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RAQUEL DE ABREU DE SOUZA MÂNICA CONTRATOS BLOCKCHAINS E A RELAÇAO DE EMPREGO PORTO ALEGRE 2018 SUMÁRIO RESUMO Um dos grandes desafios do Direito na atualidade, talvez seja o de conferir ao consumidor e contratante virtual a devida segurança e proteção nas transações e relações comerciais exercidas pela internet. O objetivo do presente trabalho foi de avaliar a existência de relação de emprego através dos contratos blockchains. Este estudo foi elaborado através do método de pesquisa qualitativa, por meio de uma pesquisa explicativa. A constituição do presente trabalho se deu no período de abril a maio de 2018. Verificou-se que a relação de emprego é firmada mediante contrato de trabalho e assinatura da carteira de trabalho do empregado mediante o preenchimento dos requisitos da CLT. Verificou-se ainda que no Brasil ainda é preciso avançar nas leis que regem os contratos blockchains e as respectivas relações de trabalho, quando for o caso. Atualmente as leis existentes no país que podem parcialmente atender situações de relação de emprego em contratos blockchains, são o Código Civil brasileiro e o Código de Defesa do Consumidor. Palavras chave: Contratos; trabalho; Relações de emprego; blockchains; bitcoin. ABSTRACT One of the great challenges of Law today is perhaps to give the consumer and virtual contractor the proper security and protection in the transactions and commercial relations carried out by the Internet. The objective of this work was to evaluate the existence of employment relationship through blockchains contracts. This study was elaborated through the qualitative research method, through an explanatory research. The present study was carried out from April to May 2018. It was verified that the employment relationship is established through a work contract and signature of the employee's work portfolio by fulfilling the CLT requirements. It was also verified that in Brazil still it is necessary to advance in the laws that govern the contracts blockchains and the respective labor relations, when it is the case. Currently existing laws in the country that can partially meet employment relationship situations in blockchains contracts, are the Brazilian Civil Code and the Consumer Defense Code. Keywords: Contracts; job; Employment relations; blockchains; bitcoin 1. INTRODUÇÂO O mercado atualmente se configura como altamente competitivo e globalizado, onde as transações comerciais e contratações de serviços praticamente não possuem mais limites. Isso gera uma série de oportunidades aos empreendedores e consumidores, como da mesma forma, exige mais cuidados por parte do consumidor ao realizar estas transações e contratações. Como vivemos atualmente na era da tecnologia da informação, a onda da população hoje é de se utilizar dos meios tecnológicos, como internet, celulares, tablets, notebooks e outros dispositivos para realizar todos os tipos de contatos, transações e contratações. Esta oportunidade que o mundo globalizado e a tecnologia têm oferecido, inicialmente traz muita comodidade, ao mesmo tempo em que deixa a população vulnerável a ações de criminosos e golpistas que utilizam destes meios para cometerem os mais variados tipos de crimes. Um dos grandes desafios do Direito na atualidade, talvez seja o de conferir ao consumidor e contratante virtual a devida segurança e proteção nas transações e relações comerciais exercidas pela internet, de forma a reduzir os danos cometidos por crimes cibernéticos, assim como regular os contratos que envolvem estas operações (SILVA; MASCARENHAS, 2010). O tema abordado neste trabalho refere-se aos contratos blockchains e a relação de emprego. Desta forma, o objetivo do presente trabalho é de avaliar a existência de relação de emprego através dos contratos blockchains. Com isso, a questão a ser respondida nesta pesquisa seria em relação aos elementos jurídicos trabalhista envolvidos na relação de emprego através dos contratos blockchains. O termo blockchain é utilizado para denominar e identificar um grande banco de dados distribuído em uma determinada rede usada por muitos participantes ao mesmo tempo, e sem que haja uma entidade central que comande esta respectiva rede, geralmente utilizando-se do Bitcoin para pagamento destas operações (FERREIRA, 2017). O Bitcoin é uma criptomoeda ou moeda digital, muito utilizado hoje para as transações virtuais, que foi criada por códigos de computador, e asseguradas com criptografia avançada, sem um banco central e mantida apenas por uma rede de usuários global, onde qualquer um pode ser parte desse tipo de banco (JANSEN, 2016). Pelo contrato de trabalho normal, o empregado transfere ao empregador a propriedade do produto de seu trabalho (alteridade). Dessa forma, durante a execução do pacto laboral, o empregador é quem dirige a prestação de serviço (subordinação jurídica) e assumir os riscos de sua atividade econômica (BEVILÁQUA, 2016). Portanto, como o direito é composto por regras e princípios, onde por princípio em tempo tudo aquilo que orienta o operador do direito na sua atividade interpretativa a assumir as feições da própria regra jurídica, estabelecendo, portanto, as normas de conduta que devem ser observadas pelas pessoas nos casos em que envolvem as formalizações contratuais (CAIRO Jr., 2015). Dessa forma, o estudo se justifica e se faz relevante pelo fato da grande demanda de trabalhos que tem despontado nesta área da tecnologia da informação, especialmente nas transações comerciais com necessidade de contratação e relações de emprego. Pois, como a população está cada vez mais se utilizando dos meios tecnológicos para realizar as suas relações comerciais. 