Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE FEEVALE
CAMILA KUNZ
THAÍS CARINE MEYER
CRISTINA ANDREIA SERPA
CONTESTAÇÃO COM RECONVENÇÃO
Novo Hamburgo, 22 de novembro de 2017.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 5ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE PORTO ALEGRE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.
PROCESSO Nº 001/1.17.005986-98	
LAURA PAUSINI, casada, residente e domiciliada na Rua XXX, nº. XXXX, em Porto Alegre (RS) – CEP nº XXX, inscrito no CPF sob o nº. XXXX, com endereço eletrônico XXXX@XXXX.XXX.XX, vem, com o devido respeito à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu patrono que abaixo assina, causídico inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do XXXX, sob nº. XXXX, onde, em atendimento aos ditames contidos no art. 287, caput, do CPC, indica-o para as intimações necessárias, para, oferecer a presente
CONTESTAÇÃO C/C RECONVENÇÃO À AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO
em face de PIETRO FANCELLO, casado, arquiteto, residente e domiciliada na Rua XXX, nº. XXX, na Cidade Porto Alegre (RS) – CEP nº. XXXX, inscrito no CPF sob o nº. XXXXX, com endereço eletrônico XXX@XXX.XXX.XX, em decorrência das razões fáticas e de direito adiante evidenciadas.
	DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA:
	A Varoa apesar de graduada em Publicidade e Propaganda não trabalha desde que contraiu matrimônio com o Varão, uma vez que dedicou-se, por este tempo, apenas aos cuidados com o imóvel do casal e dependia do Varão para o seu sustento. Faz 4 meses que a Varoa é sustentada por seus pais, pois o Varão deixou-a desamparada financeiramente.
 	Sendo assim, percebe-se que a Varoa é pobre na acepção jurídica do termo e bem por isto não possui condições de arcar com os encargos decorrentes do processo sem prejuízo de seu sustento, motivo pelo qual requer os benefícios da justiça gratuita, preceituados no artigo 5.º, LXXIV da Carta Magna e do Art. 4º da Lei 1.060/50.
	DA TEMPESTIVIDADE DA CONTESTAÇÃO:
	Dispõe o Art. 335, I do CPC que a contestação deverá ser oferecida no prazo de 15 dias, cujo termo inicial será a data da audiência de conciliação ou de mediação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver auto composição.
Pois bem, a audiência de conciliação foi designada e realizada em 22/05/2017, onde não houve auto composição, portanto, considerando a aplicação dos Arts. 219 e 224 do CPC, a contestação apresentada nesta data, é TEMPESTIVA.
	DA SÍNTESE FÁTICA:
	Procedem os fatos alegados na exordial de que o Varão e a Varoa, são casados sob o Regime de Comunhão Parcial de Bens, desde outubro de 2010. Durante o período em que foram casados, viveram na cidade de Porto Alegre, em imóvel próprio, adquirido na constância da união, hoje avaliado em 820 mil reais. Além do imóvel já referido, o Varão adquiriu com recursos próprios, duas motocicletas da marca Harley Davidson e uma sala comercial localizada no centro de Porto Alegre. O casal possui também um veículo VW Tiguan, ano 2016 que a Varoa utiliza para o seu deslocamento diário.
	Ocorre que, a cerca de 4 meses o casal encontra-se separado de fato e o Varão está residindo, atualmente, na casa de seu irmão. A Varoa, por sua vez, mesmo sendo graduada em publicidade e propaganda, dedicou-se exclusivamente aos cuidados do lar do casal, desde o momento em que trocaram alianças. Atualmente continua residindo no imóvel do casal, mas encontra-se totalmente desamparada, uma vez que o Varão sempre foi responsável pelo seu sustento. Durante estes 4 meses a Varoa tem sido sustentada por seus pais, já que está totalmente fora do mercado de trabalho desde 2010.
	O Varão, ajuizou ação de divórcio em face da Varoa pleiteando a partilha do imóvel do casal, os bens móveis que guarnecem a residência e ainda o automóvel VW Tiguan, ano 2016 utilizado pela Varoa.
	DA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ DO VARÃO:
	Dispõe o Art. 77 do CPC que são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo expor os fatos em juízo conforme a verdade; não formular pretensão quando cientes de que são destituídas de fundamento, dentre outros.
Ademais, dispõe ainda o Art. 80 do CPC que considera-se litigante de má-fé aquele que “II - alterar a verdade dos fatos; V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo”, dentre outros.
Pois bem, percebe-se claramente da exordial que o Varão não cumpriu seu dever de lealdade e boa-fé no processo, quando omite informações a Vossa Excelência deixando de mencionar três bens para partilha.
