos as alternativas relaciondas à estímulação térmica, eliminamos metade das alternativas, sobrando 50% de chance de acerto pelo "chute". O Gabarito oficial indica a alternativa "C" como verdadeira, De onde se conclui que iliognosia é a perda do reconhecimento de texturas. 6. Na utilização da terapia por ondas curtas, é importante o fisioterapeuta reconhecer as implicações biofísicas no corpo humano, para que a terapia possa alcançar seus resultados de forma segura e eficaz. Com relação a esse assunto, assinale a opção correta: A) O aquecimento produzido pela diatermia de ondas curtas independe das propriedades elétricas do tecido dentro do campo eletromagnético. B) A diatermia por ondas curtas não é capaz de aquecer tecidos mais profundos tanto quanto os agentes que aquecem os tecidos por condução. C) Na aplicação da diatermia por ondas curtas do tipo contraplanar, ambos os eletrodos são aplicados no mesmo lado do membro. D) As alterações que ocorrem no fluxo sanguíneo, em resposta ao tratamento pela diatermia por ondas curtas, são proporcionais à potência média fornecida aos tecidos do paciente. Na alternativa "A" é afirmado que o aquecimento por Ondas Curtas independe das propriedades elétricas dos tecidos. Entenda-se por propriedades elétricas a condutividade elétrica (que rege o fluxo da corrente elétrica) e a permissividade (que rege a amplitude dos efeitos de polarização). A condutividade elétrica e a permissividade variam com o tipo do tecido do corpo e também dependem da freqüência do campo aplicado. Fonte:http://www.nuclear.radiologia.nom.br/diversos/diretrad.pdf Sabemos que a distribuição das temperaturas teciduais durante o uso de Ondas Curtas depende das propriedades dos tecidos, como calor específico, sendo que a distribuição da temperatura é também modificada pela condutividade térmica dos tecidos. Assim, a alternativa "A" é falsa. A Alternativa "B" inverte as propriedades das Ondas Curtas (aquecimento de tecidos profundos) com o de aquecimento por condução (calor superficial). Para saber mais sobre calor superficial acesse o link: http://movimento.incubadora.fapesp.br/portal/referencias/Fukuda/eletrotermofototerapia/10.%20Termoterapia.pdf A Alternativa "C" pode ser excluída por simples dedução. Se é contraplanar, deduz-se que seja contra planos, ou seja: em dois planos contrários. Assim não poderiam ser do mesmo lado do membro. A alternativa "D", indica que quanto maior a potência maior a alteração no fluxo sanguíneo. Esta alternativa está de acordo com os efeitos fisiológicos da diatermia por Ondas Curtas. Quem quiser saber mais sobre ondas curtaas acesse o link :http://movimento.incubadora.fapesp.br/portal/referencias/Fukuda/eletrotermofototerapia/12.%20Ondas%20curtas.pdf GABARITO: Alternativa "D" 7. Considerando que a LER/DORT é resultante de uma relação social patológica, além de uma forma determinada de organização do trabalho e da utilização do corpo, assinale a opção correta acerca de fatores causais dessa afecção: A) Atitude negativa em relação à vida é fator causal fisiológico da LER/DORT. B) Atividades domésticas que exigem o uso de membros superiores são fatores causais biomecânicos. C) Pausas curtas, ou inexistentes, entre os ciclos de trabalho são fatores causais de organização do trabalho. D) O estilo de vida é fator causal psicológico dessa afecção Vamos lá: Uma atitude negativa em relação à vida pode até ser um fator associado à LER/DORT, mas definitivamente não é reconhecido como fator causal. Alternativa "A" Falsa. Em relação à "B", se o enunciado falasse em atividades domésticas que exigem o uso de membros superiores acima da linha do ombro, poderia ser verdadeira, mas a amior parte das atividades domésticas (assim como as laborais e recreativas) envolvem o uso de MMSS. Considero a alternativa "B" também como falsa Se você trabalha ininterruptamente seja digitando, como empacotador, caixa de supermercado, taxista, ou mesmo fisioterapeuta, você estará sujeito à um stress biomecânico considerável, e a culpa é do processo de organização do trabalho, pois pequenas pausas durante a jornada de trabalho são necessárias. Portanto a Alternativa "C" é verdadeira. A alternativa "D" não faz muito sentido, pois como eu disse na alternativa "A", o estilo de vida pode até ser umfator associado, mas creio que não um fator causal. GABARITO: Alternativa "C" 8. Uma criança com diagnóstico de atraso no desenvolvimento motor, estando em decúbito ventral e segurada pelo tronco, ao ser levada em direção ao solo, de cabeça para baixo, não apresenta a resposta de extensão dos braços e das mãos em direção ao solo. Nesse caso, essa criança terá a classificação de ausência do reflexo de: A) Landau. B) pára-quedista. C) Moro. D) retificação. Para responder esta questão vamos rever as alternativas: Reação de Landau: Quando se levanta uma criança debruços da mesa, apoiada apenas com a mão do examinador sob o tórax, a criança primeiro erguerá a cabeça, de maneira que a face esteja numa posição vertical, após esta elevação da cabeça ocorre uma extensão tônica da coluna e membros inferiores, que pode ser tão forte que todo o corpo da criança torna-se curvado para trás. Reação de paraquedas: Também conhecida como Reação de Extensão Protetora. Esta reação consiste em duas fases. Na primeira fase ocorre a extensão do braço, punho e dedos, para atingir o solo ou, outro apoio. Na segunda fase a criança coloca o peso sobre o braço e a mão levada para o apoio. Reflexo de Moro: Testa-se deslocando-se o centro de gravidade da criança, ou dando um estímulo visual ou sonoro. Como resposta vai haver uma abdução e extensão dos membros. Em seguida ocorre a adução e flexão dos membros. Quanto a reação de retificação, existe a reação óptica, labiríntica e cervical de retificação. Para inmaiores detalhes sobre os reflexos e reações consulte o sitehttp://www.geocities.com/bia_franco/reflexos.html Pela descrição, dá pra perceber que a alternativa "B" é a que se encaixa melhor na descrição. GABARITO: Alternativa "B" 9. Um paciente idoso, atendido em seu domicílio, onde não é possível dispor de exames computadorizados específicos, necessitando ter seu equilíbrio examinado para posterior prescrição terapêutica de treinamento funcional, deve ser avaliado pelo teste de: A) Romberg. B) Oxford. C) caminhada de 6 minutos. D) Kat’z. Em relação à alternativa "A", O teste de Romberg é realizado com o paciente em pé, com os pés juntos e os olhos fechados. Se o paciente cair, pode indicar uma disfunção cerebelar. Se cair sempre para o mesmo lado, pode indicar uma disfunção vestibular. Portanto é um teste que avalia o equilíbrio. O teste de Oxford é aquele de força muscular graduado de 0 a 5, portasnto alternativa "B" é falsa. O teste de caminhada de 6 minutos também não é um teste de equilíbrio A alternativa D relaciona-se ao índice de Katz, o qual serve para avaliar a capacidade funcional do indivíduo idoso. Trata-se de uma lista de seis itens hierarquicamente relacionados e refletem os padrões de desenvolvimento infantil, ou seja, que a perda da função no idoso começa pelas atividades mais complexas, como vestir-se, banhar-se, até chegar as de auto regulação como alimentar-se e as de eliminação ou excreção. GABARITO: Alternativa "A" 10. Segundo a escala de graduação manual da força de contração muscular do assoalho pélvico, sugerida pela Sociedade Internacional de Continência, a força muscular classificada em grau 3 significa uma função perineal: A) ausente, reconhecida somente à palpação. B) débil, reconhecida à palpação. C) totalmente ausente. D) objetiva e resistência opositora, que não é mantida à palpação Tudo bem, eu confesso, não sei absolutamente nada de avaliação ginecológica. Mas não me envergonho disso, pois graças a Deus existe a internet. A avaliação funcional do assoalho pélvico proporciona a noção da capacidade de contração do assoalho pélvico, bem como a manutenção dessa contração na vigência de exercício físico. Tem importância clínica no tratamento conservador da incontinência urinária, por facilitar o manejo terapêutico. Entre as técnicas de avaliação do assoalho pélvico, aquela descrita por Ortiz mostra-se simples e de fácil execução durante o exame ginecológico: ao exame vaginal, solicita-se à paciente que contraia e mantenha a contração dos músculos perineais ao redor do dedo do examinador. Assim, gradua-se a capacidade de contração dessa musculatura, avaliando-se de modo mais objetivo a função muscular do assoalho pélvico: grau 0: sem função perineal objetiva, nem mesmo à palpação; grau 1: função perineal objetiva ausente, reconhecida somente à palpação; grau 2: função perineal objetiva débil, reconhecida à palpação; grau 3: função perineal objetiva e resistência opositora, não mantida à palpação; grau 4: função perineal objetiva e resistência opositora mantida à palpação por mais de 5 segundos. Portanto GABARITO: Alternativa "D" 11. O desmame da ventilação mecânica deve ser realizado de forma muito precisa e cuidadosa sob pena de haver danos ao paciente. Sobre este importante momento da ventilação mecânica, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa: ( ) Um critério de tolerância é quando o padrão ventilatório for estável, ou seja, FR>30‐35 irpm e aumento > 50%. ( ) Uma das técnicas para a efetivação do desmame é a ventilação mandatória intermitente sincronizada (SIMV). ( ) A PEEP pode ser utilizada após o desmame visando a melhora da capacidade residual funcional e a relação V/Q. As afirmativas são, respectivamente, (A) F, V e F. (B) F, V e V. (C) V, F e F. (D) V, V e F. (E) F, F e V. Interrupção da ventilação mecânica (desmame) O termo interrupção da ventilação mecânica refere-se aos pacientes que toleraram um teste de respiração espontânea e que podem ou não ser elegíveis para extubação. Não existe uma única estratégia ou protocolo de desmame e não existe nenhum estudo que mostre superioridade entre as técnicas empregadas, mesmo em adultos. O sucesso do desmame em pacientes submetidos à VM tem sido definido utilizando sinais e sintomas clínicos. Apesar de protocolos e experiências de vários serviços, a falha na extubação tem ocorrido em torno de 24% dos casos. Por isso, alguns índices e parâmetros são utilizados para prever e identificar o momento da extubação. Estes incluem diferentes funções fisiológicas do sistema respiratório, que permitem a identificação do momento em que o paciente está capaz de assumir e manter a sua ventilação, evitando a ventilação por tempo prolongado e suas complicações. Os índices mais utilizados são: – resolução da etiologia da insuficiência respiratória e função respiratória estável – FiO2 < 50% – PEEP 50 cmH2O). Outros parâmetros que indiretamente afetam a oxigenação e complacência pulmonar são(3): – relação paO2/FiO2 > 200 – paO2 > 60 mmHg em FiO2 94% em FiO2 < 0,5 – pressão inspiratória máxima < 30 cmH2O – PEEP < 5 cmH2O – diferença alvéolo-arterial de oxigênio < 350 em FiO2 de 1,0 Grau de evidência: A 1- Ventilação Mandatória Intermitente (IMV) e Ventilação Mandatória Intermitente Sincronizada(SIMV) O paciente respirando com IMV pode respirar espontaneamente e receber ventilação do respirador. A freqüência respiratória é diminuída gradualmente, em médias 2 a 4 respirações por minuto,em intervalos tolerados pelo paciente. Atualmente o IMV é substituído pelo SIMV, que é sincronizado: durante um período o paciente respira espontaneamente e em outro período o respira com parâmetros fornecidos pelo respirador. Há respiradores com válvula de demanda, onde o paciente gera uma pressão negativa (trigger ou disparo) e faz com que a válvula inspiratória se abra, desencadeando a liberação de fluxo de ar para iniciar o ciclo respiratório. Neste sistema, o paciente faz o esforço para abrir a válvula podendo levar ‘a fadiga conforme a situação clínica do paciente. Outros respiradores possuem o sistema chamado flow-by que mantém um fluxo contínuo e a válvula inspiratória parcialmente aberta, reduzindo o esforço para abrí-la e o tempo entre a percepção da respiração espontânea e a abertura da válvula. Neste último sistema existe sensibilidade a fluxo e a pressão no aparelho, sendo que o profissional escolhe a forma mais adequada que convier ao paciente. 2- Desmame gradual em tubo em T Consiste em períodos de respiração espontânea de duração crescente, intercalados com períodos de ventilação mecânica. Após 30 minutos contínuos de respiração espontânea com gasometria normal e o paciente sem sinais de descompensação respiratória, pode ser extubado. Esta técnica é pouco utilizada em crianças devido ao fato que o menor calibre do tubo endotraqueal leva a um aumento da resistência das vias aéreas( que já é aumentada em crianças) e a um aumento do espaço morto, o que pode ocasionar um esforço respiratória maior no paciente quando o paciente está respirandoespontaneamente. 3- Pressão de suporte (PS) Técnica bastante utilizada com sucesso em crianças, embora não haja nenhuma comprovação científica de sua eficácia em relação ao IMV. Na prática, quando o paciente está ventilando, utiliza-se o SIMV com PS quando sai da controlada e vai-se progressivamente reduzindo a freqüência do respirador até o paciente ficar apenas em PS e ser extubado. O aparelho libera uma quantidade de pressão positiva durante a inspiração quando a válvula inspiratória se abre, tanto no sistema de demanda como no flow-by. O fluxo, volume corrente, frequência e tempo inspiratório são determinados pelo paciente.Cada ciclo termina quando o fluxo reduz a 25% do pico de fluxo. Quando o paciente é colocado em PS, vai-se progressivamente diminuindo a pressão a intervalos que o paciente tolera e quando a PS baixa de 10 cmH2O, pode-se extubar. Há trabalhos que mostram que a adição da PS ao SIMV durante os primeiros 28 dias pode reduzir o tempo de ventilação mecânica em prematuros de extremo baixo peso e pode levar ‘a diminuição da dependência de oxigênio. Para saber mais: http://www.sbp.com.br/pdfs/Retirada_Desmame_Ventilacao_Mecanica.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 12. Com relação aos efeitos adversos da pressão positiva expiratória final (PEEP), analise as afirmativas a seguir: I. Pode causar aumento da resistência vascular periférica intra-alveolar. II. Pode aumentar o retorno venoso e, consequentemente, o débito cardíaco. III. Pode promover hiperinsuflação pulmonar comprometendo os músculos respiratórios. Assinale: (A) se somente a afirmativa I estiver correta (B) se somente a afirmativa II estiver correta (C) se somente a afirmativa III estiver correta (D) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas (E) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas Com a aplicação de PEEP, a pressão no mediastino aumenta paralelamente. A partir desse mecanismo, com o pulmão distendido, o aumento da pressão externa justacardíaca resulta no aumento das pressões intracavitárias devido à complacência miocárdica e ao retorno venoso estarem diminuídos.A afirmação II é errada. O propósito da aplicação da PEEP é manter pressão positiva na via aérea por toda a fase expiratória, inclusive ao seu final. Entretanto, a técnica consiste na aplicação de uma resistência ao fluxo expiratório do ciclo ventilatório, sempre ressaltando que a efetividade da técnica depende do ajuste do nível de PEEP ao processo fisiopatológico que está comprometendo a função pulmonar. A PEEP também acarreta alteração na função hemodinâmica. Com o aumento da pressão intratorácica, há diminuição da resistência vascular sistêmica (RVS), compressão das veias cava superior e inferior, diminuição do enchimento ventricular, diminuindo também o enchimento do átrio esquerdo (AE) e diminuindo, finalmente, o débito cardíaco (DC). Por consequência do aumento da pressão intratorácica e diminuição do DC, há significante diminuição da pressão arterial média (PAM). Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 13. Leia o fragmento a seguir. “A redução da função cardiovascular ‐ _____ ‐ em função da idade, que pode ser observada durante o esforço, é atribuída, dentre várias alterações à _____, aumento da massa adiposa, da frequência cardíaca, frente a um esforço _____.” Assinale a alternativa cujos itens completam corretamente as lacunas da afirmativa acima. (A) VO2 Max – osteoporose – médio (B) VO2 Min – osteopenia – máximo (C) VO Max– sarpoenia – mínimo (D) VO2 Min – osteopenia – médio (E) VO2 Max – sarcopenia – máximo De cara, só dá para escolher as alternativas “A” ou “E”, por conta do VO2 máx. A alternativa “A” possui fatores que não interferem muito na função cardiovascular, restando a alternativa “E”. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 14. O reflexo primitivo e adaptativo que desaparece aos seis meses de idade, é o reflexo de: (A) busca. (B) Babinski. (C) marcha. (D) preensão E) moro. Reflexo de Moro = Primeira fase até 4 meses (abdução/extensão) / Segunda fase de 4 a 6 meses (adução e flexão). Reflexo de moro é um tipo de reação involuntária que está presente no nascimento. Ele normalmente desaparece depois de três ou quatro meses. Pode ser demonstrado colocando-se o bebê com o rosto voltado para cima em uma superfície macia e almofadada. A cabeça é delicadamente erguida com suporte o suficiente para começar a retirar o peso corporal da almofada. (Observação: O corpo do bebê não deve ser erguido da almofada, somente o peso corporal deve ser retirado). A cabeça é então solta repentinamente, possibilitando uma queda momentânea para a frente, mas rapidamente apoiada de novo (não permitindo que bata na almofada). O bebê pode ter uma aparência de “estremecimento”, e os braços se estendem para os lados com as palmas e os polegares flexionados. Quando o reflexo termina, o bebê puxa os braços para perto do corpo, cotovelos flexionados e, depois, relaxa. Esse é o reflexo normal presente em recém-nascidos. A ausência do reflexo de Moro em um bebê é anormal. A presença de um reflexo de Moro em um bebê mais velho, criança ou adulto é também anormal. A ausência bilateral do reflexo de Moro sugere danos cerebrais ou da medula espinhal. A ausência unilateral do reflexo de Moro sugere a possibilidade de um osso do ombro quebrado ou lesão do grupo de nervos que estão entre a parte inferior do pescoço e a área superior do ombro. Condições associadas a essa lesão neural incluem Paralisia de Erb e Paralisia de Erb-Duchenne. A perda da função muscular em um lado do corpo pode também produzir um reflexo de moro assimétrico. Os reflexos do bebê Se você bater palmas bem pertinho do rosto do seu recém-nascido, ele piscará forte. Aperte a sola do pé e ele dobrará todos os minúsculos dedos. Se apoiar o peito dele na água, verá um peixinho movimentando braços e pernas como se estivesse nadando. Seu bebê faz tudo isso por puro reflexo. No dia do parto, o cérebro dele pesa entre 300 e 400 gramas, quatro vezes menos que o de um adulto. Para que se desenvolva completamente, é preciso que todas as células nervosas estejam cobertas por uma substância branca gordurosa chamada mielina. Essa camada de nome engraçadinho é a responsável pela transmissão de impulsos nervosos do cérebro para o corpo. Sem ela, a conversa entre a cabeça e as mãos, por exemplo, fica na base do impulso. “Esse processo de cobertura, chamado de mielinização, começa no segundo trimestre de gestação, atinge seu período mais intenso quando a criança tem 8 meses e continua até o segundo ano de vida”, afirma o neuropediatra Luiz Celso Amaral. Com o cérebro em formação, as reações são instintivas. E esses reflexos são muito importantes para o crescimento da criança. “Indicam que o cérebro está se desenvolvendo e trabalhando de forma correta. E também têm a função de ajudar a criança a perceber as fronteiras entre seu corpo e o mundo”, diz a neuropediatra Saada Ellovitch. São seis os reflexos mais importantes e há mais de 15 exercícios feitos na maternidade para testá-los. Eles desaparecem quando a maior parte das células está recoberta pela mielina. Lá pelo sexto ou sétimo mês, a conexão entre cérebro e corpo melhora, e o bebê perde aquele jeitão estabanado. A partir do terceiro mês, já é capaz de fazer alguns movimentos voluntários, como sustentar o pescoço. Isso porque o amadurecimento da medula se dá no sentido da cabeça para os pés. Os movimentos reflexos começam ainda na gravidez, entre a 28a e a 35a semana, como a sucção.”Ela e o choro são reações vitais para a sobrevivência e a proteção do bebê. O movimento de sugar já aparece no útero”, afirma o fisioterapeuta Marcus Vinicius Marques de Moraes. Logo depois de nascer, se você colocar a boca do recém-nascido em contato com qualquer objeto, ele tentará abocanhá-lo. Mais tarde o bebê procura intencionalmentea chupeta, por exemplo, porque a sucção o acalma, ou vai às lágrimas para comunicar o que ainda não consegue dizer em palavras. Alguns reflexos ficam por mais tempo, como o de Moro, em que a criança, sentindo-se desequilibrada ou assustada por um ruído forte, joga a cabeça para trás e estica braços e pernas. Isso até os 5 meses. Na maternidade Mais do que uma exibição de habilidades para os pais, os reflexos são fonte de pesquisa para os pediatras. Num dos testes realizados na maternidade, chamado clonos, os pés do bebê são empurrados para trás repetidas vezes. A reação esperada é a de que os pezinhos batam como se estivessem acelerando um carro. Ao menos seis desses movimentos – marcha, sucção, pontos cardeais (toca-se os cantos da boca ou lábios inferior e superior e a criança vira a cabeça em direção ao toque como se quisesse mamar), preensão das mãos, do pés e reflexo de Moro — devem ser reavaliados nas primeiras consultas pediátricas. Mas nem sempre foi assim. Até o início do século passado, os médicos examinavam os bebês apenas fisicamente. Ouviam o coração, sentiam a respiração, mediam e pesavam. Não detectavam alterações causadas por pequenos problemas neurológicos. “Alterações nos reflexos podem sinalizar problemas futuros. Os exames servem para evitar que a criança tenha pouco ou nenhum atraso em seu desenvolvimento. É uma ação preventiva”, diz a neonatologista Marina de Moraes Barros. “Quanto mais reflexos observados, melhor. Porém, com esses seis já é possível saber se a criança é saudável. O importante é o resultado do conjunto, e não de um reflexo isolado”, ressalta Marina. Vigor emocional e muscular Os exames não machucam e é importante que o bebê chore. “Por meio do choro, percebemos a capacidade de autoconsolo do bebê, de como ele se reorganiza emocionalmente. Se fica inconsolável ou indiferente, isso pode indicar certa dificuldade de adaptação à nova vida. É necessário repetir os testes numa próxima consulta”, explica a neonatologista. Quando os pediatras fazem essas avaliações reflexas, também estão de olho no vigor muscular do seu filho. Verificam, por exemplo, se o braço dele volta rapidamente quando alguém o estica. “Se isso não ocorrer ou se o bebê resistir ao movimento, pode significar algum problema”, afirma Marina. A influência da nutrição Tão importante quanto ter os reflexos é perdê-los. O crescimento da circunferência da cabeça e o desaparecimento dos reflexos indicam que o bebê está cumprindo as etapas: vai primeiro sentar, depois engatinhar – mesmo que seja um pouquinho. Que ficará em pé, apoiado em algo, para depois andar. E que falará feito uma matraca aos 2 anos. A falta dessa resposta indica aos médicos uma possível lesão neurológica que, dependendo do tipo, pode ou não ter comprometimento no futuro, como desenvolvimento motor e neurológico mais lento. É possível amenizar o problema com fisioterapia. Infecções na gravidez e hipertensão grave, por exemplo, podem prejudicar a formação da mielina ainda na gestação. O fisioterapeuta catarinense Marcus Vinicius Marques de Moraes fez um estudo inédito em seu trabalho de mestrado. Avaliou os reflexos de bebês entre 14 dias e quatro meses. Queria descobrir se existe uma relação entre o desenvolvimento motor dos pequenos, sua alimentação, os problemas no parto e a amamentação. Concluiu que a nutrição influencia. “Bebês gordos se movimentam menos e, nos de baixíssimo peso, o cérebro não se desenvolve como deveria. Demoram para passar dos movimentos reflexos para os voluntários”, diz Moraes. Bebês prematuros são apontados como os de maior risco para seqüelas neurológicas porque nascem antes de o organismo estar completo. “A finalização do amadurecimento neurológico desses bebês ocorre fora do útero, o que faz seu desenvolvimento ser mais lento. Eles nem fazem os mesmos testes de reflexos que as crianças nascidas depois de 38 semanas”, diz a neuropediatra Saada. Gordos, magrinhos, prematuros ou não, os recém-nascidos querem entender o mundo à sua volta e, para isso, precisam de estímulos. Quanto mais os pais os tocarem, melhor. Os bebês estão criando códigos de comunicação nessa fase e o ideal é que suas experiências sejam positivas. Eles se sentem amparados e seguros quando os pais entendem suas poucas dicas: um resmungo para avisar que a fralda está suja ou um chorão para indicar que quer colinho. Os reflexos e suas reações Reflexo de Moro – O bebê joga a cabeça para trás, estica as pernas, abre os braços e os fecha depois. Surge quando o recém-nascido se sente desequilibrado ou assustado. Some por volta do segundo ou terceiro mês. Marcha reflexa – Colocado em pé, com apoio nas axilas, ele ergue uma perna dando a impressão de estar andando. É o primeiro a desaparecer. Some até o fim do primeiro mês. Sucção e busca pelo seio – O bebê abre a boca e suga o que aparece à sua frente. Ao tocar qualquer região em torno da boca, ele vira o rosto para o lado estimulado. A busca pelo seio desaparece por volta do segundo mês, quando o reflexo da sucção passa a ser voluntário. Preensão palmar e plantar – O recém-nascido agarra o dedo da mãe com força. Esse reflexo ocorre nas mãos e nos pés. O da mão costuma desaparecer por volta do terceiro mês. O do pé continua até o sétimo ou oitavo mês. Tônico-cervical – Com o bebê deitado, o médico gira a cabeça do bebê para o lado, a criança tende a estender este braço e dobrar o outro. É chamado de posição de esgrimista. Costuma desaparecer no terceiro mês. Engatinhar – De bruços, o bebê estica as pernas, como se tentasse rastejar, quando alguém lhe dá apoio nos pés. Some por volta do quinto mês. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 15. Neonato é um bebê em seu primeiro mês de vida. Sua saúde pode ser avaliada pela Escala de Apgar. Relacione os aspectos observados nessa escala, com a característica do escore atribuído: 1. Frequência cardíaca 2. Taxa respiratória 3. Tônus muscular 4. Resposta a estimulação dos pés ( ) Escore 2 – Choro ( ) Escore 2 – Choro forte e respiração regular ( ) Escore 1 – Alguma flexão das extremidades ( ) Escore 0 – Ausente Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo. (A) 1 – 3 – 2 – 4 (B) 1 – 4 – 2 – 3 (C) 4 – 2 – 3 – 1 (D) 2 – 4 – 3 – 1 (E) 4 – 3 – 2 – 1 Este índice foi criado por uma anestesista inglesa, Dra. Virgínia Apgar, na década de 50. É o método mais comumente empregado para avaliar o ajuste imediato do recém-nascido à vida extra-uterina, avaliando suas condições de vitalidade. Consiste na avaliação de 5 itens do exame físico do recém-nascido, com 1, 5 e 10 minutos de vida. Os aspectos avaliados são: freqüência cardíaca, esforço respiratório, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. Para cada um dos 5 itens é atribuída uma nota de 0 a 2. Somam-se as notas de cada item e temos o total, que pode dar uma nota mínima de 0 e máxima de 10. Uma nota de 8 a 10, presente em cerca de 90% dos recém-nascidos significa que o bebê nasceu em ótimas condições. Uma nota 7 significa que o bebê teve uma dificuldade leve. De 4 a 6, traduz uma dificuldade de grau moderado, e de 0 a 3 uma dificuldade de ordem grave. Se estas dificuldades persistirem durante alguns minutos sem tratamento, pode levar a alterações metabólicas no organismo do bebê gerando uma situação potencialmente perigosa, a chamada anóxia (falta de oxigenação). O boletim Apgar de primeiro minuto é considerado como um diagnóstico da situação presente, índice que pode traduzir sinal de asfixia e da necessidade de ventilação mecânica. Já o Apgar de quinto minuto e o de décimo minuto são considerados mais acurados, levando ao prognóstico da saúde neurológica da criança (seqüela neurológica ou morte). A consciência dos achados normais esperados durante cada processo de avaliação ajuda a enfermeira a reconhecer qualquer desvio que possa evitar que o recém-nascido progrida, sem intercorrências, através do período pós-natal imediato. Alternativa assinalada no gabarito da bancaorganizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 16. Com relação ao desenvolvimento neonatal, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa: ( ) A hipotonia global está diretamente relacionada com o tempo de prematuridade. ( ) O nascimento a termo promove, geralmente flexão e adução nas extremidades. ( ) O bebê prematuro apresenta uma forte flexão fisiológica da coluna vertebral. As afirmativas são, respectivamente, (A) F, V e F. (B) F, V e V. (C) V, F e F. (D) V, V e F. (E) F, F e V. Algumas características do bebê nascido a termo, que vai de 38 semanas a 41 semanas e 6 dias: Sinais Vitais FC 10-160 bpm FR 40-60 rpm T 36-37 oC Postura (flexora) O eritema tóxico é descrito como pápulas ou lesões vesicopustulosas que surgem de 1 a 3 dias após o nascimento, sendo localizado na face, tronco e membros. É classificado como um exantema benigno, desaparecendo em 1 semana. – Lanugem: A lanugem, que são pêlos finos, macios e imaturos, é encontrada nos prematuros. Nos lactentes a termo ela é substituída por pêlos. Tufos de pêlos na coluna lombossacra sugerem uma anomalia subjacente como espinha bífida oculta, fístula ou tumor. A FR acima de 60 durante períodos de respiração regular, indicam patologias de origem pulmonar ou cardíaca. Os ápices pulmonares se expandem antes das bases. Estas últimas tem sua total expansão em 2 a 4 dias. – Exame neurológico Moro – com ruídos fortes ou movimentos bruscos o RN joga os braços e pernas para a frente. Desaparece no 4°mês. Preensão : flexão dos dedos das mãos e pés quando a palma ou a planta é estimulada com o dedo ou algum objeto. Plantar: Babinski bilateral. Desaparece em tomo do 3° mês vida. Sucção e Deglutição: presente exceto nos prematuros de baixo peso. Reptação Marcha Fuga a asfixia Para saber mais: http://www.faculdademedicina.ufpa.br/doc/Terminologia%20e%20Classificacao%20do%20Recem%20nascido.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 17. Com relação à Espina Bífida, analise as afirmativas a seguir: I. É um grave acometimento do sistema nervoso, causado pelo fechamento incompleto da coluna vertebral. II. Trata‐se de uma doença adquirida durante a gestação e ocorre mais comumente na região lombo-sacra. III. Poderá ocorrer paraparesia acima do nível da lesão, se atingir as raízes nervosas subjacentes ao segmento vertebral. Assinale: (A) se somente a afirmativa I estiver correta. (B) se somente a afirmativa II estiver correta. (C) se somente a afirmativa III estiver correta. (D) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. Esta é a primeira questão de conhecimentos específicos desta prova. Uma das lesões congênitas mais comuns da medula espinhal é causada pelo fechamento incompleto da coluna vertebral. Quando isso acontece, o tecido nervoso sai através do orifício, formando uma protuberância mole, na qual a medula espinhal fica sem proteção. Isto é denominado espinha bífida posterior e, embora possa ocorrer em qualquer nível da coluna vertebral, é mais comum na região lombossacra. Quando as raízes dos nervos lombo sacrais estão envolvidos, ocorrem graus variáveis de paralisia abaixo do nível envolvido. http://www.espinhabifida.com/ Aqui temos um problema. A patologia é desenvolvida nos dois primeiros meses de gestação, mas a banca considera errada a assertiva II, que diz que a patologia é adquirida durante a gestação. A única coisa que que justifica essa escolha é uma questão de semântica, de não poder se entender por “adquirir” o fato de se “desenvolver” na gestação, ou ainda se afirmar que não está claro se a patologia acomete a gestante ou o bebê. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: D 18. O padrão respiratório em pacientes com TCE deve ser avaliado, pois não só pode servir como sinal de deterioração neurológica, mas indicar medidas protetoras imediatas. Assinale a alternativa correspondente ao padrão caracterizado por “total ausência na regularidade do ritmo, frequência e profundidade respiratória”, que ocorre por lesão no nível do bulbo ou da medula: (A) Respiração de Cheyne-Stokes. (B) Respiração apnêustica. (C) Respiração atáxica. (D) Respiração de Kussmaul. (E) Hiperpneia neurogênica central. Alguns padrões respiratórios anormais: - Respiração de Cheyne-Stokes: caracteriza-se por ciclos de hiperventilação e hipoventilação (até apnéia); tal padrão é observado nas lesões hemisféricas bilaterais, principalmente decorrentes de hipoxia. (John Cheyne, médico escocês, 1777-1836) - Hiperventilação neurogênica central: padrão respiratório rápido (freqüência em torno de 25 incursões/min), regular e profundo; embora tenha um valor localizatórjo específico, descrita em lesões mesencefálicas. - Respiração apnêustica: há uma fase inspiratória prolongada seguida por apnéia, que pode ser seguida por uma salva inspiratória; este padrão ocorre nas lesões pontinas. - Respiração de Biot (ou atáxica): ritmo totalmente irregular e sem sincronismo, caracteristicamente observado em lesões bulbares. tipo de respiração curta e rápida com pausas que duram entre 10 a 30 segundos. Pode ser observada em casos de meningite, sendo sinal de mau prognóstico. (Camile Biot, médico francês, 1878-1963) Respiração deprimida: consiste num padrão superficial, lento e ineficaz, causado por depressão bulbar geralmente por drogas. - Respiração Kussmaul: tipo de respiração em que se verifica uma inspiração rápida e profunda, seguida de uma pausa, uma expiração súbita, em geral seguida de nova pausa. Encontra-se nos doentes em coma diabético e é uma respiração com hiperventilação que tenta compensar a acidose diabética.(Adolf Kussmaul, médico alemão, 1822-1902) Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 19.São indicações da Ventilação Não Invasiva (VNI), EXCETO: (A) edema agudo de pulmão cardiogênico. (B) pneumotórax não drenado. (C) apneia do sono obstrutiva. (D) atelectasias. (E) doença neuromuscular. Recomendações para VNI: - Exacerbação da DPOC (Recomendação A) – Edema Agudo de Pulmão Cardiogênico (Recomendação A) – Isuficiência Respiratória Hipoxêmica: Pneumonia, Sindrome do Desconforto Respiratório Agudo ou Lesão Pulmonar Aguda (Recomendação B) – Exacerbação da Asma (Recomendação B) – Insuficiência Respiratória Hipoxêmica em condições especiais (Recomendação B): Imunossuprimido, Pós transplante e Pós-ressecção pulmonar. – Pacientes terminais quando a causa da IrpA for potencialmente resolvida (Recomendação B). – Período Pós-operatório para tratamento da IrpA (Recomendação B) – Não deve ser utilizada como método de resgate da insuficiência respiratória pós extubação, pois pode retardar a re-intubação. ( Recomendação A) – VNI como estratégia de desmame (Recomendação B). O uso da VNI como estratégia para facilitar o desmame da VM invasiva apresenta evidências altamente encorajadoras, principalmente em se tratando de pacientes portadores de DPOC – Neste momento não podemos recomendar o uso rotineiro de VNI como adjuvante no desmame de pacientes em VM. Sugere-se a sua utilização em pacientes com DPOC e em um ambiente altamente controlado – Pacientes que não necessitam de intubação de emergência ou que têm uma doença que conhecidamente respondem ao uso da VNI – Outras situações: Neuro-musculares em insuficiência respiratória, deformidades torácicas, apnéia obstrutiva do sono e apnéia central. – Seleção de pacientes para VNI requer uma análise cuidadosa de suas indicações e contra-indicações. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 20. Sobre a Ventilação de Alta Frequência (VAF), assinale a alternativa correta: (A) Quando comparada à ventilação convencional, minimiza o potencial de lesões por diminuir o processo repetitivo de abertura e fechamento alveolar. (B) Atualmente, vemsendo utilizada de forma precoce, como recurso de escolha em casos de insuficiência respiratória. (C) Esta técnica promove ventilação adequada por meio de uma circulação de ar mais amena. (D) Requer volumes corrente baixos, em torno de 4 a 7 ml/ Kg. (E) Uma de suas vantagens é que, mesmo na ausência de um recrutamento alveolar efetivo, a VAF é capaz de ventilar com perfeição, atendendo às necessidades do paciente. Mesmo sem saber o que é essa tal de VAF, dá para perceber que as alternativas “B”, “C” e “E” são incorretas. Restam “A” e “D” como alternativas possíveis. A alternativa “A”, apesar de chegar a uma conclusão coerente, tem o erro de dizer que uma técnica que utiliza maior frequencia pode ter menor potencial de causar lesão. Só resta a “D” mesmo. Mas vamos descobrir o que é essa VAF, que é uma modalidade utilizada na ventilação mecânica. Ventilação Oscilatória de Alta Frequência (VOAF) Apesar de não ter sido demonstrada redução de mortalidade com o seu uso, a VOAF é estratégia ventilatória protetora que pode melhorar a oxigenação e reduzir o aparecimento de lesão pulmonar induzida pela ventilação mecânica nas doenças que cursam com redução da complacência pulmonar, nas quais a ventilação convencional protetora falhou ou quando há necessidade do uso de parâmetros lesivos para os pulmões (FiO2 > 0,6 ou pico de pressão >34 cmH2O). Lembrar que a utilização precoce parece ser mais benéfica. Grau de evidência: A A Ventilação de alta frequência oscilatória (VAFO) reduz o volume corrente ao mínimo e aplica uma pressão de distensão contínua acima da PEEP, permitindo com o seu uso que sejam alcançados objetivos significantes da estratégia protetora, como a prevenção da lesão pulmonar que ocorre com o fechamento e reabertura cíclica dos alvéolos. Estudos em adultos que incluíram meta-análise e ensaio randomizado controlado, concluíram que em pacientes com LPA, a VOAF não levou à benefícios, mas que pode ter um papel benéfico quando utilizada em casos de SDRA mais severos. Inicialmente, a VOAF foi utilizada como estratégia de resgate quando outros modos de ventilação falhavam. Em 1997, Fort et al. descreveram o uso da VOAF em 17 adultos com SDRA e observaram melhora da relação PaO2/FiO2 e do índice de oxigenação em 13 pacientes, com 53% de mortalidade. Subsequentemente, vários outros autores publicaram sua experiência com este modo ventilatório. Em 2002, o MOAT (Multicenter Oscillatory Ventilation for Acute Respiratory Distress Syndrome Trial) comparou a alta frequência com ventilação com pressão-controlada. A VOAF associou-se com melhora mais rápida da relação PaO2/FiO2 quando comparada com a ventilação convencional27. Os autores concluíram que a VOAF é segura e efetiva para tratamento da SDRA. Mehta et al.28, em 2004, concluíram que a VOAF tem efeitos benéficos sobre a oxigenação, pode ser tratamento de resgate efetivo na hipoxemia grave e que sua instituição precoce pode ser vantajosa. Vantagens teóricas: manter as vias aéreas abertas menor volume fásica e mudança de pressão troca de gás a pressões significativamente mais baixos das vias aéreas menos envolvimento do sistema cardiovascular menos depressão da produção de surfactante endógeno. VAFO é recomendado para reduzir o barotrauma pulmonar e lesão pulmonar conseqüente não-homogênea patologia pulmonar, vazamentos de ar, Pulmonar Persistente Hipertensão do recém-nascido (HPP) e ventilação de bebês prematuros. Contraindicações: obstrução pulmonar de aspiração de mecônio fresco displasia broncopulmonar RSV bronquiolite hemorragia intracraniana. Complicações: hiperinsuflação pulmonar em doenças pulmonares obstrutivas hemorragias intracranianas; Redução da frequência cardíaca atribuída ao aumento da atividade vagal; displasia broncopulmonar devido a ventilação pulmonar não homogênea necrotizante; traqueobronquite, aumento da permeabilidade do epitélio do pulmão e umidificação insuficiente de traqueo-brônquicas secreções. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 21. Durante a ventilação mecânica, o paciente está sujeito ao represamento de ar correspondente à chamada hiperhinsuflação dinâmica, refletida mecanicamente como auto-PEEP. Esta pode ser causada por parâmetros do ventilador mal ajustados. Assinale a alternativa INCORRETA: (A) Tempo exalatório insuficiente. (B) Volume corrente elevado. (C) Tempo inspiratório alto. (D) Fluxo inspiratório alto. (E) Frequência respiratória elevada. A auto-PEEP é conceituada como a persistência de uma pressão alveolar positiva, ao final da expiração, não intencional, devido à presença de um volume pulmonar expiratório final maior do que a capacidade residual funcional prevista. Ocorre em pacientes submetidos à VPM, em consequência de o aparelho de ventilação iniciar uma fase inspiratória com pressão positiva, antes que o tempo expiratório tenha sido suficiente para a exalação completa do volume inspirado anteriormente. O resultado deste fenômeno é um aumento progressivo do volume pulmonar e da pressão pleural a cada respiração, elevando a pressão de retração tecidual a um nível crítico, capaz de determinar um aumento do fluxo expiratório suficiente para abrir a via aérea e reduzir a resistência ao fluxo. No ponto correspondente ao nível crítico, o volume pulmonar estabiliza-se, de modo que todo o volume corrente passa a ser expirado às custas de um aumento na pressão pleural. Pode hiperdistender os alvéolos, predispondo ao barotrauma, diminuir a complacência pulmonar e a ventilação alveolar devido ao aumento do espaço morto, comprometer o fluxo sanguíneo brônquico e aumentar a permeabilidade capilar alveolar. Aumenta, também, a pressão intracraniana e compromete a função renal. Do mesmo modo que a PEEP aplicada, a auto-PEEP pode ter efeitos hemodinâmicos adversos, produzindo leituras falsas das pressões das câmaras cardíacas e dos vasos pulmonares. Embora auto-PEEP e hiperinsuflação pulmonar dinâmica sejam utilizados habitualmente como sinônimos, um não implica necessariamente o outro. A auto-PEEP pode ser observada em pacientes sem hiperinsuflação dinâmica, devido a ajustes no aparelho de ventilação pulmonar mecânica que elevam excessivamente o volume minuto, como pressões inspiratórias, frequências respiratórias, volumes correntes e pressões de distensão (PEEP ou CPAP aplicadas) altos, tempos inspiratórios longos ou tempos expiratórios curtos. Ocorre, também, devido à grande resistência ao fluxo aéreo oferecida pela cânula endotraqueal e pelos componentes do aparelho de ventilação pulmonar mecânica (circuito e válvula expiratória), que aumentam as constantes de tempo. A auto-PEEP não é evidente, a menos que seja pesquisada com técnicas adequadas, podendo alterar agudamente a dinâmica alveolar e constituir um risco reconhecido em situações que afetam o fluxo durante a expiração, levando a um aumento desnecessário do trabalho mecânico do sistema respiratório. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 22. Paciente, 30 anos, internado com pneumotórax espontâneo à direita. No momento, encontra-se com dreno de tórax em selo d´água e respiração espontânea, eupneico e sem queixas álgicas. Pela ausculta pulmonar, observa-se Murmúrio vesicular presente assimétrico, reduzido em hemitórax direito, principalmente em base, sem ruídos adventícios. Para promover reexpansão pulmonar em zonas basais e mediais e aumentar o VRI (volume de reserva inspiratório), realizou-se o exercício respiratório composto por Inspiração nasal suave e curta interrompida por apneias pós-inspiratórias. Dessa forma, assinale a alternativa correta em relação à denominação do respectivo padrão: (A) Soluços inspiratórios. (B) Expiração abreviada. (C) Respiração diafragmática. (D) Inspiração fracionada. (E) Inspiração abreviada. Esse enunciado está estranho. A técnica descrita é claramente a inspiração fracionada, que é a alternativa “d”, mas é definida como “alternativa corretaem relação à denominação do respectivo padrão”. A inspiração fracionada é um exercício, não é um padrão. Não sei se algum membro de banca visita meu blog, mas gostaria de deixar a sugestão para que, em questões de conhecimentos específicos, se abandone essas práticas antiquadas de elaborar questões que suscitem dúvidas pela forma do texto. Sim, isso mesmo. Que se façam pegadinhas dentro de um contexto de técnicas da fisioterapia. Deixem as avaliações da capacidade de interpretação de texto para quem elabora as questões de língua portuguesa e as avaliações de inteligência para quem elabora questões de raciocínio lógico. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 23. A fisioterapia respiratória é amplamente utilizada tanto em enfermaria hospitalar quanto em unidades de terapia intensiva (UTI). Sobre a fisioterapia respiratória, assinale a alternativa correta: (A) O oscilador oral de alta frequência (Flutter®) é um incentivador inspiratório a volume. (B) O freno labial é utilizado em pacientes com dificuldade expiratória, pois evita o colabamento das vias aéreas e auxilia na desinsuflação pulmonar. (C) O Voldyne® e o Respiron® são incentivadores expiratórios para promover reexpansão pulmonar. (D) O Theshold® é um dispositivo utilizado para promover higiene brônquica. (E) A tapotagem é realizada apenas na expiração. Na alternativa “A”, o erro é que o Flutter é um incentivador expiratório. Na alternativa “C”, o erro é que esses incentivadores são inspiratórios, tanto o Voldyne, que é a volume, como o Respiron, que é a fluxo. Na alternativa “D”, o Trhreshold é um aparelho para o condicionamento da musculatura inspiratória, não tem a mesma função de mobilizar secreções como o Shaker ou o Flutter. Na “E”, outra afirmação errada. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 24. Paciente de 72 anos, tabagista crônico, foi encaminhado ao Hospital apresentando quadro de dispneia aos mínimos esforços, T 37,3º C, FR 32 rpm, FC 105 bpm, PA 90/60 mmHg, cianose central, tosse úmida produtiva com expectoração mucopurulenta, uso de musculatura acessória e tiragem supraclavicular. Assinale a alternativa correta: (A) Classificam-se os sinais vitais como hipertermia, taquipneia, taquicardia e hipotensão arterial; (B) Denomina-se cianose a coloração azulada da pele e/ ou mucosas provocada pelo aumento na quantidade absoluta de hemoglobina insaturada na rede capilar periférica. A cianose do tipo central é decorrente da vasoconstrição e pode ocorrer durante a exposição ao frio e/ou redistribuição do fluxo sanguíneo nas extremidades. (C) Dispneia é o termo usado para designar a sensação de dificuldade respiratória (falta de ar) e pode ser classificada como: aos grandes esforços (atividade física acima do habitual), aos médios esforços (atividades de rotina como tomar banho) e aos pequenos esforços (aparece ao repouso). (D) A tiragem pode ser considerada um sinal de insuficiência respiratória aguda e geralmente está presente em casos de obstrução brônquica. (E) A avaliação da secreção expectorada não pode auxiliar no diagnóstico e gravidade da doença, devendo determinar a cor, consistência, quantidade e odor da mesma. A alternativa “A” classifica como hipertermia a temperatura de 37,3 ºC, mas o termo hipertermia é para temperaturas acima de 40ºC. A alternativa “B” define a cianose periférica, e não a central como propõe. A alternativa “C” não me parece exatamente errada, apenas incompleta. A alternativa “E” é bem errada. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D Com base no caso clínico a seguir responda as questões 25 e 26. “Criança com nove meses, internada apresentando taquidispneia e hipertermia com diagnóstico de broncopneumonia, evoluindo para derrame pleural à direita apresentando tosse produtiva. Na avaliação fisioterapêutica, observou-se a seguinte história familiar: mãe tabagista na gestação; mãe relata que a criança já apresentou duas infecções pulmonares prévias; tosse: úmida e produtiva; ausculta pulmonar: Murmúrio vesicular presente, assimétrico (diminuído à direita) com roncos discretos e sibilos expiratórios abundantes em todos os campos pulmonares.” 25. Assinale a alternativa correta sobre o recurso da fisioterapia respiratória que é contraindicado para esta criança: (A) Tapotagem. (B) Vibração expiratória. (C) Estimulação costal. (D) Estimulação diafragmática. (E) Fluxo dirigido / direcionamento de fluxo. No caso clínico, o paciente apresenta taquidispnéia e sibilos expiratórios. Esses fatores, somados ao conjunto do quadro apresentado, sugerem a ocorrência de broncoespasmo. Que é uma contraindicação para a tapotagem. A tapotagem é contraindicada ou deverá ser aplicada com cautela quando o paciente apresentar ruídos sibilantes exacerbados, o que indica um estado de espasmo bronquial, sobretudo se acompanhado de dispneia, crise asmática, edema agudo do pulmão, fratura de costelas, cardiopatias graves, presença de hemoptise, metástase do pulmão ou de mediastino, em certos casos de pós-cirurgia e em menos de uma hora após as refeições. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 26. Em relação à percussão pulmonar realizada na avaliação fisioterapêutica, assinale a alternativa correta contendo o provável resultado encontrado: (A) Timpanismo à direita e som claro pulmonar à esquerda. (B) Som claro pulmonar à direita e timpanismo à esquerda. (C) Macicez à esquerda e som claro pulmonar à direita. (D) Timpanismo à direita e macicez à esquerda. (E) Macicez à direita e som claro pulmonar à esquerda. No caso clínico, consta a informação de derrame pleural à direita. Ora, se o pulmão contém líquido ocasionado pelo derrame pleural, obviamente o som estará maciço neste segmento. No lado esquerdo, apesar das alterações da ausculta pulmonar, o som é claro. O maior erro aqui é confundir som claro com normalidade da ausculta, são fatores diferentes. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 27. Preencha a lacuna e, em seguida, assinale a alternativa correta. O músculo __________ tem a função de adução da coxa na articulação do quadril e flexão da perna na articulação do joelho e com inervação em L2 e L3. (A) Grácil (B) Adutor Longo (C) Pectíneo (D) Adutor Magno (E) Adutor Curto Uma bela pegadinha. Quando pensamos em adução coxofemoral já nos vêm à mente os adutores. Mas nem só com adutores se realiza esse movimento. Falando sobre terminologia anatômica, é interessante reparar que um músculo pode receber um nome por características como o formato, a inserção ou a ação muscular. No caso dos adutores, recebem o nome da ação muscular porque essa é exclusivamente sua função. Nesse grupo muscular, apenas o pectíneo e o grácil possuem função diferente além da adução. Grácil Inserção Proximal: Sínfise púbica e ramo inferior do púbis Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso) Inervação: Nervo Obturatório (L2 – L3) Ação: Adução da coxa, flexão e rotação medial do joelho Pectíneo Inserção Proximal: Eminência ílo-pectínea, tubérculo púbico e ramo superior do púbis Inserção Distal: Linha pectínea do fêmur Inervação: Nervo Femoral (L2 – L4) Ação: Flexão do quadril e adução da coxa Adutor longo Inserção Proximal: Superfície anterior do púbis e sínfise púbica Inserção Distal: Linha áspera Inervação: Nervo Obturatório (L2 – L4) Adutor curto Inserção Proximal: Ramo inferior do púbis Inserção Distal: Linha áspera Inervação: Nervo Obturatório (L2 – L4) Ação: Adução da coxa Adutor magno Inserção Proximal: Tuberosidade isquiática, ramo do púbis e do ísquio Inserção Distal: Linha áspera e tubérculo adutório Inervação: Nervo Obturatório (L2 – L4) e Nervo Isquiático (L4 à S1) Ação: Adução da coxa Alternativa assinalada no gabarito da bancaorganizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 28. São efeitos terapêuticos dos exercícios na água, EXCETO: (A) alívio da dor ou aumento da ADM. (B) melhoria na circulação. (C) espasmos musculares e aumento da pressão arterial. (D) reeducação dos músculos paralisados. (E) manutenção e melhoria do equilíbrio, coordenação e postura. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 29. Assinale a alternativa que corresponde às indicações para o Ondas Curtas: (A) Hemorragias. (B) Tumores e condições inflamatórias agudas. (C) Implantes metálicos. (D) Miosite e artrite. (E) Marcapasso cardíaco. Entre 4 contraindicações absolutas, temos a miosite e a artrite. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 30. O movimento do fêmur é afetado na maioria das direções pela tensão passiva de dois músculos articulares. Assinale a alternativa que NÃO corresponde à amplitude passiva de movimento: (A) Flexão: 120-135º (90º se o joelho estiver estendido por causa da tensão dos isquiotibiais). (B) Abdução: 30-50º. (C) Extensão: 60-70º. (D) Adução: 10-30º. (E) Rotação externa: 45-60º. Algumas questões dão pra resolver só olhando o que as alternativas oferecem. A alternativa “C” é bem absurda. Flexão da articulação coxofemoral: Amplitude articular com o joelho fletido: 0°-125° (Marques, 2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-135° (Magee, 2002). Extensão da articulação coxofemoral: Amplitude Articular: 0°-10° (Marques, 2003); 0°-10/15° (Magee, 2002; Palmer & Epler, 2000). Adução da articulação coxofemoral: Amplitude Articular : 0°-45° (Marques, 2003; Palmer & Epler, 2000) e 0°-30/50° (Magee, 2002). Abdução da articulação coxofemoral: Amplitude Articular : 0°-15° (Marques, 2003); 0°-30° (Magee, 2002), 0°-20/30° (Palmer & Epler, 2000). Rotação interna(medial) da articulação coxofemoral: Amplitude Articular : 0°-45° (Marques, 2003); 0°-30/40° (Magee, 2002), 0°-30/45° (Palmer & Epler, 2000). Rotação externa(lateral) da articulação coxofemoral: Amplitude Articular : 0°-45° (Marques, 2003); 0°-40/60° (Magee, 2002), 0°-30/45° (Palmer & Epler, 2000). http://www2.fm.usp.br/fofito/fisio/pessoal/isabel/biomecanicaonline/articulacoes/quadril/PDF/avalquadril.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 31. Assinale a alternativa que corresponde à sequência temporal correta dos eventos na junção neuromuscular. (A) Captação de Ca2+ na terminação pré-sináptica; liberação de acetilcolina (Ach); despolarização da placa motora do músculo. (B) Potencial de ação no nervo motor; despolarização da placa motora do músculo; captação de Ca2+ na terminação nervosa pré-sináptica. (C) Liberação de Ca2+; potencial de ação no nervo motor; potencial de ação no músculo. (D) Captação de Ca2+, potencial de ação na placa motora; potencial de ação no músculo. (E) Liberação de Ach; potencial de ação na placa motora do músculo; potencial de ação no músculo. A análise da transmissão sináptica por seu componente nervoso mostra que o axônio, além do sinal elétrico, carrega todo aparato bioquímico, representado pela acetilcolina, necessário para a transmissão no terminal nervoso. A entrada de cálcio é crítica para a liberação de acetilcolina. A presença do cálcio intracelular ativa um grupo de proteínas especializadas (sinaptofisina e sinapsina I) algumas vezes diretamente e outras indiretamente, através de outras proteínas como a calmodulina. Esse processo resulta na ativação da fusão das vesículas de acetilcolina na membrana pré sináptica e a liberação de seus conteúdos na fenda sináptica. No terminal nervoso existem receptores colinérgicos nicotínicos pré-juncionais que ativam a mobilização (estocagem e liberação) de acetilcolina quando o nervo é submetido a impulsos nervosos de alta freqüência (maior que 1 hertz). Exercem um papel de “feed-back” positivo. Para acabar com as dúvidas sobre a fisiologia da junção neuromuscular, um texto completo e esclarecedor, da Profª. Drª. Maria Angela Tardelli: http://www.saerj.org.br/download/livro%202002/01_2002.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 32. Assinale a alternativa que indica a transecção completa da medula espinhal no nível de T1, que resultaria em: (A) perda temporária dos reflexos de estiramento abaixo da lesão. (B) perda temporária da propriocepção consciente abaixo da lesão. (C) perda permanente do controle voluntário dos movimentos acima da lesão. (D) perda permanente da consciência acima da lesão. (E) óbito do paciente. Auhauha, chorei de rir com essa questão… óbito do paciente? Perda da consciência acima da lesão? Tem comediante na AOCP, só pode. Como seria uma pessoa inconsciente de T1 para cima e consciente de T1 para baixo? Frank, are you? Das opções que temos, a única que resta é a alternativa “A”. Já tem aqui no blog um post sobre dermátomos e miótomos, que aliás é o campeão absoluto de acessos: http://questoesdefisiocomentadas.wordpress.com/2014/03/10/vunesp-sao-paulosp-2002-questao-32/ Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 33. Quais músculos se contraem ativamente durante uma expiração forçada? (A) Esternocleidomastoideos. (B) Diafragma. (C) Escalenos. (D) Intercostais internos. (E) Músculos abdominais. Fácil demais. Realize você mesmo a expiração forçada e repare qual musculatura contrai. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 34. Assinale a alternativa que indica o valor do débito cardíaco de acordo com as seguintes aferições que foram obtidas em um homem: I. Pressão venosa central: 10 mmHg II. Frequência cardíaca: 70 bpm III. [O2] da veia pulmonar: 0,24 ml O2/ml IV. [O2] da artéria pulmonar: 0,16 ml O2/ml V. Consumo de O2 corporal total: 500 ml/min (A) 1,65 l/min. (B) 4,55 l/min. (C) 5,00 l/min. (D) 6,25 l/min. (E) 8,00 l/min Inicialmente devemos recordar como se calcula o débito cardíaco: DC = VS x FC Traduzindo, o débito cardíaco é o resultado da multiplicação do volume sistólico pela frequência cardíaca. Simplificando ainda mais, débito cardíaco é o volume que o coração ejeta em um minuto. Ele pode ser calculado multiplicando-se o número de batimentos pela quantidade de sangue ejetada em cada batimento(sístole). Nas informações acima, já temos o valor da frequência cardíaca, que é 70 bpm. Nossa fórmula ficaria assim: DC = VS x 70 Pois é, #SQÑ! (Olha eu usando hashtags de novo… #issovicia.) Precisamos achar o volume sistólico. E como se faz isso? Não sei. Mas como eu faço essa conta então!? Pois é, já resolveram isso pra gente há mais de 100 anos. O médico alemão Adolf Eugene Fick, apresentou ao mundo em 1855 sua teoria para a difusão do gás através de uma membrana líquida. É a lei de Fick, que envolve: – O consumo de oxigênio por minuto (VO2) , usando um espirômetro (com o indivíduo respirando ar) e absorção de CO2. – O conteúdo de oxigênio do sangue retirado da artéria pulmonar (representando o sangue venoso). – O conteúdo de oxigênio do sangue colhido de uma cânula em uma artéria periférica (representando o sangue arterial). A partir destes valores, sabe-se que: VO² = (CO x CA) – (CO x CV) onde CO = Débito Cardíaco (Cardiac Output), CA = Concentração de Oxigênio no sangue arterial e CV = Concentração de Oxigênio no sangue venoso. Isto nos permite dizer que DC = VO²/(Ca-Cv), e desta maneira calcular o débito cardíaco. Na realidade, este método é raramente usado em nossos dias, devido à dificuldade de coleta e de análise das concentrações gasosas. Nossa conta, então, fica assim: Sendo, DC = VO²(500ml/min)/(Ca(0,16)-Cv(0,24)) DC = 500/(-)8 = 62,5. Lembrando que: II. Frequência cardíaca: 70 bpm III. [O2] da veia pulmonar: 0,24 ml O2/ml IV. [O2] da artéria pulmonar: 0,16 ml O2/ml V. Consumo de O2 corporaltotal: 500 ml/min Para quem quiser ler mais: http://ilucas.com.br/?tag=equacao-de-fick Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 35. Durante a inspiração: (A) a pressão intrapleural é positiva. (B) o volume nos pulmões é menor do que a capacidade residual funcional. (C) a pressão alveolar é igual do que a pressão atmosférica. (D) a pressão alveolar é maior do que a pressão atmosférica. (E) a pressão intrapleural é mais negativa do que durante a expiração. Aqui dá para deduzir a resposta, mas temos que saber o que é pressão intrapleural e qual a relação da pressão atmosférica com a pressão alveolar. Pressão intrapleural: é a pressão existente entre a pleura parietal e visceral, é sempre negativa, pois existe uma drenagem constante do líquido intersticial pelos ductos linfáticos, sendo no repouso – 5cm H2O. -Durante a expansão do pulmão a pressão intrapleural fica mais intensa e negativa, cerca de –7cm H2O (inspiração). - Durante a expiração a pressão intrapleural, aumenta para – 3cm H2O, esta pressão é sempre negativa nunca positiva. Pressão alveolar: é a pressão interna do pulmão, no momento de repouso, ou seja, não se inspira nem expira a pressão alveolar é de 0cm H2O (sendo na realidade a pressão atmosférica). - Durante a inspiração a caixa torácica se expande por causa da musculatura, o que expande também o pulmão, de acordo com as leis da física quando o volume de gás sofre um aumento súbito sua pressão diminui assim durante a inspiração a pressão alveolar cai para cerca de –1cm H2O. - Durante a expiração ocorre o oposto do descrito acima e a pressão aumenta para cerca de 1cm H2). Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 36. Em uma expiração máxima, o que indicaria o volume total expirado? (A) O volume corrente. (B) O volume residual. (C) O volume de reserva expiratório. (D) A capacidade vital. (E) A capacidade inspiratória. Essa questão foi anulada. Aqui é realmente complicado de se responder. As alternativas não passam nem perto de mensurar o volume expirado. Só para não perder o gancho da questão, um texto do jornal de pneumologia sobre volumes pulmonares. http://jornaldepneumologia.com.br/PDF/Suple_135_45_22%20volumes%20pulmonares.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: Anulada Alternativa que indico após analisar: Nenhuma 37. Os objetivos da fisioterapia preventiva aplicada a pacientes amputados são, EXCETO: (A) prevenir complicações pós-cirúrgicas. (B) prevenir deformidades. (C) diminuir a força dos músculos que controlam o coto. (D) diminuir o edema do coto. (E) melhorar o equilíbrio e as transferências. Aqui pode acontecer de se associar o disposto na alternativa “C” – diminuir a força dos músculos que controlam o coto, com prevenir as famosas contraturas em flexão, principalmente de coxofemoral. Mas não são sinônimos, é preciso cuidado e dar a devida atenção à interpretação do enunciado e das alternativas. Sim, isso mesmo, interpretar de forma precisa a informação, o que não é o mesmo que levar as afirmações ao pé da letra. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 38. Se a frequência cardíaca aumentar, em que fase do ciclo cardíaco ela diminui? (A) na sístole atrial. (B) na contração ventricular isovolumétrica. (C) na ejeção ventricular rápida. (D) na ejeção ventricular reduzida. (E) no enchimento ventricular reduzido. As alternativas de “A” a “D” descrevem fases do ciclo cardíaco normal Se o volume que chega ao coração for aumentado, a frequência de contração também será maior, para poder fazer esse volume desembocar na circulação novamente. Então, a única forma de se diminuir a frequência cardíaca, é com a menor demanda, ou seja, com a diminuição do volume, o que na alternativa “E” é descrito como “enchimento ventricular reduzido”. Vale pena revisar o conteúdo de anatomia e, principalmente, fisiologia do coração. http://www2.ucg.br/cbb/professores/40/Biomedicina/Fisiologia/O%20coracao%20como%20uma%20bomba.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 39. Extremidades corporais com aspecto cilíndrico associadas ao deslocamento da articulação do quadril, importantes contraturas e articulações rígidas em crianças com a presença de sensibilidade intacta são características de: (A) Amiotrofia Espinhal do Tipo I. (B) Acondroplasia Congenita. (C) Artrogripose Multipla Congenita. (D) Disrafismo espinhal. A Artrogripose Múltipla Congênita (AMC) é uma síndrome caracterizada por contraturas de várias articulações e rigidez de tecidos moles presentes desde o nascimento e de caráter estacionário. Pode ser caracterizada por alterações de pele, tecido subcutâneo inelástico e aderido, ausência de pregas cutâneas, hipotrofia muscular, sendo substituído por tecido fibrogorduroso, deformidades articulares, espessamento e rigidez de estruturas periarticulares, com preservação da sensibilidade. A luxação do quadril tem grande incidência nesses pacientes (80% dos casos). Dentre as causas podemos citar a própria escoliose, por gerar um desalinhamento da pelve e apresentação pélvica ao nascimento. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 40. Os movimentos que podem ser observados em articulações distais nas crianças com mielomeningocele em nível torácico: I. São movimentos reflexos residuais provenientes dos arcos reflexos locais, não controlados por funções corticais. II. São movimentos controlados por funções corticais não interrompidos pela lesão medular. III. Por sua natureza involuntária, podem representar uma forca articular deformadora. IV. Representam um movimento funcional e útil para recuperação funcional da criança. V. Por serem um movimento reflexo poucas vezes tem valor para recuperação funcional. Estão corretas as afirmativas (A) I, III e IV. (B) II, III e V. (C) II, IV e V. (D) I, III e V. Levando-se em consideração que a mielomeningocele manifesta-se na grande maioria dos casos a nível da região lombossacra (L5-S1), os sintomas mais relatados na literatura, segundo Shepherd (1998), são: -Paralisia flácida; -Diminuição da força muscular; -Atrofia muscular; -Diminuição ou abolição dos reflexos tendíneos; -Diminuição ou abolição da sensibilidade exterioceptiva e proprioceptiva; -Incontinência dos esfíncteres de reto e bexiga; -Deformidades de origem paralíticas e congênitas e; -Hidrocefalia (acomete 100% das crianças com mielomeningocele torácica; 90% das lombotorácicas; 78% das lombares; 60% das lombossacras e 50% das sacrais, segundo Diament, 1996). Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 41. No desvio postural de hiperextensão da coluna cervical, qual(is) músculo(s) se encontra(m) em posição alongada? (A) Extensores da coluna torácica. (B) Trapézio médio e inferior. (C) Flexores da coluna cervical. (D) Trapézio médio. (E) Trapézio inferior. É só visualizar a anatomia desses músculos, que dá para perceber que o trapézio e os extensores estariam contraídos na hiperextensão da cervical. Os flexores são os antagonistas deste movimento, permanecendo alongados. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 42. Assinale a alternativa correta que corresponde ao principal músculo, na flexão, abdução e rotação externa da coxa com o joelho flexionado: (A) Sartório. (B) Vasto medial. (C) Vasto lateral. (D) Glúteo médio. (E) Tensor da fáscia lata. Aqui, o enunciado quer saber qual músculo é o agonista principal da articulação coxofemoral, na flexão, abdução e rotação externa, estando o joelho em flexão. O principal flexor dessa articulação é o iliopsoas, mas com o joelho em flexão, creio que o psoas aja mais como um sinergista e estabilizador, ficandoa cargo do sartório executar as funções relacionadas no enunciado. Sartório Inserção Proximal: Espinha ilíaca ântero-superior Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso) Inervação: Nervo Femoral (L2 – L3) Ação: Flexão, abdução e rotação lateral da coxa e flexão e rotação medial do joelho. Quadríceps femoral Reto Anterior: Espinha ilíaca ântero-inferior Vasto Lateral: Trocânter maior, linha áspera, linha intertrocantérica e tuberosidade glútea Vasto Medial: Linha áspera e linha intertrocantérica Vasto Intermédio: 2/3 proximais da face anterior e lateral do fêmur e ½ distal da linha áspera Inserção Distal: Patela e, através do ligamento patelar, na tuberosidade anterior da tíbia Inervação: Nervo Femoral (L2 – L4) Ação: Extensão do joelho e o reto femoral realiza flexão do quadril. O vasto medial realiza rotação medial e o vasto lateral, rotação lateral Glúteo médio Inserção Superior: Face externa do íleo entre a crista ilíaca, linha glútea posterior e anterior Inserção Inferior: Trocânter maior Inervação: Nervo Glúteo Superior (L4 – S1) Ação: Abdução e rotação medial da coxa Tensor da fáscia lata Inserção Proximal: Crista ilíaca e EIAS Inserção Distal: Trato íleo-tibial Inervação: Nervo do Glúteo Superior (L4 – S1) Ação: Flexão, abdução e rotação medial do quadril e rotação lateral do joelho Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 43. Assinale a alternativa que corresponde corretamente com o par de nervos cranianos relacionado principalmente com a sensibilidade da face e com os músculos da mastigação: (A) Vago. (B) Troclear. (C) Óptico. (D) Facial. (E) Trigêmio. O nervo facial é responsável pela motricidade da musculatura da face. Sensibilidade é com o trigêmio. O nervo trigêmeo é um nervo misto, sendo o componente sensitivo consideravelmente maior. Possui uma raiz sensitiva e uma motora. A raiz sensitiva é formada pelos prolongamentos centrais dos neurônios sensitivos, situados no gânglio trigemial, que se localiza no cavo trigeminal, sobre a parte petrosa do osso temporal. Os prolongamentos periféricos dos neurônios sensitivos do gânglio trigeminal formam, distalmente ao gânglio, os três ramos do nervo trigêmeo: nervo oftálmico, nervo maxilar e nervo mandibular, responsáveis pela sensibilidade somática geral de grande parte da cabeça, através de fibras que se classificam como aferentes somáticas gerais. A raiz motora do trigêmeo é constituída de fibras que acompanham o nervo mandibular, distribuindo-se aos músculos mastigatórios. O problema médico mais frequentemente observado em relação ao trigêmeo é a nevralgia, que se manifesta por crises dolorosas muito intensas no território de um dos ramos do nervo. O nervo facial é também um nervo misto, apresentando uma raiz motora e outra sensorial gustatória. Ele emerge do sulco bulbo-pontino através de uma raiz motora, o nervo facial propriamente dito, e uma raiz sensitiva e visceral, o nervo intermédio. Juntamente com o nervo vestíbulo-coclear, os dois componentes do nervo facial penetram no meato acústico interno, no interior do qual o nervo intermédio perde a sua individualidade, formando-se assim, um tronco nervoso único que penetra no canal facial. A raiz motora é representada pelo nervo facial propriamente dito, enquanto a sensorial recebe o nome de nervo intermédio. Ambos têm origem aparente no sulco pontino inferior e se dirigem paralelamente ao meato acústico interno onde penetram juntamente com o nervo vestibulococlear. No interior do meato acústico interno, os dois nervos (facial e intermédio) penetram num canal próprio escavado na parte petrosa do osso temporal, que é o canal facial. As fibras motoras atravessam a glândula parótida atingindo a face, onde dão dois ramos iniciais: o temporo facial e cérvico facial, os quais se ramificam em leque para inervar todos os músculos cutâneos da cabeça e do pescoço. Algumas fibras motoras vão ao músculo estilo-hióideo e ao ventre posterior do digástrico. As fibras sensoriais (gustatórias) seguem um ramo do nervo facial que é a corda do tímpano, que vai se juntar ao nervo lingual (ramo mandibular, terceiro ramo do trigêmeo), tomando-se como vetor para distribuir-se nos dois terços anteriores da língua. O nervo facial apresenta ainda fibras vegetativas (parassimpáticas) que se utilizam do nervo intermédio e depois seguem pelo nervo petroso maior ou pela corda do tímpano (ambos ramos do nervo facial) para inervar as glândulas lacrimais, nasais e salivares (glândula sublingual e submandibular). Em síntese, o nervo facial dá inervação motora para todos os músculos cutâneos da cabeça e pescoço (músculo estilo-hióideo e ventre posterior do digástrico). Fonte: http://www.auladeanatomia.com/neurologia/nervoscranianos.htm Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 44. Preencha a lacuna e assinale a alternativa correta. _______________ é uma doença genética de caráter recessivo causado por um gene defeituoso localizado no cromossomo X, o qual leva ao enfraquecimento progressivo da musculatura esquelética: (A) Distrofia Muscular do tipo Duchenne (B) Doença de Parkinson (C) Doença de Huntington (D) Acidente Vascular Cerebral (E) Esclerose Lateral Amiotrófica A distrofia muscular de Duchenne não está completamente caracterizada no enunciado, mas por eliminação podemos chegar facilmente a ela. Parkinson e AVE, podemos eliminar facilmente. Das demais, ELA é caracterizada por degeneração dos neurônios motores e a doença de Huntington é autossômica dominante. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 45. Assinale a alternativa que apresenta o equipamento fisioterapêutico cujo efeito terapêutico específico é facilitar a remoção da secreção pulmonar: (A) RPPI. (B) Flutter. (C) EPAP. (D) Espiromêtro de incentivo a volume. (E) Espiromêtro de incentivo a fluxo. O Flutter foi desenvolvido na Suíça e é um dispositivo de limpeza de secreções. Tem a forma de um tubo em que numa extremidade apresenta um bocal de plástico e, na extremidade oposta, uma cobertura plástica protetora perfurada; no seu interior apresenta um cone de plástico onde se encontra uma esfera de aço de alta densidade (Aptalispharma, 2003). Este aparelho tem capacidade de: – Produzir vibrações com o movimento da esfera que se propagam às vias respiratórias (permite soltar as secreções das paredes das vias aéreas); - Aumentar de forma intermitente a pressão endobrônquica (que ajuda a manter a permeabilidade das vias aéreas durante a expiração, permitindo a constante drenagem do muco); - Acelerar o fluxo de ar expiratório (que facilita o movimento ascendente do muco pelas vias aéreas de modo a que possa ser mais facilmente liberto) (Aptalispharma, 2003). Os efeitos do Flutter ocorrem durante a fase expiratória, em que a posição da bola é o resultado do equilíbrio entre a pressão de ar expirado, a força da gravidade exercida na bola e o ângulo do cone. A bola oscila no cone criando um ciclo de abertura e fechamento que altera a quantidade de pressão e de fluxo expiratório (Aptalispharma, 2003). Quando a frequência de oscilação se aproxima da frequência de ressonância do sistema pulmonar esta produz oscilações da pressão endobrônquica resultando na vibração das vias aéreas, o que irá facilitar o deslocamento do muco e o aumento intermitente da pressão nas vias aéreas. Isto vai impedir o encerramento precoce e a retenção de secreções nas vias aéreas e promover ainda um aumento do fluxo expiratório que facilita a progressão das secreções. (Frownfelter & Dean 1996; Hough 1996; Webber & Pryor 1998 citado por Abreu & Lopes, 2004). Uma vez que este dispositivo providencia terapia PEP (Positive Expiratory Pressure) é indicado para pacientes que apresentem asma produtiva, bronquite, fibrose cística, atelectasia, ou outra condição em que haja retenção de secreções. A terapia PEP juntamentecom técnica expiratória forçada, ou “huffing” ou tosse, podem ser usadas para limpeza das vias aéreas, higiene brônquica. Esta terapia vai ajudar a prevenir a acúmulo de secreções, melhorar a mobilização de secreções, melhorar a função vias aéreas centrais e periféricas, entre outros (Aptalispharma, 2003). Contraindicado em pacientes com Pneumotórax e Insuficiência Cardíaca Direita. (Abreu & Lopes, 2004). Fonte: http://www.fisiotic.org/essawiki/index.php?title=Flutter Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 46. Assinale a alternativa que corresponde corretamente à sequência do trato respiratório inferior: (A) Boca, cavidade nasal, brônquios e bronquíolos. (B) Faringe, laringe, traqueia e alvéolos. (C) Boca, cavidade nasal, faringe e laringe. (D) Traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos. (E) Cavidade nasal, faringe, laringe e alvéolos. O trato respiratório superior ou vias aéreas superiores refere-se principalmente às estruturas que compõem o sistema respiratório e que estão fora do tórax ou acima do ângulo esternal. O trato respiratório superior é composto pelas seguintes estruturas: cavidade nasal (seios nasais); cavidade oral; laringe e faringe, dividida em: nasofaringe orofaringe laringofaringe Esses componentes têm a função de filtrar, aquecer e umidificar o ar, protegendo a superfícies do trato respiratório inferior. Fazem parte das chamadas vias aéreas inferiores, ou trato respiratório inferior: traqueia, pulmões, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. Ei pexe, videozinho para ilustrar mérmão: Pra quem achou muito básico, divirta-se com a anatomia e a fisiologia da respiração: Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 47. A estrutura denominada “pata de ganso” é composta pelos tendões dos seguintes músculos: (A) sartório, grácil e vastomedial. (B) sartório, grácil e semimembranoso. (C) sartório, grácil e semitendinoso. (D) semitendinoso, semimembranoso e grácil. (E) semitendinoso, semimembranoso e vastomedial. Esse nome ainda é um mistério para mim. Deve ter algo a ver com o desenho que a estrutura dos tendões faz quando se observa sem a pele, numa dissecação, porque sobre a pele esses tendões não lembram em nada a pata de um ganso. Grácil Inserção Proximal: Sínfise púbica e ramo inferior do púbis Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso) Inervação: Nervo Obturatório (L2 – L3) Ação: Adução da coxa, flexão e rotação medial do joelho Semitendíneo Inserção Proximal: Tuberosidade isquiática Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso) Inervação: Nervo Isquiático (L5 – S2) Ação: Extensão do quadril, flexão e rotação medial do joelho Sartório Inserção Proximal: Espinha ilíaca ântero-superior Inserção Distal: Superfície medial da tuberosidade da tíbia (pata de ganso) Inervação: Nervo Femoral (L2 – L3) Ação: Flexão, abdução e rotação lateral da coxa e flexão e rotação medial do joelho Essa questão é bem comum, devemos ter essas matérias decoradas. Para facilitar, lembrem que temos dois joelhos, então lembrem de GanSoS. Facilita, né!? Para estudar um pouco, um link rápido: http://movite.com.br/uploads/artigos/3_21052013142725.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar:C 48. O reflexo de Babinski anormal indica lesão na: (A) medula espinhal. (B) tronco cerebral. (C) cerebelo. (D) gânglios basais. (E) Piramide De cara dá para eliminar as alternativas “A”, “C” e “D”. Esse reflexo, repare que nem sempre é anormal, principalmente em crianças até 2 anos, é classicamente definido como lesão do 1º neurônio superior, e sinal de liberação piramidal. O médico francês Joseph François Félix Babinski (1857-1932), filho de um diplomata francês servindo em Lima, Peru, e de mãe polonesa, descreveu em 1903 a extensão do hálux (dedão do pé) e a abertura em leque dos dedos em decorrência de um estímulo na planta do pé. O mundo inicialmente não deu muita importância a essa descrição. É curioso registrar que, antes de Babinski, Remak e Strompel já haviam feito referências a esse movimento de abdução e extensão digital, mas não o correlacionaram com qualquer significado. Uma resposta a estímulo semelhante à obtida por Babinski foi percebida também por Oppenheim e por Gordon, o primeiro por meio de percussão da face medial da tíbia (o maior osso da perna) e o segundo por pinçamento do tendão calcâneo (“tendão de Aquiles”). Para que ocorra o sinal de Babinski, faz-se necessário que a lesão na medula situe-se acima do segmento lombar 1 (L1), ou seja, a montante do local onde se originam as fibras nervosas do plexo lombossacral. Nas crianças com mais de dois anos e nos adultos, o reflexo normal observado é a flexão plantar, tanto do hálux quanto dos demais dedos do pé. O trato córtico-espinhal lateral da medula tem ação inibitória do reflexo primitivo cutâneo plantar em extensão. As crianças menores de dois anos, por não terem ainda o sistema nervoso completamente mielinizado, apresentam o reflexo cutâneo plantar em extensão como padrão normal. Dessa forma, o sinal de Babinski não pode ser considerado patológico em crianças nessa faixa etária. O sinal de Babinski é, indiscutivelmente, o reflexo superficial mais importante no campo da neurologia. De cada lado da fissura mediana anterior do bulbo existe uma eminência denominada pirâmide, formada por um feixe compacto de fibras nervosas descendentes que ligam as áreas motoras do cérebro aos neurônios motores da medula. Este trato é chamado de trato piramidal ou trato córtico-espinhal. Na parte caudal do bulbo, as fibras deste trato cruzam obliquamente o plano mediano e constituem a decussação das pirâmides. É devido à decussação das pirâmides que o hemisfério cerebral direito controla o lado esquerdo do corpo e o hemisfério cerebral esquerdo controla o lado direito. Para saber mais: http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=7&materia_id=500&materiaver=1 http://gerardocristino.com.br/novosite/aulas/Neuroanatomia/Casos/C2_Sd_Alterna.pdf http://www.auladeanatomia.com/neurologia/troncoencefalico.htm Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 49. Uma das principais causas de edema é: (A) necrose tissular. (B) obstrução do fluxo linfático. (C) elevação na pressão osmótica. (D) redução da pressão nas vênulas. (E) diminuição da permeabilidade capilar. Existem 4 mecanismos para formação do edema: 1) Aumento da permeabilidade dos vasos: Quando ocorre uma inflamação por exemplo, os vasos sanguíneos ficam mais permeáveis para facilitar a chegada das células de defesa ao local da infecção ou trauma. Com o alargamento dos poros, há um maior extravasamento de líquidos para o interstício. (ex. grandes queimaduras, inflamação, reação alérgica, etc); 2) Aumento da pressão Hidrostática e/ou retenção de sódio: aumento da pressão que o volume de líquido dentro do vaso faz sobre a parede do próprio devido a algum tipo de obstrução, mesmo que parcial, ao fluxo sanguíneo venoso. (ex. insuficiência venosa, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, trombose venosa, etc); 3) Diminuição da pressão oncótica: diminuição da viscosidade sanguínea dada principalmente pela concentração de proteínas no sangue. Enquanto que o aumento da pressão dentro das veias favorece o extravasamento de líquidos, a pressão oncótica faz o trabalho inverso. (ex. cirrose e doenças hepáticas, síndrome nefrótica, etc). Pressão oncótica é a pressão osmótica gerada pelas proteínas no plasma sanguíneo. No plasma sanguíneo, os componentes dissolvidos possuem uma pressão osmótica. A diferença entre a pressão osmótica exercida pelas proteínas plasmáticas (pressão osmótica coloidal) no plasma sanguíneo e a pressão exercida pelas proteínas fluidas no tecido é chamada de pressão oncótica. A pressão osmótica é a passagem de um líquido atravésde uma membrana semi-permeável, do lado mais diluído em direção ao lado mais concentrado. Quando existem proteínas que contribuem para formação da pressão osmótica, esta é denominada pressão coloidosmótica (porque é gerada por coloides) ou pressão oncótica. 4) Linfedema: De origem linfática, ocorre por obstrução dos vasos linfáticos. (ex. Elefantíase, obesidade, câncer, etc); Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 50. A Lei número 8.856, de 1° de março de 1994, estabeleceu que a jornada de trabalho do Fisioterapeuta é de, no máximo: (A) 20 horas semanais. (B) 30 horas semanais. (C) 40 horas semanais. (D) 48 horas semanais. (E) 50 horas semanais. Essa todo mundo sabe, é 30 horas. http://www.coffito.org.br/publicacoes/pub_view.asp?cod=510&psecao=5 O pior de tudo dessa lei é que em muitos lugares os fisioterapeutas acabam recebendo menos que outras profissões de mesmo nível, que trabalham 40 horas semanais. Não deveria acontecer, mas acontece muito. E a maioria dos fisioterapeutas que trabalha em órgão público acaba tendo mais ocupações e não é muito bem visto para ocupar cargos administrativos, porque as secretarias de saúde têm profissionais que podem trabalhar 40 horas e o fisioterapeuta só pode, por força de lei, 30 horas. Essa lei, a meu ver, mais prejudicou a categoria que outra coisa. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 51. No interior do túnel de Guyon, encontram-se respectivamente a seguinte artéria e o seguinte nervo: (A) radial / radial (B) ulnar / radial (C) ulnar / mediano (D) ulnar / ulnar (E) radial / mediano O canal de Guyon é um túnel osteo-fibroso limitado pelo hamato e pisiforme. O teto é o ligamento transverso do carpo. Passam pelo canal a artéria e o nervo ulnar. O canal de Guyon fica localizado parte proximal do punho. Na síndrome do canal de Guyon, ocorre a compressão do nervo ulnar, devido a qualquer estreitamento de espaço ocupado pelo nervo, podendo ser relacionadas ao tipo de trabalho do indivíduo como pode ser também congênito. Os sintomas são de dor parestesias, fraqueza, intolerância ao calor, impotência funcional, garra ulnar, hipotrofia dos músculos interósseos e lumbricais. O osso hamato tem uma protuberância em forma de anzol que pode se romper, e pressionar o nervo ulnar dentro do canal de Guyon. Viajando junto com os nervos encontramos as grandes artérias que nutrem o braço. A maior delas é a artéria radial, aonde verificamos o pulso arterial. A artéria ulnar corre junto com o nervo ulnar. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 52. A motricidade involuntária está ligada em uma das vias descritas a seguir. Assinale a alternativa correta: (A) Piramidal. (B) Extrapiramidal. (C) Espinotalâmicas. (D) Espinocorticais anteriores. (E) Espinocorticais posteriores. A movimentação de todo ou de parte do corpo pode ocorrer pela ação direta de nossa vontade. Nesse caso trata-se de uma motricidade voluntária. Na ocorrência de uma crise convulsiva, os movimentos não ocorrem por minha vontade; trata-se então de uma movimentação involuntária, ou melhor, de motricidade involuntária. Também consigo andar de bicicleta ou dirigir um carro, conversando sobre um assunto que nada tem a ver com aquilo que faço, isto é, não estou me dando conta de que pedalo ou que dirijo o carro. Faço-o automaticamente. É a motricidade automática. Ordeno a um paciente que relaxe. Mudo então a posição de um de seus membros, que ficará na nova posição. Significa isso que, passivamente, ele admitiu o movimento e acabou por fixar o membro deslocado para nova posição. Estamos, então, diante da motricidade passiva(dependente do tônus muscular). Estudemos melhor estes aspectos. Quando executamos um movimento – motricidade voluntária – , a ordem parte da córtex cerebral, área motora e, através dos cilindro-eixos das células nervosas, cruza no bulbo e chega às pontas anteriores da medula. Daí, via nervos periféricos, atinge os músculos próprios onde se efetua a contração. Esta via que preside os movimentos regidos pela nossa vontade é uma via superior, pois ela governa movimentos precisos, discretos, também chamados fásicos e compreende a denominada via motora direta ou via piramidal. Mas, se ando sem me dar conta do que faço, ou se ao andar balanço os braços sem perceber, automaticamente, estaremos diante da motricidade automática. Para essa movimentação, a via não é mais a piramidal, embora as incitações nervosas também acabem nas pontas anteriores da medula e levados pelos neurônios motores periféricos atinjam os músculos. Esta forma de funcionamento ocorre, também, com a motricidade estática. Os centros e vias nervosas, cujas incitações não dependem de nossa vontade constituem-se na chamada via motora indireta ou via extra-piramidal. Concluindo: Via piramidal: – sob nossa vontade. Via extra-piramidal:- fora de nossa vontade. O sistema piramidal, ligado a motricidade voluntária contém, refreia, inibe a ação das motricidades automática e reflexa. Entendamos melhor. Na medida em que a criança se desenvolve, percebe-se que pouco a pouco, ela vai realizando movimentos mais precisos, de sorte que um sistema vai sobrepujando o outro e assim, se antes a criança se desequilibrava, passa a andar bem e finalmente, andará de bicicleta e chegará a automatizar seu deslocamento com esse veículo. O caminho inverso ocorre no acometimento do sistema piramidal por uma patologia qualquer quando então libertam-se os sistemas que lhe são subjacentes, assunto para o qual retornaremos posteriormente. Desse modo, no acidente vascular encefálico por exemplo, o paciente, com o tempo, adquire a espasticidade muscular, a hipertonia, o exagero de reflexos e os sinais que aparecem como consequência da lesão do piramidal são chamado sinais neurológicos de liberação. Na ocorrência de um acidente vascular encefálico o paciente vai mostrar que tem seus movimentos limitados, exatamente porque seu sistema piramidal foi lesado. A tais limitações mostradas pelo paciente chamamos sintomas de déficit. O estudo da via motora voluntária (piramidal) mostra que as fibras descem desde as células corticais de Betz, cruzam pelas pirâmides bulbares e atingem os núcleos das pontas anteriores da medula. A lesão do sistema piramidal acarreta: 1) Sintomas neurológicos de déficit; 2) Sintomas neurológicos de liberação. Quais são esses sintomas? Veja o quadro abaixo; 1) Sintomas de déficit a. Atitude de Wernick-Mann b. Diminuição ou perda, transitória ou permanente, dos reflexos superficiais (abdominais, por exemplo) c. Hiperextensibilidade muscular d. Atrofia por desuso 2) Sintomas de liberação a. Sinal de Babinski b. Hipertonia c. Exaltação de reflexos d. Movimentos associados anormais (sincinesias) Para ler mais: http://fabioagertt.files.wordpress.com/2010/09/5-sistema-piramidal-e-extrapiramidal.pdf http://www.scorpnet.com.br/livro/fundamentosdeclinicaneurologica.pdf http://www.fmh.utl.pt/anatomo/Slides&Notas08/GD_B1_Aula3.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 53. Quanto maior a curvatura lateral da coluna, maior a probabilidade do paciente apresentar sintomas pulmonares. Intervenções para escoliose idiopática podem ser classificadas como não cirúrgico, caso o ângulo mensurado pelo método de Cobb esteja em um grau: A) maior que 50°. B) maior que 40°. C) menor que 40°. D) entre 50° e 60°. E) entre 45° e 55°. Questão simples. Só para acrescentar, reparem o quanto as alternativas “D” e “E” limitam as opções. Quando se diz que é não cirúrgico entre digamos 45º a 60º, isso significa que é cirúrgico qualquer angulação acima e abaixo. Isso é obviamente incorreto. A cirurgia para a escoliose idiopática começa a ser recomendada quando as curvas são maiores do que 40 a 45 graus e continuam a progredir, e para a maioria dos pacientescom curvas maiores que 50 graus. Essa avaliação sempre deve ser feita em conjunto com o exame físico do paciente e deve ser avaliada criteriosamente caso a caso. O objetivo da cirurgia da escoliose é reduzir a curva e evitar a progressão da deformidade. Curvaturas graves (maior que 50 graus) são mais propensas a progredir na vida adulta. Quando uma curva progride para 70-90 graus, ela não só determina uma deformidade muito ruim, mas muitas vezes pode resultar em comprometimento cardiopulmonar, por diminuir o espaço disponível para os pulmões e o coração. Normalmente, cerca de 50% ou mais de correção pode ser obtido com a cirurgia utilizando sistemas de instrumentação (materiais cirúrgicos) modernos. Esses materiais utilizados são compostos por parafusos, ganchos e hastes metálicas com o objetivo de manter a coluna alinhada. Uma vez que ocorre a fusão óssea após a cirurgia, a coluna vertebral não se move naquele segmento e a curva pára de progredir. Geralmente não é necessária a remoção dessas hastes e parafusos. A cirurgia é realizada na região posterior da coluna (parte de trás das costas) e em alguns casos especiais e raros de curvas rígidas, pode ser associada uma cirurgia pela frente. Curvas que estabilizaram abaixo dos 30º são, na sua grande maioria, estáveis. Nestes casos geralmente não é necessário fazer qualquer terapia específica, apenas um esporte praticado com regularidade. Apenas por precaução recomenda-se verificações a cada 5 -10 anos se a curva for superior a 20°, uma vez que, curvas muito pequenas podem evoluir ainda que muito raramente. Quando a escoliose é mais importante (mais de 30°, mas inferior a 50°), devemos considerar que a escoliose esteja estável até que se prove o contrário, por isso é necessário fazer uma projeção, com o propósito do orçamento, de verificações periódicas regularmente (a cada 12, e máximo de 24 meses), com um especialista em escoliose que tomará medidas para monitorar a situação, os raios-x pode ser feitos a cada 5 anos ou mais e o controle é igualmente eficaz. Se os controles documentarem um agravamento, podem ser úteis para definir um plano de exercícios específicos desenvolvidos por profissionais especialistas e experientes e por isso conhecedores para que seja possível manter a situação estável. A deterioração se ocorre, é muito lenta, meio grau ou um grau por ano, e, usualmente em mulheres são mais comuns na menopausa. Outro período crítico pode ser gravidez, durante o qual exercícios específicos, nestes casos, sempre recomendados. Na escoliose grave (acima de 50°), se for decidido não fazer cirurgia, deve-se definir planos de exercícios fisioterapêuticos específicos para executar de forma consistente já que o risco de evolução é concreto na idade adulta. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 54. Analise os diagnósticos a seguir: 1. Jovem com Guillain-Barré em fase hospitalar – enfermaria. 2. Idoso com mononeuropatia do nervo sural e marcapasso cardíaco. 3. Jovem com traumatismo cranioencefálico com quadro de espasticidade. 4. Mulher com 10 semanas de gestação e lombalgia aguda. 5. Adulto hipertenso grave controlado sob medicação. 6. Mulher com linfedema em membro inferior pós-cirurgia vascular. Em quais pacientes seria contraindicado o uso da Estimulação Elétrica Funcional (FES)? A) 2 e 4. B) 1, 2 e 6. C) 1, 3 e 5. D) 2, 4 e 5. E) 2, 5 e 6. Eles mesclaram contraindicações absolutas com atenuantes da patologia, como o 5 – hipertensão grave controlada, o que por si só não o libera de ser uma contraindicação! Esse é o tipo de pegadinha que eu gosto. Já no caso da 1- guillain-Barrré em fase hospitalar, seria uma contraindicação se estivesse em fase inicial. A 6- PO de cirurgia vascular, bem, em alguns casos peço a liberação do médico para realizar cinesioterapia, mas para FES não creio que haja problema. Conhecida pela sigla FES (Functional Electrical Stimulation), a estimulação elétrica funcional é uma forma de tratamento que utiliza a corrente elétrica de baixa frequência para provocar a contração de músculos paralisados ou enfraquecidos decorrentes de lesão do neurônio motor superior, como derrames, traumas raquimedulares ou crânios encefálicos, paralisia cerebral, dentre outros. Contraindicações: Não Aplicar em Dores Não Diagnosticadas: pode motivar uma atividade física mais vigorosa antes que uma lesão esteja recuperada ou mascarar uma doença grave. Dispositivo Eletrônico Implantado: recomenda-se que um paciente com um dispositivo eletrônico implantado (por exemplo, um marca-passo cardíaco) não seja submetido à estimulação, a menos que uma opinião medica especializada tenha sido anterior-mente obtida. Pacientes Cardíacos: podem apresentar reações adversas. Tome muito cuidado e redobre a atenção durante a aplicação da TENS ou FES. Gravidez: evite a aplicação durante os três primeiros meses, principalmente em regiões lombar e abdominal. Não Estimular Sobre os Seios Carotídeos: pode exacerbar reflexos autonômicos vagal. Estimular Com Intensidades Reduzidas as Regiões do Pescoço e da Boca: para evitar espasmos dos músculos laríngeos e faríngeos. Cuidados nas aplicações em crianças, pacientes senis e epiléticos. Equipamentos de monitoração: Evite o uso do equipamento TENS/FES em salas de recuperação pós-cirúrgicas quando o paciente estiver sendo monitorado por monitor cardíaco ou qualquer outro tipo de monitoração eletrônica. Condições da pele: O uso contínuo da estimulação elétrica pode ocasionar irritação perigosa da pele. Se erupção ou outro sintoma raro aparecer, desligue o TENS/FES, remova os eletrodos e notifique o seu fisioterapeuta ou médico. Não coloque os eletrodos sobre a boca ou pescoço: Espasmos musculares podem ocorrer e ocasionar bloqueamento das vias respiratórias. Aversão ao uso de estimulação elétrica: Algumas pessoas acham a estimulação elétrica extremamente desagradável. Estes pacientes provavelmente deverão ser excluídos do tratamento por estimulação elétrica. Fatores gerais que interferem com estimulação: * Obesidade * Presença de neuroplastia periférica * Diminuição da capacidade sensorial * Aceitação e tolerância da corrente estimuladora pelo paciente Em obesos: a espessura do tecido adiposo isola o nervo motor. Em pacientes com neuroplastia periférica: não existe resposta a estímulos elétricos de curta duração. Na deficiência sensorial: pode haver irritação da pele. O paciente: deve progressivamente se acostumar à sensação produzida pela estimulação. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 55. Ao tratar uma criança com doença pulmonar, deve-se levar em consideração alguns fatores anátomo-funcionais que podem mudar a escolha terapêutica, ou conduzi-la. Sendo assim, é correto afirmar que a(s): A) técnica de Aceleração do Fluxo Expiratório (AFE) é mais eficaz quando realizada em crianças acima de 10 anos. B) Expiração Lenta Prolongada (ELPr) é indicada para crianças com idade entre 8 e 12 anos, em função de seu caráter ativo e da postura sentada, preconizada nesta técnica. C) Expiração Lenta com a Glote Aberta em Decúbito Infralateral (ELTGOL) deve ser indicada para crianças com idade entre 8 a 12 anos, pois necessita de colaboração e entendimento pleno. D) drenagem autógena pode ser indicada como manobra de reexpansão pulmonar em crianças de 12 anos ou mais, antes disso não há entendimento suficiente para sua correta execução. E) técnicas de vibração e compressão podem ser combinadas e são largamente utilizadas em crianças de qualquer idade, independente da doença de base, pois não possuem nenhuma contraindicação. Manobras de higiene brônquica convencionais Segue abaixo uma pequena descrição de algumas técnicas da fisioterapia utilizadas em paciente adultos e pediátricos com doenças hipersecretivas como pneumonias, bronquite diversas infecções do trato respiratório. Objetivos principais: Mobilizar e remover as secreções Diminuir áreas de shuntMelhorar relação V/Q Reduzir obstrução brônquica Reduzir o trabalho respiratório Prevenir danos estruturais Drenagem postural Indicação: Patologias que a criança apresente acúmulo de secreção brônquica Contra-indicação: refluxo gastroesofágico, instabilidade hemodinâmica, hipertensão intracraniana, hidrocefalia, derrame pleural não drenado, desconforto respiratório. A DP é uma técnica que tem como objetivo o descolamento da secreção pela ação da gravidade através do posicionamento. É necessário o conhecimento da anatomia da árvore brônquica e segmentos pulmonares. O posicionamento normalmente utilizado é a inclinação de 45º. Há um tempo médio ao qual o paciente permanece nesta posição, em torno de 20 minutos. A secreção se descola entre os bronquíolos e alvéolos e passa pelas ramificações, pelos brônquios, pela traqueia e VAS, sendo finalmente expelida na tosse. A DP também pode atuar na relação V/Q pela simples mudança de decúbito, melhorando a oxigenação. Vibração e Vibrocompressão Indicação: Patologias em que a criança apresentem um acúmulo de secreção brônquica. Contraindicação: Dor, fraturas de costelas , derrame pleura e pneumotórax não drenado, queimaduras e ferimentos não cicatrizados. A vibração tem por objetivo o deslocamento da secreção já solta. O deslocamento ocorre através de oscilações rítmicas, rápidas e com intensidade suficiente para causar a vibração a nível brônquico. Deve ser realizada na expiração, na direção dos arcos costais. As mãos seguem espalmadas acopladas ao tórax, punho e cotovelo imóveis impulsionando o movimento vibratório, realiza-s contrações isométricas intensas dos músculos do antebraço. Na vibrocompressão e associada uma compressão no tórax. Tapotagem Indicação: Patologias em que a criança apresente acúmulo de hipersecreção brônquica. Contraindicação: Instabilidade hemodinâmica , Pós-operatório de cirurgias cardíacas e torácicas. , Fraturas de costelas , fragilidade óssea , prematuridade extrema. A tapotagem consiste em percurtir com as mãos em concha a região torácica em que haja secreção. Essa percussão transmite ondas de energia que causam a mobilização do muco e a diminuição de sua aderência. Estimulo a tosse Grande parte dos receptores de tosse estão localizados na traqueia. Quando há uma diminuição do reflexo de tosse, espera–se que qualquer estimulo nesta região provoque a tosse É realizado um pequena pressão na porção da traqueia cervical subcutânea, após o início da expiração. Provoca passivamente um reflexo de tosse pela estimulação da zona reflexógena principal da tosse. Aspiração Indicação: presença de ruídos adventícios, aumento do pico inspiratório no ventilador, sons audíveis durante a respiração com uma tosse ineficaz e todos paciente submetidos a ventilação mecânica. Contraindicação: Depende da relação risco-befefício, pois o procedimento eleva a pressão intracraniana e causa um aumento na pressão intratorácica, por meio da tosse, diminuindo o retorno venoso central. Aspiração é a retirada passiva das secreções, com técnica asséptica, por uma sonda conectada a um sistema de vácuo, introduzido na via aérea artificial. Como objetivo manter as vias aéreas permeáveis, restabelecer as trocas gasosas melhorando assim a oxigenação arterial e pulmonar além de prevenir infecções. Manobras de higiene brônquica atuais Aceleração fluxo expiratório – AFE Indicação: mobilização secreção das pequenas brônquica até as vias proximais através de uma expiração lenta prolongada, o objetivo é prolongar a expiração ativa e aumentar o volume expiratório a fim de melhorar a transporte do muco para as vias de maior calibre. AFE rápido ou AFE lento Início da manobra: início da expiração. DD elevado; Mão torácica: entre a fúrcula esternal e a linha intermamária; Mão abdominal: sobre o abdômen e as últimas costelas; Mão torácica: movimento de cima para baixo realizando compressão Mão abdominal, varia de acordo com a idade: RN: mão abdominal deve ser posicionada como uma ponte entre as costelas inferiores; Lactente: mão abdominal funciona como uma cinta no abdômen, não se movimenta; Crianças de 2 anos: mãos torácica e abdominal se aproximam de maneira sincronizada e ativa. Pode ser realizado de maneira lenta com o objetivo de trabalhar com baixos fluxos e volumes pulmonares e mobilizar secreção de vias aéreas mais distais e pode ser feito de maneira rápida com altos fluxos e volumes pulmonares para eliminação das secreções mais proximais. Uma mão se posiciona entre a fúrcula e a linha mamária e a outra mão sobre o umbigo e as últimas costelas e na expiração as duas mãos se aproximam. AFE de forma lenta para RNs e de forma lenta ou rápida para lactentes com diagnóstico de bronquiolite aguda grave; sugere-se essa intervenção pelo menos uma vez ao dia. Expiração lenta prolongada – ELPR Indicação: Obstrução brônquica do lactante Contraindicação: Refluxo Gastro Esofagico, broncoespasmo. Posicionamento de mãos: idêntico ao aumento de fluxo expiratório (AFE) Manobra: pressão manual toracoabdominal, iniciada ao final da expiração e opondo-se a duas ou três tentativas inspiratórias da criança é uma técnica passiva obtida por pressão manual toracoabdominal lenta que se inicia ao final de uma expiração espontânea e é mantida até o volume residual (VR) com o objetivo de desinsuflação pulmonar e depuração de secreções da via aérea mais distal. As mãos do terapeuta são posicionadas da mesma maneira que no AFE iniciando a pressão toracoabdominal do final da expiração da criança, prosseguindo até VR e mantendo-a por duas a três tentativas inspiratórias do paciente. Drenagem Autógena Assistida – DAA Criança em DD, mãos do terapeuta envolve o tórax da criança. Aumenta manual e lentamente a velocidade do fluxo expiratório com pressão suave. Utilização de faixa, cinta abdominal ou fralda como nos RNs. RNs: mão torácica entre a fúrcula esternal e a linha intermamária. É uma adaptação da DA em lactentes ou pacientes incapazes de cooperar ou realizar a técnica ativamente. As mãos do terapeuta envolvem o tórax da criança aumentando lentamente o fluxo expiratório da criança, prolongando a expiração até o volume residual, utiliza-se um apoio abdominal com cinta ou fralda. Adulto Auto remoção de secreção brônquica Longo aprendizado de 10 a 20 horas Dividido em 3 fases Fase descolamento Fase de coleta Fase de remoção Técnicas de desobstrução de VAS – Desobstrução Rinofaríngea Retrógrada (DRR) As técnicas de fisioterapia respiratória que têm como objetivo principal deslocar e/ou remover secreções das vias aéreas são denominadas “técnicas de desobstrução das vias aéreas. Pode-se realizar instilação local de soro fisiológico na cavidade nasal ou ser realizada sem a instilação. Realiza-se apoio torácico expiratório (mão na parte superior do tórax), e no final da expiração eleva-se a mandíbula da criança obstruindo a boca e forçando a nasoaspiração. Contraindicação: ausência de tosse eficaz, prematuridade e Refluxo gastroesofágico. ELTGOL Expiração lenta prolongada com a glote aberta, em decúbito infralateral Transporte do muco da periferia através do fluxo aéreo lento. Maior excursão diafragmática e maior desinsuflação CRF até o VR. Exige cooperação do paciente Técnica de expiração forçada – TEF Minimiza a compressão dinâmica e o colapso das vias aéreas Huff de baixo volume – secreções mais distais Huff de alto volume – secreções mais proximais Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 56. Sabe-se que um dos comprometimentos mais evidentes no envelhecimento refere-se à marcha do idoso. Acerca dos itens que o fiscal fisioterapeuta deve considerar ao avaliar um paciente nestas condições, analise: I. A visão também engloba a marcha para monitorar a velocidade do movimento, direção, mantendo também o equilíbrio e fornecendo informações proprioceptivas aos músculos, articulações e pele. Basicamente, a marcha é o processo de transferência do centrode gravidade de um pé para outro, em sucessivas perdas de equilíbrio. II. As modificações apresentadas são diminuição da rotação pélvica e do joelho, devido à diminuição da flexibilidade, e perda do balanço normal dos membros superiores, com isso esses indivíduos apresentam passos mais largos e curtos, usam por menos tempo o apoio unipodal, andam com a pelve rodada anteriormente, os pés se apresentam rodados para fora. É comum, também, nessa faixa etária, a cifose torácica. Na fase final de apoio dos pés, a flexão plantar sofre diminuição. III. Uma hipótese sugestiva é que os idosos não aumentam o comprimento de suas passadas porque eles apresentam-se menos flexíveis, ou pelo fato de seu equilíbrio estar de alguma maneira comprometido. Aumentar o comprimento da passada exige um equilíbrio maior, pois diminuiu o tempo de apoio duplo dos pés. Pode-se dizer, também, que os indivíduos idosos adotam os passos mais curtos, pois a resistência dos músculos mais fracos nos membros inferiores é maximizada com esses passos e, praticamente, não apresentam custo de energia. Assinale a afirmativa correta. A) No item III fica evidente os aspectos que definem a condição de senilidade do idoso. B) A afirmativa I apresenta uma situação de acordo com o processo de senescência sofrido pelos idosos. C) Os itens II e III apresentam condições relacionadas ao passar dos anos, ou seja, fazem parte da senescência. D) Os itens I, II e III descrevem eventos patológicos da velhice, ou seja, são conhecidos como eventos da senescência. E) A avaliação fisioterapêutica geriátrica não deve ser pautada em senescência e senilidade, pois esses termos são semelhantes e complementares. Inicialmente, nem precisamos procurar erros nas afirmativas ou itens I, II e III, porque não há. Mas nas alternativas temos que escolher uma que corresponda a uma conclusão correta sobre o que foi exposto. Muito inteligente a forma que essa questão foi elaborada. Vamos analisar apenas as alternativas, portanto. Na “A” o erro é que se afirma algo diferente do que se propõe o item ou afirmativa “III”, que é sobre a relação do envelhecimento com o comprimento da passada e não sobre o envelhecimento. Diferença sutil. Nas alternativas “B” e “D” o erro é que não tem nada de envelhecimento na afirmativa ou item “I”. Ali temos a importância da visão e do equilíbrio na dinâmica da marcha. Só isso, mas por estar no meio de um contexto sobre geriatria, podemos involuntariamente associá-la com o tema. A alternativa “E” seria equivalente a dizer que a fisioterapia ortopédica não deve se pautar em disfunções ortopédicas ou traumatológicas. Não tem cabimento. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 57. Os pacientes com hemiplegia têm dificuldade em alcançar uma fase normal de oscilação ao andar. Há uma variação no grau de dificuldade, mas classicamente os problemas são causados pelos seguintes fatores, EXCETO: A) O paciente deve soltar seu quadril e joelho, deixando o calcanhar cair para dentro, isto é, em rotação externa. B) Incapacidade de transferir peso adequadamente sobre o membro sadio e soltar o membro afetado para a oscilação. C) Padrão espástico da extensão – após um passo para frente com o membro sadio, o membro afetado, atrás, tem acentuada hipertonia em todos os grupos musculares extensores. D) Perda do movimento seletivo com inibição recíproca perturbada. Ocorre quando o paciente eleva o membro hemiplégico para dar um passo para frente e ativa o padrão de flexão em massa. E) Joelho hiperestendido – ocorre a extensão seletiva ativa do quadril, não sendo possível ao paciente e, por esta razão, é incapaz de trazer seu peso para frente sobre o pé hemiplégico, ele dá o passo com a perna sadia e o quadril afetado move-se na mesma direção. Como não domino o assunto, procurei artigos e achei dois bem interessantes. Abaixo uma análise da marcha hemiparética. http://www2.rc.unesp.br/eventos/educacao_fisica/biomecanica2007/upload/147-1-A-cbb1.pdf O segundo artigo, uma comparação da marcha normal com a marcha hemiparética. http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2002/RN%2010%2001/RN%2010%2001%202.pdf Embora hajam diferenças de paciente para paciente, algumas generalizações acerca do padrão de marcha podem ser feitas. Durante a marcha hemiparética, movimentos compensatórios produzem um deslocamento anormal do centro de gravidade, resultando em um maior gasto energético. Além disto, déficits sensitivos, movimentação inadequada da perna, e frequentemente dor devido às deformidades contribuem para a perda de equilíbrio, quedas e aumento da ansiedade diante da deambulação. A alteração da marcha classicamente descrita é o movimento de circundução realizado pela perna afetada. Este padrão de movimento é denominado “marcha ceifante” (alguns também a descrevem como “marcha helicoidal”). Porém uma observação mais acurada, analisando cuidadosamente as fases e subfases do ciclo da marcha é capaz de revelar alterações específicas dentre as quais destacam-se: (1) Uma menor velocidade da marcha quando comparada com indivíduos que não sofreram um AVC, (2) Assimetria entre o período de apoio e de balanço, (3) Redução do período de apoio do membro afetado, (4) Redução do comprimento do passo no lado afetado, e (5) Contato inicial do pé durante a fase de apoio ocorrendo com o antepé devido a hiperatividade dos plantiflexores. Isto torna a marcha hemiplégica lenta, laboriosa e abrupta, acarretando dificuldade na transferência de peso e maior gasto energético para o paciente. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 58. Os músculos flexores do joelho são, ao mesmo tempo, os seus rotadores, que se dividem em: externos e internos. Quando se desloca para trás a parte interna do platô tibial, o joelho gira de forma que a ponta do pé se dirige para dentro. Agem como freios da rotação externa com o joelho flexionado, de forma que protegem os elementos cápsulo-ligamentares quando estes são requeridos, violentamente, durante um giro inesperado para o lado oposto ao da perna que suporta o peso. Diante do exposto, são músculos rotadores internos do joelho, EXCETO: A) Sartório. B) Poplíteo. C) Bíceps femoral. D) Semitendinoso. E) Semimembranoso. Os músculos que participam nos movimentos da articulação do joelho são : Na flexão do joelho: bíceps femoral; semitendinoso; semimembranoso; sartório; grácil; gastrocnêmios (auxiliam); poplíteo (auxilia); plantar delgado (fraco). Na extensão do joelho: quadríceps femoral: – reto femoral, vasto lateral, vasto medial, vasto intermédio; tensor da fáscia lata (auxilia); glúteo máximo (auxilia através do tracto iliotibial). Na rotação interna do joelho: semitendinoso; semimembranoso; sartório; grácil; poplíteo. Na rotação externa do joelho: bíceps femoral; tensor da fáscia lata (auxilia); fibras laterais de glúteo máximo (auxilia). Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 59. O tratamento de um paciente com entorse de tornozelo moderado a grave baseia-se em quatro fases distintas: imobilização; pós imobilização; recuperação; e, resolução. Mesmo que as fases de tratamento sejam respeitadas, pode haver sequelas para os pacientes. Acerca deste tema, assinale a afirmativa correta: A) Na fase de resolução, os exercícios devem ser do tipo mobilização tíbio-társica, subtalar e médio-társica. B) A instabilidade permanente ocorre em casos que não foram tratados adequadamente, assim como a artrose prematura e as calcificações periarticulares. C) Na fase de recuperação funcional são indicados exercícios para redução do edema periarticular e, ainda, exercícios a fim de aumentar o arco articular. D) O tratamento na fase de pós imobilização tem por objetivo primário ganho total da amplitude articular, fortalecimento da musculatura e melhora da coordenação. Deve ter início com crioterapia e eletroterapia. E) Na fase de imobilização,basicamente, o objetivo será aliviar as sequelas desta condição e, para tal, deve-se evitar elevação frequente de extremidades, assim como a mobilização ativa às demais articulações do membro. Na alternativa “A”, a fase de resolução pede condutas mais direcionadas para as AVDS. Na “B”, alternativa correta. A alternativa “C” faz referência ao tratamento de uma fase anterior. A “D” além de mencionar o “ganho total”, o que não ocorre nessa fase, propõe como conduta a eletroterapia, que nem sempre é necessária. A “E” define como contraindicações duas condutas que são apropriadas para a entorse de tornozelo. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 60. Um paciente com 15 anos, vítima da Síndrome de Guillain-Barré (SGB), ficou internado em terapia intensiva por 21 dias e, ao receber alta, sua família procurou o serviço de fisioterapia de uma clínica-escola para dar continuidade ao seu tratamento. Sobre esta doença e suas respectivas características, analise: I. A Síndrome de Guillain-Barré (SGB), doença neurológica capaz de provocar fraqueza muscular generalizada que, em alguns casos, pode levar à morte, caracteriza-se como autoimune, com predominância maior em homens na idade de 20 a 30 anos. II. Conduz à desmielinização da bainha de mielina e a degeneração axonal dos nervos periféricos. III. Acarreta paralisia espástica, arreflexia ascendente e diferença na concentração de proteína no líquido cefalorraquidiano (LCR), caracterizando a dissociação albumino-citológica, que é característica da SGB. IV. Os pacientes com SGB apresentam muita dor, descrita como parestesia, disestesia, dor axial e radicular, mialgia, dor articular e desconforto visceral. A fisioterapia motora constitui-se de exercícios passivos, ativoassistido e ativo dos membros, este último dependendo da melhora da fraqueza muscular. Estão corretas apenas as afirmativas A) I e IV. B) III e IV. C) I, II e III. D) I, II e IV. E) II, III e IV. Todas as opções estão corretas, apenas a “III” está errada, ela propõe a paralisia espástica, o que é incorreto. A Síndrome de Guillain Barré (SGB) é uma doença autoimune geralmente desencadeada após uma infecção viral ou bacteriana (ainda que também possa ocorrer após vacinação, cirurgia, anestesia epidural, transplante de órgãos e medula óssea, linfomas, sarcoidose e uso de penicilina), que provoca paralisia ascendente (dos pés até a cabeça) progressiva e potencialmente fatal. Descrita inicialmente por Jean B. O. Landry em 1859, médico francês, como um distúrbio dos nervos periféricos que paralisava os membros, o pescoço e os músculos respiratórios. Em 1916, os médicos parisienses: Georges Guilliain, Jean Alexander Barre e André Strohl, demonstraram a anormalidade característica do aumento das proteínas com celularidade normal, que ocorria no líquor dos pacientes acometidos pela doença. Eis porque esta síndrome também é chamada de Landry-Guillain-Barré. EPIDEMIOLOGIA É uma doença cosmopolita de incidência anual entre 0,4 a 4 casos/100.000 habitantes (média de 1,3).Esta síndrome acomete todas as idades; no entanto, alguns estudos epidemiológicos mostram um pequeno pico na adolescência e adulto jovem, provavelmente devido ao maior risco de infecções. Algumas séries mostram homens mais susceptíveis que as mulheres em torno de 1,25: 1. Desde que se iniciou a vacinação contra poliomielite a SGB tornou-se a causa mais frequente de paralisia flácida aguda. CAUSAS A SGB é de provável etiologia autoimune que pode ser desencadeada após 15 a 21 dias, em média, de uma infecção do trato gastrointestinal ou trato respiratório. Após o processo infeccioso o organismo produz anticorpos que agridem as bainhas de mielina de nervos perífericos e raízes nervosas. A mielina é a estrutura responsável por proteger (como uma capa) e permitir a transmissão do sinal nervoso ao longo de todo o trajeto do nervo. Isto provoca fraqueza (paralisia flácida) e insensibilidade, que caracteristicamente progride de baixo para cima, em direção à cabeça, ascendente. O agente mais comum encontrado como causador é o Campylobacter jejuni, que provoca infecção gastrointestinal. Há também relatos de casos com Citomegalovirus, Epstein Barr vírus, Micoplasma pneumoneae. Esta síndrome também é reconhecida como uma das complicações pela infecção pelo HIV, e também há relato de casos em decorrência de vacinação, cirurgia, anestesia epidural, transplante de órgãos e medula óssea, linfomas, sarcoidose e penicilina. Parece que a gravidez e uso de anticoncepcional oral conferem algum grau de proteção. QUADRO CLÍNICO Primeiramente é preciso esclarecer que a SGB não tratada leva rapidamente à morte, portanto, a constitui uma emergência médica, inclusive com indicação de tratamento em Unidade de Terapia Intensiva – UTI. Doença de instalação hiperaguda – horas ou dias. Sintomas mais frequentes: formigamentos e agulhadas nos pés; dores surdas nas costas; fraqueza muscular. Inicia-se com dores lombares associadas a desestesias nas extremidades inferiores. Com a progressão os membros inferiores ficam paréticos ou plégicos. Ocorre paraparesia motora e sensitiva (paralisia incompleta), paraplegia flácida, e arreflexia. Os reflexos tendinosos são perdidos precocemente, mesmo nas regiões onde a força muscular está preservada. O quadro progride de modo ascendente: dos pés para cabeça. 50% dos casos pode acometer a face e função bulbar: disparesia parcial periférica, disfagia, disartria. 30% dos casos: paralisia da musculatura respiratória. Exame Físico: Paresia ou plegia Arreflexia flacidez simétrica Sensibilidade térmica e dolorosa preservadas. Sensibilidade vibratória e proprioceptiva comprometidas. Em pacientes graves: insuficiência ventilatória, disautonomias (arritmias cardíacas, sudorese, picos hipertensivos). DIAGNÓSTICO A SGB deve ser suspeitada em todos os pacientes com fraqueza motora ou déficit sensitivo não explicado afetando os membros. Os achados típicos no exame neurológico incluem fraqueza progressiva e ascendente e arreflexia tendinosa. É fundamental a pesquisa de infecções prévias. É imperativa a coleta do líquido cefalorraquidiano, que frequentemente mostra dissociação albuminocitológica, ou seja, contagem celular normal com hiperproteinorraquia. Nos casos de pacientes com síndrome de imunodeficiência consequente ao HIV pode haver celularidade liquórica em torno de 10 a 50 células/ml. Critérios para diagnóstico de SGB 1 – Achados necessários ao diagnóstico Diminuição de força progressiva em mais de um membro. Arreflexia tendinosa. 2 – Achados que reforçam o diagnóstico a) Achados Clínicos Progressão. Simetria Relativa. Sinais e Sintomas discretos. Comprometimento de nervos cranianos: paralisia facial ocorre em 50% dos casos e frequentemente são bilaterais. Pode acometer nervos responsáveis pela deglutição. Recuperação: começa geralmente de 2 a 4 semanas após parada da progressão. Disfunção Autonômica: taquicardia, hipotensão ortostática, sinais vasomotores. Ausência de febre no início dos sintomas. b) Achados no líquido cefalorraquiano que dão forte apoio ao diagnóstico: Hiperproteinorraquia. Celularidade liquórica normal ou alta no máximo de 10 células mononucleares. c) Achados que causam dúvidas quanto ao diagnóstico: Assimetria persistente e marcante da fraqueza. Disfunção vesical ou intestinal persistente. Mais de 50 células mononucleares no líquor. Presença de leucócitos polimorfonucleares no LCR. Nível sensitivo bem definido. d) Achados que eliminam o diagnóstico: História de abusos de hexacarbonos. Metabolismo anormal das porfirias. Diagnóstico recente de difteria. Intoxicação pelo chumbo com neuropatia. Diagnóstico definido de poliomielite, botulismo, paralisia ou neuropatia tóxica. SUBTIPOS CLÍNICOS DA SGB Após o advento da eletroneuromiografia foi possível reconhecer e classificar 4 subtipos da SGB.É notório que a variante Miller-Fischer é um subtipo bem caracterizado clinicamente. Polineuropatiadesmielinizante inflamatória aguda (PIDA) É a mais comum forma da SGB tendo uma incidência de 85 a 90% dos casos.Esta é considerada uma desordem autoimune desencadeada por uma infecção prévia, geralmente por citomegalovirus e Epstein-Barr vírus. Na PIDA frequentemente há comprometimento dos nervos cranianos, nervos sensitivos e há comprometimento autonômico. A recuperação é geralmente boa e a eletroneuromiografia mostra diminuição da velocidade de condução diminuída em 2 ou mais nervos motores. Neuropatia axonal motora aguda (NAMA) É outra forma da SGB, com incidência maior no Japão e China, geralmente devido infecção prévia pelo Campylobacter jejuni. O quadro clínico é semelhante a PIDA, porém raramente há comprometimento de nervos cranianos, nervos sensitivos, e raro comprometimento autonômico. A recuperação pode ser lenta ou rápida. A Eletroneuromiografia mostra degeneração axonal motora pura, com redução da amplitude dos potenciais de ação do nervo, sem desmielinização.A NAMA é frequentemente associada a anticorpo anti-gangliosídeos (GM1, GM1b, GD1, Ga1NAc-GD1a). Neuropatia axonal sensitivo-motora aguda (NASMA) Tem baixa incidência, em torno de 10%, com comprometimento motor e sensitivo, detectado na eletroneuromiografia. Síndrome de Miller-Fischer É uma variante da SGB, caracterizada pela tríade arreflexia, ataxia e oftalmoplegia. Esta desordem é muita associada a anticorpos anti-gangliosídeo GQ1b.O diagnóstico dessa variante é eminentemente clínico e tem bom prognóstico. TRATAMENTO A pessoa acometida pela síndrome deve ser internada em UTI devido ao risco de arritmias e insuficiência respiratória. O tratamento deve ser tanto de suporte como também específico. TRATAMENTO DE SUPORTE As principais complicações da SGB são a insuficiência respiratória e hipotensão. Cerca de 25 a 33% dos pacientes evoluem com insuficiência respiratória devida à falência diafragmática e necessitam de entubação orotraqueal e ventilação mecânica; porém este número pode diminuir com a instituição de medicação específica correta.A capacidade vital é o melhor parâmetro para indicação da entubação orotraqueal, quando esta estiver menor de 15mL/kg. Outra complicação é a hipotensão postural que acomete 10% dos pacientes com SGB, devido à disautonomia, sendo tratado com infusão intravenosa de solução cristalóide e por agentes vasopressores. TRATAMENTO ESPECÍFICO Sabe-se, que a plasmaférese e a imunoglobulina (imoglobulina IV) são os tratamentos de escolha para SGB. No entanto, é imperativa a prescrição do tratamento até 2 semanas após o seu início, pois após não há efeito algum. A droga de primeira escolha é a imunoglobulina 0,4g/kg por 5 dias, pois é menos invasiva que a plasmaférese e tem menos efeitos colaterais. A plasmaférese é feita com troca de plasma na fração de 50ml/kg de peso em 5 sessões separadas por 7-14 dias. A combinação da imunoglobulina e pasmaférese não trouxe vantagem significante. O corticosteróide seja oral ou em pulsoterapia não é indicado, porém a associação com imunoglobulina pode ser promissor. O futuro do tratamento está voltado para o beta-interferon, entretanto não há resultados suficientes que justifique o seu uso. PROGNÓSTICO O espectro clínico da síndrome de Guillain-Barré é muito amplo, isto é, varia desde a morte até a recuperação total. A melhora clínica, eletrofisiológica e funcional acontece, geralmente, até 18 meses após o início da doença. A maioria das pessoas acometidas se recuperam em três meses após iniciados os sintomas. Portanto, as paralisias provocadas pela doença são reversíveis. A necessidade de ventilação mecânica e a ausência de melhora funcional três semanas após a doença ter atingido o pico máximo são sinais de evolução mais grave. Fonte: http://dicionariodesindromes.blogspot.com.br/2009/09/sindrome-de-guillain-barre.html Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 61. A termoterapia profunda é um recurso terapêutico bastante utilizado em clínicas de ortopedia, com diversos modos de aplicação. Logo, cabe ao fisioterapeuta responsável definir, por meio de conhecimento prévio, o melhor método de administrar esse recurso. Sendo assim, ao utilizar o Ondas Curtas como recurso terapêutico, é correto afirmar que: A) no método coplanar de aplicação, para tecidos superficiais, deve-se utilizar uma distância eletrodo-pele maior e a distância das placas deve ser igual a 3 vezes o seu diâmetro. B) com eletrodos de tamanhos diferentes e as distâncias eletrodo-pele iguais, a concentração de energia nas camadas superficiais e profundas será maior do lado do eletrodo maior. C) no método longitudinal, uma grande distância eletrodo-pele produzirá uma carga térmica alta no tecido muscular e será necessária uma intensidade alta para atravessar os tecidos no sentido escolhido. D) em uma aplicação transversal, as camadas teciduais se encontram uma atrás da outra e a temperatura é maior nos músculos do que nas gorduras, razão pela qual esta é a disposição mais adotada na aplicação deste recurso. E) durante a aplicação coplanar, os eletrodos estão em um mesmo plano, devido à alta carga térmica do tecido gorduroso, e não há fluxo transverso através de todas as camadas de tecido, pois, nas camadas mais profundas, a absorção de energia é mais baixa. Na “A”, o erro está em se falar em distância de eletrodo e pele maior por ter como objetivo tecidos superficiais, o próprio método coplanar já é com esse objetivo. Na “B”, eletrodos menores é que geram maior concentração de energia eletromagnética. Na “C”, novamente se propõe aumentar a distância entre a pele e o eletrodo, mas dessa vez com a sugestão de se aumentar a intensidade. Na “D”. o coeficiente do tecido adiposo é baixo, e sobre ser o método mais adotado, talvez não, já que o modo coplanar também é muito utilizado. Só resta a alternativa “E”, que descreve corretamente o que acontece no método coplanar. Como a camada de gordura subcutânea é aquecida mais facilmente que o músculo, a potência absorvida na gordura é quase oito vezes aquela absorvida no músculo. Espaçamento dos eletrodos Maior espaçamento possível conduz à distribuição mais uniforme do campo nos tecidos. Espaçamentos pequenos conduzem a um maior aquecimento da região superficial. Em termos práticos um espaçamento eletrodo-pele de 4cm é o máximo que se pode conseguir na maioria dos equipamentos. Aconselha-se sempre a escolher eletrodos que sejam pouco maiores que a região a ser tratada, para conseguir uma distribuição do campo. Se um eletrodo for maior que o outro, o campo tenderá a se concentrar no lado menor e se dispersar no eletrodo maior. Com distâncias menores (2cm) teríamos maior aquecimento profundo em termos absolutos. Um espaçamento tão grande causará dispersão do campo de modo que embora mais uniforme e mais profundo. Distâncias eletrodo-pele muito pequenas ou inexistentes não produzirão calor profundo e levarão a grandes possibilidades de queimaduras. NOTA: O ESPAÇAMENTO SE REFERE À DISTÂNCIA DA PARTE METÁLICA DO ELETRODO PARA A PELE, E NÃO DA COBERTURA PLÁSTICA. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 62. Ao se indicar uma órtese para a coluna, deve-se determinar o objetivo, o segmento envolvido e o movimento que se pretende limitar. Órteses rígidas controlam melhor a posição da coluna através da aplicação de forças externas. Órteses menos rígidas podem ser usadas para alívio de dores musculares ou auxílio na recuperação de fraturas mais estáveis, sendo, nesta situação, utilizadas para auxiliar a recuperação da coluna e da musculatura e não para preservar sua integridade estrutural. O conhecimento destas indicações é parte da atuação profissional do fisioterapeuta, sendo assim, analise: I. A órtese de Minerva ou Four-poster é indicada no tratamento de algumas fraturas da coluna cervical média e inferior, como alternativa ao Halo. Também para tratamento conservador de fraturas cervicais até a 3ª vértebratorácica (eventualmente até a 7ª, dependendo da extensão torácica) ou em pós-operatório nos níveis acima. II. A órtese do tipo Halo colete é considerada padrão-ouro na imobilização da coluna cervical, imobilizando todos os movimentos, inclusive a transição occipitocervical, onde as outras órteses praticamente não têm efeito. III.A órtese SOMI (imobilização esterno-occipitomandibular) possui melhor restrição do que os colares cervicais na flexão e na extensão, mas, também, apresenta pouco efeito na rotação axial e flexão lateral. Suporte anterior rígido para o peito e para os ombros, com suporte occipital e mandibular. Restringe melhor a flexão cervical do que a extensão. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s) A) I, II e III. B) II, apenas. C) I e II, apenas. D) I e III, apenas. E) II e III, apenas. Minerva: órtese com grande número de estudos, limita a flexo-extensão cervical com apoio no mento, occipício e tórax, estabilizados por quatro barras. Em crianças com lesões na coluna cervical média e inferior, o colete de Minerva pode ser usado como alternativa ao halo. Sharpe et al., 1995, estudaram 16 pacientes saudáveis quanto à restrição da coluna cervical sob o uso de colete Minerva com extensão occipital e na fronte(17). Concluíram que a órtese é útil na restrição da coluna cervical abaixo de C1. Maiman et al., 1989, também em estudo sobre o colete Minerva comparativamente ao halo, concluíram que a órtese foi eficaz na imobilização da coluna cervical, sendo similar ao uso de halo em vários níveis, exceto nas regiões da transição occipito-C1, C3-4 e C6-7. Halo colete: órtese padrão-ouro na imobilização da coluna cervical, imobilizando todos os movimentos, inclusive a transição occipitocervical, onde as outras órteses praticamente não têm efeito. A região de C3 ao occipício é a que possui maior restrição de movimento com o uso do halo. Novos materiais não magnéticos permitem a realização de ressonância magnética na vigência da utilização dos mesmos. São indicados no tratamento de algumas fraturas do atlas, do odontoide (especialmente no tipo II), fraturas do áxis e fraturas combinadas de C1 e C2. Além disso, também pode ser usado no pós-operatório de cirurgias da região occipitocervical, com grandes inconvenientes quanto ao conforto. Entre suas complicações, destacam-se as infecções, a perda da redução da fratura, lesões cutâneas e piora ou instalação de novo déficit neurológico. SOMI (imobilização esterno-occipitomandibular): melhor restrição do que os colares cervicais na flexão e na extensão, mas também com pouco efeito na rotação axial e flexão lateral. Suporte anterior rígido para o peito e para os ombros, com suporte occipital e mandibular. Este pode ser removido durante a alimentação. Restringe melhor a flexão cervical do que a extensão. http://www.proreabilitacao.com.br/includes/paginas/papo-e-cafezinho/demetrio-praxedes-araujo/pdf/proreabilitacao-orteses.pdf http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4038 Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 63. “A sensibilidade que nos permite qualificar precisamente as impressões mecânicas em relação ao local de estimulação é mediada pelo tato __________, já a sensibilidade cujos estímulos resultam numa sensação de tato grosseiro denomina-se _____________.” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior: A) epicrítico / tato protopático B) protopático / tato epicrítico C) epicrítico / sensibilidade térmica D) protopático / sensibilidade dolorosa E) epicrítico / sensibilidade somestésica Na primeira lacuna, pede-se que se complete tato, na segunda lacuna, isso não acontece, o que pode levar muita gente a ficar em dúvida e optar por sensibilidade térmica ou dolorosa, e há quem arrisque essa tal sensibilidade somestésica, que na verdade é tudo isso junto e misturado. Somestesia (do latim soma, que quer dizer corpo e aesthesia, que significa sensibilidade) é a capacidade que homens e animais tem de receber informações sobre as diferentes partes do seu corpo. Essas informações podem ser referentes ao meio ambiente ou ao próprio corpo do animal e nem todas se tornam conscientes. O tato epcrítico é rápido e preciso. Com essas qualidades, ele proporciona ao cérebro meios para identificação através do tato. Já o tato protopático é mais lento e bem menos preciso. A percepção da temperatura e da dor são relacionadas ao tato protopático. Por isso cuidado com as definições de ambos. Quando lemos que um é rápido e preciso e outro lento e grosseiro, podemos concluir que o tato epicrítico é mais importante ou mais evoluído. Ledo engano, os dois são de importância absoluta. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 64. “Ao paciente em decúbito ventral, com o braço para fora da mesa em 90° de flexão, deve ser solicitado que erga o peso estendendo o ombro. O paciente pode realizar flexão simultânea do cotovelo, enquanto realiza o movimento descrito a fim de facilitá-lo.” A descrição anterior sobre o posicionamento durante exercício é indicada para o fortalecimento de qual grupo muscular? A) Trapézio inferior e serrátil anterior inferior. B) Deltoide posterior, grande dorsal e romboides. C) Peitoral maior, redondo menor e grande dorsal. D) Redondo maior, trapézio médio e grande dorsal. E) Deltoide posterior, coracobraquial e peitoral menor. Pro pessoal que já fez musculação, essa é moleza. Não tem relação direta, mas esse exercício proposto me lembrou muito o exercício para fortalecimento unilateral de “costas”. Teria que avaliar a musculatura envolvida nas demais alternativas de forma mais cuidadosa, porque parece que mesmo não sendo a musculatura principal alguns músculos ali também são trabalhados neste exercício proposto no enunciado, o que o tornaria passível de recurso, principalmente com relação à alternativa “E”, já que não há essa definição de “principalmente”. Enfim, a resposta que melhor responde é a “B”- Deltoide posterior, grande dorsal e romboides. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 65 . “Trata-se de um recurso que promove estímulos sensoriais e mecânicos duradouros e constantes na pele. Mantém a comunicação com os tecidos mais profundos, através de diversos receptores encontrados na epiderme, derme e outros tecidos sensoriais, como o próprio músculo. Pode ser utilizada na prevenção, no tratamento e na reabilitação das lesões, sendo um recurso terapêutico muito utilizado nas áreas esportiva, musculoesquelética, neurológica, pediátrica, geriátrica, reumatológica, entre outras.” A descrição anterior refere-se ao método: A) Thera-tape. B) Fisio-taping. C) Cinesio-tape. D) Tubing-taping. E) Kinesio-taping. Essa questão quer saber se você sabe o nome da técnica de bandagens elásticas. O nome comercial da técnica idealizada em 1970 pelo dr. Kenzo, quiropraxista japonês, é Kinesio tape, alternativa “E”. O problema é que há cursos de nome cinesio-tape, thera-tape e outros, cujos autores registram esses nomes e, portanto, servem para responder com acerto essa questão. A banca quer saber aqui o nome do recurso ou técnica, esse nome é bandagem elástica adesiva. Nomes comerciais sendo utilizados como sinônimo é o que acontece com a gilete, que virou sinônimo de lâmina de barbear mas é um produto, e não a própria lâmina. Por isso sempre dei preferência para as bancas citadas acima. Na primeira questão que analiso dessa banca, um erro. Há um método chamado Thera-tape cujo efeito proposto por sua bandagem bate com a descrição do enunciado. Nem vou comentar sobre a efetividade da técnica ou a comprovação científica, que ainda hoje se procura mas nada definitivo foi publicado. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: Nenhuma 66. Para traçar um diagnóstico fisioterapêutico ou cinético funcional e no desenvolvimento deum processo de reabilitação, o fisioterapeuta precisa saber definir e diferenciar deficiência, limitação funcional, incapacidade e invalidez. A respeito dessas quatro situações, assinale a alternativa correta. (A) Limitação funcional são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica. (B) Deficiências são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica. (C) Incapacidade são perdas ou anormalidades da estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica. (D) Deficiências são restrições da capacidade de realizar uma ação física, uma atividade ou uma tarefa de uma maneira eficiente, tipicamente esperada. (E) Incapacidade são restrições da capacidade de realizar uma ação física, uma atividade ou uma tarefa de uma maneira eficiente, tipicamente esperada. A ICIDH propõe uma classificação da conceituação de deficiência que pode ser aplicada a vários aspectos da saúde e da doença, sendo um referencial unificado para a área. Estabelece, com objetividade, abrangência e hierarquia de intensidades, uma escala de deficiências com níveis de dependência, limitação e seus respectivos códigos, propondo que sejam utilizados com a CID pelos serviços de medicina, reabilitação e segurança social. Por essa classificação são conceituadas: Deficiência: perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. Incapacidade: restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária. Desvantagem: prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência. Na CIDID evitou-se utilizar a mesma palavra para designar as deficiências, incapacidades e desvantagens. Assim, para uma deficiência foi adotado um adjetivo ou substantivo, para uma incapacidade, um verbo no infinitivo e para uma desvantagem, um dos papeis de sobrevivência no meio físico e social. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 67. As articulações são classificadas de maneira a identificar a função de cada uma delas, a partir de três tipos: sinartrose, anfiartrose e diartrose. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, exemplos dessas articulações: (A) Sínfise púbica, sindesmose radio ulnar e articulação glenoumeral. (B) Sínfise púbica, sindesmose radio ulnar e articulação costo-esternal. (C) Sínfise púbica, articulação costo-esternal e articulação glenoumeral. (D) sindesmose radio ulnar, sínfise púbica e articulação glenoumeral. (E) sindesmose radio ulnar, sínfise púbica e articulação costo-esternal. Questão simples, apenas pelos prefixos dá para resolver. Deixo de mão beijada uma tabela do livro do Kendall sobre classificações de articulações. Sinartrose (tecido fibroso). Sindesmose. Imóvel. Ex. Tibiofibular distal Sutura. Imóvel. Ex. Suturas do crânio. Gonfose. Imóvel. Ex. Dente no interior do alvéolo. Arfiartrose (Tecido cartilaginoso). Sincondrose. Discretamente móvel. Ex. Primeira esternocostal. Sínfise. Discretamente móvel. Ex. Sínfise púbica. Diartrose (Tecido sinovial). Esferoide. Todos os movimentos. Ex. Quadril e ombro. Gínglimo. Flexão e extensão. Ex. Cotovelo. Gínglimo modificado. Flexão, extensão e discreta rotação. Ex. Joelho e tornozelo. Elipsoide ou condiloide. Todos, exceto rotação e oposição. Ex. Metacarpo e metatarsofalangeanas. Trocoide ou pivo. Supinação, pronação e rotação. Ex. Atlantoaxial e radioulnar. Recepção recíproca ou sela. Todos, exceto rotação. Ex. Calcaneocuboide e carpometacarpal. Plana ou deslizante. Deslizamento. Ex. Tibiofibular proximal. Combinada – ginglimo e deslizante. Flexão, extensão e deslizamento. Ex. Temporomandibular. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 68. A transmissão de um impulso elétrico, proveniente de um potencial de ação de uma fibra nervosa, chega à fenda sináptica e libera um neurotransmissor, que se liga a um receptor na membrana pós-sináptica e desencadeia um potencial de ação na fibra muscular, promovendo a contração dessa fibra. O neurotransmissor liberado na fenda sináptica é: (A) a adrenalina. (B) a noradrenalina. (C) a endorfina. (D) a serotonina. (E) a acetilcolina. A acetilcolina é um neurotransmissor, ou seja, uma substância química produzida pelos neurônios com a função de biossinalização. Por meio deles, envia-se informações a outras células e podem também estimular a continuidade de um impulso ou efetuar a reação final no orgão ou músculo alvo. É o único neurotransmissor utilizado no sistema nervoso somático e um dos muitos neurotransmissores do sistema nervoso autônomo. É também o neurotransmissor de todos os gânglios autônomos. No sistema nervoso somático, a contração muscular ocorre devido à liberação desta substância pelas ramificações do axônio. As Catecolaminas (norepinefrina, epinefrina e dopamina) são importantes neurotransmissores. Norepinefrina (sinônimo de Noradrenalina) e Epinefrina (sinônimo de Adrenalina) são formadas e secretadas no Sistema Nervoso Central e na medula da glândula Supra-Renal. A endorfina é um neuro-hormônio produzido pelo próprio organismo na glândula hipófise. Sua denominação se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico). A serotonina é um neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade a dor, movimentos e as funções intelectuais. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 69. Em relação às contrações isotônicas, podemos observar variações no ventre muscular e na tensão muscular de repouso. A cerca destas propriedades, assinale a afirmativa correta: (A) Encurtamento com alteração do tônus, na contração isotônica concêntrica. (B) Encurtamento sem alteração do tônus, na contração isotônica concêntrica. (C) Encurtamento com alteração do tônus, na contração isotônica excêntrica. (D) Encurtamento sem alteração do tônus, na contração isotônica excêntrica. (E) Manutenção do tamanho sem alteração do tônus na contração isotônica. Essa questão é um exemplo de como conceitos básicos não podem ser menosprezados ao se estudar para concursos de fisioterapia. Vamos definir tônus muscular: Tônus muscular é o estado de tensão leve, porém permanente, existente normalmente nos músculos. Desaparece quando o músculo está privado de sua inervação. Mesmo quando o músculo está em repouso, certa quantidade de tensão frequentemente permanece. Esse grau residual de contração do músculo esquelético denomina-se tônus muscular. Uma vez que as fibras musculares esqueléticas não se contraem sem que um potencial de ação as estimule, exceto em certas condições patológicas, acredita-se que o tônus da musculatura esquelética resulte, inteiramente, de impulsos nervosos provenientes da medula espinhal. Esses, por sua vez, são controlados em parte por estímulos transmitidos a partir do encéfalo para os neurônios motores anteriores e, em parte, por impulsos que se originam nosfusos musculares localizados no interior do próprio músculo (GUYTON, 1985). A ativação tônica das células das pontas anteriores da medula é influenciada por impulsos aferentes que vêm da periferia e por impulsos eferentes que descem das estruturas corticais e subcorticais. Quando um músculo é estirado, impulsos aferentes dos fusos musculares ativam os motoneurônios alfa na medula, o que faz aparecer o tônus normal. Contudo, para que os impulsos aferentes ou qualquer outro influenciem o neurônio alfa, é imprescindível que estímulos dos altos centros, principalmente estejam sempre mantendo estes neurônios alfa num estado permanente de alerta, em outras palavras, num estado de serem descarregados. Esse estado varia desde um mínimo, com um indivíduo dormindo, até um máximo com excesso de impulsos excitatórios devido a lesões encefálicas (LIANZA, 1986). Assim, o circuito periférico do tônus é sempre o mesmo num indivíduo sadio ou com lesão encefálica, e o que faz o tônus ser baixo, normal ou alto é o limiar de excitabilidade das células alfa tônicas, dependendo dos impulsos que vêm de um cérebro normal ou com lesão. O tônus muscular em seu estado normal pode ser hipotônico, com diminuição da resistência a manipulação passiva, ou hipertônica, com aumento da resistência a manipulação passiva. Encurtamento das fibras ocorre na isotônica concêntrica, podemos eliminar as alternativas “C” e D”. A alternativa “E”, por ser propositalmente incompleta, também podemos excluir. Como tanto na mobilização passiva como na contração ativa o tônus se modifica, a alternativa “A” é a correta. http://www.mediafire.com/download/b2ja8hj7bnasm52/fisiologiamusculoestriadoesqueletico.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 70-. Assinale a alternativa que apresenta contraindicações para o alongamento: (A) Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular, quando tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular e fraqueza muscular. (B) Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular, na presença de uma evidência de trauma muscular e fraqueza muscular. (C) Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular, na presença de uma evidência de trauma muscular, e quando tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular. (D) Na presença de uma evidência de trauma muscular, quando tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular e fraqueza muscular. (E) Na presença de uma evidência de trauma muscular, quando a restrição da mobilidade pode levar a deformidades estruturais e fraqueza muscular. Essa IADES até agora está sendo talvez a presença mais frequente na categoria “Erros das organizadoras”. Ou estou cada vez mais perspicaz e rigoroso com as análises ou são questões mal elaboradas mesmo. Talvez as duas coisas. Antes de mais nada, vamos descobrir qual o real significado desse termo genérico usado pela IADES, que é o trauma muscular. Mecanismos de Trauma muscular O trauma pode ser categorizado como externo ou direto, causando principalmente contusões e – se severo – rupturas; e interno ou indireto, causando distensões e rupturas. Trauma Direto Trauma externo direto pode ser causado a um músculo por qualquer objeto virtualmente contundente. Durante atividades atléticas, as causas de trauma direto incluem colisões entre dois jogadores ou entre um jogador e um objeto estacionário, como um mastro ou estaca, ou até o próprio chão. Os músculos das extremidades inferiores são os mais expostos. Num trauma, o músculo envolvido é esmagado contra o osso subjacente. As lesões resultantes podem variar de uma contusão a um hematoma intramuscular de expansão rápida, requerendo uma cirurgia de emergência. Quando o músculo está sob tensão na ocasião do trauma, a contusão pode resultar em franca ruptura muscular. Qualquer afecção que cause isquemia das fibras musculares, inclusive compressão prolongada ou trauma direto extenso, pode resultar em rabdomiólise, na qual a integridade das membranas celulares é suficientemente alterada a ponto de permitir liberação do conteúdo intracelular para o líquido extracelular. Trauma Indireto Trauma indireto (ou interno) não envolve um agente externo; é comum em atividades atléticas. O trauma indireto pode afetar atletas de alto nível que excedam as limitações fisiológicas, bem como em não-atletas que ponham um stress de intensidade normal sobre músculo enfraquecido ou não treinado. No trauma indireto, o músculo é tensionado além de seus limites através de alongamento passivo excessivo ou, mais freqüentemente, através de súbita hiperextensão durante contração. Tal hiperextensão pode resultar de súbito bloqueio de um movimento normal (perder a bola e, em seu lugar, chutar o solo, no futebol) ou pela realização de um movimento em posição mal alinhada. Diferentes grupos de músculos estão envolvidos, dependendo do esporte. Por exemplo – os músculos mais frequentemente lesados no futebol são o quadríceps – em particular o reto femoral – e os flexores do joelho, enquanto o gastrocnêmio medial é mais frequentemente lesado nos saltadores em altura e em distância e também no voleibol, basquetebol e no tênis. Pronto. Agora vamos às contraindicações dos alongamentos: Algumas contra-indicações para a prática de alongamentos são: bloqueio ósseo limitando a mobilidade articular; inflamação ou infecção nas estruturas envolvidas; em caso de dor aguda, cortante, com o movimento articular ou com o alongamento muscular; integridade óssea ou vascular comprometida; presença de hematomas ou outras indicações de traumatismos teciduais; limitação da ADM por alterações, que não sejam por retração muscular; quando as contraturas ou tecidos moles encurtados forem a base de habilidades funcionais, particularmente em pacientes com paralisia ou fraqueza muscular intensa (KISNER e COLBY, 1998; ALTER, 1999). Durante a realização dos exercícios de alongamento algumas precauções devem ser tomadas: não forçar as articulações além da amplitude normal de movimento; estabilizar as fraturas recém consolidadas; evitar alongamentos vigorosos após uma imobilização prolongada, devido a perda de tensão sofrida pelos tendões e ligamentos podendo resultar em ruptura; ter os devidos cuidados em pacientes com osteoporose, repouso prolongado no leito e idade avançada; cessar o alongamento na presença de dor acentuada durante sua realização (KISNER e COLBY, 1998). Nas alternativas “A” e “C”, esse aumento de estabilidade é proporcionado pelos músculos encurtados, e não é desejável. Portanto.´podemos alongar aqui. Alternativas incorretas, mas a banca diz que a correta é a “C”. Não preciso consultar nenhum livro para saber disso, músculos encurtados. são disfuncionais, e esse aumento de estabilidade pode ser interpretado mais como uma restrição. Com a exceção de haver contraindicação por patologia previamente estabelecida, fica difícil entender os motivos de quem elaborou a prova. Uma das possibilidades é o encurtamento ser a base de movimentos funcionais. Mesmo isso sendo algo que eu considero discutível e que deve ser analisado em cada caso, essa alternativa só estaria correta se fosse mencionado que esse encurtamento além de aumentar a estabilidade é a base de movimentos funcionais, e isso não acontece. Então, ou a banca realmente errou, ou haviam informações que não foram fornecidas pelo enunciado e que justificariam essa escolha, o que também é um erro. Portanto, temos duas possibilidades, ou banca errou ou ela errou mesmo. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: Nenhuma. 71. Com relação aos fundamentos, aos princípios físicos e bioelétricos, pertinentes à aplicação da eletroterapia, assinale a alternativa correta. (A) Quando objetivamos a eletroestimulação muscular, a técnica bipolar, com os eletrodos colocados no ventre muscular, é indicada, pois consome menor tempo de preparação para aplicação, causa excitação degrupos específicos de músculos e provoca contrações mais fortes. (B) De acordo com a primeira lei de Faraday, a eletrólise produzida pela eletroterapia gera, no nível celular, mais íons cálcio que íons sódio ou potássio. (C) Um exemplo de resposta fisiológica indireta provocada pelo uso de eletroterapia com corrente alternada, na tentativa de restaurar o pH e a temperatura normais do tecido afetado, é a vasodilatação de capilares arteriais e pequenas artérias. (D) A capacitância de uma fibra nervosa ou muscular é a propriedade que elas têm de resistir à passagem da corrente elétrica. (E) Na aplicação de eletroterapia de corrente alternada, utilizando-se de eletrodos de tamanhos diferentes, conseguimos um efeito maior no eletrodo de maior tamanho em decorrência da concentração de corrente presente nele. Quanto a “A”, a técnica bipolar consiste na utilização de dois eletrodos de tamanhos iguais com o objetivo de distribuir uniformemente a corrente pela superfície do segmento a ser tratado. Já na monopolar, os eletrodos de tamanhos diferentes proporcionam uma concentração maior da corrente no eletrodo de menor tamanho, enfatizando assim o local a ser tratado. Essa alternativa me parece correta, mas sempre fico com o pé atrás quando as bancas dizem que algo é mais forte sem deixar claro com relação ao que é mais forte. No entanto, achei a informação abaixo num manual de corrente russa e, a técnica por ponto motor é considerada melhor por eles: “Existem duas formas para realizar a eletroestimulação: a técnica bipolar e técnica ponto motor. O local do ponto motor é sempre menos sensível, logo, a estimulação através deles é melhor que em outras áreas por possibilitar o recrutamento de um maior número de fibras musculares”. Respondendo à dúvida da Andréia nos comentários deste post, sobre o ponto motor ser a área menos sensível.Características do ponto motor: - Área onde o nervo penetra no músculo. - Local de menor resistência à passagem da corrente. - Maior percepção do estímulo motor (> excitabilidade muscular). - Menor percepção do estímulo sensitivo. Na “B”, primeiro é preciso descobrir quais são essas leis de Faraday. São duas apenas: Primeira lei de eletrólise de Faraday Durante uma eletrólise, a massa de uma substância libertada em qualquer um dos eletrodos, assim como a massa da substância decomposta, é diretamente proporcional à quantidade de eletricidade que passa pela solução. Segunda lei de eletrólise de Faraday Quando uma mesma quantidade de eletricidade atravessa diversos eletrólitos, as massas das espécies químicas libertadas nos eletrodos, assim como as massas das espécies químicas decompostas, são diretamente proporcionais aos seus equivalentes químicos. Então, a regra é clara Galvão, a lei não diz nada disso. A “C” é a alternativa que me parece correta, já que algumas correntes alternadas retificadas possuem essa característica vasomotora. Ficam no ar apenas duas dúvidas, se o efeito é realmente indireto e se a banca aqui se refere a qualquer tipo de corrente alternada. Por exemplo, as correntes diadinâmicas são alternadas retificadas, já o TENS e o FES são alternadas não-retificadas. A “D” é incorreta, capacitância corresponde à relação entre a quantidade de carga acumulada pelo corpo e o potencial elétrico que o corpo assume em consequência disso. A “E” é o oposto. Incorreta também. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: C 72. Entre os efeitos fisiológicos do calor, é correto afirmar que o calor: (A) interfere no metabolismo celular, uma vez que esse processo depende de ações enzimáticas, e o calor reduz as reações enzimáticas. (B) interfere nas atividades glandulares, reduzindo essa atividade das mesmas por ação autonômica reflexa. (C) altera a extensibilidade do colágeno, aumentando a ligação entre as moléculas constituintes das fibras de colágeno. (D) altera a viscosidade dos fluidos teciduais, reduzindo a coesão das partículas constituintes desse fluido. (E) não influencia as reações químicas celulares e teciduais. Nas alternativas “A” e “B” ocorre o oposto. Na alternativa “C”, temos uma certa dificuldade. A maior ligação entre as fibras de colágeno causaria um aumento ou uma diminuição da elasticidade do tecido? A diminuição, então a alternativa é fake, mas bem bolada. O calor aumenta a elasticidade dos tecidos, ou seja, torna a ligação ente as fibras de colágeno mais fraca. A “D” é correta. A “E” sem comentários. Sugestão de leitura: https://www.mediafire.com/?6q04tfu962bmanc Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 73. Quanto à marcha patológica caracterizada pelo comprometimento da musculatura pélvica, na qual o quadrado lombar compensa estes déficits, associada a uma hiperextensão dos joelhos e marcha na ponta dos pés, assinale a alternativa correta. (A) A marcha trendelemburg. (B) A marcha festinante. (C) A marcha anserina. (D) A marcha atáxica. (E) A marcha escarvante. Não gostei da descrição dessa questão. Ela descreve “hiperextensão dos joelhos e marcha na ponta dos pés”, e isso é incorreto, nenhuma alternativa tem marcha com essa característica, temos duas ali onde o paciente anda na ponta de apenas um pé. Isso faz toda diferença e atrapalha demais o raciocínio para se chegar à resposta. É hilário imaginar uma marcha assim, nem marcha coreica se aproxima de andar com hiperextensão de ambos os joelhos e com os pés caídos em ambas as pernas. Quando o candidato erra o plural nas questões de português se dá mal, então por que as bancas podem sambar na cara da língua portuguesa? Mais uma para a seleção de cagadas das organizadoras. Claro que podemos facilmente eliminar as alternativas “A”, “B” e “D”, restando apenas “C” e “E”. Nas duas ocorre o descrito no enunciado. Mas a diferença é que na “E”, apesar do pé caído, não há hiperextensão do joelho, restando apenas a “C”. Marcha de Trendelemburg Queda da pelve para o lado oposto, déficit de glúteo médio. Este tipo de marcha pode ser causado por várias lesões, como nas miopatias, luxação bilateral de quadril, polineuropatias. Marcha Parkinsoniana ou festinante Marcha em bloco, pois o paciente encontra-se rígido. A rigidez muscular generalizada torna difícil o início da marcha, dando a impressão de que o enfermo se acha preso ao solo. Às vezes, só após algumas tentativas consegue iniciar a marcha, que se realiza em passos curtos, com a cabeça e o tórax inclinados para frente (bradicinesia). Antebraços e os joelhos rígidos em discreta flexão. Não há o balanço dos braços como na marcha normal. Marcha Ceifante ou Helicópode (Hemiplegias espásticas) Membro inferior em extensão e o pé em leve eqüino. O membro inferior se torna rígido e aparentemente maior que o oposto. Circundução ao redor da coxa, como se ceifasse a terra (marcha ponto e vírgula). Membro superior em flexão, rotação interna, adução, unido ao tronco, e o antebraço, ligeiramente flexionado em pronação, dedos fletidos. Marcha Ebriosa ou Atáxica Cerebelar Quando há lesão cerebelar, o paciente aumenta a base de sustentação para poder ficar de pé, já que muitas vezes é até impossível esta posição. Pode haver oscilações para os lados e tendência a quedas (ziguezague). É difícil a marcha em linha reta, pois há desvio de marcha para o lado do hemisfério lesionado, e o enfermo, tentando compensar este erro, desvia para o lado oposto A marcha é insegura, e os passos desordenados, o paciente caminha com as pernas afastadas uma da outra, levantando-as em excesso para em seguida projeta-las com energia no solo, tocando-o com o calcanhar. Marcha Escarvante Encontrada em lesões do nervo fibular comum, não permitindo dorsiflexão do pé (pé caído), em consequência, o paciente ao andar flete a coxa, eleva a perna e o pé cai. O bico do sapato toca no solo como se escavasse o mesmo, por isto seu nome “escarvante” ou stepage. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indicoapós analisar: C 74. O processo de cicatrização é um fenômeno complexo que ocorre após uma lesão ou doença. A compreensão deste processo e fundamental, para o fisioterapeuta, na escolha da melhor medida terapêutica a ser aplicada. A respeito do processo de cicatrização, assinale a alternativa correta: (A) Na cicatrização óssea primária, ou cicatrização cortical primária, o osso de um lado da fratura deve se unir, diretamente, com o osso do lado oposto, para restabelecer a continuidade mecânica. (B) Na cicatrização óssea secundária, seria o processo no qual ocorre a formação de um calo mole no foco da fratura, que, consequentemente, impede a resolução final do processo de consolidação, levando a pseudoartrose. (C) O estágio agudo do processo de reparo dos tecidos moles, também conhecido como coagulação e inflamação, dura, em geral, três semanas. (D) O estágio subagudo do processo de reparo, também conhecido como estágio migratório e proliferativo, é marcado pela migração de células como os neutrófilos e monócitos e, geralmente, dura até seis semanas. (E) O estágio crônico do processo de reparo, também conhecido como estágio de remodelagem, é marcado pela migração de células como os fibroblastos, responsáveis pela produção e organização do colágeno, e pode durar de seis semanas a 12 meses. A banca aqui propõe dois temas correlatos mas diferentes. Nas alternativas “A” e “B”, o tema é a consolidação óssea e nas demais alternativas o tema muda para reparação de tecidos moles. Vamos iniciar pelas duas primeiras. Inicialmente, reparem que a banca escolheu o termo cicatrização, e não consolidação da fratura. Isso significa que ela está se referindo ao processo imediato pós-fratura, considerando que a consolidação é uma etapa posterior desse processo. Para complicar um pouco, basta afirmar que a consolidação indireta ou secundária é a forma mais comum de cicatrização óssea. Ficou confuso isso? A consolidação indireta ou secundária faz parte da cicatrização óssea porque diz respeito à formação do calo intermediário anterior à formação do calo ósseo. É literalmente uma cicatrização! Durante as últimas décadas, os estudos sobre a cicatrização da fratura evoluíram rapidamente. É sabido que o osso é um dos poucos tecidos que podem cicatrizar sem que haja a formação de uma cicatriz fibrosa. Assim, o processo de desenvolvimento e reorganização da fratura pode ser considerado uma forma de regeneração óssea. No entanto, apesar da capacidade regenerativa do tecido ósseo, esse processo às vezes falha e as fraturas podem cicatrizar em posições anatômicas desfavoráveis, ter um atraso no tempo de cicatrização, ou até mesmo desenvolver uma pseudoartrose ou não união óssea O processo de cicatrização indireta é mais comum, uma vez que a cicatrização direta requer redução anatômica e uma estabilização do foco de fratura, que na maioria das vezes é obtida por redução aberta e fixação interna. No entanto, quando tais condições são alcançadas, a cicatrização direta permite uma regeneração anatômica do osso lamelar e dos sistemas de Havers, sem a necessidade da etapa de remodelação. (MARSHELL & EINHORN, 2010). A consolidação direta não ocorre comumente no processo natural de cicatrização óssea. É caracterizada pela cicatrização do local da fratura sem a formação de um calo periosteal ou endosteal. Isto ocorre quando uma restauração anatômica dos fragmentos da fratura é alcançada e a fixação rígida é fornecida resultando em uma diminuição substancial da tensão interfragmentária. Portanto, este tipo de consolidação é frequentemente o objetivo principal alcançado após uma redução aberta e uma cirurgia de fixação interna. Quando esses requisitos são alcançados, a cicatrização óssea direta pode ocorrer por remodelação direta do osso lamelar, canais de Havers e vasos sanguíneos (RAHN, 2002). Disso tudo podemos concluir que a “A” é correta e a “B” incorreta, porque o calo mole é um processo natural da cicatrização óssea. Para ler mais: http://www.mediafire.com/view/zmjm592wri99m8f/IMPORT%C3%82NCIA_DO_CONHECIMENTO_NAS_FASES_DA_REPARA%C3%87%C3%83O_DA_FRATURA_PARA_O_PROFISSIONAL_DE_FISIOTERAPIA.pdf As demais alternativas são todas incorretas em algum ponto. Abaixo o breve resumo que já postei sobre o assunto. Vamos dar uma resumida nesse reparo tecidual, que é algo muito grande que envolve mais eventos do que pode aparentar esse breve resumo. O Reparo tecidual é uma resposta natural do corpo à injuria e envolve uma sequência de eventos altamente independentes que se sobrepõem. O reparo de um tecido pode ser dividido em três fases: Fase Inflamatória: também chamada de exsudativa ou defensiva, é caracterizada pelo processo inflamatório local com a presença de sinais típicos (dor, calor, rubor e edema, podendo alcançar a perda da função local). Se inicia no momento que ocorre a agressão ao tecido e se prolonga por um período de até 7 dias. Objetiva preparar o local para o novo tecido que crescerá. Fase Proliferativa: também chamada de reconstrutiva ou fibroblástica, pode se estender por 3 semanas e é caracterizada pela mitose celular. A reconstituição da matriz extracelular e o desenvolvimento do tecido de granulação ocorre devido à deposição de colágeno, fibronectina e devido a outros componentes. Fase Reparadora: também chamada de fase de maturação ou de remodelação, possui início próximo da terceira semana da agressão e seu término pode passar 12 meses. É caracterizada pelas transformações que ocorrem no tecido de cicatrização, sendo estas devido à diminuição progressiva da vascularização e da quantidade de fibroblastos e a reorientação das fibras de colágeno. Nesta fase, a cicatrização torna-se mais plana e macia e podem ocorrer defeitos na cicatrização, como quelóides, cicatrizes hipertróficas e hipercromias. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 75. De acordo com os diversos princípios físicos, fisiológicos e terapêuticos, que devem ser considerados na aplicação da diatermia por ondas curtas, assinale a alternativa correta: (A) A transferência de energia eletromagnética do equipamento de ondas curtas acontece pelo método indutivo, que é realizada por meio de placas recobertas com material isolante. (B) A transferência de energia eletromagnética do equipamento de ondas curtas acontece pelo método condutivo, que é realizado por meio de placas recobertas com material isolante. (C) O método capacitativo da terapia por ondas curtas pode ser realizado utilizando-se eletrodos do tipo Schiliephake. (D) O método indutivo da terapia por ondas curtas pode ser realizado utilizando-se eletrodos do tipo Schiliephake. (E) O método condutivo da terapia por ondas curtas pode ser realizado utilizando-se eletrodos do tipo Schiliephake. Esqueçam essa história de método condutivo, não existe no Ondas Curtas. Foi colocado de forma muito oportunista para confundir. Eliminamos “B” e “E”. Na “A”, no método indutivo não há placas. Nas alternativas “C” e “D”, os eletrodos denominados de Schiliephake são característicos do método capacitivo, sendo portanto correta a “C”. MÉTODOS DE DIATERMIA POR ONDAS CURTAS. CAPACITIVO OU INDUTIVO? Técnica capacitiva O sinal de ondas curtas se aplica mediante dois eletrodos capacitivos com duas variantes: As placas capacitoras flexíveis e os eletrodos Schiliephake Placas Capacitoras Flexíveis São placas metálicas flexíveis revestidas com almofada de material plástico, borracha, feltro ou espuma. Possuem tamanhos variados (pequeno, médio, e grande). E o espaçamento entre a pele e o eletrodo é feito, além do feltro, espuma, com toalha e cobertores. Eletrodos Schiliephake São discos metálicos planos acoplados a “braços” mecânicos que permitem movimentos universais, facilitando o posicionamento dos eletrodos no segmento a ser tratado. São cobertas com um envoltório de vidro, plástico ou borracha. Estas coberturas mantém a distância entre a pele e a placa capacitora (ajustável). É de fácil aplicação, podendoser transversal (contrapanar), longitudinal ou coplanar. Deve-se respeitar uma distância mínima de 8 a 10 cm entre as placas, pois se houver redução dessa distância, haverá concentração de ondas curtas nas placas e não no paciente. Técnica indutiva A terapia por ondas curtas geralmente utilizando o método indutivo será aplicada de um único eletrodo. Trata-se de eletrodo circular conhecido como bobina ou tambor. Funciona como uma antena que transmite o campo eletromagnético para o interior dos tecidos. São mais eficazes para produzir calor que os eletrodos capacitivos, pois o aumento de temperatura no tecido adiposo e muscular é mais homogêneo, se dá numa relação de 1/1. Na técnica indutiva uma corrente elétrica é gerada no interior do aparelho, sendo em seguida passada através da bobina. O campo magnético associado a esta corrente é formado em ângulo reto com a direção do fluxo da corrente, sendo portanto direcionado para a parte do corpo na qual se estabeleceram as correntes indutivas. Dosimetria do Ondas Curtas: Escala de Schliephake Calor muito débil – Imediatamente abaixo da sensação de calor ou abaixo do limiar de sensibilidade.(Grau I) Calor débil – É a sensação de calor imediatamente perceptível. (Grau II) Calor médio – É a sensação clara e agradável de calor. (Grau III) Calor forte – É a sensação de calor no limite da tolerância. (Grau IV) Dose mitis e submitis (Ondas Curtas Pulsado) A dose estabelecida para ondas curtas pulsado (OCP) na literatura internacional apresenta duas denominações mitis e submitis, determinadas pela equação de potência média e também pela sensação subjetiva. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 76. Os processos que envolvem o movimento da energia térmica de um ponto para outro, são descritos como formas de transferência de calor. Na eletrotermoterapia, lidamos com a transferência de energia térmica entre o ambiente externo e a superfície do corpo, e entre os tecidos fluidos do próprio corpo. Sobre as formas de transferência de calor, é correto afirmar que: (A) o turbilhão quente é uma forma de transferência de calor por condução. (B) durante a utilização da crioterapia, o calor é transferido dos tecidos para a modalidade de aplicação de frio por condução. (C) o micro-ondas transmite calor aos tecidos biológicos por convecção. (D) o ultrassom terapêutico não transfere calor aos tecidos por não apresentar uma das formas tradicionais de transferência de calor, uma vez que se trata de uma onda mecânica. (E) o banho de parafina transmite calor ao tecido por convecção. Na “A”, não é condução, é convecção. Na “B”, apesar da afirmação confusa, o que dificulta responder essa questão e dá razão para recurso, já que não é possível se interpretar uma afirmação sem nexo textual, podemos afirmar que a cioterapia é uma modalidade de trnasferência de temperatura por condução. Creio que ali, no lugar de “para a modalidade”, devia estar “pela modalidade”. Correta, mas marco como erro da organizadora. Na “C”, microondas é conversão. Achei engraçada a afirmação da alternativa “D”. É típico de quem tem dúvidas sobre o assunto concordar com afirmações tendenciosas assim. Nesse tipo de afirmação, a banca se utiliza de uma premissa falsa para chegar a uma conclusão lógica, mas como o raciocínio já estava bichado na raíz, é uma conclusão também falsa. Um exemplo é afirmarmos que o sol está em diferentes posições ao longo do dia e estamos parados, logo é o sol que gira em torno da Terra. Galileu se debate no caixão. A conclusão é perfeita, mas a premissa é errada, pois não estamos parados no espaço. Na “’E”, banho de parafina é condução. Vou deixar aqui uma tabelinha para acabar as dúvidas sorbre esse tema: Modalidades de transferência de energia térmica por condução: Crioterapia em gelo(mais indicado); Crioterapia por bolsa de gel(não mantem a temperatura como o gelo); Compressas quentes Banho de parafina Modalidade de transferência de energia térmica por convecção: Turbilhão (Fluidoterapia) Crioterapia por Spray Forno de Bier Ár úmido Modalidade de transferência de energia térmica por conversão: Ondas curtas Microondas Ultrassom Calor irradiado(Infravermelho, Ultravioleta) Para ler mais: http://repositorio.chlc.min-saude.pt/bitstream/10400.17/768/1/Temas%20Reabilita%C3%A7%C3%A3o_Agentes%20Fisicos_Vol%20I.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 77. Em relação às terminologias e à posição anatômica, às noções dos planos e aos eixos anatômicos, assinale a alternativa correta: (A) O plano coronal divide o corpo em direito e esquerdo. (B) O plano horizontal divide o corpo em superior e inferior. (C) Entre os movimentos que acontecem no plano sagital, podemos destacar a flexão e a extensão do joelho. (D) O quinto dedo está colocado, lateralmente, com relação ao primeiro dedo. (E) O termo proximal e distal serve para localização de estruturas no esqueleto axial. Parece haver uma exuberância de termos que dizem a mesma coisa quando falamos em planos e eixos anatômicos. Por isso, após analisar as alternativas isoladamente, vou deixar um texto específico onde procurei mostrar os termos que acabam confundindo muita gente num tema simples como esse. Na “A”, alternativa incorreta. O plano coronal ou frontal, onde já temos dois termos para a mesma coisa, divide o corpo em anterior e posterior. Na “B”, um belo ponto de interrogação. O plano horizontal ou transversal, de novo abundância de termos para a mesma coisa, não divide o corpo em superior e inferior. Essa divisão ocorre em membros superiores e inferiores, e isso independe de onde se localiza o plano horizontal. Mas alguns autores consideram esta divisão, diferenciando como inferior ou superior o que está mais perto de um dos extremos. Como não há uma linha mediana para o corpo que o divida em superior e inferior, já que de forma diferente dos lados esquerdo e direito, o corpo não é simétrico em MMSS e MMII, creio que por isso podemos considerar incorreto. Só cheguei a essa conclusão após analisar muito a terminologia dos planos e eixos, mas o mais comum é que os autores considerem que o plano transversal ou horizontal divida o corpo em inferior e superior. Essa alternativa daria um belo recurso, por isso marco essa questão como erro da organizadora sem considerar que a banca tenha errado de fato. Na “C”, alternativa correta. flexão e extensão são movimentos do plano sagital. Na “D”, tomando sempre a posição ortostática como parâmetro, o polegar fica para fora(mais lateral) e o dedo mínimo, ou quinto quirodáctilo, fica para dentro(mais medial). Alternativa incorreta. Na “E”, os termos distal e proximal fazem referência à localização de estruturas do esqueleto apendicular. Incorreta, mas é uma bela pegadinha. O texto abaixo é meu, a maioria dos textos que encontrei não eram o que eu esperava mostrar, por isso me elaborei um texto onde procuro abarcar todos os termos utilizados e, de alguma forma, contribuir com quem acha que não é inteligente e nunca vai entender isso. A culpa não é sua se você não sabe que Cida, Maria Aparecida e Cidinha são a mesma pessoa. Planos e eixos do corpo humano – desvendando a lambança terminológica Classificar os movimentos do corpo humano é algo essencial. Se trabalhamos como otimizadores da função, devemos conhecer os parâmetros para saber aonde chegar. Apesar de elementar, é um tema que devido ao elevado número de autores que o abordam oferece algumas variáveis de terminologia para o mesmo movimento. Essa profusão terminológica mais complica que organiza. Vamos a ela, não sem antes definir o que é plano e o que é eixo. Plano é uma superfície reta que se move em torno de um eixo perpendicular. Eixo é uma linha reta que atravessa o centro de um corpo e em torno da qual esse corpo pode executar movimentos. Um exemplo é o eixo terrestre, a linha imaginária que cruza o centro da Terra. O planeta gira em torno desse eixo. Dessaforma, podemos concluir que os movimentos ocorrem nos planos, já que o eixo atravessa a articulação no sentido perpendicular (que é o formato de um “T”). Por essa razão, não importa o sentido de movimento no plano, tanto nos movimentos de extensão como nos de flexão por exemplo, o eixo não muda, e por isso também ocorrem no mesmo plano. Os movimentos de circundução dos membros e de diducção da mandíbula são movimentos circulares, onde as articulações se utilizam de todos os eixos e planos articulares de que dispõem, e por isso não estão classificados abaixo. Há também a escapulação do ombro, que é um movimento recentemente estudado, adiante do plano frontal (30º/40º) associado a flexão e a abdução. Deve-se dar atenção muito especial à classificação dos movimentos escapulares. De forma diferente da articulação glenoumeral, onde os movimentos do ombro são facilmente identificados em seu eixo, os movimentos da anteposição, retroposição, elevação, depressão, e as rotações da escápula não possuem um eixo identificável, já que é a própria escápula que se movimenta por ação muscular, sem haver uma articulação fixa em torno da qual ela se movimente. No entanto, seus movimentos podem ser enquadradas nos planos, apesar de haver informações divergentes quanto a isso em alguns autores. Busquei nesse texto a melhor informação que consegui, mas sugiro uma pesquisa minuciosa sobre os movimentos tanto da escápula quanto da articulação temporomandibular para se aperfeiçoar o aprendizado. Plano sagital! …ou mediano? …ou parassagital? …ou paramediano!? Aqui uma bela mistura. Simplificando, quando uma linha imaginária cruza exatamente o meio do corpo, dividindo-o em duas metades simétricas no sentido vertical, uma à direita e outra à esquerda, esse plano recebe o nome de mediano, ou ainda sagital-mediano. Se esse plano for deslocado um pouco para o lado, já é chamado de sagital, ou menos frequentemente de paramediano, ou ainda parassagital. Muita fumaça para pouco fogo, não é mesmo!? Considera-se que existam 4 planos anatômicos porque o mediano é contado como um plano diferente do sagital. Com exceção talvez de flexão e extensão da coluna vertebral, não pode haver movimento no plano mediano, e mesmo esse movimento também se enquadra no plano sagital por tabela. Então qualquer movimento é classificado por um dos três demais planos. Isto posto, se você se deparar a descrição de “quatro planos e três eixos anatômicos”, saiba que esse autor está considerando que o plano mediano e o sagital são diferentes. A utilidade do plano mediano é apenas traçar uma linha média para o corpo e separá-lo em duas metades. Dessa forma, seu irmão gêmeo, o plano sagital, fica livre para se posicionar nos membros sem alterar a nomenclatura dos lados do corpo. Nesse plano temos basicamente apenas o movimento de flexão e extensão. Digo isso porque mesmo o movimento de plantiflexão, analisando friamente, é uma extensão do tornozelo. Flexão e extensão da coluna cervical Flexão e extensão da coluna torácica Flexão e extensão da coluna lombar Depressão e elevação mandibular Protração e retração da mandibula Flexão e extensão de ombro Flexão e extensão coxofemoral Flexão e extensão de cotovelo Flexão e extensão de punho Flexão e extensão de quirodáctilos Anteversão e retroversão coxofemoral Flexão e extensão de joelho Plantiflexão e dorsiflexão de tornozelo Flexão e extensão de pododáctilos O plano sagital ou mediano é cruzado pelo eixo látero-lateral. Já li descrição desse eixo como “também pode ser chamado de eixo horizontal ou transverso”, mas essa informação apesar de correta só reinventa a roda e mistura os termos dos planos com os termos dos eixos. Plano frontal? Coronal? Termos meramente sinônimos, sem nenhuma diferença prática. Essa linha imaginária divide o corpo em anterior e posterior. Neste plano, temos basicamente os movimentos de abdução e adução que, dependendo da articulação, tem essa nomenclatura alterada. Inclinação e redução(retorno) da coluna Adução e Abdução do ombro Elevação e depressão (ou abaixamento) escapular Protração e retração escapular Desvio ulnar(adução do punho) e desvio radial(abdução do punho) Abdução e adução do polegar e quirodáctilos Abdução e adução do quadril Inversão(adução) e eversão(adbução) do tornozelo Adução e abdução dos pododáctilos O plano frontal ou coronal é cruzado pelo eixo anteroposterior. Plano horizontal ou transverso? Termos sinônimos, mas como estamos falando de planos e não de eixos, creio que dizer plano “horizontal” é mais adequado, já que transverso sempre dá uma sensação de algo “através de”, como um eixo. Desvio lateral da mandibula Rotação de coluna, ombro e coxofemoral Abdução e adução horizontal do ombro Anteposição retroposição do ombro Rotação superior e rotação inferior da escápula Pronação e supinação do cotovelo Oposição e reposição do polegar Inclinação do quadril Adução e abdução horizontal do quadril O plano horizontal ou transverso é cruzado pelo eixo longitudinal. Os motivos da dificuldade de assimilação dos planos e eixos anatômicos Com exceção da terminologia, os fatores que geram confusão e dificuldade para fixação dos planos e eixos anatômicos são três: 1) Confundir o plano sagital com o eixo ânteroposterior O plano sagital e o eixo anteroposterior estão na mesma direção. A diferença é que a função do eixo é servir de base para a articulação se movimentar, então o eixo anteroposterior só pode servir para os movimentos perpendiculares a ele, que são os movimentos que ocorrem no plano frontal. 2) Confundir o plano frontal com o eixo longitudinal Apesar de ocuparem a mesma localização espacial, a função do eixo longitudinal é servir de suporte para os movimentos do plano horizontal. 3) Confundir o plano transverso com o eixo mediolateral Apesar de mesma localização, a função do eixomedilateral é servir de base para os movimentos perpendiculares a ele, que são os movimentos do plano sagital. Vou deixar uma aulinha da Unicamp bem bacana sobre esse tema: http://webensino.unicamp.br/disciplinas/EF920-289819/apoio/1/aula02_04_07.pdf Finalizo com uma dica “felomenal”. Se apesar de tudo, na hora da prova der um branco, pegue uma folha de papel e uma caneta. Fure a folha com a caneta, deixando a caneta no centro da folha. Pronto. Posicione essa engenhoca da forma que você quiser, a caneta sempre será o eixo e a folha de papel sempre será o plano. Ficará parecido com o pirocóptero! Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 78. A amplitude de movimento de flexão do quadril pode atingir até 125º, mas, para que isso ocorra, devemos realizá-la com o joelho fletido: (A) em razão do alongamento excessivo do músculo glúteo máximo. (B) reduzindo, assim, a tensão excessiva em alongamento, oferecida pelo músculo retofemoral ao nível de joelho, pois este é um músculo biarticular, trabalhando, diretamente, nas duas articulações. (C) reduzindo, assim, a tensão excessiva de retração, oferecida pelo músculo retofemoral ao nível de joelho, pois este é um músculo biarticular, trabalhando diretamente nas duas articulações. (D) reduzindo, assim, a tensão excessiva em contração, oferecida pelos músculos isquiotibiais ao nível de joelho, pois este é um músculo biarticular, trabalhando diretamente nas duas articulações. (E) reduzindo, assim, a tensão excessiva em alongamento, oferecida pelos músculos isquiotibiais ao nível de joelho, pois este é um músculo biarticular, trabalhando diretamente nas duas articulações. Essa questão não oferece muita dificuldade. É só imaginar uma flexão de quadril com o joelho em extensão para perceber qual é o grupo muscular que ficará em estiramento máximo e, dessa forma, bloqueará o arco de movimento. São os isquiotibiais. Alternativa “E”. Abaixo, deixo mais um texto que dei uma leve adaptada, do original do treinador americano Mike Boyle, e retirado do blog limatreinamento.blogspot.com, do prof. Marcus Lima. Ampliando a compreensão da flexãodo quadril O problema do entendimento da flexão do quadril em geral, e da ação do músculo psoas em particular, é o uso genérico do termo “flexores do quadril” aplicado a cinco músculos diferentes, quatro dos quais tem braços de alavanca marcadamente diferentes do músculo psoas. A chave para entender o movimento de flexão do quadril é analisar as alavancas anatômicas dos músculos envolvidos. Existem cinco músculos que são capazes de atuar na flexão do quadril: Tensor da fáscia lata Reto femoral Ilíaco Sartório Psoas maior e psoas menor Três desses músculos possuem algo em comum, mas dois são muito diferentes. Isso soa um tanto clichê, mas o segredo está nas diferenças, não nas similaridades. O tensor da fáscia lata, o reto femoral e o sartório têm inserção na crista ilíaca. Isto significa que todos estes músculos são capazes de realizar a flexão até o nível do quadril. Isso é simplesmente uma questão de princípios mecânicos das alavancas (Nota: Referindo-se portanto ao fato de, por terem os pontos de fixação mencionados, estes músculos são capazes de realizar a flexão do quadril até os 90º). (Nota: no texto Coach Boyle cita as inserções dos três músculos acima na crista ilíaca, como visto na foto. O reto femoral não se insere exatamente na crista iliaca e sim na espinha ilíaca ântero-inferior. O sartório tem a fixação proximal na espinha ilíaca ântero-superior, na vizinhança do tensor da fáscia lata. Neumann,D.A. 2005). Mas o psoas e o ilíaco são diferentes. O psoas tem sua origem na coluna lombar inteira e o músculo ilíaco na fossa ilíaca, a parte interna do osso ilíaco. Isto cria duas diferenças: 1 – O psoas age diretamente na coluna. Possivelmente como estabilizador para o ilíaco e possivelmente como flexor do quadril. 2 – O psoas e o ilíaco são os únicos flexores do quadril capazes de trazê-lo acima de 90º. No caso destes dois músculos serem fracos ou terem problemas de ativação, o fêmur até pode mover-se acima do nível do quadril(90º), mas não pela ação do psoas e do ilíaco. Em vez disso, o movimento ocorre devido ao impulso gerado pelos outros três músculos: tensor da fáscia lata, reto femoral e sartório. Com posse deste conhecimento, acredito que o que sabemos de dor lombar, estiramentos nos flexores do quadril e estiramento do reto femoral é expandido drasticamente. Antes de discutirmos lesões específicas, primeiro analisemos como avaliar a função dos músculos psoas e ilíaco. O teste que Shirley Sahrmann usa é bem simples: Em uma posição unipodal, agarre um dos joelhos, puxe-o até o peito e então solte a perna: - Incapacidade de manter o joelho acima de 90º por 10 a 15 segundos indica um psoas ou um ilíaco fracos ou com disfunção na ativação. Abaixo, um vídeo que quase descreve esse movimento, mas parte do apoio em uma cadeira. Recomendo se fazer como descrito acima, para maior precisão. Outros sinais de fraqueza ou falta de ativação: – Cãibras no tensor da fáscia lata. – Uma inclinação posterior, como uma tentativa de compensação. – Grande inclinação pélvica para direita ou esquerda. – Queda da perna, parando por volta de 90º, como visto no vídeo. Todos estes sinais indicam que o atleta ou cliente está tentando compensar a fraqueza ou sub-atividade de alguns músculos, no caso, do ilíaco e do psoas. A cãibra no tensor da fáscia lata é um caso clássico de dominância do sinergista. Um músculo geralmente tem cãibras quando tenta encurtar a partir de uma posição desvantajosa. Com o quadril acima de 90º, o tensor já está encurtado e é incapaz de produzir a força necessária para sustentar uma posição a partir de uma alavanca desfavorável. A tentativa resulta nas cãibras, assim como ocorre com os isquiotibiais no exercício de ponte quando os glúteos tem problemas de ativação. Se os glúteos tem problemas de ativação, os isquiotibiais assumem a tarefa de extensão do quadril a partir de uma alavanca desfavorável a eles. Algo muito comum de se ver em iniciantes. Os mesmos efeitos são vistos frequentemente quando se tenta fazer um hanging knee up, (Nota: Optei por deixar o nome original em inglês, hang knee up, creio que seja aquele exercício de elevação dos joelhos enquanto se está pendurado em uma barra, como na foto abaixo), só que agora a cãibra ou estiramento ocorre no reto femoral Se o avaliador estiver preocupado com o fato de o avaliado ser habilidoso em compensar, desenvolvemos um teste melhor, que inclusive tem se tornado nosso exercício favorito. O teste foi desenvolvido pela treinadora Karen Wood: - Peça ao cliente ou atleta para ficar de pé com um pé sobre uma caixa que ponha o joelho mais alto do que o quadril (uma caixa de 60 cm funciona bem para a maioria). Com as mãos acima ou atrás da cabeça, tente levantar o pé da caixa e sustentar por 5 segundos. Incapacidade de levantar ou sustentar, é indicativo de fraqueza do psoas e/ou ilíaco. Pode-se adicionar resistência e usar o teste como um exercício, borrachas podem ser usadas para aumentar a dificuldade. É importante notar que qualquer teste que tenha como objetivo avaliar o psoas é inválido se a posição do quadril for menor que 90º de angulação. Isto porque os outros flexores do quadril estarão com uma posição favorável de alavanca e isso influenciará no teste. Entender a contribuição funcional única do psoas e do ilíaco ilustra como um músculo fraco ou sub-ativo pode ser um fator nas dores nas costas ou estiramentos no quadríceps. Com relação a dor nas costas, a incapacidade de flexionar o quadril acima de 90º irá frequentemente fazer com que haja a flexão da coluna lombar, dando a ilusão de flexão de quadril. Observe como muitos de seus clientes/atletas irão imediatamente flexionar a coluna lombar quando forem instruídos a trazerem o joelho em direção ao peito (Nota: referindo-se ao teste, que foi mostrado no primeiro vídeo). Não há uma distinção clara entre trazer o joelho até o peito e trazer o peito até o joelho. A tentativa de trazer o joelho até o peito, acima do nível do quadril, força o indivíduo a usar ou tentar usar o psoas e o ilíaco. Se eles forem incapazes de fazer isto, uma ou todas estas 3 coisas pode estar ocorrendo: 1 – O atleta/cliente irá flexionar a lombar e levar o peito até o joelho. A primeira vista isto parece ser a mesma coisa do que levar o joelho até o peito, mas sob a perspectiva de dores nas costas, isso não poderia ser mais diferente. A flexão da coluna lombar estará levando a degeneração discal, dessa forma, os indivíduos que substituem o movimento do quadril pelo movimento da coluna lombar, provavelmente terão dor lombar. 2 – O atleta/cliente usará o tensor da fáscia lata para fletir o quadril. Neste caso este indivíduo irá se queixar de estiramentos de baixo nível na região do tensor da fáscia lata. Este é o resultado da sobrecarga de uso de um sinergista, e irá alimentar uma dominância sinergística do tensor da fáscia lata, levando a ainda mais disfunção no psoas e no ilíaco. Isto é algo já clássico em nossos atletas de hóquei no gelo, que utilizam muito uma postura em flexão. 