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UNIDADE 02 – DISCIPLINA DIREITO CIVIL V – DIREITO DAS FAMÍLIAS TEMA: DIREITO DE FAMILIA E AS RELAÇÕES DE PARENTESCO. Disposições gerais sobre as relações de Parentesco: Conceito Como verificamos na primeira unidade as pessoas unem-se em família, em virtude do vínculo conjugal ou da união estável, vínculos biológicos ou sócio afetivos. Pois bem, mas o que é parentesco? Na nossa ótica parentesco é a relação que vincula pessoas que possuem que descendem do mesmo tronco ancestral, ou seja, que esteja dentro da mesma linhagem de consanguinidade, assim como que se relacionam por vínculos de afinidade podendo ser oriundo de uma adoção ou de outra origem. “As relações de parentesco são identificadas como vínculos decorrentes da consanguinidade e da afinidade, ligando pessoas a determinados grupos familiares. Os vínculos por afinidade surgem, quando do casamento e da união estável, com os parentes do cônjuge ou do companheiro (CC 1.595)”, sendo que a afinidade tem por característica ser um vínculo de menor intensidade. (DIAS, 2011, p.345) Há de ressaltar, que o vínculo de parentesco, também, é um vínculo jurídico estabelecido por lei, o que causa como efeitos a imposição de direitos e deveres mútuos. Professor qual a importância do conhecimento acerca da relação de parentesco? Como reportado acima havendo relação de parentesco estará estatuído direitos e obrigações recíprocos entre os parentes, sejam de ordem pessoa e patrimonial, incluindo ainda proibições com fundamento em sua existência. Têm os parentes direito à sucessão e alimentos e não podem casar uns com os outros, na linha reta e em certo grau do colateral, como veremos adiante. Por fim, também, é de sua importância sabe se existe relação de parentesco em face de outros ramos do direito, em especial o processual, administrativo e o penal, com objetivo de atestar alguma causa de impedimento ou suspeição de práticas de determinados atos jurídico, além de outros campos do direito. Exemplo: art.447, §2º, do CPC/2015; art. 144, inciso III, IV e VIII, do CPC/2015; artigo 181, I e II, do CP, art. 14, §7, CF e Súmula Vinculante n° 13, do STJ.. Espécies O parentesco é dividido em linhas – que chamaremos de reta ou colateral – que dirá a vinculação de um parente a outro de acordo com tronco ancestral. Mas, a doutrina ou a lei classifica em espécies as relações de parentesco? Sim, podemos simplificar nas seguintes espécies que passamos a aduzir: Parentesco natural/ Genético/Biológico: é aquele que se origina da consanguinidade, decorrentes de fatores biológicos. Que é previsto no art. 1.593 do CC. Parentesco Civil/ Derivado: que deriva do instituto da adoção legal, isto é, o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consanguínea, independentemente dos laços de sangue, bem como da adoção sócio afetiva, “aquela que não demandou adoção legal, mas o vínculo afetivo, emocional, liga estas pessoas de tal modo que torna-se impossível separá-lo da convivência cotidiana. É o caso, por exemplo do homem que acredita ser seu um filho que nasceu na constância do casamento e descobre que não o é e a mãe quer se separar e voltar para o pai biológico da criança, mesmo já se passando alguns anos de convivência. Estes anos de convivência, com aquele que pensava ser o pai e não o era, fizeram com que o amor estreitasse a relação entre este filho e este pai de tal modo que ele sinta ser impossível deixar de amá-lo”. Este parentesco, portanto, deriva de uma criação legislativa, sendo que encontra seus fundamentos no art. 227, §6º, da CF. Importante enfatizar que o filho adotado possui o mesmos direitos que os filhos biológico, em razão do princípio da Isonomia. Parentesco por afinidade: é a relação oriunda do casamento ou da união estável, que seja ela heterossexual ou homossexual. A relação de parentesco em comendo produz variados efeitos, a exemplo dos impedimentos para o casamento. Destarte, os parentes dos cônjuges ou dos companheiros, quer sejam eles