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Aula 01 EDVALDO NILO

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DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) 
PROFESSOR: EDVALDO NILO 
1
Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 
PROFESSOR EDVALDO NILO 
CURSO REGULAR DE DIREITO TRIBUTÁRIO PARA O STJ– 
TEORIA COMPLETA E QUESTÕES COMENTADAS DO CESPE 
AULA 1 – PODER DE TRIBUTAR E COMPETÊNCIA TRIBUTARIA. 
SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRINCÍPIOS 
CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS 
1. NATUREZA, AUTONOMIA E RELAÇÃO DO DIREITO 
TRIBUTÁRIO COM O DIREITO FINANCEIRO
O direito tributário é ramo comum do direito público 
obrigacional. Portanto, a sua natureza é comum, pública e 
obrigacional. 
O direito tributário é direito comum e não especial ou 
excepcional, uma vez que é constituído por normas jurídicas que 
regem de forma objetiva e geral as situações nelas dispostas. Isto é, 
o direito tributário aplica-se às situações genéricas das hipóteses e 
pessoas, sem excepcionalidades. Ao contrário do direito especial, que 
corresponde às normas jurídicas estabelecidas para regulamentação 
de determinadas situações particulares, propugnando exceções às 
regras do direito comum ou normal. 
O direito tributário é ramo do direito público por decorrer 
da relação jurídica travada entre Estado e particular e, por 
conseguinte, proteger preponderantemente o interesse público ou da 
coletividade. Decerto, as normas jurídicas tributárias têm caráter 
imperativo,compulsório, cogente decorrente do poder de império 
do Estado e o seu fundamento é a satisfação das necessidades 
públicas estabelecidas no texto constitucional (saúde, educação, 
segurança pública, proteção do meio ambiente etc.). 
Ademais, o direito tributário é direito obrigacional, eis que 
seu objeto é a prestação positiva ou negativa da obrigação que o 
sujeito passivo deve realizar em favor do sujeito ativo da relação 
jurídico-tributária. No caso, no mínimo, há um credor (sujeito ativo), 
um devedor (sujeito passivo) e o objeto do direito, que é o tributo. 
Por sua vez, apesar da unicidade do direito, podemos afirmar 
que o direito tributário temautonomia didática, dogmática e 
estrutural, em razão da existência da disciplina no meio acadêmico 
(autonomia didática); de métodos, princípios e conceitos próprios 
(autonomia dogmática), que, dessa maneira, podem ser criados pela 
legislação ou estudados pela doutrina, de forma diversa dos institutos 
de outros ramos do direito (autonomia estrutural). 
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A autonomia legal do direito tributário é consagrada 
expressamente no art. 24, I, da Constituição Federal (CF), 
localizado no âmbito da organização político-administrativa do 
Estado, que estatui que compete aos Estados, Distrito Federal e 
União legislar de forma concorrente sobre Direito Tributário. 
Nesse rumo, o direito tributário surgiu como apêndice do 
direito financeiro, que é a disciplina jurídica da atividade financeira 
do Estado (AFE). Ou seja, a matéria que estuda os princípios e regras 
que regem a AFE. O direito financeiro estuda, portanto, o orçamento 
público, receita pública, despesa pública e o crédito público. 
Assim, o direito tributário disciplina uma parte da receita 
pública, que são as receitas derivadas obtidas com a criação dos 
tributos. 
2. Definição de Tributo
 
Para o conceito de tributo, poderíamos examinar diversas 
definições doutrinárias, mas, para fins de concursos, é muito mais 
produtivo adotar o art. 3º, do Código Tributário Nacional (CTN), a 
saber: 
 
Tributo é toda (i)prestação pecuniáriacompulsória, (ii)em 
moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que (iii)não 
constitua sanção de ato ilícito, (iv)instituída em lei e 
(v)cobrada mediante atividade administrativa plenamente 
vinculada. 
Assim, passemos a analisar os elementos integrantes do 
conceito legal de tributo: 
 
(i)Prestação pecuniária compulsória – Prestação significa 
o objeto principal de uma relação entre credor e devedor, sendo 
aquilo que o credor deve fazer ou deixar de fazer em favor do 
devedor. 
Já pecúnia representa “dinheiro”, isto é, a prestação deve ser 
realizada em dinheiro. 
Portanto, não pode ser considerado tributo às chamadas 
prestações in labore (ex. serviço militar obrigatório) ou exigências in 
natura (oferecimento bens materiais que não sejam dinheiro como 
cestas básicas). 
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Nesse rumo, também não pode ter natureza de tributo a 
prestação de serviço eleitoral, o trabalho desempenhado pelos 
jurados, a desapropriação ou a requisição administrativa, uma vez 
que não são prestações pecuniárias. 
O tributo é também prestação compulsória, ocorrendo 
independentemente da vontade do devedor, sendo a prestação que 
deve ser satisfeita pelo comportamento obrigatório do devedor 
(sujeito passivo) de levar dinheiro ao credor (sujeito ativo). 
Por exemplo, o aluguel de imóvel público não étributo, em 
virtude de ser o aluguel firmado por ato de livre vontade do locatário 
com a Administração Pública, derivando de um contrato entre as 
partes. 
Com efeito, o STF decidiu recentemente (informativo 543) que 
os encargos de capacidade emergencial (“seguro-apagão”), previstos 
na Lei 10.438/2002, possuem natureza jurídica de preço público
e não de tributo, uma vez que tais encargos, embora tivessem o 
caráter de prestações pecuniárias correspondentes à utilização de um 
serviço público — e, nesse sentido, aproximar-se-iam do conceito de 
taxas —, na verdade, configurariam tarifas ou preços públicos, 
em virtude do caráter facultativo da fruição do bem que 
remuneravam. 
Neste sentido, o “seguro-apagão” não se enquadra na 
definição de tributo contida no art. 3º do CTN, uma vez que não 
possui o requisito de compulsoriedade. 
Portanto, o “seguro-apagão” não seria de pagamento 
compulsório, requisito típico das espécies tributárias, não 
estando sujeitos, por essa razão, aos princípios e regras 
constitucionais tributárias, pois os consumidores poderiam se 
valer de outros meios para a aquisição de energia elétrica que não a 
proveniente do Sistema Interligado Nacional. 
Do mesmo modo, o STF já decidiu que a compensação 
financeira pela exploração de recursos minerais (royalties - CF, 
art. 20, §1°) não é tributo, bem como o instrumento municipal 
denominado de outorga onerosa do direito de criar solo (RE 
387.047/SC), também chamado solo criado, previsto no Estatuto da 
Cidade (art. 28 da Lei Federal 10.257/2001). 
Assim, também não se pode dizer que é tributo: (a) a 
cobrança de foro anual e laudêmio; (b) a tarifa aeroportuária 
cobrada pela INFRAERO (Lei 6.009/73); (c) o pagamento prévio da 
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retribuição autoral feito ao Escritório Central de Arrecadação e 
Distribuição (ECAD). 
(ii)Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir – 
Alguns autores criticam este enunciado afirmando que é um 
pleonasmo do art. 3°, do CTN, que só faz repetir o caráter pecuniário 
do tributo. 
 Entretanto, a assertiva possui serventia quando afirma que 
pode ser pago em algo que represente um valor em dinheiro (ou cujo 
valor nela se possa exprimir). 
Assim, conforme a interpretação de tal dispositivo, o tributo 
pode ser pago com títulos da dívida pública. Como exemplo, o 
pagamento do imposto territorial rural (ITR) com títulos da dívida 
agrária (TDA). 
 
Anota-se que o art. 162, do CTN, possibilita que o pagamento 
do tributo seja efetuado com cheque ou vale postal e, nos casos 
previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo 
mecânico.Por sua vez, o art. 156, XI, do CTN, com redação estabelecida 
pela Lei Complementar n. 104/2001, permite o pagamento de tributo 
mediante a entrega de bens imóveis, quando estabelece a “dação em 
pagamento em bens imóveis” como causa extintiva do crédito 
tributário, sendo compatível com a locução “ou cujo valor nela se 
possa exprimir” do art. 3º, do CTN. 
É importante dizer que o Supremo Tribunal Federal (STF) não 
permite que lei estadual possibilite o pagamento de débitos 
tributários com dação em pagamento de bens materiais destinados a 
atender a programas do Estado, mas apenas a dação em pagamento 
de bens imóveis. 
 
Neste ponto, ainda cabe destacar que o valor do tributo pode 
ser expresso em indexadores (exs.: UFIR, UPF e UFM), que são 
convertidos em moeda corrente na data do pagamento da obrigação 
tributária. Com esta autorização, por exemplo, pode-se dizer que o 
contribuinte deve 100 UPF no Estado do Rio Grande do Sul (RS). 
 
(iii)Não constitua sanção de ato ilícito – A obrigação 
tributária deve decorrer de um fato lícito previsto em lei, ou seja, a 
interpretação adequada é no sentido de que deve ser lícita a situação 
genérica e abstrata disposta na norma. 
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Por exemplo, o art. 43, do CTN, dispõe que faz surgir à 
obrigação de pagar o imposto de renda (IR) quando determinada 
pessoa adquire disponibilidade econômica de renda. 
Assim, a renda auferida pela pessoa é fato gerador do IR e, 
por conseguinte, uma pessoa que adquire renda derivada do exercício 
do jogo do bicho (atividade ilícita) deve pagar o tributo, uma vez que 
o fato previsto em lei é a aquisição de renda e não o exercício do jogo 
do bicho. 
 
Neste sentido, o STF entende que a tributação sobre o trafico 
ilícito de entorpecentes é legal, adotando-se a aplicação do princípio 
da igualdade tributária e do princípio do pecunia non olet (o dinheiro 
não tem cheiro). 
Registramos a seguinte decisão do STF: 
"Sonegação fiscal de lucro advindo de atividade 
criminosa: pecunia non olet (dinheiro não tem cheiro). 
Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades 
comerciais organizadas, com lucros vultosos subtraídos à 
contabilização regular das empresas e subtraídos à 
declaração de rendimentos - caracterização, em tese, de 
crime de sonegação fiscal. Irrelevância da origem ilícita, 
mesmo quando criminal, da renda subtraída à 
tributação. A exoneração tributária (significa aqui não 
pagamento do tributo) dos resultados econômicos de fato 
criminoso - antes de ser corolário do princípio da 
moralidade - constitui violação do princípio da isonomia 
fiscal, de manifesta inspiração ética". 
Por outro lado, o tributo não se confunde com a multa, que é 
sanção de ato ilícito. 
A multa, apesar de ser uma prestação pecuniária compulsória, 
é cobrada em virtude de o indivíduo ter praticado um ato ilícito, 
possuindo nítido caráter de sanção (punição). Como exemplo, 
podemos citar que a multa decorrente do atraso no pagamento do 
imposto sobre produtos industrializados (IPI) não é tributo, pois é 
sanção de ato ilícito. 
 
Preste atenção: qualquer tipo de multa não é tributo. Ou 
seja, multa por infração tributária, multa por infração penal ou multa 
por infração de trânsito não deve ser considerado tributo, nos termos 
do art. 3° do CTN. 
 
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O CTN dispõe que em face do descumprimento de uma 
obrigação tributária principal (ex.: pagar o tributo) ou acessória 
(exs.: declaração de rendimentos ou emissão de notas fiscais), 
ocorrer-se-á a aplicação de penalidade pecuniária. 
Mas isso não quer dizer que a multa é uma espécie de tributo, 
uma vez que a multa deve ser considerada somente uma penalidade 
pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação tributária 
principal ou acessória. 
 
Destacamos ainda que qualquer reparação ou indenização
decorrente de um ato ilícito previsto em lei não é tributo. Deste 
modo, a pessoa que, por ação ou omissão voluntária, violar direito e 
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, não deve 
pagar tributo ao Estado, mas sim indenizar o outro pelos danos 
sofridos. 
(iv)Instituída em lei – É aspecto fundamental da definição 
de tributo, pois todo tributo deve ser instituído por meio de lei. Esta 
deve ser entendida como lei complementar ou lei ordinária, ou até 
mesmo medida provisória, que tem força de lei ordinária. 
O tributo é uma obrigação denominada de ex lege, 
significando que seu surgimento depende de lei. Neste aspecto, 
identificamos o princípio constitucional da legalidade (CF, art. 150, I). 
 
Logo, não se esqueça que um tributo não deve ser instituído, 
em hipótese alguma, por normas jurídicas infralegais, como 
decretos, portarias, atos administrativos, sentenças judiciais, 
convênios, costumes, decisões de órgãos administrativos singulares 
ou colegiados sobre matéria tributária, dentre outras. 
Este entendimento é constitucionalmente fundamentado no 
Estado Democrático de Direito, previsto no art. 1º, parágrafo único, 
da CF/88, dispondo que “todo poder emana do povo, que o exerce 
por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta 
Constituição”. 
Assim, deve-se entender que a lei que institui o tributo é uma 
manifestação legítima do poder do povo, uma vez que para criação 
do tributo existiu prévia autorização dos representantes eleitos pelo 
povo, que são os parlamentares. 
Nesse rumo, em regra, a lei apta a instituir um tributo é a lei 
ordinária. No caso de tributo federal, o Congresso Nacional. Na 
hipótese de tributo estadual, a Assembléia Legislativa. No caso de 
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tributo municipal, a Câmara de Vereadores. 
Todavia, existem tributos federais (União) que, se forem 
instituídos, devem ser por meio de lei complementar, que são: 
imposto sobre grandes fortunas (art. 153, inc. VII, da CF/88), 
empréstimos compulsórios (art. 148, caput, da CF/88), impostos 
residuais da União (art. 154, inc. I, da CF/88) e contribuições 
sociais novas ou residuais (art. 195, §4°, da CF/88). Nestes casos, 
a medida provisória que tem força de lei ordinária não pode atuar 
para instituir tais tributos. 
Tributos instituídos por lei complementar: 
(i) imposto sobre grandes fortunas (art. 153, VII da CF); 
(ii) empréstimos compulsórios (art. 148 da CF); 
(iii) impostos residuais da União (art. 154, I da CF); 
(iv) contribuições sociais novas ou residuais (art. 195, §4° da CF). 
Além disso, destaca-se que existem tributos que poderão ter 
suas alíquotas majoradas ou reduzidas por ato do Poder Executivo 
federal (União), a saber: imposto de importação (II); imposto de 
exportação (IE); imposto sobre produtos industrializados (IPI); 
imposto sobre operações financeiras (IOF). É o que dispõe o art. 153, 
§1º, da CF/88. 
A relação desta flexibilidade está no fato de que esses tributos 
têm caráter extrafiscal, ou seja, são tributos reguladores da 
economia ou do mercado do País. Como exemplo, o Presidente da 
República (Chefe do Poder Executivo federal) quer intervir no 
comércio exterior, incentivando as exportações e, por conseguinte, 
diminui a alíquota do imposto de exportação (II) ou quer 
desestimular a produção de determinado produto industrial e 
aumenta a alíquota do IPI deste produto. 
Ao contrário, o caráter fiscal dos tributos é o poder de 
invadir o patrimônio do particular com finalidade eminentemente 
arrecadatória. 
Quanto a CIDE – Combustíveis 1(art. 177, §4°, inc. I, alínea 
“b”) e o ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155. §4°, inc. IV, 
da CF/88), as alíquotas poderão somente ser reduzidas e 
restabelecidas, ou seja, o Poder Executivo reduz a alíquota e, uma 
vez reduzida, pode restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, 
prevista anteriormente em lei. Este tema será minuciosamente 
1 Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - Petróleo e seus derivados, gás natural e 
seus derivados e álcool combustível. 
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trabalhado na aula 2. 
(v)Cobrada mediante atividade administrativa 
plenamente vinculada – Isto significa que a cobrança do tributo 
ocorre por meio de atividade administrativa vinculada, ou seja, sem 
margem de discrição do servidor público. 
Deste modo, o servidor público não tem certa liberdade de 
escolha para atuar, ou seja, não pode avaliar se é oportuno ou 
conveniente cobrar o tributo. Portanto, não pode ponderar ou sopesar 
a situação no caso concreto 
Com efeito, a atuação do auditor ou do procurador jurídico de 
determinado ente federado não é discricionária ao cobrar o tributo, 
devendo seguir fielmente o previsto na lei, em razão do próprio 
princípio da legalidade, sendo a atividade administrativa de cobrança 
do tributo plenamente vinculada. 
Por outro lado, o concursando (você mesmo!!!) não pode 
confundir a questão de o tributo ser “cobrada mediante atividade 
administrativa plenamente vinculada” com a classificação de tributos 
vinculados e tributos não vinculados, bem como com a 
classificação quanto ao destino da arrecadação, que pode também 
ser vinculada ou não vinculada. 
Sem prejuízo de tratarmos destas classificações com maior 
ênfase na próxima aula do curso, devemos ter bem presente que o 
tributo vinculado significa que o fato gerador do tributo é uma 
atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. 
Como exemplo, temos a contribuição de melhoria que decorre 
da atividade do Estado de realizar uma obra pública da qual deve 
resultar valorização imobiliária para o contribuinte. 
Já o tributo não vinculado significa que o fato gerador do 
tributo é um fato praticado pelo contribuinte independente de 
qualquer atividade estatal específica realizada para o próprio 
contribuinte. O melhor exemplo de tributo não vinculado são todos os 
impostos. 
Valem aqui as precisas ponderações feitas por Robinson 
Sakiyama: “Os fatos geradores próprios dos impostos são as 
situações de ser proprietário de algo (ITR, IPTU, IPVA), transferir um 
bem (ITCMD, ITBI), prestar serviços ou fazer circular mercadorias 
(ISS, ICMS) etc., ou seja, todas as situações que não se referem a 
uma atividade estatal específica voltada ao contribuinte. Por esta 
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razão, muitos autores se referem aos impostos como tributos não 
vinculados.” 
Concernente a classificação do destino da arrecadação: 
(a) Arrecadação é vinculada quando os recursos 
arrecadados devem ser utilizados com despesas legais 
previamente determinadas. Por exemplo, o empréstimo 
compulsório, pois, o art. 148, parágrafo único, da CF/88, 
dispõe que a aplicação dos recursos provenientes deste 
tributo será vinculada à despesa que fundamentou sua 
instituição. Outro exemplo, são as custas e emolumentos 
(espécie de taxa judiciária de acordo com o entendimento 
do STF), pois a norma constitucional (art. 98, §2°) fixou 
que serão destinadas apenas ao custeio dos serviços 
específicos do Poder Judiciário. 
(b) Arrecadação não é vinculada acontece na hipótese dos 
recursos poderem ser aplicados sem vinculação a despesa 
previamente destinada. Como exemplo, a doutrina cita os 
impostos, uma vez que, em princípio, as suas receitas 
não podem ser vinculadas a órgãos, fundos ou despesas, 
salvo as exceções previstas no art. 167, IV, da CF/88. 
Entretanto, é relevante prestar atenção em relação às 
exceções previstas nesta regra constitucional (art. 167, IV, da 
CF/88). E todo concurso adora exceção. Em outras palavras, os 
recursos arrecadados com os impostos também podem ser utilizados 
com despesas previamente determinadas na CF/88. 
Vejamos o art. 167, IV, da CF/88: 
Art. 167. São vedados: IV - a vinculação de receita 
de impostos a órgão, fundo ou despesa, 
ressalvadas a repartição do produto da arrecadação 
dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a 
destinação de recursos para as ações e serviços 
públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento 
do ensino e para realização de atividades da 
administração tributária, como determinado, 
respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, 
e a prestação de garantias às operações de crédito por 
antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem 
como o disposto no § 4º deste artigo. 
Exceções constitucionais à arrecadação não-vinculada dos 
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impostos(art. 167, IV) 
Recursos destinados para as ações e serviços públicos de 
saúde(art.198, § 2º); 
Repartição do produto da arrecadação dos impostos (arts. 158 e 
159); 
Recursos destinados para a manutenção e desenvolvimento do 
ensino fundamental (FUNDEF)(art. 212); 
Recursos destinados às atividades da administração tributária(art. 
37, XXII); 
Recursos destinados à prestação de garantia às operações de crédito 
por antecipação da receita (ARO) (art. 165, §8°); 
Recursos destinados à prestação de garantia ou contragarantia à 
União e para pagamento de débitos para com esta (art. 167, § 4º). 
Por sua vez, cumpre dizer, de logo, que tributo é receita 
pública que pode ser destinada ao ente tributante (União, Estado, 
Distrito Federal, Município) ou a terceiros, desde que exerçam 
atividade de interesse público, como é o caso das entidades 
parafiscais (SENAI, SEBRAE, SESC etc.) que podem arrecadar 
contribuições sociais obrigatórias (espécie de tributo). 
Nesse rumo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) compreende 
que a contribuição para o FGTS não tem natureza tributária, sendo a 
arrecadação depositada em conta no nome do empregado, podendo 
ser sacado o saldo da conta em hipótese de despedida sem justa 
causa e outras situações estabelecidas na Lei 8.036/90 (Lei do 
FGTS), caracterizando-se como vantagem de natureza jurídica 
trabalhista, que não é sujeita ao prazo de prescrição estabelecido no 
Código Tributário Nacional (CTN). 
