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Antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor 
Os antidepressivos são drogas utilizadas no tratamento de diversos transtornos psiquiátricos e diversas 
condições orgânicas, sendo divididos em classes de acordo com seu perfil de ação. 
INIVIDORES SELETIVOS DA RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA (ISRS): 
➢ Atuam inibindo a recaptação do neurotransmissor Serotonina que acumula na fenda sináptica. 
 Não costumam ter ação sobre outros neurotransmissores, exceto a Paroxetina (um dos fármacos 
da classe) que exerce efeito anticolinérgico considerável. 
 São medicações de primeira linha para os quadros depressivos e ansiosos, devido seu perfil com pouco 
efeitos colaterais, alta tolerabilidade e baixa interação farmacológica. 
 Caba sendo a classe de escolha para pacientes idosos, pacientes com multimorbidades ou pacientes em 
uso de polifarmácia. 
 
 
 
FÁRMACOS DA CLASSE: 
 Citalopram: uso em quadros depressivos e ansiosos, não se envolve em interações 
medicamentosas, sendo então útil no tratamento de pacientes idosos. É considerado seguro 
na gestação e amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: entre 10 mg e 40mg/dia). 
 Escitalopram: é a forma ativa do citalopram, sendo seguro na gestação e amamentação 
(DOSE TERAPÊUTICA: entre 5mg e 20mg/dia). 
Essas duas drogas pouco interagem farmacologicamente e devem ser usadas em pacientes que já utilizam de 
outros fármacos (para outros fins terapêuticos). 
 Fluoxetina: é um dos mais prescritos, sendo uma escolha para o tratamento de depressão, 
ansiedade, TOC e transtornos alimentares. Seus metabólitos ativos têm meia-vida longa de até 
duas semanas. Esse fármaco se envolve em um maior número de interações farmacológicas 
(DOSE TERAPÊUTICA: 10mg e 80mg). 
 Paroxetina: possui intenso efeito serotoninérgico, possuindo também efeitos 
anticolinérgicos moderados, não sendo então uma medicação ideal para idosos, sendo ainda 
o que mais apresenta prejuízo a libido, deve ser evitada na gestação (DOSE TERAPÊUTICA: 
entre 10mg e 60mg). 
 Sertralina: a MAIS SEGURA DO PONTO DE VISTA CARDIOVASCULAR, tendo 
poucas interações medicamentosas, sendo aprovada para uso durante a gravidez e a 
amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 50mg e 200mg/dia). 
INIBIDORES DA RECAPTAÇÃO DA SEROTONINA E NORADRENALINA (IRSN): 
São também conhecidos como “duais”, agem inibindo a recaptação desses neurotransmissores na fenda 
sináptica. Possui as mesmas indicações dos ISRS, sendo considerados medicamentos de primeira linha para 
o transtorno depressivo. 
 
 
FÁRMACOS DESSA CLASSE: 
 Venlafaxina: propriedade antidepressiva e ansiolítica, possui pouca interação medicamentosa, 
sendo útil nos pacientes que tomam muitos medicamentos, quando utilizada em doses muito altas causa 
EFEITOS COLATERAIS DISCRETOS: Os ISRS podem causar discreto aumento do apetite, alterações 
no sono, sedação leve e uma pequena redução na libido, mas esses efeitos passam depois de algumas 
semanas. 
Sempre que tiver a opção de se utilizar um ISRS, vai ser primeira escolha, devido o fato de serem mais 
acessíveis, mais antigos no mercado e existirem mais estudos ao seu respeito, sendo também amplamente 
distribuídos no SUS por todo o Brasil. 
Iara Victoria – SOI V. 
aumento da PA, pode ser usada na gestação, mas deve ser evitada durante a amamentação (DOSE 
TERAPÊUTICA: 75mg até 225mg/dia). 
 Desvenlafaxina: sendo a forma metabolizada da Venlafaxina, podendo ser utilizada durante a 
gestação, mas evitada durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 50mg até 200mg/dia). 
 Duloxetina: propriedade antidepressiva, ansiolítica e analgésica (DOSE TERAPÊUTICA: 30mg até 
120mg/dia). 
 
