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Manual de Práticas de Laboratório – Endodontia I - UFPB Direitos Autorais resguardados por licença CreativeCommons, 2018. ATIVIDADE PRÁTICA LABORATORIAL ASSUNTO: Cirurgia de Acesso em Incisivos e Caninos, pré-molares e molares e preparo da entrada dos canais OBJETIVOS: Ao término da aula o aluno será capaz de: Identificar com auxílio da radiografia inicial, tamanho e forma da câmara pulpar, bem como a forma do(s) canal(is) radicular(es) e suas possíveis alterações morfológicas. Isolar adequadamente o elemento dentário, escolhendo o grampo adequado. Selecionar adequadamente as brocas empregadas para o acesso. Realizar os movimentos adequados com as brocas a fim de atingir a região da câmara pulpar. Identificar o momento no qual ocorre a trepanação (sensação de cair no vazio) Verificar a presença de remanescentes de teto, identificando os instrumentos necessários para esse fim. Analisar as paredes da cavidade de acesso, identificando a presença de irregularidades e sua divergência para incisal/oclusal. MATERIAL E INSTRUMENTAL NECESSÁRIOS: 1. Manequim endodôntico com dentes em resina; 2. Material e instrumental para isolamento absoluto: Arco de Ostby, lençol de borracha, perfurador de Ainsworth, pinça porta-grampos tipo Palmer e grampos n° 210 e 211 (caninos e incisivos); 206 e 209 (pré-molar), 202 e 12A (molares). 3. Lupa com armação plástica; 4. Colgaduras unitárias para radiografias; 5. Sonda exploradora nº 5 e n° 47; 6. Cureta para dentina 7. Caneta de alta-rotação, micromotor e contra-ângulo; 8. Pontas diamantadas e brocas de carbide, esféricas para alta-rotação; 9. Broca Endo Z; 10. Broca de Largo N° 2; 11. Brocas esféricas de aço inox N° 2, 4 e 6; 12. Seringa plástica com rosca para irrigação (Ultradent); 13. Agulha para irrigação Endo-EZE ou similar; 14. Cartela plástica para acondicionar as radiografias; 15. Tamborel Clean Stand; 16. Régua plástica transparente e régua endodôntica 17. Endo Kit UFPB com limas 18. Recipiente de vidro para hipoclorito (Pode ser, o empregado para preparar resina autopolimerizavel). BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA: ROLDI, Armelindo; PEREIRA, Rosana de Souza; AZEREDO, Rogerio Albuquerque. Anatomia Interna, Cavidade de Acesso e Localização dos Canais. In: LOPES, Hélio Pereira; SIQUEIRA JR., José Freitas. Endodontia-Biologia e Técnica. 2 ed. Rio de Janeiro: GEN/Guanabara Koogan, 2010. Capítulo 7, 243-270. LEONARDO, Mario Roberto; VALERA, Márcia Carneiro. ABERTURA CORONÁRIA (CIRURGIA DE ACESSO). In: LEONARDO, Mario Roberto. Endodontia: tratamento de canais radiculares: princípios biológicos e técnicos. São Paulo: Artes Médicas, 2005. Capítulo 12, 449-486. www.endo-e.com Manual de Práticas de Laboratório – Endodontia I - UFPB Direitos Autorais resguardados por licença CreativeCommons, 2018. PROCEDIMENTOS TÉCNICOS PARA DENTES UNIRADICULARES PRIMEIRA FASE – ACESSO À CÂMARA PULPAR. 1. Faz-se uma tomada radiográfica do dente a ser tratado; Ponto de eleição 2. Com o conhecimento da anatomia da cavidade pulpar aliado à radiografia do dente, determina-se o ponto de eleição. Nos incisivos e caninos, ele se localiza nas vizinhanças do cíngulo (aproximadamente a 1mm em direção incisal) na face palatina/lingual (Fig 1); Fig 1 – Vista da face palatina do canino superior (esquerda); destaque do contorno da face palatina e sua relação com o ponto de eleição Forma de contorno inicial 3. Para incisivos: triangular com base voltada para incisal; e para caninos: forma de losango ou oval. “A forma de contorno inicial deve ser semelhante ao formato da face palatina ou lingual” Direção de trepanação 4. Posiciona-se uma ponta diamantada esférica em alta rotação, no ponto de eleição, perpendicular à face palatina/lingual para os dentes incisivos e caninos (Fig 2). Fig 2 – Ponto de eleição (PE) e direção de trepanação (DT) realizada em dois momentos. “O diâmetro da ponta diamantada deverá ser menor que a largura da câmara pulpar identificada na radiografia inicial.” 