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GRAMÁTICA GERATIVA 
TRANSFORMACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2017/2 
 
REFLEXÃO INICIAL 
 
1. O homem e a questão da linguagem 
 
Alguém já afirmou que a melhor definição para o ser humano é aquela que 
o classifica como “o ser falante”. Realmente, aquilo que nos singulariza, aquilo 
que nos faz seres humanos em meio a outros seres que se dão no mundo é a 
nossa formidável capacidade de comunicação. Construímos um conjunto de 
signos lingüísticos que mediatizam o nosso encontro com a realidade que nos 
envolve. A nossa capacidade lingüística, unida ao nosso potencial reflexivo, 
nos edifica e nos particulariza como seres humanos. O poder de nomear as 
coisas, e, portanto, mediatizando o mundo por meio da linguagem, nos faz 
seres dominadores da natureza e edificadores da história. A natureza - vista 
pura e simplesmente em si mesma - é muda, não comunica. Urge que o 
homem a faça falar, quebrando-lhe destarte o mutismo, transformando-a em 
linguagem. 
 
2. A importância da comunicação vocabular 
 
No livro do Gênesis em seu cap.1 versículo de 1 a 31, as origens do mundo 
e da humanidade são descritas sob a força do poder da palavra. É Deus quem 
ordena “haja luz!”, “haja um firmamento!”, etc. O mesmo poder da palavra que 
afasta o caos é o que cria o homem, este é feito à imagem e à semelhança do 
Criador que o constituiu senhor dos outros seres. A Palavra que criou do nada 
o tudo, agora faz do homem nomeante da realidade que o envolve. As coisas 
que o rodeiam são agora realidades lingüísticas. Assim, o existir humano é 
essencialmente mediatizado pela linguagem. O mundo ergue-se em palavras e 
nós fazemos parte dessa realidade que é semiologizada. A compreensão 
satisfatória do jogo lingüístico no ato comunicativo pode proporcionar-nos um 
crescimento pessoal formidável. A máxima, “quem não se comunica se 
estrumbica”, dita pelo saudoso Abelardo Barbosa o “Chacrinha”, revela-nos, de 
forma lúdica, a importância da relação homem-palavra-mundo. 
 
 
I) RELAÇÕES SINTAGMÁTICAS E ASSOCIATIVAS 
 
As relações sintagmáticas e associativas correspondem a duas formas de 
nossa atividade intelectiva de realização do idioma, a primeira dá-se “em 
presença” a segunda, “em ausência”. Quando um falante realiza a frase 
 
O menino mordeu a maçã 
 
De um lado os termos estabelecem entre si relações baseadas no caráter 
linear que a língua possui  um termo após o outro como sucessões; não 
havendo possibilidade do falante pronunciar ou realizar duas formas 
simultaneamente. Essas combinações que se apóiam na extensão – caráter 
linear do idioma – podem ser chamadas de sintagma (SAUSSURE, 1996, p. 
142). Por outro lado, às palavras anunciadas na frase acima podem se associar 
outras como possibilidades de construção, este trabalho é salientemente 
mnemônico, pois grupos associativos são formados na memória do falante. 
Desta forma podemos ter: 
 o menino mordeu maçã (eixo sintagmático) 
 aquele 
 este 
 esse 
 nosso 
 (eixo associativo) 
 
Os sintagmas formam, por meio de unidades menores, uma unidade 
lingüística superior, na qual os termos chamados de determinantes 
estabelecem um elo de subordinação com os termos determinados: 
 
O bombeiro cavou um buraco 
 o bombeiro = SN (sintagma nominal)  o = det. de bombeito 
cavou um buraco = SV (sintagma verbal)  det. de “o bombeiro” 
 
O sintagma como unidade sintática ou sintagmática é uma estrutura binária 
cujos membros se relacionam para cumprir a função de comunicação da língua 
(BORBA, 1976, p.110) O sintagma possui uma natureza relacional, daí que ele 
só é depreendido do enunciado se constituído de mais de um elemento: 
 
SO  a onça pegou a cutia 
SN  a onça 
SV  pegou a cutia 
 
A descrição sintática alicerçada na identificação dos tipos de sintagmas e 
na elaboração de regras que ordenam as palavras no interior dos sintagmas foi 
denominada de análise sintagmática ou dos constituintes, esta análise 
permite descrever a estrutura da oração em constituintes imediatos: SN + SV. 
Estes são analisáveis em outros constituintes, como o sintagma nominal “a 
onça” do exemplo acima que se estrutura em det + N  SN= det (a) + N 
(onça). 
 