ascendentes ou descendentes, acabam-se incorporando ao outro cônjuge. Exemplo: Imagine que Maria casa com Beto. Neste caso os pais de Maria (Sr. Antônio e Sra. Joaquina), acabam-se incorporando aos parentes de Beto. Segundo Maria Berenice a relação por afinidade associava-se apenas ao casamento, mas, com a constitucionalização da união estável, a lei estendeu-lhe os vínculos de afinidade, conforme art. 1.595, do CC: “cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade”. Alerta a doutrinadora que no casamento é fácil entender quando inicia o vínculo por afinidade que é a partir da celebração do matrimonio. Por sua vez, na união estável só se constituirá o vínculo por afinidade com o passar do tempo, se faz necessário um estágio de convivência e o atendimento dos pressupostos legais do art. 1723, do CC. É válido desta que os parentes por afinidade não são equiparados aos parentes consanguíneos. Todavia, possuem equiparam-se no que se refere as linhas e graus como veremos adiante. Conforme alerta, Maria Berenice, 2011, p.351, dissolvido o casamento ou a união estável, o vínculo de afinidade não se dissolve integralmente. Permanece com relação aos parentes em linha reta. Nem a morte solve o vínculo de afinidade: não existem “ex-sogra”, ex-sogro” ou “ex-enteado”. Relação de parentesco Sócio afetivo: Ao olharmos o art. 1593, do Código Civil, este dispositivo utiliza a expressão “outra origem”, o que nos dizeres de Carlos Roberto Gonçalves, 2018, p. 302, “abre o espaço ao reconhecimento da paternidade desbiologizada ou socioafetiva, em que, embora não existam elos de sangue, laços de afetividade que a sociedade reconhece como mais importantes que o vinculo consanguíneo” . No REsp 1.078.285-MS, 3ª t., REL. Min. Massami Uyeda, DJ,18-8-2010, STJ: julgou que aliás o vínculo sócio afetivo prevalece sobre o vínculo biológico. Assim como no REsp 1.000.356-SP, 3ª T., rel. Min. Nancy Andrighi, j. 25-5-2010, quer firmou entendimento que a maternidade socioafetiva deve ser reconhecida, mesmo no caso em que a mãe tenha registrado a filha de outra pessoa como sua. Porém, preservando os direitos dos pais biológicos. Nesta modalidade, comporta também o reconhecimento da dupla parentalidade, também chamada de multiparentalidade, baseada na socioafetividade. O que é a multiparentalidade ? É a situação em que um individuou possua dois pais ou duas mães em um único registro civil, ou seja, no registro constara o nome da mãe biológica com a socioafetiva, bem como o nome do pai biológico com o socioafetivo. Curiosidade: Professor CARLOS ROBERTO GONÇALVES, 2018, P. 305, reporta um caso curioso que aconteceu na Cidade de Cuiabá, onde um casal formado por duas mulheres conseguiu na Justiça o direito de registrar o filho biológico de uma delas como tendo duas mães. Elas viviam juntas havia 10 anos e decidiram ter um filho, Uma delas gerou a criança, em comum acordo com a companheira, por meio de fertilização in vitro, com sêmen de um doador anônimo. Após o nascimento da criança o casal pleiteou em juízo a declaração de que a mulher que não gerou o menino figurasse também como mãe do menor. O Juiz da Vara de Família, que deferiu o pedido, frisou que prevalece, in casu, não a opção sexual da pretendente à adoção, mas o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, nos termos do art. 43 do Estatuto da Criança e do Adolescente, aduzindo que o menino, além de ter no registro de nascimento o nome das duas mães, passa a ter o sobrenome de ambas. Portanto, a multiparentalidade consiste no fato de o filho possuir dois pais ou mães reconhecidos pelo direito, o biológico e o socioafetivo, em função da valorização da filiação sócio afetiva. O destacado doutrinador, aponta que o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado no dia 21 de setembro de 2016, negou pedido de reconhecimento da preponderância da paternidade socioafetiva sobre a biológica, fixando tese de repercussão geral nestes termos: “a paternidadesocioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios. A