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ANTIDEPRESSIVOS O que são fármacos antidepressivos? “Os fármacos antidepressivos são uma subcategoria entre as substâncias psicotrópicas eficazes no tratamento das depressões”. Frequentemente entre as três categorias de fármacos mais prescritas, de acordo com os Centers for Disease Control (CDC). ( BITTENCOURT & CO, 2013; DEBATTISTA, 2017,) INTRODUÇÃO Os transtornos depressivos são os mais comuns entre os transtornos de humor. E, olhando para a população em geral, dados de países europeus indicam que 6,7% dos adultos sofrem de depressão maior e que 26,7% são afetados pelas diferentes formas de depressão e ansiedade. Nos Estados Unidos, a prevalência de transtorno depressivo varia de 9,0% a 23,5% entre os estados e territórios americanos. Em uma pesquisa realizada no Brasil, através de uma coleta de dados nos domicílios de 49.025 indivíduos com idade de 18 a 59 anos, identificou-se que 9,7% apresentaram algum grau de depressão, 3,9% tinham depressão maior. INTRODUÇÃO Os transtornos depressivos incluem: ● Transtorno disruptivo da desregulação do humor; ● Transtorno depressivo maior (incluindo episódio depressivo maior); ● Tanstorno depressivo persistente (distimia); ● Transtorno disfórico pré-menstrual; ● Transtorno depressivo induzido por substância/medicamento; ● Transtorno depressivo devido a outra condição médica; ● Outro transtorno depressivo especificado e transtorno depressivo não especificado (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2015) INTRODUÇÃO De acordo com Rang et al. (2012), os sintomas de depressão incluem componentes emocionais e biológicos. Segundo os autores, os sintomas emocionais incluem: ● Humor depressivo, ruminação excessiva de pensamentos negativos, infelicidade, apatia, pessimismo. ● Autoestima baixa: sentimentos de culpa, inadequação e sentimento de feiura. ● Indecisão, perda de motivação, ● Anedonia, perda de de sensação de recompensa. Os sintomas biológicos incluem: retardo de pensamento e ação, perda de libido, distúrbios do sono e perda do apetite. TEORIAS SOBRE A FISIOPATOLOGIA DA DEPRESSÃO Teoria das monoaminas Fonte: RANG, H. P. et al. Rang & Dale: Farmacologia. 7. ed. Porto Alegre: Elsevier, 2012. 804 p. TEORIAS SOBRE A FISIOPATOLOGIA DA DEPRESSÃO Fonte: RANG, H. P. et al. Rang & Dale: Farmacologia. 7. ed. Porto Alegre: Elsevier, 2012. 804 p. PRINCÍPIOS GERAIS DA AÇÃO DOS ANTIDEPRESSIVOS Fonte: STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014 .Cap. 7. PRINCÍPIOS GERAIS DA AÇÃO DOS ANTIDEPRESSIVOS Fonte: STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014 .Cap. 7. PRINCÍPIOS GERAIS DA AÇÃO DOS ANTIDEPRESSIVOS Fonte: STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014 .Cap. 7. ANTIDEPRESSIVOS TEM MAIOR ATUAÇÃO NOS ENSAIOS CLÍNICOS? Embora a remissão sem recidiva ou recorrência seja a meta amplamente aceita no tratamento antidepressivo, está ficando cada vez mais difícil provar que os antidepressivos - até mesmo os bem estabelecidos - atuem melhor do que o placebo nos ensaios clínicos. O motivo disso é um assunto de intenso debate, havendo várias hipóteses para tal. Algumas questionam o contexto dos ensaios clínicos (que é bem diferente da prática clínica), a escolha dos pacientes (que podem ser “voluntários sintomáticos”, estando em melhores condições que pacientes “reais”). Alguns chegam a questionar o próprio uso dos