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CONTROLE DO CICLO CELULAR: O ciclo celular consiste em uma série de eventos altamente regulados que não progridem automaticamente, mas que existem pontos estratégicos de parada e checagem. • Checagem em G1 (G1/S) • Checagem em G2 (G2/M) • Checagem em M (metáfase/anáfase) • Quando há lesão do DNA, o organismo a reconhece por meio de um sensor complexo formado por produtos de alguns genes. Em seguida, esse mesmo sistema estimula a síntese da proteína p53, a qual estimula genes que codificam outras proteínas que param o ciclo em G1, S ou G2 ou induzem apoptose. Defeitos nesse sistema de checagem são a principal causa de instabilidade genômica em células cancerosas. REGULAÇÃO DO CICLO CELULAR: REGULAÇÃO POSITIVA DO CICLO CELULAR: estimula a progressão da célula no ciclo celular para ocorrer a divisão normal • CDKs (cinases dependentes de ciclinas): ativadas quando ligadas às ciclinas formando uma CDKs-cinase, permitindo que haja fosforilação de proteínas que liberam mensageiros químicos para a ação de regulação do ciclo celular. ➢ Fosforilam ligando fosfato (Pi) a proteínas alvo específicas como a proteína Rb, tornando-se inativa e liberando proteínas de regulação gênica. • Ciclinas: Grupo de proteínas que se ligam às cinases CDK. Existem ciclinas específicas de diversas fases do ciclo celular. • Fator de promoção de maturação (MPF): Há o acúmulo de ciclina M quando a célula se aproxima da transição G2/M. REGULAÇÃO NEGATIVA DO CICLO CELULAR: inativa os controles positivos, levando à parada do ciclo celular e a apoptose. • Inibidores de cinases dependentes de ciclina (CKI): Interagem com CDKs e complexos ciclinas-CDK, bloqueando-as, liberando (1) proteínas p15, p16, p18 e p19, conhecidas como INK4; (2) proteínas p21, p27 e p57. • Complexo ubiquitina: Degrada ciclinas e outras proteínas, impedindo o progresso do ciclo celular. A proteína ubiquitina marca a molécula que deve ser removida, enviando-a pra ser degradada nos peroxissomos. • Desfosforilação A pRb funciona como um freio que restringe a entrada da célula na fase S, da intérfase, por ligar-se e inibir as proteínas reguladoras de genes da família E2F – necessárias para transcrever genes que codificam proteínas que ativam a fase S. Normalmente, essa inibição por pRb é liberada no tempo apropriado por meio de fosforilação da pRb por várias Cinases Dependentes de Ciclina (Cdks), que fazem com que a pRb libere seu domínio inibidor na proteína E2F. FATORES DE CRESCIMETNO: • O fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF), representado por uma família de proteínas com duas cadeias polipeptídicas, é mitogênico para células mesenquimais. Produzido por plaquetas, macrófagos, endotélio, células musculares e algumas células tumorais, atua mediante ligação a dois receptores celulares. O PDGF estimula a proliferação e a migração de células musculares lisas, fibroblastos e células gliais. Além disso, exerce quimiotaxia para monócitos e fibroblastos e estimula a cicatrização de feridas • O fator de crescimento epidérmico (EGF) é produzido por muitos tipos de células. É mitogênico para células epiteliais e mesenquimais. O EGF atua por meio de receptor específico, que é uma glicoproteína da membrana plasmática codificada pelo gene erbB. A ligação com o EGF ativa a porção intracitoplasmática do receptor, que tem atividade cinásica e fosforila diversos substratos, inclusive o próprio receptor. Após essas reações, o receptor e o EGF são ni ternalizados por endocitose, para evitar estimulação contínua das células • O fator de crescimento de fibroblastos (FGF) pretence a uma família e tem dois representantes principais. O FGF ácido atua somente no sistema nervoso; o FGF básico é produzido em muitos órgãos e por macrófagos ativados. Como estimula a proliferação de fibroblastos e de células endoteliais, é muito importante na angiogênese e na cicatrização • Os fatores de crescimento transformantes (TGF) são de dois tipos: o TGF-a é produzido por células embrionárias ou da placenta, tem grande homologia com o EGF, liga-se ao mesmo receptor do EGF e estimula a proliferação de fibroblastos e de células epiteliais. O TGF, que possui três isoformas, é sintetizado por uma grande variedade de células (plaquetas, li nfó citos T, endotélio e macrófagos) e pode tanto estimular como inibir a multiplicação celular. Atua em dois receptores celulares, cuja