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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
VICTOR RODRIGUES NASCIMENTO VIEIRA
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO
UBERLÂNDIA
2016
VICTOR RODRIGUES NASCIMENTO VIEIRA
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO
Dissertação sobre o instituto da Intervenção de Terceiros no Processo Civil brasileiro, apresentada ao Curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, Faculdade de Direito Professor “Jacy de Assis”, como exigência parcial para aprovação na Disciplina de Direito Processual Civil I.
Prof.ª Ma. Alice Ribeiro de Sousa
UBERLÂNDIA
2016
SUMÁRIO
1	INTRODUÇÃO	5
2	LITISCONSÓRCIO	6
2.1	Considerações Iniciais	6
2.2	Classificações do Litisconsórcio	7
2.2.1	Quanto ao polo em que se forma o litisconsórcio	8
2.2.2	Quanto ao momento em que se forma o litisconsórcio	8
2.3	Espécies de Litisconsórcio	8
2.3.1	Quanto a uniformidade da decisão diante dos litisconsortes	8
2.3.2	Quanto à possibilidade das partes disporem da formação ou não formação da relação processual plúrima	10
2.3.2.1	Litisconsórcio necessário	11
2.3.2.2	Litisconsórcio facultativo	14
2.4	Formação do litisconsórcio	14
2.4.1	Por comunhão de interesses	14
2.4.2	Por conexão de interesses	15
2.4.3	Por afinidade de interesses	15
2.5	Não citação dos litisconsortes necessários: natureza da sentença de mérito	16
2.6	Negócios Jurídicos Processuais: a possibilidade de mobilidade da posição processual do litisconsorte necessário	17
2.7	Extensão da coisa julgada aos colegitimados que não propõem a demanda	18
2.8	Posição dos litisconsortes no processo	20
2.9	Cumulação de pedidos: modalidades especiais de litisconsórcio facultativo	21
2.9.1	Litisconsórcio sucessivo	21
2.9.2	Litisconsórcio Eventual	21
2.9.3	Litisconsórcio Alternativo	22
2.10	Atos processuais e a autonomia dos litisconsortes	22
3	ASSISTÊNCIA	22
3.1	Conceito e generalidades	24
3.2	Pressuposto da intervenção	24
3.3	Procedimento	25
3.4	Classificação	25
3.4.1	Assistência simples e assistência litisconsorcial	25
3.4.2	Encargos do assistente e limites de sua atuação	27
3.4.3	Assistência provocada	28
3.4.4	Assistência atípica ou negociada	28
3.4.5	Assistência de legitimado coletivo em ação de natureza individual	29
3.5	Efeitos da sentença com referência ao assistente	29
3.5.1	O recurso de terceiro prejudicado	30
4	DENUNCIAÇÃO DA LIDE	31
4.1	Conceito e generalidades	31
4.2	Hipóteses de cabimento	33
4.3	Procedimento	34
4.3.1	Denunciação pelo autor	35
4.3.2	Denunciação pelo réu	36
4.4	Efeitos da sentença	39
4.5	Denunciação da lide e chamamento ao processo em causas de consumo	40
5	CHAMAMENTO AO PROCESSO	42
5.1	Conceito e generalidades	43
5.2	Hipóteses de cabimento	44
5.3	Procedimento	46
5.4	Efeitos da sentença	47
6	OUTRAS HIPÓTESES SOBRE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS	48
6.1	As intervenções de terceiros nas relações de consumo	48
6.2	As intervenções de terceiros nos Juizados Especiais	49
6.3	A intervenção do amicus curiae	54
6.4	A intervenção de terceiros na ação de alimentos	55
7	CONSIDERAÇÕES FINAIS	58
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	59
REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS	61
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO
INTRODUÇÃO
O presente estudo tem o intuito de abordar as questões atinentes à Intervenção de Terceiros no Processo Civil brasileiro nas suas variadas modalidades, com a finalidade de contribuir para o debate acerca deste interessante instituto do nosso ordenamento jurídico. Para alcançar tal fim, serão abordadas as questões que, ao nosso ver, são as mais relevantes da Intervenção de Terceiros e que são recorrentes nas doutrinas dos principais autores processualistas, bem como ilustraremos o trabalho com as jurisprudências acerca do tema, sem a ambição de esgotar o assunto.
Antes de prosseguirmos, convém elucidar quem é a parte no processo, bem como o qual a posição que o terceiro ocupa na lide. Neste sentido, temos que a parte em um processo é aquela que além de participar, age conforme seus interesses para que consiga o resultado esperado em um julgamento. As partes podem ser o autor da ação, o réu, e um terceiro que intervirá no processo que já está tramitando. 
No Novo Código de Processo Civil a intervenção de terceiros é tratada compreendendo a assistência, a denunciação da lide, o chamamento ao processo (arts.119 a 132), o incidente de desconsideração da personalidade jurídica (arts. 133 a 137) e o amicus curiae (art. 138). Contudo, existem outras modalidades de intervenção que não estão dispostas no CPC, mas sim esparsas em outras previsões legais, como a intervenção na relação de consumo e na ação de alimentos.
De acordo com Daniel Amorim Assumpção Neves, no processo de conhecimento, as intervenções típicas foram projetadas com aplicação somente subsidiária aos processos de execução e cautelar. Porém, existem algumas espécies de intervenção de terceiros no processo de conhecimento que não podem ser consideradas como as previstas pelo CPC, são as intervenções atípicas. Elas estão presentes no processo executório e na fase de cumprimento de sentença, sendo levada em consideração somente a assistência como espécie de intervenção de terceiros admissível no processo de execução.
A intervenção de terceiro consiste em um incidente de processo com permissão legal que modificará o andamento do processo já existente, pois transforma-se em parte. É necessário que esteja previsto em lei tendo como objetivo evitar a repetição de atos processuais e decisões contraditórias.
Apesar, da permissão legal, que determina a intervenção típica, controlada pelo magistrado, é cabível a intervenção de um terceiro negocial, em que as partes têm o poder de autorregramento de acordo com o artigo 190 do CPC. O controle é feito somente pelo órgão jurisdicional, em que, na modalidade típica são verificados os pressupostos para o ingresso do terceiro, enquanto na modalidade atípica é feita uma perícia para verificar a validade e o conteúdo do negócio processual.
As modalidades de intervenção de terceiros, tais como o litisconsórcio, a assistência, denunciação da lide, chamamento ao processo e as outras hipóteses de intervenção, que englobam a intervenção nas relações de consumo, nos juizados especiais, na ação de alimentos e do amicus curiae serão analisadas e explicadas nos próximos itens deste estudo. 
Por fim, analisaremos procedimento da intervenção, as consequências e as inovações do Novo Código de Processo Civil, além de conectar o processo civil a outras matérias do direito, tais como o direito do consumidor e o direito civil, utilizando de vários doutrinadores, processualistas, casos concretos, jurisprudências e enunciados das Jornada de Direito Civil e do Fórum Permanente de Processualistas Civis.
LITISCONSÓRCIO
Ao analisarmos o instituto processual do litisconsórcio, estamos falando sobre a cumulação subjetiva dentro de um processo. Nós estudantes do Direito, quando iniciamos os estudos relativos ao Processo Civil, acreditamos que a relação processual se esgota na presença de três sujeitos: um autor, um réu e um juiz. No entanto, para fins de economia processual e segurança jurídica, o litisconsórcio faz-se oportuno, afinal, se um sujeito ativo tem uma demanda contra três outros sujeitos, sendo possível que esse litígio seja discutido em um único processo, é mais eficiente que se faça de tal modo, evitando o ajuizamento de uma ação específica contra cada réu. Feito isso, evita-se também que decisões conflitantes sejam tomadas acerca de um mesmo interesse. [1: Veremos mais adiante que o litisconsórcio pode se formar tanto no polo passivo, quanto no ativo da relação processual.]
Considerações Iniciais
A primeira previsão mais ampla do instituto do litisconsórcio no Código de Processo Civil é regulada no artigo 113:[2: No Código de ProcessoCivil de 1973, sua disposição encontrava-se no artigo 43.]
Art. 113.  Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide;
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
Dito isso, pode-se passar a explicação de em que consiste o litisconsórcio. Do desmembramento da própria palavra, surgem outras duas: litígio e consórcio. Consórcio consiste em uma comunhão de interesses, e litígio, em uma controvérsia. Analisando essa conceituação no âmbito jurídico, entende-se que o litisconsórcio traduz-se em uma pluralidade sujeitos compondo uma única parte de uma relação processual. Essa configuração decorre de que: 
O direito material tutelado pertence ou obriga a ambos os litisconsortes; 
Houve conexão entre o pedido ou a causa de pedir formulado, anteriormente, por mais de um autor, ou contra mais de um réu; [3: Havendo a conexão, a competência do juízo poderá ser modificada por razões legais.]
Ocorreu afinidade entre questões comuns de fato ou de direito.
Quanto às três situações de formação do litisconsórcio supramencionadas, tem-se no tópico “2.4 Formação do Litisconsórcio” explicação mais ampla sobre o tema, que decidimos postergar por questões didáticas. 
Sobre a possibilidade de os sujeitos se consorciarem, Didier faz curiosa observação a respeito de um litisconsórcio entre autor e réu:
O litisconsórcio não se restringe à principal relação jurídica processual. Pode haver litisconsórcio em incidentes processuais – mais de um sujeito requer a instauração de um conflito de competência; pode haver litisconsórcio em um recurso – já presenciamos um caso em que autor e réu se consorciaram para opor embargos de declaração contra uma sentença homologatória de transação penal. (DIDIER, 2016, p. 457).
Classificações do Litisconsórcio
O Litisconsórcio pode ser classificado tanto quanto ao polo e como também ao momento em que se forma.
Quanto ao polo em que se forma o litisconsórcio
Quando existe mais de um sujeito como autor da ação, tem-se o litisconsórcio ativo. Quando são mais de um sujeito como réu, tem-se o litisconsórcio passivo. Quando a pluralidade de sujeitos se dá tanto no polo passivo quanto ativo, tem-se o litisconsórcio misto. 
Quanto ao momento em que se forma o litisconsórcio
Inicial é o litisconsórcio que já está formado no momento em que a ação foi proposta, ou seja, na própria petição inicial já constam os vários autores que estão intentando a ação, ou os vários réus que deverão ser citados.
É ulterior o litisconsórcio que se forma após a relação processual já ter sido instaurada, ou seja, a ação já foi proposta e o processo já se encontra em curso. Didier (2016) elenca três maneiras possíveis de se surgir o litisconsórcio ulterior:
A primeira delas é em razão de uma intervenção de terceiros, como na denunciação da lide;[4: Sobre denunciação da lide, ver tópico 4.]
A segunda delas é pela sucessão processual;[5: Pode se dar em razão do falecimento da parte litigante, ou voluntariamente nos casos em que a lei permitir, como nos casos em que o litigante aliena o objeto litigioso. De acordo com o artigo 109 §2º, havendo sucessão processual “o adquirente ou cessionário poderá intervir no processo como assistente litisconsorcial do alienante ou cedente.”. Sobre assistência litisconsorcial ver tópico 3.]
A terceira delas é em razão de causas julgadas em processos distintos tiverem de ser reunidas para julgamento simultâneo, configurando um caso de continência ou conexão.
Espécies de Litisconsórcio
As espécies de litisconsórcio vão dizer respeito às consequências que esse instituto gera no processo.
Quanto a uniformidade da decisão diante dos litisconsortes
O litisconsórcio unitário consiste naquele em que o juiz deve decidir o mérito de forma uniforme para todos os litisconsortes, não admitindo julgamentos diferentes, ou seja, a decisão judicial é a mesma para todos os litisconsortes. Essa figura processual vem disposta no artigo 116 do CPC, que versa “O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes”. [6: Esse artigo não encontra correspondente no Código de Processo Civil de 1973, pois este previa em um único artigo, o 47, o litisconsórcio necessário e o litisconsórcio unitário.]
Para que se configure como unitário, deve se haver apenas uma relação jurídica controvertida, tendo esta natureza indivisível. Vale ressaltar que, para que os sujeitos estejam em juízo discutindo uma única relação jurídica indivisível, ambos devem ter legitimidade ad causam, ou seja, deve haver a colegitimação. Essa legitimação pode ser tanto ordinária como extraordinária: [7: Nos processos em que as partes compostas de mais de um sujeito, discutem uma obrigação solidária, o objeto da prestação deve ser indivisível para que se configure litisconsórcio unitário.]
a) Dois legitimados ordinários: como dois condôminos em demanda para proteger coisa comum;
b) Um legitimado ordinário e um extraordinário: [...] do litisconsórcio entre o adquirente e o alienante da coisa litigiosa (art. 109, §2º, CPC). (DIDIER JÚNIOR, 2016, p.459).
No exemplo da letra “b” tem-se o adquirente intervindo como assistente litisconsorcial e o alienante litigando em juízo com legitimação extraordinária. 
Humberto Theodoro Jr nos traz um exemplo didático de litisconsórcio unitário facultativo, em que um cotitular defende individualmente um interesse comum:[8: A configuração da modalidade litisconsorcial facultativa passiva se dá por determinação legal, por ser exceção. Em regra o litisconsórcio unitário passivo é necessário. Sobre litisconsórcio facultativo, ver item adiante.]
O exemplo da pretensão dos sócios minoritários de anular decisão assemblear é típico de exercício de direito material conferido igualmente a diversas pessoas. Qualquer um dos sócios dissidentes pode mover a ação anulatória, com eficácia geral para todos os demais sócios. Se vários deles se reunirem para propor a ação conjuntamente, o litisconsórcio será facultativo, porque não imposto pela lei. O julgamento da causa, todavia, não poderá ser senão um só, já que é impossível invalidar a assembleia para uns e mantê-la para outros. (THEODORO, 2015, p.356). 
O litisconsórcio será não unitário ou simples quando, configurando cada litisconsorte como parte autônoma, o provimento jurisdicional de mérito for, ou puder ser diferente para cada um deles. O artigo 117 do CPC dispõe:[9: No Código de Processo Civil de 1973, sua disposição encontrava-se no artigo 48.]
Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar.
Dito isso, esse tipo de litisconsórcio (simples) funciona como uma cumulação de ações para os litigantes. Será o litisconsórcio dessa forma quando estiver sendo discutida uma pluralidade de relações jurídicas, ou quando apenas uma, porém esta divisível. Nas palavras de Humberto Theodoro Jr.:
O litisconsórcio cria uma unidade procedimental, mas conserva a autonomia das ações cumuladas, de sorte que os pedidos reunidos pelos diversos autores, ou contra os diversos réus, mesmo sendo julgados por sentença formalmente una, podem ter desfechos diferentes (THEODORO, 2015, 356).
Tem-se como ilustração desse instituto processual o julgado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE ALIMENTOS AJUIZADA CONTRA UM DOS FILHOS. ARTIGO 12 DO ESTATUTO DO IDOSO X ART. 1.698 DO CÓDIGO CIVIL. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO ULTERIOR SIMPLES. 
Nos termos do artigo 1.698 do Código Civil, os filhos formam litisconsórcio facultativo ulterior simples nas ações de alimentos ajuizadaspelos pais. Para a adequada avaliação do binômio alimentar, imperioso que todos os filhos componham o pólo passivo da ação de alimentos.
AGRAVO PROVIDO. (TJ-RS - AI: 70064460041 RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Data de Julgamento: 25/06/2015, Oitava Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 01/07/2015,grifo nosso).
No referido caso, a recorrente invoca a segunda parte do artigo 1.698 do Código Civil, que, dentre outras disposições, prevê o litisconsórcio passivo facultativo ulterior simples nos casos em que a ação de alimentos é movida contra um parente. No referido julgado, deixa-se claro que ambas as filhas tem obrigações perante a genitora, e por isso devem concorrer no polo passivo, sendo injustificado que apenas uma arque com tal responsabilidade. Sendo assim, o agravo foi provido corretamente, passando a irmã a figurar o polo passivo da ação de alimentos, e o juiz decidirá, na medida dos recursos de cada ré, as suas respectivas responsabilidades. Por isso, nessa hipótese de ação de alimentos, trata-se de um litisconsórcio não unitário.
