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A Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen

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A Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen 
Hans Kelsen (1881-1973) dedicou a maior parte de sua vida à discussão da Teoria do Direito. O 
normativismo jurídico kelseniano consiste basicamente na defesa da construção de 
parâmetros metodológicos próprios para a Ciência do Direito, expressos na denominada Teoria 
Pura do Direito, que não fossem uma mera importação das Ciências Sociais e Humanas do 
Século XIX, tampouco a reprodução dos paradigmas teóricos próprios das Ciências Naturais e 
Exatas. 
Desse modo, o foco do jurista deveria estar na norma jurídica e na sua relação com as demais 
normas, que formam uma estrutura lógico-sistemática denominada de ordenamento jurídico. 
Ordenamento Jurídico são normas emanadas pelo Estado, de forma escalonada, dispostas em 
diferentes níveis hierárquicos. Algumas normas têm mais autoridade se comparadas com 
outras, servindo-lhes de fundamento de validade. Tal estruturação do ordenamento jurídico 
deu origem ao que se convencionou chamar de pirâmide de Kelsen, exatamente porque 
aquelas normas situadas mais ao topo da estrutura do ordenamento jurídico se desdobram em 
outras normas de menor hierarquia, que irão regulamentar e detalhar as prescrições 
normativas contidas nas normas superiores. 
Pontos Principais da Teoria Pura do Direito 
Kelsen priorizava o aspecto estrutural do ordenamento jurídico e a correlação entre suas 
normas, independentemente de concepções ideológicas e de regimes políticos. Pregava a 
pureza metodológica de uma Ciência “Pura” do Direito. 
Na Ciência “Pura” do Direito a análise do direito leva em consideração apenas os seus aspectos 
normativos, descontaminando-o em relação aos aspectos políticos, sociológicos, históricos, 
que eram à base do pensamento das escolas factualistas do final do Século XIX, início do 
Século XX. 
O pós-positivismo e a crítica à teoria pura do Direito de Kelsen 
O pensamento jurídico de Hans Kelsen representou um marco importantíssimo na Teoria do 
Direito, à medida que ele foi capaz de conceber uma metodologia própria para a Ciência do 
Direito, centrada, sobretudo, na montagem de uma estrutura do ordenamento jurídico 
aplicável a diferentes sistemas jurídicos, sendo difícil pensar na organização das normas 
jurídicas no Estado sem fazer referência ao pensamento de Kelsen. Basta pensar na discussão 
contemporânea sobre o controle de constitucionalidade das leis, por exemplo, para constatar 
a substancial influência exercida pela Teoria do Ordenamento kelseniana. 
Ocorre, contudo, que a Teoria Pura do Direito de Kelsen teve uma aplicação distorcida, 
passando a servir de base para um afastamento do direito de parâmetros éticos, algo nunca 
defendido pelo próprio Kelsen, tendo sido a ordem jurídica utilizada como instrumento de 
regimes totalitários, que em nome da autoridade do Estado patrocinaram a perseguição a 
determinados grupos e minorias da sociedade. 
Podemos citar como exemplo a supressão de direitos e o próprio extermínio de judeus, 
ciganos e homossexuais na Alemanha Nazista. 
Em meio à comoção causada pelas violações a direitos essenciais da pessoa e à própria 
irracionalidade representada pela Segunda Guerra Mundial, os juristas promoveram uma 
integral revisão de seu papel na sociedade e passaram a defender uma retomada de certos 
parâmetros de valor, que serviram de fundamento para a construção da tradição jurídica 
ocidental e que se encontravam esquecidos a partir do positivismo jurídico do Século XIX e do 
próprio normativismo kelseniano, com a sua pretensão de construir uma Ciência do Direito 
puramente normativa e despida de considerações de ordem axiológica. 
A partir da década de 1950, começaram a surgir diferentes tendências no pensamento jurídico 
que têm em comum a crítica à ânsia purificadora da Teoria de Kelsen e que passaram a 
defender a possibilidade de edificação de uma Ciência do Direito, com uma metodologia 
peculiar, seguindo o projeto kelseniano, mas que levasse em consideração também um 
conjunto de parâmetros de ordem moral, que foram sendo consolidados a partir da 
experiência histórica do Ocidente, e que deveriam ser reconhecidos em qualquer sistema 
político, independentemente de tendências político-ideológicas. 
A crítica dos pós-positivistas ao pensamento de Kelsen gravita basicamente em torno de sua 
pretensão de limitar o objeto da Ciência do Direito a uma perspectiva meramente normativa, 
afastando os aspectos morais e fáticos do debate da Ciência Jurídica, havendo nas correntes 
de pensamento contemporâneas, e da segunda metade do Século XX, o reconhecimento da 
viabilidade de construção de uma metodologia do direito que leve em conta a contribuição da 
prática do direito e da experiência social na construção do saber jurídico.