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DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 1 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br PROFESSOR EDVALDO NILO CURSO REGULAR DE DIREITO TRIBUTÁRIO PARA O STJ– TEORIA COMPLETA E QUESTÕES COMENTADAS DO CESPE AULA 1 – PODER DE TRIBUTAR E COMPETÊNCIA TRIBUTARIA. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS 1. NATUREZA, AUTONOMIA E RELAÇÃO DO DIREITO TRIBUTÁRIO COM O DIREITO FINANCEIRO O direito tributário é ramo comum do direito público obrigacional. Portanto, a sua natureza é comum, pública e obrigacional. O direito tributário é direito comum e não especial ou excepcional, uma vez que é constituído por normas jurídicas que regem de forma objetiva e geral as situações nelas dispostas. Isto é, o direito tributário aplica-se às situações genéricas das hipóteses e pessoas, sem excepcionalidades. Ao contrário do direito especial, que corresponde às normas jurídicas estabelecidas para regulamentação de determinadas situações particulares, propugnando exceções às regras do direito comum ou normal. O direito tributário é ramo do direito público por decorrer da relação jurídica travada entre Estado e particular e, por conseguinte, proteger preponderantemente o interesse público ou da coletividade. Decerto, as normas jurídicas tributárias têm caráter imperativo,compulsório, cogente decorrente do poder de império do Estado e o seu fundamento é a satisfação das necessidades públicas estabelecidas no texto constitucional (saúde, educação, segurança pública, proteção do meio ambiente etc.). Ademais, o direito tributário é direito obrigacional, eis que seu objeto é a prestação positiva ou negativa da obrigação que o sujeito passivo deve realizar em favor do sujeito ativo da relação jurídico-tributária. No caso, no mínimo, há um credor (sujeito ativo), um devedor (sujeito passivo) e o objeto do direito, que é o tributo. Por sua vez, apesar da unicidade do direito, podemos afirmar que o direito tributário temautonomia didática, dogmática e estrutural, em razão da existência da disciplina no meio acadêmico (autonomia didática); de métodos, princípios e conceitos próprios (autonomia dogmática), que, dessa maneira, podem ser criados pela legislação ou estudados pela doutrina, de forma diversa dos institutos de outros ramos do direito (autonomia estrutural). DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 2 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br A autonomia legal do direito tributário é consagrada expressamente no art. 24, I, da Constituição Federal (CF), localizado no âmbito da organização político-administrativa do Estado, que estatui que compete aos Estados, Distrito Federal e União legislar de forma concorrente sobre Direito Tributário. Nesse rumo, o direito tributário surgiu como apêndice do direito financeiro, que é a disciplina jurídica da atividade financeira do Estado (AFE). Ou seja, a matéria que estuda os princípios e regras que regem a AFE. O direito financeiro estuda, portanto, o orçamento público, receita pública, despesa pública e o crédito público. Assim, o direito tributário disciplina uma parte da receita pública, que são as receitas derivadas obtidas com a criação dos tributos. 2. Definição de Tributo Para o conceito de tributo, poderíamos examinar diversas definições doutrinárias, mas, para fins de concursos, é muito mais produtivo adotar o art. 3º, do Código Tributário Nacional (CTN), a saber: Tributo é toda (i)prestação pecuniáriacompulsória, (ii)em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que (iii)não constitua sanção de ato ilícito, (iv)instituída em lei e (v)cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Assim, passemos a analisar os elementos integrantes do conceito legal de tributo: (i)Prestação pecuniária compulsória – Prestação significa o objeto principal de uma relação entre credor e devedor, sendo aquilo que o credor deve fazer ou deixar de fazer em favor do devedor. Já pecúnia representa “dinheiro”, isto é, a prestação deve ser realizada em dinheiro. Portanto, não pode ser considerado tributo às chamadas prestações in labore (ex. serviço militar obrigatório) ou exigências in natura (oferecimento bens materiais que não sejam dinheiro como cestas básicas). DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 3 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Nesse rumo, também não pode ter natureza de tributo a prestação de serviço eleitoral, o trabalho desempenhado pelos jurados, a desapropriação ou a requisição administrativa, uma vez que não são prestações pecuniárias. O tributo é também prestação compulsória, ocorrendo independentemente da vontade do devedor, sendo a prestação que deve ser satisfeita pelo comportamento obrigatório do devedor (sujeito passivo) de levar dinheiro ao credor (sujeito ativo). Por exemplo, o aluguel de imóvel público não étributo, em virtude de ser o aluguel firmado por ato de livre vontade do locatário com a Administração Pública, derivando de um contrato entre as partes. Com efeito, o STF decidiu recentemente (informativo 543) que os encargos de capacidade emergencial (“seguro-apagão”), previstos na Lei 10.438/2002, possuem natureza jurídica de preço público e não de tributo, uma vez que tais encargos, embora tivessem o caráter de prestações pecuniárias correspondentes à utilização de um serviço público — e, nesse sentido, aproximar-se-iam do conceito de taxas —, na verdade, configurariam tarifas ou preços públicos, em virtude do caráter facultativo da fruição do bem que remuneravam. Neste sentido, o “seguro-apagão” não se enquadra na definição de tributo contida no art. 3º do CTN, uma vez que não possui o requisito de compulsoriedade. Portanto, o “seguro-apagão” não seria de pagamento compulsório, requisito típico das espécies tributárias, não estando sujeitos, por essa razão, aos princípios e regras constitucionais tributárias, pois os consumidores poderiam se valer de outros meios para a aquisição de energia elétrica que não a proveniente do Sistema Interligado Nacional. Do mesmo modo, o STF já decidiu que a compensação financeira pela exploração de recursos minerais (royalties - CF, art. 20, §1°) não é tributo, bem como o instrumento municipal denominado de outorga onerosa do direito de criar solo (RE 387.047/SC), também chamado solo criado, previsto no Estatuto da Cidade (art. 28 da Lei Federal 10.257/2001). Assim, também não se pode dizer que é tributo: (a) a cobrança de foro anual e laudêmio; (b) a tarifa aeroportuária cobrada pela INFRAERO (Lei 6.009/73); (c) o pagamento prévio da DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 4 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br retribuição autoral feito ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). (ii)Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir – Alguns autores criticam este enunciado afirmando que é um pleonasmo do art. 3°, do CTN, que só faz repetir o caráter pecuniário do tributo. Entretanto, a assertiva possui serventia quando afirma que pode ser pago em algo que represente um valor em dinheiro (ou cujo valor nela se possa exprimir). Assim, conforme a interpretação de tal dispositivo, o tributo pode ser pago com títulos da dívida pública. Como exemplo, o pagamento do imposto territorial rural (ITR) com títulos da dívida agrária (TDA). Anota-se que o art. 162, do CTN, possibilita que o pagamento do tributo seja efetuado com cheque ou vale postal e, nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico.Por sua vez, o art. 156, XI, do CTN, com redação estabelecida pela Lei Complementar n. 104/2001, permite o pagamento de tributo mediante a entrega de bens imóveis, quando estabelece a “dação em pagamento em bens imóveis” como causa extintiva do crédito tributário, sendo compatível com a locução “ou cujo valor nela se possa exprimir” do art. 3º, do CTN. É importante dizer que o Supremo Tribunal Federal (STF) não permite que lei estadual possibilite o pagamento de débitos tributários com dação em pagamento de bens materiais destinados a atender a programas do Estado, mas apenas a dação em pagamento de bens imóveis. Neste ponto, ainda cabe destacar que o valor do tributo pode ser expresso em indexadores (exs.: UFIR, UPF e UFM), que são convertidos em moeda corrente na data do pagamento da obrigação tributária. Com esta autorização, por exemplo, pode-se dizer que o contribuinte deve 100 UPF no Estado do Rio Grande do Sul (RS). (iii)Não constitua sanção de ato ilícito – A obrigação tributária deve decorrer de um fato lícito previsto em lei, ou seja, a interpretação adequada é no sentido de que deve ser lícita a situação genérica e abstrata disposta na norma. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 5 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Por exemplo, o art. 43, do CTN, dispõe que faz surgir à obrigação de pagar o imposto de renda (IR) quando determinada pessoa adquire disponibilidade econômica de renda. Assim, a renda auferida pela pessoa é fato gerador do IR e, por conseguinte, uma pessoa que adquire renda derivada do exercício do jogo do bicho (atividade ilícita) deve pagar o tributo, uma vez que o fato previsto em lei é a aquisição de renda e não o exercício do jogo do bicho. Neste sentido, o STF entende que a tributação sobre o trafico ilícito de entorpecentes é legal, adotando-se a aplicação do princípio da igualdade tributária e do princípio do pecunia non olet (o dinheiro não tem cheiro). Registramos a seguinte decisão do STF: "Sonegação fiscal de lucro advindo de atividade criminosa: pecunia non olet (dinheiro não tem cheiro). Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas, com lucros vultosos subtraídos à contabilização regular das empresas e subtraídos à declaração de rendimentos - caracterização, em tese, de crime de sonegação fiscal. Irrelevância da origem ilícita, mesmo quando criminal, da renda subtraída à tributação. A exoneração tributária (significa aqui não pagamento do tributo) dos resultados econômicos de fato criminoso - antes de ser corolário do princípio da moralidade - constitui violação do princípio da isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética". Por outro lado, o tributo não se confunde com a multa, que é sanção de ato ilícito. A multa, apesar de ser uma prestação pecuniária compulsória, é cobrada em virtude de o indivíduo ter praticado um ato ilícito, possuindo nítido caráter de sanção (punição). Como exemplo, podemos citar que a multa decorrente do atraso no pagamento do imposto sobre produtos industrializados (IPI) não é tributo, pois é sanção de ato ilícito. Preste atenção: qualquer tipo de multa não é tributo. Ou seja, multa por infração tributária, multa por infração penal ou multa por infração de trânsito não deve ser considerado tributo, nos termos do art. 3° do CTN. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 6 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br O CTN dispõe que em face do descumprimento de uma obrigação tributária principal (ex.: pagar o tributo) ou acessória (exs.: declaração de rendimentos ou emissão de notas fiscais), ocorrer-se-á a aplicação de penalidade pecuniária. Mas isso não quer dizer que a multa é uma espécie de tributo, uma vez que a multa deve ser considerada somente uma penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal ou acessória. Destacamos ainda que qualquer reparação ou indenização decorrente de um ato ilícito previsto em lei não é tributo. Deste modo, a pessoa que, por ação ou omissão voluntária, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, não deve pagar tributo ao Estado, mas sim indenizar o outro pelos danos sofridos. (iv)Instituída em lei – É aspecto fundamental da definição de tributo, pois todo tributo deve ser instituído por meio de lei. Esta deve ser entendida como lei complementar ou lei ordinária, ou até mesmo medida provisória, que tem força de lei ordinária. O tributo é uma obrigação denominada de ex lege, significando que seu surgimento depende de lei. Neste aspecto, identificamos o princípio constitucional da legalidade (CF, art. 150, I). Logo, não se esqueça que um tributo não deve ser instituído, em hipótese alguma, por normas jurídicas infralegais, como decretos, portarias, atos administrativos, sentenças judiciais, convênios, costumes, decisões de órgãos administrativos singulares ou colegiados sobre matéria tributária, dentre outras. Este entendimento é constitucionalmente fundamentado no Estado Democrático de Direito, previsto no art. 1º, parágrafo único, da CF/88, dispondo que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Assim, deve-se entender que a lei que institui o tributo é uma manifestação legítima do poder do povo, uma vez que para criação do tributo existiu prévia autorização dos representantes eleitos pelo povo, que são os parlamentares. Nesse rumo, em regra, a lei apta a instituir um tributo é a lei ordinária. No caso de tributo federal, o Congresso Nacional. Na hipótese de tributo estadual, a Assembléia Legislativa. No caso de DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 7 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br tributo municipal, a Câmara de Vereadores. Todavia, existem tributos federais (União) que, se forem instituídos, devem ser por meio de lei complementar, que são: imposto sobre grandes fortunas (art. 153, inc. VII, da CF/88), empréstimos compulsórios (art. 148, caput, da CF/88), impostos residuais da União (art. 154, inc. I, da CF/88) e contribuições sociais novas ou residuais (art. 195, §4°, da CF/88). Nestes casos, a medida provisória que tem força de lei ordinária não pode atuar para instituir tais tributos. Tributos instituídos por lei complementar: (i) imposto sobre grandes fortunas (art. 153, VII da CF); (ii) empréstimos compulsórios (art. 148 da CF); (iii) impostos residuais da União (art. 154, I da CF); (iv) contribuições sociais novas ou residuais (art. 195, §4° da CF). Além disso, destaca-se que existem tributos que poderão ter suas alíquotas majoradas ou reduzidas por ato do Poder Executivo federal (União), a saber: imposto de importação (II); imposto de exportação (IE); imposto sobre produtos industrializados (IPI); imposto sobre operações financeiras (IOF). É o que dispõe o art. 153, §1º, da CF/88. A relação desta flexibilidade está no fato de que esses tributos têm caráter extrafiscal, ou seja, são tributos reguladores da economia ou do mercado do País. Como exemplo, o Presidente da República (Chefe do Poder Executivo federal) quer intervir no comércio exterior, incentivando as exportações e, por conseguinte, diminui a alíquota do imposto de exportação (II) ou quer desestimular a produção de determinado produto industrial e aumenta a alíquota do IPI deste produto. Ao contrário, o caráter fiscal dos tributos é o poder de invadir o patrimônio do particular com finalidade eminentemente arrecadatória. Quanto a CIDE – Combustíveis 1(art. 177, §4°, inc. I, alínea “b”) e o ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155. §4°, inc. IV, da CF/88), as alíquotas poderão somente ser reduzidas e restabelecidas, ou seja, o Poder Executivo reduz a alíquota e, uma vez reduzida, pode restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, prevista anteriormente em lei. Este tema será minuciosamente 1 Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - Petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 8 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br trabalhado na aula 2. (v)Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada – Isto significa que a cobrança do tributo ocorre por meio de atividade administrativa vinculada, ou seja, sem margem de discrição do servidor público. Deste modo, o servidor público não tem certa liberdade de escolha para atuar, ou seja, não pode avaliar se é oportuno ou conveniente cobrar o tributo. Portanto, não pode ponderar ou sopesar a situação no caso concreto Com efeito, a atuação do auditor ou do procurador jurídico de determinado ente federado não é discricionária ao cobrar o tributo, devendo seguir fielmente o previsto na lei, em razão do próprio princípio da legalidade, sendo a atividade administrativa de cobrança do tributo plenamente vinculada. Por outro lado, o concursando (você mesmo!!!) não pode confundir a questão de o tributo ser “cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” com a classificação de tributos vinculados e tributos não vinculados, bem como com a classificação quanto ao destino da arrecadação, que pode também ser vinculada ou não vinculada. Sem prejuízo de tratarmos destas classificações com maior ênfase na próxima aula do curso, devemos ter bem presente que o tributo vinculado significa que o fato gerador do tributo é uma atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. Como exemplo, temos a contribuição de melhoria que decorre da atividade do Estado de realizar uma obra pública da qual deve resultar valorização imobiliária para o contribuinte. Já o tributo não vinculado significa que o fato gerador do tributo é um fato praticado pelo contribuinte independente de qualquer atividade estatal específica realizada para o próprio contribuinte. O melhor exemplo de tributo não vinculado são todos os impostos. Valem aqui as precisas ponderações feitas por Robinson Sakiyama: “Os fatos geradores próprios dos impostos são as situações de ser proprietário de algo (ITR, IPTU, IPVA), transferir um bem (ITCMD, ITBI), prestar serviços ou fazer circular mercadorias (ISS, ICMS) etc., ou seja, todas as situações que não se referem a uma atividade estatal específica voltada ao contribuinte. Por esta DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 9 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br razão, muitos autores se referem aos impostos como tributos não vinculados.” Concernente a classificação do destino da arrecadação: (a) Arrecadação é vinculada quando os recursos arrecadados devem ser utilizados com despesas legais previamente determinadas. Por exemplo, o empréstimo compulsório, pois, o art. 148, parágrafo único, da CF/88, dispõe que a aplicação dos recursos provenientes deste tributo será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. Outro exemplo, são as custas e emolumentos (espécie de taxa judiciária de acordo com o entendimento do STF), pois a norma constitucional (art. 98, §2°) fixou que serão destinadas apenas ao custeio dos serviços específicos do Poder Judiciário. (b) Arrecadação não é vinculada acontece na hipótese dos recursos poderem ser aplicados sem vinculação a despesa previamente destinada. Como exemplo, a doutrina cita os impostos, uma vez que, em princípio, as suas receitas não podem ser vinculadas a órgãos, fundos ou despesas, salvo as exceções previstas no art. 167, IV, da CF/88. Entretanto, é relevante prestar atenção em relação às exceções previstas nesta regra constitucional (art. 167, IV, da CF/88). E todo concurso adora exceção. Em outras palavras, os recursos arrecadados com os impostos também podem ser utilizados com despesas previamente determinadas na CF/88. Vejamos o art. 167, IV, da CF/88: Art. 167. São vedados: IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo. Exceções constitucionais à arrecadação não-vinculada dos DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 10 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br impostos(art. 167, IV) Recursos destinados para as ações e serviços públicos de saúde(art.198, § 2º); Repartição do produto da arrecadação dos impostos (arts. 158 e 159); Recursos destinados para a manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental (FUNDEF)(art. 212); Recursos destinados às atividades da administração tributária(art. 37, XXII); Recursos destinados à prestação de garantia às operações de crédito por antecipação da receita (ARO) (art. 165, §8°); Recursos destinados à prestação de garantia ou contragarantia à União e para pagamento de débitos para com esta (art. 167, § 4º). Por sua vez, cumpre dizer, de logo, que tributo é receita pública que pode ser destinada ao ente tributante (União, Estado, Distrito Federal, Município) ou a terceiros, desde que exerçam atividade de interesse público, como é o caso das entidades parafiscais (SENAI, SEBRAE, SESC etc.) que podem arrecadar contribuições sociais obrigatórias (espécie de tributo). Nesse rumo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) compreende que a contribuição para o FGTS não tem natureza tributária, sendo a arrecadação depositada em conta no nome do empregado, podendo ser sacado o saldo da conta em hipótese de despedida sem justa causa e outras situações estabelecidas na Lei 8.036/90 (Lei do FGTS), caracterizando-se como vantagem de natureza jurídica trabalhista, que não é sujeita ao prazo de prescrição estabelecido no Código Tributário Nacional (CTN). O STJ possui a súmula 353 a respeito do tema: “As disposições do Código Tributário Nacional não se aplicam às contribuições para o FGTS”. 3. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS A norma jurídica é o gênero do qual se diversificam, como espécies, as regras e os princípios jurídicos. Dentre os últimos estão compreendidos os princípios constitucionais tributários dispostos explicitamente ou implicitamente no texto constitucional, principalmente na seção denominada de limitações do poder de tributar (arts. 150 a 152). 