 Durante a gestação deve se dar prioridade a utilizar os ISRS, e sempre que possível escolher a Fluoxetina 
ou a Sertralina. 
ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS: 
São os mais antigos desenvolvidos pela indústria farmacêutica, sendo disponível pelo SUS. Agem através do 
bloqueio da recaptação de serotonina e da noradrenalina, onde se acumulam progressivamente na fenda 
sináptica, promovendo seus efeitos terapêuticos. 
 São utilizados na depressão que não responde aos antidepressivos de uso mais comum, como os 
ISRS ou IRSN. Sua perca de popularidade advém, de seu menor perfil de tolerabilidade em 
comparação com agentes mais recentes. 
FÁRMACOS DESSA CLASSE: 
 Imipramina: indicado principalmente para o tratamento da depressão, síndrome do pânico ou 
incontinência urinária infantil noturna, em crianças com mais de 5 anos de idade. Não sendo 
recomendado durante a gestação, é um medicamento que possui bastante interação medicamentosa 
(DOSE TERAPÊUTICA: 25mg até 300mg/dia). 
 Amitriptilina: propriedade antidepressiva, ansiolítica e analgésica, sendo amplamente 
utilizado para DOR NEUROPÁTICA. Seu uso está associado a diversos efeitos colaterais e o 
médico pode indicar alternativas dependendo do paciente (ganho de peso, sonolência), possuindo 
ainda muita interação medicamentosa (DOSE TERAPÊUTICA: 25 até 300mg/dia). 
 Nortriptilina: acaba sendo a melhor opção, mas mesmo assim possui muitos efeitos colaterais 
(ganho de peso, sudorese, rubor facial), porem são efeitos mais leves e brandos (DOSE 
TERAPÊUTICA: 50mg a 200mg/dia). 
 
 
SOBRE OS EFEITOS COLATERAIS: 
➢ Ação anticolinérgica: piora cognitiva, risco de delirium, boca seca, constipação intestinal, retenção 
urinária, risco de arritmias cardíacas, visão turva e glaucoma, dentre outros. 
➢ Ação anti-histaminérgica: sedação, risco de queda, aumento do apetite, ganho de peso e piora 
metabólica. 
➢ Bloqueio alfa 1 e 2 adrenérgico: risco de hipotensão, queda e síncope. 
➢ Bloqueio dos canais de sódio: arritmias cardíacas, como alargamento do PR ou QT. 
 
 Alguns antidepressivos tricíclicos podem ser utilizados durante a gestação e amamentação. Sempre que 
possível, deve-se dar preferência aos ISRS. 
ANTIDEPRESSIVOS INIBIDORES DA MONOAMINA OXIDADE (IMAO): 
Agem inibindo a enzima monoaminoxidase (MAO), que é responsável pela degradação de 
neurotransmissores, como a serotonina, dopamina e a noradrenalina. Tem sido cada vez menos utilizados na 
pratica, devido um perfil de efeitos colaterais mais intensos e até mesmo potencialmente fatais. 
Além da sua ação terapêutica sobre a serotonina e adrenalina, essa classe possui ação sobre diversos 
outros neurotransmissores, como acetilcolina e histamina, sendo esses responsáveis por parte dos seus 
efeitos colaterais. Sua metabolização é mais complexa e com maior risco de interações medicamentosas. 
Iara Victoria – SOI V. 
 Seu uso requer comprimento de uma dieta especifica, com baixos níveis de TIRAMINA 
(aminoácido presente em diversos tipos de produtos alimentares – queijos e vinhos) que é 
metabolizada pela MAO. 
FÁRMACOS DESSA CLASSE: 
 Fenelzina: é normalmente administrado depois de outros antidepressivos terem sido testados sem 
o tratamento bem sucedido dos sintomas. 
 Selegilina: tem efeito antidepressivo e antiparkinsoniano (em associação com a Levodopa). Pode 
causar aumento das enzimas hepáticas, possuindo muitos efeitos colaterais. 
 Isocarboxazida: utilizado após outros antidepressivos terem sido tentados, sem sucesso no 
tratamento dos sintomas (DOSE TERAPÊUTICA: 10mg a 60mg/dia). 
 
