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HISTÓRIA HISTÓRIA ANTIGA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini http://www.unar.edu.br HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO A PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 1 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Nessa etapa inicial do nosso estudo, vamos procurar entender um pouco a respeito das origens do homem neste planeta. Para essa finalidade, a História é fundamental, bem como ciências auxiliares como a sociologia, antropologia, arqueologia e outras. . ESTUDANDO E REFLETINDO As origens do homem Pesquisas recentes de antropólogos e arqueólogos tendem a indicar que o homem surgiu, provavelmente, na África, em torno de 5 milhões de anos atrás, segundo datações mais atualizadas. Supõe-se que, ali, em terras e ambiente propício tropical, tenham se reunido algumas condições que permitiram um lento processo de evolução da espécie humana. Um ser que basicamente se diferenciou de outro reino, o animal, pela forma de ser e de fazer-se racionalmente no ambiente criado. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO A PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 2 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” A partir do momento da constatação de que os ancestrais humanos deixam o continente africano, muitas dúvidas são lançadas aos antropólogos e arqueólogos. Para responder a essas dúvidas, as ciências humanas formulam várias hipóteses. O assunto possibilita diferentes perspectivas para se encontrar uma explicação cientificamente justificável, para o deslocamento humano pelo planeta. Quando e como o homem deixou a África e dirigiu-se para os demais continentes, continua a ser discutido e muito debatido. Possivelmente, em mais alguns anos, tenhamos uma resposta adequada pela ciência quanto ao surgimento e evolução humana. Alguns pesquisadores já detalharam uma possível “construção” genealógica do homem. Nossa atenção pode se concentrar, segundo estudiosos, no aparecimento do chamado Homo sapiens, cujo aparecimento pode ter ocorrido por volta de 1 milhão e 200.000 anos. Teoria da evolução Como o homem surgiu na terra? Várias respostas já foram dadas a essa pergunta. Todos os povos criaram mitos, narrativas que tratam de temas fundamentais e misteriosos para os homens, como a origem, as finalidades ou o modo de ser de uma realidade, explicando a realidade humana. Em 1650, um pensador religioso inglês, baseado nas crenças judaico-cristãs, chegou à conclusão, sem nenhum critério científico, de que o homem havia sido criado no ano 4004 a.C. No século XIX, as descobertas arqueológicas possibilitaram explicações científicas. Foi nesse mesmo século, rico em pesquisas, que Charles Darwin publicou seu livro A origem das espécies. A partir das observações anotadas em uma viagem pelo mundo (1831-1836), Darwin formulou a teoria da evolução das espécies. Em suma, concluiu que por meio de mutações, as espécies passam por mudanças, adaptam-se ao meio natural e dão origem a novas espécies. Algumas espécies se extinguem dando lugar a outras. Todo esse processo seria realizado por meio da seleção natural. A proposição básica da seleção natural é que as condições ambientais determinam o quanto uma determinada característica de um organismo ajuda na sobrevivência e reprodução desse organismo. Organismos que não possuem essas características podem morrer antes de se reproduzirem ou ser menos prolíficos que os organismos que as apresentam. Ao contrário, uma espécie bem adaptada tende a sobreviver e se reproduzir. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO A PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 3 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Darwin estendeu sua teoria para o surgimento do homem, classificando-o como descendentes dos antropoides. A comunidade científica e outros setores da sociedade, inicialmente, opuseram-se a essa conclusão. Atualmente, a ciência questiona a linearidade evolutiva do homem, concebendo teorias que afirmam a existência simultânea de grupos humanos diferentes, tanto do ponto de vista cultural como biológico. Desde o momento em que o homem passou a confeccionar instrumentos e desenvolver uma linguagem articulada, ele se distinguiu dos outros animais e criou o mundo da cultura. Transformar a natureza e a si próprio por meios do trabalho passou a ser característica essencial da espécie humana. Dessa forma, a evolução biológica, a partir de um determinado ponto, ocorre simultaneamente à evolução cultural, confundindo-se com ela. A fabricação de instrumentos culminou num processo evolutivo de milhões de anos. Durante muito tempo a evolução dos ancestrais do homem obedeceu às leis da natureza, mas a fabricação de instrumentos libertou o homem dessa dependência exclusiva. Assim o homem é o único animal que pode influenciar na sua própria evolução. O fato é que a nossa capacidade de produzir cultura está baseado na herança propriamente cultural que recebemos do passado como nas características físicas que adquirimos com a evolução biológica. A base física da nossa evolução cultural, que nos distingue dos demais animais, pode ser mais bem entendida se for comparada com a dos nossos parentes mais próximos, os macacos. O homem atual é um animal que possui cérebro maior em relação ao tamanho do seu corpo. A média do tamanho do nosso cérebro é de 1.400 cm3, enquanto o de um chimpanzé é cerca de um terço disso. Além do tamanho precisamos atentar também para outros aspectos, entre eles o funcionamento do cérebro humano. Não podemos afirmar se o aumento do cérebro, inicialmente esteve ligado ao desenvolvimento da inteligência ou se, ao contrário, esses cérebros maiores criaram a oportunidade para um desenvolvimento posterior da inteligência. A maneira de o homem se locomover exige um esqueleto adaptado para suportar a tensão e o peso ligado a essa forma de locomoção. Andar apenas sobre dois membros representou uma adaptação à vida nas savanas e não mais nas HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO A PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 4 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” florestas. O bipedismo tem sido apontado como um fator fundamental para a evolução humana porque livrou as mãos para outras tarefas. Isso teria não só desenvolvido uma extrema habilidade manual no homem, mas também condicionado o próprio desenvolvimento da sua inteligência. O andar ereto necessita de um maior gasto de energia em relação a outras formas de locomoção usadas pelos mamíferos, gerando muito calor devido ao esforço muscular. Mas, por outro lado, permite correr ou manter uma marcha constante durante muito tempo, ou seja, podemos percorrer grandes distâncias. Na mão humana o polegar é mais longo e mais afastado dos outros dedos do que na dos chimpanzés e dos gorilas, nossos parentes mais próximos. Isso permite a sua utilização combinada com qualquer outro dedo da mão, possibilitando pegar objetos de vários tamanhos com a mesma eficiência em força e precisão, permitindo a fabricação de uma infinidade de objetos diferentes. Os seres humanos possuem a abertura dos olhos maior do que a íris, deixando ver a parte branca; também temos sobrancelhas, cílios e lábios aumentados. Com essas características o rosto humano tem uma enorme capacidade comunicativa. Todas essas características humanas possibilitou o aumento da sociabilidade e da cooperação nos grupos humanos, o que parece estar ligado às necessidades de sobrevivência do grupo. BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÕES Para ler as publicações referentes ao Homem pré-histórico acesse o site: Disponível em: <http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=495> Acesso em: 19 de junho de 2014. História e cinema:A guerra do fogo. Ano, 1981. 97 minutos. Um dos raros filmes sobre a pré-história que permite discutir uma série de temas importantes acerca do período. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 2 - PERIODIZAÇÃO DA PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 5 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Conhecer as principais características e periodização da pré-história; identificar as condições de vida do homem pré-histórico no paleolítico e diferenciar as produções humanas como fenômenos anteriores e posteriores ao processo de sedentarização humana. ESTUDANDO E REFLETINDO Os tempos “pré-históricos” A chamada “pré-história” pode ser apresentada como um momento da história da espécie humana em que o homem ainda não possuía a escrita como observamos hoje. Todavia, participavam da forma de ser e fazer de uma “construção” material de seu mundo. É dessa maneira que alguns estudiosos tendem a classificar essa primeira etapa humana como Idade da Pedra, um período de quase 700.000 anos, sobre o qual aprofundaremos nosso estudo. Mas o que seria essa Idade da Pedra? Você já ouviu falar? Tem ideia a respeito? Como o homem vivia nesse momento? Vamos procurar respostas para essas indagações? A idade da Pedra, propriamente dita, segundo especialistas, possui uma divisão: os chamados períodos Paleolítico e Neolítico. O período Paleolítico, cujo termo significa “pedra antiga”, é conhecido, também, como Idade da Pedra Lascada, por se acharem nesse período muitos indícios de artefatos produzidos e talhados rusticamente pelo Homem. O Neolítico já tende a expor outro significado: “pedra nova”, ou também chamado de Idade da Pedra Polida. Trata-se de uma era em que começam a ser evidenciados pela produção humana certos progressos de vivência, graças ao uso de sua razão. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 2 - PERIODIZAÇÃO DA PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 6 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” fonte: http://blog.educacional.com.br/lianasuzuki/files/2010/03/linha-do-tempo.jpg acessada em 23/05/10. Tais vivências eram construídas pelos desafios do dia a dia. Produzir as condições de vida diária significava enfrentar e superar os desafios impostos pela natureza. Desafios básicos como obter comida, objetos para caça e defesa, do frio. Na superação dessas dificuldades, a humanidade começa a desenvolver comportamentos que são reflexos destes enfrentamentos das adversidades. As pesquisas indicam que, durante esse período, predominou o uso do raciocínio, para formar as condições de sua sobrevivência, razão pela qual foram produzidos certos utensílios e artefatos, utilizando-se de lascas de pedras. Certos machados de pedra e madeira, usados para a caça aos animais, foram utilizados e criados. Podemos dizer que eram homens predispostos à sobrevivência e basicamente caçadores e coletores. Aos poucos, conseguem assimilar e dominar a técnica de fabricação e conservação do fogo, o que lhes possibilitou enfrentar o frio, animais e a cozinhar alimentos obtidos com a caça. Em certos achados arqueológicos, cientistas observaram indícios de vida espiritual e de cultos que se estabeleciam de diversas formas. O homem de Neanderthal, um dos primeiros a ter uma análise mais precisa da ciência, deixou vestígios de sepulturas, onde o tributo aos mortos era essencial. O chamado homo sapiens, que viveu no período denominado Paleolítico Superior tem sua marca deixada em artefatos que construiu, e, basicamente, em pinturas rupestres, de manifestações artísticas. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 2 - PERIODIZAÇÃO DA PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 7 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Homo sapiens sapiens Fonte: http://tejedasblog.blogspot.com/2010/09/blog-2-allegory-of-cave.html As pinturas encontradas em cavernas, sempre tendem a demonstrar a atuação dos homens, transformando e vivendo em um habitat, onde pudessem se esconder das intempéries e se organizarem em núcleos com configurações primitivas de sociedade. Tudo isso pode ser visualizado nas paredes de algumas grutas e, por muitas vezes, há que se observarem cenas de caçadas, lutas, danças, inclusive com a representação da mentalidade de seres humanos. Muito se tem deduzido a respeito das pinturas encontradas. Uma delas está ligada às práticas rituais de caçada e sobrevivência do grupo. Alguns especialistas tendem a acreditar que foi, também, a partir desses rituais ligados a práticas do cotidiano que se originou a religião. A caça, por exemplo, utilizava-se de lascas de pedra, mas, progressivamente, os artefatos foram aperfeiçoados e outros novos foram criados. Com o tempo, tais homens ditos, das cavernas, começaram a criar processos de luta pela vida, pois vários artefatos foram aprimorados como o arco e a flecha, arpão e outros. Essa produção caracterizou o período denominado Paleolítico Superior. Existia certa divisão do trabalho feita basicamente por sexo e faixa etária. Podemos dizer que de um lado, mulheres, crianças e velhos ficavam a cargo de trabalharem na coleta e o preparo dos alimentos, já os homens dedicavam-se à caça. Cabe-nos indagar como organizavam todo esse processo de caça e coleta dos produtos numa sociedade? Todos os produtos tanto da caça, como da coleta se HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 2 - PERIODIZAÇÃO DA PRÉ-HISTÓRIA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 8 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” faziam repartir entre os membros de determinada comunidade. Para alguns cientistas, ainda nessa época não se pode falar da configuração de uma estrutura familiar. Por serem inicialmente nômades, eram caçadores e coletores, tendo que se deslocar a cada jornada do tempo ou necessidade, sempre à procura de regiões que lhe pudessem fornecer alimentos. Quando descobriram que algumas espécies de vegetais podem ser cultivadas e alguns animais domesticados para o seu sustento, a sedentarização começava a se tornar característica nos agrupamentos. A partir daí, a humanidade principiou a ver e viver de uma nova maneira e reconfigurou a evolução de seus estágios de vida e comportamento. BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÕES É interessante a sua leitura em outros sites onde os autores apresentam de forma clara algumas características desse nosso assunto. Veja o site abaixo: Disponível em: <http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=495> Acesso em 30 de maio de 2014. DOCUMENTÁRIO: Homem Pré-Histórico - Vivendo entre as feras, caçar ou ser caçado. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=sCBMPug_fE8> Acesso em 30 de maio de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 3 - SURGIMENTO DE TÉCNICAS AGRÍCOLAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 9 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Identificar as condições de vida do homem pré-histórico durante o neolítico, compreender o surgimento de técnica de cultivo e diferenciar as produções humanas como fenômenos anteriores e posteriores ao processo de sedentarização humana. ESTUDANDO E REFLETINDO Da agricultura Pode parecer algo insignificante hoje ao homem ao ir à feira, atacadão de frutas, verduras e legumes ou ainda a uma feira agropecuária e ver animais. São coisas simples para nós, todavia, nesse olhar há uma verdadeira e forte “revolução” na história da humanidade. É que, muitas vezes, não paramos para pensar em várias conquistas já feitas. São em situações como essas que é possível compreender a transição do período Paleolítico e o início do Neolítico (aproximadamente, há 10.000 anos). Surge-nos uma indagação simples: Como o homem “descobriu” a agricultura, ou o manejo dela? Trabalhar a terra e as estações lunares?As diversas formas agriculturáveis, plantios e tudo mais? Pode ser algo simples hoje, mas é instigante, ao se tratar do homem em si. Entre o final do paleolítico e o início do neolítico, houve um período que grosseiramente poderíamos chamar de transição: o período mesolítico. A passagem do mesolítico para o neolítico deu-se entre 15000 e 10000 a.C. Nessa fase a Terra começava a adquirir suas características atuais, com o fim da última era glacial. As regiões temperadas foram ficando mais quentes, e as regiões mediterrâneas, mais secas. Surgiram florestas nas regiões temperadas da Europa, enquanto ao sul formaram-se áreas secas e desérticas. Estavam criadas as condições que geraram a grande revolução da pré-história: a Revolução agrícola ou Neolítica. Revolução agrícola ou Neolítica: a palavra revolução designa um processo de profunda transformação de uma realidade. Chamamos Revolução Agrícola ou Neolítica o processo que transformou radicalmente a vida dos seres humanos que viveram muitos séculos antes de Cristo. A invenção da agricultura, ou a descoberta de que os homens podiam interferir na sobrevivência da espécie, a sedentarização dos grupos (já que não dependiam apenas da caça e da coleta). Trouxe também mudanças nos instrumentos, nas relações entre os seres humanos e entre os homens e mulheres (divisão do trabalho). HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 3 - SURGIMENTO DE TÉCNICAS AGRÍCOLAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 10 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Um dado importante a ser considerado em nosso estudo e que merece um olhar atento relaciona-se ao fato de a agricultura ter promovido a sedentarização dos grupos humanos, visto que tudo, até o tempo de preparo do solo, semeadura e a colheita, está restrito a certo lugar da vivência humana. Isso tudo levará a um significativo aumento demográfico. Enquanto eram apenas caçadores e coletores, nômades, os grupos sociais humanos não eram numerosos, mas, devido ao aumento populacional, poderia gerar o esgotamento dos alimentos. Ao viver somente da agricultura e não tendo mais necessidade de ser nômade, a divisão do trabalho se efetuava da melhor maneira possível. Assim, aos homens reservava-se o preparo do terreno. As mulheres dedicavam-se ao trabalho de semear, colher e produzir alimentos. Com o processo da sedentarizarão, a agricultura ganha força, pois, por meio dela, além de produzir se fez necessário guardar os alimentos cultivados. A necessidade de estocar os alimentos para os períodos de escassez de alimentos levou ao desenvolvimento da cerâmica e demais utensílios. Com relação ao trato com animais e sua domesticação, dedicaram-se à criação de ovelhas, acarretando a fabricação de tecidos. Além disso, o processo de sedentarização gera defesa do território dos grupos que ali estavam se organizando na agricultura. Para não serem atacados por outros grupos, construíram casas próximas, dando início à formação de aldeias. Isso, para a ciência, foi interpretado como o início do período neolítico, cuja data aproximada girou em torno de 8000 anos a.C. Nesse período Neolítico, devido à formação de aldeias e comunidades, observou-se a construção de barcos, tornando com isso possível a pesca em lagoas, rios e mares. A cultura do Neolítico: vida e sociedade HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 3 - SURGIMENTO DE TÉCNICAS AGRÍCOLAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 11 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Com a agricultura ocorreu uma das mais fundamentais mudanças na vida do homem: a passagem do nomadismo para o sedentarismo. Durante milhares de anos o homem viveu da coleta, da caça e da pesca. As sociedades que vivem dessas atividades são nômades. Deslocam-se de um lugar para outro à medida que os recursos naturais escasseiam. Era preciso acompanhar o deslocamento das manadas de animais, procurar rios mais piscosos e achar áreas novas para coletar alimentos. Foi durante o neolítico que ocorreu a sedentarização de muitos grupos humanos. A coleta constante fez o homem observar algumas características de determinadas plantas: época de frutificação, germinação, locais onde cresciam com maior facilidade e abundância, duração do ciclo de vida das plantas, etc. Assim, sem abandonar a caça, a pesca e a coleta, alguns grupos humanos passaram a cultivar plantas que estavam acostumados a coletar. Essa ação do homem vai, inclusive, mudar as características dessas plantas. Com isso surgiram espécies mais produtivas e mais adequadas ao uso humano. O mesmo ocorreu com os animais. A domesticação deve estar ligada ao hábito de recolher filhotes e criá-los para matar e comer mais tarde. Algumas espécies se aproximavam do acampamento de caçadores à procura de ossos e restos de comida. Assim, a passagem do nomadismo para o sedentarismo ocorreu gradualmente. Não raro, a agricultura e o pastoreio conviveram com o seminomadismo, configurando uma sedentarização incompleta. A agricultura, fixando os grupos humanos em uma determinada região, faz com que nessas agrícolas surjam novas formas de sociabilidade. Além disso, a agricultura deu mais segurança no que se refere a alimentação. O armazenamento de grãos garantia a sobrevivência alimentar por períodos mais longos. Os rebanhos e os instrumentos de trabalho eram propriedade de toda a comunidade. Não havia distinção social entre os membros do grupo: todos trabalhavam e o produto era consumido igualmente por todos, ocorrendo somente a divisão sexual do trabalho: as mulheres teciam, cuidavam das plantações e faziam cestos, enquanto os homens lidavam com os animais e construíam abrigos. A necessidade de defesa provocou a formação de grupos sociais mais complexos: as tribos. Uma das grandes invenções do período Neolítico foi a cerâmica, que melhorou a qualidade da alimentação do homem primitivo. Também teve início a HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 3 - SURGIMENTO DE TÉCNICAS AGRÍCOLAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 12 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” construção de casas de barro, junco ou madeira. Os instrumentos eram ainda feitos de pedra ou osso, mas recebiam um acabamento: eram polidos com areia até adquirir formas mais úteis e adequadas. No final do neolítico (5000-4000 a.C.), o homem passou a utilizar também metais nobres, como o cobre, para fabricar instrumentos. Esse metal podia ser trabalhado frio e facilitava a produção de instrumentos mais duráveis que os de osso ou pedra. Inicia-se aí, a Idade dos Metais. BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÕES Para maior aprofundamento, acesse: Disponível em: <http://www.arqueologia.arq.br/page4-8.htm> Acesso em 30 de maio de 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=UKu2VzjsoBE> Acesso em 01 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 4 - A ERA DO BRONZE Thomaz Garcia Wagner Montanhini 1 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Conhecer as principais características e periodização da pré-história; identificar as condições de vida do homem pré-histórico, a transição do período neolítico, e as principais características do período final da pré-história. ESTUDANDO E REFLETINDO A era do bronze Entre 6000 a 5000 a.C., podemos dizer, com base nas pesquisas sobre esse tema, que, em certas aldeias neolíticas, já se observava o emprego dos metais como ferro e bronze. Por essa razão, alguns autores denominaram de Idade dos Metais. Técnicas de fundição de cobre, ferro e bronze, aperfeiçoamento de utensílios e armas caracteriza para os historiadores a Idade dos Metais. Apesar da impossibilidade de estabelecer uma cronologia exata desses avanços, supõe-se que o bronze tenha sido utilizado em diversas áreas do Oriente já por volta de 4000 a.C., alcançando a Europae o mundo mediterrâneo cerca de 2 mil anos depois. Como vimos em unidades anteriores nesta disciplina, o desenvolvimento técnico aplicado na agricultura possibilitou maior produção e um consequente aumento populacional. Alguns grupos familiares passaram a exercer domínio sobre outros grupos, gerando sociedades ampliadas. A necessidade de garantir a defesa e a produção em áreas relativamente extensas, habitadas por várias aldeias ou grupos familiares (as tribos), levou ao início da organização de Estados. As grandes transformações ocorridas ao longo do período Neolítico mudaram radicalmente as formas de convivência humana em algumas regiões do mundo. A posse coletiva, que até então prevalecia nas comunidades, passou a coexistir com situações de posse privada: os instrumentos e o fruto do trabalho, antes pertencentes a toda comunidade, agora se tornavam exclusivos de cada indivíduo, de famílias ou de grupos de famílias. Surgiram, nesse período, as O conceito de Estado é muito importante para o estudo e o entendimento da História. Em síntese, significa a autoridade própria que organiza uma sociedade, que define regras para a convivência do conjunto das pessoas submetidas a essa autoridade e que faz que as regras sejam cumpridas, valendo-se de um conjunto de instituições. