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Resumo genética de populações

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A ORIGEM E O IMPACTO DO PENSAMENTO EVOLUCIONISTA
O conceito de universo em constante mudança foi substituindo as visões até então não 
questionadas de um mundo estático, idêntico em sua essência à criação perfeita do Criador.
Universo estático – Universo dinâmico
Origem do pensamento evolutivo
Platão (essencialismo – o que interessa é a essência): Suas idéias foram usadas na 
Teologia Cristã. Na filosofia platônica, foi básico o conceito de forma, onde uma forma ideal 
e transcedental era imitada imperfeitamente por seus representantes mundanos. A idéia era 
uma essência eterna, imutável. 
Cópias imperfeitas de seres perfeitos, que existem no mundo transcedental das idéias.
Teologia Cristã: Adotou a Bíblia e as idéias platônicas do essencialismo onde: “As 
essências eternas imutáveis de todas as coisas existem na mente de Deus.” Deus materializou 
tudo que existia como sua idéia. Nada que Deus considerou inapropriado poderia existir e o 
apropriado se extinguir. A ordem é superior a desordem e a Criação de Deus deve se adequar 
a um padrão (Escala Natural ou Grande Escala dos Seres):
1. Anjos
2. Humanos
3. Animais Inferiores
4. Plantas
5. Matéria Inanimada
“Qualquer mudança na ordem divina seria imoral...” E a mudança biológica era imutável.
Até aí o papel da ciências naturais foi catalogar os elos da grande escala dos seres e 
descobrir sua ordenação, provando a sapiciência de Deus.
Lineu (System Natural, 1735, Species Plantarum, 1753): Elaborou sistema de 
classificação influente, sendo o trabalho dedicado “... a maior Glória de Deus...”
Mais tarde, estes pontos de vista tradicionais cederam lugar ante o desenvolvimento da 
ciência empírica.
Newton, Descartes e outros: Desenvolveram teorias estritamente mecaniscistas dos 
fenômenos físicos.
Final do Século XVIII
Kant e Laplace: Aplicaram o conceito de um mundo mutável à Astronomia (formação 
dos planetas - desenvolveram noções sobre evolução estelar). 
Os geólogos reconheceram que as rochas sedimentares tinham sido depositadas em 
épocas diferentes e começaram a perceber que a Terra poderia ser muito mais velha do que 
acreditava-se.
Buffon (1779 – Naturalista Francês): Sugeriu que a Terra poderia ter 168000 anos.
Fósseis que caracterizavam diferentes estratos foram considerados pelos geólogos 
como reflexo de uma sucessão de catástrofes, tal como grandes inundações.
Hutton (1788 – Uniformitarismo): Os mesmos processos são responsáveis por eventos 
passados e atuais.
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O primeiro defensor da evolução foi Lamarck, que pela primeira vez apresentou uma 
exposição ampliada de sua teoria em Philosophie Zoologique (1809). Ele NÃO afirmou que 
os seres vivos descendiam de um ancestral em comum. Sua teoria consiste em: Geração 
Espontânea e progressão guiada pelo ambiente; uso e desuso alteram a morfologia, sendo que 
essas características são transmitidas aos descendentes através da transmissão (herança) das 
características adquiridas, havendo uma progressão para uma complexidade maior.
Charles Robert Darwin: Sua carreira começou com uma viagem a bordo do Beagle de 
1831 à 1836. Em 1837 o ornitólogo Gould lhe indicou que seus espécimes das Ilhas 
Galápagos eram tão distintos de outros encontrados em outras ilhas próximas que chegavam a 
representar espécies diferentes. Darwin então começa a questionar sobre a imutabilidade das 
espécies, emergindo a Teoria da Seleção Natural em 1838, quando lê ensaio de Malthus. Em 
1859, publica A Origem das espécies, falando sobre ancestralidade e seleção natural. Porém, 
sua teoria tem algumas objeções: a hereditariedade (para explicar a pangênese) e evolução 
somente por seleção natural.
Malthus (1798): O crescimento sem controle da população humana levaria a fome, 
pois enquanto a população cresce em PG, o alimento cresce em PA. Em 1856, começou a 
trabalhar em seu grande livro, Natural Seletion.
