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OLINDA BARROCAGEM DA IGREJA DA SÉ BRUNO COELHO MARIA LUIZA RIBEIRO BRUNA ALMEIDA GABRIEL HIGOR SILVA BRUNA FIGUEIREDO OLINDA: BARROCAGEM DA IGREJA DA SÉ Trabalho acadêmico de TEORIA DA HISTÓRIA DA ARQUITETURA E URBANISMO II da Universidade Federal de Campina Grande, como requisito para a conclusão da primeira unidade desta disciplina. DOCENTE: KAINARA DOS ANJOS. Campina Grande, 2018 2 SUMÁRIO 1.Introdução………………………………………………………………..04 2.Discursos de restauração e conservação dos monumentos históricos...06 3. Programas de Preservação do Patrimônio…………………………….08 4. História de Olinda……………………………………………………....09 5. Patrimônio Histórico de Olinda………………………………………..13 6. Modificações e Barrocagem na Igreja da Sé - Olinda (PE)..................15 7.Conclusão………………………………………………………………...18 3 1.Introdução O estilo barroco se faz presente no Brasil a partir do século XVIII (100 anos depois de seu surgimento na Europa) introduzido pelos jesuítas, com finalidade de catequizar e aculturar os povos indígenas nativos no processo de colonização portuguesa. Em solo Brasileiro sofre influências portuguesas, francesas, italianas e espanholas. (COSTA, 2010, p. 170) O autor afirma que, Enquanto na Europa a Companhia se associava à exuberância das construções barrocas, aqui, suas intervenções eram marcadas por uma profunda sobriedade, não obstante deixando entrever um “sabor popular”, que desfigurava desde sempre os padrões eruditos, configurando-se como experiências legítimas de recriações. No Brasil as características arquitetônicas empreendidas nas obras dos jesuítas extrapolavam a esfera das edificações religiosas, repetindo-se nas demais construções do traçado urbano. O barroco deixou seu rastro por diversas edificações em todo o Brasil e tais monumentos mesmo sendo de extrema importância no passado, contam uma história no presente, e devem então ser analisadas em conjunto não em ato separado visando a eficiência literária. Algumas obras desse estilo são consagradas como catedrais, outras tombadas pelo IPHAN, mas, todas, símbolos da beleza, história e identidade de um povo, fato que as torna de completa importância ao entender o estilo, e perpetuação dessa arte na arquitetura (COSTA, 2010). fig. 01 - Igreja da Sé de Olinda (Bruno Coelho/Acervo Pessoal/Outubro de 2017) 4 No acervo brasileiro de arquitetura barroca como mencionado anteriormente, de monumentos tombados, a edificações catedralícas se pode ter como acervo significativo obras de cunho diversos, sendo algumas delas: Basílica e Convento de Nossa Senhora do Carmo (Recife), Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Olinda), Igreja de Nossa Senhora do Carmo (São João del-Rei),Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (Olinda),Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (Ouro Preto), Igreja da Ordem Terceira do Carmo (Rio de Janeiro). Igreja da Ordem Terceira de São Domingos Gusmão( Salvador). Entre tantas, esses exemplos refletem o estilo barroco, com suas características peculiares que merecem enfoque especial por se tratar de um registro arquitetônico. Segundo (COSTA,2010, p.130) No caso particular brasileiro, é na composição e talha dos retábulos de altar que se pode observar com nitidez essa extraordinária variedade de estilos peculiar ao barroco.(figura 02) ou seja, a partir do detalhamento interno às edificações barrocas brasileiras ganham suas peculiaridades próprias e referências dentro do estilo. fig. 02 Interior da Igreja de São Bento Rio de Janeiro (Retalhos históricos/2015) Tal patrimônio histórico apenas existe como um material de registro arquitetônico nesses locais pois existiram processos que visam sua conservação. No presente trabalho buscamos discutir tais processos questionando sua validade para o estudo da arquitetura, tendo enfoque no Barroco brasileiro. Por meio de pesquisas bibliográficas, levantaremos os processos ocorridos com a Igreja da Sé em Olinda, junto da sua contextualização histórica e arquitetônica. 