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AN02FREV001/REV 4.0 
 160 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FARMÁCIA HOSPITALAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 161 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FARMÁCIA HOSPITALAR 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do 
mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são 
dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 162 
 
MÓDULO IV 
 
 
20 FARMACOECONOMIA 
 
 
Até o início do século XX, a disponibilidade de medicamentos era limitada a 
pouco mais de duas centenas, o acesso aos medicamentos era restrito a poucas 
pessoas por motivos geográficos e socioeconômicos e havia uma quantidade 
relativamente pequena de informações conhecidas sobre cada um deles. Já, a partir da 
década de 1940, verificou-se grande descoberta de novos fármacos e de informações 
relevantes sobre o uso, aumentando rapidamente a complexidade do exercício da 
terapêutica medicamentosa. Além disso, mudanças na estrutura das sociedades e a 
cultura de massas forçaram importantes alterações no papel de governos e de 
instituições privadas quanto ao provimento de artigos e serviços de saúde. Na medida 
em que a cultura se desenvolveu, as exigências sociais se ampliaram tanto no aspecto 
da demanda quali-quatitativa por medicamentos e serviços adequados quanto pelas 
exigências de eficácia e segurança de produtos farmacêuticos. 
No final da década de 1960, alguns países como a Suécia, a Islândia, a 
Finlândia e a Noruega, pressionados pela existência de um grande número de 
produtos farmacêuticos de eficácia duvidosa e custo elevado, iniciaram movimentos 
no sentido de racionalizar a terapêutica farmacológica, reduzindo a oferta abundante 
de medicamentos para aqueles que eram realmente indispensáveis, usando critérios 
de análise comparativa entre custos e avaliação de qualidade de produtos. Para ser 
aceito, um produto farmacêutico precisava demonstrar que poderia ser mais eficaz e 
menos dispendioso. No entanto, a experiência acumulada por meio do tempo 
mostrou que critérios para a avaliação do binômio custo-qualidade tinham de ser 
muito mais abrangentes do que a simples comparação de preço com eficácia, sob o 
risco de estar perdendo uma visão ética e humanística da prática clínica. 
Os estudos de farmacoeconomia surgiram em 1978, porém, este termo 
“farmacoeconomia” foi utilizado pela primeira vez apenas em 1986. A 
farmacoeconomia pode ser definida como a descrição, a análise e a comparação 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 163 
dos custos e das consequências das terapias medicamentosas para os pacientes, 
os sistemas de saúde e a sociedade, com o objetivo de identificar produtos e 
serviços farmacêuticos cujas características possam conciliar as necessidades 
terapêuticas com as possibilidades de custeio. 
 
 A análise econômica da saúde deve considerar: 
 Custos da preparação administração e controle dos resultados; 
 Tratamento dos efeitos secundários e indesejáveis; 
 Características clínicas e farmacológicas dos medicamentos; 
 Benefícios na prática clínica real comparada aos seus custos. 
 
A avaliação econômica dos medicamentos aborda metodologias utilizadas à 
avaliação clínica, por meio das análises de custo-benefício e custo-efetividade, 
aplicadas aos problemas de saúde, promovendo segurança e qualidade dos 
tratamentos, pela comparação entre dois ou mais medicamentos ou tratamentos, 
buscando menor dispêndio de recursos. 
 
 
20.1 CUSTOS 
 
 
É um complexo, que engloba elementos mensuráveis tanto qualitativa 
quanto quantitativamente, e aos quais podem ser atribuídos valores financeiros, 
podendo ser dividido como veremos a seguir. 
 
 
20.1.1 Custos diretos 
 
 
São aqueles pagamentos que implicam em uma retirada financeira real e 
imediata, como o uso de materiais e medicamentos, salários (horas trabalhadas), 
exames realizados, despesas administrativas e outros eventos. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 164 
 
20.1.2 Custos indiretos 
 
 
São representados por ganhos não realizados, fatos sempre presentes na 
maioria das situações de doença e que envolvem o próprio paciente e seus 
acompanhantes (perda temporária ou definitiva da capacidade de trabalho). 
 