Exercício 
1) Estabeleça um eixo paradigmático (associativo) para cada eixo sintagmático 
abaixo: 
 
a) O aluno devolveu o livro 
 
 
 
 
b) O livro foi danificado pelo aluno 
 
 
 
 
 
 
 
 
II) SINTAXE GERATIVA: UMA SÍNTESE 
 
1. Primeiras Palavras 
 
Se há algo que nos diferencia singularmente dos outros seres que se dão no 
mundo é a nossa formidável existência sígnica – somos seres simbólicos. Entre 
o mundo e o homem há a mediação da linguagem, quiçá fruto insigne de nossa 
racionalidade, só há linguagem onde há racionalidade. Pensamos, logo somos, 
significamos, inventamos, criamos. A grande invenção humana talvez não 
tenha sido a roda, mas a linguagem, este fenomenal que edifica a nossa 
convivência. 
A linguagem entendida como um conjunto de signos voltados para a prática da 
comunicação é estudada por várias correntes filosóficas, isso desde a antiguidade até 
hodiernamente. A modernidade engendrou uma ciência para compreendê-la de forma 
específica, delimitando seu objeto de estudo e seus métodos. As bases da ciência da 
linguagem humana foram edificadas por Saussurre na Europa e por Bloomfild nos Estados 
Unidos. Podemos afirmar que, em Saussurre e Bloomfild, as bases do estruturalismo 
lingüístico nasceram e se desenvolveram por décadas, mas será que o conhecimento das 
estruturas imediatas será suficiente para descrição de um idioma? A língua será mesmo e 
tão somente um conjunto de regras alicerçadas no corpo social?. O indivíduo possui 
simplesmente uma função mnemônica? Sua língua será apenas um conjunto de hábitos 
lingüísticos adquiridos na convivência com os outros seus pares culturais?. O homem não 
adquire a linguagem em virtude de um conjunto de fatores mais universais e inatos? 
Desses questionamentos emerge a “Gramática Gerativa” com os 
postulados de Noam Chomsky que se volta para o indivíduo e para sua 
capacidade inventiva. O falante, agora, não é um receptáculo mnemônico, ele é 
um ser lingüisticamente competente e capaz de interpretar e criar. Assim, 
podemos dizer que o surgimento do gerativismo representou uma verdadeira 
ruptura com o pensamento estruturalista de base saussuriana. A linguagem é 
uma insigne manifestação das capacidades inatas do ser humano, cujo saber 
lingüístico é internalizado; ele não é uma tábua rasa ou folha de papel em 
branco onde a experiência vai escrever-lhe os saberes. A língua é vista como 
inventividade e como força criadora. 
Enquanto a lingüística estrutural é essencialmente empírica, e aplica o método indutivo, 
utilizando a técnica da experimentação a fim de chegar aos seus postulados, a Gramática 
Gerativa é de base racionalista, assente nos princípios do inatismo das idéias, esta aplica o 
método dedutivo e acredita na validade de hipóteses gerais acerca da natureza e função da 
linguagem. 
 
