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Disciplina: Fundamentos da Parasitologia 
Professora: Dra. Luciana Mara 
 
Aula 06 
Esquistossomose 
Shistosoma mansoni
Família: Schistosomatidae 
Gênero: Schistosoma Schisto = fenda Soma = corpo 
As principais espécies que tem importância epidemiológica na 
medicina humana são: 
 
• Schistosoma haematobiu (Bilharz, 1852) 
Esquistossomose vesical – Encontrado no Egito, Oriente Médio e África 
 
• Shistosoma japonicum (Katsurada, 1904) 
Esquistossomose japônica – China, Japão e Sudeste Asiático 
 
• Shistosoma mekongi (Voge, Brickner e Bruce, 1978) 
Muito semelhante a Esquistossomose japônica - Camboja 
 
• Shistosoma intercalantum (Fischer, 1907) 
Esquistossomose intestinal – Encontrado no interior da Africa Central. 
 
Shistosoma japonicum 
Schistosoma haematobiu 
Shistosoma mekongi 
• Shistosoma mansoni (Sambon, 1907) 
 
É o agente da esquistossomose intestinal ou moléstia de 
Pirajá da Silva – Ocorre na África, Antilhas e América do 
Sul. 
 
No Brasil a doença é conhecida como: “xistose”, “barriga 
d´água” ou “mal do caramujo”. 
O Brasil representa uma das maiores regiões endêmicas 
dessa doença. 
 
A espécie surgiu às Américas durante o trafico de escravos 
e com imigrantes orientais. 
Aqui encontrou bons hospedeiros intermediários e boas 
condições ambientais. 
Distribuição de esquistossomose no mundo 
http://www.cdc.gov/2013 
Área endêmica (9 UF): 
MA, AL, BA, PE, PB, RN, SE, MG 
e ES 
 
Área com transmissão focal 
(10 UF): 
PA, PI, CE, RJ, SP, PR, SC, RS, 
GO e DF. 
 
Acomete 2,5 a 6 
milhões de 
pessoas 
Situação Epidemiológica no Brasil 
Morfologia 
São dióicos - apresenta sexos separados 
 
São parasitos de vasos sanguíneos de mamíferos e aves 
 
A morfologia do S. mansoni deve ser estudada nas várias 
fases, que podem ser encontradas em seu ciclo evolutivo: 
 
 Adulto (Macho e fêmea) 
 
 Ovo 
 
 Miracídeo 
 
 Esporocisto 
 
 Cercária 
 
 
Morfologia 
Mede cerca de 1cm 
Cor esbranquiçada 
Tegumento recoberto por projeções (tubérculos) 
 Ventosa oral 
 Ventosa ventral (acetábulo) 
Extremidade anterior 
Extremidade posterior 
 Canal ginecóforo 
Macho 
7 a 9 massas testiculares se abrem no canal ginecófaro 
Morfologia Fêmea 
Mede cerca de 1,5 cm 
Apresenta uma cor mais escura que o macho 
Tegumento liso 
 
Extremidade anterior 
 Ventosa oral e ventral 
(acetábulo) - vulva, útero e ovários 
Extremidade posterior 
 Glândulas vitelogênicas 
(vitelina) e o seco 
Fêmea 
Macho 
Fonte: http://www.universia.com.br/nextwave/images/ilustra/schistosoma.gif 
Morfologia Ovo 
Mede cerca de 150µm de comprimento. 
 
Apresenta um espículo na parte mais larga 
 
Quando o ovo está maduro é caracterizado pela presença de 
um miracídeo formado (visível) – ENCONTRADO NAS FEZES 
Morfologia Ovo 
Fonte: http://www.farmacia.ufmg.br/ACT/atlas/schistosoma.htm 
Espícula 
Ovo com espícula lateral presente na região mais dilatada da forma parasitária. 
• Material de sedimento fecal corado com lugol. 
Espícula 
Miracídio 
Morfologia Miracídeo 
Medidas: 180µm x 64µm 
 