2. METODOLOGIA Este estudo foi elaborado através do método de pesquisa qualitativa, sendo definida como estratégia de confecção e apresentação dos resultados a “Pesquisa explicativa”. De acordo com o autor Gil (2012, p. 46) “a pesquisa explicativa deve ser elaborada tendo o cuidado de buscar a identificação dos fatores determinantes ou que pelo menos possa de alguma forma contribuir para a ocorrência dos respectivos fenômenos”. A pesquisa explicativa tem o principal objetivo de aprofundar o conhecimento da realidade, trazendo a explicação para a razão e o porquê dos fenômenos. Ainda busca identificar os motivos determinantes para o acontecimento de um determinado fenômeno ou que contribuíram e de que forma o acontecimento deste fenômeno (GIL, 2012). Esse método de pesquisa pode ser entendido ainda, como, uma extensão das pesquisas do tipo exploratória, assim como da pesquisa descritiva (GIL, 2012). Com relação à pesquisa propriamente dita, esta pode ser definida como a metodologia racional e sistemática com a pretensão de encontrar as respostas para os problemas que são propostos nos trabalhos investigativos (CERVO; BERVIAN, 1996). Geralmente as pesquisas são requeridas em momentos que as informações não existem de modo suficiente, ou inexistem, para chegar até as respostas aos problemas da pesquisa. (GIL, 2012). Portanto, para a realização de um estudo científico é necessário a realização de uma pesquisa, que na maioria das vezes é previa ao estudo e do tipo ‘pesquisa bibliográfica’ (CERVO; BERVIAN, 1996). Dessa forma, esta é realizada no intuito de fazer uma fundamentação teórica sobre o assunto proposto, ou até para justificar as suas limitações e também para a discussão dos resultados. Os autores Cervo; Bervian (1996, p. 48) afirmam ainda que: “o tipo de pesquisa chamada de bibliográfica é um meio de formação por excelência. Pois, quando aplicada em um trabalho científico original, tende a constituir a pesquisa propriamente dita na área das Ciências Humanas. E quando utilizada para resumo de assunto, constitui na maioria das vezes a primeira ação para qualquer pesquisa científica”. Dessa forma, o referencial teórico do presente estudo foi constituído a partir de consultas bibliográficas realizadas por meio de leituras em trabalhos acadêmicos disponíveisna internet, em sites confiáveis como Scielo, Portal da Capes, Google Acadêmico, dentre outros. A constituição do presente trabalho se deu no período de abril a maio de 2018. 3. REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo serão apresentados os tópicos relacionados aos assuntos que constituem o presente referencial teórico, de forma a conduzir o presente estudo ao atingimento dos seus objetivos. 3.1 CONCEITO DO DIREITO DO TRABALHO O direito do trabalho é um Ramo do direito composto por regras e princípios, sistematicamente organizados que regulam a relação de trabalho subordinado entre empregado e empregador, acompanhado de sanções para a hipótese de descumprimento dos seus comandos (CAIRO Jr.,2015, p.34). Direito do trabalho é um ramo da ciência do direito que tem por objeto as normas jurídicas que disciplinam as relações de trabalho subordinado, determine os seus sujeitos e as organizações destinadas à proteção desse trabalho, em sua estrutura e atividade (NASCIMENTO, 2004, p.176). CLT - Decreto Lei nº 5.452 de 01 de Maio de 1943 Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. § 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) § 2o Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em lei. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) § 3o No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva. O direito trabalho é considerado um ramo do direito por ter uma parte autônomo, uma ciência tendo em ramos para facilitar o estudo da matéria. Nesta caso, as Instituições jurídicas são os órgãos que compõem o direito do trabalho. Já o Princípio, por sua vez, pode ser entendido como o conteúdo maior, ou seja, a base para o estudo maior. Nas fontes do direito do trabalho, prevalece a tradicional classificação em fontes materiais e fontes formais. As fontes matérias estão situadas em um momento pré-jurídico, constituindo-se em fatos propulsores para a construção da regra do direito (acontecimentos, fatores, circunstâncias, pensamentos etc.). As fontes formais são os instrumentos de exteriorização das normas jurídicas. Messe sentido apresentam-se duas correntes doutrinarias cuidam da classificação das fontes formais: a teoria mista e a teoria pluralista. Os teóricos monistas afirmam que as fontes do Direito têm no Estado o único centro de positivação. Os teóricos pluralistas discordam do “exclusivismo estatal”, apontando vários centros de positivação jurídica, tais como o costume, a sentença arbitral coletiva, as convenções e acordos coletivos, dentre outros. No estudo das fontes formais do direito do trabalho prevalece