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Fundamentos Sócio Históricos da Educação

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e pela Revolução 
Industrial, foi o marco da instalação definitiva da sociedade capitalista. 
A Revolução Francesa, ao derrubar o antigo regime de governo, destituindo a monarquia 
absolutista, vai também reformular toda a sociedade feudal. Se a monarquia absolutista 
assegurava privilégios a um pequeno grupo, os nobres, a nova sociedade deu poderes à classe 
da burguesia, então em formação. 
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Ao mudar a estrutura do Estado e abolir a antiga forma de sociedade, esta Revolução 
reformou profundamente os hábitos, costumes e instituições, além de promover grandes 
mudanças na economia, política, cultura, religião, etc. 
Já a Revolução Industrial modificou as estruturas econômicas e as relações de trabalho, 
implantando o capitalismo. A desintegração dos costumes e das instituições, a introdução de 
novas formas de organização social, a rápida urbanização e o aparecimento de novas classes 
sociais, em especial o proletariado, vão ter consequências trágicas: o aumento da prostituição, do 
suicídio, do alcoolismo, do infanticídio, da criminalidade, da violência e da propagação de 
doenças, como tifo e cólera. 
Todas estas mudanças que afetavam a sociedade colocaram-na na posição de um 
“problema” a ser investigado. Os pensadores procuravam formas de compreender estas 
transformações, buscando descobrir formas de agir, para manter ou modificar a sociedade. 
Se retornarmos um pouco na história do nascimento da Sociologia, veremos que até o final 
do século XIX, o conhecimento ou estudo da sociedade foi feito por “amadores”, segundo 
Berthelot (1991, p.33) Ele assim os denominava porque os pesquisadores que se dedicavam aos 
estudos sobre a sociedade não tinham estudos na área. Ele cita como exemplos Villerné (médico), 
Tocqueville (magistrado), Marx (jornalista), Engels (diretor de empresa), Comte (matemático). 
Da mesma forma, as entidades que os apoiavam tinham uma orientação ideológica e 
militante e pouca base científica. 
Estes pesquisadores, apesar de não serem especialistas na área, eram pessoas que se 
envolviam profundamente com os problemas sociais e políticos e buscavam respostas intelectuais 
para as novas situações sociais. 
Respostas que não encontravam utilizando as ciências da época. Conceberam, então, a 
ideia de que era necessário criar uma nova ciência, que permitisse analisar os fatos que ocorriam 
na sociedade de forma mais concreta. Pretendiam assim poder compreender e reorganizar a 
sociedade e para isso precisavam de uma ciência das sociedades. 
Foi somente após 1880, que surgiram as revistas científicas que se tornaram o veículo de 
trocas e confrontações, dando um caráter científico à Sociologia, ainda em nascimento. A partir de 
1895, surgiram sociedades de Sociologia nos Estados Unidos, em Bruxelas, na Bélgica (1900), 
em Londres, na Inglaterra (1903) e na Alemanha (1909). Mas, apesar do primeiro Curso de 
Ciências Sociais ter surgido em Bordeaux, na França, em 1887, foi somente em 1907 que esta 
ciência passa a ser ensinada na Inglaterra e em 1914 na Alemanha. 
Assim, a Sociologia adquire sua autonomia e institucionalização lentamente, entre o final 
do século XIX e o início do século XX. 
No Brasil, a Sociologia aparece de forma institucional a partir de 1920, tendo sido a 
Sociologia da Educação introduzida nas Escolas Normais, como disciplina obrigatória, a partir das 
reformas educacionais estaduais. 
A intenção desta introdução da Sociologia da Educação era dotar os professores de uma 
base científica que lhes permitisse colaborar para o processo de transformação do sistema 
escolar brasileiro. Essa opção pela Sociologia da Educação vai diferenciar o Brasil dos demais 
países latino-americanos, onde a Sociologia aparece por meio dos Cursos de Direito. 
A Sociologia, no Brasil será fortemente influenciada pela Sociologia Francesa, na sua 
origem e, posteriormente, pela Sociologia Americana. 
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1.3. CONCEITO 
 
