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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 
1 
 
www.medresumos.com.br 
 
 
NOÇÕES BÁSICAS DE CIRURGIA ASSÉPTICA 
 
 A preparação para o ato operatório envolve cuidados com material cirúrgico, equipe cirúrgica, local da operação 
e posicionamento do paciente e da equipe. 
Desde o século XIX, Joseph Lister já conceituou alguns cuidados de assepsia que, até então, era praticamente 
inexistente: o melhor cirurgião para época era aquele que tinha as mãos e o avental mais sujo de sangue. Com a 
introdução feita por Lister e Gustav V. Neuber, entre os anos de 1882 e 1883, o gorro e o avental comprido passaram a 
ser utilizado no seu meio cirúrgico, mais como um meio de proteção individual; Willian Halsted, para proteger uma 
enfermeira de sua equipe contra uma reação alérgica cutânea que tinha nas mãos ao fazer uso das substâncias 
bactericidas de uso pré-operatório, desenvolveu as luvas, em 1889; Mikulicz, em 1897, instituiu o uso de máscaras. 
Como surgimento e o uso desses cuidados – que vieram primariamente com o objetivo de proteção individual – notou-se 
uma redução drástica nos níveis de infecção em hospitais de grande renome naquela época. Foi o estudo mais 
minucioso desses cuidados que culminaram nas noções básicas de cirurgia asséptica utilizadas ainda hoje. 
 
 
CONCEITOS 
 Com o fundamento para a preparação do ato operatório, assim como para sua efetiva realização, destacam-se 
os conceitos de assepsia, antissepsia, desinfecção e esterilização que julgamos oportuno e conveniente ressaltar 
isoladamente e que ora apresentamos. 
 Assepsia (do grego, a = negação + séptico = putrefação): é o termo utilizado para designar a ausência de 
matéria séptica, isto é, um estado livre de infecção. Este é, portanto, o objetivo da equipe cirúrgica: realizar um 
ato operatório asséptico, devendo manter livres de germes o doente, a equipe cirúrgica e o ambiente. 
 Antissepsia (do grego, anti = contra + séptico = putrefação): é termo utilizado para nomear o conjunto de 
procedimentos e práticas destinados a impedir a colonização por micro-organismos patogênicos ou que visam à 
destruição desses micro-organismos, por determinado período de tempo, em especial, mediante o uso de 
agentes químicos. Portanto, em outras palavras, a antissepsia é o meio pelo qual se busca e se obtém a 
assepsia em tecidos orgânicos. 
 Desinfecção: consiste no combate aos micro-organismos que se assentam sobre a superfície de objetos 
inanimados, com o uso de agentes denominados desinfectantes ou desinfetantes. 
 Esterilização: corresponde à completa destruição de todas as formas de vida microbiana, incluindo os esporos 
bacterianos, que são altamente resistentes, empregando-se, para isto, métodos físicos e químicos mais 
avançados do que os usados anteriormente. 
 
 
ASSEPSIA 
A assepsia trata-se de um método que impede, especialmente através de meios físicos e químicos, a entrada de 
micro-organismos patogênicos no corpo humano, impedindo a penetração de micro-organismos em local que não os 
contenha, um local estéril. Consiste, então, na tentativa de eliminação de qualquer fator potencial de infecção, impedindo 
a penetração de micro-organismos em local que não os contenha. 
Deve-se ressaltar que não há possibilidade de se chegar à assepsia total na prática cirúrgica, isto é, à ausência 
total de germes. No entanto, essa situação deve ser sempre perseguida, aproximando-se, ao máximo, desse estado 
ideal. 
No que se trata à sala cirúrgica, a assepsia está representada pelo uso de vestimenta estéril pelos membros da 
equipe cirúrgica (aventais e luvas assépticos), pela delimitação do campo operatório por coberturas estéreis e pelo uso 
de instrumentos cirúrgicos submetidos ao processo de esterilização. 
Para a obtenção da assepsia, deve-se ter cuidados especiais para com o doente e com a equipe. 
 
