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Técnica Cirúrgica Igor Moura Barcelos 5° Etapa UNAERP – Campus Guarujá Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 2 Sumário Assepsia e Antissepsia ................................................................................................................................................................... 3 Introdução ................................................................................................................................................................................. 3 Antissepsia ................................................................................................................................................................................ 4 Esterilização .............................................................................................................................................................................. 6 Cuidados ................................................................................................................................................................................... 9 Ambiente cirúrgico ...................................................................................................................................................................... 15 Introdução ............................................................................................................................................................................... 15 Profilaxia em cirurgia ............................................................................................................................................................... 16 Mesa e instrumentos cirúrgicos ................................................................................................................................................... 20 Introdução ............................................................................................................................................................................... 20 Operações fundamentais ......................................................................................................................................................... 22 Instrumentais .......................................................................................................................................................................... 23 Procedimentos básicos em cirurgia ............................................................................................................................................. 37 Acesso venoso central ............................................................................................................................................................. 37 *: tirado diretamente de slides. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 3 Assepsia e Antissepsia Introdução Conceitos 1. Assepsia: a. É o processo pelo qual se consegue afastar os microrganismos de um determinado ambiente, objeto ou campo operatório; b. São manobras realizadas com o intuito de manter o doente e o meio ambiente cirúrgico livre de germes; c. É o conjunto de medidas que utilizamos para impedir a penetração de microrganismos num ambiente que logicamente não os tem, logo um ambiente asséptico é aquele que está livre de infecção. 2. Antissepsia: a. É a eliminação das formas vegetativas de bactérias patogênicas e grande parte da flora residente da pele ou mucosa, através da ação de substâncias químicas (anti-sépticos); b. É a destruição dos microrganismos; c. É o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de microrganismos ou removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não destruí-los e para tal fim utilizamos antissépticos ou desinfetantes; 3. Limpeza: a. Remoção de sujidades orgânicas e inorgânicas; b. Redução da carga microbiana presente nos produtos para saúde; c. Utiliza água, detergentes, produtos e acessórios de limpeza, por meio de ação mecânica (manual ou automatizada); d. atuando em superfícies internas (lúmens) e externas, de forma a tornar o produto seguro para manuseio e praparado para desinfecção ou esterilização; 4. Degermação: a. Diminuição do número de microrganismos patogênicos ou não, após a escovação da pele com água e sabão; 5. Fumigação: é a dispersão sob forma de partículas, de agente desinfectantes como gases, líquidos ou sólidos; 6. Desinfecção: a. Processo físico ou químico que elimina a maioria dos microrganismos patogênicos de objetos inanimados e superfícies; b. É o processo pelo qual se destroem particularmente os germes patogênicos e/ou se inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimento. Os esporos não são necessariamente destruídos; 7. Esterilização: a. É processo de destruição de todas as formas de vida microbiana (bactérias nas formas vegetativas e esporuladas, fungos e vírus) mediante a aplicação de agentes físicos e ou químicos, Toda esterilização deve ser precedida de lavagem e enxaguadura do artigo para remoção de detritos. Obs.: Esterilizantes: são meios físicos (calor, filtração, radiações, etc) capazes de matar os esporos e a forma vegetativa, isto é, destruir todas as formas microscópicas de vida; 8. Germicidas: são meios químicos utilizados para destruir todas as formas microscópicas de visa e são designados pelos sufixos “cida” ou “lise”, como por exemplo, bactericida, fungicida, bacteriólise; História • Semmelweiss (Hungria, 1846) – febre puerperal em pacientes manipuladas por estudantes que praticavam necrópsias; limpeza das mãos com hipoclorito antes do parto. • Lister (Inglaterra, 1865) – ácido carbólico nas mãos e no ambiente. • Pasteur (França, 1870) – fervura do instrumental. • Neuber (Alemanha, 1882) avental cirúrgico. • Halsted (EUA, 1889) – luvas cirúrgicas. • Mikulicz - Radecki (Alemanha, 1896) – máscara cirúrgica. • Schimmelbusch (Alemanha, 1891) – padronização da antissepsia das mãos. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 4 Antissepsia Antissepsia A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos: degermação e antissepsia.. 1. Degermação: É a remoção de detritos e impurezas depositados sobre a pele. Sabões e detergentes sintéticos, graças a sua propriedade de umidificação, penetração, emulsificação e dispersão, removem mecanicamente a maior parte da flora microbiana existente nas camadas superficiais da pele, também chamada flora transitória, mas não conseguem remover aquela que coloniza as camadas mais profundas ou flora residente. 2. Antissepsia: É a destruição de micro-organismos existentes nas camadas superficiais ou profundas da pele, mediante a aplicação de um agente germicida de baixa causticidade, hipoalergenico e passível de ser aplicado em tecido vivo. Os detergentes sintéticos não-iônicos praticamente são destituídos de ação germicida. Sabões e detergentes sintéticos aniônicos exercem ação bactericida contra microorganismos muito frágeis como o Pneumococo, porém, são inativos para Stafilococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e outras bactérias Gram negativas. Consequentemente, sabões e detergentes sintéticos (não iônicos e aniônicos) devem ser classificados como degermantes, e não como antissépticos. Antissépticos Um antisséptico adequado deve exercer a atividade gemicida sobre a flora cutâneo-mucosa em presença de sangue, soro, muco ou pus, sem irritar a pele ou as mucosas. Os agentes que melhor satisfazem as exigências para aplicação em tecidos vivos são os iodos, a cloro-hexidina, o álcool e o hexaclorofeno. 1. Para a desinfecção das mãos temos: a. Soluções antissépticas com detergentes (degermantes) e se destinam à degermação da pele, removendo detritos e impurezas e realizando anti-sepsia parcial. Como exemplos citam: Solução detergente de PVPI a 10% (1% de iodo ativo); SoluçãoMedicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 26 De preensão São basicamente constituídos pelas pinças de preensão, que são destinadas à manipulação e à apreensão de órgãos, tecidos ou estruturas. As pinças atraumáticas são usada para hemostasia temporária. 1. Pinça de Adson: A pinça de Adson, por apresentar uma extremidade distal estreita e dessa forma, uma menor superfície de contato, é utilizada em cirurgias mais delicadas, como as pediátricas. É encontrada em três versões: atraumática, a qual possui ranhuras finas e transversais na face interna de sua ponta; traumática, com endentações e um sulco longitudinal na extremidade; e dente-de-rato, com dentes na ponta que lembram os de um roedor, sendo esta última utilizada para a preensão de aponeurose, uma vez que é considerada mais traumática que a pinça anatômica. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 27 2. Pinça anatômica: Com ranhuras finas e transversais, possuindo uma utilização universal. 3. Pinça dente de rato: Por apresentar dentes em sua extremidade, é utilizada na preensão de tecidos mais grosseiros, como tendões e aponeuroses. Por serem consideradas instrumentais auxiliares, as pinças de preensão são geralmente empunhadas com a mão não-dominante (tipo lápis), sendo que o dedo indicador é o responsável pelo movimento de fechamento da pinça, enquanto que os dedos médio e polegar servem de apoio. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 28 De hemostasia Pinças hemostáticas destinadas ao pinçamento de pequenos vasos sangrantes para ligadura e também para pinçar fios de sutura e tecidos organicos como aponeurose, peritônio etc. 1. Halsted (mosquito): Destinada ao pinçamento de vasos de pequeno calibre, devido a seu tamanho reduzido, que pode ser observado ao compará-la a outras pinças hemostáticas. Suas reduzidas dimensões lhe atribuem uma segunda nomenclatura: pinça Mosquito. 2. Kelly e Crile: Apresentam ranhuras transversais na face interna de suas pontas e podem ser retas ou curvas. As retas, também chamadas pinças de reparo, são utilizadas para o pinçamento de material cirúrgico como fios e drenos de borracha, enquanto que as curvas são destinadas ao pinçamento de vasos e tecidos mais delicados. A diferença entre as referidas pinças consiste no fato de que as ranhuras transversais da pinça de Crile estão presentes ao longo de toda a face interna de sua ponta, enquanto que as da pinça de Kelly estendem-se aproximadamente até a metade. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 29 3. Mixter: Apresenta ponta em ângulo aproximadamente reto em relação ao seu corpo, sendo largamente utilizada na passagem de fios ao redor de vasos para ligaduras, assim como na dissecção de vasos e outras estruturas. 4. Kocher: Seu uso mais habitual é na preensão e tração de tecidos resistentes como aponeuroses. De exposição São representados por afastadores, que são elementos mecânicos destinados a facilitar a exposição do campo operatório, afastando as bordas da ferida operatória e outras estruturas, de forma a permitir a exposição de planos anatômicos ou órgãos subjacentes, facilitando o ato operatório. Podem ser divididos em: Afastadores dinâmicos: Exigem tração manual contínua. 1. Farabeuf: Usado para afastamento de pele, subcutâneo e músculos em plano superficial; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 30 2. Afastador de Langenbeck: mesmo uso do Farabeuf, tendo cabo para empunhadura e mais longo, podendo atingir planos mais profundos; 3. Afastador de Doyen: Mesmo formato do anterior com superfície bem maior de afastamento usado para cavidade abdominal; 4. Afastador de Volkmann: Possui garras na parte curva, dando mais aderencia, aos tecidos, usado somente em planos musculares; 5. Espátulas: são lâminas de várias larguras usadas na cavidade pleural ou abdominal. Adaptável a qualquer necessidade durante o ato operatório; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 31 Afastadores auto-estáticos: São instrumentais que por si só mantém as estruturas afastadas e estáveis. 