a teoria pluralista. Tomando por base a Teoria pluralista, as fontes formais são divididas em Fontes heterônomas e fontes autônomas. As fontes formais heterônomas ocorrem a quando a produção das regras jurídicas não se caracteriza pela imediata participação dos destinatários, mas pela imposição de um terceiro, geralmente o Estado (Constituição, leis, medidas Provisórias, decretos, sentença normativa, portarias etc.). A sentença arbitral coletiva (§1º do art.114 da CF), que também é uma fonte formal heterônoma, não é proferida pelo Estado, mas por um árbitro livremente escolhido pelas partes. Já as fontes formais autónomas ocorrem quando percebe-se a produção das regras conta com a imediata participação dos destinatários, inexistindo a” imposição da regra por um terceiro” (costume, Convenção Coletiva de trabalho e acordo coletivo de trabalho). Portanto, eis as principais fontes formais: Leis e decretos (fontes formais heterônomas) - Constituição Federal, leis complementares, leis ordinárias, medidas Provisórias, decretos, portarias etc; Tratados e Convenções internacionais (fontes formais heterônomas), desde que é ratificado, a luz dos arts.5º, §§2º e 3º, e 84, VIII, da CF; Sentença arbitral coletiva (fonte formal heterônoma) -art..114, §1º, da CF; Convenções coletivas de trabalho e acordo coletivo de trabalho (fontes formais autónomas) -arts.611 e ss. da CLT. hoje marcamos pela ultratividade, prevista na súmula 277 do TST; Costume( fonte formal autônoma)- seu empregador, por exemplo, costumo a fornecer uma cesta básica anualmente aos seus funcionários, Esse costume( hábito) serve de base para” onde todos os empregados “à percepção do benefício, ou seja, o empregador terminou por criar uma norma mais benéfica, podendo a cesta básica ser considerada uma espécie de gratificação (assumindo natureza salarial, nos termos do art. 458, caput, dá CLT); 3.2 PRINCÍPIOS JURÍDICOS RELACIONADOS AOS CONTRATOS O direito é composto por regras e princípios. Dessa forma, por princípio em tempo tudo aquilo que orienta o operador do direito na sua atividade interpretativa. Em alguns casos, o princípio jurídico assumir as feições da própria regra jurídica ao estabelecer normas de Conduta a serem observadas pelas pessoas (CAIRO Jr., 2015, p.87). O direito individual tem os seus princípios próprios, quais são os seguintes: PRINCIPIO DA PROTEÇÃO PRINCIPIO DA INDISPONIBILIDADE DE DIREITOS PRINCIPIO DA CONTINUIDADE DA RELAÇÃO DE EMPREGO PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE PRINCIPIO DA NÃO-DISCRIMINAÇÃO 3.3 RELAÇÃO DE TRABALHO EM RELAÇÃO DE EMPREGO A expressão relação de trabalho têm caráter genérico, onde todas as relações jurídicas caracterizadas por ter em sua prestação essencial centrada em uma obrigação de fazer consubstanciada em Labor humano (toda modalidade de contratação de trabalho humano modernamente admissível), em troca em valor pecuniário ou não pecuniário, consistem numa relação de trabalho (MARTINS,2011, p.88). O autor quis dizer que a relação de trabalho e gênero, isso significa que todo vínculo jurídico por meio do qual uma pessoa física assume o compromisso de prestar serviços em prol de outros. Toda vez que é prestação de trabalho humana, ou seja, prestação de trabalho de uma pessoa para outra, estamos falando de uma relação de trabalho. A relação de trabalho é ampla, sendo que ela engloba a relação de emprego, seno também uma das espécies da relação de trabalho. Diferentemente, a relação de emprego é firmada mediante contrato de trabalho e assinatura da carteira de trabalho do empregado mediante o preenchimento dos requisitos do art.3º da CLT. A relação de emprego e vínculo caracterizados da relação de trabalho através dos requisitos: subordinação: sujeição do empregado em relação ao empregador quanto ao modo de realização do serviço. A natureza jurídica da subordinação: subordinação Econômica, técnica, social, jurídica. A natureza jurídica da subordinação é qual o empregado está submetido a poder empregatício a um todo, o qual é subdividido não poder diretivo, poder disciplinar, poder fiscalizatório e regulamentar, isso significa que a subordinação jurídica é feita de forma dirigida pelo empregador através desta forma o empregado tem que fazer as obrigações e determinações. Pessoalidade: a ideia de intransferibilidade, ou seja, somente o empregado (pessoa física que consta no contrato) pode prestar o serviço (MARTINEZ, 2012, p.126). A característicada pessoalidade produz efeito não só para a configuração do vínculo empregatício e durante a execução do contrato, mas também no momento da sua própria extinção, pois, em razão da pessoalidade, a relação de emprego e as obrigações a ela inerentes não se transmite a herdeiros e sucessores. Portanto, a morte do empregado, portanto, implica necessariamente na extinção da relação de emprego (DELGADO,2010, p.272). A pessoalidade é uma característica específica para empregado, ao qual se observa com análise dos artigos 10 e 448 da CLT que trata das sucessões das empresas: art.10 da CLT- qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. art.448 da CLT- a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Onerosidade: para todo trabalho haverá sempre uma Retribuição. o contrato de é oneroso. O fato de o empregador deixar de pagar o salário não