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FACULDADE ANHANGUERA DE LIMEIRA PSICOLOGIA Caroline Lima do Nascimento Juliendy Fernandes de Paula Stefanie de Oliveira Lima Thais Nardi Sena A Avaliação Psicológica no Porte de Armas LIMEIRA 2018 FACULDADE ANHANGUERA DE LIMEIRA PSICOLOGIA Caroline Lima do Nascimento Juliendy Fernandes de Paula Stefanie de Oliveira Lima Thais Nardi Sena Trabalho apresentado ao curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Limeira, como pré-requisito para a obtenção de nota bimestral. Orientado por: Prof. Maisa Ravanini LIMEIRA 2018 INTRODUÇÃO O porte de arma é algo que ainda é muito discutido e atualmente tem sido uma das principais pautas dentro do cenário político em nosso país. Nos países ao redor do mundo o porte de armas é liberado, porém, na maioria deles, a licença só é concebida depois de um complexo processo constituído de várias horas de curso específico, testes, AP (avaliações psicológicas), e em alguns países como o Japão é necessário ter certa idade para isso. No Brasil, imagina-se que comprar uma arma seja difícil, mas na verdade é relativamente simples. Basta ter 25 anos, comprovar idoneidade, não ter antecedentes criminais, ter residência fixa e comprovar capacidade técnica e psicológica. Porém há uma diferença entre “posse” e “porte”. No caso, posse qualquer cidadão brasileiro que se encaixe dos requisitos pode comprar uma arma, mas apenas militares, policiais e afins que podem portar a arma, ou seja, carregar a arma em qualquer lugar. Visto o cenário político que o Brasil se encontra, grande parte da população acredita que seria benéfico a legalização do porte de armas ao cidadão.[1: Avaliação Psicológica] COMO SURGIU AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA O PORTE DE ARMAS As legislações sobre arma de fogo começaram na década de 1990 com a criação e instituição do SINARM. Ainda que tivesse a construção da necessidade da AP para ter o porte de arma, não aconteceu, na época, legislações sobre a atuação do psicólogo nesse contexto. Foi então que, o CFP, visto a falta de respaldo e normatização da atuação da profissão, declarou em 2008 a resolução nº 18 (CFP, 018/2008) no qual dizia sobre o trabalho do profissional de Psicologia na AP para a concessão de registro e/ou Porte de Arma de Fogo. A AP vem para que o processo de concessão do porte ou registro tenha um sistema apropriado para que essa avaliação seja feita dentro dos padrões técnicos, científicos e éticos. O profissional deve ter comprometimento com o processo, pois ele quem dirá se o sujeito está apto a ter uma arma, vale ressaltar que, em uma avaliação não é possível ter uma previsão segura de um episódio violento. Porém, é possível notar características violentas, através de técnicas e processos avaliativos.[2: Sistema Nacional de Armas][3: Conselho Federal de Psicologia] COMO É REALIZADA A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA O PORTE DE ARMA Sabemos que a AP é um processo de avaliação do indivíduo, e que somente o psicólogo é liberado para realizar está função, por lei (resolução CFP 07/2003). Para diversas situações a AP está presente. E claro, não poderia faltar para o porte de arma, já que nesse caso diversas outras pessoas podem correr risco de vida. O profissional psicólogo que decreta quem pode ou não portar uma arma de fogo, possuindo assim uma responsabilidade muito grande em sua vida profissional como pessoa. O uso e aplicação dos testes servem para evitar conflitos no futuro. Por isto o psicólogo deve estar totalmente preparado, e de acordo com a lei, é necessário estar credenciado pela polícia federal e pelo CRP. Para o uso e aplicação dos testes pelos psicólogos, devem estar validados pelo CFP, e seguir corretamente com as orientações do manual, pois se algo estiver fora do que tem de ser, ocorreram problemas com todo o resto dessa avaliação, no caso o diagnostico final. [4: CRP (Concelho Regional de Psicologia). ] É necessário que o portador possua algumas características para aprovação, como por exemplo: atenção, memoria, boa audição, boa visão, autoestima, controle, empatia, equilíbrio, estabilidade, maturidade, senso-critico entre