Quanto à possibilidade das partes disporem da formação ou não formação da relação processual plúrima
Trataremos a seguir das questões atinentes ao litisconsórcio necessário e facultativo.
Litisconsórcio necessário
Será necessário quando a sua formação for indispensável, devido ao fato de que os efeitos da sentença só serão eficazes se presentes todos os sujeitos da relação jurídica material. Essa necessariedade poderá decorrer de:
Exigência legal;
Natureza da relação jurídica controvertida (unitária) . [10: Isso não quer dizer que todo litisconsórcio unitário será litisconsórcio necessário. Um não implica o outro. A necessariedade incide no momento de formação do litisconsórcio, já a unitariedade incide quando o litisconsórcio já foi formado. Pode haver casos de litisconsórcio necessário unitário como também de litisconsórcio facultativo unitário. Essa confusão decorria do Código de Processo Civil de 1973, que não definia de forma tão clara essas espécies, diferentemente do CPC de 2015 que traz essas diferentes configurações nos artigos 114 e 116.]
Tal obrigatoriedade está disposta no artigo 114 do CPC: “O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes”. [11: No Código de Processo Civil de 1973, sua disposição encontrava-se no artigo 47.]
Da leitura da parte final desse artigo, depreende-se que o litisconsórcio unitário passivo tem caráter necessário, em regra. Excepcionalmente, por determinação legal, o litisconsórcio unitário passivo poderá ser facultativo, como no caso do formado entre o réu alienante e o réu adquirente de objeto litigioso. 
Mas de forma geral, o litisconsórcio necessário é previsão voltada para o litisconsórcio passivo. O artigo 115, parágrafo único reafirma essa alegação ao se referir exclusivamente à obrigatoriedade passiva, e nada mencionar sobre a ativa, é a redação do artigo: “Nos casos de litisconsórcio passivo necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar, sob pena de extinção do processo”.[12: O juiz não pode, de ofício, estabelecer no polo passivo da relação processual réu não nomeado pelo autor. A sua decisão que ordena o requerimento da citação de litisconsorte pelo autor é de natureza interlocutória.]
Sendo o litisconsórcio unitário passivo necessário, facultativo será o litisconsórcio unitário ativo. Essa afirmação se deve ao princípio constitucional do acesso à justiça (art. 5º, XXXV, CF/88), que defende o direito de ação dos indivíduos. Sendo assim, o direito que todos temos à tutela jurisdicional não pode estar condicionado ao ingresso de demais colegitimados como autores, sendo que esses colegitimados também não são obrigados a litigar. 
Nos casos em que as demandas podem ser propostas por mais de um litigante (devido a colegitimação), mas que são propostas por apenas um, cabe a hipótese de intervenção iussu iudicis, que consiste naquela intervenção por determinação judicial, em que o possível litisconsorte unitário é chamado a integrar o processo, cabendo à ele a escolha de aceitar o chamamento ou não. Caso não queira ingressar ao processo, o litigante originário que propôs a ação atuará como seu substituto processual. E, ainda que não ingresse ao processo, por ter-lhe sido dado ciência, sendo colegitimado, os efeitos da coisa julgada se estenderão à ele. Esse entendimento sobre o possível litisconsorte ficar submetido à coisa julgada faz parte da maioria da doutrina, embora cause hesitação.[13: Caso de litisconsórcio facultativo unitário passivo.][14: O possível litisconsorte pode ainda se contrapor à demanda do autor e aderir à objeção do réu, atuando como seu substituto processual.][15: Caso não ingresse ao processo, apenas os efeitos da coisa julgada se estenderão à ele, não se beneficiando ou respondendo pelas verbas da sucumbência.][16: Quanto à essa hesitação, existem outras duas correntes que se posicionam de forma diversa sobre a extensão da coisa julgada, as quais veremos mais a frente. Além dessas, muitos autores tentam justificar essa hesitação alegando a existência de litisconsórcio unitário necessário ativo, que veremos mais à frente.]
Sobre o litisconsórcio não unitário, na maioria das hipóteses ele configura-se como facultativo. Quando se configura como simples necessário, assim o é basicamente por determinação legal. Exemplo disso é a exigência legal do artigo 73 §2º do CPC que versa sobre a obrigatoriedade da citação de ambos os cônjuges nas ações possessórias que versam sobre direito real imobiliário na coisa própria ou em coisa alheia. Trata-se esse dispositivo de litisconsórcio simples passivo necessário.
Quanto ao litisconsórcio necessário ativo, temos visto que essa obrigatoriedade quase não existe nesse polo da relação jurídica processual, predominando no polo passivo. Essa alegação se fundamenta no princípio do acesso a justiça, pois, caso um dos possíveis litisconsortes se negasse a ingressar com a ação, o direito de demandar do outro estaria violado. 
Ilustrando este entendimento, segue um trecho do voto do relator Dilso Domingos Pereira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que tem o seguinte posicionamento:
É bem verdade que não há como obrigar que Dinalda e Lida ajuízem a demanda contra a sua vontade. Contudo, também não se pode obstaculizar o ajuizamento da ação demarcatória por Vanilda porque os demais proprietários registrais não se sentem motivados a tanto. Tal situação acabaria por afrontar gravemente os arts. 5º, XXXV da CF/88 [...] Citadas, Dinalda e Lida poderão omitir-se, deixando de comparecer aos autos e apresentar manifestação, caso que sequer lhes atingirá os efeitos da sucumbência, pois regido pelo princípio da causalidade. Também poderão, alternativamente, pretender participar ativamente do feito ou, ainda, impugnar a sua condição de litisconsorte. Em ambos os casos, sentença fará coisa julgada, produzindo efeitos não só em relação à Vanilda, Elsa, José Miguel e Iria, mas também em relação à Dinalda e Lida. (TJ-RS - AI: 70066012600 RS, Relator: Dilso Domingos Pereira, Data de Julgamento: 10/08/2015, Vigésima Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 14/08/2015)
O referido julgado trata-se de ação ajuizada por Vanilda Pappen em primeira instância. A autora pleiteava ação demarcatória, com o fim de estabelecer a concreta localização de seu imóvel. No entanto, Vanilda não era a única proprietária registrada do imóvel, seus irmãos também o eram (Elsa, José Miguel, Iria, Dinalda e Lida). Essa situação dava ensejo à um litisconsórcio unitário. O juiz, analisando o caso, negou provimento à ação de Vanilda, exigindo que ação fosse proposta por todos os proprietários. No agravo, o juiz de segunda instância decidiu dar provimento ao recurso, por não exigir-se olitisconsórcio ativo necessário, o qual violaria o direito fundamental de acesso à justiça.
Analisando esse julgado, vale a ressalva de que nem todos os autores são unânimes em relação à esse posicionamento, pois vários ainda defendem a existência de um litisconsórcio necessário ativo, especificamente sendo este unitário. Didier (2016) nos apresenta alguns desses autores, com os quais não concordamos:
Nelson Nery Jr. e Rosa Nery justificam a existência do litisconsórcio necessário ativo defendendo que no caso da obrigatoriedade do instituto litisconsorcial, todos os litisconsortes devem integrar a relação processual, seja no polo ativo ou no polo passivo, ou seja, havendo o litisconsórcio necessário ativo, um dos litisconsortes pode demandar sozinho caso os demais se recusem, mas se isso ocorrer, aquele que deveria ser litisconsorte ativo passa a figurar no polo passivo da relação, tornando-se réu, devido ao fato de recursar-se à pretensão do autor, nascendo dessa divergência uma lide entre eles.
Dentre as críticas lidas a respeito dessa tese, as que mais nos chamam atenção pela adequabilidade são as expostas por Fredie Didier, que salienta:
d) O próprio CPC prevê a possibilidade de um credor solidário de obrigação indivisível (unitariedade) demandar isoladamente toda a dívida, podendo aqueles credores que não participaram do processo receber a sua parte, deduzidas as despesas na proporção de seu crédito (art. 328 do CPC). 
e) Por fim, se, como os autores dizem, o litisconsorte recalcitrante será citado como réu, circunstância frisada em diversos momentos, litisconsórcio ativo não há no processo, que se estrutura subjetivamente da seguinte forma: A contra B (réu originário) e C (réu renitente). Pelo que se vê, forma-se um litisconsórcio passivo, e não ativo. (DIDIER, 2016, p.468).
A crítica ressaltada na letra “e” nos mostra a mais interessante. Não existirá de fato um litisconsórcio ativo, mas apenas uma participação de todos os sujeitos da relação jurídica material no processo. Litisconsórcio haverá no polo passivo.
Homero Freire também defende a existência do litisconsórcio necessário ativo, e assim o faz redefinindo o seu conceito, o que para nós e para maioria da doutrina não é aceitável. Afirma que esse tipo de litisconsórcio consiste na necessidade de ser dada ciência a todos os sujeitos da relação jurídica discutida, e não que estejam presentes como parte. 
Litisconsórcio facultativo
Discorrido sobre em que consiste o litisconsórcio necessário, da leitura do artigo 113 caput do CPC, tem-se que duas ou mais pessoas podem litigar em conjunto. O termo “podem” traz a ideia de que a formação do litisconsórcio não é sempre obrigatória, podendo ser facultativa, ou seja, o litisconsórcio poderá ou não se formar, ficando a critério dos sujeitos envolvidos no litígio. Será necessário quando enquadrar-se na configuração do artigo 114 mencionado acima. Enfim, por exclusão, quando a forma litisconsorcial não for necessária, sua formação será facultativa.
Formação do litisconsórcio
Como visto nas considerações iniciais sobre o litisconsórcio, o artigo 113 traz três incisos que indicam as situações em que um litisconsórcio pode ser formado. Em ordem decrescente de intensidade do vínculo entre os litisconsortes, ou melhor, de relevância da sua formação, tem-se aqueles que se compõem por comunhão de interesses (art. 113, I, CPC), por conexão de interesses (art. 113, II, CPC) ou por afinidade de interesses (art.113, III, CPC).
Por comunhão de interesses 
Configura-se como a hipótese mais considerável. Há uma comunhão de direitos e obrigações entre os litisconsortes. São exemplos: os litisconsórcios formados por condôminos no objetivo de proteger o condomínio como um bem comum; os litisconsórcios formados entre cônjuges nas demandas que envolvem imóveis ou direitos reais. Nos exemplos referentes à comunhão de obrigações, temos o litisconsórcio nas causas de dívidas em comum, nas hipóteses que envolvam títulos cambiários, e nos contratos de locação com fiador. Nota-se que o litisconsórcio nos casos de dívida em comum não implica necessariamente que os devedores sejam solidários.
Por conexão de interesses 
Nessa segunda hipótese tem-se a causa legal de modificação de competência, a conexão. Como exemplo, temos uma ação de despejo contra dois inquilinos de um mesmo prédio. Essa ação pode ser cumulada por meio de litisconsórcio passivo, tendo em vista que o bem visado (objeto da ação) é o mesmo nas duas causas. Verifica-se também, conexão de interesses pela causa de pedir, quando duas pretensões contra pessoas distintas se sustentam em apenas um fato jurídico. É o caso da ação pauliana, que objetiva a anulação do negócio jurídico feito por um dos devedores insolventes com os bens que seriam destinados para pagar dívidas em ação de execução. Nesse caso, a ação visa anular apenas um ato praticado em fraude de credores pelo alienante e adquirente, assim sendo, ambos formarão litisconsórcio passivo necessário, pois são partes obrigatórias da causa.
Por afinidade de interesses
No terceiro temos o litisconsórcio impróprio, que se forma por questões de afinidade entre pontos comuns de fato ou de direito, e é sempre facultativo e simples devido a frágil ligação entre as demandas. [17: Por essa fragilidade, no CPC de 1939, o réu tinha a possibilidade de recusar esse tipo de litisconsórcio imotivadamente. Apenas o litisconsórcio por comunhão ou conexão não podia ser recusado.]
A afinidade de interesse manifesta-se em um caso hipotético de um novo tributo ilegal que afetaria diversos contribuintes, sob fatos jurídicos distintos. Tal fato poderia ser separadamente apreciado em ações individuais. No entanto, as ações são afins no que tange a ilegalidade da tributação, permitindo assim, a formação de litisconsórcio ativo contra a Fazenda Pública.
Entretanto, o litisconsórcio só pode ser formado se a competência do juízo para as diversas ações afins for a mesma, tendo em vista que não há conexão entre as causas, o autor não pode prorrogar a competência nem demandar fora do juízo que lhe corresponde.
Além desses três incisos do artigo 113, os §§ 1º e 2º desse mesmo artigo versam sobre a possibilidade de recusa, pelo réu ou pelo juiz, de ofício, ao litisconsórcio ativo facultativo simples quando composto por uma “multidão” (litisconsórcio multitudinário). Essa declinação só será possível quando a formação numerosa no polo ativo prejudicar o exercício da defesa pelo réu, o rápido cumprimento da sentença ou a rápida resolução do litígio. No entanto, nem sempre o desmembramento do litisconsórcio é a melhor solução. De acordo com o enunciado número 116 do Fórum Permanente de Processualistas Civis “Quando a formação do litisconsórcio multitudinário for prejudicial à defesa, o juiz poderá substituir a sua limitação pela ampliação dos prazos, sem prejuízo da possibilidade de desmembramento na fase de cumprimento de sentença”.[18: O litisconsórcio multitudinário facultativo unitário não admite desmembramento devido sua indivisivilidade.]
A decisão do juiz que limita o número de litisconsortes não extingue o processo, apenas o desmembra. Nessa decisão, o magistrado estabelecerá quais sujeitos permanecerão no processo. Os pedidos dos litigantes excedentes não serão apreciados pelo juiz.
O momento para que se desmembre esse litisconsórcio, de acordo com o §1º do artigo 113 pode ser na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução. Somente após a decisão a respeito desse incidente de desmembramento do litisconsórcio é que os prazos para as respostas do réu começam a correr, do início novamente. É o que versa o artigo 113 §2º.
Não citação dos litisconsortes necessários: natureza da sentença de mérito
O artigo 115 do CPC trata sobre a natureza das sentenças de mérito que são proferidas sem que se tenha citado os litisconsortes necessários. Esse artigo prevê tratamento distinto para a falta de litisconsorte necessário unitário e para falta do litisconsorte necessáriosimples.
Se tratando de litisconsórcio unitário necessário:
- O inciso primeiro deixa a entender que caso não cientificado o possível litisconsorte necessário ativo, a sentença deixa de ter eficácia para ele. 
- Ainda no inciso primeiro, em caso de litisconsórcio passivo, se qualquer um dos réus deixar de ser citado, a sentença torna-se ineficaz em relação à todos eles e passível de invalidação a qualquer período do processo. 
Se tratando de litisconsórcio simples necessário:
- O inciso segundo esclarece que a sentença só será válida e eficaz para os que participaram do processo. Para os que não foram citados, a sentença poderá tornar-se ineficaz ou nula à eles, dependendo da pretensão do litisconsorte refutado, pelo fato de que, como explicado anteriormente, no litisconsórcio simples, o juiz atribui julgamentos específicos para cada um dos litisconsortes.