antidepressivos, e Stahl (2014) afirma que esta afirmação pode estar afetando os pacientes, já que muitos, até um terço, não chega a usar a primeira prescrição. Alguns questionam o próprio uso dos antidepressivos, chegando a afirmar que seu uso não vale a pena comparando-se os resultados com os efeitos adversos e custo. ANTIDEPRESSIVOS TEM MAIOR ATUAÇÃO NOS ENSAIOS CLÍNICOS? Stahl (2014) afirma que esta depreciação dos fármacos pode estar afetando os pacientes, já que muitos, até um terço, não chegam a usar a primeira prescrição de antidepressivos. Inclusive, é importante ressaltar que a falta de persistência no tratamento por um período longo o suficiente para o mesmo atuar é um problema. Entre os que aderem ao tratamento desde a primeira prescrição, Stahl (2014) afirma que talvez menos da metade continue o segundo mês de tratamento, e menos de um quarto prossiga a terapia por 3 meses ou mais. Dessa forma, o autor já mencionado afirma que deve-se reforçar a necessidade da integração do tratamento farmacológico com a psicoterapia, da pesquisa de novos métodos não farmacológicos e do estudo da combinação de fármacos para obtenção de melhores resultados. QUANTO FUNCIONAM OS ANTIDEPRESSIVOS NO MUNDO REAL? Fonte: STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014 .Cap. 7. QUANTO FUNCIONAM OS ANTIDEPRESSIVOS NO MUNDO REAL? Fonte: STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014 .Cap. 7. QUANTO FUNCIONAM OS ANTIDEPRESSIVOS NO MUNDO REAL? Fonte: STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014 .Cap. 7. OUTRAS APLICAÇÕES PARA OS ANTIDEPRESSIVOS... TRANSTORNOS DE ANSIEDADE ● Depois da depressão maior, os transtornos de ansiedade representam a aplicação mais comum dos antidepressivos. ● Diversos ISRSs e IRSNs foram aprovados para todos os transtornos de ansiedade maior, incluindo: ○ Transtorno do pânico; ○ Transtorno da ansiedade generalizada; ○ Transtorno Obsessivo Compulsivo; ○ Transtorno da ansiedade social; ○ Transtorno de Estresse Pós-Traumático. OUTRAS APLICAÇÕES PARA OS ANTIDEPRESSIVOS... DOR CRÔNICA Os antidepressivos têm sido usados no tratamento de condições neuropáticas e outras condições de dor desde a década de 1960. Os medicamentos que apresentam propriedades bloqueadoras da recaptação de norepinefrina e 5-HT com frequência são úteis no tratamento dos distúrbios de dor. OUTRAS APLICAÇÕES PARA OS ANTIDEPRESSIVOS... TRATAMENTO DISFÓRICO PRÉ-MENSTRUAL Sabe-se que os ISRSs são benéficos para muitas mulheres com TDPM, e a fluoxetina e a sertralina foram aprovadas para essa indicação. OUTRAS APLICAÇÕES PARA OS ANTIDEPRESSIVOS... ABANDONO DO TABAGISMO ● A bupropiona foi aprovada em 1997 para o tratamento do tabagismo. ● Outros antidepressivos como a nortriptilina também mostraram benefícios no abandono do tabagismo. OUTRAS APLICAÇÕES PARA OS ANTIDEPRESSIVOS... TRANSTORNOS ALIMENTARES ● Bulimia; ● Anorexia; ● Obesidade; QUAL O MELHOR ANTIDEPRESSIVO... DEPENDE… A escolha de um antidepressivo depende da patologia, considerações práticas, como custo, disponibilidade, efeitos colaterais, interações medicamentosas potenciais, história de resposta ou ausência de resposta do paciente e preferência dele. QUAL O MELHOR ANTIDEPRESSIVO... JÁ QUE FALAMO S EM DISPONIBILIDADE: QUAL O MELHOR ANTIDEPRESSIVO... JÁ QUE FALAMO S EM DISPONIBILIDADE: ONDE ATUAM OS ANTIDEPRESSIVOS? A grande maioria nos neurotransmissores Inibidores