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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 1 www.medresumos.com.br NOÇÕES BÁSICAS DE CIRURGIA ASSÉPTICA A preparação para o ato operatório envolve cuidados com material cirúrgico, equipe cirúrgica, local da operação e posicionamento do paciente e da equipe. Desde o século XIX, Joseph Lister já conceituou alguns cuidados de assepsia que, até então, era praticamente inexistente: o melhor cirurgião para época era aquele que tinha as mãos e o avental mais sujo de sangue. Com a introdução feita por Lister e Gustav V. Neuber, entre os anos de 1882 e 1883, o gorro e o avental comprido passaram a ser utilizado no seu meio cirúrgico, mais como um meio de proteção individual; Willian Halsted, para proteger uma enfermeira de sua equipe contra uma reação alérgica cutânea que tinha nas mãos ao fazer uso das substâncias bactericidas de uso pré-operatório, desenvolveu as luvas, em 1889; Mikulicz, em 1897, instituiu o uso de máscaras. Como surgimento e o uso desses cuidados – que vieram primariamente com o objetivo de proteção individual – notou-se uma redução drástica nos níveis de infecção em hospitais de grande renome naquela época. Foi o estudo mais minucioso desses cuidados que culminaram nas noções básicas de cirurgia asséptica utilizadas ainda hoje. CONCEITOS Com o fundamento para a preparação do ato operatório, assim como para sua efetiva realização, destacam-se os conceitos de assepsia, antissepsia, desinfecção e esterilização que julgamos oportuno e conveniente ressaltar isoladamente e que ora apresentamos. Assepsia (do grego, a = negação + séptico = putrefação): é o termo utilizado para designar a ausência de matéria séptica, isto é, um estado livre de infecção. Este é, portanto, o objetivo da equipe cirúrgica: realizar um ato operatório asséptico, devendo manter livres de germes o doente, a equipe cirúrgica e o ambiente. Antissepsia (do grego, anti = contra + séptico = putrefação): é termo utilizado para nomear o conjunto de procedimentos e práticas destinados a impedir a colonização por micro-organismos patogênicos ou que visam à destruição desses micro-organismos, por determinado período de tempo, em especial, mediante o uso de agentes químicos. Portanto, em outras palavras, a antissepsia é o meio pelo qual se busca e se obtém a assepsia em tecidos orgânicos. Desinfecção: consiste no combate aos micro-organismos que se assentam sobre a superfície de objetos inanimados, com o uso de agentes denominados desinfectantes ou desinfetantes. Esterilização: corresponde à completa destruição de todas as formas de vida microbiana, incluindo os esporos bacterianos, que são altamente resistentes, empregando-se, para isto, métodos físicos e químicos mais avançados do que os usados anteriormente. ASSEPSIA A assepsia trata-se de um método que impede, especialmente através de meios físicos e químicos, a entrada de micro-organismos patogênicos no corpo humano, impedindo a penetração de micro-organismos em local que não os contenha, um local estéril. Consiste, então, na tentativa de eliminação de qualquer fator potencial de infecção, impedindo a penetração de micro-organismos em local que não os contenha. Deve-se ressaltar que não há possibilidade de se chegar à assepsia total na prática cirúrgica, isto é, à ausência total de germes. No entanto, essa situação deve ser sempre perseguida, aproximando-se, ao máximo, desse estado ideal. No que se trata à sala cirúrgica, a assepsia está representada pelo uso de vestimenta estéril pelos membros da equipe cirúrgica (aventais e luvas assépticos), pela delimitação do campo operatório por coberturas estéreis e pelo uso de instrumentos cirúrgicos submetidos ao processo de esterilização. Para a obtenção da assepsia, deve-se ter cuidados especiais para com o doente e com a equipe. CUIDADOS COM O DOENTE Idade: extremos de idade (pacientes muito novos ou muito idosos) apresentam uma suscetibilidade a infecções muito maior devido a uma carência ou imaturidade das respostas imunológicas. Deve-se ter, portanto, um cuidado muito maior para com esses pacientes. Alterações metabólicas e de nutrição: problemas como diabetes ou obesidade refletem em uma incidência maior de infecção em blocos cirúrgicos. Pacientes desnutridos, por apresentarem pouca reserva nutricional, não apresentam uma resposta fisiológica normal e, portanto, são susceptíveis