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Aula 9 - Biogeografia de peixes

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Biogeografia de peixes 
 
Aula Angela Zanata adaptada por Daniela Coelho 
 Biogeografia = ciência que tenta documentar e entender 
padrões espaciais de biodiversidade; 
 
 
 Descobrir os padrões da distribuição atual das diferentes 
espécies, famílias, gêneros e então tentar entender como 
esses padrões estão relacionados à evolução dos diferentes 
grupos; 
 
 Como e por que as ictiofaunas diferem e como os 
diferentes peixes chegaram onde estão atualmente; 
O que é a Biogeografia? 
Padrões de Distribuição 
Distribuição disjunta 
endêmicas 
cosmopolita 
espécie humana, ratos, piolhos. 
Sugere irradiação 
pretérita (Gondwana) 
dos ancestrais. 
Entender os padrões de 
distribuição 
Filogenia 
História geológica 
da região Registro fóssil 
 Biogeografia Dispersionista; 
 
Escolas de pensamento: 
Dipersionista e Vicariância 
Uma espécie se origina em uma área particular ou centro de 
origem,e, se tiver sucesso, irá se espalhar a partir daquela área 
e colonizará novos ambientes, podendo dar origem a novas 
espécies. 
 Biogeografia de Vicariância 
Procura por padrões de distribuição compartilhados por vários 
organismos e argumenta que tais ocorrências são mais 
parcimoniosamente explicadas por eventos geológicos e 
climáticos extrínsecos do que por propriedades intrínsecas da 
história de cada organismo. 
 Biogeografia de Vicariância 
 Biogeografia de Vicariância 
 Biogeografia de Vicariância 
Exemplo: Família Lepisosteidae 
• Atualmente  águas doces ou salobras na Am. Central e do Norte; 
• Fósseis do Cretáceo - Europa, África, Índia e Am. do Sul; 
• Problema: uma espécie endêmica ocorre em Cuba e no Caribe; 
• Dispersionistas = ancestrais nadaram por mares do Caribe; 
• Vicariantes = surgiu antes de Cuba se separar da América Central; 
† † 
† 
† 
† 
Biogeografia de Peixes 
Marinhos 
 
 97% da água; 
 
 58% das spp. 
Água doce 
 
 0,0093% da água; 
 
 42% das spp. 
Biogeografia de Peixes Marinhos 
Fatores que afetam a distribuição 
1) Salinidade (35 por mil): não é a barreira principal; 
2) Temperatura: tropical, temperadas quentes, 
temperadas frias e frias; 
Principais regiões biogeográficas baseadas em temperatura. 
40% 
18,3% 
3) Forma das plataformas continentais e a estrutura 
dos recifes de corais – costeiras tropicais; 
 
4) Correntes oceânicas; 
 
5) Vastas distâncias através dos oceanos (barreiras 
para dispersão de spp. costeiras); 
 
 
Fatores que afetam a distribuição 
Amazonas 
6-10 m.a. 
Barreira Meso-Atlântica 
30 m.a. C. de Benguela 
2 m.a. 
12-18 Ma 
3,1-3,5 Ma 
CA 
Gibraltar 
Canal do 
Panamá 
6) História Geológica – barreiras oceânicas; 
Fatores que afetam a distribuição 
Amazonas 
6-10 m.a. 
Barreira Meso-Atlântica 
30 m.a. C. de Benguela 
2 m.a. 
12-18 Ma 
3,1-3,5 Ma 
CA 
Gibraltar 
Canal do 
Panamá 
6) História Geológica – barreiras oceânicas; 
Fatores que afetam a distribuição 
A interação destes fatores com a 
história geológica da uma região que 
afetam a distribuição dos peixes 
marinhos. 
Divisões da ictiofauna 
marinha 
 Divisões ecológicas; 
 
 Regiões biogeográficas; 
Características: disponibilidade de nichos, temperatura, 
salinidade, luminosidade… 
Divisões ecológicas 
Principais Regiões Biogeográficas 
Indo-Pacífico Ocidental 
(1) 
Pacífico Oriental 
(3) 
Atlântico 
Ocidental 
(2) 
Atlântico 
Oriental 
(4) 
Mediterrâneo 
Ártico 
Antártico 
1) Indo-Pacífico Ocidental 
 
2) Atlântico Ocidental 
3) Pacífico Oriental 
 
4) Atlântico Oriental 
Têm sido divididas de diferentes formas e seus limites geralmente são imprecisos 
e se sobrepõem. 
Indo-Pacífico Oc. 
4000 spp. 
Pacífico Or. 
1000 spp 
Atlântico Oc. 
1300 spp 
Atlântico Or. 
600 spp. 
Mediterrâneo 
540 spp. 
Ártico 
Antártico 
420 spp. 
Helfman et al, 2004; 
Floeter et al, in press 
Número de espécies 
1) Indo-Pacífico Oc. (4.000 spp.) 
 