5 Estudar também as intervenções no barroco brasileiro também são importantes para que o arquiteto, em sua atuação profissional, consiga evitar problemáticas de descaracterização do patrimônio. Perda do valor histórico, descaso com o patrimônio e o pastiche, fatores que se entrelaçam diretamente na relação restauro x descaracterização. Não se tarde lembrar de obras com cunho histórico sendo altamente modificadas com o passar dos anos, exemplo claro, o forro da nave da Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Domingos Gusmão, no Centro Histórico de Salvador, teve a pintura de José Joaquim da Rocha (pintura do século XVIII), maior pintor do barroco brasileiro encoberta devido a sucessivas reformas realizadas ao longo do tempo, Segundo o IPHAN com base em documentos do século 19, o forro passou por três intervenções, que descaracterizaram a pintura original. Outro exemplar a ser citado é a Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no centro da cidade de São Paulo, com seu processo de restauro, segundo o IPHAN, em 2011 reapareceram as pinturas de 1796 e 1797 do padre santista Jesuíno do Monte Carmelo (1764-1819) nos forros da capela-mor, ou seja, essas questões levantadas só denotam o qual perigoso são as reformas aleatórias feitas em nossas igrejas barrocas, e, qual forte e importante vem sendo o trabalho realizado pelo IPHAN, resgatando o patrimônio e memória. 2. Discursos de restauração e conservação dos monumentos históricos A partir do século XVIII, com a alocação da história como uma disciplina que tanto guarda informações sobre o passado, mas como também a deturpa-a por trazer apenas pontos de vista selecionados, o papel do monumento como retentor de informações pelo passado se exalta e intensifica. Isso porque o monumento é capaz de ilustrar vivências de épocas, trazendo, literalmente, tridimensionalidade ao fato. Também, os impactos afetivos que o monumento causa pela sua demarcação histórica fazem a necessidade de conservá-los como registro do passado. “Eles [os monumentos] lembram o passado cujo peso e, no mais das vezes, cujo horror proíbem de confiá-los somente à memória histórica” (CHOAY, 2006, p. 23). Um desses exemplos é o centro de Varsóvia, cuja reconstrução após destruída é de importante impacto em suas formas a lembrar os casos ocorridos na Segunda Guerra Mundial, em que o “peso do real” é muito maior do que qualquer símbolo. Na mesma 6 ocorrência de restauração, para os japoneses, a restauração é feita a partir da destruição do monumento original e sua reconstrução em réplica (CHOAY, 2006). Nisso encontramos debates não só culturais sobre as modificações geradasnas diretrizes que se voltam ao discurso da manutenção do patrimônio histórico, mas também como os políticos, religiosos e ideológicos. A discussão que envolve a posição que devemos ter diante ao patrimônio, ao monumento histórico, inicia na Inglaterra no século XVII, tendo seu aprimoramento no século XIX, com os franceses. J. Wyatt, em nome da simetria e unidade de estilo, promove nas igrejas inglesas restaurações drásticas, eliminando elementos e substitui-os por elementos antigos reinventados. A posição de Wyatt inspira posteriormente Gilbert Scott (1811-1878), que, junto de Viollet-le-Duc apoiam a posição intervencionista, com posições corretivas das obras. Por outro lado, Ruskin, seguido por Morris, propõe um antintervencionismo radical. Valorizando as transformações do tempo como uma característica importante para a demarcação do mesmo, ditam a proibição em tocar-se em monumentos do passado, pois atentam a autenticidade dos mesmos. Promovem, ao máximo, manutenção para ampliar o tempo de vida dos mesmos, desde que de modo imperceptível (CHOAY, 2006). Ora, mesmo um monumento histórico sendo um importante demarcador do passado, não devemos esquecer que ele também faz parte do presente. Logo, se ater literalmente a alguma das posições partilhadas por estes é prejudicial pelo seu caráter literal. Boito (1835-1914), faz uma junção de ambas as ideias, referindo a particularidade das épocas e o nível de conservação a qual a obra arquitetônica é encontrada. Se for ainda possível conservar tal qual como foi encontrado, é a primeira opção a ser tomada, situação geralmente empregada para construções clássicas, barrocas e modernas. Caso a edificação esteja de tal modo deteriorada que seja impossível mantê-la de tal maneira, se faz a intervenção, desde que marcando com materiais, cores, etc, o novo diferentemente do antigo (CHOAY, 2006). 