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e resultem em mudanças criativas nas práticas e na relação com seu cotidiano. Por essas características e pelos objetivos a que se destina, o grupo operativo requer maior envolvimento e participação dos seus membros, maior comunicação, mobilização de afetos e criatividade. O número de participantes deve variar de 7 a 12 membros.
Nesse tipo de grupo, o papel do coordenador é o de facilitador da comunicação, de dinamizador da reflexão. Não que ele não possa levar informações, esclarecer dúvidas, mas o fará a partir da compreensão de que ele não detém a direção do processo de mudança pretendida pelos participantes. 
Grupos de gestantes que durem todo o pré-natal podem se constituir como grupo operativo. Além das situações envolvidas no desenvolvimento da gravidez e informações sobre cuidados ao bebê, pode-se abrir para outras questões como a qualidade da relação familiar, responsabilidade parental, expectativas e idealizações em relação ao filho, à maternagem, a si própria, ao casamento. 
Grupos de mulheres vítimas de violência doméstica ou de agressores também reclamam uma estrutura de grupo operativo. O modelo de Escolas de Família criado na Vara da Infância e Juventude do Rio e implantado atualmente em vários municípios, tem duração de um ano e é estruturado segundo a concepção de grupo operativo.
Do ponto de vista da função, os grupos, sejam focais, operativos ou estruturados de outros modos, com enfoque socioeducativo ou psicoeducativo, podem assumir diferentes perfis: de autoajuda, de sensibilização, de reflexão, terapia comunitária etc.
O importante aqui não é aprofundar a discussão sobre estrutura, função, enfoque, mas demonstrar que a escolha do modelo de grupo não é aleatória, mas está determinada por inúmeros fatores, especialmente os que se relacionam à demanda (ou seja, à natureza da situação ou do problema a ser trabalhado e aos interesses e necessidades dos usuários), aos objetivos da ação profissional e às condições institucionais. 
As competências e habilidades que precisam ser desenvolvidas para o trabalho com grupos, ou para qualquer modalidade da ação profissional do assistente social, volto a dizer, estão alicerçadas na teoria, na ética e na prática, apreendidas e incorporadas como um todo articulado. 
Mas a especificidade do trabalho com grupos exige ainda a admissão de alguns pressupostos que bem compreendidos vão nortear a atuação do profissional que vai conduzi-los:
Grupo é um campo de forças, cuja dinâmica depende da interação de seus membros dentro de um contexto, incluindo aí a figura do coordenador. 
Grupo é um processo relacional em constante movimento, onde atuam forças de coesão e dispersão, de cooperação e conflito. 
O grupo se desenvolve numa espiral dialética, avançando e retrocedendo em torno dos problemas.
O grupo se assemelha a um palco, onde seus membros atuam manejando um duplo investimento: serem reconhecidos como iguais (identificados ao grupo), e, ao mesmo tempo, serem reconhecidos como pessoas únicas. É, portanto, permeado por relações de poder;
Diante dessas características, que preocupações devem orientar a postura do profissional que irá conduzir o grupo? Vou citar apenas algumas, e sugiro que vocês acrescentem outras.
