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Questionário TSP II

Questionário sobre história da psiquiatria e psicanálise (séc. XIX) com respostas sobre a ruptura da psicanálise frente à psiquiatria, neurologia e psicologia; a "consciência da loucura"; papel do interrogatório e da confissão; a loucura experimental e os estudos de Moreau de Tours.

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Questionário TSP II 
1- Tente explicar a seguinte afirmativa:“A Psicanálise pode ser apresentada como uma 
teoria e uma prática que rompe com a Psiquiatria, a neurologia e a Psicologia do séc 
XIX”? 
Por ser uma ciência do inconsciente, trata a alma. Procura descobrir no inconsciente do ser 
humano seus traumas, suas necessidades, complexos, tudo que perturba o equilíbrio 
emocional do ser humano, enquanto a Psiquiatria, a Psicologia e a Neurologia tratam a 
doença de forma mais objetiva. A Neurologia trata como uma doença apenas de origem 
orgânica, física. A psicologia se preocupa com o comportamento humano de forma De forma 
que possa ser observada, medida, testada, construída, de forma objetiva. Se utiliza de 
testes. A Psiquiatria trata as doenças mentais como psicoses, neuroses. 
 
2- O que caracterizou o tempo da “consciência da loucura”? 
O louco era visto como um indivíduo perigoso e o psiquiatra como aquele que oderia 
resguardar a sociedade da ameaça que ele representava. Dizer que a loucura foi fabricada, 
sendo que a grande fábrica foi o hospital e que o grande artesão foi o psiquiatra. 
 
3- Qual o lugar que o interrogatório e a confissão ocuparam no saber e no poder 
psiquiátricos do séc XIX? 
O interrogatório é uma das formas privilegiadas da articulação entre o poder e o saber 
psiquiátricos. Seu objetivo é a busca de antecedentes e a obtenção de uma confissão por 
meio do paciente, e de sua própria loucura. Porém o saber obtido pelo interrogatório não era 
suficiente, ele não tinha nenhum valor terapêutico. Funcionava apenas como prova da 
verdade. Uma vez obtida a confissão ela tinha um duplo valor: era indicativa da submissão 
do paciente à vontade do médico e, além disso, possuía uma função catártica. 
 
4- O que caracterizou a loucura experimental? 
O psiquiatra era capaz de identificar a loucura, mas não sabia o que ela era. A possibilidade 
de compreensão da loucura é oferecida por MOREAU DE TROUS através de seus 
experimentos sobre o haxixe, ele aplica a droga em si próprio com o objetivo de produzir os 
mesmos sintomas da loucura, adquirindo com isso um saber direto sobre a loucura. 
Segundo ele, este era o caminho para a sua compreensão. Contudo, ele vai ainda mais 
longe, e diz que para se conseguir estes resultados, não é preciso produzir a loucura 
experimentalmente, basta sonharmos. Sonho produz as mesmas características da loucura. 
 