O STJ possui a súmula 353 a respeito do tema: “As 
disposições do Código Tributário Nacional não se aplicam às 
contribuições para o FGTS”. 
3. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS 
A norma jurídica é o gênero do qual se diversificam, como 
espécies, as regras e os princípios jurídicos. Dentre os últimos estão 
compreendidos os princípios constitucionais tributários dispostos 
explicitamente ou implicitamente no texto constitucional, 
principalmente na seção denominada de limitações do poder de 
tributar (arts. 150 a 152). 
3.1 PRINCÍPIOS VINCULADOS ESPECIALMENTE À SEGURANÇA 
JURÍDICA 
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A segurança jurídica exige, na maior medida do possível, a 
compreensibilidade, previsibilidade e conhecimento antecipado das 
normas vigentes pelo sujeito passivo da relação tributária. Decerto, 
decorre do Estado de Direito previsto constitucionalmente no art. 1° 
da CF/88 e, na seara tributária, é consagrada, especialmente, pelos 
princípios da legalidade (art. 150, I), irretroatividade(art. 150, III, 
“a”), não-surpresa (art. 150, III, “b” e “c”) e transparência fiscal (art. 
150, §§5° e 6°). 
3.1.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
O texto constitucional estabelece explicitamente no art. 150, I, 
que os tributos devem ser criados ou aumentados por lei prévia, 
buscando excluir o arbítrio do poder estatal. É a denominada 
legalidade tributária, que obriga o surgimento da obrigação tributária 
por lei formal (obrigação ex lege). Em regra, os tributos são 
instituídos por lei ordinária. Todavia, existem tributos que, se forem 
criados, devem ser por meio de lei complementar. 
Lei complementar 
Imposto sobre grandes fortunas; 
Empréstimos compulsórios 
Impostos residuais da União 
Contribuições sociais novas ou residuais 
3.1.1.1 PRINCÍPIO DA TIPICIDADE 
Significa que não basta o tributo ser criado ou aumento por lei 
formal, devendo também ocorrer a adequação da conduta do sujeito 
passivo à norma tributária. É a subsunção do fato real à norma 
abstrata. 
A tipicidade ordena que o legislador estabeleça em lei todos os 
aspectos da regra matriz de incidência tributária. Assim sendo, em 
função da obediência a tipicidade, os aspectos material (situação 
geradora da incidência), espacial (local de incidência), temporal 
(momento de incidência), pessoal (sujeito ativo e passivo) e 
quantitativo (base de cálculo e alíquota) devem está previstos em lei. 
(ESAF/Analista/SUSEP/2010) “A lei deve esgotar, como preceito geral 
e abstrato, os dados necessários à identificação do fato gerador da 
obrigação tributária e à quantificação do tributo, sem que restem à 
autoridade poderes para, discricionariamente, se ‘A’ irá ou não pagar 
tributo, em face de determinada situação”. É correta. 
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A tipicidade é complementar ao princípio da legalidade, 
Segundo parte da doutrina, a tipicidade está expressa igualmente no 
art. 150, I, da CF/88. Assim, afirma-se que a legalidade tributária faz 
referência ao veículo da norma (lei formal) e a tipicidade ao conteúdo 
da lei, que é a própria norma tributária em todos os seus aspectos. 
Neste sentido,o art. 97 do CTN concretiza a tipicidade 
tributária. De acordo com ainterpretação deste dispositivo à luz do 
texto constitucional, apenas lei pode estabelecer: 
• A instituição de tributos, ou a sua extinção; 
• A majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto 
no texto constitucional; 
• A definição do fato gerador da obrigação tributária principal
e do seu sujeito passivo; 
• A fixação da base de cálculo do tributo e de sua alíquota, 
ressalvado o disposto no texto constitucional; 
• A cominação de penalidades para as ações ou omissões 
contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela 
definidas; 
• As hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos 
tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, 
ressalvado o disposto no texto constitucional. 
De mais a mais, ressaltamos o entendimento do STF no sentido 
de que a coisa julgada em matéria fiscal fica delimitada à relação 
jurídico-material em que debatida, não podendo, portanto, ser 
invocada em exercícios posteriores, de acordo com a Súmula 239 (AI 
189.787-AgR,DJ de 4-4-1997). 
(CESPE/Delegado de Polícia/RN/2009) “A decisão judicial que declara 
indevida a cobrança do imposto em determinado exercício faz coisa 
julgada em relação aos posteriores, em respeito aos princípios da 
separação dos poderes e da autoridade da coisa julgada”. É errada. 
3.1.1.2 MITIGAÇÕES, EXCEÇÕES OU ATENUAÇÕES A 
LEGALIDADE 
Por sua vez, esclarece-se que existem tributos que poderão ter 
suas alíquotas majoradas ou reduzidas por ato do Poder Executivo 
federal, por meio de decreto, atendidas as condições e os limites 
estabelecidos em lei, a saber: imposto de importação (II); imposto de 
exportação (IE); imposto sobre produtos industrializados (IPI); 
impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a 
títulos ou valores mobiliários (IOF). É o que dispõe o art. 153, §1º, 
da CF. 
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(CESPE/Consultor/ES/2010) “Em respeito ao princípio da legalidade, 
não é permitido ao chefe do Poder Executivo elevar a alíquota do 
imposto de importação, mesmo dentro de limites autorizados por lei”. 
É errada. 
Quanto a Contribuição de intervenção no domínio econômico 
(CIDE) sobre combustíveis (art. 177, §4°, I alínea “b”, da CF) e o 
ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, §4°, IV, da CF), as 
alíquotas poderão somente ser reduzidas e restabelecidas, ou seja, o 
Poder Executivo reduz a alíquota e, uma vez reduzida, pode 
restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, prevista 
anteriormente em lei. 
(CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “Inexistindo legislação específica 
impondo condições e limites, é lícito ao Poder Executivo alterar as 
alíquotas da contribuição de intervenção no domínio econômico 
(CIDE)”. É errada. 
No caso do ICMS – Combustíveis e Lubrificantes, a 
exceção se refere à incidência monofásica do imposto, e as alíquotas 
são definidas nacionalmente por convênios dos Executivos 
Estaduais, ou seja, por ato de deliberação do Poder Executivo dos 
Estados e do Distrito Federal. 
(CESPE/Procurador/PB/2008) Nos termos e limites fixados em lei 
complementar federal, o Poder Executivo estadual, mediante decreto, 
pode reduzir, com o objetivo de regular a demanda, as alíquotas de 
ICMS de determinados produtos, dada a natureza extra-fiscal desse 
tributo. É errada, pois não pode ser mediante decreto. 
Outra ressalva se refere aos benefícios fiscais do ICMS 
(isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito 
presumido, anistia ou remissão) por meio de convênio interestadual 
do CONFAZ (art. 150, §6°, da CF). 
O fundamento da mitigação a legalidade tributária está no fato 
de que esses tributos têm caráter extrafiscal, ou seja, são tributos 
reguladores da política econômica, monetária e fiscal do País. Como 
exemplo, o Presidente da República quer intervir no comércio 
exterior, incentivando as exportações e, por conseguinte, diminui a 
alíquota do imposto de exportação (II) ou quer desestimular a 
produção de determinado produto industrial e aumenta a alíquota do 
IPI. 
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Ressaltamos quenão foram recepcionados pela CF/88 os arts. 
21, 26 e 65 do CTN, no que estabelecem sobre a competência do 
Poder Executivo de alterar as bases de cálculo do imposto sobre 
importação (II), do imposto sobre exportação (IE) e dos impostos 
sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou 
valores imobiliários (IOF), a fim de ajustá-los aos objetivos da política 
cambial e do comércio exterior. Este é o entendimento na doutrina e 
jurisprudência predominante. 
Por exemplo, afirma o STJ que a “instituição ou a fixação da 
base de cálculo de tributo, a que se refere o art. 97 do Código 
Tributário, que explicita o princípio constitucional da legalidade 
agasalhado no art. 150, I, da Constituição, se faz mediante a edição 
de lei” (AGREsp 465740/MG). 
Por sua vez, segundo compreende parte da doutrina, é 
atenuação ou exceção à legalidade tributária a possibilidade de 
instituição ou majoração de tributo por medida provisória. 
Nesse rumo, a partir da Emenda Constitucional (EC) n.° 32/01, é 
expressa na CF a possibilidade das medidas provisórias atuarem 
como veículos introdutores de normas tributárias (art. 62, §2°), 
sendo proibido na hipótese da CF exigir lei complementar. 
Poder Executivo Federal(alterar a alíquota) 
II 
IE 
IPI 
IOF 
CIDE – Combustíveis 
Poder Executivo estadual e distrital (alíquotas definidas 
nacionalmente por convênio) 
ICMS – Combustíveis e Lubrificantes 
Poder Executivo estadual e distrital (benefícios fiscais definidos 
nacionalmente por convênio) 
ICMS 
3.1.1.3 JURISPRUDÊNCIA DO STF 
De início, ressaltamos que a definição de vencimento das 
obrigações tributárias (data para pagamento) e a instituição de 
obrigações tributárias acessórias não estão no campo reservado 
à lei, podendo ser alvo de Decreto do Poder Executivo. 
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(CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) “As obrigações principais e 
acessórias estão sujeitas ao princípio constitucional da legalidade 
estrita”. É errada. 
Por sua vez, destacamos que nãoé competência exclusiva do 
Presidente da República a possibilidade de alteração das alíquotas dos 
tributos federais estabelecidas no texto constitucional. Segundo o 
STF, o enunciado “Poder Executivo” disposto no art. 153, §1°, da 
CF/88, não significa competência privativa ou exclusiva do Presidente 
da República, mas sim que tal competência pode ser exercida por 
órgão que integre a estrutura do Poder Executivo. Por exemplo, a 
Câmara de Comércio Exterior (CAMEX). 
(CESPE/Defensoria Pública-União/2010) “A competência para a 
fixação das alíquotas do imposto de exportação de produtos nacionais 
ou nacionalizados não é exclusiva do presidente da República; pode 
ser exercida por órgão que integre a estrutura do Poder Executivo”. É 
correta. 
Assim, ressaltamos os seguintes precedentes: 
• Não implica ofensa a legalidade tributária o fato de a lei deixar 
para o regulamento a complementação dos conceitos de 
‘atividade preponderante’ e ‘grau de risco leve, médio e grave’ 
(RE 567.544-AgR); 
• Regulamento que antecipa o dia de recolhimento do tributo e 
determina a incidência de correção monetária a partir de então 
não fere a legalidade, pois não se encontra sob o princípio da 
legalidade estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da 
obrigação tributária (RE 195.218, RE 182.971); 
(CESPE/Juiz Federal/TRF1°REGIÃO/2009) “Ofende o princípio da 
legalidade decreto que antecipa data de recolhimento de tributo”. É 
errada. 
(CESPE/Procurador/PE/2009) “A simples atualização monetária não 
se confunde com majoração de tributo”. É certa. 
• Somente a lei pode criar, majorar ou reduzir os valores das 
taxas. Assim, fere a legalidade a instituição dos emolumentos 
cartorários por Tribunal de Justiça, bem como as normas por 
meio das quais a autarquia institua uma taxa, sem lei que a 
autorizasse (ADI 1.709, ADI 1.823-MC). 
(CESPE/Procurador/PE/2009) “A instituição de emolumentos 
cartorários pelo tribunal de justiça de um estado não afronta o 
princípio da reserva legal”. É errada. 
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3.1.2PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
Preceitua que a lei deve abranger apenas situações geradoras 
da obrigação tributária (aspecto material) posteriores à sua edição, 
não devendo abranger fatos pretéritos. Por exemplo, se a alíquota do 
IPVA é aumentada ou diminuída, não pode alcançar fatos geradores 
ocorridos antes do início da sua vigência. 
Destacamos que irretroatividade em matéria tributária não é 
absoluta, podendo, por exemplo, as leis interpretativas e as multas 
menos severas retroagirem para atingirem situações passadas. 
3.1.3PRINCÍPIO DA NÃO-SURPRESA TRIBUTÁRIA 
Consagrado no art. 150, III, “b” e “c”, da CF, pela 
anterioridade, busca proteger o sujeito passivo de uma tributação 
inesperada. Decerto, é um plus a irretroatividade, pois não satisfaz a 
segurança jurídica apenas que a situação tributável seja prévia, 
devendo também existir um tempo razoável para que o sujeito 
passivo possa planejar as suas atividades econômicas, o que fortalece 
a confiança e a certeza no Estado de Direito. 
3.1.3.1 ANTERIORIDADE GENÉRICA OU ANUAL 
É a proibição do poder estatal fiscal cobrar tributos no 
mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei 
que tenha instituído ou majorado o tributo. 
A interpretação mais adequada do princípio da anterioridade 
genérica é que a norma jurídica criadora ou majoradora do 
tributo apenas irá incidir sobre os fatos jurídicos ocorridos no 
exercício financeiro subseqüente ao de sua publicação. 
No Brasil, conforme dispõe a legislação infraconstitucional 
brasileira (art. 34 da Lei n. 4.320/64), o exercício financeiro é o 
período de 1º de janeiro a 31 de dezembro, coincidindo 
Importante:“Ao IR calculado sobre os rendimentos do ano-
base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que 
deve ser apresentada a declaração” (Súmula 584do STF). 
Assim, não fere o princípio da irretroatividade lei editada no 
final do ano-base, que atingiu a renda apurada durante todo o 
ano, pois o fato gerador do IR somente se completa e se 
caracteriza, ao final do respectivo período, ou seja, no dia 31 
de dezembro (RE 197.790-6, RE 194.612, RE n. 104.259);
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perfeitamente com o ano civil. 
Neste sentido, a interpretação dominante na doutrina a 
respeito da anterioridade é que lei criadora ou majoradora do tributo 
entra em vigorno dia da sua publicação, mas só tem eficácia
após a observância do prazo constitucional. 
(CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “E Atende ao princípio da 
anterioridade de exercício a publicação, no Diário Oficial, da lei 
instituidora de imposto no dia 31/12, sábado, apesar de a sua 
circulação dar-se apenas na segunda-feira”. É certa, pois vale a data 
da publicação. 
Por exemplo, se uma lei majorar o imposto sobre propriedade 
territorial rural (ITR) em 30 de abril de 2009, só poderá produzir 
efeitos jurídicos a partir de 1° de janeiro de 2010. Ou seja, a lei entra 
em vigor no dia 30 de abril de 2009, mas só tem eficácia jurídica a 
partir de 1° de janeiro de 2010. 
Deve-se salientar, entretanto, que, por motivos de política 
econômica ou de urgência, o princípio da anterioridade anual, 
segundo a Constituição Federal,não se aplica apenas ao empréstimo 
compulsório para atender despesas de calamidade pública ou 
despesas decorrentes de guerra externa (art. 148, I), ao imposto de 
importação de produtos estrangeiros (II – art. 153, I), ao imposto de 
exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados 
(IE – art. 153, II), ao imposto sobre produtos industrializados (IPI – 
art. 153, IV), ao imposto sobre operações de crédito, câmbio e 
seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF – art. 153, 
V), ao imposto extraordinário por motivo de guerra externa (IEG – 
art. 154, II), e as contribuições para a seguridade social (art. 195, 
§6°). 
Do mesmo modo, existem mais duas importantes normas que 
atenuam a aplicação da regra da anterioridade anual, que são as 
seguintes: (i) o imposto sobre circulação de mercadorias incidente 
em etapa única sobre combustíveis e lubrificantes (ICMS – 
Combustíveis) que pode ter suas alíquotas reduzidas e restabelecidas 
mediante deliberação dos Estados e Distrito Federal; e a (ii) alíquota 
da contribuição de intervenção no domínio econômico relativas à 
importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás 
natural e seus derivados e álcool combustível (CIDE – Combustíveis) 
que poderá ser reduzida e restabelecida por ato de competência do 
Poder Executivo Federal. 
Com efeito, nestes dois últimos casos criados pela 
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ECn.°33/2001, deve-se afirmar que a interpretação mais 
consentânea com as normas jurídicas constitucionais e com a 
jurisprudência do STF é que o Poder Executivo poderá reduzir e 
restabelecer a alíquota do ICMS – Combustíveis e da CIDE – 
Combustíveis, mas não poderá ultrapassar o teto da alíquota prevista 
anteriormente a redução e que não se deve observar o princípio da 
anterioridade. 
Anota-se também que o princípio da anterioridade é garantia 
individual do contribuinte e, portanto, cláusula pétrea, não podendo 
ser alterado nem pelo poder constituinte derivado. Assim sendo, a 
anterioridade tributária é limitação material ao poder constituinte 
derivado (ADIn n. 939-7). 
3.1.3.2 ANTERIORIDADE NONAGESIMAL 
Por sua vez, o poder constituinte derivado através da EC n. 
42/2003 revigorou a certeza e a segurança no direito tributário, 
garantindo-se ainda mais o sujeito passivo da relação tributária 
contra uma tributação inesperada ou surpresa, vedando a cobrança 
de alguns tributos antes de decorridos 90 dias da data em que 
tiver sido publicada a lei que os tenha instituído ou aumentado
(art. 150, inciso III, alínea “c”), consoante já era igualmente fixado 
pelo poder constituinte originário para as contribuições da seguridade 
social (art. 195, §6°, da CF/88). 
Exemplificando, publica-se uma lei aumentando a alíquota do 
imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) no dia 31 de 
dezembro de 2008, esta lei, de acordo com o art. 150, inciso III, 
alínea “c”, da CF/88, só tem eficácia jurídica em 1° de abril de 2009. 
A “nova” regra denominada de princípio da anterioridade 
nonagesimal ou especial(noventena) também é excepcionada 
para o II, IE, IR, IOF, IEG e o empréstimo compulsório por motivo de 
guerra externa ou de calamidade pública, bem como no que diz 
respeito à fixação da base de cálculo do imposto sobre a propriedade 
de veículos automotores (IPVA) e do imposto sobre propriedade 
predial e territorial urbana (IPTU). 
As duas facetas do princípio da não-surpresa são a anterioridade 
genérica e a anterioridade nonagesimal. Portanto, a resposta mais 
adequada é letra “d”. Contudo, ressaltamos que na hipótese de 
restabelecimento de alíquotas do ICMS incidente sobre Combustíveis 
não se aplica a anterioridade genérica ou anual. 
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Observamos, portanto, algumas importantes singularidades 
decorrentes da EC 42/2003, que são: o IPI não é exceção à 
noventena, mas é à anterioridade comum; o IR não é exceção à 
anterioridade comum, mas é à noventena; o restabelecimento (nunca 
o aumento propriamente dito) de alíquotas do ICMS – Combustíveis e 
da CIDE – Combustíveis não é exceção à noventena, mas é à 
anterioridade comum; o IPVA e o IPTU se submetem à anterioridade 
comum, mas a definição das suas bases de cálculo não está sujeita à 
noventena. 
O quadro das exceções ao princípio da anterioridade e à 
noventena é a que segue.Preste atenção: se é exceção é porque 
não deve observar o princípio. E todos os demais tributos devem 
observar as duas anterioridades, porque a regra é a observância ao 
princípio. 
Anterioridade anual Noventena 
II II 
IE IE 
IPI IR 
IOF IOF 
IEG IEG 
Empréstimo compulsório por 
motivo de guerra externa ou de 
calamidade pública 
Empréstimo compulsório por 
motivo de guerra externa ou de 
calamidade pública 
Restabelecimento de alíquotas do 
ICMS – Combustíveis e da CIDE – 
Combustíveis 
Base de cálculo do IPTU 
Contribuições para a seguridade 
social 
Base de cálculo do IPVA 
3.1.3.3 MEDIDA PROVISÓRIA 
O art. 62, §2°, da CF, dispõe que medida provisória que 
implique instituição ou majoração de impostos só produzirá 
efeitos no exercício financeiro seguinte (anterioridade genérica) se 
houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi 
editada, exceto nos casos do imposto de importação (II), imposto de 
exportação (IE), imposto sobre produtos industrializados (IPI), 
imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a 
títulos ou valores mobiliários (IOF) e o imposto extraordinário de 
guerra (IEG). 
Decerto, salvo as exceções anteriores, a medida provisória 
(MP) também deve atender também a anterioridade nonagesimal ou 
noventena, contada da publicação da medida provisória se esta 
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for convertida em lei sem alterações substanciais realizadas pelo 
Poder Legislativo. 
Ao contrário, se a medida provisória for significativamente 
modificada, a noventena é contada da data da conversão da MP em 
lei. Acrescentamos que a medida provisória que implique instituição 
ou majoração de impostos, salvo II, IE, IPI, IOF, IEG, só produzirá 
efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em 
lei até o último dia daquele em que foi editada. 
Importante:o STF tem jurisprudência para a hipótese das 
contribuições da seguridade social, afirmando que, publicada a 
medida provisória até o dia 31 de dezembro, é possível a cobrança da 
contribuição nova ou majorada a partir de 01 de janeiro do exercício 
financeiro seguinte, desde que obedecida a noventena prevista no 
art. 195, § 6º, da CF, e que não tenha havido alteração substancial 
do texto aprovado pelo Congresso Nacional. 