CUIDADOS COM O DOENTE 
 Idade: extremos de idade (pacientes muito novos ou muito idosos) apresentam uma suscetibilidade a infecções 
muito maior devido a uma carência ou imaturidade das respostas imunológicas. Deve-se ter, portanto, um cuidado 
muito maior para com esses pacientes. 
 Alterações metabólicas e de nutrição: problemas como diabetes ou obesidade refletem em uma incidência maior de 
infecção em blocos cirúrgicos. Pacientes desnutridos, por apresentarem pouca reserva nutricional, não apresentam 
uma resposta fisiológica normal e, portanto, são susceptíveis ao desenvolvimento de infecções. 
 Duração da hospitalização: é preferível que o paciente permaneça o mínimo de tempo possível no hospital pois, 
quanto mais tempo o paciente fica no ambiente hospitalar, maiores são as chances de ele desenvolver infecções. 
Admite-se que, depois de 48h em um certo ambiente hospitalar, o indivíduo já terá sido exposto a qualquer vida 
microbiana existente naquele local. 
Arlindo Ugulino Netto. 
TÉCNICA OPERATÓRIA 2016 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 
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 Tempo de cirurgia: quanto maior for o tempo operatório, maiores são as chances de infecção pelas cepas de 
bactérias permanentes que resistem aos métodos antissépticos. 
 Uso de drenos: o uso de qualquer aparelho de drenagem favorece o surgimento de infecção ao doente devido à 
produção artificial de um meio de continuidade entre o meio externo e o meio interno do paciente. 
 Tamanho da incisão: quanto maior a incisão, maior o tamanho da solução de continuidade e, portanto, maiores são 
os riscos de infecção. 
 Tricotomia: consiste na raspagem de pelos do paciente que deve ser feita próximo ao momento de se operar o 
paciente com equipamentos ideais e, de preferência, esterilizados. Deve-se ter um cuidado especial no ato da 
tricotomia para evitar, ao máximo, traumatismos na pele que possam gerar alguma solução de continuidade que 
favoreça a proliferação de micro-organismos. 
 
CUIDADOS REFERENTES À EQUIPE CIRÚRGICA 
 Higiene pessoal e vestimenta cirúrgica (pijama cirúrgico, gorros e toucas, máscaras, 
aventais e luvas): todos que trabalham no centro cirúrgico precisam praticar uma higiene 
pessoal rigorosa que inclua banhos diários, uso de unhas curtas, ausência de maquiagem, 
etc. Toda pessoa que entra no centro cirúrgico deve utilizar o vestiário para trocas de 
roupas esterilizadas. Estas devem ser facilmente reconhecidas por cores destacantes, 
como azul ou verde. Antes de entrar no centro cirúrgico, deve-se guardar qualquer adorno, 
tais como brincos, anéis, pulseiras e relógio. 
O vestuário para a parte não-crítica na cirurgia consta de calça e camisa (pijama cirúrgico 
ou também chamada pelos acadêmicos de “roupa de bloco”), gorro e sapatilhas (“pro-pés”). 
As mangas das camisas devem ser suficientemente curtas para permitir a correta 
escovação das mãos, antebraços e cotovelos, sem que se molhem durante esse 
procedimento. A camisa deve estar preferencialmente ensacada na calça para evitar que se 
molhe durante a escovação. Os gorros reduzem a contaminação do campo operatório por 
micro-organismos advindos do couro cabeludo e do cabelo dos membros da equipe 
cirúrgica. As máscaras devem cobrir toda a boca e o nariz. O protetor de olhos (óculos 
cirúrgico) constitui uma outra proteção cujo uso deve ser estimulado para todos os 
membros da equipe cirúrgica. 
O uso dessas roupas por mais de oito horas seguidas deve ser avaliado, haja vista que 
parece existir aumento na contaminação diretamente associado ao tempo em que elas são 
usadas e expostas ao ambiente do centro cirúrgico. 
 