3. Programas de Preservação do Patrimônio No contexto de industrialização e desenvolvimento acelerados em que o Brasil se encontrava nos anos 1970, procurou-se resolver a questão da conservação de conjuntos urbanos. A cidade passa a ser tratada como elemento dinâmico, não mais uma “obra de arte” 7 estática. Além disso, algumas manifestações culturais, como o patrimônio imaterial e o saber popular, foram incorporados ao patrimônio cultural brasileiro a ser protegido. A partir de então, foram criados programas que visavam a preservação do patrimônio, unida ao desenvolvimento econômico. Implementado no início da década de 1970, o Programa Integrado de Reconstrução das Cidades Históricas tinha o intuito de descentralizar a política de preservação cultural para ser executada pelos estados. O programa financiava projetos de forma que estimulasse as atividades econômicas, turísticas e de pesquisa e formação nos núcleos históricos, além de projetos de conscientização da população sobre a importância da preservação do patrimônio. Visando a recuperação das cidades históricas da região Nordeste no Brasil, seu principal objetivo era “a preservação dos monumentos tombados, tornando-os economicamente viáveis por meio de seu uso e, com isso, gerando renda na região Nordeste.” (CORREA, 2012) Em 1979, o Programa de Cidades Históricas foi transferido para o IPHAN, estendendo-o para todo o território nacional. Acredita-se que a motivação original para a criação do Programa de Cidades Históricas deu-se a partir da visita de João Paulo dos Reis Velloso, Ministro do Planejamento e Coordenação Geral (Miniplan), à cidade de Olinda. Ayrton Carvalho, diretor do 1º Distrito Regional do IPHAN - Pernambuco, apresentou-lhe a cidade e, segundo ele, o IPHAN não tinha recursos humanos e materiais suficientes para enfrentar a degradação dos centros históricos brasileiros. Já o Arquivo Geral do IPHAN apresenta um documento de 1972 sobre o Programa Integrado de Reconstrução das Cidades Históricas do Nordeste, com sua Utilização para Fins Turísticos”. Este programa teria sido elaborado de forma conjunta pelos Ministérios do Planejamento e Coordenação Geral e de Educação e Cultura. Bonduki (2012) afirma que o Fundo de Desenvolvimento de Programas Integrados (FDPI) foi criado para financiar o PCH e ficava alocado no Ministério do Planejamento, que coordenava o programa. O Iphan e os ministérios da Indústria e do Comércio, através da Embratur, e do Interior, através da Sudene também participavam desse financiamento. De acordo com Santanna (1995), conforme citado por Bonduki (2012), criou-se em 1982, como desdobramento da experiência do PCH, no âmbito do Banco Nacional da Habitação (BNH), o Programa de Recuperação de Áreas Habitacionais Deterioradas em 8 Núcleos Históricos. Sabe-se que foi realizado um piloto em Olinda, inexistindo informações consolidadas sobre ele. O Programa de Preservação do Patrimônio Histórico Urbano – Monumenta, de 1995, renovou a forma de reabilitar os núcleos históricos no país, enfatizando intervenções em espaços públicos e imóveis privados. Menezes (2007) aponta que em “razão da grave situação de degradação em que se encontrava” Olinda sofria ameaça de perder o título de Patrimônio Mundial da Humanidade. Assim, a cidade foi incluída na lista de beneficiados do Programa Monumenta, tendo suas atividades iniciadas em 2000. 4. História de Olinda Segundo informações da Prefeitura Municipal de Olinda, o surgimento da cidade de Olinda se deu a partir da instalação do fidalgo português Duarte Coelho e de seu povoado no alto de colinas, junto, também, a uma pequena aldeia de índios que lá viviam, chamada Marim, por volta de 1535. Com o decorrer do tempo, o sítio foi prosperando, visto que estava localizado em um ponto estratégico, caracterizado por sua altura elevada com vista para o mar, ocasionando em uma fácil proteção da terra, assim como pelos arrecifes do porto natural, terras férteis e água em abastança. Tais fatos foram cruciais para que o povoado se prosperasse, levando, em 