3.1.3.4 ANUALIDADE TRIBUTÁRIA 
O princípio da anualidade tributária estabelece que para criação 
ou majoração de tributo é necessário a prévia autorização em lei 
orçamentária. Tal princípio não é mais vigente no ordenamento 
jurídico atual, segundo doutrina amplamente majoritário. 
3.1.3.5JURISPRUDÊNCIA DO STF 
O STF já consolidou sua jurisprudência no sentido de que não é 
necessária a observância da anterioridade na hipótese de 
prorrogação de alíquota majorada já vigente. 
Em caso decidido recentemente (RE 584110), por exemplo, o 
STF entendeu que determinada lei paulista, que manteve, para o ano 
seguinte, a majoração de alíquota do ICMS de 17% para 18%, já 
vigente em anos anteriores, não necessita cumprir a anterioridade 
nonagesimal (art. 150, III, “c”, da CF/88). 
Isto é, o STF interpretou mais uma vez restritivamente o 
princípio da anterioridade, compreendendo que em caso de mera 
prorrogação de alíquota e não de instituição ou majoração de 
tributo, não há surpresa ou insegurança jurídica para o sujeito 
passivo da relação tributária. 
(CESPE/Defensoria Pública-União/2010) “Considere que determinado 
estado da Federação tenha publicado lei majorando a alíquota do 
ICMS de 18% para 19% e estabelecendo que sua vigência 
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terminariaem 31 de dezembro de 2009. Considere, ainda, que, em 
meados desse mês, tenha sido publicada lei que manteve a alíquota 
de 19% para o ano de 2010. Nesse caso, a lei publicada em 
dezembro de 2009 viola o princípio da anterioridade nonagesimal”. É 
errado. 
Outras decisões importantes são as seguintes: 
• Não há incidência do princípio da anterioridade tributária na 
redução ou a extinção de desconto para pagamento de tributo 
sob determinadas condições previstas em lei, como o 
pagamento antecipado em parcela única, pois não ocorre 
aumento do valor do tributo (ADI 4.016-MC); 
• Revogada a isenção incondicionada, o tributo torna-se 
imediatamente exigível, porque não há que se observar a 
anterioridade, dado que o tributo já é existente (RE 204.062); 
(CESPE/Direito/TCE/AC/2009) “A revogação de isenção tem sido 
equiparada peloSTF à instituição ou majoração de tributo, razão pela 
qual só poderá produzir efeitos no exercício financeiro seguinte, em 
respeito à regra da anterioridade tributária”. É errada. 
• Em caso de taxas, devem observar-se as limitações 
constitucionais ao poder de tributar, dentre essas, a 
anterioridade nonagesimal para que a lei tributária se torne 
eficaz (ADI 3.694); 
(CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “Às taxas é aplicado o princípio da 
anterioridade de exercício, mas não o da anterioridade nonagesimal, 
que é restrita a impostos e contribuições”. É errada. 
(CESPE/Consultor/ES/2010) “Considerando que uma lei que criou 
uma taxa tenha sido promulgada e publicada em 3/12/2009, com 
vigência a partir da data de publicação, a referida taxa somente 
deverá ser cobrada a partir 1.º de janeiro de 2010”. É errada, em 
face da não obediência a anterioridade nonagesimal. 
• A simples atualização monetária não se confunde com 
majoração do tributo. Logo, a modificação dos fatores de 
indexação, com base em legislação superveniente, não constitui 
desrespeito a situações jurídicas consolidadas, nem 
transgressão ao postulado da não-surpresa, instrumentalmente 
garantido pela cláusula da anterioridade tributária (RE 200.844-
AgR, AI 626.759-AgR); 
• Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação 
tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade (súmula 
669 do STF). 
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3.1.4 PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA FISCAL 
O princípio da transparência fiscal é implícito no texto 
constitucional. 
No direito tributário, busca garantir a adequada e clara 
informação ao sujeito passivo da carga tributária que lhe é imposta. 
Neste sentido, destacam-se dois dispositivos constitucionais, a saber: 
a lei determinará medidas para que os consumidores sejam 
esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e 
serviços (150, § 5º); qualquer subsídio ou isenção, redução de base 
de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão 
(benefícios fiscais) só poderá ser concedido mediante lei específica, 
sem prejuízo dos convênios interestaduais do CONFAZ (art. 150, § 
6º). 
3.2 PRINCÍPIOS VINCULADOS ESPECIALMENTE À JUSTIÇA 
TRIBUTÁRIA 
A justiça é idéia elementar do Direito. No campo da tributação, 
segundo doutrina abalizada, “é basicamente distributiva, 
característica do regime publicístico, consistindo em tratar 
desigualmente aos desiguais na medida em que se desigualam; mas, 
às vezes, é comutativa, própria das relações de troca, como ocorre 
com as taxas e as contribuições”. 
A justiça tributária é consagrada, notadamente, pelos princípios 
constitucionais da igualdade (art. 150, II), da capacidade contributiva 
(art. 145, §1°) e do não-confisco (art. 150, IV). 
3.2.1PRINCÍPIO DA IGUALDADE 
A isonomia ou igualdade, no âmbito tributário, veda à União, 
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir tratamento 
desigual entre contribuintes que se encontrem em situação 
equivalente, o que proíbe qualquer distinção em razão de ocupação 
profissional ou função por eles exercida, independentemente da 
denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos (art. 150, 
II). 
Importante: Victor Uckmar distingue dois sentidos da igualdade 
tributária: (a) igualdade no sentido jurídico, que exige igual regime 
fiscal a contribuintes que estejam em idênticas situações; (b)
igualdade no sentido econômico, que significa dever de contribuir em 
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igual medida, com a graduação dos impostos de acordo com a 
capacidade contributiva dos indivíduos. 
3.2.1.1 PRIVILÉGIOS ODIOSOS 
A isonomia não proíbe qualquer tipo de discriminação, mas sim 
as discriminações irrazoáveis, chamadas pela doutrina de privilégios 
odiosos, tais como as decorrentes de opção sexual, origem, sexo, 
raça, crença religiosa, convicção filosófica ou política. Em outras 
palavras, discriminações razoáveis são juridicamente consentidas, 
desde que pertinentes aos interesses constitucionalmente protegidos, 
sobretudo, os direitos e garantias individuais. Decerto, deve existir 
correlação lógica e pertinência constitucional entre o tratamento 
tributário diferenciado (v.g., benefício fiscal) e o elemento de 
discriminação tributária. 
Nesse rumo, o art. 150, II, da CF, afirma expressamente que os 
contribuintes em situação equivalente terão tratamento igual, 
evitando perseguições e favoritismos. Um fácil exemplo de privilégio 
odioso seria a isenção tributária de IPVA para os automóveis de todos 
aqueles que ocupam o cargo de Senador Federal, o que tornaria tais 
indivíduos privilegiados de forma ilegítima em relação a todos os 
demais contribuintes. 
3.2.1.2 PRINCÍPIO DO NON OLET 
O dinheiro não tem cheiro, como já afirmava historicamente o 
Imperador Vespasiano na Roma Antiga. Deste modo, todos aqueles 
que realizam a situação geradora da obrigação tributária, em 
princípio, deverão pagar o tributo, independentemente da legalidade 
do ato que gera o fato presuntivo de riqueza tributável. 
Ressaltamos, assim, que é legitima a cobrança de imposto de 
renda (IR) incidente sobre produtos financeiros resultantes de 
atividades criminosas (STF, HC n° 77.530-RS). É a consideração 
objetiva da manifestação da riqueza para fins de incidência tributária, 
de acordo com a isonomia e o art. 118, I, do CTN. Por exemplo, 
também é lícita a cobrança de tributos resultantes de atividades de 
bicheiro, doleiros, “mensaleiros” (caixa dois) etc. 
3.2.1.3 JURISPRUDÊNCIA DO STF 
A jurisprudência relevante e atual do STF no que concerne ao 
princípio da igualdade é a seguinte: 
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• Desrespeita a isonomia tributária a isenção de IPTU, em razão 
da qualidade de servidor público (AI 157.871-AgR), e a isenção 
dos membros do Ministério Público do pagamento de custas 
judiciais, notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou 
emolumentos (ADI 3.260); 
(CESPE/PROCURADOR/PE/2009) “Lei complementar estadual que 
isente os membros do MP do pagamento de custas judiciais ou 
emolumentos é constitucional”. É errada. 
• Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção a 
contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia 
(RE 159.026, RE 344.331); 
• Não é possível o STF efetivar a extensão do tratamento 
tributário diferenciado concedido às instituições financeiras, às 
cooperativas e às revendedoras de carros usados, a título do 
PIS/PASEP e da COFINS, o que implicaria converter-se o STF 
em legislador positivo (RE 402.748-AgR); 
• Não ofende o princípio da isonomia lei que restringe os 
contribuintes da COSIP aos consumidores de energia elétrica do 
município, ante a impossibilidade de se identificar e tributar 
todos os beneficiários do serviço de iluminação pública (RE 
573.675); 
• Não há ofensa a isonomia tributária se a lei, por motivos 
extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e 
empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, 
afastando do regime do Simples aquelas cujos sócios têm 
condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do 
Estado (ADI 1.643); 
• A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades 
financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a 
folha de salários, não fere o princípio da isonomia tributária, 
ante a expressa previsão constitucional (§ 9º do art. 195; AC 
1.109-MC); 
• Não há violação ao princípio da isonomia o diploma legal que 
estabelece valores específicos para cada faixade contribuintes, 
sendo estes fixados segundo a capacidade contributiva de cada 
profissional (ADI 453); 
• A instituição de incentivos fiscais a empresas que contratam 
empregados com mais de quarenta anos, utiliza-se do caráter 
extrafiscal dos tributos, sem violar o princípio da isonomia (ADI 
1.276). 
3.2.2PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA 
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Disposta no art. 145, §1°, da CF, a capacidade contributiva é 
instrumento de solidificação da igualdade tributária, que opera como 
limite e graduação da obrigação de pagar o tributo e deve ser vista 
sob duas perspectivas. 
Em primeiro lugar, o aspecto objetivo ou absoluto, que leva 
em conta as manifestações reais de riqueza do fato tributável, isto é, 
o legislador deve eleger as situações ou atividades que revelem a 
capacidade econômica do sujeito passivo (“signos presuntivos de 
riqueza”). Por exemplo, ser proprietário de um veículo, auferir renda, 
importar um produto estrangeiro. Com feito, a capacidade 
contributiva absoluta é fundamento para instituição do imposto e, por 
conseguinte, serve de orientação para o legislador na escolha das 
hipóteses de incidência. 
Em segundo lugar, o aspecto subjetivo ou relativo, que tem 
em conta as particularidades de cada sujeito passivo (capacidade 
contributiva in concreto) e tem aplicação direta com o princípio da 
personalização dos impostos. Assim, a capacidade contributiva 
relativa serve de limite à incidência tributária e critério para 
progressividade do imposto. 
Decerto, apesar de a doutrina consagrar como sinônimos os 
termos capacidade contributiva e capacidade econômica, a primeira 
significa a capacidade de pagar impostos (abilitytopay), pressupondo 
a capacidade econômica (renda, patrimônio e consumo), mas 
também as características pessoais, tal como a redução da base de 
cálculo do imposto de renda com as deduções com despesas de 
saúde, educação e dependentes. 
Em outras palavras, a capacidade contributiva é aptidão para 
suportar e pagar o tributo (conceito mais amplo) e a capacidade 
econômica é a mera potencialidade de aquisição de riquezas (conceito 
mais restrito). Tal distinção é relevante do ponto de vista de justiça 
fiscal, na medida em que otimizar a pura capacidade econômica do 
sujeito passivo é não tomar em conta a tributação isonômica e justa, 
que deve buscar mensurar adequadamente a riqueza real dos 
indivíduos. Ou seja, a tributação justa deve privilegiar a riqueza 
efetiva e real do sujeito passivo e não só a riqueza presumida, tal 
como o simples ganho de capital. 
Importante: A doutrina entende que são modos de concretização do 
princípio da capacidade contributiva a: (i) imunidades tributárias; (ii) 
isenção; (iii) seletividade e (iv) progressividade. 
3.2.2.1 A PERSONALIZAÇÃO DOS IMPOSTOS 
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É um subprincípio da capacidade contributiva, explicitamente 
previsto no art. 145, §1°, da CF, que dispõe que, sempre que 
possível, os impostos terão caráter pessoal. 
Assim, sempre que possível, deve-se analisar as características 
pessoais do sujeito passivo, o que acontece, por exemplo, na 
quantificação do IR que tem como parâmetros de dedução do seu 
valor os gastos com educação, saúde, dependentes, dentre outros. 
3.2.2.2 MÍNIMO VITAL 
O mínimo existencial, também denominado de mínimo 
indispensável ou mínimo vital, é corolário da capacidade contributiva, 
sendo o direito à não tributaçãodo rendimento necessário a dignidade 
da pessoa humana, tendo como parâmetro o salário mínimo previsto 
constitucionalmente (art. 7°, IV). 
Isto é, o mínimo vital é um limite mínimo para a tributação 
estatal, o que significa a eliminação da tributação sobre a renda 
necessária para sobrevivência do indivíduo e de sua família. Por 
exemplo, a isenção no imposto de renda (IR) no que diz respeito ao 
limite mínimo de renda ou proventos adquiridos ou a isenção de 
custas judiciais para os reconhecidamente pobres. 
3.2.2.3 APLICAÇÃO AS ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS 
Nesse rumo,apesar da literalidade do art. 145, §1°, da CF, 
que dispõe sobre a aplicação da capacidade contributiva apenas aos 
impostos, a jurisprudência do STF firmou orientação no sentido da 
aplicação às taxas, especialmente quando fato gerador é o exercício 
do poder de polícia como fato gerador (RE 216.259-AgR, RE 
177.835). 
(CESPE/Direito/TCE/AC/2009) “O princípio da capacidade 
contributiva, segundo previsão expressa na CF, aplica-se a todos os 
tributos federais, estaduais e municipais”. É errada. 
No que diz respeito a contribuição social do empregador, da 
empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei (art. 195, I, 
“a”, “b” e “c”), a CF também deixou caminho aberto para aplicação 
da capacidade contributiva, pois tais contribuições poderão ter 
alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade 
econômica, da utilização intensiva de mão-de-obra, do porte da 
empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. 
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Por sua vez, realçamos o entendimento da ESAF em 2009 de 
que a capacidade contributiva não se aplica as multas tributárias, em 
face da ausência explícita de previsão constitucional. 
3.2.2.4 JURISPRUDÊNCIA DO STF 
Ressaltamos como atuais as seguintes decisões do STF: 
• “A exigibilidade do ISS, uma vez ocorrido o fato gerador — que 
é a prestação do serviço —, não está condicionada ao 
adimplemento da obrigação de pagar-lhe o preço, assumida 
pelo tomador dele: a conformidade da legislação tributária com 
os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade 
contributiva não pode depender do prazo de pagamento 
concedido pelo contribuinte a sua clientela.” (AI 228.337-AgR); 
• O fato de um dos elementos utilizados na fixação da base de 
cálculo do IPTU – a metragem da área construída do imóvel – 
ser tomado com parâmetro na determinação da alíquota da 
taxa de coleta de lixo é uma forma de realização da isonomia 
tributária e do princípio da capacidade contributiva (RE 
232.393, RE 336.782-AgR); 
• A CF não autoriza a progressividade das alíquotas no ITBI, 
realizando-se o princípio da capacidade contributiva 
proporcionalmente ao preço da venda do imóvel (RE 
234.105). 
3.2.3 PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO 
Tem como base fundamental o direito constitucional de 
propriedade (art. 5º, XXII) e dispositivo explícito do sistema 
tributário nacional (art. 150, IV), sendo um limite máximo para a 
tributação. Isto é, enquanto o mínimo vital é um limite mínimo para 
incidência tributária, o não-confisco é um limite máximo. 
A Constituição não define o que seja confisco, competindo, em 
última instância, ao Poder Judiciário estabelecer, utilizando-se da 
razoabilidade e proporcionalidade, os contornos deste conceito 
jurídico indeterminado. 
Neste sentido, conforme doutrina amplamente majoritária, 
compreendemos que o princípio da vedação do tributo com efeito de 
confisco pode alcançar qualquer espécie tributária e deve ser 
interpretado de forma sistemática com outros princípios 
constitucionais. Isto é, o caráter confiscatório ou não do tributo deve 
ser analisado em conjunto, sobretudo, com os princípios do direito a 
propriedade, dignidade da pessoa humana, liberdade de trabalho, 
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ofício ou profissão, igualdade, capacidade contributiva e 
progressividade. 
3.2.3.1PERSPECTIVA DINÂMICA E PERSPECTIVA ESTÁTICA 
A perspectiva dinâmica e a perspectiva estática de incidência 
do princípio do não confisco é uma distinção que analisa a aplicação 
da proibição de tributo com efeito de confisco sob a ótica temporal 
das normas tributárias. 
Deste modo, afirma Fabio BrunGoldschmidt: “A perspectiva 
estática faz a análise da aplicabilidade do art.150, IV diante de uma 
dada realidade normativa vigente; diz com os resultados, os 
efeitos funestos causados pela legislação em vigor. A perspectiva 
dinâmica, por outro lado, tem em vista, não as leis em si mesmas 
consideradas, mas a transição normativa como um processo; diz com 
os efeitos confiscatórios que podem ser gerados pela alteração das 
normas tributárias”. 
Assim, conforme afirmamos em estudos publicados 
periodicamente no site <www.pontodosconcursos.com.br>, a 
perspectiva estática diz respeito à análise do princípio do não-
confisco em razão do valor dos tributos vigentes no ordenamento 
jurídico (“quantum do tributo”) e a perspectiva dinâmica avalia o 
efeito do princípio do não-confisco na alteração ou mutação ocorrida 
na legislação tributária (“quantum do aumento dos tributos”). 
Noutra perspectiva, Aires Barreto afirma que o imposto sobre a 
renda pode ser confiscatório e também os impostos sobre o 
patrimônio, quer considerados em sua perspectiva estática 
(propriedade imobiliária – IPTU e ITR), quer em sua perspectiva 
dinâmica (transmissão de propriedade imobiliária – ITCMD e ITBI). 
Assim, o imposto incide numa perspectiva estática quando 
considera apenas o patrimônio em si mesmo, isto é, a pura 
manutenção do patrimônio é adotada como índice de capacidade 
contributiva. Assim, o ITR, o IPTU, o IGF e o IPVA são exemplos 
característicos de impostos que tomam o patrimônio, a partir de uma 
perspectiva estática. 
Por sua vez, o imposto incide numa perspectiva dinâmica 
quando considera possíveis modificações patrimoniais (riqueza 
renovável), ou seja, as mutações dos elementos patrimoniais são 
adotadas como índice de capacidade contributiva. Isto é, a saída e a 
entrada (“movimentações”: ingresso, circulação, transferência, 
transmissão e doação) de riqueza relevam a possibilidade de suportar 
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o ônus tributário. Decerto, o II, IE, IR, IPI, IOF, ITCMD, ICMS e ITBI 
oneram o patrimônio, a partir de uma perspectiva dinâmica. 
Importante: No mundo da realidade, os tributos podem ser
confiscatórios (mundo do ser). Contudo, de acordo com o nosso 
ordenamento jurídico, sobretudo, em razão do art. 150, IV, da CF, os 
tributos não devem ser confiscatórios (mundo do Direito). 
3.2.3.2 IMPOSTO PROIBITIVO, IMPOSTO EXCESSIVO E 
IMPOSTO CONFISCATÓRIO 
A vedação ao imposto proibitivo, princípio implícito derivado do 
não-confisco tributário, objetiva impedir a onerosidade excessiva ou 
exacerbada do imposto que obste o aproveitamento da atividade 
econômico do sujeito passivo. 
O imposto proibitivo fere de morte o princípio constitucional da 
livre iniciativa (art. 1°, IV) e as garantias constitucionais do 
desenvolvimento nacional (art. 3°, II) e do livre exercício profissional 
(art. 5°, XIII). 
Ademais, a doutrina de Sampaio Dória distingue imposto 
proibitivo, imposto excessivo e imposto confiscatório: 
• Imposto proibitivo asfixia, destrói e impossibilita a atividade 
tributada; 
• Imposto excessivo desencoraja ou dificulta a atividade 
tributada; 
• Imposto confiscatório absorve parcela substancial da 
propriedade ou a totalidade da renda do indivíduo ou da 
empresa. 
3.2.3.3 JURISPRUDÊNCIA DO STF 
As decisões relevantes do STF são as seguintes: 
• “A multa moratória de 20% ou 30% do valor do imposto 
devido, não se mostra abusiva ou desarrazoada, inexistindo 
ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação 
ao confisco” (RE 239.964, AI 755.741-AgR, RE 220.284); 
• Não existe caráter confiscatório de multa de 100% imposta ao 
contribuinte, por meio de lançamento de ofício, que decorre do 
fato de haver-se ele omitido na declaração e recolhimento 
tempestivo da contribuição (RE 241.087-AgR); 
• Fere o princípio constitucional da não-confiscatoriedade 
diploma legislativo que institui multa fiscal de 300% (ADI 
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1.075-MC, AI 482.281-AgR); 
(CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “Contra a imposição de multas por 
sonegação fiscal ou mesmo pelo não recolhimento do tributo, não se 
pode argumentar com a proibição constitucional de utilização de 
tributo com efeito de confisco, já que de tributo não se trata”. É 
incorreta. 