decisão admitiu a multiparentalidade, com a manutenção dos pais afetivos e biológicos. Proclamou a referida corte que a de pai socioafetivo não tira deveres do pai biológico, como o depagar alimentos. (STF, RE 898.060, rel. Min. Luiz Fux, disponível em Revista Consultor Jurídico, 22-9-2016). DICA DO PROFESSOR: recomendamos a leitura do informativo n° 581, do STJ, com comentário do professor MARCIO ANDRÉ LOPES CAVALCANTE, acerca do reconhecimento de paternidade socioafetiva “post mortem” (após a morte), para entender sobre a parentalidade socioafetiva. Linhas e graus Iremos comentar um pouco agora sobre linhas e graus de parentesco. Desta feita, passamos a conceituar linha de parentesco, que é a identificação da vinculação da pessoa a partir de um ancestral comum. No direito temos a classificação de parentes em linha reta e parentes colaterais. O que são os parentes em linha reta? Parentes em linha reta são os as pessoas que descendem uma das outras. Na inteligência do art. 1591, do Código Civil conceitua que “são as pessoas que estão uma para com as outras na relação de ascendentes e descendentes, tais como bisavô, pai, filho, neto e bisneto. A linha reta ascendente (GONÇALVES, 2018) é quando se sobe de determinada pessoa para os seus antepassados (do pai para o avô e etc.). Toda pessoa, sob o prisma de sua ascendência, tem duas linhas de parentesco: a linha paterna e a linha materna. Essa distinção ganha relevância no campo do direito das sucessões que adota, para partilhar a herança, o modo denominado “partilha in líneas”. A linha ascendente, depois de bifurcar-se entre os ascendentes do pai e os ascendentes da mãe, prossegue em sucessivas bifurcações, pois cada pessoa se origina de duas. Por Isso, fala-se em “Árvore genealógica”. Veja a gravura abaixo: A linha reta descendente (GONÇALVES, 2018), é contando de cima para baixo, se quisermos verificar alguém mais jovem, repercutindo também no direito sucessório, quando ao modo de partilha de herança. Verificamos a linha descendente na imagem abaixo: Portanto, existem parentesco em linha reta quando os indivíduos descendem diretamente do outro (art. 1591, CC). Não há limites para o parentesco em linha reta por isso a contagem de graus é infinita. A cada geração, contamos um grau (art. 1594, CC). Assim, pais e filhos tem parentesco em linha reta de 1º grau, avôs e netos de 2º grau e assim por diante. O que são os parentes em linha colateral/transversal ou oblíqua? São aqueles parentes que não descendem diretamente um do outro, O que une os colaterais é a existência de ao menos um ascendente em comum. O Art. 1592, do CC, informa que “são parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma da outra”, ou seja, o parentesco na linha colateral determina a partir de um tronco comum entre as pessoas envolvidas, sem que estejam ligados por uma descendência direta entre si. Estabelece o parentesco através de um ponto de interseção. Também independente do laço genético. Exemplos irmãos, dos tios e sobrinhos e dos primos. O parentesco colateral encerra-se no quarto grau, conforme o artigo supramencionado. Os irmãos são parentes em segundo grau na linha colateral. Tios e sobrinhos são parente colaterais de terceiro grau, enquanto os sobrinhos-netos, tios-avós e primos são parentes colaterais em quarto grau. Além desse supra referidos, existem outros graus de parentesco, mas, para efeitos jurídicos, só é reconhecido o vínculo até o quarto grau. (DIAS, 2011, p.349) Está certo, entendi o que são as linhas de parentesco, mas o que vem a ser os denominados Grau? São os números de gerações que separa os parentes; Há de ressaltar que se conta de forma diferente os graus de gerações da linha reta para a linha colateral. Com relação a linha reta, conta-se o grau de parentesco pelo número de gerações que os separam. Calcula o intervalo entre uma geração ou outra. Assim, pai (A) e filho (B) são parentes na linha reta em primeiro grau; avó (A) e neto (C) são parentes em segundo grau; bisavô (A) e