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Info 713 STF

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INFORMATIVO esquematizado 
 
Informativo 713 – STF 
Márcio André Lopes Cavalcante 
 
Processo excluído deste informativo por não ter sido concluído em virtude de pedido de vista: MS 25344/DF. 
 
DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
IPTU: impossibilidade de majoração da base de cálculo por meio de decreto 
 
A base de cálculo do IPTU é o VALOR VENAL do imóvel (art. 33 do CTN). 
 
Os Municípios não podem alterar ou majorar, por decreto, a base de cálculo do IPTU, sob pena 
de violação ao art. 150, I, da CF/88. 
 
A simples atualização do valor monetário da base de cálculo poderá ser feita por decreto do 
Prefeito. Assim, os Municípios podem atualizar, anualmente, o valor dos imóveis, com base nos 
índices oficiais de correção monetária, visto que a atualização não constitui aumento de tributo 
(art. 97, § 1º, do CTN) e, portanto, não se submete à reserva legal imposta pelo art. 150, I, da CF/88. 
 
Conclusão: é inconstitucional a majoração, sem edição de lei em sentido formal, do valor venal 
de imóveis para efeito de cobrança do IPTU acima dos índices oficiais de correção monetária. 
Comentários IPTU: imposto municipal 
O IPTU (Imposto sobre propriedade predial e territorial urbana) é um tributo de 
competência dos Municípios, estando previsto no art. 156, I, da CF/88: 
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: 
I - propriedade predial e territorial urbana; 
 
Fato gerador 
O fato gerador do IPTU é a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel localizado 
na zona urbana do Município. 
 
Sujeito passivo 
Assim, em regra, o indivíduo que é proprietário, titular do domínio útil ou possuidor de 
imóvel urbano deverá pagar IPTU. 
 
Alíquotas 
As alíquotas do IPTU poderão ser livremente estipuladas pelos Municípios, por meio de lei 
municipal, desde que, obviamente, não sejam exorbitantes a ponto de caracterizar um 
confisco, o que é vedado constitucionalmente (art. 150, IV, da CF/88). P
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A CF/88 permite que as alíquotas do IPTU sejam: 
a) Progressivas no tempo em caso de imóvel que não esteja cumprindo sua função social 
(art. 182, § 4º, II), ou seja, imóveis não edificados, inutilizados ou subutilizados. 
b) Progressivas em razão do valor do imóvel (art. 156, § 1º, I); 
c) Diferenciadas de acordo com a localização e o uso do imóvel (art. 156, § 1º, II). 
 
Qual é a base de cálculo do IPTU? O percentual da alíquota incide sobre que valor? 
A base do cálculo é o VALOR VENAL do imóvel (art. 33 do CTN). 
Assim, o valor do IPTU será a aplicação da alíquota (ex: 2%) sobre o valor venal do imóvel 
(ex: 100 mil reais). Em nosso exemplo, o IPTU seria de 2 mil reais. 
 
Eduardo Sabbag afirma que a base de cálculo será “o preço à vista que o imóvel alcançaria 
se colocado à venda em condições normais no mercado imobiliário” (Manual de Direito 
Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 984). 
 
Planta de valores 
Geralmente, o valor venal do imóvel é calculado com base em planta de valores elaborada 
pelo Fisco municipal. 
 
Valores somente podem ser instituídos e majorados por lei 
Essa planta genérica de valores somente pode ser instituída e majorada por meio de lei, 
considerando que, segundo a jurisprudência, isso consiste na própria base de cálculo do IPTU, 
devendo, portanto, obedecer ao princípio da reserva legal (art. 150, I, da CF/88; art. 97, II e IV, 
do CTN): 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, 
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 
 
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 
II - a majoração de tributos (...) 
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo (...) 
 
Com base nesses dispositivos, o Plenário do STF reafirmou o entendimento de que os 
Municípios não podem alterar ou majorar, por decreto, a base de cálculo do IPTU. 
 