 
20.1.3 Custos intangíveis 
 
 
São representados por dor, sofrimento, incapacidade e perda da qualidade de 
vida. O sentido dado à palavra custo, neste caso, tem a ver com o ônus psicológico 
que esses fatores representam, mas não podem ser avaliados em valores monetários. 
No entanto, podem ser englobados em avaliações de consequências e mostram 
importância no processo de decisão entre condutas diferentes. 
 
 
20.2 ANÁLISE FARMACOECONÔMICA 
 
 
A análise farmacoeconômica atualmente se faz imprescindível tanto ao 
sistema público de saúde como no particular. Esta análise busca comparar opções 
diferentes de conduta em saúde, posto que quando se faz a comparação entre dois 
ou mais medicamentos (ou outros procedimentos), serão verificadas diferenças nas 
consequências para a saúde. 
Essas consequências são os resultados do tratamento que podem ser 
mensuradas por meio de resultados clínicos (por exemplo, porcentagens de curas 
obtidas, complicações evitadas, número de vidas salvas, melhorias em parâmetros 
vitais e outros), econômicos (lucros ou prejuízos) ou humanísticos (mudanças na 
qualidade de vida dos pacientes). De acordo com o tipo de consequência analisada, 
as análises farmacoeconômicas podem ser classificadas como: 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 165 
 Análise de custo-benefício – quando uma opção terapêutica é avaliada 
em termos de suas vantagens ou desvantagens econômicas; 
 Análise de custo-efetividade – quando a opção terapêutica é avaliada 
em termos dos resultados clínicos obtidos; 
 Análise de custo-utilidade – quando a opção terapêutica é avaliada 
em termos do aumento ou redução dos indicadores de qualidade de vida 
dos usuários. 
 
 
20.2.1 Análise de custo-benefício 
 
 
Nas análises do tipo custo-benefício, o que se procura é identificar a opção de 
tratamento que permite reduzir custos ou aumentar lucros, especificamente olhando a 
resposta financeira obtida por cada opção. Para a sua utilização, é necessário levar 
em conta que as alternativas sob estudo não trazem em si riscos éticos insuportáveis. 
Apenas se admitiria a adoção de uma alternativa mais barata, com potencial 
danoso, se fosse a única opção ou em caso de decisões em prol de uma maioria de 
indivíduos que poderia ser prejudicada pela adoção de uma alternativa mais cara. 
Uma avaliação de custo-benefício parte do levantamento de custos de uma 
opção. Em seguida, devem ser levantados os benefícios econômicos obtidos pela 
opção, como a quantidade de recursos financeiros que podem ser reduzidos pela 
adoção da alternativa, por exemplo. 
 
 
20.2.2 Análise de custo-efetividade 
 
 
As análises de custo-efetividade têm por objetivo identificar a opção 
terapêutica que consegue obter o melhor resultado clínico por unidade monetária 
aplicada (Tabela 9). 
Os resultados clínicos são levantados por meio de ensaios clínicos (de 
preferência controlados, randomizadose duplo-cegos), estudos de coorte ou 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 166 
estudos observacionais; podem provir de publicações científicas ou, simplesmente, 
de reuniões com comitês de especialistas (embora esta forma seja altamente 
passível de desvios e imprecisões). 
 
 
TABELA 9 - ANÁLISE DE CUSTO-EFETIVIDADE 
Medicamentos Custo para tratar 
100 pacientes 
Número de vidas 
salvas/100 pacientes 
Razão 
custo/efetividade 
(custo/vida salva) 
A R$ 30.000 10 R$ 3.000 
B R$ 20.000 4 R$ 5.000 
C R$ 18.000 18 R$ 1.000 
FONTE: Adaptado de Neto, J. F. M. 
Farmácia Hospitalar e suas interfaces com a saúde pública, 2005. 
 