Nesse sentido, dispõe o Art. 142 do CPC que convencendo-se, pelas circunstâncias, de que o autor se servindo do processo para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz proferirá decisão que impeça os objetivos da parte, aplicando, de ofício, as penalidades da litigância de má-fé.
Da mesma forma, o Art. 79 do CPC diz: “Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como autor, réu ou interveniente”, sendo por via de consequência aplicada a penalidade do Art. 81 do mesmo códex.
Diante do exposto, Requer desde já a Vossa Excelência que seja reconhecida a litigância de má-fé do Varão aplicando as devidas penalidades.
	DA RECONVENÇÃO:
	Reconvenção é a ação do réu contra o autor no mesmo processo em que aquele é demandado. Não é defesa, é demanda, ataque. Esta ação amplia objetivamente o processo, obtendo novo pedido na presente ação.
Nesse sentido, o art. 343 do CPC textualiza:
Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa.
Indubitavelmente, alegar reconvenção na contestação é lícito, conforme respalda o art. 343 do CPC. Fundamentos explanados a seguir:
	5.1 – DOS ALIMENTOS:
	Segundo o ordenamento jurídico brasileiro no que tange aos alimentos é imperioso salientar o art. 1.694 do CC/02, este trata da maneira pela qual é prestada à concessão de alimentos, as condições para tal prestação e para quem pode ser pleiteada a concessão de alimentos.
Neste sentido o artigo 1.694 do CC/02, in verbis:
“Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação”
§ 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada.
§ 2º os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia.
O que foi acima denotado pelo diploma, se aplica de pronto ao caso em tela, visto que a pensão alimentícia deve ser mensurada pelo juízo a partir do critério ou do princípio da proporcionalidade, ou seja, analisando as reais necessidades do reclamante e visualizando os recursos da pessoa obrigada. Logo se pode concluir perfeitamente que o Varão tem uma excelente condição financeira, tendo em vista que é arquiteto e proprietário de renomado escritório de arquitetura na capital gaúcha e em razão da sua expertise e rede de contatos, tem assinado importantes projetos arquitetônicos. 
Assim sendo, se faz importante destacar os seguintes julgados desta Egrégia Corte de Justiça:
“AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO C/C PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA – FIXAÇÃO DE ALIMENTOS A EX-ESPOSA – POSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE PROVA DE SUBSISTÊNCIA POR SI SÓ – NECESSIDADE QUE SE FAZ EVIDENTE - BINÔMIO ALIMENTAR – ALIMENTANTE QUE NÃO DEMONSTROU A IMPOSSIBILIDADE DE PAGAR OU DA DISPENSABILIDADE DOS ALIMENTOS – DEVER DE ASSISTÊNCIA MÚTUA QUE SE FAZ NECESSÁRIO OBSERVAR.” (Agravo de Instrumento n. 2011.012995-7, de Xanxerê, rel. Des. Guilherme Nunes Born, j. 28.2.12).
 
 “AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE DIVÓRCIO DIRETO LITIGIOSO C/C ALIMENTOS E DANOS MORAIS. SEPARAÇÃO JUDICIAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS. NECESSIDADE DA EX-ESPOSA DE PERCEBER A VERBA. DEVER DE ASSISTÊNCIA MÚTUA. BINÔMIO NECESSIDADE E POSSIBILIDADE.DECISÃO MODIFICADA. RECURSO PROVIDO.
           A relação conjugal traz consigo o dever de assistência mútua. Neste sentido, o art. 1.694 do Código Civil prevê a possibilidade da estipulação de alimentos provisórios ao cônjuge que, dissolvida a sociedade conjugal, deles necessite.” (Agravo de Instrumento n. 2009.066417-9, de Jaraguá do Sul, rel. Des. Sérgio Izidoro Heil, j. 6.5.10).
Segundo Gilmar Ferreira Mendes, Curso de direito constitucional, pág. 114:
O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, em essência, consubstancia uma pauta de natureza axiológica que emana diretamente das ideias de justiça, equidade, bom senso, prudência, moderação, justa medida, proibição de excesso, direito justo e valores afins; precede e condiciona a positivação jurídica, inclusive a de nível constitucional; e, ainda, enquanto princípio geral do direito, segue de regra de interpretação para todo o ordenamento jurídico. Esse é o vetor para a fixação dos alimentos: o princípio da proporcionalidade. (Grifo meu).
Tradicionalmente, invoca-se o binômio necessidade-possibilidade, ou seja, perquirem-se as necessidades do alimentando e as possibilidades do alimentante para estabelecer o valor da pensão. No entanto, essa mensuração é feita para que se respeite a diretriz da proporcionalidade. Por isso se começa a falar, com mais propriedade, em trinômio: proporcionalidade-possibilidade-necessidade. (Grifo meu).
