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É inegável o fato de que, na sociedade brasileira contemporânea, a igualdade de gêneros 
é algo que existe apenas na teoria. Medidas como a criação da Lei Maria da Penha e da 
Delegacia da Mulher, apesar de auxiliarem na fiscalização contra a violência ao sexo 
feminino e na proteção das vítimas, são insuficientes e pouco eficazes, algo comprovado 
através da alta taxa de feminicídios ocorridos em nosso país, além dos enormes índices 
de relatos de vítimas de violência. 
O aumento notório de crimes contra a mulher realizados na última década deve-se a 
inúmeros fatores. A completa burocracia presente nos processos de atendimento às 
vítimas de estupro, por exemplo, refuta mulheres que apresentam traumas e não 
recebem acompanhamento psicológico adequado, sendo orientadas a realizar o exame 
de corpo de delito, procedimento, por vezes, invasivo. Além disso, é comum que o 
relato da vítima tenha sua veracidade questionada, não recebendo a atenção necessária. 
Com o afastamento de possíveis denúncias, não há redução no número de assassinatos e 
de episódios violentos. 
A cultura machista em que estamos inseridos dissemina valores como a culpabilização 
da vitima: muitas vezes, a mulher se cala porque pensa que é a culpada pela violência 
que sofre. Acredita-se, também, que apenas a violência física e sexual deve ser 
denunciada, ou que a opressão moral é algo comum. A passividade diante de tais 
situações cede espaço para o crescimento de comportamentos violentos dentro da 
sociedade. 
Tendo em vista as causas dos altos índices de violência contra a mulher no Brasil, é 
necessário que haja intervenção governamental para aprimorar os órgãos de defesa 
contra tais crimes, de modo a tornar o atendimento mais rápido e atencioso. O mais 
importante, no entanto, é atingir a origem do problema e instituir em escolas aulas 
obrigatórias sobre igualdade de gênero, apresentando de forma mais simples conceitos 
desenvolvidos, por exemplo, por Simone de Beauvoir, de modo a desconstruir desde 
cedo ideias preconceituosas que são potenciais estimulantes para futuros 
comportamentos violentos. 
 
Sofia Dolabela Cunha Saúde Belém

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