 
20.2.3 Análises de custo-utilidade 
 
 
O profissional de saúde, em particular o médico, possui a tendência de se 
deixar dominar pelos aspectos concretos e objetivos da ciência. Resultados obtidos 
por ensaios clínicos controlados, mensurados por meio de ferramentas estatísticas, 
frequentemente se sobrepõem à satisfação dos pacientes como um fator de escolha, 
pressupondo que o mesmo só está interessado na cura e, quando essa é obtida, 
sua satisfação será máxima. 
No entanto, nem sempre um paciente estará disposto ou satisfeito em 
usar um produto cujas características envolvam qualquer grau de sacrifício e mal-
estar, muitas vezes o prolongamento do tempo de vida e os custos adicionais 
associados à opção por um determinado tratamento não se justificam pelo nível 
de sofrimento do paciente. 
Por esse motivo vêm sendo desenvolvidas ferramentas de análise que 
obtêm e quantificam a satisfação do paciente com relação ao tratamento 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 167 
empregado, traduzindo-se estes dados como a mensuração da qualidade de vida 
associada à saúde. 
 
 
20.2.3.1 Avaliação da qualidade de vida associada à saúde 
 
 
A qualidade de vida é um conceito muito mais amplo e envolve não apenas 
a saúde, mas também a percepção global do paciente de um determinado número 
de dimensões-chaves, com ênfase nos seguintes itens: 
 Características físicas, biológicas, anatômicas e hereditárias; 
 Estado funcional e capacidade de desempenhar as atividades do 
cotidiano; 
 Estado mental, incluindo a autopercepção da saúde e do estado de 
ânimo; 
 Potencial de vida individual, que inclui a longevidade e o prognóstico 
dos eventuais estados mórbidos; 
 Fatores ambientais, que incluem a situação socioeconômica, a 
educação, os hábitos de higiene, a alimentação e o meio ambiente, entre 
outros. 
A avaliação da qualidade de vida associada à saúde é feita por meio de 
questionários cuidadosamente elaborados para captar o grau de satisfação de um 
indivíduo com o seu estado atual. Os resultados obtidos são valores quantitativos 
que representam escores de qualidade de vida (comumente chamados valores de 
QOL – Quality Of Life). 
Os indicadores QOL podem ser também usados em associação com o 
tempo de vida de um paciente portador de uma enfermidade, obtendo-se os 
valores de QUALY (Quality of Life Years Gained), ou AVAQ (Anos de Vida 
Ajustados pela Qualidade), que expressam a utilidade percebida pelo paciente no 
tempo de vida em tratamento ao qual foi submetido, dados esses utilizados em 
estudos de custo-utilidade (Tabela 10). 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 168 
 
TABELA 10 - ANÁLISE DE CUSTO UTILIDADE 
Item Antidepressivo A Antidepressivo B 
Custo/dia de tratamento R$ 1,30 R$ 1,50 
Escore de QOL 0,5 0,8 
Extensão de vida 20 anos 30 anos 
Índice AVAQ 10 AVAQ 24 AVAQ 
Custo anual do tratamento R$ 474,00 R$ 912,50 
Relação custo/utilidade R$ 47,40/AVAQ R$ 38,02/AVAQ 
FONTE: Adaptado de Neto, J. F. M. 
Farmácia Hospitalar e suas interfaces com a saúde pública, 2005. 
 
 
21 FARMACOVIGILÂNCIA 
 
 
A tragédia da Talidomida, no início da década de 1960, modificou 
radicalmente o processo de novos fármacos no mundo. Em vários países, os 
governos e as autoridades sanitárias criaram ou aprimoraram suas legislações 
relativas ao registro de medicamentos. O reconhecimento de limitações dos ensaios 
clínicos, principalmente de fase III, estimulou os pesquisadores e clínicos a 
buscarem métodos que permitissem a identificação precoce de reações adversas 
raras, graves e fatais, na pós-comercialização. Nascia assim a farmacovigilância. 
Segundo a OMS, farmacovigilância é o conjunto de métodos que tem por 
objetivo a identificação e a avaliação dos efeitos do uso agudo e crônico, dos 
tratamentos farmacológicos no conjunto da população ou em subgrupos de 
pacientes expostos a tratamentos específicos. Esse campo de atividade tem se 
expandindo e, recentemente, incluiu novos elementos de observação e estudo, 
como: plantas medicinais; medicinas tradicional e complementar; produtos derivados 
de sangue; produtos biológicos; produtos médico-farmacêuticos; vacinas. 
 
