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2 CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
 Prof. Ms. COSME LUIZ CHINAZZO1 
 
INTROCUÇÃO 
Neste capítulo, iremos abordar sobre o conhecimento científico, 
partindo da concepção de que o homem é o único animal que faz a pergunta do 
“por quê? que questiona sobre a sua existência, sobre o cosmo. Esta inquietação 
perante o universo o torna um ser singular, complexo e inquieto por natureza. 
Como já afirmava Aristóteles apud Zilles: “Todos os homens têm, por natureza, 
o desejo de conhecer” (1994, p.15). 
Existem múltiplas formas de conhecer, por isso, um objeto poderá ser 
analisado por diferentes olhares, e sobre determinado objeto poderão ser 
construídas diferentes compreensões, desse modo, na segunda parte desse 
capítulo vamos identificar e estudar cinto tipos diferentes de conhecimento. 
2.1 O QUE É CONHECIMENTO? 
O conhecimento está presente no nosso cotidiano de forma muito 
natural, desde cedo somos instigados e alertados pelos nossos pais, parentes, 
professores ... a conhecer. Desse modo, vamos recebendo as informações e 
adquirindo uma compreensão sobre as coisas do mundo, sobre as relações 
humanas sobre as questões sociais, culturais, políticas que estão e acontecem 
no nosso entorno. Mas as questões pertinentes são: o que é conhecer? É possível 
o conhecimento? O que é verdade? Como é produzido o conhecimento? 
É importante mencionar que desde da Antiguidade muitos pensadores 
pré-socráticos já se preocupavam com o problema do conhecimento humano e 
com a verdade. Esse conhecimento era chamado de filosofia da natureza que 
tinha a preocupação em compreender de forma racional a natureza das coisas 
e do homem e dos deuses. 
A epistemologia2 ou teoria do conhecimento é um ramo da filosofia “que 
indaga pela possibilidade, origem, essência, limites, pelos elementos e pelas 
condições do conhecimento”. Composta de dois termos gregos – episteme 
 
1 Possui graduação de LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA pela Faculdade de Filosofia Nossa 
Senhora da Imaculada Conceição – Viamão/RS; Especialização SENSU LATO em ADMINISTRAÇÃO 
EDUCACIONAL; MESTRADO EM EDUCAÇÃO pela UFRGS. Atualmente é professor na 
UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL – ULBRA - Canoas/RS, na modalidade EAD, atuando em 
vários cursos e na modalidade presencial ministrando a disciplina de Instrumentalização Científica. 
2 O termo epistemologia é usado pelos anglo-saxões. Entre os povos de língua neolatina, a teoria do 
conhecimento é também chamada de gnosiologia. 
“ciência” e logia “conhecimento” – a palavra epistemologia significa 
conhecimento filosófico sobre a ciência. 
Como seu próprio nome indica, a teoria do conhecimento tem como 
objetivo explicar ou interpretar filosoficamente o conhecimento humano. Busca 
um critério de certeza sobre o conhecimento, ou seja, a adequação entre o 
objeto do conhecimento e seu conteúdo, a coerência entre o pensamento e a 
realidade por ele intencionada. 
Etimologicamente, da língua francesa temos connaissance que quer dizer 
conhecimento: con quer dizer com e naissance significa nascer. Logo, 
conhecimento = nascer com. Assim, no ato de conhecer, o sujeito conhecedor 
nasce como ser pensante e, concomitantemente com ele, nasce o objeto que 
ele pensa e conhece. O processo de produção do conhecimento mostra aos 
homens que eles jamais são alguma coisa pronta, na medida em que estão 
sempre nascendo de novo, quando têm coragem de se mostrarem abertos 
diante da realidade. Em outras palavras, o homem é um ser aberto para o 
conhecimento. 