Negócios Jurídicos Processuais: a possibilidade de mobilidade da posição processual do litisconsorte necessário
Além das duas hipóteses previstas no artigo 115 do CPC sobre litisconsórcio necessário, extrai-se a possibilidade de que, nos negócios jurídicos plurilaterais, ou seja, naqueles formados por mais de duas pessoas, os contratantes possam estipular que as demandas decorrentes desse negócio jurídico devam ser propostas contra todos aqueles que o celebraram, devido à presença de unitariedade. Forma-se assim um negócio jurídico processual. Dito isso, seria a situação: quatro sujeitos (João, Maria, Ricardo e José) firmam um contrato entre si (contrato plurilateral). Posteriormente Maria deseja que se realize uma revisão contratual do contrato celebrado, pois não está de acordo com uma dentre as várias cláusulas contratuais. Embora seja a revisão de uma única cláusula, e que vá afetar somente um dos contratantes, no caso, João, se no negócio jurídico processual estabeleceu-se a necessidade do litisconsórcio, os demais, Ricardo e José também deverão ser citados, ou seja, todos deverão ser litisconsortes desse processo judicial, mesmo que o pedido não lhes afete diretamente. Fredie Didier faz uma abordagem importante: 
Ainda há que se pensar, embora o tema exija maior reflexão, se não seria possível um litisconsórcio necessário ativo de origem negocial. Como a limitação ao direito de demandar teria origem negocial (voluntária, portanto), a hipótese não é absurda nem aparentemente ilícita. (DIDIER, 2016, p.472).
No entanto, o litisconsórcio que aqui abordamos, institui-se, em um primeiro momento, no polo passivo. Uma vez citados todos os contratantes, é possível que eles se filiem à pretensão do autor, e modifiquem a sua posição processual, passando a atuar no polo ativo da relação. Só houve a alocação dos contratantes no polo passivo, pois tal configuração se faz necessária no momento da propositura da ação; não haveria como o autor deixar de chamá-los a comparecer em juízo, caso contrário a relação processual seria inválida, devido à cláusula contratual que obriga o litisconsórcio. Essa possibilidade de mudança do polo passivo se deve ao fato de que os sujeitos não são obrigados a se manter em uma posição processual da qual não escolheram, no entanto, o autor não poderia ficar dependente da escolha dos interessados acerca da posição processual que adotariam e nem obrigá-los a se inserirem em um litisconsórcio ativo, por isso, foram incluídos no polo passivo da demanda todos aqueles sujeitos que celebraram o contrato, postergando para outro momento a definição individual de qual polo processual gostariam de adotar.[19: A citação não se configura como ato que sempre é destinado a convocar o demandado para se defender em juízo (o CPC de 1973 no artigo 213 equivocadamente trazia a citação com essa única finalidade). No novo CPC, o artigo 238 prevê a citação como “o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual”. Logo, o demandado é citado para participar do processo, pouco importando a posição processual que se colocará. Além desse dispositivo legal, a Lei 4.717/1965 prevê expressamente em seu artigo 6º, § 3º a possibilidade de migração de um litisconsorte necessário da posição passiva para a ativa, depois da citação.]
Extensão da coisa julgada aos colegitimados que não propõem a demanda
Como dito anteriormente, quando falávamos sobre o litisconsórcio unitário, se existem vários legitimados (colegitimação) no polo passivo, a imposição do litisconsórcio necessário não encontra obstruções, diferentemente do polo passivo, pois, havendo colegitimação ativa, qualquer um dos colegitimados pode propor a demanda isoladamente, mesmo que um dos possíveis litisconsortes se manifeste contrário a sua pretensão. Dito isso, questão controversa se dá a respeito do litisconsórcio unitário ativo, especificamente quanto à extensão da coisa julgada aos titulares da coisa litigiosa que não propuseram a demanda. Quanto a isso, Didier elenca três correntes com posicionamentos distintos:
Autores como Humberto Theodoro Jr, Fredie Didier Jr e Ada Pellegrini Grinover se posicionam a favor da extensão da coisa julgada, ou seja, da extensão ultra partes dos efeitos da coisa julgada, seja ela favorável ou desfavorável aos demais colegitimados, mitigando assim o artigo 506 do CPC, de redação: “A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros”. Seguindo essa corrente, temos a decisão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso:[20: A redação do artigo deixa a entender que pode-se apenas beneficiar terceiros, e não prejudica-los.]
EMENTA APELAÇÃO CÍVEL – COISA JULGADA – EFEITO ULTRA PARTES – RELAÇÃO JURÍDICA UNITÁRIA – LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO – EXCEÇÃO À REGRA DA EFICÁCIA DA COISA JULGADA SOMENTE ÀS PARTES - RECURSO DESPROVIDO. O terceiro que não tenha participado da relação processual, nas situações em que a relação jurídica é una e indivisível, sofre os efeitos da coisa julgada, porque não pode tolerar a coexistência de dois comandos judiciais contraditórios sobre um mesmo objeto. (TJ-MT - APL: 00000423020098110106 108011/2010, Relator: DES. ORLANDO DE ALMEIDA PERRI, Data de Julgamento: 05/04/2011, PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 12/04/2011).
A referida jurisprudência tem como discussão a situação em que um grupo de familiares exercia posse de um terreno que não lhes pertenciam. Um casal desse grupo familiar, Valdecir e sua esposa, postularam em juízo, através da ação de embargos de terceiro, e a questão possessória foi proferida em desfavor do casal. Os demais familiares, que eram co-possuidores, moveram uma ação de manutenção de posse, a qual lhes foi negada pelo fato de que o objeto litigioso já se encontrava abrangido pela coisa julgada do embargo movido pelo casal, porém esses familiares contestavam que seus direitos não poderiam ser abrangidos pela decisão, devido ao fato de não terem participado da lide. 
Embora tenha o julgado como base legal o CPC de 1973, o que foi decidido por este tribunal se enquadra nas disposições do novo Código de Processo Civil e na corrente doutrinária que aqui defendemos. O dispositivo legal envolvido juridicamente no caso é o artigo 506 do novo CPC que tem como seu correspondente o artigo 472 do CPC/73. Para consolidar este entendimento, segue um trecho do voto da decisão do Relator Orlando de Almeida Perri, na Apelação nº 00000423020098110106 108011 de 2010, que sustentou:
A celeuma está, então, em saber qual o efeito que a sentença prolatada nos embargos de terceiro produz para aqueles que se apresentam como co-possuidores da área em disputa. Não tenho dúvidas em asseverar que em situações como a dos autos, é flagrante a presença daquilo que a doutrina convencionou classificar como “legitimação concorrente”, que, em verdade, nada mais é do que uma das hipóteses de litisconsórcio facultativo unitário, ante a clara situação de indivisibilidade do objeto da demanda. Diz-se que a legitimação concorrente é exemplo de litisconsórcio unitário facultativo, exatamente porque o exercício do direito de açãonão é nunca um dever ou uma imposição ao seu titular, que não está obrigado a demandar contra sua vontade ou mesmo integrar uma mesma relação processual com as outras pessoas que se encontram em situação jurídica idêntica à ostentada por ele. Mas, e esse é o âmago da questão, ainda que o litisconsórcio seja facultativo, havendo identidade na situação jurídica dos co-legitimados, não se mostra possível que existam vários comandos decisórios sobre aquela mesma questão, afinal, repita-se, o direito de ação é autônomo e individual, mas o bem da vida que se busca tutelar é um só. (TJ-MT - APL: 00000423020098110106 108011/2010, Relator: DES. ORLANDO DE ALMEIDA PERRI, Data de Julgamento: 05/04/2011, PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 12/04/2011, grifo nosso).
Uma segunda corrente, menos aceita, afirma que os efeitos da coisa julgada só se estenderão aos demais colegitimados se houver a procedência do pedido do autor da ação, com base no artigo 506 do CPC. A corrente é pouco aceita pelo fato de que os outros colegitimados que não propuseram a demanda poderiam não desejar que a pretensão do autor fosse aceita, prejudicando-os. “Por exemplo, um sócio logrou anular uma decisão da Assembleia, talvez o outro sócio quisesse, ao contrário, mantê-la ainda em vigor” (DIDIER, 2016, p.474). 
A última corrente não admite em nenhuma hipótese a extensão dos efeitos da coisa julgada, defendendo que esta se opera apenas entre as partes. Tal posicionamento foi tomado tendo por base o artigo 472 do CPC de 1973 que afirmava “A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros [...].”.
Posição dos litisconsortes no processo
Nesse tópico abordaremos como a lei processual civil regula as relações entre os litisconsortes, ou melhor, o que o comportamento de um litisconsorte pode causar em relação ao outro. Para começar essa análise, deve-se fazer uma diferenciação entre os tipos de condutas que podem ser tomadas pelos litisconsortes dentro do processo, que são as condutas determinantes e as condutas alternativas. As primeiras consistem em comportamentos potencialmente lesivos para as partes que as tomam, pois as levam à situações não favoráveis. Exemplo dessas condutas são as confissões, as renúncias sobre direitos aos quais se funda a demanda, e a revelia. Já as segundas objetivam uma melhora da situação processual da parte, ou seja, exprimem uma situação positiva e favorável, cujo resultado pode ou não ocorrer. Exemplo de tais condutas são as contestações, alegações, e produção de provas. 
Dependendo da espécie de litisconsórcio – simples ou unitário – essas condutas produzem ou deixam de produzir efeitos. No entanto, independentemente do tipo de litisconsórcio, a conduta determinante de um litisconsorte não pode prejudicar o outro.
No litisconsórcio unitário, só será eficaz a conduta determinante se todos os litisconsortes a permitirem. Já no litisconsórcio simples, a conduta determinante será eficaz apenas para quem a cometeu.
Com base no artigo 117 do CPC, a conduta alternativa de um litisconsorte não aproveita os demais no litisconsórcio simples. No entanto, situações excepcionais merecem destaque. A primeira se refere à produção de provas, uma vez produzida a prova, pelo princípio da aquisição processual, ela passa a pertencer ao processo, independentemente de qual litisconsorte a produziu. Sendo assim, a prova, no litisconsórcio simples, será aproveitada para aqueles litisconsortes dos quais tenha fato a se provar. A segunda se refere a apresentação da contestação por um litisconsorte, a qual beneficiará o litisconsorte revel, se o fato contestado for comum a ambos.[21: Art. 117.  Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar.]
Ainda com base no artigo 117, a conduta alternativa, no litisconsórcio unitário, aproveitará a todos os litisconsortes. Exemplo disso é o artigo 1005 do CPC que permite que o recurso interposto por litisconsorte unitário beneficie os demais.[22: “o contrário não prevalece, isto é, os atos e as omissões de um litisconsorte unitário potencialmente lesivos aos interesses dos demais não os prejudicam, porque é evidente que não se pode fazer perecer direito de outrem (art. 117)” (THEODORO, 2015, p.367).][23: No caso de obrigação solidária, independente de ser o litisconsórcio simples ou unitário, o recurso aproveitará à ambos os litisconsortes.]
Cumulação de pedidos: modalidades especiais de litisconsórcio facultativo
Entre as modalidades especiais de litisconsórcio facultativo, podemos encontrar o litisconsórcio sucessivo, o eventual e o alternativo que serão analisados a seguir.
Litisconsórcio sucessivo
Em uma relação processual, em casos de cumulação própria sucessiva de pedidos, a parte autora deseja que todos os pedidos sejam acolhidos, mas entre eles há uma relação de prejudicialidade. É o caso de em um processo ter sido feito duas demandas: a segunda só terá procedência se a primeira for acolhida. Dessa cumulação de pedidos pode nascer um litisconsórcio, tendo cada litisconsorte formulado um pedido, ficando o segundo dependente da análise e aceitação do primeiro. A espécie de litisconsórcio nesse caso seria facultativa. Exemplo dessa hipótese é o litisconsórcio formado entre um filho e sua mãe. O filho pede por uma investigação de paternidade, e a mãe por alimentos ao suposto pai. O pedido materno só será acolhido se o do filho, primeiramente, também for.[24: Trata-se aqui de um litisconsórcio ativo, mas nada impede que se forme um litisconsórcio passivo nos casos de cumulação sucessiva de pedidos. Isso ocorrerá quando dois pedidos forem formulados contra duas pessoas distintas: o segundo só terá procedência se o primeiro assim também tiver.]
Litisconsórcio Eventual
Em um processo, pode haver uma cumulação imprópria eventual de pedidos, em que a parte autora faz dois pedidos, sendo que o segundo só será examinado se o primeiro não for acatado. Dessa cumulação pode surgir um litisconsórcio facultativo, pois cada pedido pode ter sido formulado e dirigido para uma pessoa específica, conforme exemplificado a seguir.[25: É o que versa o artigo 326 do CPC.][26: Usualmente se forma no polo passivo da relação processual.]
Um bom exemplo de litisconsórcio eventual é o da denunciação da lide formulada pelo autor (art, 127, CPC). O autor propõe demanda contra o réu e, para a hipótese de vir a ser derrotado, denuncia a lide (nova demanda) a uma terceira pessoa. Há dois pedidos, mas a denunciação somente será examinada se o primeiro pedido não for acolhido. Réu e denunciado formam um litisconsórcio passivo (DIDIER, 2016, p. 477). 
Litisconsórcio Alternativo
Dentro de um processo, a parte autora pode instaurar uma cumulação imprópria alternativa de pedidos, de modo que formule várias demandas, podendo apenas uma delas ser acolhida, sem ordem de prioridade entre elas. Dessa cumulação pode surgir um litisconsórcio facultativo, se cada pedido for formulado contra um sujeito diferente. Pode ser o caso das ações de consignação em pagamento. Se o credor dificulta a realização do pagamento por parte do devedor, este pode entrar com ação contra dois possíveis credores, cabendo ao juiz decidir qual é o legitimado a receber do autor. Sendo apenas um legitimado, apenas um dos pedidos será aceito.
Atos processuais e a autonomia dos litisconsortes
Com base no artigo 118, os litisconsortes tem autonomia para praticar atos processuais, seja o litisconsórcio unitário ou simples. Sobre os prazos desses atos, há regra especial para a contagem dos mesmos. Quando os litisconsortes têm procuradores diferentes e de escritórios de advocacia diferentes, independentemente de requerimento, os prazos serão contados em dobro para qualquer ato. Na fase recursal, a contagem dobrada dos prazos só persiste se o litisconsórcio conservar-se.ASSISTÊNCIA
A assistência no Novo Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) sofreu consideráveis mudanças ao antigo Código de Processo Civil de 1973, o NCPC veio para pacificar problemáticas que perturbaram doutrinadores ao longo dos alunos, o antigo código já dividia a assistência entre simples e litisconsorcial, mas não deixava claro quais artigos seriam aplicados a cada uma das espécies. Tais mudanças podem ser observadas na tabela abaixo:
	CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 1973
	CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 2015
	Seção II - Da Assistência
	CAPÍTULO I - DA ASSISTÊNCIA
	Art. 50. Pendendo uma causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro, que tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, poderá intervir no processo para assisti-la.
	Art. 119. Pendendo causa entre ,duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente interessado, em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo para assisti-la.
	Parágrafo único. A assistência tem lugar em qualquer dos tipos de procedimento e em todos os graus da jurisdição; mas o assistente recebe o processo no estado em que se encontra.
	Parágrafo único. A assistência será admitida em qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontre.
	Art. 51. Não havendo impugnação dentro de cinco dias, o pedido do assistente será deferido. Se qualquer das partes alegar, no entanto, que falece ao assistente interesse jurídico para intervir a bem do assistido, o juiz:
I - determinará, sem suspensão do processo, o desentranhamento da petição e da impugnação, a fim de serem autuadas em apenso;
II - autorizará a produção de provas;
III - decidirá, dentro de 5 (cinco) dias, o incidente.
	Art.120. Não havendo impugnação no prazo de 15 (quinze)d ias, o pedido do assistente será deferido, salvo se for caso de rejeição liminar Parágrafo único. Se qualquer parte alegar que falta ao requerente interesse jurídico para intervir, o juiz decidirá o incidente sem suspensão do processo.
	Art. 52. O assistente atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido.
	Art. 121. O assistente simples atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido.
	Parágrafo único. Sendo revel o assistido, o assistente será considerado seu gestor de negócios.
	Parágrafo único. Sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente será considerado seu substituto processual.
	Art. 53. A assistência não obsta a que a parte principal reconheça a procedência do pedido, desista da ação ou transija sobre direitos controvertidos; casos em que, terminando o processo, cessa a intervenção do assistente.