Além das reações adversas a medicamentos, são questões relevantes para 
a farmacovigilância: 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 169 
 Desvios da qualidade de produtos farmacêuticos; 
 Erros de administração de medicamento; 
 Notificações de perda da eficácia; 
 Uso de fármacos para indicações não aprovadas, que não possuem 
base científica adequada; 
 Notificação de casos de intoxicação aguda ou crônica por produtos 
farmacêuticos; 
 Avaliação de mortalidade; 
 Abuso e uso errôneo de produtos; 
 Interações, com efeitos adversos, de fármacos com substâncias 
químicas, outros fármacos e alimentos. 
 
 
21.1 ESTUDOS DE FARMACOVIGILÂNCIA 
 
 
Para auxiliar os estudos de fase IV, ou farmacovigilância, foram 
desenvolvidos alguns desenhos metodológicos. 
 
 
21.1.1 Caso Controle 
 
 
Trata-se de um estudo que parte do efeito para chegar às causas. É uma 
investigação na qual, pessoas com uma dada reação adversa são comparadas com 
outras sem essa condição, de modo a identificar, no passado, se estiveram expostas 
a um determinado medicamento que poderia explicar a ocorrência do agravo 
estudado. Utiliza-se o odds-ratio. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 170 
21.1.2 Coorte 
 
 
É um estudo que parte da causa para observar os efeitos. Um grupo de 
pessoas que utiliza e outro que não utiliza determinado medicamento são seguidos 
no tempo com o intuito de determinar quais de seus componentes desenvolveram 
reações adversas e se a exposição prévia ao medicamento está relacionada à 
ocorrência do agravo estudado. Utiliza-se o risco relativo. 
 
 
21.1.3 Ecológicos 
 
 
O efeito de um medicamento na ocorrência de um evento relativo ao seu uso 
é comparado pelo menos duas vezes, antes e depois de sua retirada do mercado. O 
objetivo é avaliar se a disponibilidade do fármaco afeta, de alguma forma, a 
ocorrência de algum tipo de efeito. 
 
 
21.1.4 Transversais 
 
 
Neste estudo, causa e efeitos são detectados simultaneamente, sendo os 
dados coletados de uma população de pacientes em um mesmo ponto no tempo, 
independentemente da exposição ou estado da doença. É um corte no fluxo 
histórico da doença, evidenciando as características apresentadas por ela naquele 
momento. Desfecho e exposição acontecem num mesmo ponto no tempo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 171 
21.2 PROJETO HOSPITAL SENTINELA 
 
 
Criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o projeto 
Hospital Sentinela constitui uma rede nacional de hospitais, cuja finalidade é a 
notificação ativa e qualificada de queixas técnicas e efeitos adversos relacionados a 
produtos de saúde: materiais médico-hospitalares, equipamentos eletroeletrônicos, 
medicamentos, sangue e hemoderivados, saneantes,kits diagnósticos. 
As notificações podem ser classificadas como: 
 Notificação voluntária; 
 Profissionais de saúde – médicos, farmacêuticos, enfermeiros, 
odontólogos e representantes da indústria farmacêutica; 
 Usuários; 
 Notificação compulsória; 
 Profissionais de saúde. 
Essas notificações podem ser feitas a partir do preenchimento do formulário 
de notificações de reações adversas que pode ser enviado via internet, correio ou 
fax aos hospitais que compõem esta rede. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 172 
 