Para que exista o ato de conhecer, é indispensável o relacionamento de 
dois elementos básicos: sujeito e objeto. Conforme a corrente filosófica será 
dada maior ênfase ao SUJEITO ou ao OBJETO, assim, sabemos que os 
racionalistas3 dão maior importância ao sujeito, enquanto que os empiristas4 
dão maior importância ao objeto. 
O ato de conhecer envolve o dualismo sujeito e objeto onde encontram-
se frente a frente. Neste dualismo encontramos a essência do conhecimento. 
Este é o resultado da relação entre os dois elementos. É relação e ao mesmo 
tempo correlação, porque o sujeito só é sujeito para um objeto e o objeto só é 
objeto para um sujeito. Mas tal correlação não é reversível, pois ser sujeito é 
algo completamente distinto de ser objeto. E a função do sujeito é a de 
apreender o objeto, e a função do objeto é de ser apreendido pelo sujeito. 
“O sujeito, no caso que nos interessa aqui, é o ser humano 
que construiu a faculdade da inteligibilidade, construiu um interior 
capaz de apropriar-se simbólica e representativamente do exterior, 
conseguindo, inclusive, operar de forma abstrata com seus símbolos e 
representações. O objeto é o mundo exterior ao sujeito, que é 
representado em seu pensamento a partir da manipulação que 
executa com eles” (LUCKESI, 1995, p.16). 
 
3 Racionalismo é uma corrente filosófica que dá a prioridade à razão, como instrumento na construção do 
conhecimento, onde a razão é mais importante do que os sentidos no ato conhecer. 
4 Empirismo é uma corrente filosófica que dá prioridade aos sentidos como via para a obtenção do 
conhecimento. A palavra empirismo significa experiência. Como dizia John Locke nada existe na 
mente do ser humano que não tenha sua origem nos sentidos. 
 
 Neste tocante se impõe um questionamento filosófico e cientifico, ou 
seja, é possível o homem apreender o objeto? Historicamente formaram-se três 
versões filosóficas sobre esta questão: ceticismo, dogmatismo e criticismo. 
O CETICISMO é uma corrente filosófica que iniciou no século IV a.C com 
o filósofo Górgias que dizia: “o ser não existe; se existisse não poderíamos 
conhecê-lo; e se pudéssemos conhecê-lo, não poderíamos, comunicá-lo aos 
outros “. (GÓRGIAS apud COTRIM, 2010, p.161). Em outras palavras, o homem 
não tem a possibilidade de conhecer a verdade. 
O DOGMATISMO é um termo usado pela filosofia, que vem do grego e 
significa opinião, na qual acredita que o homem pode atingir a verdade absoluta 
e indiscutível. Filosoficamente são pensamentos contrários ao ceticismo, 
acredita na possibilidade de o homem conhecer a verdade. 
CRITICISMO – surgiu com a proposta de superar as divergências entre 
ceticismo e dogmatismo. A proposta de refletir a questão do conhecimento com 
critérios que conduzem a uma análise com fundamentação teórica para fins de 
se obter um conhecimento. 
 O conhecimento é a compreensão inteligível da realidade exterior que 
no interior do homem forma um pensamento abstrato, que lhe permite 
expressar como é, por que é, a realidade. Permitindo assim, uma ação e uma 
adequação do homem sobre essa mesma realidade. Sem dúvida, conhecer é 
sempre um ato desafiador em busca de sentidos e significados das coisas, é 
esclarecer o que estava duvidoso, é clarear o que estava obscuro, é iluminar o 
que estava na escuridão. 
2.2 TIPOS DE CONHECIMENTO 
Existem várias formas de descrever a realidade, ou seja, sobre um 
mesmo objeto ou sobre uma determinada situação as análises e as 
interpretações poderão tomar rumos diferentes e específicos. Há uma 
multiplicidade de tipos de conhecimentos possíveis, por questões didáticas, 
passamos a caracterizar apenas cinco, quais sejam: mito, senso comum, 
teológico, filosófico e cientifico. 
