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Antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor Os antidepressivos são drogas utilizadas no tratamento de diversos transtornos psiquiátricos e diversas condições orgânicas, sendo divididos em classes de acordo com seu perfil de ação. INIVIDORES SELETIVOS DA RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA (ISRS): ➢ Atuam inibindo a recaptação do neurotransmissor Serotonina que acumula na fenda sináptica. Não costumam ter ação sobre outros neurotransmissores, exceto a Paroxetina (um dos fármacos da classe) que exerce efeito anticolinérgico considerável. São medicações de primeira linha para os quadros depressivos e ansiosos, devido seu perfil com pouco efeitos colaterais, alta tolerabilidade e baixa interação farmacológica. Caba sendo a classe de escolha para pacientes idosos, pacientes com multimorbidades ou pacientes em uso de polifarmácia. FÁRMACOS DA CLASSE: Citalopram: uso em quadros depressivos e ansiosos, não se envolve em interações medicamentosas, sendo então útil no tratamento de pacientes idosos. É considerado seguro na gestação e amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: entre 10 mg e 40mg/dia). Escitalopram: é a forma ativa do citalopram, sendo seguro na gestação e amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: entre 5mg e 20mg/dia). Essas duas drogas pouco interagem farmacologicamente e devem ser usadas em pacientes que já utilizam de outros fármacos (para outros fins terapêuticos). Fluoxetina: é um dos mais prescritos, sendo uma escolha para o tratamento de depressão, ansiedade, TOC e transtornos alimentares. Seus metabólitos ativos têm meia-vida longa de até duas semanas. Esse fármaco se envolve em um maior número de interações farmacológicas (DOSE TERAPÊUTICA: 10mg e 80mg). Paroxetina: possui intenso efeito serotoninérgico, possuindo também efeitos anticolinérgicos moderados, não sendo então uma medicação ideal para idosos, sendo ainda o que mais apresenta prejuízo a libido, deve ser evitada na gestação (DOSE TERAPÊUTICA: entre 10mg e 60mg). Sertralina: a MAIS SEGURA DO PONTO DE VISTA CARDIOVASCULAR, tendo poucas interações medicamentosas, sendo aprovada para uso durante a gravidez e a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 50mg e 200mg/dia). INIBIDORES DA RECAPTAÇÃO DA SEROTONINA E NORADRENALINA (IRSN): São também conhecidos como “duais”, agem inibindo a recaptação desses neurotransmissores na fenda sináptica. Possui as mesmas indicações dos ISRS, sendo considerados medicamentos de primeira linha para o transtorno depressivo. FÁRMACOS DESSA CLASSE: Venlafaxina: propriedade antidepressiva e ansiolítica, possui pouca interação medicamentosa, sendo útil nos pacientes que tomam muitos medicamentos, quando utilizada em doses muito altas causa EFEITOS COLATERAIS DISCRETOS: Os ISRS podem causar discreto aumento do apetite, alterações no sono, sedação leve e uma pequena redução na libido, mas esses efeitos passam depois de algumas semanas. Sempre que tiver a opção de se utilizar um ISRS, vai ser primeira escolha, devido o fato de serem mais acessíveis, mais antigos no mercado e existirem mais estudos ao seu respeito, sendo também amplamente distribuídos no SUS por todo o Brasil. Iara Victoria – SOI V. aumento da PA, pode ser usada na gestação, mas deve ser evitada durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 75mg até 225mg/dia). Desvenlafaxina: sendo a forma metabolizada da Venlafaxina, podendo ser utilizada durante a gestação, mas evitada durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 50mg até 200mg/dia). Duloxetina: propriedade antidepressiva, ansiolítica e analgésica (DOSE TERAPÊUTICA: 30mg até 120mg/dia). Durante a gestação deve se dar prioridade a utilizar os ISRS, e sempre que possível escolher a Fluoxetina ou a Sertralina. ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS: São os mais antigos desenvolvidos pela indústria farmacêutica, sendo disponível pelo SUS. Agem através do bloqueio da recaptação de serotonina e da noradrenalina, onde se acumulam progressivamente na fenda sináptica, promovendo seus efeitos terapêuticos. São utilizados na depressão que não responde aos antidepressivos de uso mais comum, como os ISRS ou IRSN. Sua perca de popularidade advém, de seu menor perfil de tolerabilidade em comparação com agentes mais recentes. FÁRMACOS DESSA CLASSE: Imipramina: indicado principalmente para o tratamento da depressão, síndrome do pânico ou incontinência urinária infantil noturna, em crianças com mais de 5 anos de idade. Não sendo recomendado durante a gestação, é um medicamento que possui bastante interação medicamentosa (DOSE TERAPÊUTICA: 25mg até 300mg/dia). Amitriptilina: propriedade antidepressiva, ansiolítica e analgésica, sendo amplamente utilizado para DOR NEUROPÁTICA. Seu uso está associado a diversos efeitos colaterais e o médico pode indicar alternativas dependendo do paciente (ganho de peso, sonolência), possuindo ainda muita interação medicamentosa (DOSE TERAPÊUTICA: 25 até 300mg/dia). Nortriptilina: acaba sendo a melhor opção, mas mesmo assim possui muitos efeitos colaterais (ganho de peso, sudorese, rubor facial), porem são efeitos mais leves e brandos (DOSE TERAPÊUTICA: 50mg a 200mg/dia). SOBRE OS EFEITOS COLATERAIS: ➢ Ação anticolinérgica: piora cognitiva, risco de delirium, boca seca, constipação intestinal, retenção urinária, risco de arritmias cardíacas, visão turva e glaucoma, dentre outros. ➢ Ação anti-histaminérgica: sedação, risco de queda, aumento do apetite, ganho de peso e piora metabólica. ➢ Bloqueio alfa 1 e 2 adrenérgico: risco de hipotensão, queda e síncope. ➢ Bloqueio dos canais de sódio: arritmias cardíacas, como alargamento do PR ou QT. Alguns antidepressivos tricíclicos podem ser utilizados durante a gestação e amamentação. Sempre que possível, deve-se dar preferência aos ISRS. ANTIDEPRESSIVOS INIBIDORES DA MONOAMINA OXIDADE (IMAO): Agem inibindo a enzima monoaminoxidase (MAO), que é responsável pela degradação de neurotransmissores, como a serotonina, dopamina e a noradrenalina. Tem sido cada vez menos utilizados na pratica, devido um perfil de efeitos colaterais mais intensos e até mesmo potencialmente fatais. Além da sua ação terapêutica sobre a serotonina e adrenalina, essa classe possui ação sobre diversos outros neurotransmissores, como acetilcolina e histamina, sendo esses responsáveis por parte dos seus efeitos colaterais. Sua metabolização é mais complexa e com maior risco de interações medicamentosas. Iara Victoria – SOI V. Seu uso requer comprimento de uma dieta especifica, com baixos níveis de TIRAMINA (aminoácido presente em diversos tipos de produtos alimentares – queijos e vinhos) que é metabolizada pela MAO. FÁRMACOS DESSA CLASSE: Fenelzina: é normalmente administrado depois de outros antidepressivos terem sido testados sem o tratamento bem sucedido dos sintomas. Selegilina: tem efeito antidepressivo e antiparkinsoniano (em associação com a Levodopa). Pode causar aumento das enzimas hepáticas, possuindo muitos efeitos colaterais. Isocarboxazida: utilizado após outros antidepressivos terem sido tentados, sem sucesso no tratamento dos sintomas (DOSE TERAPÊUTICA: 10mg a 60mg/dia). ANTIDEPRESSIVOS ATÍPICOS: São aqueles que NÃO possuem como seus principais mecanismos de ação a recaptação de serotonina. FÁRMACOS DESSA CLASSE: Bupropiona: possui ação sobre a recaptação de dopamina e noradrenalina, que se acumula na fenda sináptica. SEGURO DO PONTO DE VISTA CARDIOVASCULAR. Tem um perfil estimulante, sendo útil para