bisneto (D) são parentes na linha reta em terceiro grau, e assim por diante. (Dias, 2011, p.349) Veja, a imagem abaixo: Com relação a linha colateral a contagem faz-se também pelo número de gerações. Parte-se de um parente situado em uma das linhas, subindo-se, contando as gerações, até o tronco comum, e descendo pela outra linha, continuando a contagem das gerações, “até encontrar o outro parente” (CC, art. 1594). Trata-se do sistema romano de contagem de graus de linha colateral. Assim, irmãos são colaterais em segundo grau. Partindo-se de um deles, até chegar ao tronco comum conta-se uma geração. Descendo pela outra linha, logo depois de uma geração já se encontra o outro irmão. Tios e sobrinhos são colaterais em terceiro grau: primos, em quarto. No caso dos primos, cada lado da escala de contagem terá dois graus. Também são colaterais de quarto grau os sobrinhos-netos e tios-avôs, hipótese em que um dos lados da escala terá três graus, e o outro um. O parentesco mais próximo na linha colateral é o de segundo grau, existente entre irmãos. Não há parentesco em primeiro grau na linha colateral, porque quando contamos uma geração, anda estamos na linha reta. Para a contagem dos graus, como se observa, utiliza-se sistema segundo o qual o ascendente comum não é incluído na contagem. Denomina-se irmãos germânicos ou bilaterais os que tem o mesmo pai e a mesma mãe; e unilaterais os irmãos somente por parte de mãe (uterinos) ou somente por parte do pai (consanguíneos). O Código Civil regulamenta, nos arts. 1841 a 1843, os direitos sucessórios dos irmãos germânicos e unilaterais. A linha colateral pode ser igual (como no caso de irmãos, porque a distância que os separa do tronco comum, em número de gerações, é a mesma) ou desigual (Como no caso do tio e sobrinho, porque este se encontra separado do tronco comum por duas gerações e aquele por apenas uma). Pode ser também dúplice ou duplicada, como no caso de dois irmãos que se casam com duas irmãs. Neste caso, os filhos que nascerem dos dois casais serão parentes colaterais em linha duplicada. Podemos verificar o grau de parentesco dos parentes colaterais, conforme a figura abaixo, senão vejamos:b Deste modo, podemos resumir os graus de parentesco da seguinte forma: Ascendentes 1° Grau: Pai e Mãe 2° Grau: Avô e Avó 3° Grau: Bisavô e Bisavó 4° Grau: Trisavô Descendentes 1° Grau: Filho e Filha 2° Grau: Neto e Neta 3° Grau: Bisneto e Bisneta 4° Grau: Trineto Em Linha Colateral 1° Grau: Ninguém pois para "chegar" aos irmãos e necessário, antes, passar pelos, que são parentes em linha reta. 2° Grau: Irmão e Irmã 3° Grau: Tios, Tias (Maternos e Paternos), Sobrinhos e Sobrinhas. 4° Grau: Primos, Primas, Tios, Tias, Avós, Sobrinhos-netos e Sobrinhas-netas. Efeitos Jurídicos (arts. 1.591 a 1595, CC): As relações de parentesco são de suma importância, porque delas resultam direitos obrigações e restrições. Do parentesco surgem os efeitos mais variados, no âmbito do direito de famílias, verificamos impedimentos no matrimonio (proibindo a celebração de casamento entre determinadas pessoas ligadas pelo parentesco), instaura o poder familiar, gera o dever de prestar alimentos, é possível falar em regulamentação de guarda e visita de parentes, conforme, art. 1589, CC, como a visitação avoenga (avós), sendo permitido em relação aos tios, irmãos e, igualmente, ao padrasto ou madrasta, No que se refere ao direito sucessório, confere o direito à herança. (FARIAS e ROSENVALD, 2012, p. 599 e 600) Observe-se que os parentes em linha reta sofrem algumas restrições no direito brasileiro, a exemplo da proibição de o ascendente adotar o descendente (art. 42, §1, do ECA) ou da vedação ao casamento ente si (art.1.521, inciso I, do CC) Da mesma forma, a Consolidação da Leis do Trabalho (arts. 801, “c”, e 829, respectivamente) e o Código de Processo Civil de 2015 (arts. 144, inciso III e IV, e 457) estabelecem restrições, em função do grau de parentesco, á atuação no processo como magistrado ou testemunha. O próprio Código