ligação ativa a fosforilação do fator de transcrição SMAD. Em muitas células epiteliais, tem efeito inibitório; em fibroblastos e células musculares lisas, estimula a proliferação. Como é quimiotático e mitogênico para fibroblastos e estimula a produção de colágeno, favorece a fibrogênese e tem papel relevante na cicatrização e na fibrose que surge em muitas inflamações crônicas (fígado, pulmão). É importante também no desenvolvimento de fibrose em inflamações crônicas. Além disso, é potente anti-inflamatório, por ser poderoso inibidor de linfócitos T CD4+ • Os fatores estimuladores de crescimento de colônias (CSF) regulam a proliferação e a diferenciação de células hematopoéticas. Incluem CSF-M (de macrófagos), CSF-GM (de granulócitos e macrófagos) e CSF-G (de granulócitos). A interleucina 3 (IL-3) estimula colônias de vários tipos celulares e é denominada multi-CSF • A interleucina2 (IL-2) é produzida por linfócitos T auxiliares e atua sobre linfócitos T supressores e citotóxicos • Os fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF-1 e IGF-11) correspondem às somatomedni as C e A. A somatomedina C é produzida em resposta ao hormônio de crescimento, constitui importante fator de crescimento presente no soro ou no plasma e estimula a proliferação de muitos tipos celulares • O fator de crescimento de hepatócitos (HGF) é sintetizado por fibroblastos, outras células mesenquimais e endotélio. Conhecido também como SF (de scatter factor ), por favorecer o espalhamento de células em cultura, ou como PRGF (de plasminogen related growth factor), induz proliferação de hepatócitos, endotélio e células epitelai is e mesenquimasi mediante atuação em receptor transmembranoso com atividade de proteína tirosinocinase denominado MET. Em tecidos normais, é importante na diferenciação da placenta, do fígado e dos músculos. Tanto o HGF como seu receptor MET são importantes em vários tipos de câncer • O fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF) induz a formação de vasos durante a embriogênese (vasculogênese) e na vida adulta (angiogênese). O VEGF tem papel destacado na angiogênese e na linfangiogênese em tumores, inflamações crônicas e cicatrização • As proteínas WNT funcionam como reguladores do desenvolvimento embrionário; atuam em receptores de sete voltas na membrana (denominados frizzled) e agem em associação com a -catenina. Em vários tumores, há envolvimento de proteínas WNT e de receptores frizz. led, mutados ou hiperexpressos • As proteínas hedgehog, também reguladoras do desenvolvimento embrionário, atuam em receptores de sete voltas na membrana (receptores patched e smoothned). Tais proteínas não só reprimem genes inibidores do ciclo celular como também estimulam genes ativadores da proliferação celular (Figura 8.4). A ativação desse sistema ocorre em vários cânceres humanos, sendo esse um dos principais fatores de crescimento alterados no carcinoma basocelular. CONTROLE CELULAR POR CONTATO: Essa atividade inibidora da mitose e do deslocamento por contato é um processo complexo que envolve moléculas de adesão (caderinas, integrinas e superfamília de imunoglobulinas) e proteínas a elas associadas, algumas das quasi são capazes de ativar rotasde modulação do citoesqueleto e outras ativadoras de genes de proliferação ou que induzem perda de diferenciação. CONCEITOS: ALTERAÇÃO DO VOLUME CELULAR: • Hipertrofia: aumento do volume • Hipotrofia: diminuição do volume ALTERAÇÃO DA TAXA DE DIVISÃO CELULAR: • Hiperplasia: aumento da taxa de divisão celular, mas com diferenciação normal • Hipoplasia ou aplasia: diminuição da taxa de divisão celular ALTERAÇÃO DA DIFERENCIAÇÃO CELULAR: • Metaplasia: há modificação do estado de diferenciação celular ALTERAÇÃO DA DIFERENCIAÇÃO E PROLIFERAÇÃO CELULAR: • Displasia: aumento da proliferação celular com perda da diferenciação • Neoplasia: proliferação celular autônoma acompanhada por perda ou redução de diferenciação Neoplasia pode ser entendida como a lesão constituída por proliferação celular anormal, descontrolada e autônoma, em geral com perda ou redução de diferenciação, em consequência de alterações em genes e proteínas que regulam a multiplicação e a diferenciação das células. Nesse contexto, o que diferencia uma neoplasia de urna displasia e hiperplasia é exatamente a autonomia de proliferação. Quando ocorre em um órgão sólido, o maior número de células de uma neoplasia forma um tumor.