tratar pacientes com queixas de “baixa energia” e promover perda de peso, o que pode ser útil no tratamento de pacientes obesos. Pode ser utilizado na gestação, mas evitado durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 150mg até 540mg/dia). OBS: Bupropiona, que também é considerada uma medicação de primeira linha no tratamento do tabagismo, deve ser evitada em pacientescom histórico de epilepsia e traumatismo craniano. Mirtazapina: possui ação sobre serotonina e noradrenalina, mas seu efeito terapêutico e devido principalmente ao aumento da liberação desses neurotransmissores. Também exerce efeito anticolinérgico e anti-histaminérgico, o que causa um aumento no apetite e sedação intensa. Pode ser usado durante a gestação, mas evitado durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 15mg até 60mg/dia). Trazodona: é extremamente sedativo, sua ação terapêutica é devida um antagonista de receptores serotoninérgicos. Um efeito colateral raro, mas característico, é o priapismo. Pode ser utilizado durante a gestação, contudo deve ser evitado durante a amamentação (DOSE TERAPÊUTICA: 50mg até 600mg). O efeito “queijo”: quando consumimos alimentos como queijos, embutidos e alguns tipos de peixes e vinhos, recebemos um aporte externo de tiramina, uma monoamina. Caso um IMAO esteja sendo utilizado, essa monoamina não será degradada pela MAO no sistema digestivo, sendo absorvida sistemicamente. Por isso, o consumo desses alimentos poderá causar um aumento importante da pressão arterial, podendo causar uma emergência hipertensiva. A Mirtazapina e a Trazodona são boas opções terapêuticas para pacientes com depressão e que apresentam queixas de insônia, pois são drogas muito sedativas. A Mirtazapina também pode ser prescrita para pacientes deprimidos que sofrem com a redução do apetite e a perda de peso. Iara Victoria – SOI V. DOSAGEM DOS ANTIDEPRESSIVOS: Como escolher um antidepressivo? Para escolher o medicamento ideal, devemos considerar as vantagens e desvantagens de cada substância, relacionadas ao perfil de efeitos colaterais e interações medicamentosas, levando em consideração as características clínicas e necessidades do paciente. Antes de iniciar qualquer tratamento com antidepressivos, deve-se proceder uma minuciosa entrevista para descartar (ou confirmar) a presença de sintomas suspeitos de bipolaridade, como períodos de euforia, desinibição, diminuição da necessidade de sono, pensamentos acelerados, dentre outros, pois o uso de antidepressivos é contraindicado para pacientes bipolares, que podem causar um episódio maníaco. Após a melhora do paciente, recomenda- se manter o tratamento medicamentoso por mais 6 a 24 meses. Depois disso, devemos diminuir lentamente a medicação, para evitar recaídas e a síndrome de retirada dos antidepressivos. Fases do tratamento com antidepressivos: ➢ Aguda: primeiros 3 meses, com objetivo de diminuir ou remitir sintomas. ➢ Continuação: 6 meses seguintes, com objetivo de estabilizar o quadro ou remitir sintomas residuais. ➢ Manutenção: prevenir recaídas e manter funcionalidade do paciente. Em alguns casos, recomenda-se um tratamento de manutenção por tempo indeterminado: Iara Victoria – SOI V. ANTIPSICÓTICOS Os antipsicóticos são medicamentos úteis para o tratamento de transtornos psicóticos, agitação e agressividade. MECANISMO DE AÇÃO: principal característica é a capacidade de bloquear os receptores dopaminérgicos do tipo D2 nas vias mesolímbica e mesocortical, regiões essas que provavelmente são as principais fontes dos sintomas psicóticos. Mas as vias tuberoinfundibular e nigroestriatal, que não estão relacionadas com a gênese psicótica, também são afetadas pela ação desses medicamentos. Hipótese dopaminérgica: A principal hipótese fisiopatológica para explicar o surgimento dos sintomas psicóticos é conhecida como “hipótese dopaminérgica” que diz que o excesso de atividade da dopamina é a responsável pela produção psicótica. Tendo como pilares de sustentação: 1. A eficácia comprovada dos antipsicóticos que produzem forte bloqueio dopaminérgico, como o antipsicótico típico haloperidol. 