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Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
1
Capítulo 1 - Termodinâmica e Energia
Definições:
1.1 Conceitos gerais
O que é?
“O nome Termodinâmica tem origem das palavras gregas therme (calor) e
dynamics (movimento), que descrevem bem os primeiros esforços de converter calor
em movimento. Hoje esse mesmo nome é amplamente interpretado para incluir todos
os aspectos da energia e das transformações de energia, entre eles a geração de
energia elétrica, a refrigeração e as relações que existem entre as propriedades da
matéria”.1
O que estudamos ?
Sistemas que relacionam:
mudança de temperatura;
transformação de energia;
relações entre calor e trabalho.
Algumas definições:
Sistema: parte do universo, a qual é isolada a fim de estudarmos algum fato que
ocorre em seu interior. Eles podem ser simples, como uma mudança de estado físico
da água (sólido → líquido → vapor), ou mais complexo, como uma usina termoelétrica.
Vizinhança: tudo o que é externo ao sistema.
Fronteira: superfície real ou imaginária que separa o sistema de sua fronteira; pode
estar em movimento ou repouso e deve ser definida antes de qualquer análise e de
forma mais conveniente à resolução dos problemas.
Volume de Controle - região do espaço através da qual ocorre fluxo de massa.
1
Çengel, Y. A; Boles, M. A. Termodinãmica. McGrawHill. 5ª edição, p.2.
Therme
(calor)
Dynamics
(movimento)
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2
Tipos de sistemas
Os sistemas podem ser:
fechados: a quantidade de matéria é fixa; massa não entra nem sai (Figura 1.1,
1.2 e 1.4);
abertos: a massa tanto entra, quanto sai do sistema (Figura 1.3).
F=pA
gás (ou líquido)
sistema fechado
x
x
1
x
2
fronteira área A pressão média sobre o pistão = p
Figura 1.1: gás num conjunto pistão-cilindro (sistema fechado).
Figura 1.2: gás num conjunto pistão-cilindro (sistema fechado) – caso a: êmbolo fixo,
caso b: êmbolo variável.
O que é uma propriedade do sistema?
O estado de um sistema é caracterizado pelo conjunto de suas propriedades. Já a
propriedade do sistema é toda e qualquer característica MACROSCÓPICA que
independe da história deste, como: massa, volume, energia, pressão, temperatura.
Ou seja, a mudança do valor de uma propriedade independe do valor entre dois
estados independentes do processo.
As propriedades também podem ser classificadas em função de sua dependência
com a extensão (tamanho) do sistema. Desta forma, elas podem ser extensivas,
quando dependem do tamanho (extensão) do sistema e seus valores podem variar
com o tempo. Ex.: massa, energia, volume. Elas também podem ser intensivas,
quando seus valores não dependem do tamanho (extensão) do sistema. Isso implica
(caso a) (caso b)
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3
que seus valores podem variar de um lugar para outro dentro do sistema em qualquer
momento. Ex.: temperatura e pressão.
Quando utilizamos as propriedades extensivas por unidade de massa passamos
a classificá-las como propriedades específicas. Ex.: volume específico (v = V/m),
energia total específica (e = E/m).
Figura 1.3: esquema de funcionamento de uma usina termelétrica. Sistema sendo
turbina (pontilhado azul) – sistema aberto. Sistema sendo a usina (pontilhado preto) –
sistema fechado.
As propriedades também podem ser denominadas como dependentes ou
independentes. Quando duas propriedades são analisadas em um sistema, de forma
que uma propriedade possa ser modificada enquanto a outra possa ser mantida
constante, temos propriedades independentes. Como exemplo podemos citar um
sistema monofásico em que a Pressão e a Temperatura são propriedades
independentes. Ao nível do mar (P = 1 atm), a água entre em ebulição a 1000C; porém
o valor para a temperatura de ebulição mudam se a pressão for maior ou menor do
que 1 atm. Em outras palavras, a temperatura é dependente da pressão. Se o sistema,
porém, possuir mais de uma fase a temperatura e a pressão não são suficientes para
especificar o estado do sistema. Outro exemplo pode ser verificado pela temperatura e
volume específico que são sempre propriedades independentes. O volume específico
da água líquida saturada a 900C (70,183 kPa) é igual a 0,001036 m3/kg e da água
como vapor saturado é igual a 2,3593 m3/kg.
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Quando acontece um processo?
Se um sistema não está sendo submetido a mudanças, então todas as suas
propriedades podem ser medidas ou calculadas em todo ele (sistema). Desta forma,
podemos afirmar que temos um conjunto de propriedades que descrevem
completamente o estado do sistema. Vale lembrar que em um estado específico todas
as propriedades do sistema apresentarão os mesmo valores, mas se pelo menos uma
delas mudar, o estado será diferente.
Fig 1.4 INCLUIR FIGURA 1.23 (P. 12)
Quando estudamos estados de equilíbrio, estudamos situações em que não
acontecem potenciais desbalanceados dentro do sistema, ou seja, não há forças
motrizes que promovam algum efeito em busca do equilíbrio. Assim podemos afirmar
que um sistema estará em equilíbrio térmico se a temperatura dentro dele for a
mesma. Já no caso de um sistema em que não há variação de pressão dentro dele
(com o tempo) podemos afirmar que o mesmo está em equilíbrio mecânico. Vale
ressaltar que a variação da pressão devido ao efeito gravitacional, na maioria dos
sistemas termodinâmicos, é geralmente desprezível, frente a proporção da sua
contribuição em comparação aos demais efeitos. Há ainda o caso de equilíbrio de
fases. Nesse caso, a massa de cada fase permanece constante. E se a composição
química de um sistema não mudar com o tempo temos um sistema em equilíbrio
químico.
Se por algum motivo o estágio de equilíbrio do sistema for alterado (se houver
força motriz) poderemos observar a mudança de sua(s) propriedade(s). Assim, quando
uma ou mais propriedades do sistema muda(m) e provocam mudança
de estado nós temos a ocorrência de um processo. Se, no entanto, nenhuma
propriedade mudar com o tempo nós teremos um ESTADO ESTACIONÁRIO.
Entretanto, quando uma sequência de estados começa e termina num mesmo
estado há um CICLO TERMODINÂMICO.
O postulado de estado afirma:
O estado de um sistema compressível simples é completamente especificado por
duas propriedades intensivas independentes.
Não havendo efeitos elétricos, magnéticos, gravitacionais, de movimento, de
tensão superficial em um sistema, ele é classificado como compressível simples. Caso
esses efeitos não fossem desprezíveis (como é comum nos problemas de engenharia),
para cada efeito seria necessário especificar uma propriedade extra.
Se pegarmos o caso da água saturada que ao mudar da fase líquida para a fase
vapor apresenta o mesmo valor para a pressão e temperatura ao longo doprocesso,
porém apresenta mudança de valor quanto ao volume específico, podemos afirmar
que para este caso há mudança de fase e mudança de estado de equilíbrio (página 3).
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1.2 Unidades mais usuais em problemas de termodinâmica
As grandezas físicas são especificadas pelas dimensões e a cada magnitude
atribuída a uma dimensão chamamos de unidade. As dimensões, por sua vez, são
classificadas em primárias ou fundamentais (massa, comprimento, tempo,
temperatura e em secundárias ou derivadas.