2.2.1 O CONHECIMENTO MÍTICO 
O ser humano, desde os tempos mais remotos, sempre buscou 
explicações para compreender os fenômenos do mundo e a sua própria 
existência. Mesmo antes de inventar a escrita os seres humanos já buscavam 
explicações dos fenômenos da natureza com o intuito de aquietar suas angustias 
e suas dúvidas perante o desconhecido. O mito, historicamente
é considerado 
a primeira forma narrativa de explicação e compreensão sobre a origem do 
mundo, do homem e dos deuses. 
O mito constitui uma compreensão espontânea e intuitiva de o homem 
situar-se no mundo. São expressões que estão vinculadas as questões 
emocionais, sentimentais e afetivas vivenciadas no cotidiano, portanto, não 
constituem compreensões racionais e nem científicas. Não são oriundas de 
reflexões conduzidas com rigor de um método cientifico. No entanto, não são 
desprezíveis, pois constituem verdades intuídas que representam o mundo real 
de uma determinada situação. 
“Uma leitura apressada nos faria entender o mito como uma 
maneira de explicar a realidade ainda não justificada pela razão. Sob 
esse enfoque, os mitos seriam lendas, fábulas, credencies e portanto 
uma forma menor de conhecimento, prestes a ser superado por 
explicações mais racionais. No entanto, o mito é mais complexo e mais 
rico do que supõe essa visão redutora. Mesmo porque não são só os 
povos “primitivos” que elaboram mitos, a consciência mítica persiste 
em todos os tempos e culturas como componente indissociável da 
maneira humana de compreender a realidade” (ARANHA, 2003, p. 72). 
As explicações míticas fundamentam-se nas tradições e nas questões 
culturais que regulam a vida dos seres humanos de uma determinada 
comunidade. O mito não é uma expressão delirante de um narrador, nem é uma 
simples mentira, mas traduz um modo de vida humana que está inundada de 
sentimentos, de intuições, de angustias, de medos e etc. são os sentimentos 
mais genuínos do ser humano perante o mundo desconhecido. 
2.2.1.1 MÉTODO DO MITO 
As explicações míticas, dos povos primitivos, eram realizadas através de 
narrações que passavam de geração para geração de forma oral. “A voz 
desempenha um papel primordial nas sociedades orais, nas quais as palavras 
são dotadas de um poder mágico. [...] as sociedades primitivas creem 
basicamente no que se fala e no que se ouve” (MATTAR, 2015, p. 35). Tais 
narrativas sempre constituíam representações da realidade vivenciada, ou seja, 
narravam os acontecimentos mais significativos e que traduziam traços de 
identificação cultural. As narrativas míticas forneciam suporte para conduzir a 
continuidade da vida em comunidade, vinculando os membros dessa 
comunidade a um passado histórico no qual todos se identificavam e 
acomodavam suas inquietudes. Portanto, a comunicação oral tinha a função de 
aquietar as angustias psíquicas do homem e também, de memorizar os 
aprendizados e os registros da cultura. 
“As sociedades orais em geral são nômades. Nelas, a 
linguagem sonora e a audição são essenciais, e a memória é a única 
maneira de registar o conhecimento. A informação transmitida pela 
voz de uma forma poética, por meio de repetições, fórmulas rítmicas, 
métricas, rimas etc. Os poemas homéricos, por exemplo, eram 
recitados e decorados de geração para geração. Nesse sentido, as 
sociedades orais implicam um envolvimento mais profundo das 
pessoas e uma consciência mais intensa do contexto em que ocorre a 
comunicação” (MATTAR, 2015, p. 35-6). 
A verdade do mito é uma verdade autêntica, isto é, sua origem está 
intimamente ligada as tradições constituídas e praticadas por sucessivas 
gerações que orientavam suas vidas a partir de valores, regras, narrativas que 
cultivavam e idealizavam como modelo para as diferentes atividades humanas. 
