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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO AULA 04

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PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO HUMANO 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Anne Voss 
 
 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Olá, caro aluno! 
Seja bem-vindo à quarta aula da disciplina Psicologia do 
Desenvolvimento Humano! 
Neste encontro, vamos introduzir os conhecimentos sobre a Psicologia 
Social. Você verá um breve histórico e as principais concepções teóricas nesta 
área, além dos conceitos fundamentais estudados pela Psicologia Social. 
 
CONTEXTUALIZANDO 
Você deve ter observado que, à medida que os temas das aulas anteriores 
eram apresentados, eles eram relacionados com a interação entre indivíduo e 
sociedade. Desta forma, aprendemos que o indivíduo não é apenas um 
organismo biológico que reage aos estímulos do meio, mas está em constante 
relação com o social, com a cultura e sua história, dependendo desses fatores 
para seu desenvolvimento. Partindo desse pressuposto, começamos a definir 
Psicologia Social: o estudo do comportamento humano e de seu elo com o social, 
entendendo que há uma relação essencial entre indivíduo e sociedade. 
O vídeo a seguir faz uma interessante apresentação do conceito de 
psicologia social, seu contexto histórico e sua prática no Brasil. Confira: 
https://www.youtube.com/watch?v=M8UuDYQPDIY 
PESQUISE 
Histórico e concepções 
Os estudos em Psicologia Social ganharam força a partir da década de 
60, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, com pesquisas sobre 
personalidade, comunicação em massa e mudanças de atitudes, de modo a 
entender, principalmente, o indivíduo dentro dos novos contextos que estavam 
se apresentando. 
Assim como vimos na primeira aula, a Psicologia possui diversas 
maneiras de ver o mesmo fenômeno. Com a Psicologia Social, não é diferente. 
Há duas abordagens teóricas que possuem maior influência nesta área: a 
Psicologia Cognitiva Comportamental e as Teorias Críticas. 
 
 
 
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De maneira bem simples, poderíamos dizer que a primeira surgiu nos EUA 
e a preocupação estava em descrever o comportamento humano em sociedade 
utilizando métodos positivistas, com pesquisas e experimentos controlados. A 
segunda, surgiu na Europa com estudos voltados a interação entre indivíduo e 
sociedade, compreendendo as dimensões sociais e culturais do ser humano e 
realizando análises aprofundadas da realidade social, em que o homem não é 
considerado apenas como causa e efeito do social, mas tem um papel ativo e 
transformador. 
Vamos estudar, aqui, os conceitos gerais da Psicologia Social, com foco 
nas aproximações entre ambas as abordagens. O livro “Psicologia Geral e 
Social” volta-se à perspectiva da Psicologia Cognitiva Comportamental, já o livro 
“Psicologia Social Contemporânea”, traz uma perspectiva crítica. 
 
Principais conceitos 
 A Psicologia Social traz alguns conceitos relacionados ao comportamento 
social, os quais fazem parte de processos psicológicos fundamentais para nossa 
relação com o outro. 
Linguagem: pode ser definida como um conjunto de símbolos que transmitem 
ideias e pensamentos. É possível afirmar que a linguagem humana é um produto 
social, pois atribui significados às palavras, e também histórico, pelo processo 
de desenvolvimento da cultura, que foi aumentando sua complexidade à medida 
que a sociedade foi ficando mais complexa. Passando de uma função de 
designação do objeto para ter a função de transmissão de conhecimento entre 
as gerações. 
Além disso, a linguagem é condição essencial para o desenvolvimento 
intelectual, ou seja, para o pensamento e a consciência. É a partir dela que 
somos capazes de planejar, prever, idealizar e refletir, ou seja, de operar 
mentalmente com objetos ausentes do campo perceptivo imediato. 
Assim, entendendo o pensamento como fundamental para a linguagem e 
vice e versa, constitui-se, nesta relação, o significado das palavras que 
organizam tais funções psicológicas, o que contribui para a apropriação do 
conhecimento sistematizado e do desenvolvimento de conceitos. Ou seja, ajuda 
a pensar de maneira eficiente sobre as coisas e como elas se relacionam entre 
si, organizando as experiências vividas. 
 
 
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Fique atento! As duas abordagens entendem e estudam a relação 
entre linguagem, pensamento e conceitos de maneira diferentes. 
 
Influência cultural: a cultura refere-se a normas e padrões que influenciam 
nossos comportamentos. Aprendemos a cultura por meio das relações que 
estabelecemos com o outro, que nos mostra a maneira adequada de agir, pensar 
e falar. Atualmente, temos cada vez mais contato com outras culturas, as quais 
precisam ser compreendidas nas suas relações e aprendizados, que são apenas 
diferentes dos nossos. 
 