Em engenharia, apesar dos esforços quanto a utilização de um sistema
internacional de unidades, devido a resistência da indústria norte americana
continuamos utilizando o Sistema Inglês e o Sistema Internacional, o que implica na
necessidade de fazermos conversões entre as unidades dos dois sistemas.
Quadro 1: definições e conversões
Dimensão Definição Unidade
Sistema Inglês Sistema
Internacional
Sistema
Métrico
Comprimento
(L)
-
Massa (m) -
Tempo (t) -
Temperatura (T) -
Área (A)
Volume (v)
Velocidade (V)
Aceleração (a)
Força (F) m * a
Pressão (P) F /A
Energia (E) F*S
Potência ou
taxa de
transferência de
energia
(Energia)/(tempo)
Massa 1 lbm = 0,45359237 kg
Força F= m * a
1N= 1 (kg) x 1 (m/s2) - Newton 1 lbm = 32,174 lbm.ft/s2
Pressão P = F
A
1 Pa = N/m2
1atm = 1,013 x 10
5 N/m2
1 bar = 105 N/m2
1atm = 14,7 psi = 760 mmHg
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Temperatura
Embora seja difícil encontrar uma definição para esta propriedade, pode-se
pensar que ela está associada à energia cinética das moléculas, como num gás
perfeito, por exemplo. E, embora sejamos capazes de perceber sensorialmente tal
propriedade, somos incapazes de medi-la se não for com a ajuda de dispositivos
adequados (termômetros) e escalas de temperatura.
Escala de temperatura de gás e escala kelvin (SI):
ponto fixo padrão: ponto triplo da água (equilíbrio entre gelo, água e vapor
d'água) = 273,16 K;
(pressão = 0,6113 Pa = 0,006 atm);
ponto de gelo (equilíbrio entre gelo, água e ar a 1 atmosfera): 273,15 K;
ponto de vapor (equilíbrio entre a água líquida e seu vapor a 1 atm.): 373,15K.
Intervalo entre ponto de gelo e ponto de vapor = 100 K.
Termômetro de gás não pode ser usado abaixo de 1 K e para temperaturas
muito altas. Fora daí, as escalas de gás e Kelvin coincidem.
Outras escalas:
CELSIUS: T(oC) = T(K) - 273,15
RANKINE: T(oR) = 1,8 T (K)
FAHRENHEIT: T(oF) = T(oR) - 459,67 T (°F) = 1,8 T(°C) + 32
1.3 Equilíbrio térmico
Quando a temperatura de um corpo muda, outras propriedades também
mudam. Assim, se associarmos a medida de uma dessas propriedades, que também
mudam (volume, resistência elétrica) à medida da temperatura podemos então obter
a medida desta propriedade. Termômetros são dispositivos que empregam uma
substância ("termométrica") que possui pelo menos uma propriedade variável com a
temperatura.
Tipos de termômetros:
- de líquido em bulbo (volume): muito preciso;
- de gás a volume constante (hidrogênio ou hélio) (pressão): padrão internacional para
determinadas faixas de temperatura;
- termopares (fem - força eletromotriz);
- termistores (resistência elétrica);
- pirômetros (radiação térmica).
Se tomarmos dois blocos de cobre, um mais quente que o outro e colocarmos os
dois em contato, haverá interação entre eles e o bloco mais quente irá esfriar e o mais
frio irá se aquecer. Quando as interações cessarem as quantidades mensuráveis
pararão de variar e os blocos estarão em equilíbrio térmico e, portanto, à mesma
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temperatura. O tempo necessário para que o equilíbrio seja atingido dependerá do
contato entre eles, e se os blocos estiverem isolados do ambiente a troca de energia
ocorrerá somente entre os dois blocos.
Definições:
parede diatérmica: permite interação térmica (troca de calor);
parede adiabática: não permite interação térmica (isolante ideal).
processo adiabático: processo de um sistema envolvido por uma parede adiabática.
processo isotérmico: processo que ocorre a temperatura constante.
1.3 LEIS DA TERMODINÂMICA
1.3.1 Lei Zero da Termodinâmica
Figura 1.5: representação esquemática da Lei Zero da Termodinâmica.
“Quando dois corpos estão em equilíbrio (térmico) com um terceiro corpo, eles estarão
também em equilíbrio (térmico) entre si.”
Em outras palavras, se o terceiro corpo for um termômetro podemos afirmar que
dois corpos estão em equilíbrio térmico se ambos apresentarem a mesma leitura de
temperatura, mesmo que não estejam em contato.
Vale destacar aqui que enquanto as temperaturas de dois corpos forem
diferentes haverá um fluxo (transferência) de calor entre os corpos que cessará quanto
eles atingirem o equilíbrio térmico (Figura 1.6).
Figura 1.6: dois corpos atingindo o equilíbrio térmico depois de serem colocados em
contato.
1.3.2 Energia e suas formas
Energia é definida como a capacidade de realizar trabalho e, desta forma, ela
tanto pode ser armazenada dentro de sistemas (em várias formas macroscópicas),
200C 200C
200C
200C
200C
60
0
C 20
0C 35
0
C 35
0
C
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quanto pode ser transferida entres sistemas e/ou transformada em outras formas de
energia, o que acontece a todo momento na natureza.
Podemos dizer que as formas básicas de energia são: cinética e potencial
(elétrica, gravitacional, elástica), e estas, podem ser alteradas como resultado do
trabalho de forças externas. Entretanto, é sempre importante lembrarmos que a
energia nunca some ou aparece do nada, assim, a quantidade total de energia (entre
sistemas) permanece constante em todas as transformações e transferências.
Princípio da conservação de energia
Quando energia é transferida, isso ocorre por meio de CALOR e TRABALHO. Ou
seja, CALOR e TRABALHO são duas formas para tratarmos a energia em movimento.
Conceitos mecânicos de energia
Energia cinética:
2
. 2Vm
Ec
Energia potencial:
hgmE p ..
Trabalho:
SFW .
Se: F: força (N), S: deslocamento (m), W: trabalho (N . m = J)
Atenção:
trabalho somente é realizado por um sistema sobre sua vizinhança quando o
único efeito sobre ela puder ser reduzido ao levantamento de um peso;
trabalho é energia em trânsito (movimento)
não é propriedade, pois
depende do caminho.
Expansão e Compressão adiabática
Se pensarmos num sistema fechado contendo gás (ou líquido), como em um
cilindro composto por um sifão (Figura 1), podemos deduziroutra expressão (mais
conveniente) para o cálculo do trabalho:
W = P x V
Em sistemas deste tipo é possível haver:
expansão adiabática: trabalho é realizado PELO sistema
V > 0 e W >0;
compressão adiabática: trabalho é realizado SOBRE o sistema, e V < 0 e W < 0;
Assim, fica estabelecida a convenção de sinais:
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Pergunta: é possível que o trabalho seja nulo quando há variação de volume?
R: Sim!
Figura 1.7: exemplo de trabalho nulo numa expansão volumétrica adiabática
A Figura 1.7 ilustra um processo de expansão volumétrica e adiabática (expansão
do gás para o vácuo). Neste caso, embora haja uma variação positiva do volume do
gás, o mesmo não realiza trabalho, conferindo um trabalho NULO ao processo.