2.2.2 O CONHECIMENTO DO SENSO COMUM 
O conhecimento do senso comum também é denominado como 
conhecimento ‘popular’ ou ‘vulgar’. “A forma ordinária de o homem criar suas 
representações é através do senso comum, que surge da necessidade de 
resolver problemas imediatos da vida cotidiana. É, portanto, uma forma 
espontânea e assistemática de representar a realidade, sem aprofundar os 
fundamentos da mesma através de um método adequado” (DVORANOVSKI, 
1997, p. 20). Esse conhecimento está presente no dia-a-dia de todas as pessoas 
sem necessidade de realizar maiores investigações ou reflexões. 
2.2.2.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO SENSO COMUM 
- Superficialidade e imediaticidade – limita-se nas evidências concretas com o 
que aparece num primeiro momento, não se preocupa em levantar hipóteses e 
ultrapassar as aparências; 
- Emotividade e subjetividade – restrito aos aspectos das percepções sensoriais, 
afetivas e emoções vivenciadas no cotidiano, depende das elaborações 
individuais de cada pessoa, não opera uma sistematização que possa aplicar o 
conhecimento de forma geral ou universal. Não chega sintetizar uma 
compreensão mais aprofundada; 
- Acriticidade - não se preocupa em investigar as causas utilizando métodos e 
técnicas adequadas com critérios para conhecer averiguar a ‘verdade’, ou seja, 
aceita a primeira explicação, não procede com questionamentos que exijam 
aprofundamento, nem investigação das causas e consequências; 
- Valorativo – fundamenta-se a partir de parâmetros de valores ligados a 
subjetividade de quem avalia e determina sua validação, muito particularizada; 
- Fatalidade – com frequência atribui ou projeta os acontecimentos no destino 
ou em Deus; 
- Dogmaticidade – “a Dogmaticidade se apresenta como uma espécie de “porto 
seguro”, no qual o indivíduo se ancora e permanece com medo de se aventurar. 
No “porto seguro”, o indivíduo se abriga em suas próprias ideias, noções e 
valores. Sua concepção de mundo resiste a modificações.” (DVORANOVSKI, 
1997, p. 22); 
- Falibilidade – em função das características descritas acima, dependendo de 
sua aceitação e aplicação, o senso comum poderá induzir ao erro; 
- Fragmentação - o senso comum produz conhecimentos fragmentados, soltos, 
ou seja, sua validade e aplicação é particularizada, não pode ser aplicado de 
forma universal. 
2.2.2.2 MÉTODO DO SENSO COMUM 
Os procedimentos de produção do conhecimento do senso comum são 
muito semelhantes ao método de construção do conhecimento mítico, ou seja, 
origina-se de forma espontânea baseado nas experiências vivenciadas no 
cotidiano. 
Um procedimento muito usual no senso comum é a comparação ou a 
dedução casual, é comum expressar-se das seguintes formas: “sempre foi 
assim, então, assim continuará”; “deu certo para fulano, então, vai dar certo 
para mim”. 
Outro procedimento muito corrente no senso comum é da veracidade da 
palavra falada e/ou escrita, normalmente se expressa das seguintes formas: 
“porque fulano falou assim ...”; “porque todos estão dizendo assim ...”; “está 
escrito no jornal”. 
Também é frequente no senso comum atribuir créditos aos sentidos, por 
isso, são frequentes justificativas como: “eu vi com meus próprios olhos”; “eu 
estava lá”; “eu percebi que”. 
Devemos salientar que o senso comum é um conhecimento que apresenta 
determinadas fragilidades, no entanto, não pode, nem deve ser 
desconsiderado, na verdade, muitas das suas compreensões tornam-se o ponto 
de partida para investigações científicas, filosóficas ou teológicas. 