2. Substâncias que aumentam o tônus dopaminérgico com frequência produzem ou agravam sintomas psicóticos. Sobre as classes: Antipsicóticos típicos – forte bloqueio D2 (1° geração) Antipsicóticos atípicos – menor bloqueio D2 (2° e 3° geração) Antipsicóticos de depósito ANTIPSICÓTICOS TÍPICOS – FORTE BLOQUEIO D2: São chamados de 1° geração por serem mais antigos e, principalmente, por atuarem de maneira “típica”, ou seja, atuam como bloqueadores dopaminérgicos dos receptores D2. Dentre os antipsicóticos típicos, o haloperidol e a clorpromazina são os de escolha para o período gestacional. Já, para a amamentação, o haloperidol é considerado seguro. Quais são disponíveis pelo SUS? Clorpromazina; Levomepromazina e Haloperidol. ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS – MENOR BLOQUEIO D2: Possui um perfil de ação variado, onde a maioria dos representantes dessa classe realiza ações como antagonistas da dopamina e da serotonina e alguns agem como agonista dopaminérgicos parciais, modulando o tônus dopaminérgico. Eles causam menos sintomas extrapiramidais, onde surgem apenas em altas doses quando o bloqueio dopaminérgico em D2 passa a ser considerável. Iara Victoria – SOI V. Apesar dessa vantagem, podem causar uma piora no perfil metabólico, dislipidemia, aumento dos triglicérides, resistência insulínica, aumento do apetite e compulsão por doces, o que pode gerar ganho de peso e aumento do risco de morte por eventos cardiovasculares. Os antipsicóticos atípicos aripiprazol, lurasidona e ziprasidona são os que causam menos esses efeitos. Por outro lado, a clozapina e a olanzapina são os antipsicóticos que causam mais efeitos envolvidos com tais achados. Clozapina: é um antipsicótico atípico, considerado o fármaco mais eficaz entre todos os antipsicóticos. Ela apresenta ações importantes contra a agressividade e, juntamente com o lítio, são as únicas drogas que exercem efeitos antissuicidas próprios. Virtualmente, a clozapina não causa sintomas extrapiramidais, pois exerce pouco bloqueio dos receptores D2, mesmo em altas doses. Geralmente é reservada para o tratamento dos casos mais graves de transtornos psicóticos. ANTIPSICÓTICO DE DEPÓSITO: Como o tratamento da esquizofrenia envolve longos períodos de uso de antipsicóticos, a quebra da adesão ao tratamento é alta ao longo do tempo. Estima-se que ao menos metade dos pacientes abandone o uso regular de suas medicações dentro de um prazo de 2 anos, o que contribui significativamente para novos surtos psicóticos e agravamento desse transtorno. Nesses casos medicações de depósito, ou seja, os fármacos que são administrados pela via intramuscular e liberados lentamente ao longo das semanas são considerados para então garantir a continuidade e o sucesso do tratamento. Exemplos: os típicos flufenazina, haloperidol e zuclopentixol, além do antipsicótico atípico paliperidona, um metabólito ativo da risperidona. PRINCIPAIS EFEITOS CALATERAIS DOS ANTIPSICÓTICOS: Síndrome extrapiramidal (SEP): Os antipsicóticos típicos (ou atípicos em altas doses) podem causar sintomas conhecidos como extrapiramidais (SEP), ou ainda sintomas parkinsonianos, como discinesias, tremores, distonias e acatisia, uma sensação de inquietação, descrita por alguns pacientes como uma “ansiedade nas pernas”. Esses efeitos colaterais acontecem porque os antipsicóticos não atuam apenas nas vias dopaminérgicas cerebrais, que são consideradas “alvo terapêutico” para o tratamento