Calor
Toda vez que dois sistemas fechados (em contato) encontram-se em diferentes
temperaturas, calor será transferido do sistema com maior conteúdo energético para
o de menor. Embora, calor e temperatura sejam coisas diferentes, neste caso podemos
relacionar o conteúdo energético dos sistemas às suas respectivas temperaturas, já
que quanto maior a temperatura, maior também será o conteúdo energético dos
sistemas.
Unidades → mesmas de trabalho
Atenção:
TEMPERATURA ≠ CALOR
W > 0: realizado PELO sistema
(sobre a vizinhança)
seta saindo
do sistema.
W < 0: realizado SOBRE o sistema
(pela vizinhança)
seta entrando
no sistema
CALOR: identificado na
fronteira do sistema (energia
em movimento);
TEMPERATURA:
identificada no interior do
sistema (propriedade do
sistema).
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Energia num Sistema
As energias cinética e potencial, em um sistema, podem ser alteradas como
resultado do trabalho de forças externas.
1.4 1a. Lei da Termodinâmica
Imaginemos um sistema fechado e isolado (paredes adiabáticas), conforme
Figura 1.8, indo de um estado de equilíbrio (Estado 1) para outro estado de equilíbrio
(Estado 2); a única forma de interação com o meio ambiente, neste caso, será na
forma de TRABALHO.
G A S
G Á S
Is o l a m e n to
P r o c e s s o
A d i a b á t i c o
Figura 1.8: sistema fechado e isolado
Como o trabalho líquido realizado por (ou sobre) um sistema adiabático entre os
mesmos estados inicial e final não depende do processo, mas somente dos estados,
pode-se dizer que está ocorrendo a variação de alguma propriedade. Essa propriedade
recebe o nome de Energia e sua variação entre dois estados é definida por:
E E Wad2 1
E = - W
O sinal negativo é em função da convenção adotada.
E: energia total do sistema;
E1: energia total no estado 1;
E2 : energia total no estado 2;
W : trabalho.
1.4.1 Energia interna
A energia total do sistema E inclui Ec (cinética), Ep (potencial), gravitacional e
quaisquer outras formas de Energia (armazenada por uma mola ou bateria, por
exemplo). Todas estas outras formas de energia são chamadas de ENERGIA INTERNA,
U.
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1
2
Figura 1.9: processo para o qual há mudança do estado 1 ao estado 2.
E2 - E1 = (Ec2 - Ec1) + (Ep2 - Ep1) + (U2 - U1)
E = Ec + Ep + U
U = Energia interna: são todas as outras formas de energia excluindo as cinética e
potencial.
A energia interna envolve todas as formas microscópicas de energia. Podemos
afirmar que a energia interna está relacionada à estrutura molecular e ao grau de
atividade molecular, ou seja, a energia interna engloba as energias cinética e potencial
das moléculas (translação molecular, rotação molecular, translação do elétron,
vibração molecular, spin de elétron, spin de núcleo). A energia interna também
apresenta relação com as forças intermoleculares (forças de ligação entre as moléculas
de uma substância), entre átomos dentro de uma molécula e entre partículas dentro
de um átomo e seu núcleo.
Desta forma, podemos analisar os processos de mudança de fases da matéria.
Uma substância para mudar da fase sólida para a líquida precisa receber energia, da
mesma forma como acontece para a mudança da fase líquida para a gasosa. Quando
um desses processos de mudança de fase (sólido para líquido ou líquido para gasoso)
acontece, é porque as moléculas na fase presente receberam quantidade de energia
suficiente para superarem as forças moleculares. Assim podemos afirmar que um
sistema na fase líquida está em um nível de energia interna maior do que estaria na
fase sólida. Da mesma forma, um sistema na fase gasosa está em um nível de energia
interna maior do que estaria na fase líquida e/ou sólida.
1.4.2 Princípio da Conservação para Sistemas Fechados
Até aqui foram consideradas quantitativamente apenas aquelas interações entre
o sistema e a vizinhança que poderiam ser classificadas como trabalho. No entanto os
sistemas fechados podem também interagir com a sua vizinhança de modos que não
podem ser caracterizados como trabalho. Um exemplo é propiciado por um gás (ou
líquido) contido em um recipiente fechado que passa por um processo enquanto está
em contato com uma chama a uma temperatura maior que a do gás. Este tipo de
interação é chamado interação de CALOR, e o processo pode ser referido como um
processo NÃO ADIABÁTICO.
Processo não adiabático
troca de energia com ambiente
calor
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Nestes casos, o balanço energético deve levar em consideração o trabalho e o
calor, já que as duas formas de energia estão envolvidas. Assim, a expressão toma a
seguinte forma:
Em muitos problemas na TD, entretanto, as energias cinética e potencial são
desprezíveis.
Convenção de sinais:
-Q
+Q
S i s te m a S i s te m a
Q > 0: entra no sistema;
Q < 0: sai do sistema.
Obs.:
para todos os processos adiabáticos que ocorrerem entre os dois mesmos
estados o trabalho líquido terá o mesmo valor;
para processos adiabáticos o trabalho líquido depende somente dos estados
inicial e final.
1.5 Metodologia para resolver problemas termodinâmicos
Os primeiros passos em uma análise termodinâmica são:
definição do sistema;
identificação das interações relevantes com a vizinhança.
Estabelecer:
- o que é conhecido: resumir o problema em poucas palavras;
- o que é procurado: resumir o que é procurado;
- esquema e dados: definir o sistema (sistema fechado ou volume de controle); -
identificar a fronteira;
- anotar dados e informações relevantes;
E = Q – W
ou
E = Ec + Ep + U = Q - W
Termodinâmica
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- hipóteses;
- análise: feita sobreas equações (conservação da massa, conservação da energia,
segunda lei da termodinâmica);
- comentários: interpretar.
Exercícios de fixação
1- Em cada um dos sistemas pedidos, delimite a fronteira e estabeleça a energia
transferida (represente através de uma seta), além do seu respectivo sinal:
Caso A: uma sala isolada adiabaticamente e aquecida por um aquecedor
elétrico que fornece 5 kJ de trabalho.
a) sistema: sala (espaço interno) b) sistema: sala (espaço interno) + aquecedor
Caso B: uma sala isolada adiabaticamente, conectada a uma hélice que ao ser
acionada fornece 8 kJ de trabalho de eixo.
a) sistema: sala (espaço interno) b) sistema: sala (espaço interno) + hélice
Caso C: um conjunto pistão-cilindro isolado adiabaticamente a respeito do qual
é exercida uma força sobre o pistão de forma a transferir 10 kJ de trabalho ao
sistema.
a) sistema: ar dentro do cilindro b) sistema: conjunto pistão-cilindro
2- Com relação a uma massa de 1 kg:
a) que modificação em sua altura ela deve sofrer se a sua energia potencial
variar de 1 kJ ?
b) Partindo do repouso, a que velocidade ela deve ser acelerada para que sua
energia cinética seja de 1 kJ?
c) quais conclusões são indicadas por estes resultados?
Termodinâmica
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3- Um gás encontra-se confinado em um cilindro por um pistão. A pressão inicial
do gás é de 7 bar, e o seu volume é de 0,10 m3. O pistão é mantido imóvel por
presilhas localizadas na parede do cilindro. O equipamento completo encontra-
se no vácuo total. Qual é a variação de energia do equipamento, se as presilhas
forem removidas de tal forma que o gás se expanda subitamente para o dobro
do seu volume inicial? No final do processo o pistão é novamente retido por
outras presilhas localizadas no cilindro.