• Não configura confisco decisão que, a partir de normas 
estritamente legais, aplicáveis a espécie, resultou na perda de 
bem móvel importado (AI 173.689-AgR); 
• Taxa: correspondência entre o valor exigido e o custo da 
atividade estatal. Se o valor da taxa ultrapassar o custo do 
serviço prestado ou posto à disposição do contribuinte, 
dando causa a uma situação de onerosidade excessiva, que 
descaracterize essa relação de equivalência, configurar-se-á 
hipótese de ofensa ao princípio do não-confisco (ADI 
2.551-MC-QO); 
• A instituição de alíquotas progressivas para a contribuição 
previdenciária dos servidores públicos ofende o princípio da 
vedação de utilização de qualquer tributo com efeito 
confiscatório (AI 701.192-AgR); 
• A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em 
função da totalidade da carga tributária, mediante 
verificação da capacidade do contribuinte para suportar e sofrer 
a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro 
de determinado período, à mesma pessoa política que os 
houver instituído. Assim, resulta configurado o caráter 
confiscatório de determinado tributo, sempre que o efeito 
cumulativo – resultante das múltiplas incidências 
tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal – 
afetar, substancialmente, de maneira irrazoável, o 
patrimônio e/ou os rendimentos do contribuinte. (ADC 8-
MC; ADI 2.551-MC-QO); 
• O regime de substituição tributária ‘para frente’ não ofende ao 
princípio do não-confisco (AI 207.377 AgR); 
• “Imposto de Importação. Aumento de alíquota de 4% para 
14%. A caracterização do efeito confiscatório pressupõe a 
análise de dados concretos e de peculiaridades de cada 
operação ou situação, tomando-se em conta custos, 
carga tributária global, margens de lucro e condições 
pontuais do mercado e de conjuntura social e econômica
(...). O isolado aumento da alíquota do tributo é insuficiente
para comprovar a absorção total ou demasiada do produto 
econômico da atividade privada, de modo a torná-la inviável ou 
excessivamente onerosa” (RE 448.432-AgR, DJE de 28-5-
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2010); 
• “A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua 
consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter 
confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do 
contribuinte”, em oposição a proibição de tributos com efeito de 
confisco (ADI 551, DJ de 14-2-2003). 
3.3 PRINCÍPIOS VINCULADOS ESPECIALMENTE À FORMA 
FEDERATIVA DE ESTADO 
O federalismo é a formade organização do estado brasileiro, 
tendo como características fundamentais a: (i) descentralização 
político-administrativa fixada pela Constituição, por meio do processo 
de repartição das competências legislativas e tributárias; (ii)
autonomia dos Estados federados, de acordo com a Constituição; 
(iii) participação das vontades parciais na vontade geral, que é a 
participação dos Estados federadosnas decisões da União (Senado 
Federal); (iv) auto-organização dos Estados-membros por meio de 
Constituições próprias; (v) existência órgãos próprios dos Estados-
membros para o exercício das funções legislativa, executiva e 
jurisdicional. 
Nesse rumo, na seara tributária, há princípios constitucionais 
com o objetivo de preservar o pacto federativo, tais como o da 
liberdade de tráfego (art. 150, V), da uniformidade geográfica (art. 
151, I), da não-discriminação em razão da procedência ou destino 
(art. 152) e da territorialidade das leis. 
3.3.1 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO 
Expresso no art. 150, V, da CF/88,proíbe à União, aos Estados, 
ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego 
de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou 
intermunicipais, salvo a cobrança de pedágios pela utilização de 
vias conservadas pelo Poder Público. 
Decerto, o princípio em análise confirma a proteção 
constitucional da liberdade de locomoção, devendo-se entender que o 
fato gerador de qualquer tributo deve ser distinto de transposição de 
Municípios e de transposição de Estados. Caso contrário, prejudicar-
se-ia o tráfego de pessoas e bens no território nacional. 
(CESPE/Consultor/ES/2010) “Se, devido a incentivos fiscais 
concedidos pelo governo do Espírito Santo, novas empresas 
produtoras de automóveis instalarem-se no estado, e esse fato 
contribuir para atrair milhares de trabalhadores de outros estados 
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brasileiros, nesse caso, visando conter o fluxo migratório e para não 
prejudicar a política de geração de empregos local, o governador 
poderá instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de 
trabalhadores de outros estados, pelo mesmo período de tempo do 
incentivo fiscal concedido às montadoras de automóveis”. É errada. 
Ademais,ressaltamos que o ICMS cobrado nos Postos Fiscais de 
fronteira é cobrado em virtude da “circulação de mercadorias” (um 
dos fatos geradores do ICMS) e não pelas transposições territoriais 
supramencionadas. 
3.3.2 PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE GEOGRÁFICA 
O princípio da uniformidade geográfica está estabelecido no art. 
151, I, da CF/88, afirmando que é vedado à União instituir tributo 
que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique 
distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a 
Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de 
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do 
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões 
do País. 
(CESPE/Advogado/CEF/2010) “A União pode instituir tributo que não 
seja uniforme em todo o território nacional”. É errada, conforme 
gabarito definitivo da banca, pois, em regra, é proibido. 
Portanto, o princípio da uniformidade geográfica prega que é 
vedado a União instituir ou majorar tributos de forma desigual em 
todo o território nacional. Assim, por exemplo, o tributo de 
competência da União deve conter a mesma alíquota em todo o 
Brasil. 
Entretanto, existe uma atenuação a este princípio no caso de 
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do 
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. 
Por exemplo, a União deve conceder a Zona Franca de Manaus 
benefícios fiscais até 2023, conforme o art. 92 dos Atos das 
Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). 
3.3.2.1 A VEDAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA 
RENDAS DAS OBRIGAÇÕES DE DÍVIDA PÚBLICA E DA 
REMUNERAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS 
É o impedimento constitucional da União detributar a renda das 
obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos 
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agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas 
obrigações e para seus agentes (art. 151, II). 
3.3.2.2 A VEDAÇÃO DAS ISENÇÕES HETERÔNOMAS 
O texto constitucional proíbe a Uniãodeinstituir isenções de 
tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos 
Municípios (art. 151, III). No entanto, segundo interpretação 
consolidada no STF e STJ, o âmbito de aplicação desta norma é o das 
relações das entidades federadas entre si (ordem interna) e não a 
atuação da União na ordem externa (tratados, convenções e acordos 
internacionais). 
3.3.3 PRINCÍPIO DA NÃO-DISCRIMINAÇÃO EM RAZÃO DA 
PROCEDÊNCIA OU DESTINO 
Previsto no art. 152 da CF/88 veda aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e 
serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou 
destino. 
(CESPE/Advogado/CEF/2010) “Qualquer ente federativo pode instituir 
tributo que importe em distinção ou preferência em favor de 
determinado estado ou município”. É errada. 
(CESPE/Advogado/CEF/2010) “Os estados podem estabelecer 
diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de 
sua natureza ou do seu destino”. É errada. 
Decorre do princípio federativo, pois busca evitar a “guerra 
fiscal” entre os entes federados. Neste sentido, o STF declarou a 
inconstitucionalidade do Decreto 35.528/2004, do Estado do Rio de 
Janeiro (RJ), que estabelecia redução na base de cálculo do ICMS nas 
saídas internas de café torrado ou moído produzido em 
estabelecimento industrial localizado no Estado do RJ, uma vez que 
gerava um grave óbice à livre circulação de bens e mercadorias entre 
Estados da federação (ADI 3.389; ADI 3.673). 
(CESPE/Advogado/CEF/2010) “É vedado aos municípios, e não aos 
estados, ao DF e à União, o estabelecimento de diferenças tributárias 
entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou de 
seu destino”. É errada. 
3.3.4 PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE DAS LEIS 
É princípio implícito,assentando que as leis tributárias só têm 
validade e eficácia no âmbito do Poder Legislativo que o produziu. 
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Assim, em princípio, no caso da União (Congresso Nacional), a lei tem 
validade no território nacional. Na hipótese de lei estadual 
(Assembléia Legislativa), a lei tem validade no território estadual. No 
caso de lei municipal (Câmara de Vereadores), a lei tem validade no 
território municipal. Portanto, a regra é a territorialidade. 
Contudo, existem casos extraterritorialidade como no caso dos 
tratados internacionais. Outro exemplo é o art. 102 do CTN, dispondo 
que a “legislação tributária dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios vigora, no País, fora dos respectivos territórios, nos limites 
em que lhe reconheçam extraterritorialidade os convênios de que 
participem, ou do que disponham esta ou outras leis de normas 
gerais expedidas pela União”. 
3.4 PRINCÍPIOS CARACTERÍSTICOS A DETERMINADOS 
TRIBUTOS 
Alguns princípios tributários dizem respeito explicitamente a 
determinados tributos, a saber: (i)generalidade, universalidade e 
progressividade no IR (art. 153, §2°); (ii) obrigatoriedade 
daseletividade e da não-cumulatividade no IPI (art. 153, §3°); (iii) 
progressividade de forma a desestimular a manutenção de 
propriedades improdutivas no ITR (art. 153, §4°); (iv) 
facultatividadedaseletividade e obrigatoriedade da não-
cumulatividade no ICMS (art. 155, §2°); (v) progressividade em 
função do tipo e utilização do veículo no IPVA (art. 155, §6°); (vi) 
progressividade em razão do valor do imóvel e da função social da 
propriedade (aproveitamento do solo urbano) no IPTU (arts. 156, §1, 
e 182, § 4º II). 
3.4.1 PRINCÍPIOS DA GENERALIDADE E DA UNIVERSALIDADEO princípio da generalidade para a doutrina majoritária 
significa que todas as pessoas, independentemente de qualquer 
condição (raça, sexo, credo, estado civil etc.), que realizam o fato 
gerador, devem se submeter à incidência do imposto de renda, 
exceto quando alcançados pela imunidade ou isenção. 
Já o princípio da universalidade se contrapõe a idéia de 
seletividade, isto é, o imposto de renda deve incidir sobre todas as 
espécies de obtenção de disponibilidade de renda ou provento. 
Desse modo, critério da universalidade dispõe que toda a 
obtenção de disponibilidade de renda ou provento deve submeter-se 
à incidência do imposto, ou seja, os acréscimos patrimoniais de todas 
as espécies e gêneros, independentemente da denominação, 
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localização, condição jurídica, nacionalidade da fonte ou origem, 
estão sujeitos a incidência do IR, salvo os excluídos pelas próprias 
normas jurídicas (imunidade e isenção). 
Destacamos, todavia, como afirma Marcelo Alexandrino que não 
existe consenso sobre a diferença entre os princípios da generalidade 
e da universalidade: “De qualquer forma, se isso aparecer em algum 
concurso, é majoritária a identificação da generalidade com a 
incidência sobre todas as pessoas e da universalidade com a 
incidência sobre todas as rendas e proventos. O certo mesmo é que 
dizer que o IR deve observar obrigatoriamente os critérios da 
generalidade e da universalidade significa que todas as pessoas e 
rendas (e proventos) estão a ele sujeitas. O fundamento é o princípio 
da isonomia”. 
3.4.2 PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE 
Há dois tipos de progressividade, a saber: (i)progressividade 
fiscal, com intuito puramente arrecadatório, em que a alíquota 
cresce à medida que aumenta a respectiva base de cálculo do tributo; 
(ii)progressividade extrafiscal, com a finalidade principal de 
estimular ou desestimular determinada conduta do sujeito passivo, 
em que o tributo aumenta de valor em face do comportamento do 
sujeito passivo. 
Exemplo de progressividade predominantemente fiscal ocorre 
no IR. Outro exemplo de progressividade fiscal ocorre com o IPTU na 
hipótese de progressividade em razão do valor do imóvel, que só 
pode existir a partir da Emenda Constitucional (EC) n.° 29/2000 
(Súmula 668 do STF). 
Deste modo, segundo interpretação STF anterior a EC n.° 
29/2000, no sistema tributário nacional, não é admitida a 
progressividade fiscal do IPTU, com base exclusivamente no artigo 
145, § 1º, da CF, porque esse imposto tem caráter real que é 
incompatível com a progressividade decorrente da capacidade 
econômica do contribuinte (RE 153.771, julgamento em 20/11/96). 
Decerto, conforme tal entendimento antigo do STF, cobrado na última 
prova de AFRFB (2009-2010), a capacidade contributiva não possui 
relevante significado para o IPTU, podendo ser atendida com a 
proporcionalidade da alíquota (percentual constante). 
Por sua vez, exemplo de progressividade extrafiscal é o caso do 
ITR que deve ser progressivo e suas alíquotas devem ser fixadas de 
forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas 
(art. 153, §4º, I, da CF/88). É a hipótese também da progressividade 
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extrafiscal do IPTU no caso de não aproveitamento do solo urbano 
pelo seu proprietário em razão do tempo (descumprimento da função 
social da propriedade urbana). 
Ademais, realçamos os seguintes precedentes do STF: 
• “Não há tributo progressivo quando as alíquotas são 
diferenciadas segundo critérios que não levam em consideração 
a capacidade contributiva” (RE 414.259-AgR); 
• A progressividade e a isenção são institutos distintos. A 
progressividade pode constituir sanção imposta pelo 
inadequado aproveitamento da propriedade, nos termos em 
que dispuser a lei federal; enquanto a isenção diz respeito à 
observância à capacidade contributiva do contribuinte (RE 
238.671); 
• “É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas 
para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis 
(ITBI) com base no valor venal do imóvel” (Súmula 656 do 
STF); 
• A progressividade da alíquota da COSIP, que resulta do rateio 
do custo da iluminação pública entre os consumidores de 
energia elétrica, não afronta o princípio da capacidade 
contributiva (RE 573.675). 
3.4.3 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE 
A seletividade é obrigatória (“será”) no IPI e facultativa 
(“poderá ser”) no ICMS. Decerto, a seletividade dispõe que as 
alíquotas sejam estabelecidas conforme a essencialidade do produto, 
mercadoria e serviço. 
Segundo definição doutrinária, a seletividade quer dizer 
discriminação ou sistema de alíquotas diferenciadas por espécies de 
produto, mercadoria e serviço. A seletividade é dirigida ao legislador 
ordinário, recomendando- lhe que estabeleça as alíquotas em razão 
inversa da imprescindibilidade dos produtos, mercadorias e serviços 
de consumo generalizado. 
Assim, por exemplo, quanto mais sejam os produtos ou 
mercadorias necessárias à alimentação, ao vestuário, à moradia, ao 
tratamento médico e higiênico das classes mais numerosas, tanto 
menores devem ser as alíquotas. 
Portanto, as alíquotas devem ser maiores para os produtos ou 
mercadorias supérfluos (exs.: caviar, cigarro etc.) e menores para os 
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produtos ou mercadorias consideradas essenciais (ex.: produtos da 
cesta básica). 
3.4.4 PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE 
A não-cumulativa tem por finalidade evitar a denominada 
tributação em cascata, isto é, a incidência do imposto sobre o 
imposto. ´ 
O IPI e o ICMS, pro exemplo, são impostos plurifásicos, uma 
vez que incidem em operações sucessivas. Assim, a não-cumulativa 
visa a impedir que o imposto se torne confiscatório, tornando-o cada 
vez mais gravoso nas várias operações de circulação do produto ou 
mercadoria. 
Neste sentido, a não-cumulatividade se refere a uma técnica de 
tributação que busca evitar a cobrança do imposto em “cascata”, 
funcionando mediante o sistema de créditos e débitos. Isto é, 
compensa-se o valor devido em cada operação com o valor cobrado 
na operação anterior. 
Destaca-se que a compensação, neste caso, não significa forma 
de extinção do crédito tributário estabelecido nos arts. 156, inc. II, e 
170 do CTN, mas sim dedução do tributo já cobrado na cadeia 
produtiva. 
Segundo o STF (ADIn 939), a não-cumulativa não é cláusula 
pétrea,eis que não constitui garantia individual e direito fundamental 
dos contribuintes. O STF entende que a não-cumulativa apenas 
vincula o legislador ordinário e não o poder constituinte derivado. 
Em relação ao IPI, por exemplo, destaca-se a lei deve dispor de 
forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em 
determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos 
do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele 
entrados. Ressalta-se que o saldo verificado, em determinado 
período, em favor do contribuinte transfere-se para o período ou 
períodos seguintes (art. 49 do CTN). 
Anota-se o seguinte exemplo da doutrina: “Imagine uma 
‘Indústria 1’ que venda uma chapa de aço pelo valor de R$ 1.000,00 
(mil reais), acrescido de IPI calculado pela alíquota de 10%, ou seja, 
R$ 100,00 (cem reais = 10% do valor da operação). O valor total da 
venda foi de R$ 1.100,00 (mil e cem reais). A ‘Indústria 2’, 
adquirente desta chapa, credita-se do valor de IPI recolhido pela 
‘Indústria 1’, que foi de R$ 100,00 (cem reais). Imagine agora quea 
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‘Indústria 2’, transforme a chapa em uma caldeira (industrialização) e 
venda-a por R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) e que o IPI 
incidente nesta operação seja de 10%. O tributo devido pela venda 
da caldeira seria de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais). No entanto, 
como a ‘Indústria 2’ creditou-se no valor de R$ 100,00 (cem reais), o 
IPI a ser pago pela ‘Indústria 2’ é de R$ 50,00 (cinquenta reais). 
Neste exemplo, simplificado, verificamos que o IPI a ser recolhido 
para União é de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) – R$ 100,00 
cobrado da ‘Indústria 1’e R$ 50,00 cobrado da ‘Indústria 2’, o que 
corresponde exatamente a 10% do valor da venda do produto final, 
que foi de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais)”. 
TEMA II
COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA
1. CONCEITO 
A competência tributária é o poder conferido à União, aos 
Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir 
tributos por meio do processo legislativo discriminado nas normas 
constitucionais. 
Sendo assim, decorre do princípio federativo que somente as 
pessoas que detêm poder de legislar possuem competência tributária 
ou, em outros termos, “poder de tributar”. 
Portanto, as pessoas dotadas de poder de legislar a respeito da 
criação ou instituição dos tributos são os entes federativos ou as 
pessoas políticas, isto é, a União, os Estados-membros, o Distrito 
Federal e os Municípios. 
Neste sentido, devemos entender que a CF/88 não institui os 
tributos, mas sim outorga a competência tributária para os entes 
federativos criarem os tributos e descreve de que forma esta 
competência pode ser exigida. 
2. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA E CLASSIFICAÇÃO 
A competência legislativa é o gênero do qual se origina a 
competência tributária, que é uma espécie de competência legislativa 
para a criação de tributos. 
IMPORTANTE: A competência tributária é competência legislativa e 
não competência administrativa. Esta última se refere à capacidade 
tributária ativa, que é sinônimo de sujeito ativo, nos termos do art. 
119 do CTN. 
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Decerto, tanto a competência legislativa como a competência 
tributária estão previstas no texto constitucional. 
Assim sendo, competência legislativa classifica-se como 
exclusiva, privativa, concorrente, suplementar, local e 
residual. 
A competência legislativa exclusiva ocorre quando atribuída 
a apenas um ente da federação, com a exclusão de todos os demais 
(art. 21). Como exemplo, é competência legislativa exclusiva do 
Congresso Nacional de resolver definitivamente sobre tratados, 
acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou 
compromissos gravosos ao patrimônio nacional, conforme o art. 49, 
I, da CF/88. 
Lembre que o Poder Legislativo federal é exercido pelo 
Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do 
Senado Federal. 
A competência legislativa privativa acontece quando 
enumerada como própria de uma entidade (União, no caso 
brasileiro), com possibilidade, ao contrário da competência exclusiva, 
de delegação ou suplementariedade, conforme previsto no art. 22 da 
CF/88. 
Deste modo, a União é competente privativamente para legislar 
sobre desapropriação (art. 22, II), podendo a lei complementar 
autorizar os Estados e o Distrito federal a legislar sobre questões 
específicas relacionadas a este tema. 
A competência legislativa concorrente é aquela que pode 
ser exercida por mais de uma pessoa política. A Constituição Federal 
estabelece, por exemplo, que compete à União, aos Estados e ao 
Distrito Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário (art. 
24, I). 
Neste caso, é fundamental deixar claro que no âmbito da 
legislação concorrente no sistema jurídico brasileiro, a competência 
da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. 
Assim, a competência da União para legislar sobre normas 
gerais de direito tributário não exclui a competência suplementar
dos Estados e do Distrito Federal, eis que inexistindo lei federal 
(União) sobre normas gerais de direito tributário, os Estados e o 
Distrito Federal exercerão a competência legislativa plena, para 
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atender a suas peculiaridades. E a superveniência de lei federal sobre 
normas gerais de direito tributário suspende a eficácia da lei 
estadual, no que lhe for contrário, de acordo com o que está 
estabelecido nos §§1° a 4°, do art. 24, da CF/88. 
Com efeito, a competência legislativa suplementar significa 
exatamente a competência de poder de fixar normas que desdobrem 
o conteúdo de normas gerais da União (art. 24, §2°, da CF) ou que 
preencham a ausência ou omissão destas normas gerais (art. 24, 
§3°, da CF). 
