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Análise economico_Monografia_Faria Neto

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apresenta um crescente percentual de recursos em caixa, 5% na 
média dos três anos, porém eles ainda são insuficientes para liquidar suas 
obrigações de curto prazo, entretanto seu capital de giro apresenta-se capaz de 
liquidar suas obrigações de curto prazo, com uma folga financeira, revelando-se 
assim, sua capacidade de solvência. Toda essa capacidade de solvência poderia ser 
questionada em função da dependência do giro dos estoques, porém observa-se 
que a empresa apresenta percentuais baixos de dependência de estoques, e não 
haveria necessidade de liquidação deles para em caso de liquidação da companhia, 
honrar com o cumprimento das obrigações de curto prazo. Em relação à capacidade 
de liquidar suas obrigações de curto e longo prazo com terceiros, ela apresenta nos 
últimos três exercícios, uma folga financeira para honrar esses compromissos, 
consolidando sua alta capacidade de solvência. 
 No que tange a estrutura de capital, observa-se uma predominância de 
capitais de terceiros financiando os ativos da empresa, com destaque para os 
empréstimos e financiamentos bancários, que representam a maior participação 
percentual nas obrigações de curto e longo prazo, resultando assim, no aumento do 
fator de risco da empresa. Verifica-se também, uma maior concentração de suas 
obrigações para com terceiros no longo prazo, com destaque para os 
financiamentos bancários, que do ano de 2012 a 2014 sofreu uma variação 
percentual de 76,51%, indo de 27% do passivo em 2012 para 40% do passivo em 
2014. 
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 Os gastos adicionais impostos a companhia por ações fraudulentas ao longo 
dos anos, obrigou-a contrair empréstimos para financiar suas operações, e mesmo 
sendo empréstimos “bons”, uma vez que se concentram no longo prazo, não 
comprometendo o capital de giro da empresa, acabam por aumentar 
consideravelmente o fator de risco da companhia, devido à alta concentração de 
capital de terceiros financiando seus ativos. Outro fator agravante de risco, é o fato 
do caixa gerado nas operações normais da companhia, não se apresentarem 
suficientes para quitar suas obrigações onerosas, e nem o capital próprio ser 
suficiente para garantir a totalidade do capital de terceiros que financiam os ativos 
da companhia, porém há de se ressaltar que por mais que a empresa apresente 
uma predominância de capital de terceiros, apresenta também, uma folga financeira 
em caso de uma possível liquidação. O capital próprio não se apresentou suficiente 
para financiar os investimentos feitos no Ativo Permanente (Investimento, 
Imobilizado e Intangível) dos últimos três exercícios, o que caracteriza que o capital 
de terceiros de longo prazo está financiando os investimentos no Ativo Permanente. 
 Com relação à análise econômica, o retorno sobre o capital próprio investido 
na empresa apresentou uma grande queda, oriundo fundamentalmente do 
reconhecimento das perdas originadas nas ações fraudulentas investigadas pela 
Operação Lava Jato, onde no ano de 2014, apresentou um resultado negativo de 
mais de 100%, quando comparado com o mesmo resultado do ano anterior, e caso 
não houvesse esses gastos adicionais impostos a companhia, o retorno sobre o 
capital próprio continuaria a seguir a tendência de crescimento dos últimos anos, 
chegando a 9,30% em 2014, uma variação percentual de 41,12% se comparado a 
2013. As perdas decorrentes das ações fraudulentas também afetaram o retorno 
sobre os investimentos totais, onde a empresa passou a apresentar um baixo 
resultado, e um longo período de recuperação. Observa-se ainda, um índice não 
satisfatório para o giro do ativo, onde o retorno com as operações de vendas não 
são suficientes para cobrir os investimentos realizados no ativo, ou seja, em 2014 a 
empresa vendeu R$ 0,43 para cada R$1,00 aplicado na companhia. 
 A companhia apresenta uma melhora na lucratividade sobre o produto 
comercializado (Mark Up), de 4,06% em 2014, quando comparado a 2013, porém se 
comparado ao ano de 2012, apresenta uma queda de 3,36%. A Margem 
Operacional vem em constante queda nos últimos três anos, com destaque para o 
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ano de 2014, que devido ao reconhecimento das perdas, apresentou uma queda de 
182,88%, quando comparado a 2013. A Margem Líquida apresentou um 
crescimento de 1,34% de 2012 para 2013, porém a Margem Operacional foi afetada 
pelo reconhecimento das perdas, apresentando uma queda de 186,09% em 2014. 
Devido a todos os fatores que vêm minando a capacidade econômica da companhia, 
os ativos vem apresentando um baixo potencial de geração de riqueza, agravado 
pela baixa lucratividade, e consequentemente um longo período para o retorno do 
capital aplicado, o que pode não despertar interesse de potenciais investidores e 
novos acionistas a aplicarem recursos na empresa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Por tudo que foi apresentado ao longo deste trabalho, observou-se à 
importância da utilização de uma ferramenta da contabilidade, a análise das 
demonstrações contábeis. Através dela, buscou-se verificar qual a situação 
econômico-financeiro da Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras). Para isso, foi realizada 
uma análise econômico-financeiro de vários indicadores (endividamento, liquidez, 
rentabilidade), para se ter uma visão real da situação da companhia, que ao longo 
de 2014, vem sendo investigada pelo Ministério Público Federal, com o apoio da 
Policia Federal, sobre diversas irregularidades envolvendo empreiteiras e 
fornecedores, onde foi descoberto um amplo esquema de pagamentos indevidos, 
que envolvia um grande número de participantes, incluindo ex-empregados e 
políticos do alto escalão do país. 
 Para isso, foi realizado um estudo de caso na Petrobras, com base nas 
informações dos últimos três anos (2012, 2013 e 2014), onde foi feito a análise dos 
indicadores escolhidos e suas interpretações. A pesquisa permitiu responder ao 
problema inicialmente proposto, através dos objetivos que foram traçados e 
alcançados, pois ao longo desse estudo, pode-se constatar como está a sua 
situação após as ações fraudulentas. 
 Os indicadores mostraram que o ativo total reduziu seu crescimento, 
principalmente de 2013 para 2014; no passivo, a conta empréstimos e 
financiamentos (capital de terceiros) aumentou consideravelmente, devido a busca 
de capitais para manter os investimentos e sua estrutura; houve também, aumento 
no passivo não-circulante; o patrimônio líquido apresentou redução. Constatou-se 
também, que o endividamento cresceu ao longo dos anos analisados; a imobilização 
do capital próprio aumentou; a capacidade de quitar dívidas caiu; a rentabilidade da 
empresa caiu, assim como o retorno sobre o capital e o retorno sobre os 
investimentos. Todos esses indicadores pioraram, sobretudo no ano de 2014, ano 
que foram contabilizadas as perdas por ações fraudulentas. 
 Conclui-se que, o que levou a Petrobras a atual situação econômico-
financeiro em que ela se encontra, foram a má gestão de seus administradores, as 
ações fraudulentas, que vem tirando do seu ativo e fazendo com que ela busque 
cada vez mais capital de terceiros, como financiamento e empréstimos bancários, 
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para seguir investindo e mantendo sua enorme estrutura. Além disso, 
acontecimentos contribuíram para o agravamento da sua situação: a alta do dólar, 
pois a empresa é endividada em dólar e a moeda acumula alta de 52% sobre o real; 
por se tratar de uma empresa estatal, o governo vinha segurando a alta dos preços 
dos combustíveis; perda de valor de mercado, pois suas ações caíram devido a 
descoberta dessas ações fraudulentas; cotação baixa do petróleo nos mercados

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