outros. Como também pontos que fortalecem a reprovação é: conflitos, depressão, distúrbios, insegurança, obsessividade, imaturidade, raiva entre outros. O que deve ficar atento é, ao pensar rápido, habilidades psicomotoras, transtornos psicóticos, neurose entre outros. A pessoa que usa arma tem que analisar todas as informações no momento do trabalho, para decidir quando o uso da arma vai ser necessário. Essa situação é peculiar pela complexidade da decisão e infusão emocional em que a decisão é tomada. (MARINHO, 2017). Todas as características que foram citadas anteriormente são necessárias, por este motivo o indivíduo tem que saber o que fazer, tomando então as decisões certas, causando o menor dano possível. Não se pode esquecer que acima de tudo é uma vida que está em jogo, ou até mesmo varias. O indivíduo tem que saber lidar com a situação, deve pensar se caso for necessário ele causar algum mal, como o psicológico dele agira com isso? Ele entendera que o mal foi para o bem? Vai saber lidar com o stress que isso causará? Com isso deve se entender que além das características a serem observada no individuo, o comportamento cognitivo também deverá ser avaliado. É necessário que o profissional psicólogo possua bons conhecimentos na área. E de total responsabilidade do psicólogo que ele esteja totalmente preparado e confiante para exercer essa função, não adianta somente a lei estar em ordem (credenciamento CRP e polícia federal), os conhecimentos técnicos do profissional deverão estar de acordo com sua função. Mas a pergunta que fica é como essa avaliação psicológica é feita? Primeiramente não é qualquer pessoa que pode estar realizando essa solicitação para o porte de arma, existem aí alguns critérios, que iremos conferir abaixo: Declaração da efetiva necessidade; Idade mínima de 25 anos, ressalvados os integrantes das forças armadas e dos organismos da segurança pública; Carteira de identidade, comprovação de idoneidade; Não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal; Conhecimentos de normas da segurança de arma de fogo; Capacidade técnica; Aptidão psicológica para manuseio de arma de fogo, atestado por psicólogos da Polícia Federal ou por eles credenciados. (EHLERS,2007). Para a obtenção tem três etapas a serem seguidas. Primeira: a papelada de comprovação dos requisitos. Segundo: AP pelo profissional. Terceira: aplicação das provas tanto pratica como escrita. Obs.: Analfabeto não pode participar do processo para obtenção do porte de arma. A avaliação psicológica será composta de: Instrumento projetivo e expressivo, inventário de personalidade ou questionário, módulo de informações complementares e entrevista. A aplicação e correção deverão seguir as normas técnicas previstas nos respectivos manuais. Não será permitida a redução ou simplificação dos instrumentos e o psicólogo poderá aplicar no máximo dez baterias/dia. (EHLERS,2007). Caso o indivíduo não passe ele poderá estar realizando novamente, respeitando o intervalo de 90 dias e para polícia militar 60 dias. Porém, os elementos de avaliação deverão ser diferentes que a última aplicação. Após a aprovação de todas as etapas o credenciamento será de 2 anos, podendo ser renovado pelo mesmo período. A avaliação psicológica não deve ser nunca realizada de forma rígida e mecânica, ao contrário, deve-se realizar a interpretação do teste de modo flexível, levando em consideração a singularidade da pessoa. (Conselho Federal de Psicologia, Brasília – DF, 2010). Posicionamento do psicólogo e concelho O CRP de São Paulo (CRP – 06), firmou a parceria com a policia federal, assim fariam um trabalho em conjunto para um ótimo diagnostico. Mas, devemos ressaltar/comentar que o concelho de psicologia NÃO é a favor do porte de arma, para eles somente agentes públicos de segurança poderia possuir a autorizaçãopara portar uma arma de fogo. [...] Nesse jornal é destacada a posição do Conselho Regional de São Paulo na afirmação da conselheira Luzio: “Queríamos uma lei de desarmamento. A impressão que fica é que a lei sancionada é de armamento, porque se limita a legislar sobre o porte de arma e não cria mecanismos de desarmamento” (Conselho Regional