afasta a existência de onerosidade e, portanto, não descaracteriza o contrato de trabalho, pois a obrigação de pagar o salário existe, apenas não está sendo cumprida (ROMAR, 2013, p.103). Continuidade:( duração não eventual): independentemente da pessoalidade ou da subordinação, aquele que presta serviço em caráter eventual não é empregado. Portanto, na relação de emprego, a prestação de serviço é habitual, repetitiva, rotineira. As obrigações das partes se prolongam no tempo, com efeitos contínuos (ROMAR,2013, p.99). Subordinação: evidenciada na medida em que o tomador de serviço definir o tempo e o modo de execução daquilo que foi contratado. É “uma situação que limita a Ampla autonomia de vontade do prestador dos serviços”. verifica-se uma intensidade de ordens, uma sujeição(obediência) ao comando e um respeito à hierarquia. (MARTINEZ,2012, p.129). A subordinação pode ser jurídica, técnica ou Econômica. Alteridade (ou não Assunção dos riscos da atividade patronal): o empregado não assume os riscos da atividade desenvolvida pelo empregador. o empregado é um trabalho prestado por conta alheia. nesse sentido, o caput do art.2º da CLT (conceito de empregador). (MARTINEZ, 2012, p.127). O empregado pode participar dos lucros da empresa, mas não dos prejuízos (MARTINS,2011, P.102). art.3º da CLT- considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não- eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. parágrafo único: não haverá distinções relativas a espécie de emprego é a condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. art.6º da CLT- não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do executado e a Realizado a distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego. Todos os elementos devem estar presentes ao mesmo tempo para configurar relação de emprego. 3.4 HISTÓRICO DOS CONTRATOS E TRANSAÇÕES VIRTUAIS A Internet é uma conexão de redes em escala mundial, através de milhões de computadores que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados (PINHEIRO, 2007). Em meados dos anos de 1980, teve-se um aumento de ações criminosas de um modo geral, com o aparecimento de grandes escândalos, como, por exemplo, as manipulações de caixas bancários, abusos em processo de telecomunicação, aparecimento em grande escala de pirataria de programas e também a pornografia infantil (OLIVEIRA JÚNIOR, 2013). Diante da era da tecnologia da informação, percebe-se a importância que a informática possui no momento, ressaltando que a maioria das pessoas, físicas ou jurídicas, “depende do seu dispositivo informatizado, que variam de um simples pendrive ou celular, até um computador com banco de dados sigilosos de uma empresa” (BRITO, 2013, p. 7). A intenção de criar blocos criptografados de informação é relativamente recente, sendo que na década de 90 Stuart Haber e W. Scott Stornetta começaram a estudar esta alternativa com a finalidade de solucionar eventuais problemas relacionados ao marco temporal de documentos digitais (TAPSCOTT; TAPSCOTT, 2017). Inicialmente pretendia-se que as funções de hash criptográficas podessem ser utilizadas para garantir que as informações prévias (iniciais) não pudessem ser adulteradas, mantendo-se assim a ordem das informações (FERREIRA, 2017). Já no final da década de 2000, durante o desenvolvimento do Bitcoin, Satoshi Nakamoto trabalhou paralelamente na implementação do primeiro blockchain, onde a ideia era que este servisse como livro-razão da sua moeda virtual. Com isso, esperava-se evitar gasto duplo de moedas virtuais, impedindo que uma mesma moeda virtual pudesse ser utilizada para compra de algo duas ou mais vezes para coisas distintas (TAPSCOTT; TAPSCOTT, 2017). A partir disso, foram desenvolvidas várias aplicações desta iniciativa, e ainda muitas outras estão sendo desenvolvidas no momento. Desde então, uma imensa variedade de aplicações dessa ideia vem sendo desenvolvidas e muitas outras ainda estão sendo idealizadas. Nesse sentido, Ferreira (2017, p. 17) afirma que o blockchain está sendo utilizado e/ou desenvolvido para: “Organizações autônomas, sistemas de votação, de gerenciamento de identidade virtual, de gerenciamento de direitos autorais, de governança, de reputação, de registros imobiliários e muito mais”. 3.5 CRIPTOMOEDAS “O Bitcoin é uma criptomoeda ou moeda digital, criada por códigos de computador, e asseguradas com criptografia avançada, sem um banco central e mantida por uma rede de usuários global, onde qualquer um pode ser parte desse banco” (JANSEN, 2016, p. 1). A referida moeda já é bastante utilizada em transações oficiais e também até em crimes cibernéticos. No mundo inteiro, já se tem conhecimento de marcas bem famosas que estão utilizando as criptomoedas, como Dell, Microsoft e a Valve. Estas empresas já estão aceitando o Bitcoin como forma de pagamento, abrindo o caminho para outras marcas se adaptarem a este mecanismo (JANSEN, 2016). Ainda, já se percebe que estas moedas digitais podem ser usadas também como fonte de segurança e privacidade durante as transações. Por outro lado, isso também pode ser um atrativo aos cibercrimes, pois, os racker’s ao invadirem computadores, estão solicitando pagamentos em troca das informações sequestradas nos computadores das vítimas, e este pagamento já está sendo solicitado também na