seletivos da recaptação de serotonina ● Farmacologia básica ● Farmacocinética ● Farmacodinâmica ● Dosagem ● Efeitos colaterais ● Interações medicamentosas Farmacologia básica ISRS ● SERT ● TAC (ansiedade generalizada),TEPT (estresse pós traumático), TOC, transtornos do pânico, TDPM (disfórico pré-menstrual) e bulimia. ● Facilidade de uso, segurança em superdosagem, relativa tolerabilidade e amplo espectro de uso, custo (exceção escitalopram). Farmacocinética ISRS: Fluoxetina → Norfluoxetina Meia vida: x→ 3x Concentração: Fluoxetina< Norfluoxetina Maior meia vida dentre os ISRS Suspensão 4 semanas ou mais antes da administração de IMAO (síndrome serotoninérgica) Síndrome serotoninérgica Farmacodinâmica ISRS: Serotonina se liga ao SERT Na, Cl→ entra K→ conformação original, entra serotonina Dosagem Efeitos colaterais ISRS Tônus serotoninérgico ● TGI ● Medula → Perda do libido ● Síndrome da interrupção: tontura, parestesia e outros sintomas (sertralina e paroxetina) ● ISRS (C) ● Paroxetina→ peso (D) Interações medicamentosas 2D6→ paroxetina e fluoxetina→ toxicidade do ATC 3A4→ Fluvoxamina→ bradicardia e hipotensão Inibidores da captação de serotonina-noradrenalina O que são? Quais são? ● Venlafaxina ● Desvenlafaxina ● Duloxetina Quando são usados? ISRS X ICSN ICSN X ADT STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.Cap. 7. CLARK, Michelle. Antidepressivos. In: CLARK, Michelle. Farmacologia ilustrada. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. Cap. 12. Moduladores de Serotonina ● Constituem uma classe de antidepressivos diferente dos ISRS, ICSN, antidepressivos atípicos, tricíclicos e IMAO; ● Agem como antagonistas e agonistas de receptores serotoninérgicos pós-sinápticos e inibem a recaptação de serotonina pós-sinápticas em graus variáveis, tendo mínima interferência na recaptação de norepinefrina; ● Seus principais representantes são: Nefazodona, Trazodona, Vilazodona e Vortioxetina; ● Por serem antidepressivos de segunda geração, compõem a primeira linha de tratamento dos transtornos depressivos precedidos pelos ISRS (1ª Escolha), ICSN (2ª Segunda) e Antidepressivos atípicos [3ª Escolha - Bupropiona e Mirtazapina] (SIMON; ROY-BYRNE; SOLOMON, 2018). (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Moduladores de Serotonina ● Ao cogitar a administração de um Modulador de Serotonina, deve-se atentar e discutir com o paciente principalmente: 1. Interações Medicamentosas (NÃO deve ser combinado a IMAO e seu uso concomitante com Lítio, ISRS e Clomipramina precisa ser cauteloso, devido a possibilidade de Síndrome Serotoninérgica); 2. Efeitos adversos; 3. Tempo de resposta (dentro das primeiras 02 semanas, com resposta completa por volta da 8ª-14ª semana); 4. Características da descontinuação da medicação. ● A essa Classe de medicamentos,sugere-se baixas doses para o início da terapia. (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Moduladores de Serotonina ● MECANISMO DE AÇÃO GERAL: FONTE: Google imagens. Moduladores de Serotonina 1. NEFAZODONA - ● É uma Fenilpiperazina com estrutura semelhante a da Trazodona; ● Antagoniza e inibe o receptor pós-sináptico 5-HT2A e, discretamente, inibe a recaptação pré-sináptica de Serotonina e Norepinefrina, aumentando a atividade do receptor 5-HT1A; ● Usado no tratamento de Depressão Maior e Síndrome Pré-menstrual; ● Posologia (TABELA 1), Farmacocinética (TABELA 2) e Descontinuação (não há contraindicação à retirada brusca, mas preconiza-se o desmame). ● Efeitos Colaterais (TABELA 3) - Contraindicado em pacientes com transaminases elevadas, lesão hepática aguda ou injúria prévia por uso de Nefazodona (incidência de hepatotoxicidade estimada de 29 casos/100 mil hab./ano, com 94 casos de falha hepática aguda em 2010) ; - Droga proscrita no Canadá, Europa e outros países; (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Moduladores de Serotonina 2. TRAZODONA - ● É uma Triazolopiridina; ● Atua sobre os receptores pós-sinápticos 5-HT2A e 5-HT2C e, discretamente, inibe a recaptação pré-sináptica de Serotonina (dose dependente: baixas doses, efeito antagonista serotoninérgico e altas doses, efeito agonista). Além disso, age bloqueando receptores alfa-adrenérgicos e histamínicos H1; ● Usado no tratamento de Depressão Maior e Dispepsia Funcional; ● Posologia de suas duas formulações (TABELA 1), Farmacocinética (TABELA 2) e Descontinuação (desmamar a droga em pelo menos 2-4 semanas antes da descontinuação); ● Efeitos Colaterais (TABELA 3). (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Moduladores de Serotonina 3. VILAZODONA - ● É uma Indolalquilamina; ● Inibe a Recaptação pré-sináptica de Serotonina, agindo também como agonista parcial do receptor pós-sináptico 5-HT1A ; ● Usado no tratamento de Depressão Maior ; ● Posologia (TABELA 1 - salientar a transição da 1ª para 2ª semana), Farmacocinética (TABELA 2) e Descontinuação (desmamar a droga em pelo menos 1-2 semanas antes da descontinuação, ainda que não haja indícios de efeitos rebotes ou de abstinência descritos); ● Efeitos Colaterais (TABELA 3). (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Moduladores de Serotonina 4. VORTIOXETINA - ● É uma bis-aryl-sulphanyl amine, sendo o primeiro antidepressivo multimodal a chegar ao Brasil - Brintellix® (SANTOS; BARBOSA, 2017); ● Inibe a Recaptação pré-sináptica de Serotonina, interagindo com diversos subtipos de receptores serotoninérgicos, sendo um potente antagonista dos receptores 5-HT3, um fraco antagonista de 5-HT7 e 5-HT1D, um parcial agonista de 5-HT1B e um potente agonista de 5-HT1A; ● Através do mecanismo supracitado, os níveis de Serotonina, Acetilcolina, Dopamina e Norepinefrina se elevam em áreas específicas do cérebro ● Usado no tratamento de Depressão Maior, somado a uma melhor na disfuunção cognitiva ; ● Posologia (TABELA 1 - atentar para os pacientes com alteração [causa orgânica ou medicamentosa] do metabolismo de substratos do P450), Farmacocinética (TABELA 2) e Descontinuação (desmamar a droga em pelo menos 1 semana antes da descontinuação, ainda que não haja contraindicação da retirada abrupta); ● Efeitos Colaterais (TABELA 3). (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Moduladores de Serotonina TABELA 1 - Depressão Unipolar em Adultos: Dosagem dos Moduladores de Serotonina (Adaptado por Gabriel Lyra Valença) (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Droga Dose inicial habitual total/dia (mg) Dose habitual total/dia (mg) Parâmetro de dosagem diária NEFAZODONA 200 300-600 50-600 TRAZODONA 100 200-500 100-600 TRAZODONA ER 150 375 150-375 VILAZODONA 10 40 10-40 VORTIOXETINA 10 20 5-20 Moduladores de Serotonina TABELA 1 - Farmacocinética dos Moduladores (Adaptado por Gabriel Lyra Valença) (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Droga Dose inicial habitual