2.2.3 CONHECIMENTO TEOLÓGICO 
Manifestações de caráter religioso são encontradas em todas as culturas, 
desde os primórdios da humanidade. Evidentemente, tais manifestações são 
expressas de formas diversificadas, no entanto, em todas elas encontramos a 
mesma essência, a relação do ser humano com o sagrado. 
2.2.3.1 MÉTODO DO CONHECIMENTO TEOLÓGICO 
A teologia trabalha a partir das diretrizes da fé, fundamenta seus 
argumentos a partir do dom sobrenatural da fé. O dom da fé confere luz 
especial à mente humana. 
O pressuposto fundamental do conhecimento religioso é que “DEUS 
EXISTE” e tem ciência infinita, tem poder infinito, portanto, tem poder de se 
comunicar com os homens, fazendo-os participantes de seus próprios
conhecimentos. (RUIZ, 2002, p. 105). 
Uma das maneiras de Deus se comunicar com os homens foi a revelação, 
isto é, falou aos profetas que transmitiram aos outros humanos. E, o que Deus 
revelou está escrito nos livros sagrados que compõe a Bíblia. 
Os seguidores do conhecimento religioso acreditam que tudo que está 
escrito na Bíblia constitui a ciência divina revelada aos homens e que os 
conhecimentos contidos na Bíblia são autênticos e verdadeiros, pois foram 
escritos através da inspiração divina. 
O conhecimento teológico através do ato de fé, supõe e fundamenta-se 
na existência de Deus e em sua magistral autoridade e poder, a esse tipo de 
aceitação e ato de fé denominamos de dogma. Dogma é uma verdade aceita 
como incontestável, ou seja, aceita-se sem impor questionamentos e/ou 
levantar hipóteses. Portanto, o conhecimento religioso não se define por uma 
atitude analítica, racional ou científica, mas atende e responde as questões 
importantes da vida humana, principalmente, na esfera da afetividade e da 
ética, pois a religião estabelece princípios éticos e critérios de justiça. 
2.2.4 O CONHECIMENTO FILOSÓFICO 
O conhecimento filosófico surgiu na Antiga Grécia quando os pensadores 
gregos começaram a pensar o mundo, o homem e os deuses com base na 
capacidade racional do ser humano. Na Grécia antiga a razão tornou-se o 
instrumento primordial para analisar e interpretar a realidade, assim a filosofia 
foi se constituindo como ciência que procura encontrar a verdade através da 
razão. Filosofia é uma palavra grega que significa "amor à sabedoria" e consiste no 
estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à 
verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. 
2.2.4.1 MÉTODO DO CONHECIMENTO FILOSÓFICO 
Conforme descrito acima o instrumento primordial da filosofia é a razão. 
O termo RAZÃO deriva da palavra LOGOS, que significa contar, reunir, juntar, 
calcular. Esses verbos sempre reivindicam a capacidade de refletir e 
estabelecer relações. Estamos falando da reflexão realizada com método 
sistematizado que resulta em argumentos claros e com lógica racional 
fundamentada. 
A razão é o instrumento que possibilita desvendar o verdadeiro ser das 
coisas é ela que possibilita estabelecer, analisar e refletir sobre as múltiplas 
relações existentes entre as coisas que são objetos de investigação, assim, pela 
capacidade racional o pesquisador poderá, reunir, separar, calcular para 
estabelecer relações e análises exaustivas e aprofundadas para descrever as 
coisas como elas são na sua essência. 
A principal exigência do método racional é que as argumentações sejam 
lógicas e convincentes no plano racional, ou seja, sem a necessidade de apelar 
para graças divinas, recorre unicamente para as capacidades da razão humana. 
Em outras palavras, é um conhecimento que sustenta sua argumentação na 
coerência e na lógica do raciocínio. 
2.2.4.2 CARACTERÍSTICAS DA FILOSOFIA 
A principal característica da filosofia é a atividade da reflexão. Reflexão 
no sentido de retomar, reconsiderar os dados disponíveis, voltar para trás 
visando retornar com nova concepção. 