Conformidade: este é um conceito utilizado mais pela perspectiva Cognitiva 
Comportamental, e implica em conflito entre indivíduo e grupo, em que o 
indivíduo abre mão de sua preferência para seguir a maioria. 
Curiosidade: procure saber sobre o experimento de conformidade de Asch, que 
comprovou que as pessoas tendem a mudar sua opinião correta para se 
conformar ao grupo. 
 
Obediência: pode ser definida como uma concordância em relação a um 
comando, as quais dependem de certas situações, normalmente envolvendo 
alguma relação de poder como autoridades (policial, pais), ou seja, quando não 
é possível questionar a ordem dada. Outra situação que envolve obediência é 
quando há responsabilidades envolvidas na execução de uma tarefa. 
 
Comunicação: de maneira geral, é tudo aquilo que as pessoas possam atribuir 
significações. Segundo os estudiosos do processo de comunicação, ela depende 
de quatro elementos: a fonte, ou seja, aquele que deseja transmitir uma 
mensagem; um receptor, a quem a mensagem se destina; a mensagem, aquilo 
que se quer transmitir; e o meio, ou seja, como a mensagem será transmitida. 
A comunicação pode ter como característica a persuasão, ou seja, 
convencer o receptor de que se está certo e, para tanto, possui algumas 
características: a fonte deve ter credibilidade, a mensagem, assim como o meio, 
deve ser significativa para o receptor, e o receptor também precisa estar 
predisposto a mudar sua atitude. Além disso, a comunicação também pode ser 
utilizada como forma de dominação social, normalmente realizada por meios de 
 
 
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comunicação em massa. O objetivo é fazer com que as pessoas sigam e 
acreditem em apenas uma forma de ver o mundo. 
Observaremos, agora, alguns conceitos estudados com mais afinco pela 
abordagem Cognitiva Comportamental: 
 
Atitude e Comportamento 
As atitudes dizem respeito a objetos, grupos, eventos e símbolos 
socialmente significativos e influenciam o comportamento. A atitude é composta 
por crenças (fatos, opiniões e conceitos), sentimentos e tendências 
comportamentais, ou seja, inclinações a agir de certa maneira. É claro que 
apenas esses fatores não são suficientes para dizer exatamente como se dará 
o comportamento, mas podemos dizer que eles possuem consistência entre si. 
 
Estereótipo, Preconceito e Discriminação 
O primeiro, diz respeito a generalizações sobre características ou 
comportamentos alheios, que nem sempre são verdadeiros. O segundo, são 
atitudes que transmitem sentimentos negativos sobre uma pessoa ou grupo com 
base no estereótipo. Há muitas teorias sobre o surgimento do preconceito que 
estão relacionadas a frustações que são transformadas em raiva, outra teoria irá 
relacionar à personalidade autoritária, e outras, relacionam com a conformação. 
O terceiro, refere-se a um ou mais atos inadequados contra alguém ou um grupo. 
Algumas estratégias podem ser utilizadas para dirimir as manifestações depreconceitos e discriminações, que estão relacionadas a mudança de 
comportamentos, entre elas: reclassificar, deixar de pensar nas diferenças para 
pensar nas semelhanças; processamento controlado, ou seja, ensinar a ser 
tolerante; contato com grupos diferentes; integração social; e cooperação. 
 
Percepção social 
 É a partir da percepção que identificamos o outro (presença física, valores, 
costumes) e é essencial para a interação social. Para analisar a percepção 
social, utilizamos o conceito de esquema, que parte do pressuposto de que 
categorizamos as pessoas de acordo com as informações que temos sobre ela, 
porém, estes esquemas de categorias podem levar a erros, que poderiam, 
assim, formar estereótipos e preconceitos. 
 
 
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 De maneira geral, podemos definir percepção como o processo de 
selecionar, organizar e interpretar estímulos oferecidos pelo ambiente. Assim, 
podemos explicar o comportamento dos outros atribuindo causas a eles, as quais 
podem ser internas (pessoal) X externos (razão situacional); podem depender 
de informações públicas (observação do comportamento) X privadas 
(pensamentos), consistência no comportamento, consenso em situações 
semelhantes. 
 Outro aspecto da percepção é a atração interpessoal, que pode se dar 
por proximidade, atração física, semelhança, troca (valorização do outro) e 
intimidade. 
 
Comportamentos altruístas 
 Ato de ajudar outra pessoa sem querer nada em troca. Envolve duas 
variáveis: uma situacional, que diz respeito à presença de outras pessoas, e 
outra relacionada às características pessoais. Além disso, existem componentes 
culturais que auxiliam a um comportamento de ajuda maior. 
O artigo a seguir analisa a influência de um discurso justificador da 
discriminação sobre o preconceito racial, com base na perspectiva das 
representações sociais. Acompanhe: 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
79722003000100010 
Não deixe de buscar outros estudos realizados sobre os temas 
conformação, obediência, preconceito e discriminação! 
 