Diante dos fundamentos explanados, deve-se analisar que a Varoa invoca a seu favor o elemento do trinômio “necessidade”, uma vez que durante todo o enlace matrimonial ela nunca trabalhou, pois abriu mão de sua vida profissional pela vida de “dona de casa”, cuidando da casa e de todas as atividades domésticas inerentes ao bom relacionamento conjugal. Tendo isso em vista, necessário se faz que o Varão preste alimentos à Varoa, pois, a mesma não possui condições de sobreviver sem a ajuda. 
5.2 – DOS BENS:
Ao contraírem núpcias, as partes elegeram o regime de comunhão parcial de bens, conforme preceitua o art. 1.658 do Código Civil.
Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes.
Definido o regime de comunhão, o art. 1.660 do Código Civil, assim dispõe sobre os bens a serem partilhados:
I – os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges.
O Varão resumiu sua pretensão na partilha do imóvel adquirido como morada do casal, os bens móveis que guarnecem a residência e o automóvel VW Tiguan ano 2016 que a Varoa utiliza para seu deslocamento diário, omitindo os seguintes bens:
- Duas motos da marca Harley Davidson;
- Uma sala comercial;
Os bens descritos acima foram adquiridos por ambos. Ocorre que, estes, por sua vez, se encontram de posse do Varão, vez que este sempre os manteve em seu poder e domínio, não obtendo acesso tanto aos bens quanto os documentos a Varoa, e ainda, NÃO FORAM DECLARADOS NA EXORDIAL para a JUSTA PARTILHA e verificação das pendências, pressupondo a má-fé do Varão, o que prejudicaria a Varoa na venda da casa residencial, sendo esta sua única moradia. Ora, onde está o crédito da Varoa dos bens não declarados pelo Varão, que, com certeza, compensa o valor de direito do Requerido no imóvel residencial?
A questão excelência não é tão simples assim, este ÚNICO IMÓVEL no qual a Varoa pretende vender e pegar o valor correspondente à sua parte na partilha, VIOLA O DIREITO CONSTITUCIONAL Á MORADIA (CF/88 6º), é o que entende a corrente doutrinária majoritária:
Ainda que a partilha dos bens seja a consequência lógica do fim do casamento, e o direito real de habitação (CC 1.414), instituto afeito ao direito sucessório (CC 1.831), quando o cônjuge quer permanecer na residência comum e não tem condições de conseguir outro lugar para morar, impositivo postergar a divisão e a venda do bem onde reside um dos cônjuges, principalmente se está ele com a guarda dos filhos. (Manual de Direito das Famílias, Maria Berenice Dias, pág. 329), (Grifo meu).
E também jurisprudencial:
Divórcio. Partilha de único bem imóvel. Direito de habitação assegurado à mulher. Aplicação do princípio constitucional de respeito à dignidade humana. 1. Merece reforma a sentença que determinou a partilha do imóvel residencial à mulher e a filha do casal. 2. Cuida-se, na hipótese de assegurar a dignidade da pessoa humana, e tal se dá pela garantia do direito à habitação, valor protegido pela legislação infraconstitucional. 3. Na modernidade, não se concebe o direito dissociado de um sistema de normas que dispõe sobre a vida de relação e que se ramifica a partir do alto. E no topo, com força e vigor plenos, está a Constituição Federal, como conjunto composto de regras e princípios que disciplinam todas as relações cotidianas no âmbito de um Estado democrático, tenham elas caráter público ou privado. 4. Na atual teoria constitucional vicejam lições a favor da possibilidade de aplicação direta dos princípios, pois reconhecida sua eficácia plena para gerar direitos subjetivos individuais diretamente dedutíveis dos preceitos constitucionais. 5. Impõe-se, diante das singularíssimas circunstâncias do caso concreto, assegurar à apelante e à filha o direito de seguir residindo no imóvel havido pelo ex-casal. Proveram, à unanimidade (TJRS, AC 70013752349, 7ª Câmara Cível, rel. Desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, j. 12.04.2007). (Grifo meu).
É notório que a Varoa não possui condições de adquirir uma outra residência para morar, pois, não tem renda e não pretende colocar em risco o direito real de habitação, onde esta exerce no imóvel, afinal há ainda o valor remanescente de três bens que não foram declarados na exordial, a fim de que adentre na partilha.
Sendo assim, o Varão deverá apresentar os documentos dos outros três bens para serem partilhados.
	DOS REQUERIMENTOS E DOS PEDIDOS:
Ante todo o exposto nesta peça de defesa, passa a demandada a pleitear de Vossa Excelência sejam tomadas as seguintes providências:

Mais conteúdos dessa disciplina