Civil brasileiro restringe, na compra e venda, relação jurídico-negocial ente ascendente e descendente, considerando-a anulável, nos termos do art. 496. Observam-se, da mesma maneira que no parentesco em linha reta, restrições ao exercício de direitos e prerrogativas em função do parentesco em linha colateral. Nesse contexto, não podem adotar os irmãos do adotando (art. 42, §1, do ECA), havendo vedação matrimonial também para casamento entre colaterais (art. 1.521, inciso IV, do CC). Tais limitações, normalmente, podem ser encontradas nos mesmo dispositivos que se referem ao parentesco em linha reta, como, por exemplo, as mencionadas restrições, em função do grau de parentesco, à atuação no processo como magistrado ou testemunha, existentes na Consolidação da Leis do Trabalho (arts. 801, “c”; e 829, respectivamente) e no Código de Processo Civil de 2015 (arts. 144, inciso III e IV e 457) Vale destacar que não existe qualquer tratamento diferenciado entre as modalidades de parentesco. Desse modo, mesmo no parentesco por afinidade não gera, necessariamente, as mesmas obrigações que o parentesco natural ou o parentesco civil, pensamos que as restrições válidas para essas duas [ultimas modalidades também deveriam ser aplicáveis à primeira. Isso porque o fundamento das restrições estaria na preservação de interesses de terceiros que estabelecem relações jurídicas, tanto de direito material quanto processual com um dos parentes, como uma garantia da moralidade e impessoalidade, evitando-se favorecimento indevidos, calcados na intimidade e conhecimento pessoal. (Gaglia e Filho, 2017, vol. Único, p. 1380 a 1381) Afinidade Relembrando o parentesco por afinidade é vinculo criado pelo casamento ou pela união estável, que une cada um dos cônjuges ou companheiros aos parentes do outro (artigo 1595 CC). Dessa forma, a pessoa que se casa ou vive em união estável adquire o parentesco por afinidade com os parentes do outro cônjuge ou companheiro. O parentesco que existe é entre cada um dos conviventes ou cônjuges e a família do outro. Limita-se, em linha reta, aos ascendentes da esposa(o) ou companheira(o), ou seja, sogro e sogra e, também, em relação a eventuais descendentes de um dos parceiros, quais sejam, os enteados. Embora digam popularmente que “cunhado não é parente” tal premissa está errada vez que os irmãos do cônjuge ou companheiro também possuem parentesco por afinidade, só que na linha colateral. (art.1595, §1, CC) Por maior que seja a aproximação afetiva com aquele que está casado com o cunhado ou cunhada, chamados no saber popular como “concunhados”, não existe, no direito civil, qualquer consequência jurídica para tal relação. A ligação é apenas como o irmão do esposo ou convivente e não com quem esteja casado ou união estável com ele. O parentesco por afinidade poderá ser visualizado no gráfico a seguir: Na separação judicial, o vínculo por afinidade não é afetado. Extingue-se com o término do casamento (morte ou divórcio), porém a afinidade em linha reta é sempre mantida, trazendo impedimento absoluto para o casamento (art. 1521, inciso II, CC), o que também se aplica à união Estável (artigo 1.723, §1, CC). Assim, por mais estranho que pareça o ex-genro não poderá casar-se com a ex-sogra, da mesma forma que a ex-enteada não poderá manter relacionamento com o ex-padrasto. (Conrado Paulino de Rosa, 2017, p. 245 a 246) Igualdade de direitos dos filhos resultantes de qualquer origem A filiação é a relação jurídica existente entre ascendentes e descendentes de primeiro grau, ou seja, pais e filhos. Tal relação é regida pelo princípio da igualdade entre os filhos (art. 227, §6º, da CF/1988, e art. 1596 do CC). Tartuce, Flávio, 2018, p. 1519. Veja, que a igualdade entre os filhos decorre do princípio da isonomia, mas, sobretudo o do princípio da dignidade humana, sendo que a igualdade entre os filhos é absoluta, não pode existir distinções, independentemente da forma de filiação. Em outras palavras, não pode beneficiar o chamado filho legitimo