1537, o título de vila, mais especificamente, a Vila de Olinda. Acredita-se que o nome da cidade a partir de uma frase de Duarte Coelho: “Ó linda situação para se construir uma vila”. Detalhe de Mapa¹ 9 Ainda de acordo com a Prefeitura Municipal de Olinda, após ter se tornado a Vila de Olinda, começou a fase de expansão, qualificada pelas fortificações de defesa do alto das colinas até as praias, englobando, também, os engenhos de açúcar e o porto. Com o tempo, Olinda foi se enriquecendo cada vez mais (por meio da cultura da cana-de-açúcar e do extrativismo do pau-brasil) e se tornou um dos mais importantes centros comerciais da colônia, chegando a disputar, em termo de ostentação, com a Corte portuguesa. _________________ ¹ Fonte: STADEN, Hans. Viagem ao Brasil. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1989. (Coleção Afrânio de Peixoto. v. 9.). Obra publicadaem 1557. É uma das mais antigas representações alegóricas de Olinda. Ilustra os frequentes ataques dos índios. Olinda, à esquerda, em destaque, é vista como uma cidade medieval encastelada e com muralhas. Podem-se observar os índios, a construção das aldeias indígenas cercadas pelas paliçadas e o destaque para os tipos de embarcações utilizados no início da colonização do Brasil. Fonte: PINA, André. Transformações dos espaços de habitação do sítio histórico de Olinda. 2006. 165 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006, p. 60. O Iphan afirma que, em 1630, a vila de Olinda foi tomada pelos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais, os quais saquearam a cidade e, em 1631, devastaram o território, tocando fogo em edificações. Este fato foi decisivo para o levantar de Recife, visto que Olinda perdeu seu prestígio administrativo. Mesmo diante esse ocorrido, Olinda resistiu e, aos poucos, foi se reconstruindo, de modo a preservar o desenho urbano português e antiga feição. Apenas em 1676 Olinda veio a receber o título de cidade. 10 Vista da cidade do Recife e de parte de Olinda² A Prefeitura Municipal de Olinda aponta que o reflorescer de Olinda se deu pelo interesse nos benéficos banhos de mar, visando a saúde e, na ligação com Recife por intermédio do trem urbano. Começou com apenas visitações e alugação de casas de terceiros para passar alguns dias (cidade dormitório, dependente de Recife por conta dos serviços e empregos), logo em seguida que se dá a tradição de obter imóveis para se morar em Olinda (antes em apenas proximidades das praias, expandiu-se para o restante da cidade). Essa evolução de Olinda se complementou por novas transformações como a modernização das fachadas, além da transfiguração urbana, como o crescimento de sua infraestrutura (água potável e rede elétrica; substituição do trem urbano por bondes elétricos, no século XX). _________________ ² Tomada da ladeira da Misericórdia. Litografia de W. Bassler, na oficina de J. Braunsdorf, Dresden, 1847. Fonte: FERREZ, Gilberto. Raras e preciosas vistas e panoramas do Recife – 1855-1857. Rio de Janeiro: Fundação Pró-Memória; Recife: FUNDARPE, 1984, p. 67. (coleção Pernambucana, 2ª fase). 11 Vista aérea panorâmica do Sítio Histórico de Olinda³ Por fim, a nova Olinda, agora moderna, adquiriu quatro títulos, em consequência de sua beleza e riqueza natural, assim como de seu patrimônio histórico e sua cultura, são eles: Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco, em 1982 e, que consiste em sua inscrição na lista de monumento mundiais; Primeira Capital Brasileira de Cultura, concedido pela ONG Capital Brasileira da Cultura (CBC), em 2005, o que levou Olinda a ser, em 2006, o principal ponto turístico-cultural do Brasil; Monumento Nacional, lei federal n° 6863, de 26 de novembro de 1980 (Lei Fernando Coelho), a qual serviu para apoiar o direcionamento do processo de concessão do título de Patrimônio Cultural à Humanidade, à Unesco; Cidade Ecológica, decreto municipal n° 023, de 29 de junho de 1982, caracterizando a cidade de Olinda por seus vastos espaços verdes (Horto d’el Rey, Bosque dos Coqueiros, Mata de Passarinho, entre outros). _________________ ³ Ao centro, a Igreja de Nossa Senhora do Amparo e no alto a igreja da Sé, ladeada pelo Seminário e pelo Farol. Pode-se perceber, no seu entorno, o verde de sua vegetação em contraste com o azul do mar. Fonte: Coleção Colorfotos de Brasil. Foto Felix Richter. Editora Céu Azul de Copacabana. p. 33. 