Do mesmo modo, não se esqueça que a CF/88 também 
estabelece a competência dos Municípios para suplementar a 
legislação federal e a estadual no que couber e para instituir e 
arrecadar os tributos de sua competência, segundo os incisos II e III 
do art. 30. 
Já a competência legislativa local é dos Municípios e do 
Distrito Federal, uma vez que a CF/88 disciplina que compete aos 
Municípios legislar sobre assuntos de interesse local. E o Distrito 
Federal possui competência legislativa municipal e estadual. Como 
exemplo, é competência local do Município fixar o horário de 
funcionamento de estabelecimento comercial (Súmula 645 do STF). 
Por fim, a competência legislativa residual é pertencente 
aos Estados e ao Distrito Federal, pois a CF/88 determina que são 
reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas 
pela Constituição (art. 25, §1°). Ou seja, todas as competências que 
não são da União ou dos Municípios podem ser exercidas pelos 
Estados-membros. 
Importante: Sobre o tema, é necessário realçarmos algumas 
decisões relevantes do STF a respeito de temas ligados ao direito 
tributário: 1. “Mostra-se constitucional a disciplina do IPVA mediante 
norma local. Deixando a União de editar normas gerais, exerce a 
unidade da federação a competência legislativa plena” (AI 167.777-
AgR);2. “À falta de Lei Complementar da União que regulamente o 
adequado tratamento tributário do ato cooperativo praticado pelas 
sociedades cooperativas, (CF, art. 146, III, c), o regramento da 
matéria pelo legislador constituinte estadual não excede os lindes da 
competência tributária concorrente que lhe é atribuída pela Lei Maior” 
(ADI 429-MC); 3. “Custas dos serviços forenses: matéria de 
competência concorrente da União e dos Estados (CF 24, IV), donde 
restringir-se o âmbito da legislação federal ao estabelecimento de 
normas gerais, cuja omissão não inibe os Estados, enquanto perdure, 
de exercer competência plena a respeito” (ADI 1.926-MC); 4. “Lei 
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estadual que determina que os municípios deverão aplicar, 
diretamente, nas áreas indígenas localizadas em seus respectivos 
territórios, parcela (50%) do ICMS a eles distribuída — Transgressão 
à cláusula constitucional da não-afetação da receita oriunda de 
impostos (CF, art. 167, IV) e ao postulado da autonomia municipal 
(CF, art. 30, III) Inviabilidade de o estado-membro impor, ao 
município, a destinação de recursos e rendas que a este 
pertencem por direito próprio — Ingerência estadual indevida em 
tema de exclusivo interesse do município” (ADI 2.355); 5. “A 
Constituição Estadual não pode estabelecer limite parao aumento de 
tributos municipais” (Súmula 69 do STF). 
3. CLASSIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA 
A competência tributária classifica-se como exclusiva, 
residual, extraordinária, comum e cumulativa. 
A competência tributária exclusiva se refere a competência 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para 
instituir os tributos que a Constituição prevê especificamente apenas 
para cada ente federativo, a saber: 
Competência exclusiva ou privativa da União 
(i) Impostos: a) imposto sobre importação de produtos 
estrangeiros (II) – art. 153, I; b) imposto sobre exportação, para o 
exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE) – art. 153, II; 
c) imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) – art. 
153, III; d) imposto sobre produtos industrializados (IPI) – art. 153, 
IV; e) imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou 
relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF) – art. 153, V; f)
imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) – art. 153, VI; g)
imposto sobre grandes fortunas (IGF) – art. 153, VII. 
(ii)Empréstimos Compulsórios (art. 148): a) empréstimo por 
calamidade ou guerra externa (art. 148, I); b) empréstimo por 
investimento público urgente e de relevância nacional (art. 148, II); 
(iii)Contribuiçõesespeciais ou parafiscais: a) contribuições de 
seguridade social (art. 195, art. 239; ADCT, art. 74, 75, 84 e 90); b)
contribuições sociais (art. 212, § 5º e art. 240); c) contribuições de 
interesse das categorias profissionais ou econômicas, também 
denominadas de corporativas (art. 149); d) contribuições de 
intervenção no domínio econômico (CIDE) – art. 149 e art. 177, § 
4º. 
Competência exclusiva ou privativa dos Estados e do Distrito 
Federal 
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(i) Impostos (CF, art. 155): a) impostos sobre transmissão causa 
mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD) – art. 155, 
I; b) impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias 
e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e 
intermunicipal e de comunicação (ICMS) – art. 155, II; c) imposto 
sobre propriedade de veículos automotores (IPVA) – art. 155, III. 
Competência exclusiva ou privativa dos Municípios e do 
Distrito Federal 
(i) Impostos (CF, art. 156): a) imposto sobre propriedade predial e 
territorial urbana (IPTU) art. 156, I; b) impostos sobre transmissão 
inter vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais 
sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a 
sua aquisição (ITBI) – art. 156, II; c) imposto sobre serviços de 
qualquer natureza (ISS), não compreendidos no ICMS, definidos em 
lei complementar – art. 156, III; 
(ii) Contribuição para o custeio do serviço de iluminação 
pública (COSIP ou CIP) - art. 149-A. 
A competência tributária residual se refere à competência 
da Uniãopara instituir, mediante lei complementar (legislador 
ordinário), impostos não previstos na sua competência, desde que 
sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de 
cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição (art. 154, I). 
Assim sendo, realça-se que, no caso da instituição de novo 
imposto pela União, no exercício de sua competência residual, o 
denominado imposto residual deve ter o seu fato gerador, bases de 
cálculo, contribuintes e alíquotas previstas em lei complementar. 
Lembre-se que o legislador ordinário é aquele que formula leis 
abaixo da Constituição (legislador constituinte), ou seja, 
hierarquicamente inferiores à Constituição. 
Nesse rumo, realça-se que o princípio da anterioridade deve 
ser observado no uso da competência tributária residual e que o 
STF (ADIN 939/DF) já firmou posicionamento no sentido de que a 
“técnica da competência residual é para o legislador ordinário 
e não para o constituinte derivado e a não cumulatividade e o 
não bis in idem não precisam ser observados quando da 
criação de um novo imposto através de emenda 
constitucional”. 
Em síntese, o STF entende que as restrições estabelecidas no 
art. 154, I, da CF, não podem ser opostas a emenda a constituição, 
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mas sim ao legislador ordinário na criação do imposto por meio da lei 
complementar. 
Importante: Diversas questões de concurso são baseadas 
exclusivamente no art. 154, I, da CF. Portanto, preste atenção na 
cobrança literal deste dispositivo, sem a necessidade do 
conhecimento da jurisprudência do STF estudada acima. 
Por sua vez, registramos que doutrina minoritária entende 
que os Estados-membros também possuem competência tributária 
residual, com fundamento na sua competência legislativa residual 
prevista no art. 25, §1°, da CF, afirmando que é competência 
tributária residual dos Estados-membros instituírem taxas e 
contribuições de melhoria. Ou seja, as taxas e contribuições de 
melhoria que não sejam de competência político-administrativa da 
União ou dos Municípios podem ser criadas pelos Estados-membros. 
A competência tributária extraordinária é a competência da 
União para instituir na iminência ou no caso de guerra externa, 
impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência 
tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as 
causas de sua criação (art. 154, II). 
A competência tributária comum ou concorrente é a 
competência de todos os entes políticos para instituição de taxas, 
contribuições de melhoria e contribuição previdenciária dos seus 
servidores, dentro da esfera de competência político-administrativa 
de cada um. 
Competência comum da União, Estados-membros, DF e 
Municípios 
Taxas: a) taxas de polícia; b) taxas de serviço. 
Contribuições de Melhoria 
Contribuição previdenciária. 
Por fim, a competência tributária cumulativa é a 
competência da União para instituir, em Território Federal, os 
impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, 
cumulativamente, os impostos municipais (art. 147, da CF/88). 
Podemos afirmar também que o Distrito Federal exerce 
competência tributária cumulativa, pois possui competência tributária 
estadual e municipal. 
Ademais, destacamos que a pessoa política que detém a 
competência tributária para instituir o tributo também é competente 
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para aumentá-lo, diminuí-lo ou mesmo conceder isenções, 
observados os limites constitucionais e legais. 
4. CARACTERÍSTICAS 
A doutrina atribui algumas características à competência 
tributária, a saber: 
(i)Indelegabilidade, entendida como a impossibilidade do 
ente federativo delegar a terceiros a sua competência para instituir o 
tributo. 
Destacamos que não desobedece à característica da 
indelegabilidade o ato legalde determinado ente federativo que 
confere a outra pessoa jurídica de direito público àsfunções de 
arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, 
atos ou decisões administrativas em matéria tributária. 
Tais atribuições, segundo o art. 7°, do CTN, compreendem as 
garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica 
de direito público que a conferir, sendo que estas atribuições podem 
ser revogadas, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa 
jurídica de direito público que a tenha conferido. 
Neste sentido, também não constitui delegação de 
competência tributária o cometimento, a pessoas de direito 
privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos (§3°, 
do art. 7°, do CTN). Aqui é o que acontece diuturnamente com as 
instituiçõesfinanceiras que arrecadam o tributo. 
 Arrecadar significa receber, descontar ou reter o pagamento 
do tributo, isto é, as instituições financeiras não podem fiscalizar ou 
cobrar o pagamento do tributo, o que é competência apenas de 
entidades de direito público, dotadas de poder de império, tais como 
a Receita Federal do Brasil (fiscalizar) e a Procuradoria da Fazenda 
Nacional (cobrar o tributo por meio da execução fiscal). 
Por este fundamento, já decidiu o STJ (Resp 28.675/PR), por 
exemplo, que a arrecadação de tributos não transforma gerente de 
banco comercial em autoridade pública. 
Por outro lado, cabe aqui distinguir competência tributária e 
capacidade tributária ativa, que significa a possibilidade de 
determinada pessoa figurar como sujeito ativo ou no pólo ativo 
(credor) da relação jurídico-tributária, sendo a pessoa competente 
para exigir o cumprimento da obrigação tributária. 
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Assim, o próprio art. 7° dispõe sobre esta possibilidade de 
delegação da capacidade tributária ativa, quando dispõe que as 
atribuições de fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos 
ou decisões administrativas em matéria tributária pode ser conferida 
por uma pessoa jurídica de direito público a outra. 
Por outro lado, de forma mais técnica, existem autores que 
afirmam que a atribuição da capacidade tributária para outra pessoa 
política dá-se por outorga, que seria o nome mais adequado para 
dizer que deve ser sempre por lei. Mas os concursos públicos, na 
grande maioria das vezes, falam em delegação da capacidade 
tributária ativa por lei e não em outorga. 
O exemplo clássico e não mais válido de delegação da 
capacidade tributária ativa é o das contribuições previdenciárias que 
eram cobradas pelo INSS (autarquia federal). A competência 
tributária é da União, mas a capacidade tributária ativa era do INSS. 
Outro exemplo é o da possibilidade do ITR de competência 
tributária da União ser fiscalizado e cobrado pelos Municípios que 
assim optarem (art. 153, §4°, III, da CF/88). 
Do mesmo modo, estabelece-se que a lei federal pode 
cometer aos Estados, ao Distrito Federal ou aos Municípios o encargo 
de arrecadar os impostos de competência da União cujo produto lhes 
seja distribuído no todo ou em parte (art. 84 do CTN). 
No caso, por exemplo, a retenção de imposto de renda (IR) na 
fonte do servidor público municipal não desloca a capacidade 
tributária ativa para os Municípios, continuando como sujeito ativo a 
União, sendo que o IR só pode ser cobrado única e exclusivamente 
por este último ente político. 
(ii)Incaducabilidade ou imprescritibilidade ou, ainda,não 
sujeita a decadência, a significar que o não-exercício da 
competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito 
público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído, de 
acordo com o art. 8º do CTN, ou seja, a pessoa política pode exercer 
competência tributária estabelecida no texto constitucional a qualquer 
tempo. 
(iii) Inalterabilidade, no sentido que o próprio ente 
federativo competente para instituir determinados tributos pelo texto 
constitucional não pode ampliar por meio de norma ordinária 
(infraconstitucional) a sua competência tributária. 
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Por exemplo, o Distrito Federal não pode ampliar a sua 
competência tributária por meio de lei distrital. 
A Constituição Federal estabelece as competências tributárias 
de forma rígida. Entretanto, destacamos que esta característica não 
impede a alteração da competência tributária por meio de reforma 
constitucional, desde que tal modificação pelo poder constituinte 
derivada não seja tendente a abolir a autonomia financeira do ente 
federado, o que acarretaria violação a forma federativa de Estado 
(art. 60, §4°, I, da CF/88). 
De tal modo, não violou a forma federativa de Estado 
brasileira a Emenda Constitucional n. 3/1993, que extinguiu a 
competência dos Estados e do Distrito Federal para instituir o 
Adicional ao Imposto sobre a Renda (AIR) e a competência dos 
Municípios e do Distrito Federal para criar o Imposto sobre Vendas a 
Varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos (IVVC), uma vez que a 
perda da arrecadação decorrente da extinção desses impostos não foi 
tendente a abolir a autonomia financeira dos respectivos entes 
federativos. 
(iv) Irrenunciabilidade, conforme a qual não pode o ente 
federativo renunciar a competência tributária, em virtude do 
postulado da indisponibilidade do interesse público; 
(v) Facultatividade, uma vez que a competência tributária é 
uma faculdade que pode ou não ser utilizada pela pessoa política, 
criando ou não o tributo, ou ainda, criando-o somente em parte. 
Todavia, diga-se que, depois de instituído o tributo, não há mais 
facultatividade para a administração, uma vez que a atividade de 
cobrança é vinculada, conforme bem previsto no art. 142 do CTN. 
Salientamos, ainda, que a Lei Complementar 101/2000 (Lei de 
Responsabilidade Fiscal - LRF) estabelece que constituem requisitos 
essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão 
e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência 
constitucional do ente da Federação (art.11). 
Todavia, ressaltamos que a facultatividade continua sendo 
considerada como característica da competência tributária pela 
grande maioria dos doutrinadores. 
5. BITRIBUTAÇÃO X BIS IN IDEM 
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A bitributação acontece quando dois ou mais entes federativos 
(União, Estados-membros, DF e Municípios) tributam sobre o mesmo 
fato gerador ou sobre a mesma base de cálculo. Na bitributação, em 
regra, existe invasão de competência por determinado ente 
federativo, pois um ente federativo está desobedecendo à 
competência fixada para outro ente federativo. 
Exemplo de bitributação não permitido é o seguinte: 
determinado Estado-membro instituiu um adicional de IPTU, 
mediante lei estadual sobre o valor venal de imóvel urbano. Isto é, 
o Estado-membro invadiu a competência do Município com a criação 
de novo imposto incidente sobre base de cálculo de tributo do 
Município (IPTU). 
Exemplos de possíveis bitributações permitidas pela CF são os 
casos do imposto extraordinário de guerra (IEG) e do empréstimo 
compulsório. Todos os dois são tributos de competência da União. 
Nestas hipóteses, o legislador federal pode se utilizar de fatos 
geradores de tributos estaduais ou municipais. 
O bis in idem ocorre quando um mesmo ente federativo 
tributa um único fato por mais de uma vez. Portanto, o bis in idem
significa a criação de um tributo com a mesma natureza jurídica de 
outro tributo já existente. É o caso de determina lei do mesmo ente 
federativo competente tomar como semelhante hipótese de incidência 
ou base de cálculo de outro tributo de sua própria competência já 
existente. Exemplos permitidos pela Constituição e jurisprudência: a 
tributação do lucro pela União com o imposto de renda pessoa 
jurídica (IRPJ) e a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL); 
contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a 
contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS); 
imposto de importação (II) e imposto sobre produtos industrializados 
incidente sobre produtos industrializados de procedência estrangeira, 
conforme art. 46, I, do CTN (REsp Nº 846.667/RJ). 
Todavia, registramos que a doutrina minoritária e o STF 
algumas vezes utilizam o termo bitributação como gênero, isto é, 
englobandoa bitributação e o bis in idem. Por exemplo, 
recentemente (RE 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 
03/02/10), o STF afirmou pela inconstitucionalidade da contribuição 
social sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da 
produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de 
bovinos para abate, alegando literalmente, entre outros aspectos, a 
“bitributação” com a COFINS. 
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Seguem diversas questões comentadas sobre os temas da aula: 
1. (CESPE/Delegado de Polícia/RN/2009)A decisão 
judicial que declara indevida a cobrança do imposto em 
determinado exercício faz coisa julgada em relação aos 
posteriores, em respeito aos princípios da separação dos 
poderes e da autoridade da coisa julgada. 
Conforme o entendimento do STF, a coisa julgada em matéria 
fiscal fica delimitada à relação jurídico-material em que debatida, não 
podendo, portanto, ser invocada em exercícios posteriores, de acordo 
com a Súmula 239 (AI 189.787-AgR,DJ de 4-4-1997). 
A coisa julgada é a decisão transitada em julgado ou que não 
cabe mais recurso. 
Logo, errada. 
2. (CESPE/Consultor/ES/2010) Em respeito ao princípio 
da legalidade, não é permitido ao chefe do Poder Executivo 
elevar a alíquota do imposto de importação, mesmo dentro 
de limites autorizados por lei. 
Existem tributos que poderão ter suas alíquotas majoradas ou 
reduzidas por ato do Poder Executivo federal, por meio de decreto, 
atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, a saber: 
imposto de importação (II); imposto de exportação (IE); imposto 
sobre produtos industrializados (IPI); impostos sobre operações de 
crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários 
(IOF). É o que dispõe o art. 153, §1º, da CF. 
Logo, errada. 
3. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Inexistindo 
legislação específica impondo condições e limites, é lícito ao 
Poder Executivo alterar as alíquotas da contribuição de 
intervenção no domínio econômico (CIDE). 
Quanto a Contribuição de intervenção no domínio econômico 
(CIDE) sobre combustíveis (art. 177, §4°, I alínea “b”, da CF) e o 
ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, §4°, IV, da CF), as 
alíquotas poderão somente ser reduzidas e restabelecidas, ou seja, o 
Poder Executivo reduz a alíquota e, uma vez reduzida, pode 
restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, prevista 
anteriormente em lei. 
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Logo, errada. 
4. (CESPE/Procurador/PB/2008) Nos termos e limites 
fixados em lei complementar federal, o Poder Executivo 
estadual, mediante decreto, pode reduzir, com o objetivo de 
regular a demanda, as alíquotas de ICMS de determinados 
produtos, dada a natureza extra-fiscal desse tributo. 
No caso do ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, 
§4°, IV, da CF), a exceção se refere à incidência monofásica do 
imposto, e as alíquotas são definidas nacionalmente por 
convênios dos Executivos Estaduais, ou seja, por ato de 
deliberação do Poder Executivo dos Estados e do Distrito Federal. 
Logo, está errada, pois não pode ser mediante decreto. 
5. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) As obrigações 
principais e acessórias estão sujeitas ao princípio 
constitucional da legalidade estrita. 
Segundo o STF, a definição de vencimento das obrigações 
tributárias (data para pagamento) e a instituição de obrigações 
tributárias acessórias não estão no campo reservado à lei, 
podendo ser alvo de Decreto do Poder Executivo. 
Este entendimento está de acordo com os arts. 113, §2° e 160 
do CTN, que, no ponto, falam em legislação tributária e não lei. 
Portanto, errada. 
6. (CESPE/Juiz Federal/TRF1°REGIÃO/2009)Ofende o 
princípio da legalidade decreto que antecipa data de 
recolhimento de tributo. 
Segundo o STF, o regulamento que antecipa o dia de 
recolhimento do tributo e determina a incidência de correção 
monetária a partir de então não fere a legalidade, pois não se 
encontra sob o princípio da legalidade estrita e da anterioridade a 
fixação do vencimento da obrigação tributária (RE 195.218, RE 
182.971). 
Logo, errada. 
7. (CESPE/Procurador/PE/2009) A simples atualização 
monetária não se confunde com majoração de tributo. 
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A simples atualização monetária é a mera atualização temporal 
do tributo. 
Assim, conforme o art. 97, § 2°, do CTN, não constitui 
majoração de tributo a atualização do valor monetário da respectiva 
base de cálculo 
Logo, é correta. 
8. (CESPE/Procurador/PE/2009) A instituição de 
emolumentos cartorários pelo tribunal de justiça de um 
estado não afronta o princípio da reserva legal. 
Segundo o STF, somente a lei pode criar, majorar ou reduzir os 
valores das taxas. Assim, fere a legalidade a instituição dos 
emolumentos cartorários por Tribunal de Justiça, bem como as 
normas por meio das quais a autarquia institua uma taxa, sem lei 
que a autorizasse (ADI 1.709, ADI 1.823-MC). 
Logo, errada. 
9. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) Atende ao princípio 
da anterioridade de exercício a publicação, no Diário Oficial, 
da lei instituidora de imposto no dia 31/12, sábado, apesar 
de a sua circulação dar-se apenas na segunda-feira. 