5- Quem foi Moreau de Tours e o que ele dizia sobre os sonhos e a loucura? 
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Dr Moreau de Tours, era um francês psiquiatra e membro do “club of hashischins”, um grupo 
dedicado a exploração de experiências induzidas por drogas, nomeadamente com haxixe. 
Foi o primeiro médico a fazer um trabalho sobre o efeito dos medicamentos no sistema 
nervoso. 
Entre 1836 e 1840 Moreau fez uma viagem ao Egito e Ásia Menor. Observou homens em 
perfeita saúde mentais tomados por alucinações, graças ao haxixe, que era uma droga 
tipicamente consumida nesses países. Queria compreender a relação entre loucura e 
sonhos, que são delírios semelhantes segundo ele. Introduziu em si mesmo o haxixe. 
O objetivo era produzir os mesmos sintomas da loucura e poder retornar ao estado normal. 
Assim ele tinha uma experiência direta com a loucura. E não indireta como na observação 
do outro ou pelo interrogatório. E diz sem hesitação aos seus leitores: façam como eu, 
fumem haxixe, experimentem por si próprios. É a loucura produzida experimentalmente. E 
através desta observação, Moreau teorizou que a droga psicoativa poderia tratar ou replicar 
a doença mental de forma a ajudar os pacientes a cura. Seus estudos de 1845 com o haxixe 
foram preparados como um tratado que documentou benefícios físicos e mentais e, 
finalmente levou a moderna Psicofarmacologia, que é o estudo científico das drogas e seus 
efeitos, enfatiza o funcionamento das células no sistema nervoso. Por isso hoje, muitas 
doenças são tratadas por meio de tais medicamentos (as drogas). 
A partir de Moreau de Tours, a relação do psiquiatra com a loucura deixa de ser uma 
relação de exterioridade para ser uma relação com a própria loucura. Esse era o caminho 
para sua compreensão. Ele cria um espaço comum entre o normal e o patológico. As duas 
teorias se diferenciam quanto a concepção de doença mental e suas causas, mas se 
assemelhavam no sentido de que ambas supõem um critério para o que é normal. Ou seja, 
dois padrões de normalidade. 
Moreau, diz que o fundo homogêneo ao normal e ao patológico nem sempre precisava ser 
produzido artificialmente. Pois cada vez que sonhamos encontramos em nós mesmos. 
O sonho reproduz as mesmas características da loucura, ao se aproximar do delírio, o 
sonho é considerado como um sintoma, uma das premissas da loucura. 
Moreau afirma que, não há entre sonho e delírio, analogia e sim identidade. Suas 
conclusões não são unânimes: por mais de uma década a natureza do sonho cede lugar a 
debates nas colunas da principal revista científica, os Anais médicos-psicológicos, e também 
nas sociedades científicas. 
“Todo sonho é a realização disfarçada de um desejo suprido ou reprimido”. 
Dessa forma, o sonho é o acontecimento que mais do que qualquer outro, aproxima-se da 
loucura e permite sua compreensão. 
Freud tomou esse fato como um princípio da análise. 
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Concluindo, a confusão entre realidade e sonho é um tema recorrente em diversas peças de 
teatro, filmes, livros, poesias, quadrinhos e desenhos animados. Frequentemente é 
interpretado como uma experiência sobrenatural, podendo ser punida ou estimulada 
socialmente de acordo com a cultura da religião e as características peculiares de cada 
onirismo. O que define um delírio onírico como patológico e precisando de tratamento 
adequado e saudável é a existência de prejuízos ao indivíduo e a sociedade. 
 
6- Faça uma síntese sobre a entrada e a derrocada da utilização da hipnose no trabalho 
Freudiano. 
Freud busca tratar a histeria com a sua base terapêutica. Porém confessa que a técnica de 
hipnose não era a solução, já que nem todos os seus pacientes eram passíveis de hipnose 
e esta não se fazia mais necessária para compreender a força da resistência, que poderia 
ser driblada através de conversas e lembranças. Desta forma, no estado normal de 
consciência era possível incentivar os pacientes a falar tudo o que lembravam, para 
posteriormente ligar as cenas patogênicas e aos sintomas. 
Ele também desgostou da hipnose por considerar um recurso caprichoso e místico. 
 
7- Quem foi Charcot e qual a sua concepção sobre a histeria? 
Jean-Martin Charcot foi um médico psiquiatra e neurologista francês, que viveu entre 1825 e 
1893 e, apesar de ter realizado grandes pesquisas e ser considerado o fundador da 
moderna neurologia, é geralmente, mais associado pelas pessoas, de uma forma geral, aos 
temas da hipnose ou algo relacionado ao “tratamento dos loucos”. Este médico realizou 
diversas investigações sobre a histeria e sobre o tratamento dos sintomas por meio 
do método hipnótico. Foi um famoso médico e neurologista quando começou a usar a hipnose 
como método de tratamento para a histeria, e também foi o precursor mais importante da 
psicanálise. Suas observações levaram-no a ter um especial interesse pela histeria, um 
transtorno que explorou mais do que qualquer outro de seus contemporâneos. 
Histeria é um termo antigo, que designava uma condição médica particular associada a 
alguma perturbação no útero, ou seja, uma desordem essencialmente feminina. 
Bem mais adiante, estudos concluíram não haver indícios de patologias uterinas, após 
realização de autópsias em pacientes consideradas histéricas. Durante o século XIX e com 
grandes relatos em alguns pontos da Europa, muitospacientes (a maioria mulheres) 
apresentavam sintomas diversos como: paralisia de membros do corpo; afasias (distúrbio da 
linguagem); fobias (distúrbio da ansiedade); amnésias (distúrbio da memória); cegueira 
(distúrbio da senso-percepção) e alguns mais que eram subitamente manifestados e, ao 
serem examinados pelos médicos, as causas naturais, orgânicas ou fisiológicas não eram 
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encontradas. Isto fez com que a comunidade médica, de uma forma geral, nutrisse um certo 
preconceito ao tipo de quadro – denominado de histeria – e atribuísse os tais sintomas à 
atuação de alguém querendo atenção, por exemplo, e recusando-se a tratar ou curar aquele 
que relatava esse tipo de sofrimento. 
Charcot fez diferente. Observou inúmeros casos no hospital parisiense Salpêtrière, onde foi 
inclusive Diretor, e buscou compreender as Leis da Histeria, defendeu a busca por causas 
biológicas associadas ao quadro e utilizou o método hipnótico como recurso de tratamento, 
sendo assim, desacreditado por seus contemporâneos, mas chamando a atenção de um 
médico de Viena, conhecido por Sigmund Freud (1856-1939). “No surto (histérico)…tudo se 
desenrola de acordo com as regras, que são sempre as mesmas; válidas para todos os 
países, todas as épocas, todas as raças e, em resumo, universais”. 
 
