Resenha do documentário  - O Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais - Cap 1
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Resenha do documentário - O Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais - Cap 1


DisciplinaProdução de Rádio, Tv e Cinema6 materiais276 seguidores
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No estranho planeta dos seres audiovisuais
A série idealizada por Cao Hamburguer e transmitida na TV futura em 2009, discute e estuda a relação do ser humano com o audiovisual desde a produção ao consumo de conteúdos audiovisuais, os diretores Paulino Caruso e Teodoro Popovich utilizam um estilo bastante humorístico para tratar do assunto através dos personagens: Homem das cavernas, espectadores gordinhos e bobos, uma família iraniana, entre outros, inclusive foi alvo de críticas por uso desses estereótipos representados de forma um tanto preconceituosa e generalista. O programa tem 16 episódios, a resenha é apenas do episódio piloto que introduz o tema.
Um ponto interessante da série televisiva foi a escolha da apresentadora, a Ana representada pela atriz Maria Laura Nogueira. Foi uma boa sacada da produção escolher alguém que tem as características que serão abordadas no programa. A atriz escolhida é uma mulher comum que vive filmando e compartilhando coisas banais do seu dia-a-dia, algo ainda mais presente nos dias de hoje, dez anos depois. É possível que sejam características do personagem criado, mas o fato de gerar identidade com o telespectador já é muito positivo.
O objetivo do documentário além de buscar entender a mania do ser humano por imagens em movimento foi também tentar descobrir para onde vai essa profissão e esse mundo imagens e som. É apresentado uma linha histórica do audiovisual, a começar por seus primórdios lá na pré-história. O primeiro entrevistado da série, Arlindo Machado afirma que o homem sempre teve a necessidade de representar a vida e isso se percebe já com o homem das cavernas que registrava imagens em movimento nas paredes da caverna. Então fica a pergunta o audiovisual sempre existiu? Não necessariamente, o que na verdade sempre fez parte da natureza humana, como explica o pesquisador citado, foi esse desejo de captar uma imagem que seja frequente no seu dia-a-dia, seja através de pinturas, desenhos, mais tarde fotografia, e mais tarde acrescentando movimento e som, tudo para ter uma certa compreensão do real.
 Muito tempo depois no século XIX, com avanços tecnológicos passamos a captar imagem em movimento e som, o homem começa a pensar audiovisualmente. A imagem deixa de ser um simples detalhe de ilustração, o espectador antes passivo se torna ativo tanto na produção como na recepção desses conteúdos, pois ele interage e há mais formas de execução.
Essa geração que nasceu com a tecnologia foi educada a pensar audiovisualmente desde criança, quanto mais jovem mais afinidade com o audiovisual, por isso a compreensão ainda que básica de planos de enquadramento. Sem contar que não existe idade para começar um aprendizado teórico, a participação no mundo audiovisual não se restringe a profissionais da área, basta ter interesse e um celular na mão, sem entrar no mérito da qualidade da ideia, relevância do conteúdo e performance.
Um outro entrevistado foi o cineasta e produtor brasileiro Fernando Meireles, com vasta experiência em televisão, cinema e internet, falou da democratização do audiovisual provinda da tecnologia, tudo se tornou mais acessível. Para o jovem diretor de cinema Esmir Filho a internet é um terreno incerto, pois tem menos ídolos e mais gente criando e disponibilizando conteúdos audiovisuais para um público de diferentes nichos. O premiado diretor brasileiro define o audiovisual como uma forma de exercitar o olhar sobre o mundo.
E o futuro desse universo de imagens e sons na visão dos entrevistados é algo mais integrado, uma convergência das mídias, o que o Esmir chama de soma da segregação (Tv, Internet...). Também a democratização desses conteúdos, com mais coisas disponíveis na internet e maior participação do público.