 
 
 
 
ANTIDEPRESSIVOS ATÍPICOS: 
São aqueles que NÃO possuem como seus principais mecanismos de ação a recaptação de serotonina. 
FÁRMACOS DESSA CLASSE: 
 Bupropiona: possui ação sobre a recaptação de dopamina e noradrenalina, que se acumula na 
fenda sináptica. SEGURO DO PONTO DE VISTA CARDIOVASCULAR. Tem um perfil 
estimulante, sendo útil para tratar pacientes com queixas de “baixa energia” e promover perda 
de peso, o que pode ser útil no tratamento de pacientes obesos. Pode ser utilizado na gestação, mas 
evitado durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 150mg até 540mg/dia). 
OBS: Bupropiona, que também é considerada uma medicação de primeira linha no tratamento do tabagismo, 
deve ser evitada em pacientescom histórico de epilepsia e traumatismo craniano. 
 Mirtazapina: possui ação sobre serotonina e noradrenalina, mas seu efeito terapêutico e devido 
principalmente ao aumento da liberação desses neurotransmissores. Também exerce efeito 
anticolinérgico e anti-histaminérgico, o que causa um aumento no apetite e sedação intensa. Pode 
ser usado durante a gestação, mas evitado durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 15mg até 
60mg/dia). 
 Trazodona: é extremamente sedativo, sua ação terapêutica é devida um antagonista de receptores 
serotoninérgicos. Um efeito colateral raro, mas característico, é o priapismo. Pode ser utilizado 
durante a gestação, contudo deve ser evitado durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 50mg 
até 600mg). 
 
 
 
 
 
 
 
O efeito “queijo”: quando consumimos alimentos como queijos, embutidos e alguns tipos 
de peixes e vinhos, recebemos um aporte externo de tiramina, uma monoamina. Caso um 
IMAO esteja sendo utilizado, essa monoamina não será degradada pela MAO no sistema 
digestivo, sendo absorvida sistemicamente. Por isso, o consumo desses alimentos poderá 
causar um aumento importante da pressão arterial, podendo causar uma emergência 
hipertensiva. 
 
A Mirtazapina e a Trazodona são boas opções terapêuticas para pacientes com depressão e que apresentam 
queixas de insônia, pois são drogas muito sedativas. A Mirtazapina também pode ser prescrita para pacientes 
deprimidos que sofrem com a redução do apetite e a perda de peso. 
Iara Victoria – SOI V. 
DOSAGEM DOS ANTIDEPRESSIVOS: 
 
Como escolher um antidepressivo? 
Para escolher o medicamento ideal, devemos 
considerar as vantagens e desvantagens de cada 
substância, relacionadas ao perfil de efeitos 
colaterais e interações medicamentosas, levando 
em consideração as características clínicas e 
necessidades do paciente. 
 Antes de iniciar qualquer tratamento com 
antidepressivos, deve-se proceder uma 
minuciosa entrevista para descartar (ou 
confirmar) a presença de sintomas suspeitos 
de bipolaridade, como períodos de euforia, 
desinibição, diminuição da necessidade de 
sono, pensamentos acelerados, dentre 
outros, pois o uso de antidepressivos é 
contraindicado para pacientes bipolares, 
que podem causar um episódio maníaco. 
 
 Após a melhora do paciente, recomenda-
se manter o tratamento medicamentoso 
por mais 6 a 24 meses. Depois disso, 
devemos diminuir lentamente a medicação, 
para evitar recaídas e a síndrome de retirada 
dos antidepressivos. 
Fases do tratamento com antidepressivos: 
➢ Aguda: primeiros 3 meses, com 
objetivo de diminuir ou remitir 
sintomas. 
➢ Continuação: 6 meses seguintes, com 
objetivo de estabilizar o quadro ou 
remitir sintomas residuais. 
➢ Manutenção: prevenir recaídas e 
manter funcionalidade do paciente. 
 
Em alguns casos, recomenda-se um tratamento de 
manutenção por tempo indeterminado: 
 