3 – O atleta/cliente usará o reto femoral para criar a flexão do quadril. Este é o misterioso estiramento no quadríceps visto em velocistas e atletas de futebol americano durante o teste de 40 yard dash (Nota: deixei o nome em inglês mesmo, por não saber a melhor tradução. É um teste de corrida de 40 jardas, aproximadamente 36,57 metros, que mede velocidade e principalmente aceleração já que a distância é curta). Neste caso, a etiologia é a mesma do exemplo anterior só que agora o culpado é o reto femoral e não o tensor da fáscia lata. É digno de nota que a maioria das lesões musculares do quadríceps são limitadas ao reto femoral (o único multiarticular dos 4 músculos). A dor geralmente se localiza perto do ponto de inserção do reto femoral no quadríceps, mais ou menos no ponto médio da coxa. O psoas e o ilíaco, representam para a parte anterior do quadril o que o glúteo máximo representa para a parte posterior. Um glúteo máximo fraco causará uma dominância sinergística dos isquiotibiais e aextensão lombar compensando pela extensão do quadril. Isso levará à dor lombar, dor anterior no quadril (este é outro ponto de Shirley Sahrmann: o uso dos isquiotibiais como extensores primários do quadril, muda o braço de alavanca do fêmur e pode causar dor na parte anterior da cápsula articular do quadril), e estiramentos dos isquiotibiais. No lado oposto, um psoas com problemas de ativação irá causar dor lombar a partir da flexão ao invés da extensão (como o glúteo), estiramentos do tensor da fáscia lata e do reto femoral. A chave para a prevenção de lesões e para a reabilitação é um entendimento sólido de anatomia funcional. Precisamos parar de repetir os erros do passado e começar a perceber que ainda temos muito a aprender sob a perspectiva da anatomia e da biomecânica. Fico pasmo de ver o quão pouco de anatomia eu realmente sei quando olho um pouco mais a fundo. Uma das melhores coisas que li nos últimos 3 anos é a declaração de Shirley Sahrmann: “quando um músculo é estirado, a primeira coisa a fazer é olhar para um sinergista fraco ou com falta de ativação”. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 79. Os ligamentos cruzados do joelho estabelecem conexão tão íntima com a cápsula articular e apresentam papel fundamental na estabilidade dessa articulação. Quanto às características cinesiológicas dos ligamentos cruzados do joelho, é correto afirmar que: (A) com o joelho em extensão, o ligamento cruzado anterior é mais horizontal, enquanto o posterior é mais vertical. (B) com o joelho em flexão, o ligamento cruzado posterior, se endireita verticalmente, enquanto o ligamento cruzado anterior reduz, ligeiramente, a sua tendência à verticalização. (C) com o joelho em flexão, o ligamento cruzado anterior, se endireita verticalmente, enquanto o ligamento cruzado anterior reduz, ligeiramente, a sua tendência à verticalização. (D) com o joelho em extensão, tanto o ligamento cruzado anterior quanto o posterior mantêm um alinhamento mais horizontalizado mais vertical. (E) apesar do nome, os ligamentos não se cruzam entre si. Ao invés de analisar essa questão pelas alternativas, fiz uma breve panorâmica dos ligamentos cruzados do joelho. Ao ler esse texto, fica mais fácil se encontrar a resposta. Os ligamentos cruzados são estruturas ligadas à estabilidade do joelho e estão localizados no centro da articulação. O ligamento cruzado anterior (LCA) assim como o posterior (LCP), são extrasinoviais, apesar de intra-articulares. Eles recebem esta denominação de acordo com sua inserção tibial, e por se cruzarem no centro do joelho. As principais funções dos ligamentos do joelho são: estabilização, controle da cinemática e prevenção dos deslocamentos e rotações anormais que podem causar lesões da superfície articular. O seu conhecimento é fundamental para o planejamento cirúrgico e reabilitação. O joelho apresenta seis tipos movimentos: três translações (antero-posterior, médio – lateral, céfalo-caudal), e sobre estes três eixos ocorrem três rotações (flexo-extensão, rotação interna-externa, varo-valgo), criando um movimento complexo. A mobilidade do joelho ocorre simultaneamente em mais de um eixo, por exemplo, a translação anterior e a rotação ocorrem conjuntamente no plano sagital e são, obrigatoriamente, associadas a rotações em outro eixo. Em 1917 Strausser descreveu o sistema de quatro barras do joelho formado pelos: LCA, LCP, fêmur e tíbia, que ainda hoje é utilizado para explicar os princípios da cinemática da flexo-extensão do joelho e a interação dos ligamentos cruzados com a geometria óssea. As quatro barras representam as conexões formadas pelas inserções tibiais e femorais dos ligamentos cruzados: anterior (A – B ) e posterior (C – D ) e por suas fibras neutras hipoteticamente isométricas, isto é, fibras que não alteram ou quase não alteram seu comprimento durante o movimento de flexo–extensão. No LCA essas fibras são mais anteriores e no LCP mais posteriores. Durante a flexo-extensão, o centro instantâneo de rotação articular (ponto de cruzamento dos ligamentos) move-se posteriormente forçando uma combinação de rolamento e deslizamento entre as superfícies articulares. Este é o único mecanismo que evita que o fêmur role posteriormente para fora do planalto tibial durante a flexão do joelho. Para permitir a flexo-extensão normal, cada barra do sistema deve estar fixa dentro da sua própria relação, restringindo a área de realização dos túneis ósseos na cirurgia de reconstrução dos ligamentos cruzados, criando assim um conceito de isometria. LCA – Ligamento cruzado anterior Está localizado na parte central da cápsula articular, fora da cavidade sinovial. É um estabilizador ou restritor primário do joelho e sua principal função é impedir a translação anterior da tíbia em relação ao fêmur e impedir a rotação externa do fêmur sobre a tíbia, tendo também importante contribuição (juntamente com o ligamento colateral medial) na estabilização contra o estresse valgo. Ele atua secundariamente na restrição da rotação tibial e em menor grau na angulação varo-valgo quando o joelho está estendido, o que não ocorre em flexão. O LCA não possui ação na restrição da translação posterior da tíbia. Além desta função mecânica, tem sido descrito, ainda, um papel complementar proprioceptivo do LCA, que se exerceria por meio de terminações nervosas contidas no mesmo. Anatomicamente, o LCA é dividido em duas bandas: a banda antero-medial que está tensa em flexão e a banda póstero-lateral que está tensa em extensão. São também descritas fibras que se mantém tensas em todo arco de movimento do joelho. Estas fibras se torcem de acordo com a posição do joelho. Butler et al. (1980) constataram que o LCA recebe 75% da força anterior com o joelho em extensão completa e 85% com o joelho em flexão de 30º e 90°. A secção do LCA aumenta a frouxidão do joelho em todos os ângulos de flexão. O LCA restringe 25% do stress em varo e o LCA e o LCP juntos são responsáveis por 25% da restrição em valgo quando o joelho está em extensão. Lesão do LCA O ligamento Cruzado Anterior é talvez o ligamento mais lesado do corpo humano. Situa-se internamente no joelho, formado por tecido colágeno, une o fêmur a tíbia. É o principal responsável para impedir a translação anterior da tíbia( ou seja, impedir que a perna vá para a frente). Em razão da sua localização anatômica, é particularmente vulnerável aos traumas, principalmente nos esportes. A sua lesão é uma das mais temidas dos atletas e talvez pelo fato de vivermos no país do futebol, tem um destaque maior na mídia. Muito frequente na prática desportiva, principalmente aqueles esportes que exigem mudanças bruscas de direção associada ao contato corporal. Mecanismo de Lesão O mecanismo mais comum de lesão do LCA é a torção do joelho, principalmente quando o pé fica preso (fixo) no solo e o corpo gira internamente em relação a perna (abdução, flexão e rotação externa). Também podemos ter outras maneiras de lesionar como: agachamento, hiperflexão do joelho e traumas diretos no joelho (pancadas), além de outros tipos de mecanismos. O grau de energia realizada nesta torção irá determinar a sua lesão parcial ou total, assim como o acometimento ou não de outras estruturas do joelho (meniscos, cartilagem e outros ligamentos). Conforme WEINSTEIN et al. (2000), a laceração do cruzado anterior ocorre a partir de uma torção valga e rotação de joelho estando o pé firme no chão (exercício de cadeia cinética fechada). Diagnóstico O paciente geralmente chega no consultório, referindo torção durante a prática esportiva (futebol na maioria das vezes) seguida de um estalido audível ou perceptível no momento do trauma, derrame articular (inchaço) e a incapacidade de retornar à atividade. Com estes dados, já temos 80% de chances de ter lesionado alguma estrutura interna do joelho. Esse percentual aumenta, se com o passar dos dias surge um novo sintoma, que por muitos é citado como “falseio” ( falta de confiança)decorrente da falta da integridade do LCA. Para a avaliação da integridade do LCA existem inúmeros testes, os testes mais utilizados são as manobras de Lachman, gaveta anterior e os testes provocativos da subluxação femorotibial. A Ressonância magnética é frequentemente utilizada para confirmar o diagnóstico da lesão do LCA. Porém, de acordo com alguns estudos americanos, nem sempre é um exame pré-operatório fundamental quando a história clínica e o exame físico deixam claro o diagnóstico. Tratamento Na fase aguda da lesão, o tratamento consiste em reduzir o edema (inchaço) do joelho, através de repouso, uso de gelo, enfaixamento e elevação do membro; pode-se administrar antiinflamatórios e analgésicos como sintomáticos. Com relação à escolha do tratamento, deve-se levar em consideração fatores relativos ao paciente, como sexo, idade, ocupação, nível de participação esportiva, lesões intra-articulares associadas, grau de frouxidão do joelho (lesão parcial ou total) e expectativas para o futuro. Nas rupturas parciais, a conduta para o tratamento depende da quantidade lesionada e do sintoma de falseio do atleta. Se não houver a sensação de falseio e instabilidade, e durante o exame do atleta o médico constatar pouca frouxidão, pode ser tentado o tratamento sem cirurgia com reabilitação muscular e exercícios de propriocepção (fisioterapia, ver protocolo em reabilitação), mas sempre deixando claro ao atleta que o ligamento não é mais o mesmo e que a ruptura completa poderá ocorrer. Este tipo de tratamento (conhecido como conservador) também pode proporcionar um nível de função satisfatório àqueles pacientes que não desejam retomar qualquer tipo de atividade física. Quando o ligamento cruzado anterior se rompe totalmente, o tratamento é cirúrgico na maioria dos casos, pois há a necessidade da sua reconstrução (este ligamento não tem a capacidade de se regenerar e colar sozinho). O planejamento cirúrgico na reconstrução do LCA começa com a escolha do enxerto. Existem dois tipos de enxertos que podemos utilizar e são retirados do próprio paciente (auto-enxertos): o Patelar (terço central do tendão patelar) e os tendões do Semitendíneo e do Grácil( retirados da parte interna da coxa). Os estudos demonstram resultados muito similares entre ambos os enxertos. Em relação ao método de fixação (pinagem), existem muitos descritos e a escolha depende do cirurgião e do enxerto escolhido. Temos optado pela Reconstrução do LCA com os tendões do Semitendíneo e Grácil nas rupturas primárias ( primeira lesão) e a Reconstrução do LCA com o tendão Patelar nas re-rupturas. Diferentemente do passado, nos dias atuais, sabemos que o tratamento da lesão deste ligamento, permite o retorno a prática da atividade esportiva pré-lesão. Porém a dedicação, disclipina e responsabilidade no seguimento do protocolo de reabilitação pós operatória na fisioterapia, são determinantes para atingirmos este objetivo. LCP – Ligamento cruzado posterior O ligamento cruzado posterior é uma estrutura intra-articular e extrassinovial. Tem 32 a 38 mm de comprimento com 11mm2 de área de secção transversa no seu terço médio. Sua origem femoral e inserção tibial têm área até três vezes maior que essa espessura. O ligamento pode ser dividido funcionalmente em dois feixes (ou bandas), sendo um deles mais largo e anterolateral (origem anterior no fêmur e inserção lateral na tíbia) e outro menor e posteromedial (origem posterior no fêmur e inserção medial na tíbia). Outras pesquisas ainda mostram que o ligamento é composto por fibras contínuas que formam três ou até quatro bandas. A origem do ligamento é no aspecto anterolateral do côndilo femoral medial, um centímetro proximal à superfície articular e a sua inserção é no aspecto posterior da metáfise tibial aproximadamente a um centímetro distal à linha articular e 7mm anterior à cortical posterior da tíbia. BIOMECÂNICA O ligamento cruzado posterior é restritor primário da translação posterior da tíbia, sendo a banda anterolateral a maior responsável por esta característica. Foi comprovado que o ligamento não é uma estrutura isométrica mantendo as fibras anterolaterais tensas e mais verticais em flexão e as posteromediais tensas e mais verticais na extensão. MECANISMO DE LESÃO Traumas de alta e baixa energia podem levar à lesão do ligamento cruzado posterior. Nos acidentes automobilísticos as lesões em geral ocorrem com uma força direta sobre a região anterior da tíbia proximal no joelho fletido. Neste tipo de trauma uma abrasão anterior característica pode estar presente. Lesões de baixa velocidade acontecem em atividades esportivas com hiperflexão e com hiperextensão do joelho. Quando a ruptura ocorre, ela é tipicamente intrasubstancial. EPIDEMIOLOGIA A incidência da lesão do ligamento cruzado posterior varia dentre diversas publicações entre 1% e 44% das lesões agudas no joelho. Na população em geral é de 3%, e 37% entre os pacientes com hemartrose. Como já citado anteriormente, as lesões estão presentes em pacientes vítimas de acidentes automobilísticos, principalmente, e em atletas. DIAGNÓSTICO Clínica A história e o mecanismo do trauma levam a suspeita diagnóstica. No exame físico do paciente com trauma agudo está presente, tipicamente, o edema e o derrame articular, além da dor à flexão do joelho na região posterior do mesmo. A gaveta posterior se mostrou a teste mais sensível para o diagnostico da lesão. Este é realizado com o joelho em 90º de flexão fazendo-se força sobre a tíbia proximal no sentido anteroposterior. A posteriorização da tíbia é graduada como I quando está entre 0 e 5mm, grau II quando entre 5 e 10mm e grau III quando é maior que 10mm. As lesões grau III têm, em geral, lesões ligamentares e capsulares associadas. Nestes casos o exame do compartimento posterolateral com, por exemplo, a avaliação comparativa da amplitude de rotação externa dos membros é essencial. Exames de imagem A ressonância magnética é o exame mais sensível e especifico para lesões agudas, atingindo próximo de 100% de acurácia em alguns estudos. O exame aponta o local da lesão (avulsão no fêmur ou na tíbia, ou intrasubstancial) e ainda avalia as outras estruturas do joelho como os demais ligamentos, os meniscos e a cartilagem. Nas lesões crônicas, a ressonância pode não mostrar a perda de continuidade do ligamento e é menos importante que a história e o exame físico para definir o diagnóstico e o tratamento. TRATAMENTO Apesar do grande avanço no conhecimento da anatomia e biomecânica deste ligamento o tratamento do cruzado posterior ainda é um assunto controverso. Os objetivos da reconstrução incluem a restauração da estabilidade e função do joelho, as quais podem ser obtidas em muitos casos com o manejo não cirúrgico. Tratamento Não Cirúrgico Classicamente indicado a pacientes com lesões agudas isoladas graus I e II. Sendo o exame físico e a ressonância magnética cruciais para confirmação da lesão isolada. O manejo não operatório baseia-se inicialmente em imobilização do joelho em extensão por volta de 4 a 6 semanas, com posterior fortalecimento do quadríceps e carga progressivos, estando o paciente apto à retornar as atividades em média 3 a 4 meses após a início do tratamento. Tratamento Cirúrgico Lesões combinadas do ligamento cruzado posterior, principalmente com o compartimento posterolateral, avulsões e lesões grau III isoladas sintomáticas são de indicação cirúrgica. As indicações cirúrgicas têm aumentado após estudos que mostraram deteriorização da função do joelho em longo prazo com o tratamento não cirúrgico e com a evolução das técnicas cirúrgicas apresentando, cada vez mais, melhores resultados. A insuficiência do ligamento levaria ao aumento na pressão e degeneração principalmente dos compartimentos femoropatelar e medial. Os métodos cirúrgicos para reconstrução do LCP podem ser divididos de acordo com número de bandas reconstruídas (uma banda ou duas bandas), método de fixação na tíbia (método transtibial ou método “inlay”) e método de confecção do túnel femoral (método“inside-out” e método “outside-in”). A idéia da dupla banda tem como fundamento a anatomia do ligamento que possui feixes não isométricos com uma origem tibial e duas inserções femorais. Recentes estudos biomecânicos mostraram superioridade da dupla banda nos testes em cadáver. O método de fixação “inlay” surgiu com alternativa à fixação transtibial. Esse método basea-se na confecção artroscópica de túneis femorais e fixação por via aberta da porção óssea do enxerto diretamente sobre a tíbia posterior evitando-se a curva do enxerto (“killer curve”) presente na fixação transtibial que com o passar do tempo “enfraquece” o enxerto segundo alguns cirurgiões. A confecção do túnel femoral de dentro para fora mostrou desvantagem biomecânica em relação à técnica de fora para dentro, que propicia uma menor angulação no enxerto. Complicações A mais comum é frouxidão residual após a reconstrução. A mais séria e temida é a lesão neurovascular intraoperatória, especialmente da artéria poplítea. Outras complicações são artrofibrose, infecção e osteonecrose do côndilo femoral medial. Para ler mais: http://www.grupodojoelho.com.br/velho/artigos/anat_biom.htm http://www.drcarlosfrutos.com.br/patologias Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 80. Quais os respectivos testes especiais usados em lesões do joelho com comprometimento de ligamento cruzado anterior, menisco lateral e ligamento colateral medial? (A) Gaveta anterior, tração de Apley e stress em valgo. (B) Lachman, Mc Murray e stress em varo. (C) Gaveta anterior, Lachman e Mac Murray. (D) Lachman, compressão de Apley e stress em valgo. (E) Gaveta anterior, stress em valgo e tração de Apley. Aqui temos um erro. Os testes de Lachman e gaveta anterior são para a mesma coisa, o LCA(Ligamento cruzado anterior). Então, pelo primeiro teste não dá para eliminar nenhuma alternativa. Já sobre o menisco lateral, fica mais fácil, podemos eliminar “C” e “E”. Os demais podem ser usados para se testar a integridade dos meniscos. A alternativa “A” é onde está o problema. Na verdade, é controverso o nome desse teste de “tração de apley”, é mais utilizado o nome “distração de Apley”. Diferentemente do teste de compressão de Apley, o teste de distração não testa os meniscos, ele testa os ligamentos colaterais e cruzado anterior. Na verdade, o teste é realizado com uma tração mesmo, como mostram os vídeos abaixo, mas o nome é “teste de distração de Apley”. Essa nomenclatura está confusa, não faz muito sentido um teste que é uma tração ser chamado de distração, mas nas referências mais confiáveis encontrei apenas o nome “teste de distração de Apley”. Não confundam com os testes de Apley para ombro, são outra coisa e existem também. Dessa forma, podemos eliminar a alternativa “A” também. Então, temos as alternativas “B” – stress em valgo e “D” -stress em varo. Qual escolher? O ligamento colateral medial ficaria mais estirado em qual situação, valgo ou varo? Em valgo, já que com o joelho em varo os ligamentos colaterais laterais seriam estirados. Sendo assim, para se testar o LCM – ligamento colateral medial, é necessário se usar o teste “Stress em valgo”. Recomendo o blog do João Maia, de onde pirateei os textos abaixo. http://fisioterapiajoaomaia.blogspot.pt/search/label/diagn%C3%B3stico%20em%20fisioterapia Lachman Descrição O teste de Lachman é um teste de movimento passivo acessório do joelho, que é executado para identificar a integridade do ligamento cruzado anterior, ou LCA. O teste foi desenvolvido para avaliar a instabilidade do joelho no plano sagital. Técnica Com o paciente deitado de barriga para cima, coloque o joelho do paciente a cerca de 20-30º de flexão e a perna deve ser rodada externamente. O examinador deve colocar uma mão atrás da tíbia e outra na coxa do paciente. É importante que o polegar do examinador esteja na tuberosidade tibial. Puxando anteriormente a tíbia, um LCA intacto deve impedir movimento de translação para a frente da tíbia sobre o fémur. A translação anterior da tíbia associada com um fim de movimento mole indica um teste positivo. Sensibilidade e fiabilidade Os três testes mais precisos para a detecção de uma rutura do LCA são o teste de Lachman (sensibilidade de 60 a 100%, média 84%), o teste de gaveta anterior (sensibilidade de 9 a 93%, média 62%), e o teste de pivot-shift (sensibilidade de 27 a 95%, com média de 62%).Se realizado corretamente, um exame completo do joelho para avaliar uma suspeita de lesão do LCA pode ser altamente preciso, com uma sensibilidade e especificidade de 82 e 94%, respectivamente. Solomon DH, et al. The rational clinical examination. Does this patient have a torn meniscus or ligament of the knee? Value of the physical examination. JAMA. 2001, 286 (13) :1610-1620. Teste de gaveta anterior Descrição O teste de gaveta anterior é comumente usado para testar a integridade do ligamento cruzado anterior (LCA). Este é um dos mais conhecidos e mais utilizados exames especiais em ortopedia e é também um dos mais fáceis de executar. Técnica O teste é realizado com o paciente deitado de barriga para cima, com os joelhos dobrados a cerca de 90º. O examinador senta-se em ambos os pés do paciente e coloca suas mãos em torno da tíbia superior da perna a examinar. Os polegares de ambas as mãos devem ficar na tuberosidade anterior da tíbia. A partir desta posição o examinador puxa a tíbia para si. Este teste é considerado positivo se houver translação anterior excessiva e uma sensação de fim de movimento mole, que é indicativo de que o movimento é parado não pelo LCA, mas sim por estruturas secundárias. O examinador deve fazer o mesmo teste com a outra perna como comparação. Sensibilidade e fiabilidade Os três testes mais precisos para a detecção de uma rutura do LCA são oteste de Lachman (sensibilidade de 60 a 100%, média 84%), o teste de gaveta anterior (sensibilidade de 9 a 93%, média 62%), e o teste de pivot shift (sensibilidade de 27 a 95%, com média de 62%). Se realizado corretamente, um exame completo do joelho para avaliar uma suspeita de lesão do LCA pode ser altamente preciso, com uma sensibilidade e especificidade de 82 e 94%, respectivamente. Solomon DH, et al. The rational clinical examination. Does this patient have a torn meniscus or ligament of the knee? Value of the physical examination. JAMA. 2001, 286 (13) :1610-1620. Teste de stress em varo do joelho Descrição Este teste é usado para avaliar a integridade do ligamento colaterial lateral. O ligamento colateral lateral é importante para resistir à força em varo no joelho devido da sua inserção ao longo do fémur e cabeça do perónio. Como o nervo peronial localizado ao redor da cabeça do perónio, qualquer lesão em varo do joelho poderá lesar o nervo peronial também. Técnica O paciente deve estar deitado de barriga para cima, com a perna a testar relaxada. O examinador deve passivamente dobrar a perna a cerca de 30º de flexão. Enquanto palpa a linha lateral da articulação, o examinador deverá aplicar uma força em varo ao joelho do paciente. Um teste positivo ocorre quando se observa dor ou movimento excessivo da articulação (algum deslizamento lateral é normal a 30º de flexão do joelho). O examinador deve certificar-se que não produziu uma rotação da anca durante a aplicação da força. Em seguida, o examinador deve repetir o teste com o joelho na posição neutra (0 º de flexão). O teste é positivo quando se observa dor ou deslizamento lateral. Precisão do teste A sensibilidade do teste de stress em varo do joelho é de 25% para o diagnóstico de lesões no ligamento colateral lateral. Harilainen A. “Evaluation of knee instability in acute ligamentous injuries.” Ann Chir Gynaecol 1987, 76 (5) :269-273. Teste de stress em valgo do joelho Descrição Este teste é usado para avaliar a integridade do ligamento colateral medial do joelho (LCM). O ligamento colateral medial é importante para resistir à força em valgo no joelho devido à sua inserção ao longodo fémur, menisco e da tíbia. O LCM também desempenha um papel importante na restrição da rotação externa da tíbia. Técnica O paciente deve estar deitado de barriga par cima, com a perna a testar relaxada. O examinador deve passivamente dobrar a perna a cerca de 30º de flexão. Enquanto palpa a linha articular medial, o examinador deverá aplicar ao joelho do paciente uma força em valgo. Um teste positivo ocorre quando se observa dor ou movimento excessivo da articulação (algum deslizamento lateral é normal a 30º de flexão do joelho). O examinador deve certificar-se que não produziu uma rotação da anca durante a aplicação da força. Em seguida, o examinador deve repetir o teste com o joelho na posição neutra (0 º de flexão). O teste é positivo quando se observa dor ou deslizamento lateral. Não deve haver nenhum deslizamento lateral na extensão completa do joelho. Precisão do teste A 30º de flexão a sensibilidade do teste de stress em valgo do joelho é de 86-96% para o diagnóstico de lesões no ligamento colateral medial. Garvin GJ, Munk PL, AD Vellet. “Tears of the medial collateral ligament: magnetic resonance imaging findings and associated injuries.” Assoc Can J Radiol 1993; 44 (3): 199-204. Harilainen A. “Evaluation of knee instability in acute ligamentous injuries.” Ann Chir Gynaecol 1987, 76 (5): 269-273. Teste de Apley Descrição O teste de Appley é usado para avaliar pacientes com suspeita de lesão nosmeniscos do joelho. O diagnóstico deste tipo de lesões meniscais pode ser difícil por os meniscos serem avasculares e não terem suprimento nervoso nos seus dois terços internos, resultando em muito pouca dor ou inchaço quandoocorre uma lesão. Técnica Adendo: Teste de distração de Apley O ideal é realizar em um tablado, paciente em decúbito ventral, fisioterapeuta apoia o joelho dele na perna do paciente, joelho flexionado, estaremos realizando o teste dos ligamentos colaterais; Puxa para cima a perna e roda para lateral. Medial estaremos testando os ligamentos cruzados, puxa para cima a perna e roda para região medial. Teste de Apley Colocar o paciente em decúbito ventral, com o joelho flexionado a 90º. O examinador roda então a tíbia lateral e medialmente, combinando este movimento primeiro com distração e depois com compressão. Se a rotaçãoacrescida de distracção é mais dolorosa ou mostra amplitude de rotaçãoaumentada em relação ao normal para aquele joelho (testar joelho contralateral), a lesão é provavelmente ligamentosa. Se a rotação acrescida de compressão é mais dolorosa ou mostra rotação diminuída em relação aonormal, a lesão é provavelmente no menisco. Sensibilidade e fiabilidade Num estudo prospectivo comparando os sintomas dolorosos pré-operatórios na interlinha articular do joelho com as descobertas de lesões meniscais efectivas por artroscopia nesse joelho, a sensibilidade deste teste foi entre 86% e 92%, com uma taxa de precisão global de 74% a 96% para o menisco medial e lateral, respectivamente. Scholten RJ, Deville WL, Opstelten W, Bijl D, van der Plas CG, Bouter LM. Theaccuracy of physical diagnostic tests for meniscal lesions Assessing of the knee: a meta-analysis. J Fam Pract. 2001, 50:938-944. Hegedus EJ, Cook C, Hasselblad V, Goode A, McCrory DC. Physical examinationtests for Assessing the torn meniscus in the knee: a systematic review withmeta-analysis. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy, 2007, 37(9), 541-50. Teste de McMurray Descrição O teste de McMurray é usado é usado para avaliar pacientes com suspeita de lesão nos meniscos do joelho. Técnica Com o paciente deitado de barriga para cima, o examinador segura o joelho e palpa a linha interarticular com o polegar de um lado e os dedos do outro, enquanto que a outra mão segura a planta do pé e actua de modo a suportar o membro e proporcionar o movimento desejado. Neste caso o examinador em seguida, aplica uma tensão de valgo ao joelho, enquanto que, com a outra mão, roda externamente a perna e estende o joelho. Dor e/ou um estalido enquanto executa esta manobra pode indicar uma rutura do menisco medial. Para examinar o menisco lateral, o examinador repete esse processo mas aplica um uma força para varo no joelho e rotação medial da tíbia antes de estender o joelho mais uma vez. Sensibilidade e fiabilidade Uma recente meta-análise relatou valores de sensibilidade e especificidade de 70% e 71%. Este teste foi, por conseguinte, muitas vezes referido como sendo de limitado valor na prática clínica atual. No entanto, se os resultados positivos neste teste forem agrupados com os resultados positivos de outros testes, como o teste de Apley, o teste pode ser mais válido. Hegedus EJ, Cook C, Hasselblad V, Goode A, McCrory DC. (2007) Physical examination tests for Assessing the torn meniscus in the knee: a systematic review with meta-analysis. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy, 37 (9), 541-50 Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: D 81. Quanto aos exercícios em cadeia cinética aberta e fechada assinale a alternativa correta: (A) Os exercícios em cadeia cinética aberta desenvolvem maior estimulação proprioceptiva que os exercícios em cadeia cinética fechada. (B) Os exercícios em cadeia cinética aberta são mais funcionais que os exercícios em cadeia cinética fechada. (C) Os exercícios em cadeia cinética fechada promovem uma ativação de um número maior de músculos que os exercícios em cadeia cinética aberta. (D) Os exercícios em cadeia cinética fechada proporcionam ao fisioterapeuta maior controle sobre a resistência aplicada que os exercícios em cadeia cinética aberta. (E) Os exercícios em cadeia cinética aberta apresentam eixo articular móvel, promovendo a realização de movimentos em vários planos. Na alternativa “A” podemos afirmar que é o contrário. Na “B”, a afirmação é antes de mais nada superficial. Por exemplo, se pensarmos nas articulações dos MMII, temos mais predominância de CCF. Se pensarmos na maior parte das AVDs, temos mais CCA, como os movimentos para higiene pessoal e para a alimentação. A “C” é correta, já que há o trabalho dos músculos que estabilizam a cadeia cinética fechada, bem como o maior número de articulações envolvidas no movimento principal. Na “D” dá até para se enganar, mas na verdade essa afirmação dependeria mais da carga e da velocidade do movimento. A alternativa “E” parece correta, mas se analisarmos com mais atenção, a definição de cadeia cinética aberta é não é exatamente essa. Por exemplo, se flexionarmos e extendermos o indicador, estaremos realizando o movimento em cadeia cinética aberta mas apenas em um plano e um eixo de movimento. Textinho da net: CADEIAS CINÉTICAS Por Rayane Azevedo Muitas pessoas se perguntam o que significa Cadeia Cinética Aberta (CCA) e Cadeia Cinética Fechada (CCF) usadas na reabilitação ou na ginástica. Alguns confundem esses termos usando para classificar os exercícios resistidos, mas são para descrever como as forças ocorrem durante o movimento humano e como as estruturas do corpo se unem. Por que é preciso saber o que isso significa?! Na reabilitação, os exercícios utilizados têm como objetivo tratar as disfunções, e em cada tipo de lesão são feitos exercícios específicos para aquele segmento articular do corpo. Por exemplo, as forças que os músculos exercem sobre o osso no movimento do joelho são diferentes quando o pé está solto no ar ou quando está apoiado em alguma estrutura. O conceito foi introduzido na biomecânica e cinesiologia humana por Steindler e Brunnstrom, que compararam o movimento humano com os estudos da engenharia mecânica. Eles observaram que o recrutamento muscular e o movimento das articulações eram diferentes quando o pé ou a mão estavam livres e quando o pé ou a mão estavam fixados. Definição de cadeia cinética: é a combinação dos segmentos articulares de um determinado segmento (membros do corpo) durante o movimento. Cadeia Cinética Aberta (CCA): é quando o segmento articular distal (mais longe dotronco) está livre no espaço e pode se mover livremente sem que as outras articulações precisem mover-se também. Os segmentos articulares podem mover-se independentemente ou nada absolutamente. Por exemplo, alcançar com a mão, levar o copo à boca, dar tchau, chutar a bola, fase da marcha em que o pé está no ar. Em outras palavras, na CCA as articulações se movem independentes ou apenas uma delas se move. Para entender melhor, estenda os braços para frente, até que as mãos fiquem na altura do ombro. Temos as articulações do punho, cotovelo e ombro. Faça movimentos circulares com os punhos. Observe que o cotovelo e o ombro não se mexem. Cadeia Cinética Fechada (CCF): é quando o segmento distal (mais longe do tronco) encontra uma resistência externa que impede seu movimento livre e as demais articulações se movimentam. Ou seja, quando o segmento distal está apoiado, as demais articulações precisam mover-se para que o movimento seja realizado. Na fisioterapia também chamamos esse movimento de co-contração. Exemplos: passar de sentado para em pé, agachamento, flexão dos braços, fase da marcha em que o pé está apoiado. Para entender melhor, fique em pé e tente pegar algo no chão. Observe que o pé está apoiado, mas o joelho e o quadril se movem para que o movimento seja executado. Cadeia Cinética Pseudofechada (CCPF): esse tipo de cadeia cinética ainda está sendo pesquisado, mas é usado nos exercícios funcionais e na reabilitação. É quando o segmento distal (mais longe do tronco) não está totalmente livre no espaço e nem encontra uma resistência externa que impeça seu movimento, ele se move em um determinado arco no espaço. Sendo assim, a CCPF se torna uma ponte ideal entre as CCA e CCF. Exemplos: pentear o cabelo, escovar os dentes, passar o pé rolando a bola. Para entender melhor, fique deitado e estenda as pernas para o teto. Pegue um lençol, coloque no pé e segure as pontas com as mãos. Faça movimentos de subir e descer a perna. Observe que o quadril se movimenta, mas o joelho e o pé não, e o pé tem um apoio que determina o arco do movimento. Quais cadeias utilizar na reabilitação? Independente se a disfunção é neurológica, reumatológica ou ortopédica, o objetivo do tratamento dependerá do tipo de disfunção e do local da lesão para então escolher a melhor cadeia cinética. Alguns pesquisadores argumentam que exercícios de CCF e CCPF são mais parecidos com o movimento funcional, principalmente o dos membros inferiores em que há descarga de peso. No entanto, os de CCA aumentam a força e a amplitude de movimento. Geralmente, prefere-se realizar exercícios em CCF em vez da CCA, com a premissa de que na CCF os exercícios parecem replicar as tarefas funcionais, melhorar a congruência articular, diminuir força de cisalhamento, estimular os mecanoceptores articulares e aumentar a força compressiva sobre a articulação. Mas é preciso lembrar que exercícios de CCA diminuem compressão articular, o principal músculo do movimento é mais ativado, ocorre o aumento das forças de aceleração e diminuição das forças de resistência. Entretanto, vale ressaltar que as atividades funcionais são uma combinação de cadeias cinéticas abertas e fechadas para realizar o movimento. Em resumo, na reabilitação sempre serão usados exercícios de CCF replicando as atividades funcionais, exercícios de CCPF sendo a ponte para a cadeia cinética aberta e a CCA para promover força de aceleração e amplitude de movimento. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 82. A eletroterapia caracteriza-se pelo uso da eletricidade para fins terapêuticos. Existem inúmeras correntes terapêuticas utilizadas na prática clínica diária do fisioterapeuta. A cerca da eletroterapia, assinale a alternativa correta: (A) A corrente interferencial vetorial, por ser de média frequência, tem uma maior impedância à passagem da corrente pelos tecidos do que a TENS. (B) As correntes diadinâmicas, por serem correntes de média frequência, apresentam maior profundidade de penetração em relação às correntes galvânica tradicional e farádica. (C) A corrente pulsada de alta voltagem seria um exemplo de corrente de média frequência. (D) Ao estipularmos uma frequência de tratamento baixa, estaremos buscando o controle da dor por meio da teoria das comportas. Por outro lado, se elegermos uma frequência de tratamento alta, estaremos objetivando a liberação dos opioides endógenos. (E) Ao estipularmos uma frequência de tratamento baixa, estaremos buscando o controle da dor pela liberação dos opioides endógenos. Por outro lado, se elegermos uma frequência de tratamento alta estaremos objetivando o controle da dor pela teoria das comportas. Antes de mais nada, sobre eletroterapia, acho uma pena que a fisioterapia seja tratada por alguns profissionais como eletroterapia apenas. A ilusão do alívio do sintoma temporário não pode ser levado em consideração para se considerar a efetividade do tratamento. É preciso sempre avaliarmos a causa, tratar a patologia e a disfunção articular, descobrir e tratar o que é necessário para o sucesso a longo prazo do tratamento. Se por um lado há uma pressão por produtividade, seja por convênios ou demandas do setor público, pelo outro temos a conduta profissional do terapeuta, que deve visar sempre a reabilitação completa, quando possível, e o melhor benefício que pudermos proporcionar nos demais casos. Isso é muito difícil, não se alcança apenas na graduação, é preciso estudar cada paciente que nos ofereça desafios na prática clínica e buscar as ferramentas necessárias para o tratamento. Talvez por isso muitos cursos se propaguem por aí sem que haja qualquer comprovação de seus resultados, além de anedotas da parte interessada, que é quem ganha dinheiro com isso. A fisioterapia é uma ciência que só chegou a ser reconhecida porque provaram que traz benefícios aos pacientes, não devemos abrir mão de toda essa conquista e buscar técnicas de curas milagrosas. PBE – prática baseada em evidências é algo que deveria haver desde o primeiro semestre dos cursos de fisioterapia. Chega de desabafo e vamos ao que interessa. Na alternativa “A”, duas observações. A corrente interferencial tradicional é de média frequência, mas a vetorial ou AMF não, ela traz as características da média frequência, entre elas menor impedância, mas com a frequência dentro do que se considera como baixa frequência. As alternativas “B” e “C” fazem referência a correntes de baixa frequência. Então só restam duas alternativas que, até pela forma como foram elaboradas nos fazem perceber que é uma delas, ao menos a sensação que tive foi essa quando dei uma olhada superficial nessa questão. Como só restam as alternativas “D” e “E”, vou apenas respostar o conteúdo sobre o TENS e a teoria das comportas. MODO CONTÍNUO CONVENCIONAL Fibras selecionadas Proprioceptivas mielinizadas de maiores diâmetros, portanto, com baixa cronaxia. Parâmetros de pulsos Largura de pulso entre 40 e 75us Freqüência entre 50 a 100 Hz Intensidade entre 10 e 30mA Sensação percebida Parestesia entre fraca e média; sem contração muscular. Mecanismo de Analgesia Contrairritação; alteração no código de transmissão; não é revertido por antagonistas. Distribuição de Eletrodos Segmentar em concordância com o território doloroso e oucobrindo o mesmo. Acomodação: Freqüente Efeito/Pós Efeito: Rápido / variável MODO CONTÍNUO ACUPUNTURAL Fibras selecionadas Motoras eferentes; eventualmente proprioceptivas; menores diâmetros; alta cronaxia. Parâmetros de pulsos Largura de pulso entre 150 e 300us Frequência entre 1 e 4Hz Intensidade entre 30 e 80mA Sensação percebida Batida com contrações rítmicas (pode ser pouco tolerada pelo paciente). Mecanismo de Analgesia : há evidência de controle descendente inibitório via opioides endógenos; é revertido por antagonistas. Distribuição de Eletrodos: Relacionada a miótomo e pontos motores. Acomodação: Pouco comum. Efeito / Pós Efeito: Até 45 minutos / até 24 horas. MODO CONTÍNUOBREVE INTENSO Fibras selecionadas: Mistas Parâmetros dos pulsos Largura de pulso entre 100 e 250us Frequência acima de 100 Hz Intensidade entre 30 e 80mA Sensação percebida Média a forte parestesia com contrações musculares não rítmicas. Mecanismo de Analgesia Contrairritação; alteração no código de transmissão; sistemas descendentes não opiodes e gaba medula; revertido por antagonistas. Distribuição de Eletrodos: Cobrindo todo território doloroso. Acomodação : pouco freqüente Efeito / Pós Efeito : rápido/variável. Obs.: recomendável período de 2 a 4 minutos sem estimulação à cada 15 minutos. MODO BURST Fibras selecionadas : Motoras eferentes; eventualmente proprioceptivas; menores diâmetros; alta cronaxia. Parâmetros de pulsos : Largura de pulso entre 150 e 300us Freqüência: 2Hz – modulada por 70 à 150Hz Intensidade: entre 30 e 80mA Sensação percebida : forte parestesia com contrações musculares rítmicas; poderá ser melhor tolerado pelo paciente. Mecanismo de Analgesia : Há evidência de controle descendente inibitório via opioides endógenas; é revertido por antagonistas. Distribuição de Eletrodos : relacionada a miótomo e pontos motores. Acomodação : pouco comum. Efeito / Pós Efeito : até 45 minutos / até 24 horas. TEORIA DO PORTÃO OU DE CONTROLE DA DOR Esta teoria admite existir nos cornos posteriores medulares um mecanismo neural que comporta como um portão, podendo aumentar ou diminuir o débito dos impulsos transmitidos desde as fibras periféricas ao sistema nervoso central. O influxo somático submete-se pois, à influência reguladora do portão, mesmo antes de criar uma percepção à dor e consequente reação. MODELO CONCEITUAL: A lesão produz sinais que se transmitem por fibras finas. Estas penetram nos cornos posteriores da medula e ativam as células de transmissão que, por seu turno, enviam sinais para o cérebro. Contudo a atividade nas fibras finas cria, também, na raiz posterior, potenciais que refletem a presença de uma atividade prolongada e mais complexa no corno posterior. A atividade das fibras grossas excita igualmente células da substância gelatinosa e inibe, simultaneamente, a transmissão dos influxos dolorosos procedentes das fibras aferentes finas. PRIMEIRA VERSÃO: 1. A transmissão dos impulsos nervosos é modulada por um mecanismo de controle espinhal, funcionando como um portão, situado nos cornos posteriores. 2. A atividade nas fibras grossas tende a inibir a transmissão, ao passo que nas fibras finas tendem a facilitá-la. 3. O mecanismo de controle espinhal sofre a influência dos impulsos nervosos que descem do cérebro propriamente dito.. 4. Um sistema especializado de fibras grossas de condução rápida ativa processos seletivos cognitivos, os quais influenciam por meio de fibras descendentes, as propriedades moduladoras do mecanismo de controle espinhal. 5. Quando o fluxo das células de transmissão da medula ultrapassa um nível crítico ativa o Sistema de Ação, isto é, aquelas regiões neurais responsáveis por esquemas complexos e sequenciais que se associam ao comportamento e experiência característicos do fenômeno doloroso. O efeito da teoria foi suscitar num primeiro momento controvérsias entre cientistas e clínicos especializados na dor. SEGUNDA VERSÃO, MAIS APERFEIÇOADA: A hipótese de a substância gelatinosa ser o veículo primário do mecanismo do portão permanece como tal, mas ainda não constitui um fato. Falar do antagonismo entre fibras finas e grossas pode significar um fato arbitrário. É altamente provável que os nervos possam controlar o encaminhamento dos impulsos nervosos dentro do sistema nervoso central graças a um mecanismo que depende de um transporte e de uma libertação relativamente lenta de substâncias químicas a que se junta uma transmissão e uma ação muito rápidas dos influxos nervosos. A maior parte do substrato anatômico estável, necessário para a transmissão dos impulsos nervosos, seria assim mantido num estado de inação por estes lentos processos de mudança. O conceito de sinapses ineficazes, que a ação das modificações lentas das células da substância gelatinosa poderia libertar e tornar atuantes, junta uma nova dimensão à teoria do portão. Os médicos sentiram-se mais livres para descrever os casos fora do comum ou os fenômenos inexplicáveis. Os psicólogos encontraram um modelo que situava as observações e as técnicas psicológicas na corrente de investigação sobre a dor. Os fisiologistas foram explorar zonas medulares ou cerebrais, antes consideradas como estranhas à dor. Uma das primeiras consequências da teoria do portão foi abolir a ideia de que a dor era uma sensação simples e projetada especificamente sem interferência até um centro de integração da dor. Esta concepção durante muito tempo relegou à sombra as dimensões cognitivas e afetivas da experiência global. A teoria do portão, pondo acento tônico nos sistemas de processos paralelos, procurava agora, um quadro teórico que integrasse as dimensões sensoriais, afetivas e cognitivas da dor. Ao eliminar a noção de uma via dolorosa direta e única, a teoria do portão permitiu refletir sobre as interações entre os sistemas ascendentes e descendentes. Pela teoria do portão, as fibras da pele, das vísceras e de outras estruturas convergem para as células de transmissão. A resultante de todas essas influências, facilitadoras e inibidoras, determina o débito dessas células. A dor associada a lesões dos nervos periféricos caracteriza-se por hiperalgesia e hiperestesia atribuíveis a uma liberação excessiva da passagem da dor. A teoria do portão fornece uma base conceitual para a explicação da dor espontânea e da somação temporoespacial favorecida pela convergência dos influxos. Pode-se igualmente explicar a dor espontânea que surge na falta de toda a estimulação manifesta. A teoria do portão deixa entender que processos psicológicos podem ter uma influência sobre a percepção da dor e a reação consecutiva, atuando no mecanismo espinhal do portão. Dois mecanismos podem explicar a irradiação dolorosa: 1. Propagação da dor em regiões adjacentes do corpo. Este influxo difuso encontra-se normalmente inibido pelos mecanismos do portão, mas pode provocar descargas na célula T se possui uma intensidade suficiente ou se o portão está aberto. 