Saviani (1975), conceitua a filosofia como uma reflexão e nos convence 
que uma reflexão, para ser considerada como filosófica, deve observar três 
requisitos: deve ser radical, rigorosa e de conjunto. 
- RADICAL: no sentido de que o filósofo deve se aprofundar, ir às raízes das 
questões, isto é, não pode aceitar explicações ou respostas superficiais. 
- RIGOROSA: o filósofo deve proceder com rigor, isto é, ter método de 
investigação, para justificar suas argumentações com uma coerência lógica e 
convincente. 
- DE CONJUNTO: a filosofia procura manter uma análise de investigar as 
questões dentro de uma visão universal, busca produzir conceitos e teorias que 
sejam aplicáveis dentro de uma abrangência globalizante, mantém uma 
perspectiva de totalidade. Enquanto que outras ciências se fixam em 
particularidades; a filosofia busca o todo. 
É importante mencionar que o conhecimento filosófico se caracteriza por 
ver o todo da questão e não somente uma parte desse todo, como também, não 
é um conhecimento fechado e absoluto. Uma das principais características do 
método filosófico são os questionamentos, as perguntas, para muitos filósofos 
as perguntas são mais importantes que as respostas. “E talvez uma das 
características da questão filosófica seja o fato de suas respostas, ou tentativas 
de respostas, jamais esgotarem a questão, que permanece assim com sua força 
de questão, a convidar outras respostas e outras abordagens possíveis” 
(IGLÉSIAS, 1991, p. 12). 
Para Chauí uma das características da atitude filosófica é negativa, isto 
é, saber dizer um não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, às 
experiências simplórias do dia-a-dia, ao estabelecido. É colocar entre 
parênteses nossas crenças para poder interrogar quais são as causas e qual é o 
seu sentido. 
Outra característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma 
interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os 
comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o 
porquê disso tudo e de nós, e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e 
não de outra maneira. O que é? Como é? Por que é? Essas são as indagações 
fundamentais da atitude filosófica. 
A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que 
chamamos de atitude crítica. (CHAUÍ, 2003, p. 18). 
2.2.5 CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
O conhecimento científico se apresenta com a pretensão de desvendar a 
dinâmica interna dos fenômenos, identificar e conhecer os elementos 
específicos que compõem cada fenômeno, busca a real constituição do objeto 
investigado, pretende atingir o fenômeno nas suas causas, “na sua constituição 
íntima, caracterizando-se, desta forma, pela capacidade de analisar, de 
explicar, de desdobrar, de justificar, de induzir ou aplicar leis” (RUIZ, 2002, p. 
96). 
2.2.5.1 MÉTODO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
Na base do conhecimento científico encontramos o método 
experimental. A experimentação se desenvolve através de procedimentos 
rigorosos que permitem ao pesquisador manipular e controlar as variáveis do 
fenômeno investigado. Os resultados de uma experimentação sempre são 
demonstrados de forma concreta, o pesquisador tem condições reais de provar 
e comprovar seus argumentos. 
Salientamos para o detalhe que o método experimental pode ser aplicado 
nas mais diversas áreas do conhecimento humano, ou seja, sua aplicação não 
fica restrita apenas para ambientes de laboratórios. 
2.2.5.2 CARACTERÍSTICAS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
- É programado, sistemático, metódico e orgânico, ordena os enunciados de 
forma lógica estabelecendo as interligações e subordinações existentes entre 
os mesmos. (RUIZ, 2002, p. 97); 
- É crítico, rigoroso, objetivo e exige demonstração e comprovação dos 
resultados apresentados. (RUIZ, 2002, p. 97); 
- Nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas, justifica e 
demonstra os motivos e fundamentos de sua certeza. (RUIZ, 2002, p. 97); 
- Procura as relações entre os componentes do fenômeno para enunciar as leis 
gerais constantes que regem estas relações. (RUIZ, 2002, p. 97); 
- Estabelece leis válidas para todos os casos da mesma espécie que venham a 
ocorrer nas mesmas condições. (RUIZ, 2002, p. 97); 
- Fundamenta-se na objetividade e na evidência dos fatos; e porque essa 
objetividade e evidência são demonstradas experimentalmente ou 
logicamente, adquire um caráter objetivo de validade geral. (RUIZ, 2002, p. 