Tegumento recoberto por cílios 
 
Terebratorium 
Pode se amoldar em forma de 
ventosa. 
Tem importante participação no 
processo de penetração nos 
moluscos e funções táteis e 
sensoriais. 
Morfologia Miracídeo 
Células 
Germinativas 
Morfologia Cercária 
Mede 500 m 
Cauda: 230 m x 50 m - Corpo 
cercariano: 190 m x 70 m 
Possui duas ventosas – Ventosa oral e 
Ventosa ventral (acetábulo) fixa na pele 
do hospedeiro no processo de 
penetração. 
Cauda serve apenas para movimentação 
no meio líquido 
Penetração da cercária 
Fonte: http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86821999000400016 
Cercária, demonstrando porção cefálica (mais escura) e cauda bifurcada 
Cercárias identificadas com anticorpos 
fluorescente verdes. As caudas são bífidas 
Ciclo Biológico 
Ciclo Heteroxênio 
 
HD: Homem 
HI: molusco aquático do gênero Biomphalaria 
Vivem em água 
doce ou salobra 
 
Infecção por toda a 
vida 
 Biomphalaria glabrata – 
Regiões Nordeste e Sudeste, Goiás e Paraná 
 
 
 Biomphalaria tenagophila – Região Sul 
 
 
 Biomphalaria straminea – Região Nordeste 
Ovo com miracídio 
alcançando a água 
Miracídio nadando 
para um caramujo 
Penetração do 
miracídio nas partes 
moles do caramujo 
Esporocisto 
Ciclo Biológico 
Esporicisto 
Esporocisto 2° com 
cercárias dentro 
Cercárias saindo 
do caramujo 
Cercárias nadando 
para novo 
hospedeiro 
Verme na fase adulta alcança veias mesentéricas, as fêmeas 
fazem a postura dos ocos na submucosa. 400 ovos/dia. 
 
Os ovos no tecido levam 1 semana para se tornarem 
maduros (miracídio formado) 
 
Os OVOS são colocados é demoram 6 dias para chegar a luz 
intestinal. 
Exterior com 
o bolo fecal 
Encontrando 
fatores 
positivos, os 
ovos liberam 
MIRACÍDEOS 
Ciclo Biológico 
Ciclo Biológico 
Miracídeos detectam os Moluscos (substâncias produzidas) 
 
Terebrotorium assume a forma de ventosa 
Adesão ao hospedeiro Intermediário = Molusco 
Neste processo, cerca de 
apenas 30% dos miracídios 
são capazes de penetrar e 
evoluir em B. glabrata; 30% 
penetram mas não evoluem; 
e 40% são incapazes de até 
mesmo penetrar no molusco. 
Após a entrada no molusco 
ele perde diferentes partes e 
se transforma no 
ESPOROCISTO 
(células reprodutivas) 
Ciclo Biológico 
ESPOROCISTO sofre multiplicação nas células germinativas até 
sofrer transformação em: 
 
 
 
27 A 30 DIAS 
CERCÁRIAS 
B. Glabrata 
4500 cercárias/dia 
Nadam ativamente e penetram na pele e nas mucosas do HD 
(PERDEM A CAUDA) 
Se tornam ESQUISTOSSÔMULOS 
Migram para o tecido subcutâneo 
Penetram nos vasos sanguíneos 
Se dirigem para os pulmões 
Chegam ao sistema hepático 
Hospedeiro 
Definitivo 
Se transformam em 
macho e fêmea 
25 a 28 após a 
penetração 
Penetração ativa das cercárias na pele e mucosa. 
 
As cercárias penetram mais frequentemente nos pés e 
nas pernas por serem áreas do corpo que mais ficam em 
contato com águas contaminadas. 
 
Os locais onde se dá a transmissão mais frequente são os 
focos peridomiciliares: valas de irrigação de horta, 
açudes (reservatórios de água e local de brinquedo de 
crianças), pequenos córregos onde as lavadeiras e 
crianças costumam ir. 
Transmissão 
Patogenia 
• Ligada à carga parasitária (Quantidade de 
ovos e numero de ovos produzidos) 
• Idade 
• Estado nutricional 
• Resposta imune do hospedeiro 
 
A patogenia será diferente de acordo com a fase 
do parasito no hospedeiro. 
Patogenia 
 CÉRCÁRIAS 
 
Causam dermatite cercariana ou dermatite do nadador 
 
Sintomas: sensação de comichão, 
erupção urticariforme, eritema, 
edema, pápulas e dor. 
Patogenia 
 ESQUISTOSSÔMULOS 
 
Cerca de 3 dias após a penetração das cercárias na pele, 
os esquitossômulos são levados aos pulmões. 
Na segunda semana, são encontrados nos vasos do 
fígado e posteriormente sistema porta-hepático. 
 