moeda virtual “Bitcoin” (FAÉ, 2014). Segundo BitcoindBrasil (2017), o bitcoins pode ser entendido como: “uma tecnologia digital que permite reproduzir em pagamentos eletrônicos a eficiência dos pagamentos com cédulas. Pagamentos com bitcoins são rápidos, baratos e sem intermediários. Além disso, eles podem ser feitos para qualquer pessoa, que esteja em qualquer lugar do planeta, sem limite mínimo ou máximo de valor” (BITCOINDBRASIL, 2017, p. 1). Portanto, o Bitcoin pode ser considerado uma criptomoeda do tipo “em código aberto”, sendo que a forma como foi desenvolvida, permite que suas propriedades matemáticas estejam disponíveis e podem ser visualizadas com o uso do seu respectivo software original (SURDA, 2013). Nesse sentido, quando é realizada uma transação com pagamento por uma criptomoeda, o pagamento é feito por meio de transações com capacidade de emissão de unidades de Proof-of-work (Prova de trabalho), que por sua vez, é realizada por meio de subcontratados. Com isso, evita-se a confiança desta tarefa a um agente terceiro (FAÉ, 2014). Sobre isso, Faé (2014) afirma que: Na lógica deste processo, cada participante da rede é simultaneamente servidor e cliente. Portanto, os recursos estão armazenados em um ambiente de rede que evita a centralização. Neste caso, o conteúdo que a rede compartilha é a blockchain, conjunto de registros públicos de todas as transações que ocorrem no sistema Bitcoin, que se forma de modo a evitar gastos duplos (FAÉ, 2014, p. 23). Um ponto importante a ser ressaltado sobre este assunto é a real capacidade decriptografia desta moeda, apesar de muitas pessoas confundirem a moeda com crimes cibernéticos realizados na internet. Acontece que, muitos racker’s realizam crimes na internet e utilizam destas criptomoedas para solicitar o respectivo pagamento, justamente por ser uma moeda segura e sem condições de serem rastreados. Sobre isso é interessante ressaltar que, recentemente tivemos um ataque cibernético de grande escala mundial e que certamente entra para a história, especialmente pela sua forma de atuação e capacidade de invasão de empresas e órgãos antes intangíveis. No dia 12 de maio de 2017 teve-se uma mega ação de racker’s que invadiram computadores de mais de 100 países, gerando prejuízos bilionários às pessoas e empresas atingidas (PRESSE, 2017). No Brasil foram 14 estados, mais o Distrito Federal que registraram os ataques cibernéticos em empresas ou órgãos públicos. Em países como Rússia, México, Itália, Espanha, dentre outros, registraram o ataque de vírus nos computadores de vários usuários, onde este vírus, chamado de vírus "ransonware" atacou o sistema operacional do Windows das máquinas, de forma a bloquear (sequestrar) todos os dados armazenados nos computadores infectados. Após isso, os Racker’s solicitaram o pagamento de uma quantia em dinheiro - entre US$ 300 e US$ 600 em Bitcoins por computador infectado (PRESSE, 2017). Os vírus de resgate são pragas digitais que embaralham os arquivos no computador usando uma chave de criptografia. Os criminosos exigem que a vítima pague um determinado valor para receber a chave capaz de retornar os arquivos ao seu estado original (PRESSE, 2017). Dessa forma, com o uso desta tecnologia, os Hacker’s encontraram uma forma de receber os valores do dinheiro virtual por parte dos “infectados”, sem ter como rastrear uma conta bancária, por exemplo. Portanto, as criptomoedas apesar de serem moedas virtuais seguras (criptografadas) apresentam vulnerabilidade a uso por criminosos, assim como, qualquer outro tipo de moeda. 3.6 O QUE É BLOCKCHAIN O termo blockchain é utilizado para denominar uma respectiva cadeia de blocos, de forma que cada bloco possui algumas informações. De forma mais específica o blockchain é usado na identificação de um grande banco de dados distribuído em uma determinada rede usada por muitos participantes ao mesmo tempo, e sem que haja uma entidade central que comande esta respectiva rede (FERREIRA, 2017). O processo de blockchain tende a gerar uma descentralização, pois o próprio banco de dados passa a trabalhar sem possuir um ponto central de falhas e vulnerabilidades. Portanto, é um procedimento relativamente mais seguro, sendo menos provável que um hacker consiga realizar qualquer alteração significativa na rede e banco de dados (FERREIRA, 2017). Na prática, a blockchain é formada por meio da união de diferentes blocos que correspondem ao processamento e confirmação das respectivas transações. Nesse sentido, em cada um dos novos blocos que vão sendo agregados é necessário que seja resolvido um determinado problema matemático de grande complexidade, que é elaborado por meio dos dados de toda a blockchain e das novas transações (FAÉ, 2014). Com isso, acontece a construção de uma nova blockchain, por meio de um processo de Proof-of-work, conforme pode ser percebido e visualizado na (Figura 1), e evitando-se assim gastos duplicados e qualquer tipo de ação que seja mal intencionada (FAÉ, 2014). Figura 1: Imagem que ilustra a formação de uma Blockchain. Fonte: Adaptado de Faé (2014). Faé (2014) complementa ainda que: Finalmente, as chaves criptográficas irão compor um mecanismo de endereços e senhas, análogos ao funcionamento do e-mail, no qual o único modo para que cada “endereço” (chave pública) registre