101). 
2.2.5.3 CIÊNCIA E MÉTODO 
Muito frequentemente
o método científico é apresentado como uma 
"receita" para se fazer ciência, inclusive com etapas delimitadas. Sabemos que 
muitos já escreveram textos mais profundos sobre o assunto, mas aqui estão 
algumas explicações e informações sobre o método científico. Os cientistas 
aprenderam a destacar e determinar certas regras por meio da tentativa e do 
erro ao longo de toda a história da ciência. 
Existem métodos e existem técnicas, todos nós sabemos. Porém, quando, 
tomamos de um modo muito amplo, os dois termos podem proporcionar 
pequenas confusões entre si. No entanto, raciocinando com maior rigor sobre o 
significado de cada um deles pode-se notar a existência de uma diferença 
fundamental entre ambos. 
Método = significa caminho para chegar a um fim ou pelo qual se atinge 
um objetivo. 
Técnica = é a maneira de fazer da forma mais hábil, segura, perfeita 
algum tipo de atividade, arte ou oficio. 
Fazendo uma simples comparação pode-se dizer que o método é a 
estratégia da ação. O método indica o que fazer é o orientador geral da 
atividade. A técnica é a tática da ação. Ela resolve o como fazer a atividade, 
soluciona a maneira especifica e mais adequada pelo qual a ação se desenvolve 
em cada etapa. Assegura a instrumentalização especifica da ação em cada 
etapa do método. Este por seu turno estabelece o caminho correto para chegar 
ao fim, por isso é mais amplo mais geral. 
Embora os procedimentos variem de uma área da ciência para outra, 
consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico 
de outros métodos. Primeiramente os pesquisadores propõem hipóteses para 
explicar certos fenômenos, e então desenvolvem experimentos que testam 
essas previsões. Então teorias são formadas juntando-se hipóteses de uma certa 
área em uma estrutura coerente de conhecimento. Isto ajuda na formulação de 
novas hipóteses, bem como coloca as hipóteses em um conjunto de 
conhecimento maior. 
No dizer de Cervo, (2007, p. 30-31), “Existe, pois, um método 
fundamental idêntico para todas as ciências, que compreende um certo número 
de procedimentos ou operações científicas levadas a efeito em qualquer tipo 
de pesquisa. Estes procedimentos (...), podem ser resumidos da seguinte 
maneira: 
a) formular questões ou propor problemas e levantar hipóteses; 
b) efetuar observações e medidas; 
c) registrar tão cuidadosamnte quanto possível os dados observados com o 
intuito de responder às perguntras formuladas ou comprovar a hipótese 
levantada; 
d) elaborar explicações ou rever conclusões, ideias ou opiniões que estejam em 
desacordo com as observações ou com as respostas resultantes; 
e) generalizar, isto é, estabelecer conclusões obtidas a todos os casos que 
envolvem condições similares; a generalização é tarefa do processo chamado 
indução; 
f) prever ou predizer, isto é, antecipar que, dadas certas condições, é de se 
esperar que surjam certas relações. 
Mesmo assim, o método pode e deve ser adaptado às diversas ciências, 
à medida que a investigação de seu objeto impõe, ao pesquisador, lançar mão 
de técnidcas especializadas”. 