 Lavagem das mãos: independentemente da escovação cirúrgica, todas as pessoas que frequentam o centro 
cirúrgico devem se acostumar com a lavagem rotineira e repetida das mãos. Esse simples ato propicia a queda 
importante no índice de transmissão de infecções. A lavagem das mãos (dos punhos e do antebraço) deve ser 
realizada, da forma mais completa possível, antes da escovação. Ainda que se utilize luva estéril, algumas bactérias 
que permanecem na pele das mãos após a escovação podemencontrar um ambiente quente e úmido (sob as 
luvas) propício para o seu crescimento. A eficácia dessa lavagem depende de vários fatores: volume de sabão, 
tempo de fricção, superfície das mãos, número de micro-organismos sobre as unhas, uso de anéis e técnica 
utilizada para a lavagem. 
A lavagem deve ser realizada com a utilização de um sabão antimicrobiano, deixando em contato com a pele das 
mãos por um período de dez segundos. A fricção e sua sequência variam muito de autor para autor. Contanto que 
toda a mão seja contemplada com a lavagem e que a sequência não tenha recidiva (retorno de uma parte recém-
lavada para outra lavada antes), a sequência é aceita. O enxágue deve ser rigoroso para remoção dos resíduos de 
sabão e a secagem deve ser feita com toalhas de papel. Contudo, em casos de cirurgia, a mão só será enxugada 
no próprio bloco, depois da escovação, com o uso de compressas esterilizadas. 
 
 Escovação cirúrgica e secagem com compressa: a escovação das mãos, antebraço e cotovelos de todos os 
membros da equipe que vão entrar em contato com materiais estéreis constitui uma etapa preparatória e 
indispensável para todos os atos cirúrgicos. Ela é realizada para a remoção de detritos, eliminação da microbiota 
transitória e redução da microbiota residente (permanente). 
Nos lavabos dos centros cirúrgicos, são comumente encontradas embalagens individuais de uso único contendo 
escova-esponja embebida em solução antisséptica com iodopovidina ou clorexidina, junto a uma espátula para a 
limpeza das unhas (desinquinação). As torneiras de um lavabo cirúrgico deve ser acionada por botões colocados no 
piso ou de forma automática por meio de células fotoelétricas, devendo conter também dispositivos de regulagem 
de temperatura da água. O cirurgião não deve fazer uso das mãos para acionar a corrente de água. A antiga prática 
do uso de torneiras manuseadas com o cotovelo, como ainda se encontra comumente, deve ser desestimulada. 
 
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Ao se realizar a escovação, o roteiro básico a ser seguido é: (1) abrir as embalagens das escovas que devem estar 
presentes no lavabo; (2) lavagem completa das mãos e antebraços (até a região acima dos cotovelos), utilizando-se 
de água e sabão antimicrobiano; (3) espalhar a solução antisséptica que está embebida na esponja da escova ao 
longo de toda a área a ser escovada, seguindo sempre movimentos descendentes e contínuos, sem que se façam 
movimentos de vai-e-vem; (4) limpar as áreas subungueais (desinquinação) com a espátula ou com a própria 
escova; (5) escovar as faces lateral e medial de cada dedo, comissuras interdigitais e, em seguida, o dorso e a 
palma da mão, sempre com movimentos únicos e contínuos, partindo do distal para o proximal, evitando o vai-e-
vem; (6) escovar antebraço até a região acima do cotovelo com movimentos únicos e contínuos; (7) enxaguar as 
mãos, antebraços e cotovelos, sempre nessa ordem; (8) aplicar, após a escovação, solução aquosa do mesmo 
antisséptico previamente utilizado; (9) secagem com compressa estéril utilizado um lado da compressa para cada 
membro. 
 