 2. Segundas palavras 
 
A gramática gerativa1 é um postulado lingüístico pensado por Noam 
Chomsky na década de 60, ela emerge como uma crítica ao modelo de análise 
estrutural alicerçada na decomposição dos constituintes imediatos por julgar 
que esse modelo apenas analisa as frases realizadas – imediatas – não 
explorando alguns aspectos relevantes como a problemática da ambigüidade e 
os constituintes descontínuos.2 
Para Chomsky, a gramática gerativa sintetiza uma teoria capaz de dar 
conta da criatividadedo falante, ou seja, de sua capacidade de criar frases 
inéditas e de compreendê-las. Para os gerativistas, a língua é um conjunto de 
regras finitas que geram infinitas frases e todas elas gramaticais e nenhuma 
agramatical, este postulado está assente numa perspectiva de se pensar a 
linguagem como um fenômeno singularizador do ser humano e cujas estruturas 
são universais e inatas, e é isso que torna possível um aprendizado de uma 
língua por uma criança. O fator social aqui age apenas como um ativador das 
estruturas lingüísticas inerentes ao ser humano, este é sujeito de ação e não 
objeto. Esta perspectiva teórica do gerativismo representa uma importante 
postura filosófica e uma ruptura com o cerne do estruturalismo como escreve 
Lemle: 
 
É importante compreender que a postura aparentemente científica que Chomsky se 
armou para combater desembocava num corolário de conseqüências filosóficas que 
atingem o plano do social e do ético, uma vez que admitir que o ser humano seja 
como um papel em branco em termos de disponibilidade para a aquisição de 
conhecimentos abre as portas para oportunidades de manipulação, programação, 
robotização de um grupo humano por outro ou de uma classe social pela outra, e 
justifica sistemas políticos autoritários por se apresentarem coerentes com a própria 
suposta forma natural do comportamento da espécie humana. (1989:8) 
 
 
1 O primeiro modelo transformacional foi formalizado por Chomsky em Syntatic Structures (1957) e o 
segundo, também denominado Teoria Padrão, foi formalizado em Aspects of Theory of Sintax (1965) . 
2 Série de dois ou mais morfemas (não-contínuos) que formam, juntos, um único constituinte imediato de 
ordem superior e que pertencem a uma só categoria. Ex Essas empregadas de hoje, não se pode confiar 
nelas. 
Assim, a gramática é um conjunto de regras que definem as seqüências 
vocabulares ou de sons permitidos, é um saber lingüístico presente em cada 
indivíduo que fala o idioma – competência lingüística3, assim, o termo 
competência é aquele 
 
que designa o conjunto de normas internalizadas, ou regras que nos permite emitir, receber, 
julgar enunciados de nossa língua. É o conhecimento que os falantes têm de sua língua. 
(PERINI,1985:27) 
 
 O que cada indivíduo faz da língua em sua condição individual e 
particular está vinculado ao que os gerativistas chamam de desempenho ou 
atuação4 – manifestação da competência dos falantes nos seus inúmeros atos 
de comunicação verbal. Guardadas as devidas proporções filosóficas podemos 
dizer que a dicotomia chomskiana “competence” e “performance” equivale a 
dicotomia saussuriana “langue” e “parole”. 
 Chomsky nos faz ver através da gramática gerativa transformacional que 
a compreensão do fato sintático, a partir de estruturas superficiais, é bastante 
limitada. O mecanismo de produção e intelecção das inúmeras estruturas 
sintáticas de uma língua – com inversões, apagamentos, acréscimos e 
substituições – torna-se transparente na medida em que para descrevê-las e 
explicá-las, se recorre a um nível maior de abstração, recuperando-se as 
estruturas básicas, elementares, subjacentes às demais. Esse processo 
(regras que convertem as estruturas profundas em estruturas superficiais) 
Chomsky (1957 e (1965) denominou de regras transformacionais. Essas 
regras deram o nome A GRAMÁTICA GERATIVA TRANSFORMACIONAL. 
 A finalidade básica da inclusão das regras transformacionais em uma 
gramática básica foi, portanto, tornar possível a descrição das infinitas 
possibilidades de estruturas superficiais de uma língua como resultantes de 
modificações operadas sobre as estruturas profundas5,. 
 