2. Propagação da dor e das zonas-gatilho, zonas comprometidas em numerosos fenômenos de dor para regiões consideravelmente afastadas, comprometendo estruturas viscerais bem como regiões cutâneas e miofasciais. Esta irradiação permite supor que certas atividades, as que ocorrem em regiões distantes, podem abrir o portão. Lesões do sistema nervoso central são igualmente susceptíveis de produzir irradiações dolorosas. A teoria do portão é capaz de conceder às atividades neurais prolongadas que se relacionam com a dor a importância que se lhe consiga. Dificilmente se explicariam certas observações clínicas e experimentais espantosas sem fazer intervir estes mecanismos. A ideia da existência do fenômeno da dor, de um mecanismo de tipo memória, repousa em dados experimentais convincentes. A teoria do portão permite entender certos tipos de dor prolongada, consecutiva a lesões dos nervos periféricos ou outras patologias nervosas. Para esclarecer estes efeitos prolongados, que constituem algumas das características mais enigmáticas da dor, é preciso postular a existência de influxos somáticos persistentes, intensos ou comportando outras anomalias, capazes de gerar modificações a longo prazo da atividade do sistema nervoso central. Os mecanismos nervosos que estão na base da atividade prolongada de tipo mnemônico associada à dor permanecem misteriosos. Em certos pormenores a mecanismos do portão põe ainda um problema sério. O modelo original insistia no controle pré-sináptico, mas sabe-se hoje que se produzem inibições também pós-sinápticas. As pequenas dimensões dos componentes e o seu amalgamento em zonas minúsculas levantam problemas técnicos consideráveis. Todavia, o conceito original de um portão de controle mantém-se como umpoderoso resumo dos fenômenos verificados na medula e no cérebro e tem capacidade para explicar muitos dos problemas misteriosos e intrigantes que se encontram na clínica. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 83. Durante a palpação da interlinha articular medial do joelho, quando se realiza uma rotação externa e interna da tíbia sobre o fêmur, com o paciente sentado na maca com os joelhos pendentes. Quais estruturas serão palpadas, respectivamente, com essas manobras? (A) Menisco interno e platô tibial medial. (B) Menisco interno e platô tibial lateral. (C) Platô tibial interno e menisco lateral. (D) Platô tibial interno e menisco medial. (E) Platô tibial externo e menisco lateral. Quando se diz rotação da tíbia sobre o fêmur é aquele mínimo grau de rotação do joelho, que ocorre normalmente em associação com outros movimentos articulares dos MMII. Aí é que está a pegadinha, já que isso confunde por induzir a pensar no próprio teste de interlinha do joelho, que aliás é um teste muito bom. Não é isso que diz o enunciado, o próprio teste já está delimitado à região medial do joelho. Tendo isso em mente, podemos excluir as alternativas que mencionam o menisco lateral, que são “C” e “E”. As alternativas “A” e “B” falam sobre menisco ser interno ou externo…bom, quem achar algum menisco externo no corpo humano avisa o padre Quevedo e pede a recompensa dele para coisas sobrenaturais. Isso non ecziste! A nomenclatura dos meniscos é medial e lateral, Só resta a alternativa “D”. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 84. No que se refere aos aditamentos para auxílio locomoção, assinale a alternativa correta: (A) Temos como uma das funções dos aditamentos para auxílio locomoção o aumento da base de sustentação e, consequentemente, a melhora do equilíbrio. (B) A ampliação da base de sustentação seria um dos motivos para a utilização da bengala no mesmo lado ao membro afetado. (C) As muletas canadenses proporcionam uma maior estabilidade que as muletas axilares. (D) Uma das diferenciações da bengala com recuo para a bengala comum é que a primeira permite que a pressão/peso seja exercida sobre o centro da bengala, enquanto na segunda, o ponto de sustentação se dá anteriormente ao cabo da mesma. (E) A maioria dos assentos da CR reforça uma posição pélvica de anteriorização da espinha ilíaca anterossuperior. Aditamento? Termo incomum (pra quê!?) e enunciado com erro gramatical, cartão amarelo para a IADES. É um termo mais comum no meio jurídico, é sinônimo de “acrescentamento” ou “adscrição”. Na reabilitação, mais conhecido como dispositivo auxiliar da marcha. Vou marcar essa questão como erro da banca só para mostrar que devemos ser rigorosos com relação a recursos. As alternativas são muitas vezes decididas por detalhes superficiais, então um enunciado com erro ortográfico deveria ser anulado, já que atrapalha na interpretação e pode levar o candidato a errar a questão. Quer um exemplo? Quando eu li “aditamento para auxílio locomoção” já pensei em alguma coisa relativa a contrato e auxílios do INSS, achei até que estava olhando a prova errada. A alternativa “A” é politicamente correta. Vamos analisar as demais antes de bater o martelo. Na alternativa “B”, o uso mais indicado da bengala é dando um passo à frente com a perna lesionada juntamente com a bengala, com a bengala segurada pela mão do lado oposto (não lesionado), e posteriormente dar o passo com a perna não lesionada. Esqueçam esse negócio de base aumentada dessa alternativa. Se a bengala estiver do lado afetado a base será menor, a descarga de peso será toda nessa perna, e a função da bengala é justamente aliviar a descarga de peso no membro lesionado, além de auxiliar no equilíbrio e na prevenção de quedas. Aliás, sobre bengalas,recomendem aos seus pacientes as begalas com cordinha. Facilitam muito caso a bengala caia no chão, para subir e descer escadas e em atividades que requeiram o uso de ambas as mãos. Para uma base aumentada, devemos recomentar a bengala de 4 apoios, que apesar de aumentar a estabilidade, diminui a velocidade da marcha. A alternativa “C” é evidentemente errada. Nesse quesito podemos classificar a progressão dos dispositivos auxiliares da marcha como cadeira de rodas, andador, muletas axilares e depois as canadenses e depois ainda as bengalas. A alternativa “D” é hilária. Bengalas com recuo são aquelas de aluminio, com altura regulável. Sem recuo seriam as de madeira. isso não muda nada no ponto de apoio da bengala. Na alternativa “E”, um dos objetivos da prescrição de cadeira de rodas é estabilizar a pélvis. Deve ser perpendicular, centralizada, nivelada ou levemente inclinada para a frente e impedir inclinações e rotações laterais. Folheto informativo: http://www2.hu.usp.br/wp-content/uploads/2010/10/bengalaandadoremuleta.pdf Sobre prescrição de cadeiras de rodas: http://www2.rc.unesp.br/eventos/educacao_fisica/biomecanica2007/upload/157-2-B-ArtigoCBB2007_2.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 85. A fisioterapia atua de forma fundamental na recuperação do paciente pós-amputação e, principalmente, no período pós-protetização. Sobre a intervenção da fisioterapia no pós-amputação e na protetização, assinale a alternativa correta: (A) Em um programa de treinamento com protetização imediata, independentemente do nível de amputação de membros inferiores, devemos indicar, já no início, a descarga parcial de peso sobre o membro protetizado. (B) O enfaixamento do coto se dá sempre da ponta para a base. (C) A orientação postural tem como objetivo primordial evitar a formação do edema distal. (D) O edema distal é uma complicação comum nas amputações transtibiais distais. (E) Nas amputações acima do joelho, após a protetização, os exercícios de transferência de peso visam proporcionar a adaptação do coto à pressão da prótese. Na “A”. Well, cuidados com afirmativas categóricas em concursos é sempre bom. No. Na “B”, na maior parte das vezes, é o oposto. Not de novo. Na “C”, o objetivo maior é prevenir contraturas e deformidades. Again No. Na”D”, reparem na região do suposto edema. Parte distal da tíbia. No de novo. Na “E”, oh Yeah! Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 86. Em relação às amputações distais de membros inferiores, assinale a alternativa correta: (A) Os únicos níveis de amputação que não interferem, diretamente, na marcha são as amputações interfalangeanas e metatarsofalangeanas. (B) Com a amputação do hálux, o paciente tende a andar com o pé em supinação e apoio na face medial. (C) A amputação de Lisfranc, também conhecida como amputação do retropé, seria a desarticulação dos metatarsos com os ossos cuboide e cuneiforme. (D) A amputação de Chopart seria uma desarticulação dos ossos navicular e cuboide com o tálus e calcâneo. (E) Tanto a amputação de Symes quanto à amputação de Pirogoff são exemplos de amputações de pé. A alternativa “A” é bizonha. Equivale a dizer que “Ah, não tem problema se você perder metade do pé, dá pra andar normal.” Hablemum serious! Na “B”, face lateral do pé igual a pé supinado. Face medial do pé igual a pé pronado. Errada. Na “C”, pegadinha das boas. Tudo certo, só que Lisfranc não é conhecido como amputação do retropé coisa nenhuma, é a desarticulação do mediopé, ou tarsometatársica. Na “D”, alternativa correta. A alternativa “E” também é errada. Syme é nível do tornozelo, não é do pé. Por isso que temos que entrar com recurso em questões duvidosas, essa alternativa é a prova de como as bancas são detalhistas. Então tem que ser em tudo, e não apenas quandolhes for conveniente. Níveis de amputação dos membros inferiores, iniciando pelos dedos do pé. DESARTICULAÇÕES DOS DEDOS DOS PÉS A desarticulação do segundo dedo do pé no nível da articulação metatarsofalangiana geralmenteacarreta um problema secundário, devido a remoção do suporte lateral que ele proporciona ao primeiro dedo. A deformidade do hálux valgo (joanete), é provável depois deste procedimento. Etiologia: traumáticas, neuropáticas ou vasculares (espontâneas) Prevenção: => calçados de segurança => calçados especiais Desarticulação Metatarsofalangeana Etiologia: traumáticas, neuropáticas ou vasculares. Pele plantar sensível + sutura dorsal = cobertura cutânea mais resistente. DESARTICULAÇÃO TARSOMETATÁRSICA (LISFRANC) Amputação de Lisfranc ( Lisfranc – 1815 ). É a desarticulação dos metatarsos com os ossos cubóide e cuneiforme. Etiologia: predominantemente vascular. Desvantagens: tendência a deformidade em varo e flexão plantar dificuldade de protetização limita a descarga distal total revisões cirúrgicas Opção: reinserção dos músculos dorsiflexores nos ossos do tarso prevenindo a deformidade + sutura dorso do pé. A desarticulação na junção entre o tarso e metatarso foi descrita, para os casos traumáticos por Lisfranc em 1815, ao final das guerras napoleônicas. Este procedimento também pode ser usado nos casos de infecção do pé diabético, desde que o profissional seja muito seletivo, pois a impossibilidade de controlar a infecção neste nível coloca em risco o sucesso da desarticulação do tornozelo de Syme. A operação de Lisfranc resulta na perda significativa do comprimento da parte anterior do pé; portanto, é importante preservar as inserções tendinosas dos músculos fibular curto, fibular longo e tibial anterior, para manter o equilíbrio muscular do pé residual. RESULTADO ESPERADO DA DESARTICULAÇÃO TARSOMETATÁRSICA (LISFRANC) Este nível de amputação representa uma perda significativa do comprimento da parte anterior do pé, com redução proporcional da função de andar com os pés descalços. Para recuperar a função da marcha no final da fase ativa, é necessário acrescentar uma prótese ou órtese de tornozelo fixa muito bem adaptada que em seguida , é introduzida no calçado com solado basculante rígido. Amputação Transmetatarsiana Etiologia: traumáticas, neuropáticas ou vasculares Secção óssea oblíqua => melhor alinhamento metatarsal => evita áreas de muita pressão na extremidade do coto Marcha prejudicada na fase de impulsão. Causada principalmente por eventos traumáticos e vasculares, ocasiona descarga de peso em calcanhar com dificuldade de marcha na fase de desprendimento de antepé. Requer uso de palmilhas de preenchimento específicas e sapatos especiais. Geralmente feita na base dos metatarsianos. Deixa o pé curto mas com área suficientepara suporte de carga. Requer uma solado tipo “rocker” e um enchimento da parte anterior do calçado. Há possibilidade de ocorrência de úlceras de repetição da porção distal do pé, se não utilizarmos um solado “rocker” e se o calçado for muito comprido. Recomenda-se, portanto, o uso de calçado mais curto. DESARTICULAÇÃO MESOTÁRSICA (CHOPART) Esta desarticulação é realizada nas articulações talonavicular e calcaneocuboide, deixando apenas a parte posterior do pé (talo e calcâneo). Este procedimento pode ser usado apenas ocasionalmente nos pacientes com infecções do pé diabético, em virtude da sua proximidade da almofada do calcanhar. Como não há inserções musculares no talo, toda função de dorsiflexão ativa é perdida por ocasião da desarticulação. RESULTADO ESPERADO DA DESARTICULAÇÃO MESOTÁRSICA (CHOPART) Embora esta desarticulação permita a sustentação direta do peso na extremidade, não há possibilidade de conservar a função deslizante intrínseca. Devido a preservação da estabilidade da almofada do calcanhar e de todo o comprimento da perna, o paciente amputado pode ter pouca dificuldade de andar sem uma prótese, ao contrario da amputação no nível de Syme, no qual a prótese é essencial a estabilidade da almofada do calcanhar e ao comprimento igual ao das pernas. É uma desarticulação entre os ossos navicular e cubóide com o tálus e o calcâneo respectivamente. Etiologia: vascular, traumática, infecciosa e em menor número tumoral. Desvantagens: braço de alavanca curto tendência ao equinismo ( flexão plantar) diminuição da área de apoio (não é funcional) Não é muito recomendável, por deixar o pé curto em equino, sendo preferível a técnica de Boyde e ou suas modificações. DESARTICULAÇÃO DO TORNOZELO DE SYME Em 1843, James Syme, professor de cirurgia da University of Edinburgh, descreveu sucintamente sua operação como “desarticulação da articulação do tornozelo, com preservação de um retalho do calcanhar, para permitir a sustentação de peso na extremidade do coto”. Como a almofada do calcanhar é preservada, este procedimento pode ser considerado um tipo de ablação parcial do pé. Sua indicação principal é a impossibilidade de salvar um nível funcional mais distal do pé infectado ou traumatizado com artéria tibial posterior (fonte principal da irrigação sanguínea do calcanhar) normal. Esta operação permite a estes pacientes um retorno muito mais rápido à condição de sustentação de peso do que a artrodese do tornozelo, tendo em vista que não exige a fusão ou ancilose fibrótica dos ossos. RESULTADO FUNCIONAL ESPERADO DA DESARTICULAÇÃO DO TORNOZELO DE SYME Como a desarticulação do tornozelo de Syme preserva a sustentação da almofada do calcanhar ao longo das vias proprioceptivas normais, é necessário treinamento mínimo para andar com a prótese. Este nível também poupa mais energia do que o nível transtibial. É uma amputação realizada com a desarticulação tíbio-társica com uma secção óssea logo abaixo dos maléolos. A sutura dos músculos, tecido subcutâneo e pele é feita na região anterior ao nível distal da tíbia. Etiologia: vascular, traumática, anomalias congênitas, deformidades adquiridas . Vantagens: permite descarga distal sobre o coto protetização futura com pé protético marcha precoce sem prótese. Amputação de Pirogoff Descrita por Pirogoff em 1854 é similar à de Syme. Artrodese entre a tíbia e o calcâneo seccionado verticalmente, eliminando a parte anterior, realizando com a parte posterior uma rotação de mais de 90o , fixado com osteossíntese. Resultado => espaço menor entre o coto e o solo.Demais procedimentos cirúrgicos e descarga de peso igual à Syme. Etiologia: as mesmas descritas no nível Syme. Amputação de Boyd Descrita por Boyd em 1939, é Similar à de Pirogoff. Osteotomia do calcâneo é realizada horizontalmente e fixada à tíbia e à fíbula após um deslocamento. AMPUTAÇÃO TRANSTIBIAL Apesar das vantagens funcionais inequívocas das ablações parciais do pé e a despeito do desejo do cirurgião de realizar amputações progressivas visando conservar o maior comprimento possível, às vezes é impossível salvar qualquer parte do pé. Se o cirurgião achar que o pé é irrecuperável, deve-se realizar uma amputação transtibial imediata. Ë importante tentar preservar o maior comprimento possível e a adaptação às próteses deve ser prioritária. O paciente e sua família devem participar plenamente da decisão e seguimento, visando aumentar as chances de reabilitação ideal. RESULTADO FUNCIONAL ESPERADO DA AMPUTAÇÃO TRANSTIBIAL Uma prótese transtibial moderna bem adaptada pode proporcionar um grau surpreendente de função, desde que seja assegurado conforto adequado. Um pé com resposta dinâmica possibilita boa absorção dos choques com o contato do calcanhar , além de oferecer uma sensação de propulsão na fase estática final. Entre a desarticulação tíbio-társica e a do joelho. Tíbia seccionada em ângulo de 15 º. A fíbula 1,0 cm mais curta que a tíbia. 1/3 proximal, 1/3 médio, 1/3 distal. Etiologia: vascular, traumática, infecciosa, neoplásica, anomalias congênitas. Descarga de Peso => no tendão patelar entre a borda inferior da patela e a tuberosidade da tíbia + região com tecido mole das faces lateral, medial e posterior do coto. Tendência à deformidade em flexão do joelho quanto mais proximal for o nível de amputação. Osteoperiosteoplastia ( “Ponte Óssea” 1949 ) => técnica cirúrgica de amputação transtibial => fragmento ósseo da tíbia => ponteunindo distalmente tíbia e fíbula => osso em forma de U. ( Okamoto et al 2000 Pinto, 2004) Vantagens: descarga de peso distal no coto – estabilização da fíbula – pressão intra-óssea fisiológica – melhora propriocepção e circulação local DESARTICULAÇÃO DO JOELHO Sempre que não for possível salvar a articulação do joelho, a desarticulação deste nível deve ser cuidadosamente considerada como melhor nível disponível, em vez da amputação transfemoral. Este procedimento é mais simples e menos chocante , com perda mínima de sangue e recuperação pós operatória rápida, tendo em vista que quase nenhum músculo é cortado. Mesmo que o paciente esteja irreversivelmente acamado e limitado à cadeira , existem vantagens sobre o nível transfemoral, incluindo-se a maior mobilidade no leito devido à conservação da capacidade de virar-se e flexionar, além do equilíbrio maior na posição sentada e a transferência mais fácil entre varias superfícies para sentar. Era evitada e substituída pela amputação transfemural: dificuldade de protetização e antiestética. Etiologia: Traumatismos ortopédicos irreversíveis; Anomalia congênita de tíbia e/ou fíbula; Tumores distais. Características: preservação da patela; cicatriz cirúrgica na região póstero-inferior do coto descarga de peso distal = maior propriocepção; boa alavanca = maior controle sobre a prótese ; não há desequilíbrio muscular/ não há deformidades AMPUTAÇÃO TRANSFEMORAL Depois da amputação transfemoral, apenas cerca de 25% dos pacientes conseguem usar adequadamente uma prótese, porque o excesso de consumo energético é de 65% ou mais, muito além do que muitos pacientes podem gerar sem riscos, devido à doença cardiovascular. Contudo, se a amputação transfemoral for inevitável, deve-se salvar todo o comprimento que for possível cobrir com músculo e pele, visando reduzir este gasto energético excessivo e possibilitar uma marcha mais equilibrada. Etiologia: vascular, traumática, infecciosa, neoplásica, anomalias congênitas. Características: cicatriz cirúrgica na região distal ou póstero-inf. do coto; desequilíbrio muscular = flexão e abdução do quadril; descarga distal contraindicada. Desarticulação de quadril Retirada de todo o MI, inclusive da cabeça do fêmur. Etiologia: traumatismos complexos e neoplasias. Características: ausência de coto ósseo; cobertura músculocutânea com o glúteo máximo; cicatriz cirúrgica anterior descarga de peso na tuberosidade isquiática Desarticulação Sacroilíaca Retirada de metade da pelve e todo o membro inferior homolateral. Etiologia: neoplasias e metástases. Característica: descarga de peso no ísquio contralateral e na região torácica.Anomalias Congênitas Resumo sobre amputação de Membros Inferiores - Parcial dos dedos do pé – retira-se a 1ª ou 2ª falange; permanece o coto – Desarticulação do dedo do pé – retirada total do dedo. – Transmetatársica – 3ª, 4ª e 5ª metatarso são retirados. – Syme – desarticulação do tornozelo – Abaixo do joelho- longa – retira-se mais de 30% do comprimento da tíbia. – Abaixo do joelho – curta – retira-se menos de 20% do comprimento da tíbia. – Desarticulação do joelho – retira-se a patela, a tíbia e a fíbula, ficando o fêmur totalmente íntegro. – Acima do joelho – longa – retira-se mais de 60% do comprimento do fêmur. – Acima do joelho – curta – retira-se menos de 35 % do comprimento do fêmur. – Desarticulação Coxofemoral – retira-se totalmente o fêmur. – Hemipelvectomia – retira-se a metade inferior da hemipelve. – Hemicorporectomia – retira-se a parte inferior do corpo, abaixo de L4- L5. Este procedimento dificilmente é utilizado, devido a complicações que futuramente serão evidenciadas. a. evitar a desarticulação do quadril. Deixar quando possível a cabeça e a maior porção do colo do fêmur para evitar deformidade. b. 12 cm abaixo do trocânter são dados como comprimento mínimo para controle do coto. Assim mesmo é difícil mover as próteses com eficiência. c. 30 a 36 cm abaixo do trocânter é um comprimento ideal de coto de coxa. d. o nível transcondiliano não é bom a não ser para apoio terminal, pois a colocação da articulação de joelho deve ser externa, o que prejudica a estética e função. e. a desarticulação de joelho após descapsulização permite cotos para apoio terminal. f. 6 cm de tíbia já são suficientes para prótese de perna; remover o perônio. Usa-se a prótese “ajoelhada”. g. um bom nível será aquele entre o 1/3 superior com o médio. h. o nível ideal é aquele entre o 1/3 médio e o inferior. i. evitar cotos muito longos de perna. j. a amputação de “Syme” permite excelentes cotos para apoio terminal. k. as amputações através do tarso devem ser evitadas. l. amputações através do metatarso são duvidosas. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 87. A cerca das características das correntes elétricas, assinale a alternativa correta: (A) Amplitude de pulso seria uma expressão sinônima de voltagem da corrente. (B) Quando falamos em largura de pulso, estamos nos referindo ao intervalo de tempo de duração de um pulso. (C) Quando nos referimos à carga da corrente alternada, estamos falando da amplitude de pico de um pulso. (D) A frequência da corrente refere-se ao número de pulsos durante um minuto. (E) A amplitude de pico a pico seria a intensidade máxima da corrente, medida em cada fase do pulso. Nem é preciso analisar muito aqui. A alternativa “B” é perfeita, não dá nem para deixar dúvida. Voltagem tem mais a ver com tensão da corrente. Chama-se corrente elétrica o movimento ordenado das cargas elétricas em um condutor. Frequência elétrica. No sentido genérico, é definida como um determinado número de ciclos em um determinado tempo, sob a forma de oscilação. Valor pico a pico é a diferença entre o valor máximo e o valor mínimo (relativo) da grandeza. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 88. A goniometria é a técnica mais comum, utilizada pelo fisioterapeuta, para medir a amplitude de movimento articular: Considere como parâmetros para mensuração: posição do paciente; posicionamento do eixo/fulcro do goniômetro; alinhamento do braço fixo e alinhamento do braço móvel, em relação à medida de rotação interna de quadril, e assinale a alternativa correta. (A) Paciente sobre a maca sentado com as pernas pendentes, eixo/fulcro no ápice da patela, braço fixo, paralelo ao fêmur em sua face anterior, e braço móvel, paralelo à tíbia em sua face anterior. (B) Paciente sobre a maca sentado com as pernas pendentes, eixo/fulcro no ápice da patela, braço fixo, perpendicular ao fêmur em sua face anterior, e braço móvel, paralelo à tíbia em sua face anterior. (C) Paciente sobre a maca sentado com as pernas pendentes, eixo/fulcro no ápice da patela, braço fixo, paralelo ao fêmur em sua face anterior, e braço móvel, perpendicular à tíbia em sua face anterior. (D) Paciente decúbito ventral com o joelho fletido a 90º, eixo/fulcro no ápice da patela, braço fixo, perpendicular à maca, e braço móvel paralelo à tíbia em sua face anterior. (E) Paciente decúbito ventral com o joelho fletido a 90º, eixo/fulcro no ápice da patela, braço fixo, paralelo à maca, e braço móvel, paralelo à tíbia em sua face anterior. De toda essa sopa de letrinhas, temos que tirar o principal, que é o que a banca quer saber: rotação interna do quadril. Essa é a palavra-chave aqui. Tendo isso em mente, prossigamos. No enunciado, temos duas propostas, ambas possíveis, para se realizar a goniometria da rotação do quadril. A primeira é deixar o paciente sentado com os MMII pendentes e a segunda é deixá-lo em decúbito ventral, com o joelho em flexão de 90º. Não tenho certeza se é possível se aferir todaa amplitude na posição sentada, mas vamos analisar. Então podemos desconsiderar as duas primeiras condições de todas as alternativas, já que o eixo é comum a todas. Mas a posição do fulcro é o que vai nos fazer resolver a questão. Para visualizar a posição do braço fixo edo braço movel, lembrem que o ápice da patela é a estrutura mais próxima à tíbia, mais distal, e não é a base, que fica mais próxima ao fêmur, mais proximal. A patela é um triângulo com a ponta para baixo. Começando pela posição sentada, na alternativa “A”, não há como o braço do goniômetro ficar paralelo à face anterior tibia e o outro braço paralelo à face anterior do fêmur. Na “B” isso é possível. Se um braço está posicionado junto á face anterior da tíbia, o outro braço só pode estar perpendicular à face anterior do fêmur.Na “C”, a posição dos braços do goniômetro até seria possível, mas não daria para aferir nada, pois não daria para acompanhar o movimento de rotação do quadril. Na posição de decúbito ventral, a “D” não seria possível, mas a “E” seria. Rotação Interna do Quadril O movimento de rotação medial do quadril ocorre no plano transversal. O movimento de rotação medial é produzido entre a cabeça do fêmur e o acetábulo. Movimento: de 0 a 45 graus de rotação interna da articulação do quadril. Posição: o individuo fica em decúbito ventral com a articulação do quadril na posição anatômica e a articulação do joelho em 90º de flexão. Alinhamento Goniométrico – Eixo: colocado sobre a parte média e anterior da patela, de forma a projetar-se através da diáfise do fêmur na direção da cabeça femoral. – Braço Fixo: colocado paralelamente ao tampo da mesa. – Braço Móvel: colocado paralelamente a tíbia. Estabilização: estabilizar a extremidade distal da coxa. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 89. Os testes especiais e funcionais do aparelho locomotor podem ser descritos como manobras ou procedimentos complementares na avaliação físico-funcional. Qual teste determinaria, a partir do seu sinal positivo, a presença de síndrome do impacto subacromial? (A) Teste de Watson. (B) Teste de Dekleyn. (C) Teste de Strunsky. (D) Teste de Hawkins. (E) Teste de Adson. Para quem está na maratona de concursos, gostaria de deixar um belo PDF para download. É uma apostila sobre testes ortopédicos e alguns neurológicos, completo. Pero, está en castellano, caros amigos kinesioterapéutas. É muito importante que façam resumos, porque sempre caem testes e precisam estar bem resolvidos na memória. O ideal é sempre fazer os próprios resumos, porque só assim o material faz sentido. http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&frm=1&source=web&cd=6&ved=0CEcQFjAF&url=http%3A%2F%2Ffe.uacam.mx%2F%3Fmodulo_micrositio%3Dpaginas%26acciones_micrositio%3Ddescargar%26archivo%3Dmodulos%2Fpaginas%2Farchivos%2F66%2Fadjuntos%2FManual_de_Clinica_Diferencial..pdf%26vistafull_micrositio%3Dyes&ei=liWjU9qBFOfmsASsxIHIBQ&usg=AFQjCNFPMeV_3RcsnqYMICTYcz9D1INrpg&sig2=_pKzihH-zTijK_uU2_uFNg Teste de Watson O teste de Watson é usado para avaliar instabilidade no escafóide. Pressiona-se com o polegar sobre a tuberosidade, pressiona-se o escafóide enquanto movimenta-se o punho de ulnar para radial, levando a subluxação do escafóde, dor e um estalido doloroso. O exame deve ser feito bilateralmente para descartar frouxidão ligamentar constitucional. Teste de Dekleyn Conhecia este teste pelo nome de Klein, Vivendo e aprendendo. Procedimento: Com o paciente na posição supína e a cabeça para fora da mesa, instruí-lo para hiperestender e rotar a cabeça, mantendo essa posição por 15 a 40 segundos. Repetir com a cabeça rotada e estendida para o lado oposto. Fundamento: Avaliação da circulação vertebrobasilar deverá ser feita com a realização de ajustamento e manipulação cervical. Em muitos casos a realização de ajustamento e manipulação cervical é contra-indicado ou um risco, sendo minimizado com uma apropriada avaliação diagnóstica. Acidentes vasculares podem ocorrer sem nenhuma evidência de insuficiência ou déficit vascular, e com procedimento provocativos negativos. Todos os testes seguem uma linha de alteração de posição na coluna cervical, com aspecto rotacional. A rotação de C1 sobre C2 entre 30º e 45º faz com que a artéria vertebral na junção atlanto-axial toma-se comprimida no lado oposto da cabeça, subsequentemente reduzindo o fluxo sanguíneo para a artéria basilar. Em pacientes normal, esta diminuição do fluxo sanguíneo causada pela alteração posicional da coluna cervical não causará nenhum sintoma neurológico. Os sintomas que toma o teste positivo são: tontura, náusea, zumbido, sensação de desmaio ou nistagmo. Há também instabilidade rotacional na coluna cervical superior causada por trauma, doença arterial ou doença articular degenerativa na coluna cervical que podem levar a redução mecânica do fluxo sanguíneo para uma área, causando sintomas neurológicos. A importância da avaliação da circulação vertebrobasilar é que quando você tenciona posicionalmente um vaso na coluna cervical, você está testando a integridade da circulação colateral suprida à região. Esta avaliação por meio de testes provocados ou funcionais força sete áreas de possível compressão, que são: 1 – Entre os processos transversos de C1 – C2, onde as artérias vertebrais são relativamente giradas aos forames transversos C1 e C2; 2- C2 – C3 ao nível da faceta articular superior de C3 no lado ipsilateral à rotação da cabeça; 3- O processo transverso de C1 e a artéria carótida interna; 4- A abertura atlando-accipital pelo arco posterior do atlas e o rebordo do forame magno, ou anteriormente pela dobra da cápsula articular atlanto-accipital e posteriormente pela membrana atlanto-occipital; 5- Níveis de C4 – C5 ou C5 – C6 em virtude de artrose das articulações de Von Luschka, com compressão no lado ipsilateral à rotação da cabeça; 6- Nos forames transversos do atlas ou áxis entre o oblíquo inferior da cabeça e intertransversais, durante movimento rotatórios; 7- Antes de entrar no processo transverso de C6, pelo músculo longo do pescoço ou por tecido comunicante entre os músculos longo do pescoço e escaleno anterior. A rotação e extensão da cabeça impõem uma compressão, induzida pelo movimento à artéria vertebral no lado oposto à rotação. Vertigem, tontura, turvação visual, náusea, sensação de desmaio e nistagmo são todos sinais de teste positivo. Este teste é indicador de estenose ou compressão de artéria vertebral, basilar ou carótida em um dos sete locais já citados. Teste de Strunsky Conhecido também por sinal de Strunsky, é um teste provocativo para metatarsalgias. Procedimento: Paciente em decúbito dorsal, com os pés apoiados na maca. O fisioterapeuta realiza flexão do dedo hálux do pé. Justificativa: Nos fenômenos irritativos crônicos das articulações proximais com metatarsalgias, o teste clínico provoca um aumento do incômodo, em razão da pressão aumentada sobre a articulação proximal dos dedos. Ao palpar a articulação proximal dos dedos, o teste é positivo de houver dor. Teste de Hawkins Também chamado de Hawkins-kennedy, é um teste provocativo para se avaliar a síndrome do impacto subacromial. Técnica O examinador coloca o ombro do paciente a 90º de flexão com o cotovelo flexionado a 90º e depois faz rotação interna do braço. O teste é considerado como positivo se o paciente sentir dor com a rotação interna. Testes combinados Este teste é combinado frequentemente com o Sinal de arco doloroso e com o teste do infraespinhoso, e se todos os três testes derem positivo há uma elevada probabilidade de estar perante uma síndrome de impacto subacromial. Teste de Adson Também conhecido como Manobra de Adson para diagnóstico de Síndrome do desfiladeiro torácico. Para este teste, o paciente é convidado a virar a cabeça em direção ao ombro sintomático enquanto o terapeuta abduz o braço a 30º, realiza posteriormente rotação externa e depois extensão do ombro. Enquanto o paciente respira, verificar o pulso no braço estendido. Se pulso está diminuído ou se os sintomas são reproduzidas durante a manobra o teste é positivo, o que pode indicar a síndrome do desfiladeiro torácico. Falsos positivos ocorrem frequentemente, deve se repetir o teste no lado afetado. Alternativaassinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 90. A distrofia muscular, que tem como características clínicas o envolvimento inicial da musculatura da cintura escapular, face, músculos umerais (bíceps e tríceps), fixadores da escápula e peitorais e, nos estágios finais, o acometimento do músculo deltóide, é denominada: (A) de Emery-Dreifuss. (B) de Becker. (C) de cinturas. (D) de Duchenne. (E) facioescapuloumeral. Apesar de haver poucas formas de se deduzir a resposta nesta questão, ela oferece a oportunidade de se memorizar o básico sobre as distrofias mais comuns em concursos para nossa área. A alternativa “E” acaba se tornando duvidosa justamente por ser escancarada, mas é a correta mesmo. Vou comentar algo que não faz muita diferença em concurso público, mas conhecimento não ocupa espaço no cérebro, e de acordo com o pesquisador-chefe do BIRITA – Brazilian International Research Institute Tecnologics of André, só amplia a área útil do cérebro. Vamos esclarecer um pouco essa história de cromossomo “ligado ao X” que muita gente lê e memoriza sem saber de fato do que se trata. Cromossomos são longas sequências de DNA que possuem os genes. Os seres humanos possuem 46 cromossomos, organizados em 23 pares, e que nos dão as características de nossa espécie. Desses 23 pares, os 22 primeiros pares possuem diversos genes e são chamados de cromossomos autossomicos e o 23º par é a dupla de cromossomos sexuais, ou seja, que caracterizam macho e fêmea de nossa espécie. Os cromossomos sexuais nos seres humanos são XX nas fêmeas e XY nos machos. Nas fêmeas, um dos dois cromossomos X está inativo. Por isso em doenças ligadas ao cromossomo X as mulheres não desenvolvem: se herdarem esse cromossomo defeituoso, este ficará inativo e será compensado pelo outro cromossomo, que também é X. Ja o homem não pode contar com esse recurso, pois o outro cromossomo que caracteriza sua condição de gênero masculino, é um Y. Se o homem herda esse cromossomo X defeituoso, vai necessariamente manifestar os sintomas. A mulher, mesmo herdando, o deixa inativo e não manifesta os sintomas, apesar de possuir o gene em seu DNA. Todo indivíduo possui em seus cromossomos um correspondente paterno para cada gene materno. Quando surge um gene diferente daqueles que foram herdados dos pais, diz-se que ocorreu uma mutação, surgimento espontâneo de características hereditárias novas, que podem dar origem a alterações e malformações. Também ocorrem mutações espontâneas em filhos de indivíduos sãos (que podem dar origem à maioria das doenças hereditárias propriamente ditas). As distrofias são consideradas doenças genéticas e hereditárias, que são as doenças transmitidas do(s) organismo(s) genitor(es) ao organismo gerado, sem aqui dizer de pai para filho para não ser impreciso. Não podemos confundir com doenças puramente genéticas, que são aquelas doenças produzidas por alterações no DNA, mas que não têm por que terem sido adquiridas dos progenitores. Reparem que uma doença pode ser considerada genética e hereditária, mas não necessariamente as duas coisas. Assim ocorre, por exemplo, com a maioria das neoplasias malignas(câncer). As doenças genéticas podem ser de dois tipos: monogênicas ou poligênicas. As doenças monogênicas transmitem-se segundo os padrões hereditários mendelianos como: Doença autossômica recessiva. Para que a doença se manifeste, precisa-se de duas cópias do gene mutado no genoma da pessoa afetada, cujos pais normalmente não manifestam a doença, mas portam cada um uma cópia do gene mutado, pelo que podem o transmitir à descendencia. A probabilidade de ter um filho afetado por uma doença autossômica recessiva entre duas pessoas portadoras de uma só cópia do gene mutado (que não manifestam a doença) é de 25%. Doença autossômica dominante. Só se precisa uma cópia mutada do gene para que a pessoa esteja afetada por uma doença autossômica dominante. Normalmente um dos dois progenitores de uma pessoa afetada manifesta a doença e estes progenitores têm 50% de probabilidade de transmitir o gene mutado a seu descendente, que manifestará a doença. Doença ligada ao cromossomo X. O gene mutado localiza-se no cromossomo X. Estas doenças podem transmitir-se por sua vez de forma dominante ou recessiva. Doenças genéticas poligênicas são um conjunto de doenças hereditárias produzidas pela combinação de múltiplos fatores ambientais e mutações em vários genes, geralmente de diferentes cromossomos. Também se chamam doenças multifatoriais, e entre elas estão Alzheimer, Diabetes Mellitus, Hipertensão arterial, vários tipos de câncer e obesidade. Também não podemos confundir com doenças congênitas, que são aquelas doenças que se adquirem com o nascimento e se manifestam desde o mesmo. Podem ser produzidas por um transtorno durante o desenvolvimento embrionário ou durante o parto. Doenças cromossômicas são devidas a alterações na estrutura do cromossomo, como perda cromossômica, aumento do número de cromossomos ou translocações cromossômicas. Alguns tipos importantes de doenças cromossômicas podem-se detectar no exame microscópico. A trissomia 21 ou síndrome de Down é um trastorno frequente que acontece quando uma pessoa tem três cópias do cromossomo 21 (entre um 3 e um 4% dos casos são hereditários; o resto são congênitos). Vamos a um breve resumo selecionado pelo pesquisador-chefe do renomado instituto BIRITA: A Distrofia Muscular de Emery-Dreifuss (EDMD) é caracterizada pela tríade clínica de contraturas articulares que começam na primeira infância, fraqueza muscular e definhamento lentamente progressivos, inicialmente numa distribuição úmero-peroneal, que posteriormente se estende para os músculos escapulares e da cintura pélvica. O paciente também apresenta envolvimento cardíaco que pode se manifestar na forma de palpitações, pré-síncope e síncope, baixa tolerância ao exercício e insuficiência cardíaca congestiva. Essa distrofia é dividida de acordo com seu modo de herança em EDMD autossômica recessiva (EDMD3), autossômica dominante (EDMD2) e EDMD ligada ao X (EDMD1). A EDMD1 é causada por mutações no gene EMD no cromossomo X que codifica a emerina, uma proteina de envelope. As mutações ocorrem em todo o gene e geralmente resulta em ausência completa da emerina nos músculos ou na localização inadequada da mesma. Em raras ocasiões, uma pequena quantidade de emerina anormal é produzida no músculo. A emerina é uma proteína de membrana presente em quase todos os tipos de células, apesar da grande expressão ocorrer em músculos cardíaco e esquelético. A EDMD2 é causada por mutações no gene LMNA que codifica as lâminas A e C, sendo que essas mutações podem ocorrer em vários locais do gene e resultar em diferentes fenótipos. As lâminas são filamentos intermediários encontrados na membrana nuclear e nucleoplasma de quase todas as células e possuem múltiplas funções, como fornecer força mecânica aos núcleos, ajudar a determinar a forma nuclear e são essenciais para replicação do DNA e transcrição do RNAm As distrofias de Duchenne e Becker são as doenças distróficas musculares mais frequentes, causando debilidade nos músculos próximos do dorso. O defeito genético da distrofia de Duchenne é diferente do que é causado pela distrofia muscular de Becker, mas em ambos os casos está afetado o mesmo gene. O gene é recessivo e ligado ao cromossomo X. Embora a mulher seja portadora do gene anómalo, ela não sofrerá da doença porque o cromossomo X normal compensará a anomalia genética do outro cromossomo X anômalo. Em contrapartida, qualquer homem que receba o cromossomo X anômalo sofrerá da doença. As crianças com a distrofia muscular de Duchenne têm uma falta quase total de um produto genético denominado distrofina, uma proteína essencial para os músculos que é supostamente responsável pela manutenção da estrutura das células musculares. A distrofia muscular de Duchenne afecta entre 20 a 30 crianças em cada 100 000 nascimentos do sexo masculino. Pelo contrário, as crianças com a distrofiamuscular de Becker produzem distrofina, mas a proteína é maior que o normal e não funciona adequadamente. Esta doença afecta 3 em cada 100 000 crianças do sexo masculino. A distrofia muscular de Duchenne aparece tipicamente nas crianças de 3 a 7 anos, primeiro, sob a forma de uma debilidade muscular na zona pélvica e, depois, nos ombros, afecção que se agrava progressivamente. À medida que se debilitam, os músculos aumentam de tamanho, mas o tecido muscular é débil. Em 90 % das crianças com esta perturbação é frequente um aumento de tamanho e uma debilidade do músculo cardíaco, que causa problemas de frequência cardíaca que se podem registar num eletrocardiograma. As crianças afectadas pela distrofia de Duchenne têm uma marcha vacilante, quedas frequentes e dificuldade para pôr-se de pé e subir escadas. Os músculos dos seus braços e pernas costumam sofrer contraturas à volta das articulações, não podendo por isso estender totalmente os cotovelos e os joelhos. Por último, produz-se uma curvatura na coluna vertebral (escoliose) e, em geral, as crianças afectadas ficam confinadas a uma cadeira de rodas aos 10 ou 12 anos de idade. A progressão da debilidade torna-as propensas à pneumonia e outras doenças, e a maioria morre antes dos 20 anos de idade. Embora os sintomas sejam semelhantes em ambos os tipos de distrofia, as crianças com a distrofia muscular de Becker têm um prognóstico menos grave, aparecendo os sintomas iniciais por volta dos 10 anos de idade. Aos 16 anos muito poucos terminam numa cadeira de rodas, e mais de 90 % ainda estão vivos aos 20 anos de idade. A Distrofia Muscular Facioscapulohumeral (FSHD) é caracterizada por fraqueza muscular progressiva com envolvimento focal dos músculos da face, ombro e braço. A FSHD é uma doença rara familiar; a prevalência é de cerca de 1 em 20.000 indivíduos, embora esta seja provavelmente uma subestimação, já que a doença permanece muitas vezes sem diagnóstico. É a 3ª forma mais frequente de miopatia. A apresentação ocorre entre os três e 50 anos de idade e, embora a progressão da doença seja geralmente lenta, alguns doentes mostram períodos de estabilidade seguidos por períodos de rápida deterioração. Início precoce da doença está associado a mais fraqueza muscular generalizada. A manifestação inicial é a fraqueza facial (dificuldade em assobiar, sorrir e fechar os olhos), mas muitas vezes é o envolvimento do ombro (dificuldades levantar os braços, asa escapular e ombros inclinados) que faz com que os doentes consultem um médico. A doença progride para incluir fraqueza de extensão do punho, o envolvimento dos músculos abdominais e fraqueza dos membros inferiores afetando principalmente os músculos extensores do joelho e do pé. O padrão de manifestações clínicas é variável e têm sido descritas apresentações atípicas. Em casos raros podem estar presentes sinais sensoriais, cardíacos e neurológicos. A FSHD é uma doença genética, mas o mecanismo molecular subjacente permanece incerto, apesar dos avanços significativos na identificação de vários dos genes envolvidos, levando à sugestão de que a FSHD resulta de alterações na diferenciação celular. A transmissão é autossómica dominante. As DMC(Distrofias Musclares de Cinturas) constituem um grupo de doenças bastante complexo e heterogêneo, formam um grupo de miopatias de caráter progressivo com grande variabilidade clínica e genética. A DMC recebeu esta denominação na década de 50 para designar as distrofias caracterizadas por fraqueza predominantemente na cintura pélvica (quadris e coxas) e escapular (ombros e braços) e que se diferenciavam das já conhecidas distrofias ligadas ao cromossomo X (Duchenne e Becker) e a distrofia fáscio-escápulo-umeral. Hoje sob esta denominação engloba-se um grande número de distrofias, com características diferentes entre elas, que pode atingir crianças, adolescentes e adultos. A DMC afeta igualmente ambos os sexos e tem incidência de 1/10.000 a 20.000 nascimentos. Este grupo é o grupo de enfermidades neuromusculares em que se observam os maiores progressos em conhecimento nos últimos 10 anos. Assim, depois da descrição da primeira sarcoglicanopatia, surgiram sucessivas descrições de novas doenças por deficiência em diversas proteínas sarcolemais e subsarcolemais. Várias formas de DMC já foram identificadas, sendo que cada uma delas é causada por uma mutação genética específica, que pode ocorrer em diferentes cromossomos. Estas formas foram classificadas de acordo com a cronologia de sua identificação e com o mecanismo de herança envolvido, que pode ser autossômico dominante ou recessivo. Não é possível diferenciar as várias formas de DMC apenas por exame clínico. Por isso, é importante identificar o defeito molecular primário (a mutação genética responsável) ou a proteína muscular deficiente em cada caso, pois os riscos de repetição da doença na família serão muito diferentes, dependendo do mecanismo de herança envolvido. Assim, constituem um grupo heterogêneo de doenças caracterizadas por uma fraqueza proximal das cinturas dos membros (cintura pélvica e escapular) e do tronco, sem comprometimento dos músculos faciais ou da inteligência. Os sintomas se iniciam com fraqueza nas pernas, dificuldades para subir escadas e levantar de cadeiras e após um período, que pode ser bem prolongado, apresentar sintomas de ombros e braços como dificuldade para erguer objetos. A época do início das manifestações é variável: poucos apresentam sintomas já no primeiro ano de vida; a maioria aparece após a primeira década. Envolvimento do músculo cardíaco é infrequente e em alguns casos apresentam características semelhantes à DMD. Dentre as formas recessivas, o subgrupo das sarcoglicanopatias é normalmente associado a um quadro clínico mais severo, semelhante à forma Duchenne e por isso classificadas como “Duchenne-like”. O comprometimento motor também é variado, podendo evoluir com fraqueza muscular lentamente progressiva sem comprometimento das atividades de vida diária. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 91. A trombose Venosa profunda (TVP) e o embolismo pulmonar (EP) são complicações potenciais para todos os pacientes imobilizados, especialmente pacientes com acidente vascular encefálico (AVE), durante a fase aguda. O teste diagnóstico padrão ouro (Gold Standard) para o diagnóstico de TVP é: (A) sinal de Homan. (B) ultra-sonografia de Doppler. (C) teste de fibrinogênio marcado. (D) flebografia/venografia com radiocontraste. (E) pletismografia de impedância. Vejam que interessante. Os testes “padrão-ouro” não devem ser interpretados como testes definitivos ou infalíveis para determinada patologia. São simplesmente o melhor que se tem até o momento, são testes que os pesquisadores tomam como parâmetros de comparação para se avaliar outros testes. Mais um motivo para estar sempre se atualizando: o teste “padrão-ouro” de hoje, pode perder o posto no caso de um pesquisador encontrar e reproduzir com sucesso um outro teste para diagnóstico. Como exemplo, podemos achar, no ano desse concurso, 2007, um artigo da Sociedade Brasileira de Angiologa e cirurgia vascular que diz que o padrão-ouro não é exatamente o US Doppler: O MD(Mapeamento duplex) é uma combinacao da ultrassonografia (US) modo B com a tecnica do Doppler pulsado, permitindo, assim, uma avaliacao simultanea da imagem bidimensional dos vasos e tecidos adjacentes e das caracteristicas do fluxo atraves da analise da curva espectral Doppler. O MD e considerado o exame padrao-ouro dentre os nao-invasivos, porque permite identificar e localizar as alteracoes fisiopatologicas, obstrucoes ou refluxos, tanto no SVP(sistema vascular periférico) como no superficial, tendo nos ultimos anos substituido a flebografia em muitas das suas indicações. A trombose venosa profunda aguda (TVP), em uma veia da perna apresenta-se tipicamente com dor e sensibilidade locais. Ela também causa edema e tumefação da extremidade inferior, devido à obstrução venosa.A precisão do diagnóstico clínico da trombose venosa profunda aguda é de aproximadamente 50%. Algumas das entidades patológicas que imitam os sinais e sintomas da TVP aguda são: cisto de Backer, celulite, linfedema, doençan venosa crônica e distúrbios musculoesqueléticos variados. A importância de fazer o diagnóstico da TVP aguda está em seu relacionamento com a embolia pulmonar. Sem tratamento, é provável que a embolia pulmonar ocorra em 50% dos casos. Até 30% dos episódios de embolia pulmonar podem ter a morte como resultado. Isto pode ser significativamente reduzido – por um fator de 10 – quando o paciente é tratado com anticoagulantes. O local da TVP é importante, já que o envolvimento das veias acima do joelho e popliteais está fortemente associado ao risco de embolia pulmonar. A TVP envolvendo apenas as veias da panturrilha não está associada com um alto risco de embolia pulmonar. A TVP sintomática isolada nas veias da panturrilha é também menos comum que a TVP do sistema femoropopliteal. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 92. M.H.B, 72 anos de idade, hospitalizado, 5.º dia após AVC, deambula, usando passo para marcha como forma de manter o equilíbrio. Não move voluntariamente o braço direito que está aduzido no ombro, com flexão do cotovelo, punho e dedos. Apresenta fala difícil, áspera, lenta e com alguns sons produzidos de forma incorreta. Sua capacidade de produzir e compreender a linguagem oral e escrita está absolutamente normal. Diante do exposto, é correto afirmar que a lesão ocorreu: (A) no córtex motor primário, na substância branca ou na cápsula interna. (B) no hipotálamo e ponte. (C) no tálamo, no tronco encefálico e no bulbo. (D) no hipocampo e no lobo parietal. (E) na área de Wernicke. Duas alternativas podemos eliminar de imediato: a “C” – por listar o tronco encefálico separadamente de um integrante(bulbo), e a “E” – por oferecer a área de Wernicke, estando bem claro no enunciado que não há alteração na compreensão da linguagem. A “D” também podemos eliminar, pois é relacionada à memória. Sobre a “B”, o hipotálamo não controla função motora, sendo mais ligado à secreção hormonal e controle de funções corporais. Por eliminação, alternativa “A”. O córtex motor primário funciona em associação com o córtex pré-motor, a área motora suplementar, o córtex parietal posterior e várias outras regiões subcorticais, para planejar e executar movimentos. O córtex motor primário é definido citoarquitetonicamente como a região do córtex que contém neurônios grandes, como as células Betz. Estas, junto com outros neurônios corticais, envia axônios à medula espinhal para fazer sinapses com interneurônios ou diretamente com os neurônios motores alfa, que se conecta com os músculos. O córtex motor primário contém um mapa do corpo, como o córtex somatossensorial primário. A substância branca é o tecido através do qual mensagens passam entre diferentes áreas da substância cinzenta dentro do sistema nervoso. A substância branca é branca por causa da substância gordurosa (mielina) que envolve as fibras nervosas (axônios). O hipotálamo liga o sistema nervoso ao sistema endócrino sintetizando a secreção de neuro hormônios (também chamado de “liberador de hormônios”) sendo necessário no controle da secreção de hormônios da glândula pituitária — entre eles, liberação do hormônio gonadotropina 1 (GnRH). O hipotálamo também controla a temperatura corporal, a fome, sede, e os ciclos circadianos. A ponte forma a metade superior do pavimento do quarto ventrículo. Possui diversos núcleos de importantes nervos cranianos, como o trigêmeo, motor ocular externo, facial e auditivo. Serve como condutor para importantes vias ascendentes e descendentes (cortico-nuclear, cortico protuberancial, cortico-espinhal, etc.). Sobre o Tálamo, sua principal função é servir de estação de reorganização dos estímulos vindos da periferia e do tronco cerebral e também de alguns vindos de centros superiores. Lá fazem sinapse os axônios dos neurônios situados nesses locais, e daí partem novos axónios que vão efetuar ligações com outros centros superiores, principalmente o córtex. Quase todos os sinais ascendentes que vão para o córtex fazem sinapse nos núcleos do tálamo onde são reorganizados e/ou controlados, com exceção do sentido do olfato. O Hipocampo parece ser muito importante para converter a memória a curto prazo em memória a longo prazo. Atua em interação com a amígdala e está mais envolvido no registro e decifração dos padrões perceptuais do que nas reações emocionais. Lesões no hipocampo impedem a pessoa de construir novas memórias e a pessoa tem a sensação de viver num lugar estranho onde tudo o que experimenta simplesmente se desvanece, mesmo que as memórias mais antigas anteriores à lesão permaneçam intactas. A principal função do lobo parietal é a interpretação da posição do corpo de acordo com os outros objetos nas suas imediações. As funções é diferente para o lobo parietal direito e no lobo parietal esquerdo. A função do lobo parietal direito inclui a interpretação de informações espaciais e regulação da personalidade. A função do lobo parietal esquerdo inclui a capacidade de entender os números, a manipulação de diferentes objetos e realizar tarefas de escrita. Área de Wernicke é uma região do cérebro humano responsável pelo conhecimento, interpretação e associação das informações, mais especificamente a compreensão da linguagem. Graves danos na área de Wernicke podem fazer com que uma pessoa que escuta perfeitamente e reconhece bem as palavras, seja incapaz de agrupar estas palavras para formar um pensamento coerente, caracterizando doença conhecida como Afasia de Wernicke. A área recebe o nome em homenagem a Karl Wernicke, um neurologista e psiquiatra alemão. Karl Wernicke (15 de Maio de 1848 – 15 de Junho de 1905) era médico, anatomista, psiquiatra e neuropatologista. Pouco tempo após Paul Broca ter publicado seus achados em défictis de linguagem causados por danos ao que hoje é conhecido comoárea de Broca no cérebro, Wernicke passou a pesquisar os efeitos do traumatismo craniano na linguagem. Wernicke concluiu que nem todos os défictis de linguagem eram resultado de danos à área de Broca. Notou que lesões na região posterior esquerda do giro temporal superior resultavam em déficits na compreensão da linguagem. Esta região é hoje chamada de área de Wernicke e a síndrome associada é denominada afasia de Wernicke. Afasia de Wernicke é uma alteração na linguagem oral e escrita, tornando a comunicação sem muita precisão, que é ocasionada por uma lesão neurológica. Por ser causado por um transtorno primário (inflamação no conduto auditivo interno), lesão neurológica em decorrências de TCE (traumatismo crânio encefálico) e/ou problema vasculares como AVC (acidente vascular cerebral) e AVE (acidente vascular encefálico). Nesta afasia ocorre uma lesão na 1ª circunvolução temporal esquerda, mas a linguagem oral e escrita não são prejudicadas. Sua maior dificuldade está na compreensão. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 93. O acidente vascular encefálico (AVE) é considerado a causa mais comum de deficiência em adultos. No AVE, a localização anatômica da lesão pode ser estabelecida baseada na delineação cuidadosa dos déficits neurológicos. As características típicas observadas em pacientes com síndrome da artéria cerebral média são: (A) movimentos involuntários: coreoatetoses, tremor de intensão, hemibalismo. Hemiplegia contralateral. (B) perda do olhar conjugado para o lado oposto, ataxia do(s) membro(s) contralateral(is). (C) paresia da perna e do pé oposto e, em menor grau, no braço e incontinência urinária. (D) paralisia com atrofia de metade da língua e da sensibilidade à dor e à temperatura do rosto. (E) paresia dos movimentos oculares verticais, miose, ptose ligeiras e resposta lenta da miose. Aqui iria por eliminação. “A” não pode ser por conta dacoreoatetose e do hemibalismo(nada a ver com comer metade do corpo, hein!?). São sintomas de lesão em gânglios da base. Na artéria cerebral média, o membro superior costuma ser mais acometido que o inferior, A “D” está meio confusa, mas de qualquer forma, parecem descrever sintomas de acometimento do nervo facial. A “E”, parece se ocupar do nervo óptico. Vou deixar, além de um resumo dos sintomas de AVE, um pdf do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto -USP de 2010. Não é a última moda em Paris, mas in the other hand não é muito antigo. http://www.mediafire.com/view/lz14rh1w9r6bpmc/2010MovimentosInvoluntarios.pdf Síndromes resultantes do Acidente Vascular Cerebral Artéria Carótida Interna Esta artéria é qualificada pela hemianópsia, afasia (se for o hemisfério dominante), hemiplegia contra lateral e hemianestesia contra lateral. Pode ocorrer um extenso edema cerebral, levando frequentemente ao coma e à morte (Sullivan, 1993). Artéria Cerebral Anterior As lesões nesta artéria são raras. E é caracterizada pela confusão mental, afasia (se for o hemisfério dominante), hemiplegia contra lateral (com predomínio do membro inferior), hemianestesia contra lateral (com predomínio do membro inferior), e pode haver apraxia de marcha, reflexo de sucção, reflexos de preensão e incontinência urinária e fecal (Sullivan, 1993). Artéria Cerebral Média Esta artéria é o local mais comum de AVC. E é especializada pelo coma, hemianópsia, hemiplegia (com predomínio do membro superior), hemianestesia (com predomínio do membro superior), afasia (se for o hemisfério dominante), e agnosia visual (Sullivan, 1993). Artéria Cerebral Posterior Esta artéria é representada pela hemianópsia, afasia, agnosia visual, alexia, hemiplegia e hemianestesia, muitas vezes são sintomas temporários (Sullivan, 1993). Artéria Vértebro – Basilar Esta artéria é assinalada pelo coma, diplopia, hemiplegia, paralisia pseudo bulbar, tetraplegia e anestesia completa (Sullivan, 1993). Quando a lesão é no Hemisfério Esquerdo (Hemiplegia Direita) ocorrem afasias, apraxias ideomotoras e ideacionais, alexia para números, descriminação direita/esquerda e lentidão em organização e desempenho. Quando é no Hemisfério Direito (Hemiplegia Esquerda) ocorre alteração viso espacial, auto negligência unilateral esquerda, alteração da imagem corporal, apraxia de vestuário, apraxia de construção, ilusões de abreviamento de tempo e rápida organização e desempenho. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 94. O plexo braquial compõe-se de nervos que provêm de C5 a T1. Após deixarem os corpos vertebrais e passarem por entre os músculos escaleno anterior, médio e posterior, as raízes nervosas de C5 e C6 unem-se para formar o tronco: (A) lateral. (B) inferior. (C) medial. (D) superior. (E) axilar. Essa questão ofereceu um monte de termos para definir as divisões do plexo braquial, e isso pode confundir. Mais uma para a categoria pegadinhas das organizadoras. PLEXO BRAQUIAL O membro superior é inervado pelo plexo braquial situado no pescoço e na axila, formado por ramos anteriores dos quatro nervos espinhais cervicais inferiores (C5, C6, C7, C8) e do primeiro torácico (T1). O plexo braquial tem localização lateral à coluna cervical e situa-se entre os músculos escalenos anterior e médio, posterior e lateralmente ao músculo esternocleidomastóideo. O plexo passa posteriormente à clavícula e acompanha a artéria axilar sob o músculo peitoral maior. Os ramos ventrais do quinto e do sexto nervos cervicais (C5-C6) formam o tronco superior; o ramo anterior do sétimo nervo cervical(C7) forma o tronco médio; e os ramos anteriores do oitavo nervo cervical e do primeiro nervo torácico (C8-T1) formam o tronco inferior. Os três troncos, localizados na fossa supraclavicular, dividem-se em dois ramos, um anterior e um posterior, que formam os fascículos, situados em torno da artéria axilar. Os ramos anteriores dos troncos superior e médio formam o fascículo lateral; o ramo anterior do tronco inferior forma o fascículo medial; e os ramos posteriores dos três troncos formam ofascículo posterior. Na borda inferior e lateral do músculo peitoral menor, os fascículos se subdividem nos ramos terminais do plexo braquial. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 95. R.S., 20 anos de idade, vítima de acidente de carro. Na admissão era capaz de abrir os olhos após estímulos verbais e táteis, mas incapaz de acompanhar visualmente o alvo. Retirava os membros superiores e inferiores em resposta à estimulação, mas não era capaz de movê-los sob comando. Estava alerta, porém confusa e incapaz de se envolver em uma conversa. Considerando AO abertura ocular; MRM melhor resposta motora e RV resposta verbal, o nível de consciência do paciente, usando a Escala de Coma de Glasgow é: A) AO=1; MRM=2; RV=2 – TOTAL = 05. (B) AO=4; MRM=6; RV=5 – TOTAL = 15. (C) AO=3; MRM=4; RV=4 – TOTAL = 11. (D) AO=2; MRM=3; RV=3 – TOTAL = 08. (E) AO=3; MRM=3; RV=4 – TOTAL = 09. Vamos usar a imagem da tabela acima para resolver essa questão. Essa escala tem que decorar, não tem outro jeito. Na admissão era capaz de abrir os olhos após estímulos verbais e táteis, mas incapaz de acompanhar visualmente o alvo. AO = 3 Retirava os membros superiores e inferiores em resposta à estimulação, mas não era capaz de movê-los sob comando. MRM = 4 Estava alerta, porém confusa e incapaz de se envolver em uma conversa. RV = 4 Total: 11 Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 96. Para obtenção de calor moderado, com aplicação de ultra-som, é recomendada a intensidade de: (A) 4 W/cm2. (B) 0.1 W/cm2. (C) 1 W/cm2. (D) 5 W/cm2. (E) 2W/cm2. Questão que possui inúmeras variáveis que interferem no resultado da temperatura desejada. Por senso comum, tenho que optar pela alternativa que ficaria no meio termo, que é a “E”, mas mesmo ela, aplicada em algumas situações variáveis, pode não aquecer nada. Um pouco sobre esfeito térmico do ultrassom: Quando se refere de ultrassom terapêutico existem valores de frequências que se situam entre 0,5 a 5 MHz, sendo que as mais utilizadas são as de 1 e 3 MHz (ABNT, 1998). Na Fisioterapia o controle da frequência de saída do ultrassom possibilita ao terapeuta o controle da profundidade a ser atingida pela energia ultrassônica. Assim, quanto maior for à frequência, maior será a sua absorção, sendo mais efetiva para o tratamento de tecidos superficiais, uma vez que seu poder de penetração diminui (GUIRRO et al., 1996; YOUNG, 1998; AGNE, J. E 2004). Frequências mais altas (3MHz) são absorvidas mais intensamente, tornando-as mais específicas para o tratamento de tecidos superficiais, enquanto que as frequências mais baixas (1MHz) penetram mais profundamente, devendo ser usadas para os tecidos mais profundos (DOCKER, 1987). Assim, como a perda de energia aumenta com a elevação das frequências do ultrassom, as frequências mais baixas penetram mais nos tecidos (LOW & REED, 2001). A penetração das frequências de 1 MHz, tem sido utilizado para aquecer estruturas a uma profundidade igual ou maior que 2,5 cm, enquanto o ultrassom de 3 MHz tem sido utilizado para aquecer estruturas a uma profundidade menor que 2,5 cm (HAYES, SANDREY & MERRICK, 2001). A energia em uma onda de ultrassom é caracterizada pela intensidade. A unidade usada para aplicações clínicas no ultrassom é o watts/cm² (KITCHEN, 2003). Quanto às intensidades, o UST pode ser dividido em duas classes: baixa intensidade (0,125 – 3 W/cm²) e alta intensidade (5 W/cm²) (LEUNG, 2004), na terapia por ultrassom a intensidade utilizada situa-se entre 0,1 e 3 W/ cm². Intensidades menores que 0,1 W/cm² são utilizadas para diagnóstico e maiores que 10 W/cm² para destruição tecidual (ABNT, 1998). A escolha da intensidade está relacionada com objetivo a ser atingido, o UST debaixa intensidade é frequentemente usado para estimulação de respostas fisiológicas normais perante injúrias ou aceleração da absorção transcutânea de drogas pela pele, enquanto que o de alta intensidade é usado na destruição de tecido de uma forma controlada, como durante procedimentos cirúrgicos (LEUNG, 2004). Efeitos térmicos significativos podem ser obtidos usando intensidade entre 0,5 e 1 W/cm², já o uso de intensidade de 0,5 W/cm² e inferiores é indicado quando se deseja obter efeitos mecânicos para que se acelere o processo de cicatrização em tecidos como pele, tendões e ossos, enquanto que níveis superiores a 1,5 W/cm² exercem um efeito adverso nos tecidos em processo de reparação (KITCHEN; BASIN, 1996). É possível selecionar a intensidade apropriada, que também deve estar de acordo com a natureza da lesão, ou seja, para lesões agudas e pós-traumáticas, podem ser aplicadas intensidades de superfície na região de 0,25 a 1,0 W/cm2. É necessário lembrar que diferentes tecidos absorvem o ultrassom com graus diferentes de acordo com a presença de proteínas (LOW & REED, 2001), com a natureza do tecido, seu grau de vascularização e frequências empregadas (YOUNG, 1998). Como precaução, a evidência clínica sugere que a subdose é melhor que a superdose, e as intensidades mais baixas são mais efetivas (PIERCY et al., 1994). Ao ser aplicado em tecido biológico, o ultrassom terapêutico acaba produzindo agitações mecânicas (AMÂNCIO, 2003), consequentemente gerando efeitos classificados como térmicos e mecânicos (AMÂNCIO, 2003; DYSON, 1982). Os efeitos produzidos pela ação do ultrassom em tecidos biológicos dependem da interação de diversos fatores como, intensidade, frequência, tempo de exposição e estado fisiológico do tecido. Este grande número de variáveis complica a compreensão exata do mecanismo de ação do ultrassom na interação com os tecidos biológicos (SARVAZYAN, 1983). Esta interação acaba provocando alterações fisiológicas que podem ser benéficas ou acarretar em danos aos tecidos (BARNETT et al., 1994). Diante disso ressalta-se a necessidade de completa compreensão sobre o modo de ação dos efeitos biológicos produzidos pelo USt (ROBINSON, SNYDER-MACCKLER, 2001). Efeitos térmicos do ultrassom Os efeitos térmicos, ou de calor, são produzidos pela fricção criada pelas ondas que passam através do tecido (ARNOULD-TAYLOR, 1999), ou seja a vibração celular e de suas partículas provoca um atrito entre elas, produzindo assim o efeito térmico. Segundo Dyson (1987) a produção de calor é maior nas áreas limítrofe músculo/osso. O aumento da temperatura induzida pelo Ultrassom terapêutico depende de diversos fatores, como frequência, duração do pulso, intensidade e tempo de exposição, aliados à propriedades do tecido insonado. De maneira geral, o efeito térmico está associado a altas intensidades de onda e ao modo contínuo (DALECKI, 2004); além desses fatores, Williams (1983), cita outros fatores determinantes para a geração de calor, técnica de aplicação (estacionária ou móvel), dimensões do corpo aquecido e a presença de superfícies refletoras na frente ou atrás do tecido de interesse. Agne (2009), completa dizendo que a dose de aplicação e as interfaces que separam os tecidos também interferem no efeito térmico. Existe uma relação diretamente proporcional entre a absorção do ultrassom e quantidade de proteína no tecido. Ou seja, quanto maior a concentração de proteína, maior será a absorção da onda sonora e maior o calor gerado (JOHNS, 2002) , assim como quanto maior a intensidade, maior a produção de calor nos tecidos (AMÂNCIO, 2003). Tecidos com alto conteúdo de proteína absorvem o ultrassom mais prontamente do que aqueles com conteúdo de gordura mais alto, e quanto maior a frequência maior a absorção (KITCHEN, 2003). Para que ocorra o efeito exclusivamente térmico é necessário o aumento da temperatura entre 40º a 45º, por no mínimo cinco minutos, acima de 45º, o efeito se torna lesivo ao tecido, podendo causar queimaduras (LOW & REED, 2001). Starkey (2001), relata que, um ultrassom de 3Mhz aquece três a quatro vezes mais rápido que um aparelho de 1MHz, embora os efeitos do US de baixa frequência possam durar mais tempo, o tratamento com intensidades de saída menores exigem uma duração maior para elevar a temperatura do tecido ao nível desejado. Depois de emitido, o calor é dissipado por difusão térmica e pelo fluxo sanguíneo local, o que pode ser um problema ao tratar locais com restrição de fluxo sanguíneo, tecido de natureza vascular ou uso de prótese metálica, neste último caso a complicação pode ocorrer pela reflexão de 30% que atinge os tecidos moles ao redor (KITCHEN, 2003). Os efeitos fisiológicos provenientes do aquecimento tecidual incluem: aumento da circulação sanguínea, despolarização das fibras nervosas aferentes, efeitos sobre os nervos periféricos, aumento da extensibilidade em tecidos ricos em colágeno como tendões, ligamentos e cápsulas articulares, redução de espasmos musculares, alivio da dor e a resolução de processos inflamatórios crônicos (FUIRINI & LONGO, 2002; ROMANO, 2001; STARKEY, 2001), Campos (2000), acrescenta como efeitos da ação térmica o relaxamento, aumento do metabolismo tecidual e da permeabilidade das membranas. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 97. Na reabilitação de portadores de incapacidades múltiplas, profissionais de diferentes formações compõem a equipe, dentre eles o fisioterapeuta, que deve: (A) manter e estimular o nível de motricidade e funcionalidade dos portadores de incapacidades. (B) prevenir incapacidades secundárias desde a instalação da doença. (C) integrar o indivíduo na sua nova situação dentro do núcleo familiar e social. (D) dar suporte e entendimento aos pacientes de suas perdas e como superá-las, assim como deve ser elemento essencial na fase de aquisição e adaptação de habilidades específicas para determinada ação e função. (E) educar os portadores de necessidades especiais, dentro de todas as possibilidades, à integração e inclusão social junto aos indivíduos sem nenhuma necessidade. Vamos identificar os profissionais descritos nas alternativas: A – Manter e estimular o nível de motricidade e funcionalidade dos portadores de incapacidades. Fisioterapeuta. B – Prevenir incapacidades secundárias desde a instalação da doença. Fisioterapeuta. C – Integrar o indivíduo na sua nova situação dentro do núcleo familiar e social. Assistente Social. D – Dar suporte e entendimento aos pacientes de suas perdas e como superá-las, assim como deve ser elemento essencial na fase de aquisição e adaptação de habilidades específicas para determinada ação e função. Psicólogo. E – Educar os portadores de necessidades especiais, dentro de todas as possibilidades, à integração e inclusão social junto aos indivíduos sem nenhuma necessidade. Pedagogo. Mas então há duas respostas corretas? Não! Devemos atuar antes de instalada a doença, preferencialmente, portanto a alternativa “A” é mais adequada. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 98. A metodologia de trabalho em equipe que mais se adequa à reabilitação é a da: (A) investigação etiológica. (B) fisioterapia baseada em evidências. (C) interdisciplinaridade. (D) investigação científica. (E) abordagem psicocognitiva. Interdisciplinaridade, é claro! Não podemos sozinhos fazer tudo pelo paciente, mas a diferença entre orientar o paciente quanto aos perigos da má alimentação e elaborar cardápio do pacente é gritante. Se podemos ajudar no primeiro, no segundo só pode dar em pedandismo e prejuízos ao paciente. Na interdisciplinaridade, cada profissional contribui com o seu saber, nas demais opções temos elementos que também podem ser trabalhados em equipe, mas se estamos falando de metodologia de trabalho, não pode ser outra. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 99. A efetividadede um programa de atividades de alongamento é influenciada pelas respostas dos tecidos moles contráteis e não contráteis do alongamento. Considerando o fator intensidade, pode-se afirmar que: (A) quanto mais alta a intensidade, maior o tempo em que o paciente tolerará o alongamento e os tecidos moles poderão ser mantidos na posição de alongamento. (B) quanto mais baixa a intensidade, menor o tempo em que o paciente tolerará o alongamento e os tecidos moles poderão ser mantidos na posição de alongamento. (C) quanto mais alta a intensidade, mais freqüentemente a intervenção do alongamento poderá ser aplicada para que o tecido tenha tempo de se regenerar. (D) um alongamento de alta intensidade e curta duração é considerado a forma mais segura de alongar e produzir a deformação elástica mais significativa com alterações plásticas em longo prazo nos tecidos moles (E) um alongamento de baixa intensidade e longa duração é considerado a forma mais segura de alongar e produzir a deformação elástica mais significativa com alterações plásticas em longo prazo nos tecidos moles. Apesar de haver algumas outras teorias sobre diferentes tipos de alongamento, no contexto dessa questão a resposta mais apropriada é considerar o alongamento de baixa intensidade e longa duração. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 100. O deslocamento de uma parte, geralmente de partes ósseas de dentro de uma articulação, levando à lesão de tecidos moles, inflamação, dor e espasmo muscular é definição de: (A) subluxação. (B) distensão. (C) entorse. (D) luxação. (E) sinovite. Deslocamento articular é luxação. Talvez o termo subluxação ofereça alguma dúvida. Esse termo, que é frequentemente utilizado na quiropraxia, também existe na ortopedia. Para a quiropraxia, uma subluxação acontece quando uma vértebra sai fora do seu alinhamento normal com a vértebra inferior e superior e interfere na transferência de informação entre o cérebro e o resto do corpo. De acordo com a quiropraxia, a lesão talvez não seja lembrada, mas os danos já estão instalados. Em termos gerais, luxação de uma articulação ocorre quando as superfícies articulares ficam completamente separadas umas das outras, de modo que se perde toda a aproximação. A subluxação ocorre quando as superfícies articulares são parcialmente separadas, mas ainda fica alguma parte de cada superfície em contato. Subluxações são comuns em pacientes com artrite reumatoide, em decorrência do desgaste articular. CAUSAS A principal causa das luxações e subluxações é o trauma. A malformação congênita e paralisia muscular também podem levar a isso. Muitas luxações traumáticas estão associadas a fraturas: fraturas do cotovelo, tornozelo e das vértebras. Muitas vezes, as luxações são acompanhadas por grave dano nos tecidos moles, por causa de estiramento ou ruptura das estruturas ao redor da articulação. Os ligamentos podem ser parcial ou completamente rompidos e podem exigir reparo cirúrgico. Os músculos, tendões, bainhas sinoviais e cartilagens também podem ser comprometidas. Característica da lesão: 1) Dor intensa que é pior que a sentida com a fratura. O paciente tem a sensação de ruptura, que é diferente da sensação da quebra ou estalido de osso, que ocorre na fratura. 2) Deformidade 3) Perda da função 4) Edema 5) Equimose – é devida ao extravasamento de sangue dos vasos lesados. 6) Rigidez 7) Fraqueza muscular Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 101. Ao se realizar uma avaliação músculo-esquelética, objetiva-se: I. determinar a presença ou ausência de comprometimento, envolvendo músculos, ossos e estruturas articulares relacionadas; II. identificar os tecidos específicos que estão causando o comprometimento; III. ajudar a formular objetivos de tratamento, resultados almejados e intervenções terapêuticas apropriadas; IV. verificar a efetividade do tratamento fisioterapêutico, médico ou cirúrgico; V. motivar o paciente; VI. determinar as adaptações e equipamentos ortóticos necessários para a habilidade funcional nas atividades cotidianas, ocupacionais e recreativas. Está correto o contido em (A) I, II, III, IV e VI, apenas. (B) I, II, III e VI, apenas. (C) I, II, III e V, apenas. (D) I, III, V e VI, apenas. (E) I, II, III, IV, V e VI. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 102. Os movimentos angulares grosseiros do corpo dos ossos descritos nos três planos do corpo: flexão e extensão no plano sagital, abdução e adução no plano frontal e rotação medial e lateral no plano transverso se referem a: (A) osteocinemática. (B) artrocinemática. (C) hipermobilidade. (D) amplitude de movimento passiva. (E) trabalho linear. A questão é simples mas vamos elucidar aqui uma dúvida que as vezes assombra nossa mente: Osteocinemática? Artrocinemática? “Osteo” e “cinemática” já dizem tudo, são os movimentos dos ossos, os movimentos que aparentam realizar, como flexão e extensão. Já “artro” e “cinemática” fazem referência aos movimentos articulares propriamente ditos, como rotação, rolamento, giro, compressão e tração. OSTEOCINEMÁTICA E ARTROCINEMÁTICA I – MOVIMENTOS OSTEOCINEMÁTICOS Os movimentos osteocinemáticos são os movimentos fisiológicos ou clássicos da diáfise óssea. Estes movimentos podem ser realizados voluntariamente pelo paciente de acordo com os planos cardeais do corpo. O plano sagital divide o corpo em lados direito e esquerdo. Os movimentos que ocorrem neste plano são os movimentos de flexão e extensão. Quando dois segmentos se aproximam um do outro é realizado o movimento de flexão e quando eles se afastam é realizado o movimento de extensão. O plano horizontal divide o corpo em partes superior e inferior. Os movimentos que ocorrem neste plano são os movimentos de rotação. O movimento de rotação interna ocorre quando a superfície articular roda anteriorizando-se em relação ao corpo, ou seja, uma rotação para dentro ou medial . Já o movimento de rotação externa a superfície articular roda em direção a parte posterior do corpo, ou seja, uma rotação para fora ou lateral. No antebraço a rotação interna é chamada de pronação e a rotação externa de supinação. O plano frontal divide o corpo em partes da frente e de trás. Os movimentos realizados neste plano são o de abdução e o de adução. Quando um segmento se afasta da linha mediana do corpo é realizado o movimento de abdução. E quando um segmento se aproxima da linha mediana é realizado o movimento de adução. No punho o movimento de abdução é definido como desvio radial e o movimento de adução é definido como desvio ulnar. Os planos secundários são destinados à articulações onde os planos frontal , horizontal e sagital passam em outros pontos que não o centro de gravidade do corpo, definindo assim o centro de uma articulação como a dos dedos, mão e pé. Um exemplo são os movimentos de dorsiflexão e flexão plantar que ocorrem no pé. II – MOVIMENTOS ARTROCINEMÁTICOS Os movimentos artrocinemáticos são os movimentos que ocorrem no interior da articulação e, eles descrevem a distensibilidade na cápsula articular permitindo que os movimentos fisiológicos ocorram ao longo da amplitude de movimento sem lesar as estruturas articulares. Estes movimentos não podem ser realizados ativamente pelo paciente, geralmente são muito utilizados para restaurar a biomecânica articular normal diminuindo a dor , alongando ou liberando com menos trauma determinadas estruturas. São cinco os movimentos artrocinemáticos: giro, rolamento, tração, compressão e deslizamento. NOTA: Tipos de articulação Os movimentos artrocinemáticos são influenciados pela forma das superfícies articulares, as quais determinam as articulações em ovóide ou selar. 1) Ovóide – neste tipo de articulação encontram-se uma superfície convexa e outra côncava. 2) Selar – esta articulação é formada por uma superfície côncava em uma determinada direçãoe convexa em outra direção, com uma superfície oposta semelhante côncava e convexa ao mesmo tempo. II.a – Rolamento Durante o rolamento um osso rola sobre o outro com a seguintes características : – As superfícies são incongruentes. – Novos pontos de uma superfície encontram novos pontos na superfície oposta. – Nas articulações com a biomecânica normal o rolamento só ocorre em combinação com os movimentos de deslizamentos e giro, porém quando o rolamento ocorre sozinho causa compressão nas superfícies do lado que o osso esta se movendo, o que pode provocar uma lesão articular, e uma separação no outro lado. – A superfície que se move seja ela convexa ou côncava não influencia a direção do movimento ósseo . II.b – Deslizamento Durante o deslizamento um osso desliza sobre o outro com as seguintes características: – As superfícies articulares são congruentes. – O mesmo ponto em uma superfície faz contato com novos pontos na superfície oposta. – O deslizamento não ocorre sozinho devido as superfícies articulares não serem totalmente planas, ou seja, completamente congruente. – Diferentemente do rolamento, a superfície articular que se move influência a direção do deslizamento, o que é chamado como regra convexo-côncava . – Quando a superfície articular que se move é convexa o deslizamento ocorre na direção aposta à do movimento angular do osso. – Quando a superfície que se move é côncava o deslizamento ocorre na mesma direção do movimento angular do osso. – A regra do côncavo – convexo é importante para o terapeuta determinar a direção da força mobilizadora em técnicas de manipulação articular. II.c – Giro Durante o giro um osso gira sobre o outro com as seguintes características: – O osso faz uma rotação sobre um eixo mecânico estacionário. – O ponto na superfície que se move faz um círculo na medida em que o osso gira. – O giro dificilmente ocorre sozinho, mas geralmente em combinação com o deslizamento. II.d – Compressão Durante a compressão uma superfície articular se aproxima uma da outra com as seguintes características : – A compressão causa diminuição no espaço articular entre as partes ósseas. – Ocorre normalmente nos membros inferiores e na coluna durante a sustentação do corpo – Ocorre compressão com a contração muscular gerando estabilidade articular, impedindo lesões articulares. – Com a compressão o líquido sinovial move-se para as estruturas articulares avasculares nutrindo-as e lubrificando-as. – Cargas excessivas de compressão causam lesões articulares, principalmente na cartilagem articular. II.e – Tração Durante o movimento de tração as superfícies articulares afastam-se uma da outra com as seguintes características . – Ocorre separação das superfícies articulares quando são puxadas distalmente uma da outra. – Pode ocorrer tração no eixo longo do osso resultando em deslizamento caudal . – Pode ocorrer tração em ângulo reto onde resulta na separação articular propriamente dita. Os efeitos fisiológicos da mobilização articular Os movimentos artrocinemáticos são muitos utilizados pelos fisioterapeutas no tratamento das disfunções articulares, alem de restaurar a biomecânica articular proporcionam efeitos fisiológicos benéficos no tecido articular e nas estruturas periarticulares, tais como : – Movimenta o líquido sinovial levando nutrientes para as partes avasculares da articulação. – Mantém a extensibilidade e a força de tensão nos tecidos articulares e periarticulares. – Inibe a ação dos nociceptores profundos e superficiais através de estímulos dos mecanoceptores articulares. Indicações – Hipomobilidade articular causada por processos degenerativos como traumas, microtaumas de repetição, imobilização, maus hábitos posturais, desuso, idade avançada. – Dor e espasmo muscular. – Processos inflamatórios sem efusão articular. – Patologia que causam uma hipomobilidade articular progressiva, como artrite reumatóide. Contra-indicações e cuidados – Hipermobilidade. - Efusão articular: Devido ao acumulo de líquido no interior da cápsula articular ( líquido sinovial, sangue, exudado etc. ) que já esta distendida, o que provoca a dor devido ao estimulo dos nociceptores , um alongamento ou mobilização articular irá provocar uma maior distensibilidade causando mais dor, porém movimentos delicados oscilatórios podem em alguns casos ajudar a diminuir a dor e o edema articular por melhorar o fluxo de líquido e manter a mobilidade já existente da articulação lesionada. - Processos inflamatórios agudos: No processo inflamatório ocorre acúmulo exudato intra-articular causando distensibilidade da cápsula articular, o que promove dor, técnicas de alongamento não são indicadas devido a origem da dor se causada pela resposta do organismo pelo excesso de líquido e espasmo articular, e não devido ao tecido mole estar encurtado. Apesar de muitos fisioterapeutas utilizarem o alongamento para ” ganhar arco de movimento” durante a inflamação aguda ,esta é contra-indicada por aumentar a dor e o espasmo articular devido a resposta do organismo ao tentar proteger-se do alongamento e também, quando o edema reduzir poderá ocorrer subluxações devido a uma hipermobilidade causada pelo excesso de distensibilidade capsular provocado pela mobilização articular. - Devemos ter precauções com doenças ósseas detectadas no RX, fraturas não consolidadas, tecido conectivo recém-formado ( processos cirúrgicos ), artrite reumatóide e idosos ( devido ao enfraquecimento do tecido mole, técnicas de mobilização podem romper algumas estruturas periarticulares causando imobilidade e dor ). Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 103. O método Pilates é um modelo alternativo de atenção à saúde que carece de estudos controlados para evidenciar sua eficácia e segurança. A técnica Pilates é caracterizada: (A) por uma série de movimentos contrastantes e ligados, com constante deslocamento de peso de uma perna para a outra, mudança de direção e movimentação dos braços no espaço. (B) pela educação no uso da mecânica corporal apropriada em todos os movimentos, estabilização de tronco e pelve, respiração coordenada e contrações musculares excêntricas para promover fortalecimento com pouco aumento de massa. (C) pelo uso das mãos, como sensores, para localizar o problema, servindo como condutor de energia universal, transferindo conscientemente energia para o campo energético do paciente em movimentos rítmicos de varredura. (D) pelo uso das mãos, em toques leves, em locais específicos do corpo do paciente, permitindo que a força vital flua do terapeuta para o corpo do paciente. (E) pela melhora da postura cervical, enfatizando o desenvolvimento do equilíbrio entre a cabeça e o pescoço em situações estáticas e dinâmicas. Essa questão na época poderia oferecer alguma dificuldade, mas hoje em dia acredito que ninguém tenha dúvida da eficiência do método de Joseph Pilates, que já não carece tanto de estudos controlados como provavelmente ocorria na época que esta questão foi formulada. Breve história de Joseph Pilates Joseph Hubertus Pilates nasceu em 1880 na Alemanha, perto de Dusseldorf, em uma pequena vila no seio de uma família de classe média. Na infância, sua saúde foi frágil, sofreu de asma, bronquite, raquitismo e febre reumática. Quando era adolescente limpava o jardim de um vizinho que possuía uma biblioteca em troca de desfrutar dela. Devido a uma saúde fraca na infância e à sede de conhecimentos, tornou-se autodidata aprofundando seus conhecimentos em anatomia, física, biologia, fisiologia e medicina tradicional chinesa. O Método teve influência desde o Yoga, artes marciais ao estudo do movimento dos animais. Pilates e seu irmão juntaram-se a uma companhia de circo que realizou uma turnê por Londres quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial (1914), foi recluso no campo de concentração de Lancaster, por ser considerado inimigo estrangeiro. Nesse período atuou como enfermeiro e desenvolveu exercícios para manter a sie aos companheiros saudáveis. Usou as camas hospitalares e outros artefatos (cintos, lastros e molas) para fortalecer enfermos que ainda permaneciam deitados nas camas, onde iniciou o desenvolvimento dos primeiros protótipos dos aparelhos hoje conhecidos. Finalizado a guerra, retornou à Alemanha, onde continuou a desenvolver seu método. Foram 34 exercícios iniciais e após desenvolveu aparelhos para criar variações destes. Em primeiro lugar chamou atenção dos membros do mundo da dança, e em seguida atletas. Mas, quando foi convocado pelo governo Guilherme II (rei da Prússia) para treinar a força policial da cidade de Hamburgo,resolveu sair do país e escolheu imigrar para os Estados Unidos. Aos 46 anos acompanhou o campeão mundial de boxe à Nova York e na viagem de navio, J. Pilates conheceu a enfermeira Clara e obtiveram afinidades por apresentar interesse pela saúde e como manter o corpo saudável. Decidiram então abrir um estúdio juntos e mais tarde acabaram se casando. Joseph Pilates faleceu, em 1967 com 87 anos, em conseqüência de um incêndio na sua academia, na tentativa de salvar seus equipamentos, inalou uma quantidade excessiva de gases tóxicos. Clara continuou seu trabalho até 1977 quando veio a falecer. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 104. A fisioterapia está buscando cada vez mais firmar-se como ciência através de revisões sistemáticas da literatura, produzindo uma fisioterapia baseada em evidências científicas cujo objeto de estudo é: (A) o conhecimento metodicamente ordenado fundamentado em hipóteses. (B) a formação acadêmico-profissional para atuação nos diferentes níveis de assistência. (C) o desenvolvimento de pesquisas. (D) o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidade. (E) preservar, manter, desenvolver ou restaurar a integridade de órgãos ou funções orgânicas. Antes mesmo de pensar em aprofundar sobre a PBE, suas limitações e suas aplicabilidades clínicas, reparem que essa questão é uma pegadinha de muito bom gosto. Sobre um tema controverso, onde muita gente acha que pode ignorar décadas de pesquisas sérias para montar cursos ou defender teorias psicobiológicas e microfisioterapêuticas, a banca quer saber apenas qual é o objeto de estudo. Só isso! Ora, o objeto de estudo de qualquer estudo randomizado ou revisão sistemática em Fisioterapia é o próprio objeto de estudo e razão de ser da fisioterapia, que é a “D”, o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidade. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 105. “Respeitar a vida humana, desde a concepção até a morte, jamais cooperando em ato em que atente contra ela ou que coloque em risco a integridade física ou psíquica do ser humano”, é dever do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional previsto na: (A) Lei n.º 8.856/1994. (B) Resolução COFFITO-10. (C) Resolução COFFITO-80. (D) Decreto-Lei n.º 938/69. (E) Lei n.º 6.316/75. A lei n.º 8.856/1994 é a que fixa a jornada de trabalho dos profissionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional em 30 horas. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8856.htm A resolução Coffito-10 é o nosso código de ética, que foi posteriormente modificado e atualizado, sendo que em concursos o que vale é o novo, esse antigo foi substituido pela resolução Nº 424, DE 08 de julho de 2013. Esse novo código de ética, que foi formulado de forma separada do código de ética da Terapia Ocupacional, é o que está valendo a partir dessa data. Dá recurso certo questões que se baseiam no código de ética antigo. E é essa a resposta da questão. http://www.coffito.org.br/site/index.php/home/resolucoes-coffito/81-resolucao-n-10-aprova-o-codigo-de-etica-profissional-de-fisioterapia-e-terapia-ocupacional.html http://www.coffito.org.br/site/index.php/home/resolucoes-coffito/504-resolucao-n-425-de-08-de-julho-de-2013-estabelece-o-codigo-de-etica-e-deontologia-da-terapia-ocupacional.html A Resolução COFFITO-80 é relativa ao registro de empresas nos Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, e dá outras providências. http://www.coffito.org.br/site/index.php/home/resolucoes-coffito/151-resolucao-n-80-baixa-atos-complementares-a-resolucao-coffito-8-relativa-ao-exercicio-profissional-do-fisioterapeuta-e-a-resolucao-coffito-37-relativa-ao-registro-de-empresas-nos-conselhos-regionais-de-fisioterapia-e-terapia-ocupacional-e-da-outras-provide.html O decreto-lei n.º 938/69 é o que assegura o exercício profissional da fisioterapia e da terapia ocupacional. Se você não faz ideia do que era o regime militar, repare que nesse decreto quem dá as cartas são os ministros de guerra do exército, da marinha e da aeronáutica. http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/126018/decreto-lei-938-69 A lei n.º 6.316/75 é a que criou o COFFITO e os CREFITOS. Por mais que reclamemos com razão que pagamos anuidades caras e que não fazem muito para mudar a situação de desvalorização que se encontra nossa profissão, profissões sem conselho federal e regional não possuem representatividade, sem esse aparato legal a fisioterapia seria apenas uma profissão de nível auxiliar. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1970-1979/L6316.htm Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 106. Dentro da relação de ventilação/perfusão, o termo shunt designa: (A) o sangue que não entra no sistema arterial. (B) o sangue que entra no sistema arterial após passar através das áreas ventiladas do pulmão. (C) o ar que entra no sistema arterial sem passar pelas áreas ventiladas do pulmão. (D) o ar que não entra no sistema arterial. (E) o sangue que entra no sistema arterial sem passar pelas áreas ventiladas do pulmão. Shunt refere-se a perfusão sem ventilação. Mais especificamente, o shunt intrapulmonar se refere a áreas onde a perfusão no pulmão excede a ventilação. O shunt pulmonar é minimizado pela constrição reflexa normal da vasculatura pulmonar à hipóxia. Sem essa vasoconstrição hipóxica pulmonar, o shunt e seus efeitos hipóxicos agravariam. Por exemplo, quando os alvéolos se enchem de líquido, eles são incapazes de participar nas trocas gasosas com o sangue, causando hipóxia local ou regional, desencadeando assim vasoconstrição. O sangue é então redirecionado para longe desta área que tem uma relação de ventilação e perfusão pobre, para áreas que estão sendo ventiladas. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 107. A pressão média da artéria pulmonar principal é de cerca de: (A) 8 mmHg. (B) 10 mmHg. (C) 12 mmHg. (D) 15 mmHg. (E) 27 mmHg. Normalmente as pressões no território pulmonar são baixas, a média da pressão na artéria pulmonar é cerca de 1/5 da registrada na aorta. O gradiente de pressão sistólica do ventrículo direito e da artéria pulmonar fica em torno de 2 a 4 mm Hg. a) pressões na artéria pulmonar: no ser humano normal o valor médio da pressão sistólica na artéria pulmonar é de aproximadamente 25 mm Hg; a pressão diastólica na artéria pulmonar, de aproximadamente 8 mm Hg; a pressão média na artéria pulmonar, de 15 mm Hg. No período em que ocorre a sístole, a pressão na artéria pulmonar é essencialmente idêntica à pressão no ventrículo direito. Porém, com o fechamento da válvula pulmonar (final da sístole), a pressão ventricular cai bruscamente, já a pressão na artéria pulmonar cai mais lentamente, à medida que o sangue flui através dos capilares pulmonares. b) pressão capilar pulmonar: essa pressão pode ser medida por meios indiretos, com isso obtemos o valor estimado da pressão média nos capilares pulmonares, que é de aproximadamente 7 mm Hg. Essa baixa pressão capilar é útil para a realização de trocas líquidas, as quais ocorrem nos capilares. c) pressões no átrio esquerdo e nas veias pulmonares: a pressão atrial esquerda pode ser estimada medindo-se a chamada pressão pulmonar de encunhamento.Ela é medida através da introdução de um cateter através do coração direito e, em seguida, através da artéria pulmonar, até alcançar um dos pequenos ramos da artéria pulmonar, onde o cateter é finalmente empurrado até aderir-se firmemente na luz do vaso. Dessa forma, através do cateter a pressão de encunhamento é medida, e apresenta um valor de aproximadamente 5 mm Hg. No ser humano em decúbito, a pressão média no átrio esquerdo e nas veias pulmonares é de aproximadamente 2 mm Hg, variando de 1 mm Hg até 5 mm Hg. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 108. A difusão através dos tecidos é descrita pela lei de Fick. Esta afirma que: (A) a transferência do gás é desproporcional à área do tecido e à diferença de pressão entre os lados. (B) a velocidade de transferência de um gás através do tecido é proporcional à área do tecido e à diferença de pressão entre os dois lados e, inversamente proporcional à espessura do tecido. (C) a transferência é proporcional à área do tecido e a diferença de pressão é diretamente proporcional à espessura do tecido. (D) a velocidade de transferência de um gás independe da área do tecido e de sua espessura. (E) a velocidade de transferência de um gás depende somente da área do tecido. A lei de Fick é uma lei quantitativa na forma de equação diferencial que descreve diversos casos de difusão de matéria ou energia em um meio no qual inicialmente não existe equilíbrio químico ou térmico. Recebe seu nome de Adolf Eugen Fick, que as derivou em 1855. Na verdade, são duas leis. Essa citada é a primeira, chamada de Difusão em Estado Estacionário, que diz que a velocidade de transferência de um gás através do tecido é proporcional à área do tecido e à diferença de pressão entre os dois lados e, inversamente proporcional à espessura do tecido. A segunda lei de difusão de Fick, é a Difusão em Estado Não-Estacionário Quando a concentração da espécie em difusão varia com o tempo, esta espécie em difusão se acumulará dentro do volume. Sob condições transitórias, transientes ou não estacionárias, o gradiente varia com o tempo. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 109. Os receptores mais importantes envolvidos no controle minuto a minuto da ventilação são os situados perto: (A) da superfície ventral do bulbo. (B) da superfície dorsal da ponte. (C) da superfície ventral da ponte. (D) da superfície dorsal do bulbo. (E) do mesencéfalo. Dois mecanismos neurais separados regulam a respiração, sendo um responsável pelo controle voluntário e outro pelo controle automático. O sistema voluntário está localizado no córtex cerebral, onde originam-se os impulsos para o neurônios motores respiratórios via trato corticoespinhal. O sistema automático (ou refexo) encontra-se na formação reticulada bulbopontina e controla os neurônios motores respiratórios através do feixe reticuloespinhal. Os componentes dos neurônios motores respiratórios são o nervo frênico, na porção cervical da medula; e os nervos toracoabdominais, na porção torácica da medula. Os neurônios motores destinados aos músculos expiratórios são inibidos quando os músculos inspiratórios são ativados, o mesmo ocorrendo de forma oposta. Encontram-se centros respiratórios na porção bulbar e pontina do tronco encefálico. 1. O centro respiratório bulbar É o responsável pelo automatismo respiratório. Apresenta-se formado por dois tipos de neurônios: o “neurônio tipo I”, que despolariza-se durante a inspiração; e o “neurônio tipo E”, que despolariza-se durante a expiração. Atualmente. encontram-se dois grupos de neurônios respiratórios bulbares. - Grupo respiratório dorsal: localizado no núcleo do trato solitário e formado por neurônios inspiratórios ( “tipo I”). Os impulsos nervosos provenientes deste grupo destinam-se aos neurônios motores do nervo frênico contralateral e ao controle do grupo respiratório ventral. - Grupo respiratório ventral: situado no núcleo ambíguo e no núcleo retroambíguo. Apresenta-se formado por neurônios inspiratórios e expiratórios (tipos “I” e “E”). A informação originada neste núcleo é destinada aos neurônios motores dos músculos intercostais e abdominais. 2. Centro respiratório pontino São denominados centro apnêutico(localizado na porção inferior da ponte) e centro pneumotáxico(localizado na porção superior da ponte). Estes centros são responsáveis pelo controle do ritmo respiratório. Funcionalmente, o centro pneumotáxico promove uma inibição do centro apnêutico, que estimula os neurônios inspiratórios do grupo respiratório dorsal, com a finalidade de realizar o movimento respiratório. As informações do grau de distensão alveolar trazidas pelas fibras viscerais gerais do nervo vago estimulam o centro pneumotáxico e inibem o centro apnêutico. Isto posto, a fisiologia do movimento respiratório é a seguinte: no final da inspiração ocorre um estiramento dos receptores do parênquima pulmonar com despolarização das fibras aferentes do nervo vago. O nervo vago envia esta informação ao centro respiratório pontino, interrompendo a etapa inspiratória (reflexo de Hering-Breuer). Neste centro ocorre uma estimulação do centro pneumotáxico e uma inibição do centro apnêutico pelo nervo vago. O centro pneumotáxico, por sua vez, inibe intermitentemente o núcleo apnêutico. Desta forma, não ocorre estimulação dos neurônios inspiratórios do grupo respiratório dorsal, com consequente liberação dos neurônios expiratórios culminando no início da etapa expiratória da respiração. A resposta do centro respiratório efere através do feixe reticuloespinhal, o qual faz sinapses com os neurônios motores na porção cervical e torácica da medula. A regulação da atividade do centro respiratório é feita através da estimulação de quimiorreceptores periféricos localizados no corpo carotídeo e no arco aórtico, e de quimioreceptores centrais encontrados no funículo anterolateral da medula. Esses quimiorreceptores modulam a respiração de acordo com a concentração de gases sanguíneos, principalmente gás carbônico(CO2), oxigênio(O) e hidrogênio(H). Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 110. Na respiração corrente normal, o nível do diafragma move cerca de 1 cm, porém em inspiração e expiração forçada pode ocorrer uma excursão total de até: (A) 3 cm. (B) 5 cm. (C) 8 cm. (D) 9 cm. (E) 10 cm. É até 10 centímetros. O músculo mais importante da inspiração é o diafragma. Esse músculo veda a abertura inferior do tórax e suas fibras musculares inserem-se nas margens da abertura inferior torácica e migram para um grande tendão central. Esse músculo não é plano, e assume a forma de um “balão” superiormente tanto a direita quanto a esquerda. A cúpula direita é mais alta que a esquerda. Ele é inervado pelo nervo frênico que se origina dos ramos do plexo cervical. Quando esse músculo se contrai o conteúdo abdominal é empurrado para baixo e para frente e a dimensão vertical da cavidade torácica aumenta. Além disso, as margens costais são elevadas e movidas para fora, causando um aumento no diâmetro transverso do tórax. Em uma respiração corrente normal, o diafragma move-se cerca de 1 cm, mas já em um inspiração ou expiração forçada pode ocorrer um movimento de até 10 cm. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 111. A crioterapia é considerada agente de resfriamento superficial, transferindo energia por: (A) condução. (B) convecção. (C) irradiação. (D) conversão. (E) vibração. Na crioterapia há uma troca, uma transferência de temperatura entre os tecidos, por essa razão a região em contato com o gelo se resfria(perde calor) e o gelo passa do estado sólido para o líquido(ganha calor). Essa é uma condução de calor entre tecidos de temperaturas diferentes. Para que tenhamos um efeito terapêutico, é necessário que o gelo permaneça em contato com o tecido porno mínimo 20 minutos. Por essa razão sprays e bolsas de gel não são nem de longe comparáveis ao gelo, nenhuma dessas variações mantém essa troca de temperatura por 20 minutos. Apesar de inicialmente serem de temperatura e sensação térmica mais baixa que o gelo, essas modalidades não mantém essa troca por 20 minutos. Por isso, nem pensem em gastar dinheiro para realizar crioterapia colegas, gelo é água, e água é quase de graça. Ao menos por enquanto… Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 112. No paciente hemiplégico, à medida que a reabilitação progride, a sustentação do peso na posição ereta, com auxílio dos pés e mãos, tem como superfícies mais importantes: (A) o antebraço e a ponta dos pés. (B) a ponta dos dedos dos pés e a palma da mão. (C) a base das mãos e a ponta dos pés. (D) o quadril e o antebraço. (E) a base da mão e o calcanhar. Em MMII, o calcanhar é a estrutura de apoio mais consistente. Nas mãos, recentemente fiz um curso de primeiros socorros onde a enfermeira chamava a região hipotenar de “calcanhar da mão”, e pensando bem, funcionamente os dois são bem parecidos mesmo. Vamos de calcanhar em todo lado então, ora pois. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 113. Para estabelecer a diferença entre uma lordose lombar primária ou secundária a um processo coxofemoral que normalmente representa encurtamento de partes moles, especificamente músculo-tendinoso, o teste utilizado é: (A) o índice de Schober. (B) o ângulo poplíteo. (C) a manobra de Thomas. (D) o teste de Ober. (E) o teste de McMurray. O teste de Thomas é utilizado para o Ileopsoas. E o que isso tem a ver com a coluna lombar? Tirando o fato de estar inserido em todas as vértebras lombares, e de que qualquer alteração em suas inserções tanto vertebrais como no iliaco afetarem diretamente a curvatura lombar, quase nada. Vejo muitos vídeos abordando esse teste de forma extremamente superficial. Mas se há uma fonte de água no deserto, é esse vídeo abaixo: Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 114. É considerada contraindicação absoluta à massagem a presença de: (A) distrofia simpática. (B) placas arteroscleróticas. (C) aderências na pele. (D) estiramento muscular. (E) lombalgia mecânica. Apesar da lombalgia mecânica (!?) poder ser melhor tratada com outras condutas na maiorias dos casos, apenas as placas arteroscleróticas são contrainsicação entre o que foi listado acima. Convenciona-se que o estímulo da circulação promovido pela massoterapia possa ocasionar o desprendimento de embolos que, soltos na circulação sanguinea, podem ocasionar uma oclusão arterial ou venosa. É uma precaução a se tomar, mas é triste que o indivíduo se empanturre de gordura e carne a vida toda, aí um terapeuta desavisado é que paga o pato. Por isso, é sempre bom fazer uma avaliação cuidadosa e, em caso de pacientes cardiopatas ou em tratamentos de doenças vasculares, solicitar sempre a liberação do médico responsável para a realização de cinesioterapia. Se a cinesioterapia é liberada, a massoterapia não trará maiores problemas. Contra-indicações da Massagem Podemos dividir as contra-indicações em duas partes: Contraindicações indiscutíveis, que não sofrem qualquer tipo de contestação , ou seja é absolutamente proibido fazer massagem como por exemplo: Reumatismos inflamatórios em fase de desenvolvimento ou em fase aguda: Os efeitos vasomotores provocados pela massagem, são inoporturnos nestes casos, pelo risco de aumentar e disseminar a inflamação. Não confundir com inflamações locais , como no caso das tendinites, sequelas das entorses,etc em que a massagem se mostra eficaz. O aparecimento de “Dores Notunas” são sinal que nos aconselha a parar com a massagem. Doenças infecciosas em estado evolutivo Porque corre o risco de espalhar e agravar a infecção, por um lado, porque devido ao aumento da temperatura local vai provocar uma vasodilatação que terá como consequência um maior aporte de sangue à zona, por outro lado, porque vai aumentar o fluxo sanguíneo e com isso incrementar a possibilidade de espalhamento. Fragilidade vascular Flebite Litíase Tromboses e embolias Hemorragias – Sob pena de agravar bastante o quadro hemorrágico Inflamações agudas Degeneração muscular: Porque a fragilidade muscular não suporta positivamente os efeitos da massagem , além que iria certamente aumentar os níveis de degeneração Infecções cutâneas: situações como cancro,dermatoses,micoses,etc pelas razoes de agravamento do quadro patológico Estados febris: é um “alarme” do corpo, sobre forma de aquecimento que denuncia uma doença, com a massagem este vai aumentar Infecções purulentas Tumores malignos Leucemia e outras doenças graves do sangue Tuberculose pulmonar aguda,abdominal,óssea e articular Doenças cardíacas (insuficiência grave, estenose mitral, aneurisma, enfarte recente) Contraindicações relativas (pode-se massagear , exceto em determinadas áreas do corpo ou em certas alturas, ou então fazer mas observando certos cuidados): No plano dermatologico: psoriase,eczema, pruridos. a fragilidade cutânea dos idosos e das crianças devem impor certas precauções No plano topográfico: Triangulo de Scarpa, cavidade poplitea, axila, prega do cotovelo,face anterior do pescoço, por exemplo, são zonas onde a massagem não sendo proibida, devem no entanto ser levadas em conta as precauções necessárias relativamente aos elementos vasculo-nervosos situados na zona e nas proximidade No plano de certas doenças: por exemplo no caso dos espasmofilicos e dos polienteropáticos, é preciso ter em conta, a frequência das crises. é mais indicado dirigir o trabalho para um relaxamento, visto que nestes casos terá um valor de tratamento de fundo No plano psicopatológico: Existe o perigo de uma incompatibilidade entre o paciente e o massagista. Então, nesse caso o resultado do tratamento será sempre desvirtuado Período menstrual: Não se deve massagear a região abdominal nem a região lombar, ancas, coxas, e pernas , sobretudo durante os dois ou três primeiros dias, sob pena da aumentar a hemorragia e alargar o período em mais um ou dois dias Durante a gravidez: Não massagear região abdominal, lombar, ancas, coxas e pernas Após refeições: Porque as zonas massageadas se beneficiam de um maior aporte sanguíneo, o que vai prejudicar e dificultar a digestão, podendo criar problemas. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 115. Na reabilitação das lesões esportivas, na fase supervisionada de exercícios progressivos, o programa de alongamento será mais efetivo se for feito: (A) sem aquecimento prévio e repetido no período de desaquecimento. (B) somente no período de desaquecimento. (C) precedido de exercícios de mobilização articular e massoterapia. (D) somente se precedido de um período de aquecimento. (E) precedido de um período de aquecimento e se for realizado também no período de desaquecimento. Alongamentos são sempre mais efetivos em combinação com aquecimento. Não me recordo de haver alguma contraindicação para aquecimento em combinação com alongamento, desde que corretamente executados. Na prática esportiva de modalidades de força, é ainda mais efetivo apenas o aquecimento. Vejam: “Para alguém que se exercita regularmente, pode ser muito mais valioso fazer um aquecimento geral ou específico do que um alongamento. Fazer exercícios de alongamento antes dos treinos de força não é aconselhado para quem mantém uma rotina ativa, porém pode ser indicado para sedentários que estão começando a praticar atividades físicas e que costumam passar a maior parte do dia sentado durante o trabalho. “Existem alguns estudos que mostram que o alongamento melhora o desempenho e previne lesões, porém há outras pesquisas que dizem o contrário”, pondera Felipe Carpes, profissionalde Educação Física e fisioterapeuta, com especialização em biomecânica, de Uruguaiana (RS). “O que se deve avaliar é a saúde do praticamente. Para alguém que se exercita regularmente, realizando os exercícios de musculação da maneira correta, com amplitudes certas, frequência, intensidade e volume adequados, pode ser muito mais valioso fazer um aquecimento geral (como uma caminhada na esteira) ou específico (algumas repetições com carga baixa no próprio aparelho) do que o alongamento em si. Já para um sedentário, o alongamento pode ser um preparativo para o exercício, ajudando músculos e articulações a se acostumarem à sessão que será iniciada”, explica. Para os adeptos da corrida, o alongamento ajuda a prevenir lesões e, consequentemente, contribui para o desempenho. “Corredores que sentem dores lombares ou síndrome da banda iliotibial, por exemplo, podem ter os sintomas reduzidos com o alongamento, sem que necessariamente a cinemática da corrida seja alterada”, ressalta Carpes. Por isso não deixe de alongar os músculos que estão diretamente envolvidos na atividade e, especialmente, a cadeia muscular posterior, que, por ter muitos músculos que colaboram com a postura, acaba apresentando encurtamentos”. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: E Alternativa que indico após analisar: E 116. A deambulação do paciente que sofreu lesão medular traumática localizada em T11 a L2 é: (A) apenas para exercícios (não funcional, com órteses), além de requerer assistência física ou supervisão. (B) apenas para exercícios (não funcional, com órteses), dispensando assistência. (C) totalmente independente. (D) marcha funcional com órtese em ambiente interno e escadas utilizando corrimão. (E) independente, com órtese em ambientes internos e externos. As alternativas “A” e “B” são claramente absurdas. A “C” também, vamos desconsiderá-las. Das alternativas que nos restam, a “E” apresenta uma certa contradição. Como se faz necessário o uso de órteses em ambientes exernos e internos se a marcha é independente? Nessa questão, temos o exemplo claro de como podemos responder com acerto algumas questões sem nem ao menos dominar o assunto do enunciado. Repararam que nem me alonguei muito sobre o nível da lesão? Pois é, sabendo que haverá com certeza algum comprometimento da marcha numa lesão medular em T11-L2, ficou fácil responder. Vou repostar o texto mais procurado do blog, com o acréscimo da dancinha dos miótomos. Elaborei o texto abaixo e inseri as melhores imagens que encontrei. Vamos fazer um voo panorâmico para reconhecer os dermátomos. No sentido figurado do uso desse termo, temos “derma” + “tomo”, e entendemos “tomo” como “porção que contém algo”. Essa palavra vem do grego “pele”(derma) e “corte”(tomo). Nesse sentido, dermátomo deve ser interpretado como a porção da pele que contém a área inervada por um nervo, desde a sua raiz até sua porção final. Inicio sobre os dermátomos dos MMII. A imagem abaixo, que versa sobre os sinais clínicos de irradiação por compressão nas vértebras lombares, é autoexplicativa: Prosseguindo, vamos ver duas imagens sobre os dermátomos na posição de referência anatômica: Nem sempre é fácil de se assimilar os níveis dos dermátomos por essas imagens. Se colocarmos a figura na posição a partir da qual nossos ancestrais evoluíram, temos uma nova visualização dos dermátomos: Agora, algumas palavrinhas sobre a disfunção e o nível da lesão. A medula espinhal é uma estrutura cilíndrica, comprida, envolta pelas meninges, que se estende do crânio até a borda inferior da primeira vértebra lombar. Possui dois espessamentos, cervical e lombar, associados à saída das raízes de nervos espinhais. Os 31 pares de nervos produzem uma segmentação externa. Assim, se considera a medula composta por 31 segmentos, cada qual fornece pares de filamentos radiculares ventrais e dorsais. A área da pele inervada por axônios sensitivos de cada raiz nervosa, que corresponde a um segmento medular é chamada de dermátomo. Um videozinho para facilitar a memorização dos dermátomos(não confundir com a inervação dos miótomos): O conjunto de fibras musculares inervadas por axônios motores de cada raiz nervosa, de cada segmento medular, é chamada de miótomo. A melhor forma de se avaliar eventuais lesões em nervos espinhais é a escala ASIA. No site sobre a escala ASIA, é possível se realizar um curso excelente, mas que está em inglês e cuja versão com certificado é paga. Aqui o site: http://www.asia-spinalinjury.org/ Andei vasculhando o site, e deixo o link de dois exames muito bem explicados e da ficha de avaliação. Ficha de avaliação ASIA: http://www.asia-spinalinjury.org/elearning/ASIA_ISCOS_high.pdf Exame motor: http://lms3.learnshare.com/Images/Brand/120/ASIA/Motor%20Exam%20Guide.pdf Exame sensitivo: http://lms3.learnshare.com/Images/Brand/120/ASIA/Key%20Sensory%20Points.pdf Miótomos e seus segmentos motores conforme definidos pela ASIA e modo sugerido de exame neurológico: • C5 (bíceps) >- repouse a mão do paciente sobre o abdômen e peça para mover a mão para o nariz, para eliminar a gravidade. À seguir solicitar ao paciente para flexionar contra a gravidade e manter o movimento. Caso o paciente consiga realizar o movimento, apoie o ombro e aplique resistência. • C6 (extensor do punho) – pedir ao paciente mover o punho para cima. À seguir peça para o paciente mover o punho para cima e manter. Após, empurre o punho para baixo. • C7 (tríceps) >- repouse a mão do paciente sobre o abdômen e peça para esticar o braço. Agora peça ao paciente para dobrar o braço e segurar a mão perto da orelha; Se houver movimentação normal, apoie o cotovelo e empurre o braço para baixo, testando contra resistência (não deixe o paciente usar ação escapular). • C8 - separe o dedo do meio, imobilize a articulação interfalangeana proximal e segure a articulação metacarpofalangeana. Peça ao paciente para dobrar o dedo para os lados. Agora peça para dobrar para cima e segurá-lo. Agora tentar endireitar o dedo e diga ao paciente para resistir a sua ação de resistência. • T1 (abdutor digiti minimi) – Segurar a mão do paciente e pedir que ele tente mover o dedo mindinho para fora. Sinta a presença de movimentação. Agora peça ao paciente para tentar mover o dedo para fora e manter lá. À seguir teste a resistência contra a resistência, opondo-se ao movimento do V dedo. • L2 (iliopsoas) – Com o paciente em decúbito dorsal, dobre a coxa do paciente para a barriga. Peça ao paciente para refazer o moviemtno e sinta a movimentação. Levante a coxa da cama para evitar a fricção e em posição neutra peça ao paciente para dobrar as coxas até 90 graus e segurar lá. Se possível, estabilize a outra coxa e pressione o lado a ser testado para avaliar a força contra resistência. • L3 (quadríceps) levante a perna da cama para evitar atrito e em peça ao paciente para estender o joelho e segurar lá. Agora tente empurrar o joelho para baixo,e avalie a movimentação contra resistência. • L4 (dorsiflexores do tornozelo) – pedir ao paciente para pôr o pé em direção ao joelho. pedir ao paciente para repetir o movimento e segurar o pé na posição. agora empurre para baixo o tornozelo para avaliação do movimento contra resistência. • L5 (extensor longo do Hálux) - Peça para o paciente trazer Hálux em direção ao joelho. Agora peça que o segure lá, e, em seguida empurre para baixo o dedo do pé, apoiando o tornozelo e testando contra resistência. • S1 (flexores plantares) - pedir ao paciente para pressionar o pé em direção ao chão, como num acelerador. Agora fletir a coxa para o abdome e fletir a perna sobre a coxa para descansar o pé sobre a cama. Pedir ao paciente para levantar o calcanhar para fora da cama. Por último pedir ao paciente para pressionar para baixo em sua mão como um acelerador. Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: D Alternativa que indico após analisar: D 117. A hipotensão ortostática é um problema freqüente em pacientes com lesão medular acima do nível mediotorácico, queocorre devido: (A) à perda do controle simpático da atividade vasoconstrictora periférica. (B) à elevação da pressão arterial de 100 a 200 mmHg sistólica e de 50 a 100 mmHg diastólica, cefaléia e diminuição do pulso. (C) à pouca bipedestação com sustentação do peso corporal. (D) ao aumento gradual da fração de gamaglobulina. (E) ao isolamento do reflexo de estiramento muscular de seu sistema de modulação inibidora supra-espinhal. Marquei essa questão como pegadinha porque a lesão medular pode levar muita gente a apostar na alternativa “C”, mas a afirmação é controversa. Na hipotensão ortostática (ortostasia = posição vertical), o sangue aflui para as partes inferiores do corpo ao se sentar ou levantar rapidamente. Durante um breve espaço de tempo, o cérebro recebe menos sangue. Podem ocorrer vertigens e causar desmaios nos piores casos. Este tipo de tensão arterial baixa ocorre frequentemente com a hipotensão secundária. Na maioria dos casos, a causa dos problemas de circulação pode ser revelada através do teste de Schellong. A hipotensão secundária refere-se à tensão arterial baixa que é consequência de uma doença, ação ou fármaco. Causas potenciais para a hipotensão ortostática: Hipotensão secundária Distúrbios do sistema nervoso autônomo (causados pela diabetes, por exemplo) Lesão do SNC Síndrome pós-trombose (após trombose venosa profunda da perna) Varizes A hipotensão ortostática ou postural (HO) é um problema clínico observado na prática médica muito comum em idosos. Ela está associada a vertigem, pré-síncope, síncope, quedas, acidente vascular enefálico e infarto do miocárdio. A HO é um efeito colateral de muitos medicamentos comumente utilizados por pessoas idosas e resulta freqüentemente de causas múltiplas. A HO é geralmente reversível, e um tratamento apropriado melhorará a função e a independência. Diagnóstico Diferencial Existem muitas causas de HO. Muitos medicamentos associados à HO são comumente prescritos para pessoas idosas. Eles podem causar HO através de vários mecanismos, incluindo a diminuição no volume de líquido, vasodilatação, redução dos reflexos autonômicos ou depressão do sistema nervoso central. Entre eles estão incluídos o álcool, agentes anti-hipertensivos, antiadrenérgicos, antiparkinsonianos, antianginosos, antiarrítmicos, anticolinérgicos, antidepressi- vos, narcóticos, diuréticos, neurolépticos e sedativos. A velhice por si só não é uma explicação suficiente para a HO, e, quando se descobre pacientes com HO, não é raro achar vários fatores contribuintes. Um exemplo seria uma pessoa idosa hospitalizada com pneumonia que apresenta outras condições coexistentes, como terapia diurética, história prévia de derrame, desnutrição, hipocalemia, anemia e falta de condicionamento físico, todas contribuindo para o problema. A hipotensão ortostática idiopática (HOI) e a atrofia de múltiplos sistemas (AMS ou síndrome de Shy-Drager) são causas raras de HO em pessoas idosas. Na ausência de outras condições ou medicações associadas à HO, estes distúrbios devem ser considerados em pacientes que apresentam hipertensão supina e queda acentuada na pressão sangüínea ortostática. Avaliação Todos os pacientes idosos devem ter as suas pressões sangüíneas posturais determinadas como parte da avaliação de rotina e sempre que medicamentos potencialmente hipotensivos sejam iniciados. Os pacientes que se queixam de tonteira, síncope, quedas, TIAs ou outros sintomas cerebrais devem sempre ser submetidos a uma avaliação para a presença de hipotensão ortostática, mesmo na ausência de um componente postural evidente. A história deve ser centralizada em problemas cirúrgicos e clínicos prévios, uso de medicamentos, uso de álcool e ingestão de sal, água e calorias na dieta alimentar. Uma revisão dos sistemas autonômico, neurológico, cardiovascular e endócrino deve ser realizada. A revisão do sistema autonômico é freqüentemente confusa em pessoas idosas devido ao grande número de respostas positivas nesta população (presença de constipação, retenção urinária, disfunção sexual, cegueira noturna). Todavia, uma revisão negativa dos sistemas é útil para descartar disfunções autônomas significativas. O exame físico deve começar com a determinação da pressão sanguínea. Nós utilizamos como base a média da segunda e terceira leituras supinas após cinco minutos de descanso. Os indivíduos levantam e o tempo 0 é marcado quando estão de pé. O pulso é determinado durante 15 segundos e a pressão sangüínea é medida subseqüentemente um minuto após o paciente se levantar para uma posição ereta. Para fins de teste, uma leitura de um minuto é suficiente. Todavia, se o paciente está sendo avaliado para a presença de sintomas, então leituras feitas aos 3, 5 min. e após andar ou subir escadas, podem ser úteis. Uma diferença maior nas leituras da pressão sangüínea é observada da posição supina para a ereta do que da posição sentada para a ereta. A HO é diagnosticada se há uma redução maior ou igual a 20 mmHg na pressão sistólica, ou uma redução maior ou igual a 10 mmHg na pressão diastólica. A determinação de um único fator para a HO pode ser desvirtuante, pois uma série de determinações podem variar de paciente para paciente. Caso os sintomas sejam compatíveis com uma hipoperfusão cerebral sem uma alteração significante na pressão sangüínea, estes indivíduos podem apresentar uma “hipoperfusão cerebral ortostática”. Isto ocorre principalmente em pacientes com estenose da carótida. Uma avaliação do volume através do exame da pressão venosa jugular deve ser realizada. As artérias carótidas devem ser examinadas para a detecção de sopros. A ausculta do coração deve ser realizada com o paciente na posição supina, após ter-se levantado, pois os murmúrios da cardiomiopatia hipertrófica idiopática ou do prolapso da válvula mitral podem ser mais proeminentes quando o paciente está de pé. Um exame neurológico cuidadoso é necessário para avaliar a presença de depressão, incompetência cognitiva, derrame prévio, doença de Parkinson e neuropatia periférica. A avaliação laboratorial de rotina não precisa ser extensa. Sem indicações específicas, devem ser solicitados uma contagem de sangue total, eletrólitos, nitrogênio e uréia sangüíneos, creatinina, glicose, albumina, cálcio, fósforo, exame de urina com gravidade específica e um eletrocardiograma. Testes mais extensivos devem ser limitados aos pacientes que apresentarem anormalidades sugestivas durante o exame físico, laboratorial ou a história médica. Testes adicionais comumente solicitados incluem o estímulo da cosintropina e eletrólitos da urina. O teste da função autônoma, as infusões de drogas adrenérgicas ou das catecolaminas plasmáticas na posição supina e ereta são ocasionalmente úteis e descritos em outros trabalhos. Tratamento Poucos pacientes apresentarão uma etiologia específica de HO, e isto deve ser discutido. Todavia, a maioria das pessoas idosas apresentará fatores etiológicos múltiplos, alguns dos quais são corrigíveis e outros que são déficits permanentes. Os passos iniciais são: (1) avaliar o uso de medicamentos, (2) aumentar a ingestão de líquido e sal na dieta alimentar (3) aumentar o nível de atividade e (4) educar. O uso de medicações pode ser reduzido, modificado ou interrompido completamente. Em alguns casos, estratégias de tratamento incluindo tabletes de sal, elevação da cabeceira da cama e fludrocortisona (Florinef, discutido mais adiante) podem ser instituídas antes ou durante o uso da medicação ofensora. Os pacientes com hipertensão e HO podem ser tratados com betabloqueadores ou agentes vasodilatadores (bloqueadores dos canais de cálcio, inibidores da enzima conversora da angiotensina). Os seguintes agentes devem ser evitados ao tratar de pacientes hipertensos com HO: diuréticos, agentes simpaticolíticos centrais (alfa-metildopa) ou bloqueadores alfa-adrenérgicos periféricos (prazozina). Uma outra medida útil é aumentar a ingestão de sal. Muitas pessoas idosas seguem uma dieta baixa em sal, mesmo na ausência de uma históriade hipertensão. Salgar a comida com um pacote de sal (de aproximadamente um grama) a cada refeição pode melhorar a capacidade para aumentar a pressão sangüínea e a ingestão de alimentos em pacientes idosos. O exercício e o recondicionamento físico são extremamente importantes. Os pacientes que passam a maior parte do tempo acamados continuarão a apresentar HO, apesar da utilização de outras medidas de tratamento. Os exercícios isométricos de elevação e pré-elevação dos braços, pernas e músculos abdominais diminuem o represamento de sangue e pode melhorar a capacidade em aumentar a pressão sangüínea. A educação é importante para que os pacientes e suas famílias compreendam a causa e o tratamento dos sintomas. Os pacientes devem ser instruídos a levantar vagarosamente da posição supina para a posição sentada e esperar alguns minutos antes de se levantarem. Para evitar uma queda eles devem levantar-se somente quando houver suporte disponível. O teste isométrico das pernas, braços e músculos abdominais diminui o represamento venoso e ajuda a manter a pressão sangüínea ao mudar de posição ou ao ficar de pé durante muito tempo. Um urinol ou comadre pode ser fornecido para que os pacientes não tenham que levantar da cama para ir ao banheiro. Finalmente, eles devem ser instruídos a ingerir mais sal e líquido durante momentos de estresse de volume, como calor extremo, febre e gastroenterite. Para os pacientes que não respondem a estas medidas simples, tratamentos adicionais encontram-se disponíveis. Dormir com a cabeça elevada é eficaz e freqüentemente mais fácil para pacientes que dormem sozinhos. Isto pode ser melhor alcançado com livros ou blocos de 5″ x 15″ colocados embaixo das pernas da cabeceira da cama. A cama pode ser elevada em pequenos incrementos até o limite tolerado. Os tabletes de sal podem ser prescritos a pacientes com pobre ingestão oral de sal em tabletes de 1 g. Um grama de NaCl corresponde a 17 mEq de Na e o tratamento pode ser iniciado com 2 g duas vezes ao dia e aumentado até 10g por dia (170 mEq), se necessário e tolerado. O tratamento com acetato de fludrocortisona (Florinef) é eficaz e age promovendo a retenção de sal e sensibilizando os vasos sangüíneos às catecolaminas. Este tratamento pode ser iniciado com 0,1 mg quatro vezes ao dia e aumentado semanalmente até 0,5 mg duas vezes ao dia. O efeito colateral mais comum é a hipocalemia (que pode aumentar a HO) e um edema dependente suave. A precipitação de uma insuficiência cardíaca nova é uma ocorrência teórica, porém rara. A ingestão adequada de sal deve fazer parte deste tratamento. As meias compressoras são amplamente recomendadas para pacientes com HO, mas elas são difíceis de vestir e o tratamento é somente eficaz com o uso das meias-calças. Diagnóstico da hipotensão ortostática: http://www.mediafire.com/view/lxp2t4gta0y6qoi Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: A Alternativa que indico após analisar: A 118. As doenças do neurônio motor são incidiosas e dependem da parte afetada do sistema nervoso central. Se a degeneração do neurônio motor inferior for predominante, as principais características são: (A) cãibras, dor muscular, aumento do tono, clônus e espasticidade. (B) disfagia, reflexos aumentados e respostas extensoras plantares. (C) atrofia, fraqueza, fasciculações e paralisia. (D) rigidez, visão dupla e tremor. (E) cãibras, dor muscular, rigidez e tremor. Síndrome do neurônio motor inferior O quadro clínico da síndrome motora periférica decorre de distúrbios da unidade motora, que é definida como o conjunto formado pelo motoneurônio e fibras musculares sob sua inervação. Numa lesão motora periférica diferentemente da central, observa–se diminuição ou abolição dos reflexos miotáticos, pois, com o acometimento dos motoneurônios, não existe mais a alça eferente do arco reflexo e, com isso, uma resposta motora perceptível. O tônus muscular encontra-se na maioria das vezes diminuído, essa hipotonia deve–se em parte à diminuição do reflexo de estiramento do músculo, pois sem ele as fibras musculares não podem manter uma condição de relativa contração durante o estado de “relaxamento” do repouso. Essa paralisia com perda de tônus muscular dá origem ao termo de paralisia flácida. Mas é importante lembrar que na fase aguda da lesão do neurônio superior pode–se encontrar um estado de hipotonia. Percebe- se nas lesões dos motoneurônios uma atrofia muscular precoce, diferenciando da lesão central, pelo fato de aquela se deve a uma subsolicitação do músculo, sendo mais tardia e menos pronunciada. Dentro do espectro de avaliação do trofismo muscular existe uma condição chamada de pseudo–hipertrofia. Em que o tecido muscular é substituído por fibrose e tecido adiposo, como a distrofia de Duchenne. Na síndrome do neurônio motor inferior, quando ocorre lesão no corno anterior da medula são observadas fasciculações, são contrações involuntárias de uma unidade motora. Tendo como explicação, a acetilcolina circulante na corrente sanguínea poderia desencadear pequenas contrações ou após a lesão nervosa os canais de cálcio tornem-se autônomos e permitam a entra desse íon, levando a contração do músculo. Em pacientes com lesões periféricas existe uma marcha parética típica, a marcha escarvante. Lesões no corno anterior da medula: Exemplo desse tipo lesão poliomielite causada por um vírus neurotrópico, acometendo desigualmente grupamentos musculares. Não existe alteração da sensibilidade e os reflexos miotáticos estão diminuídos ou ausentes. Encontra- se uma hipotonia flácida dos músculos da região acometida. Com o passar do tempo, a atrofia muscular é proeminente. Além disso, ocorre fasciculações. Raiz anterior da medula ou raiz ventral: Encontra- se nessa lesão fraqueza local, com hipo ou arreflexia e hipotonia, atrofia está presente, no entanto, não se encontra fasciculações. A causa mais característica de lesão da raiz anterior são hérnias de disco que podem ser dois tipos: central ou lateral. Outra síndrome que pode acometer as raízes nervosas é a polirradiculoneurite, uma doença sistêmica auto – imune, que causa fraqueza global, arreflexia e ausência ou discreto déficit sensitivo. Neuropatia periférica: Distúrbios dos nervos periféricos, que causa fraqueza localizada de um nervo periférico, associado ao déficit sensitivo do mesmo segmento. Essa lesão tem um quadro de fraqueza nos músculos lesados, além de hipotonia, hipo ou arreflexia e, com a evolução do quadro, atrofia proeminente. Um quadro neuropático pode ser devido a lesão tóxica, metabólica ou traumática. Os primeiros sinais neuropatia podem consistir em formigamentos, queimações e disestesias em faixa. Junção neuromuscular: As doenças que acometem esse segmento são geralmente sistêmicas, exemplo miastenia gravis. São caracterizadas por fadiga insidiosa e fraqueza flutuante dos músculos. Ocorre fraqueza preferencialmente em alguns músculos da face, o tônus muscular apresenta – se mantido, não existem fasciculações ou alteração da sensibilidade. N E U R ÔN I O M O T O R I N F E R I O R (ou segundo neurônio motor) É o neurônio cujo corpo celular e dendritos estão localizados no SNC e cujo axônio se estende através dos nervos periféricos para fazer sinapse com as fibras musculares esqueléticas. Sugestões de leitura; Diagnõstico e tratamento da espasticidade: http://www.mediafire.com/view/a0x1kc598r9ll7r/2001diagnostioetratamentodaespasticidade.pdf Espasticidade: avaliação clínica: http://www.mediafire.com/view/g367fwb66z6pxk3/2006espasticidadeavaliacaoclinica.pdf Aulinha animal, sobre sistema nervoso, boa pra cachorro. Ops, é sobre animais em geral, grupo ao qual pertencemos: http://www.mediafire.com/view/nv21e0l0bswqcez/2005sistemanervoso.pdf Aulinha sobre disfunções de neurônio motor: http://www.mediafire.com/view/ja8g9h8d0580xh7/2013_sindromes_neurologicas.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: C Alternativa que indico após analisar: C 119. Em pacientes portadores de ataxia de Friedreich,a marcha atáxica é um sintoma precoce com a incoordenação progredindo: (A) do tronco para os membros superiores e depois para os membros inferiores. (B) dos membros inferiores para os superiores e depois para o tronco. (C) do tronco para os membros inferiores e depois para os membros superiores. (D) dos membros inferiores para o tronco e depois para os membros superiores. (E) dos membros superiores para o tronco e depois para membros inferiores. A ataxia de Friedreich é uma doença autossômica recessiva descrita pela primeira vez por Nikolaus Friedreich em 1863. Afeta aproximadamente um em cada 50 000 caucasianos. Manifesta-se no início da segunda década de vida, habitualmente com a ataxia da marcha. As mãos são afectadas meses ou anos após o envolvimento das pernas. Outras características relevantes são: fraqueza muscular, cifoescoliose, miocardiopatia e diabetes. Nikolaus Friedreich nasceu em 1825 em Wurzburg, na Alemanha, neto de Nikolaus Anton Friedreich (1761-1836) e filho de Johannes Baptist Friedreich (1796-1862), ambos professores no curso de Medicina em Wurzburg. Nessa mesma cidade, em 1844, iniciou o curso de Medicina que concluiu em 1850. Dedicou-se à Anatomia Patológica após ter conhecido Virchow, tendo mesmo ponderado o abandono da Medicina em favor da Patologia. Virchow mudou-se para Berlim em 1857. Aí, Friedreich tornou-se Professor de Anatomia Patológica em Wurzburg. No ano de 1858, foi nomeado Diretor da disciplina de Patologia e Terapia e Diretor da clínica médica em Heidelberg, onde permaneceu o resto da sua vida. Friedreich dedicou-se sobretudo ao estudo das doenças do Sistema Nervoso e ensinou vários médicos, entre eles: Kussmaul, Friedreich Schultze e Wilhelm Erb, que o sucedeu na disciplina de Patologia e Terapêutica em Heidelberg, no ano de 1882. Um dos seus primeiros trabalhos neste campo teve como objetivo o estudo da atrofia muscular progressiva, que dedicou ao seu professor Virchow. Iniciou as suas observações, em 1850, no âmbito da ataxia. Fazia recolhas de histórias clínicas pormenorizadas e exames físicos com extrema precisão, discutindo os casos dos doentes com os colegas. Gradualmente descobriu que estes doentes não sofriam de uma ataxia do aparelho locomotor, já descrita por Duchenne, mas sim de uma nova forma de ataxia clássica, tendo apresentado estes dados pela primeira vez num encontro em Speyer, na Alemanha, no ano de 1861. Esta nova forma de ataxia foi pela primeira vez descrita em 1863 e foi caracterizada clinicamente como ataxia e patologicamente como “atrofia degenerativa dos cordões posteriores da medula espinal”. Friedreich concluiu que a doença tinha início nos membros inferiores, afetando mais tarde os superiores. A disartria surgia depois, acompanhada por vezes de nistagmus e escoliose. A perda da sensibilidade dos membros inferiores aparecia apenas após vários anos de doença. Mencionou ainda uma marcada degeneração do músculo cardíaco, tendo associado a esta alteração uma tendência para a falência cardíaca. Esta descoberta não foi imediatamente aceita pela comunidade científica, que a tentou adaptar a algumas doenças já conhecidas, entre elas, a esclerose múltipla e tabes dorsalis. Para comprovar os seus dados, Friedreich apresentou evidências anatomo-patológicas encontradas nas colunas dorsais da medula espinal. Desde então vários médicos se dedicaram ao estudo deste diferente tipo de ataxia. Ataxia de Friedreich: Perspectivas de Tratamento. Em 1882, o nome Friedreich foi associado a esta nova entidade. Contudo, a doença apenas foi comprovada como uma forma hereditária de ataxia independente, após o trabalho de Charcot em 1884. http://www.mediafire.com/view/7m5wallezefc5j4/2011ataxiadefriedreich.pdf Alternativa assinalada no gabarito da banca organizadora: B Alternativa que indico após analisar: B 120. Nos quadros de osteoartrose, os exercícios de contração excêntrica devem ser prescritos: (A) na fase aguda. (B) na fase inicial do programa de reabilitação. (C) somente na fase aguda, após correções cirúrgicas. (D) na fase final do programa de reabilitação. (E) quando os exercícios isométricos estão contraindicados. Considerando que em fase aguda o indicado seria o fortalecimento isométrico, dá para eliminar as alternativas “A”, “C” e “E”. Quanto às demais, fica evidente que deve ser realizado na fase final, após a isometria e propriocepção da articulação, principalmente em osteoartrose de joelho. Vou deixar um texto fabuloso sobre osteoartrose. Acredito que todo profissional de saúde deveria ter conhecimento real sobre o que é osteoartrose, para não ficar no lugar comum de que “depois que gasta não tem mais jeito”. Há muito o que orientar sobre medidas condroprotetoras, o que pode fazer a diferença na qualidade de vida do paciente. Entenda a Osteoartrose Dentre todas as patologias que acometem os indivíduos à partir da 4ª década da vida, sem dúvidas, é a OSTEOARTROSE a mais comum delas, estimando-se que ocorra em até 90 % da população adulta . É ela tão antiga como a própria história da Humanidade, acometendo indistintamente todos os vertebrados. Estudos realizados em fósseis de dinossauros demonstraram que esta alteração articular já encontrava-se presente na era pré histórica. A osteoartrose, também chamada de artrose,processo degradativo articular, processo degenerativo articular etc., resulta de um processo anormal entre a destruição cartilaginosa e a reparação da mesma. Entende-se por cartilagem articular, um tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos (unidos) que possuem algum grau de movimentação entre eles. São exemplos de articulações os joelhos, os tornozelos, os dedos das mãos, os dos pés, o quadril, as vértebras da coluna, os ombros, os cotovelos, os punhos, a mandíbula etc.. Em todas estas articulações está presente o tecido cartilaginoso. A função básica da cartilagem articular é a de diminuir o atrito entre duas superfícies ósseas quando estas executam qualquer tipo de movimento, funcionando como mecanismo de absorção de choque quando submetido à forças de pressões (como no caso do quadril, joelho, tornozelo e pé), ou de tração, como no caso dos membros superiores. Para que este movimento de atrito entre dois ossos seja diminuído, outras estruturas também fazem parte da articulação, desempenhando papéis específicos como no caso do líquido sinovial, que lubrifica as articulações e, dos ligamentos, que ajudam a manter unidas e estáveis as articulações. Uma articulação normal é formada por células chamadas CONDRÓCITOS, cuja função básica é fabricar todas as substâncias necessárias para o bom funcionamento da cartilagem articular. Dentre estas substâncias, encontra-se uma proteína denominada COLÁGENO, cuja finalidade é funcionar como uma malha de sustentação, retendo as demais substâncias existentes dentro da cartilagem (Sulfato de Glicosamina, Sulfato de condroitina, querato sulfato), que funcionam como moléculas que retêm água, ajudando, com isso, a absorção de stress mecânico de compressão e tração. Na realidade, a cartilagem articular funciona como uma grande mola, ou uma esponja de silicone embebida em água. O estado de hidratação da cartilagem e a integridade da mesma, é fator preponderante para a não existência de degradação e, a não existência da patologia denominada de OSTEOARTROSE. Toda vez que tivermos alterado o estado de equilíbrio entre os constituintes articulares, estaremos sujeitos ao PROCESSO DE DEGRADAÇÃO ARTICULAR e, consequentemente, o desenvolvimento da OSTEOARTROSE. A Osteoartrose é, do ponto de vista médico, dividida em dois grandes grupos. O primeiro denominado de Osteoartrose Primária, é formado por aqueles indivíduos que já possuem um patrimônio genético, que faz com que a patologia se desenvolva independentemente de fatores externos. O segundo grupo, denominado de Osteoartrose Secundária, é formado por pessoas que, em virtude de algum fator agressivo ocorrido em determinado período da sua vida, passam a apresentar a patologia. Fazem parte deste