 
22 CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS (CIM) 
 
 
O papel mais importante no sistema de saúde é ocupado pelos 
medicamentos, pois esses salvam vidas e melhoram a saúde. O amplo emprego dos 
medicamentos, os altos custos que estes representam na assistência à saúde, a 
elevada incidência de morbimortalidade atribuída aos medicamentos, a possibilidade 
de que boa parte possa ser prevenida ou amenizada a partir da difusão e do uso de 
informação e de uma assistência farmacêutica de qualidade, tornam o uso racional 
de medicamentos um dos grandes desafios para a saúde pública. 
Com o avanço das ciências em geral, tem aumentado exponencialmente a 
quantidade de informação disponível. Na área farmacêutica, a partir da década de 
1940, também tem havido a introdução de novos medicamentos em grande escala. 
A essa quantidade de informação se convencionou chamar de “explosão de 
informação” ou “avalanche de informação”. Apesar da quantidade, essa informação 
nem sempre é de boa qualidade e imparcial; além disso, este volume de informação 
não é difundido de forma eficiente e ágil, de modo que os profissionais da saúde têm 
dificuldade em se manter atualizados. 
Este contexto dá origem a estudos que relatam cinco fatores causadores de 
problemas na farmacoterapia de um hospital: 
 Sistemas deficientes de distribuição e de administração de 
medicamentos; 
 Aplicação inadequada da informação do produto no que se refere a sua 
preparação e administração; 
 Informação inadequada do médico prescritor; 
 Falta de conhecimento sobre as características farmacocinéticas dos 
medicamentos; 
 Falta de interesse e de preocupação no que se refere ao conhecimento 
e à notificação de reações adversas aos medicamentos. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 173 
Os quatro primeiros fatores estão fundamentalmente ligados à falta de 
conhecimento e de informação sobre os medicamentos. Nesse caso, o problema 
não é a inexistência da informação, mas a dificuldade de acesso e de uso da 
mesma. Em nosso país, o problema é mais grave, já que a informação, em geral, 
não está disponível por causa dos altos custos que envolvem a aquisição e a 
manutenção da mesma e, também, por existir poucas publicações em português. 
Um estudo americano cita que estima 7 mil mortes anuais, nos EUA, entre 
pacientes ambulatoriais e hospitalares devido a erros de uso de medicamentos. No 
Brasil, o SUS registrou, em 1999, 275 milhões de consultas médicas e 12 milhões de 
internações hospitalares. 
Estes dados permitem estimar a importância dos medicamentos nestes 
procedimentos. 
A diretora-geral da OMS, em 1999, publica artigo onde expressa que: 
 De 25% a 75% dos antibióticos são prescritos inapropriadamente, 
mesmo em hospitais universitários; 
 Estudos realizados em farmácias de países em desenvolvimento 
demonstraram que 90% dos consumidores compram antibióticos para três 
dias de tratamento ou menos; 50% compram somente para o tratamento de 
um dia; 
 Em média, 50% dos pacientes do mundo não tomam os medicamentos 
corretamente, resultando em mortalidade excessiva por infecções comuns, 
resistência a medicamentos e tratamento inadequado de doenças crônicas, 
como a hipertensão. 
Uma das propostas para solução desses problemas é a formação de 
farmacêuticos, clinicamente treinados como disseminadores de informação sobre 
medicamentos, serviço que esses profissionais, tanto comunitários como hospitalares, 
tradicionalmente vêm prestando de modo informal. Nos EUA, os farmacêuticos são os 
profissionais que mais atuam nos Centros de Informação sobre Medicamentos, o que 
também se observa no Brasil, uma vez que, como categoria profissional, são eles que 
têm a formação mais abrangente sobre medicamentos. 
Em 1962, foi criado o primeiro Centro de Informação sobre Medicamentos 
do mundo, no Centro Médico da Universidade de Kentucky, nos EUA. O termo 
“informação sobre medicamentos” foi proposto nesta época, usado em conjunto 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 174 
com as palavras Centro e Especialista. O sucesso da experiência resultou na 
abertura de novos CIMs pelos EUA, depois no Canadá e, hoje, existem mais de 
200 centros no mundo. 
A necessidade de serviços de informação sobre medicamentos é mais 
evidente quando se considera que a documentação que frequentemente está ao 
alcance dos profissionais da saúde é aquela proporcionada pela indústria 
farmacêutica e, portanto, o enfoque tem um alto componente publicitário e 
comercial. Além disso, a entrega de amostras grátis para os médicos, as quais 
geralmente acompanham a publicidade dos medicamentos, influi de forma quase 
compulsiva na prescrição médica, evitando a análise objetiva e científica que se 
requer na consideração das alternativas de tratamento. 
O Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) é uma alternativa para 
facilitar o acesso e a disponibilidade da informação, diminuindo os custos 
hospitalares pela racionalização do uso dos medicamentos. 
 