	Art.122. A assistência simples não obsta a que a parte principal reconheça a procedência do pedido, desista da ação, renuncie ao direito sobre o que se funda a ação ou transija sobre direitos controvertidos.
	Art. 54. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente, toda vez que a sentença houver de influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido.
	Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido.
	Parágrafo único. Aplica-se ao assistente litisconsorcial, quanto ao pedido de intervenção, sua impugnação e julgamento do incidente, o disposto no artigo 51.
	Sem correspondente no CPC 2015.
	Art. 55. Transitada em julgado a sentença, na causa em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que:
	Art. 123. Transitada em julgado a sentença no processo em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que:
	I - pelo estado em que recebera o processo, ou pelas declarações e atos do assistido, fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;
	I - pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e pelos atos do assistido, foi impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;
	II - desconhecia a existência de alegações ou de provas, de que o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu.
	II - desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu.
Conceito e generalidades
Presente no Título III “Da Intervenção de Terceiros”, Capítulo I “Da Assistência”, estendendo-se do artigo 119 ao 124 do Novo Código de Processo Civil, a assistência emerge como uma forma típica de “intervenção voluntária de terceiro, mesmo quando é considerado litisconsorte da parte principal” (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 372). 
Consta no artigo 119, in verbis, que: “pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente interessado em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo para assisti-la”, ou seja, a colaboração do terceiro como assistente se dá quando ele possui o interesse jurídico que o resultado da sentença seja favorável para uma das partes e, indiretamente, para si. É de suma importância destacar que o assistente simples não será parte dessa relação processual que ele intervém, ele é apenas um coadjuvante que atuará com o intuito que um dos litigantes tenha êxito, ou seja, defenderá o direito de outrem, para que indiretamente seu desejo seja alcançado. (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 373).
Pressuposto da intervenção
A intervenção assistencial possui alguns pressupostos que estão intimamente ligados à sua própria natureza, são eles, em síntese, “a existência de uma relação jurídica entre uma das partes (assistido) e o terceiro (assistente) e a possibilidade de vir a sentença a influir na referida relação” (THEODORO, 2015, p. 373). Quando esse terceiro interessado possui uma relação jurídica com uma das partes envolvidas na lide, ainda que essa relação não seja discutida ao longo do processo, ele tem o interesse que a sentença do processo não crie óbices em sua vida, ao prejudicar sua posição jurídica perante uma das partes, “trata-se de encarar a sentença não na sua função e força peculiares, mas como um simples fato que o terceiro não pode ignorar” (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 373). 
O interesse do assistente deve ser de ordem jurídica, como consta no artigo 119, pois não serão permitidas motivações pautadas apenas no simples interesse econômico ou questões de natureza afetiva e sentimental entre ele e a parte a que assiste, Theodoro Junior traz um exemplo didático e bastante elucidativo sobre a questão: “Se A., dono de uma coisa, convenciona alugá-la ou emprestá-la a B. e a C. ajuíza uma ação reivindicatória sobre a mesma coisa, é intuitivo que B. tem interesse jurídico em que A. saia vitorioso na causa, pois, caso contrário, não poderá desfrutar da coisa que foi objeto do contrato. Legítima será, destarte, sua intervenção no processo para ajudar A. a obter sentença que lhe seja favorável” (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 374).
Procedimento
O procedimento para que a assistência seja invocada no processo é simples: o terceiro fará uma petição ao juiz, demonstrando os fatos e as razões que o legitimam a intervir na lide, provando que seu interesse jurídico o torna apto para tal. Após essa etapa, cabe as partes se manifestar, exceto se for um caso de rejeição liminar: 
Se não existir a impugnação num prazo de quinze dias, o pedido será deferido, se o juiz considerar pertinente e plausível a argumentação do aspirante a assistente; 
“Caso haja impugnação, o juiz é quem decidirá o incidente, sem necessidade suspensão do processo, será possível aqui a produção de provas.” (DIDIER, 2015, p. 481)
O art. 190 do NCPC também admite intervenção calcada em negócio jurídico processual. Mesmo que as partes concordem com a intervenção do assistente, o juiz poderá indeferir a assistência se forem encontrados defeitosno negócio jurídico, “da decisão do incidente ou da decisão que rejeitar liminarmente a intervenção, cabe agravo de instrumento (art. 1.015, IX, CPC)”. (DIDIER, 2015, p. 481)
Classificação
A seguir serão abordadas as modalidades de assistência classificadas pela doutrina.
Assistência simples e assistência litisconsorcial
O direito brasileiro faz distinção entre a assistência simples, presente nos artigos 121 a 123 do NCPC, e a assistência litisconsorcial. Segundo Marinoni:
Todavia, por razões que ficarão claras ao longo da exposição, é preciso deixar desde logo claro que apenas a assistência simples constitui efetiva forma de assistência. A intervenção mediante assistência litisconsorcial constitui na verdade forma de intervenção litisconsorcial ulterior, com o que não se trata de espécie de assistência propriamente dita. (MARINONI, 2015, p. 93)
A assistência simples (ou adesiva - ad adiuvandum tantum) ocorre quando o interveniente atua como coadjuvante em favor de uma das partes, para que ela consiga sentença favorável. Ou seja, ele irá defender um direito alheio, fato que é benéfico para si, uma vez que mantém uma relação jurídica com uma das partes da lide, sem ter qualquer relação material com o adversário da parte assistida. Nesse sentido, assevera Theodoro Junior: 
Mas, mesmo não estando sendo discutida no processo, a relação do terceiro com uma das partes pode ficar prejudicada em seus efeitos práticos e jurídicos, caso o assistido saia vencido na causa pendente. Os efeitos da decisão do processo, para autorizar a assistência simples, são apenas indiretos ou reflexos, visto que a relação material invocada pelo interveniente não será objeto de julgamento, por não integrar o objeto litigioso. (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 373)
Sobre a matéria, Fred Didier entende que:
O assistente simples é parte: sujeito parcial do contraditório. Não por acaso arca com as despesas processuais, se submete aos deveres processuais de parte, assume as situações jurídicas processuais ativas (alegar, provar, recorrer etc.). É, porém, parte auxiliar. O assistente simples atua no processo como legitimado extraordinário - pois, em nome próprio, auxilia a defesa de direito alheio. Trata-se de legitimação extraordinária subordinada, pois a presença do titular da relação jurídica controvertida é essencial para a regularidade do contraditório. (DIDIER, 2015, p. 484)
De um modo geral, os doutrinadores são pacíficos a respeito desses conceitos, a jurisprudência também acata o entendimento da maioria:
AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ASSISTENTE SIMPLES. POSIÇÃO ACESSÓRIA E DEPENDENTE. PRECEDENTES. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que a posição do assistente simples é acessória e dependente, limitando-se a auxiliar a parte principal. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF - AgR RE: 414015 SP - SÃO PAULO, Relator: Min. ROBERTO BARROSO, Data de Julgamento: 10/03/2015, Primeira Turma)
Contudo, existem situações em que o interveniente defende diretamente um direito próprio contra uma das partes, surgindo assim a assistência litisconsorcial, conforme enunciado no artigo 124: “Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido.”, dessa forma o assistente integra o processo, mesmo que a demanda já tenha sido proposta sem que ele tivesse participação. Para que a assistência se configure como litisconsorcial dois critérios devem ser observados: “a) há de haver uma relação jurídica entre o interveniente e o adversário do assistido; b) essa relação há de ser normada pela sentença”. (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 374) 
Ao contrário da assistência simples, na assistência litisconsorcial os efeitos gerados pela sentença atingem diretamente a situação jurídica do substituído, mesmo que ele não tenha participado do processo. Mais do que o assistente simples, o assistente litisconsorcial possui a titularidade do direito discutido, o que qualifica o seu interesse jurídico, por isso ele atua como litisconsorte da parte principal que está sendo assistida. 
Estabelece-se entre assistente e assistido, in casu, um litisconsórcio facultativo unitário, porquanto a relação jurídica material em disputa é uma só, apresentando-se como una e incindível entre os vários titulares reunidos no polo do processo em que se inseriu incidentalmente o assistente. (THEODORO JUNIOR, 2015)
 Na assistência litisconsorcial é permitido que o assistente continue defendendo o seu direito, mesmo que a parte originária principal já tenha desistido da ação, tenha reconhecido a procedência do pedido, ou feita uma transação com a parte litigante oposta, o assistente litisconsorcial mantém uma relação jurídica própria com o adversário da parte assistida, por isso desde a gênese processual ele poderia ser um litisconsorte facultativo. 
Encargos do assistente e limites de sua atuação 
Mesmo que o assistente integre o processo como coadjuvante, ele está sujeito aos ônus ou encargos que tangenciam o assistido, fato previsto no artigo 94 do Novo Código de Processo Civil: “Se o assistido for vencido, o assistente será condenado ao pagamento das custas em proporção à atividade que houver exercido no processo”. Quando se trata de substituição processual, deve-se atentar que caso o assistente integre o processo a favor da parte revel ou de alguma maneira omissiva será seguida a previsão do parágrafo único do artigo 121: “Sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente será considerado seu substituto processual.” Merece especial atenção o gerenciamento dos prazos, os prazos que correriam independente de intimação para o revel, dependerão agora da ciência do assistente, que atuará como substituto da parte assistida. No caso da assistência simples existem algumas limitações que devem ser levadas em consideração, conforme artigo 122, sendo assim , tal assistência não tem o condão de fazer com que: “(a) o autor desista da ação e provoque a extinção do processo; (b) o réu reconheça a procedência do pedido, provocando julgamento de mérito contrário à parte assistida; (c) as partes ponham fim ao litígio mediante transação; (d) ou as partes renunciem ao direito sobre o que se funda a ação” (THEODORO JUNIOR, 2015, pag. 377)
Conforme já citado, o assistente litisconsorcial goza de outros direitos, para ele, ainda existe a possibilidade de prosseguir na defesa do seu direito, mesmo que a parte originária a qual ele assistiu já tenha desistido da ação, ou reconhecido a procedência do pedido ou feito uma transação com outro litigante. Ainda assim, o assistente litisconsorcial não pode formular um novo pedido, ele adotará os pedidos feitos pela parte a qual se coliga. Tal afirmação é encorpada pelo artigo 329 do NCPC onde infere-se que após se determinar o objeto do processo, nem mesmo o autor pode alterar o pedido ou a causa de pedir, se nem mesmo o autor original pode fazê-lo, seria um contrassenso permitir que um terceiro assim pudesse. 
Assistência provocada 
Em regra, o terceiro é que demonstra, espontaneamente, o interesse jurídico ao juiz para intervir no processo, porém nada impede que o juiz, após verificar o interesse de um terceiro, o convoque para participar da lide, assim como já ocorre nos casos de litisconsórcio necessário. Inclusive, o próprio litigante pode requerer ao magistrado que ele convoque um terceiro para que o ajude em sua defesa como, por exemplo, “na produção antecipada de provas, nos casos de evicção e quando não for cabível a denunciação à lide.” (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 380). Vale ressaltar, que essa participação não é obrigatória, mesmo que tenha sido convocado, ele só integrará o processo se assim desejar. 
Assistência atípica ou negociada 
De um modo geral, a assistência simples carece de interesse jurídico, porém é possível que o juiz permita a participação de terceiro no processo, se os litigantes assim concordarem, elas podemprever formas diferenciadas de intervenção do assistente simples, emergindo dessa forma a assistência atípica ou negociada. Sob a égide do artigo 6º do NCPC, o processo se torna uma comunidade em que todos devem cooperar para que se alcance a decisão de mérito justa e efetiva em tempo razoável, o diálogo entre as partes envolvidas na lide é estimulado pelo próprio arcabouço legal.
Assistência de legitimado coletivo em ação de natureza individual 
Na esteira do concebimento de uma assistência atípica, surge a possibilidade de assistência de legitimado coletivo em ação de natureza individual, conforme entendimento feito pelo STF, foi admitida a intervenção de um sindicato atuando como  assistente simples (Sindicato da Indústria do Fumo do Estado de São Paulo – SINDIFUMO), num processo que envolveu uma indústria de cigarros, onde foi discutida a a constitucionalidade do Decreto-lei n. 1.593/1977 (RE n. 550.769 QO/RJ, rel. Min. Joaquim Barbosa, 28.2.2008, publicada no Informativo do STF n. 496).
O STF autorizou que uma entidade sindical atuasse como assistente de um associado que discutia em juízo a constitucionalidade de uma lei, uma vez que a solução do tema discutido no processo seria a base para a resolução de uma série de outros casos, uma vez que o sindicado possui a legitimidade para defender coletivamente os direitos individuais e homogêneos dos seus filiados, existem direitos que se interligam coletivamente com o objeto do litigio do processo individual do filiado. Sobre a questão, Humberto Theodoro Junior arremata: “Na verdade, o que fez o STF foi aproximar o instituto da assistência com o do amicus curiae, que, aliás, o novo Código estende para muito além das ações de constitucionalidade, generalizando-o para todas as questões de repercussão social (NCPC, art. 138).” (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 382)
Efeitos da sentença com referência ao assistente 
No que tange aos efeitos da coisa julgada sob a assistência, alguns pontos merecem ser destacados. O assistente litisconsorcial é considerado parte da relação processual, logo ele sofrerá, normalmente, os efeitos da coisa julgada, perante a sentença que decidir a causa. Contudo, o assistente simples, por ser apenas parte auxiliar do processo, “não pode sofrer no sentido técnico, os consectários da res iudicata, mesmo porque apenas defende direitos de terceiro, ou seja, do assistido.” (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 379), a ele o Código impõe uma restrição onde ficará impedido de litigar novamente, em outros processos, sobre a justiça da decisão, como assevera o caput do artigo 123. Essa regra, porém, abre duas exceções: 
Art. 123. Transitada em julgado a sentença no processo em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que:
I - pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e pelos atos do assistido, foi impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;
II - desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu. (CPC, 2015)
O referido artigo impede que o terceiro reabra a discussão pautada na má apreciação dos fatos e provas que foram examinados na sua presença, salvo as exceções do I e II do art. 123. 
O recurso de terceiro prejudicado
Feitos todos os trâmites legais numa lide, ao proferir a sentença, uma as partes poderá ficar frustradas com o resultado, sendo assim ela poderá recorrer para buscar um resultado mais favorável para si. Essa possibilidade também está assegurada ao terceiro prejudicado nos termos do artigo 966 do NCPC. “O recurso, portanto, constitui uma oportunidade para realizar a intervenção de quem não é parte no curso do processo. Essa interferência se justifica pelos mesmos princípios que inspiram os casos gerais de intervenção, que, além da economia processual, atendem também ao desígnio de criar meios de evitar reflexos do processo sobre relações mantidas por alguma das partes com quem não esteja figurando na relação processual.” (THEODORO JUNIOR, 2015, p. 382)
Diante do exposto, o direito de recorrer do terceiro interessado é justificado pelo reconhecimento do seu legítimo interesse em evitar os efeitos reflexos da sentença que reverberará em relações interdependentes, mesmo que estas não tenham sido deduzidas no processo, pois também dependem de um resultado favorável a favor de um dos litigantes. Sobre o tema, Vicente Greco Filho elucida:
“O recurso de terceiro prejudicado é puro recurso, em que se pode pleitear a nulidade da sentença por violação de norma cogente, mas não acrescentar nova lide ou ampliar a primitiva. Ao recorrer, o terceiro não pode pleitear nada para si, porque ação não exerce. O seu pedido se limita à lide primitiva e a pretender a procedência ou improcedência da ação como posta originariamente entre as partes. Desse resultado, positivo ou negativo para as partes, é que decorre o seu benefício, porque sua relação jurídica é dependente da outra”. (GRECO FILHO, 1986, p. 103)
 Ou seja, o recurso feito por terceiro, trata-se de uma assistência na fase recursal, pois o recorrente não poderá extrapolar as fronteiras do pleito em benefício de um dos litigantes, ela não pleiteará decisão a seu favor. O assistente não pode alterar o objeto do processo, ele ajudará uma das partes, para indiretamente beneficiar a si mesmo.