uma transação na Blockchain é através da vinculação à sua “senha” (chave privada) correspondente. Logo, apenas o portador da chave privada tem poder sobre o balanço de seu endereço (FAÉ, 2014, p. 28). As chaves privadas, por sua vez, ficam são armazenadas nas denominadas “carteiras”, sendo que estas possuem a condição de poderem ser armazenadas e salvas em qualquer tipo de memória externa ou, se for ocaso até mesmo no próprio computador (SURDA, 2013). O armazenamento de bitcoins pode desta forma, ser realizado por diferentes formas, já que suas respectivas chaves são compostas por apenas dois números, sendo muito comum a adoção de serviços do tipo nuvem, além dos próprios dispositivos móveis e também no formato físico convencional (SURDA, 2013). Faé (2014) afirma ainda que: Na prática, o sistema funciona com a confirmação de cada transação baseada no registro de todas as transações para evitar gastos duplos, sendo que aquele que executa a transferência de propriedade registra uma transação com sua chave pública e assina a ordem com sua chave criptográfica privada. Qualquer participante da rede pode contribuir verificando transações ao compilar novos blocos à blockchain, recebendo em troca uma recompensa que pode proceder de: (1) taxas voluntárias que cada usuário pode definir voluntariamente em cada operação, ou (2) dos prêmios que cada bloco confirmado atribui a esses subcontratados. Por esse segundo processo surgem as novas unidades de bitcoin, por isso é chamado mineração (FAÉ, 2014, p. 28). Portanto, o processo de blockchain tende a ser um procedimento relativamente mais seguro, sendo menos provável que um hacker consiga realizar qualquer alteração significativa na rede e banco de dados. 3.7 CONTRATO DE TRABALHO Geralmente quando se trata de um contrato, referimos-vos a um respectivo vínculo obrigacional existente, pelo menos entre duas partes. Nestes casos, é prevista a obrigatoriedade de uma prestação de contas de uma parte em relação à outra, sendo, portanto, um acordo bilateral que manifesta a vontade de ambas as partes e que tem por objetivo criar, modificar ou extinguir direitos (BEVILÁQUA, 2016). Portanto, pelo contrato de trabalho, o empregado transfere ao empregador a propriedade do produto de seu trabalho (alteridade). Dessa forma, durante a execução do pacto laboral, o empregador é quem dirige a prestação de serviço (subordinação jurídica) e assumir os riscos de sua atividade econômica (BEVILÁQUA, 2016). Muitas vezes o contrato de trabalho é realizado para uma determinada espécie de negócio jurídico bilateral ou plurilateral, dependendo do caso concreto (GOMES, 2007). Porém, é preciso entender que no contrato não é necessário que se preencham todos os requisitos formais sempre, tais como: “assinaturas, papéis, até mesmo porque em várias situações não precisam sequer de nomes, um exemplo são os transportes públicos, compras em supermercados, entre outros” (MAZEO, 2017, p. 28). Portanto, verifica-se que a palavra “contrato” pode ser utilizada apenas como sinônimo de vínculo obrigacional, sendo que, no momento em que for tratado de documento comprobatório em si, neste momento que se dará o instrumento contratual, sempre se lembrando da bilateralidade que existe no momento da firmatura de um determinado contrato, estando sempre de acordo com as duas vontades (MAZEO, 2017). Dessa forma, o conceito de contrato de trabalho seria o pacto, expresso ou tácito, verbal ou escrito, pelo qual o empregado, do tipo “pessoa física”, compromete-se a prestar serviços não eventuais e subordinados e o empregador a pagar a Retribuição respectiva, seja esta convencionada ou imposta por lei (MAZEO, 2017). Nesse sentido, a CLT nos mostra que: art. 442 da CLT- contrato individual de trabalho e o acordo Tácito ou Expresso, correspondente a relação de emprego. parágrafo único- Qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. Portanto, o contrato de trabalho pode ser expresso ou tácito, verbal ou por escrito, por tempo determinado ou por tempo indeterminado, solene ou informal, individual ou por equipe, cabendo a escolha de cada tipo em decorrência decada situação e necessidade. 3.8 TEORIA GERAL DOS CONTRATOS O contrato de trabalho, dentro da classificação proposta pela teoria geral dos contratos, possui características que o diferencia dos demais contratos. nesse passo, o contrato de trabalho é típico, de trato sucessivo, sinalagmático, oneroso, informal e intuitu personae. Na presente era da tecnologia da informação, a onda da população na atualidade é de se utilizar dos meios tecnológicos, como internet, celulares, tablets, notebooks e outros para realizar todos os tipos de contatos e transações. Esta oportunidade que o mundo globalizado e a tecnologia tem nos oferecido nos traz muita comodidade, ao mesmo tempo em que nos deixa vulnerável a ações de criminosos e golpistas que utilizam destes meios para cometerem os mais variados tipos de crimes. Nesse sentido, um dos grandes desafios do Direito na atualidade, talvez seja conferir ao consumidor e contratante a devida segurança e proteção nas transações e relações comerciais e de trabalho exercidas pela internet, de forma a reduzir os danos cometidos por crimes cibernéticos, assim como regular os contratos que envolvem estas operações (SILVA; MASCARENHAS, 