 
 Colocação do avental (capote cirúrgico) e luvas: a maior justificativa do uso do avental e luvas cirúrgicas é a criação 
de uma barreira entre o campo operatório e os membros da equipe cirúrgica, sendo utilizados para proteger o 
paciente da contaminação que os membros da equipe possam eventualmente levar ao campo operatório. Uma vez 
realizada a correta escovação cirúrgica, enxágue e retirada do excesso de antisséptico por meio da secagem, todos 
os membros da equipe deverão colocar os aventais e as luvas cirúrgicas. Quando contamos com a presença de um 
instrumentador (ou circulante), ao entrarmos na sala cirúrgica ele já deverá se encontrar devidamente paramentado 
e nos auxiliará na colocação de vestimenta, passando-nos o avental aberto e na posição correta para que o 
vistamos. Os laços que serão feitos no avental também é por conta do circulante. 
Ao serem levados para esterilização, os aventais são dobrados de forma que sua parte externa e suas mangas 
fiquem voltadas para dentro. Deste modo, pega-se o avental firmemente pela gola, afastando-se de qualquer local 
não-estéril. Deve-se ter o cuidado para que nenhuma parte do avental toque em partes não-esterilizadas da sala de 
cirurgia e do próprio capote (as únicas duas partes consideradas contaminadas são a gola e os ombros, haja vista 
que o houve contato com a mão desnuda e que, embora lavada, não está asséptica). Uma vez que o capote esteja 
totalmente aberto, introduzimos as mãos correspondentes guiando cada membro superior através das mangas 
correspondentes. Como ainda estamos sem luvas, não devemos fazer qualquer esforço para passar as mãos pelos 
punhos do avental devido à possibilidade de a fricção desenvolvida (ainda que mínima) poder propiciar o 
assentamento bacteriano. Devemos solicitar a ajuda do circulante da sala que, por traz, puxará o avental até os 
ombros, descobrindo as mãos do cirurgião, e amarrará as suas tiras dorsais. 
 
 
 
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Terminada a colocação do avental, o próximo passo é a colocação das luvas cirúrgicas. De forma padronizada, as 
luvas são dispostas em sua embalagem protetora (e esterilizada) com o punho virado para fora, permitindo que 
sejam manipuladas utilizando a parte exposta de sua face interna. Com a mão esquerda, pegamos a parte interna 
exposta da luva direita (por sua dobra) e a introduzimos na mão direita. A seguir, a mão direita, já parcialmente 
enluvada (antes de se posicionar a luva corretamente), pega a outra luva – esquerda – também por sua dobra 
(tentando atingir, agora, a parte externa não exposta da luva) e a introduz na mão correspondente (a ordem inversa 
também pode ser realizada de acordo com a preferência de cada um). Somente após esta etapa, com as mãos já 
parcialmente enluvadas, nos preocupados em desenrolar os punhos de ambas as luvas tendo o cuidado de não 
tocar qualquer parte desnuda do antebraço. 
 
Da mesma forma que observamos muito cuidado ao ato de colocar as luvas, também na hora de retirada devem ser 
tomadas algumas precauções, mas agora é o seu lado externo que não deve entrar em contato com qualquer parte 
desnuda de nosso corpo, de forma a não propiciar contaminação por micro-organismos. Ao serem retiradas e 
desprezadas, suas faces externas devem estar voltadas para dentro, de modo que o cirurgião não toque nenhuma 
parte de seu corpo desnuda sobre a face externa (e já contaminada) da luva. Ao final da retirada, deve ser 
descartada em recipiente apropriado. 
 