DENUNCIAÇÃO DA LIDE
O novo Código de Processo Civil traz em seu texto:
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo.
§ 1o O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida.
§ 2o Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que eventual direito de regresso será exercido por ação autônoma.
Da leitura do artigo depreende-se que a denunciação da lide é uma demanda por meio da qual se exerce o direito de ação, sendo essa, uma espécie de intervenção de terceiro provocada. O terceiro é inserido no processo porque uma demanda lhe é dirigida e exigida; tal intervenção permite às partes trazer o garante ao processo para exercer o direito de garantia ou regresso. Assim, no mesmo processo, o denunciante vinculará o terceiro a causa e condenará o denunciado à indenização.
Conceito e generalidades
A denunciação da lide é uma demanda incidente, regressiva, eventual e antecipada. É incidente porque adiciona ao processo já existente um novo pedido. É regressiva porque o denunciante anseia o ressarcimento dos prejuízos que possa sofrer no processo pendente. É eventual porque o direito de regresso só é examinado se, afinal, o denunciante perder a ação principal. Por fim, a denunciação é antecipada porque antes de sofrer o prejuízo, o denunciante se adianta e denuncia a lide ao garante ou ao terceiro em face do qual tem direito ao regresso.
Como será esclarecido adiante, a denunciação da lide pode ser promovida pelo autor ou pelo réu. Além disso, também será explicado que a sentença, na denunciação, é formalmente una e materialmente dupla. Pois, em um único processo o juiz resolve distintas relações jurídicas. Primeiro entre o denunciante e a parte contrária e a outra entre o denunciante e denunciado. Realiza-se, por meio da denunciação da lide, um cúmulo de ações, que tanto pode ser originário (quando promovido pelo autor) como superveniente (quando a iniciativa é do réu).
Outro importante tópico diz respeito a obrigatoriedade da denunciação da lide. No Código anterior de 1973 a denunciaçãoera obrigatória no texto da lei e, poderia ser alegado que a falta dela levaria à perda do direito de regresso. Mesmo assim, no caso de evicção não se impedia o exercício do direito de regresso por meio de ação autônoma. 
O Novo Código, então, apenas legitima tal entendimento e consolida a facultatividade da denunciação da lide em todos os casos, sendo que quando não proposta, poderá ser demandada, também, numa ação autônoma. Apenas na hipótese de a intervenção ter sido julgada improcedente pela sentença é que à parte não mais caberá ação autônoma para pleitear o direito de regresso. É o consolidado no artigo 125 caput e 125, § 1º.
Para concluir a explanação das generalidades da denunciação da lide, será abordado a questão das denunciações sucessivas. Essa hipótese se dá quando é realizada a denunciação à lide contra uma quarta pessoa. Como no caso em que o alienante que primeiro foi denunciado fará uma segunda denunciação àquele que lhe vendeu a coisa, ou seja, aquele que o antecedeu no domínio da coisa. 
A denunciação sucessiva deve se dar ao alienante imediato como o artigo 125, inciso I diz. Dessa forma, não se admite denunciar alguém que não manteve com o denunciante, relação jurídica direta. Não se admite denunciação per saltum.
A novidade do Código de Processo Civil de 2015 , nessa área, foi que proibiu-se a possibilidade de mais de uma denunciação sucessiva. O §2º do artigo 125 do Novo Código traz tal vedação em seu teor. Não há correspondente entre esse parágrafo e o Código antigo que permitia a cumulação de várias denunciações em um só processo. Tal permissão se interpreta a partir do artigo 73 do Código ultrapassado.
Ainda sobre esse tema, nota-se que os direitos regressivos e remotos, subsequentes à primeira denunciação sucessiva, devem ser propostos em ação principal à parte para não atrasar o processo que está em curso, assim versa o §2º do artigo 125 do Novo Código de Processo Civil. Esse posicionamento do NCPC busca efetividade e celeridade das decisões judiciais; pois não há paralisação demorada do processo principal. 
Existe a necessidade de propositura de uma ação autônoma no caso em que o denunciado não consegue chamar ao processo o seu garantidor sucessivo ou quando a denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida, como aborda o §1º do artigo 125.
Hipóteses de cabimento
As hipóteses de cabimento da denunciação da lide estão listadas no artigo 125, incisos I e II. 
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo.
A primeira hipótese é a denunciação da lide em caso de evicção. Nessa situação o vendedor da coisa é denunciado a fim de satisfazer os direitos que resultam da evicção ao denunciante. 
A segunda hipótese de cabimento da denunciação da lide se baseia no artigo 125, inciso II e traz polêmica sobre sua interpretação. Existem duas posições doutrinárias antagônicas que são a restritiva e a ampliativa.
Em resumo, a concepção restritiva não permite que o denunciante denuncie a lide se não tiver havido transferência de direito pessoal. Portanto, nessa linha de pensamento, o terceiro só prestará garantia a qual se obrigou quando da transmissão do direito ou coisa, advindo do texto específico da lei ou da relação jurídica contratual. De acordo com Didier:
Ação regressiva, nesse contexto, é expressão que assume sentido jurídico bastante restrito: é pretensão, conferida pela lei ou pelo contrato, a quem, adimplindo uma obrigação que era sua, pode voltar-se contra terceiro, para deste receber, no todo ou em parte, o valor prestado. (DIDIER,2016, pág. 506)
	
Desse modo, não é permitido incluir fundamento jurídico novo na denunciação. A denunciação só ocorre nos casos de garantia própria decorrente de transmissão de direitos pela lei ou contrato.
De acordo com essa posição doutrinária, não é permitido a denunciação da lide ao servidor nas demandas de responsabilidade civil contra o Estado, porque esse responde objetivamente pelos danos. Caso houvesse denunciação, seria introduzido fundamento jurídico novo, o elemento subjetivo culpa do funcionário.
Mudando de posição doutrinária encontramos a concepção ampliativa, totalmente antagônica à anterior. Nessa teoria não é conhecida a consagração da distinção de garantia própria e imprópria, podendo a denunciação da lide ser feita em casos além dos advindos da lei e do contrato especificamente. Neste sentido, Didier aponta:
Assim, para essa concepção, “ação regressiva”(inciso II do art.125 do NCPC) é expressão que adquire sentido jurídico bastante largo: “envolveria direito a indenização, direito a reembolso, direito decorrente de sub-rogação, direito à garantia( própria ou imprópria), direito à repetição de pagamento indevido, direito à indenização por locupletamento ou enriquecimento ilícito etc.(DIDIER, 2016, pág 511)
Nesse contexto, seria possível a denunciação da lide ao funcionário nos casos de responsabilidade civil do Estado, pois a Constituição consagra o dever da Administração de reparar o dano e instituir ação regressiva contra o servidor responsável no artigo 37, § 6º. 
Nessa teoria, portanto, só se veda a denunciação da lide que alega qualquer relação jurídica do denunciante com o denunciado que guarda questão remota, mas não relevante no processo.
Será analisada agora a posição do Superior Tribunal de Justiça. Não há um consenso jurisprudencial. Já houveram acórdãos que adotaram a posição restritiva e outros que adotaram a ampliativa. Portanto, o juiz deve analisar caso a caso a pertinência da denunciação. Não é possível impedir a denunciação em casos de garantia imprópria pois não existe tal vedação no ordenamento; porém, não se pode negar que a denunciação pode ampliar o objeto e tema do processo, acarretando a dificuldade da prestação da tutela jurisdicional. Assim, se a denunciação comprometer a duração razoável do processo ela poderá ser vedada, sendo necessário exercer tal direito por via da ação autônoma.
Outro tema pertinente às hipóteses de cabimento da denunciação da lide são os casos de vedação expressa da denunciação. Conforme Humberto Theodoro:
Em princípio, a previsão legal de cabimento da denunciação da lide abrange todas as causas do processo de cognição, sem distinção da natureza do direito material controvertido e do procedimento da ação.Entretanto, o Código de Defesa do Consumidor não a admite nas ações de reparação de dano oriundas de relação de consumo (Lei 8.078/1990, art. 88). Permite, porém, o emprego do chamamento ao processo para provocar a reparação devida pelo segurador do fornecedor (Lei 8.078/1990, art. 101, II). Outra hipótese em que a doutrina e a jurisprudência repelem a denunciação da lide é a dos embargos à execução, por seu âmbito restrito e específico.Trata-se de intervenção típica do processo de conhecimento com o objetivo de ampliar o objeto a ser enfrentado na sentença. Por isso não há lugar para denunciação da lide no processo de execução, nem mesmo na fase de cumprimento da sentença.(THEODORO, 2016, pág. 390)
Procedimento
A denunciação da lide pode ser feita pelo autor da ação na própria petição inicial ou pelo réu na contestação. Ambos os procedimentos serão detalhados adiante.
Denunciação pelo autor
Tal denunciação vem tipificada nos artigos 126 e 127 do Código de Processo Civil:
Art. 126. A citação do denunciado será requerida na petição inicial, se o denunciante for autor, ou na contestação, se o denunciante for réu, devendo ser realizada na forma e nos prazos previstos no art. 131.
Art. 127. Feita a denunciação pelo autor, o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-seem seguida à citação do réu.
	
	Dos artigos depreende-se que quando o autor denuncia a lide, ele o faz na petição inicial. Desse modo, o momento da propositura da denunciação confunde-se com a propositura da ação principal. Ocorre, em seguida, a citação do denunciado; depois de sua resposta há a citação do réu da demanda.
	Compartilha-se da opinião de Humberto Theodoro que defende o litisconsórcio quando há a denunciação pelo autor em detrimento da intervenção de terceiro:
Na verdade, o caso é mais de litisconsórcio do que de intervenção de terceiro, porquanto o denunciado já se integra à relação processual desde sua origem. Não é, pois, um estranho que vem a figurar supervenientemente num processo instaurado entre outras partes, tal como se passa com as verdadeiras “intervenções de terceiro”. (THEODORO, 2016, pág.392)
O denunciado é citado antes do réu porque se dá àquele a chance de assumir a posição de litisconsorte do autor e modificar a petição inicial, trazendo novos fatos e argumentos. Em síntese, o denunciado pode adotar uma dessas posturas: 1º- permanecer inerte, onde incorrerá em revelia. 2º- Assumir a posição de litisconsorte do autor acrescentando argumentos à petição ou 3º- negar à denunciação e ser responsabilizado, na sentença final, pelos direitos do autor da demanda à evicção ou perdas e danos, se assim for comprovado. Depois disso, se dá a citação sucessiva do réu. Ele pode, então, defender-se contra os argumentos do autor e do denunciado. Neste sentido segue tabela para melhor entendimento: 
Fonte: THEODORO, 2016, pág.399
Denunciação pelo réu
Tal denunciação vem tipificada nos artigos 126 e 128 do Código de Processo Civil: 
Art. 126. A citação do denunciado será requerida na petição inicial, se o denunciante for autor, ou na contestação, se o denunciante for réu, devendo ser realizada na forma e nos prazos previstos no art. 131.
Art. 128. Feita a denunciação pelo réu:
I - se o denunciado contestar o pedido formulado pelo autor, o processo prosseguirá tendo, na ação principal, em litisconsórcio, denunciante e denunciado;
II - se o denunciado for revel, o denunciante pode deixar de prosseguir com sua defesa, eventualmente oferecida, e abster-se de recorrer, restringindo sua atuação à ação regressiva;
III - se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor na ação principal, o denunciante poderá prosseguir com sua defesa ou, aderindo a tal reconhecimento, pedir apenas a procedência da ação de regresso.
Parágrafo único. Procedente o pedido da ação principal, pode o autor, se for o caso, requerer o cumprimento da sentença também contra o denunciado, nos limites da condenação deste na ação regressiva.
No caso da denunciação feita pelo réu, esta acontecerá no prazo para contestar a ação principal. Deverão ser observados os prazos de trinta dias ou dois meses, conforme o denunciado resida na Comarca ou em outra. Esse prazo corre em benefício da parte contrária ao denunciante.
O juiz concederá prazo de quinze dias para a resposta do denunciado. Que poderá ser uma das previstas no artigo 128: 1º- o denunciado poderá aceitar a denunciação e se tornar litisconsorte do denunciante em relação à ação principal. 2º- o denunciado pode não responder e se tornar revel; assim, o denunciante pode se omitir ao continuamento de sua defesa e não usar dos recursos cabíveis, dando atenção apenas à ação regressiva, na tentativa de obter êxito em seu pedido de regresso. 3º- o denunciado confessa os fatos; assim, o denunciante poderá prosseguir na defesa ou pedir a procedência da ação de regresso. Neste sentido, segue tabela para melhor entendimento:
Fonte: THEODORO, 2016, pág 400
Efeitos da sentença 
No início do trabalho foi mencionado que a sentença da ação principal, quando ocorre a denunciação da lide, é formalmente una e materialmente dupla. Passaremos a explicação.
Numa sentença única, duas demandas serão julgadas. A primeira entre o denunciante e a parte contrária versando o conteúdo da ação principal. Se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz julga a denunciação da lide entre denunciante e denunciado. Se o denunciante, ao contrário, for vencedor na ação principal, a ação de denunciação não será examinada e ele ficará sujeito aos encargos de sucumbência do denunciado.
Na primeira hipótese - em que o denunciante é vencido - ocorrerão execuções forçadas e o Código permite que o autor requeira o cumprimento da sentença que lhe foi favorável contra o denunciado, nos limites da condenação deste na ação regressiva.
Na segunda hipótese - em que o denunciante vence - não existirá julgamento de mérito na demanda regressiva; esta ficará prejudicada e o juiz condenará o denunciante ao adimplemento das verbas sucumbenciais em favor do denunciado. Assim, de acordo com Humberto Theodoro:
A propósito dos honorários advocatícios deve ser observado, em síntese, o seguinte: (a) se o denunciante sair vencido na ação originária e vencedor na denunciação referente à evicção, o denunciado será condenado nos encargos da ação regressiva e no reembolso daqueles a que o evicto for condenado a pagar ao evictor; (b) se a denunciação for prejudicada pela vitória do denunciante na ação originária, haverá condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado. (THEODORO, 2016, pág 394)
	
Outro ponto importante advindo dos efeitos da sentença é a maneira pela qual ela deverá ser executada. Muito se questionou se o autor da demanda poderia executar diretamente o denunciado, “pulando” a posição do denunciante que é o seu verdadeiro “devedor”, não haveria relação material entre vencedor da ação e denunciado.
Os primeiros pensadores se firmaram na concepção de que tal possibilidade era inviável pois seria necessário condenar o demandado antes da condenação do denunciado. O STJ abriu precedentes no sentido de que haveria sim tal possibilidade em casos de seguro de responsabilidade civil. Dessa forma a vítima teria direito próprio para exigir diretamente da seguradora a indenização que tem por direito, dentro dos limites do seguro.
Com a vigência do novo Código de Processo Civil, tal problema foi sanado pois o parágrafo único do artigo 128 permite a condenação direta do denunciado, como autêntico litisconsorte do denunciante, não só nos casos de responsabilidade civil, mas em todas as hipóteses em que a nova lei qualifica o denunciado como litisconsorte do denunciante.
Tal inserção, no NCPC, de possibilidade de execução direta do vencedor ao denunciado litisconsorte do denunciante é louvável. Porque mostra que os institutos legais não são interpretados apenas do ponto de vista dogmático e positivista, mas à luz das funções do devido processo legal. No mesmo sentido, Humberto Theodoro:
Enfim, é de se considerar o estágio avançado da moderna processualística, que não aceita soluções exegéticas desvinculadas de suas funções institucionais. Correta e aconselhável, nessa ordem de ideias, a moderna visão que permite, principalmente quando se frustram as condições de cobrança perante o devedor principal, o recurso à execução direta contra o denunciado. Isto, sem dúvida, atende satisfatoriamente à economia processual e, sobretudo, à garantia de efetividade da prestação jurisdicional. A composição do conflito, afinal, será completa e efetiva, evitando-se solução formal, insatisfatória, e apenas setorial, porque, a não ser assim, ficaria desguarnecido injustamente o principal direito subjetivo reconhecido pela sentença, qual seja, o do credor (autor da ação principal).(THEODORO, 2016, pág.397)
Denunciação da lide e chamamento ao processo em causas de consumo
Um esclarecimento é devido quanto a aplicação da denunciação da lide ou do chamamento ao processo nas causas consumeristas. A doutrina majoritária é contra a denunciação da lide em causas de consumo. E são três os argumentos principais.