2) Atlântico Oc. (1.300 spp.) 
3) Pacífico Or. (1.000 spp.) 
 
4) Atlântico Or. (600 spp.) 
1. Indo- Pacífico Ocidental 
– Fauna marinha mais rica, 1/3 das espécies marinhas de 
águas rasas, em torno de 4.000 spp. – vasta extensão; 
– Mais rica em recifes de corais; 
– Todas as famílias tropicais; 2 endêmicas: Sillaginidae e 
Siganidae; 
 
Sillago sihama 
(Índia) 
Siganus corallinus 
Indonésia - Bali 
Do leste da África do sul até o Mar vermelho, 
através da Indonésia e Austrália, sul do Japão 
e toda a Polinésia. 
2. Atlântico Ocidental 
- Em torno de 1.300 espécies; 
 
- Recifes de coral (16 a 24 gêneros de corais); 
 
- Diminuição com o afastamento dos trópicos; 
 
- Foz do rio Amazonas – barreira; 
 
-Grupos com diversidade máxima: 
peixe-sapo, Batrachoididae (2/3 espécies 
No Novo Mundo); 
Costas temperadas da América do Norte, através do 
golfo do México, costas tropicais do Mar do Caribe e 
costas tropicais e temperadas da América do Sul. 
Thalassophryne montevidensis 
3. Pacífico Oriental 
- Recentemente separada do Atlântico Ocidental = 3 m.a. 
(Panamá); 
Do Golfo da Califórnia até norte do Peru. 
- Fauna semelhante (gêneros) com 
Atlântico Oc.; 
 
- ~ 1.000 espécies (4 a 8 gêneros de 
corais); 
 
- Barreira Pacífico Oriental – limita 
movimento das spp – oceano aberto; 
 
-Maior endemismo - Ilhas Galápagos; 
4. Atlântico Oriental 
- ~ 600 spp. de peixes costeiros; 
- Quantidade esparsa de corais (4 a 8 spp.); 
- Sedimentos trazidos pelos rios Congo, Niger e Volta; 
- 25% da ictiofauna é compartilhadas com a região o Atlântico 
ocidental (ligação passada entre os continentes); 
Lutjanus agennes 
Pargo-africano 
(uma das poucas spp. 
a radiar) 
É a menor e a menos diversa das 4 regiões costeiras tropicais (plataforma 
continental de Cabo Verde até Angola). 
- Águas temperadas + frias; 
 
- Fauna depauperada (540 spp.); 
 
- Secas pretéritas extinguiram muitas 
espécies; 
Outras regiões – 
Mar Mediterrâneo 
- Estreito de Gibraltar – temperaturas mais baixas – barreira; 
 
- Canal de Suez (1869) – permitiu migração unidirecional 
para o Mar Mediterrâneo (52 spp. generalistas); 
Estreito de 
Gibraltar 
Mar Vermelho 
Mar Mediterrâneo 
- Ambientes rasos (até 200m); 
 
- 45% das spp.; 
 
- Temperatura: importantíssimo fator limitante; 
 
- Maior diversidade nos Trópicos e nos corais acima 
de 50m, com temperaturas variando de 18° a 23°C; 
Outras regiões – 
Litoral 
Biogeografia de Peixes de Água Doce 
Paracheirodon innesi 
“neon” 
Hydrocynus 
“peixe-tigre 
Africa Neoceratodus forsteri 
Chalceus 
Amazônia 
Fatores a considerar: 
- Produtividade: águas rasas, de alta 
produtividade primária (zona eufótica); 
 
- Isolamento: habitats muito mais 
isolados (aumenta taxas de especiação); 
Fluxo entre bacias só é possível 
por conexão ou acidente 
(enchentes); 
 
Dispersão muito lenta; 
Padrões antigos de distribuição mantidos; 
DIVISÕES: Tolerância ao sal (Myers, 1938) 
Primária – não toleram aumento da salinidade: Ostariophysi, 
Arapaimatidae, Osteoglossidae, Polycentridae e Lepidosirenidae; 
85 famílias – distribuição geográfica não pode ter sido feita 
através do mar; 
Secundária – alguma tolerância à água salgada: 
Cyprinodontoidei e Cichlidae - 11 famílias – distribuição pode 
refletir movimento através das águas costeiras ou através de 
pequenas