 
3 “Competence” é a capacidade que cada indivíduo – falante autóctone – possui para entender e produzir 
um número ilimitado de frases, é um saber tácito da língua. 
4 “Performance” são atos concretos de fala que o desempenho real. “Uso que fazemos da língua, 
resultado de fatores lingüísticos e extra-lingüísticos (...) aquilo que efetivamente realizamos quando 
falamos (ou quando ouvimos, ou escrevemos ou lemos.”(PERINI,1985:27) 
5 No primeiro modelo (Syntatic Structures- 1957) da teoria transformacional não se usam ainda os termos 
estrutura profunda e estrutura superficial, mas a distinção se expressa através de outra terminologia: 
estruturas nucleares e transformadas. 
3. Componentes da gramática gerativa 
 
 De acordo com a Teoria Padrão – Chomsky (1965) – a gramática 
gerativa apresenta três componentes, a saber: o que sistematiza as regras que 
determinam os enunciados frásicos válidos ou permitidos – componente 
sintático; o que sistematiza as regras que definem a interpretação das frases 
engendradas pelo componente sintático – componente semântico 6, e aquele 
que determina as regras de combinação dos fonemas que estruturam os 
enunciados – componente fonológico. 
O componente sintático – o que nos interessa nesta síntese – é formado 
por duas partes: a base que é definidora das estruturas fundamentais (estrutura 
profunda)7; as transformações que permitem passar das estruturas 
fundamentais às estruturas de superfície8 dos enunciados, estes recebem 
interpretação fonética para assim tornarem-se concretamente realizados. 
 
 
 
 FRASE 
 
 
 
 
 
Ex: EP  det + roda + girar  ES [+ ]  “A roda girava.” 
 
 EP  det + noite + é + breve 
  det + noite + é + det + companheira 
 
  ES [+++] “A noite que é minha 
companheira é breve.” 
 
 
 
6 No primeiro modelo (1957) não havia nenhuma tentativa explícita de lidar com a semântica nem de 
integrar uma teoria semântica a uma teoria sintática.Isso só ocorreu com o segundo modelo, ou teoria 
padrão (1965), resultante em grande parte das teorias semânticas propostas por Katz e Fodor (1963) e 
Katz e Postal (1964). 
7 Podemos compreender EP como um sistema abstrato fundamental responsável pela interpretação 
semântica dos enunciados. A EP e subjacente e puramente intelectual. 
8 ES em oposição à EP é a organização externa dos enunciados que são determinados pela interpretação 
fônica, enquanto a EP é subjacente, a ES é manifesta e esta relacionada com a forma física do enunciado. 
EP 
 
 é interna 
 interpretação semântica 
abstrata 
 subjacente 
ES 
 
 externa 
 interpretação fonética 
 realização concreta 
 sobrejacente 
4. Gramaticalidade e aceitabilidade 
 
Para os gerativistas, cada falante é sabedor da língua que fala, ou seja, cada falante nativo 
possui uma gramática internalizada, daí podendo emitir julgamentos de gramaticalidade, 
sendo capaz de inferir se uma frase é aceitável ou não-aceitável.9 
 
Ex: (A) “Parecia uma fada que dormia ao luar...” (A. de Azevedo – Noite 
na taverna) 
 (B) “Fada uma a luar parecia que o dormia”  
 
A frase (A) é uma sentença perfeitamente gramatical, porém a frase (B) 
não reúne inteligibilidade por não respeitar as regras de sintaxe de colocação. 
Não obstante gramaticalidade e aceitabilidade serem postulados interpretáveis 
em matéria de graus, suas referidas escalas não coincidem, pois 
gramaticalidade liga-se à competência, e aceitabilidade une-se à atuação, por 
outras palavras, uma sentença, por mais gramatical que se mostre, pode ser 
inferida pelo falante como não-aceitável, e, por vezes, uma sentença aceita 
pelo falantepode apresentar menor grau de gramaticalidade; como diz Perini 
(1985:32) a aceitabilidade é um fenômeno essencialmente intuitivo, já 
gramaticalidade se refere necessariamente a uma gramática que está 
internalizada ou sistematizada lingüisticamente.: 
Ex: (1) “Não te vou dar nada disso” 
 (2) “Não vou te dar nada disso” 
 (3) “Vou retomar o prédio” 
 (4) “Vou retomar água” 
 (5) “O gato atropelou o carro” 
A frase (1) possui maior grau de gramaticalidade e menor grau de 
aceitabilidade; a frase (2) ao contrário, possui aceitabilidade maior e menor 
grau de gramaticalidade. A frase (3) é perfeitamente gramatical e aceitável, ao 
oposto da frase (4) que é inaceitável, mesmo sendo perfeitamente gramatical, 
caso que pode se aplicar também à frase (5). 
 