O primeiro argumento é que seria incompatível com a responsabilidade civil objetiva que é defendida no CDC, já que a denunciação introduzargumento novo e isso é vedado pela concepção restritiva. Já abordamos tal concepção e a vimos ultrapassada pela concepção ampliativa. A decisão deverá, portanto, ser casuística. Tal argumento é fraco.
O segundo argumento é que o consumidor seria prejudicado caso o fornecedor denunciasse a lide, pois a tutela jurisdicional não seria efetivamente prestada. Não se pode proibir a denunciação da lide, em tese, sob tal argumento. Se o instituto fosse, essencialmente, tão nefasto, deveria ser proscrito de todo o sistema- e não somente da tutela jurisdicional das relações de consumo. O caso não é para soluções "em tese", "abstratas", "apriorísticas". Como o legislador não cuidou de proibir o instituto - veremos que o art. 88 do CDC não trata da denunciação da lide -, não nos parece possível esta interpretação.
O terceiro argumento se pauta no texto do CDC que diz em seu artigo 88 que é vedada a denunciação da lide nas causas de consumo em hipótese de pretensão regressiva fundada na responsabilidade por fato do produto. De acordo com a literalidade do artigo o fornecedor demandado por um fato do produto não poderia denunciar a lide ao fabricante, construtor, produtor ou qualquer outro agente que componha a cadeia da relação de consumo; a ele somente restaria a propositura de demanda regressiva autônoma, que poderia dar-se nos mesmos autos. Este artigo aplica-se tanto à tutela individual como à tutela coletiva dos direitos do consumidor.
Surgem algumas questões importantes na aplicação desse dispositivo. Primeiro, o parágrafo único do art 7º do CDC enseja a responsabilidade solidária de todos os que participaram da cadeia produtiva. Dessa forma, por haver responsabilidade solidária, a modalidade cabível é o chamamento ao processo. Portanto, mesmo que a lei proíba a denunciação, o certo seria a proibição do chamamento ao processo.
Além dessa falha, a proibição à denunciação da lide no artigo 88 do CDC é em relação as demandas de responsabilidade por fato do produto, mas não menciona aquelas relacionadas à responsabilidade por fato do serviço (art. 14 do CDC), por vício do produto ou do serviço (arts. 18 e segs. do CDC). Assim, a vedação seria inconsistente por haver remissão apenas aos casos de responsabilidade por fato do produto, e não aos demais, já que nesses outros casos a cadeia de consumo e de fornecedores também seria extensa e poderia ser prejudicial ao consumidor autor. 
Didier ainda aponta uma peculiaridade sobre o assunto:
Ainda sobre o chamamento ao processo nas causas de consumo, cabem algumas palavras sobre o art. 101, 11, CDC. A intervenção com base em contrato de seguro será, no mais das vezes, a denunciação da lide, porquanto não possua a empresa seguradora vínculo de direito material com o adversário do denunciante segurado. Sucede que o Código de Defesa do Consumidor, como forma de ainda mais bem tutelar os direitos do consumidor, criou uma figura nova do chamamento ao processo em casos de seguro (art. 101, 11, do CDC).
Na verdade, o CDC adotou expressamente a concepção doutrinária que admitia a "condenação direta" do denunciado, mesmo não havendo relação jurídica entre ele e o adversário do denunciante, sob o fundamento de que o CPC trata o denunciado como litisconsorte do denunciante - posição essa que acabou por ser encampada pelo CPC, no parágrafo único do art. 128. O STJ tem inúmeros precedentes admitindo a condenação direta da seguradora-denunciada. Para evitar discussões, o CDC optou por rotular a intervenção, que seria denunciação da lide, de chamamento ao processo, para permitir que o consumidor possa executar a sentença diretamente contra a seguradora (art. 132 do CPC). 
Eis, por enquanto, o quadro: somente é admissível, nas causas de consumo, inclusive as coletivas, o chamamento ao processo de que cuida o inciso 11 do art. 101, CDC; as demais hipóteses ficam proibidas, por força do art. 88 do CDC. Em relação à denunciação da lide, não vemos qualquer proibição em tese: é no caso concreto, à luz de suas peculiaridades, que o problema deve ser resolvido. (DIDIER, 2016, pág 519)
CHAMAMENTO AO PROCESSO
O instituto do chamamento ao processo não é novidade, visto que foi criado pelo Código de Processo Civil de 1973 e reproduzido no Código de Processo Civil de 2015, nos artigos 130 ao 132. No antigo CPC, o chamamento ao processo estava previsto no Título II, Capítulo VI, Seção IV, já no CPC atual está disposto no Título III, Capítulo III, conforme o quadro comparativo abaixo:
	TÍTULO II - DAS PARTES E DOS PROCURADORES
	TÍTULO III - DA INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
	CAPÍTULO VI - DA INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
	CAPÍTULO III - DO CHAMAMENTO AO PROCESSO
	Seção IV - Do Chamamento ao Processo
	
	Art. 77. É admissível o chamamento ao processo:
	Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
	I - do devedor, na ação em que o fiador for réu;
	I - do afiançado na ação em que o fiador for réu;
	II - dos outros fiadores, quando para a ação for citado apenas um deles;
	II - dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
	III - de todos os devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns deles, parcial ou totalmente, a dívida comum.
	III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida comum.
	Art. 78. Para que o juiz declare, na mesma sentença, as responsabilidades dos obrigados, a que se refere o artigo antecedente, o réu requererá, no prazo para contestar, a citação do chamado.
	Art. 131. A citação daqueles que devam figurar em litisconsórcio passivo será requerida pelo réu na contestação e deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem efeito o chamamento.[27: “O prazo é peremptório e corre a partir do despacho do juiz que deferir a citação dos corresponsáveis. O prazo de 30 (trinta) dias, todavia, não é para a realização do ato em si, mas sim para que o réu implemente as condições necessárias a realização da citação, como pagamento de custas, cópias, endereços e etc. A parte não pode ser prejudicada, por certo, em virtude da demora do Poder Judiciário na realização de um determinado ato.” (OAB RIO GRANDE DO SUL. Novo código de processo civil anotado. Porto Alegre: OAB RS, 2015, p. 143)]
Parágrafo único. Se o chamado residir em outra comarca, seção ou subseção judiciárias, ou em lugar incerto, o prazo será de 2 (dois) meses.
	Art. 79. O juiz suspenderá o processo, mandando observar, quanto à citação e aos prazos, o disposto nos artigos 72 e 74.
	Sem correspondente no CPC 2015.
	Art. 80. A sentença, que julgar procedente a ação, condenando os devedores, valerá como título executivo, em favor do que satisfizer a dívida, para exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou de cada um dos codevedores a sua quota, na proporção que lhes tocar.
	Art. 132. A sentença de procedência valerá como título executivo em favor do réu que satisfizer a dívida, a fim de que possa exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou de cada um dos codevedores a sua quota, na proporção que lhes tocar.
O chamamento ao processo é uma das espécies de intervenções de terceiro, por meio da qual o réu chama ao processo os demais coobrigados, com o objetivo de que estes participem da lide na mesma posição que ele (réu). Ademais, essa é uma modalidade em que o réu “traz o terceiro ao processo com vista a obter uma sentença que o responsabilize.” (CINTRA; GRINOVER; DINAMARCO, 2015, p.390).
Cabe ressaltar ainda que esse tipo de intervenção é uma intervenção coactaou forçada, visto que ocorre quando “o terceiro é provocado a participar do processo de outrem” (ALVIM, 2015, p. 180). [28: “Na intervenção espontânea, o terceiro pede para intervir. Ex.: assistência, oposição, recurso de terceiro. Já, na intervenção coacta (ou provocada), o terceiro vem a juízo porque é trazido. Ex.: denunciação da lide, nomeação à autoria, chamamento ao processo.” (RACHEL, 2010.)]
Conceito e generalidades
O chamamento ao processo, segundo HumbertoTheodoro Júnior, pode ser conceituado como “o incidente pelo qual o devedor demandado chama para integrar o mesmo processo os coobrigados pela dívida, de modo a fazê-los também responsáveis pelo resultado do feito” (THEODORO JÚNIOR, 2015, p. 401).
Esta modalidade de intervenção só pode ser provocada pelo réu, é cabível somente no processo de conhecimento, deve ser promovida na contestação e tem como característica, o fato de que se “funda na existência de um vínculo de solidariedade entre o chamante e o chamado” (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 515), de forma que ausente este vínculo, exclui-se da lide o chamado ao processo, sem resolução do mérito, conforme o julgado a seguir: 
PROCESSUAL CIVIL - CHAMAMENTO AO PROCESSO - AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA - NÃO-CABIMENTO - EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO EM RELAÇÃO À PESSOA CHAMADA AO PROCESSO.- O chamamento ao processo é instrumento de que dispõe o réu para trazer à lide os demais coobrigados solidários, quando houver sido demandado sozinho pela dívida comum; ausente tal situação, impõe-se a exclusão da lide da pessoa chamada ao processo, extinguindo-se o feito sem resolução de mérito quanto à mesma, devendo a parte se valer dos meios próprios para buscar seus direitos. (MINAS GERAIS. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Apelação Cível nº 1188769-56.2006.8.13.0024. Relator: Des(a). Mota e Silva. Belo Horizonte, MG, 08 de janeiro de 2011. Cartório da 18ª Câmara Cível: Unidade Raja Gabaglia. Belo Horizonte, 25 fev. 2011.)
Cabe aqui ressaltar que, pelo fato da denunciação da lide ser semelhante ao chamamento ao processo, muitas vezes estes dois institutos são confundidos. Assim, se faz necessária uma distinção para solucionar esta confusão à luz do direito material. Neste sentido, José Roberto dos Santos Bedaque esclarece que “na denunciação existe vínculo jurídico no plano material apenas entre denunciante e denunciado; no chamamento, os chamados são devedores do credor comum, não do chamado” (BEDAQUE, 2003, p. 112).
Acreditamos que o chamamento foi criado para beneficiar o réu e que este instituto evidencia uma desarmonia entre direito material e direito processual. Isto ocorre porque, segundo a regra anterior, quando havia solidariedade entre os sujeitos passivos, o credor podia exigir a dívida de qualquer um dos que figuravam como codevedores, conforme evidenciado no quadro abaixo: 
	Desarmonia entre direito material e direito processual
	CÓDIGO CIVIL DE 2002
	CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015
	Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.
Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores.
	Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I - do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II - dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida comum.
Neste sentido, o benefício do credor escolher de quem vai exigir a dívida lhe é tirado, conforme o entendimento de Didier Júnior (2016), “na medida em que pode o devedor solidário demandado trazer ao processo o outro devedor, que por opção do autor-credor não havia sido colocado como parte ré, impondo ao demandante prosseguir no processo” contra quem, num primeiro momento não litigaria.
Acreditamos, ainda, que o instituto tem por fim a economia processual, já que não é necessário um novo processo de cognição exauriente para regular a corresponsabilidade. Configura-se, portanto um litisconsórcio ulterior, facultativo e passivo, de forma que aqueles que são chamados devem ao autor da demanda e não ao chamante.
Hipóteses de cabimento
As hipóteses de cabimento estão previstas no CPC, art. 130, incisos I, II e III e são, resumidamente, as seguintes: a primeira dispõe sobre o chamamento do afiançado (devedor principal), na demanda em que o fiador conste sozinho; a segunda ocorre quando existem mais fiadores da obrigação do que aqueles que constam no polo passivo da demanda em questão e a terceira e última possibilidade trata dos demais devedores nos casos em que há responsabilidade solidária no pagamento de uma determinada obrigação. 
Por outro lado, o chamamento não será admitido se o réu não efetuá-lo no momento da contestação, sob pena de caracterizar a preclusão, perdendo o réu o direito de invocar tal intervenção de terceiro. Dito isto, passemos agora a análise mais detida das três hipóteses de cabimento previstas no art. 130 do CPC:
A hipótese do inciso I trata da ação em que o réu é fiador e o devedor principal (afiançado) poderá ser chamado a integrar a lide. Nesta hipótese, poderá o fiador fazer valer o benefício de ordem previsto no art. 827 e seu parágrafo único do CC e nomear os bens livres e desembargados do afiançado à penhora. Ademais, é importante ressaltar que “em regra, a responsabilidade do fiador é subsidiária, isto é, o credor deverá voltar-se antes contra o devedor, excutindo bens do seu patrimônio.” (WAMBIER, 2016, p. 274). Somente se os bens do devedor forem insuficientes é que o fiador será atingido.[29: “Perceba, não cabe chamamento do fiador na hipótese de o devedor principal ser demandado, pois não há possibilidade de regresso do devedor em face do fiador” (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 516)][30: Art. 827. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor. Parágrafo único. O fiador que alegar o benefício de ordem, a que se refere este artigo, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito.]
A hipótese do inciso II, por sua vez, ocorre quando existem dois ou mais fiadores solidários- em relação ao mesmo débito e o credor cobra a dívida de apenas um destes fiadores. O fiador que foi demandado primeiro poderá chamar os outros cofiadores para integrarem a lide, assim como também pode chamar o devedor principal. Entretanto, é importante ressaltar que, se no negócio jurídico foi pactuada uma divisão exata do quinhão equivalente a cada um dos fiadores solidários, o chamamento acaba sendo dispensável, uma vez que cada fiador responderia somente pela parte que pactuou.[31: Com base no art. 829 do CC, depreende-se que existe solidariedade entre os sujeitos que prestam fiança em conjunto.][32: Art. 829. A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservarem o benefício de divisão. Parágrafo único. Estipulado este benefício, cada fiador responde unicamente pela parte que, em proporção, lhe couber no pagamento.]
Quanto à hipótese do inciso III, leciona Didier Júnior (2016) que “é admissível o chamamento ao processo de todos os devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns deles, parcial ou totalmente, a dívida comum”. Assim, fica claro que o credor tem a faculdade de escolher contra qual dos devedores solidários exercerá a pretensão executória. [33: Conforme o Enunciado n. 351 das Jornadas de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal: “A renúncia à solidariedade em favor de determinado devedor afasta a hipótese de seu chamamento ao processo”.]
Ademais, cabe ressaltar ainda que a regra desta hipótese comporta algumas exceções, conforme exemplifica Fredie Didier Jr.:
O STJ, em julgamento de recursos especiais repetitivos, não aceitou o chamamento ao processo da União feito pelo Estado-membro, no caso de ação para fornecimento de medicamento. Entendeu que o art. 77, III, CPC-1973 (correspondente ao inciso III do art. 130 atual), referia-se apenas às obrigações solidárias pecuniárias, não admitindo interpretação extensiva para as obrigações de entregar coisa certa (1ª. S., REspn. 1.203.244-SC, Rel Min. Herman Benjamin, j. em 9.4.2014)
O STF também não admitiu esse chamamento ao processo, com fundamentação mais inespecífica, relacionada à duração razoável do processo (1ª T., AgRg no RE n. 607.381, rel. Min. Luiz Fux, j. em 31.05.2011, publicado no DJe de 17.06.2011). (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 517)
Por fim, cabe ressaltar que existem outras hipótese em que é cabível o chamamento ao processo. Tais hipóteses dizem respeito às relações de consumo (que foram tratadas no item 4.5 Denunciação da lide e chamamento ao processo em causas de consumo) e às ações de alimentos (que serão tratadas no item 6.4 A intervenção de terceiros na ação de alimentos).