total/dia (mg) Dose habitual total/dia (mg) Parâmetro de dosagem diária NEFAZODONA 200 300-600 50-600 TRAZODONA 100 200-500 100-600 TRAZODONA ER 150 375 150-375 VILAZODONA 10 40 10-40 VORTIOXETINA 10 20 5-20 Moduladores de Serotonina TABELA 3 - Efeitos Adversos dos Moduladores de Serotonina ** Vilazodona está associada com maior frequência de náuseas, vômitos e diarreia. (Adaptado por Gabriel Lyra Valença) (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Droga Anticolinérgico Sonolência/Sed ação Insônia Hipotensão Ortostática Alongament o de QT Tox. do TGI Ganho ponderal Disfunção secual NEFAZODO NA 1+ 2+ 0 1+ 0 2+ 0 0 TRAZODON A 0 4+ 0 1+ ou 3+ 1+ ou 2+ 1+ ou 3+ 0 ou 1+ 1+ VILAZODO NA 0 0 2+ 0 0 4+** 0 2+ VORTIOXE TINA 0 0 0 0 0 3+ 0 1+ Inibidores da recaptação de noradrenalina e de dopamina| Bupropiona ● Tipicamente agente de terceira ou quarta linha; ● Frequentemente usados em pacientes com depressãomaior que apresentam respostas inadequadas ao uso de ISRSs. ● Usada também no transtorno afetivo sazonal, TDAH, dependência do tabaco; ● Geralmente bem tolerada; ● Taxas muito baixas de disfunção sexual, e é mais provável que cause perda de peso do que ganho ● Achados apóiam o uso como antidepressivo único ou prescrito ● Uma aminocetona monocíclica estruturalmente relacionada à anfetamina. ● Alguns classificam como um inibidor da recaptação de norepinefrina dopamina, porque inibe a recaptação pré-sináptica de dopamina e norepinefrina ( efeito maior sobre a dopamina). (HIRSCH, 2018; PATEL, 2016) Inibidores da recaptação de noradrenalina e de dopamina| Bupropiona ● Farmacologia única; mecanismo de ação não é claro. ● Possibilidade de que ela ocupe os DAT no estriado e no nucleus accumbens de maneira suficiente para reduzir a fissura, porém não o suficiente para provocar uso abusivo. Talvez este seja também o mecanismo de atuação da bupropiona na depressão, em combinação com uma ação igual sobre os NAT. ● É possível que também exerça a ação de antagonizar os receptores nicotínicos. (STAHL,2014; PATEL, 2016) Inibidores da recaptação de noradrenalina e de dopamina| Bupropiona Tabela 1. Farmacocinética Adaptado pela autora. Fonte: (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) Droga Biodisponibilida de (%) Tempo para pico de concentração plasmática(hora s) Metabolismo primário Metabólit o ativo Meia vida de eliminação Efeito no metaboli smo de drogas (significa tivo) Liberação Bupropiona Não disponível; modestamente aumentada pela alimentação Imediata-> 2 Suspentada-> 3 CYP2B6 Sim (hidroxibu propiona) 14 (imediata) 20 (prolongada) 21-51 (metabólito) Inibe CYP2D6 Hepática e renal Inibidores da recaptação de noradrenalina e de dopamina| Bupropiona ● Disponível em três formulações que são bioequivalentes e dosadas nas formas: liberação imediata, liberação sustentada e liberação prolongada (cloridrato, Rename 2017). ● Disponível no SUS para: tratamento da dependência à nicotina e como adjuvante na cessação tabágica. ● Antes de prescrever antidepressivos atípicos, deve-se discutir: ○ Interações medicamentosas (metabolizada no fígado pela enzima citocromo P450 2B6); ○ Tempo para resposta (2 a 4 semanas); ○ Interrupção da medicação (Parece não haver sintomas de abstinência significativos após a descontinuação); Recomenda-se diminuição ao longo de uma a duas semanas antes de interromper. ○ Efeitos colaterais; (HIRSCH, 2018; PATEL, 2016; RENAME, 