Obs.: Os fósseis semelhantes as espécies atuais confirmam a ancestralidade. Fósseis marinhos 
nos Andes ocorrem por causa da movimentação das placas tectônicas.
A Síntese Moderna
 A Teoria de Genética de Populações, iniciada em 1908 por Hardy e Weinberg foi 
desenvolvida por completo por Ronaldo A. Fisher (The Genetical Theory of Natural 
Selective) e John B. S. Haldane (The Causes of Evolution) na Inglaterra e Sewal Wright 
(Evolução em populações mendelianas) nos Estados Unidos. Em 1942, Huxley publica 
“Evolução: a síntese moderna”, unindo seleção natural com genética mendeliana.
Princípios Fundamentais
As populações contém variação genética que surge através da mutação e 
recombinação. Elas evoluem por mudanças nas frequências gênicas, através da deriva 
genética aleatória, fluxo gênico e seleção natural. A diversidade é explicada através da 
especiação.
Obs.: A única fonte de novos genes é a mutação. A segregação independente e o crossing-over 
“apenas” criam novas combinações de genes.
Equilíbrio de Hardy-Weinberg
O princípio de Hardy-Weinberg prevê que, se nenhum fator evolutivo estiver atuando 
na população, a frequência de alelos permanecerá constante com o passar das gerações. Se as 
frequências gênicas não estão constantes, é sinal de que está presente algum fator evolutivo. 
Os fatores evolutivos que alteram o equilíbrio de Hardy-Weinberg podem ser:
− Mutações: As mutações podem alterar a frequência dos alelos. Se a taxa de 
mutação do alelo A, por exemplo, for diferente do seu alelo a, com o passar das 
gerações as frequências se modificarão e o alelo A se tornará cada vez menos 
frequente.
− Seleção Natural: Imagine que um determinado alelo dificulte a sobrevivência de 
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seu possuidor, reduzindo suas chances de chegar a idade adulta e ter filhos. A 
tendência é que, com o tempo, esse alelo se torne cada vez mais raro, estando fora 
do equilíbrio.
− Migração: Não pode haver nem imigração nem emigração de indivíduos da 
população. Isso gera um fluxo gênico que pode ou retirar ou introduzir alelos, 
alterando suas frequências.
− Cruzamentos preferenciais: Não pode haver preferência por um determinado 
fenótipo para cruzamento. Todos os cruzamentos devem ser casuais. Chamamos de 
Panmixia a qualidade de uma população em que todos os cruzamentos são casuais.
− Populações pequenas: As populações devem ser muito grande para que não ocorra 
a chamada deriva genética. A deriva genética dá-se quando, pelo acaso, a 
frequência de um alelo aumenta ou diminui drasticamente, podendo até 
desaparecer. Em uma população pequena isso pode acontecer com muita 
facilidade.
− Efeito do fundador: Imagine que uma ilha foi colonizada por poucos 
representantes de uma determinada espécie de pássaros. Por serem poucos, eles 
possuem pouca variabilidade genética. Nessa população a deriva genética seria 
levada ao extremo.
O CONTEXTO ECOLÓGICO DA MUDANÇA EVOLUTIVA
Hutchinson denominou como Nicho Ecológico: “Uma região construída de um 
conjunto de ambientes possíveis na qual uma espécie pode subsistir.” Nicho é particular de 
cada espécie, não há sobreposição de espécies num mesmo nicho, assim como não há nicho 
vago.
Em relação a qualquer variável ambiental, pode haver:
− Populações com nicho amplo (generalizada/euritópica) – suportam alta variação.
− Populações com nicho estreito (especializada/estenotópica) – suportam variações 
pequenas.
Normalmente, uma espécie é especializada em alguns aspectos e generalizada em 
outros.
Os fatores que influenciam para adaptação do indivíduo no meio ambiente pode ser 
biótico ou abiótico. Os fatores bióticos podem ser alimento, interações entre macho e fêmea, 
… e os abióticos podem ser temperatura, pH...
Distribuição espacial
Distribuições geográficas estão frequentemente limitadas pela

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