3.1 PRINCÍPIOS VINCULADOS ESPECIALMENTE À SEGURANÇA JURÍDICA DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 11 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br A segurança jurídica exige, na maior medida do possível, a compreensibilidade, previsibilidade e conhecimento antecipado das normas vigentes pelo sujeito passivo da relação tributária. Decerto, decorre do Estado de Direito previsto constitucionalmente no art. 1° da CF/88 e, na seara tributária, é consagrada, especialmente, pelos princípios da legalidade (art. 150, I), irretroatividade(art. 150, III, “a”), não-surpresa (art. 150, III, “b” e “c”) e transparência fiscal (art. 150, §§5° e 6°). 3.1.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O texto constitucional estabelece explicitamente no art. 150, I, que os tributos devem ser criados ou aumentados por lei prévia, buscando excluir o arbítrio do poder estatal. É a denominada legalidade tributária, que obriga o surgimento da obrigação tributária por lei formal (obrigação ex lege). Em regra, os tributos são instituídos por lei ordinária. Todavia, existem tributos que, se forem criados, devem ser por meio de lei complementar. Lei complementar Imposto sobre grandes fortunas; Empréstimos compulsórios Impostos residuais da União Contribuições sociais novas ou residuais 3.1.1.1 PRINCÍPIO DA TIPICIDADE Significa que não basta o tributo ser criado ou aumento por lei formal, devendo também ocorrer a adequação da conduta do sujeito passivo à norma tributária. É a subsunção do fato real à norma abstrata. A tipicidade ordena que o legislador estabeleça em lei todos os aspectos da regra matriz de incidência tributária. Assim sendo, em função da obediência a tipicidade, os aspectos material (situação geradora da incidência), espacial (local de incidência), temporal (momento de incidência), pessoal (sujeito ativo e passivo) e quantitativo (base de cálculo e alíquota) devem está previstos em lei. (ESAF/Analista/SUSEP/2010) “A lei deve esgotar, como preceito geral e abstrato, os dados necessários à identificação do fato gerador da obrigação tributária e à quantificação do tributo, sem que restem à autoridade poderes para, discricionariamente, se ‘A’ irá ou não pagar tributo, em face de determinada situação”. É correta. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 12 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br A tipicidade é complementar ao princípio da legalidade, Segundo parte da doutrina, a tipicidade está expressa igualmente no art. 150, I, da CF/88. Assim, afirma-se que a legalidade tributária faz referência ao veículo da norma (lei formal) e a tipicidade ao conteúdo da lei, que é a própria norma tributária em todos os seus aspectos. Neste sentido,o art. 97 do CTN concretiza a tipicidade tributária. De acordo com ainterpretação deste dispositivo à luz do texto constitucional, apenas lei pode estabelecer: • A instituição de tributos, ou a sua extinção; • A majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto no texto constitucional; • A definição do fato gerador da obrigação tributária principal e do seu sujeito passivo; • A fixação da base de cálculo do tributo e de sua alíquota, ressalvado o disposto no texto constitucional; • A cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; • As hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, ressalvado o disposto no texto constitucional. De mais a mais, ressaltamos o entendimento do STF no sentido de que a coisa julgada em matéria fiscal fica delimitada à relação jurídico-material em que debatida, não podendo, portanto, ser invocada em exercícios posteriores, de acordo com a Súmula 239 (AI 189.787-AgR,DJ de 4-4-1997). (CESPE/Delegado de Polícia/RN/2009) “A decisão judicial que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício faz coisa julgada em relação aos posteriores, em respeito aos princípios da separação dos poderes e da autoridade da coisa julgada”. É errada. 3.1.1.2 MITIGAÇÕES, EXCEÇÕES OU ATENUAÇÕES A LEGALIDADE Por sua vez, esclarece-se que existem tributos que poderão ter suas alíquotas majoradas ou reduzidas por ato do Poder Executivo federal, por meio de decreto, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, a saber: imposto de importação (II); imposto de exportação (IE); imposto sobre produtos industrializados (IPI); impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF). É o que dispõe o art. 153, §1º, da CF. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 13 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (CESPE/Consultor/ES/2010) “Em respeito ao princípio da legalidade, não é permitido ao chefe do Poder Executivo elevar a alíquota do imposto de importação, mesmo dentro de limites autorizados por lei”. É errada. Quanto a Contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) sobre combustíveis (art. 177, §4°, I alínea “b”, da CF) e o ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, §4°, IV, da CF), as alíquotas poderão somente ser reduzidas e restabelecidas, ou seja, o Poder Executivo reduz a alíquota e, uma vez reduzida, pode restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, prevista anteriormente em lei. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “Inexistindo legislação específica impondo condições e limites, é lícito ao Poder Executivo alterar as alíquotas da contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE)”. É errada. No caso do ICMS – Combustíveis e Lubrificantes, a exceção se refere à incidência monofásica do imposto, e as alíquotas são definidas nacionalmente por convênios dos Executivos Estaduais, ou seja, por ato de deliberação do Poder Executivo dos Estados e do Distrito Federal. (CESPE/Procurador/PB/2008) Nos termos e limites fixados em lei complementar federal, o Poder Executivo estadual, mediante decreto, pode reduzir, com o objetivo de regular a demanda, as alíquotas de ICMS de determinados produtos, dada a natureza extra-fiscal desse tributo. É errada, pois não pode ser mediante decreto. Outra ressalva se refere aos benefícios fiscais do ICMS (isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão) por meio de convênio interestadual do CONFAZ (art. 150, §6°, da CF). O fundamento da mitigação a legalidade tributária está no fato de que esses tributos têm caráter extrafiscal, ou seja, são tributos reguladores da política econômica, monetária e fiscal do País. Como exemplo, o Presidente da República quer intervir no comércio exterior, incentivando as exportações e, por conseguinte, diminui a alíquota do imposto de exportação (II) ou quer desestimular a produção de determinado produto industrial e aumenta a alíquota do IPI. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 14 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Ressaltamos quenão foram recepcionados pela CF/88 os arts. 21, 26 e 65 do CTN, no que estabelecem sobre a competência do Poder Executivo de alterar as bases de cálculo do imposto sobre importação (II), do imposto sobre exportação (IE) e dos impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores imobiliários (IOF), a fim de ajustá-los aos objetivos da política cambial e do comércio exterior. Este é o entendimento na doutrina e jurisprudência predominante. Por exemplo, afirma o STJ que a “instituição ou a fixação da base de cálculo de tributo, a que se refere o art. 97 do Código Tributário, que explicita o princípio constitucional da legalidade agasalhado no art. 150, I, da Constituição, se faz mediante a edição de lei” (AGREsp 465740/MG). Por sua vez, segundo compreende parte da doutrina, é atenuação ou exceção à legalidade tributária a possibilidade de instituição ou majoração de tributo por medida provisória. Nesse rumo, a partir da Emenda Constitucional (EC) n.° 32/01, é expressa na CF a possibilidade das medidas provisórias atuarem como veículos introdutores de normas tributárias (art. 62, §2°), sendo proibido na hipótese da CF exigir lei complementar. Poder Executivo Federal(alterar a alíquota) II IE IPI IOF CIDE – Combustíveis Poder Executivo estadual e distrital (alíquotas definidas nacionalmente por convênio) ICMS – Combustíveis e Lubrificantes Poder Executivo estadual e distrital (benefícios fiscais definidos nacionalmente por convênio) ICMS 3.1.1.3 JURISPRUDÊNCIA DO STF De início, ressaltamos que a definição de vencimento das obrigações tributárias (data para pagamento) e a instituição de obrigações tributárias acessórias não estão no campo reservado à lei, podendo ser alvo de Decreto do Poder Executivo. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 15 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) “As obrigações principais e acessórias estão sujeitas ao princípio constitucional da legalidade estrita”. É errada. Por sua vez, destacamos que nãoé competência exclusiva do Presidente da República a possibilidade de alteração das alíquotas dos tributos federais estabelecidas no texto constitucional. Segundo o STF, o enunciado “Poder Executivo” disposto no art. 153, §1°, da CF/88, não significa competência privativa ou exclusiva do Presidente da República, mas sim que tal competência pode ser exercida por órgão que integre a estrutura do Poder Executivo. Por exemplo, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX). (CESPE/Defensoria Pública-União/2010) “A competência para a fixação das alíquotas do imposto de exportação de produtos nacionais ou nacionalizados não é exclusiva do presidente da República; pode ser exercida por órgão que integre a estrutura do Poder Executivo”. É correta. Assim, ressaltamos os seguintes precedentes: • Não implica ofensa a legalidade tributária o fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de ‘atividade preponderante’ e ‘grau de risco leve, médio e grave’ (RE 567.544-AgR); • Regulamento que antecipa o dia de recolhimento do tributo e determina a incidência de correção monetária a partir de então não fere a legalidade, pois não se encontra sob o princípio da legalidade estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da obrigação tributária (RE 195.218, RE 182.971); (CESPE/Juiz Federal/TRF1°REGIÃO/2009) “Ofende o princípio da legalidade decreto que antecipa data de recolhimento de tributo”. É errada. (CESPE/Procurador/PE/2009) “A simples atualização monetária não se confunde com majoração de tributo”. É certa. • Somente a lei pode criar, majorar ou reduzir os valores das taxas. Assim, fere a legalidade a instituição dos emolumentos cartorários por Tribunal de Justiça, bem como as normas por meio das quais a autarquia institua uma taxa, sem lei que a autorizasse (ADI 1.709, ADI 1.823-MC). (CESPE/Procurador/PE/2009) “A instituição de emolumentos cartorários pelo tribunal de justiça de um estado não afronta o princípio da reserva legal”. É errada. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 16 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 3.1.2PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE Preceitua que a lei deve abranger apenas situações geradoras da obrigação tributária (aspecto material) posteriores à sua edição, não devendo abranger fatos pretéritos. Por exemplo, se a alíquota do IPVA é aumentada ou diminuída, não pode alcançar fatos geradores ocorridos antes do início da sua vigência. Destacamos que irretroatividade em matéria tributária não é absoluta, podendo, por exemplo, as leis interpretativas e as multas menos severas retroagirem para atingirem situações passadas. 3.1.3PRINCÍPIO DA NÃO-SURPRESA TRIBUTÁRIA Consagrado no art. 150, III, “b” e “c”, da CF, pela anterioridade, busca proteger o sujeito passivo de uma tributação inesperada. Decerto, é um plus a irretroatividade, pois não satisfaz a segurança jurídica apenas que a situação tributável seja prévia, devendo também existir um tempo razoável para que o sujeito passivo possa planejar as suas atividades econômicas, o que fortalece a confiança e a certeza no Estado de Direito. 3.1.3.1 ANTERIORIDADE GENÉRICA OU ANUAL É a proibição do poder estatal fiscal cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei que tenha instituído ou majorado o tributo. A interpretação mais adequada do princípio da anterioridade genérica é que a norma jurídica criadora ou majoradora do tributo apenas irá incidir sobre os fatos jurídicos ocorridos no exercício financeiro subseqüente ao de sua publicação. No Brasil, conforme dispõe a legislação infraconstitucional brasileira (art. 34 da Lei n. 4.320/64), o exercício financeiro é o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro, coincidindo Importante:“Ao IR calculado sobre os rendimentos do ano- base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração” (Súmula 584do STF). Assim, não fere o princípio da irretroatividade lei editada no final do ano-base, que atingiu a renda apurada durante todo o ano, pois o fato gerador do IR somente se completa e se caracteriza, ao final do respectivo período, ou seja, no dia 31 de dezembro (RE 197.790-6, RE 194.612, RE n. 104.259); DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 17 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br perfeitamente com o ano civil. Neste sentido, a interpretação dominante na doutrina a respeito da anterioridade é que lei criadora ou majoradora do tributo entra em vigorno dia da sua publicação, mas só tem eficácia após a observância do prazo constitucional. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “E Atende ao princípio da anterioridade de exercício a publicação, no Diário Oficial, da lei instituidora de imposto no dia 31/12, sábado, apesar de a sua circulação dar-se apenas na segunda-feira”. É certa, pois vale a data da publicação. Por exemplo, se uma lei majorar o imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) em 30 de abril de 2009, só poderá produzir efeitos jurídicos a partir de 1° de janeiro de 2010. Ou seja, a lei entra em vigor no dia 30 de abril de 2009, mas só tem eficácia jurídica a partir de 1° de janeiro de 2010. Deve-se salientar, entretanto, que, por motivos de política econômica ou de urgência, o princípio da anterioridade anual, segundo a Constituição Federal,não se aplica apenas ao empréstimo compulsório para atender despesas de calamidade pública ou despesas decorrentes de guerra externa (art. 148, I), ao imposto de importação de produtos estrangeiros (II – art. 153, I), ao imposto de exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE – art. 153, II), ao imposto sobre produtos industrializados (IPI – art. 153, IV), ao imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF – art. 153, V), ao imposto extraordinário por motivo de guerra externa (IEG – art. 154, II), e as contribuições para a seguridade social (art. 195, §6°). Do mesmo modo, existem mais duas importantes normas que atenuam a aplicação da regra da anterioridade anual, que são as seguintes: (i) o imposto sobre circulação de mercadorias incidente em etapa única sobre combustíveis e lubrificantes (ICMS – Combustíveis) que pode ter suas alíquotas reduzidas e restabelecidas mediante deliberação dos Estados e Distrito Federal; e a (ii) alíquota da contribuição de intervenção no domínio econômico relativas à importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível (CIDE – Combustíveis) que poderá ser reduzida e restabelecida por ato de competência do Poder Executivo Federal. Com efeito, nestes dois últimos casos criados pela DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE)PROFESSOR: EDVALDO NILO 18 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br ECn.°33/2001, deve-se afirmar que a interpretação mais consentânea com as normas jurídicas constitucionais e com a jurisprudência do STF é que o Poder Executivo poderá reduzir e restabelecer a alíquota do ICMS – Combustíveis e da CIDE – Combustíveis, mas não poderá ultrapassar o teto da alíquota prevista anteriormente a redução e que não se deve observar o princípio da anterioridade. Anota-se também que o princípio da anterioridade é garantia individual do contribuinte e, portanto, cláusula pétrea, não podendo ser alterado nem pelo poder constituinte derivado. Assim sendo, a anterioridade tributária é limitação material ao poder constituinte derivado (ADIn n. 939-7). 3.1.3.2 ANTERIORIDADE NONAGESIMAL Por sua vez, o poder constituinte derivado através da EC n. 42/2003 revigorou a certeza e a segurança no direito tributário, garantindo-se ainda mais o sujeito passivo da relação tributária contra uma tributação inesperada ou surpresa, vedando a cobrança de alguns tributos antes de decorridos 90 dias da data em que tiver sido publicada a lei que os tenha instituído ou aumentado (art. 150, inciso III, alínea “c”), consoante já era igualmente fixado pelo poder constituinte originário para as contribuições da seguridade social (art. 195, §6°, da CF/88). Exemplificando, publica-se uma lei aumentando a alíquota do imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) no dia 31 de dezembro de 2008, esta lei, de acordo com o art. 150, inciso III, alínea “c”, da CF/88, só tem eficácia jurídica em 1° de abril de 2009. A “nova” regra denominada de princípio da anterioridade nonagesimal ou especial(noventena) também é excepcionada para o II, IE, IR, IOF, IEG e o empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública, bem como no que diz respeito à fixação da base de cálculo do imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) e do imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU). As duas facetas do princípio da não-surpresa são a anterioridade genérica e a anterioridade nonagesimal. Portanto, a resposta mais adequada é letra “d”. Contudo, ressaltamos que na hipótese de restabelecimento de alíquotas do ICMS incidente sobre Combustíveis não se aplica a anterioridade genérica ou anual. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 19 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Observamos, portanto, algumas importantes singularidades decorrentes da EC 42/2003, que são: o IPI não é exceção à noventena, mas é à anterioridade comum; o IR não é exceção à anterioridade comum, mas é à noventena; o restabelecimento (nunca o aumento propriamente dito) de alíquotas do ICMS – Combustíveis e da CIDE – Combustíveis não é exceção à noventena, mas é à anterioridade comum; o IPVA e o IPTU se submetem à anterioridade comum, mas a definição das suas bases de cálculo não está sujeita à noventena. O quadro das exceções ao princípio da anterioridade e à noventena é a que segue.Preste atenção: se é exceção é porque não deve observar o princípio. E todos os demais tributos devem observar as duas anterioridades, porque a regra é a observância ao princípio. Anterioridade anual Noventena II II IE IE IPI IR IOF IOF IEG IEG Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Restabelecimento de alíquotas do ICMS – Combustíveis e da CIDE – Combustíveis Base de cálculo do IPTU Contribuições para a seguridade social Base de cálculo do IPVA 3.1.3.3 MEDIDA PROVISÓRIA O art. 62, §2°, da CF, dispõe que medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte (anterioridade genérica) se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada, exceto nos casos do imposto de importação (II), imposto de exportação (IE), imposto sobre produtos industrializados (IPI), imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF) e o imposto extraordinário de guerra (IEG). Decerto, salvo as exceções anteriores, a medida provisória (MP) também deve atender também a anterioridade nonagesimal ou noventena, contada da publicação da medida provisória se esta DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 20 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br for convertida em lei sem alterações substanciais realizadas pelo Poder Legislativo. Ao contrário, se a medida provisória for significativamente modificada, a noventena é contada da data da conversão da MP em lei. Acrescentamos que a medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, salvo II, IE, IPI, IOF, IEG, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. Importante:o STF tem jurisprudência para a hipótese das contribuições da seguridade social, afirmando que, publicada a medida provisória até o dia 31 de dezembro, é possível a cobrança da contribuição nova ou majorada a partir de 01 de janeiro do exercício financeiro seguinte, desde que obedecida a noventena prevista no art. 195, § 6º, da CF, e que não tenha havido alteração substancial do texto aprovado pelo Congresso Nacional. 3.1.3.4 ANUALIDADE TRIBUTÁRIA O princípio da anualidade tributária estabelece que para criação ou majoração de tributo é necessário a prévia autorização em lei orçamentária. Tal princípio não é mais vigente no ordenamento jurídico atual, segundo doutrina amplamente majoritário. 