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 4 - A ERA DO BRONZE Thomaz Garcia Wagner Montanhini 2 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” primeiras organizações sociais, com a criação do Estado e o desenvolvimento da escrita – primeiramente, ao que parece, Oriente Próximo, no Egito e na Mesopotâmia. Fonte: http://www.historia.uff.br/nec/imagem/grandes-cidades-do-oriente-pr%C3%B3ximo Acesso em 23 de maio de 2014. Mas uma questão importante é lançada pelos estudiosos: por que denominar-se “pré-histórico” ao período que se segue? Qual o sentido nesse caso de ser “pré-histórico”? Para uma concepção mais tradicional da linha historiográfica, existem pesquisadores afirmando que, apenas e tão somente com a invenção da escrita, encerra-se a “Pré-História”, pois a partir do momento em que se pode utilizar a escrita para manifestar uma representação, a história humana se inicia. Tal concepção é bastante criticada nos dias atuais por vários historiadores. Mais à frente, vamos refletir a respeito. Oriente Próximo: nome que, antes da Segunda Guerra Mundial, era dado às terras mais próximas da Europa, estendendo‐se do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 4 - A ERA DO BRONZE Thomaz Garcia Wagner Montanhini 3 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Contudo, a análise com critérios mais rigorosos possibilitará perceber que a invenção da escrita coincide com uma série de outras modificações na maneira de viver dos grupos humanos, situações e contextos culturais por eles desenvolvidos, o que nos permite inferir que, em torno de 5000 anos a. C., os homens chegaram a um estágio de Civilização. Ainda com relação à escrita faz-se necessário dizer que ela veio ao encontro de novas necessidades culturais do homem. Com ela houve efeitos e não, propriamente, uma causa das grandes transformações políticas, econômicas e religiosas da época, ainda que, o processo de manifestação de linguagem, tenha significado a possibilidade de avanços em todos esses setores. A chamada máscara de Agamenon Fonte: http://www.sitedecuriosidades.com/im/g/3F531.jpg Acesso em 23 de maio de 2014. BUSCANDO CONHECIMENTO Para recordar: Períodos pré-históricos. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 4 - A ERA DO BRONZE Thomaz Garcia Wagner Montanhini 4 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” PALEOLÍTICO NEOLÍTICO IDADE DA PEDRA LASCADA Coleta, caça e pesca Nomadismo Abrigos provisórios Instrumentos de pedra, ossos e, possivelmente, madeiras lascados Bandos pouco numerosos IDADE DA PEDRA POLIDA Prática da agricultura e criação de animais Seminomadismo e sedentarismo Moradias fixas Instrumentos de pedra e ossos polidos, cestaria e cerâmica IDADE DOS METAIS Metalurgia Organizações sociais mais numerosas HISTÓRIA ANTIGA – UNIDADE 5 MESOPOTÂMIA Profº Esp. Thiago Thomaz Garcia Profº Dr. Wagner Montanhini 1 CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar as condições sociais, econômicas e políticas, na região localizada entre os rios Tigre e Eufrates. Vamos estudar uma região que hoje faz parte de noticiários e dilemas internacionais em termos econômicos, sociais e culturais. Não vamos falar de petróleo, mas de onde grande parte do petróleo consumido nas mais variadas partes do planeta é produzido: Iraque, ou, Mesopotâmia. ESTUDANDO E REFLETINDO Mesopotâmia: esplendor e vida urbana. Observe, no mapa abaixo, a localização dessa região que foi marcada pelo desenvolvimento de vários povos e foi também denominada de “crescente fértil”. Dada a riqueza natural que ali se produz, até hoje, é cenário de grandes conflitos. Rios Tigre e Eufrates Fonte: http://tecendoasabedoria.blogspot.com/2010/05/mesopotamia.html HISTÓRIA ANTIGA – UNIDADE 5 MESOPOTÂMIA Profº Esp. Thiago Thomaz Garcia Profº Dr. Wagner Montanhini 2 A Mesopotâmia era a região situada entre os rios Tigre e Eufrates, por isso denominada de “entre rios” ou “mesopotâmia”. Ali, uma variedade de povos se instalou, destacando-se sumérios, assírios, acádios e babilônicos. Era uma região com farta irregularidade natural, contribuindo, assim, para que uma quantidade grande de obras de irrigação e drenagem fosse realizada ao longo de sua história. A maior parte da população da região vivia em cidades, governadas por um patesi (rei-sacerdote) e inseridas por entre os montes Zagros, atual Irã, a leste, até os desertos da Arábia Saudita, a oeste, com os rios que escorriam das montanhas para o golfo Pérsico. Já a parte mais ao norte, situada na alta mesopotâmia, era a mais montanhosa, de condição desértica e com isso menos fértil. O centro e o sul entre os rios Tigre e Eufrates situavam a baixa mesopotâmia, com planícies muito férteis. Em pesquisas recentes, arqueólogos revelam descobertas, indicando que a sedentarização da região Mesopotâmia ocorreu durante a transição do Paleolítico para o Neolítico, o que gerou para muitos deles o indício de organizações civilizadas antes de qualquer outra do mundo. Com a formação de núcleos urbanos, a região teve, ao longo dos tempos, um completo desenvolvimento de seu sistema hidráulico, o que tendia a favorecer a utilização para a agricultura dos pântanos e evitava as inundações em época de chuvas e cheias, garantindo, com isso, o armazenamento de água para os grandes períodos de estiagem local. O desenvolvimento dos aglomerados urbanos e das atividades agrícolas fez com que algumas cidades, como Uruk, se tornassem prósperas na região. Com isso, além de se fixar, a população local se efetivou em termos de defesa militar, bastando que com isso houvesse uma centralização política para melhor governar, obtendo um controle maior da população. Na mesopotâmia, guerras eram constantes, pois invasões de tribos sobre tribos ocorriam de modo rotineiro. Os povos mesopotâmicos formavam uma sociedade muito organizada e que ficaram conhecidas pelas dezenas de cidades-estados (muito parecidas com as cidades HISTÓRIA ANTIGA – UNIDADE 5 MESOPOTÂMIA Profº Esp. Thiago Thomaz Garcia Profº Dr. Wagner Montanhini 3 gregas, por serem independentes) e que ocupavam a região dos rios Tigres e Eufrates. Em cada uma dessas cidades havia a presença de uma autoridade que era responsável por tomar as decisões de cunho político e religioso nessas tribos. Os reis tinham sua imagem vinculada aos deuses, porém não eram vistos como divindades(teocracia). Habitavam suntuosos palácios e tinham um amplo corpo de funcionários a sua disposição. Logo após o rei e seus familiares, a pirâmide social dos povos mesopotâmicos contava com uma classe intermediária que era integrada por nobres, guerreiros, funcionários públicos e sacerdotes que desempenhavam algumas importantes funções que ajudavam a manter a dinâmica do estado. A grande maioria da população era pertencente a uma classe mais baixa que estavam incluídos os camponeses e trabalhadores que prestavam serviço à comunidade. No campo científico, os mesopotâmicos tiveram destaque no desenvolvimento da escrita com a criação de um sistema de caracteres cuneiformes, criando assim a escrita cuneiforme. Fonte: http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TEJFKCO3wAI/AAAAAAAAFok/FpKXf5sEFAQ/s400/untitled.bmp Fonte: http://operamundi.uol.com.br/arquivos/upload/800px-Cuneiform_writing_Ur.jpg Teocracia - forma de governo em que o governante exerce o poder como o representante de um deus ou se apresenta como a própria divindade. http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TEJFKCO3wAI/AAAAAAAAFok/FpKXf5sEFAQ/s400/untitled.bmp http://operamundi.uol.com.br/arquivos/upload/800px-Cuneiform_writing_Ur.jpg HISTÓRIA ANTIGA – UNIDADE 5 MESOPOTÂMIA Profº Esp. Thiago Thomaz Garcia Profº Dr. Wagner Montanhini 4 Com o grande processo das atividades comerciais, a álgebra teve também um grande desenvolvimento com as operações matemáticas e o sistema de pesos e medidas. Na arquitetura, onde os mesopotâmicos destacam-se através da construção de grandes de enormes palácios e templos que ficaram conhecidos como zigurates. BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÕES Para aprofundamento dos conceitos aqui estudados pesquise nos sites abaixo: Disponível em: <http://www.uned.es/geo-1-historia-antigua- universal/MESOPOTAMIA/Textos/Textos_1.htm> Acesso em 22 de junho de 2014. Disponível em: <http://www.mesopotamia.co.uk/menu.html#> Acesso em 23 de junho de 2014. Documentário: Civilizações perdidas - Mesopotâmia. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=uF_-_OWexPA> Acesso em 23 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 6 - SUMÉRIOS E ACADIANOS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 21 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar as condições sociais, econômicas e políticas, na região localizada entre os rios Tigre e Eufrates em especial, os sumérios e acadianos. ESTUDANDO E REFLETINDO Sumerianos e acadianos (antes de 2000 a.C.) No final do período Neolítico, os povos sumerianos, vindos do planalto do Irã, fixaram-se na Caldeia (Média e Baixa Mesopotâmia) e fundaram diversas cidades autônomas, verdadeiros Estados independentes, como Ur, Uruk, Nipur e Lagash. Cada uma delas era governada por um patesi, supremo-sacerdote e chefe militar absoluto. Fonte: http://www.tudook.com/guiadoensino/images/474px-dinastico_arcaico_svg.png HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 6 - SUMÉRIOS E ACADIANOS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 22 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Os deuses eram considerados os proprietários de todas as terras, a quem os homens sempre deviam servir, sendo as cidades suas moradas terrenas. Junto aos templos das cidades, homenageando o seu deus patrono, eram erigidos zigurates, pirâmides de tijolos maciços, que serviam de santuários e acesso dos deuses, quando desciam até seu povo. Empreendedores e criativos, os sumérios estabeleceram relações comerciais com vários povos da costa do Mediterrâneo e do vale do Indo. Inventaram a escrita cuneiforme (caracteres em forma de cunha) que foi utilizada por todas as civilizações da Mesopotâmia e povos vizinhos. Enquanto as cidades-estados sumerianas viviam constantemente em guerra pela supremacia na região, produzindo hegemonias sucessivas, os acadianos, povos de origem semita, ocupavam a região central da Mesopotâmia. Por volta de 2300 a.C., o rei acadiano Sargão I, unificou politicamente o centro e o sul da Mesopotâmia, dominando os sumerianos. Esse rei torna-se conhecido como o “soberano dos quatro cantos da terra”. Ao mesmo tempo, o Império acadiano incorporou a cultura sumeriana, com destaque para os registros da nova língua semítica. Devido às diversas revoltas internas e a continuação de invasões estrangeiras, o Império acadiano acabou se enfraquecendo e desapareceu – ao redor de 2100 a.C. -, permitindo o breve reerguimento de algumas das cidades- estados sumerianas, como Ur. TEXTO O mito sumério do dilúvio. O mito do dilúvio, posteriormente espalhados por todo o Antigo Testamento (Gênesis 6-8), é na verdade um antigo mito sumério, conhecido em sua primeira versão de uma tábua encontrada em Nippur. Nele, os deuses punir os "cabeças negras" o envio de uma catástrofe natural de um homem que é salvo, Ziusudra, um construtor de barcos que se refugiaram em diferentes espécies animais. O tema também está presente na literatura assíria, onde o herói é Atrahasis. O processo de reformulação, depois de sofrer alguns mitos sumério faz a história do dilúvio é incorporado ao poema de Gilgamesh, fazendo com que a entrevista supreviviente do desastre. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 6 - SUMÉRIOS E ACADIANOS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 23 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Os restos de um desastre natural ter sido procurado na Baixa Mesopotâmia, para provar a historicidade do episódio, mas sem resultados aparentes. A verdade é que a enchente serviu como uma relação temporal entre as comunidades sumério, o mais antigo, cuja história é laço dinástica com ele. Por exemplo, "... depois do dilúvio, royalty descer do céu uma segunda vez para a cidade de Kish ...». O mito transmite a existência da cidade e da monarquia como um processo anterior ao período em que os sumérios colocar o dilúvio. (Pilar González-Conde). (...) Eu quero a minha destruição da raça humana Nintu quer parar a destruição das minhas criaturas. Eu retornarei as pessoas para os seus estabelecimentos. Cidades Criada em toda parte e eu serei o tom suave. Substitua os tijolos em nossos templos nos lugares sagrados, (e) os locais das nossas decisões nos lugares consagrados. Vou preparar a água corretamente há santo que extingue o fogo, completará as regras divinas sublime e decretos, a terra será irrigada e eu estabelecerei a paz lá. Depois de An, Enlil, Enki e Ninhursag trem criado (pessoas) de cabeça preta desenvolvido vegetação luxuriante, na terra, animais de todos os tamanhos, quadrúpedes, foram classificadas como planícies e ornamento adequado [---] Eu vou considerar (seus esforços ansiosos). (Depois), a construtora do país, havia estabelecido os fundamentos, (quando o cetro) da realeza tinha descido do céu, tiara após o sublime (e) o trono da realeza tinha descido do céu, ele completou (as regras divinas e o destino sublime). Fundou (cinco) cidades (lugares puros); deram seus nomes e designadas como centros de culto. A primeira dessas cidades, Eridu, ele deu a Nudimmud chefe, O Baltibira segundo, deu a nugig, A terceira, LARAK, deu a Pabilsag, o quarto, Sippar, foi entregue ao herói Utu, o quinto, Shuruppak, deu-Sud Ele anunciou os nomes das cidades designadas e centros de culto; não impediu que a terra (anual) de inundação, (mas) escavados e trouxe a água, e estabeleceu a limpeza de pequenos canais e valas de irrigação. [---] (...) a inundação (...) e estava convencido de (...). Então Nintu chorou (para as Suas criaturas) como um (...); Divino Inana cantou um lamento pelo seu povo; Enki tomou conselho de si mesmo. An, Enlil, Enki (e) Ninhursag, os deuses do universo foram empossados pelos nomes de An e Enlil. Então, o rei Ziusudra, o pashishu de (...) construída (...). HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE6 - SUMÉRIOS E ACADIANOS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 24 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Humildemente obediente, ele reverentemente (...); ocupados todos os dias, ele constantemente (...). Este não foi um sonho, sair e falar (...), invocando o céu (e) o submundo, ele (...). No Ki-Ur, os deuses, um muro (...). Ziusudra ouviu seu lado, de pé no lado esquerdo da parede (...): "Ao longo da parede, eu vou lhe dizer uma palavra (ouvir) a minha palavra, ouvidos às minhas instruções: A enchente vai inundar todas as residências, todos os locais de culto, para destruir a semente da humanidade (...). (Isso) é a decisão do decreto da Assembleia (os deuses). (Isso) é a palavra de An, Enlil (e Ninhursag). (...) A destruição da realeza. Agora (...)» [---] (...) Todas as tempestades e ventos quebrou; (no momento) a inundação invadiu as casas de culto. Depois do dilúvio varreu a terra por sete dias e sete noites, E o barco enorme tinha sido abalada por sobre as águas vasta por tempestades Utu saiu, iluminando o céu e a terra. Ziusudra depois abriu uma janela de seu barco grande Utu e fez seus raios penetram no barco gigante. Rei Ziusudra prostrou-se (então), antes de Utu; o rei sacrificado um grande número de bois e ovelhas. "Invocareis pelo céu e da terra (...)» Um (e) Enlil invocada pelo céu e da terra (...), e fez os animais parecem emergir da terra. Rei Ziusudra prostrou-se diante de uma (e) Enlil. Um (e) Enlil Ziusudra cuidada, deu a vida como ela (a de) um deus, fez cair por ele como um suspiro eterno (a de) um deus. Então o rei Ziusudra, que salvou as sementes da destruição da humanidade, nesse momento, no exterior, no Oriente, Dilmun, (nós) não vivem. Fonte http://pt.wikilingue.com/es/Gilgamesh. Acesso em 22 de maio de 2010. BUSCANDO CONHECIMENTO Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/historiageral/sumerios- acadios.htm> Acesso em 23 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 6 - SUMÉRIOS E ACADIANOS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 25 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Documentário: Civilizações perdidas - Mesopotâmia. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=uF_-_OWexPA> Acesso em 23 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 7 - O IMPÉRIO BABILÔNICO Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 26 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar as condições sociais, econômicas e políticas, na região localizada entre os rios Tigre e Eufrates em especial, o Primeiro Império Babilônico entre 200 a.C à 1750 a.C., o Código de Hamurabi e o Segundo Império Babilônico (612 a.C. – 539 a. C.). ESTUDANDO E REFLETINDO O Primeiro Império Babilônico (2000 a.C. – 1750 a. C) Entre os invasores que destruíram o Império acadiano destacam-se os amoritas. Vindos do deserto da Arábia, impuseram seu domínio na Mesopotâmia, partindo de sua cidade principal chamada Babilônia. As disputas entre ela e as demais cidades-estados mesopotâmicas, além de outras ondas invasoras, resultaram uma luta quase ininterrupta até o início do século XVIII a.C., quando Hamurabi, rei da Babilônia, realizou a completa unificação, conseguindo dominar toda a região, desde a Assíria, na Alta Mesopotâmia, até a Caldeia, no sul, fundando o Primeiro Império Babilônico. Rapidamente, a capital babilônica transformou-se num dos principais centros urbanos da antiguidade, sediando um poderoso império e convertendo-se no eixo cultural e econômico da região do Crescente Fértil. Hamurabi também elaborou o primeiro código de leis completo de que se tem notícia, baseado nas antigas tradições sumerianas e contextos próprios de uma época vivida. O código de Hamurabi apresenta uma diversidade de procedimentos jurídicos e determinação de penas para uma vasta gama de crimes, partindo, da maior parte delas, do princípio do “olho por olho, dente por dente”. O código de Hamurabi decorria da Lei de Talião que preconizava que as punições fossem idênticas aos delitos cometidos. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 7 - O IMPÉRIO BABILÔNICO Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 27 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Código de Hamurabi em tamanho natural Fonte: http://parceiropensador.net/?q=system/files&file=hammurabi.jpg. Acesso em 21de junho de 2014. Código instituído pelo Rei Hamurabi 1700 anos antes de Cristo. fonte: http://gdpfazendohistoria.blogspot.com/2010/07/codigo-de-hamurabi.html O código abarca praticamente todos os aspectos da vida babilônica, passando pelo comércio, propriedade, herança, direitos da mulher, família, adultério, falsas acusações e escravidão. As punições variavam de acordo com a posição social da vítima e do infrator. Hamurabi também empreendeu uma ampla reforma HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 7 - O IMPÉRIO BABILÔNICO Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 28 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” religiosa, transformando o deus Marduk, da Babilônia, no principal deus da Mesopotâmia, mesmo mantendo as antigas divindades. A Marduk foi erguido um templo junto ao qual foi erigido o Zigurate de Babel, citado pelo Livro do Gênesis (Bíblia) como uma torre para se chegar ao céu. Após a morte de Hamurabi, o império entrou em decadência principalmente por causa das rebeliões internas e novas ondas de invasões, como a dos hititas e a dos cassitas. A desorganização do Império Babilônico promoveu o surgimento de vários reinos menores rivais, propiciando a ascensão dos assírios, a partir de 1300 a. C. Como introdução o Código possuía o seguinte texto: Quando o alto Anu, Rei de Anunaki e Bel, Senhor da Terra e dos céus, determinador dos destinos do mundo, entregou o governo de toda a humanidade a Marduc; quando foi pronunciado o alto nome da Babilônia; quando ele a fez famosa no mundo e nela estabeleceu um duradouro reino cujos alicerces tinham a firmeza do céu e da terra, por esse tempo Anu e Bel me chamaram, a mim Hamurabi, o excelso príncipe, o adorador dos deuses, para implantar justiça na terra, para destruir os maus e o mal, para prevenir a opressão do fraco pelo forte, para iluminar o mundo e propiciar o bem estar do povo. Hamurabi, governador escolhido por Bel, sou eu; eu o que trouxe a abundância à terra; o que fez obra completa para Nippur e Dirilu; o que deu vida à cidade de Uruk; supriu água com abundância aos seus habitantes; o que tornou bela a nossa cidade de Brasíppa; o que encelerou grãos para a poderosa Urash; o que ajudou o povo em tempo de necessidade; o que estabeleceu a segurança na Babilônia; o governador do povo, o servo cujos feitos são agradáveis a Anuit. Alguns artigos do Código: Art. 1º - Se alguém acusa outro, lhe imputa um sortilégio, mas não pode dar prova disso, aquele que acusou deverá ser morto. Art. 3º - Se alguém em um processo se apresenta como testemunha de acusação e não prova o que disse, se o processo importa perda de vida, ele deverá ser morto. Art. 4º - Se alguém se apresenta como testemunha por grão e dinheiro, deverá suportar a pena cominada no processo. Art. 5º - O juiz prolator de uma sentença errada será punido com o pagamento das custas multiplicadas por 12, e ainda será expulso publicamente de sua cadeira Art. 15 - Se alguém furta pela porta da cidade um escravo ou uma escrava da Corte, ou escravo ou escrava de um liberto, deverá ser morto. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 7 - O IMPÉRIO BABILÔNICO Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 29 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Art. 16 - Se alguém acolhe em sua casa um escravo ou escrava fugidos da Corte ou de um liberto e depois da proclamação pública do mordomo, não apresenta, o dono da casa deverá ser morto. Art. 127 - Se alguém difama uma mulher consagradaou a mulher de um homem livre e não pode provar, se deverá arrastar esse homem perante o Juiz e tosquiar-lhe a fronte. Art. 128 - Se alguém toma uma mulher, mas não conclui contrato com ela, essa mulher não é esposa. Art. 129 – Se a esposa de alguém é encontrada em contato sexual com um outro, deve-se amarrá-los e lançá-los n'água, salvo se o marido perdoar à sua mulher e o rei a seu escravo. Art. 130 – Se alguém viola a mulher que ainda não conheceu homem e vive na casa paterna e tem contato com ela e é surpreendido, este homem deverá ser morto e a mulher irá livre. Art. 131 – Se a mulher de um homem livre é acusada pelo próprio marido, mas não surpreendida em contato com outro, ela deverá jurar em nome de Deus e voltar à sua casa. Art. 195 - Se um filho espanca seu pai, dever-se-lhe-á decepar as mãos. O Segundo Império Babilônico (612 a.C. – 539 a. C.) Os caldeus, povo de origem semita, derrotaram os assírios e fizeram da Babilônia novamente a capital da Mesopotâmia. Assim, nasceu o Império Neobabilônico, mais grandioso que o de Hamurabi e mais de mil anos depois. Durante o reinado de Nabucodonosor (604 a.C. – 561 a.C.), o Segundo Império Babilônico viveu o seu apogeu. Foi a época das grandes construções públicas, como os templos para vários deuses, especialmente o de Marduk, as grandes muralhas da cidade e os palácios. Nabucodonosor também expandiu seu Império, dominando boa parte da Fenícia, Síria e Palestina, escravizando os habitantes do reino de Judá, que foram transferidos como escravos para a capital (“Cativeiro da Babilônia”) O Segundo Império Babilônico não sobreviveu por muito tempo após morte de Nabucodonosor, sendo conquistado em 539 a.C. pelo rei persa Ciro I. A partir de então, a Mesopotâmia e seus domínios passaram a pertencer ao Império Persa. BUSCANDO CONHECIMENTO HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 7 - O IMPÉRIO BABILÔNICO Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 30 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Disponível em:<http://www.historiadomundo.com.br/babilonia/> Acesso em 26 de junho de 2014. Documentário: Nabucodonosor ll e o Império Babilônico. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=V3dRFi3gzJg> Acesso em 26 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 8 - MESOPOTÂMIA: ECONOMIA, SOCIEDADE E CULTURA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 31 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar as condições sociais, econômicas e culturais, nas quais se produziram as sociedades que viveram na região localizada entre os rios Tigre e Eufrates. ESTUDANDO E REFLETINDO Economia, sociedade e cultura Mesopotâmica A estrutura produtiva mesopotâmica, tal como a do Egito, inseria-se no modo de produção asiático, tendo a agricultura como atividade principal e a população submetida ao sistema de servidão coletiva. A unidade econômica da cidade-estado ou do império dependia do templo, eixo da religião, e dos sacerdotes, que atuavam como elo de ligação entre a população e a autoridade política: o patesi, ou o imperador. As terras pertenciam aos deuses, os seus representantes (políticos e religiosos) administravam essas terras e dominavam camponeses, artesãos (padeiros, oleiros, tecelões, ferreiros, etc.), soldados e serviçais menores, obrigados a produzir, a defender e a trabalhar nas obras públicas. Uma aristocracia de governantes, sacerdotes e funcionários públicos, através do Estado, controlavam a construção de reservatórios de água, diques, canais de irrigação, estradas e depósitos de alimentos, além de impor tributos sobre quase tudo o que era produzido. Também contava com a mão de obra escrava, constituída dos vencidos nas guerras. O artesanato e o comércio mesopotâmico atingiram um alto grau de desenvolvimento, com seus negociantes, organizando caravanas que iam da Arábia à Índia, buscando ou levando produtos, como lã, tecidos, cevada e minerais, entre outras mercadorias. A cultura mesopotâmica descendia, em grande parte, dos sumérios, destacando-se especialmente a escrita cuneiforme. A religião mesopotâmica, de herança sumeriana e ampliada por seus sucessores, tinha inúmeros deuses que representavam fenômenos da natureza (atualmente são conhecidos cerca de três mil) e era vista como meio de obter recompensas nas terras imediatas, pois, ao contrário dos egípcios, os mesopotâmicos não acreditavam na vida após a morte. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 8 - MESOPOTÂMIA: ECONOMIA, SOCIEDADE E CULTURA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 32 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” TEXTO O mito sumério do dilúvio. O mito do dilúvio, posteriormente espalhados por todo o Antigo Testamento (Gênesis 6-8), é na verdade um antigo mito sumério, conhecido em sua primeira versão de uma tábua encontrada em Nippur. Nele, os deuses punir os "cabeças negras" o envio de uma catástrofe natural de um homem que é salvo, Ziusudra, um construtor de barcos que se refugiaram em diferentes espécies animais. O tema também está presente na literatura assíria, onde o herói é Atrahasis. O processo de reformulação, depois de sofrer alguns mitos sumério faz a história do dilúvio é incorporado ao poema de Gilgamesh, fazendo com que a entrevista supreviviente do desastre. Os restos de um desastre natural ter sido procurado na Baixa Mesopotâmia, para provar a historicidade do episódio, mas sem resultados aparentes. A verdade é que a enchente serviu como uma relação temporal entre as comunidades sumério, o mais antigo, cuja história é laço dinástica com ele. Por exemplo, "... depois do dilúvio, royalty descer do céu uma segunda vez para a cidade de Kish ...». O mito transmite a existência da cidade e da monarquia como um processo anterior ao período em que os sumérios colocar o dilúvio. (Pilar González-Conde). (...) Eu quero a minha destruição da raça humana Nintu quer parar a destruição das minhas criaturas. Eu retornarei as pessoas para os seus estabelecimentos. Cidades Criada em toda parte e eu serei o tom suave. Substitua os tijolos em nossos templos nos lugares sagrados, (e) os locais das nossas decisões nos lugares consagrados. Vou preparar a água corretamente há santo que extingue o fogo, completará as regras divinas sublime e decretos, a terra será irrigada e eu estabelecerei a paz lá. Depois de An, Enlil, Enki e Ninhursag trem criado (pessoas) de cabeça preta desenvolvido vegetação luxuriante, na terra, animais de todos os tamanhos, quadrúpedes, foram classificadas como planícies e ornamento adequado [---] Eu vou considerar (seus esforços ansiosos). (Depois), a construtora do país, havia estabelecido os fundamentos, (quando o cetro) da realeza tinha descido do céu, tiara após o sublime (e) o trono da realeza tinha descido do céu, ele completou (as regras divinas e o destino sublime). Fundou (cinco) cidades (lugares puros); deram seus nomes e designadas como centros de culto. A primeira dessas cidades, Eridu, ele deu a Nudimmud chefe, O Baltibira segundo, deu a nugig, A terceira, LARAK, deu a Pabilsag, o quarto, Sippar, foi entregue ao herói Utu, HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 8 - MESOPOTÂMIA: ECONOMIA, SOCIEDADE E CULTURA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 33 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” o quinto, Shuruppak, deu-Sud Ele anunciou os nomes das cidades designadas e centros de culto; não impediu que a terra (anual) de inundação, (mas) escavados e trouxe a água, e estabeleceu a limpeza de pequenos canais e valas de irrigação. [---] (...) a inundação (...) e estava convencido de (...). Então Nintu chorou (para as Suas criaturas) como um (...); Divino Inana cantou um lamento pelo seu povo; Enki tomou conselho de si mesmo. An, Enlil, Enki (e) Ninhursag, os deuses do universo foram empossados pelos nomes de An eEnlil. Então, o rei Ziusudra, o pashishu de (...) construída (...). Humildemente obediente, ele reverentemente (...); ocupados todos os dias, ele constantemente (...). Este não foi um sonho, sair e falar (...), invocando o céu (e) o submundo, ele (...). No Ki-Ur, os deuses, um muro (...). Ziusudra ouviu seu lado, de pé no lado esquerdo da parede (...): "Ao longo da parede, eu vou lhe dizer uma palavra (ouvir) a minha palavra, ouvidos às minhas instruções: A enchente vai inundar todas as residências, todos os locais de culto, para destruir a semente da humanidade (...). (Isso) é a decisão do decreto da Assembleia (os deuses). (Isso) é a palavra de An, Enlil (e Ninhursag). (...) A destruição da realeza. Agora (...)» [---] (...) Todas as tempestades e ventos quebrou; (no momento) a inundação invadiu as casas de culto. Depois do dilúvio varreu a terra por sete dias e sete noites, E o barco enorme tinha sido abalada por sobre as águas vasta por tempestades Utu saiu, iluminando o céu e a terra. Ziusudra depois abriu uma janela de seu barco grande Utu e fez seus raios penetram no barco gigante. Rei Ziusudra prostrou-se (então), antes de Utu; o rei sacrificado um grande número de bois e ovelhas. "Invocareis pelo céu e da terra (...)» Um (e) Enlil invocada pelo céu e da terra (...), e fez os animais parecem emergir da terra. Rei Ziusudra prostrou-se diante de uma (e) Enlil. Um (e) Enlil Ziusudra cuidada, deu a vida como ela (a de) um deus, HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 8 - MESOPOTÂMIA: ECONOMIA, SOCIEDADE E CULTURA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 34 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” fez cair por ele como um suspiro eterno (a de) um deus. Então o rei Ziusudra, que salvou as sementes da destruição da humanidade, nesse momento, no exterior, no Oriente, Dilmun, (nós) não vivem. Fonte: http://pt.wikilingue.com/es/Gilgamesh. Acesso em 22 de maio de 2012. BUSCANDO CONHECIMENTO Disponível em: <http://descobrindohistoria.com.br/2012/06/resumo-mesopotamia/> Acesso em 26 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 9 - EGITO: formação política I Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 35 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Reconhecer o Egito como grande potência da antiguidade, identificando suas principais características administrativas e políticas. Destacar os principais períodos da história política egípcia, bem como seus principais líderes. ESTUDANDO E REFLETINDO O nascer de um Império. O Egito está entre as principais e primeiras grandes civilizações orientais, baseadas na servidão coletiva. Um dos pontos de sua notoriedade foi possuir grandes obras públicas como palácios, templos, pirâmides, além de canais de irrigação, diques, de extrema importância para a agricultura. O Estado egípcio contava com um poder despótico, que controlava toda a estrutura econômica, social e cultural. O meio administrativo pautava-se por possuir uma instituição burocrática forte. O mundo cultural, militar e religioso controlava e deixava a sociedade, sob a sua subjugação. Estando situado ao nordeste da África, numa localização em que o meio se faz desértico, o Nilo, seu principal rio, que o corta, foi a riqueza maior do Egito. As chuvas em demasia, durante o mês das águas na nascente, no vale sul de seu território, provocam transbordamento de suas águas. O mais interessante é que com essas cheias, ao invadirem as margens do rio, depositam o húmus fertilizante. Isso ajudava muito a terra a ser adubada para que quando terminasse o período das cheias e o rio voltasse ao seu leito normal, as margens estivessem já preparadas para uma agricultura farta e grandiosas colheitas. Tal quadro só favoreceu o aparecimento das primeiras aldeias em estado neolítico na região no vale do Nilo, constituindo-se na forma de nomos, que eram comunidades independentes a desenvolver uma agricultura ainda rudimentar. Com o sedentarismo na região, pôde a comunidade crescer e se aprimorar aos poucos nas técnicas agrícolas, ocasionando uma produção de excedentes que, gradualmente, veio possibilitar o crescimento das comunidades e o surgimento das cidades. Com esse fenômeno, diferenciaram-se socialmente. Um dos aspectos que a região do Nilo desenvolveu foram as técnicas de irrigação e drenagem, além de formar culturas, como a escrita no desenvolvimento da linguagem e comunicação. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 9 - EGITO: formação política I Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 36 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” O rio Nilo visto de uma projeção aérea. Fonte: http://www.ebdweb.com.br/imagens/nilo.jpg. Acesso em 23 de maio de 2010. A história política do Egito: O antigo Império (3200 a.C. – 2000 a.C.) O cenário de estruturação das aldeias agrícolas e, com elas, uma reconfiguração social, possibilitaram o surgimento de certos nomos e as diferentes ações das elites que vão postular a formação do Estado, unindo os territórios, possibilitando a formação de dois reinos por volta de 3500 a.C: o alto Egito, bem ao sul do rio Nilo, e o baixo Egito, localizado ao norte. Somente perto de 3200 a.C., que Menes, governante do alto Egito, firma a unidade, fazendo-se faraó de todo o Egito, tornando-se o primeiro governante de um Estado unificado e subordinado aos vários nomos. Com relação aos nomos, os monarcas convertidos de tais localidades, representavam o poder maior de tais sociedades, onde administravam aldeias, cidades, fazendo coleta de impostos e todas as formas de determinação emitidas pelo faraó. A unificação representa o início do chamado período dinástico. Com ele, o faraó passa a ter um papel central na história do povo egípcio, sendo o supremo poder, concentrando tudo em suas mãos e apropriando-se das terras. Cabia à população, em seu contexto geral, pagar tributos e servi-lo fielmente. Fora a sua dimensão de poder e papel dinástico maior, o imperador encarnava o religioso, o que passava a ser também considerado um deus vivo e assim ser honrado pela terra e céus. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 9 - EGITO: formação política I Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 37 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Uma grande parte da população trabalhava na agricultura e, na maioria das vezes, o faraó convocava-os para trabalhar em grandes obras para o Estado, como as pirâmides. Após 2780 a.C., foram erguidas as históricas pirâmides de Gize, que guarda os túmulos dos faraós da quarta dinastia, além das pirâmides de Quefren e Miquerinos. Pirâmides de Quéops, Quefren e Miquerinos. Fonte: http://www.infoescola.com/files/2009/08/1-a7fb3c9941.jpg Acesso em 23/05/10. Uma longa estabilidade política e social se fez no Egito e, a partir do ano de 2200 a.C., conheceu-se um dos mais graves períodos de desordens e falta de comando do poder central. Tudo estava ligado aos custos do grande aparelho estatal faraônico, mas a diminuição das grandes cheias, frutos do rio Nilo; crises de abastecimento e fome geraram revoltas populares. Tudo isso ocasionou uma grande desorganização no processo de produção, o que irá, obviamente, enfraquecer o poder central. Visto dessa forma, os poderes locais que ali se alicerçavam, irão ganhar uma nova importância e dinâmica. A caracterização dessa época é conhecida como idade feudal egípcia, devido às intermitentes lutas entre os monarcas e sociedade, o que caracteriza tal período como das primeiras revoltas da história, ou que se tem notícia delas. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 9 - EGITO: formação política I Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 38 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Disponível em: <http://antigoegito.tripod.com/index2.htm> Acessoem 21de junho de 2014. Documentário: Construindo um Império - Egito Antigo (History Channel). Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=6qaWDqg7kvw> Acesso em 22 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 10 - EGITO: formação política II Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 39 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Reconhecer o Egito como grande potência da antiguidade, identificando suas principais características administrativas e políticas. Destacar os principais períodos da história política egípcia, bem como seus principais líderes. ESTUDANDO E REFLETINDO O primeiro período intermediário (2134 a 2065 a.C.) No final da Sexta Dinastia, os nomos começaram a recobrar sua autonomia, revelando um enfraquecimento no poder central dos faraós e uma tendência à fragmentação política. Isso certamente esteve relacionado a uma queda nas colheitas devido à diminuição das cheias do Nilo, o que aumentou o descontentamento social e as revoltas contra o Estado. O Egito voltou a ser dividido em dois reinos: o do Alto e o do Baixo Egito. A reunificação ocorreu por volta de 2060 a.C. O Médio Império (2065 a 1785 a.C.) A partir da 12ª Dinastia, o Egito alcançou o período mais glorioso de sua história. A estabilidade interna coincidiu com o aumento de sua influência no exterior, e as fronteiras do país se ampliaram. No nível político, surgiu uma nova modalidade sucessória: o faraó dividia o trono com seu filho, para garantir a sucessão ainda em vida. O cargo de nomarca (autoridade provincial dos nomos) foi suprimido. O poder central controlava rigorosamente o país. Faziam-se recenseamentos para aferir o número de homens, cabeças de gado e terras aráveis. Com base nesses dados eram fixados impostos. A invasão de povos asiáticos pelo delta do Nilo, entretanto, corroeu a autoridade central, iniciando nova fragmentação política. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 10 - EGITO: formação política II Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 40 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” http://patigaier.blogspot.com.br/2011/04/normal-0-21-false-false-false_05.html O segundo período intermediário (1785 a 1580 a.C.) Povos asiáticos, chamados pelos egípcios de hicsos, estabeleceram-se no delta do Nilo, fixaram-se na cidade de Ávaris e, a partir dali, foram conquistando todo o país. Seguiu-se um período de dominação estrangeira, com os hicsos no poder. A luta contra os invasores se deu a partir da cidade de Tebas, e acabou sendo vitoriosa. Ávaris foi tomada e os hicsos expulsos. Os hicsos deixaram para os egípcios importantes conhecimentos. Entre eles o uso do cavalo, do carro de guerra e do tear vertical. Foram eles também que introduziram no Egito o gado Zebu e a fundição do bronze. O Novo Império (1580 a 1200 a.C.) O Novo Império teve início com a expulsão dos hicsos. Foi um período de grande influência dos sacerdotes do templo do deus Amon, ameaçando o próprio poder real. Amenófis IV (1372 a 1354 a.C.) reagiu a essa ameaça suprimindo o culto a Amon, instituindo uma nova capital e uma nova religião: a adoração ao disco solar, HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 10 - EGITO: formação política II Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 41 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Aton; o faraó mudou seu nome para Akhenaton, filho do sol. Foi uma tentativa de estabelecer uma religião monoteísta, diretamente controlada pelo faraó, e enfraquecer o poder e a influência dos sacerdotes. Com a morte de Akhenaton, os sacerdotes recuperaram o poder e restauraram o culto ao deus Amon. O sucessor de Akhenaton, Tutankamon, governou por pouco tempo. Após sua morte, o poder foi tomado por Horemheb, general que vinha se destacando na luta contra os hititas, um povo que tentava invadir o país. Os sacerdotes de Amon legitimaram o poder do novo Faraó. O Novo Império foi marcado também pelo militarismo, com a formação de um exército permanente e com a preocupação de estender o poder do Estado para outras regiões, como o norte da Mesopotâmia. Com isso, alguns faraós se destacaram como chefes militares, como Ramsés I, que se destacou na luta contra os hititas. O faraó Akhenaton e sua esposa Nefertiti deleitam-se com a atenção suas filhas e os raios de seu deus-sol, Aton. http://viajeaqui.abril.com.br/materias/faraos-egito Após o reinado de Ramsés ll, o Egito entrou em franca decadência. A frequente ocorrência de revoltas de camponeses, bem como as constantes invasões e o aumento da fome e da miséria levaram o país à dominação assíria. Em 653 a.C., os assírios foram expulsos e iniciou-se o chamado Renascimento Saíta, uma efêmera restauração do poder central. Mas a formação e HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 10 - EGITO: formação política II Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 42 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” o crescimento de uma nova força ameaçavam o Egito: o Império Persa, que avançava em várias direções. Em 332 a.C., tanto a Pérsia como o Egito passaram a ser um importante domínio do imperador Alexandre Magno em uma rápida conquista militar. BUSCANDO CONHECIMENTO Documentário : Planeta Egito Episódio 1 - O Nascimento de Um Império. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=aGDgl1XxtPA> Acesso em 20 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 11 - Sociedade e cultura egípcia Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhi 43 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Reconhecer o Egito como grande potência da antiguidade, identificando suas características socioculturais. ESTUDANDO E REFLETINDO Economia e sociedade. No antigo Egito, a organização das atividades produtivas era uma atribuição do Estado, detentor da maioria das terras férteis. Cabia a população camponesa, subjugada ao poder do faraó, pagar impostos, sob a forma de produtos ou trabalho, constituindo o que se denominava servidão coletiva. Na época das cheias do Nilo, quando a atividade agrícola era suspensa, os trabalhadores eram geralmente requisitados pelo Estado para trabalhar nas obras de construção de diques, canais de irrigação, templos, palácios e outros. A astronomia era usada para a previsão de cheias e vazantes do rio Nilo, necessárias para as práticas agrícolas, permitindo calcular com precisão a época do plantio e da colheita. Destacavam-se, entre outros produtos, o trigo, a cevada, o algodão, o papiro, o linho e, na criação de animais, cabras, carneiros e gansos, além da intensa pesca no rio Nilo. A partir dessa base econômica, a sociedade egípcia estruturava-se da seguinte forma: acima de todos achava-se o faraó e sua ampla família; logo abaixo na escala hierárquica, vinha a aristocracia privilegiada constituída por sacerdotes, funcionários do Estado (burocratas e militares) e nobres, descendentes das grandes famílias dirigentes dos nomos. Entre os burocratas destacavam-se os escribas, funcionários responsáveis pela contabilidade e supervisão da organização administrativa. Na base da sociedade egípcia, estava a ampla massa camponesa e o grupo não muito numeroso dos escravos, os quais, quase sempre, eram prisioneiros de guerra. A sujeição dos camponeses era conseguida graças à repressão e as características da cultura egípcia, na qual a religião, largamente difundida, promovia a preservação da ordem existente. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 11 - Sociedade e cultura egípcia Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhi 44 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Cultura e religião A religião politeísta foi o elemento cultural mais atuante no Egito antigo, constituída por uma centena de deuses, alguns em forma de animais. A diversidade de divindades remontavaas origens das aldeias e dos nomos do período pré- dinástico, com seus cultos locais, depois agrupados e remodelados numa religião nacional de todas as divindades egípcias, sobressaia-se Amon-ra (sol), especialmente fortalecido no império, após a tentativa frustrada de reforma religiosa de Amenofis IV. Outras divindades importantes era Osíris, Isis, Set, Horus, Anúbis e Apis. Osíris: um dos deuses da civilização do antigo Egito. Fonte imagem: http://seshdotcom.files.wordpress.com/2009/01/osiris.jpg. Acesso em 23/05/10. Havia vários deuses em cada localidade, ligados a animais ou antepassados tribais. Com a evolução da cultura egípcia, esses deuses foram tomando forma mista, de homens e animais, ou a forma humana (antropomorfismo). Todos os deuses eram cultuados simultaneamente, mas alguns – Rá, Ptah, Amon – acabaram HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 11 - Sociedade e cultura egípcia Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhi 45 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” por se impor sucessivamente, em todo o império, demonstrando o poder dos sacerdotes de cada região e a importância do poder central. Para o egípcio antigo, a morte tinha um especial interesse. Havia uma crença absoluta no renascer, daí a necessidade de preservação do cadáver e o desenvolvimento da técnica da mumificação. A crença dos egípcios na vida após a morte criou uma sofisticada arte funerária, incluindo pirâmides, hinos religiosos, fórmulas mágicas para serem usadas pelos mortos diante do tribunal dos deuses, objetos rituais, sarcófagos e esculturas. Grande parte do conhecimento que hoje temos sobre a civilização egípcia deve-se ao estudioso francês Champollion, que no século XIX decifrou a escrita hieroglífica. Essa forma de escrita desenvolveu-se no período Pré-Dinástico e foi sendo aperfeiçoada paulatinamente. Nela encontramos sinais que representam a fauna e a flora do Nilo, bem como instrumentos utilizados pelos egípcios, o que nos leva a crer que era uma escrita autóctone, isto é, nascida no próprio país. Havia também, dois outros tipos de escrita: a hierática (escrita mais simples), derivada da hieroglífica, para textos mais correntes, e a demótica, ainda mais simpes, de uso mais geral. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 11 - Sociedade e cultura egípcia Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhi 46 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÕES Para ler algo a respeito do Antigo Egito, acesse os sites: Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/egito/> Acesso em 20 de maio de 2014. Disponível em: <http://antigoegito.tripod.com/index2.htm> Acesso em 30 de maio de 2014. Disponível em: <http://www.egipto.com.br/> Acesso em 07 de junho de 2014. Disponível em: <http://www.klepsidra.net/klepsidra16/egito-1.htm> Acesso em 07 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 12 - Fenícia, Pérsia e Judéia Thiago Thomaz Garcia 47 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Conhecer as principais características sociais, econômicas e políticas dos povos Persas, Fenícios e Hebreus. ESTUDANDO E REFLETINDO Persas e Medas Mas quem eram esses povos? Eram povos indo-germânicos que ali chegaram por volta do ano 1000 a.C. A princípio podemos dizer que foram dominados por outros povos da Mesopotâmia, contudo, os medas conseguiram vencer os assírios e chegar até a Ásia menor. A influência desse povo durou breve tempo. No decorrer dos anos subsequentes, os persas os dominaram levando com isso à uma unificação do Irã. Os persas prosseguiram suas conquistas dominando a Mesopotâmia, a Síria, a Palestina e o Egito. O exército persa comandado por Dario. Fonte: http://laescueladeateanas.files.wordpress.com/2007/10/medicas-01.jpg. Acesso em 24/05/10 É exatamente no governo de Dario, que esse imenso Império foi habilmente dividido em regiões denominadas satrápias e visitadas periodicamente por emissários reais, o que fortalecia e garantia o poder central. Era uma estratégia moldada para estabelecer e fundamentar um Estado. Ao contrário dos Assírios, os persas se caracterizavam pelo respeito as culturas dominadas. O fim do império persa se deu, quando ocorreu o choque com os gregos, que os venceram nas guerras médicas. Posteriormente, tanto a Grécia quanto a Pérsia, foram dominados pelos macedônios. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 12 - Fenícia, Pérsia e Judéia Thiago Thomaz Garcia 48 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Império Persa Fonte: http://www.portalplanetasedna.com.ar/figura_persas00.jpg. Acesso em 24/05/10. OS FENÍCIOS Os fenícios eram um povo de origem semita, que habitavam uma estreita faixa litorânea (Líbano atual). Vivendo em território exíguo, sem boas condições para a agricultura e tendo um litoral disponível, desde cedo os fenícios foram impulsionados a navegar e a fazer comércio. Seus navios, partindo das cidades de Tiro, Sidon e Biblos, principalmente, percorriam o mediterrâneo, realizando uma autêntica expansão colonial. Várias colônias foram fundadas na orla do mediterrâneo. Particularmente uma delas estaria destinada, no futuro, a se tornar uma grande metrópole comercial: Cartago, no norte da África. Moeda fenícia Fonte: http://globulo.files.wordpress.com/2009/08/moeda_fen_cia.jpg. Acesso em 23/05/10. A Fenícia não constituía uma nação ou um império: ela se organizava em cidades-estado autônomas. Sua atividade comercial baseava-se não apenas na HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 12 - Fenícia, Pérsia e Judéia Thiago Thomaz Garcia 49 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” exportação de seus produtos, mas, na atuação com intermediário entre outros povos. Mapa da fenícia e toda a rota de navegação e comercio. Fonte: http://www.portalplanetasedna.com.ar/figura_fenicia00.jpg. Acesso em 24de maio de 2010. OS HEBREUS Quando se fala em povo hebreu, logo vem a nossa mente alguns personagens bíblicos como Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, além de outros. Mas vamos deter-nos em conhecer mais em específico o povo hebreu em si. Uma sociedade de origem semita, cujos descendentes advinham de Abraão, que era natural da cidade de Ur, localizada na Caldeia, região mesopotâmica. Viveram provavelmente, na mesma época de Hamurabi. Estabeleceram-se em Canaã (Palestina) onde Abraão e seus descendentes iniciaram a história desse povo que, em pouco tempo e pela localização geográfica, tornaram-se vítimas de ataques vizinhos. Pressionados pelos hicsos, os hebreus chegaram até ao Egito, onde, depois de um período de tranquila convivência foram escravizados por longos anos. Graças a Moisés e seu poder de liderança, conseguiram sair do Egito e retornar a região da Palestina. Tiveram que lutar ainda contra vários povos para conseguirem se fixar. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 12 - Fenícia, Pérsia e Judéia Thiago Thomaz Garcia 50 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Em função das dificuldades encontradas ao longo das jornadas estabelecidas, os hebreus decidiram-se pela unificação política, tendo Saul se tornado o primeiro rei, sucedido por seu filho David e Salomão, responsáveis pela afirmação do poder militar e expansionista. Após a morte de Salomão, filho de David, a coesão interna do povo hebreu foi quebrada, tendo a região se dividido em dois reinos (Israel e Judá), que se tornaram presas para os assírios, babilônicos, persas, macedônios, e, finalmente, os romanos. BUSCANDO CONHECIMENTO TEXTO “Ocupação da Cananeia pelos hebreus” E aconteceu que, depois da morte de Moises, servo do Senhor, este falou a Josué, filho de Num, ministro de Moises, e lhe disse: Meu servo Moises, morreu; levanta-te, e passa esse Jordão, tu e todo o povo contigo. Entra naterra que eu darei aos filhos de Israel. Todo o lugar que a planta do vosso PE pisar, eu vo-lo darei, como disse a Moises. Os seus limites serão desde o deserto e desde o Líbano ate o grande rio Eufrates, todos os pais dos heteus ate o mar grande para o ocidente. Ninguém vos poderá resistir em todos os dias da vossa vida; como foi com Moises, assim serei contigo; não te deixarei, nem desampararei. E Josué ordenou aos príncipes do povo: Percorrei os acampamentos, e dizei ao povo: Fazei provisão de mantimentos, porque daqui a três dias haveis de atravessar o Jordão e passareis a possuir a terra, que o Senhor vosso Deus vos há de dar. Disse também aos rubenitas e aos gaditas, e a meia tribo de Manasses: Lembrai-vos do que vos ordenou Moises, servo do Senhor: O senhor vosso Deus vos deu descanso e toda esta terra. Vossas mulheres e filhos e animais ficarão na terra que Moises vos deu aquém do Jordão; Mas vos, os mais valentes, passareis armados a frente de vossos irmãos, e pelejareis por eles, ate que o Senhor de descanso a vossos irmãos, como o deu a vos, e também eles possuam a terra, que o Senhor vosso Deus lhes há de dar; e depois voltareis para a terra que possuis, a que Moises, servo do Senhor, vos deu no Jordão para a nascente, e habitareis nela. E eles responderam a Josué: Nós faremos tudo o que nos ordenaste; e iremos para onde quer que nos mandares. JOSUE 1, 1-5; 1, 10-16. in: PINSKY, J. 100 textos de história antiga. 4ed. São Paulo: Contexto, 1988. Indicações: Disponível em:<http://www.portalplanetasedna.com.ar/fenicios.htm> Acesso em 01 de junho de 2014. Disponível em: <http://www.discoverybrasil.com/guia_grecia/grecia_guerra/grecia_persas/index.shtml> Acesso em 02 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 13 - Grécia: de Creta ao período arcaico Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 51 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar a civilização cretense, ou egeana como povo precedente à civilização grega e, portanto, fundamental para o estudo da antiguidade clássica ocidental. ESTUDANDO E REFLETINDO A civilização cretense A civilização cretense teve início por volta do terceiro milênio antes de Cristo, atingindo sua expressão maior entre 2000 a 1500 a. C. Seu foco principal era a ilha de Creta, no mar Egeu. Era um povo essencialmente comerciante, que manteve ativo intercâmbio com o Egito, Ásia menor e ilhas do mar Egeu. Exportava objeto de cerâmica, tecido e vinho, importando metais, mármore, marfim e vidros. Sal sociedade era bastante original e desenvolvida, dando lugar de destaque à mulher. Há fortes evidências de que não se admitia a escravidão. A sociedade apresentava uma classe de ricos proprietários, que detinham o poder político. A classe dos comerciantes era expressiva, mas não chegou a participar do poder. Reflexo da pujança econômica desenvolveu-se uma arte esplêndida, com destaque para as pinturas murais e os vasos de cerâmica. Escavações feitas no palácio de Cnossos revelaram que os cretenses possuíam tecnologia desenvolvida, pois se encontraram ruínas de banheiros e de um sistema de esgotos. Essa brilhante civilização sofreu forte abalo, quando a região foi invadida pela tribo dos aqueus, por volta de 1500 a. C. Os aqueus eram uma das tribos das quais se originou, posteriormente, o povo grego. Apesar da destruição de Creta, a civilização egeana ainda perdurou em Micenas e Tróia. Mas os invasores atingiram também Micenas. Finalmente, Tróia foi destruída pelos gregos no século XI a. C. e a civilização cretense desapareceu completamente. O povoamento da Grécia Provavelmente, os primeiros povos a habitarem a Grécia foram os pelasgos, ou, pelágios. Ao que tudo indica, por volta do ano 2000 a.C., esses povos, organizados em comunidades coletivas, ocupavam a zona litorânea e mais HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 13 - Grécia: de Creta ao período arcaico Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 52 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” alguns pontos isolados na Grécia continental. Foi aproximadamente nessa época que teve início, na Grécia, um grande período de invasões, que se prolongaria até 1200 a.C. Os povos invasores – indo-europeus provenientes das planícies euro- asiáticas – chegaram em pequenos grupos, subjugando lentamente os pelasgos. Os primeiros indo-europeus que invadiram a Grécia foram os aqueus, e ali se estabeleceram, entre os anos 2000 a.C. e 1700 a.C. Foram eles os fundadores de Micenas, cidade que foi o berço da civilização creto-micênica. Entre 1700 a.C. e 1400 a. C., outros povos atingiram a Grécia: os eólios, que ocuparam a Tessália e outras regiões, e os jônios, que se fixaram na ática, onde posteriormente fundariam a cidade de Atenas. A partir de 1400 a.C., com a decadência da civilização cretense, Micenas viveu um período de grande desenvolvimento, que terminaria por volta de 1200 a.C., quando se iniciaram as invasões dos dórios. Os dórios – último povo indo-europeu a migrar para a Grécia – eram essencialmente guerreiros. Ao que parece, foram eles os responsáveis pela destruição da civilização micênica e pelo consequente deslocamento de grupos humanos da Grécia continental para diversas ilhas do Egeu e para a costa da Ásia menor. Esse processo de dispersão e conhecido pelo nome de primeira diáspora. Após o esplendor da civilização micênica, segue-se um período em que as cidades foram saqueadas, a escrita desapareceu e a vida política e econômica enfraqueceu, caracterizando um processo de regressão da Grécia a uma fase primitiva e rural. Desse período (séculos XII a.C. a VIII a.C.), que foi a base da civilização grega, não se tem registro, exceto os poemas Ilíada e Odisséia atribuídos a Homero, que, tendo vivido no século VI a.C., teria recolhido histórias transmitidas oralmente durante os séculos anteriores. Por essa razão, esse período, posterior a invasão dórica, ficou conhecido como tempos homéricos. Os tempos Homéricos (XII a.C. a VIII a.C.) Para compreendermos a evolução política da Grécia antiga, é necessário retrocedermos aos tempos pré-homéricos, quando os povos indo-europeus ali se fixaram. Já nessa época, esses grupos humanos encontravam-se divididos em genos, famílias coletivas constituídas por um grande número de pessoas sob a liderança de um patriarca. Após as invasões dos dórios, os genos passaram a constituir a forma predominante de organização social. Assim, podemos afirmar que o período homérico foi também o período das comunidades gentílicas. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 13 - Grécia: de Creta ao período arcaico Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 53 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Cada geno constituía uma unidade econômica, social, política e religiosa da sociedade grega. De fato, esses pequenos agrupamentos humanos conseguiam, isoladamente, assegurar sua sobrevivência com uma economia natural e coletivista. Os meios de produção (terra, sementes), assim como os bens produzidos (alimentos, objetos), pertenciam a todos os indivíduos, ou seja, a propriedade não tinha caráter particular. Na organização hierárquica dos genos, o patriarca, ou pater, era a autoridade máxima, exercendo as funções de juiz, chefe religioso e militar. O critério que definia a posição dos indivíduos na comunidade era o seu grau de parentesco com o pater. As comunidades gentílicas existiram durante quase todo o período homérico. Apenas por volta do século VIII a.C., iniciou-se o processo de desintegração dos genos, evoluindo mais rapidamente em algumas regiões do que em outras. Diversos fatores contribuíram para a dissolução dos genos no final dos tempos homéricos, entre eles o crescimento populacional e o aumento do consumo. Entretanto, a produção continuava limitada, pois havia poucas terras férteis e as técnicas de produção erambastante rudimentares. A luta pela sobrevivência, que dependia basicamente da terra, desencadeou uma série de guerras entre genos. Para enfrentar um inimigo comum, alguns deles se uniram, formando uma fratria. Reunidas, as fratrias constituíram uma tribo, a qual se submetia a autoridade do filobasileu, o supremo comandante do exército. A união de várias tribos deu origem aos demos (“povo”, “povoado”), que reconhecia como seu líder supremo o basileu. A crise da sociedade gentílica alterou profundamente a estrutura interna das genos. Aos poucos, a terra deixou de constituir propriedade coletiva, sendo dividida, de modo desigual, entre os membros dos genos. As melhores parcelas de terra foram tomadas pelos parentes mais próximos do pater, e por esse motivo passaram a ser chamados de eupatridas (“bem nascidos”). O restante das terras foi dividido entre os georgois (“agricultores”), parentas mais distantes do patriarca. Nesse processo de divisão, os mais prejudicados foram os thetas (“marginais”), para os quais nada restou. Com a crise das comunidades gentílicas, a Grécia continental se transformou em palco de inúmeros conflitos e tensões sociais, que resultaram uma nova dispersão do povo grego – a segunda diáspora. Os principais fatores que provocaram esse novo deslocamento foram o crescimento demográfico e a HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 13 - Grécia: de Creta ao período arcaico Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 54 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” escassez de terras cultiváveis na Grécia continental, em grande parte consequência da concentração da propriedade nas mãos de uma pequena parcela da população. Desse modo, boa parte da população excedente, que era constituída, principalmente, pelos menos beneficiados na partilha das terras, emigrou para regiões do Mediterrâneo ocidental, ali fundando diversas colônias. Assim surgiram cidades como Tarento e Siracusa, no sul da Itália, região que se desenvolveu muito graças ao