5. Com a broca selecionada e devidamente posicionada, inicia-se o desgaste do esmalte com movimentos pendulares até que se alcance a junção amelo-dentinária, realizando-se a forma de contorno inicial. “Realize sempre as manobras de irrigação durante toda a fase de acesso, para facilitar a visualização do preparo que está sendo realizado” 6. Troca-se a ponta diamantada por uma broca esférica de carbide do mesmo diâmetro e inicia-se o desgaste da dentina, mudando a direção de trepanação em direção ao longo eixo do dente, até que a cavidade pulpar seja atingida. “Em dentes com câmara pulpar ampla, tem-se a sensação de “cair no vazio”. Já em dentes com câmara pulpar reduzida, faz-se necessário o auxílio da sonda exploradora reta” “A partir desse momento não aprofunde a broca esférica para realizar a remoção do teto da câmara pulpar” 7. Ao atingir-se a cavidade pulpar, realizam-se movimentos cuidadosos de tração para remover somente o teto da mesma; Manual de Práticas de Laboratório – Endodontia I - UFPB Direitos Autorais resguardados por licença CreativeCommons, 2018. 8. Com o auxílio da extremidade angulada de uma sonda exploradora, deslizando de dentro para fora da abertura coronária, verifica-se a existência de remanescentes do teto; 9. Na presença desses, remove-os com o auxílio de uma broca Endo Z, penetrando- se na abertura da trepanação com movimentos de dentro para fora, desgastando-se também, a dentina que permanece entre os cornos pulpares na região incisal. “Caso a ponta da broca Endo-Z não atinja a abertura da trepanação, realiza- se esse desgaste com auxílio de Broca de Largo # 1 ou 2 com movimentos de pendulares ao encontro das paredes da câmara pulpar” Forma de conveniência 10. Com auxílio de sonda exploradora n°47 verifique que a sua ponta penetre na entrada do canal. Verifique também se as paredes da cavidade pulpar se encontram lisas e divergentes para incisal, bem como livres de degraus. Atenção especial deve ser dada aos dentes anteroinferiores onde existe a possibilidade da ocorrência de dois canais radiculares, estando a entrada do canal lingual ligeiramente encoberta pelo ombro dentinário 11. Nos incisivos o contorno final da abertura coronária terá forma triangular com base voltada para incisal e sua amplitude depende do tamanho da câmara pulpar. Nos caninos, normalmente terá a forma de losango (Fig 3). Dentes de pacientes de idade mais avançada e, portanto, com canal estreito, terão um formato mais achatado, podendo ser oval. Fig 3 – Contorno final da abertura coronária SEGUNDA FASE – DESGASTES COMPENSATÓRIOS - PREPARO DA ENTRADA DOS CANAIS 1. Com a cavidade de acesso devidamente inundada em solução de hipoclorito de sódio realize as manobras de exploração inicial do canal com auxílio de uma lima k # 10 ou #15, até o Comprimento Aparente do Dente (CAD) menos 3mm. Realize a seguir o preparo do terço cervical e parte do terço médio do canal radicular com auxílio de brocas de Gates- Glidden (GG) em baixa rotação; A cinemática do uso das brocas de GG corresponde a movimentos de penetração e retirada, no sentido do longo eixo do dente, sempre com motor ligado “REALIZE