 
ANTISSEPSIA 
A antissepsia é o conjunto de procedimentos e práticas que visam impedir a colonização ou destruir por 
determinado período de tempo os micro-organismos. Consiste, portanto, em empreender todos os esforços que 
possibilitam o controle, total ou parcial, da proliferação de micro-organismos patogênicos, ao menos por um determinado 
período de tempo. Constitui um método profilático, haja vista que resulta do emprego de agentes germicidas 
(antissépticos) contra patógenos no tecido humano, diferentemente da desinfecção. 
Assim, estamos praticando a antissepsia quando utilizamos agentes antissépticos que habitam as mãos, 
antebraços e cotovelos da equipe cirúrgica, mediante um processo mecânico e químico conhecido como escovação 
cirúrgica. Também se refere à antissepsia o preparo da área a ser operada, com o emprego de substâncias 
antissépticas. 
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De uma maneira simplista, podemos dizer que, em Cirurgia, a assepsia é sempre desejada, perseguida. Como 
essa eventualidade não é possível de ser atingida e só pode ser vislumbrada mediante o emprego dos itens passíveis de 
esterilização (vestimenta, luvas e instrumentos), são utilizados alguns agentes (antissépticos) como intuito de se buscar 
a “inatingível” assepsia. 
 
ANTISSÉPTICOS 
As substâncias providas de ação letal ou inibitória da reprodução de micro-organismos são designadas, 
genericamente, como antissépticos. Destinam-se à aplicação em pele e mucosas visando à redução do índice de 
colonização microbiana e, por conseguinte, de infecção do campo operatório. Sistematicamente, devem dispor de 
algumas propriedades essenciais: (1) ação bactericida (destruição dos micro-organismos patogênicos); (2) ação 
bacteriostática (inibição da proliferação de micro-organismos); (3) persistências de ação durante várias horas (ação 
duradoura); (4) ausência de causticidade; (5) baixo índice de reações de hipersensibilidade; (6) baixo custo. Entretanto, 
não se dispõe de um antisséptico ideal que reúna todas essas condições de forma absoluta. 
 Iodo: o composto de iodo mais conhecido e, até certo tempo, comumente utilizado no preparo da pele é o álcool 
iodado a 0,5% ou 1% (como exemplo, o Mertiolate®). Age pela facilidade em penetrar na parede celular dos 
micro-organismos, inibindo a sua síntese vital, oxidando e substituindo o conteúdo microbiano por iodo livre. Seu 
uso foi drasticamente limitado por sua baixa potência e por causar queimaduras e irritação. Apresenta função 
bactericida, virucida, microbactericida e fungicida. Contudo, pode causar dor se aplicado sobre uma solução de 
continuidade e queima em altas concentrações. Indivíduos alérgicos devem tomar certas precauções. 
 
 Iodóforos: são combinações estáveis de iodo ou triodeto adicionadas a um veículo 
carreador de alto peso molecular como alguns polímeros neutros: polivinilpirolidona, 
polieterglicol, poliamidas, polissacarídeos, etc. Os mais usados são: Betadine®, Don-
Dyne®, Laboriodine®, Marcodine® e Riodeine®. Atuam carreando moléculas de iodo que 
são liberadas gradativamente em baixas concentrações, mantendo o efeito germicida 
próximo do iodo, mas reduzindo a sua toxicidade. Necessitam de cerca de dois minutos de 
contato para a liberação do iodo livre, atingindo, assim, nível antisséptico adequado. Tem 
efeito residual de 2 a 6h e é inativado por matéria orgânica. A presença de matéria orgânica 
inibe rapidamente a sua liberação. São encontrados em formulações degermantes (que 
forma espuma), alcoólica e aquosa, em concentrações de 10% com 1% de iodo livre. 
Em nosso meio, o agente solubilizando e carreado mais empregado é a polivinilpirrolidona 
(PVP), compondo o polivinilpirrolidona-iodo (PVP-I). A solução de clorexidina é utilizada 
para pacientes alérgicos ao iodo. 
 
 Clorexidina (gluconato de clorexidina): age por destruição da parede celular e precipitação dos 
componentes internos da célula microbiana. Apresenta longo espectro contra bactérias gram-
positivas, boa atividade contra gram-negativas, fungos e vírus, porém pequena ação contra 
micobactérias. Consiste em um sal incolor, inodoro e fortemente básico e, portanto, não deve ser 
utilizado sobre o globo ocular e no ouvido médio. Suas principais características são: (1) atua 
mesmo na presença de sangue ou exsudatos; (2) apresenta atividade por até 6 ou 8 horas; (3) pode 
ser inativada na dependência do pH ou quando misturado à soluções contendo iodo (ver OBS
1
); (4) 
tem baixa toxicidade e irritabilidade, sendo segura, inclusive, para uso em recém-natos; (5) constitui 
uma excelente alternativa para aqueles pacientes com sabida intolerância ao iodo. Ex: Clorexidina®, 
Chlorohex®, Glucohex®, Riohex®, Silvex®, etc. 
 