ao desenvolvimento de infecções. Duração da hospitalização: é preferível que o paciente permaneça o mínimo de tempo possível no hospital pois, quanto mais tempo o paciente fica no ambiente hospitalar, maiores são as chances de ele desenvolver infecções. Admite-se que, depois de 48h em um certo ambiente hospitalar, o indivíduo já terá sido exposto a qualquer vida microbiana existente naquele local. Arlindo Ugulino Netto. TÉCNICA OPERATÓRIA 2016 Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 2 www.medresumos.com.br Tempo de cirurgia: quanto maior for o tempo operatório, maiores são as chances de infecção pelas cepas de bactérias permanentes que resistem aos métodos antissépticos. Uso de drenos: o uso de qualquer aparelho de drenagem favorece o surgimento de infecção ao doente devido à produção artificial de um meio de continuidade entre o meio externo e o meio interno do paciente. Tamanho da incisão: quanto maior a incisão, maior o tamanho da solução de continuidade e, portanto, maiores são os riscos de infecção. Tricotomia: consiste na raspagem de pelos do paciente que deve ser feita próximo ao momento de se operar o paciente com equipamentos ideais e, de preferência, esterilizados. Deve-se ter um cuidado especial no ato da tricotomia para evitar, ao máximo, traumatismos na pele que possam gerar alguma solução de continuidade que favoreça a proliferação de micro-organismos. CUIDADOS REFERENTES À EQUIPE CIRÚRGICA Higiene pessoal e vestimenta cirúrgica (pijama cirúrgico, gorros e toucas, máscaras, aventais e luvas): todos que trabalham no centro cirúrgico precisam praticar uma higiene pessoal rigorosa que inclua banhos diários, uso de unhas curtas, ausência de maquiagem, etc. Toda pessoa que entra no centro cirúrgico deve utilizar o vestiário para trocas de roupas esterilizadas. Estas devem ser facilmente reconhecidas por cores destacantes, como azul ou verde. Antes de entrar no centro cirúrgico, deve-se guardar qualquer adorno, tais como brincos, anéis, pulseiras e relógio. O vestuário para a parte não-crítica na cirurgia consta de calça e camisa (pijama cirúrgico ou também chamada pelos acadêmicos de “roupa de bloco”), gorro e sapatilhas (“pro-pés”). As mangas das camisas devem ser suficientemente curtas para permitir a correta escovação das mãos, antebraços e cotovelos, sem que se molhem durante esse procedimento. A camisa deve estar preferencialmente ensacada na calça para evitar que se molhe durante a escovação. Os gorros reduzem a contaminação do campo operatório por micro-organismos advindos do couro cabeludo e do cabelo dos membros da equipe cirúrgica. As máscaras devem cobrir toda a boca e o nariz. O protetor de olhos (óculos cirúrgico) constitui uma outra proteção cujo uso deve ser estimulado para todos os membros da equipe cirúrgica. O uso dessas roupas por mais de oito horas seguidas deve ser avaliado, haja vista que parece existir aumento na contaminação diretamente associado ao tempo em que elas são usadas e expostas ao ambiente do centro cirúrgico. Lavagem das mãos: independentemente da escovação cirúrgica, todas as pessoas que frequentam o centro cirúrgico devem se acostumar com a lavagem rotineira e repetida das mãos. Esse simples ato propicia a queda importante no índice de transmissão de infecções. A lavagem das mãos (dos punhos e do antebraço) deve ser realizada, da forma mais completa possível, antes da escovação. Ainda que se utilize luva estéril, algumas bactérias que permanecem na pele das mãos após a escovação podemencontrar um ambiente quente e úmido (sob as luvas) propício para o seu crescimento. A eficácia dessa lavagem depende de vários fatores: volume de sabão, tempo de fricção, superfície das mãos, número de micro-organismos sobre as unhas, uso de anéis e técnica utilizada para a lavagem. A lavagem deve ser realizada com a utilização de um sabão antimicrobiano, deixando em contato com a pele das mãos por um período de dez segundos. A fricção e sua sequência variam muito de autor para autor. Contanto que toda a mão seja contemplada com a lavagem e que a sequência não tenha recidiva (retorno de uma parte recém- lavada para outra lavada antes), a sequência é aceita. O enxágue deve ser rigoroso para remoção dos resíduos de sabão e a secagem deve ser feita com toalhas de papel. Contudo, em casos de cirurgia, a mão só será enxugada no próprio bloco, depois da escovação, com o