Procedimento
As regras para o procedimento correto do chamamento ao processo estão previstas no art. 131 do CPC. Deste artigo depreende-se que o momento certo para o chamamento é o da contestação que deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias-. De tal sorte, não sendo promovida a citação no prazo devido, esta modalidade de intervenção de terceiros não terá efeito.[34: Se o chamado residir em outra comarca ou em lugar incerto, a previsão do parágrafo único do artigo 131 do CPC dispõe que o prazo para citação será de dois meses.][35: SÚMULA 106 - Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência. Data da Publicação - DJ 03.06.1994 p. 13885.]
Aqui é importante ressaltar, mesmo à exaustão, que não é admitido, de forma alguma, na fase de execução, o chamamento ao processo, sob pena de atentar-se contra os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Isto se dá pelo fato de que para que o chamado tenha a oportunidade de produzir defesa, ele deve ser integrado ao processo desde o começo.[36: Conforme a breve e pontual explicação de Wambier (2016), “[...] ninguém pode ser privado de seus bens sem o devido processo legal, que lhe assegure o contraditório”. ]
A vinculação do terceiro ao processo não depende de que haja sua aceitação, portanto, aquiescendo ou não, a sentença que condenar o chamante também terá força de coisa julgada contra o que foi chamado. 
Quanto ao término do procedimento, podemos dizer que este surge com a improcedência ou procedência da sentença, de modo que se esta for procedente, a sua natureza será condenatória, pois o juiz condenará o réu ou todos os coobrigados ao adimplemento da dívida. Por outro lado, conforme explica Torres (2016), “caso não haja o cumprimento, esta sentença vale como título executivo em favor do que pagar a dívida para exigi-la do devedor principal ou dos codevedores a quota que tocar a cada um.”
Efeitos da sentença 
Conforme foi mencionado acima, apesar do autor ter ajuizado a ação contra um ou alguns dos réus, quando houver o chamamento ao processo, o polo passivo da demanda será ampliado. Em virtude desta ampliação, “a sentença que julgar procedente a demanda condenará todos os réus, nos limites de suas responsabilidades” (OAB RIO GRANDE DO SUL, 2015, p. 14).
Assim sendo, conforme disposição do art. 132, CPC, ao final do processo, o autor poderá exigir o que lhe é de direito de qualquer um dos devedores, codevedores, fiadores ou cofiadores. Vale ressaltar ainda que o objetivo da lei é a inclusão do chamante e do chamado na mesma condenação tendo em vista que se forma um título judicial que só pode ser executado contra os que participaram do seu processo de formação. Neste, sentido:
Serve o título executivo judicial para que o devedor que adimpliu a obrigação cobre a dívida do devedor principal ou dos corresponsáveis, de acordo com a sua responsabilidade. Tal conclusão retira-se do fato de que o Poder Judiciário terá que analisar cada responsabilidade e ao final, no dispositivo da sentença, terá que dispor sobre a responsabilidade de cada corréu. (OAB RIO GRANDE DO SUL, 2015, p. 143)
A decisão deve analisar a situação de cada um dos chamados ao mesmo tempo. Se o pedido do autor for procedente, o título executivo valerá contra todos os litisconsortes, de forma que o demandante pode requerer o cumprimento da sentença de qualquer um deles. Ademais, conforme ressalta Assis (2015), é “importante o esclarecimento de que o demandado que cumprir a decisão, sub-roga-se no direito do demandante, podendo exigir a prestação dos demais proporcionalmente a responsabilidade de cada um, permitido a cobrança por inteiro do devedor principal.”
OUTRAS HIPÓTESES SOBRE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
As outras hipóteses de intervenções de terceiros que serão abordadas nesta parte final do estudo, são as intervenções de terceiros nas relações de consumo, as intervenções de terceiros nos Juizados Especiais, a intervenção do amicus curiae e, por fim a intervenção de terceiros na ação de alimentos.
As intervenções de terceiros nas relações de consumo
O terceiro a quem se refere o Código de Defesa do Consumidor está disposto nos artigos 13, parágrafo único, 88 e 101, no qual é aquele que ingressa na relação processual pendente, fazendo-se parte dela para responder seus termos. O tema já foi abordado acima, sendo contrapostos os institutos da denunciação da lide e do chamamento ao processo (item 4.5), entretanto por se tratar de uma matéria delicada faremos mais algumas considerações.
Sendo assim, os doutrinadores posicionam-se pelo não cabimento de denunciação da lide em causas de consumo, pois ela introduziria um novo fundamento jurídico, que é vedado pela concepção restritiva e o artigo 88, baseado no artigo 13, ambos do CDC, veda a denunciação da lide.
O motivo da vedação se dá pelo fato de que é necessário o acesso do consumidor ao Poder Judiciário de forma célere por ser a parte mais vulnerável da relação de consumo, impedindo alegações ou intervenções que retardem a entrega da tutela jurisdicional, diante de situações alheias ao seu interesse e somente do interesse do denunciante e do denunciado.
Dessa maneira não pode o demandado denunciar a lide a outro agente que faça parte da cadeia da relação de consumo, por exemplo, não pode o fabricante denunciar ao fornecedor. Em contrapartida, para que em detrimento do interesse particular do demandado seja evitada a intervenção de terceiros, o CDC também facultou ao demandado a possibilidade de reaver seu direito em sede de ação de regresso autônoma (artigo 13, parágrafo único).
Contudo, em vista do artigo 7º do CDC, o qual diz que há solidariedade entre todos aqueles que tenham participado da cadeia produtiva, o que torna a modalidade interventiva do artigo 88, chamamento ao processo. A proibição do chamamento ao processo se dá, pois, este tipo de intervenção beneficia o devedor demandado em detrimento do credor, e, além disso, ocorreria a formação de um litisconsórcio passivo muito grande, devido a quantidade de participantes na cadeia produtiva.
Sobre o artigo 101, inciso II, ele possibilita o chamamento ao processo nos casos de seguro, para que o consumidor seja beneficiado. Assim, o denunciado pode sofrer uma condenação direta ainda que não exista relação jurídica com o adversário do denunciante.
Concluindo, diferentemente do artigo 88, que proíbe o chamamento ao processo, o artigo 101 admite, tanto nas causas individuais quanto nas coletivas, essa modalidade de intervenção nas causas de contrato de seguro.
As intervenções de terceiros nos Juizados Especiais
A Lei dos Juizados Especiais tem como princípio maior o da efetividade da Justiça, mediante o acesso facilitado ao Judiciário. A efetividade apresenta-se como um princípio implícito, decorrente dos demais destacados no artigo 2o da Lei no 9.099/95 (oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade), a ser perseguido por todos os operadores do direito visando à maior eficiência e à concreção dos direitos de cidadania. O princípio da efetividade permeia a Lei dos Juizados Especiais como uma diretriz que, em conjunto com os demais princípios, norteia a interpretação danorma a ser balizada frente ao caso concreto.
A oralidade é um princípio que promove uma maior proximidade entre o magistrado e o jurisdicionado, facilitando uma solução rápida do litígio, sendo uma inovação no cenário jurídico tradicional, tendo ainda como princípios correlatos o da imediatidade, o da irrecorribilidade das decisões interlocutórias e o da identidade física do juiz, tanto na esfera especial cível, como especial criminal.
Pelo princípio do imediatismo o juiz deve proceder diretamente à colheita de todas as provas, em contato imediato com as partes, propondo a conciliação, expondo as questões controvertidas da lide etc. Com isso o magistrado recebe, sem intermediários, o material de que se servirá para julgar, obtém informações e toma conhecimento de características e motivação das partes etc. 
O princípio da identidade física do juiz, ou da imutabilidade do juiz, corolário e complemento do princípio do imediatismo do julgar, preconiza que o magistrado deve seguir pessoalmente o procedimento desde o início até o término, com a prolação da sentença. Evita-se, assim, que o feito seja julgado por juiz que não teve contato direto com os atos processuais. Embora não adotado tal princípio no Código de Processo Penal, no rito sumaríssimo do juizado especial criminal, impõe-se sua aplicação, vez que predomina nesse campo, o critério da oralidade, aplicando-se, por analogia o artigo 132 do Código Processo Civil.
O princípio da oralidade recebeu um relevo extraordinário na Lei no 9.099/95, quando se observa os seguintes aspectos: o pedido originário da parte pode ser formulado "oralmente" perante o Juizado (art. 14, § 3o); o mandato ao advogado pode ser verbal (art. 9o, § 3o); serão decididas de plano todas as questões que possam interferir no prosseguimento da audiência e, as demais, na sentença que é proferida logo após (arts. 28 e 29); a contestação pode ser oral (art. 30); o resultado da inspeção de pessoas ou coisas por auxiliares do juízo pode ser consubstanciado em relatório informal (art. 35, parágrafo único), não obstante o recurso tenha que ser escrito (art. 42); os embargos de declaração podem ser orais (art. 49) e o início da execução de sentença pode ser verbal (art. 52, IV). 
A oralidade é princípio informativo do procedimento, onde há prevalência da palavra "falada". 
É a concentração, quanto possível, da discussão oral da causa em audiência, evitando-se, com isso, a realização sequencial de atos processuais. Pressupõe a identidade física do juiz, pois aquele que realizou a audiência onde foi praticamente debatida toda a causa deve também julgá-la. Decorre da adoção do princípio da oralidade, também, a irrecorribilidade das decisões interlocutórias, facilitando o bom desenvolvimento do processo. Por isso, descabe o recurso de agravo, retido ou de instrumento no Juizado Especial.
Os princípios da simplicidade e informalidade revelam a nova face desburocratizadora da Justiça Especial. Pela adoção destes princípios pretende-se, sem que se prejudique o resultado da prestação jurisdicional, diminuir tanto quanto possível a massa dos materiais que são juntados aos autos do processo, reunindo apenas os essenciais num todo harmônico. 
A fusão destes princípios justifica-se em virtude de a simplicidade ser instrumento da informalidade, ambos consectários da instrumentalidade das formas. 
Vale ressaltar, neste particular, as seguintes disposições da Lei no 9.099/95: o pedido deverá ser formulado de maneira simples e em linguagem acessível (art. 14, § 1o); não se pronunciará nulidade sem que tenha havido qualquer prejuízo (art. 13, § 1o); a citação em geral pode ser feita por oficial de justiça independentemente de mandado ou carta precatória (art. 18, III); as intimações podem ser feitas por qualquer meio idôneo (art. 19); todas as provas serão produzidas em audiência, ainda que não requeridas previamente; as testemunhas comparecerão, independentemente de intimação (art. 34); a sentença pode ser concisa (art. 38); o julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva - se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos; a súmula do julgamento servirá de acórdão (art. 46); o início da execução da sentença condenatória não cumprida pode ser verbal e dispensa nova citação (art. 52, IV); a alienação de bens penhorados pode ser entregue a pessoa idônea (art. 52, VII); é dispensada a publicação de editais na alienação de bens de pequeno valor (art. 52, VIII). Prevê a lei a dispensa do inquérito policial (art. 69) e do exame de corpo de delito para o oferecimento da denúncia com a admissão da prova da materialidade do crime por boletim médico ou prova equivalente (art. 77, § 1o) etc. 
Por isso, a lei afasta do Juizado as causas complexas ou que exijam maiores investigações (art. 77, § 2o), como remete ao Juízo comum as peças existentes quando não for encontrado o denunciado para a citação pessoal (art. 78, § 1o, c/c o art. 66, parágrafo único) etc. Em consequência do princípio da simplicidade, também se declara que "não se pronunciará qualquer nulidade sem que tenha havido prejuízo" (art. 65, § 1o); que, na sentença é "dispensado o relatório" (art. 81, § 3o) etc.
Tais princípios são desdobramentos, também, do princípio da economia processual. Mormente porque se trata de justiça volvida, sobretudo, à celeridade dos conflitos, e destinada ao leigo, a simplicidade no processar e a informalidade dos atos deve sempre suplantar qualquer exigência formalista.
A forma do ato processual é o meio, e, em se tratando de Juizado Especial, o meio utilizado nunca deve prejudicar o fim a que se destina. Não há, pois, qualquer solenidade nas formas. A única exigência que se faz é que esteja presente o mínimo exigível para a inteligência da manifestação da vontade e a consequente solução dos conflitos. 
Há que se estabelecer uma relação inversa entre custo processual e benefício obtido da prestação jurisdicional, somente não se podendo ultrapassar o limite de segurança exigível nas decisões judiciais. Da leitura dos artigos 13 e seu § 1o; 14 e seu § 1o; 18, inciso III; 19; 52, incisos IV, VII e VIII da Lei no 9.099/95 vislumbra-se que o legislador dedicou grande importância à consagração de tal princípio norteador.
Pelo princípio da economia processual entende-se que, entre duas alternativas, se deve escolher a menos onerosa às partes e ao próprio Estado. Sendo evitada a repetição inconsequente e inútil de atos procedimentais, a concentração de atos em uma mesma oportunidade é critério de economia processual. Exemplos dessa orientação são a abolição do inquérito policial e a disposição que prevê a realização de toda a instrução e julgamento em uma única audiência, evitando-se tanto quanto possível sua multiplicidade. Além disso preconiza-se o aproveitamento dos atos processuais, tanto quanto possível, poupando-se tempo precioso, tão escasso nas lides forenses diante da pletora de ações propostas. Dispõe a lei, aliás, que os serviços de cartório poderão ser prestados e audiências realizadas fora da sede da Comarca, em bairros ou cidades a ela pertencentes, ocupando instalações de prédios públicos (art. 94). Nada impede, ao contrário, é recomendável que, para a documentação dos atos processuais, sejam utilizados formulários impressos com espaços a serem preenchidos pelos auxiliares da Justiça, poupando-se o tempo de redação integral desses documentos. 
Os princípios da economia processual e da celeridade oportunizam a otimização e a racionalização dos procedimentos, objetivando a efetividade dos Juizados Especiais. Tais princípios impõem ao magistrado na direção do processo que confira às partes um máximo de resultado com um mínimo de esforço processual, bem como orientam para, sempre que possível, que haja o aproveitamento de todos os atos praticados. 
Vale lembrar que tal aproveitamento tem como limite apenas a ausência de prejuízo a se causar aos fins da Justiça. Em se tratando de processo que tramita frenteao Juizado há de se cuidar, especialmente, do aproveitamento dos atos processuais, em face da permissão de que os leigos litiguem desassistidos de profissional habilitado (em causas de valor não excedente a 20 salários mínimos). A partir do momento em que a lei confere ao leigo capacidade postulatória, o julgador há de ter em mente a falta de preparo técnico deste, somente não aproveitando qualquer ato quando o mesmo se demonstrar a tal ponto contradizente com os padrões ordinários que colocaria em risco a própria atividade jurisdicional. 
Em nome do princípio da economia processual, e sempre no intuito de garantir a celeridade processual, é que aboliu o legislador a figura da reconvenção junto ao Juizado Especial, garantindo ao réu, todavia, o direito de deduzir pedido contraposto, pelo que, no mesmo processo, e independentemente de reconvenção, poderá ter conhecido e julgado pedido seu em face do autor, tendo-se, portanto, que a priori todas as ações que tramitam junto ao Juizado têm natureza dúplice.
A referência ao princípio da celeridade diz respeito à necessidade de rapidez e agilidade do processo, com o fim de buscar a prestação jurisdicional no menor tempo possível. Neste sentido prevê a lei que a autoridade policial, tomando conhecimento da ocorrência, deva lavrar o termo circunstanciado, remetendo-o com o autor do fato e a vítima, quando possível, ao Juizado. Estando presentes estes no Juizado, já se pode realizar a audiência preliminar, propondo-se a composição e em seguida a transação que, obtidas, serão homologadas pelo juiz. Permite-se, ainda, em termos gerais, que os atos processuais sejam realizados em horário noturno e em qualquer dia da semana (art. 64). Dispõe a lei que a citação pode ser feita no próprio Juizado, que nenhum ato será adiado, determinando o juiz, quando imprescindível, a condução coercitiva de quem deva comparecer (art. 80) etc.