 Hexaclorofeno: possui atividade bacteriostática importante, porém lenta e pouco duradoura. Tem boa ação 
contra bactérias gram-negativas, tendo pouco efeito sob os esporos. Seu uso pode ocasionar neurotoxicidade, 
por absorção transcutânea. Apresenta efeito reduzindo na presença de sangue ou exsudato e, na atualidade, 
encontra-se praticamente fora de uso. Ex: Fisohex®, Soapex®. 
 
 Álcool: age por desnaturação de proteínas e tem boa ação bactericida e micobactericida. Também possui ação 
contra os principais fungos e vírus, incluindo vírus sincicial respiratório, vírus da hepatite B e HIV. É um dos 
mais seguros antissépticos, reduzindo rapidamente a contagem microbiana na pele. Pode ser utilizado na forma 
de álcool isopropílico ou etílico (o primeiro é mais tóxico e menos eficaz como bactericida que o segundo). 
Concentrações entre 60% e 90% são adequadas, e 70% têm sido a concentração mais indicada, por causar 
menor ressecamento da pele. Além de ser inflamável, apresenta desvantagens por não apresentar efeito 
residual e pequena inativação por matéria orgânica. 
 
OBS
1
: A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos que geralmente são realizados 
de forma sequenciada em atos cirúrgicos eletivos: degermação e antissepsia. A primeira consiste na remoção de detritos 
e impurezas na pele, que pode ser feito com soluções degermantes (os sabões e detergentes removem mecanicamente 
parte da flora microbiana transitória, mas não conseguem remover a flora residente); a segunda promova a destruição de 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● TÉCNICA OPERATÓRIA 
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micro-organismos transitórios ou residentes da pele através da aplicação de um agente germicida com ação contra 
micro-organismos muito frágeis como o Pneumococo (porém, são inativos para Stafilococcus aureus, Pseudomonas 
aeruginosa e outras bactérias Gram-negativas). Existem soluções degermantes e antissépticas de composição química 
baseada tanto na clorexidina como nas soluções iodóforas. Entretanto, o fato dessas substâncias apresentarem cargas 
elétricas opostas, impede a mistura das mesmas, isto é: se o cirurgião optou por realizar a degermação com solução 
contendo iodo, ele deverá realizar a antissepsia com solução que também apresente iodo, evitando o uso de clorexidina. 
O contrário também é verdadeiro. O seguinte esquema ilustra a explicação previamente feita. 
 
 
 
 
DESINFECÇÃO 
 Consiste na destruição dos micro-organismos presentes, em sua forma vegetativa, nas superfícies inanimadas. 
Por esta razão, o desinfetante ideal seria aquele (1) com amplo espectro de ação antimicrobiana; (2) inativação rápida 
de micro-organismos; (3) manutenção de ação duradoura; (4) não ser corrosivo; (5) tolerar variações de temperatura e 
pH; (6) apresentar baixo custo. 
A desinfecção, apesar de ter o mesmo fundamento da antissepsia, não deve ser confundida com ela. Enquanto 
que a antissepsia trata-se de um método profilático que emprega agentes antissépticos contra patógenos no tecido 
humano, a desinfecção trata-se do combate aos micro-organismos que se assentam sobre a superfície de objetos 
inanimados, com uso de desinfetantes. 
Os principais agentes desinfetantes são: 
 Álcool: utilizado por ter atividade germicida, menor custo e baixa toxicidade. Age pela desnaturação das 
proteínas, sendo recomendando para desinfecção de nível médio de artigos e superfícies, obtendo-se eficácia 
com três aplicações sequenciais. Não se recomenda sua utilização em artigos com componentes plásticos ou 
borracha. 
 
