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Direito Tributário | Helton Kramer 
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1 – CONCEITO DE DIREITO TRIBUTÁRIO: 
é a ciência que estuda os princípios e normas que disciplinam a ação 
estatal de exigir tributos, preocupando-se com as relações jurídicas que, 
em decorrência da tributação, se estabelecem entre o fisco e os 
contribuintes. 
Em linhas gerais, o direito tributário é ciência que estuda os princípios e 
normas que disciplinam a ação estatal de exigir tributos, preocupando-se 
com as relações jurídicas que, em decorrência da tributação, se 
estabelecem entre o fisco e os contribuintes. 
O objetivo das normas, por sua vez, é reduzir os abusos praticados pelo 
Estado e eliminar qualquer sorte de privilégios infundados. Em outras 
palavras, o Direito Tributário tem por finalidade alcançar o equilíbrio entre 
partes que claramente não possuem a mesma grandeza. Nas palavras de 
Sacha Calmon Navarro Coelho, “o direito tributário regula e restringe o 
Poder do Estado de exigir tributos e regula os direitos e deveres dos 
contribuintes, isonomicamente. Seu objeto é a relação jurídica travada entre 
o Estado e o contribuinte.” 
 
2 – COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA 
Ao mesmo tempo em que a Constituição criou os direitos individuais, ela 
também sistematizou a forma do Poder de Tributar (aptidão de criar 
tributos), delimitando-o no intuito de assegurar os direitos dos 
contribuintes. 
Pode-se entender que o sistema tributário possui três níveis distintos de 
normas, são elas: 
 
• plano constitucional: as normas de competência - são as normas que, 
veiculadas pela própria Constituição, tratam da competência das 
pessoas políticas para criar e cobrar tributos (positivas e negativas). As 
imunidades tributárias e as competências tributárias estão previstas na 
CF/88. 
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• plano da lei complementar: normas gerais de direito tributário - São 
normas que, na diretriz do art. 146 da CF, dispõem sobre conflitos de 
competência, regulam as limitações do poder de tributar e estabelecem 
as normas gerais em matéria de legislação tributária. Exemplo: Código 
Tributário Nacional, LC 116/03 (ISSQN), LC 87/96 (ICMS). 
• plano da legislação ordinária: normas de incidência – Trata-se da lei 
de cada um dos entes federativos que trazem a norma de incidência, ou 
seja, a norma que irá criar o tributo. 
Para Roque Carraza que a Constituição “apontou a hipótese de incidência 
possível, o sujeito ativo possível, o sujeito passivo passível, a base de cálculo 
possível e a alíquota possível, das varias espécies e subespécies de tributos. 
Em síntese, o legislador, ao exercitar a competência tributária, deverá ser fiel 
à norma-padrão de incidência do tributo, pré-traçada na Constituição”1. Em 
outras palavras, é a repartição do poder de tributar, constitucionalmente 
atribuída aos diversos entes públicos, de forma que um tenha o poder de 
instituir e arrecadar os tributos de sua exclusiva responsabilidade. 
Continua Roque Carraza que na verdade não se fala em Poder Tributário 
(incontestável, absoluto) mas sim competência tributária (disciplinada pelo 
Direito), com as seguintes características: 
 
a) privatividade; 
b) indelegabilidade; 
c) incadubilidade; 
d) inalterabilidade; 
e) irrenunciabilidade; 
f) facultatividade (LRF - obrigatoriedade). 
 
 
1 CARRAZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional tributário. 22 ed. São Paulo: Malheiros, 2006, 
p. 483. 
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Uma vez que a competência tributária é indelegável (art. 7º do CTN), 
apenas determinadas funções são transferíveis, como as de arrecadação ou 
de fiscalização, que passam de um órgão público para outro. Assim, a 
competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de 
arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões 
administrativas em matéria tributária. Contudo, não constitui delegação de 
competência o cometimento, a pessoas de direito privado, do encargo ou da 
função de arrecadar tributos. simples função de caixa, que é hoje atribuída 
aos estabelecimentos bancários. 
Por exemplo, é permitida a delegação do ITR, a qual foi prevista no art. 153, 
§ 4º, III, da Constituição: “§ 4º - O imposto previsto no inciso VI (que é o ITR, 
de competência da União) do caput: III - será fiscalizado e cobrado pelos 
Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique 
redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal. 
Então, o que os Municípios poderão fazer? Fiscalizar e cobrar o ITR. Temos 
aqui delegação da capacidade tributária ativa. 
 
Espécies de competência: 
a) Competência legislativa plena: consiste no poder exclusivo da 
pessoa jurídica de direito público conforme indicada pela CF, de criar 
e arrecadar tributos, de acordo com o que dispõe o CTN, art. 6º. 
b) Competência comum a todos as esferas de governo (federal, estadual 
e municipal, e ainda o DF) se refere às taxas e às contribuições de 
melhoria. 
c) Competência residual possibilidade da União, por meio de Lei 
complementar, instituir outros impostos, desde que não sejam 
cumulativos e não possuam a mesma base de cálculo e o mesmo fato 
gerador de outros já previstos. É a determinação do art. 154, I, da CF. 
 
Diferença entre “BIS IN IDEM” e BITRIBUTAÇÃO: Bis in idem é quando 
o mesmo poder tributário competente tentar criar um imposto repetido 
sobre a mesma coisa. Ex. Estado cobra o IPVA, suponhamos que ele 
institua o IPAR – imposto sobre automóveis rodantes. A bitributação é a 
hipótese de dois entes políticos tentarem tributar a mesma situação 
jurídica. Ex. a União (ITR) e o Município (IPTU) tributam a mesma 
propriedade. 
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3 – CONCEITO DE TRIBUTO: 
No artigo 3.º do Código Tributário Nacional está contida a definição de 
tributo: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou 
cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, 
instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente 
vinculada.” 
Com a expressão “ou cujo valor nela se possa exprimir”, quer a lei dizer 
que, em circunstâncias extraordinárias, previstas em lei, é possível que o 
fisco aceite a satisfação da obrigação tributária com a entrega de bens, 
cujo valor possa ser convertido em moeda, por exemplo a dação em 
pagamento de bens imóveis. 
 
Tributo X Tarifa/Preço Público 
 
O fulcro do critério do discrímen está primeiramente no modo de 
nascimento da obrigação. Se se tratar de vínculo nascido da vontade das 
partes, estar-se-á diante de figura convencional (obligatio ex voluntate), 
mútuo, aluguel, compra e venda etc. Isto permite discernir a obrigação 
tributária das obrigações convencionais. (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de 
Incidência Tributária. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 37). 
 
Tributos X Multas X Indenizações 
Em outras palavras: o tributo não é sanção por violação de nenhum 
preceito, nem reparação patrimonial. Com estas delimitações é que se 
deve entender o conceito de tributo, adotado pelo direito constitucional 
brasileiro. (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária. 3ª ed. São 
Paulo: Malheiros, 2001, p. 37) O tributo não constitui sanção por ato ilícito, 
mas isso não quer dizer que seria vedada a tributação de valores oriundos 
da atividade ilícita. Por força da teoria do non olet, o Supremo Tribunal 
Federal entende que não importa se os rendimentos obtidos originaram-
se de atividade ilícita, haverá a tributação (HC 37530). 
 
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Tributos Multas 
Prestação que não 
constitui sanção por 
ato ilícito 
Sanção por ato 
ilícito 
Obrigação de 
pagamento surge 
sempre em virtude 
da verificação, no 
mundo dos fatos 
(fato gerador) da 
situação 
hipoteticamente 
prevista em lei 
Pode decorrer do 
inadimplemento