 
22.1 A UTILIZAÇÃO E A PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE 
MEDICAMENTOS PELO CIM 
 
 
A informação sobre medicamentos é a base para o desenvolvimento dos 
instrumentos imprescindíveis para sua prescrição e uso racional. Entre esses, 
podemos citar: formulários; guias de tratamentos padronizados; e informação para 
consumidores, os quais só poderão ser desenvolvidos com informação confiável. 
As atividades de um Centro de Informação sobre Medicamentos costumam 
estar divididas em dois grandes grupos: 
 
 Informação reativa (também denominada de passiva) 
Aquela que é oferecida em resposta à pergunta de um solicitante. O 
farmacêutico informador espera passivamente que o interessado lhe faça a 
pergunta. Desencadear a comunicação é iniciativa do solicitante. Esta é considerada 
a principal atividade de um CIM. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 175 
 
 Informação proativa (também denominada de ativa) 
É aquela em que a iniciativa da comunicação é do farmacêutico informador, 
que analisa qual tipo de informação seus possíveis usuários podem necessitar 
(médicos, farmacêuticos, odontólogos, enfermeiros, pacientes, outros) e encontra 
uma via de comunicação para suprir essas necessidades. Estas atividades dão mais 
visibilidade e causam maior impacto junto aos usuários. 
 