12 5. Patrimônio Histórico de Olinda De acordo com informações apresentadas pelo IPHAN,o centro histórico de Olinda,antiga sede da capitania de Pernambuco (atual estado de Pernambuco),é remetente a colonização portuguesa datada do século XVI, constitui um dos maiores acervos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos da época áurea da economia açucareira. A preservação deste sítio teve seu início durante a década de 30 sendo em 1982 reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas (UNESCO). Hoje já se contabilizam cerca de um terço de área tombada do município. Tal medida demonstra a importância da cidade dentro do contexto histórico de colonização do Brasil. O órgão apresenta dados históricos onde demonstra que apesar disso, passando por diversos ataques e chegando inclusive a um incêndio provocado por invasões holandesas por volta de 1925, alguns exemplares de seu casario foram descaracterizados ou perdidos, porém seu traçado urbano colonial ainda auxilia no entendimento das organizações sociais desse período, possuindo uma trama espacial bastante conservada. A vegetação é outro fator de destaque, através de sua monumentalidade com árvores em sua maioria frutíferas (mangueira, jaca,coqueiros,etc) ornamentam ruas, largos e o interior dos quarteirões portugueses, criando uma composição tropical quase que emoldurada entre o natural e o edificado. A UNESCO levantou dados onde identificou que boa parte desse patrimônio é formado por espaços pequenos e contíguos da tipologia residencial (87%), somando 1500 imóveis. Suas fachadas em madeira e pedra, possuindo sacadas em alguns casos é uma forte influência lusitana, com exemplares que vão do séc XVI a XX. 13 fig. 03- Exemplares de Casario Histórico de Olinda (Bruno Coelho/Acervo Pessoal/Outubro de 2017) Junto a isso, as tipologias religiosas barrocas (20 igrejas) com raros exemplares de edifícios sacros do século XVI, se agrupam a largos, praças e mercados. Alguns edifícios merecem destaque frente sua relevância na malha urbana da cidade, como é o caso da Catedral da Sé, construída originalmente de barro no ano de 1540.Como forma de imponência todas as outras igrejas do sítio têm suas fachadas voltadas para a edificação. Outra igreja com destaque é a Igreja do Carmo, que fica alocada numa suave colina sendo a mais antiga das Ordens das Carmelitas das Américas, datando de 1580.Mesclando elementos maneiristas e barrocos a igreja já passou por diversas intervenções, tendo suas fachadas Leste e Oeste totalmente reconstruídas a partir de 1654. (Prefeitura Municipal de Olinda,s.p d.p) fig.04 - Igreja do Carmo de Olinda (Bruno Coelho/Acervo Pessoal/Outubro de 2017) 14 Já a Basílica e Mosteiro de São Bento teve o início de sua construção em 1597, sendo instalado o primeiro curso de direito do Brasil. A mais rica igreja de Olinda tem seu espaço interno com alto valor artístico como obras da Ordem Beneditina, sanefas de talha dourada, mobiliário refinado e um altar revestido com 28 kg de Ouro.(Prefeitura Municipal de Olinda,s.p d.p) fig.05 - Talhas douradas no interior da Basílica e Mosteiro de São Bento (Passarinho/Prefeitura de Olinda/Divulgação) 6. Modificações e Barrocagem na Igreja da Sé -Olinda (PE) Segundo o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde a sua fundação, datada em 1540 até meados da década de 70, a Igreja da Sé de Olinda (também conhecida como Igreja de São Salvador do Mundo) passou por diversas reformas. Seguindo uma ordem cronológica, em 1656, 26 anos depois de virar ruínas na invasão holandesa, a Igreja da Sé de Olinda passa pelo processo de reconstrução, concluindo em 1676, onde se ergue uma edificação com uma série de ampliações e características mais atuais. (Figura 01). Na década de 10, projetada pelo arquiteto Rodolfo Lima, a igreja passa por uma “maquiada de estilo” sendo implementada características neogóticas (Figura 2), mudando a volumetria, decoração interna e externa, assim, desconsiderando o valor histórico agregado ao edifício. Na década de 30, novamente a igreja passa por mais um processo de reforma, agora aderindo ao estilo neobarroco, a pedido do Arcebispo Miguel de Lima Valverde (Figura 03). 