Atualização do valor pode ser feita por meio de decreto 
A simples atualização do valor monetário da base de cálculo poderá ser feita por decreto do 
Prefeito. 
Assim, os Municípios podem atualizar, anualmente, o valor dos imóveis, com base nos 
índices oficiais de correção monetária, visto que a atualização não constitui aumento de 
tributo (art. 97, § 2º, do CTN) e, portanto, não se submete à reserva legal (princípio da 
legalidade tributária) imposta pelo art. 150, I, da CF/88. 
Nesse sentido, confira a redação do CTN: 
Art. 97 (...) § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II 
deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. 
 
Vale ressaltar que atualizar o valor dos imóveis significa apenas aplicar, sobre o valor antigo, 
os índices oficiais de correção monetária referentes ao período. Se houver algo além disso, 
será considerado majoração, para a qual se exige lei. Nesse sentido: 
Súmula 160-STJ: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual 
superior ao índice oficial de correção monetária. 
 
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Exemplo concreto julgado pelo STF: 
De 2006 a 2007, a variação do IPCA/IBGE foi de 5,88%. 
Logo, o valor venal dos imóveis, para fins de IPTU, poderia sofrer essa atualização. 
Ocorre que o Município, por meio de um Decreto, majorou o valor venal dos imóveis em 
mais de 50%, o que demonstra que não utilizou os índices oficiais de correção monetária, 
representando, portanto, uma verdadeira majoração da base de cálculo, o que somente 
poderia ser feito por lei em sentido formal. 
 
Alteração da base de cálculo do IPTU é exceção à anterioridade nonagesimal 
Aproveitando o tema, vejamos outros aspectos interessantes sobre a BC do IPTU. 
Se o município editar uma lei majorando a base de cálculo do IPTU, ou seja, aumentando o 
valor venal dos imóveis, tal lei deverá obedecer ao princípio da anterioridade anual (art. 
150, III, “b”, CF/88). 
Por outro lado, não precisa respeitar a anterioridade nonagesimal (art. 150, III, “c” e § 1º). 
Assim, se a lei municipal alterar o valor venal dos bens e for publicada em 10 de dezembro 
de 2013, esta majoração não poderá ser cobrada em 2013, mas já será exigível a partir de 
1º de janeiro de 2014. 
 
Quadro-resumo: 
OBJETIVO INSTRUMENTO QUANDO PODERÁ SER COBRADA? 
Fixar o valor dos imóveis Lei em sentido formal Em 1º de janeiro do ano seguinte. 
Majorar o valor dos imóveis Lei em sentido formal Em 1º de janeiro do ano seguinte. 
Mera atualização do valor dos imóveis 
(aplicar índices de correção monetária) 
Ato infralegal 
(decreto) 
Imediatamente. 
 
 
Processo STF. Plenário. RE 648245/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, 1º.8.2013 (repercussão geral). 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Julgue os itens a seguir: 
1) (TRF2 2013 CESPE) O município pode atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual não superior 
ao índice oficial de correção monetária. ( ) 
 
2) (PFN 2012 ESAF) De acordo com a jurisprudência do STJ sobre o IPTU, de competência dos Municípios e 
do Distrito Federal é defeso aos municípios aumentarem a base de cálculo do IPTU por meio de 
decreto. ( ) 
 
3) (Juiz TJAC 2012 CESPE) Foi editada lei municipal criando IPTU e constava, anexa à lei, a pauta de valores dos 
imóveis do município. De acordo com essa lei, a secretaria de fazenda estava autorizada a atualizar, com 
base na valorização imobiliária, a pauta nos exercícios posteriores. Com base nessa situação hipotética, 
assinale a opção correta. 
A) Ao Poder Executivo pode ser delegada a atualização do valor do imposto com base na correção 
monetária. 
B) O município não poderia editar lei instituindo IPTU, uma vez que a CF já o fez, mostrando-se, por 
isso, indiferente o meio utilizado para a atualização da pauta de valores. 
C) É desnecessária