 
Iara Victoria – SOI V. 
ANTIPSICÓTICOS 
Os antipsicóticos são medicamentos úteis para o tratamento de transtornos psicóticos, agitação e 
agressividade. 
MECANISMO DE AÇÃO: principal característica é a capacidade de bloquear os receptores 
dopaminérgicos do tipo D2 nas vias mesolímbica e mesocortical, regiões essas que provavelmente são as 
principais fontes dos sintomas psicóticos. Mas as vias tuberoinfundibular e nigroestriatal, que não estão 
relacionadas com a gênese psicótica, também são afetadas pela ação desses medicamentos. 
Hipótese dopaminérgica: 
A principal hipótese fisiopatológica para explicar o surgimento dos sintomas psicóticos é conhecida como 
“hipótese dopaminérgica” que diz que o excesso de atividade da dopamina é a responsável pela produção 
psicótica. Tendo como pilares de sustentação: 
1. A eficácia comprovada dos antipsicóticos que produzem forte bloqueio dopaminérgico, como o 
antipsicótico típico haloperidol. 
2. Substâncias que aumentam o tônus dopaminérgico com frequência produzem ou agravam sintomas 
psicóticos. 
Sobre as classes: 
 Antipsicóticos típicos – forte bloqueio D2 (1° geração) 
 Antipsicóticos atípicos – menor bloqueio D2 (2° e 3° geração) 
 Antipsicóticos de depósito 
ANTIPSICÓTICOS TÍPICOS – FORTE BLOQUEIO D2: 
São chamados de 1° geração por serem mais antigos e, principalmente, por atuarem de maneira “típica”, ou 
seja, atuam como bloqueadores dopaminérgicos dos receptores D2. 
 
 Dentre os antipsicóticos típicos, o haloperidol e a clorpromazina são os de escolha para o período 
gestacional. Já, para a amamentação, o haloperidol é considerado seguro. 
 Quais são disponíveis pelo SUS? Clorpromazina; Levomepromazina e Haloperidol. 
ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS – MENOR BLOQUEIO D2: 
Possui um perfil de ação variado, onde a maioria dos representantes dessa classe realiza ações como 
antagonistas da dopamina e da serotonina e alguns agem como agonista dopaminérgicos parciais, 
modulando o tônus dopaminérgico. 
Eles causam menos sintomas extrapiramidais, onde surgem apenas em altas doses quando o bloqueio 
dopaminérgico em D2 passa a ser considerável. 
Iara Victoria – SOI V. 
 Apesar dessa vantagem, podem causar uma piora no perfil metabólico, dislipidemia, aumento dos 
triglicérides, resistência insulínica, aumento do apetite e compulsão por doces, o que pode gerar 
ganho de peso e aumento do risco de morte por eventos cardiovasculares. 
Os antipsicóticos atípicos aripiprazol, lurasidona e ziprasidona são os que causam menos esses efeitos. 
Por outro lado, a clozapina e a olanzapina são os antipsicóticos que causam mais efeitos envolvidos com tais 
achados. 
 
 Clozapina: é um antipsicótico atípico, considerado o fármaco mais eficaz entre todos os 
antipsicóticos. Ela apresenta ações importantes contra a agressividade e, juntamente com o lítio, são 
as únicas drogas que exercem efeitos antissuicidas próprios. Virtualmente, a clozapina não causa 
sintomas extrapiramidais, pois exerce pouco bloqueio dos receptores D2, mesmo em altas doses. 
Geralmente é reservada para o tratamento dos casos mais graves de transtornos psicóticos. 
ANTIPSICÓTICO DE DEPÓSITO: 
Como o tratamento da esquizofrenia envolve longos períodos de uso de antipsicóticos, a quebra da adesão ao 
tratamento é alta ao longo do tempo. Estima-se que ao menos metade dos pacientes abandone o uso regular 
de suas medicações dentro de um prazo de 2 anos, o que contribui significativamente para novos surtos 
psicóticos e agravamento desse transtorno. 
Nesses casos medicações de depósito, ou seja, os fármacos que são administrados pela via intramuscular 
e liberados lentamente ao longo das semanas são considerados para então garantir a continuidade e o 
sucesso do tratamento. 
 Exemplos: os típicos flufenazina, haloperidol e zuclopentixol, além do antipsicótico atípico 
paliperidona, um metabólito ativo da risperidona. 
PRINCIPAIS EFEITOS CALATERAIS DOS ANTIPSICÓTICOS: 
 Síndrome extrapiramidal (SEP): 
Os antipsicóticos típicos (ou atípicos em altas doses) podem causar sintomas conhecidos como 
extrapiramidais (SEP), ou ainda sintomas parkinsonianos, como discinesias, tremores, distonias e acatisia, 
uma sensação de inquietação, descrita por alguns pacientes como uma “ansiedade nas pernas”. 
Esses efeitos colaterais acontecem porque os antipsicóticos não atuam apenas nas vias dopaminérgicas 
cerebrais, que são consideradas “alvo terapêutico” para o tratamento dos sintomas psicóticos, como a 
via mesolímbica e a via mesocortical. Eles atingem, como efeito colateral, os outros tratos cerebrais 
dopaminérgicos, como a via tuberoinfundibular, onde a ação do antipsicótico causa o aumento da Prolactina, 
e a via nigroestriatal, causando a SEP. 
Iara Victoria – SOI V. 
 Sinal da Roda Dentada: um sinal semiológico clássico, indicando a SEP. Ela surge quando os níveis 
de bloqueio D2 na via nigroestriatal se tornam muito elevados, causando rigidez muscular. Nesse 
caso, ao movimentar o punho do paciente, o examinador tem a impressãode que o movimento acontece 
como se houvesse uma “roda ou correia dentada”. 
 
