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Ditadura Militar: o período de mudança constitucional, autoritarismo e democracia no Brasil pós-1964.

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Ditadura Militar: O período de mudança constitucional, 
autoritarismo e democracia no Brasil pós-1964. 
 1º período de Direito – UFERSA Edição exclusiva – 10 de maio de 2017 
 
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SEÇÕES 
Imagens históricas ....................................... 2 
Apresentação da Revista ............................. 3 
Visão introdutória ....................................... 4 
Engenharia constitucional do Regime: 
contexto e manobras ................................... 6 
Uma Constituição para (pára) a Revolução? 
....................................................................... 9 
Processo histórico que viabilizou a 
convocação da Assembleia Nacional 
Constituinte ................................................. 12 
Debate acerca da forma de convocação 
Constituinte ................................................ 15 
Processo de convocação da Constituinte 
....................................................................... 16 
O legado do Processo Constituinte ........... 19 
Processos de Reforma ................................ 20 
Revisão Constitucional de 1993/1994 ....... 21 
O Governo de Fernando Henrique Cardoso 
e as sugestões de mudança da Constituição 
de 1988 ......................................................... 22 
Ideias finais ................................................. 23 
Anexos ......................................................... 26 
 
 
 
 
Assinatura do Ato Institucional nº 1 por Costa e Silva 
Passeata dos Cem Mil contra o Regime Militar 
Movimento exigindo as eleições diretas (Diretas Já!) 
Assembleia Nacional Constituinte 
Discurso de Jango na Central do Brasil 
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Apresentação 
Esta revista de edição exclusiva surgiu 
a partir da ideia dos estudantes do 
primeiro período de Direito da 
Universidade Federal Rural do 
Semiárido abordarem de forma mais 
criativa e dinâmica o trabalho exigido 
pelo professor Me. Dr. Rafael Lamera 
Giesta Cabral, da disciplina de História 
do Direito. Com isso, o tema aqui 
trabalhado estudará a Ditadura Militar 
no Brasil e o período pós-1964, tendo 
como embasamento principal a obra de 
Leonardo Augusto de Andrade 
Barbosa, "História Constitucional 
Brasileira", a partir das investigações e 
estudos da "Mudança constitucional, 
autoritarismo e democracia no Brasil 
pós-1964". Assim, serão feitos os 
recortes principais da sua honrosa tese, 
a partir dos pontos de vista analítico e 
crítico, podendo então construir uma 
análise da época não só sob a 
perspectiva histórica, mas também sob 
a visão do Direito. 
 
 
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VISÃO INTRODUTÓRIA 
Em sua introdução, Leonardo 
Barbosa explica primeiramente 
a distinção que há entre 
constitucionalismo e Constituição. Partindo 
da análise que o constitucionalismo não 
possui uma definição verdadeira, mas se 
estrutura a partir de pelo menos três 
existências, que são elas: A imposição de 
limites ao poder do governo; adesão ao 
princípio do Estado de direito; e a proteção 
ao direitos fundamentais. Normalmente, 
detectamos constitucionalismo e 
Constituição, porém há Constituições que 
não satisfazem as demandas do 
constitucionalismo. Ou seja, às exigências 
que, como será mostrado mais à frente, 
foram violadas no Regime Militar. 
Mostrando também que "ao longo do século 
XX regimes autoritários valeram-se 
largamente de constituições em processo de 
institucionalização" (BARBOSA, 2012, p. 
17). Ressaltando que Constituições não só 
são incapazes de evitar a invasão do 
autoritarismo como também podem ser 
amplamente utilizadas por regimes 
autoritários. 
 
Direito e Política 
 A obra de Leonardo aborda de 
maneira ampla, como as relações entre 
Direito e Política impactaram no processo 
de mudança constitucional no Brasil pós-
1964. Nessa síntese, ele inicia partindo da 
hipótese de que as alterações nos 
procedimentos especiais de reforma 
constitucional apontam para momentos em 
que se reorganiza essa relação. As 
Constituições modernas, de um ponto de 
vista sociológico, estabelecem limites entre 
Direito e Política, fixam regras por meio das 
quais um sistema provoca o outro, 
permitindo, ao mesmo tempo, que eles 
permaneçam distintos. 
Em resumo, a função da Política é a 
produção de decisões coletivamente 
vinculantes, ela fornece ao direito uma 
organização institucional dotada de 
coercibilidade. Enquanto a função do 
Direito, é a estabilização de expectativas 
comportamentais, oferecendo à política 
justificação normativa, permitindo assim 
que ela se apresente não como mero 
arbítrio, mas como poder. O resultado de 
um exemplo dessa explicação é o contexto 
da Ditadura. 
Partindo dessa premissa, isso sugere 
que regimes autoritários, ao adotar ou 
mesmo manter uma determinada 
Constituição, buscam dessa forma construir 
uma narrativa de legitimidade. 
Uma explicação sobre isso diz respeito a 
narrativa em que o Direito não apresenta 
para os regimes militares apenas uma 
"solução mágica" para obter apoio ou até 
prejudicar oposição. De acordo com 
Barbosa (2012), para que o Direito possa 
funcionar como reserva de autoridade 
política de maneira admissível, é preciso 
que haja primeiramente condições de 
separar Direito e arbítrio, ou seja, 
diferenciar entre as normas vigentes e a 
vontade política que governa. No decorrer 
do texto é possível notar que essa analogia 
estará presente na maior parte do período, 
pois não apenas o direito foi violado 
“A ditadura mais 
descarada adora leis.” - 
Vladimir Palmeira, em 1968, durante a 
Passeata dos Cem Mil 
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abertamente, como foi usado como forma 
de "legitimar" o poder, quando sua função 
era limitá-lo. 
 
Autoritarismo e Democracia são 
opostos? 
Com base nesse contexto, sugere-se 
que regimes autoritários pagam um preço 
pela manutenção - ainda que deficientes - de 
instituições típicas de um Estado de direito. 
Apesar de seu poder para funcionar em prol 
da democracia em regimes ditatoriais, o 
Direito pode ainda ser usado em contextos 
autoritários. Isso reafirma que seu uso 
apresenta-se de variadas formas, o que não 
implica na anulação de sua função ou 
definição. 
Portanto, o potencial emancipatório 
do constitucionalismo pode se afirmar em 
regimes autoritários, mas a peculiaridade 
excludente e legitimadora do status quo do 
Direito pode se apresentar também em 
regimes democráticos. É importante 
salientar que "o pensamento autoritário é, 
mais que antiliberal, anticonstitucional, e 
não apenas contrário à concepção liberal de 
Constituição" (BARBOSA, 2012, p. 23). 
Para esse pensamento interessa a unidade, a 
identidade e a homogeneidade. Enquanto 
instituições democráticas, por sua vez, 
encarnam a "essência" do povo. Não se 
fundindo por um ato de razão, mas por uma 
vontade que expressa opção por um modo 
de vida e de organização política concretos. 
Barbosa ressalta ainda que no Brasil, 
durante toda a Ditadura Militar, não só 
regras destinadas a reger a Constituição 
foram várias vezes modificadas, como 
também atos institucionais conviveram com 
normas constitucionais durante grande parte 
do período. Nessa linha, um importante 
esclarecimento, abordado pelo autor, é que 
o direito à memória e à verdade jamais será 
o direito a um saber total e final sobre o 
passado, mas a chance de se exigir que a 
história institucional seja pensada também a 
partir de informações ocultadas ou 
propositalmente "esquecidas".

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