dos sintomas psicóticos, como a via mesolímbica e a via mesocortical. Eles atingem, como efeito colateral, os outros tratos cerebrais dopaminérgicos, como a via tuberoinfundibular, onde a ação do antipsicótico causa o aumento da Prolactina, e a via nigroestriatal, causando a SEP. Iara Victoria – SOI V. Sinal da Roda Dentada: um sinal semiológico clássico, indicando a SEP. Ela surge quando os níveis de bloqueio D2 na via nigroestriatal se tornam muito elevados, causando rigidez muscular. Nesse caso, ao movimentar o punho do paciente, o examinador tem a impressãode que o movimento acontece como se houvesse uma “roda ou correia dentada”. Hiperprolactinemia A dopamina exerce um efeito inibitório sobre a secreção de Prolactina, contudo, com a ação de antipsicóticos na via dopaminérgica tuberoinfundibular, o efeito inibitório da dopamina sobre a prolactina deixa de ser exercido, o que provoca a elevação dos níveis de prolactina. Acatisia Ocorre, em geral, após o terceiro dia de medicação e é clinicamente caracterizada por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer as pernas. Discinesia tardia Aparece após uso crônico de antipsicóticos (em geral, após 2 anos). Clinicamente, é caracterizada por movimentos involuntários, sobretudo da musculatura orolinguofacial, havendo protrusão da língua com movimentos de varredura laterolateral, acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. O tronco, os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos. A discinesia tardia não responde a nenhum tratamento conhecido, embora, em alguns casos, possa ser suprimida com a readministração do antipsicótico. Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM) É uma reação grave e potencialmente fatal, causada como efeito colateral do uso de antipsicóticos, principalmente se administrados repetidamente e por via intramuscular. Seus principais sintomas são hipertermia e rigidez intensa. Outros sinais e sintomas possíveis são tremores, alterações da consciência, pressão arterial flutuante, incontinência esfincteriana, dispneia, elevação de fosfocreatinoquinase (CPK) e leucocitose sem desvio à esquerda. Como escolher um antipsicótico? Deve ser escolhido de acordo com suas propriedades farmacológicas e as necessidades do paciente. Devemos escolher de acordo com a clínica apresentada pelo indivíduo: um paciente agitado ou insone será beneficiado com um antipsicótico mais sedativo; um paciente deprimido ou ansioso, com um antipsicótico com propriedades antidepressivas. Após a escolha da melhor droga, ela deve ser instituída até sua dose alvo, devendo-se aguardar entre 4 e 8 semanas para avaliar sua resposta terapêutica. Caso a resposta terapêutica seja pobre ou insatisfatória, outro antipsicótico deve ser instituído, preferencialmente um atípico, e um novo período de 4 a 8 semanas deve ser aguardado para nova avaliação da resposta. Na chamada fase estável ou fase de manutenção, os sintomas clínicos da esquizofrenia estão em remissão ou atenuados. O objetivo durante esse período é evitar a ocorrência de novos surtos psicóticos. Além disso, a fase de manutenção deve proporcionar ao paciente e à sua família melhor qualidade de vida. Recomenda-se que a manutenção dure ao menos 2 anos em pacientes que sofreram apenas um episódio agudo, sendo a decisão de prorrogar ou encurtar esse prazo uma prerrogativa compartilhada entre paciente, família e equipe médica. Iara Victoria – SOI V. ESTABILIZADORES DO HUMOR As medicações classificadas como estabilizadoras do humor são aquelas que tratam e previnem tanto episódios de depressão quanto episódios de mania ou hipomania, mantendo o paciente na chamada “eutimia”, ou seja, numa faixa normal do humor. As medicações que são classicamente consideradas pela maioria dos autores como “estabilizadoras do humor” são: o lítio e os anticonvulsivantes carbamazepina, ácido valproico e lamotrigina. LÍTIO – O PADRÃO OURO: Um dos medicamentos mais importantes de toda a Psiquiatria, o Lítio é um remédio amplamente acessível, barato e muito eficaz. É uma medicação de primeira linha para o Transtorno Bipolar, por possuir propriedades antimaníacas, antidepressivas e antissuicidas. Mecanismo de ação: é pouco compreendido, provavelmente possuindo ações sobre o glicogênio sintase quinase 3 (GSK 3), que se envolve em diversos processos de regulação do funcionamento cerebral, além de possíveis ações no sistema nervoso central (SNC) sobre acetilcolina, dopamina, GABA, glutamato e serotonina. Sua meia-vida fica entre 18 e 24 horas, sendo excretado de forma inalterada pela urina, já que não sofre qualquer tipo de metabolização. Sua concentração sérica deve situar-se entre 0,6 e 1,2 mEq/L para alcançar seu pleno efeito terapêutico. Por isso, o lítio é uma medicação com baixo índice terapêutico. Concentrações séricas superiores podem causar uma intoxicação aguda. É recomendada uma aferição da litemia após 7 dias do início do tratamento e 7 dias após cada ajuste de dose. Durante o tratamento de manutenção, a litemia deve ser coletada semestralmente, bem como exames como hemograma, função renal, eletrólitos, glicemia de jejum e TSH e T4 livre. OBS: O lítio é excretado pelos rins, sem sofrer qualquer tipo de metabolização hepática. Por isso, medicações que interferem na capacidade da filtração glomerular (como IECAs, BRAs, diuréticos, AINEs, dentre outros) podem causar um aumento da litemia, aumentando os riscos de uma intoxicação aguda. Contra indicação: contraindicado durante a amamentação, em pacientes com doença renal crônica e em cardiopatas graves. É relativamente contraindicado na gestação e em pacientes com hipotiroidismo. Seus principais efeitos colaterais são: acne, náuseas, vômitos, diarreia, retenção hídrica, queda de cabelo, aumento do apetite, ganho de peso e tremores finos. Todos esses sintomas podem ser minimizados, ou mesmo neutralizados, com a introdução lenta da droga, iniciando com baixas doses e realizando aumentos progressivos. Seus principais possíveis efeitos colaterais a longo prazo são: hipotiroidismo, diabete insípido e insuficiência renal. ÁCIDO VALPROICO (AVP): Representa a forma ácida desse estabilizador do humor, enquanto o valproato de sódio é um sal, o divalproato de sódio é uma mistura das duas moléculas e na pratica clinica possui efeitos idênticos e equivalentes. Mecanismo de ação: exerça efeitos sobre os canais de sódio e sobre o ácido gama-aminobutírico (GABA). Iara Victoria – SOI V. Medicação de primeira linha para o tratamento de fase aguda ou na manutenção do Transtorno do Humor Bipolar. Seus principais efeitos colaterais são sedação, ganho de peso, tremores, queda de cabelo e elevação temporária e benigna das transaminases. É contraindicado para pacientes hepatopatas graves e em gestantes. É considerado seguro durante a amamentação. CARBAMAZEPINA: Anticonvulsivante com propriedades estabilizadoras do humor. Atualmente, é menos utilizada do que o lítio e o ácido valproico por ser mais hepatotóxica e por envolver-se em um grande número de interações medicamentosas. Medicação de segunda linha no tratamento do transtorno do humor bipolar. Seus níveis séricos considerados terapêuticos são entre 4 e 12 g/mL. Mecanismo de ação: modulação glutamatérgica e da ação sobre canais de sódio. Seus principais efeitos colaterais são náuseas, vômitos, sedação e ataxia. Em casos graves, pode haver anemia aplástica, hepatite medicamentosa e Síndrome de Stevens-Johnson. É contraindicada em hepatopatas, portadores de doenças hematológicas graves e durante a gravidez. É considerada segura durante a