15 A1 A2 A3 A1 - Figura 06: Igreja da Sé de Olinda, respectivo estilo quando foi reconstruída. A2 – Figura 07: Igreja da Sé de Olinda, com estilo neogótico. A3 – Figura 08: Igreja da Sé de Olinda, com estilo neobarroco. Fonte: Artigo “Entre destruições, achados e invenção: a restauração da Sé de Olinda no âmbito do Programa Integrado de Reconstrução das Cidades Históricas do Nordeste” (...) estabelecer os momentos que caracterizam a inserção da obra de arte no tempo histórico para poder definir em qual desses momentos podem ser produzidas as condições necessárias a essa particular intervenção a que se chama restauro, e em qual desses momentos é lícita tal intervenção (BRANDI, 2004, p. 59) Sendo assim, ficaria a critério do projetista a escolha da época que a intervenção remeteria, levando em consideração não apenas a idade ou o apego com a ideia do que seria o original (a forma primordial da construção, por exemplo), mas, pela forma que as suas mudanças desenvolveram uma característica própria, mutável diante das condições apresentadas pelo passar do tempo, sendo precisa uma análise muito mais precisa a fim de identificar qual seria a melhor solução. De acordo com o IPHAN, através de estudos históricos sobre a igreja, e de levantamentos de imagens antigas e relatos históricos, o Arquiteto José Luiz da Mota Menezes chega à conclusão de que o estilo arquitetônico original da igreja seria o Renascentista/Barroco (período do Maneirismo). Essa tal reforma descaracterizaria o estilo arquitetônico vigente na época, a fim de promover uma “restauração” que não necessariamente poderia remeter a edificação na época de seus primórdios originalmente. Essa Restauração foi custeada pelo SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), na década de 70. (Figura 04) A restauração envolveu retiradas de itens decorativos das fachadas e internos, substituição das torres sinaleiras, redimensionamento e relocação de esquadrias, mudanças no interior como materialidade e revestimentos. A partir disso, vale salientar o propósito do programa de Restauração, no âmbito de preservar a história e cultura 16 da Igreja da Sé de Olinda – PE, ou de apenas camuflar a arquitetura atual, trazendo algo relativamente “histórico” ignorando todo o processo de mudança e adaptação ao longo dos anos sofrido pela igreja, tratando isso como se fosse algo a ser desprezado ou irrelevante, que contradiz o que BRANDI defende. Figura 09: Igreja da Sé de Olinda, Fachada restaurada. Fonte: Artigo “Entre destruições, achados e invenção: a restauração da Sé de Olinda no âmbito do Programa Integrado de Reconstrução das Cidades Históricas do Nordeste” 17 7.Conclusão Contextualizando as transformações decorrentes na igreja da Sé em Olinda, é possível observar o reflexo como as discussões referentes à conservação, incluindo questões políticas, sociais, econômicas, etc, atingem o produto que se obtém, ao fim de estudos estilísticos. Este decorrente trabalho foi capaz, portanto, de explanar problemáticas que devem ser consideradas ao se estudar a arquitetura; mesmo o monumento como um reflexo presente e sólido da demarcação histórica, este sofre com o tempo os reflexos de tal. Se torna necessário portanto, contextualizar e entender as modificações das edificações antes de denominar suas características, nesse caso, puramente barrocas. 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BONDUKI, Nabil. Intervenções Urbanas na Recuperação de Centros Históricos. Brasília: Iphan, 2012. BRANDI, Cesare. Teoria da Restauração [Teoria del Restauro ]. Tradução de KÜHL, Beatriz Mugayar. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2004. CHOAY, François. Alegoria do patrimônio . 5ª. Ed. Tradução de Luciao Vieira Machado. São Paulo: Estação Liberdade, 2006. Ed. Unesp, 282 p. CORREA, Sandra Rafaela Magalhães. O Programa de Cidades Históricas (PCH): por uma política integrada de preservação do patrimônio cultural - 1973/1979. 2012. 343 f. 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