3.1.3.5JURISPRUDÊNCIA DO STF O STF já consolidou sua jurisprudência no sentido de que não é necessária a observância da anterioridade na hipótese de prorrogação de alíquota majorada já vigente. Em caso decidido recentemente (RE 584110), por exemplo, o STF entendeu que determinada lei paulista, que manteve, para o ano seguinte, a majoração de alíquota do ICMS de 17% para 18%, já vigente em anos anteriores, não necessita cumprir a anterioridade nonagesimal (art. 150, III, “c”, da CF/88). Isto é, o STF interpretou mais uma vez restritivamente o princípio da anterioridade, compreendendo que em caso de mera prorrogação de alíquota e não de instituição ou majoração de tributo, não há surpresa ou insegurança jurídica para o sujeito passivo da relação tributária. (CESPE/Defensoria Pública-União/2010) “Considere que determinado estado da Federação tenha publicado lei majorando a alíquota do ICMS de 18% para 19% e estabelecendo que sua vigência DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 21 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br terminariaem 31 de dezembro de 2009. Considere, ainda, que, em meados desse mês, tenha sido publicada lei que manteve a alíquota de 19% para o ano de 2010. Nesse caso, a lei publicada em dezembro de 2009 viola o princípio da anterioridade nonagesimal”. É errado. Outras decisões importantes são as seguintes: • Não há incidência do princípio da anterioridade tributária na redução ou a extinção de desconto para pagamento de tributo sob determinadas condições previstas em lei, como o pagamento antecipado em parcela única, pois não ocorre aumento do valor do tributo (ADI 4.016-MC); • Revogada a isenção incondicionada, o tributo torna-se imediatamente exigível, porque não há que se observar a anterioridade, dado que o tributo já é existente (RE 204.062); (CESPE/Direito/TCE/AC/2009) “A revogação de isenção tem sido equiparada peloSTF à instituição ou majoração de tributo, razão pela qual só poderá produzir efeitos no exercício financeiro seguinte, em respeito à regra da anterioridade tributária”. É errada. • Em caso de taxas, devem observar-se as limitações constitucionais ao poder de tributar, dentre essas, a anterioridade nonagesimal para que a lei tributária se torne eficaz (ADI 3.694); (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “Às taxas é aplicado o princípio da anterioridade de exercício, mas não o da anterioridade nonagesimal, que é restrita a impostos e contribuições”. É errada. (CESPE/Consultor/ES/2010) “Considerando que uma lei que criou uma taxa tenha sido promulgada e publicada em 3/12/2009, com vigência a partir da data de publicação, a referida taxa somente deverá ser cobrada a partir 1.º de janeiro de 2010”. É errada, em face da não obediência a anterioridade nonagesimal. • A simples atualização monetária não se confunde com majoração do tributo. Logo, a modificação dos fatores de indexação, com base em legislação superveniente, não constitui desrespeito a situações jurídicas consolidadas, nem transgressão ao postulado da não-surpresa, instrumentalmente garantido pela cláusula da anterioridade tributária (RE 200.844- AgR, AI 626.759-AgR); • Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade (súmula 669 do STF). DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 22 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 3.1.4 PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA FISCAL O princípio da transparência fiscal é implícito no texto constitucional. No direito tributário, busca garantir a adequada e clara informação ao sujeito passivo da carga tributária que lhe é imposta. Neste sentido, destacam-se dois dispositivos constitucionais, a saber: a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços (150, § 5º); qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão (benefícios fiscais) só poderá ser concedido mediante lei específica, sem prejuízo dos convênios interestaduais do CONFAZ (art. 150, § 6º). 3.2 PRINCÍPIOS VINCULADOS ESPECIALMENTE À JUSTIÇA TRIBUTÁRIA A justiça é idéia elementar do Direito. No campo da tributação, segundo doutrina abalizada, “é basicamente distributiva, característica do regime publicístico, consistindo em tratar desigualmente aos desiguais na medida em que se desigualam; mas, às vezes, é comutativa, própria das relações de troca, como ocorre com as taxas e as contribuições”. A justiça tributária é consagrada, notadamente, pelos princípios constitucionais da igualdade (art. 150, II), da capacidade contributiva (art. 145, §1°) e do não-confisco (art. 150, IV). 3.2.1PRINCÍPIO DA IGUALDADE A isonomia ou igualdade, no âmbito tributário, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, o que proíbe qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos (art. 150, II). Importante: Victor Uckmar distingue dois sentidos da igualdade tributária: (a) igualdade no sentido jurídico, que exige igual regime fiscal a contribuintes que estejam em idênticas situações; (b) igualdade no sentido econômico, que significa dever de contribuir em DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 23 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br igual medida, com a graduação dos impostos de acordo com a capacidade contributiva dos indivíduos. 3.2.1.1 PRIVILÉGIOS ODIOSOS A isonomia não proíbe qualquer tipo de discriminação, mas sim as discriminações irrazoáveis, chamadas pela doutrina de privilégios odiosos, tais como as decorrentes de opção sexual, origem, sexo, raça, crença religiosa, convicção filosófica ou política. Em outras palavras, discriminações razoáveis são juridicamente consentidas, desde que pertinentes aos interesses constitucionalmente protegidos, sobretudo, os direitos e garantias individuais. Decerto, deve existir correlação lógica e pertinência constitucional entre o tratamento tributário diferenciado (v.g., benefício fiscal) e o elemento de discriminação tributária. Nesse rumo, o art. 150, II, da CF, afirma expressamente que os contribuintes em situação equivalente terão tratamento igual, evitando perseguições e favoritismos. Um fácil exemplo de privilégio odioso seria a isenção tributária de IPVA para os automóveis de todos aqueles que ocupam o cargo de Senador Federal, o que tornaria tais indivíduos privilegiados de forma ilegítima em relação a todos os demais contribuintes. 3.2.1.2 PRINCÍPIO DO NON OLET O dinheiro não tem cheiro, como já afirmava historicamente o Imperador Vespasiano na Roma Antiga. Deste modo, todos aqueles que realizam a situação geradora da obrigação tributária, em princípio, deverão pagar o tributo, independentemente da legalidade do ato que gera o fato presuntivo de riqueza tributável. Ressaltamos, assim, que é legitima a cobrança de imposto de renda (IR) incidente sobre produtos financeiros resultantes de atividades criminosas (STF, HC n° 77.530-RS). É a consideração objetiva da manifestação da riqueza para fins de incidência tributária, de acordo com a isonomia e o art. 118, I, do CTN. Por exemplo, também é lícita a cobrança de tributos resultantes de atividades de bicheiro, doleiros, “mensaleiros” (caixa dois) etc. 3.2.1.3 JURISPRUDÊNCIA DO STF A jurisprudência relevante e atual do STF no que concerne ao princípio da igualdade é a seguinte: DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 24 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br • Desrespeita a isonomia tributária a isenção de IPTU, em razão da qualidade de servidor público (AI 157.871-AgR), e a isenção dos membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos (ADI 3.260); (CESPE/PROCURADOR/PE/2009) “Lei complementar estadual que isente os membros do MP do pagamento de custas judiciais ou emolumentos é constitucional”. É errada. • Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção a contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia (RE 159.026, RE 344.331); • Não é possível o STF efetivar a extensão do tratamento tributário diferenciado concedido às instituições financeiras, às cooperativas e às revendedoras de carros usados, a título do PIS/PASEP e da COFINS, o que implicaria converter-se o STF em legislador positivo (RE 402.748-AgR); • Não ofende o princípio da isonomia lei que restringe os contribuintes da COSIP aos consumidores de energia elétrica do município, ante a impossibilidade de se identificar e tributar todos os beneficiários do serviço de iluminação pública (RE 573.675); • Não há ofensa a isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do Simples aquelas cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado (ADI 1.643); • A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de salários, não fere o princípio da isonomia tributária, ante a expressa previsão constitucional (§ 9º do art. 195; AC 1.109-MC); • Não há violação ao princípio da isonomia o diploma legal que estabelece valores específicos para cada faixade contribuintes, sendo estes fixados segundo a capacidade contributiva de cada profissional (ADI 453); • A instituição de incentivos fiscais a empresas que contratam empregados com mais de quarenta anos, utiliza-se do caráter extrafiscal dos tributos, sem violar o princípio da isonomia (ADI 1.276). 3.2.2PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 25 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Disposta no art. 145, §1°, da CF, a capacidade contributiva é instrumento de solidificação da igualdade tributária, que opera como limite e graduação da obrigação de pagar o tributo e deve ser vista sob duas perspectivas. Em primeiro lugar, o aspecto objetivo ou absoluto, que leva em conta as manifestações reais de riqueza do fato tributável, isto é, o legislador deve eleger as situações ou atividades que revelem a capacidade econômica do sujeito passivo (“signos presuntivos de riqueza”). Por exemplo, ser proprietário de um veículo, auferir renda, importar um produto estrangeiro. Com feito, a capacidade contributiva absoluta é fundamento para instituição do imposto e, por conseguinte, serve de orientação para o legislador na escolha das hipóteses de incidência. Em segundo lugar, o aspecto subjetivo ou relativo, que tem em conta as particularidades de cada sujeito passivo (capacidade contributiva in concreto) e tem aplicação direta com o princípio da personalização dos impostos. Assim, a capacidade contributiva relativa serve de limite à incidência tributária e critério para progressividade do imposto. Decerto, apesar de a doutrina consagrar como sinônimos os termos capacidade contributiva e capacidade econômica, a primeira significa a capacidade de pagar impostos (abilitytopay), pressupondo a capacidade econômica (renda, patrimônio e consumo), mas também as características pessoais, tal como a redução da base de cálculo do imposto de renda com as deduções com despesas de saúde, educação e dependentes. Em outras palavras, a capacidade contributiva é aptidão para suportar e pagar o tributo (conceito mais amplo) e a capacidade econômica é a mera potencialidade de aquisição de riquezas (conceito mais restrito). Tal distinção é relevante do ponto de vista de justiça fiscal, na medida em que otimizar a pura capacidade econômica do sujeito passivo é não tomar em conta a tributação isonômica e justa, que deve buscar mensurar adequadamente a riqueza real dos indivíduos. Ou seja, a tributação justa deve privilegiar a riqueza efetiva e real do sujeito passivo e não só a riqueza presumida, tal como o simples ganho de capital. Importante: A doutrina entende que são modos de concretização do princípio da capacidade contributiva a: (i) imunidades tributárias; (ii) isenção; (iii) seletividade e (iv) progressividade. 3.2.2.1 A PERSONALIZAÇÃO DOS IMPOSTOS DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 26 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br É um subprincípio da capacidade contributiva, explicitamente previsto no art. 145, §1°, da CF, que dispõe que, sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal. Assim, sempre que possível, deve-se analisar as características pessoais do sujeito passivo, o que acontece, por exemplo, na quantificação do IR que tem como parâmetros de dedução do seu valor os gastos com educação, saúde, dependentes, dentre outros. 3.2.2.2 MÍNIMO VITAL O mínimo existencial, também denominado de mínimo indispensável ou mínimo vital, é corolário da capacidade contributiva, sendo o direito à não tributaçãodo rendimento necessário a dignidade da pessoa humana, tendo como parâmetro o salário mínimo previsto constitucionalmente (art. 7°, IV). Isto é, o mínimo vital é um limite mínimo para a tributação estatal, o que significa a eliminação da tributação sobre a renda necessária para sobrevivência do indivíduo e de sua família. Por exemplo, a isenção no imposto de renda (IR) no que diz respeito ao limite mínimo de renda ou proventos adquiridos ou a isenção de custas judiciais para os reconhecidamente pobres. 3.2.2.3 APLICAÇÃO AS ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS Nesse rumo,apesar da literalidade do art. 145, §1°, da CF, que dispõe sobre a aplicação da capacidade contributiva apenas aos impostos, a jurisprudência do STF firmou orientação no sentido da aplicação às taxas, especialmente quando fato gerador é o exercício do poder de polícia como fato gerador (RE 216.259-AgR, RE 177.835). (CESPE/Direito/TCE/AC/2009) “O princípio da capacidade contributiva, segundo previsão expressa na CF, aplica-se a todos os tributos federais, estaduais e municipais”. É errada. No que diz respeito a contribuição social do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei (art. 195, I, “a”, “b” e “c”), a CF também deixou caminho aberto para aplicação da capacidade contributiva, pois tais contribuições poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão-de-obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 27 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Por sua vez, realçamos o entendimento da ESAF em 2009 de que a capacidade contributiva não se aplica as multas tributárias, em face da ausência explícita de previsão constitucional. 3.2.2.4 JURISPRUDÊNCIA DO STF Ressaltamos como atuais as seguintes decisões do STF: • “A exigibilidade do ISS, uma vez ocorrido o fato gerador — que é a prestação do serviço —, não está condicionada ao adimplemento da obrigação de pagar-lhe o preço, assumida pelo tomador dele: a conformidade da legislação tributária com os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva não pode depender do prazo de pagamento concedido pelo contribuinte a sua clientela.” (AI 228.337-AgR); • O fato de um dos elementos utilizados na fixação da base de cálculo do IPTU – a metragem da área construída do imóvel – ser tomado com parâmetro na determinação da alíquota da taxa de coleta de lixo é uma forma de realização da isonomia tributária e do princípio da capacidade contributiva (RE 232.393, RE 336.782-AgR); • A CF não autoriza a progressividade das alíquotas no ITBI, realizando-se o princípio da capacidade contributiva proporcionalmente ao preço da venda do imóvel (RE 234.105). 3.2.3 PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO Tem como base fundamental o direito constitucional de propriedade (art. 5º, XXII) e dispositivo explícito do sistema tributário nacional (art. 150, IV), sendo um limite máximo para a tributação. Isto é, enquanto o mínimo vital é um limite mínimo para incidência tributária, o não-confisco é um limite máximo. A Constituição não define o que seja confisco, competindo, em última instância, ao Poder Judiciário estabelecer, utilizando-se da razoabilidade e proporcionalidade, os contornos deste conceito jurídico indeterminado. Neste sentido, conforme doutrina amplamente majoritária, compreendemos que o princípio da vedação do tributo com efeito de confisco pode alcançar qualquer espécie tributária e deve ser interpretado de forma sistemática com outros princípios constitucionais. Isto é, o caráter confiscatório ou não do tributo deve ser analisado em conjunto, sobretudo, com os princípios do direito a propriedade, dignidade da pessoa humana, liberdade de trabalho, DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 28 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br ofício ou profissão, igualdade, capacidade contributiva e progressividade. 3.2.3.1PERSPECTIVA DINÂMICA E PERSPECTIVA ESTÁTICA A perspectiva dinâmica e a perspectiva estática de incidência do princípio do não confisco é uma distinção que analisa a aplicação da proibição de tributo com efeito de confisco sob a ótica temporal das normas tributárias. Deste modo, afirma Fabio BrunGoldschmidt: “A perspectiva estática faz a análise da aplicabilidade do art.150, IV diante de uma dada realidade normativa vigente; diz com os resultados, os efeitos funestos causados pela legislação em vigor. A perspectiva dinâmica, por outro lado, tem em vista, não as leis em si mesmas consideradas, mas a transição normativa como um processo; diz com os efeitos confiscatórios que podem ser gerados pela alteração das normas tributárias”. Assim, conforme afirmamos em estudos publicados periodicamente no site <www.pontodosconcursos.com.br>, a perspectiva estática diz respeito à análise do princípio do não- confisco em razão do valor dos tributos vigentes no ordenamento jurídico (“quantum do tributo”) e a perspectiva dinâmica avalia o efeito do princípio do não-confisco na alteração ou mutação ocorrida na legislação tributária (“quantum do aumento dos tributos”). Noutra perspectiva, Aires Barreto afirma que o imposto sobre a renda pode ser confiscatório e também os impostos sobre o patrimônio, quer considerados em sua perspectiva estática (propriedade imobiliária – IPTU e ITR), quer em sua perspectiva dinâmica (transmissão de propriedade imobiliária – ITCMD e ITBI). Assim, o imposto incide numa perspectiva estática quando considera apenas o patrimônio em si mesmo, isto é, a pura manutenção do patrimônio é adotada como índice de capacidade contributiva. Assim, o ITR, o IPTU, o IGF e o IPVA são exemplos característicos de impostos que tomam o patrimônio, a partir de uma perspectiva estática. Por sua vez, o imposto incide numa perspectiva dinâmica quando considera possíveis modificações patrimoniais (riqueza renovável), ou seja, as mutações dos elementos patrimoniais são adotadas como índice de capacidade contributiva. Isto é, a saída e a entrada (“movimentações”: ingresso, circulação, transferência, transmissão e doação) de riqueza relevam a possibilidade de suportar DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 29 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br o ônus tributário. Decerto, o II, IE, IR, IPI, IOF, ITCMD, ICMS e ITBI oneram o patrimônio, a partir de uma perspectiva dinâmica. Importante: No mundo da realidade, os tributos podem ser confiscatórios (mundo do ser). Contudo, de acordo com o nosso ordenamento jurídico, sobretudo, em razão do art. 150, IV, da CF, os tributos não devem ser confiscatórios (mundo do Direito). 3.2.3.2 IMPOSTO PROIBITIVO, IMPOSTO EXCESSIVO E IMPOSTO CONFISCATÓRIO A vedação ao imposto proibitivo, princípio implícito derivado do não-confisco tributário, objetiva impedir a onerosidade excessiva ou exacerbada do imposto que obste o aproveitamento da atividade econômico do sujeito passivo. O imposto proibitivo fere de morte o princípio constitucional da livre iniciativa (art. 1°, IV) e as garantias constitucionais do desenvolvimento nacional (art. 3°, II) e do livre exercício profissional (art. 5°, XIII). Ademais, a doutrina de Sampaio Dória distingue imposto proibitivo, imposto excessivo e imposto confiscatório: • Imposto proibitivo asfixia, destrói e impossibilita a atividade tributada; • Imposto excessivo desencoraja ou dificulta a atividade tributada; • Imposto confiscatório absorve parcela substancial da propriedade ou a totalidade da renda do indivíduo ou da empresa. 3.2.3.3 JURISPRUDÊNCIA DO STF As decisões relevantes do STF são as seguintes: • “A multa moratória de 20% ou 30% do valor do imposto devido, não se mostra abusiva ou desarrazoada, inexistindo ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco” (RE 239.964, AI 755.741-AgR, RE 220.284); • Não existe caráter confiscatório de multa de 100% imposta ao contribuinte, por meio de lançamento de ofício, que decorre do fato de haver-se ele omitido na declaração e recolhimento tempestivo da contribuição (RE 241.087-AgR); • Fere o princípio constitucional da não-confiscatoriedade diploma legislativo que institui multa fiscal de 300% (ADI DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 30 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 1.075-MC, AI 482.281-AgR); (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) “Contra a imposição de multas por sonegação fiscal ou mesmo pelo não recolhimento do tributo, não se pode argumentar com a proibição constitucional de utilização de tributo com efeito de confisco, já que de tributo não se trata”. É incorreta. • Não configura confisco decisão que, a partir de normas estritamente legais, aplicáveis a espécie, resultou na perda de bem móvel importado (AI 173.689-AgR); • Taxa: correspondência entre o valor exigido e o custo da atividade estatal. Se o valor da taxa ultrapassar o custo do serviço prestado ou posto à disposição do contribuinte, dando causa a uma situação de onerosidade excessiva, que descaracterize essa relação de equivalência, configurar-se-á hipótese de ofensa ao princípio do não-confisco (ADI 2.551-MC-QO); • A instituição de alíquotas progressivas para a contribuição previdenciária dos servidores públicos ofende o princípio da vedação de utilização de qualquer tributo com efeito confiscatório (AI 701.192-AgR); • A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mediante verificação da capacidade do contribuinte para suportar e sofrer a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado período, à mesma pessoa política que os houver instituído. Assim, resulta configurado o caráter confiscatório de determinado tributo, sempre que o efeito cumulativo – resultante das múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal – afetar, substancialmente, de maneira irrazoável, o patrimônio e/ou os rendimentos do contribuinte. (ADC 8- MC; ADI 2.551-MC-QO); • O regime de substituição tributária ‘para frente’ não ofende ao princípio do não-confisco (AI 207.377 AgR); • “Imposto de Importação. Aumento de alíquota de 4% para 14%. A caracterização do efeito confiscatório pressupõe a análise de dados concretos e de peculiaridades de cada operação ou situação, tomando-se em conta custos, carga tributária global, margens de lucro e condições pontuais do mercado e de conjuntura social e econômica (...). O isolado aumento da alíquota do tributo é insuficiente para comprovar a absorção total ou demasiada do produto econômico da atividade privada, de modo a torná-la inviável ou excessivamente onerosa” (RE 448.432-AgR, DJE de 28-5- DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 31 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 2010); • “A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte”, em oposição a proibição de tributos com efeito de confisco (ADI 551, DJ de 14-2-2003). 