1. Gosset: usado para afastar parede abdominal; 2. Balfour: semelhante ao anterior, sendo mais robusto e possuindo uma terceira lâmina curvam também apoiada em um braço deslizante; 3. Finochietto: usado em cirurgia de tórax para abertura dos espaços intercostais ou mediosternal; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 32 Especiais Os instrumentais especiais são aqueles utilizados para finalidades específicas, nos procedimentos que consistem no objetivo principal da cirurgia. São muitos e variam de acordo com a especialidade cirúrgica. 1. Pinças de preensão atraumáticas: Babcock, Duval, Collin: servem para preensão de tecidos ou vísceras, tendo superfície ampla de contato com ranhuras; 2. Pinças de preensão traumáticas: Allis, Chaput: tem poder maios de preensão por denteamento fino nas superfícies de contato; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 33 3. Rochester: é pinça tipo hemostática, porém, muito robusta, com pontas longas para pinçamentos de pedículos tubos, ou de alça intestinal ressecada (maior que a Crile); 4. De campo: Backaus, Jones, Doeyen: tem pontas agudas ou dentes para fixar os campos à pele, prender os campos entre si, ou fixar objetos nos campos; Para síntese Destina-se para fechamento da ferida cirúrgica. Representado basicamente pelas agulhas de sutura, porta agulhas, e principalmente pelos fios cirúrgicos, grampos e fitas adesivas de pele. 1. Porta agulhas: As agulhas curvas devem ser colocadas na ponta do porta agulha, a uma distância de um quarto do fundo da agulha. Não se usam porta- agulhas com agulhas retas. Quando são usados para fazer os pontos ou para atar os nós cirúrgicos, devem ser seguros como tesouras ou na palma da mão, sem os dedos nas alças. Partes: alça ou empunhadura, catraca ou cremalheira, articulação e ponta. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 34 Fios Usados para ligaduras vasculares que garantem uma hemostasia perfeita e para aproximação de tecidos; são empregados isoladamente ou montados em agulhas. Fatores que devem ser considerados para a escolha do fio ideal: Baixo custo; Adequada resistência tênsil; Facilidade de esterilização; Maleabilidade; Mínima reação tecidual; As características do fio ideal são: Manter a forca tênsil por tempo suficiente, até que a cicatriz adquira sua própria resistência frente aos estímulos mecânicos habituais; Portar-se como material inerte, provocando o mínimo de reação tecidual. Fios absorvíveis: são assimilados pelo tecido que são implantados. Utilizados mais em estruturas internas. Origem animal: são fagocitados por meio de atividade enzimática durante a cicatrização; o Categute: podem ser simples ou cromados; aqueles apresentando absorção mais rápida em torno de oito dias, e estes de absorção mais lenta, ao redor de 20 dias. A espessura é dada por seu diâmetro externo, em décimos de milímetros. Não devem ser empregados nas suturas superficiais. Geram reação inflamatória ao seu redor. São muito utilizados em suturas gastrointestinais, amarraduras de vasos na tela subcutânea, cirurgias ginecológicas e urológicas; Origem sintética: são hidrolizados da reação com moléculas de água dos líquidos corporais, que se degradam e são assimilados pelos tecidos na cicatrização; o Ácido poligocólico: obtido pela polimerização do ácido glicólico, possui resistência maior que a do categute. A reabsorção ocorre entre 60 a 90 dias após sua utilização. Muito usado na sutura de músculos, fáscias, tecido celular subcutâneo, ocasiona pouca reaçãoinflamatória. É multifilamentado, podendo, como qualquer fio com esta característica, alojar em seu interior bactérias que escapam da fagocitose; o Ácido poligaláctio (Vicryl): semelhando em comportado em ácido policólico, hidroliza-se em 60 dias. É utilizado em cirurgias gastrointestinais urológicas, oftalmológicas e na aproximação do tecido celular subcutâneo; o Polidioxanona: polímero da poliparadioxanona, monofilamento, de absorção lenta com manutenção da resistência tênsil por longo período. É utilizado na sutura de tendões, cápsulas articulares e fechamento da parede abdominal; Fios não absorvíveis: permanecem encapsulados (envolvidos por tecido fibroso) nas estruturas internas e nas suturas de pele; devem ser removidos entre o 7° e o 10° dia de pós- operatório. Utilizado mais em estruturas na parte da epiderme. Origem animal: o Seda: suas fibras são retorcidas ou trançadas, tratadas com polibutilato. É degradado ao longo dos anos, perdendo sua resistência tênsil; Origem vegetal: o Algodão: processado a partir das fibras de algodão, é multifilamentar, proporcionando um fio maleável e agradável ao tato, o que propicia um nó forte. Pode perpetuar um processo infeccioso; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 35 Origem sintética o Poliéster: sintético, multifilamentado, fabricado a partir de fibras de poliéster. Excelentes para suturas de aponeuroses, tendões e vasos. Podem apresentar-se sem cobertura ou cobertor por polibitilato ou teflon. Requerem no mínimo cinco nós para fixação segura. Causam pouca reação tecidual, com pouca resposta inflamatória. Devem ser evitado quando houver infecção no local da sutura devido ao foto de serem multifilamentados; o Nylon: derivado das poliamidas, caracteriza-se pela elasticidade e resistência à agua. Pode ser mono ou multifilamentar. Pouca reação, mas de difícil manipulação. Perde a resistência tênsil ao longo de dois anos. Os monofilamentos, negros ou incolores, são preferidos para as suturas de pele; o Polipropileno: sintético e monofilamentado, produz pouca reação tecidual. Incolor ou azul, mantém sua resistência tênsil por vários anos após sua utilização. Muito usado em sutura vascular. Ideal para sutura intradérmica. Absorção Origem Composição Capilaridade Absorvível Animal Categute simples Multifilamento torcido Categute cromado Sintética Poliglactina Mono/multifilamento trançado Ác. Poliglicolítico Multifilamento trançado Polidioxanoma Monofilamento Poliglecaprone Gliconato Inabsorvível Animal Seda Multifilamento trançado Vegetal Algodão Multifilamento torcido Linho Multifilamento trançado ou torcido Sintética Poliamida Monofilamento Poliamida Multifilamento Propileno Monofilamento Poliéster Mono/multifilamento trançado Politetrafluoretileno Monofilamento poroso Mineral Aço Monofilamento Nós e suturas Sutura em pontos separados: A sutura em pontos separados apresenta uma série de vantagens: Afrouxamento de um nó, ou a queda do mesmo, não interfere no restante da sutura; Há menor quantidade de corpo estranho no interior do ferimento cirúrgico; Os pontos são menos isquemiantes do que na sutura contínua; Desvantagens: Poder ser mais trabalhoso e mais demorado; Sutura contínua: Na sutura contínua, deve-se considerar o nó inicial, a sutura propriamente dita, e o nó terminal. Suturas Pontos separados Contínuas Ponto simples; Ponto simples com nó para o interior da ferida, ponto simples invertido (Halsted); Ponto em “U” horizontal (Cocheiro); Ponto em “U” vertical (Donati); Ponto em “X” horizontal; Ponto em “X” com nó para o interior da ferida; Ponto recorrente; Ponto helicoidal duplo; Chuleio simples; Chuleio ancorado; Sutura em barra grega; Sutura intratecidual em barra grega (intradérmica); Sutura em pontos recorrentes; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 36 Sutura da pele: Devem ser utilizados fios inabsorvíveis tipo nylon ou poliéster que, promove menor reação tecidual propiciam cicatrizes estéticas. Suturas mais indicadas para feridas de pele: a) Pontos separados de fio inabsorvível; b) Pontos separados de fios obtidos do ácido poliglicólico; c) Pontos intradérmicos, preferentemente separados, de fio inabsorvível ou absorvível tipo poliglicólico; d) Aproximação com tiras de esparadrapo microporado; Sutura de tela subcutânea: Deve ser aproximada para evitar a formação do espaço morto e de consequentes coleções serosas e hemáticas, que favorecem a infecção. Deve ser suturada com pontos separados com fio absorvível tipo categute ou poliglicólico; Sutura de aponeurose: Devem-se utilizar, preferentemente, pontos separados de fio inabsorvível como nylon, poliéster, algodão ou seda. A sutura contínua das aponeuroses facilita as eventrações. Sutura muscular: Quando a aponeurose que recebe o músculo é delicada, utilizam-se, conjuntamente, as miorrafias, feitas mais frequentemente com fios absorvíveis, evitando pontos isquemiantes; Sutura em vasos e nervos: Utilizam-se suturas separadas ou contínuas, mas sempre com fios inabsorvíves. Na neurorrafia, emprega-se fio inabsorvível de nylon ou poliéster. Sutura do tubo digestivo: Diâmetro dos fios: 3 – 2 – 1 – 0 – 3.0 – 4.0 – 5.0 – 6.0 – 7.0 – 8.0 – 9.0 – 10.0 – 11.0 – 12.0 Maior diâmetro Menor diâmetro Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 37 Procedimentos básicos em cirurgia Acesso venoso central Introdução A punção venosa percutânea constitui uma prática importante nos pacientes traumatizados, em emergências cirúrgicas e doentes críticos que necessitam cuidados intensivos de ressuscitação. Define-se por acesso venoso central o posicionamento de um dispositivo apropriado de acesso vascular cuja extremidade atinja a veia cava superior ou inferior, independentemente do local da inserção periférica. Indicações e contraindicações Principais indicações: 1. Monitorização hemodinâmica invasiva (pressão venosa central, pressão de artéria pulmonar, debito cardíaco por termodiluição); 2. Administração de drogas vasoativas; 3. Reposição rápida de fluídos ou sangue durante trauma ou cirurgia (questionável); 4. Coleta de amostrar sanguíneas para análises laboratoriais; 5. Dificuldade de acesso venoso periférico; 6. Acesso vascular para a infusão de soluções cáusticas, irritantes ou hiperosmóticas; 7. Terapêutica substitutiva renal de urgência (hemofiltração, hemodiálise); 8. Acesso vascular de logo prazo para nutrição parenteral prolongada ou quimioterapia; 9. Estimulação cardíaca artificial temporária (marcapasso); Principais contraindicações: 1. Alterações anatômicas; 2. Infecções na região de realização do procedimentos; 3. Coagulopatia – plaquetas menor que 50.000 e atividade de protrombina menor que 50%; 4. Desconhecimento da técnica e/ou inexperiência; Contraindicações Veia jugular interna Veia subclávia Veia femoral Discrasias sanguíneas graves; Cirurgia de carótida ipsilateral; Tumores cervicais ou intravasculares com invasão para o átrio direito Discrasias sanguíneas de qualquer grau; Pacientes com DPOC; Trauma clavicular, cirurgias prévias no local ou deformidades; Durante PCR; Discrasias sanguíneas graves (em geral, é preferido no paciente com coagulopatia); Plano de manutenção do cateter por maiores períodos; Infecção no local Técnicas A técnica de Seldinger é considerada a mais segura e utilizada na atualidade. Apesar de custo mais elevado, esta técnica permite a inserção de cateteres de grosso calibre e/ou de múltiplos lumens. É uma técnica relativamente segura, com menores riscos de complicações imediatas, uma vez que o vaso é puncionado com uma agulha de calibre relativamente pequeno (18G). A veia central é puncionada com uma agulha longa, de pequeno calibre, por dentro da qual avançasse um fio-guia.Com o fio-guia na posição adequada, um dispositivo de dilatação venosa é introduzido vestindo o mesmo. A seguir, o cateter é passado vestindo o fio-guia até a posição desejada. Local de acesso – escolha A escolha da técnica a ser utilizada e a do vaso a ser puncionado e canulado devem-se basear na condição clínica do paciente, experiência do executor e indicação para a inserção. No entanto, principalmente nos casos de punção das veias jugular interna (VJI) e subclávia (VSC), dá-se preferência ao lado direito, pois a cúpula pleural é mais baixa (menor risco de pneumotórax, especialmente na punção de VSC), o trajeto até o átrio direito é mais retilíneo (menor possibilidade de mau posicionamento do cateter, especialmente pela VJI) e o duto torácico desemboca na VSC à esquerda (menor risco de quilotórax). Preferencialmente, utiliza-se o sítio da veia jugular interna (VJI) ou veia subclávia (VSC) também por menor chance de contaminação e infecção associada ao cateter quando comparada a veia femoral (VFe). Estudos recentes têm demonstrado que a chance de infecção do cateter está muito mais relacionada aos cuidados diários do que ao sítio propriamente dito; porém, na prática, existe essa preferência que foi descrita. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 38 Frequentemente, a seguinte lista de sítios preferenciais é indicada pela maioria dos autores, levando-se em consideração uma combinação de fatores, tais como: facilidade de inserção, razões de utilização e menor risco de complicações: 1. Veia jugular interna (VJI); 2. Veia subclávia (VSC); 3. Veia femoral (VF); 4. Veia jugular externa (VJE); 5. Veia antecubital. VJI VSC VF Vantagens Menor risco de complicações; Local mais facilmente compreensível e de mais fácil acesso em caso de controle cirúrgico de complicações; Pode-se puncionar em discrasias sanguíneas moderadas; Muitas relações e anatômicas fixas; Menor chance de perda de acesso; Menor risco de infecção do sítio de punção Relativamente superficial e de fácil punção; Facilmente compressível e fácil acesso cirúrgico; Facilidade em utilizar cateter de grosso calibre (muito usada para diálise) Mais facilmente canulada durante PCR Probabilidade de colabar durante o choque hipovolêmico é menor que VJI Facilidade maior de ser obtida durante PCR, por não envolver a área torácica Desvantagens Punção difícil em pessoas com pescoço curto e/ou obesos; Anatomia da VJI é variável; Na hipovolemia, tende a colabar; Local de mobilidade, o que dificulta a manutenção de curativo seco e estéril; Evitar em pacientes traqueostomizados devido ao maior risco de infecção de cateter Difícil compressão, no caso de acidentes arteriais; Alto risco de complicações graves; Local de muita mobilidade, dificultando curativo fixo e estéril; Local altamente úmido e potencialmente contaminado (contato com secreções fisiológicas); Maior risco de infecções e complicações trombóticas; Necessidade de cateteres maiores para atingir circulação central Material e equipamento Material: 1. Campos estéreis; 2. 1 Kit acesso venoso central 3. 1 Cateter para acesso venoso central, 4. 04 pacotes de gases; 5. 01 frasco de lidocaína sem vasoconstritor; 6. 01 seringa de20ml, 01 seringa de 10ml, 01 agulha 40×12, 01 agulha 25×7, 01 7. Agulha 13x 4,5, fio de sutura mononylon 2.0 ou 3.0; 8. 1 par de luvas estéril, gorros, máscaras, capote e óculos de proteção ; 9. 1 Equipo; 10. 1 frasco de solução salina de 250ml; 11. 2 frascos de clorexidina-tintura; 12. Fita aderente; Equipamento: 1. Suporte de soro; 2. Mesa de Mayo; 3. Kit de acesso central 4. 01 porta agulha, 01 tesoura, 01 pinca dente de rato e 01 kelly reta; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 39 Técnica da punção em VJI A veia jugular interna situa-se anterolateralmente à artéria carótida interna, na sua metade proximal sob o músculo esternocleidomastóideo e sua metade distal no triângulo formado pelas porções clavicular e esternal do músculo esternocleidomastóideo, e pela clavícula. Une-se com a veia subclávia sob o terço proximal da clavícula. A VJI tem trajeto relativamente constante, porém pode sofrer variações anatômicas. deve ser dado preferência a punção da jugular direita pelo menor risco de lesão da cúpula pleural e impossibilidade de lesão do ducto torácico. Vias de acesso da VJI: Existem três vias de acesso de veia jugula podem ser utilizadas para a cateterização da veia jugular interna: a anterior, a lateral e a posterior. 1. Acesso por via anterior: a) Posição em Trendelemburg; b) Coxim no ombro ( dorso, superior ); c) Lateralização da cabeça; d) Localizar o local de punção: VJI – ápice do triângulo das inserções do ESCM; VSC – Ponto Médio do terço médio da clavícula; e) Antissepsia; f) Campo estéril; g) Bloqueio com xilocaína a 2%; h) Direção: VJI – com inclinação de 30º, em direção ao mamilo do laco puncionado, na dificuldade nova punção medial; i) Após ter feito ângulo de 30 graus, direcionar a ponta da agulha para o mamilo ipsilateral. Caso não consiga punção da veia pode angular em 5 a 10 grau em relação ao plano medial. O Refluxo do sangue de coloração vermelha-escura ajuda a confirmar a punção venosa; j) Desconectar a seringa e obstruir com polegar. Desconectar a seringa ocluindo a agulha para impedir embolia gasosas. k) Introduzir guia lentamente, se possível visualizando o monitor de ECG (principalmente, se paciente instável hemodinamicamente ou cardiopata grave); Passe o dilatador. Introduza cateter através do guia e depois retire o guia; l) Conectar SF0.9%, abaixando o frasco para permitir refluxo; m) Fixar catéter com fio 3.0 na pele; n) Efetuar curativo Oclusivo; o) Auscultar pulmão; p) Solicitar Rx de tórax; Triângulo de Sedillot formado em sua base pela clavícula e lateralmente pelas porções esternal e clavicular do músculo ESCM. A seta aponta o local de referência para a punção da VJI 2. Acesso por via latera: A punção da veia pela lateral é feita na borda anterior lateralmente ao músculo esternocleidomastoideo, na porção média entre a mastoide e a clavícula, em direção à base do triângulo, com angulação de 30 graus. 3. Acesso por via posterior: a) Mesmo posicionamento da punção medial; b) Escolher local de punção: cruzamento da jugular externa com o ESCM ou 5cm acima da clavícula no bordo posterior do ESCM. Palpar carótida; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 40 c) Introduzir agulha do cateter no ponto escolhido. Introduzir com ângulo de 30 grau e orientando para a fúrcula esternal. Manter aspiração contínua até que ocorra refluxo de sangue, quando deverá ser retirada a seringa e introduzido o cateter. Veia subclávia À artéria e ao plexo braquial. Temos tecnicamente duas opções de punção da veia subclávia que no caso são infraclavicular e supraclavicular. 1. Acesso infraclavicular: a) Colocar paciente em posição de Tredelemburg, girar cabeça para o lado contra-lateral a punção,posicionar um coxim sob os ombros; b) Escolher local de punção, embaixo e discretamente medial ao ponto médio da clavícula; c) Introduzir agulha do cateter 2 cm abaixo da clavícula, utilizar seringa de 10 ml; d) Avançar agulha lentamente e com discreta aspiração, orientada para fúrcula esternal e paralela a parede torácica, até que ocorra refluxo de sangue, desconectar seringa e progredir cateter; 2. Acesso supraclavicular: A VSC pode também ser puncionada por via supraclavicular. A agulha é introduzida rente à borda superior interna da clavícula, na bissetriz do ângulo formado por esta e o bordo medial do músculo esternocleidomastoideo, sendo direcionada para um ponto entre o mamilo contralateral ou porção média do manúbrio esternal. Este tipo de acesso para punção da VSC é pouco utilizado na prática clínica,por ser de alto risco. Veia femoral Localização: 1. Localizar o ligamento inguinal e palpar a artéria femoral logo abaixo do mesmo. 2. A veia femoral corre justa e medialmente à artéria. A sua localização é relativamente fixa, permitindo um alto grau de sucesso da punção;detergente de clorhexidina a 4 %, com 4% de álcool etílico. b. Solução alcoólica para anti-sepsia das mãos: Solução de álcool iodado a 0,5 ou 1 % (álcool etílico a 70%, com ou sem 2 % de glicerina); Álcool etílico a 70%, com ou sem 2% de glicerina; 2. Composto de iodo: O iodo é um halogênio pouco solúvel em água, porém facilmente solúvel em álcool e em soluções aquosas de iodeto de potássio. O iodo livre é mais bactericída do que bacteriostático, e dá um poder residual à solução. O composto de iodo mais usado é o álcool iodado a 0,5% ou 1 %. Em resumo: Os compostos iodados têm ação bactericida, bacteriostático e residua. 3. Iodóforos: o iodo pode ser dissolvido em polivinilpirrolidona (PVP), um polímero muito usado para detoxicar e prolongar a atividade farmacológica de medicamentos e também como expansor plasmático. Além de conservar inalteradas as propriedades germicidas do iodo, apresenta as seguintes vantagens sobre as soluções alcoólicas e aquosas desse agente, pois não queima, não mancha tecidos, raramente provoca reações alérgicas, não interfere no metabolismo e mantém ação germicida residual. São chamados de iodóforos e liberam o iodo lentamente, permitindo uma estabilidade maior para a solução. O iodóforo mais usado para a anti-sepsia das mãos é a solução degermante, de PVPI a 10% (1% de iodo ativo), em solução etérica, que é bactericida, tuberculicida, fungicida, virucida e tricomonicida. Essa solução tem a seu favor, o fato de não ser irritante, ser facilmente removível pela água e reagir com metais. Para as feridas abertas ou mucosas, (sondagem vesical), usamos o complexo dissolvido em solução aquosa. Para a anti-sepsia da pele integra antes do ato cirúrgico, usamos o complexo dissolvido em solução alcóolica. Em resumo: Os iodóforos têm ação bactericida, fungicida, virucida e ação residual. Infecções: 1. Endógenas: proliferação ou mudança de sítio do microrganismo, induzidos por algum fator predisponente do hospedeiro ou parasita. Maior fonte de contaminação; 2. Exógena: mãos de funcionários do hospital, aparelhos de ventilação, sondas e cateteres. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 5 4. Cloro-hexedina ou clorhexedina: é um germicida do grupo das biguanidas, apresenta maior efetividade com um pH de 5 a 8, e age melhor contra bactérias Gram-positivas do que Gram-negativas e fungos. Tem ação imediata e tem efeito residual. Para casos de alergia ao iodo, pode-se fazer a degermação prévia com solução detergente de clorohexidina a 4%. Em resumo: A ação da clorohexedina é germicida, melhor contra Gram-positivo e tem ação residual. 5. Álcool: Os álcoois etílico e isopropílico, em concentrações de 70 a 92 % em peso (80 a 95% em volume a 25oC), exercem ação germicida quase imediata, porém sem nenhuma ação residual e ressecam a pele em repetidas aplicações, o que pode ser evitado adicionando se glicerina a 2%. O álcool etílico é bactericida, age coagulando a proteína das bactérias, fungicida e virucida para alguns vírus, razão pela qual é usado na composição de outros antissépticos. Em resumo: O álcool etílico é bactericida, fungicida e virucida seletivo, sem ação residual. 6. Sabões e detergentes: Sabões são sais que se formam pela reação de ácidos graxos, obtidos de gorduras vegetais e animais, com metais ou radicais básicos (sódio, potássio, amônia etc), são detergentes ou surfactantes aniônicos porque agem através de moléculas de carga negativa. Preconiza-se o uso de sabão líquido no hospital e unidades de saúde e, como segunda opção, o sabão em barra ou sabonete, em tamanho pequeno. Em resumo: Os sabões têm ação detergente ou degermante. 7. Cloro e derivados clorados: O cloro é o mais potente dos germicidas que existem. Tóxico para todo tipo de matéria viva, é utilizado para desinfetar objetos, água de abastecimento e, até certo ponto, tecidos. Em resumo: O cloro é um potente germicida. 