4- Se o processo descrito anteriormente for repetido, não no vácuo, mas no ar, à
pressão atmosférica padrão de 101,3 kPa, qual é a variação de energia do
equipamento? Admita que a taxa de transferência de calor entre o
equipamento e o ar ambiente seja pequena quando comparada à taxa na qual
o processo ocorre.
5- Uma quantidade de 7,7 kJ de calor é adicionada a um sistema fechado,
enquanto a sua energia interna diminui de 12 kJ. Pergunta-se:
a) quanta energia é transferida na forma de calor?
b) e na forma de trabalho?
c) para um processo, com trabalho nulo, causando a mesma mudança de
estado, que quantidade de calor é transferida?
6- Quando um sistema é levado do estado i ao estado f, ao longo da trajetória iaf,
100 J de calor fluem para o sistema e ele realiza 40 J de trabalho. Qual a
quantidade de calor que relacionada ao processo ao longo da trajetória ibf, se o
trabalho realizado pelo sistema é de 20 J? Se o sistema retorna de f para i, o
trabalho realizado sobre o sistema é de 30 J. Neste último caso, o sistema
absorverá ou liberará calor? Qual a quantidade?
7- Considere 5 kg de vapor d'água contidos dentro de um conjunto pistão-cilindro.
O vapor passa por uma expansão a partir do estado 1 , onde a sua energia
interna U1 = 13549,5 kJ, até o estado 2 onde U2 = 13298 kJ. Durante o
processo ocorre transferência de 80 kJ de energia na forma de calor, para o
vapor. Ocorre também a transferência de 18,5 kJ na forma de trabalho, através
de uma hélice. Não há variação significativa de energia cinética e potencial do
vapor. Determine o trabalho realizado pelo vapor sobre o pistão, durante o
processo. Forneça o resultado em kJ. Analise o resultado obtido (em termos de
energia).
Termodinâmica
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G A S
m = 5 k g
v a p o r
W
p w
= - 1 8 , 5 k J
F r o n t e i r a d o S i s t e m a
Q = + 8 0 k J
u
1
= 2 7 0 9 , 9 k J / k g
u
2
= 2 6 5 9 , 6 k J / k g
W p i s t ã o
8- 4 kg de gás contido dentro de um conjunto pistão-cilindro passam por um
processo tendo seu estado inicial (P = 3 bar e V = 0,1 m3) modificado até o
estado final (V = 0,2 m3), realizando, para isto, 17,6 kJ de trabalho. Além disso, a
variação da energia interna específica (u = U/ m) do gás é igual a - 4,6 kJ/kg,
enquanto que as variações de energias cinética e potencial são desprezíveis.
Baseado nestas informações, responda:
a) o gás sofre que tipo de processo volumétrico: expansão ou compressão?
Justifique.
b) qual o calor líquido transferido para o gás durante o processo?
c) avalie o processo ocorrido em termos de energia transferida (calor e trabalho).
9-Calcule U para 1 kg de água, quando ele é vaporizado na temperatura
constante de 1000C e sob uma pressão constante de 101,33 kPa. Nessas
condições, os volumes específicos da água líquida e da água vapor são 0,00104
e 1,673 m3/kg. Para essa transformação, uma quantidade de 2256,9 kJ de calor
é adicionada à água.
Termodinâmica
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Capítulo 2
Propriedades volumétricas de fluidos puros
2.1 Comportamento PVT de substâncias puras
Propriedades termodinâmicas, como a energia interna e entalpia, com as quais
se calculam as necessidades de calor e de trabalho em processos industriais, são
frequentemente avaliadas a partir de DADOS VOLUMÉTRICOS. Além disso, as relações
pressão/volume/temperatura (PVT) são importantes na medição de fluidos e no
dimensionamento de vasos e tubulações.
Como já estudamos no capítulo 1, o ESTADO de um sistema é definido por suas
propriedades. Agora, poderemos verificar que:
2 propriedades intensivas independentes são suficientes para determinar o
ESTADO de um sistema.
A fim de compreendermos o comportamento PVT de substâncias puras,
estudaremos um processo de mudança de fase. Neste tipo de processo, ao medirmos
duas propriedades independentes (P e T), dessa substância, podemos construir o seu
Diagrama PT.
Na Figura 2.1 são apresentadas três curvas distintas, que representam as
condições de P e T necessárias para a coexistência de duas fases e assim são fronteiras
das regiões de existência de uma única fase. As curvas são:
curva de sublimação (linhas 1-2): separa as regiões de sólido e de gás;
curva de vaporização (linha 2-C): separa as regiões de líquido e de gás;
curva de fusão (linha 2-3): separa as regiões de sólido e de líquido.
Figura 2.1: Diagrama PT para uma substância pura.
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As três curvas se encontram no ponto triplo (tr), onde as três fases coexistem em
equilíbrio, enquanto que a curva de vaporização 2-C termina no ponto C, o ponto
crítico. As coordenadas desse ponto são a pressão crítica (Pc) e a temperatura crítica
(Tc), a temperatura e a pressão mais elevadas nas quais uma espécie química pura
pode existir em equilíbrio líquido/vapor.
Para substâncias que apresentam ponto triplo acima da pressão atmosférica, a
sublimação é a única formade mudar da fase de sólido para a fase vapor em condições
atmosféricas. O caso mais usual de substâncias com esta capacidade é o caso do
dióxido de carbono (CO2) sólido (gelo seco). A Tabela 2.1 exibe temperaturas e
pressões do ponto triplo para algumas substâncias.
Tabela 2.1: temperatura e pressão do ponto triplo.
Substância Ttr(K) Ptr(kPa)
Acetileno – C2H2 192,4 120
Amônia – NH3 195,40 6,076
Argônio – Ar 83,81 68,9
Carbono (grafite) - C 3900 10.100
Dióxido de carbono - CO2 216,55 517
Monóxido de carbono - CO 68,10 15,37
Metano – CH4 90,68 11,7
Nitrogênio – N2 63,18 12,6
Oxigênio – O2 54,36 0,152
Dióxido de enxofre - SO2 197,69 1,67
Água – H2O 273,16 0,61
*Adaptado de Çengel, Y. A; Boles, M. A. Termodinâmica. McGrawHill. 5ª edição, p.100.
A região do fluido, existente em maiores temperaturas e pressões que Tc e Pc,
encontra-se delimitada por linhas tracejadas, que não representam transições de
fases, sendo limites fixados pelos significados arbitrados das palavras líquido e gás.
Uma fase é geralmente considerada um líquido se ela puder ser vaporizada pela
redução da pressão a uma temperatura constante. Uma fase é considerada um gás se
ela puder ser condensada pela redução da temperatura a uma pressão constante.
Como a região do fluido, além das linhas tracejadas, não satisfaz estas duas definições,
ela não é um gás nem um líquido, podendo ser chamada simplesmente de fluido. Para
esta região o fluido exibe propriedades (características) tanto de líquido como de gás.
Tais propriedades especiais de fluidos supercríticos que os fazem bem situados para serem
utilizados como solventes em processos de extração, que podem ser utilizados para extrair
uma gama enorme de componentes para a indústria de alimentos, dentre outros
produtos.