2017) Inibidores da recaptação de noradrenalina e de dopamina| Bupropiona Tabela 2. Efeitos Colaterais Droga Anticolinérgico Sonolência/Sed ação Insônia Hipotens ão Ortostáti ca Alongament o de QT Tox. do TGI Ganho ponderal Disfunção sexual Bupropiona 0 0 2+ liberação imediata 1+ liberação prolongada 0 1+ 1+ 0 0 Adaptado pela autora. Fonte: (HIRSCH; BIRNBAUM, 2018) ● Não tem efeitos sobre os receptores de serotonina, histamina, acetilcolina ou epinefrina. ● Convulsões podem ocorrer-> incidência parece estar correlacionada com a dose. Em comparação, a taxa estimada de convulsões em pacientes tratados com ISRSs é de 0,1%, tricíclicos de 0,4 a 2%. Inibidores da MAO ● Descoberta ● MAO-A ● MAO-B (selegilina/rasagilina) ● Interações com a tiramina da alimentação (dieta?) Inibidores da MAO ● Interações importantes: ○ IMAO + Descongestionantes nasais ○ IMAO + AGENTES SEROTONINÉRGICOS Observada em todas as faixas etárias, incluindo recém-nascidos e idosos. Aumento da incidência e ISRS[1]. Inibidores da MAO 1.Boyer EW, Shannon M. The serotonin syndrome. N Engl J Med 2005; 352:1112. ● Descontinuação de todos os agentes serotoninérgicos ● Cuidados de suporte visando a normalização dos sinais vitais ● Sedação com benzodiazepínicos ● Administração de antagonistas da serotonina (CRIPROEPTADINA) (POSSO USAR OLANZAPINA E CLORPROMAZINA?) ● Avaliação da necessidade de retomar o uso de agentes serotoninérgicos causadores após a resolução dos sintomas Síndrome serotoninérgica… E agora, o que fazer? UpToDate, 2018. TROCA DE (E PARA) OS IMAO ● Quanto tempo devo aguardar? (fluoxetina) ● Se for trocar IMAO por ISRS >>> 14 dias ● E nesse intervalo, o que eu posso fazer? IMAO-A IMAO-B IMAO-A E IMAO-B CLORGILINA SELEGILINA FENELZINA (ef. sexual+++) TRANILCIPROMINA (agitação + ef. sexual) ISOCARBOXAZIDA Goodman, 2012. Antidepressivos tricíclicos Indicações: Pacientes que não responderam aos ISRS. Depressão, transtorno do pânico, enxaqueca e dor crônica; Mecanismo de ação: Bloqueio da recaptação de serotonina e norepinefrina (diferente dos IRSN); Ações: melhora do humor, da atividade mental e física e redução da preocupação mórbida em até 70% dos indivíduos;** Farmacocinética: Bem absorvido por VO; lipofílico (amplamente distribuídos e facilmente penetram o SNC); excreção renal. Antidepressivos tricíclicos Efeitos adversos!!! Bloqueio dos receptores serotonérgicos, alfa-adrenérgicos¹, histamínico² e muscarínico³. São eles: visão borrada, xerostomia, retenção urinária, taquicardia sinusal, constipação e agravamento do glaucoma (³), hipotensão ortostática, tonturas e taquicardia reflexa (¹), sedação, aumento de massa corporal (²). Evitar em idosos! Tricíclicos Imipramina Amitriptilina Clomipramina Doxepina Trimipramina Desipramina Nortriptilina Protriptilina Maprotilina e amoxapina são tetracíclicos, porém têm o mesmo mecanismo de ação dos tricíclicos, e normalmente são enquadrados com os ADT. APLICANDO: Uma mulher de 47 anos apresenta-se a você, seu (sua) médica com queixa principal de fadiga. Explica que foi promovida a gerente na empresa, há aproximadamente 11 meses. Embora a promoção tenha sido desejada e acompanhada de um aumento significativo de salário, a paciente precisou se afastar do escritório e do grupo de colegas de que gostava muito. Além disso, houve um notável aumento no nível de responsabilidade com o cargo assumido. A paciente relata que, nas últimas