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Resenha:  Como julgar os juízes - Roberto Da Matta

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Resenha: Como julgar os juízes? (Roberto Damata)	 
 O antropólogo Roberto Damata embasa sua crítica ao poder judiciário brasileiro invocando a autoridade de Èmile Durkheim, segundo o qual o Direito expressa a mais alta expressão cultural de uma sociedade, por ter a função de regular as relações entre os indivíduos (consoante ao efetivo estado da sua divisão do trabalho social), de modo a garantir a “boa ordem” e a harmonia na sociedade; logo, essa importante função do Direito nas sociedades contemporâneas confere aos juízes e à mais alta magistratura um caráter de dignidade “quase sagrado”, “quase religioso”, pelo fato desses indivíduos exercerem a função de interpretar as leis e, em última instância, zelar pelo cumprimento da lei, sustentáculo da sociedade; em virtude de que Durkheim confere a esses magistrados um poder extraordinário. 
 Diante da constatação acima mencionada, Damata chama a atenção para o fato de no Brasil o Supremo Tribunal Federal (STF) constantemente ser objeto de controvérsias, acalorados debates com o Conselho Nacional de Justiça e outras instâncias da sociedade; também ressalta os escândalos de corrupção envolvendo autoridades do poder judiciário, fatos que contrastam a dignidade e o decorro que o cargo exige. Nesse sentido, o poder judiciário brasileiro, especialmente a STF, contradiz o pressuposto durkheiniano. 
 Primeiramente Mamata chama à atenção para o fato de que, no Brasil, existe uma incompatibilidade entre o “Brasil real” e o “Brasil legal”, ou seja, entre as leis e os costumes, reflexão que não deixa de apontar para a ideia de incompatibilidade entre o direito e o costume e cita como exemplo o fato de que o “jogo de bicho”, que está arraigado nos costumes do povo, constituir-se num crime, ao passo que a prática de corrupção ser tratada quase com indulgência pela justiça. Aponta ainda os vícios e falhas provocadas pelo excesso de legalismo diletante. 
 Por outro lado, Damata contrasta o imenso poder que esse órgão encerra em si mesmo, o aspecto aristocrático com que se revestem os seus membros, os privilégios inerentes ao cargo e a aura de intocáveis dos seus titulares, com o caráter republicano da nossa constituição e da nossa sociedade.
 Por fim o autor coloca o leitor diante de um dilema: se, do ponto de vista durkheiniano, os juízes são os guardiães excelsos da lei, da harmonia e da “ordem social”, como julgar os juízes?