No Brasil, conforme dispõe a legislação infraconstitucional 
brasileira (art. 34 da Lei n. 4.320/64), o exercício financeiro é o 
período de 1º de janeiro a 31 de dezembro, coincidindo 
perfeitamente com o ano civil. 
Neste sentido, a interpretação dominante na doutrina a respeito 
da anterioridade é que lei criadora ou majoradora do tributo entra 
em vigorno dia da sua publicação, mas só tem eficácia após a 
observância do prazo constitucional. 
Logo, é certa, pois vale a data da publicação. 
Observamos, portanto, algumas importantes singularidades 
decorrentes da EC 42/2003, que são: o IPI não é exceção à 
noventena, mas é à anterioridade comum; o IR não é exceção à 
anterioridade comum, mas é à noventena; o restabelecimento (nunca 
o aumento propriamente dito) de alíquotas do ICMS – Combustíveis e 
da CIDE – Combustíveis não é exceção à noventena, mas é à 
anterioridade comum; o IPVA e o IPTU se submetem à anterioridade 
comum, mas a definição das suas bases de cálculo não está sujeita à 
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noventena. 
10. (CESPE/Ministério Público/ES/2010) Lei estadual, 
que determine a majoração das alíquotas e da base de 
cálculo do imposto sobre a propriedade de veículos 
automotores, publicada no dia 31 de dezembro, com 
cláusula de vigência imediata, produzirá efeitos 
A no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação 
à majoração da base de cálculo do imposto. 
B no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, em relação à 
majoração das alíquotas e da base de cálculo. 
C 45 dias após a data da publicação da lei, em relação 
apenas à majoração da base de cálculo. 
D noventa dias após a data da publicação da lei, apenas em 
relação à majoração das alíquotas. 
E no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação 
à majoração das alíquotas. 
O quadro das exceções ao princípio da anterioridade e à 
noventena é a que segue.Preste atenção: se é exceção é porque 
não deve observar o princípio. E todos os demais tributos devem 
observar as duas anterioridades, porque a regra é a observância ao 
princípio. 
Anterioridade anual Noventena 
II II 
IE IE 
IPI IR 
IOF IOF 
IEG IEG 
Empréstimocompulsório por 
motivo de guerra externa ou de 
calamidade pública 
Empréstimo compulsório por 
motivo de guerra externa ou de 
calamidade pública 
Restabelecimento de alíquotas do 
ICMS – Combustíveis e da CIDE – 
Combustíveis 
Base de cálculo do IPTU 
Contribuições para a seguridade 
social 
Base de cálculo do IPVA 
Nesse sentido, apenas a base de cálculo do IPVA é exceção à 
noventena. 
Logo, a resposta é a letra “a”, pois produzirá efeitos no dia 1.º 
de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à majoração da base 
de cálculo do imposto. 
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Em relação, a majoração da alíquota, deve-se obedecer as duas 
anterioridades (geral e especial). 
11. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009) A revogação de 
isenção tem sido equiparada pelo STF à instituição ou 
majoração de tributo, razão pela qual só poderá produzir 
efeitos no exercício financeiro seguinte, em respeito à regra 
da anterioridade tributária. 
Segundo o STF, revogada a isenção incondicionada, o tributo 
torna-se imediatamente exigível, porque não há que se observar a 
anterioridade, dado que o tributo já é existente (RE 204.062). 
Logo, errada. 
12. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Às taxas é 
aplicado o princípio da anterioridade de exercício, mas não o 
da anterioridade nonagesimal, que é restrita a impostos e 
contribuições. 
Em caso de taxas, devem observar-se as limitações 
constitucionais ao poder de tributar, dentre essas, a anterioridade 
nonagesimal para que a lei tributária se torne eficaz (ADI 3.694). 
Logo, é errada, pois não há previsão de exceção para as taxas 
no art. 150, §1°, da CF. 
13. (CESPE/Consultor/ES/2010) Considerando que uma 
lei que criou uma taxa tenha sido promulgada e publicada 
em 3/12/2009, com vigência a partir da data de publicação, 
a referida taxa somente deverá ser cobrada a partir 1.º de 
janeiro de 2010. 
Em face da não obediência a anterioridade nonagesimal ou 
prazo de 90 dias, é errado enunciado. 
A jurisprudência relevante e atual do STF no que concerne ao 
princípio da igualdade é a seguinte: 
14. (CESPE/PROCURADOR/PE/2009)Lei complementar 
estadual que isente os membros do MP do pagamento de 
custas judiciais ou emolumentos é constitucional. 
Segundo o STF, desrespeita a isonomia ou igualdade tributária 
disposta no art. 150, II, da CF, a isenção de IPTU, em razão da 
qualidade de servidor público (AI 157.871-AgR), e a isenção dos 
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membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, 
notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos (ADI 3.260); 
Logo, é errada. 
15. (CESPE/Promotor/RN/2009)A instituição de tributo 
com alíquotas progressivas sem ser exageradamente 
oneroso, não podendo, portanto, ser considerado confisco, 
faz transparecer, no direito tributário, na instituição do 
referido tributo, o cuidado com o princípio da 
A seletividade. 
B não-diferenciação tributária. 
C legalidade estrita. 
D capacidade contributiva. 
E igualdade tributária, em sentido jurídico. 
Disposta no art. 145, §1°, da CF, a capacidade contributiva é 
instrumento de solidificação da igualdade tributária, que opera como 
limite e graduação da obrigação de pagar o tributo e deve ser vista 
sob duas perspectivas. 
Em primeiro lugar, no aspecto objetivo ou absoluto, que leva 
em conta as manifestações reais de riqueza do fato tributável, isto é, 
o legislador deve eleger as situações ou atividades que revelem a 
capacidade econômica do sujeito passivo (“signos presuntivos de 
riqueza”). 
Em segundo lugar, no aspecto subjetivo ou relativo, que tem 
em conta as particularidades de cada sujeito passivo (capacidade 
contributiva in concreto) e tem aplicação direta com o princípio da 
personalização dos impostos. 
Nesse sentido, a doutrina entende que são modos de 
concretização do princípio da capacidade contributiva a: (i) 
imunidades tributárias; (ii) isenção; (iii) seletividade e (iv) 
progressividade. 
Logo, a resposta é “d”. 
Destaca-se também que o Professor italiano Victor Uckmar 
distingue dois sentidos da igualdade tributária: 
(a) igualdade no sentido jurídico, que exige igual regime 
fiscal a contribuintes que estejam em idênticas situações; 
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(b) igualdade no sentido econômico, que significa dever de 
contribuir em igual medida, com a graduação dos impostos 
de acordo com a capacidade contributiva dos indivíduos. 
Portanto, o enunciado da questão se refere a igualdade no 
sentido econômico. Logo, incorreta a letra “e”. 
16. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009)O princípio da 
capacidade contributiva, segundo previsão expressa na CF, 
aplica-se a todos os tributos federais, estaduais e 
municipais. 
Segundo a literalidade do art. 145, §1°, da CF, a aplicação da 
capacidade contributiva ocorre apenas em relação aos impostos. 
Ou seja, segundo previsão expressa na CF, a capacidade 
contributiva tem aplicação aos impostos. 
Logo, incorreta. 
Contudo, destaca-se que a jurisprudência do STF firmou 
orientação no sentido da aplicação às taxas, especialmente quando 
fato gerador é o exercício do poder de polícia como fato gerador (RE 
216.259-AgR, RE 177.835). 
17. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Contra a 
imposição de multas por sonegação fiscal ou mesmo pelo 
não recolhimento do tributo, não se pode argumentar com a 
proibição constitucional de utilização de tributo com efeito 
de confisco, já que de tributo não se trata. 
Segundo o STF, fere o princípio constitucional da não-
confiscatoriedade diploma legislativo que institui multa fiscal de 
300% (ADI 1.075-MC, AI 482.281-AgR); 
Logo, incorreta, pois o STF entende que o princípio do não-
confisco se aplica às multas. 
18. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) Com relação às 
limitações constitucionais do poder de tributar, assinale a 
opção correta. 
A A proibição constitucional da utilização de tributo com 
efeito de confisco decorre de seu efeito cumulativo, ou seja, 
sempre que várias incidências estabelecidas pelo mesmo 
ente tributante afetarem o patrimônio ou rendimentos do 
contribuinte de forma não razoável. Nessa situação, sua 
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verificação é individual, passível apenas de controle difuso 
da constitucionalidade. 
B A utilização de tributo com efeito de confisco tem como 
parâmetro a incidência do novo tributo em face de sua 
própria carga tributária, não o total da carga tributária a que 
esteja submetido o contribuinte. 
C As multas aplicadas em face da sonegação ou do não 
recolhimento dos impostos, quando superem o valor do 
bem, em princípio ofendem tanto o princípio da 
proporcionalidadequanto o da proibição de tributos com 
efeito de confisco. 
D Confisco é sanção e, para verificar se o tributo tem esse 
efeito, é necessário examinar se a lei que instituiu o tributo 
tem como fim impor penalidade ao contribuinte. 
E Os tributos indiretos são repassados ao consumidor final e 
não incidem sobre renda ou patrimônio, sendo-lhes 
inaplicável o princípio constitucional da vedação de confisco. 
Letra (A). Segundo o STF, a identificação do efeito confiscatório 
deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, 
mediante verificação da capacidade do contribuinte para suportar e 
sofrer a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro 
de determinado período, à mesmapessoa política que os 
houver instituído. Assim, resulta configurado o caráter confiscatório 
de determinado tributo, sempre que o efeito cumulativo – 
resultante das múltiplas incidências tributárias estabelecidas 
pela mesma entidade estatal – afetar, substancialmente, de 
maneira irrazoável, o patrimônio e/ou os rendimentos do 
contribuinte (ADC 8-MC; ADI 2.551-MC-QO). Logo, incorreta. 
Letra (B). Segundo o STF, a caracterização do efeito 
confiscatório pressupõe a análise de dados concretos e de 
peculiaridades de cada operação ou situação, tomando-se em conta 
custos, carga tributária global, margens de lucro e condições 
pontuais do mercado e de conjuntura social e econômica (...) 
“O isolado aumento da alíquota do tributo é insuficiente para 
comprovar a absorção total ou demasiada do produto econômico da 
atividade privada, de modo a torná-la inviável ou excessivamente 
onerosa” (RE 448.432-AgR, DJE de 28-5-2010). Logo, incorreta. 
Letra (C). Segundo o STF, a desproporção entre o desrespeito 
à norma tributária e sua consequência jurídica, a multa, evidencia o 
caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do 
contribuinte, em oposição a proibição de tributos com efeito de 
confisco (ADI 551, DJ de 14-2-2003). Logo, correta. 
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Letra (D). Entende-se que o princípio do não-confisco tributário 
(art. 150, I, CF) é um limite máximo para a tributação. Isto é, 
enquanto o mínimo vital é um limite mínimo para incidência 
tributária, o não-confisco é um limite máximo. A Constituição não 
define o que seja confisco, competindo, em última instância, ao Poder 
Judiciário estabelecer, utilizando-se da razoabilidade e 
proporcionalidade, os contornos deste conceito jurídico 
indeterminado. Assim, entende-se que o confisco tributário não é 
uma sanção, que tem por fim impor penalidade ao contribuinte, mas 
sim um limite máximo a tributação. Logo, incorreta. 
Letra (E). No que tange a aplicação do princípio do não-
confisco, a Constituição Federal não faz distinção entre os tributos 
indiretos e os tributos diretos. Portanto, o princípio do não-confisco 
se aplica aos tributos diretos e aos tributos indiretos. Logo, incorreta. 
19. (CESPE/Consultor/ES/2010) Se, devido a incentivos 
fiscais concedidos pelo governo do Espírito Santo, novas 
empresas produtoras de automóveis instalarem-se no 
estado, e esse fato contribuir para atrair milhares de 
trabalhadores de outros estados brasileiros, nesse caso, 
visando conter o fluxo migratório e para não prejudicar a 
política de geração de empregos local, o governador poderá 
instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de 
trabalhadores de outros estados, pelo mesmo período de 
tempo do incentivo fiscal concedido às montadoras de 
automóveis. 
De acordo com o art. 150, V, da CF/88,éproibido à União, aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações 
ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais 
ou intermunicipais, salvo a cobrança de pedágios pela utilização 
de vias conservadas pelo Poder Público. 
Decerto, este é oprincípio da liberdade de tráfego de bens 
e pessoas, que confirma a proteção constitucional da liberdade de 
locomoção, devendo-se entender que o fato gerador de qualquer 
tributo deve ser distinto de transposição de Municípios e de 
transposição de Estados. Caso contrário, prejudicar-se-ia o tráfego de 
pessoas e bens no território nacional. 
Logo, é errada, pois o governador do Espírito Santo não poderá 
instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de 
trabalhadores de outros estados 
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O princípio da uniformidade geográfica está estabelecido no art. 
151, I, da CF/88, afirmando que é vedado à União instituir tributo 
que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique 
distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a 
Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de 
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do 
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões 
do País. 
20. (CESPE/Advogado/CEF/2010)A União pode instituir 
tributo que não seja uniforme em todo o território nacional. 
O princípio da uniformidade geográfica está estabelecido no art. 
151, I, da CF/88, afirmando que é vedado à União instituir tributo 
que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique 
distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a 
Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de 
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do 
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. 
Logo, é errada, conforme gabarito definitivo da banca, pois, em 
regra, é proibido. 
21. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Qualquer ente 
federativo pode instituir tributo que importe em distinção ou 
preferência em favor de determinado estado ou município. 
Segundo o art. 152 da CF/88, é vedado aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e 
serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou 
destino. 
É o princípio da não-discriminação em razão da procedência ou 
destino (art. 152 da CF). 
Logo, errada. 
22. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Os estados podem 
estabelecer diferenças tributárias entre bens de qualquer 
natureza, em razão de sua natureza ou do seu destino. 
Segundo o princípio da não-discriminação em razão da 
procedência ou destino (art. 152 da CF), é proibido aos estados 
podem estabelecer diferenças tributárias entre bens de qualquer 
natureza, em razão de sua natureza ou do seu destino. 
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Logo, errada. 
23. (CESPE/Advogado/CEF/2010)É vedado aos 
municípios, e não aos estados, ao DF e à União, o 
estabelecimento de diferenças tributárias entre bens de 
qualquer natureza, em razão de sua natureza ou de seu 
destino. 
É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer 
natureza, em razão de sua procedência ou destino, conforme o 
princípio da não-discriminação em razão da procedência ou destino 
(art. 152 da CF). 
Logo, errada. 
Registra-se que o princípio da não-discriminação em razão da 
procedência ou destino decorre do princípio federativo, pois busca 
evitar a “guerra fiscal” entre os entes federados. 
Nesse sentido, pro exemplo, o STF declarou a 
inconstitucionalidade do Decreto 35.528/2004, do Estado do Rio de 
Janeiro (RJ), que estabelecia redução na base de cálculo do ICMS nas 
saídas internas de café torrado ou moído produzido em 
estabelecimento industrial localizado no Estado do RJ, uma vez que 
gerava um grave óbice à livre circulação de bens e mercadorias entre 
Estados da federação (ADI 3.389; ADI 3.673). 
24. (Juiz Federal/TRF3°/2011) Em setembro de 2011, a 
União editou decreto determinando a elevação das alíquotas 
de IPI sobre a importação de automóveis e instrução 
normativa determinando a prorrogação do direito de 
dedução, sobre o imposto de renda anual da pessoa física, 
da contribuição previdenciária paga a empregado doméstico. 
Em ambas as normas, há cláusula de vigência para o dia da 
publicação desses atos normativos. Acerca desse aspecto, é 
correto afirmar, em conformidade com a CF e com o CTN, 
que 
A os efeitos do decreto produzem-se a partir de 1.º/1/2012, 
e os da instrução normativa, a partir da publicação. 
B os efeitos do decretoproduzem-se após 90 dias contados 
da publicação, e os da instrução normativa, a partir da 
publicação. 
C os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-
se após 90 dias contados da publicação. 
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D os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-
se a partir de 1.º de janeiro de 2012. 
E os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-
se a partir da publicação dessas normas. 
Letra (A). O IPI deve observar a anterioridade nonagesimal 
(art. 150, III, “c”, §1°, da CF/88). Por conseguinte, os efeitos do 
Decreto produzem-se depois de decorridos noventa dias da data em 
que haja sido publicado e não a partir de 1.º/1/2012. Logo, incorreta. 
Letra (B). Os efeitos do decreto produzem-se após 90 dias 
contados da publicação (art. 150, III, “c”, §1°, da CF/88). Já os 
efeitos da instrução normativa produzem-se a partir da sua 
publicação, de acordo com o art. 103, I, do CTN. Logo, correta. 
Letra (C). Os efeitos da instrução normativa produzem-se a 
partir da sua publicação, de acordo com o art. 103, I, do CTN. Logo, 
incorreta. 
Letra (D). Os efeitos do decreto produzem-se após 90 dias 
contados da publicação (art. 150, III, “c”, §1°, da CF/88). Por sua 
vez, os efeitos da instrução normativa produzem-se a partir da sua 
publicação, de acordo com o art. 103, I, do CTN. Logo, incorreta. 
Letra (E). Os efeitos do Decreto produzem-se depois de 
decorridos noventa dias da data em que haja sido publicado (art. 
150, III, “c”, §1°, da CF/88). Logo, incorreta. 
25. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) É legítima 
a aplicação da taxa SELIC como índice de correção 
monetária e de juros de mora, na atualização de débitos 
tributários em atraso relacionados ao IPVA, mesmo que 
inexista lei estadual nesse sentido. 
Segundo jurisprudência consagrada no STJ (RESP 879844, DJE
25/11/2009) apenas é legítima a incidência da taxa SELIC como 
índice de correção monetária e de juros de mora na atualização dos 
débitos tributários pagos em atraso, em razão de lei estadual que 
determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos 
débitos fiscais federais. 
Ou seja, é necessária lei estadual nesse sentido. 
Portanto, errado. 
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26. (CESPE/Defensoria Pública-União/2010) Considere 
que determinado estado da Federação tenha publicado lei 
majorando a alíquota do ICMS de 18% para 19% e 
estabelecendo que sua vigência terminaria em 31 de 
dezembro de 2009. Considere, ainda, que, em meados 
desse mês, tenha sido publicada lei que manteve a alíquota 
de 19% para o ano de 2010. Nesse caso, a lei publicada em 
dezembro de 2009 viola o princípio da anterioridade 
nonagesimal. 
Segundo o STF, em caso de mera prorrogação de alíquota já 
majorada não há surpresa ou insegurança jurídica para o sujeito 
passivo da relação tributária. Logo, não se aplica o princípio da 
anterioridadenonagesimal ou especial (chamada também de 
noventena). 
Portanto, errado. 
27. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010)
Segundo decisão do STF, em controle de constitucionalidade 
abstrato, não ofende o princípio da não confiscatoriedade 
hipótese normativa que estipule multa fiscal de 300%, 
desde que se trate de inadimplemento pelo contribuinte de 
obrigação tributária. 
Segundo decisão do STF, em controle de constitucionalidade 
abstrato, desrespeita o princípio da não confiscatoriedade hipótese 
normativa que estipule multa fiscal de 300%, ainda que se trate de 
inadimplemento pelo contribuinte de obrigação tributária (ADI 1.705-
MC, DJ 24/11/2006). 
Portanto, incorreta. 
28. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010)
Com a finalidade de não ofender o pacto federativo, a CF 
veda que a União conceda incentivos fiscais às diferentes 
regiões do país, ainda que sob o argumento de promover o 
equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico. 
Na verdade, com a finalidade de proteger o pacto federativo, a 
CF permite que a União conceda incentivos fiscais, sob o argumento 
de promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre 
as diferentes regiões do País, conforme art. 151, I, da CF. 
Logo, incorreta. 
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29. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) Se, na 
região Norte do país, for criado território federal, mediante 
lei complementar, competirá à União a instituição do ICMS 
nesse território. 
De acordo com o art. 147 da CF/88, competem à União, em 
Território Federal, os impostos estaduais (ICMS, ITCMD e IPVA) e, se 
o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os 
impostos municipais (ISS, IPTU e ITBI). 
Portanto, correto. 
30. (CESPE/Advogado-BRB/2010) Para que a União 
tenha competência para instituir impostos residuais por lei 
ordinária federal, é suficiente que estes obedeçam ao 
requisito de não cumulatividade. 
A União pode instituir impostos residuais ou novos por lei 
complementar, desde que sejam não-cumulativos e não tenham 
fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados no 
texto constitucional (art. 154, I, CF). 
Portanto, errado. 
31. (CESPE/Analista-EMBASA/2010) Tanto a União 
como os estados, o Distrito Federal e os municípios podem 
legislar concorrentemente sobre direito tributário. Cada uma 
das esferas da administração tem competência legislativa 
plena no âmbito de sua jurisdição. 
Segundo a CF/88, compete a União, aos Estados e ao Distrito 
Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário (art. 24, I). 
Nesse rumo, apenas na hipótese de inexistência de lei federal 
sobre normas gerais, os Estados e o Distrito Federal exercerão 
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades 
(art. 24, §3°). 
Portanto, errado. 