amamentação. LAMOTRIGINA – O ESTABILIZADOR “DE BAIXO PARA CIMA”: Fármaco estabilizador do humor e anticonvulsivante, com ações proeminentes antidepressivas e ação discreta sobre o tratamento e a prevenção de episódios maníacos. Suas doses terapêuticas variam entre 100 mg e 500 mg ao dia. Bem tolerado e apresenta poucos efeitos colaterais. A Lamotrigina é a droga de escolha para o período gestacional. Apesar disso, é relativamente contraindicada durante a amamentação. Mais bem indicada em pacientes com Transtorno de Humor Bipolar que sofrem mais episódios depressivos.Por isso, podemos dizer que a estabilização do humor ocorre “de baixo para cima”. Isso significa que a lamotrigina tira a pessoa do polo negativo (depressão), levando-a para “cima” até atingir a eutimia. Como deve ser introduzida lentamente, há uma demora de semanas para se atingir a dose terapêutica adequada. Por isso, a lamotrigina não é uma boa opção para o tratamento de uma fase aguda do transtorno do humor bipolar. Questão: (HCG 2015) A dosagem sérica de lítio deve ser solicitada: A) a todos pacientes que estejam medicados com sal de lítio, independente do diagnóstico, com intuito de se evitar que eles usem doses tóxicas ou doses não terapêuticas. B) a pacientes diagnosticados com transtorno bipolar para avaliar a necessidade de suplementação ou não de lítio com o medicamento carbonato de lítio. C) a pacientes que apresentam quadro depressivo atual e histórico familiar de transtorno bipolar para diagnóstico diferencial entre transtorno bipolar e transtorno depressivo maior. D) a pacientes com diagnóstico exclusivo de transtorno bipolar que estejam medicados com sal de lítio para ajuste posológico adequado. Resposta: A. Iara Victoria – SOI V. ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS Quando se mencionam ansiolíticos, trata-se praticamente dos benzodiazepínicos, uma das drogas mais usadas no mundo e, talvez por isso, considerada problema da saúde pública nos países mais desenvolvidos. Os benzodiazepínicos são capazes de estimular no cérebro mecanismos que normalmente equilibram estados de tensão e ansiedade. Aparentemente, o efeito ansiolítico dos benzodiazepínicos relaciona-se ao sistema de neurotransmissores gabaérgicos do sistema límbico. O ácido gama-aminobutírico é um neurotransmissor com função inibitória, capaz de atenuar as reações serotoninérgicas responsáveis pela ansiedade. Os benzodiazepínicos seriam, então, agonistas (simuladores) desse sistema, agindo nos receptores gabaminérgicos. Como consequência dessa ação, os ansiolíticos produzem depressão da atividade do cérebro que se caracteriza por: 1. Diminuição de ansiedade; 2. Indução de sono; 3. Relaxamento muscular; 4. Redução do estado de alerta; 5. Aumento limiar de convulsão. OBS: É importante notar que os efeitos dos benzodiazepínicos podem ser fortemente aumentados pelo álcool, e a mistura pode ser prejudicial. Naturalmente, pode-se valer dos benzodiazepínicos como coadjuvantes do tratamento psiquiátrico, quando a causa-base da ansiedade não é prontamente resolvida. No caso de paciente deprimido e, consequentemente, ansioso, os benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento antidepressivo não exerce o efeito desejável. Benzodiazepínicos: 1. Alprazolam; 2. Bromazepam; 3. Clobazam; 4. Clonazepam; 5. Clordiazepóxido; 6. Cloxazolam; 7. Diazepam; 8. Lorazepam. Zolpidem Trata-se de um fármaco hipnótico, do grupo das imidazopiridinas, não benzodiazepínico, de rápida ação e de curta meia-vida. É utilizado na dose de 10 mg/dia, para o tratamento em curto prazo da insônia (de 2 e 6 semanas). O zolpidem deve ser usado com cautela, pois tem potencial de causar amnésia anterógrada, descoordenação motora, fadiga, tonturas, alucinações e sonambulismo. Iara Victoria – SOI V.