Outro diagrama muito utilizado neste tipo de estudo é o Diagrama PV. Através
do diagrama PV (Figura 2.2) podemos representar as fronteiras existentes entre as
fases, representando as regiões: sólido/líquido, sólido/vapor e líquido/vapor,
coexistindo em um a dada temperatura e pressão. Neste gráfico o ponto triplo se torna
uma linha horizontal, na qual as três fases coexistem em uma mesma temperatura. As
linhas tracejadas são chamadas de isotermas (temperatura constante) e T > Tc
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
representa uma isoterma para uma temperatura superior à temperatura crítica. Os
segmentos horizontais representam mudança de fase entre líquido e vapor. A pressão
constante, na qual isso ocorre para uma determinada temperatura, é a pressão de
saturação ou pressão de vapor.
Figura 2.2: Diagrama PV para uma substância pura.
É importante destacar a relação de dependência entre a Pressão de saturação e a
Temperatura de saturação de uma substância pura. Substâncias submetidas a pressões
mais elevadas entrarão em ebulição a temperaturas mais elevadas, assim como
podemos observara através da curva de saturação líquido-vapor da água (Figura 2.3).
Ao tratarmos de cozimento de alimentos, temperaturas de ebulição mais altas,
implicam em menores tempos de cozimento. Por este motivo utilizamos a panela de
pressão para acelerarmos o cozimento de alguns alimentos. É possível, então,
controlarmos a temperatura de ebulição através do controle da pressão de saturação.
Um exemplo para aplicação deste raciocínio pode ser refletirmos sobre o que acontece
quando abrimos uma lata contendo fluido refrigerante 134-a em fase líquida em uma
sala a 250C e 1 atm (101,3 kPa). Se a lata estiver na mesma temperatura da sala
(equilíbrio térmico entre a lata e a sala), a temperatura do refrigerante da lata será
igual a da sala (250C). Ao abrirmos a tampa da lata de forma lenta, de forma que parte
do refrigerante escape, a pressão no interior da lata cairá até atingir a pressão
atmosférica e neste ponto é possível notarmos o resfriamento rápido da lata. A
temperatura no interior da lata alcançará o valor da temperatura de saturação do
refrigerante 134-a a 1 atm (101,3 kPa), que é -260C, como pode ser constatado pela
consulta a tabela de saturação para esta substância (Anexo). E essa temperatura será
mantida enquanto todo líquido não se transformar em vapor. Esse mesmo princípio é
que permite utilizarmos o nitrogênio líquido em estudo nos quais são necessárias
baixas temperaturas (-195,80C a 1 atm ou 101,3 kPa); Tabela 2.2.
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
Figura 2.3: Curva de saturação líquido-vapor da água.
Tabela 2.2: propriedades do refrigerante 134-a saturado
Adaptada de Tabela A-11: Refrigerante-134a saturado – Tabela com entrada em temperatura.
Fonte:Cengel e Boles (2006, p.694)
Além das propriedades P, V, T, outras propriedades termodinâmicas podem ser
representadas através de diagramas e equações matemáticas. Nesse contexto, vale
lembrar que algumas propriedades termodinâmicas são facilmente medidas; outras,
porém, precisam ser calculadas. Nestes casos, os resultados destes cálculos também
podem ser organizados através de tabelas. Para algumas substâncias essas
organizações podem acontecer através de várias tabelas, dedicando cada tabela pra
uma região de vapor superaquecido, líquido comprimido, mistura saturada, como
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
pode ser visto no Anexo A. Ou ainda através de diagramas, como o Diagrama de
Mollier, Anexo B.
Assim, um número de propriedades termodinâmicas, relacionadas à energia
interna, ganha espaço devido à sua utilidade na aplicação da termodinâmica em
problemas práticos, sendo a ENTALPIA uma delas, a qual é definida através da seguinte
expressão:
H = U + P.V
Onde:
U- energia interna total (N.m = J)
P- pressão absoluta (N/m2 = Pa)
V- volume total (m3) ; (unidades no S.I.)
Sempre que ocorrer uma modificação (finita) no sistema a expressão se torna:
H = U + (P.V)
Mistura de líquido e vapor saturados
Durante um processo de vaporização ou condensação a substância estará
distribuída entre as fases de líquido saturado e vapor saturado, sendo interessante
termos conhecimento das proporções de cada uma das fases. Nesse sentido, a
propriedade título, definida pela razão entre massa de vapor e massa total do fluido:
10;; xmmmmm
m
m
x vlvaporlíquidototal
total
vapor
A definição da propriedade título só faz sentido quando tratamos de misturas
saturadas. Em muitos processos esta propriedade merece atenção especial, pois
embora a formação de líquido ou vapor não seja desejável em determinada operação,
ela acaba sendo inevitável. É o caso do processo de expansão de um fluido
superaquecido em uma turbina (proveniente de uma caldeira) que como consequência
do processo provoca a transformação de parte do vapor em líquido (fase indesejável
na turbina).
O título, então, é uma propriedade que varia entre 0 e 1. Quando o título é igual
a zero, o sistema é formado por líquido saturado. Já quando o título é igual a um, o
sistema é formado por vapor saturado. Desta forma, o título pode servir como uma
das propriedades intensivas independentes necessária para descrição do sistema.
Da mesma forma que equacionamos a distribuição entre as fases líquida e vaporem função da massa, também podemos fazer para o volume.
vvllmédiotvl vmvmvmvmVVVV ..;.;
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
Exercícios de Fixação
2.1 um tanque rígido contém 50 kg de água líquida saturada a 900C. Determine a
pressão e o volume do tanque.
Dica: (Consultar Anexo)
2.2 Uma massa de 200g de água líquida saturada é completamente vaporizada a uma
pressão constante de 100 kPa. Determine:
a) a variação de volume,
b) a quantidade de energia transferida para a água
Dica: (Consultar Anexo)
2.3 Um tanque rígido contém 10 kg de água a 900C. Se 8 kg de água estiverem na
forma líquida e o restante estiver na forma de vapor, determine:
a) a pressão no tanque,
b) o volume do tanque
Dica: (Consultar Anexo)
2.4 Um vaso de 80 L contém 4kg de refrigerante-134a a uma pressão de 160 kPa.
Determine:
a) a temperatura
b) o título
c) a entalpia do refrigerante
d) o volume ocupado pela fase vapor
2.3 Equações de Estado
Todas estas representações do comportamento PVT de um fluido (representado
através de diagramas ou acessados pela consulta de tabelas) podem ser feitas também
através de equações que relacionam as propriedades P, V e T. As equações que
relacionam as propriedades de pressão, volume específico e temperatura são
denominadas por equações de estado, sendo a equação do gás ideal a mais simples
delas.
2.3.1 O Gás Ideal ou Gás Perfeito
O gás ideal ou perfeito é aquele idealizado com relação ao comportamento de
um gás. E através da Teoria Cinética dos Gases podemos resgatar algumas
considerações feitas para o modelo de gás perfeito. Um gás perfeito obedece às
seguintes leis:
lei de Boyle-Mariotte: P1. V1 = P2. V2
lei de Charles:
2
2
2
1
T
P
T
P
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
lei de Gay-Lussac:
2
2
1
1
T
V
T
V
Teoria Cinética dos Gases
Considerações:
a separação entre as moléculas do gás é muito maior que as suas dimensões;
inexistem interações entre as moléculas, exceto durante as colisões (choques);
os choques entre as moléculas e delas com as paredes do recipiente (no qual o
gás está armazenado) são todos elásticos;
as moléculas movem-se aleatoriamente, com a mesma probabilidade em
qualquer direção.