9 Os gerativistas entendem gramática como um conjunto de princípios responsáveis pela estruturação da 
língua, ou seja, um sistema finito de regras que engendram sentenças e determina a combinação entre a 
forma sonora e a interpretação semântica. É justamente esse sistema de regras que o falante autóctone 
internaliza e que permite a ele não só criar e compreender orações novas, mas também inferir se uma 
sentença encontra-se bem ou mal estruturada. (Ver, BORBA, 1979:24) 
Gramaticalidade, portanto, é mais abstrata, já aceitabilidade é mais 
objetiva e concreta, porque diz respeito apenas às frases perfeitamente 
naturais, compreensíveis. Podemos afirmar que toda frase agramatical é 
inaceitável, todavia nem toda frase inaceitável é agramatical. 
 
 
5. Marcadores de frase (Indicadores sintagmáticos)10 
 
Os marcadores de frase formam um esquema estrutural que subentende-
se a qualquer sentença realizada. Os indicadores sintagmáticos são 
conseguidos pela análise em componentes imediatos e são representados por 
gráficos, normalmente os diagramas em árvore. 
 
 
 
 
 
 
 
 
“O rato roeu a roupa do rei de Roma” 
 
1. O 
2. O SN + SV 
3. SN  Det + N 
4. SV  Vt + SN2 
5. SN2  Det + N + SP 
6. SP  prep + SN3 
7. SN3  Det + N + SP2 
8. Sprep2  prep + N 
 
 
Outros exemplos: 
 
1) “A aranha engoliu a mosca” 
 
 
10 Phrase marker 
F = frase 
SN = sintagma nominal 
SV = sintagma verbal 
SP = sintagma preposicional 
Det = determinante 
Mod = modificador 
Quant = quantificador 
Cóp = cópula 
V= verbo 
 = se reescreve 
1) O 
2) O SN + SV 
3. SN  det + N 
4. SV Vt + SN2 
5. SN2 det + N 
 
 
2) “ A casa não caiu” 
 
1. O 
2. O SN + SV 
3. SN det + N 
4. SV Vi + mod 
 
3) “Meu irmão precisou muito de mim” 
 
1. O 
2. O SN + SV 
3. SN  det + N 
4. SV  Vt + Sp + mod 
5. SP  prep + N 
 
4) “Quebraram o vidro da janela” 
 
1. O 
2. O SN + SV 
3. SN  
4. SV Vt + SN2 
5. SN2  det + N + SP 
6. SP  prep + SN3 
7. SN3  det + N 
 
5) “A casa e o carro foram vendidos pelo corretor” 
 
1) O 
2) O SN1+cóp+SN +SV 
3) SN1det+N 
4) SN2det+N 
5) SV Vi+SP 
6) SP prep+SN3 
7) SN3 det+N 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplos de diagrama arborescente (diagramas arbóreos) ou árvore 
genealógica da oração. 
 
Cada um dos pontos marcados por um símbolo ou uma palavra no diagrama 
constitui um NÓDULO DA ÁRVORE. O nódulo mais alto, representado pelo 
símbolo O, corresponde à raiz da árvore; as linhas que ligam os nódulos uns 
aos outros são OS RAMOS. Dizemos que um nódulo DOMINA outro quando o 
primeiro fica no caminho mais curto que liga o segundo à raiz, ou quando o 
primeiro corresponde à própria raiz. 
 
 
 
a) O fumo é extremamente prejudicial à saúde. 
 
 
 O 
 
 SN SV 
 
 cóp. SA 
 
 intens. adj. SP 
 
 pre. SN 
 
 
 Det. N Det. N 
 
 
 
 O fumo é extremamente prejudicial à saúde 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b) Os alunos desta turma ofereceram um jantar ao diretor. 
 