uso de compressas esterilizadas. Escovação cirúrgica e secagem com compressa: a escovação das mãos, antebraço e cotovelos de todos os membros da equipe que vão entrar em contato com materiais estéreis constitui uma etapa preparatória e indispensável para todos os atos cirúrgicos. Ela é realizada para a remoção de detritos, eliminação da microbiota transitória e redução da microbiota residente (permanente). Nos lavabos dos centros cirúrgicos, são comumente encontradas embalagens individuais de uso único contendo escova-esponja embebida em solução antisséptica com iodopovidina ou clorexidina, junto a uma espátula para a limpeza das unhas (desinquinação). As torneiras de um lavabo cirúrgico deve ser acionada por botões colocados no piso ou de forma automática por meio de células fotoelétricas, devendo conter também dispositivos de regulagem de temperatura da água. O cirurgião não deve fazer uso das mãos para acionar a corrente de água. A antiga prática do uso de torneiras manuseadas com o cotovelo, como ainda se encontra comumente, deve ser desestimulada. Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 3 www.medresumos.com.br Ao se realizar a escovação, o roteiro básico a ser seguido é: (1) abrir as embalagens das escovas que devem estar presentes no lavabo; (2) lavagem completa das mãos e antebraços (até a região acima dos cotovelos), utilizando-se de água e sabão antimicrobiano; (3) espalhar a solução antisséptica que está embebida na esponja da escova ao longo de toda a área a ser escovada, seguindo sempre movimentos descendentes e contínuos, sem que se façam movimentos de vai-e-vem; (4) limpar as áreas subungueais (desinquinação) com a espátula ou com a própria escova; (5) escovar as faces lateral e medial de cada dedo, comissuras interdigitais e, em seguida, o dorso e a palma da mão, sempre com movimentos únicos e contínuos, partindo do distal para o proximal, evitando o vai-e- vem; (6) escovar antebraço até a região acima do cotovelo com movimentos únicos e contínuos; (7) enxaguar as mãos, antebraços e cotovelos, sempre nessa ordem; (8) aplicar, após a escovação, solução aquosa do mesmo antisséptico previamente utilizado; (9) secagem com compressa estéril utilizado um lado da compressa para cada membro. Colocação do avental (capote cirúrgico) e luvas: a maior justificativa do uso do avental e luvas cirúrgicas é a criação de uma barreira entre o campo operatório e os membros da equipe cirúrgica, sendo utilizados para proteger o paciente da contaminação que os membros da equipe possam eventualmente levar ao campo operatório. Uma vez realizada a correta escovação cirúrgica, enxágue e retirada do excesso de antisséptico por meio da secagem, todos os membros da equipe deverão colocar os aventais e as luvas cirúrgicas. Quando contamos com a presença de um instrumentador (ou circulante), ao entrarmos na sala cirúrgica ele já deverá se encontrar devidamente paramentado e nos auxiliará na colocação de vestimenta, passando-nos o avental aberto e na posição correta para que o vistamos. Os laços que serão feitos no avental também é por conta do circulante. Ao serem levados para esterilização, os aventais são dobrados de forma que sua parte externa e suas mangas fiquem voltadas para dentro. Deste modo, pega-se o avental firmemente pela gola, afastando-se de qualquer local não-estéril. Deve-se ter o cuidado para que nenhuma parte do avental toque em partes não-esterilizadas da sala de cirurgia e do próprio capote (as únicas duas partes consideradas contaminadas são a gola e os ombros, haja vista que o houve contato com a mão desnuda e que, embora lavada, não está asséptica). Uma vez que o capote esteja totalmente aberto, introduzimos as mãos correspondentes guiando cada membro superior através das mangas correspondentes. Como ainda estamos sem luvas, não devemos fazer qualquer esforço para passar as mãos pelos punhos do avental devido à possibilidade de a fricção desenvolvida (ainda que mínima) poder propiciar o assentamento bacteriano. Devemos solicitar a ajuda do circulante da sala que, por traz, puxará o avental até os ombros, descobrindo as mãos do cirurgião, e amarrará as suas tiras dorsais. Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 4 www.medresumos.com.br Terminada a colocação do avental, o próximo passo é a colocação das luvas cirúrgicas. De forma padronizada, as luvas são dispostas em sua embalagem protetora (e esterilizada) com o punho virado para fora, permitindo que sejam manipuladas utilizando a parte exposta de sua face interna. Com a mão esquerda, pegamos a parte interna exposta da luva direita (por sua dobra) e a introduzimos na mão direita. A seguir, a mão direita, já parcialmente enluvada (antes de se posicionar a luva corretamente), pega a outra luva – esquerda – também por sua dobra (tentando atingir, agora, a parte externa não exposta da luva) e a introduz na mão correspondente (a ordem inversa também pode ser realizada de acordo com a preferência de cada um). Somente após esta etapa, com as mãos já parcialmente enluvadas, nos preocupados em desenrolar os punhos de ambas as luvas tendo o cuidado de não tocar qualquer parte desnuda do antebraço. Da mesma forma que observamos muito cuidado ao ato de colocar as luvas, também na hora de retirada devem ser tomadas algumas precauções, mas agora é o seu lado externo que não deve entrar em contato com qualquer parte desnuda de nosso corpo, de forma a não propiciar contaminação por micro-organismos. Ao serem retiradas e desprezadas, suas faces externas devem estar voltadas para dentro, de modo que o cirurgião não toque nenhuma parte de seu corpo desnuda sobre a face externa (e já contaminada) da luva. Ao final da retirada, deve ser descartada em recipiente apropriado. ANTISSEPSIA A antissepsia é o conjunto de procedimentos e práticas que visam impedir a colonização ou destruir por determinado período de tempo os micro-organismos. Consiste, portanto, em empreender todos os esforços que possibilitam o controle, total ou parcial, da proliferação de micro-organismos patogênicos, ao menos por um determinado período de tempo. Constitui um método profilático, haja vista que resulta do emprego de agentes germicidas (antissépticos) contra patógenos no tecido humano, diferentemente da desinfecção. Assim, estamos praticando a antissepsia quando utilizamos agentes antissépticos que habitam as mãos, antebraços e cotovelos da equipe cirúrgica, mediante um processo mecânico e químico conhecido como escovação cirúrgica. Também se refere à antissepsia o preparo da área a ser operada, com o emprego de substâncias antissépticas. Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 5 www.medresumos.com.br De uma maneira simplista, podemos dizer que, em Cirurgia, a assepsia é sempre desejada, perseguida. Como essa eventualidade não é possível de ser atingida e só pode ser vislumbrada mediante o emprego dos itens passíveis de esterilização (vestimenta, luvas e instrumentos), são utilizados alguns agentes (antissépticos) como intuito de se buscar a “inatingível” assepsia. ANTISSÉPTICOS As substâncias providas de ação letal ou inibitória da reprodução de micro-organismos são designadas, genericamente, como antissépticos. Destinam-se à aplicação em pele e mucosas visando à redução do índice de colonização microbiana e, por conseguinte, de infecção do campo operatório. Sistematicamente, devem dispor de algumas propriedades essenciais: (1) ação bactericida (destruição dos micro-organismos patogênicos); (2) ação bacteriostática (inibição da proliferação de micro-organismos); (3) persistências de ação durante várias horas (ação duradoura); (4) ausência de causticidade; (5) baixo índice de reações de hipersensibilidade; (6) baixo custo. Entretanto, não se dispõe de um antisséptico ideal que reúna todas essas condições de forma absoluta. Iodo: o composto de iodo mais conhecido e, até certo tempo, comumente utilizado no preparo da pele é o álcool iodado a 0,5% ou 1% (como exemplo, o Mertiolate®). Age pela facilidade em penetrar na parede celular dos micro-organismos, inibindo a sua síntese vital, oxidando e substituindo o conteúdo microbiano por iodo livre. Seu uso foi drasticamente limitado por sua baixa potência e por causar queimaduras e irritação. Apresenta função bactericida, virucida, microbactericida e fungicida. Contudo, pode causar dor se aplicado sobre uma solução de continuidade e queima em altas concentrações. Indivíduos alérgicos devem tomar certas precauções. Iodóforos: são combinações estáveis de iodo ou triodeto adicionadas a um veículo carreador de alto peso molecular como alguns polímeros neutros: polivinilpirolidona, polieterglicol, poliamidas, polissacarídeos, etc. Os mais usados são: Betadine®, Don- Dyne®, Laboriodine®, Marcodine® e Riodeine®. Atuam carreando