de Psicologia − SP, 1997). Apesar dos argumentos do CRP-06, é preciso pensar na capacitação do psicólogo para realizar esse tipo de avaliação psicológica e nas características daqueles que vão portar e usar as armas. Crocine, também citado no mesmo jornal, considera que “o compromisso ético do psicólogo nesse momento é cuidar para que a Psicologia não sirva como instrumento de disseminação da violência e de segregação social e econômica” (Conselho Regional de Psicologia − SP, 1997 apud Conselho Federal de Psicologia, Brasília – DF, 2010). O psicólogo deve agir em relação a isso com sabedoria, não colocando em pauta na sua avaliação diagnostica a sua opinião, se é a favor ou contra. Porém, deve estar ciente que conforme citado acima, o concelho de psicologia não é a favor da liberação. Para a visão de muitos, a arma pode ser um objeto de proteção, mas o concelho tem uma visão diferente de que com a arma nas mãos o cidadão poderá adquirir o sentimento de que ele está no poder/controle da situação. Eles pensam da seguinte forma, um individuo com uma arma nas mãos poderá enfrentar duas situações, como por exemplo: Ser surpreendido e acabar morto ou matar por "autodefesa”. Como falado na citação da notícia do jornal em 1997, o psicólogo tem que abrir a “mente”, e estar ciente da avaliação que estará fazendo, usando todo seu conhecimento para aquilo que será benéfico para ambos os lados, sociedade e o portador. A preocupação maior do Sistema Conselhos foca-se no credenciamento de profissionais realmente habilitados para realizar a tarefa e também para evitar distorções éticas que eventualmente possam ocorrer. (Conselho Federal de Psicologia, Brasília – DF, 2010). No código de ética do psicólogo em princípios fundamentais IV, que o psicólogo deve estar em constante aperfeiçoamento, e o psicólogo que avalia um indivíduo para portar uma arma sem dúvidas alguma deve estar não em constante “evolução” em sua área como também totalmente preparado para a aplicação. IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática. (CRP, 2005, p. 7) Devemos entender que, nós como profissionais acima de tudo e durante a nossa trajetória profissional teremos opiniões contrárias, indiferente se somos a favor ou contra a liberação. Podemos citar isso já de exemplo aqui, já vivenciando uma experiência própria. Temos tanto pessoas a favor como contra a liberação, e vamos citar cada uma delas o por que a pessoa é a favor e o por que que ela é contra. A favor: Por mais que até então seja proibido o porte de arma para a sociedade no Brasil, o cidadão deveria possuir o direito de defender a própria vida e de sua família. A sociedade hoje anda pelas ruas em alerta, com medo de serem assaltadas, estupradas entre outros medos. Ou seja, devido a essas situações que estão expostos seria um meio de defesa, pois assim como um bandido pode estar armado, um cidadão de bem também poderia estar. Porém, claro que a liberação para a sociedade por inteiro, deveria acrescentar mais alguns critérios para uma solicitação, até mesmo um processo de avaliação mais demorado, assim o psicólogo conseguirá um diagnostico completo do solicitante. Contra: Em relação a ser contra o porte de armas porque, como já foi dito no início do trabalho a avaliação psicológica tem o intuito de analisar o sujeito de primeiro momento, se ele está capacitado para ter a arma de fogo “naquele momento”, ou seja, a AP não tem o poder de avaliar o sujeito futuramente, então não terá uma certeza de que após um tempo a pessoa se torne agressiva ou tenha traços que o faça utilizar a arma de um jeito errado. Por exemplo: o cara que bate na mulher antes não tinha nenhum antecedente ou nenhum traço psicológico que a avaliação antes poderia ter detectado, assim, com uma arma em casa, pode ser extremante fácil que ele mate a mulher, filhos etc. Já se sabe que os casos de feminicídio são enormes. Outro exemplo que a gente vê pelos Estados Unidos que lá é liberado. Quantas vezes a gente vê terroristas que entram em escolas atirando pra todo lado? Sem contar que o coleguinha que me faz bullying na escola, eu posso pegar a arma do meu pai que tenho em casa levar pra escola e matar