 
 
 
 O 
 
 SN SV 
 
det N Mod V SN SP 
 
 
 SP 
 
 Prep SN det. N prep. SN 
 
 Det N det N 
 
 
Os alunos desta turma ofereceram um jantar a o diretor 
 
 
 
Exercício 
 
Analise sintaticamente os enunciados abaixo, aplicando a fórmula 
estrutural O=S+P e depois faça a análise em diagrama arbóreo. 
 
1) Aquela garota tem habilidade para a pintura. 
2) Eu moro longe da escola. 
3) Demonstraram confiança em nós. 
4) O comerciante passou um cheque sem fundos. 
5) O gerente do banco precisará de algumas informações. 
6) A cidadezinha era pequena e antiga. 
7) Notei o diretor na platéia. 
8) Depois do intervalo encontramos a sala suja de papel picado. 
9) Esta comida não serve para consumo humano. 
10) Assisto em Manaus desde 1966. 
11) Fê-las com carinho. 
12) Anunciamos o fim do mundo. 
13) Havia lixo na praça inteira. 
14) Os bebês são deixados pelas cegonhas nas soleiras das portas. 
15) Já era quase noite. 
16) A crítica ao jornal revoltou os clientes. 
17) A crítica do jornal revoltou os leitores. 
18) Converse com seus filhos sobre assuntos polêmicos. 
19) Encontro-a às dez, na Praça da Independência, em frente às Lojas 
Associadas. 
20) Você e seus amigos vão querer repetir? 
21) A morte do cliente não impede que o médico cobre a conta. 
22) É certo que ele trará os refrigerantes para o almoço. 
23) A instrutora espera que você se esforce. 
24) O professor lembrou-se de que não havia feito a chamada. 
25) O problema é que todos me ouviram, mas ninguém me compreendeu. 
26) A aluna está convencida de que sua atuação foi péssima. 
27) Eu lhe disse apenas isto: que não se aborrecesse com ele. 
28) A criança, que é ingênua, deve ser bem orientada. 
29) A casa onde eles moram é antiga. 
30) Se ele treinasse, poderia ser campeão. 
 
 
 
AS TEORIAS LINGÜÍSTICAS DE CHOMSKY 
 
 As suas teorias lingüísticas propriamente ditas, tal como foram 
apresentadas no seu primeiro livro, Estruturas sintáticas (1957), e 
desenvolvidas nos seus Aspectos da Teoria da Sintaxe (1965), são 
suficientemente formais, apoiadas em regras matematizadas e indiferentes a 
idiossincrasias e intenções individuais para satisfazer os estruturalistas 
franceses mais exigentes. 
 
VERSÕES DIFERENTES DA GRAMÁTICA TRANSFORMACIONAL – 
SUCESSIVOS MODELOS 
 
As teorias lingüísticas de Chomsky sofreram muitas alterações desde que 
foram apresentadas pela primeira vez, causando nessa altura uma “ revolução 
na lingüística”. Diz-se por vezes que estão em grande ebulição. Isso não o 
incomoda: “uma ciênciaimatura, argumenta ele, tem inevitavelmente ritmos de 
mudança acelerado, mesmo nos seus princípios mais gerais“. 
 
 
1. A TEORIA CLÁSSICA ( apresentada no seu primeiro livro Estruturas 
sintáticas - 1957) - Nesse modelo, a gramática de uma língua é concebida 
como um mecanismo destinado a especificar as orações gramaticais da língua 
e associar descrições estruturais a cada uma delas.Ou seja, caberia a 
gramática distinguir as seqüências que são orações de uma língua das que não 
o são e especificar, em relação às primeiras, todas as informações gramaticais 
que um falante utiliza para produzi-las e entendê-las. 
 