3.3 PRINCÍPIOS VINCULADOS ESPECIALMENTE À FORMA FEDERATIVA DE ESTADO O federalismo é a formade organização do estado brasileiro, tendo como características fundamentais a: (i) descentralização político-administrativa fixada pela Constituição, por meio do processo de repartição das competências legislativas e tributárias; (ii) autonomia dos Estados federados, de acordo com a Constituição; (iii) participação das vontades parciais na vontade geral, que é a participação dos Estados federadosnas decisões da União (Senado Federal); (iv) auto-organização dos Estados-membros por meio de Constituições próprias; (v) existência órgãos próprios dos Estados- membros para o exercício das funções legislativa, executiva e jurisdicional. Nesse rumo, na seara tributária, há princípios constitucionais com o objetivo de preservar o pacto federativo, tais como o da liberdade de tráfego (art. 150, V), da uniformidade geográfica (art. 151, I), da não-discriminação em razão da procedência ou destino (art. 152) e da territorialidade das leis. 3.3.1 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO Expresso no art. 150, V, da CF/88,proíbe à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, salvo a cobrança de pedágios pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. Decerto, o princípio em análise confirma a proteção constitucional da liberdade de locomoção, devendo-se entender que o fato gerador de qualquer tributo deve ser distinto de transposição de Municípios e de transposição de Estados. Caso contrário, prejudicar- se-ia o tráfego de pessoas e bens no território nacional. (CESPE/Consultor/ES/2010) “Se, devido a incentivos fiscais concedidos pelo governo do Espírito Santo, novas empresas produtoras de automóveis instalarem-se no estado, e esse fato contribuir para atrair milhares de trabalhadores de outros estados DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 32 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br brasileiros, nesse caso, visando conter o fluxo migratório e para não prejudicar a política de geração de empregos local, o governador poderá instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de trabalhadores de outros estados, pelo mesmo período de tempo do incentivo fiscal concedido às montadoras de automóveis”. É errada. Ademais,ressaltamos que o ICMS cobrado nos Postos Fiscais de fronteira é cobrado em virtude da “circulação de mercadorias” (um dos fatos geradores do ICMS) e não pelas transposições territoriais supramencionadas. 3.3.2 PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE GEOGRÁFICA O princípio da uniformidade geográfica está estabelecido no art. 151, I, da CF/88, afirmando que é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. (CESPE/Advogado/CEF/2010) “A União pode instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional”. É errada, conforme gabarito definitivo da banca, pois, em regra, é proibido. Portanto, o princípio da uniformidade geográfica prega que é vedado a União instituir ou majorar tributos de forma desigual em todo o território nacional. Assim, por exemplo, o tributo de competência da União deve conter a mesma alíquota em todo o Brasil. Entretanto, existe uma atenuação a este princípio no caso de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. Por exemplo, a União deve conceder a Zona Franca de Manaus benefícios fiscais até 2023, conforme o art. 92 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). 3.3.2.1 A VEDAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA RENDAS DAS OBRIGAÇÕES DE DÍVIDA PÚBLICA E DA REMUNERAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS É o impedimento constitucional da União detributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 33 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes (art. 151, II). 3.3.2.2 A VEDAÇÃO DAS ISENÇÕES HETERÔNOMAS O texto constitucional proíbe a Uniãodeinstituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (art. 151, III). No entanto, segundo interpretação consolidada no STF e STJ, o âmbito de aplicação desta norma é o das relações das entidades federadas entre si (ordem interna) e não a atuação da União na ordem externa (tratados, convenções e acordos internacionais). 3.3.3 PRINCÍPIO DA NÃO-DISCRIMINAÇÃO EM RAZÃO DA PROCEDÊNCIA OU DESTINO Previsto no art. 152 da CF/88 veda aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino. (CESPE/Advogado/CEF/2010) “Qualquer ente federativo pode instituir tributo que importe em distinção ou preferência em favor de determinado estado ou município”. É errada. (CESPE/Advogado/CEF/2010) “Os estados podem estabelecer diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou do seu destino”. É errada. Decorre do princípio federativo, pois busca evitar a “guerra fiscal” entre os entes federados. Neste sentido, o STF declarou a inconstitucionalidade do Decreto 35.528/2004, do Estado do Rio de Janeiro (RJ), que estabelecia redução na base de cálculo do ICMS nas saídas internas de café torrado ou moído produzido em estabelecimento industrial localizado no Estado do RJ, uma vez que gerava um grave óbice à livre circulação de bens e mercadorias entre Estados da federação (ADI 3.389; ADI 3.673). (CESPE/Advogado/CEF/2010) “É vedado aos municípios, e não aos estados, ao DF e à União, o estabelecimento de diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou de seu destino”. É errada. 3.3.4 PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE DAS LEIS É princípio implícito,assentando que as leis tributárias só têm validade e eficácia no âmbito do Poder Legislativo que o produziu. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 34 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Assim, em princípio, no caso da União (Congresso Nacional), a lei tem validade no território nacional. Na hipótese de lei estadual (Assembléia Legislativa), a lei tem validade no território estadual. No caso de lei municipal (Câmara de Vereadores), a lei tem validade no território municipal. Portanto, a regra é a territorialidade. Contudo, existem casos extraterritorialidade como no caso dos tratados internacionais. Outro exemplo é o art. 102 do CTN, dispondo que a “legislação tributária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos respectivos territórios, nos limites em que lhe reconheçam extraterritorialidade os convênios de que participem, ou do que disponham esta ou outras leis de normas gerais expedidas pela União”. 3.4 PRINCÍPIOS CARACTERÍSTICOS A DETERMINADOS TRIBUTOS Alguns princípios tributários dizem respeito explicitamente a determinados tributos, a saber: (i)generalidade, universalidade e progressividade no IR (art. 153, §2°); (ii) obrigatoriedade daseletividade e da não-cumulatividade no IPI (art. 153, §3°); (iii) progressividade de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas no ITR (art. 153, §4°); (iv) facultatividadedaseletividade e obrigatoriedade da não- cumulatividade no ICMS (art. 155, §2°); (v) progressividade em função do tipo e utilização do veículo no IPVA (art. 155, §6°); (vi) progressividade em razão do valor do imóvel e da função social da propriedade (aproveitamento do solo urbano) no IPTU (arts. 156, §1, e 182, § 4º II). 3.4.1 PRINCÍPIOS DA GENERALIDADE E DA UNIVERSALIDADEO princípio da generalidade para a doutrina majoritária significa que todas as pessoas, independentemente de qualquer condição (raça, sexo, credo, estado civil etc.), que realizam o fato gerador, devem se submeter à incidência do imposto de renda, exceto quando alcançados pela imunidade ou isenção. Já o princípio da universalidade se contrapõe a idéia de seletividade, isto é, o imposto de renda deve incidir sobre todas as espécies de obtenção de disponibilidade de renda ou provento. Desse modo, critério da universalidade dispõe que toda a obtenção de disponibilidade de renda ou provento deve submeter-se à incidência do imposto, ou seja, os acréscimos patrimoniais de todas as espécies e gêneros, independentemente da denominação, DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 35 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br localização, condição jurídica, nacionalidade da fonte ou origem, estão sujeitos a incidência do IR, salvo os excluídos pelas próprias normas jurídicas (imunidade e isenção). Destacamos, todavia, como afirma Marcelo Alexandrino que não existe consenso sobre a diferença entre os princípios da generalidade e da universalidade: “De qualquer forma, se isso aparecer em algum concurso, é majoritária a identificação da generalidade com a incidência sobre todas as pessoas e da universalidade com a incidência sobre todas as rendas e proventos. O certo mesmo é que dizer que o IR deve observar obrigatoriamente os critérios da generalidade e da universalidade significa que todas as pessoas e rendas (e proventos) estão a ele sujeitas. O fundamento é o princípio da isonomia”. 3.4.2 PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE Há dois tipos de progressividade, a saber: (i)progressividade fiscal, com intuito puramente arrecadatório, em que a alíquota cresce à medida que aumenta a respectiva base de cálculo do tributo; (ii)progressividade extrafiscal, com a finalidade principal de estimular ou desestimular determinada conduta do sujeito passivo, em que o tributo aumenta de valor em face do comportamento do sujeito passivo. Exemplo de progressividade predominantemente fiscal ocorre no IR. Outro exemplo de progressividade fiscal ocorre com o IPTU na hipótese de progressividade em razão do valor do imóvel, que só pode existir a partir da Emenda Constitucional (EC) n.° 29/2000 (Súmula 668 do STF). Deste modo, segundo interpretação STF anterior a EC n.° 29/2000, no sistema tributário nacional, não é admitida a progressividade fiscal do IPTU, com base exclusivamente no artigo 145, § 1º, da CF, porque esse imposto tem caráter real que é incompatível com a progressividade decorrente da capacidade econômica do contribuinte (RE 153.771, julgamento em 20/11/96). Decerto, conforme tal entendimento antigo do STF, cobrado na última prova de AFRFB (2009-2010), a capacidade contributiva não possui relevante significado para o IPTU, podendo ser atendida com a proporcionalidade da alíquota (percentual constante). Por sua vez, exemplo de progressividade extrafiscal é o caso do ITR que deve ser progressivo e suas alíquotas devem ser fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (art. 153, §4º, I, da CF/88). É a hipótese também da progressividade DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 36 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br extrafiscal do IPTU no caso de não aproveitamento do solo urbano pelo seu proprietário em razão do tempo (descumprimento da função social da propriedade urbana). Ademais, realçamos os seguintes precedentes do STF: • “Não há tributo progressivo quando as alíquotas são diferenciadas segundo critérios que não levam em consideração a capacidade contributiva” (RE 414.259-AgR); • A progressividade e a isenção são institutos distintos. A progressividade pode constituir sanção imposta pelo inadequado aproveitamento da propriedade, nos termos em que dispuser a lei federal; enquanto a isenção diz respeito à observância à capacidade contributiva do contribuinte (RE 238.671); • “É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis (ITBI) com base no valor venal do imóvel” (Súmula 656 do STF); • A progressividade da alíquota da COSIP, que resulta do rateio do custo da iluminação pública entre os consumidores de energia elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva (RE 573.675). 3.4.3 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE A seletividade é obrigatória (“será”) no IPI e facultativa (“poderá ser”) no ICMS. Decerto, a seletividade dispõe que as alíquotas sejam estabelecidas conforme a essencialidade do produto, mercadoria e serviço. Segundo definição doutrinária, a seletividade quer dizer discriminação ou sistema de alíquotas diferenciadas por espécies de produto, mercadoria e serviço. A seletividade é dirigida ao legislador ordinário, recomendando- lhe que estabeleça as alíquotas em razão inversa da imprescindibilidade dos produtos, mercadorias e serviços de consumo generalizado. Assim, por exemplo, quanto mais sejam os produtos ou mercadorias necessárias à alimentação, ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e higiênico das classes mais numerosas, tanto menores devem ser as alíquotas. Portanto, as alíquotas devem ser maiores para os produtos ou mercadorias supérfluos (exs.: caviar, cigarro etc.) e menores para os DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 37 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br produtos ou mercadorias consideradas essenciais (ex.: produtos da cesta básica). 3.4.4 PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE A não-cumulativa tem por finalidade evitar a denominada tributação em cascata, isto é, a incidência do imposto sobre o imposto. ´ O IPI e o ICMS, pro exemplo, são impostos plurifásicos, uma vez que incidem em operações sucessivas. Assim, a não-cumulativa visa a impedir que o imposto se torne confiscatório, tornando-o cada vez mais gravoso nas várias operações de circulação do produto ou mercadoria. Neste sentido, a não-cumulatividade se refere a uma técnica de tributação que busca evitar a cobrança do imposto em “cascata”, funcionando mediante o sistema de créditos e débitos. Isto é, compensa-se o valor devido em cada operação com o valor cobrado na operação anterior. Destaca-se que a compensação, neste caso, não significa forma de extinção do crédito tributário estabelecido nos arts. 156, inc. II, e 170 do CTN, mas sim dedução do tributo já cobrado na cadeia produtiva. Segundo o STF (ADIn 939), a não-cumulativa não é cláusula pétrea,eis que não constitui garantia individual e direito fundamental dos contribuintes. O STF entende que a não-cumulativa apenas vincula o legislador ordinário e não o poder constituinte derivado. Em relação ao IPI, por exemplo, destaca-se a lei deve dispor de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Ressalta-se que o saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transfere-se para o período ou períodos seguintes (art. 49 do CTN). Anota-se o seguinte exemplo da doutrina: “Imagine uma ‘Indústria 1’ que venda uma chapa de aço pelo valor de R$ 1.000,00 (mil reais), acrescido de IPI calculado pela alíquota de 10%, ou seja, R$ 100,00 (cem reais = 10% do valor da operação). O valor total da venda foi de R$ 1.100,00 (mil e cem reais). A ‘Indústria 2’, adquirente desta chapa, credita-se do valor de IPI recolhido pela ‘Indústria 1’, que foi de R$ 100,00 (cem reais). Imagine agora quea DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 38 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br ‘Indústria 2’, transforme a chapa em uma caldeira (industrialização) e venda-a por R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) e que o IPI incidente nesta operação seja de 10%. O tributo devido pela venda da caldeira seria de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais). No entanto, como a ‘Indústria 2’ creditou-se no valor de R$ 100,00 (cem reais), o IPI a ser pago pela ‘Indústria 2’ é de R$ 50,00 (cinquenta reais). Neste exemplo, simplificado, verificamos que o IPI a ser recolhido para União é de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) – R$ 100,00 cobrado da ‘Indústria 1’e R$ 50,00 cobrado da ‘Indústria 2’, o que corresponde exatamente a 10% do valor da venda do produto final, que foi de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais)”. TEMA II COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA 1. CONCEITO A competência tributária é o poder conferido à União, aos Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir tributos por meio do processo legislativo discriminado nas normas constitucionais. Sendo assim, decorre do princípio federativo que somente as pessoas que detêm poder de legislar possuem competência tributária ou, em outros termos, “poder de tributar”. Portanto, as pessoas dotadas de poder de legislar a respeito da criação ou instituição dos tributos são os entes federativos ou as pessoas políticas, isto é, a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios. Neste sentido, devemos entender que a CF/88 não institui os tributos, mas sim outorga a competência tributária para os entes federativos criarem os tributos e descreve de que forma esta competência pode ser exigida. 2. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA E CLASSIFICAÇÃO A competência legislativa é o gênero do qual se origina a competência tributária, que é uma espécie de competência legislativa para a criação de tributos. IMPORTANTE: A competência tributária é competência legislativa e não competência administrativa. Esta última se refere à capacidade tributária ativa, que é sinônimo de sujeito ativo, nos termos do art. 119 do CTN. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 39 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Decerto, tanto a competência legislativa como a competência tributária estão previstas no texto constitucional. Assim sendo, competência legislativa classifica-se como exclusiva, privativa, concorrente, suplementar, local e residual. A competência legislativa exclusiva ocorre quando atribuída a apenas um ente da federação, com a exclusão de todos os demais (art. 21). Como exemplo, é competência legislativa exclusiva do Congresso Nacional de resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional, conforme o art. 49, I, da CF/88. Lembre que o Poder Legislativo federal é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A competência legislativa privativa acontece quando enumerada como própria de uma entidade (União, no caso brasileiro), com possibilidade, ao contrário da competência exclusiva, de delegação ou suplementariedade, conforme previsto no art. 22 da CF/88. Deste modo, a União é competente privativamente para legislar sobre desapropriação (art. 22, II), podendo a lei complementar autorizar os Estados e o Distrito federal a legislar sobre questões específicas relacionadas a este tema. A competência legislativa concorrente é aquela que pode ser exercida por mais de uma pessoa política. A Constituição Federal estabelece, por exemplo, que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário (art. 24, I). Neste caso, é fundamental deixar claro que no âmbito da legislação concorrente no sistema jurídico brasileiro, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. Assim, a competência da União para legislar sobre normas gerais de direito tributário não exclui a competência suplementar dos Estados e do Distrito Federal, eis que inexistindo lei federal (União) sobre normas gerais de direito tributário, os Estados e o Distrito Federal exercerão a competência legislativa plena, para DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 40 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br atender a suas peculiaridades. E a superveniência de lei federal sobre normas gerais de direito tributário suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário, de acordo com o que está estabelecido nos §§1° a 4°, do art. 24, da CF/88. Com efeito, a competência legislativa suplementar significa exatamente a competência de poder de fixar normas que desdobrem o conteúdo de normas gerais da União (art. 24, §2°, da CF) ou que preencham a ausência ou omissão destas normas gerais (art. 24, §3°, da CF). Do mesmo modo, não se esqueça que a CF/88 também estabelece a competência dos Municípios para suplementar a legislação federal e a estadual no que couber e para instituir e arrecadar os tributos de sua competência, segundo os incisos II e III do art. 30. Já a competência legislativa local é dos Municípios e do Distrito Federal, uma vez que a CF/88 disciplina que compete aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local. E o Distrito Federal possui competência legislativa municipal e estadual. Como exemplo, é competência local do Município fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial (Súmula 645 do STF). Por fim, a competência legislativa residual é pertencente aos Estados e ao Distrito Federal, pois a CF/88 determina que são reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas pela Constituição (art. 25, §1°). Ou seja, todas as competências que não são da União ou dos Municípios podem ser exercidas pelos Estados-membros. Importante: Sobre o tema, é necessário realçarmos algumas decisões relevantes do STF a respeito de temas ligados ao direito tributário: 1. “Mostra-se constitucional a disciplina do IPVA mediante norma local. Deixando a União de editar normas gerais, exerce a unidade da federação a competência legislativa plena” (AI 167.777- AgR);2. “À falta de Lei Complementar da União que regulamente o adequado tratamento tributário do ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas, (CF, art. 146, III, c), o regramento da matéria pelo legislador constituinte estadual não excede os lindes da competência tributária concorrente que lhe é atribuída pela Lei Maior” (ADI 429-MC); 3. “Custas dos serviços forenses: matéria de competência concorrente da União e dos Estados (CF 24, IV), donde restringir-se o âmbito da legislação federal ao estabelecimento de normas gerais, cuja omissão não inibe os Estados, enquanto perdure, de exercer competência plena a respeito” (ADI 1.926-MC); 4. “Lei DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 41 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br estadual que determina que os municípios deverão aplicar, diretamente, nas áreas indígenas localizadas em seus respectivos territórios, parcela (50%) do ICMS a eles distribuída — Transgressão à cláusula constitucional da não-afetação da receita oriunda de impostos (CF, art. 167, IV) e ao postulado da autonomia municipal (CF, art. 30, III) Inviabilidade de o estado-membro impor, ao município, a destinação de recursos e rendas que a este pertencem por direito próprio — Ingerência estadual indevida em tema de exclusivo interesse do município” (ADI 2.355); 5. “A Constituição Estadual não pode estabelecer limite parao aumento de tributos municipais” (Súmula 69 do STF). 3. CLASSIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA A competência tributária classifica-se como exclusiva, residual, extraordinária, comum e cumulativa. A competência tributária exclusiva se refere a competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para instituir os tributos que a Constituição prevê especificamente apenas para cada ente federativo, a saber: Competência exclusiva ou privativa da União (i) Impostos: a) imposto sobre importação de produtos estrangeiros (II) – art. 153, I; b) imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE) – art. 153, II; c) imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) – art. 153, III; d) imposto sobre produtos industrializados (IPI) – art. 153, IV; e) imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF) – art. 153, V; f) imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) – art. 153, VI; g) imposto sobre grandes fortunas (IGF) – art. 153, VII. (ii)Empréstimos Compulsórios (art. 148): a) empréstimo por calamidade ou guerra externa (art. 148, I); b) empréstimo por investimento público urgente e de relevância nacional (art. 148, II); (iii)Contribuiçõesespeciais ou parafiscais: a) contribuições de seguridade social (art. 195, art. 239; ADCT, art. 74, 75, 84 e 90); b) contribuições sociais (art. 212, § 5º e art. 240); c) contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, também denominadas de corporativas (art. 149); d) contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE) – art. 149 e art. 177, § 4º. Competência exclusiva ou privativa dos Estados e do Distrito Federal DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 42 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (i) Impostos (CF, art. 155): a) impostos sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD) – art. 155, I; b) impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) – art. 155, II; c) imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA) – art. 155, III. Competência exclusiva ou privativa dos Municípios e do Distrito Federal (i) Impostos (CF, art. 156): a) imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU) art. 156, I; b) impostos sobre transmissão inter vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI) – art. 156, II; c) imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS), não compreendidos no ICMS, definidos em lei complementar – art. 156, III; (ii) Contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública (COSIP ou CIP) - art. 149-A. A competência tributária residual se refere à competência da Uniãopara instituir, mediante lei complementar (legislador ordinário), impostos não previstos na sua competência, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição (art. 154, I). Assim sendo, realça-se que, no caso da instituição de novo imposto pela União, no exercício de sua competência residual, o denominado imposto residual deve ter o seu fato gerador, bases de cálculo, contribuintes e alíquotas previstas em lei complementar. Lembre-se que o legislador ordinário é aquele que formula leis abaixo da Constituição (legislador constituinte), ou seja, hierarquicamente inferiores à Constituição. Nesse rumo, realça-se que o princípio da anterioridade deve ser observado no uso da competência tributária residual e que o STF (ADIN 939/DF) já firmou posicionamento no sentido de que a “técnica da competência residual é para o legislador ordinário e não para o constituinte derivado e a não cumulatividade e o não bis in idem não precisam ser observados quando da criação de um novo imposto através de emenda constitucional”. Em síntese, o STF entende que as restrições estabelecidas no art. 154, I, da CF, não podem ser opostas a emenda a constituição, DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 43 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br mas sim ao legislador ordinário na criação do imposto por meio da lei complementar. Importante: Diversas questões de concurso são baseadas exclusivamente no art. 154, I, da CF. Portanto, preste atenção na cobrança literal deste dispositivo, sem a necessidade do conhecimento da jurisprudência do STF estudada acima. Por sua vez, registramos que doutrina minoritária entende que os Estados-membros também possuem competência tributária residual, com fundamento na sua competência legislativa residual prevista no art. 25, §1°, da CF, afirmando que é competência tributária residual dos Estados-membros instituírem taxas e contribuições de melhoria. Ou seja, as taxas e contribuições de melhoria que não sejam de competência político-administrativa da União ou dos Municípios podem ser criadas pelos Estados-membros. A competência tributária extraordinária é a competência da União para instituir na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação (art. 154, II). A competência tributária comum ou concorrente é a competência de todos os entes políticos para instituição de taxas, contribuições de melhoria e contribuição previdenciária dos seus servidores, dentro da esfera de competência político-administrativa de cada um. Competência comum da União, Estados-membros, DF e Municípios Taxas: a) taxas de polícia; b) taxas de serviço. Contribuições de Melhoria Contribuição previdenciária. Por fim, a competência tributária cumulativa é a competência da União para instituir, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais (art. 147, da CF/88). Podemos afirmar também que o Distrito Federal exerce competência tributária cumulativa, pois possui competência tributária estadual e municipal. Ademais, destacamos que a pessoa política que detém a competência tributária para instituir o tributo também é competente DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 44 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br para aumentá-lo, diminuí-lo ou mesmo conceder isenções, observados os limites constitucionais e legais. 4. CARACTERÍSTICAS A doutrina atribui algumas características à competência tributária, a saber: (i)Indelegabilidade, entendida como a impossibilidade do ente federativo delegar a terceiros a sua competência para instituir o tributo. Destacamos que não desobedece à característica da indelegabilidade o ato legalde determinado ente federativo que confere a outra pessoa jurídica de direito público àsfunções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária. Tais atribuições, segundo o art. 7°, do CTN, compreendem as garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir, sendo que estas atribuições podem ser revogadas, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido. Neste sentido, também não constitui delegação de competência tributária o cometimento, a pessoas de direito privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos (§3°, do art. 7°, do CTN). Aqui é o que acontece diuturnamente com as instituiçõesfinanceiras que arrecadam o tributo. Arrecadar significa receber, descontar ou reter o pagamento do tributo, isto é, as instituições financeiras não podem fiscalizar ou cobrar o pagamento do tributo, o que é competência apenas de entidades de direito público, dotadas de poder de império, tais como a Receita Federal do Brasil (fiscalizar) e a Procuradoria da Fazenda Nacional (cobrar o tributo por meio da execução fiscal). Por este fundamento, já decidiu o STJ (Resp 28.675/PR), por exemplo, que a arrecadação de tributos não transforma gerente de banco comercial em autoridade pública. Por outro lado, cabe aqui distinguir competência tributária e capacidade tributária ativa, que significa a possibilidade de determinada pessoa figurar como sujeito ativo ou no pólo ativo (credor) da relação jurídico-tributária, sendo a pessoa competente para exigir o cumprimento da obrigação tributária. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 45 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Assim, o próprio art. 7° dispõe sobre esta possibilidade de delegação da capacidade tributária ativa, quando dispõe que as atribuições de fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária pode ser conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra. Por outro lado, de forma mais técnica, existem autores que afirmam que a atribuição da capacidade tributária para outra pessoa política dá-se por outorga, que seria o nome mais adequado para dizer que deve ser sempre por lei. Mas os concursos públicos, na grande maioria das vezes, falam em delegação da capacidade tributária ativa por lei e não em outorga. O exemplo clássico e não mais válido de delegação da capacidade tributária ativa é o das contribuições previdenciárias que eram cobradas pelo INSS (autarquia federal). A competência tributária é da União, mas a capacidade tributária ativa era do INSS. Outro exemplo é o da possibilidade do ITR de competência tributária da União ser fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem (art. 153, §4°, III, da CF/88). Do mesmo modo, estabelece-se que a lei federal pode cometer aos Estados, ao Distrito Federal ou aos Municípios o encargo de arrecadar os impostos de competência da União cujo produto lhes seja distribuído no todo ou em parte (art. 84 do CTN). No caso, por exemplo, a retenção de imposto de renda (IR) na fonte do servidor público municipal não desloca a capacidade tributária ativa para os Municípios, continuando como sujeito ativo a União, sendo que o IR só pode ser cobrado única e exclusivamente por este último ente político. (ii)Incaducabilidade ou imprescritibilidade ou, ainda,não sujeita a decadência, a significar que o não-exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído, de acordo com o art. 8º do CTN, ou seja, a pessoa política pode exercer competência tributária estabelecida no texto constitucional a qualquer tempo. (iii) Inalterabilidade, no sentido que o próprio ente federativo competente para instituir determinados tributos pelo texto constitucional não pode ampliar por meio de norma ordinária (infraconstitucional) a sua competência tributária. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 46 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Por exemplo, o Distrito Federal não pode ampliar a sua competência tributária por meio de lei distrital. A Constituição Federal estabelece as competências tributárias de forma rígida. Entretanto, destacamos que esta característica não impede a alteração da competência tributária por meio de reforma constitucional, desde que tal modificação pelo poder constituinte derivada não seja tendente a abolir a autonomia financeira do ente federado, o que acarretaria violação a forma federativa de Estado (art. 60, §4°, I, da CF/88). De tal modo, não violou a forma federativa de Estado brasileira a Emenda Constitucional n. 3/1993, que extinguiu a competência dos Estados e do Distrito Federal para instituir o Adicional ao Imposto sobre a Renda (AIR) e a competência dos Municípios e do Distrito Federal para criar o Imposto sobre Vendas a Varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos (IVVC), uma vez que a perda da arrecadação decorrente da extinção desses impostos não foi tendente a abolir a autonomia financeira dos respectivos entes federativos. (iv) Irrenunciabilidade, conforme a qual não pode o ente federativo renunciar a competência tributária, em virtude do postulado da indisponibilidade do interesse público; (v) Facultatividade, uma vez que a competência tributária é uma faculdade que pode ou não ser utilizada pela pessoa política, criando ou não o tributo, ou ainda, criando-o somente em parte. Todavia, diga-se que, depois de instituído o tributo, não há mais facultatividade para a administração, uma vez que a atividade de cobrança é vinculada, conforme bem previsto no art. 142 do CTN. Salientamos, ainda, que a Lei Complementar 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF) estabelece que constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente da Federação (art.11). Todavia, ressaltamos que a facultatividade continua sendo considerada como característica da competência tributária pela grande maioria dos doutrinadores. 5. BITRIBUTAÇÃO X BIS IN IDEM DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 47 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br A bitributação acontece quando dois ou mais entes federativos (União, Estados-membros, DF e Municípios) tributam sobre o mesmo fato gerador ou sobre a mesma base de cálculo. Na bitributação, em regra, existe invasão de competência por determinado ente federativo, pois um ente federativo está desobedecendo à competência fixada para outro ente federativo. Exemplo de bitributação não permitido é o seguinte: determinado Estado-membro instituiu um adicional de IPTU, mediante lei estadual sobre o valor venal de imóvel urbano. Isto é, o Estado-membro invadiu a competência do Município com a criação de novo imposto incidente sobre base de cálculo de tributo do Município (IPTU). Exemplos de possíveis bitributações permitidas pela CF são os casos do imposto extraordinário de guerra (IEG) e do empréstimo compulsório. Todos os dois são tributos de competência da União. Nestas hipóteses, o legislador federal pode se utilizar de fatos geradores de tributos estaduais ou municipais. O bis in idem ocorre quando um mesmo ente federativo tributa um único fato por mais de uma vez. Portanto, o bis in idem significa a criação de um tributo com a mesma natureza jurídica de outro tributo já existente. É o caso de determina lei do mesmo ente federativo competente tomar como semelhante hipótese de incidência ou base de cálculo de outro tributo de sua própria competência já existente. Exemplos permitidos pela Constituição e jurisprudência: a tributação do lucro pela União com o imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL); contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS); imposto de importação (II) e imposto sobre produtos industrializados incidente sobre produtos industrializados de procedência estrangeira, conforme art. 46, I, do CTN (REsp Nº 846.667/RJ). Todavia, registramos que a doutrina minoritária e o STF algumas vezes utilizam o termo bitributação como gênero, isto é, englobandoa bitributação e o bis in idem. Por exemplo, recentemente (RE 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 03/02/10), o STF afirmou pela inconstitucionalidade da contribuição social sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, alegando literalmente, entre outros aspectos, a “bitributação” com a COFINS. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 48 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Seguem diversas questões comentadas sobre os temas da aula: 1. (CESPE/Delegado de Polícia/RN/2009)A decisão judicial que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício faz coisa julgada em relação aos posteriores, em respeito aos princípios da separação dos poderes e da autoridade da coisa julgada. Conforme o entendimento do STF, a coisa julgada em matéria fiscal fica delimitada à relação jurídico-material em que debatida, não podendo, portanto, ser invocada em exercícios posteriores, de acordo com a Súmula 239 (AI 189.787-AgR,DJ de 4-4-1997). A coisa julgada é a decisão transitada em julgado ou que não cabe mais recurso. Logo, errada. 2. (CESPE/Consultor/ES/2010) Em respeito ao princípio da legalidade, não é permitido ao chefe do Poder Executivo elevar a alíquota do imposto de importação, mesmo dentro de limites autorizados por lei. Existem tributos que poderão ter suas alíquotas majoradas ou reduzidas por ato do Poder Executivo federal, por meio de decreto, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, a saber: imposto de importação (II); imposto de exportação (IE); imposto sobre produtos industrializados (IPI); impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF). É o que dispõe o art. 153, §1º, da CF. Logo, errada. 3. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Inexistindo legislação específica impondo condições e limites, é lícito ao Poder Executivo alterar as alíquotas da contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE). Quanto a Contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) sobre combustíveis (art. 177, §4°, I alínea “b”, da CF) e o ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, §4°, IV, da CF), as alíquotas poderão somente ser reduzidas e restabelecidas, ou seja, o Poder Executivo reduz a alíquota e, uma vez reduzida, pode restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, prevista anteriormente em lei. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 49 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Logo, errada. 4. (CESPE/Procurador/PB/2008) Nos termos e limites fixados em lei complementar federal, o Poder Executivo estadual, mediante decreto, pode reduzir, com o objetivo de regular a demanda, as alíquotas de ICMS de determinados produtos, dada a natureza extra-fiscal desse tributo. No caso do ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, §4°, IV, da CF), a exceção se refere à incidência monofásica do imposto, e as alíquotas são definidas nacionalmente por convênios dos Executivos Estaduais, ou seja, por ato de deliberação do Poder Executivo dos Estados e do Distrito Federal. Logo, está errada, pois não pode ser mediante decreto. 5. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) As obrigações principais e acessórias estão sujeitas ao princípio constitucional da legalidade estrita. Segundo o STF, a definição de vencimento das obrigações tributárias (data para pagamento) e a instituição de obrigações tributárias acessórias não estão no campo reservado à lei, podendo ser alvo de Decreto do Poder Executivo. Este entendimento está de acordo com os arts. 113, §2° e 160 do CTN, que, no ponto, falam em legislação tributária e não lei. Portanto, errada. 6. (CESPE/Juiz Federal/TRF1°REGIÃO/2009)Ofende o princípio da legalidade decreto que antecipa data de recolhimento de tributo. Segundo o STF, o regulamento que antecipa o dia de recolhimento do tributo e determina a incidência de correção monetária a partir de então não fere a legalidade, pois não se encontra sob o princípio da legalidade estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da obrigação tributária (RE 195.218, RE 182.971). Logo, errada. 7. (CESPE/Procurador/PE/2009) A simples atualização monetária não se confunde com majoração de tributo. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 50 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br A simples atualização monetária é a mera atualização temporal do tributo. Assim, conforme o art. 97, § 2°, do CTN, não constitui majoração de tributo a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo Logo, é correta. 8. (CESPE/Procurador/PE/2009) A instituição de emolumentos cartorários pelo tribunal de justiça de um estado não afronta o princípio da reserva legal. Segundo o STF, somente a lei pode criar, majorar ou reduzir os valores das taxas. Assim, fere a legalidade a instituição dos emolumentos cartorários por Tribunal de Justiça, bem como as normas por meio das quais a autarquia institua uma taxa, sem lei que a autorizasse (ADI 1.709, ADI 1.823-MC). Logo, errada. 9. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) Atende ao princípio da anterioridade de exercício a publicação, no Diário Oficial, da lei instituidora de imposto no dia 31/12, sábado, apesar de a sua circulação dar-se apenas na segunda-feira. No Brasil, conforme dispõe a legislação infraconstitucional brasileira (art. 34 da Lei n. 4.320/64), o exercício financeiro é o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro, coincidindo perfeitamente com o ano civil. Neste sentido, a interpretação dominante na doutrina a respeito da anterioridade é que lei criadora ou majoradora do tributo entra em vigorno dia da sua publicação, mas só tem eficácia após a observância do prazo constitucional. Logo, é certa, pois vale a data da publicação. Observamos, portanto, algumas importantes singularidades decorrentes da EC 42/2003, que são: o IPI não é exceção à noventena, mas é à anterioridade comum; o IR não é exceção à anterioridade comum, mas é à noventena; o restabelecimento (nunca o aumento propriamente dito) de alíquotas do ICMS – Combustíveis e da CIDE – Combustíveis não é exceção à noventena, mas é à anterioridade comum; o IPVA e o IPTU se submetem à anterioridade comum, mas a definição das suas bases de cálculo não está sujeita à DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 51 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br noventena. 