moléculas de iodo que são liberadas gradativamente em baixas concentrações, mantendo o efeito germicida próximo do iodo, mas reduzindo a sua toxicidade. Necessitam de cerca de dois minutos de contato para a liberação do iodo livre, atingindo, assim, nível antisséptico adequado. Tem efeito residual de 2 a 6h e é inativado por matéria orgânica. A presença de matéria orgânica inibe rapidamente a sua liberação. São encontrados em formulações degermantes (que forma espuma), alcoólica e aquosa, em concentrações de 10% com 1% de iodo livre. Em nosso meio, o agente solubilizando e carreado mais empregado é a polivinilpirrolidona (PVP), compondo o polivinilpirrolidona-iodo (PVP-I). A solução de clorexidina é utilizada para pacientes alérgicos ao iodo. Clorexidina (gluconato de clorexidina): age por destruição da parede celular e precipitação dos componentes internos da célula microbiana. Apresenta longo espectro contra bactérias gram- positivas, boa atividade contra gram-negativas, fungos e vírus, porém pequena ação contra micobactérias. Consiste em um sal incolor, inodoro e fortemente básico e, portanto, não deve ser utilizado sobre o globo ocular e no ouvido médio. Suas principais características são: (1) atua mesmo na presença de sangue ou exsudatos; (2) apresenta atividade por até 6 ou 8 horas; (3) pode ser inativada na dependência do pH ou quando misturado à soluções contendo iodo (ver OBS 1 ); (4) tem baixa toxicidade e irritabilidade, sendo segura, inclusive, para uso em recém-natos; (5) constitui uma excelente alternativa para aqueles pacientes com sabida intolerância ao iodo. Ex: Clorexidina®, Chlorohex®, Glucohex®, Riohex®, Silvex®, etc. Hexaclorofeno: possui atividade bacteriostática importante, porém lenta e pouco duradoura. Tem boa ação contra bactérias gram-negativas, tendo pouco efeito sob os esporos. Seu uso pode ocasionar neurotoxicidade, por absorção transcutânea. Apresenta efeito reduzindo na presença de sangue ou exsudato e, na atualidade, encontra-se praticamente fora de uso. Ex: Fisohex®, Soapex®. Álcool: age por desnaturação de proteínas e tem boa ação bactericida e micobactericida. Também possui ação contra os principais fungos e vírus, incluindo vírus sincicial respiratório, vírus da hepatite B e HIV. É um dos mais seguros antissépticos, reduzindo rapidamente a contagem microbiana na pele. Pode ser utilizado na forma de álcool isopropílico ou etílico (o primeiro é mais tóxico e menos eficaz como bactericida que o segundo). Concentrações entre 60% e 90% são adequadas, e 70% têm sido a concentração mais indicada, por causar menor ressecamento da pele. Além de ser inflamável, apresenta desvantagens por não apresentar efeito residual e pequena inativação por matéria orgânica. OBS 1 : A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos que geralmente são realizados de forma sequenciada em atos cirúrgicos eletivos: degermação e antissepsia. A primeira consiste na remoção de detritos e impurezas na pele, que pode ser feito com soluções degermantes (os sabões e detergentes removem mecanicamente parte da flora microbiana transitória, mas não conseguem remover a flora residente); a segunda promova a destruição de Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 6 www.medresumos.com.br micro-organismos transitórios ou residentes da pele através da aplicação de um agente germicida com ação contra micro-organismos muito frágeis como o Pneumococo (porém, são inativos para Stafilococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e outras bactérias Gram-negativas). Existem soluções degermantes e antissépticas de composição química baseada tanto na clorexidina como nas soluções iodóforas. Entretanto, o fato dessas substâncias apresentarem cargas elétricas opostas, impede a mistura das mesmas, isto é: se o cirurgião optou por realizar a degermação com solução contendo iodo, ele deverá realizar a antissepsia com solução que também apresente iodo, evitando o uso de clorexidina. O contrário também é verdadeiro. O seguinte esquema ilustra a explicação previamente feita. DESINFECÇÃO Consiste na destruição dos micro-organismos presentes, em sua forma vegetativa, nas superfícies inanimadas. Por esta razão, o desinfetante ideal seria aquele (1) com amplo espectro de ação antimicrobiana; (2) inativação rápida de micro-organismos; (3) manutenção de ação duradoura; (4) não ser corrosivo; (5) tolerar variações