Garantir um funcionamento democrático e dialógico que possa absorver as diferenças e disputas num patamar de equilíbrio de forças;
Estabelecer e manter um padrão de comunicação e participação que favoreça um clima de aceitação mútua e respeitosa;
Valorizar a escuta como condição da troca e do compartilhamento das experiências pessoais;
Desencorajar a polarização, evitando que dois ou três participantes monopolizem os debates;
Desencorajar a cristalização de papéis e os estereótipos: o bonzinho, o gaiato, o explosivo, o sabe-tudo;
Desmontar os jogos que coloquem alguém como bode-expiatório;
Estimular que os participantes reflitam sobre suas relações no grupo;
Adotar uma postura proativa e cooperativa;
Falar com simplicidade, sem sarcasmos e ironias, evitando o tom professoral; 
Não expressar, de forma verbal ou não-verbal, julgamentos de qualquer natureza;
Evidentemente, essas colocações não dão conta de tudo o que é necessário para se conduzir satisfatoriamente um grupo. A leitura de livros que descrevam experiências de trabalhos com grupos ajudam muito, assim como a participação em oficinas de dinâmica de grupo. Mas, o que, de fato, lhes dará segurança é a prática, a experiência concreta, desde que criticada permanentemente à luz da teoria. E, já que nesta aula falamos sobre subjetividade, lembrem-se que o trabalho com grupos (e também a entrevista individual) nos confronta com nós mesmos. A busca do autoconhecimento é atitude imprescindível em qualquer atuação profissional pautada nas relações interpessoais.
Glória Vargas 
Disciplina: Orientações para a Prática Profissional
Aula 09 – Registro e produção das informações
Objetivo da aula: 
	Nesta aula, conheceremos as formas consagradas de registro/documentação da atuação do assistente social, bem como sua importância para a qualificação dessa atuação. Destacaremos o diário de campo, dada a sua importância para o processo de aprendizagem.
Introdução da aula:
	A documentação da prática profissional é fundamental para conhecermos melhor a realidade social na qual trabalhamos e, assim, podermos planejar melhor nossas ações. Entretanto, a bibliografia aponta que o assistente social tende a simplificar seus registros, alegando falta de tempo, como se essa atividade não fosse tão importante como os atendimentos que faz.
	Os instrumentos mais adotados pelos profissionais para documentar a prática são chamados de instrumentos de trabalho indiretos ou “por escrito” e são utilizados após a realização dos instrumentos diretos: a entrevista, a dinâmica de grupo, entre outros em que existe o contato “face a face”.
	São exemplos de instrumentos de trabalho indiretos bastante utilizados pelos assistentes sociais: atas de reunião, livros de registro, relatório social, parecer social e diário de campo. Entretanto, o diário de campo não é somente mais uma possibilidade de documentar a prática, mas um instrumento exigidono processo de aprendizagem dos cursos de graduação, devido às possibilidades que apresenta de reflexão e sistematização da prática.
Material didático:
Não há. 
Aprenda mais:
	Sugiro a leitura do artigo “A documentação no cotidiano da intervenção dos assistentes sociais: algumas considerações acerca do diário de campo”, de autoria de Telma Cristina S. de Lima, Regina Célia Mioto e Keli Regina Dal Prá. Foi publicado pela Revista Textos & Contextos, Porto Alegre, volume 6, número 1, 2007. Está disponível na Internet, no seguinte endereço: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/fass/ojs/index.php/fass/article/viewFile/1048/3234>
Síntese da aula:
	Nesta aula, conhecemos os instrumentos de trabalho indiretos mais utilizados pelos assistentes sociais; aprendemos que, entre eles, o diário de campo é o instrumento exigido pelos cursos de graduação no período de estágio; aprendemos, ainda, que o diário de campo não serve apenas para descrever as tarefas realizadas no dia a dia, que nele devem ser anotadas as atividades realizadas pelo estagiário, mas, principalmente, as perguntas que tais atividades suscitam, as dúvidas, as reflexões que fazemos a respeito delas, as propostas, o que significa problematizar a atuação profissional. 
Próxima aula:
	Na próxima, e última, aula, conheceremos os procedimentos práticos a respeito da inserção nos campos de estágio: como vocês devem se apresentar nos campos, os documentos necessários, a elaboração do plano estágio, entre outras questões.
Atividade:
	Sugiro que documentem a entrevista que foi proposta como atividade na aula 7, tentando problematizá-la. 
Registrar frequência:
1) Leia atentamente as afirmativas abaixo e identifique quais são corretas.
I - Tanto os instrumentos face a face quanto os por escrito fazem parte da dimensão ético-política da profissão;
II