10. (CESPE/Ministério Público/ES/2010) Lei estadual, que determine a majoração das alíquotas e da base de cálculo do imposto sobre a propriedade de veículos automotores, publicada no dia 31 de dezembro, com cláusula de vigência imediata, produzirá efeitos A no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à majoração da base de cálculo do imposto. B no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, em relação à majoração das alíquotas e da base de cálculo. C 45 dias após a data da publicação da lei, em relação apenas à majoração da base de cálculo. D noventa dias após a data da publicação da lei, apenas em relação à majoração das alíquotas. E no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à majoração das alíquotas. O quadro das exceções ao princípio da anterioridade e à noventena é a que segue.Preste atenção: se é exceção é porque não deve observar o princípio. E todos os demais tributos devem observar as duas anterioridades, porque a regra é a observância ao princípio. Anterioridade anual Noventena II II IE IE IPI IR IOF IOF IEG IEG Empréstimocompulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Restabelecimento de alíquotas do ICMS – Combustíveis e da CIDE – Combustíveis Base de cálculo do IPTU Contribuições para a seguridade social Base de cálculo do IPVA Nesse sentido, apenas a base de cálculo do IPVA é exceção à noventena. Logo, a resposta é a letra “a”, pois produzirá efeitos no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à majoração da base de cálculo do imposto. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 52 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Em relação, a majoração da alíquota, deve-se obedecer as duas anterioridades (geral e especial). 11. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009) A revogação de isenção tem sido equiparada pelo STF à instituição ou majoração de tributo, razão pela qual só poderá produzir efeitos no exercício financeiro seguinte, em respeito à regra da anterioridade tributária. Segundo o STF, revogada a isenção incondicionada, o tributo torna-se imediatamente exigível, porque não há que se observar a anterioridade, dado que o tributo já é existente (RE 204.062). Logo, errada. 12. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Às taxas é aplicado o princípio da anterioridade de exercício, mas não o da anterioridade nonagesimal, que é restrita a impostos e contribuições. Em caso de taxas, devem observar-se as limitações constitucionais ao poder de tributar, dentre essas, a anterioridade nonagesimal para que a lei tributária se torne eficaz (ADI 3.694). Logo, é errada, pois não há previsão de exceção para as taxas no art. 150, §1°, da CF. 13. (CESPE/Consultor/ES/2010) Considerando que uma lei que criou uma taxa tenha sido promulgada e publicada em 3/12/2009, com vigência a partir da data de publicação, a referida taxa somente deverá ser cobrada a partir 1.º de janeiro de 2010. Em face da não obediência a anterioridade nonagesimal ou prazo de 90 dias, é errado enunciado. A jurisprudência relevante e atual do STF no que concerne ao princípio da igualdade é a seguinte: 14. (CESPE/PROCURADOR/PE/2009)Lei complementar estadual que isente os membros do MP do pagamento de custas judiciais ou emolumentos é constitucional. Segundo o STF, desrespeita a isonomia ou igualdade tributária disposta no art. 150, II, da CF, a isenção de IPTU, em razão da qualidade de servidor público (AI 157.871-AgR), e a isenção dos DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 53 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos (ADI 3.260); Logo, é errada. 15. (CESPE/Promotor/RN/2009)A instituição de tributo com alíquotas progressivas sem ser exageradamente oneroso, não podendo, portanto, ser considerado confisco, faz transparecer, no direito tributário, na instituição do referido tributo, o cuidado com o princípio da A seletividade. B não-diferenciação tributária. C legalidade estrita. D capacidade contributiva. E igualdade tributária, em sentido jurídico. Disposta no art. 145, §1°, da CF, a capacidade contributiva é instrumento de solidificação da igualdade tributária, que opera como limite e graduação da obrigação de pagar o tributo e deve ser vista sob duas perspectivas. Em primeiro lugar, no aspecto objetivo ou absoluto, que leva em conta as manifestações reais de riqueza do fato tributável, isto é, o legislador deve eleger as situações ou atividades que revelem a capacidade econômica do sujeito passivo (“signos presuntivos de riqueza”). Em segundo lugar, no aspecto subjetivo ou relativo, que tem em conta as particularidades de cada sujeito passivo (capacidade contributiva in concreto) e tem aplicação direta com o princípio da personalização dos impostos. Nesse sentido, a doutrina entende que são modos de concretização do princípio da capacidade contributiva a: (i) imunidades tributárias; (ii) isenção; (iii) seletividade e (iv) progressividade. Logo, a resposta é “d”. Destaca-se também que o Professor italiano Victor Uckmar distingue dois sentidos da igualdade tributária: (a) igualdade no sentido jurídico, que exige igual regime fiscal a contribuintes que estejam em idênticas situações; DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 54 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (b) igualdade no sentido econômico, que significa dever de contribuir em igual medida, com a graduação dos impostos de acordo com a capacidade contributiva dos indivíduos. Portanto, o enunciado da questão se refere a igualdade no sentido econômico. Logo, incorreta a letra “e”. 16. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009)O princípio da capacidade contributiva, segundo previsão expressa na CF, aplica-se a todos os tributos federais, estaduais e municipais. Segundo a literalidade do art. 145, §1°, da CF, a aplicação da capacidade contributiva ocorre apenas em relação aos impostos. Ou seja, segundo previsão expressa na CF, a capacidade contributiva tem aplicação aos impostos. Logo, incorreta. Contudo, destaca-se que a jurisprudência do STF firmou orientação no sentido da aplicação às taxas, especialmente quando fato gerador é o exercício do poder de polícia como fato gerador (RE 216.259-AgR, RE 177.835). 17. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Contra a imposição de multas por sonegação fiscal ou mesmo pelo não recolhimento do tributo, não se pode argumentar com a proibição constitucional de utilização de tributo com efeito de confisco, já que de tributo não se trata. Segundo o STF, fere o princípio constitucional da não- confiscatoriedade diploma legislativo que institui multa fiscal de 300% (ADI 1.075-MC, AI 482.281-AgR); Logo, incorreta, pois o STF entende que o princípio do não- confisco se aplica às multas. 18. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) Com relação às limitações constitucionais do poder de tributar, assinale a opção correta. A A proibição constitucional da utilização de tributo com efeito de confisco decorre de seu efeito cumulativo, ou seja, sempre que várias incidências estabelecidas pelo mesmo ente tributante afetarem o patrimônio ou rendimentos do contribuinte de forma não razoável. Nessa situação, sua DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 55 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br verificação é individual, passível apenas de controle difuso da constitucionalidade. B A utilização de tributo com efeito de confisco tem como parâmetro a incidência do novo tributo em face de sua própria carga tributária, não o total da carga tributária a que esteja submetido o contribuinte. C As multas aplicadas em face da sonegação ou do não recolhimento dos impostos, quando superem o valor do bem, em princípio ofendem tanto o princípio da proporcionalidadequanto o da proibição de tributos com efeito de confisco. D Confisco é sanção e, para verificar se o tributo tem esse efeito, é necessário examinar se a lei que instituiu o tributo tem como fim impor penalidade ao contribuinte. E Os tributos indiretos são repassados ao consumidor final e não incidem sobre renda ou patrimônio, sendo-lhes inaplicável o princípio constitucional da vedação de confisco. Letra (A). Segundo o STF, a identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mediante verificação da capacidade do contribuinte para suportar e sofrer a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado período, à mesmapessoa política que os houver instituído. Assim, resulta configurado o caráter confiscatório de determinado tributo, sempre que o efeito cumulativo – resultante das múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal – afetar, substancialmente, de maneira irrazoável, o patrimônio e/ou os rendimentos do contribuinte (ADC 8-MC; ADI 2.551-MC-QO). Logo, incorreta. Letra (B). Segundo o STF, a caracterização do efeito confiscatório pressupõe a análise de dados concretos e de peculiaridades de cada operação ou situação, tomando-se em conta custos, carga tributária global, margens de lucro e condições pontuais do mercado e de conjuntura social e econômica (...) “O isolado aumento da alíquota do tributo é insuficiente para comprovar a absorção total ou demasiada do produto econômico da atividade privada, de modo a torná-la inviável ou excessivamente onerosa” (RE 448.432-AgR, DJE de 28-5-2010). Logo, incorreta. Letra (C). Segundo o STF, a desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte, em oposição a proibição de tributos com efeito de confisco (ADI 551, DJ de 14-2-2003). Logo, correta. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 56 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Letra (D). Entende-se que o princípio do não-confisco tributário (art. 150, I, CF) é um limite máximo para a tributação. Isto é, enquanto o mínimo vital é um limite mínimo para incidência tributária, o não-confisco é um limite máximo. A Constituição não define o que seja confisco, competindo, em última instância, ao Poder Judiciário estabelecer, utilizando-se da razoabilidade e proporcionalidade, os contornos deste conceito jurídico indeterminado. Assim, entende-se que o confisco tributário não é uma sanção, que tem por fim impor penalidade ao contribuinte, mas sim um limite máximo a tributação. Logo, incorreta. Letra (E). No que tange a aplicação do princípio do não- confisco, a Constituição Federal não faz distinção entre os tributos indiretos e os tributos diretos. Portanto, o princípio do não-confisco se aplica aos tributos diretos e aos tributos indiretos. Logo, incorreta. 19. (CESPE/Consultor/ES/2010) Se, devido a incentivos fiscais concedidos pelo governo do Espírito Santo, novas empresas produtoras de automóveis instalarem-se no estado, e esse fato contribuir para atrair milhares de trabalhadores de outros estados brasileiros, nesse caso, visando conter o fluxo migratório e para não prejudicar a política de geração de empregos local, o governador poderá instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de trabalhadores de outros estados, pelo mesmo período de tempo do incentivo fiscal concedido às montadoras de automóveis. De acordo com o art. 150, V, da CF/88,éproibido à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, salvo a cobrança de pedágios pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. Decerto, este é oprincípio da liberdade de tráfego de bens e pessoas, que confirma a proteção constitucional da liberdade de locomoção, devendo-se entender que o fato gerador de qualquer tributo deve ser distinto de transposição de Municípios e de transposição de Estados. Caso contrário, prejudicar-se-ia o tráfego de pessoas e bens no território nacional. Logo, é errada, pois o governador do Espírito Santo não poderá instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de trabalhadores de outros estados DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 57 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br O princípio da uniformidade geográfica está estabelecido no art. 151, I, da CF/88, afirmando que é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. 20. (CESPE/Advogado/CEF/2010)A União pode instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional. O princípio da uniformidade geográfica está estabelecido no art. 151, I, da CF/88, afirmando que é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. Logo, é errada, conforme gabarito definitivo da banca, pois, em regra, é proibido. 21. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Qualquer ente federativo pode instituir tributo que importe em distinção ou preferência em favor de determinado estado ou município. Segundo o art. 152 da CF/88, é vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino. É o princípio da não-discriminação em razão da procedência ou destino (art. 152 da CF). Logo, errada. 22. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Os estados podem estabelecer diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou do seu destino. Segundo o princípio da não-discriminação em razão da procedência ou destino (art. 152 da CF), é proibido aos estados podem estabelecer diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou do seu destino. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 58 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br Logo, errada. 23. (CESPE/Advogado/CEF/2010)É vedado aos municípios, e não aos estados, ao DF e à União, o estabelecimento de diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou de seu destino. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino, conforme o princípio da não-discriminação em razão da procedência ou destino (art. 152 da CF). Logo, errada. Registra-se que o princípio da não-discriminação em razão da procedência ou destino decorre do princípio federativo, pois busca evitar a “guerra fiscal” entre os entes federados. Nesse sentido, pro exemplo, o STF declarou a inconstitucionalidade do Decreto 35.528/2004, do Estado do Rio de Janeiro (RJ), que estabelecia redução na base de cálculo do ICMS nas saídas internas de café torrado ou moído produzido em estabelecimento industrial localizado no Estado do RJ, uma vez que gerava um grave óbice à livre circulação de bens e mercadorias entre Estados da federação (ADI 3.389; ADI 3.673). 24. (Juiz Federal/TRF3°/2011) Em setembro de 2011, a União editou decreto determinando a elevação das alíquotas de IPI sobre a importação de automóveis e instrução normativa determinando a prorrogação do direito de dedução, sobre o imposto de renda anual da pessoa física, da contribuição previdenciária paga a empregado doméstico. Em ambas as normas, há cláusula de vigência para o dia da publicação desses atos normativos. Acerca desse aspecto, é correto afirmar, em conformidade com a CF e com o CTN, que A os efeitos do decreto produzem-se a partir de 1.º/1/2012, e os da instrução normativa, a partir da publicação. B os efeitos do decretoproduzem-se após 90 dias contados da publicação, e os da instrução normativa, a partir da publicação. C os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem- se após 90 dias contados da publicação. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 59 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br D os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem- se a partir de 1.º de janeiro de 2012. E os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem- se a partir da publicação dessas normas. Letra (A). O IPI deve observar a anterioridade nonagesimal (art. 150, III, “c”, §1°, da CF/88). Por conseguinte, os efeitos do Decreto produzem-se depois de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicado e não a partir de 1.º/1/2012. Logo, incorreta. Letra (B). Os efeitos do decreto produzem-se após 90 dias contados da publicação (art. 150, III, “c”, §1°, da CF/88). Já os efeitos da instrução normativa produzem-se a partir da sua publicação, de acordo com o art. 103, I, do CTN. Logo, correta. Letra (C). Os efeitos da instrução normativa produzem-se a partir da sua publicação, de acordo com o art. 103, I, do CTN. Logo, incorreta. Letra (D). Os efeitos do decreto produzem-se após 90 dias contados da publicação (art. 150, III, “c”, §1°, da CF/88). Por sua vez, os efeitos da instrução normativa produzem-se a partir da sua publicação, de acordo com o art. 103, I, do CTN. Logo, incorreta. Letra (E). Os efeitos do Decreto produzem-se depois de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicado (art. 150, III, “c”, §1°, da CF/88). Logo, incorreta. 25. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização de débitos tributários em atraso relacionados ao IPVA, mesmo que inexista lei estadual nesse sentido. Segundo jurisprudência consagrada no STJ (RESP 879844, DJE 25/11/2009) apenas é legítima a incidência da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, em razão de lei estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. Ou seja, é necessária lei estadual nesse sentido. Portanto, errado. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 60 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 26. (CESPE/Defensoria Pública-União/2010) Considere que determinado estado da Federação tenha publicado lei majorando a alíquota do ICMS de 18% para 19% e estabelecendo que sua vigência terminaria em 31 de dezembro de 2009. Considere, ainda, que, em meados desse mês, tenha sido publicada lei que manteve a alíquota de 19% para o ano de 2010. Nesse caso, a lei publicada em dezembro de 2009 viola o princípio da anterioridade nonagesimal. Segundo o STF, em caso de mera prorrogação de alíquota já majorada não há surpresa ou insegurança jurídica para o sujeito passivo da relação tributária. Logo, não se aplica o princípio da anterioridadenonagesimal ou especial (chamada também de noventena). Portanto, errado. 27. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010) Segundo decisão do STF, em controle de constitucionalidade abstrato, não ofende o princípio da não confiscatoriedade hipótese normativa que estipule multa fiscal de 300%, desde que se trate de inadimplemento pelo contribuinte de obrigação tributária. Segundo decisão do STF, em controle de constitucionalidade abstrato, desrespeita o princípio da não confiscatoriedade hipótese normativa que estipule multa fiscal de 300%, ainda que se trate de inadimplemento pelo contribuinte de obrigação tributária (ADI 1.705- MC, DJ 24/11/2006). Portanto, incorreta. 28. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010) Com a finalidade de não ofender o pacto federativo, a CF veda que a União conceda incentivos fiscais às diferentes regiões do país, ainda que sob o argumento de promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico. Na verdade, com a finalidade de proteger o pacto federativo, a CF permite que a União conceda incentivos fiscais, sob o argumento de promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País, conforme art. 151, I, da CF. Logo, incorreta. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 61 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 29. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) Se, na região Norte do país, for criado território federal, mediante lei complementar, competirá à União a instituição do ICMS nesse território. De acordo com o art. 147 da CF/88, competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais (ICMS, ITCMD e IPVA) e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais (ISS, IPTU e ITBI). Portanto, correto. 30. (CESPE/Advogado-BRB/2010) Para que a União tenha competência para instituir impostos residuais por lei ordinária federal, é suficiente que estes obedeçam ao requisito de não cumulatividade. A União pode instituir impostos residuais ou novos por lei complementar, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados no texto constitucional (art. 154, I, CF). Portanto, errado. 