Sintomas: febre, aumento volumétrico do baço e 
sintomas pulmonares. 
Patogenia 
 VERMES ADULTOS 
 
Após maturação nos ramos intra-hepáticos eles migram 
para veia mesentérica inferior. 
 
Vivem por anos e não causam lesões, 
 
Eles podem espoliar o hospedeiro: consomem 2.5mg de 
Ferro por dia. 
Consomem também glicose. 
Patogenia 
 OVOS 
 
São elementos fundamentais na patogenia. 
 
Luz intestinal – grande número de ovos provocam 
hemorragia, edema da submucosa e fenômenos 
degenerativos. 
 
Fígado – os ovos neste órgão causam as alterações mais 
importantesda doença. 
Os antígenos liberados pelos poros dos ovos vivos 
provocarão reação inflamatória granulomatosa. 
Questão: Descreve o efeito do 
ovo nos hospedeiros, 
detalhadamente! 
Patogenia Formação do granuloma 
Patogenia 
Fase Pré-postural – 10 a 35 dias após infecção 
• Assintomática 
• Mal estar, febre, tosse, dores musculares e 
desconforto estomacal 
 
Fase Aguda – entre 50 até 120 dias após a infecção 
• Ocorre disseminação dos ovos, provocando a 
formação de granulomas. 
• Febre, sudorese, calafrios, emagrecimento, 
fenômenos alérgicos, cólicas, hepato-esplenomegalia 
discreta 
Evolui dentro de 4 a 6 meses para a fase crônica 
Esquistossomose Aguda 
Patogenia 
Forma com grandes variações clínicas 
Podem sofrer alterações intestinais, hepatointestinais 
ou hepatoesplênicas 
 
Intestino 
A maioria benigna 
• Casos crônicos graves - Fibrose da alça retossigmóide, 
diminuição do peristaltismo e constipação constante 
(prisão de ventre). 
• Diarreia, dor abdominal e emagrecimento, etc. 
• Formação de numerosos granulomas (presença de 
grande número de ovos num determinado ponto). 
 
Esquistossomose Crônica 
Patogenia 
Fígado 
 
Surgem a partir do início da oviposição e formação de 
granulomas. 
 
Danos dependem do número de ovos e do grau de 
reação granulomatosa. 
 
Hipertensão portal causada pela obstrução da 
circulação porta pelos granulomas 
 
 
Esquistossomose Crônica 
Patogenia 
Esta hipertensão pode agravar-se com o tempo e 
causar uma série de alterações como: 
 
• Esplenomegalia 
• Varizes 
• Ascite (Barrida D´água) 
Esquistossomose Crônica 
Forma Hepatoesplênica 
Diagnóstico 
Clínico 
 
Parasitologico 
• Exame de fezes (bastante eficiente) 
 Kato-Katz 
• Biópsia retal (Desvantagem: depende pessoal treinado 
e resulta em um grande desconforto para o paciente) 
• Ultrassonografia (desvantagens: pode ser confundida 
com outras etiologias) 
 
Imunológicos 
 
Tratamento 
Oxamniquina 
 Dose oral única 
 Bloqueia a síntese de ácidos nucléicos 
 Aumento da motilidade do parasito 
 Inibição da síntese de ácidos nucléicos 
 
Praziquantel 
 dose oral diária por 3 dias 
 Lesiona o tegumento do parasito , expondo 
assim os antígenos, que são alvo da resposta imune 
 
Profilaxia 
Saneamento Básico 
 
Educação Sanitária 
 
Tratamento de doentes 
 
Combate ao molusco presentes nos focos 
peridomiciliares utilizando moluscoicidas. 
Aula Prática – Roteiro 03 
 
Shistosoma mansoni 
Reino: Animalia 
Filo: Plathyhelminthes 
Classe: Trematoda 
Família: Schistosomatidae 
Gênero: Schistosoma 
Espécie: S. mansoni, 
 S. japonicum, 
 S. haematobiu

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