 Hiperprolactinemia 
A dopamina exerce um efeito inibitório sobre a secreção de Prolactina, contudo, com a ação de antipsicóticos 
na via dopaminérgica tuberoinfundibular, o efeito inibitório da dopamina sobre a prolactina deixa de ser 
exercido, o que provoca a elevação dos níveis de prolactina. 
 Acatisia 
Ocorre, em geral, após o terceiro dia de medicação e é clinicamente caracterizada por inquietação psicomotora, 
desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume postura típica de 
levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para 
de mexer as pernas. 
 Discinesia tardia 
 Aparece após uso crônico de antipsicóticos (em geral, após 2 anos). Clinicamente, é caracterizada por 
movimentos involuntários, sobretudo da musculatura orolinguofacial, havendo protrusão da língua 
com movimentos de varredura laterolateral, acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. 
O tronco, os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos. A discinesia tardia 
não responde a nenhum tratamento conhecido, embora, em alguns casos, possa ser suprimida com a 
readministração do antipsicótico. 
 Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM) 
É uma reação grave e potencialmente fatal, causada como efeito colateral do uso de antipsicóticos, 
principalmente se administrados repetidamente e por via intramuscular. Seus principais sintomas são 
hipertermia e rigidez intensa. Outros sinais e sintomas possíveis são tremores, alterações da consciência, 
pressão arterial flutuante, incontinência esfincteriana, dispneia, elevação de fosfocreatinoquinase (CPK) e 
leucocitose sem desvio à esquerda. 
Como escolher um antipsicótico? 
Deve ser escolhido de acordo com suas 
propriedades farmacológicas e as necessidades 
do paciente. Devemos escolher de acordo com a 
clínica apresentada pelo indivíduo: um paciente 
agitado ou insone será beneficiado com um 
antipsicótico mais sedativo; um paciente deprimido 
ou ansioso, com um antipsicótico com 
propriedades antidepressivas. 
 Após a escolha da melhor droga, ela deve 
ser instituída até sua dose alvo, devendo-se 
aguardar entre 4 e 8 semanas para 
avaliar sua resposta terapêutica. Caso a 
resposta terapêutica seja pobre ou 
insatisfatória, outro antipsicótico deve ser 
instituído, preferencialmente um atípico, e 
um novo período de 4 a 8 semanas deve ser 
aguardado para nova avaliação da resposta. 
Na chamada fase estável ou fase de manutenção, os 
sintomas clínicos da esquizofrenia estão em 
remissão ou atenuados. O objetivo durante esse 
período é evitar a ocorrência de novos surtos 
psicóticos. Além disso, a fase de manutenção deve 
proporcionar ao paciente e à sua família melhor 
qualidade de vida. 
 Recomenda-se que a manutenção dure ao 
menos 2 anos em pacientes que sofreram 
apenas um episódio agudo, sendo a 
decisão de prorrogar ou encurtar esse prazo 
uma prerrogativa compartilhada entre 
paciente, família e equipe médica. 
 