2010). Atualmente, temos uma gama de contratos sendo firmados por meio da internet, onde são feitos contratações de serviços, cadastramento em uma determinada rede social, e em muitos casos para a compra de um bem de consumo. Nestes casos, as empresas detentora destes bens e serviços oferecem muitas facilidades na hora de se firmar um acordo virtualmente, bastando, na maioria das vezes apenas um click confirmando que aceita aqueles termos e privacidades estabelecidos pela respectiva empresa. Em outros casos, geralmente mais complexos, exige-se ainda o envio de alguns documentos do contratante, ou até mesmo a assinatura do mesmo (MAZEO, 2017). Nesse sentido, é possível afirmar que o contrato eletrônico é uma tendência no momento, sendo que esta nova modelagem dos contratos precisa ser amplamente estudada na academia jurídica, de forma a instrumentalizar os profissionais da área a como trabalharem nestes casos, assim como, de informar à população em geral dos perigos que estas ações oferecem aos mesmos. Neste meio acadêmico frequentemente se encontra muitos juristas afirmando que o instrumento de contrato seria o termo mais expressivo em relação à obrigatoriedade entre as partes envolvidas, principalmente em função das diversas repercussões possíveis no cenário jurídico, sendo fonte de obrigação o fato que lhe dá origem (STOLZE; PAMPLONA FILHO, 2012). Considerando-se os fatos humanos geradores desta respectiva obrigação, o Código Civil menciona que esta situação é presente e possível em três diferentes fatos: os contratos; as declarações unilaterais de vontade; e os atos ilícitos, dolosos e culposos (STOLZE; PAMPLONA FILHO, 2012). Portanto, é em função da lei que os efeitos do contrato (direitos e deveres de cada parte) são disciplinados, permitindo assim, a eficácia desses fatos e a fonte mediata ou primária das obrigações (MAZEO, 2017). Da mesma forma, a lei vai embasar a determinação ao declarante para o pagamento da gratificação prometida, assim como, aquilo que ficou estabelecido ao autor de um ato ilícito o dever de indenização ao valor referente àquele prejuízo causado pela ação. Nesta lógica, para (DINIZ, 2008, p. 30), o contrato é visto como: “(...) o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial”. Da mesma forma, Tartuce, (2015, p. 2) expõe que o contrato seria “um negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa a criação modificação ou extinção de direitos e deveres com conteúdo patrimonial”. Dessa forma, assim como, em qualquer negócio jurídico, nos casos dos contratos, necessita-se a existência de alguns requisitos já existentes e que possam ser enquadrados e conduzidos na esfera jurídica (MAZEO, 2017). Gonçalves, (2012) afirma que os contratos podem ser classificados em três diferentes partes, sendo: (...) os requisitos subjetivos, os objetivos e os formais. Mesmo alguns doutrinadores divergindo dessa classificação por entender que se encaixa nos planos de existência, validade e eficácia dos contratos baseados nas lições sobre negócio jurídico, já que o contrato é uma derivação desse (GONÇALVES, 2012, p. 34). Já com relação aos requisitos subjetivos, Diniz (2008) afirma que estes consistem: na manifestação de duas ou mais vontades e na capacidade genérica dos contraentes; na aptidão específica para a contratação; e no consentimento. O primeiro elemento ou condição subjetiva para a existência da relação contratual vem da manifestação de vontade das partes do negócio jurídico, podendo essa, como já dito anteriormente, ser bilateral ou plurilateral (DINIZ, 2008, p. 30). Nesta perspectiva, sabendo-se que o Bitcoin se apresenta no momento como uma tecnologia totalmente digital, pretende-se destacar também o tratamento que deve ser dado nestas modalidades de contrato (MAZEO, 2017). 3.9 PRINCÍPIOS CONTRATUAIS DOS CONTRATOS ELETRÔNICOS Souza (2012) afirma que o contrato eletrônico pode ser entendido como aquele que é realizado através de programas de computação e seus respectivos aparelhos e programa. Azeredo (2012), da mesma forma, afirma que o contrato eletrônico aquele que pode ser firmado através uso dos sistemas de informática. Até pouco tempo atrás a legislação brasileira através de seu ordenamento jurídico não apresentava nenhum tipo de previsão em relação aos contratos eletrônicos, inclusive o tema se apresentava vago no Código de Defesa de Consumidor (BOIAGO JÚNIOR, 2005). Atualmente, a responsabilidade do empresário que realiza suas vendas, transações e contratações por meios eletrônicos são equiparadas aos conteúdos do Código de Defesa do Consumidor, de modo que as transações eletrônicas que são feitas pelas pessoas no Brasil estão sujeitas aos mesmos princípios e regras aplicáveis aos outros contratos aqui celebrados (SOUZA, 2012). Porém, cabe ressaltar que aqueles contratos eletrônicos internacionais devem obedecer ao artigo 9º, §2º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, viabilizado pela lei do domicílio do proponente. Portanto, caso um brasileiro efetivar uma transação eletrônica de compra onde o produto é vendido por uma empresa estrangeira, o respectivo contrato deve obedecer às leis e normativas que são aplicadas país da empresa que vende o produto (SOUZA, 2012). Souza (2012) afirma ainda que o contrato pode, dependendo do caso ser classificado como: intersistêmicos, interpessoais e interativos. Desta forma, assim como em qualquer tipo de contrato, o contrato eletrônico também é administrado por princípios comuns, como: Boa-fé objetiva e da probidade; Função Social do contrato; Hipossuficiência e Vulnerabilidade; Nominalismo. 