 
2. A TEORIA PADRÃO - a aplicação do primeiro modelo chomskyano à 
descrição de diversas línguas naturais logo revelou a necessidade de 
profundas reformulações na Teoria proposta em Estruturas Sintáticas. Aos 
poucos, essas reformulações foram assumindo tal vulto, que deram origem a 
um novo modelo: Teoria Padrão da gramática transformacional 
Na Teoria Padrão, uma língua é encarada como “ um conjunto de orações, 
cada uma das quais com uma forma fonética ideal e uma interpretação 
semântica intrínseca associada”. A gramática de uma língua, por sua vez, é 
vista como “ o sistema de regras que especifica a correspondência de forma 
fonética e significado nessa língua”. 
 
A gramática continua a ser um mecanismo que especifica um conjunto infinito 
de descrições estruturais, um sistema de regras que, de alguma forma 
explícita e bem-definida, associa descrições estruturais às orações. Entretanto, 
as descrições estruturais assumem nova feição, servindo para determinar a 
forma fonética e o significado das orações e relacionar aquela a este. 
 
 
 3. A SEMÂNTICA GERATIVA 
 
 
A semântica gerativa é uma importante corrente transformacionalista que vem 
seguindo uma orientação profundamente divergente da adotada por Chomsky. 
Questionou-se fundamentalmente a centralidade e autonomia da sintaxe. 
Acreditavam os defensores da semântica gerativa que o componente central da 
gramática era a semântica e que a sintaxe cabia apenas o papel de relacionar 
as representações semânticas às estruturas superficiais. 
 
4. A GRAMÁTICA DOS CASOS 
 
No modelo da teoria padrão, as relações gramaticais básicas são definidas no 
nível de estrutura profunda. Esse ponto de vista foi rejeitado por Ross, Lakoff e 
Filmore (1966) que passaram a defender a tese de que as noções como sujeito 
e objeto direto não são funções da estrutura profunda, devendo-se 
reconhecer,no referido nível, funções de natureza inteiramente diferente; 
valores semânticos, ou “casos”, como agente, instrumento, origem, lugar e 
tempo. Teríamos assim, na estrutura profunda um conjunto de ‘casos”, razão 
pela qual a teoria desenvolvida pelo autor tornou-se conhecida como 
GRAMÁTICA DOS CASOS. 
 
 
 
 
 
 
 
5. A TEORIA PADRÃO AMPLIADA 
 
Reagindo contra a semântica gerativa e a gramática dos casos Chomsky 
elaborou novo modelo transformacional, a chamada TEORIA PADRÃO 
AMPLIADA, esboçada nos trabalhos que vieram a constituir os capítulos 4 e 5 
da segunda edição norte-americana de A Linguagem e a Mente ( 1972) e 
desenvolvida nos três trabalhos reunidos na obra Estudos da Semântica na 
Gramática gerativa, publicada no mesmo ano. 
Na convicção de que bastariam alguns reajustamentos para tornar 
adequado o modelo da teoria padrão, opôs-se Chomsky ás modificações 
radicais do referido modelo, propostas por diversos transformacionalistas, 
mantendo as teses fundamentais da teoria padrão em relação à independência 
da sintaxe, à natureza interpretativa da semântica e à existência de um nível 
independente de estrutura profunda. Reconheceu, entretanto, Chomsky que 
não mais era possível sustentar a Hipótese de Katz e Postal, impondo-se a 
conclusão de certos aspectos do significado são determinados pela estrutura 
superficial e talvez por outros níveis. 
Paralelamente à redução do papel da estrutura profunda na interpretação 
semântica,propôs Chomsky as seguintes inovações: 
a) o desdobramento da estrutura superficial em dois níveis – estrutura 
superficial sintática e estrutura superficial fonológica – interligadas por 
regras de reajustamento; 
b) o abandono da distinção entre categorias lexicais e traços, passando 
todos os símbolos da gramática a ser encarados como conjuntos de traços ( 
de modo que símbolos como SN e SV são agora considerados formas 
abreviadas de matrizes de traços; 
c) a adoção de novo enfoque da relação entre palavras cognatas, em 
termos da Hipótese LEXICALISTA, segundo a qual, grosso modo, as 
transformações não realizam operações de derivações morfológicas; 
d) a formulação de uma nova teoria das categorias sintáticas – A TEORIA 
DA BARRA X – para representar sistematicamente as semelhanças e 
diferenças entre as referidas categorias. 
 