Iara Victoria – SOI V. 
ESTABILIZADORES DO HUMOR 
As medicações classificadas como estabilizadoras do humor são aquelas que tratam e previnem tanto 
episódios de depressão quanto episódios de mania ou hipomania, mantendo o paciente na chamada 
“eutimia”, ou seja, numa faixa normal do humor. 
As medicações que são classicamente consideradas pela maioria dos autores como “estabilizadoras do humor” 
são: o lítio e os anticonvulsivantes carbamazepina, ácido valproico e lamotrigina. 
LÍTIO – O PADRÃO OURO: 
Um dos medicamentos mais importantes de toda a Psiquiatria, o Lítio é um remédio amplamente acessível, 
barato e muito eficaz. 
 É uma medicação de primeira linha para o Transtorno Bipolar, por possuir propriedades 
antimaníacas, antidepressivas e antissuicidas. 
Mecanismo de ação: é pouco compreendido, provavelmente possuindo ações sobre o glicogênio sintase 
quinase 3 (GSK 3), que se envolve em diversos processos de regulação do funcionamento cerebral, além de 
possíveis ações no sistema nervoso central (SNC) sobre acetilcolina, dopamina, GABA, glutamato e 
serotonina. Sua meia-vida fica entre 18 e 24 horas, sendo excretado de forma inalterada pela urina, já que 
não sofre qualquer tipo de metabolização. 
 Sua concentração sérica deve situar-se entre 0,6 e 1,2 mEq/L para alcançar seu pleno efeito 
terapêutico. Por isso, o lítio é uma medicação com baixo índice terapêutico. Concentrações séricas 
superiores podem causar uma intoxicação aguda. 
É recomendada uma aferição da litemia após 7 dias do início do tratamento e 7 dias após cada ajuste de 
dose. Durante o tratamento de manutenção, a litemia deve ser coletada semestralmente, bem como exames 
como hemograma, função renal, eletrólitos, glicemia de jejum e TSH e T4 livre. 
 