8- Defina a primeira teoria do trauma. 
O significado psicanalítico da palavra “trauma” refere-se a um fato – realmente acontecido – 
de que tenha tido alguma importante repercussão no psiquismo do sujeito. No início da sua 
obra, Freud partiu da concepção de que o conflito psíquico era resultante das “repressões” 
impostas pelos traumas de uma sedução real, de fundo sexual, que suas jovens pacientes 
histéricas teriam sofrido quando meninas por parte do pai. Freud enfatizava que essas 
repressões depositadas no inconsciente retornavam ao consciente sob a forma de sintomas. 
Daí ele postulou que “os neuróticos sofrem de reminiscências” e que a cura consistiria em 
“lembrar o que estava esquecido”.” 
 
9- Quem foi Ana O e qual a sua principal sintomatologia? 
O caso de Anna O. foi decisivo para Freud e Josef Breuer avançarem na compreensão da 
mente humana. Apesar do quadro parecer com um quadro neurológico grave, na verdade 
está relacionado com violentos abalos emocionais. A doença surgiu quando estava 
tratando de doença grave do pai, e sua neurose a afastou dessa tarefa. A medicina da 
época não conseguia explicar a histeria. 
 
10- Defina os conceitos de: 
Recalque - Trata-se de um processo que visa manter no inconsciente todas as ideias e 
representações das pulsões cuja relação produtora de prazer afetaria o equilíbrio 
psicológico do indivíduo transformando-se em uma fonte de desprazer. O recalque é uma 
barreira na qual uma pulsão que prejudicaria a estabilidade psicológica, bate e volta. Esse 
movimento é contínuo e diversas das nossas atitudes são reflexos dos recalques. O 
recalque apresenta um carácter de tolhimento. “Re” quer dizer ir de novo. “Calcar” é a marca 
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que fica no inconsciente. Essas marcas permanecem e são uma forma de fuga de 
conteúdos internos que ameaçariam o ego. Desta forma, permanecem no inconsciente, no 
entanto, não sem causar consequências e determinar comportamentos e atitudes. Pelo 
contrário, quanto maior o duelo entre o conteúdo reprimido que deseja vir à consciência e a 
força que o ego faz para manter o ameaçador fora, mais se alojam consequências negativas 
na rota da vida do sujeito. Ademais, trata-se de uma força contínua de pressão que rouba 
muito da energia psíquica da pessoa. 
Resistência - A resistência implica todas as forças dentro do paciente que se opõem aos 
procedimentos e processos do trabalho psicanalítico. Em maior ou menor grau, ela está 
presente desde o começo até o fim do tratamento. As resistências defendem o “status quo” 
da neurose do paciente. As resistências se opõem ao analista, ao trabalho analítico e ao 
ego racional do paciente. A resistência é um conceito operacional, não foi inventada 
recentemente pela análise. A situação analítica se transforma na arena em que as 
resistências se acabam revelando. 
Defesa - Mecanismo de defesa é uma estratégia do ego para proteger a personalidade 
contra o que ele considera ameaça. O mecanismo de defesa é uma distorção da realidade 
utilizada por todas as pessoas e podem ser indicação de possíveis sintomas neuróticos. A 
percepção de algo, seja no mundo interno ou no mundo externo, pode ser algo 
psiquicamente desconfortável e provocar desprazer. O ego para evitar este desprazer 
distorce ou então suprime a realidade para afastar estes conteúdos psíquicos 
desagradáveis. O mecanismo de defesa, mesmo sendo uma estratégia do ego, é um 
processo inconsciente e, desta forma, acontece de maneira involuntária, ou seja, não 
depende da vontade da pessoa. Freud dizia que a finalidade do mecanismo de defesa é a 
proteção da psique e a supressão ou distorção do conteúdo considerado perigoso pode se 
dar no contato tanto com conteúdos reais quanto imaginários.

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