ou penalizar o denominado filho ilegítimo. Não se admitindo quaisquer adjetivações pejorativas. O direito de família moderno tem como a principal característica a aplicação do princípio da afetividade, visando proteger a todas relações familiares decorrentes do vínculo afetivo, assim sendo o destacado princípio fez nascer a igualdade entre irmãos biológicos e adotivos, bilaterais (germânicos) ou unilaterais, priorizando o respeito a seus direitos fundamentais. Embora, tenhamos a proteção da Carta Magna a igualdade entre os irmãos, ainda, verificamos alguns resquícios discriminatório em nosso ordenamento, senão vejamos: O estabelecimento de presunção de paternidade para os filhos que procedem do matrimonio, enquanto são estabelecidos critérios para o reconhecimento judicial ou voluntário aos filhos havidos fora do casamento, e para adotados, requisitos para sua efetivação Verificamos que o art. 1.697 e 1841, do CC, que é de duvidosa constitucionalidade, uma vez que diferencia os irmãos germanos dos unilaterais. Além do art. 1611, do CC, que é totalmente inconstitucional. As filiações não biológicas, em especial a adoção, aí incluída a adoção à brasileira, e a fecundação artificial heteróloga geram, segundo a doutrina (Gonçalves, 2008, p. 359; Diniz, 2007, p. 494), três efeitos pessoais principais: - Estabelecimento do poder familiar: com a instituição do vínculo de filiação o filho “civil” é equiparado ao “consangüíneo” sob todos os aspectos, estando sujeito ao poder familiar; - Criação dos vínculos de parentesco: o nascimento do vínculo faz surgir o parentesco entre adotante e adotado, em tudo equiparado ao consangüíneo; - Nome: o surgimento do vínculo dá ao filho o direito de usar o sobrenome dos pais. Percebe-se, portanto, que os direitos pessoais conferidos aos filhos não biológicos, no momento em que é estabelecido o vínculo de filiação, são justamente os mesmos conferidos aos filhos ditos naturais. Deste modo, aos filhos não biológicos estão assegurados todos os direitos pessoais inerentes aos filhos consanguíneos. Assim sendo, pode-se dizer que, no que tange aos direitos personalíssimos, foi alcançada a plena igualdade entre os filhos. Assim como existem os direitos pessoais inerentes à relação de filiação, este parentesco também faz surgir direitos patrimoniais. Pode-se dizer que, em consonância com Gama (2008, p. 468), os dois principais efeitos patrimoniais são o direito à alimentos e o direito à sucessão. Como não poderia deixar de ser, o estabelecimento do vínculo de filiação civil faz nascer justamente esses dois efeitos, em tudo igualando os filhos biológicos aos não biológicos, uma vez que todos são apenas filhos. Consoante Gonçalves (2008, p.361), \com relação ao direito sucessório, todos os filhos concorrem, em igualdade de condições com os filhos de sangue, em razão da paridade estabelecida pelos arts. 227, §6º da Constituição. Como afirma Diniz (2007, p. 476), para efeitos sucessórios, os filhos de qualquer natureza são equiparados, havendo, assim, direito sucessório recíproco entre pais e filhos reconhecidos, pois tanto os ascendentes como os descendentes são herdeiros necessários. Deste modo, o filho reconhecido concorre em pé de igualdade com os irmãos havidos na constância do casamento, herdando quinhão igual ao que couber aos demais filhos. BIBLIOGRÁFIA: DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. 5º volume: direito de família. 22ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2007. FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil: Parte Geral e LINDB, 10 ª Ed. Salvador: JusPodivm, 2012, Vol.I. GAMA, Guilherme Calmon Nogueira da. Direito civil: família. São Paulo: Atlas, 2008. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro. Volume VI: direito de família. 5ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2008. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil 1: Esquematizado, 3ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil, 8ª Ed. São Paulo: Método, 2018, Vol. Único.