Por esta Teoria também podemos dizer que a energia cinética médias das
partículas é diretamente proporcional à temperatura absoluta:
TKEc .
Onde:
K-constante de Boltzman (1,381 . 10 -23 J/K); T- temperatura absoluta (K); Ec – energia
cinética (J) - (unidades no S.I.)
ATENÇÃO!!!!!!!
É importante lembrar que não existem gases perfeitos em condições normais.
No entanto, a partir de observações do comportamento de fluidos reais constata-se
que para condições em que a densidade do gás é baixa, é possível fazer a
representação do comportamento do gás a partir das relações que descrevem o gás
ideal. Em outras palavras, para os casos de pressões baixas e temperaturas elevadas,
a densidade do gás diminui e ele apresenta comportamento próximo ao
comportamento de um gás ideal. Nessas condições, os choques entre as moléculas se
tornam praticamente elásticos, não havendo perda de energia cinética. A combinação
da Teoria Cinética dos Gases e as leis que um gás ideal obedece permite a obtenção da
seguinte expressão, que representa o comportamento PVT de um gás ideal:
V
TnR
Pou
n
V
V
V
TR
P ;;
Onde: P – pressão (Pa);
V
– volume do gás (m3); n- número de mols; R- constante
universal dos gases (J/mol. K); T- temperatura absoluta (K) - (unidades no S.I.).
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
O valor numérico de R depende das unidades utilizadas, podendo ser: 0,082 atm.
L / mol . K; 62,4 mmHg . L / mol . K; 1,98 cal / mol . K; 8,31 J / mol. K; 8,31 . 107 erg /
mol . K; 83,14 bar. cm3/mol . K.
2.3.2 Equações de Estado Cúbicas
A descrição acurada do comportamento PVT de fluidos ao longo de grandes
intervalos de temperatura e pressão implica na utilização de uma equação de estado.
Esta equação deve ser suficientemente geral para ser usada para líquidos, gases e
vapores. Além disso, ela não deve ser complexa de modo a levar a dificuldades
numéricas ou analíticas.
As equações de estado cúbicas são expressões polinomiais cúbicas no volume, ou
seja, a representação do comportamento do fluido é feita através de um polinômio de
grau 3 para V (volume).
2.3.2 Equação de van der Waals (1873)
A primeira, e mais simples, das equações de estado cúbicas foi proposta por van
der Waals (1873).
2
V
a
bV
TR
P
Onde:
P – pressão
T- temperatura absoluta
R – Constante universal dos gases
V
– volume molar
a- constante relacionada às forças de atração intermoleculares
b - constanterelacionada com o volume molecular (também chamada de co-volume).
As constantes a e b são constantes positivas e empíricas (experimentais, variam
para cada tipo de fluido); quando elas são nulas obtemos a equação do gás ideal. Para
a equação de van der Waals, as constantes a e b podem ser calculadas através das
seguintes expressões:
c
c
c
c
P
TR
b
P
TR
a
864
27
22
Exercícios de fixação:
2.5 Uma massa de 500 g de amônia é armazenada em um vaso com 30.000 cm3,
imerso em um banho à temperatura constante de 650C. Calcule a pressão do gás
através de cada uma das seguintes equações:
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
a- equação do gás ideal.
b-equação de van der Waals.
Dados: Tc = 405,7 K; Pc = 112,8 bar, Massas atõmicas: N: 14; H:1.
2.6 Estime a pressão desenvolvida quando 15 kg de água (H2O) são aquecidos até
4000C, em um recipiente com 0,4 m3,
a) através da equação do gás ideal.
b) através da equação de van der Waals.
c) baseado nos resultados anteriores conclua se é conveninete a consideração do
comportamento do gás como ideal?
Dados: Tc = 647,1 K Pc = 220,55 bar
2.7 Estime, usando a equação de van der Waals:
a- a temperatura na qual 40 kg de etano armazenado em um vaso de 0,15 m3 exercem
uma pressão de 20.000 kPa. (Tc = 305,3 K, Pc = 48,72 bar).
b- a pressão em um vaso de 0,5 m3, quando ele é carregado com 10 kg de dióxido de
carbono a 30oC?
Dados: Tc = 304,2 K, PC = 73,83 bar
2.4 Estados correspondentes e fator de compressibilidade
O fator de compressibilidade (Z) é uma grandeza definida por:
TR
VP
Z
Para os gases ideais z deve ser igual a 1 sob qualquer condição de temperatura,
volume e/ou pressão. Porém foi observado experimentalmente que z desvia-se
consideravelmente de 1, sob pressões mais altas e temperaturas mais baixas
(comportamento real), como é mostrado no gráfico abaixo:
Figura 2.4: variação do fator de compressibilidade em função da pressão.
TermodinâmicaProfa Cláudia Lirio
O fator de compressibilidade também pode ser interpretado como o quociente
entre o volume que um gás ocupa e o volume que ocuparia se considerado como ideal
nas mesmas condições. Assim, se Z > 1, as forças de repulsão são mais acentuadas; se Z
< 1, as forças de atração são mais acentuadas e; se Z= 1, o comportamento é de gás
ideal.
Todos os gases perfeitos possuem o mesmo fator de compressibilidade (igual a
1). Não é o caso dos gases reais, salvo nas condições críticas onde Zc possui um valor
quase constante . O que mostra que, no ponto crítico, todos os gases estão num
estado equivalente e, por isso, chamado de ESTADOS CORRESPONDENTES. Desta
forma, podemos utilizar o estado crítico como estado de referência e medirmos o
desvio em relação à referência por meio das variáveis reduzidas :
onde:
Pr – pressão reduzida,
Tr – temperatura reduzida,
Vr – volume reduzido.
Exercícios de fixação:
2.8 Calcular a pressão exercida por 0,500 kg de CH
4
a 280,0°C num recipiente de 2,50
litros.
a) aplicando equação dos gases ideais;
b) aplicando equação de van der Waals;
c) Calcule o fator de compressibilidade z para os itens a e b.
d) Tire as possíveis conclusões.
Dados: Tc = 190,56K; Pc = 45,99 bar
2.9 Calcular a pressão exercida por 0,500 kg de O
2
a 20,0°C, num recipiente de 2,50 litros.
a) aplicando equação dos gases ideais;
b) aplicando equação de Van der Waals;
c) Calcule o fator de compressibilidade z para os itens a e b.
d) Tire as possíveis conclusões.
Dados: Tc = 154,58K; Pc = 50,43 bar
2.10 Determine a pressão do gás nitrogênio a 175K com volume específico igual a
0,00375 m3/kg com base:
a) na equação do gás ideal,
b) na equação de van der Waals.
Compare os resultados obtidos com o valor de 10.000 kPa determinado
experimentalmente (calcule o desvio em relação ao resultado experimental).
Dados: R = 0,2968 kPa.m3/kg.K. a = 0,175 m6.kPa/kg2. b= 0,00138 m3/kg.