O termo Sociologia apareceu pela primeira vez na 47ª lição do “Curso de Filosofia 
Positiva”, de Auguste Comte, cuja publicação ocorreu entre 1830 e 1842. Foi Comte que estudou 
e apontou a especificidade do social e que estabeleceu a supremacia do social sobre todas as 
demais áreas do saber. Propôs, também, uma “teoria geral do conhecimento” necessária à própria 
teoria das ciências. 
Sua teoria social vai ser exposta no último dos seis volumes do “Curso de Filosofia 
Positiva”, na França. 
Comte criou a palavra Sociologia (do latim socius = associado e do grego logos = estudo) 
porque não acreditava na aplicação dos estudos de probabilidades no campo dos fenômenos 
sociais. Ele criou, então, o termo Sociologia em substituição ao de “física social”, como reação aos 
trabalhos de Adolphe Quételet. 
Quételet utilizava a noção de física social a fim de designar os trabalhos de estatística 
aplicados à criminologia e à demografia. Ele compreendia que os fenômenos ligados à sociedade 
seguiam uma determinada lógica e repetiam-se com uma frequência que permitia que fossem 
utilizados cálculos estatísticos para compará-los e analisá-los. 
Para Comte, apenas a Sociologia pode analisar e compreender como nasceram as demais 
ciências que se formaram antes ou depois dela. Por esta razão, ele julgava que a Sociologia era a 
rainha das ciências. 
Ao criar o termo Sociologia, Comte pretendia unificar, em uma única ciência, todos os 
estudos relativo ao homem. Ele acreditava que esta ciência acabaria por suprimir todas as demais 
áreas de conhecimento científico. 
Apesar de sua previsão não ter se realizada, tendo a Sociologia se tornado uma ciência 
dentre as outras, seu surgimento marca uma mudança na forma de se analisar a sociedade, de se 
estudar o ser humano, em função do seu meio e das interações que estabelece com este meio e 
com os outros indivíduos. 
Levando-se em conta que o homem é um ser social por natureza, a Sociologia estuda os 
fenômenos que ocorrem nas relações entre os homens dentro dos grupos aos quais pertencem. 
Assim, a Sociologia pode ser definida como a ciência que estuda o comportamento do 
homem em sociedade, ou seja, as relações que interligam os seres humanos em associações, 
grupos e instituições. 
 
1.4. OBJETO DA SOCIOLOGIA 
 
A Sociologia para se constituir uma ciência é necessário ter o seu objeto de estudo 
específico, próprio. Assim, em função da sua origem e do seu conceito, a Sociologia tem como 
objeto definido o comportamento do homem no conjunto da sociedade, nos agrupamentos sociais. 
Dito de um outro modo, o objeto de estudo da Sociologia são os fenômenos humano-sociais, 
observados e analisados através de uma metodologia específica, submetida aos rigores de 
métodos de investigação científica. 
A atividade da Sociologia através de métodos científicos tem como finalidade primordial 
compreender e explicar os fenômenos e as estruturas sociais com vistas elaborar conceitos que 
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possam manter, modificar e buscar respostas e alternativas para os problemas e conflitos 
resultantes das relações que dinamizam um determinado contexto social em sua historicidade. 
Observa-se na literatura científica que o objeto da Sociologia ganha contornos, dimensões 
específicas em conformidade com os tratdados e teorias sociológicas. Entretanto, não perde de 
vista a sua essência: comportamento do homem no conjunto da sociedade, nos agrupamentos 
sociais. Por exemplo, como veremos mais adiante, Èmile Durkheim denominou de fatos sociais, 
Max Weber de ações sociais e Karl Marx as relações sociais. 
 O conhecimento sociológico contribui para a compreensão das relações entre os seres 
humanos nas situações da vida quotidiana e, no interior das instituições sociais, como a família e 
a escola, por exemplo.

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