SEMPRE AS MANOBRAS DE IRRIGAÇÃO DURANTE TODA A FASE DE ACESSO” 2. Observe a radiografia inicial do dente e identifique a forma e amplitude do canal; 3. Em se tratando de canais retos e amplos a sequência de uso das brocas de Gates-Glidden é em ordem decrescente, isto é: 4, 3, 2 e 1 (se necessário); 4. Em se tratandode canais estreitos a sequência de uso das brocas de Gates- Glidden é em ordem crescente, isto é: 1, 2, 3 e 4 (se necessário); Observe o CAD na radiografia e aprofunde, na medida do possível (CAD – 4 mm) Em dentes unirradiculares que apresentem curvaturas, a broca de GG NÃO deverá atingir a porção curva do canal. 5. Caso necessário, use um cursor de silicone na broca de GG para determinar a profundidade do preparo realizado pelas brocas. Nunca pressione a broca de GG contra as paredes do canal. Ela pode fraturar. Manual de Práticas de Laboratório – Endodontia I - UFPB Direitos Autorais resguardados por licença CreativeCommons, 2018. 6. Após o uso de cada broca use hipoclorito de sódio para irrigar o canal; 7. Após o uso das brocas de GG observe a presença do ombro palatino/lingual, o qual também deverá ser removido (Desgaste compensatório). Para tal, use broca Endo-Z em alta rotação ou, caso a citada broca não atinja a profundidade adequada para realizar esse desgaste, use brocas de Largo # 1 e/ou 2 em baixa rotação. 8. A cinemática do uso das brocas de Largo corresponde a movimentos de semicírculo (pendulares), tentando desgastar a concrescência dentinária anteriormente identificada. Entre e saia sempre com o motor ligado. As brocas de Largo também podem realizar movimentos de pincelamento (“brushing”), o qual permitirá o alisamento das paredes da câmara pulpar; A escolha do tamanho da broca corresponde ao diâmetro do canal. “REALIZE SEMPRE AS MANOBRAS DE IRRIGAÇÃO DURANTE TODA A FASE DE ACESSO” 9. Em caso de caninos com curvatura, realize, com auxílio de brocas de Largo, o desgaste compensatório na parede contrária à mesma. PROCEDIMENTOS TÉCNICOS PARA DENTES MULTIRADICULARES PRIMEIRA FASE – ACESSO À CÂMARA PULPAR. 1. Faz-se uma tomada radiográfica do dente a ser tratado; Ponto de eleição 2. Com o conhecimento da anatomia da cavidade pulpar aliado à radiografia do dente, determina-se o ponto de eleição. 3. Nos pré-molares superiores ele se localiza no centro do sulco, podendo ser obtido dividindo-se esta fase em terços no sentido mesio-distal e vestíbulo-lingual, localizando-se assim no quadrilátero central. 4. De acordo com Lopes e Siqueira (2010) nos pré-molares inferiores ele se localiza na fosseta mesial da face oclusal. Podendo também estar localizado na porção central da face oclusal. 5. Nos molares inferiores, ele se localiza na fossa central da face oclusal. Também pode ser determinado dividindo-se essa face em terços no sentido mesiodistal e vestibulolingual, situando-se no quadrilátero central. 6. Nos molares superiores, ele se localiza na fossa central da face oclusal. Também pode ser determinado dividindo- se essa face em terços no sentido mesio- distal e vestíbulo-palatino, situando-se no quadrilátero central; Forma de contorno inicial 7. Nos pré-molares superiores e inferiores a forma de contorno inicial poderá ser oval ou circular, dependendo do número de canais. 