Sabe-se que a Lei nº 9099/95 é regida subsidiariamente pelo novo Código de Processo Civil, em virtude da previsão deste no seu art. 318 estabelecer que em eventuais lacunas das normas específicas, terão cabimento as regras no NCPC.
Desse modo, apesar de os juizados especiais estarem submetidos a um rito próprio, com a utilização da lei processual apenas de forma complementar, várias normas introduzidas no NCPC possuem caráter geral e impactam nas ações que tramitam naquele juizado.
Dentre elas, podemos citar:
o art. 219 do NCPC, que ordena a contagem do prazo em dias úteis;
o art. 220 do NCPC, que prevê a suspensão do curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro;
o art. 1.063 do NCPC que manteve, até a edição de lei específica, a competência dos juizados especiais cíveis para processamento e julgamento das causas que aquele dispositivo do código velho descrevia como sujeitas ao rito sumário;
o art. 1.064 do NCPC deu nova redação ao art. 48 da Lei nº 9.099/95 – “Caberão embargos de declaração contra sentença ou acordão nos casos previstos no Código de Processo Civil”. Dessa forma, houve a unificação do procedimento de embargos de declaração para todos os juízos, comum e especial;
o art. 1.062 do NCPC dispõe que também é aplicável ao processo de competência dos juizados especiais o incidente de desconsideração da personalidade jurídica de que tratam os arts. 133 a 137 do NCPC;
por fim, o art. 985 do NCPC, impõe aos órgãos do sistema de juizados especiais a obrigatoriedade de adotar a tese jurídica acolhida em Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), previsto nos arts. 976 e seguintes do NCPC. 
Tratando da intervenção de terceiros, não é admissível nenhuma modalidade de intervenção, o artigo 10, da Lei 9.099/95, que regulamenta o procedimento perante o Juizado Especial Cível, coíbe expressamente no processo qualquer forma de intervenção de terceiro, inclusive de assistência, admitindo-se tão somente o litisconsórcio, seja ele ativo ou passivo.
A impossibilidade de intervenção é justificada pelo fato de que a simplicidade e a celeridade são pilares dos Juizados Especiais, pois o interveniente no processo aumentaria a complexidade da lide e a morosidade do processo, valores que os Juizados pretendem evitar.
A intervenção do amicus curiae 
Amicus curiae é uma expressão em latim que significa amigo da corte, ou amigo do tribunal, na qual é parte do processo, mas é alguém que é chamado ou se oferece para dar o seu parecer a respeito de uma causa, podendo ser pessoa natural ou jurídica e entidade ou órgão especializado no tema do processo. 
O amicus curiae-literalmente, O amigo da cúria, amigo da corte - é um terceiro que pode participar do processo a fim de oferecer razões para a sua justa solução ou mesmo para formação de um precedente. O que o move é o interesse institucional: o interesse no adequado debate em juízo de determinada questão nele debatida. (MARINONI, 2015, p. 99).
Para melhor entendimento e com o intuito de ilustrar tal instituto segue um agravo regimental do STJ:
PROCESSUAL CIVIL. CONTROVÉRSIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543-C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. AMICUS CURIAE. INGRESSO. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não se admite o ingresso como amici curiae de pessoas físicas em recurso representativo de controvérsia (art. 543-C do CPC), ainda que haja interesse subjetivo direto na tese discutida. A propósito: Rcl 4.982/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 4.5.2011; e REsp 1.251.331/RS, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, DJe 24.10.2013. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ - AgRg na PET no REsp: 1186513 RS 2010/0055061-0, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 09/03/2016, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 25/05/2016)
 Diferentemente da assistência, o amicus curiae não atua em prol de uma causa individual, mas em prol de um interesse não necessariamente titularizado, coletivo, na qual a decisão possa afetar certo grupo de pessoas. 
A questão somente foi regulada no Código de Processo Civil de 2015 em seu artigo 138, no qual enuncia que o amicus curiae pode ter participação em qualquer processo, desde que a causa seja relevante e que ele tenha alguma relação com a lide, ou seja, é necessário que tenha uma representatividade adequada.
Tratando de sua natureza jurídica, há controvérsias. Alguns autores tratam como terceiro interveniente atípico e outros como um terceiro que intervém com o intuito de auxiliar, dar suporte e aprimorar as decisões dos magistrados. Porém, a ideia mais usada é da atipicidade do amicus curiae, pois ele não pode se confundir com os auxiliares habituais como escrivão, perito, curador, etc. já que ele nem sempre participa do processo, e, quando participa, sua função é opinar a respeito da causa, além de não existir honorários nem regras de impedimento e suspeição.
O procedimento para a intervenção do amicus curiae é feito a requerimento do juiz, de ofício, ou da parte, e até mesmo pelo próprio “amigo da corte”. É necessário que o tema de objeto da demanda seja específico ou que a controvérsia tenha repercussão social, e que a matéria seja relevante. Preenchendo um desses requisitos, o juiz poderá solicitar ou admitir a participação por meio de decisão irrecorrível. Dessa maneira, mesmo o juiz admitindo ou não a presença do amicus curiae, deverá argumentar o porquê da decisão.
Por fim, é possível afirmar que a intervenção do amicus curiae não altera a competência, então, se ele ingressar em um processo que tramita na Justiça Estadual, não há necessidade do processo ser remetido à Justiça Estadual. Além disso, não há legitimidade recursal para amicus curiae, somente é possível embargo de declaração e cabimento de recurso contra a decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas.
A intervenção de terceiros na ação de alimentos
Este tipo de intervenção de terceiro foi criado no código civil, em seu artigo 1.698, o qual enuncia que, se o parente que deve alimentos em primeiro lugar não conseguir suportar o encargo, por falta de condição,serão chamados a concorrer os de grau imediato.
A intervenção de terceiros na ação de alimentos é uma modalidade que não se enquadra em nenhum outro tipo de intervenção. Além disso, foi criada para auxiliar o autor da ação, no caso, o credor da dívida alimentar, e, a terceira pessoa só ingressa no processo com a provocação de uma das partes.
Outro ponto a ser citado é que a dívida alimentar não é solidária - exceto o artigo 12 da Lei n. 10.741/01 – Estatuto do Idoso, que estabeleceu a regra da solidariedade para os alimentos prestados em favor da pessoa idosa - ou seja, não há possibilidade do credor exigir o pagamento de todo o débito de apenas um dos devedores. Dessa maneira, cada devedor é responsável por uma parcela, calculada de forma proporcional, gerando na maioria das vezes parcelas desiguais entre os obrigados. 
Porém, no caso de um dos inadimplentes não tiver recurso financeiro, e este for considerado incapacitado, será exonerado do encargo, e o outro devedor será responsável pelo total da dívida.
A respeito do ingresso do terceiro, não podemos dizer que traz algum benefício ao réu, pois da mesma forma o juiz fixará o valor devido, apenas levará em consideração que existe um outro parente de mesmo capaz, ou não (caso a parte autora demonstre que o outro devedor é incapaz de pagar) de suportar o encargo. Sendo assim, se o credor achar insuficiente a pensão, cabe a ele demandar outra ação de alimentos, mas destinada aquele devedor – comum – terceiro.
É importante ressaltar que a intervenção na ação de alimentos não tem qualquer semelhança com o chamamento ao processo, porque o chamamento é um tipo de intervenção provocado pelo réu, e, no entanto, na ação de alimentos é feito pelo autor e dispensa a concordância do réu originário. Como exemplo, segue abaixo:
AGRAVO INOMINADO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR QUE DEU PROVIMENTO AO AGRAVO INOMINADO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO DE FAMÍLIA. AÇÃO DE ALIMENTOS APENAS EM FACE DA AVÓ PATERNA. OBRIGAÇÃO AVOENGA. RÉ (AVÓ PATERNA) QUE PEDE O CHAMAMENTO AO PROCESSO DOS AVÓS MATERNOS. JUIZ A QUO QUE INDEFERE O PEDIDO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO DO RELATOR NEGANDO SEGUIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO INOMINADO DA RÉ. PROVIMENTO. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA. POSSIBILIDADE DE CHAMAMENTO DOS AVÓS MATERNOS. MODALIDADE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO DE NATUREZA ESPECIAL PREVISTA EXPRESSAMENTE NO ART. 1698 DO CC/2003. AGRAVO INOMINADO DA AUTORA. DESPROVIMENTO AO AGRAVO INOMINADO. Ação ajuizada pela neta apenas em face da avó paterna, sob a alegação de que o genitor jamais cumpriu a obrigação alimentar. Pedido de chamamento ao processo dos avós paternos indeferido pelo juízo a quo, considerando que se trata de litisconsórcio facultativo. Agravo de instrumento interposto pela ré pretendendo a reforma da decisão, sob o entendimento de que o litisconsórcio é necessário. Decisão monocrática deste Relator negando seguimento ao agravo de instrumento. Agravo Inominado da ré pretendendo a reconsideração da decisão monocrática com a reforma da decisão do juízo a quo aduzindo as mesmas razões do agravo de instrumento. Reconsideração da decisão monocrática. Assiste razão à ré. Obrigação avoenga que ostenta natureza complementar e subsidiária, devendo, ante a divisibilidade e possibilidade de fracionamento da obrigação alimentar, ser diluída entre todos os avós, paternos e maternos, na medida de seus recursos. Avós paternos que, na condição de co-alimentantes, devem ser chamados para integrar o polo passivo da ação de alimentos, na forma dos artigos 1.696 e 1.698 do Código Civil. Negar ao réu a possibilidade de convocar os demais codevedores, além de esvaziar a ratio do próprio dispositivo legal, importaria em onerar excessivamente o acionado, que responderia sozinho, ou, caso não pudesse prestar integralmente a verba, prejudicaria os interesses do alimentando, pois importaria a fixação de alimentos em percentual inferior às suas necessidades. Precedentes do STJ e desta Corte. Provimento do agravo inominado da ré, com base no art. 557, § 1º-A, do CPC. Agravo inominado interposto pela autora almejando a reconsideração. Pretensão que não merece prosperar, pelos mesmos motivos da decisão monocrática agravada. Desprovimento do agravo inominado da autora.
(TJ-RJ - AI: 00069194920138190000 RJ 0006919-49.2013.8.19.0000, Relator: DES. JUAREZ FERNANDES FOLHES, Data de Julgamento: 19/02/2014, DÉCIMA QUARTA CAMARA CIVEL, Data de Publicação: 16/04/2014 16:27)
Portanto, a inovação dessa modalidade de intervenção é que, podemos afirmar que a interpretação do artigo 1.698 autoriza a formação de um litisconsórcio passivo facultativo ulterior simples, já que o interesse em trazer ao processo um devedor comum é do autor.
É possível também que o autor proponha ação em face de todos os devedores que estejam no mesmo grau de parentesco, e assim o juiz já poderia fixar a parcela proporcional de cada um dos devedores, o que constitui em litisconsórcio facultativo simples.
O litisconsórcio facultativo eventual cabe quando, a demanda é proposta para parentes em graus distintos, por exemplo pai e avô.
Por fim, existe um entendimento que é praticável uma ação direta a um parente de grau mediato, saltando o obrigado principal, para garantir os princípios processuais de acesso à justiça e a duração razoável do processo.
A jurisprudência da Quarta Turma deste Superior Tribunal entende ser subsidiária à dos pais a responsabilidade dos avós em prestar alimentos. Contudo deve ser averiguada concomitantemente com a dos pais, ou seja, há que ser aferida se está ou não sendo prestada pelos pais e, mesmo que esteja, se é bastante ou não para atender as necessidades do alimentado. Se for prestada e suficiente, não há que se falar em complementação pelos avós. Se é prestada, mas não atende satisfatoriamente as necessidades do menor, mas já atinge o limite da suportabilidade dos pais, aí sim devem ser chamados os avós para completar. Assim, a Turma conheceu do recurso, deu-lhe parcial provimento para reconhecer a possibilidade jurídica do pedido de alimentação complementar e determinou que o Tribunal a quo examine o mérito do pedido provisório de pensionamento.(Precedente citado: REsp 119.336.- SP, DJ 10/3/2003. REsp 373.004 – RJ, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 27/3/2007. 4ª Turma.)
Isso se justifica pelo fato de que o parentes cujo grau de parentesco não é imediato possuem caráter subsidiário no pagamento da dívida alimentícia. Sendo assim, o caso pode ser resolvido utilizando do instituto do litisconsórcio eventual. Para ilustrar esta situação, segue a jurisprudência abaixo:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE ALIMENTOS AJUIZADA CONTRA UM DOS FILHOS. ARTIGO 12 DO ESTATUTO DO IDOSO X ART. 1.698 DO CÓDIGO CIVIL. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO ULTERIOR SIMPLES. FIXAÇÃO LIMINAR DE ALIMENTOS. Nos termos do artigo 1.698 do Código Civil, os filhos formam litisconsórcio facultativo ulterior simples nas ações de alimentos ajuizadas pelos pais. Para a adequada avaliação do binômio alimentar, imperioso que todos os filhos componham o pólo passivo da ação de alimentos. Os alimentos postulados em decorrência da solidariedade familiar exigem, para o deferimento da tutela antecipada, prova das possibilidades do alimentante. AGRAVO DESPROVIDO. (Agravo de Instrumento Nº 70065137127, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Julgado em 16/07/2015). (TJ-RS - AI: 70065137127 RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Data de Julgamento: 16/07/2015, Oitava Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 21/07/2015)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observamos, que as hipóteses de intervenção de terceiros podem acarretar em litisconsórcios, quer na modalidade necessário ou facultativo, como a assistência e denunciação da lide. Porém, entendemos que a visão de que a sentença alcança apenas autor e réu deve ser revista, pois ainda que não sejam atuantes, alguns indivíduos são atingidos pela sentença, irradiando-se, então, os seus efeitos parafora do processo.
Assim, mesmo que a pessoa não participe do processo desde o início ou venha a integrá-lo posteriormente, ele pode ser considerado parte vinculada ao efeito da sentença e não apenas um simples terceiro.
O instituto da intervenção de terceiros visa a economia processual, dando àqueles, na condição de assistentes (coadjuvantes) ou participantes ativos, a possibilidade de defenderem seus direitos perante os litigantes do processo original: seja porque o resultado da lide os atinja indiretamente – e neste contexto interessa-lhes que a parte assistida seja a vencedora; seja para defender direito exclusivo – em que as partes litigam sobre direito que não lhes cabe; seja para fazer com que a sentença seja justa para com todos os envolvidos – fazendo com que todos os coobrigados sejam responsabilizados; seja reivindicando direito de ressarcimento.	
Notou-se, também, que em alguns casos, a intervenção de terceiros pode provocar retardamento no processo de forma prejudicial aos principais interessados, e que neste caso o juiz tem o poder de decidir que o mesmo ocorra ou não. Por exemplo a denunciação sucessiva.
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STJ - AgRg na PET no REsp: 1186513 RS 2010/0055061-0, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 09/03/2016, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 25/05/2016
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TJ-RJ - AI: 00069194920138190000 RJ 0006919-49.2013.8.19.0000, Relator: DES. JUAREZ FERNANDES FOLHES, Data de Julgamento: 19/02/2014, DÉCIMA QUARTA CAMARA CIVEL, Data de Publicação: 16/04/2014 16:27
TJ-RS - AI: 70064460041 RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Data de Julgamento: 25/06/2015, Oitava Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 01/07/2015. Disponível em: < http://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/204160421/agravo-de-instrumento-ai-70064460041-rs/inteiro-teor-204160440> Acesso em 29 de maio de 2016.
TJ-RS - AI: 70065137127 RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Data de Julgamento: 16/07/2015, Oitava Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 21/07/2015
TJ-RS - AI: 70066012600 RS, Relator: Dilso Domingos Pereira, Data de Julgamento: 10/08/2015, Vigésima Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 14/08/2015. Disponível em: http://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/219805669/agravo-de-instrumento-ai-70066012600-rs. Acesso em 29 de maio de 2016.

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