SÍNTESE FUNDAMENTAL
(I) A competência tributária é o poder conferido à União, aos 
Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir 
tributos por meio do processo legislativo discriminado nas normas 
constitucionais. Esta não se confunde com a capacidade tributária 
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ativa (sinônimo de sujeito ativo), que é a capacidade para exigir o 
cumprimento do tributo, nos termos do art. 119 do CTN. 
(II) O texto constitucional não institui os tributos, mas sim outorga a 
competência tributária para os entes federativos criarem os tributos e 
descreve de que forma esta competência pode ser exigida. 
(III) A competência legislativa é o gênero do qual se origina a 
competência tributária, que é uma espécie de competência legislativa 
para a criação de tributos. 
(IV) A competência legislativa classifica-se como exclusiva, 
privativa, concorrente, suplementar, local e residual. 
(V) A competência legislativa exclusiva ocorre quando atribuída a 
apenas um ente da federação, com a exclusão de todos os demais. 
(VI) A competência legislativa privativa acontece quando enumerada 
como própria de uma entidade (União, no caso brasileiro), com 
possibilidade, ao contrário da competência exclusiva, de delegação ou 
suplementariedade. 
(VII) A competência legislativa concorrente é aquela que pode ser 
exercida por mais de uma pessoa política. A Constituição Federal 
estabelece, por exemplo, que compete à União, aos Estados e ao 
Distrito Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário. 
Neste caso, é fundamental deixar claro que no âmbito da legislação 
concorrente no sistemajurídico brasileiro, a competência da União 
limitar-se-á a estabelecer normas gerais. Assim, a competência da 
União para legislar sobre normas gerais de direito tributário não 
exclui a competência suplementar dos Estados e do Distrito Federal, 
eis que inexistindo lei federal (União) sobre normas gerais de direito 
tributário, os Estados e o Distrito Federal exercerão a competência 
legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. E a 
superveniência de lei federal sobre normas gerais de direito tributário 
suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. 
(VIII) A competência legislativa suplementar significa exatamente a 
competência de poder de fixar normas que desdobrem o conteúdo de 
normas gerais da União ou que preencham a ausência ou omissão 
destas normas gerais. 
(IX) A competência legislativa local é dos Municípios e do Distrito 
Federal, uma vez que a CF/88 disciplina que compete aos Municípios 
legislar sobre assuntos de interesse local. E o Distrito Federal possui 
competência legislativa municipal e estadual. 
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(X) A competência legislativa residual é pertencente aos Estados e ao 
Distrito Federal, pois a CF/88 determina que são reservadas aos 
Estados as competências que não lhes sejam vedadas pela 
Constituição. 
(XI) Noutra perspectiva, a competência tributária classifica-se 
como exclusiva, residual, extraordinária, comum e cumulativa. 
(XII) A competência tributária exclusiva ou privativa se refere a 
competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios para instituir os tributos que a Constituição prevê 
especificamente apenas para cada ente federativo. 
(XIII) Competência exclusiva ou privativa da União: (i) 
Impostos: a) imposto sobre importação de produtos estrangeiros 
(II) – art. 153, I; b) imposto sobre exportação, para o exterior, de 
produtos nacionais ou nacionalizados (IE) – art. 153, II; c) imposto 
sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) – art. 153, III; d)
imposto sobre produtos industrializados (IPI) – art. 153, IV; e)
imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a 
títulos ou valores mobiliários (IOF) – art. 153, V; f) imposto sobre 
propriedade territorial rural (ITR) – art. 153, VI; g) imposto sobre 
grandes fortunas (IGF) – art. 153, VII; (ii)Empréstimos 
Compulsórios (art. 148): a) empréstimo por calamidade ou guerra 
externa (art. 148, I); b) empréstimo por investimento público 
urgente e de relevância nacional (art. 148, II); 
(iii)Contribuiçõesespeciais ou parafiscais: a) contribuições de 
seguridade social (art. 195, art. 239; ADCT, art. 74, 75, 84 e 90); b)
contribuições sociais (art. 212, § 5º e art. 240); c) contribuições de 
interesse das categorias profissionais ou econômicas, também 
denominadas de corporativas (art. 149); d) contribuições de 
intervenção no domínio econômico (CIDE) – art. 149 e art. 177, § 4º. 
(XIV) Competência exclusiva ou privativa dos Estados e do 
Distrito Federal: (i) Impostos (CF, art. 155): a) impostos sobre 
transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos 
(ITCMD) – art. 155, I; b) impostos sobre operações relativas à 
circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de 
transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) – 
art. 155, II; c) imposto sobre propriedade de veículos automotores 
(IPVA) – art. 155, III.Competência exclusiva ou privativa dos 
Municípios e do Distrito Federal: (i) Impostos (CF, art. 156): a)
imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU) art. 
156, I; b) impostos sobre transmissão inter vivos, por ato oneroso, 
de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de 
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garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI) – art. 
156, II; c) imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS), não 
compreendidos no ICMS, definidos em lei complementar – art. 156, 
III; (ii) Contribuição para o custeio do serviço de iluminação 
pública (COSIP ou CIP) - art. 149-A. 
(XV) A competência tributária residual se refere à competência da 
União para instituir mediante lei complementar, impostos não 
previstos na sua competência, desde que sejam não-cumulativos e 
não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos 
discriminados nesta Constituição (art. 154, I). 
(XVI) A competência tributária extraordinária é a competência da 
União para instituir na iminência ou no caso de guerra externa, 
impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência 
tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as 
causas de sua criação (art. 154, II). 
(XVII) A competência tributária comum ou concorrente é a 
competência de todos os entes políticos para instituição de taxas, 
contribuições de melhoria e contribuição previdenciária dos seus 
servidores, dentro da esfera de competência político-administrativa 
de cada um. Competência comum ou concorrente da União, 
Estados-membros, DF e Municípios: (i) Taxas (art. 145, II): a)
taxas de polícia; b) taxas de serviço; (ii) Contribuições de 
Melhoria (art. 145, III. da CF/88); (iii)Contribuição 
previdenciária (art. 149, §1º). 
(XVIII) A competência tributária cumulativa é a competência da 
União para instituir, em Território Federal, os impostos estaduais e, 
se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os 
impostos municipais (art. 147, da CF/88). 
(XIX) A doutrina atribui algumas características à competência 
tributária: (i)indelegabilidade; (ii)incaducabilidade; (iii) 
inalterabilidade; (iv)irrenunciabilidade; (v)facultatividade.A 
indelegabilidade é entendida como a impossibilidade do ente 
federativo delegar a terceiros a sua competência para instituir o 
tributo. Aincaducabilidade ou imprescritibilidade ou, ainda, não 
sujeita a decadência, a significar que o não-exercício da competência 
tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa 
daquela a que a Constituição a tenha atribuído. A inalterabilidade, no 
sentido que o próprio ente federativo competente para instituir 
determinados tributos pelo texto constitucional não pode ampliar por 
meio de norma ordinária (infraconstitucional) a sua competência 
tributária.A irrenunciabilidade, segundo a qual não pode o ente 
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federativo renunciar a competência tributária, em virtude do 
postulado da indisponibilidade do interesse público. A facultatividade 
significa que a competência tributária é uma faculdade que pode ou 
não ser utilizada pela pessoa política, criando ou não o tributo, ou 
ainda, criando-o somente em parte. 
(XX) A norma jurídica é o gênero do qual se diversificam, como 
espécies, as regras e os princípios jurídicos. Dentre os últimos estão 
compreendidos os princípios constitucionais tributários dispostos 
explicitamente ou implicitamente no texto constitucional, 
principalmente na seção denominada de limitações do poder de 
tributar (arts. 150 a 152). 
(XXI) O texto constitucional estabelece explicitamente no art. 150, I, 
que os tributos devem ser criados ou aumentados por lei prévia, 
buscando excluir o arbítrio do poder estatal. É o denominado princípio 
da legalidade tributária, que obriga o surgimento da obrigação 
tributária por lei formal (obrigação ex lege). Em regra, os tributos são 
instituídos por lei ordinária. Todavia, existem tributos que, se forem 
criados, devem ser por meio de lei complementar. 
Tributos instituídos por lei complementar 
(i) imposto sobregrandes fortunas (art. 153, VII da CF); 
(ii) empréstimos compulsórios (art. 148 da CF); 
(iii) impostos residuais da União (art. 154, I da CF); 
(iv) contribuições sociais novas ou residuais (art. 195, §4° da 
CF/88). 
(XXII) Princípio da tipicidade - Significa que não basta o tributo 
ser criado ou aumento por lei formal, devendo também ocorrer a 
adequação da conduta do sujeito passivo à norma tributária. É a 
subsunção do fato real à norma abstrata. A tipicidade ordena que o 
legislador estabeleça em lei todos os aspectos da regra matriz de 
incidência tributária. Assim sendo, em função da obediência a 
tipicidade, os aspectos material (situação geradora da incidência), 
espacial (local de incidência), temporal (momento de incidência), 
pessoal (sujeito ativo e passivo) e quantitativo (base de cálculo e 
alíquota) devem está previstos em lei. 
(XXII) Mitigações, exceções ou atenuações a legalidade - Por 
sua vez, esclarece-se que existem tributos que poderão ter suas 
alíquotas majoradas ou reduzidas por ato do Poder Executivo 
federal, por meio de decreto, atendidas as condições e os limites 
estabelecidos em lei, a saber: imposto de importação (II); imposto de 
exportação (IE); imposto sobre produtos industrializados (IPI); 
impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a 
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títulos ou valores mobiliários (IOF). É o que dispõe o art. 153, §1º, 
da CF. 
(XXIII) Quanto a CIDE – Combustíveis (art. 177, §4°, I alínea “b”, 
da CF) e o ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, §4°, IV, da 
CF), as alíquotas poderão somente ser reduzidas e restabelecidas, ou 
seja, o Poder Executivo reduz a alíquota e, uma vez reduzida, pode 
restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, prevista anteriormente 
em lei. 
(XXIV) No caso do ICMS – Combustíveis e Lubrificantes, a exceção 
se refere à incidência monofásica do imposto, e as alíquotas são 
definidas nacionalmente por convênios dos Executivos Estaduais, ou 
seja, por ato de deliberação do Poder Executivo dos Estados e do 
Distrito Federal. 
Poder Executivo Federal (competência para alterar a alíquota)
Imposto de importação de produtos estrangeiros (II) 
Imposto de importação de produtos estrangeiros (II) 
Imposto de exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou 
nacionalizados (IE) 
Imposto sobre produtos industrializados (IPI) 
Impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas 
a títulos ou valores mobiliários (IOF) 
Restabelecimento da alíquota da Contribuição de Intervenção no 
Domínio Econômico - Petróleo e seus derivados, gás natural e seus 
derivados e álcool combustível (CIDE – Combustíveis) 
Poder Executivo (alíquotas definidas nacionalmente por 
convênio) 
ICMS – Combustíveis e Lubrificantes 
Poder Executivo (benefícios fiscais definidos nacionalmente 
por convênio) 
ICMS 
Princípio da legalidade (art. 150, I, da CF) 
A definição de vencimento das obrigações tributárias (data para 
pagamento) e a instituição de obrigações tributárias acessórias não 
estão no campo reservado à lei, podendo ser alvo de Decreto do 
Poder Executivo. 
Não é competência exclusiva do Presidente da República a 
possibilidade de alteração das alíquotas dos tributos federais 
estabelecidas no texto constitucional. Segundo o STF, o enunciado 
“Poder Executivo” disposto no art. 153, §1°, da CF/88, não significa 
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competência privativa ou exclusiva do Presidente da República, mas 
sim que tal competência pode ser exercida por órgão que integre a 
estrutura do Poder Executivo. Por exemplo, a Câmara de Comércio 
Exterior (CAMEX). 
Não implica ofensa a legalidade tributária o fato de a lei deixar para 
o regulamento a complementação dos conceitos de ‘atividade 
preponderante’ e ‘grau de risco leve, médio e grave’ (RE 567.544-
AgR); 
Regulamento que antecipa o dia de recolhimento do tributo e 
determina a incidência de correção monetária a partir de então não 
fere a legalidade, pois não se encontra sob o princípio da legalidade 
estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da obrigação 
tributária (RE 195.218, RE 182.971); 
Somente a lei pode criar, majorar ou reduzir os valores das taxas. 
Assim, fere a legalidade a instituição dos emolumentos cartorários 
por Tribunal de Justiça, bem como as normas por meio das quais a 
autarquia institua uma taxa, sem lei que a autorizasse (ADI 1.709, 
ADI 1.823-MC). 
(XXIV) Princípio da irretroatividade -Preceitua que a lei deve 
abranger apenas situações geradoras da obrigação tributária (aspecto 
material) posteriores à sua edição, não devendo abranger fatos 
pretéritos. Por exemplo, se a alíquota do IPVA é aumentada ou 
diminuída, não pode alcançar fatos geradores ocorridos antes do 
início da sua vigência. 
Princípio da irretroatividade (art. 150, III, “a”, da CF) 
(i) “Ao IR calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a 
lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a 
declaração.” (Súmula 584do STF) 
(ii) Assim, não fere o princípio da irretroatividadelei editada no final 
do ano-base, que atingiu a renda apurada durante todo o ano, já que 
o fato gerador do IR somente se completa e se caracteriza, ao final 
do respectivo período, ou seja, a 31 de dezembro (RE 197.790-6, RE 
194.612, RE n. 104.259); 
(XXV) Princípio da não-surpresa tributária -Consagrado no art. 
150, III, “b” e “c”, da CF, pela anterioridade, busca proteger o sujeito 
passivo de uma tributação inesperada. Registra-se que o STFjá 
consolidou o entendimento de que a anterioridade anual e a 
anterioridade nonagesimal são direitos individuais do contribuinte e, 
portanto, cláusulas pétreas. 
(XXVI) Anterioridade genérica ou anual – É a proibição do poder 
estatal fiscal cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em 
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que tenha sido publicada a lei que tenha instituído ou 
majorado o tributo. 
(XXVII) Anterioridade nonagesimal - Por sua vez, o poder 
constituinte derivado através da EC n. 42/2003 revigorou a certeza e 
a segurança no direito tributário, garantindo-se ainda mais o sujeito 
passivo da relação tributária contra uma tributação inesperada ou 
surpresa, vedando a cobrança de alguns tributos antes de 
decorridos 90 dias da data em que tiver sido publicada a lei 
que os tenha instituído ou aumentado (art. 150, inciso III, alínea 
“c”), consoante já era igualmente fixado pelo poder constituinte 
originário para as contribuições da seguridade social (art. 195, §6°, 
da CF/88). 
(XXVIII) A tabela das exceções ao princípio da anterioridade e à 
noventena é a que segue.Preste atenção: se é exceção é porque 
não deve observar o princípio. E todos os demais tributos devem 
observar as duas anterioridades, porque a regra é a observância ao 
princípio. 
Anterioridade anual Noventena 
II II 
IE IE 
IPI IR
IOF IOF 
Imposto extraordinário por 
motivo de guerra externa (IEG) 
Imposto extraordinário por 
motivo de guerra externa (IEG) 
Empréstimo compulsório por 
motivo de guerra externa ou 
de calamidade pública 
Empréstimo compulsório por 
motivo de guerra externa ou 
de calamidade pública 
Restabelecimento de alíquotas do 
ICMS – Combustíveis e da CIDE – 
Combustíveis 
Base de cálculo do IPTU 
Contribuições para a seguridade 
social 
Base de cálculo do IPVA 
Princípio da anterioridade 
Não é necessária a observância da anterioridade na hipótese de 
prorrogação de alíquota majorada já vigente. Por exemplo, o STFentendeu que determinada lei paulista, que manteve, para o ano 
seguinte, a majoração de alíquota do ICMS de 17% para 18%, já 
vigente em anos anteriores, não necessita cumprir a anterioridade 
nonagesimal (art. 150, III, “c”, da CF/88). 
Não há incidência do princípio da anterioridade tributária na redução 
ou a extinção de desconto para pagamento de tributo sob 
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determinadas condições previstas em lei, como o pagamento 
antecipado em parcela única, pois não ocorre aumento do valor do 
tributo (ADI 4.016-MC); 
Revogada a isenção incondicionada, o tributo torna-se 
imediatamente exigível, porque não há que se observar a 
anterioridade, dado que o tributo já é existente (RE 204.062); 
Em caso de taxas, devem observar-se as limitações constitucionais 
ao poder de tributar, dentre essas, a anterioridade nonagesimal para 
que a lei tributária se torne eficaz (ADI 3.694); 
A simples atualização monetária não se confunde com majoração do 
tributo. Logo, a modificação dos fatores de indexação, com base em 
legislação superveniente, não constitui desrespeito a situações 
jurídicas consolidadas, nem transgressão ao postulado da não-
surpresa, instrumentalmente garantido pela cláusula da 
anterioridade tributária (RE 200.844-AgR, AI 626.759-AgR); 
Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação 
tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade (súmula 669 do 
STF). 
(XXIX)Anualidade tributária - Estabelece que para criação ou 
majoração de tributo é necessária a prévia autorização em lei 
orçamentária. Tal princípio não é mais vigente no ordenamento 
jurídico atual, segundo doutrina amplamente majoritário. 
(XXX) Princípio da transparência fiscal - O princípio da 
transparência fiscal é implícito no texto constitucional. No direito 
tributário, busca garantir a adequada e clara informação ao sujeito 
passivo da carga tributária que lhe é imposta. Neste sentido, 
destacam-se dois dispositivos constitucionais, a saber: a lei 
determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos 
acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços (150, 
§ 5º); qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, 
concessão de crédito presumido, anistia ou remissão (benefícios 
fiscais) só poderá ser concedido mediante lei específica, sem prejuízo 
dos convênios interestaduais do CONFAZ (art. 150, § 6º). 
(XXXI) Princípio da igualdade - A isonomia ou igualdade, no 
âmbito tributário, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e 
aos Municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que 
se encontrem em situação equivalente, o que proíbe qualquer 
distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles 
exercida, independentemente da denominação jurídica dos 
rendimentos, títulos ou direitos (art. 150, II). 
Princípio da igualdade (art. 150, II, da CF) 
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(i) Desrespeita a isonomia tributária a isenção de IPTU, em razão da 
qualidade de servidor público (AI 157.871-AgR), e a isenção dos 
membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, 
notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos (ADI 
3.260); 
(ii) Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção a 
contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia (RE 
159.026, RE 344.331); 
(iii) Não é possível o STF efetivar a extensão do tratamento 
tributário diferenciado concedido às instituições financeiras, às 
cooperativas e às revendedoras de carros usados, a título do 
PIS/PASEP e da COFINS, o que implicaria converter-se o STF em 
legislador positivo (RE 402.748-AgR); 
(iv) Não ofende o princípio da isonomia lei que restringe os 
contribuintes da COSIP aos consumidores de energia elétrica do 
município, ante a impossibilidade de se identificar e tributar todos os 
beneficiários do serviço de iluminação pública (RE 573.675); 
(v) Não há ofensa a isonomia tributária se a lei, por motivos 
extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e 
empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, 
afastando do regime do Simples aquelas cujos sócios têm condição 
de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado (ADI 
1.643); 
(vi) A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades 
financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de 
salários, não fere o princípio da isonomia tributária, ante a expressa 
previsão constitucional (§ 9º do art. 195; AC 1.109-MC); 
(vii) Não há violação ao princípio da isonomia o diploma legal que 
estabelece valores específicos para cada faixa de contribuintes, 
sendo estes fixados segundo a capacidade contributiva de cada 
profissional (ADI 453); 
(viii) A instituição de incentivos fiscais a empresas que contratam 
empregados com mais de quarenta anos, utiliza-se do caráter 
extrafiscal dos tributos, sem violar o princípio da isonomia (ADI 
1.276). 
(XXXII) Princípio da capacidade contributiva – Expresso no art. 
145, §1°, da CF, é instrumento de solidificação da igualdade 
tributária, que opera como limite e graduação da obrigação de pagar 
o tributo e deve ser vista sob duas perspectivas. Em primeiro lugar, o 
aspecto objetivo ou absoluto, que leva em conta as manifestações 
reais de riqueza do fato tributável, isto é, o legislador deve eleger as 
situações ou atividades que revelem a capacidade econômica do 
sujeito passivo. Por exemplo, ser proprietário de um veículo, auferir 
renda, importar um produto estrangeiro. Em segundo lugar, o 
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aspecto subjetivo ou relativo, que tem em conta as particularidades 
de cada sujeito passivo (capacidade contributiva in concreto) e tem 
aplicação direta com o princípio da personalização dos impostos. 
Princípio da capacidade contributiva (art. 145, §1°, da CF) 
(i) “A exigibilidade do ISS, uma vez ocorrido o fato gerador — que é 
a prestação do serviço —, não está condicionada ao adimplemento 
da obrigação de pagar-lhe o preço, assumida pelo tomador dele: a 
conformidade da legislação tributária com os princípios 
constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva não pode 
depender do prazo de pagamento concedido pelo contribuinte a sua 
clientela.” (AI 228.337-AgR); 
(ii) O fato de um dos elementos utilizados na fixação da base de 
cálculo do IPTU – a metragem da área construída do imóvel – ser 
tomado com parâmetro na determinação da alíquota da taxa de 
coleta de lixo é uma forma de realização da isonomia tributária 
e do princípio da capacidade contributiva (RE 232.393, RE 
336.782-AgR); 
(iii) A CF não autoriza a progressividade das alíquotas no ITBI, 
realizando-se o princípio da capacidade contributiva 
proporcionalmente ao preço da venda do imóvel (RE 234.105); 
(iv) A progressividade da alíquota da COSIP, que resulta do rateio 
do custo da iluminação pública entre os consumidores de energia 
elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva (RE 
573.675). 