31. (CESPE/Analista-EMBASA/2010) Tanto a União como os estados, o Distrito Federal e os municípios podem legislar concorrentemente sobre direito tributário. Cada uma das esferas da administração tem competência legislativa plena no âmbito de sua jurisdição. Segundo a CF/88, compete a União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário (art. 24, I). Nesse rumo, apenas na hipótese de inexistência de lei federal sobre normas gerais, os Estados e o Distrito Federal exercerão competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades (art. 24, §3°). Portanto, errado. SÍNTESE FUNDAMENTAL (I) A competência tributária é o poder conferido à União, aos Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir tributos por meio do processo legislativo discriminado nas normas constitucionais. Esta não se confunde com a capacidade tributária DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 62 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br ativa (sinônimo de sujeito ativo), que é a capacidade para exigir o cumprimento do tributo, nos termos do art. 119 do CTN. (II) O texto constitucional não institui os tributos, mas sim outorga a competência tributária para os entes federativos criarem os tributos e descreve de que forma esta competência pode ser exigida. (III) A competência legislativa é o gênero do qual se origina a competência tributária, que é uma espécie de competência legislativa para a criação de tributos. (IV) A competência legislativa classifica-se como exclusiva, privativa, concorrente, suplementar, local e residual. (V) A competência legislativa exclusiva ocorre quando atribuída a apenas um ente da federação, com a exclusão de todos os demais. (VI) A competência legislativa privativa acontece quando enumerada como própria de uma entidade (União, no caso brasileiro), com possibilidade, ao contrário da competência exclusiva, de delegação ou suplementariedade. (VII) A competência legislativa concorrente é aquela que pode ser exercida por mais de uma pessoa política. A Constituição Federal estabelece, por exemplo, que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário. Neste caso, é fundamental deixar claro que no âmbito da legislação concorrente no sistemajurídico brasileiro, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. Assim, a competência da União para legislar sobre normas gerais de direito tributário não exclui a competência suplementar dos Estados e do Distrito Federal, eis que inexistindo lei federal (União) sobre normas gerais de direito tributário, os Estados e o Distrito Federal exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. E a superveniência de lei federal sobre normas gerais de direito tributário suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. (VIII) A competência legislativa suplementar significa exatamente a competência de poder de fixar normas que desdobrem o conteúdo de normas gerais da União ou que preencham a ausência ou omissão destas normas gerais. (IX) A competência legislativa local é dos Municípios e do Distrito Federal, uma vez que a CF/88 disciplina que compete aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local. E o Distrito Federal possui competência legislativa municipal e estadual. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 63 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (X) A competência legislativa residual é pertencente aos Estados e ao Distrito Federal, pois a CF/88 determina que são reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas pela Constituição. (XI) Noutra perspectiva, a competência tributária classifica-se como exclusiva, residual, extraordinária, comum e cumulativa. (XII) A competência tributária exclusiva ou privativa se refere a competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para instituir os tributos que a Constituição prevê especificamente apenas para cada ente federativo. (XIII) Competência exclusiva ou privativa da União: (i) Impostos: a) imposto sobre importação de produtos estrangeiros (II) – art. 153, I; b) imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE) – art. 153, II; c) imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) – art. 153, III; d) imposto sobre produtos industrializados (IPI) – art. 153, IV; e) imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF) – art. 153, V; f) imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) – art. 153, VI; g) imposto sobre grandes fortunas (IGF) – art. 153, VII; (ii)Empréstimos Compulsórios (art. 148): a) empréstimo por calamidade ou guerra externa (art. 148, I); b) empréstimo por investimento público urgente e de relevância nacional (art. 148, II); (iii)Contribuiçõesespeciais ou parafiscais: a) contribuições de seguridade social (art. 195, art. 239; ADCT, art. 74, 75, 84 e 90); b) contribuições sociais (art. 212, § 5º e art. 240); c) contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, também denominadas de corporativas (art. 149); d) contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE) – art. 149 e art. 177, § 4º. (XIV) Competência exclusiva ou privativa dos Estados e do Distrito Federal: (i) Impostos (CF, art. 155): a) impostos sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD) – art. 155, I; b) impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) – art. 155, II; c) imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA) – art. 155, III.Competência exclusiva ou privativa dos Municípios e do Distrito Federal: (i) Impostos (CF, art. 156): a) imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU) art. 156, I; b) impostos sobre transmissão inter vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 64 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI) – art. 156, II; c) imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS), não compreendidos no ICMS, definidos em lei complementar – art. 156, III; (ii) Contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública (COSIP ou CIP) - art. 149-A. (XV) A competência tributária residual se refere à competência da União para instituir mediante lei complementar, impostos não previstos na sua competência, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição (art. 154, I). (XVI) A competência tributária extraordinária é a competência da União para instituir na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação (art. 154, II). (XVII) A competência tributária comum ou concorrente é a competência de todos os entes políticos para instituição de taxas, contribuições de melhoria e contribuição previdenciária dos seus servidores, dentro da esfera de competência político-administrativa de cada um. Competência comum ou concorrente da União, Estados-membros, DF e Municípios: (i) Taxas (art. 145, II): a) taxas de polícia; b) taxas de serviço; (ii) Contribuições de Melhoria (art. 145, III. da CF/88); (iii)Contribuição previdenciária (art. 149, §1º). (XVIII) A competência tributária cumulativa é a competência da União para instituir, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais (art. 147, da CF/88). (XIX) A doutrina atribui algumas características à competência tributária: (i)indelegabilidade; (ii)incaducabilidade; (iii) inalterabilidade; (iv)irrenunciabilidade; (v)facultatividade.A indelegabilidade é entendida como a impossibilidade do ente federativo delegar a terceiros a sua competência para instituir o tributo. Aincaducabilidade ou imprescritibilidade ou, ainda, não sujeita a decadência, a significar que o não-exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído. A inalterabilidade, no sentido que o próprio ente federativo competente para instituir determinados tributos pelo texto constitucional não pode ampliar por meio de norma ordinária (infraconstitucional) a sua competência tributária.A irrenunciabilidade, segundo a qual não pode o ente DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 65 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br federativo renunciar a competência tributária, em virtude do postulado da indisponibilidade do interesse público. A facultatividade significa que a competência tributária é uma faculdade que pode ou não ser utilizada pela pessoa política, criando ou não o tributo, ou ainda, criando-o somente em parte. (XX) A norma jurídica é o gênero do qual se diversificam, como espécies, as regras e os princípios jurídicos. Dentre os últimos estão compreendidos os princípios constitucionais tributários dispostos explicitamente ou implicitamente no texto constitucional, principalmente na seção denominada de limitações do poder de tributar (arts. 150 a 152). (XXI) O texto constitucional estabelece explicitamente no art. 150, I, que os tributos devem ser criados ou aumentados por lei prévia, buscando excluir o arbítrio do poder estatal. É o denominado princípio da legalidade tributária, que obriga o surgimento da obrigação tributária por lei formal (obrigação ex lege). Em regra, os tributos são instituídos por lei ordinária. Todavia, existem tributos que, se forem criados, devem ser por meio de lei complementar. Tributos instituídos por lei complementar (i) imposto sobregrandes fortunas (art. 153, VII da CF); (ii) empréstimos compulsórios (art. 148 da CF); (iii) impostos residuais da União (art. 154, I da CF); (iv) contribuições sociais novas ou residuais (art. 195, §4° da CF/88). (XXII) Princípio da tipicidade - Significa que não basta o tributo ser criado ou aumento por lei formal, devendo também ocorrer a adequação da conduta do sujeito passivo à norma tributária. É a subsunção do fato real à norma abstrata. A tipicidade ordena que o legislador estabeleça em lei todos os aspectos da regra matriz de incidência tributária. Assim sendo, em função da obediência a tipicidade, os aspectos material (situação geradora da incidência), espacial (local de incidência), temporal (momento de incidência), pessoal (sujeito ativo e passivo) e quantitativo (base de cálculo e alíquota) devem está previstos em lei. (XXII) Mitigações, exceções ou atenuações a legalidade - Por sua vez, esclarece-se que existem tributos que poderão ter suas alíquotas majoradas ou reduzidas por ato do Poder Executivo federal, por meio de decreto, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, a saber: imposto de importação (II); imposto de exportação (IE); imposto sobre produtos industrializados (IPI); impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 66 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br títulos ou valores mobiliários (IOF). É o que dispõe o art. 153, §1º, da CF. (XXIII) Quanto a CIDE – Combustíveis (art. 177, §4°, I alínea “b”, da CF) e o ICMS – Combustíveis e Lubrificantes (art. 155, §4°, IV, da CF), as alíquotas poderão somente ser reduzidas e restabelecidas, ou seja, o Poder Executivo reduz a alíquota e, uma vez reduzida, pode restabelecê-la, tendo, como teto, a alíquota, prevista anteriormente em lei. (XXIV) No caso do ICMS – Combustíveis e Lubrificantes, a exceção se refere à incidência monofásica do imposto, e as alíquotas são definidas nacionalmente por convênios dos Executivos Estaduais, ou seja, por ato de deliberação do Poder Executivo dos Estados e do Distrito Federal. Poder Executivo Federal (competência para alterar a alíquota) Imposto de importação de produtos estrangeiros (II) Imposto de importação de produtos estrangeiros (II) Imposto de exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE) Imposto sobre produtos industrializados (IPI) Impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF) Restabelecimento da alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - Petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível (CIDE – Combustíveis) Poder Executivo (alíquotas definidas nacionalmente por convênio) ICMS – Combustíveis e Lubrificantes Poder Executivo (benefícios fiscais definidos nacionalmente por convênio) ICMS Princípio da legalidade (art. 150, I, da CF) A definição de vencimento das obrigações tributárias (data para pagamento) e a instituição de obrigações tributárias acessórias não estão no campo reservado à lei, podendo ser alvo de Decreto do Poder Executivo. Não é competência exclusiva do Presidente da República a possibilidade de alteração das alíquotas dos tributos federais estabelecidas no texto constitucional. Segundo o STF, o enunciado “Poder Executivo” disposto no art. 153, §1°, da CF/88, não significa DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 67 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br competência privativa ou exclusiva do Presidente da República, mas sim que tal competência pode ser exercida por órgão que integre a estrutura do Poder Executivo. Por exemplo, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX). Não implica ofensa a legalidade tributária o fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de ‘atividade preponderante’ e ‘grau de risco leve, médio e grave’ (RE 567.544- AgR); Regulamento que antecipa o dia de recolhimento do tributo e determina a incidência de correção monetária a partir de então não fere a legalidade, pois não se encontra sob o princípio da legalidade estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da obrigação tributária (RE 195.218, RE 182.971); Somente a lei pode criar, majorar ou reduzir os valores das taxas. Assim, fere a legalidade a instituição dos emolumentos cartorários por Tribunal de Justiça, bem como as normas por meio das quais a autarquia institua uma taxa, sem lei que a autorizasse (ADI 1.709, ADI 1.823-MC). (XXIV) Princípio da irretroatividade -Preceitua que a lei deve abranger apenas situações geradoras da obrigação tributária (aspecto material) posteriores à sua edição, não devendo abranger fatos pretéritos. Por exemplo, se a alíquota do IPVA é aumentada ou diminuída, não pode alcançar fatos geradores ocorridos antes do início da sua vigência. Princípio da irretroatividade (art. 150, III, “a”, da CF) (i) “Ao IR calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.” (Súmula 584do STF) (ii) Assim, não fere o princípio da irretroatividadelei editada no final do ano-base, que atingiu a renda apurada durante todo o ano, já que o fato gerador do IR somente se completa e se caracteriza, ao final do respectivo período, ou seja, a 31 de dezembro (RE 197.790-6, RE 194.612, RE n. 104.259); (XXV) Princípio da não-surpresa tributária -Consagrado no art. 150, III, “b” e “c”, da CF, pela anterioridade, busca proteger o sujeito passivo de uma tributação inesperada. Registra-se que o STFjá consolidou o entendimento de que a anterioridade anual e a anterioridade nonagesimal são direitos individuais do contribuinte e, portanto, cláusulas pétreas. (XXVI) Anterioridade genérica ou anual – É a proibição do poder estatal fiscal cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 68 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br que tenha sido publicada a lei que tenha instituído ou majorado o tributo. (XXVII) Anterioridade nonagesimal - Por sua vez, o poder constituinte derivado através da EC n. 42/2003 revigorou a certeza e a segurança no direito tributário, garantindo-se ainda mais o sujeito passivo da relação tributária contra uma tributação inesperada ou surpresa, vedando a cobrança de alguns tributos antes de decorridos 90 dias da data em que tiver sido publicada a lei que os tenha instituído ou aumentado (art. 150, inciso III, alínea “c”), consoante já era igualmente fixado pelo poder constituinte originário para as contribuições da seguridade social (art. 195, §6°, da CF/88). (XXVIII) A tabela das exceções ao princípio da anterioridade e à noventena é a que segue.Preste atenção: se é exceção é porque não deve observar o princípio. E todos os demais tributos devem observar as duas anterioridades, porque a regra é a observância ao princípio. Anterioridade anual Noventena II II IE IE IPI IR IOF IOF Imposto extraordinário por motivo de guerra externa (IEG) Imposto extraordinário por motivo de guerra externa (IEG) Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou de calamidade pública Restabelecimento de alíquotas do ICMS – Combustíveis e da CIDE – Combustíveis Base de cálculo do IPTU Contribuições para a seguridade social Base de cálculo do IPVA Princípio da anterioridade Não é necessária a observância da anterioridade na hipótese de prorrogação de alíquota majorada já vigente. Por exemplo, o STFentendeu que determinada lei paulista, que manteve, para o ano seguinte, a majoração de alíquota do ICMS de 17% para 18%, já vigente em anos anteriores, não necessita cumprir a anterioridade nonagesimal (art. 150, III, “c”, da CF/88). Não há incidência do princípio da anterioridade tributária na redução ou a extinção de desconto para pagamento de tributo sob DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 69 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br determinadas condições previstas em lei, como o pagamento antecipado em parcela única, pois não ocorre aumento do valor do tributo (ADI 4.016-MC); Revogada a isenção incondicionada, o tributo torna-se imediatamente exigível, porque não há que se observar a anterioridade, dado que o tributo já é existente (RE 204.062); Em caso de taxas, devem observar-se as limitações constitucionais ao poder de tributar, dentre essas, a anterioridade nonagesimal para que a lei tributária se torne eficaz (ADI 3.694); A simples atualização monetária não se confunde com majoração do tributo. Logo, a modificação dos fatores de indexação, com base em legislação superveniente, não constitui desrespeito a situações jurídicas consolidadas, nem transgressão ao postulado da não- surpresa, instrumentalmente garantido pela cláusula da anterioridade tributária (RE 200.844-AgR, AI 626.759-AgR); Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade (súmula 669 do STF). (XXIX)Anualidade tributária - Estabelece que para criação ou majoração de tributo é necessária a prévia autorização em lei orçamentária. Tal princípio não é mais vigente no ordenamento jurídico atual, segundo doutrina amplamente majoritário. (XXX) Princípio da transparência fiscal - O princípio da transparência fiscal é implícito no texto constitucional. No direito tributário, busca garantir a adequada e clara informação ao sujeito passivo da carga tributária que lhe é imposta. Neste sentido, destacam-se dois dispositivos constitucionais, a saber: a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços (150, § 5º); qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão (benefícios fiscais) só poderá ser concedido mediante lei específica, sem prejuízo dos convênios interestaduais do CONFAZ (art. 150, § 6º). (XXXI) Princípio da igualdade - A isonomia ou igualdade, no âmbito tributário, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, o que proíbe qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos (art. 150, II). Princípio da igualdade (art. 150, II, da CF) DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 70 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (i) Desrespeita a isonomia tributária a isenção de IPTU, em razão da qualidade de servidor público (AI 157.871-AgR), e a isenção dos membros do Ministério Público do pagamento de custas judiciais, notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos (ADI 3.260); (ii) Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção a contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia (RE 159.026, RE 344.331); (iii) Não é possível o STF efetivar a extensão do tratamento tributário diferenciado concedido às instituições financeiras, às cooperativas e às revendedoras de carros usados, a título do PIS/PASEP e da COFINS, o que implicaria converter-se o STF em legislador positivo (RE 402.748-AgR); (iv) Não ofende o princípio da isonomia lei que restringe os contribuintes da COSIP aos consumidores de energia elétrica do município, ante a impossibilidade de se identificar e tributar todos os beneficiários do serviço de iluminação pública (RE 573.675); (v) Não há ofensa a isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do Simples aquelas cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado (ADI 1.643); (vi) A sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às entidades financeiras, no tocante à contribuição previdenciária sobre a folha de salários, não fere o princípio da isonomia tributária, ante a expressa previsão constitucional (§ 9º do art. 195; AC 1.109-MC); (vii) Não há violação ao princípio da isonomia o diploma legal que estabelece valores específicos para cada faixa de contribuintes, sendo estes fixados segundo a capacidade contributiva de cada profissional (ADI 453); (viii) A instituição de incentivos fiscais a empresas que contratam empregados com mais de quarenta anos, utiliza-se do caráter extrafiscal dos tributos, sem violar o princípio da isonomia (ADI 1.276). (XXXII) Princípio da capacidade contributiva – Expresso no art. 145, §1°, da CF, é instrumento de solidificação da igualdade tributária, que opera como limite e graduação da obrigação de pagar o tributo e deve ser vista sob duas perspectivas. Em primeiro lugar, o aspecto objetivo ou absoluto, que leva em conta as manifestações reais de riqueza do fato tributável, isto é, o legislador deve eleger as situações ou atividades que revelem a capacidade econômica do sujeito passivo. Por exemplo, ser proprietário de um veículo, auferir renda, importar um produto estrangeiro. Em segundo lugar, o DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 71 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br aspecto subjetivo ou relativo, que tem em conta as particularidades de cada sujeito passivo (capacidade contributiva in concreto) e tem aplicação direta com o princípio da personalização dos impostos. Princípio da capacidade contributiva (art. 145, §1°, da CF) (i) “A exigibilidade do ISS, uma vez ocorrido o fato gerador — que é a prestação do serviço —, não está condicionada ao adimplemento da obrigação de pagar-lhe o preço, assumida pelo tomador dele: a conformidade da legislação tributária com os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva não pode depender do prazo de pagamento concedido pelo contribuinte a sua clientela.” (AI 228.337-AgR); (ii) O fato de um dos elementos utilizados na fixação da base de cálculo do IPTU – a metragem da área construída do imóvel – ser tomado com parâmetro na determinação da alíquota da taxa de coleta de lixo é uma forma de realização da isonomia tributária e do princípio da capacidade contributiva (RE 232.393, RE 336.782-AgR); (iii) A CF não autoriza a progressividade das alíquotas no ITBI, realizando-se o princípio da capacidade contributiva proporcionalmente ao preço da venda do imóvel (RE 234.105); (iv) A progressividade da alíquota da COSIP, que resulta do rateio do custo da iluminação pública entre os consumidores de energia elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva (RE 573.675). (XXXIII) Princípio do não-confisco -Tem como base fundamental o direito constitucional de propriedade (art. 5º, XXII) e dispositivo explícito do sistema tributário nacional (art. 150, IV), sendo um limite máximo para a tributação. Isto é, enquanto o mínimo vital é um limite mínimo para incidência tributária, o não-confisco é um limite máximo. A Constituição não define o que seja confisco, competindo, em última instância, ao Poder Judiciário estabelecer, utilizando-se da razoabilidade e proporcionalidade, os contornos deste conceito jurídico indeterminado.Princípio do não-confisco (art. 150, IV, da CF) (i) “A multa moratória de 20% ou 30% do valor do imposto devido, não se mostra abusiva ou desarrazoada, inexistindo ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco” (RE 239.964, AI 755.741-AgR, RE 220.284); (ii) Não existe caráter confiscatório de multa de 100% imposta ao contribuinte, por meio de lançamento de ofício, que decorre do fato de haver-se ele omitido na declaração e recolhimento tempestivo da contribuição (RE 241.087-AgR); (iii) Fere o princípio constitucional da não-confiscatoriedade DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 72 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br diploma legislativo que institui multa fiscal de 300% (ADI 1.075-MC, AI 482.281-AgR); (iv) Não configura confisco decisão que, a partir de normas estritamente legais, aplicáveis a espécie, resultou na perda de bem móvel importado (AI 173.689-AgR); (v) Taxa: correspondência entre o valor exigido e o custo da atividade estatal. Se o valor da taxa ultrapassar o custo do serviço prestado ou posto à disposição do contribuinte, dando causa a uma situação de onerosidade excessiva, que descaracterize essa relação de equivalência, configurar-se-á hipótese de ofensa ao princípio do não-confisco (ADI 2.551-MC-QO); (vi) A instituição de alíquotas progressivas para a contribuição previdenciária dos servidores públicos ofende o princípio da vedação de utilização de qualquer tributo com efeito confiscatório (AI 701.192-AgR); (vii) A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mediante verificação da capacidade do contribuinte para suportar e sofrer a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado período, à mesma pessoa política que os houver instituído. Assim, resulta configurado o caráter confiscatório de determinado tributo, sempre que o efeito cumulativo – resultante das múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal – afetar, substancialmente, de maneira irrazoável, o patrimônio e/ou os rendimentos do contribuinte. (ADC 8-MC; ADI 2.551-MC-QO); (viii) “Imposto de Importação. Aumento de alíquota de 4% para 14%. A caracterização do efeito confiscatório pressupõe a análise de dados concretos e de peculiaridades de cada operação ou situação, tomando-se em conta custos, carga tributária global, margens de lucro e condições pontuais do mercado e de conjuntura social e econômica (...). O isolado aumento da alíquota do tributo é insuficiente para comprovar a absorção total ou demasiada do produto econômico da atividade privada, de modo a torná-la inviável ou excessivamente onerosa” (RE 448.432-AgR, DJE de 28-5-2010); (ix) “A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte”, em oposição a proibição de tributos com efeito de confisco (ADI 551, DJ de 14-2- 2003); (x) O regime de substituição tributária ‘para frente’ não ofende ao princípio do não-confisco. (AI 207.377 AgR). (XXXIV) Princípio da liberdade de tráfego - Expresso no art. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 73 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 150, V, da CF/88,proíbe à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, salvo a cobrança de pedágios pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. (XXXV) Princípio da uniformidade geográfica - O princípio da uniformidade geográfica está estabelecido no art. 151, I, da CF/88, afirmando que é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País. (XXXVI) A vedação da tributação diferenciada da rendas das obrigações de dívida pública e da remuneração dos agentes públicos - É o impedimento constitucional da União detributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes (art. 151, II). (XXXVII) A vedação das isenções heterônomas – O texto constitucional proíbe a Uniãodeinstituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (art. 151, III). Segundo interpretação consolidada no STF e STJ, o âmbito de aplicação desta norma é o das relações das entidades federadas entre si (ordem interna) e não a atuação da União na ordem externa (tratados, convenções e acordos internacionais). (XXXVIII) Princípio da não-discriminação em razão da procedência ou destino - Previsto no art. 152 da CF/88 veda aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino. (XXXIX) Princípio da territorialidade das leis – É princípio implícito,assentando que as leis tributárias só têm validade e eficácia no âmbito do Poder Legislativo que o produziu. Assim, em princípio, no caso da União (Congresso Nacional), a lei tem validade no território nacional. Na hipótese de lei estadual (Assembléia Legislativa), a lei tem validade no território estadual. No caso de lei municipal (Câmara de Vereadores), a lei tem validade no território municipal. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 74 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (XL) Salienta-se que a regra é a territorialidade. Contudo, existem casos extraterritorialidade como no caso dos tratados internacionais. Outro exemplo é o art. 102 do CTN, dispondo que a “legislação tributária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos respectivos territórios, nos limites em que lhe reconheçam extraterritorialidade os convênios de que participem, ou do que disponham esta ou outras leis de normas gerais expedidas pela União”. (XLI) Princípios característicos a determinados tributos – Alguns princípios tributários dizem respeito explicitamente a determinados tributos, a saber: (i)generalidade, universalidade e progressividade no IR (art. 153, §2°); (ii) obrigatoriedade daseletividade e da não-cumulatividade no IPI (art. 153, §3°); (iii) progressividade de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas no ITR (art. 153, §4°); (iv) facultatividadedaseletividade e obrigatoriedade da não- cumulatividade no ICMS (art. 155, §2°); (v) progressividade em função do tipo e utilização do veículo no IPVA (art. 155, §6°); (vi) progressividade em razão do valor do imóvel e da função social da propriedade (aproveitamento do solo urbano) no IPTU (arts. 156, §1, e 182, § 4º II). (XLII) PRINCÍPIOS DA GENERALIDADE E DA UNIVERSALIDADE (IMPOSTO DE RENDA): Aplicáveis ao imposto de renda (art. 153, CF). O princípio da generalidade para a doutrina majoritária significa que todas as pessoas, independentemente de qualquer condição (raça, sexo, credo, estado civil etc.), que realizam o fato gerador, devem se submeter à incidência do imposto de renda, exceto quando alcançados pela imunidade ou isenção. Já o princípio da universalidade se contrapõe a idéia de seletividade, isto é, o imposto de renda deve incidir sobre todas as espécies de obtenção de disponibilidadede renda ou provento. Desse modo, dispõe que toda a obtenção de disponibilidade de renda ou provento deve submeter-se à incidência do imposto, ou seja, os acréscimos patrimoniais de todas as espécies e gêneros, independentemente da denominação, localização, condição jurídica, nacionalidade da fonte ou origem, estão sujeitos a incidência do IR, salvo os excluídos pelas próprias normas jurídicas (imunidade e isenção). (XLIII) PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE: Há dois tipos, a saber: (i)progressividade fiscal, com intuito puramente arrecadatório, em que a alíquota cresce à medida que aumenta a respectiva base de cálculo do tributo; (ii)progressividade extrafiscal, com a finalidade principal de estimular ou desestimular determinada conduta do sujeito passivo, em que o tributo aumenta DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 75 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br de valor em face do comportamento do sujeito passivo. Exemplo de progressividade predominantemente fiscal ocorre no IR. Outro exemplo de progressividade fiscal ocorre com o IPTU na hipótese de progressividade em razão do valor do imóvel, que só pode existir a partir da Emenda Constitucional (EC) n.° 29/2000 (Súmula 668 do STF). (XLIV) Por sua vez, exemplo de progressividade extrafiscal é o caso do ITR que deve ser progressivo e suas alíquotas devem ser fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (art. 153, §4º, I, da CF/88). É a hipótese também da progressividade extrafiscal do IPTU no caso de não aproveitamento do solo urbano pelo seu proprietário em razão do tempo (descumprimento da função social da propriedade urbana). JURISPRUDÊNCIA DO STF “Não há tributo progressivo quando as alíquotas são diferenciadas segundo critérios que não levam em consideração a capacidade contributiva” (RE 414.259-AgR); A progressividade e a isenção são institutos distintos. A progressividade pode constituir sanção imposta pelo inadequado aproveitamento da propriedade, nos termos em que dispuser a lei federal; enquanto a isenção diz respeito à observância à capacidade contributiva do contribuinte (RE 238.671); “É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis (ITBI) com base no valor venal do imóvel” (Súmula 656 do STF); A progressividade da alíquota da COSIP, que resulta do rateio do custo da iluminação pública entre os consumidores de energia elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva (RE 573.675). (XLV) PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE (ICMS e IPI): A seletividade é obrigatória (“será”) no IPI e facultativa (“poderá ser”) no ICMS. Decerto, a seletividade dispõe que as alíquotas sejam estabelecidas conforme a essencialidade do produto, mercadoria e serviço. Segundo definição doutrinária, a seletividade quer dizer discriminação ou sistema de alíquotas diferenciadas por espécies de produto, mercadoria e serviço. A seletividade é dirigida ao legislador ordinário, recomendando- lhe que estabeleça as alíquotas em razão inversa da imprescindibilidade dos produtos, mercadorias e serviços de consumo generalizado. Portanto, as alíquotas devem ser maiores para os produtos ou mercadorias supérfluos (exs.: caviar, cigarro etc.) e menores para os produtos ou mercadorias consideradas essenciais (ex.: produtos da cesta básica). DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 76 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br (XLVI) PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE: A não- cumulativa tem por finalidade evitar a denominada tributação em cascata, isto é, a incidência do imposto sobre o imposto. O IPI e o ICMS, por exemplo, são impostos plurifásicos, uma vez que incidem em operações sucessivas. Assim, em regra, a não-cumulativa será aplicada nestes dois impostos, visando a impedir que se tornem confiscatórios, tornando-os cada vez mais gravosos nas várias operações de circulação do produto ou mercadoria. QUESTÕES TRATADAS EM SALA DE AULA 1. (CESPE/Delegado de Polícia/RN/2009)A decisão judicial que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício faz coisa julgada em relação aos posteriores, em respeito aos princípios da separação dos poderes e da autoridade da coisa julgada. 2. (CESPE/Consultor/ES/2010) Em respeito ao princípio da legalidade, não é permitido ao chefe do Poder Executivo elevar a alíquota do imposto de importação, mesmo dentro de limites autorizados por lei. 3. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Inexistindo legislação específica impondo condições e limites, é lícito ao Poder Executivo alterar as alíquotas da contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE). 4. (CESPE/Procurador/PB/2008) Nos termos e limites fixados em lei complementar federal, o Poder Executivo estadual, mediante decreto, pode reduzir, com o objetivo de regular a demanda, as alíquotas de ICMS de determinados produtos, dada a natureza extra- fiscal desse tributo. 5. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) As obrigações principais e acessórias estão sujeitas ao princípio constitucional da legalidade estrita. 6. (CESPE/Juiz Federal/TRF1°REGIÃO/2009)Ofende o princípio da legalidade decreto que antecipa data de recolhimento de tributo. 7. (CESPE/Procurador/PE/2009) A simples atualização monetária não se confunde com majoração de tributo. 8. (CESPE/Procurador/PE/2009) A instituição de emolumentos cartorários pelo tribunal de justiça de um estado não afronta o princípio da reserva legal. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 77 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 9. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010) Atende ao princípio da anterioridade de exercício a publicação, no Diário Oficial, da lei instituidora de imposto no dia 31/12, sábado, apesar de a sua circulação dar-se apenas na segunda-feira. 10. (CESPE/Ministério Público/ES/2010) Lei estadual, que determine a majoração das alíquotas e da base de cálculo do imposto sobre a propriedade de veículos automotores, publicada no dia 31 de dezembro, com cláusula de vigência imediata, produzirá efeitos A no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à majoração da base de cálculo do imposto. B no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, em relação à majoração das alíquotas e da base de cálculo. C 45 dias após a data da publicação da lei, em relação apenas à majoração da base de cálculo. D noventa dias após a data da publicação da lei, apenas em relação à majoração das alíquotas. E no dia 1.º de janeiro do ano seguinte, apenas em relação à majoração das alíquotas. 11. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009) A revogação de isenção tem sido equiparada pelo STF à instituição ou majoração de tributo, razão pela qual só poderá produzir efeitos no exercício financeiro seguinte, em respeito à regra da anterioridade tributária. 12. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Às taxas é aplicado o princípio da anterioridade de exercício, mas não o da anterioridade nonagesimal, que é restrita a impostos e contribuições. 13. (CESPE/Consultor/ES/2010) Considerando que uma lei que criou uma taxa tenha sido promulgada e publicada em 3/12/2009, com vigência a partir da data de publicação, a referida taxa somente deverá ser cobrada a partir 1.º de janeiro de 2010. 14. (CESPE/PROCURADOR/PE/2009)Lei complementar estadual que isente os membros do MP do pagamento de custas judiciais ou emolumentos é constitucional. 15. (CESPE/Promotor/RN/2009)A instituição de tributo com alíquotas progressivas sem ser exageradamente oneroso, não podendo, portanto, ser considerado confisco, faz transparecer, no direito tributário, na instituição do referido tributo, o cuidado com oprincípio da A seletividade. B não-diferenciação tributária. C legalidade estrita. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 78 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br D capacidade contributiva. E igualdade tributária, em sentido jurídico. 16. (CESPE/Direito/TCE/AC/2009)O princípio da capacidade contributiva, segundo previsão expressa na CF, aplica-se a todos os tributos federais, estaduais e municipais. 17. (CESPE/Juiz Federal/TRF1/2010)Contra a imposição de multas por sonegação fiscal ou mesmo pelo não recolhimento do tributo, não se pode argumentar com a proibição constitucional de utilização de tributo com efeito de confisco, já que de tributo não se trata. 18. (CESPE/Juiz Federal/TRF2/2010) Com relação às limitações constitucionais do poder de tributar, assinale a opção correta. A A proibição constitucional da utilização de tributo com efeito de confisco decorre de seu efeito cumulativo, ou seja, sempre que várias incidências estabelecidas pelo mesmo ente tributante afetarem o patrimônio ou rendimentos do contribuinte de forma não razoável. Nessa situação, sua verificação é individual, passível apenas de controle difuso da constitucionalidade. B A utilização de tributo com efeito de confisco tem como parâmetro a incidência do novo tributo em face de sua própria carga tributária, não o total da carga tributária a que esteja submetido o contribuinte. C As multas aplicadas em face da sonegação ou do não recolhimento dos impostos, quando superem o valor do bem, em princípio ofendem tanto o princípio da proporcionalidadequanto o da proibição de tributos com efeito de confisco. D Confisco é sanção e, para verificar se o tributo tem esse efeito, é necessário examinar se a lei que instituiu o tributo tem como fim impor penalidade ao contribuinte. E Os tributos indiretos são repassados ao consumidor final e não incidem sobre renda ou patrimônio, sendo-lhes inaplicável o princípio constitucional da vedação de confisco. 19. (CESPE/Consultor/ES/2010) Se, devido a incentivos fiscais concedidos pelo governo do Espírito Santo, novas empresas produtoras de automóveis instalarem-se no estado, e esse fato contribuir para atrair milhares de trabalhadores de outros estados brasileiros, nesse caso, visando conter o fluxo migratório e para não prejudicar a política de geração de empregos local, o governador poderá instituir um tributo interestadual, limitando a entrada de trabalhadores de outros estados, pelo mesmo período de tempo do incentivo fiscal concedido às montadoras de automóveis. DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 79 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br 20. (CESPE/Advogado/CEF/2010)A União pode instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional. 21. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Qualquer ente federativo pode instituir tributo que importe em distinção ou preferência em favor de determinado estado ou município. 22. (CESPE/Advogado/CEF/2010)Os estados podem estabelecer diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou do seu destino. 23. (CESPE/Advogado/CEF/2010)É vedado aos municípios, e não aos estados, ao DF e à União, o estabelecimento de diferenças tributárias entre bens de qualquer natureza, em razão de sua natureza ou de seu destino. 24. (Juiz Federal/TRF3°/2011) Em setembro de 2011, a União editou decreto determinando a elevação das alíquotas de IPI sobre a importação de automóveis e instrução normativa determinando a prorrogação do direito de dedução, sobre o imposto de renda anual da pessoa física, da contribuição previdenciária paga a empregado doméstico. Em ambas as normas, há cláusula de vigência para o dia da publicação desses atos normativos. Acerca desse aspecto, é correto afirmar, em conformidade com a CF e com o CTN, que A os efeitos do decreto produzem-se a partir de 1.º/1/2012, e os da instrução normativa, a partir da publicação. B os efeitos do decreto produzem-se após 90 dias contados da publicação, e os da instrução normativa, a partir da publicação. C os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-se após 90 dias contados da publicação. D os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-se a partir de 1.º de janeiro de 2012. E os efeitos do decreto e da instrução normativa produzem-se a partir da publicação dessas normas. 25. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização de débitos tributários em atraso relacionados ao IPVA, mesmo que inexista lei estadual nesse sentido. 26. (CESPE/Defensoria Pública-União/2010) Considere que determinado estado da Federação tenha publicado lei majorando a alíquota do ICMS de 18% para 19% e estabelecendo que sua vigência terminaria em 31 de dezembro de 2009. Considere, ainda, que, em meados desse mês, tenha sido publicada lei que manteve a alíquota DIREITO TRIBUTÁRIO P/ O STJ (TEORIA E EXERCÍCIOS - CESPE) PROFESSOR: EDVALDO NILO 80 Prof. Edvaldo Nilo www.pontodosconcursos.com.br de 19% para o ano de 2010. Nesse caso, a lei publicada em dezembro de 2009 viola o princípio da anterioridade nonagesimal. 27. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010) Segundo decisão do STF, em controle de constitucionalidade abstrato, não ofende o princípio da não confiscatoriedade hipótese normativa que estipule multa fiscal de 300%, desde que se trate de inadimplemento pelo contribuinte de obrigação tributária. 28. (CESPE/Promotor de Justiça de Rondônia/2010) Com a finalidade de não ofender o pacto federativo, a CF veda que a União conceda incentivos fiscais às diferentes regiões do país, ainda que sob o argumento de promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico. 29. (CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) Se, na região Norte do país, for criado território federal, mediante lei complementar, competirá à União a instituição do ICMS nesse território. 30. (CESPE/Advogado-BRB/2010) Para que a União tenha competência para instituir impostos residuais por lei ordinária federal, é suficiente que estes obedeçam ao requisito de não cumulatividade. 31. (CESPE/Analista-EMBASA/2010) Tanto a União como os estados, o Distrito Federal e os municípios podem legislar concorrentemente sobre direito tributário. Cada uma das esferas da administração tem competência legislativa plena no âmbito de sua jurisdição. GABARITO PURO 1. E 2. E3. E 4. E5. E 6. E 7. C8. E9. C10. A 11. C 12. E13. E14. E15. D16. E17. E18. C19. E20. E 21. E 22. E23. E 24. B 25. E 26. E 27. E 28. E 29. C 30. E 31. E