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
2.11 Determine as propriedades que estão faltando e descreva as fases na seguinte
tabela para a água:
T, ºC P, kPa U, kJ/kg x Descrição da fase
A 200 0,6
B 125 1600
C 1000 2950
D 75 500
E 850 0,0
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
Capítulo 3
2a. Lei da Termodinâmica
A análise de um processo através da 1ª Lei está limitada à análise a respeito da
conservação de energia, mas em nenhum momento trata das direções nas quais os
processos ocorrem espontaneamente.
Em outras palavras, podemos concluir que nem todos os processos que
satisfazem a 1a. Lei podem ocorrer, pois, um balanço de energia (unicamente) não
indica a direção em que o processo irá ocorrer, nem permite distinguir um processo
possível de um impossível.
A espontaneidade de um processo depende do equilíbrio do mesmo, ou seja, os
processos espontâneos ocorrem sempre numa direção definida e em busca do
equilíbrio, por exemplo:
resfriamento de um corpo quente (fonte quente → corpo frio);
vazamento de gás (ou vapor) dentro de um vaso pressurizado (pressão
mais alta → pressão mais baixa);
queda de um corpo (antes em repouso).
Para os processos simples a direção se torna evidente, mas para os casos mais
complexos, ou aqueles sobre os quais haja incertezas, é interessante o uso de um guia.
A 2ª Lei da Termodinâmica serve como guia nestas avaliações.
3.1 Aspectos da 2a. lei
A 2a Lei e suas deduções propiciam meios para:
predizermos a direção dos processos;
estabelecermos condições de equilíbrio;
determinarmos qual o melhor desempenho teórico dos ciclos, motores e
outros dispositivos;
avaliarmos quantitativamente os fatores que impedem que esse melhor
desempenho seja atingido.
Além disso, a 2a. Lei permite definirmos uma escala de temperatura
(independente das propriedades de qualquer substância), e desenvolvermos meios
para avaliação das propriedades, como u e h em termos de outras propriedades que
são mais facilmente obtidas experimentalmente.
A 2a Lei tem sido verificada experimentalmente em todas as experiências
realizadas.
3.2 - Enunciados (2a Lei da Termodinâmica)
3.2.1 - Enunciado de Clausius
“É impossível um sistema operar de modo que o ÚNICO efeito resultante seja a
transferência de energia na forma de calor, de um corpo frio para um corpo quente”.
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
3.2.2 - Enunciado de Kelvin-Planck
“É impossível para qualquer sistema operar em um ciclo termodinâmico e fornecer
trabalho líquido para sua vizinhança trocando energia na forma de calor com um único
reservatório térmico”.
Reservatório Térmico: Classe especial de sistema fechado que mantém constante sua
temperatura mesmo que energia esteja sendo recebida ou fornecida pelo sistema (RT).
Ex.: Atmosfera, grandes massas de água: oceanos, lagos; grande bloco de cobre
(relativo).
3.2.3 - Equivalência entre os enunciados de Clausius e Kelvin-Planck
A equivalência entre os enunciados de Clausius e de Kelvin-Planck pode ser
demonstrada mostrando que a violação de um enunciado implica na violação de outro
enunciado.
R T
( H o t )
A B
R T
( C o l d )
W c i c l o = Q h - Q c
A B
Q c ( f r i o ) Q c
Q c ( Q u e n t e )Q h
S i s t e m a s e c o m b i n a d o s
Figura 3.1: transferência de calor e realização de trabalho através de uma
máquina operando entre reservatório quente e reservatório frio
Se A transfere calor do reservatório frio para o reservatório quente, sem
nenhum outro efeito, viola o enunciado de Claussius.
B opera em ciclo, recebendo Qq do reservatório quente, produzindo um
trabalho W e rejeitando Qf para o reservatório frio.
Como
A
recebe Qf do reservatório frio e B fornece Qf para o mesmo
reservatório, podemos imaginar um dispositivo constituído por
A
,
B
e reservatório
frio, que estaria trabalhando em ciclo, recebendo Qq de reservatório quente,
produzindo um trabalho líquido W = Qq - Qf e rejeitando Qf para o mesmo reservatório
quente. Entretanto, esta situação viola o enunciado de Clausius.
Qf Qf
Frio
Qf Qq
Quente
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
R T q u e n t e
C i c l o
W = Q h
Q h
W = Q h
Q c + Q h
Q c
R T f r i o
R T q u e n t e
C i c l o
Q c
R T f r i o
Q c
Figura 3.2: equivalência (violação) dos enunciados de Clausius e Kelvin-Planck
3.3 Máquinas Térmicas
Um dispositivo, ou máquina, que produz trabalho a partir de calor em um
processo cíclico é chamado de máquina térmica. Um exemplo de máquina térmica é
uma planta de potência a vapor, na qual o fluido de trabalho (vapor d’água)retorna
periodicamente ao seu estado original. Nesta planta de potência, o ciclo é constituído
pelas seguintes etapas:
I. água líquida, a aproximadamente temperatura ambiente, é bombeada para
o interior de uma caldeira a alta pressão;
II. calor de um combustível (calor de combustão de um combustível fóssil ou
calor originado de uma reação nuclear) é transferido para a água no interior
da caldeira, convertendo-a em vapor d’água a uma alta temperatura, na
pressão da caldeira;
III. energia é transferida, como trabalho no eixo, do vapor d’água para as
vizinhanças por um dispositivo, tal como uma turbina, na qual o vapor se
expande reduzindo a sua pressão e temperatura;
IV. vapor ao sair da turbina é condensado, em uma baixa pressão e
temperatura, através da transferência de calor para uma água de
resfriamento, completando então o ciclo.
Em todos os ciclos de máquinas térmicas sempre estarão presentes: a absorção
de calor em altas temperaturas, a rejeição de calor em temperaturas mais baixas e a
produção de trabalho.
3.3.1 Eficiência de uma máquina térmica
= produção de trabalho líquido
alimentação de calor
q
f
q
fq
q Q
Q
Q
QQ
Q
W
1
q
f
Q
Q
1
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
Tomando as temperaturas dos Reservatórios Térmicos quente
h
e frio
c
e
como a eficiência depende somente das temperaturas pode-se escrever.
q
q
f
f
q
qf
qf
fQ
Q
Q
Q
,1
1,
,
Para os ciclos reversíveis, a eficiência é a mesma.
qf
revcicloq
f
Q
Q
,
.
Escolhendo
q
f
qf
T
T
,
q
f
revCicloq
f
T
T
Q
Q
O significado dessa expressão é que a razão entre as temperaturas absolutas é
a mesma que a razão entre os fluxos de calor recebido e rejeitado pelo ciclo reversível
que opera entre esses dois reservatórios.
A escala de temperatura Kelvin, baseada nas propriedades dos gases ideais, é
uma escala termodinâmica, independente das características de qualquer substância
pura.
Exercício de fixação:
3.1 Uma planta de potência, com capacidade nominal de 800.000kW, gera vapor a
585 K e descarrega calor para um rio a 295 K. Se a eficiência térmica da planta é
70% do valor máximo possível, que quantidade de calor é descarregada para o
rio na operação com a capacidade nominal ?
3.3.2 Máquina de Carnot
Uma máquina térmica ideal seria aquela que operasse de forma que todos os
seus processos fossem reversíveis. Esta máquina é chamada de Máquina de Carnot.