Dentre estas atividades, deve-se notar que: 
 Não existe Centro de Informação sobre Medicamentos sem a primeira 
atividade – responder perguntas. Ou seja, um CIM pode desenvolver todas 
as atividades descritas, mas não será um CIM o lugar que desenvolver todas 
as atividades menos a primeira; 
 Responder perguntas deve representar a maior parte dos trabalhos 
prestados pelo CIM. Esta deve ser a atividade principal. 
A produção de informação em um CIM obedece a um protocolo que abrange 
desde a pesquisa em fontes bibliográficas para responder perguntas até a escolha 
dos temas a serem abordados em boletins, formulários, revisão de uso de 
medicamentos, farmacovigilância etc. A informação reativa deverá ser utilizada como 
“termômetro”, mostrando quais as principais dúvidasdos solicitantes do serviço que 
poderão servir de orientação para a elaboração de material informativo escrito – 
artigos, boletins, folders etc. – ou sugestão para programas de educação continuada. 
Levando-se em consideração as vantagens e as limitações das fontes de 
informação sobre medicamentos, em um CIM, na informação reativa, sugere-se que 
a sequência de busca de dados obedeça a seguinte ordem: terciárias, secundárias e 
primárias. As fontes terciárias são as mais utilizadas na atividade de informação 
reativa por uma série de fatores, tais como: disponibilidade, facilidade de manuseio, 
agilidade no uso, objetividade, variedade de informações que, porém, podem estar 
desatualizadas. Dependendo da complexidade e da natureza da pergunta, por 
exemplo, em novidades terapêuticas, será necessária a utilização das fontes 
secundárias e primárias. A avaliação crítica do farmacêutico especialista em 
informação sobre medicamentos deverá ser utilizada neste momento para fornecer a 
informação mais atual de forma objetiva e ágil. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 176 
Os CIMs podem ser solicitados por telefone, pessoalmente, fax, 
correspondência, correio eletrônico, dependendo do caso. É necessário que o 
usuário identifique-se e forneça seu endereço, número do telefone etc., a fim de 
estabelecer uma via de comunicação que será utilizada na resposta, se essa não for 
imediata, ou caso um novo contato seja necessário. Quando estiver envolvido um 
paciente, é de grande importância fornecer os dados adequados, de tal forma que a 
resposta seja apropriada às necessidades e características particulares de cada um. 
Na informação reativa, uma das características dos CIMs é o fornecimento 
gratuito, significando dizer que as consultas feitas não serão cobradas. 
Excepcionalmente, trabalhos específicos poderão ser cobrados, a critério de cada 
CIM. Como exemplo, a seguir constam algumas categorias de perguntas 
respondidas pelos CIMs: 
 Identificação de fármacos e medicamentos nacionais e estrangeiros, de 
uso comum ou em investigação, sua disponibilidade e/ou equivalência no 
mercado nacional e internacional; 
 Mecanismo de ação, usos clínicos, eficácia, reações adversas e 
toxicidade; 
 Posologia, duração e uso correto dos medicamentos, em especial para 
pacientes pediátricos, idosos, diabéticos, cardiopatas, nefropatias etc.; 
 Liberação, absorção, distribuição, metabolismo e excreção; 
 Possíveis interações dos medicamentos com o álcool, alimentos e 
outros fármacos; 
 Interferência dos medicamentos com exames de análises clínicas; 
 Uso de medicamentos durante a gravidez e a lactação; 
 Conservação dos medicamentos, principalmente quando se requer 
condições especiais; 
 Compatibilidade de misturas parenterais. 
Sabe-se que a principal atividade de um CIM é a informação reativa. Por 
outro lado, a informação proativa pode ser aquela que cause maior impacto ou 
reconhecimento do serviço junto à comunidade, seja essa de profissionais da saúde 
ou pacientes. Entretanto, existe uma estreita relação entre estes dois tipos de 
atividades e somente a experiência acumulada no exercício do dia a dia do CIM 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 177 
poderá determinar o equilíbrio das mesmas, ou seja, qual o tempo que será 
dedicado a cada uma delas. 
Um aspecto de destaque dentro da atividade proativa é a publicação de um 
boletim. Seu papel básico é a disseminação de informação imparcial, científica e 
avaliada sobre o uso de medicamentos, seja de novidades terapêuticas, novos usos, 
alertas sobre reações adversas, perguntas e respostas fornecidas na informação 
reativa que possam ter interesse geral, entre outras. O boletim é importante veículo 
de divulgação do CIM; por isso mesmo, deve ter qualidade, periodicidade (pelo 
menos quatro por ano) e ser bem difundido. 
 
 
22.2 CENTROS DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS NO BRASIL 
 
 
Em 1992, iniciou-se a “sistematização de esforços para o desenvolvimento 
dos Centros de Informação sobre Medicamentos no Brasil”, quando o Conselho 
Federal de Farmácia, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde, 
inicia a implantação do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos 
(CEBRIM) e, mais tarde, a partir deste, o Sistema Brasileiro de Informação sobre 
medicamentos, constituído atualmente por diversos CIMs. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
BRASIL. Portaria nº 3.616/MS/GM, de 30 de outubro de 1998. Aprova a Política 
Nacional de Medicamentos. 
 
 
______. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Institui normas para licitações e 
contratos de administração pública. 
 
 
______. Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002. Institui a modalidade de licitação 
denominada pregão, para a aquisição de bens e serviços comuns. 
 
 
GOODMAN & GILMAN. As bases farmacológicas da Terapêutica. Rio de Janeiro: 
Mcgraw-Hill Interamericana, 2007. 
 
 
GOMES, M. J. V. M.; REIS, A. M. M. Ciências farmacêuticas: uma abordagem em 
farmácia hospitalar. São Paulo: Atheneu, 2006. 
 
 
NETO, J. F. M. Farmácia Hospitalar e suas interfaces com a saúde. São Paulo: 
RX, 2005. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO CURSO

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