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A IMPUGNAÇÃO DOS CRÉDITOS HABILITADOS À LUZ DA LEI 11.101

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quando houver pagamento dos demais créditos e sobrar algum valor.
Quando da decretação da falência, serão fixados os termos legais da falência e determinara que a sociedade falida apresente a relação de credores, também mandará publicar edital contendo a íntegra da sua decisão que decreta falência e a relação de credores, além da nomeação do administrador judicial, onde os credores terão prazo de 15 (quinze) dias para apresentar ao administrador judicial sua habilitações ou suas divergências quanto aos créditos. Após, o administrador judicial fará a verificação dos créditos, conforme determina o art. 7 da Lei nº 11.101, e ainda, conforme ensinamento de Fábio Ulhoa:
A verificação dos créditos é tarefa do administrador judicial. Para cumpri-la, deve levar em conta não só a escrituração e os documentos do falido como todos os elementos que lhe forem fornecidos pelos credores.(ULHOA, 2011, pág. 373 e 374)
Assim, o papel do administrador neste momento é de suma importância, para que não haja prejuízos futuros aos credores. Feita a verificação e tudo certo, será determinado que o administrador judicial elabora o quadro geral de credores em 45 (quarenta e cinco) dias.
Os créditos retardatários, são aqueles, cuja habilitação do crédito foi feita fora do prazo de 15 (quinze) dias acima mencionado e ainda não houve a homologação do quadro geral de credores, podendo ser perfeitamente habilitados.
Os prazos estabelecidos pela LRF para as devidas habilitação e impugnações para os credores, constituem ônus para os mesmos, que são aqueles que possuem de certa forma o maior interesse e devem zelar pelo seu crédito. Contudo, conforme já relatado, quando não for observado o prazo legal para habilitação dos créditos, o credor ainda terá a chance de se habilitar como crédito retardatário de primeira espécie, e com isto, não terá seu direito de receber o crédito prejudicado.
5 NATUREZA JURÍDICA DAS IMPUGNAÇÕES DE CRÉDITO
O Processamento das impugnações de créditos está previsto na Lei 11.101/2005, nos artigos 11 ao 15. Tais artigos afirmam que as impugnações, tanto as referentes às habilitações de créditos retardatários, quanto às impugnações propostas até dez dias após a publicação do edital com o quadro geral de credores preliminar, serão dirigidas ao juiz responsável pelo processo de falência ou recuperação judicial, através de petição, que, necessariamente, indicará as provas necessárias e será instruída com os documentos que o impugnante possuir, devendo tais impugnações serem autuadas separadamente do processo de falência ou recuperação ao qual o crédito se refere, de acordo com o § Ú do artigo 13 da Lei de Falência.[24: Pimenta. P. 137.][25: Moraes, 2013. P. 108.Oliveira, 2005, p. 166.]
Conforme afirma Almeida “A petição, na impugnação a crédito, observará as regras do art. 282 do Código de Processo Civil, devendo, necessariamente, ser firmada por advogado inscrito na OAB, munido da respectiva procuração para o foro em geral”. (ALMEIDA, 2012, p. 260).
Insta frisar que, de acordo com o artigo 13, § Ú da LF, só serão autuadas conjuntamente as impugnações que versarem sobre o mesmo crédito, entendendo-se as impugnações que discutam créditos diversos devem ser autuadas em separado umas das outras. [26: Pimenta. P. 138.]
Após protocolização da petição de impugnação, os credores que tiverem os créditos impugnados são intimados para contestar a impugnação, no prazo de cinco dias úteis, se quiserem, juntando os documentos que tiverem e indicando outras provas que entenderem necessárias, não havendo, obviamente, razão para tal intimação na possibilidade de o credor impugnar o seu próprio crédito, como ocorre nos casos de habilitações de crédito retardatárias.Em seguida, o devedor e o Comitê, se houver, serão intimados para também se manifestarem, no mesmo prazo anterior, em comum.Por fim, o administrador judicial é intimado para, no mesmo prazo, apresentar mais informações sobre a questão.[27: Moraes,2013. P. 108-109. Pimenta. P. 138.]