A gramática de uma língua continuou a ser definida como um sistema de 
regras que expressa a correspondência entre forma fonética e significado na 
referida língua. Reconheceu Chomsky que muitos problemas continuavam sem 
solução na área da semântica, não tendo ainda sido possível formular uma 
teoria razoavelmente concreta ou bem definida de representação semântica. 
Ao propor o modelo da teoria padrão ampliada, partiu o autor do pressuposto 
de que seria possível, algum dia, elaborar um sistema de representação 
semântica, que viria completar o esquema necessário para caracterizar uma 
gramática em termos da maneira pela qual o sentido inerente de uma oração 
se relaciona com diversos aspectos da forma fonética da mesma. 
 
6. A TEORIA PADRÃO AMPLIADA E REVISTA 
 
 
 Em seus trabalhos mais recentes – “ condições de Aplicação das 
Transformações “ (1973), “Reflexões sobre a Linguagem” ( 1975), Questões de 
Forma e Interpretação (1975), ‘ Condições das regras Gramaticais’ (1976) e “ 
Filtros e Controle’ ( 1977) – Chomsky continua a usar a denominação TEORIA 
PADRÃO AMPLIADA para designar seu modelo transformacional, mas, em 
face do alcance das inovações introduzidas nas referidas obras, parece-nos 
que se impõe a adoção de novo termo para caracterizar a atual orientação do 
fundador da gramática transformacional : TEORIA PADRÃO AMPLIADA 
REVISTA. 
 As principais inovações do novo modelo chomskyano podem ser assim 
resumidas: 
a) a adoção de diversos mecanismos destinados a restringir as opções 
admissíveis na gramática transformacional; 
b) a adoção da tese de que a estrutura superficial é a base exclusiva da 
interpretação semântica; 
c) A extensão do modelo chomskyano para além dos limites da “ gramática 
da oração”, mediante a aplicação de novas regras de interpretação 
semântica; 
d) A ampliação do conceito de representação semântica; 
e) O deslocamento do processo de inserção lexical para a estrutura 
superficial; 
 
AS OUTRAS TEORIAS 
 
Existem outras teorias dissidentes da gramática gerativa: por exemplo a 
gramática lexical funcional, desenvolvida por Joan Bresnan e Ronald Kaplan 
que elimina as transformações sintáticas e considera as funções (sujeito, 
complemento...) como noções primitivas definidas independentemente do seu 
lugar na frase nesta ou naquela língua. 
A gramática lexical funcional participa numa corrente mais vasta de 
lingüística informática, a das gramáticas de unificação, que a partir dos anos 
80, recorrem maciçamente à lógica e à inteligência artificial. 
 Essa gramática leva à interpretação íntima da sintaxe, do léxico e da 
semântica, que o recurso à informática tornou necessário. 
 
INFLUÊNCIA EM OUTRAS CIÊNCIAS 
 
 Chomsky viu a função do lingüista de forma diferente da de seus 
predecessores. Sua visão de geração gramatical baseava-se na noção de um 
autômato - uma máquina em um sentido abstrato simplesmente gera cadeias 
lingüísticas com bases em regras que foram embutidas(programadas) dentro 
dele. 
 Embora não sendo tão certa sua contribuição para as ciências cognitivas 
com um todo, suas demonstrações da precisão matemática implícita na 
linguagem, sua modelação da importância da pesquisa guiada pela teoria e 
seus fortes argumentos a favor do mentalismo, do nativismo e da 
modularidade, tornam o seu trabalho insubstituível. 
 A psicolingüística teve uma grande influência de Chomsky. Nas últimas 
décadas a psicolingüística se tornou uma importante área de investigação, que 
abrange estudos da linguagem em crianças, de distúrbios da linguagem após 
situações de lesão cerebral, e do uso da linguagem em populações 
excepcionais como por exemplo a dos surdos. 
 
 
 
 
 
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