(XXXIII) Princípio do não-confisco -Tem como base fundamental 
o direito constitucional de propriedade (art. 5º, XXII) e dispositivo 
explícito do sistema tributário nacional (art. 150, IV), sendo um limite 
máximo para a tributação. Isto é, enquanto o mínimo vital é um 
limite mínimo para incidência tributária, o não-confisco é um limite 
máximo. A Constituição não define o que seja confisco, competindo, 
em última instância, ao Poder Judiciário estabelecer, utilizando-se da 
razoabilidade e proporcionalidade, os contornos deste conceito 
jurídico indeterminado.Princípio do não-confisco (art. 150, IV, da CF) 
(i) “A multa moratória de 20% ou 30% do valor do imposto devido, 
não se mostra abusiva ou desarrazoada, inexistindo ofensa aos 
princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco” (RE 
239.964, AI 755.741-AgR, RE 220.284); 
(ii) Não existe caráter confiscatório de multa de 100% imposta 
ao contribuinte, por meio de lançamento de ofício, que decorre do 
fato de haver-se ele omitido na declaração e recolhimento 
tempestivo da contribuição (RE 241.087-AgR); 
(iii) Fere o princípio constitucional da não-confiscatoriedade 
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diploma legislativo que institui multa fiscal de 300% (ADI 1.075-MC, 
AI 482.281-AgR); 
(iv) Não configura confisco decisão que, a partir de normas 
estritamente legais, aplicáveis a espécie, resultou na perda de bem 
móvel importado (AI 173.689-AgR); 
(v) Taxa: correspondência entre o valor exigido e o custo da 
atividade estatal. Se o valor da taxa ultrapassar o custo do serviço 
prestado ou posto à disposição do contribuinte, dando causa a uma 
situação de onerosidade excessiva, que descaracterize essa relação 
de equivalência, configurar-se-á hipótese de ofensa ao princípio 
do não-confisco (ADI 2.551-MC-QO); 
(vi) A instituição de alíquotas progressivas para a contribuição 
previdenciária dos servidores públicos ofende o princípio da vedação 
de utilização de qualquer tributo com efeito confiscatório (AI 
701.192-AgR); 
(vii) A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função 
da totalidade da carga tributária, mediante verificação da 
capacidade do contribuinte para suportar e sofrer a incidência de 
todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado 
período, à mesma pessoa política que os houver instituído. 
Assim, resulta configurado o caráter confiscatório de determinado 
tributo, sempre que o efeito cumulativo – resultante das múltiplas 
incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal – 
afetar, substancialmente, de maneira irrazoável, o patrimônio e/ou 
os rendimentos do contribuinte. (ADC 8-MC; ADI 2.551-MC-QO); 
(viii) “Imposto de Importação. Aumento de alíquota de 4% para 
14%. A caracterização do efeito confiscatório pressupõe a análise de 
dados concretos e de peculiaridades de cada operação ou situação, 
tomando-se em conta custos, carga tributária global, margens de 
lucro e condições pontuais do mercado e de conjuntura social e 
econômica (...). O isolado aumento da alíquota do tributo é 
insuficiente para comprovar a absorção total ou demasiada do 
produto econômico da atividade privada, de modo a torná-la inviável 
ou excessivamente onerosa” (RE 448.432-AgR, DJE de 28-5-2010); 
(ix) “A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua 
consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório 
desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte”, em oposição 
a proibição de tributos com efeito de confisco (ADI 551, DJ de 14-2-
2003); 
(x) O regime de substituição tributária ‘para frente’ não ofende ao 
princípio do não-confisco. (AI 207.377 AgR). 
(XXXIV) Princípio da liberdade de tráfego - Expresso no art. 
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150, V, da CF/88,proíbe à União, aos Estados, ao Distrito Federal e 
aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, 
por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, salvo a 
cobrança de pedágios pela utilização de vias conservadas pelo 
Poder Público. 
(XXXV) Princípio da uniformidade geográfica - O princípio da 
uniformidade geográfica está estabelecido no art. 151, I, da CF/88, 
afirmando que é vedado à União instituir tributo que não seja 
uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou 
preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, 
em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos 
fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento 
sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. 
(XXXVI) A vedação da tributação diferenciada da rendas das 
obrigações de dívida pública e da remuneração dos agentes 
públicos - É o impedimento constitucional da União detributar a 
renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos 
dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar 
para suas obrigações e para seus agentes (art. 151, II). 
(XXXVII) A vedação das isenções heterônomas – O texto 
constitucional proíbe a Uniãodeinstituir isenções de tributos da 
competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (art. 
151, III). Segundo interpretação consolidada no STF e STJ, o âmbito 
de aplicação desta norma é o das relações das entidades federadas 
entre si (ordem interna) e não a atuação da União na ordem externa 
(tratados, convenções e acordos internacionais). 
(XXXVIII) Princípio da não-discriminação em razão da 
procedência ou destino - Previsto no art. 152 da CF/88 veda aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença 
tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de 
sua procedência ou destino. 
(XXXIX) Princípio da territorialidade das leis – É princípio 
implícito,assentando que as leis tributárias só têm validade e eficácia 
no âmbito do Poder Legislativo que o produziu. Assim, em princípio, 
no caso da União (Congresso Nacional), a lei tem validade no 
território nacional. Na hipótese de lei estadual (Assembléia 
Legislativa), a lei tem validade no território estadual. No caso de lei 
municipal (Câmara de Vereadores), a lei tem validade no território 
municipal. 
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(XL) Salienta-se que a regra é a territorialidade. Contudo, existem 
casos extraterritorialidade como no caso dos tratados internacionais. 
Outro exemplo é o art. 102 do CTN, dispondo que a “legislação 
tributária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios vigora, no 
País, fora dos respectivos territórios, nos limites em que lhe 
reconheçam extraterritorialidade os convênios de que participem, ou 
do que disponham esta ou outras leis de normas gerais expedidas 
pela União”. 
(XLI) Princípios característicos a determinados tributos –
Alguns princípios tributários dizem respeito explicitamente a 
determinados tributos, a saber: (i)generalidade, universalidade e 
progressividade no IR (art. 153, §2°); (ii) obrigatoriedade 
daseletividade e da não-cumulatividade no IPI (art. 153, §3°); (iii) 
progressividade de forma a desestimular a manutenção de 
propriedades improdutivas no ITR (art. 153, §4°); (iv) 
facultatividadedaseletividade e obrigatoriedade da não-
cumulatividade no ICMS (art. 155, §2°); (v) progressividade em 
função do tipo e utilização do veículo no IPVA (art. 155, §6°); (vi) 
progressividade em razão do valor do imóvel e da função social da 
propriedade (aproveitamento do solo urbano) no IPTU (arts. 156, §1, 
e 182, § 4º II). 
(XLII) PRINCÍPIOS DA GENERALIDADE E DA 
UNIVERSALIDADE (IMPOSTO DE RENDA): Aplicáveis ao imposto 
de renda (art. 153, CF). O princípio da generalidade para a doutrina 
majoritária significa que todas as pessoas, independentemente de 
qualquer condição (raça, sexo, credo, estado civil etc.), que realizam 
o fato gerador, devem se submeter à incidência do imposto de renda, 
exceto quando alcançados pela imunidade ou isenção. Já o princípio 
da universalidade se contrapõe a idéia de seletividade, isto é, o 
imposto de renda deve incidir sobre todas as espécies de obtenção de 
disponibilidadede renda ou provento. Desse modo, dispõe que toda a 
obtenção de disponibilidade de renda ou provento deve submeter-se 
à incidência do imposto, ou seja, os acréscimos patrimoniais de todas 
as espécies e gêneros, independentemente da denominação, 
localização, condição jurídica, nacionalidade da fonte ou origem, 
estão sujeitos a incidência do IR, salvo os excluídos pelas próprias 
normas jurídicas (imunidade e isenção). 
(XLIII) PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE: Há dois tipos, a 
saber: (i)progressividade fiscal, com intuito puramente 
arrecadatório, em que a alíquota cresce à medida que aumenta a 
respectiva base de cálculo do tributo; (ii)progressividade 
extrafiscal, com a finalidade principal de estimular ou desestimular 
determinada conduta do sujeito passivo, em que o tributo aumenta 
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de valor em face do comportamento do sujeito passivo. Exemplo de 
progressividade predominantemente fiscal ocorre no IR. Outro 
exemplo de progressividade fiscal ocorre com o IPTU na hipótese de 
progressividade em razão do valor do imóvel, que só pode existir a 
partir da Emenda Constitucional (EC) n.° 29/2000 (Súmula 668 do 
STF). 
(XLIV) Por sua vez, exemplo de progressividade extrafiscal é o caso 
do ITR que deve ser progressivo e suas alíquotas devem ser fixadas 
de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas 
(art. 153, §4º, I, da CF/88). É a hipótese também da progressividade 
extrafiscal do IPTU no caso de não aproveitamento do solo urbano 
pelo seu proprietário em razão do tempo (descumprimento da função 
social da propriedade urbana). 
JURISPRUDÊNCIA DO STF 
“Não há tributo progressivo quando as alíquotas são diferenciadas 
segundo critérios que não levam em consideração a capacidade 
contributiva” (RE 414.259-AgR); 
A progressividade e a isenção são institutos distintos. A 
progressividade pode constituir sanção imposta pelo inadequado 
aproveitamento da propriedade, nos termos em que dispuser a lei 
federal; enquanto a isenção diz respeito à observância à capacidade 
contributiva do contribuinte (RE 238.671); 
“É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o 
imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis (ITBI) com base 
no valor venal do imóvel” (Súmula 656 do STF); 
A progressividade da alíquota da COSIP, que resulta do rateio do 
custo da iluminação pública entre os consumidores de energia 
elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva (RE 
573.675). 
(XLV) PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE (ICMS e IPI): A 
seletividade é obrigatória (“será”) no IPI e facultativa (“poderá ser”) 
no ICMS. Decerto, a seletividade dispõe que as alíquotas sejam 
estabelecidas conforme a essencialidade do produto, mercadoria e 
serviço. Segundo definição doutrinária, a seletividade quer dizer 
discriminação ou sistema de alíquotas diferenciadas por espécies de 
produto, mercadoria e serviço. A seletividade é dirigida ao legislador 
ordinário, recomendando- lhe que estabeleça as alíquotas em razão 
inversa da imprescindibilidade dos produtos, mercadorias e serviços 
de consumo generalizado. Portanto, as alíquotas devem ser maiores 
para os produtos ou mercadorias supérfluos (exs.: caviar, cigarro 
etc.) e menores para os produtos ou mercadorias consideradas 
essenciais (ex.: produtos da cesta básica). 
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(XLVI) PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE: A não-
cumulativa tem por finalidade evitar a denominada tributação em 
cascata, isto é, a incidência do imposto sobre o imposto. O IPI e o 
ICMS, por exemplo, são impostos plurifásicos, uma vez que incidem 
em operações sucessivas. Assim, em regra, a não-cumulativa será 
aplicada nestes dois impostos, visando a impedir que se tornem 
confiscatórios, tornando-os cada vez mais gravosos nas várias 
operações de circulação do produto ou mercadoria. 
QUESTÕES TRATADAS EM SALA DE AULA 
1. (CESPE/Delegado de Polícia/RN/2009)A decisão judicial que 
declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício faz 
coisa julgada em relação aos posteriores, em respeito aos princípios 
da separação dos poderes e da autoridade da coisa julgada. 
2. (CESPE/Consultor/ES/2010) Em respeito ao princípio da 
legalidade, não é permitido ao chefe do Poder Executivo elevar a 
alíquota do imposto de importação, mesmo dentro de limites 
autorizados por lei. 
3. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Inexistindo legislação 
específica impondo condições e limites, é lícito ao Poder Executivo 
alterar as alíquotas da contribuição de intervenção no domínio 
econômico (CIDE). 
4. (CESPE/Procurador/PB/2008) Nos termos e limites fixados em 
lei complementar federal, o Poder Executivo estadual, mediante 
decreto, pode reduzir, com o objetivo de regular a demanda, as 
alíquotas de ICMS de determinados produtos, dada a natureza extra-
fiscal desse tributo. 
5. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) As obrigações principais e 
acessórias estão sujeitas ao princípio constitucional da legalidade 
estrita. 
6. (CESPE/Juiz Federal/TRF1°REGIÃO/2009)Ofende o princípio 
da legalidade decreto que antecipa data de recolhimento de tributo. 
7. (CESPE/Procurador/PE/2009) A simples atualização monetária 
não se confunde com majoração de tributo. 
8. (CESPE/Procurador/PE/2009) A instituição de emolumentos 
cartorários pelo tribunal de justiça de um estado não afronta o 
princípio da reserva legal. 
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9. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) Atende ao princípio da 
anterioridade de exercício a publicação, no Diário Oficial, da lei 
instituidora de imposto no dia 31/12, sábado, apesar de a sua 
circulação dar-se apenas na segunda-feira. 
10. (CESPE/Ministério Público/ES/2010) Lei estadual, que 
determine a majoração das alíquotas e da base de cálculo do imposto 
sobre a propriedade de veículos automotores, publicada no dia 31 de 
dezembro, com cláusula de vigência imediata, produzirá efeitos 
A no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à 
majoração da base de cálculo do imposto. 
B no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, em relação à majoração das 
alíquotas e da base de cálculo. 
C 45 dias após a data da publicação da lei, em relação apenas à 
majoração da base de cálculo. 
D noventa dias após a data da publicação da lei, apenas em relação à 
majoração das alíquotas. 
E no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à 
majoração das alíquotas. 
11. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009) A revogação de isenção tem 
sido equiparada pelo STF à instituição ou majoração de tributo, razão 
pela qual só poderá produzir efeitos no exercício financeiro seguinte, 
em respeito à regra da anterioridade tributária. 
12. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Às taxas é aplicado o 
princípio da anterioridade de exercício, mas não o da anterioridade 
nonagesimal, que é restrita a impostos e contribuições. 
13. (CESPE/Consultor/ES/2010) Considerando que uma lei que 
criou uma taxa tenha sido promulgada e publicada em 3/12/2009, 
com vigência a partir da data de publicação, a referida taxa somente 
deverá ser cobrada a partir 1.º de janeiro de 2010. 
14. (CESPE/PROCURADOR/PE/2009)Lei complementar estadual 
que isente os membros do MP do pagamento de custas judiciais ou 
emolumentos é constitucional. 
15. (CESPE/Promotor/RN/2009)A instituição de tributo com 
alíquotas progressivas sem ser exageradamente oneroso, não 
podendo, portanto, ser considerado confisco, faz transparecer, no 
direito tributário, na instituição do referido tributo, o cuidado com oprincípio da 
A seletividade. 
B não-diferenciação tributária. 
C legalidade estrita. 
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D capacidade contributiva. 
E igualdade tributária, em sentido jurídico. 
16. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009)O princípio da capacidade 
contributiva, segundo previsão expressa na CF, aplica-se a todos os 
tributos federais, estaduais e municipais. 
17. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Contra a imposição de 
multas por sonegação fiscal ou mesmo pelo não recolhimento do 
tributo, não se pode argumentar com a proibição constitucional de 
utilização de tributo com efeito de confisco, já que de tributo não se 
trata. 
18. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) Com relação às limitações 
constitucionais do poder de tributar, assinale a opção correta. 
A A proibição constitucional da utilização de tributo com efeito de 
confisco decorre de seu efeito cumulativo, ou seja, sempre que várias 
incidências estabelecidas pelo mesmo ente tributante afetarem o 
patrimônio ou rendimentos do contribuinte de forma não razoável. 
Nessa situação, sua verificação é individual, passível apenas de 
controle difuso da constitucionalidade. 
B A utilização de tributo com efeito de confisco tem como parâmetro 
a incidência do novo tributo em face de sua própria carga tributária, 
não o total da carga tributária a que esteja submetido o contribuinte. 
C As multas aplicadas em face da sonegação ou do não recolhimento 
dos impostos, quando superem o valor do bem, em princípio ofendem 
tanto o princípio da proporcionalidadequanto o da proibição de 
tributos com efeito de confisco. 
D Confisco é sanção e, para verificar se o tributo tem esse efeito, é 
necessário examinar se a lei que instituiu o tributo tem como fim 
impor penalidade ao contribuinte. 
E Os tributos indiretos são repassados ao consumidor final e não 
incidem sobre renda ou patrimônio, sendo-lhes inaplicável o princípio 
constitucional da vedação de confisco. 
19. (CESPE/Consultor/ES/2010) Se, devido a incentivos fiscais 
concedidos pelo governo do Espírito Santo, novas empresas 
produtoras de automóveis instalarem-se no estado, e esse fato 
contribuir para atrair milhares de trabalhadores de outros estados 
brasileiros, nesse caso, visando conter o fluxo migratório e para não 
prejudicar a política de geração de empregos local, o governador 
poderá instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de 
trabalhadores de outros estados, pelo mesmo período de tempo do 
incentivo fiscal concedido às montadoras de automóveis. 
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20. (CESPE/Advogado/CEF/2010)A União pode instituir tributo 
que não seja uniforme em todo o território nacional. 
21. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Qualquer ente federativo pode 
instituir tributo que importe em distinção ou preferência em favor de 
determinado estado ou município. 
22. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Os estados podem estabelecer 
diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de 
sua natureza ou do seu destino. 
23. (CESPE/Advogado/CEF/2010)É vedado aos municípios, e não 
aos estados, ao DF e à União, o estabelecimento de diferenças 
tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua 
natureza ou de seu destino. 
24. (Juiz Federal/TRF3°/2011) Em setembro de 2011, a União 
editou decreto determinando a elevação das alíquotas de IPI sobre a 
importação de automóveis e instrução normativa determinando a 
prorrogação do direito de dedução, sobre o imposto de renda anual 
da pessoa física, da contribuição previdenciária paga a empregado 
doméstico. Em ambas as normas, há cláusula de vigência para o dia 
da publicação desses atos normativos. Acerca desse aspecto, é 
correto afirmar, em conformidade com a CF e com o CTN, que 
A os efeitos do decreto produzem-se a partir de 1.º/1/2012, e os da 
instrução normativa, a partir da publicação. 
B os efeitos do decreto produzem-se após 90 dias contados da 
publicação, e os da instrução normativa, a partir da publicação. 
C os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-se após 
90 dias contados da publicação. 
D os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-se a 
partir de 1.º de janeiro de 2012. 
E os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-se a partir 
da publicação dessas normas. 
25. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) É legítima a 
aplicação da taxa SELIC como índice de correção monetária e de 
juros de mora, na atualização de débitos tributários em atraso 
relacionados ao IPVA, mesmo que inexista lei estadual nesse sentido. 
26. (CESPE/Defensoria Pública-União/2010) Considere que 
determinado estado da Federação tenha publicado lei majorando a 
alíquota do ICMS de 18% para 19% e estabelecendo que sua vigência 
terminaria em 31 de dezembro de 2009. Considere, ainda, que, em 
meados desse mês, tenha sido publicada lei que manteve a alíquota 
DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) 
PROFESSOR: EDVALDO NILO 
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de 19% para o ano de 2010. Nesse caso, a lei publicada em 
dezembro de 2009 viola o princípio da anterioridade nonagesimal. 
27. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010) Segundo 
decisão do STF, em controle de constitucionalidade abstrato, não 
ofende o princípio da não confiscatoriedade hipótese normativa que 
estipule multa fiscal de 300%, desde que se trate de inadimplemento 
pelo contribuinte de obrigação tributária. 
28. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010) Com a 
finalidade de não ofender o pacto federativo, a CF veda que a União 
conceda incentivos fiscais às diferentes regiões do país, ainda que 
sob o argumento de promover o equilíbrio do desenvolvimento 
socioeconômico. 
29. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) Se, na região Norte 
do país, for criado território federal, mediante lei complementar, 
competirá à União a instituição do ICMS nesse território. 
30. (CESPE/Advogado-BRB/2010) Para que a União tenha 
competência para instituir impostos residuais por lei ordinária federal, 
é suficiente que estes obedeçam ao requisito de não cumulatividade. 
31. (CESPE/Analista-EMBASA/2010) Tanto a União como os 
estados, o Distrito Federal e os municípios podem legislar 
concorrentemente sobre direito tributário. Cada uma das esferas da 
administração tem competência legislativa plena no âmbito de sua 
jurisdição. 
GABARITO PURO
1. E 2. E3. E 4. E5. E 6. E 7. C8. E9. C10. A 
11. C 12. E13. E14. E15. D16. E17. E18. C19. E20. E 
21. E 22. E23. E 24. B 25. E 26. E 27. E 28. E 
29. C 30. E 31. E

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