Conforme o artigo 15 da LF, transcorridos estes prazos, os autos serão conclusos ao juiz, que determinará a inclusão das habilitações de créditos não impugnadas no quadro-geral de credores, julgará as impugnações que entender esclarecidas pelas alegações e provas apresentadas, fixará, em cada uma das restantes impugnações, os aspectos controvertidos, decidindo as questões processuais pendentes e, se necessário, designará audiência de instrução e julgamento, determinando as provas a serem produzidas. O juiz também deve determinar a reserva de valor para satisfação do crédito impugnado, para fins de rateio, de acordo com o artigo 16 da LF.[28: Moraes, 2013. P 109.]
O juiz decidirá sobre as impugnações, estando os autos prontos, e desta decisão caberá agravo de instrumento, conforme art. 17 da LF, podendo o relator atribuir a ele efeito suspensivo, bem como determinar a modificação ou a inscrição do valor do crédito reconhecido ou sua classificação no quadro-geral de credores, dependendo do caso. [29: Almeida, p. 261]
Ademais, no artigo 14 c/c art. 18, ambos da LF, esclarecem que o juiz não poderá homologar a relação de credores constante do edital de que trata o artigo 7º, § 2 º da LF como quadro geral de credores, se ainda houver impugnações a serem julgadas, já que tais créditos deverão ser incluídos no QGC para que se realize o seu pagamento no processo falimentar ou na recuperação judicial, devendo a publicação deste edital ocorrer somente “após a decisão interlocutória que decidiu as impugnações”.(MORAES, p. 109.).[30: “Após publicada a relação de credores do art. 7º, § 8º, e processadas e julgadas todas as habilitações e impugnações de créditos dela decorrentes [...].” Pimenta, 2006, p. 139.]
Pode-se depreender que o intuito do instituto da impugnação é impedir que os créditos alvos desta ação restem prejudicados ou fiquem fora do processo de falência ou de recuperação judicial. Desta forma, é extremamente relevante entender a natureza jurídica desta ação, pois não é tratada com total clareza na Lei de Falência, e uma má compreensão a respeito desta natureza, pouco analisada pela doutrina, pode levar a graves erros procedimentais, como a interposição de recursos sem cabimento, ou dúvidas quanto à suspensão do processo a que o crédito se refere, ao recolhimento de custas, entre outros equívocos, que já foram evidenciados na prática forense.[31: “Como a impugnação em análise tem por objetivo atacar a habilitação de crédito implementada por outro credor [...]”. Pimenta, 2006, p. 137.]
Por exemplo, no caso das habilitações retardatárias de créditos de primeira espécie, interpostas após o prazo de quinze dias para habilitação, é ainda mais fundamental a suspensão do processo de falência ou recuperação, já que, se o segundo edital com a relação preliminar de credores for publicado após a sua interposição, podem se tornar impugnações infundadas, tendo em vista que o crédito pode ser retificado ou habilitado neste segundo edital, o que poderia onerar o credor em custas judiciais desnecessárias.
Com base em todo procedimento de tramitação trazido pela Lei 11.101/2005, nota-se o caráter incidental das impugnações, já que a habilitação ou alteração destes créditos é fundamental para a composição do quadro geral de credores e, consequentemente, prejudicial em relação ao mérito do processo de falência ou recuperação judicial, coadunando com o conceito de questão incidental, acentuado pela doutrina, de que se trata de “[...] toda e qualquer questão que pode ser levantada pelo autor ou pelo réu, quer em processo civil, quer em processo criminal, e que altera ou é susceptível de alterar a marcha normal do processo.” [32: 	LEITÃO, 1992, p. 13. No mesmo sentido, afirma: “os actos anómalos que acontecem ao longo da tramitação do processo, não podem ser considerados incidentes, sempre que lhes falte aquele e necessário nexo de prejudicialidade em relação ao fundo da causa.” Ob. Cit. p. 15.]
Nas palavras de Martins Leitão “salvo o devido respeito, parece já

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