8. Nos molares inferiores a forma de contorno inicial poderá ser triangular ou trapezoidal, dependendo do número de canais. Observe que nos molares superiores ou inferiores a forma de contorno inicial geralmente ocupa a metade mesial da face oclusal. Observar que não existe a necessidade de invasão da ponte de esmalte nos primeiros molares superiores, durante a fase de acesso. Direção de trepanação 9. Posiciona-se uma ponta diamantada esférica em alta rotação, no ponto de eleição e se realizam os desgastes, com movimentos pendulares, seguindo a forma de contorno inicial correspondente. Nos pré-molares superiores com raiz única, a direção de trepanação dar-se-á no sentido do longo eixo do dente. Nos pré-molares superiores com duas raízes, a direção de trepanação dar-se-á em direção da raiz palatina, até que a cavidade pulpar seja atingida. Manual de Práticas de Laboratório – Endodontia I - UFPB Direitos Autorais resguardados por licença CreativeCommons, 2018. Nos molares superiores e molares inferiores o desgaste da dentina, se realiza em direção ao canal de maior volume (canal palatino e canal distal, respectivamente) até que a cavidade pulpar seja atingida. 10. Ao atingir a dentina, troca-se a ponta diamantada por uma broca esférica de carbide do mesmo diâmetro e continua-se o desgaste, mantendo a forma de contorno inicial e aprofundando-se gradativamente a broca em direção ao canal de maior volume, que corresponde ao canal palatino para os molares superiores; e canal distal para molares inferiores, até que a cavidade pulpar seja atingida. “O diâmetro da broca deverá ser menor que a largura da câmara pulpar identificada na radiografia inicial.” “Especial atenção deve ser dada à distância teto-assoalho nos dentes multirradiculares” Em dentes com câmara pulpar ampla, tem-se a sensação de “cair no vazio”. Já em dentes com câmara pulpar reduzida, faz-se necessário o auxílio da sonda exploradora reta para verificar a penetração na câmara pulpar “A partir desse momento não aprofunde a broca esférica para realizar a remoção do teto da câmara pulpar” 11. Ao atingir-se a cavidade pulpar, realizam-se movimentos cuidadosos de tração para remover parcialmente o teto da mesma; 12. Com o auxílio da extremidade angulada de uma sonda exploradora, deslizando de dentro para fora da abertura coronária, verifica-se a existência de remanescentes do teto; 13. Na presença desses, remove-os com o auxílio de uma broca Endo Z, penetrando-se na abertura de trepanação com movimentos de dentro para fora, desgastando-se também, a dentina que permanece entre os cornos pulpares. “Caso a ponta da broca Endo-Z não atinja a abertura da trepanação, realiza- se esse desgaste com auxílio de broca de Largo # 2 com movimentos pendulares ao encontro das paredes da câmara pulpar” Forma de conveniência 14. Com auxílio de sonda exploradora reta verifique que a ponta penetre na entrada dos canais. Verifique também se as paredes da cavidade pulpar se encontram lisas e divergentes para oclusal, bem como livres de degraus. SEGUNDA FASE – DESGASTES COMPENSATÓRIOS - PREPARO DA ENTRADA DOS CANAIS 1. Com a cavidade de acesso devidamente inundada em solução de hipoclorito de sódio realize as manobras de exploração inicial do(s) canal(is) com auxílio de limas k # 08, # 10 ou #15, até o CAD – 3mm. Memorize essa sensação 2. Realize a seguir o preparo da entrada dos canais com auxilio do instrumento SX do sistema Protaper Universal; “REALIZE SEMPRE AS MANOBRAS DE IRRIGAÇÃO DURANTE TODA A FASE DE ACESSO” 3. Após o uso do instrumento SX use hipoclorito de sódio para irrigar o canal; 4. Com o canal devidamente inundado realize novamente a exploração do(s) canal(is) com auxílio de limas k # 08, # 10 ou #15, até o CAD – 3mm e verifique se o instrumento se encontra sob tensão. Em caso de dúvidas consulte seu tutor/orientador. “REALIZE SEMPRE AS MANOBRAS DE IRRIGAÇÃO DURANTE TODA A FASE DE ACESSO” ▄