8. Compostos de prata: Sais de prata, solúveis ou coloidais, já foram utilizados na anti-sepsia das mucosas, exercendo sua ação através da precipitação do ion Ag. Em resumo: Os sais de prata são bacteriostáticos. 9. Desinfetantes oxidantes: Esses compostos se caracterizam pela produção de oxigênio nascente, que é germicida. A água oxigenada ou peróxido de hidrogênio é o protótipo dos peróxidos, entre os quais ainda se contam os peróxidos de sódio, zinco e benzila. Não deve ser aplicada em cavidades fechadas ou abscessos de onde o oxigênio não possa liberar-se. Em resumo: Os desinfetantes oxidantes têm ação germicida. 10. Derivados fenólicos: Os fenóis e derivados são conhecidos de longa data como venenos protoplasmáticos gerais, precipitando e desnaturando as proteínas. O fenol, em soluções diluídas, age como antisséptico e desinfetante, com espectro anti- bacteriano que varia com a espécie do micróbio, não sendo esporocida. Atualmente não mais se usa fenol como antisséptico ou desinfetante. Em resumo: O derivado fenólico tem ação bactericida e não esporocida, utilizados em instrumental. 11. Aldeídos: É desinfetante potente, com poder de penetração relativamente alto e baixa toxicidade, seu poder de potente redutor, reage com substâncias orgânicas e precipita as proteínas, germicida por excelência, age inclusive sobre os esporos. Em resumo: Os aldeídos têm ação bactericida e esporocida. 12. Derivados furânicos: A nitrofurazona (furacin) tem amplo espectro antibacteriano, interferindo no sistema enzimático dos microorganismos pela inibição do metabolismo dos hidratos de carbono, sendo usada apenas como tópico no tratamento de certas infecções assestadas na pele, feridas infectadas ou queimaduras, o uso continuo pode provocar intolerância e sensibilização. Não afeta a cicatrização, a fagocitose e a atividade celular e a sua eficácia persiste na presença de sangue, pus ou exsudato, diminui o mau cheiro e quantidade de secreção da ferida. Em resumo: Os derivados furanicos têm ação bactericida. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 6 Classificação de Spaulding O Sistema de Classificação de Spaulding divide os instrumentos e itens de assistência ao paciente em três categorias, as quais se referem ao uso indicado do dispositivo e não ao potencial grau de risco de contaminação. Classificação de Spaulding Críticos Artigos que entram em contato com tecido estéril ou sistema vascular. Implantes-próteses, materiais cirúrgicos, cateteres cardíacos, transdutores, agulhas, laparoscópicos, artroscópios Semicríticos Artigos que entram em contato com membranas mucosas e pele não intacta. Instrumentos de fibra ótica (broncoscópios, colonoscópios, endoscópios), tubos endotraqueais, circuitos de anestesia, circuito de terapia respiratória. Não críticos Artigos que entram em contato com pele íntegra. Estetoscópios, otoscópios, utensílios de refeição, roupas, eletroencefalógrafos, muletas. Conduta: Os itens críticos de assistência ao paciente são reprocessados para tornarem-se estéreis, ou seja, todos os micro-organismos, incluindo esporos de bactérias, são destruídos. Os itens semicríticos são processados com desinfecção de alto nível para eliminar todos os micro-organismos – exceto elevado número de esporos bacterianos. Os itens não críticos são processados com formas de desinfecção de nível baixo ou intermediário. Em resumo: Artigos críticos esterilização; Artigos semicríticos desinfecção de alto nível; Artigos não críticos desinfecção de baixo nível ou limpeza; Esterilização Técnica de esterilização Esterilização é a destruição de todos os organismos vivos, mesmo os esporos bacterianos, de um objeto. Para isso dispomos de agentes físicos e químicos. Meios de esterilização Físico Químico Calor seco: estufa, flambagem, fulguração; Calor úmido: fervura, autoclave; Radiação: raios alfam raios gama, raios X Desinfetante Para conseguir-se a esterilização, há váriosfatores importantes: Das características dos microorganismos, o grau de resistência das formas vegetativas; a resistência das bactérias produtoras de esporos e o número de microorganismos e da característica do agente empregado para a esterilização. Física Esterilização por calor: A susceptibilidade dos organismos ao calor é muito variável e dependem de alguns fatores, e dentre eles citamos: a) Variação individual de resistência, b) Capacidade de formação de esporos, c) Quantidade de água do meio, d) ph do meio, e) Composição do meio. Esterilização pelo calor seco: A incineração afeta aos microorganismos de forma muito parecida a como afeta as demais proteínas. Os microorganismos são carbonizados ou consumidos pelo calor (oxidação), assim, podemos usar a chama para esterilizar (flambagem) e a eletricidade (fulguração). O aparelho mais comum para a esterilização pelo calor seco é a estufa. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 7 As estufas são usadas para esterilizar materiais ¨secos¨, como vidraria, principalmente as de precisão, seringas, agulhas, pós, instrumentos cortantes, gases vaselinadas, gases furacinadas, óleos, vaselina, etc. A esterilização acontece quando a temperatura no interior da estufa atinge de 160 °C a 170 °C, durante 2 horas, ocorrendo destruição de microorganismos, inclusive os esporos. Esterilização pelo calor úmido: 1. Fervura: não oferece uma esterilização completa, pois a temperatura máxima que pode atingir é 100 °C. a. Cuidados na esterilização pela fervura: Devem-se eliminar as bolhas, pois estas protegem as bactérias - no interior da bolha impera o calor seco, e a temperatura de fervura (100 °C), este calor é insuficiente para a esterilização; Devem-se eliminar as substâncias gordurosas e protéicas dos instrumentos, pois estas impedem o contacto direto do calor úmido com as bactérias. Esterilização pelo vapor sob pressão (autoclave): Age através da difusão do vapor d'água (121 a 132 °C) para dentro da membrana celular (osmose), hidratando o protoplasma celular, produzindo alterações químicas (hidrólise) e coagulando mais facilmente o protoplasma, sob ação do calor. A ação combinada de temperatura, pressão e da umidade são suficientes para uma esterilização rápida, de modo que vapor saturado a 750 mmHg e temperatura de 121ºC são suficientes para destruir os esporos mais resistentes, em 30 minutos. Essa é a combinação mais usada, servindo para todos os objetos que não estragam com a umidade e temperatura alta como panos meios bacteriológicos, soluções salinas, instrumentais (não os de corte), agulhas, seringas, vidraria (não as de precisão ) etc. Usando-se vapor saturado a 1150 mmHg e 128º C, o tempo cai para 6 minutos, podendo se assim evitar a ação destruidora do calor sobre panos e borracha. Em casos de emergência, usamos durante 2 minutos a temperatura de 132ºC e 1400 mmHg. Flambagem: O Ministério da Saúde, através da portaria 930 de 27 de agosto de 1992, relaciona a flambagem como meio possível de esterilização nas laboratórios de microbiologia para a manipulação de material biológico ou transferencia de massa bacteriana pela alça bacteriológica e para a esterilização de agulhas, na vacina de BCG intradérmico. Radiação: radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termossensíveis, (seringa de plástico, agulha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar em baixas temperaturas, é um método disponível em escala industrial devido aos elevados custos de implantação e controle. 1. Radiação ionizante: (raios beta, gama, (cobalto), X, alfa ). Tem boa penetrabilidade nos materiais mesmos já empacotados o que justifica a sal comodidade. 2. Radiações não ionizantes: (raios ultravioleta, ondas curtas e raios infravermelhos) devido a sua baixa eficiência está vetado o seu uso pelo Ministério da Saúde desde 1992. Química Éter cíclico - Óxido de etileno: É um gás incolor, inflamável, tóxico, altamente reativo, é completamente solúvel em água, álcool, éter e muitos solventes orgânicos, borracha, couro e plásticos. É bactericida esporicida e virucida. Eficaz em emperatura relativamente baixa, penetra em substâncias porosas, não corroe ou danifica materiais, age rapidamente, removível rapidamente. Esterilização pelo óxido de etileno: Necessita de três unidades: aparelho de autoclave combinado, gás e vapor; aparelho de comando que vai misturar o gás, e o freon na concentração pré-estabelecida e o aparelho aerador. 1. Condições: Existem quatro condições que são primordiais e que guardam relação entre si para que o óxido de etileno se torne um agente esterilizante: a. Tempo - o tempo de exposição ao gás varia de acordo com a temperatura do aparelho, Bioindicadores: Podemos usar ampolas contendo 2 ml de caldo de cultura com açúcares mais um indicador de pH e esporos de bacilo Stearo thermophilus (espécie não patogênica), esporo estes que morrem quando submetidos a 121ºC por 15 minutos. Incuba-se por 24 a 48 horas a 55ºC, e se a esterilização foi suficiente a cor violeta não se altera. Podemos também usar cadarços embebidos com suspensão salina de cultura de Bacilo subtilis (em esporulação acentuada) colocados no interior de um campo cirúrgico dobrado, que será colocado no centro dos pacotes, caixas ou tambores. Findo o prazo de esterilização, o cadarço é enviado para cultura no laboratório. (o Bacilo subtilis não é patogênico e é um dos mais resistentes ao calor). Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 8 b. Temperatura - Geralmente utiliza a temperatura de 55°C e a exposição em 2 horas. Em temperaturas mais baixas necessitamos de exposições maiores e vice-versa. c. Umidade relativa - usa de 20 a 40%, d. Concentração do gás - usa a concentração de 450 mg/L de espaço da câmara esterilizadora. Por ser altamente inflamável quando puro, usamos misturar com dióxido de carbono (90%) ou freon (80%). 2. Técnica: a. Preparo do material - deverão estar completamente limpos e secos. O material que os empacota deve ser permeável, flexível e forte para aguentar a manipulação normal do processo de esterilização. Usar fitas adesivas para identificação e indicadores de óxido de etileno dentro dos pacotes. b. Não sobrecarregar o esterilizador para evitar bolsões isoladores e também o rompimento e abertura dos pacotes durante o aumento de pressão da câmara. c. Aeração - o objetivo é ventilar para remover o gás contido no material esterilizado e sendo executado a 50ºC, o tempo varia de acordo com o tipo de material, assim: - Borracha e material plástico fino = 6 horas - Borracha e material plástico grosso = 24 horas - Marca passos internos = 4 dias - Luvas, cateteres e outros materiais em invólucros de plásticos = 7 dias - Qualquer tubo de cirurgia cardíaca = 7 dias 3. Vantagens: - É bactericida, esporocida e virucida; - Agente esterilizante em temperatura relativamente baixa; - Facilmente removível; - Fácil de obter, armazenar e manusear; - Penetra em qualquer material permeável e poroso; - Esteriliza uma grande variedade de instrumentos e equipamentos sem danificar a maioria; - É método simples, eficaz econômico e seguro; - O material esterilizado pode ser estocado por período prolongado; 4. Desvantagens: - Necessita de controle cuidadoso da concentração de gás, temperatura e umidade. - A aparelhagem é cara e requer supervisão técnica especializada. - O gás etileno possui efeito tóxico. - O processo é demorado. - A utilização do aparelho é limitada a estabelecimentos grandes. Aldeído: Glutaraldeido a 2%, associada a um antioxidante, por 8 a 12 horas, é usado para esterilizar material de acrílica, cateteres, drenos, nylon, silicone, teflon, pvc, laringoscópicos e outros). Formaldeído, usado tanto na forma líquida ou gasosa por 18 horas. Paraformaldeído, as pastilhas tem ação esterilizante na concentração de 3 gramas por 100 centímetros cúbico de volume do recipienteonde o material é esterilizado por um período de 4 horas a 50°C. Outros, Ácido paracético: Ácido peracético, usado como desinfetante e esterilizante para cateteres, tem a vantagem que ao se decompor origina ácido acético, água, oxigênio e peróxido de hidrogênio. Em altas concentrações, o ácido peracético, tem odor pungente e riscos de explosão e incêndio. O mecanismo de ação é desnaturação protéica, perda da permeabilidade da membrana celular e oxidam o radical sulfidril e súlfur das proteínas, enzimas e outro metabólitos. O peróxido de hidrogênio é um agente químico esterilizante tanto na sua forma líquida, gasosa e plasma, inativa bactérias, vírus, bacilos da tuberculose, fungos e alguns esporos. É um agente altamente oxidante, tóxico, irritante em relação à pele e aos olhos. Age produzindo radicais hidroxilas livres que atacam a membrana lípidica do DNA e outros elementos da célula microbiana. Novas tecnologias vêm complementar os processos físicos existentes, mas nunca a substituir e, em todas elas, a eficácia da esterilização fica comprometida na presença de sujidade nos materiais processados. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 9 Cuidados Para com o paciente Muitos são os fatores ligados ao doente que influem na maior ou menor possibilidade de contaminação. Assim, por exemplo, a idade, alterações metabólicas (p. ex.: diabete, obesidade, subnutrição e tratamentos prolongados com esteroides). Vários outros fatores, no entanto, influem na acidental ou incidental contaminação: A duração da hospitalização; O tempo de cirurgia; Contaminação ambiental; Uso de drenos ou sondas; Tamanho da incisão, etc; O preparo do doente deve ser iniciado de véspera: Banho geral; Lavagem da cabeça, axilas e genitálias; Troca-se a roupa pessoal e a de cama; Obs.: há contraindicações sobre o banho no dia da cirurgia. A tricotomia (raspagem dos pelos) deve ser feita no dia da intervenção, e segundo alguns autores, no próprio centro cirúrgico. A tricotomia na véspera pode provocar foliculite ou infecção por algum microrganismo presente na pele. É recomendado que o paciente fosse introduzido no centro cirúrgico sem os lençóis e cobertores com quem saiu da enfermaria ou do quarto. Antissepsia do campo operatório: Lavar-se cuidadosamente (10 minutos) o local a ser operado com sabão detergente antisséptico com formulações à base de hexaclorofeno. Preparo da equipe Banho: o paciente deve tomar banho na noite anterior à operação com sabão antisséptico, a não ser que seja aplicado após o banho, na pele, creme à base de lanolina ou similar. Roupas: as roupas rotineiras devem ser trocadas antes de se adentrar ao centro cirúrgico. Colocam-se a calça e blusa esterilizadas, após a retirada de toda a roupa anteriormente usada. Gorros e toucas: devem cobrir todo o cabelo, impedindo que este seja fonte de contaminação. Máscaras: deve abranger boca e nariz. Pequena alça metálica maleável na parte média de sua borda superior impede o embaçamento do óculos. Alguns preceitos merecem ser obedecidos para tornar realmente eficaz o uso da máscara. 1. A máscara deve ser repetidamente trocada durante as operações duradouras, uma vez que sua eficiência decresce após ser usada por alguns minutos; 2. Coloque a máscara junto à face, de modo a melhor filtrar o ar eliminado; 3. Evite a expiração forçada (tosse, espirro), assim como a fala para aumentar sua segurança; Pessoas com infecções das vias respiratórias superiores não devem entrar em sala operatória. Ela deve ser descartada após o uso. Mãos: há dois tipos de microbiota na pele: 1. Transitória: compõe-se de variedades sem limites, localizando-se nas regiões mais expostas, uma vez que as bactérias as bactérias ficam agregadas a partículas de poeira que se aderem à gordura da pele. São removidas com certa facilidade, pela simples lavagem com água e sabão; 2. Permanente: é de mais difícil remoção. Sua redução por qualquer meio de antissepsia é transitória, logo se restabelecendo a seu nível anterior. Técnica de lavagem das mãos: 1. Antes de iniciar a lavagem das mãos, cortar, se necessário, as unhas e limpá-las. Escovar rigorosamente pelo menos por sete minutos, controlados em relógio, com antisséptico e água quente corrente. Todas as partes das mãos e antebraços devem ser lavadas e escovadas. Retirar a espuma várias vezes e substituí-la por novas camadas durante a lavagem; 2. Terminada a lavagem, deve-se enxugar as mãos com toalha esterilizada, a fim de serem removidos a água e vestígios de sabão residual, sob pena de enfraquecer a solução antisséptica; 3. Imergir as mãos e antebraços em recipiente com álcool a 95% para completar a remoção da pele; 4. Imergir as mãos e antebraços em álcool a 75% durante três minutos; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 10 Aventais: os pontos vulneráveis de um avental estão nas regiões das golas, mangas, acima das luvas e por sua abertura interior. A abertura inferior das calcas também contribui acentuadamente par a dispersão de bactérias. Estas devem ser amarradas ou introduzidas para dentro das botas, pois a disseminação de bactérias ocorre como resultado da fricção entre áreas de grande contaminação, sendo que muitas bactérias são eliminadas pelo movimento dos MMII; Luvas: muitas infecções ocorrem por furos eventualmente despercebidos nas luvas, como facilmente ocorrem em operações torácicas, ortopédicas ou neurológicas. Graus de recomendação* Grau de recomendação e nível de evidencia A 01 Revisão sistemática de ensaio controlado e aleatório 02 Ensaio controlado e randomizado de IC pequeno B 03 Outros ensaios clínicos Categoria IA: Não remover pelos; Se o pelo for removido, utilizar preferencialmente o cliper elétrico; Razoes atribuídas as remoções dos pelos: Facilitar a antissepsia; Facilitar a visualização do local da incisão; Evitar que os pelos caiam na cavidade; Evitar que os pelos interfiram na técnica de sutura; Remoção de pelos – como: Área mais restrita possível; Sobre a pele previamente limpe pelo banho pré- operatório; Técnica limpa ou estéril; Banho pré-operatório: Na residência e no dia da operação (categoria IB); Água corrente; Sabonete comum ou antisséptico não irritante; Roupa limpa após o banho; Redução da flora transitória da pele: Uso de antissépticos: o Controverso; o Não demonstrou reduções significativas nas taxas de SSI; o Utilizar em situações específicas como próteses, transplantes, etc.. Preparo da pele do paciente: Fazer limpeza escrupulosa da pele (solução degermante); Usar antisséptico apropriado para preparação da pele; Antissepsia da pele do paciente: Categoria II Antissepsia em círculos concêntricos em direção à periferia; Área ampla incluindo a possível ampliação da cirurgia ou inserção de drenos; Taxa de infecção de sítio cirúrgico de acordo com o tipo de remoção dos pelos: Lâminas de barbear: 5,6% Agente depilatório: 0,6% Não remoção dos pelos: 0,6% Taxa de infecção de sítio cirúrgico de acordo com o tempo antes da cirurgia: Imediatamente antes: 3,1%; 24 horas antes: 7,1%; Mais que 24 horas: 20%; Seleção do antisséptico: Clorohexidina; Iodóforo (PVPI): o Pele: alcoólico; o Mucosa: aquoso; Não se recomendam outros antissépticos Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 11 Aplicar sobre a pele limpa; Evitar a incompatibilidade entre soluções antissépticas; Escovação: categoria IB: fazer a antissepsia com solução de PVP-I ou clorexidina por 3-5 minutos Outras medidas de controle: Intra-operatório: o Paramentação cirúrgica completa; o Técnica cirúrgica; o Uso de drenos; o Cuidados com material esterilizado; o Manter a porta da sala fechada; o Número de pessoas reduzido; Pós operatório:curativo o Manter estéril por 24 horas; o Manipulação asséptica; o Orientar o paciente quanto aos cuidados com incisão; Escovação e Paramentação Finalidade: Eliminar a microbiota transitória da pele e reduzir a permanente; Antes de lavar as mãos, se necessário, cortar e limpar as unhas; Escovação: 3 a 5 minutos na 1ª operação; 2 a 3 minutos nas subsequentes; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 12 A lavagem das mãos para a realização do procedimento cirúrgico deve ser feita sempre em local adequado, com escovas específicas (contendo material degermante), fornecidas pelo hospital. Preferentemente o lavatório deve estar em frente a um espelho (para que a revisão da vestimenta, gorro, máscara, etc. possa ser realizada) e possuir acionamento sem necessidade das mãos de fluxo de água corrente tratada. Existem rotinas variadas, que pretendem definir o modo correto de escovação das mãos, contudo nenhuma rotina de lavagem mostrou superioridade sobre as demais rotinas propostas. Para uma escovação efetiva, deve-se atentar para que o início seja na parte distal (pelos dedos), evoluindo então para o sentido proximal, passando por dorso e palma das mãos, punhos e, após, antebraços até os cotovelos. Nenhuma parte das mãos e do antebraço deve ser esquecida, tomando cuidados especiais com as zonas interdigitais e unhas, as quais são mais comumente mal-lavadas. Preconizamos sequencialmente a lavagem das duas mãos, depois dos punhos e só após evoluir para antebraços. Ainda no contexto de degermação/antissepsia evolutiva, a escova que entra em contato com punhos não volta para as mãos, e quando entra em contato com antebraços não volta a tocar as regiões mais distais (punhos e mãos). Idealmente este processo de escovação deve durar entre 3 e 5 minutos. O sentido da passagem das cerdas (“vai e volta” ou somente “vai”) não interfere no processo, desde que não haja contato com áreas distais após a escovação das áreas proximais. Não há recomendação para manutenção de antisséptico na pele após o término da escovação. O enxágue também deve ser realizado no sentido distal para o proximal, permitindo que a água escorra das mãos para os cotovelos. Deve-se tomar cuidado especial para não contaminar as mãos e antebraços durante esse procedimento. A água que toca as partes distais do antebraço não deve entrar em contato com a mão. Não se deve sacudir ou balançar mãos e antebraços. Os antebraços devem ser mantidos fletidos, com as mãos erguidas, até a vestimenta adequada. A secagem das mãos é realizada dentro da sala cirúrgica com compressa dobrada. Primeiro secam-se as mãos até os punhos. Depois usa-se cada lado da compressa dobrada para secar cada um dos antebraços até os cotovelos. Como regra, sempre que um membro é secado, dobra-se a compressa ao meio de forma que a face utilizada fique virada para dentro, não entrando novamente em contato, portanto, com o outro membro. O avental cirúrgico deve ser colocado de forma que nenhuma parte do corpo toque o lado externo do mesmo. As duas mangas devem ser vestidas, e o posicionamento adequado do avental é feito com a ajuda do circulante (por tração). Tocar o avental em sua porção anterior, mesmo que com as mãos escovadas, significa contaminação. Para o posicionamento do avental com a proteção das costas do componente da equipe cirúrgica, deve-se ter o auxílio de outro componente da equipe, para rodar o tecido com segurança, sem contaminação. Para calçar as luvas sem o auxílio do instrumentador, deve-se, primeiramente, abrir o invólucro em que estão contidas e pré- dobradas, para que fiquem expostas. Em seguida, pega-se pelo punho interno (por dobradura) das luvas com uma das mãos, introduz-se a outra mão completamente dentro da luva que ficou exposta. Então, segura-se a outra luva, com a mão já vestida, pela prega externa pré-dobrada do punho, auxiliando-se, assim, a colocação da segunda luva. Após as duas luvas terem sido calçadas, puxam-se as pregas da luva para cobrir os punhos e se posiciona a luva de forma adequada nas mãos e nos dedos. As mãos, mesmo escovadas, não devem tocar a parte externa das luvas, sob pena de contaminação. O instrumentador pode auxiliar o profissional no calçamento das luvas. Nesse caso, por convenção, a primeira luva a ser exposta deve ser a da mão dominante do cirurgião. O cirurgião toca com a mão as superfícies internas da luva e, com a luva já calçada, as superfícies externas. Após devidamente paramentado para o procedimento, as mãos devem permanecer entre a linha dos mamilos e do umbigo até o momento de entrar no campo cirúrgico, uma vez que as áreas acima da linha do mamilo e abaixo do umbigo são consideradas contaminadas, mesmo com a paramentação tendo sido feita de forma adequada. Movimentos de grande amplitude devem ser evitados para reduzir os riscos de contaminação. Todo o procedimento de escovação, secagem e vestimenta do indumentário cirúrgico é gradativa descontaminação. Considera-se estéril somente a porção externa de luvas e avental cirúrgico. O contato destas partes com qualquer objeto que não esterilizado (incluindo mãos escovadas) é considerado como contaminação. A dúvida sobre contaminação ou não deve indicar reinício de processo. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 13 Escovação das mãos e antebraços com água e sabão. A – borda ulnar da mão e do dedo mínimo; B – unhas; Escovação de dedos, mãos e antebraço. Os números indicam a ordem de sequencia. A – face volar; B – face dorsal; Ato de vestir avental esterilizado. A – maneira correta de manter os antebraços após a lavagem das mãos. B – o avental é segurado com ambas as mãos, as quais a seguir, são introduzidas ao mesmo tempo através das respectivas mangas. C – o auxiliar de sala traciona por trás o avental segurando pelo lado interno. D – os cintos são mantidos afastados do corpo pelo cirurgião enquanto o auxiliar de sala os apanha pelas pontas a fiem de serem amarradas. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 14 Calcamento das luvas estéreis. A – uma fina camada de talco estéril é passada sobre as mãos e dedos. B – as luvas são seguradas apenas na face interna dos punhos. C e D – calcamento da luva esquerda. E e F – calcamento da luva direita. G e H – os punhos das luvas devem recobrir inteiramente o avental. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 15 Ambiente cirúrgico Introdução Ambiente cirúrgico O bloco cirúrgico é um dos locais com maior número de regras e restrições referentes à circulação e postura dos profissionais e estudantes dentro de um hospital. O não respeito a essas regras e restrições podem ocasionar danos graves ao paciente ou profissional envolvido. O procedimento cirúrgico-anestésico, atuando de forma aguda na homeostase do paciente, exige absoluta precisão e cuidado, para o reestabelecimento adequado do paciente. O ambiente cirúrgico deve ser o mais asséptico possível, e todos os cuidados para evitar contaminações e danos aos pacientes devem ser tomados. O centro cirúrgico é considerado setor a parte no ambiente hospitalar. Mesmo regras comuns são intensificadas neste ambiente. Um processo contínuo de degermação e minimização de fatores ambientais é exigido ao adentrar ao bloco cirúrgico. O claro objetivo de todas as ações é isolar o ambiente de contaminantes e fatores externos que possam interferir de forma negativa nos procedimentos ali realizados. As roupas específicas (calça, jaleco cirúrgico, propés, máscara e gorro) devem ser utilizadas, não sendo permitido nem mesmo a utilização de roupas íntimas que fiquem expostas sob a indumentária cirúrgica. Os propés, ou calçados específicos, devem ser utilizados somente a partir da sinalização física, que representa a área interna do bloco cirúrgico. Os gorros devem ser postos ainda no vestiário e cobrir todo cabelo, e a utilizaçãoda máscara cirúrgica é obrigatória dentro das salas cirúrgicas sempre que houver algum instrumento esterilizado exposto. A abertura e consequente exposição do material esterilizado deve ser realizada em tempo mais próximo possível ao ato cirúrgico. A partir de então as portas da sala de cirurgia devem permanecer fechadas. O número de pessoas circulantes na sala deve ser minimizado. Dentro da sala de cirurgia, o profissional que não for participar do procedimento deve se posicionar de forma que não atrapalhe a movimentação dos profissionais atuantes e não contamine o campo cirúrgico, os profissionais envolvidos na cirurgia e o instrumental a ser utilizado. Devem estar disponíveis no ambiente luvas estéreis e não estéreis (de procedimento) para evitar contaminações e para proteção individual. Além da equipe médica, a sala de cirurgia deve contar com instrumentador e profissional circulante de sala. Como regra para evitar contaminações inadvertidas, estes últimos devem ser encarregados da abertura do material esterilizado e zelo deste até a entrada do cirurgião após escovação. Desde então, mas com auxílio de toda equipe, é responsabilidade do cirurgião zelar pelo adequado andamento do procedimento. O posicionamento dos campos cirúrgicos esterilizados, atuantes como método de barreira, deve ser realizado após aplicação de antissépticos no sítio operatório. Deve ser considerado o local planejado para incisão e possíveis ampliações. A aplicação do antisséptico obedece à orientação centrífuga, com troca das gazes sempre que estas atuarem nas regiões mais afastadas do sítio operatório. Se considerada possibilidade de extravasamento de fluidos orgânicos e/ou umedecimento dos campos durante a cirurgia há de posicionar-se campos plásticos impermeáveis imediatamente antes. O posicionamento e fixação dos campos devem expor somente a área de incisão e possíveis ampliações da mesma. O posicionamento dos profissionais, dentro do campo cirúrgico, em sítio cirúrgico supra-umbilical, dá-se com: Cirurgião posicionado à direita do paciente, mais próximo da cabeça do mesmo; 1º auxiliar deve ser posicionado imediatamente à frente do cirurgião; 2º auxiliar posicionado à direita do cirurgião; Instrumentador posicionado à esquerda do 1º auxiliar, junto à transição pélvica. Cirurgias de cabeça e pescoço, pélvicas, craniais ou de membros podem exigir posicionamento diferente dos mencionados. Como regra, o cirurgião deve ter acesso adequado ao sítio operatório por membro dominante. Proteção do ambiente cirúrgico Paramentação cirúrgica: A paramentação cirúrgica é utilizada sempre quando formos realizar algum procedimento cirúrgico. A mesma barreira microbiológica contra penetração de microrganismos no sítio cirúrgico do paciente, oriundos dele mesmo, dos profissionais, materiais, equipamentos e ar ambiente. A composição da paramentação cirúrgica é: Avental cirúrgico (preferencialmente impermeável); Campos cirúrgicos (preferencialmente impermeáveis), oleados, fronha mayo (preferencialmente impermeável); Opas, luvas, gorro (preferencialmente descartáveis); Objetivos: Controle da infecção de sítio cirúrgico (ISC); Controle da infecção hospitalar (IH); Segurança do paciente; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 16 Segurança da equipe cirúrgica (risco ocupacional); Qualidade na assistência prestada ao paciente no ambiente cirúrgico; Campos são usados para fornecer uma área de trabalho microbiologicamente limpa em torno da incisão cirúrgica. Se eles delimitarem a ferida e forem rigidamente fixados à pele, também reduzem a transferência da flora da pele do paciente para dentro da incisão cirúrgica. Campos são, também, utilizados para controlar a propagação de fluídos corporais potencialmente contaminados, a partir da área da incisão. Recomendações para redução de ISC em relação ao vestuário: Usar capotes e campos cirúrgicos estéreis que sejam barreiras efetivas caso sejam molhados (materiais que resistam à penetração de líquidos) – categoria Ib Trocas vestimentos e uniformes que estiverem visivelmente sujos, contaminados e/ou manchados por sangue ou outro material potencialmente infeccioso – categoria Ib Tipos de paramentação cirúrgica: Atualmente são nos apresentados dois tipos de paramentação cirúrgica: 1. Tecido de algodão a. Popularmente conhecida; b. É reutilizável; c. Deve ser confeccionados com 100% algodão e textura de aproximadamente 4 a 56 fios por cm2; d. Tecido sempre pode “encolher” ou “desbotar”; e. Não aquece muito como vestimenta cirúrgica (o ambiente cirúrgico deve manter uma temperatura entre 21ºC a 25ºC); f. Não é impermeável (um de seus maiores problemas); g. Necessário uso de lavanderia e posteriormente esterilização; h. A durabilidade do tecido é de aproximadamente três meses (65 vezes entre lavagens e autoclavagens); i. No Brasil, não há uma normativa com o prazo de validade do tecido; j. ANVISA não exige o registro do tecido; k. Proibido utilização do tecido cerzido, remendado, com furos o/ou rasgos; 2. Descartável: a. Confeccionado com apenas uma matéria prima SMS; b. Descartável; c. Possui normativa; d. Possui ficha de informação de segurança para produtos químicos (FISPQ); e. Possui registro na ANVISA; f. Impermeável; g. Encontrado no mercado: capote avulso com compressa e kits cirúrgicos; A norma ABNT NBR 16064: Especifica os requisitos de fabricação e processamento, assim como os métodos de ensaio para avaliação das características dos produtos de saúde. Define os requisitos de desempenho de campos cirúrgicos, aventais cirúrgicos e de uso único ou reutilizáveis, utilizados como produtos para saúde por paciente e profissionais da saúde para equipamentos, destinados a prevenir a transmissão de agentes infecciosos entre paciente e a equipe cirúrgica durante cirurgia ou outros procedimentos invasivos. Paramentação cirúrgica: Portanto, ao escolher o tipo de paramentação cirúrgica, devemos sempre levar em conta: Qualidade na assistência prestada ao cliente, paramentação atende às recomendações de prevenção da ISC; Segurança da equipe cirúrgica; Segurança do paciente; Diminuindo, assim, o risco de infecção hospitalar; Profilaxia em cirurgia Antimicrobianos Entende-se que a etiologia da resistência bacteriana é multifatorial e complexa. Embora sejam necessários estudos futuros para elucidar a contribuição de alguns aspectos, o uso de antimicrobianos, sobretudo o seu uso abusivo, é considerado um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da resistência. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 17 Uso racional A existência de uma política voltada para o uso racional de antimicrobianos causa maior impacto no ambiente hospitalar, provavelmente por se tratar de uma comunidade fechada, onde é possível selecionar as drogas disponíveis, estabelecer uma normatização apropriada pela diretoria da instituição, a discussão dos casos com especialistas e ter, como ponto de reforço, a redução nos custos de forma considerável. Existem diversos métodos para o controle do uso de antimicrobianos em hospitais. Porém, o que não pode faltar é um programa de educação médica continuada, que deve nortear a política racional para o uso de antimicrobianos. Este programa precisa ser contínuo, progressivo e envolver a graduação e a pós-graduação médica, nos hospitais universitários e ligados à universidade. Estudos apontam que os especialistas em infectologia contribuem para a melhor utilização dos antimicrobianos e dos recursos diagnósticos. No Hospital São Paulo – UNIFESP, em sua tese de doutorado, Pereira (1997) demonstrou a melhor adequação da terapia antimicrobiana e a redução da letalidade em episódios de bacteremia, por meio da avaliação dos relatórios de microbiologia realizada por infectologistas. O treinamento médico constitui parte importante do programa de diminuição daresistência aos antimicrobianos. A instituição de um programa de controle do uso de antimicrobianos é uma estratégia que contribui para seu uso adequado. Podem ser realizadas auditorias para adequação do uso de antimicrobianos: este controle pode ser realizado por médicos especialistas em doenças infecciosas (infectologistas), freqüentemente ligados a CCIH ou especificamente contratados para esta finalidade. Estes especialistas poderão controlar todos os antimicrobianos prescritos na instituição, antes ou após a sua introdução. Ou ainda, controlar alguns antimicrobianos selecionados, antes ou após o início da terapêutica. Restrições do número de antimicrobianos no formulário terapêutico do hospital, estão entre os mecanismos mais comuns de controle adotados em hospitais de ensino. O formulário terapêutico de cada hospital deve conter o número mínimo de agentes necessários para uma terapêutica antimicrobiana adequada das infecções mais comuns da instituição. Os antimicrobianos mais frequentemente controlados são, as cefalosporinas de terceira e quarta gerações: aztreonam, carbapenens, quinolonas, glicopeptídeos (vancomicina e a teicoplanina), oxazolidinonas (linezolida), glicilciclinas (tigeciclina) e as drogas antifúngicas (voriconazol e cancidas) . A justificativa por escrito para o uso de agentes antimicrobianos considerados de uso restrito, normalmente os mais novos, mais onerosos, e de maior espectro de ação e potencial de indução de resistência, é um método efetivo para melhorar o uso destas drogas. A requisição força o médico a explicar ou justificar racionalmente sua conduta. Introdução à profilaxia A profilaxia antimicrobiana em cirurgia é um instrumento importante na prevenção da infecção do sítio cirúrgico (ISC), no entanto, sua ação é limitada, razão pela qual não substitui as demais medidas de prevenção. Adicionalmente, a profilaxia cirúrgica está diretamente ligada ao desenvolvimento de microbiota resistente, razão pela qual seu uso deve ser racional e justificado tecnicamente. A eficácia da profilaxia depende diretamente do modo de sua administração: o momento de início, a repetição intra-operatória e a sua duração. Início da profilaxia Um dos mais importantes princípios da prescrição de profilaxia antimicrobiana é o momento em que a primeira dose é iniciada. Antimicrobiano iniciado incorretamente pode comprometer a sua eficácia, independente da dose ou duração do esquema. A contaminação da ferida operatória ocorre quando há exposição de órgãos e tecidos internos. Portanto é importante ressaltar: O antimicrobiano deve estar presente nos tecidos manipulados no momento em que há exposição aos microorganismos! Recomenda-se o início da profilaxia no momento da indução anestésica, o que garante o pico da concentração do antimicrobiano no momento em que há exposição dos tecidos. Profilaxia iniciada três ou mais horas após o início da intervenção é ineficaz, independente da duração do uso. Em obstetrícia, recomendações anteriores preconizavam o uso de antimicrobianos no momento do clampeamento do cordão, para se evitar a transferência do antimicrobiano para a criança. No entanto, a literatura hoje já mostra dados suficientes para se afirmar que o risco desta transferência é mínimo e que o antimicrobiano pode ser administrado da maneira convencional. A dose do antimicrobiano a ser utilizada é a habitual. Não há evidência em literatura de que a primeira dose do antimicrobiano deva ser superior às doses convencionais, exceto em pacientes com peso superior a 80kg. Repetição intra-operatória Um parâmetro importante é a concentração tecidual do antimicrobiano, que vai decaindo mais rapidamente que no soro, devido a diversos fatores como as diversas alterações hemodinâmicas locais no sítio operatório. Recomendações baseadas em estudos com animais e também estudos clínicos sugerem a administração de uma nova dose do antimicrobiano em períodos fixos ou em caso de perda maciça de sangue. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 18 Duração da profilaxia Após o encerramento da operação, a contaminação do sítio operatório é rara, embora não impossível. Portanto, em teoria, doses adicionais de antimicrobianos não seriam indicadas. Há extensa literatura que respalda a prática da dose única de antimicrobianos. Sistematicamente, estudos vêm mostrando a ausência de justificativa para o uso prolongado de antimicrobianos profiláticos. Mesmo que haja eficácia, o potencial benefício da administração prolongada será certamente obscurecido pelo desenvolvimento de efeitos adversos e colonização por microbiota resistente. Os resultados desses estudos são conclusivos? Os resultados destes estudos são suficientes para concluirmos que para a maior parte dos procedimentos em que a profilaxia é indicada, doses de antimicrobianos no pós-operatório são desnecessárias e indesejadas. Algumas exceções são: Operações onde baixos inóculos bacterianos são suficientes para o desenvolvimento de ISC merecem administração de antimicrobianos por um período total de 48 horas. É o caso do implante de próteses de grande porte. Prolongamento de profilaxia por 24 horas pode estar indicado em operações onde estudos clínicos ainda não respaldam a administração por tempo curto. Podem ser citadas a cirurgia cardíaca e a cirurgia de cólon. Também para cirurgias arteriais de membros inferiores a literatura ainda não mostra evidência quanto à segurança da profilaxia restrita ao intra-operatório. Duração prolongada não é recomendada quando o paciente persiste com drenos, sonda vesical, cateter venoso ou cânula orotraqueal, uma vez que a profilaxia não é eficaz nesta situação. Escolha antimicrobiana Alguns critérios para utilização dos antimicrobianos devem ser seguidos. O antibiótico deve ter apresentação parenteral, possuir mínima toxicidade e custos, ser fraco indutor de resistência e farmacocinética adequada, além de possuir atividade contra a maior parte dos patógenos causadores de ISC na instituição. Não pode ser esquecido um critério fundamental: a partir do momento que estamos expondo uma grande quantidade de pacientes a um antimicrobiano específico, é possível o desenvolvimento de resistência a este antibiótico na instituição; portanto, o antimicrobiano escolhido não deve ser aquele mesmo indicado para o tratamento de infecções hospitalares graves. As cefalosporinas são os antimicrobianos com o perfil mais próximo do descrito. A cefazolina e a cefuroxima são os antimicrobianos mais estudados. Existe controvérsia sobre a diferença entre a potência anti-estafilocócica das duas drogas. A cefuroxima apresentará vantagem quando se necessitar concentrações em sistema nervoso central, ou quando a incidência de infecções pós-operatórias causadas por enterobactérias na situação abordada for maior do que a encontrada na maioria das cirurgias limpas. Para as demais situações, análise de custo-benefício é recomendada. Embora muito utilizada em nosso meio, fora do Brasil a cefalotina quase não é usada em profilaxia. A principal razão são suas características farmacológicas, que exigem repetição a cada duas horas no intra-operatório. Outros casos: A cefoxitina possui excelente ação sobre bacilos aeróbios e anaeróbios gram-negativos, e uma ação no mínimo pouco confiável sobre estafilococos. Por esta razão, só deve ser indicada em situações onde a contaminação por gram-negativos e anaeróbios prepondera. É o caso das operações de cólon, onde é uma das boas escolhas possíveis, O sulfametoxazol-trimetoprim, a clindamicina isoladamente, aminoglicosídeos associados à clindamicina ou ao metronidazol são alternativas para o uso de cefalosporinas, A vancomicina deve ser restrita para situações excepcionais, Embora possuam eficácia, as quinolonas, cefalosporinas de terceira e quarta geração e os carbapenêmicos não são superiores aos esquemas propostos, e devido ao potencial desenvolvimento de resistênciae também devido aos custos não devem ser utilizados para esta finalidade. Critérios para indicação da profilaxia No momento da indicação da profilaxia, normas genéricas podem ser utilizadas. No entanto é importante lembrar que apesar da presença de princípios teóricos sólidos, somente estudos clínicos metodologicamente bem conduzidos possuem a capacidade de nos levar a condutas seguras e bem respaldadas. No momento da confecção de rotinas para um serviço ou instituição, revisão bibliográfica cuidadosa deve ser realizada. Anteriormente, a indicação da profilaxia dependeria da classificação da operação. No entanto hoje esta indicação foi refinada, levando-se em consideração também as condições do paciente. De um modo genérico, a profilaxia pode ser indicada nas seguintes condições: O risco de desenvolvimento de ISC é alto, como nas cirurgias de cólon. O risco de desenvolvimento de ISC é baixo, mas se a infecção ocorre, suas conseqüências são potencialmente desastrosas. É o caso de implante de próteses e cirurgia cardíaca. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 19 Embora o risco de ISC seja baixo, o paciente tem uma grande propensão à infecção. Os critérios para se determinar a propensão não estão bem definidos, embora possam ser citados o diabetes descompensado, o uso prolongado de corticosteróides, a desnutrição ou obesidade extremos. Melhorando a prática da profilaxia cirúrgica nos hospitais É papel das comissões de controle de infecção hospitalar elaborar estratégia de racionalização da profilaxia cirúrgica. Este trabalho deve ser realizado em conjunto com as equipes cirúrgicas envolvidas. O programa deve contemplar os seguintes tópicos: Desenvolver guias de profilaxia abrangentes e consensuais, abordando as situações mais freqüentemente encontradas, e respeitando-se os parâmetros técnicos recomendados. É necessária ampla divulgação e monitorização da aplicação do guia. Devem ser elaboradas estratégias de restrição de antimicrobianos baseadas em diretrizes, de modo a evitar uso prolongado de antimicrobianos. PARÂMETRO RECOMENDAÇÃO COMENTÁRIO Objetivo da profilaxia Prevenção da infecção de sítio cirúrgico. Não previne outras infecções. Eficácia limitada, portanto não substitui outras medidas e nem diminui risco em caso de quebra de técnica. Início da profilaxia Deve ser realizado aproximadamente 1 hora antes do início da cirurgia, ou na indução anestésica. Profilaxia iniciada mais do que duas horas antes ou três horas após a incisão não possui eficácia demonstrada. Em procedimentos obstétricos a dose do antimicrobiano pode ser administrado após o clampeamento do cordão. Profilaxia em trauma obedece normas diferentes. Escolha do antimicrobiano Deve ser pouco tóxico, e não deve ser aquele utilizado para tratamento de infecções hospitalares graves. As cefalosporinas de primeira ou segunda geração são, na maioria das situações, os que melhor se encaixam neste contexto. Dose inicial do antimicrobiano Deve ser a dose tradicional do antimicrobiano. Para pacientes com peso >80kg a primeira dose poderá ser o dobro da convencional. Doses adicionais no intra-operatório Devem ser realizadas em caso de perda maciça de sangue, ou quando a duração do procedimento se prolonga. Repetição intra-operatória numa freqüência maior do que em outras situações de uso do mesmo antimicrobiano é recomendada. Duração da profilaxia Na maioria das situações não deve exceder o período intra-operatório. Mesmo em situações de risco ou em contaminações acidentais, o prolongamento da profilaxia não está associado a um melhor resultado clínico. Exceção em procedimentos selecionados, os quais não há consenso em literatura, como implante de prótese e cirurgia cardíaca. Duração superior a 48 horas é considerada inapropriada. Duração da profilaxia em caso de manutenção de sondas, cateteres, cânulas e drenos Não recomendada. Profilaxia não eficaz nestas situações. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 20 Mesa e instrumentos cirúrgicos Introdução Equipe A equipe é formada por um cirurgião, um assistente, um instrumentador e um anestesista. Essa formação pode ter variação de acordo com diversos fatores. Cirurgião: É o responsável pelo procedimento cirúrgico; Vocacional; Necessita de um vasto conhecimento de anatomia, fisiologia, fisiopatologia e anatomopatologia; Precisa ter liderança; 1º assistente: Auxilia diretamente na cirurgia; Coloca o paciente na posição necessária; Caso necessário, substitui o cirurgião; Precisa ter conhecimento dos tempos da cirurgia; Posiciona-se a frente do cirurgião; 2º assistente: Auxilia indiretamente na cirurgia, fazendo a apresentação para o cirurgião; Substitui o 1º, caso necessário; Precisa ter conhecimento dos tempos da cirurgia; Posiciona-se ao lado do cirurgião; Instrumentador: Prepara a mesa de instrumentação cirúrgica; Precisa ter conhecimento dos instrumentos; Precisa ter conhecimento das técnicas de preparo e passagem de instrumentos; Precisa ter conhecimento dos tempos de cirurgia; Posiciona-se oposto ao cirurgião, ao lado do 1º assistente; Faz a contagem de instrumentos; Anestesista: Faz o pré-anestésico; Escolhe o melhor procedimento anestésico; Realiza a manutenção da homeostase do paciente; Controla os sinais vitais; Acompanha a recuperação pós-anestesia; Faz o julgamento de risco pré, intaoperatório; Circulante: Permanece fora do campo cirúrgico; Providencia todos os materiais; Comunicação da equipe com o restante do centro cirúrgico; 1: Cirurgião; 2: Auxiliar; 3: instrumentador; 4: mesa auxiliar; 5: mesa do instrumentador; 6: cesto para material usado; 7: bacias com solução estéril; 8: barraca protetora; 9: paciente em decúbito dorsal na mesa cirúrgica Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 21 Mesa cirúrgica É responsabilidade do instrumentador. Divididas em quadrantes. Pode ser montada em múltiplas formas; Durante a arrumação da mesa, é necessário imaginá-la dividida em 6 setores, correspondentes aos 6 tempos operatórios, que iniciam a partir da diérese, que é representada pelos bisturis e pelas tesouras. Em seguida, apresenta-se o setor hemostasia, que abriga materiais como gazes, compressas e fios para ligadura, bem como as pinças hemostáticas. O setor especial apresenta instrumentais que variam de acordo com o tipo de cirurgia. O quarto e último setor corresponde ao tempo de síntese, abrigando, portanto, materiais como agulhas, os fios e os porta-agulhas. Diérese Hemostasia Síntese Especiais/ temporários Os instrumentos utilizados pelo cirurgião ficam com as “pontas” apontadas para fora da mesa, enquanto os instrumentos utilizados pelo instrumentador ficam com as “pontas” apontadas para dentro da mesa. A exceção é o bisturi, utilizado pelo cirurgião, que é apontado para o centro da mesa para evitar acidentes. Variações na montagem da mesa: 1. Cirurgião destro e procedimento em andar superior do abdômen: 2. Cirurgião destro e procedimento em andar inferior do abdome: 3. Cirurgião canhoto e procedimento em andar superior do abdome: 4. Cirurgião canhoto e procedimento em andar inferior do abdome: Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 22 Operações fundamentais Definição Operação ou intervenção cirúrgica é o conjunto de gestos manuais ou instrumentais que o cirurgião executa para a integral realização de ato cruento com finalidade diagnóstica, terapêutica ou estética. As operações fundamentais constituem atos cirúrgicos simples, que, associados, permitem a realização de operações complexas. São as seguintes as operações fundamentais: diérese, hemostasia, síntese. Diérese Toda manobra destinada a criar descontinuidade de tecidos. A simples introdução de agulha oute trocarte implica a separação de tecido constituindo-se numa punção. Constitui manobra cirúrgica destinada a criar uma via de acesso, através dos tecidos. Pode ser: 1. Incisão: feita com instrumento de corte, isto é, que secciona os tecidos moles por meio de uma lâmina produzindo ferimento inciso. Com bisturi elétrico ou com raio laser, por meio de coagulação, promove-se, também a diérese incisional. 2. Secção: ator de cortar com tesoura, serra, lâmina afiada, bisturi elétrico, laser, ultrassom ou micro-ondas; 3. Divulsão: obtida através da separação dos tecidos com pinça, tesoura, tentacânula, afastadores, etc; 4. Punção: realizada por meio de um instrumento perfurante, com várias finalidades, tais como a drenagem de coleção líquida das cavidades ou do interior de órgãos, coleta de fragmento de tecido e de líquidos orgânicos para exame diagnóstico, injeção de contraste e de medicamentos; 5. Dilatação: usada para aumentar o diâmetro de canais e orifícios naturais, ou de trajetos fistulosos. É obtida pela rotura de fibras musculares ou de tecido fibroso; 6. Serração: realizada por meio de serra, especialmente em cirurgia óssea; Instrumental: 1. Instrumentos de corte: bisturi, serra, tesoura, rugina, cisalha, faca, costótomo, bisturi elétrico, osteótomo, goiva; 2. Instrumento de divulsão: pinça homeostática, tesoura, afastador, tantacânula; 3. Instrumento de punção: trocarte, agulha de Veres; 4. Instrumentos de dilatação: Vela de Hegar, beniqué 5. Instrumentos auxiliares: em cirurgia, utiliza-se uma série de instrumentos que auxiliam na execução das operações funcamentais: a. Pinças de dissecção; b. Pinças de tração ou de preensão; c. Afastadores; i. Dinâmicos: volkman, Roux, Farabeuf; Doyen ii. Estáticos: Gelpy, Adson, Gosset, Finochietto, Balfour; Hemostasia Toda manobra destinada a evitar ou a estancar hemorragia. Esta operação, de suma importância, visa evitar que a perda sanguínea comprometa a volemia do operado, mantendo limpo o campo operatório e evitando a formação de coleções sanguíneas e de coágulos que favorecem a infecção. A hemostasia pode ser temporária ou definitiva, preventiva ou corretiva. Hemostasia temporária: Executada no campo operatório ou a distância do mesmo e pode ser incruenta (geralmente à distância do campo operatório) ou cruenta (geralmente no campo operatório). Os tipos de hemostasia temporária são os seguintes: 1. Pinçamento: é um método cruento. Poderá se transformar em definitiva por ligadura, cauterização ou angiotripsia; 2. Garroteamento: é geralmente um método incruento. É um método cruento quando se usam fios ou cadarços diretamente no vaso; 3. Ação farmacológica: obtém-se por injeção de substância que diminui o sangramento por vasoconstrição na sede da cirurgia, ou fazendo aplicação tópica. Pode transformar-se em definitiva por ação do mecanismo natural do indivíduo ou por intervenção cirúrgica (ligadura). Quando isso não se dá e ocorre vasodilatação secundária, há sério risco de hemorragia tardia; 4. Parada circulatória com hipotermia : parada circulatório após instalação de circulação extracorpórea; 5. Oclusão endovascular: interrupção do fluxo sanguíneo por meio de balão introduzido na luz da artéria; Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 23 Hemostasia definitiva: É quase sempre cruenta e interrompe para sempre a circulação do vaso sobre o qual é aplicado. Os tipos de hemostasia definitivas são: 1. Ligadura: é a amarração dos vasos com fios cirúrgicos. Geralmente segue-se à hemostasia temporária, mais frequentemente ao pinçamento, mas pode ser primária, quando é executada previamente à secção do vaso. Pode ser preventiva ou corretiva. 2. Cauterização: consiste na parada do sangramento de um vaso, provocado pela formação de um coágulo na extremidade sangrante, devida à aplicação de agentes físicos como calor, eletricidade ou substâncias químicas. Pode utilizar eletrocautério, termocautério e o quimiocautério; 3. Sutura; 4. Grampeamento: pode proceder à hemostasia definitiva através do uso de grampos metálicos. Facilita a hemostasia em territórios de espaço exíguo ou quando se deseja rapidez no procedimento; 5. Obturação: trata-se da aplicação de substâncias exógenas, para ocluir a luz do vaso sanguíneo; 6. Tamponamento: realiza-se pela compressão de área sangrante com compressa ou gaze. Exérese É o tempo cirúrgico principal, voltado para o objetivo do procedimento. Síntese É a aproximação correta dos tecidos visando apressar a cicatrização. Pode ser feita por simples afrontamento anatômico das estruturas, ou, o que é mais comum, por meio de sutura. Visa, pela manutenção da contiguidade dos tecidos, facilitar as fases iniciais do processo de cicatrização, a fim de que a continuidade tecidual possa ser restabelecida. A síntese cirúrgica constitui, portanto, com a cicatrização, um conjunto cuja finalidade é a restauração da continuidade dos tecidos. Instrumentos utilizados na síntese manual: 1. Agulhas; 2. Pinças: uma boa sutura depende do cuidado com as bordas. Pinças de dissecção anatômica são menos traumatizantes ao apreenderem as bordas para uma sutura. Pinças de dissecção com dentes são úteis na aproximação da pele e de aponeuroses, favorecendo a boa coaptação; 3. Porta-agulha: 4. Fios; Instrumentais De diérese Bisturi: É realizado para incisões ou dissecções de estruturas. É empunhado de duas formas principais: tipo lápis (em incisões pequenas); e tipo arco de violino (para incisões longas, que podem ser retilíneas ou suavemente curvas). É o melhor instrumento para a secção dos tecidos, sendo um instrumental de corte por excelência. Grande parte dos bisturis são cabos com uma extremidade destinada à fixação de lâminas descartáveis. Os cabos de bisturi são designados por números, por exemplo, cabo nº três e quatro. Quanto menor o número, menor a lâmina destinada a atos cirúrgicos delicados. Os cabos de bisturi com números maiores apresentam encaixe maior para lâminas também maiores, destinados a procedimentos cirúrgicos gerais. O Cabo nº 3 - Utiliza lâminas menores (nº 10, 1, 12, 15), destinados a incisões mais críticas, delicadas. Cabo nº 4 - Utiliza lâminas maiores,(nº 20, 21, 2, 23, 24, 25), são mais usados em procedimentos de cortes maiores. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 24 Tesouras: Têm como função principal efetuar a secção ou a divulsão de tecidos orgânicos, além de seccionar materiais cirúrgicos, como gaze, fios, borracha, entre outros. As tesouras variam no tamanho (longas, médias ou curtas), no formato da ponta (pontiagudas, rombas ou mistas) e na curvatura (retas ou curvas), cada uma com uma finalidade específica, adequada a cada fase do ato operatório e à especialidade cirúrgica. São instrumentos de corte, podem ser curvas ou retas, fortes ou delicadas e em diversos tamanhos; Podem apresentar lâmina simples ou serrilhada e pontas rombas ou pontiagudas ou uma combinação das duas (Romba-Romba, Romba- Ponta, Ponta-Ponta); 1. Tesoura de Metzenbaum: pode ser reta ou curva, sendo utilizada para a diérese de tecidos orgânicos, uma vez que é considerada menos traumática, por apresentar sua extremidade distal mais delicada e estreita e sua porção cortante menor do que sua porção não cortante. Figura: tesouras de Mayo e Metzenbaum, da esquerda para a direita. Igor Moura Barcelos Medicina Unaerp – Guarujá TI Técnica Cirúrgica 25 2. Tesoura de Mayo: também pode ser reta ou curva, sendo utilizada para a secção de fios e outros materiais cirúrgicos em superfícies ou em cavidades, uma vez que é considerada mais traumática que a de Metzenbaum, por apresentar sua extremidade distal mais grosseira, além de sua porção cortante ser proporcional a sua porção não cortante. 3. Tesoura forte: de uso geral, destinada para secção de fios ou outros materiais. Igor Moura Barcelos