 Portanto podemos dizer que a importância do método é evidente. O 
método tem como fim disciplinar o espírito, excluir de suas investigações o 
capricho e o acaso, adaptar o esforço a empregar segundo as exigências do 
objeto, determinar os meios de investigação e a ordem da pesquisa. Ele é, pois, 
fator de segurança e economia. Mas não é o suficiente a si mesmo, e Descartes 
exagera a respeito da importância do método, quando diz que as inteligências 
diferem apenas pelos métodos que utilizam. O método, ao contrário, exige, 
para ser fecundo inteligência e talento. Ele lhes dá a potência, mas não os 
substitui jamais. 
Em suma, a ciência através de seu método cientifico busca a verdade, os 
resultados científicos não são verdades absolutas, os cientistas estão 
permanentemente questionando sua própria verdade. E toda a pesquisa é 
sempre um convite para que outros pesquisadores questionem a precisão. 
RECAPITULANDO 
Ao produzir conhecimento o ser humano apropria-se do objeto que 
conhece, concomitantemente, essa posse torna-o um ser consciente e com 
possibilidades de avançar para além das realidades concretas, 
consequentemente, pode produzir sua existência com liberdade, visando atingir 
sempre novos status de realização pessoal e humana. 
Qualquer tipo de conhecimento se for bem usado poderá ser muito útil 
para humanidade, também é verdade que qualquer um deles se for usado de 
forma inadequada poderá provocar incalculáveis consequências desastrosas 
para os seres humanos e para o planeta terra. 
 
 
 
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: 
Introdução à Filosofia. 3. ed. revisada. São Paulo: Moderna, 2003. 
CERVO, Amado Luiz; BREVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia 
Científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13.ed. São Paulo: Ática, 2003. 
COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: 
Saraiva, 2010. 
DVORANOVSKI, Clovis. As relações homem-mundo e a produção de 
conhecimento. In: JOHANN, Jorge Renato. Introdução ao Método Cientifico: 
conteúdo e forma do conhecimento. Canoas: ULBRA, 1997. 
IGLÉSIAS, Maura. In: REZENDE, Antonio (Org.). Curso de Filosofia. 4. ed. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1991. 
LUCKESI, Cipriano Carlos; PASSOS, Elizete Silva. Introdução à Filosofia. São 
Paulo: Cortez, 1995. 
MATTAR, João. Introdução à Filosofia. São Paulo: Pearson, 2015. 
RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica: Guia para eficiência nos estudos. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2002. 
SAVIANI, Dermeval. Educação Brasileira. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1975. 
ZILLES, Urbano. Teoria do Conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1994. 
 
 
 
ATIVIDADES 
1) Por que o homem é o único animal que faz a pergunta do porquê? 
2) O que é o conhecimento? 
3) Qual a função do mito? 
4) Qual seria a consequência se um indivíduo baseasse sua existência no senso 
comum? 
5) Qual a diferença entre método e técnica? 
Capítulo 2 
1) Resposta da questão discursiva referente à questão 1. 
Porque o ser humano é um ser dotado de razão que abre possibilidades de 
questionar, por isso, torna-se um ser inquieto perante os mistérios dos 
fenômenos da natureza bem como de sua própria existência. 
2) Resposta da questão discursiva referente à questão 2. 
O conhecimento é a compreensão inteligível da realidade que o homem, na 
condição de sujeito, adquire realizando uma confrontação com a realidade. 
3) Resposta da questão discursiva referente à questão 3. 
Aquietar as angustias do homem perante os fenômenos da natureza e da sua 
existência. 
4) Resposta da questão discursiva referente à questão 4. 
Seria um indivíduo a-crítico, alienado que não desenvolve suas capacidades de 
criar. 
5) Resposta da questão discursiva referente à questão 5. 
Método é entendido como o caminho que orienta para atingir um determinado 
resultado é a estratégia da ação. O método indica o que fazer é o orientador 
geral da atividade. Técnica é a maneira prática de fazer algo. A técnica é a 
tática da ação. Ela resolve o como fazer a atividade, soluciona a maneira 
especifica e mais adequada pelo qual a ação se desenvolve em cada etapa.

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