TROCANDO IDEIAS 
Aproveite o fórum para discutir com seus colegas sobre os conceitos 
aprendidos nesta aula, comente suas experiências, seu entendimento anterior e 
as mudanças que esta aula proporcionou no seu ponto de vista. 
Participe, através do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)! 
 
NA PRÁTICA 
Agora, vamos conhecer alguns conceitos estudados pelas teorias críticas: 
Ideologia 
 
 
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O termo ideologia possui muitos sentidos diferentes. Para as teorias 
críticas, o termo é entendido de forma negativa, ou seja, como um conjunto de 
valores e ideias que tem como objetivo criar e sustentar as relações de poder da 
classe dominante. Essas ideologias negativas teriam como função orientar as 
pessoas, de maneira ilusória, a agirem e pensarem de determinada maneira que 
desviem a busca por mudança social e que se mantenham relações de 
dominação. 
Assim, a psicologia social crítica irá estudar a ideologia a partir da análise 
dos seguintes conceitos: é uma concepção crítica, ou seja, não é neutra e se 
posiciona frente ao conceito negativamente; irá identificar o sentido e as formas 
simbólicas, principalmente da linguagem, analisando como elas são utilizadas 
para reproduzir e legitimar a ideologia; e compreende que há relações de 
dominação e poder. Seu principal objetivo está em revelar como as pessoas 
sofrem e são prejudicadas devido às relações desiguais e injustas, contribuindo 
para a emancipação dos sujeitos e da construção de uma sociedade mais justa. 
 Não se preocupe, como esta teoria é baseada na perspectiva marxista, 
os conceitos psicológicos não estão muito distantes daqueles estudados nos 
cursos de Serviço Social. 
Subjetividade e Identidade: em ambos os conceitos há a retirada da 
ideia de aspectos exclusivamente individuais ou exclusivamente sociais, 
entendendo que individual e social fazem parte de um processo contínuo de 
articulação. Assim, a identidade não seria apenas um conjunto de traços que o 
indivíduo reconhece como fazendo parte de si, mas a articulação entre os seus 
papéis sociais, da sua ação no mundo e das relações sociais. A subjetividade 
está associada às experiências e instâncias sociais atuais do sujeito, que 
ganham sentido e significação na formação subjetiva de sua história. Estando 
permeada pela linguagem, pensamento e emoções. 
Relações de Poder: de maneira geral, é possível afirmar que o poder está 
em todos os aspectos da vida e é inerente às relações sociais. Tem como 
característica impor seus interesses a outros, configura ou determina os 
elementos constituintes da ação humana (princípios e valores), baseia-se na 
posse de recursos (conhecimento, recurso financeiro) e produz efeito nas 
relações (obediência e autoridade). 
Você conseguiu identificar a diferença entre as duas abordagens? Como 
havíamos visto na primeira aula, a psicologia tem modos diferentes de ver o 
 
 
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mesmo fenômeno; dependendo da perspectiva, serão considerados mais alguns 
aspectos do que outros. 
Leia o artigo a seguir, que aborda os princípios básicos da terapia 
cognitivo-comportamental, e explana seus principais conceitos: 
http://www.larpsi.com.br/media/mconnect_uploadfiles/c/a/cap_01_28_cc.
pdf 
 
SÍNTESE 
Chegamos ao fim deste encontro! 
Vimos, nesta aula, que os estudos em Psicologia Social tiveram início 
após a Segunda Guerra Mundial e que há, principalmente, duas abordagens 
que se debruçam sobre ela: a Psicologia Cognitiva Comportamental e as 
Teorias Críticas. Aprendemos, também, que a Psicologia Social entende o 
homem dentro de suas relações sociais, portanto, os conceitos estudados por 
ela vão buscar entender esta relação. Dentre estes conceitos estão a 
linguagem, a comunicação e a influência cultural. 
Em cada perspectiva teórica há estudos mais específicos. Para a Teoria 
Cognitiva Comportamental, os estudos se voltam para o comportamento humano 
dentro da sociedade, assim, os conceitos estudados são com relação a atitudes 
e comportamentos, estereótipos, preconceito, discriminação e percepção social. 
E para as Teorias Críticas, o objetivo está em estudar a interação entre indivíduo 
e sociedade, preocupando-se com conceitos como subjetividade, identidade, 
ideologia, entre outros. 
 
COMPARTILHANDO 
Busque artigos, vídeos e outros materiais que ilustrem os temas 
abordados na aula de hoje. Não deixe de compartilhe com seus colegas e 
familiares esses conteúdos, de modo a reforçar ainda mais o seu aprendizado. 
Até a próxima aula e bons estudos!

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