3.10 RELAÇÃO DE EMPREGO NOS CONTRATOS BLOCKCHAINS Com a modernidade e a chegada da tecnologia da informação, percebe-se que os contratos virtuais (blockchains) estão cada vez mais presentes no meios comerciais, sendo que, estes contratos são na maioria das vezes estabelecidos em situações que envolvem contratação de serviços e compra de produtos on-line. Sabe-se que para se configurar um tipo de relação de emprego, é preciso que ocorra, primeiramente, um contrato válido, que seja devidamente assinado por ambas as partes, e onde esteja estabelecido em suas cláusulas especificas a forma da prestação de serviço e outras particularidades de cada caso. Nesse sentido, os requisitos para configuração de uma relação de emprego em contratos blockchains, hoje também se pauta na tecnologia. Nesse sentido, Sasson (2011) afirma que: Se o trabalho é feito utilizando meios informáticos ou eletrônicos, importante que exista cláusula no contrato de trabalho que mencione de forma objetiva como se dará a relação entre empregado e empregador. Diantedisso, com a realização da atividade normal do trabalho – por meios tecnológicos – a habitualidade virtual estará comprovada (SASSON, 2011, p. 1). Com isso, o principal fator para que seja configurada uma relação de trabalho virtual é a subordinação. Porém, ao analisar esta situação perante o período da tecnologia da informação, verifica-se que estas classificações foram mitigadas pela virtualização. Portanto, nestes casos, de subordinação virtual a fiscalização do empregado pelo seu empregador é muito remota (SASSON, 2011). Tartuce (2015) menciona que o Código Civil através de seu art. 593 afirma que a prestação de serviços que não possui lei específica será regida por este respectivo artigo do CV. Dessa forma, ao confirmar a existência de situações que configurem uma relação de emprego regida por uma determinada legislação especial, como por exemplo, a continuidade, a dependência e a subordinação, nestes casos, deverão ser aplicadas a legislação trabalhista para regrar estas questões. Portanto, as regras estabelecidas no Código Civil, podem ser utilizadas de forma e em caráter complementar às leis trabalhistas, podendo, dessa forma, ser aplicado em casos de relação de emprego ou de consumo. Portanto, Sasson (2011) conclui que: Os novos requisitos da relação de emprego, nessa era em que vivemos, encontram-se pautados na tecnologia aplicada ao trabalho. Dessa forma, empregados e empregadores deverão estar atualizados e a legislação deverá ser interpretada de maneira menos dogmática, para adequar a realidade às novas modalidades de trabalho e aos novos conceitos tecnológicos. Portanto, apesar da legislação ainda estar relativamente vulnerável para estas situações que envolvem os contratos blockchains, alguns artigos do Código Civil brasileiro, assim como, do Código de Defesa do Consumidor, e algumas decisões judiciais podem embasar as situações que envolvem as relações de trabalho nestes tipos de contratos. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O blockchain está sendo utilizado e/ou desenvolvido para em vária partes do mundo para atender organizações autônomas, sistemas de votação, de gerenciamento de identidade virtual, de gerenciamento de direitos autorais, de governança, de reputação, de registros imobiliários, dentre outras situações. O Bitcoin, por sua vez, é uma criptomoeda ou moeda digital, muito utilizado hoje para as transações virtuais, que foi criada por códigos de computador, e asseguradas com criptografia avançada, sem um banco central e mantida apenas por uma rede de usuários global, onde qualquer um pode ser parte desse tipo de banco. Os contratos que correspondem às relações de trabalho na atualidade, na era da tecnologia da informação compreendem um acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial. Porém, o país ainda carece de um avanço e clareza nas leis que regem os contratos blockchains e as respectivas relações de trabalho, quando for o caso. Atualmente as lei existentes no Brasil que podem parcialmente atender situações de relação de emprego em contratos blockchains, são o Código Civil brasileiro e o Código de Defesa do Consumidor. Por fim, como o tema é recente, e está em evidência, possuindo poucas referências acadêmicas e científicas à disposição, sugere-se a continuidade nos estudos e aprofundamento no tema em trabalhos futuros, de forma a instrumentalizar os profissionais da área sobre o assunto e esclarecer eventuais dúvidas da população e acadêmicos da área do Direito e afins. 5. EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEVILÁQUA, C. Código civil anotado. vol. 4, Rio de Janeiro: Francisco Alves,2016. BOIAGO JÚNIOR, J. W. Contratação eletrônica: aspectos jurídicos. Curitiba: Juruá, 2005. p.88. 66 BARBAGALO, Érica Brandini. Contratos eletrônicos: contratos formados por meio de redes de computadores: peculiaridades jurídicas da formação do vínculo. São Paulo: Saraiva, 2005. BRITO, A. 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