Uma máquina de Carnot opera entre dois reservatórios de calor de tal forma que,
todo o calor absorvido (a temperatura constante) do reservatório quente é rejeitado
(também a temperatura constante) no reservatório frio). Ou seja, qualquer máquina
reversível operando entre dois reservatórios de calor é uma máquina de calor; uma
máquina operando em um ciclo diferente deve necessariamente transferir calor
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
através de diferenças de temperaturas não-nulas e finitas e, conseqüentemente, não
pode ser reversível.
Analisando a expressão para eficiência de uma máquina térmica, esta somente
pode ter seu valor sendo máximo (100 %) quando Qf for igual a zero, o que é
impossível; pois uma certa quantidade de calor é sempre rejeitada para o reservatório
frio.
O valor máximo de eficiência, para uma máquina térmica, pode ser calculado
através da eficiência de uma Máquina de Carnot.
O Teorema de Carnot diz que para dois reservatórios de calor fornecidos
nenhuma máquina pode possuir uma eficiência térmica superior à de uma Máquina de
Carnot. Isto se explica pelo fato desta máquina ser operada através de processos
reversíveis.
Como a máquina de Carnot opera de forma reversível, a operação do ciclo de
Carnot também pode ocorrer de forma oposta, fazendo-se um ciclo de refrigeração.
Exercício de fixação:
3.2 Uma máquina de Carnot recebe 250kJ.s-1 de calor de um reservatório-fonte de
calor a 525ºC e rejeita calor para um reservatório-sumidouro de calor a 50ºC. Quais
são a potência desenvolvida e o calor rejeitado?
3.3 As máquinas térmicas a seguir produzem uma potência de 95000 kW. Em cada
caso, determine as taxas nas quais o calor é absorvido de um reservatório quente e
descarregado para um reservatório frio.
a- Uma máquina de Carnot operando entre reservatórios de calor a 750 K e 300 K.
b- Uma máquina real operando entre os mesmos reservatórios de calor com uma
eficiência térmica igual a 35 %.
3.4 Uma certa planta de potência opera com um reservatório-fonte de calor a
350ºC e um reservatório-sumidouro de calor a 30ºC. Ela possui uma eficiência térmica
igual a 55% da eficiência térmica de uma máquina de Carnot operando entre as
mesmas temperaturas.
a- qual é a eficiência térmica da planta?
b- Até qual valor deve a temperatura do reservatório-fonte de calor ser elevada
para aumentar a eficiência térmica da planta para 35%? Novamente, a eficiência
equivale a 55% do valor da máquina de Carnot.
Qual seria o maior
valor de eficiência para
uma máquina térmica?
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
EXERCÍCIO DESAFIO
3.5 Grandes quantidades de gás natural liquefeito (GNL) são transportadas em navios-
tanque. No porto, a distribuição é efetuada após a vaporização do GNL, com ele sendo
alimentado nas tubulações como gás. O GNL chega ao navio-tanque à pressão
atmosférica e 113,7 K, e representa um possível sumidouro do GNL como vapor a uma
vazão de 9000 m3/s, medida a 25ºC e 1,0133 bar, e admitindo a disponibilidade de
uma fonte de calor adequada a 30ºC, determine a potência máxima que pode ser
obtida e a taxa de transferência de calor saindo da fonte de calor. Suponha que o GNL
a 25ºC e 1,0133 bar seja um gás ideal com massa molar igual a 17. Também suponha
que o GNL somente vaporize, absorvendo apenas o seu calor latente de 512 kJ/kg, a
113,7 K.
3.5 Segunda Lei da termodinâmica
Se as quantidades de calor estiverem referenciadas na máquina (máquina de
Carnot), ao invés dos reservatórios de calor, os valores numéricos de Qq e Qf, na
expressão
f
f
q
q
T
Q
T
Q
, são positivo e negativo, respectivamente. E assim, a expressão
equivalente, sem os sinais de módulo se torna:
0
f
f
q
q
T
Q
T
Q
Para um ciclo completo de uma máquina de Carnot, as duas grandezas Q/T
associadas com a absorção e a rejeição de calor pelo fluido de trabalho da máquina
têm soma nula. Como o fluido de trabalho de uma máquina de Carnot periodicamente
retorna ao seu estado inicial, propriedades como a temperatura, pressão e energia
interna retornam aos seus valores iniciais, mesmo que elas variem de uma parte para
outra do ciclo. A principal característica de uma propriedade é que a soma de suas
variações é zero em qualquer ciclo completo. Desta forma, temos o “surgimento” de
mais uma propriedade:a ENTROPIA, S.
Se considerarmos dois reservatórios de calor, nas temperaturas Tq e Tf, de forma
que uma quantidade de calor Qseja transferida do reservatório mais quente para o
mais frio, teremos:
variação de entropia
do reservatório a Tq q
t
q
T
Q
S
variação de entropia
do reservatório a Tf
f
t
f
T
Q
S
E a variação de entropia total será:
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
fq
t
f
t
qtotal
T
Q
T
Q
SSS
ou
fq
fq
total
TT
TT
QS
Como Tq < Tf, a variação total de entropia ( total) resultante deste processo
total se torna menor à medida que
a diferença (Tq –Tf) fica menor. Quando Tq é somente infinitesimalmente superior a Tf,
total se aproxima de zero.
3.5.1 Enunciado matemático da 2ª Lei
total é sempre positiva,
aproximando-se de zero à medida que o processo se torna reversível.”
0 totalS
3.5.2 2ª Lei + Máquinas térmicas cíclicas
Como uma máquina térmica opera em ciclos, não há variação líquida em suas
propriedades. A variação total da entropia do processo é, em conseqüência, a soma
das variações de entropia dos reservatórios de calor:
f
f
q
q
total
T
Q
T
Q
S
Como o trabalho produzido pela máquina é:
fq QQW
,
o cálculo do calor pode ser feito usando a seguinte expressão:
q
f
qtotalf
T
T
QSTW 1
Esta é a equação geral para o trabalho de uma máquina térmica operando entre
dois níveis de temperatura. A produção mínima de trabalho é zero, ocorrendo quando
a máquina é completamente ineficiente e o processo se degenera em uma simples
transferência de calor irreversível entre dois reservatórios de calor. O trabalho máximo
é obtido quando a máquina é reversível, em cujo caso total = 0, e a equação se reduz
ao trabalho de uma máquina térmica.
Termodinâmica
Profa Cláudia Lirio
3.5.3 Variação de entropia de um gás ideal
A expressão para o cálculo da variação de entropia, vista até o momento, é
própria para os reservatórios de calor, entretanto quando queremos calcular a
variação de entropia para uma substância, como a água em uma máquina de potência
a vapor, devemos usar as considerações de gás ideal. Assim, o cálculo da variação de
entropia tem a seguinte expressão:
1
2
1
2 lnln
P
P
R
T
T
CS p
Exercício de fixação:
3.6 Considerando 1 kg de água líquida:
inicialmente a 0ºC, ela é aquecida até 100ºC pelo contato com um reservatório
de calor a 100ºC.
a) Qual é a variação de entropia da água?
b) Qual é a variação de entropia do reservatório de calor?
c) Qual é o total ?
inicialmente a 0ºC, ela é primeiramente aquecida até 50ºC pelo contato com
um reservatório de calor a 50ºC e então até 100ºC pelo contato com um
reservatório a 100ºC.
d) qual é o S total ?