sete semanas, passou a acordar todas as noites às 3 horas da madrugada e foi incapaz de voltar a dormir. Ela tem pavor das horas do dia e do estresse no local de trabalho. Relata que está se sentindo tão estressada, que acaba chorando ocasionalmente e, com frequência, alega estar doente. Quando volta para casa, percebe que está menos motivada com as tarefas domésticas e sem motivação, interesse ou energia para procurar atividades recreativas que outrora gostava de praticar. APLICANDO... Sua história clínica é notável por uma dor cervical crônica em decorrência de um acidente automobilístico, para a qual está sendo tratada com tramadol e petidina. Além disso, está tomando hidroclorotiazida e propranolol para a hipertensão. A paciente tem história de um episódio depressivo após divórcio, o qual foi tratado com sucesso com fluoxetina. O exame médico, inclusive hemograma completo, provas de função da tireoide e painel bioquímico, não revela nenhuma anormalidade. O que prescrever? O que está contraindicado? APLICANDO... Você prescreve fluoxetina e sua paciente já sai menos infeliz do consultório. No dia seguinte, em seu plantão na UPA Vassoural, você encontra a sua paciente que apresenta delírio, hipertensão não controlada, taquicardia e diaforese. Também possui mioclonia, hiperreflexia e tremores. O que aconteceu? O que fazer? REFERÊNCIAS ● AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 992 p. ● BARROS, Marilisa Berti de Azevedo et al . Depressão e comportamentos de saúde em adultos brasileiros – PNS 2013. Rev. Saúde Pública,São Paulo , v. 51, supl. 1, 8s, 2017 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102017000200307&lng=en&nrm=iso>. access on 17 Apr. 2018. Epub June 01, 2017. http://dx.doi.org/10.1590/s1518-8787.2017051000084. ● CLARK, Michelle. Antidepressivos. In: CLARK, Michelle. Farmacologia ilustrada. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. Cap. 12. ● HIRSCH, Michael; BIRNBAUM, Robert J. Serotonin modulators: Pharmacology, admnistration, and side effects. Uptodate, [s.i.], mar. 2018. ● RANG, H. P. et al. Rang & Dale: Farmacologia. 7. ed. Porto Alegre: Elsevier, 2012. 804 p. REFERÊNCIAS ● SANTOS, Jéssica Barreto dos; BARBOSA, Wallace Breno. Vortioxetina para o tratamento da depressão. Belo Horizonte: Centro Colaborador do Sus - Avaliação de Tecnologia e Excelência em Saúde, 2017. 20 p. ● SIMON, Gregory; ROY-BYRNE, Peter P.; SOLOMON, David. Unipolar major depression in adults: Choosing initial treatment. Uptodate, [s.i.], mar. 2018. ● STAHL, Stephen M.Antidepressivos. In: STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.Cap. 7. ● PATEL, Krisna et al. Bupropion: a systematic review and meta-analysis of effectiveness as an antidepressant. Therapeutic advances in psychopharmacology, v. 6, n. 2, p. 99-144, 2016. ● LABATTE LA, Fava M, Rosenbaum JF, Arana GW. Drogas para o tratamento da depressão. In: Handbook of Psychiatric Drug Therapy, sexta edição, Lippincott Williams & Wilkins, Filadélfia 2010. p.54. ● REFERÊNCIAS ● Bittencourt, Silvia Cardoso; Caponi, Sandra; Maluf, Sônia. Medicamentos Antidepressivos: Inserção na Prática Biomédica (1941 A 2006) a partir da Divulgação em um Livro-Texto de Farmacologia. Mana, [S.I.], v. 19, n. 2, p. 219-247, 2013. ● DEBATTISTA, Charles. Agentes Antidepressivos. In: Lange Farmacologia Básica e Clínica. 13ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Cap. 30. ●