de temperatura e pH; (6) apresentar baixo custo. A desinfecção, apesar de ter o mesmo fundamento da antissepsia, não deve ser confundida com ela. Enquanto que a antissepsia trata-se de um método profilático que emprega agentes antissépticos contra patógenos no tecido humano, a desinfecção trata-se do combate aos micro-organismos que se assentam sobre a superfície de objetos inanimados, com uso de desinfetantes. Os principais agentes desinfetantes são: Álcool: utilizado por ter atividade germicida, menor custo e baixa toxicidade. Age pela desnaturação das proteínas, sendo recomendando para desinfecção de nível médio de artigos e superfícies, obtendo-se eficácia com três aplicações sequenciais. Não se recomenda sua utilização em artigos com componentes plásticos ou borracha. Formaldeído: utilizado como formalina aquosa a 10% ou alcoólica a 8%. Seu mecanismo de ação se dá pela coagulação de proteínas. É bactericida, fungicida, virucida e tuberculicida, após 30 minutos, e esporicida após 18 horas (à concentração de 4%, depois de 24h). Sua ação como desinfetante é tida como razoável e não possui nenhum efeito antisséptico. Seu principal uso é na conservação de peças de tecidos, sendo também utilizado para desinfecção de instrumentos com lentes. Glutaraldeído: é bactericida, tuberculicida e esporicida. Por ser tóxico para os tecidos, qualquer material nele imerso deve ser enxaguado com água destilada antes do uso no paciente ou do manuseio pela equipe. Para que ele seja eficaz como esterilizantes, o material deve ficar totalmente imerso em solução por 10 horas. Não é corrosivo para instrumentais e tem ação rápida para desinfecção de alto nível. É utilizado para desinfecção de instrumentosanestésicos. ESTERILIZAÇÃO Consiste na completa destruição de todas as formas de vida microbiana, incluindo os esporos bacterianos, que são altamente resistentes, empregando-se métodos físicos ou químicos. A esterilização passa por etapas de processamento que garantem a sua eficácia. O primeiro passo ocorre imediatamente após o uso na sala de operações, por meio da lavagem para a retirada de resíduos orgânicos, diminuindo a sua carga microbiana. Esses materiais devem, então, serem armazenados em caixas metálicas perfuradas, bandejas ou pacotes individualizados, e envolvidos em embalagens apropriadas. Diversos métodos para esterilização de materiais cirúrgicos, por meios físicos ou químicos, são descritos, devendo ser escolhido o mais exequível. Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 7 www.medresumos.com.br Calor seco: método que emprega o calor como agente esterilizante, porém sem a presença de umidade, com ação biocida ocorrendo por oxidação do protoplasma das células. Os parâmetros considerados são tempo e temperatura: 180 o C por 30 minutos, 170 o C por 60 minutos ou ainda 160 o C por 2 horas. A estufa é utilizada para realizar esta esterilização, sendo indicada para instrumentos como metais e vidrarias. Os micro-organismos são destruídos por oxidação. Calor úmido: é o método de esterilização empregado pelas autoclaves, em que o calor úmido é empregado na forma de vapor saturado em alta temperatura sob alta pressão. É o principal eleito nas unidades hospitalares. Dá-se a denominação de vapor saturado porque sua temperatura equivale à do ponto de ebulição da água e se produz pela combinação de energia que aquece a água com níveis de pressão maiores do que a pressão atmosférica, acelerando o aquecimento e propiciando o alcance de temperaturas próprias para a esterilização (121 – 134 o C). Artigos termossensíveis não devem ser autoclavados, destes, apenas borracha e tecidos. Os micro-organismos são destruídos por calor úmido, pelo processo de desnaturação e coagulação do sistema enzimático das proteínas dentro da célula bacteriana. Esterilização por meios químicos: a esterilização pelo óxido de etileno é utilizada para artigos termossensíveis. Trata-se de um gás inflamável, explosivo e carcinogênico. Destrói bactérias, vírus, fungos e vários esporos. É utilizado para materiais como endoscópios, objetos de plástico e borracha, cabos elétricos, frascos e ampolas de medicamentos, instrumentos delicados e afiados, fios de sutura, plásticos, cabos de força e câmaras, dentro outros artigos que requerem baixa temperatura. Sua ação se faz pela alquilação das cadeias proteicas microbianas, interferindo em sua multiplicação.