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Linguística 1 - Fernanda Mussalim

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Autora
Fernanda Mussalim
2009
Lingüística I
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M989 Mussalim, Fernanda. / Lingüística I. / Fernanda Mussalim
— Curitiba : IESDE Brasil S.A. , 2009. 
152 p.
ISBN: 978-85-7638-803-6
1. Lingüística. 2. Gramática Comparada e Histórica. 3. Estru-
turalismo. 4. Gerativismo. 5. Funcionalismo. 6. Interacionismo. 
7. Teoria do Discurso. I. Título. 
CDD 410
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Sumário
Linguagem humana e “linguagem” animal | 9
Linguagem humana X comunicação animal | 9
Os estudos da linguagem e a constituição do campo da Lingüística | 17
A reflexão em torno da linguagem | 17
Estudos da linguagem X Lingüística: em pauta os critérios de cientificidade | 19
Ferdinand Saussure e a constituição do domínio e do objeto da Lingüística | 21
Os estudos lingüísticos do século XIX: a gramática comparada e histórica | 27
Primeiras considerações | 27
Um pouco do debate: formulações e reformulações 
em torno da problemática da mudança lingüística | 29
Ferdinand Saussure e a fundação da Lingüística sincrônica | 39
O campo da Lingüística: domínio e objeto bem definidos | 39
O recorte sincrônico como condição para a delimitação 
do sistema lingüístico e para a formulação da teoria do valor | 43
A operacionalidade da teoria saussuriana do valor | 49
A abordagem de Mattoso Câmara sobre a flexão do gênero em nomes no português | 50
Níveis de análise lingüística | 61
As operações de segmentação e substituição | 61
Níveis de análise lingüística | 63
Biologia e linguagem: Gerativismo | 69
O pressuposto do inatismo | 69
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O Funcionalismo em Lingüística: sistema lingüístico e uso das expressões lingüísticas | 81
Funcionalismo e Estruturalismo | 81
O Funcionalismo em Lingüística | 82
Uma análise | 86
Linguagem e pensamento no Interacionismo Piagetiano | 93
O desenvolvimento mental do ser humano | 94
Vygotsky e o componente social do Interacionismo: 
implicações para o Interacionismo na Lingüística | 103
Interacionismos | 103
Vygotsky e as raízes genéticas do pensamento e da linguagem | 104
O Interacionismo Social | 106
O Interacionismo no Círculo de Bakhtin | 115
Os dois grandes projetos do Círculo | 115
A natureza social e semiótica da interação | 118
A concepção de linguagem do Círculo | 119
Análise do Discurso | 125
O terreno fecundo do Marxismo e da Lingüística | 125
A problemática da Lingüística e da análise de texto | 127
A Psicanálise: uma teoria do sujeito pertinente ao projeto da AD | 128
A especialidade da AD | 129
Gabarito | 137
Referências | 145
Anotações | 149
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Apresentação
O propósito deste livro é dar subsídios para o estudo e aprofun-
damento de questões cruciais sobre a linguagem e a Lingüística. O foco 
de nossa proposta recai sobre a problemática da fundação da Lingüística 
como ciência, bem como sobre os grandes movimentos epistemológicos 
que constituíram a complexa e intrigante rede teórica desse campo do 
conhecimento. O livro compõe-se de 12 capítulos, que apresentaremos, 
sucintamente, a seguir.
No primeiro capítulo, intitulado “Linguagem humana e ´linguagem´ 
animal”, abordamos um clássico estudo realizado por Émile Benveniste, em 
que o lingüista compara a “linguagem” das abelhas à linguagem humana. 
Nosso intuito é apresentar como a Lingüística define critérios para caracteri-
zar a linguagem humana e estabelecer suas propriedades definidoras. 
No capítulo dois, “Os estudos da linguagem e a constituição do 
campo da Lingüística”, a partir de algumas reflexões levadas a cabo pelo 
lingüista brasileiro Joaquim Mattoso Câmara Jr., apresentamos alguns cri-
térios que distinguem os estudos sobre a linguagem da Lingüística propria-
mente dita. Essa distinção sustenta-se sobre o movimento de alguns teó-
ricos – lingüistas do século XIX e, de modo especial, Ferdinand Saussure 
no século XX – que trabalharam para constituir, com base em critérios de 
cientificidade da época, a Lingüística como um campo científico de estu-
dos da linguagem. 
O capítulo três, intitulado “Os estudos lingüísticos do século XIX: 
a gramática comparada e histórica”, tem por objetivo apresentar os estu-
dos comparatistas e históricos do século XIX a partir do debate suscitado 
pelas formulações e reformulações que ocorreram em torno da problemá-
tica da mudança lingüística e da história das línguas. 
No quarto capítulo, “Ferdinand Saussure e a fundação da Lingüística 
sincrônica”, pontuamos as diretrizes colocadas e os deslocamentos realiza-
dos pelo Curso de Lingüística Geral (1916), obra póstuma de Saussure, que 
colocaram a Lingüística em um outro eixo de reflexões. Para tanto, apresen-
taremos as clássicas concepções saussureanas – as dicotomias sincronia/dia-
cronia e língua/fala, bem como a noção de signo lingüístico –, relacionando-
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as de modo a tecer o coeso e coerente quadro teórico concebido por 
Saussure.
Em “A operacionalidade da teoria saussuriana do valor”, quinto 
capítulo deste livro, pretendemos mostrar a operacionalidade dessa teo-
ria a partir da descrição do sistema lingüístico do português. Para tanto, 
consideramos um dos estudos clássicos de Joaquim Mattoso Câmara Jr., 
a saber, o estudo do mecanismo da flexão nominal em português – mais 
especificamente, seu estudo sobre a flexão do gênero em nomes. 
No sexto capítulo, intitulado “Níveis de análise lingüística”, apre-
sentamos, seguindo Émile Benveniste, quatro diferentes níveis de análise 
lingüística: o nível fonêmico, o morfêmico, o do lexema e o da frase. Apre-
sentamos, também, duas operações a partir das quais se pode, de acor-
do com Benveniste, estabelecer o procedimento de abordagem desses 
níveis de análise: a operação de segmentação e a operação de substitui-
ção. O objetivo central é possibilitar a percepção de que o funcionamen-
to da língua, em toda sua complexidade, opera em vários níveis que, 
mesmo distintos, afetam-se mutuamente. 
No capítulo sete, “Biologia e linguagem: o Gerativismo”, apresen-
tamos os pressupostos fundamentais da Gramática gerativa ou Gerati-
vismo, uma das correntes mais produtivas do século XX na Lingüística e 
liderada pelo americano Noam Chomsky. Abordam-se, para tanto, aspec-
tos que possam esclarecer sobre: a) a realidade biológica da linguagem; b) 
os critérios de distinção entre o que pode ser considerado criação cultural 
e o que é predisposição biológica; c) as hipóteses fundamentais de 
Chomsky a respeito da faculdade de linguagem. 
No oitavo capítulo, “O Funcionalismo em Lingüística: sistema lin-
güístico e uso das expressões lingüísticas”, buscamos dar visibilidade ao 
postulado central do paradigma funcionalista, a saber, de que o siste-
ma lingüístico é estruturado (e reestruturado) pelo uso que os falantes 
fazem das expressões lingüísticas em condições reais de produção da 
linguagem. Nosso intuito é mostrar que, da perspectiva do Funciona-
lismo, são as condições e as exigências comunicacionais que moldam 
o sistema lingüístico, que existe para cumprir funções essencialmente 
comunicativas. As línguas, portanto, são concebidas