OBS: O lítio é excretado pelos rins, sem sofrer qualquer tipo de metabolização hepática. Por isso, medicações 
que interferem na capacidade da filtração glomerular (como IECAs, BRAs, diuréticos, AINEs, dentre outros) 
podem causar um aumento da litemia, aumentando os riscos de uma intoxicação aguda. 
Contra indicação: contraindicado durante a amamentação, em pacientes com doença renal crônica e em 
cardiopatas graves. É relativamente contraindicado na gestação e em pacientes com hipotiroidismo. 
Seus principais efeitos colaterais são: acne, náuseas, vômitos, diarreia, retenção hídrica, queda de cabelo, 
aumento do apetite, ganho de peso e tremores finos. Todos esses sintomas podem ser minimizados, ou mesmo 
neutralizados, com a introdução lenta da droga, iniciando com baixas doses e realizando aumentos 
progressivos. 
Seus principais possíveis efeitos colaterais a longo prazo são: hipotiroidismo, diabete insípido e insuficiência 
renal. 
ÁCIDO VALPROICO (AVP): 
Representa a forma ácida desse estabilizador do humor, enquanto o valproato de sódio é um sal, o divalproato 
de sódio é uma mistura das duas moléculas e na pratica clinica possui efeitos idênticos e equivalentes. 
Mecanismo de ação: exerça efeitos sobre os canais de sódio e sobre o ácido gama-aminobutírico (GABA). 
Iara Victoria – SOI V. 
 Medicação de primeira linha para o tratamento de fase aguda ou na manutenção do Transtorno 
do Humor Bipolar. 
Seus principais efeitos colaterais são sedação, ganho de peso, tremores, queda de cabelo e elevação 
temporária e benigna das transaminases. 
É contraindicado para pacientes hepatopatas graves e em gestantes. É considerado seguro durante a 
amamentação. 
CARBAMAZEPINA: 
Anticonvulsivante com propriedades estabilizadoras do humor. Atualmente, é menos utilizada do que o 
lítio e o ácido valproico por ser mais hepatotóxica e por envolver-se em um grande número de interações 
medicamentosas. 
 Medicação de segunda linha no tratamento do transtorno do humor bipolar. 
 Seus níveis séricos considerados terapêuticos são entre 4 e 12 g/mL. 
Mecanismo de ação: modulação glutamatérgica e da ação sobre canais de sódio. 
Seus principais efeitos colaterais são náuseas, vômitos, sedação e ataxia. Em casos graves, pode haver 
anemia aplástica, hepatite medicamentosa e Síndrome de Stevens-Johnson. 
É contraindicada em hepatopatas, portadores de doenças hematológicas graves e durante a gravidez. É 
considerada segura durante a amamentação. 
LAMOTRIGINA – O ESTABILIZADOR “DE BAIXO PARA CIMA”: 
Fármaco estabilizador do humor e anticonvulsivante, com ações proeminentes antidepressivas e ação 
discreta sobre o tratamento e a prevenção de episódios maníacos. 
 Suas doses terapêuticas variam entre 100 mg e 500 mg ao dia. 
 Bem tolerado e apresenta poucos efeitos colaterais. 
 A Lamotrigina é a droga de escolha para o período gestacional. Apesar disso, é relativamente 
contraindicada durante a amamentação. 
Mais bem indicada em pacientes com Transtorno de Humor Bipolar que sofrem mais episódios 
depressivos.Por isso, podemos dizer que a estabilização do humor ocorre “de baixo para cima”. Isso significa 
que a lamotrigina tira a pessoa do polo negativo (depressão), levando-a para “cima” até atingir a eutimia. 
 Como deve ser introduzida lentamente, há uma demora de semanas para se atingir a dose terapêutica 
adequada. Por isso, a lamotrigina não é uma boa opção para o tratamento de uma fase aguda do 
transtorno do humor bipolar. 
Questão: 
(HCG 2015) A dosagem sérica de lítio deve ser solicitada: 
A) a todos pacientes que estejam medicados com sal de lítio, independente do diagnóstico, com intuito de se 
evitar que eles usem doses tóxicas ou doses não terapêuticas. 
B) a pacientes diagnosticados com transtorno bipolar para avaliar a necessidade de suplementação ou não de 
lítio com o medicamento carbonato de lítio. 
C) a pacientes que apresentam quadro depressivo atual e histórico familiar de transtorno bipolar para 
diagnóstico diferencial entre transtorno bipolar e transtorno depressivo maior. 
D) a pacientes com diagnóstico exclusivo de transtorno bipolar que estejam medicados com sal de lítio para 
ajuste posológico adequado. 
Resposta: A. 
Iara Victoria – SOI V. 
ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS 
Quando se mencionam ansiolíticos, trata-se praticamente dos benzodiazepínicos, uma das drogas mais usadas 
no mundo e, talvez por isso, considerada problema da saúde pública nos países mais desenvolvidos. 
Os benzodiazepínicos são capazes de estimular no cérebro mecanismos que normalmente equilibram 
estados de tensão e ansiedade. Aparentemente, o efeito ansiolítico dos benzodiazepínicos relaciona-se ao 
sistema de neurotransmissores gabaérgicos do sistema límbico. 
 O ácido gama-aminobutírico é um neurotransmissor com função inibitória, capaz de atenuar as 
reações serotoninérgicas responsáveis pela ansiedade. Os benzodiazepínicos seriam, então, agonistas 
(simuladores) desse sistema, agindo nos receptores gabaminérgicos. 
Como consequência dessa ação, os ansiolíticos produzem depressão da atividade do cérebro que se caracteriza 
por: 
1. Diminuição de ansiedade; 
2. Indução de sono; 
3. Relaxamento muscular; 
4. Redução do estado de alerta; 
5. Aumento limiar de convulsão. 
OBS: É importante notar que os efeitos dos benzodiazepínicos podem ser fortemente aumentados pelo 
álcool, e a mistura pode ser prejudicial. 
Naturalmente, pode-se valer dos benzodiazepínicos como coadjuvantes do tratamento psiquiátrico, quando a 
causa-base da ansiedade não é prontamente resolvida. No caso de paciente deprimido e, consequentemente, 
ansioso, os benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento antidepressivo não exerce o efeito 
desejável. 
Benzodiazepínicos: 
1. Alprazolam; 
2. Bromazepam; 
3. Clobazam; 
4. Clonazepam; 
5. Clordiazepóxido; 
6. Cloxazolam; 
7. Diazepam; 
8. Lorazepam. 
Zolpidem 
Trata-se de um fármaco hipnótico, do grupo das imidazopiridinas, não benzodiazepínico, de rápida ação 
e de curta meia-vida. 
É utilizado na dose de 10 mg/dia, para o tratamento em curto prazo da insônia (de 2 e 6 semanas). 
O zolpidem deve ser usado com cautela, pois tem potencial de causar amnésia anterógrada, descoordenação 
motora, fadiga, tonturas, alucinações e sonambulismo. 
 
 
 
 
Iara Victoria – SOI V.

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