 Formaldeído: utilizado como formalina aquosa a 10% ou alcoólica a 8%. Seu mecanismo de ação se dá pela 
coagulação de proteínas. É bactericida, fungicida, virucida e tuberculicida, após 30 minutos, e esporicida após 18 
horas (à concentração de 4%, depois de 24h). Sua ação como desinfetante é tida como razoável e não possui 
nenhum efeito antisséptico. Seu principal uso é na conservação de peças de tecidos, sendo também utilizado 
para desinfecção de instrumentos com lentes. 
 
 Glutaraldeído: é bactericida, tuberculicida e esporicida. Por ser tóxico para os tecidos, qualquer material nele 
imerso deve ser enxaguado com água destilada antes do uso no paciente ou do manuseio pela equipe. Para que 
ele seja eficaz como esterilizantes, o material deve ficar totalmente imerso em solução por 10 horas. Não é 
corrosivo para instrumentais e tem ação rápida para desinfecção de alto nível. É utilizado para desinfecção de 
instrumentosanestésicos. 
 
 
ESTERILIZAÇÃO 
 Consiste na completa destruição de todas as formas de vida microbiana, incluindo os esporos bacterianos, que 
são altamente resistentes, empregando-se métodos físicos ou químicos. 
 A esterilização passa por etapas de processamento que garantem a sua eficácia. O primeiro passo ocorre 
imediatamente após o uso na sala de operações, por meio da lavagem para a retirada de resíduos orgânicos, diminuindo 
a sua carga microbiana. Esses materiais devem, então, serem armazenados em caixas metálicas perfuradas, bandejas 
ou pacotes individualizados, e envolvidos em embalagens apropriadas. Diversos métodos para esterilização de materiais 
cirúrgicos, por meios físicos ou químicos, são descritos, devendo ser escolhido o mais exequível. 
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 Calor seco: método que emprega o calor como agente esterilizante, porém sem a presença de umidade, com 
ação biocida ocorrendo por oxidação do protoplasma das células. Os parâmetros considerados são tempo e 
temperatura: 180
o
C por 30 minutos, 170
o
C por 60 minutos ou ainda 160
o
C por 2 horas. A estufa é utilizada para 
realizar esta esterilização, sendo indicada para instrumentos como metais e vidrarias. Os micro-organismos são 
destruídos por oxidação. 
 
 Calor úmido: é o método de esterilização empregado pelas autoclaves, em que o calor úmido é empregado na 
forma de vapor saturado em alta temperatura sob alta pressão. É o principal eleito nas unidades hospitalares. 
Dá-se a denominação de vapor saturado porque sua temperatura equivale à do ponto de ebulição da água e se 
produz pela combinação de energia que aquece a água com níveis de pressão maiores do que a pressão 
atmosférica, acelerando o aquecimento e propiciando o alcance de temperaturas próprias para a esterilização 
(121 – 134
o
C). Artigos termossensíveis não devem ser autoclavados, destes, apenas borracha e tecidos. Os 
micro-organismos são destruídos por calor úmido, pelo processo de desnaturação e coagulação do sistema 
enzimático das proteínas dentro da célula bacteriana. 
 
 Esterilização por meios químicos: a esterilização pelo óxido de etileno é utilizada para artigos 
termossensíveis. Trata-se de um gás inflamável, explosivo e carcinogênico. Destrói bactérias, vírus, fungos e 
vários esporos. É utilizado para materiais como endoscópios, objetos de plástico e borracha, cabos elétricos, 
frascos e ampolas de medicamentos, instrumentos delicados e afiados, fios de sutura, plásticos, cabos de força 
e câmaras, dentro outros artigos que requerem baixa temperatura. Sua ação se faz pela alquilação das cadeias 
proteicas microbianas, interferindo em sua multiplicação.

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