ele. CONCLUSÃO A avaliação psicológica no porte de arma tem por finalidade verificar se a pessoa possui características compatíveis para o trabalho armado ou posse e manuseio de arma pelos civis. Entretanto tudo depende da Complexidade do indivíduo, onde o processo de avaliação envolve três ferramentas: entrevistas, testes e observação. A primeira é importante para compreender o contexto da vida do sujeito e o objetivo para adquirir a licença do porte de arma, a segunda etapa é utilizada testes psicológicos objetivando mais o perfil do indivíduo, e a terceira é um processo onde envolve a observação, que pode mostrar ao profissional comportamentos agressivos ou sinais de sono. O psicólogo que realizara esse tipo de avaliação deve ter capacidade profissional necessária para essa finalidade, assim como especialização em avaliação psicológica ou cursos específicos dos testes utilizados para essa finalidade, além de levar em consideração toda ética e leis profissionais, o porte de arma é expedido pela polícia federal mediante a avaliação psicológica para Emissão do porte de Arma entre outras exigências. O concelho de psicologia não é a favor do porte de arma, pois eles não têm a visão de que será proteção para o cidadão e sim poderá colocar não somente a pessoa que está portando a arma em risco como todos a sua volta. Nós como psicólogos devemos então ampliar a nossa visão juntamente com o concelho revendo todas as nossas opiniões sobre o assunto, por mais que um profissional ou outro vão descordar as opiniões, acima de tudo agir com ética e todo o conhecimento técnico obtido durante suas experiências e estudos. REFERÊNCIAS AUTOR DESCONHECIDO. Como outros países regulamentam o porte de armas de fogo – Nov/2017. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-outros-pa%C3%ADses-regulamentam-o-porte-de-armas-de-fogo/a-41555596>. Acesso em: 26 out 2018. AUTOR DESCONHECIDO. Como funciona a avaliação psicológica para o porte de armas? – Mai/2017. Disponível em: <https://patpsicologia.com.br/novosite/?p=5726>. Acesso em: 26 out 2018. EHLERS, Denise Mazzaferro. PELLINI, Maria Cristina Barros Maciel. PRIMI, Ricardo. RELATÓRIO DO EVENTO ‘AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA O REGISTRO E O PORTE DE ARMA: QUESTÕES LEGAIS, TÉCNICAS E ÉTICAS’. Jun/2007. Disponível em: <http://www.crpsp.org.br/portal/conselho/comissoes/ver_noticias.aspx?id=68>. Acesso em: 25 out 2018. RAFALSKI, Julia Carolina. Prática e Formação: Psicólogos na Peritagem em Porte de Arma de Fogo – Jun/2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932015000200599&lang=pt>. Acesso em: 26 out 2018. MARINHO, Lúcia Cristina Pereira. Como funciona a avaliação psicológica para porte de armas? Mai/2017. Disponível em: <https://patpsicologia.com.br/novosite/?p=5726#_ednref2>. Acesso em: 25 out 2018. PELLINI, Maria Cristina Barros Maciel, Indicadores do método de Rorschach para avaliação da maturidade emocional para porte de arma de fogo. 2006. 165 p. Tese (Doutorado – Programa de Pós-Graduação em Psicologia, área de concentração: Psicologia escolar e do desenvolvimento humano) – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2006. Acesso em: 25 out de 2018. SANTOS, Acácia Aparecida Angeli dos. et al. Avaliação Psicológica Para Porte De Armas. 2010. Disponível em: < https://prezi.com/olbskhkoappx/avaliacao-psicologica-para-porte-de-armas.> Acesso em: 25 out de 2018. TEIXEIRA, Lucas Borges. Como funciona o porte de armas no Brasil? Especialistas explicam – Set/2018. Disponível em: < https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/09/15/como-funciona-o-porte-de-armas-no-brasil-especialistas-explicam.htm>. Acesso em: 26 out 2018. VERONE, Conselho Regional da Psicologia, 2008. Disponível em: <http://www.crpsp.org.> Acesso em: 27 de out 2018. YAMAMOTO, O.H. (2012). 50 anos de profissão: responsabilidade social ou processo ético político? Psicologia: Ciência e Profissão, 32, 6-17. Conselho Federal de Psicologia Avaliação psicológica: diretrizes na regulamentação da profissão / Conselho Federal de Psicologia. - Brasília: CFP, 2010. Disponível também em: www.pol.org.br. Código de ética do psicólogo, Brasília – DP, 2005, 20 p.