cultivo de cereais e que ficou conhecida como Magna Grécia. Neste período de instabilidade por questões de segurança, várias tribos se uniram formando comunidades independentes, que deram origem a polis ou cidades-estados. As cidades-estados tinham como ponto central a acrópole, parte mais alta da povoação, governada pelo conselho de aristocratas, os eupátridas. Período Arcaico (VIII a.C. – VI a.C.) A privatização das terras e a dissolução da comunidade gentílica levaram a profundas transformações no interior da sociedade grega. Inicialmente ,processou- se a passagem de uma economia doméstica para uma economia de mercado local, que, mais tarde, voltou-se para o exterior. Em sintonia, a sociedade e a política passaram por transformações: a aristocracia enriquecia-se, aumentando as desigualdades entre os grupos sociais, levando a descontentamentos, lutas, tiranias. Mais que a tradição, seria a riqueza que determinaria o lugar do indivíduo na escala social. Como decorrência do aumento de importância da aristocracia, substitui-se a monarquia pela oligarquia (“governo de poucos”). A Grécia possui mais de cem cidades-estados autônomas e independentes que, de modo geral, se mantiveram oligárquicas ou evoluíram para a democracia. Vamos tratar aqui de duas das mais importantes cidades gregas: Esparta (oligárquica) e Atenas (a democrática). BUSCANDO CONHECIMENTO Indicações: Disponível em: <http://www.portalplanetasedna.com.ar/fenicios.htm> Acesso em 01 de junho de 2014. Disponível em: <http://www.discoverybrasil.com/guia_grecia/grecia_guerra/grecia_persas/index.shtml> Acesso em 02 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 14 - GRÉCIA: ESPARTA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 55 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Conhecer os principais aspectos políticos, econômicos e sociais da cidade estado de Esparta. ESTUDANDO E REFLETINDO Esparta Esparta ou Lacedemônia localizava-se na península do Peloponeso, na planície da Lacônia. Foi fundada no século IX a.C., às margens do rio Eurotas, após a união (sinecismo) das três tribos dórias. Embora defendida por um conjunto de montanhas, cujos desfiladeiros formavam fortificações naturais e a isolavam das regiões vizinhas, parece ter prosseguido até o século VII a.C., uma evolução semelhante a das demais cidades dominadas pelos dórios. Nesse período, Esparta conquistou a região da Messênia, que a circundava, e solidificou seu caráter essencialmente guerreiro, vindo a desenvolver-se de forma peculiar e distinta das demais polis gregas. Com a conquista da Messênia, o território pertencente a Esparta foi dividido em lotes e distribuído entre os guerreiros espartanos. A estrutura social espartana era rígida e dividia-se em: Espartanos ou esparciatas: descendentes dos conquistadores dórios eram os únicos detentores da cidadania e, portanto, com direitos políticos. Formava uma classe privilegiada que monopolizava o poder militar e, por decorrência, o político e o religioso. Periecos: eram os habitantes dos arredores da cidade, provavelmente descendentes das populações nativas que se submeteram pacificamente aos dórios. Livres, dedicavam-se ao comércio e ao artesanato, tarefas desprezadas pelos espartanos. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 14 - GRÉCIA: ESPARTA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 56 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Hilotas: eram servos pertencentes ao Estado, prováveis descendentes da população conquistada pelos dórios. Eram cedidos aos espartanos juntamente com a terra na qual trabalhavam e, por constituírem a maioria da população, eram mantidos em obediência pelo terror. Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/civilizacao-grega/imagens/esparta1.jpg. Acesso em 23 de maio de 2010. A legislação espartana baseava-se num código de leis atribuído a Licurgo, cuja existência é posta em dúvida pelos historiadores. Essa legislação preservava a sociedade guerreira assegurando aos cidadãos-soldados (espartanos) totais privilégios. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 14 - GRÉCIA: ESPARTA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 57 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Hoplita, na Era Clássica da Grécia antiga, era um soldado de infantaria pesada. Politicamente, Esparta organizava-se sob uma diarquia, ou seja, uma monarquia composta por dois reis, que tinham funções religiosas e guerreiras. As funções executivas, entretanto, eram exercidas pelo Eforato composto por cinco membros eleitos anualmente, que administravam os negócios públicos e fiscalizavam a vida dos cidadãos. Havia, ainda, a Gerusia, composta por 28 membros da aristocracia, com idade superior a sessenta anos, que tinha funções legislativas e de corte suprema e controlava a atividade dos diarcas. Na base das estruturas políticas, encontrava-se a Apela ou assembléia popular, formada por todos os cidadãos maiores de trinta anos, que tinha a função de votar leis e escolher os gerontes. Ao contrário de Atenas e de outras polis gregas, Esparta manteve-se sempre oligárquica, não evoluindo para a democracia. O modo de vida espartano, rigidamente regulamentado, visava perpetuar, de todas as formas, a estrutura social existente. Atendendo a essa disposição, a educação do cidadão espartano era dirigida intensamente para a obediência da autoridade e para a aptidão física, fundamentais a um Estado militarizado. Sob essas condições, a debilidade física era inadmissível e as crianças que apresentassem algum indício de doença ou fraqueza eram sacrificadas ao nascer. As demais ficavam com suas famílias até os sete anos de idade, quando então os meninos eram entregues aos cuidados do Estado. Aprendendo a viver em duas condições, sob rígida disciplina, obtinham até os 18 anos, uma férrea educaçãoguerreira. Com essa idade ingressavam no exército, tornando-se hoplitas. Aos trinta anos tornavam-se cidadãos, sendo-lhes permitido casar e ter participação política. Somente aos sessenta anos os espartanos eram desmobilizados do exército, podendo fazer parte da Gerúsia. De acordo com o culto ao preparo físico, também as moças eram educadas seriamente pela família e obrigadas a executar exercícios atléticos. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 14 - GRÉCIA: ESPARTA Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 58 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Documentário: Os 300 Espartanos Os Últimos Heróis 300: A Ascensão do Império. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=wIQPzqEUy0M> Acesso em 20 de junho de 2014. Vídeo aula: Grécia - Período Arcaico (Esparta). Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=X2LO1mpRlgs> Acesso em 20 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 15 - GRÉCIA: ATENAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 59 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Conhecer os principais aspectos políticos, econômicos e sociais da cidade estado de Atenas. ESTUDANDO E REFLETINDO Atenas: do arcaico ao clássico. Atenas, situada na Ática, apresentava uma paisagem movimentada, onde colinas e montanhas parcelam pequenas planícies. Cada região recebe uma denominação específica: regiões de planícies férteis chamavam-se Pediu; regiões de montanhas áridas, Diacria; regiões litorâneas, Paralia. A ocupação inicial da ática foi realizada pelos aqueus, seguidos posteriormente por eólicos e principalmente jônios. Atenas, que havia sido fundada pelos jônios, foi poupada, graça a sua localização – próxima ao mar e cercada pelas montanhas -, as invasões dóricas do século XII a.C. e ao conhecimento de uma sociedade imposta pelos vencedores. No final da época homérica, entretanto, também a ática passou por profundas transformações, desde a desagregação da comunidade gentílica até a formação da sociedade de classes. Foi nesse período, aproximadamente século X a.C., que ocorreu a unificação das células gentílicas em quatro tribos, em torno do centro político-militar-religioso que a acrópole de Atenas representava. Atenas conservou a monarquia por muito tempo, até que os aristocratas acabaram por solapar o poder do basileu, que foi substituído pelo arcontado – composto por nove arcontes, cujos mandatos eram anuais: arconte polemarco (tinha o poder militar de julgar os estrangeiros); arconte epônimo (representava o poder religioso); arconte thesmothetas (em número de seis), tinha o poder judiciário sobre os thetas e georgois. Foi também criado um conselho – o areópago, composto por eupátridas, com função de regular a ação dos arcontes. Estabeleceu-se, assim, o pleno domínio oligárquico. Nesse período chamado pós-homérico ou arcaico, a escassez de terras férteis e o aumento populacional impulsionaram algumas cidades – como Corinto, Megar e, destacadamente, Atenas – a estabelecer colônias com fins HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 15 - GRÉCIA: ATENAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 60 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” comerciais e de povoamento em vários pontos do Mediterrâneo – era o período da segunda diáspora. Durante o transcurso dos séculos VIII, VII e VI a.C., os gregos instalaram entrepostos e colônias, principalmente no sul da península itálica, em torno do mar Negro – chamado, então, de Ponto Euxino – e na Ásia menor. O comércio entre essas áreas baseava-se nas exportações de azeite, vinho e peças de artesanato gregas e na importação de artigos como trigo, metais precisos, cobre, ferro e madeira das regiões mediterrânicas. Essa expansão atenuou os problemas agrários internos, enriqueceu cidades e, ao mesmo tempo, expandiu a cultura grega. Em Atenas, as classes ligadas ao comércio, ao mesmo tempo em que adquiriam maior poder econômico, procuravam ampliar seu domínio social e político, fato desencadeador de confrontos e lutas que ajudava a moldar sua nova estrutura. Além dos eupátridas, georgois e thetas (que em boa parte emigraram em expedições colonizadoras), a sociedade ateniense ainda se subdividiria, a partir do século VIII a.C. em: Demiurgos: comerciantes, em geral; georgois que perderam as terras; thetas que permaneceriam na polis ou artesãos. Foi uma classe intermediária que fez da riqueza um valor que se sobrepôs a tradição; escravos: prisioneiros de guerra, sem direitos políticos, eram de início numericamente inexpressivos, mas logo se transformaram na base da produção agrária. Em aténs, atuaram em todos os ofícios, e muitos até chegaram a alcançar a liberdade, embora nunca a cidadania. A estrutura social ateniense ativou o confronto de interesses e impasses que caracterizavam o período arcaico. De maneira geral, havia rivalidades políticas resultantes da posição socioeconômica dos diversos grupos existentes em Atenas. Os eupátridas, donos das maiores e melhores terras na planície (Pedium), buscavam conservar seus privilégios e o poder. Já os comerciantes, controlados do litoral (Paralia), enriquecendo cada vez mais, buscavam mudanças a fim de conseguir participação no poder. Em pior situação estavam os georgois e os tehtas, habitantes da montanha (Diarcia), vivendo em péssimas condições, sem direitos políticos. Muitos recorriam a empréstimos para poder cultivar suas terras, visando a sobrevivência. Com isso endividavam-se, ficando sujeitos aos poderosos, o que semeava descontentamento e anseio por mudanças. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 15 - GRÉCIA: ATENAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 61 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” As lutas entre as classes sociais, a instabilidade, o crescimento da polis e o desenvolvimento do comércio foram fatores que motivaram o surgimento de reformas, feitas por legisladores, que expressavam as divisões no interior da sociedade. Dentre esses legisladores, destacou-se Dracon, que, em 621 a.C., organizou e registrou por escrito as leis que, até então, baseavam-se na tradição oral e eram conhecidas apenas pelos eupátridas. O código legal de Dracon, entretanto, além de ser extremamente severo, manteve os privilégios sociais e políticos existentes. Assim, mesmo com as leis escritas, as desigualdades continuaram ativando o descontentamento, levando, consequentemente, a ocorrência de choques sociais. Em 594 a.C., Sólon, outro legislador, deu início a reformas mais ambiciosas. Eliminou as hipotecas por dívidas, libertou os escravizados por elas e dividiu as sociedades censitariamente, ou seja, de acordo com o padrão de renda dos indivíduos. O critério de riqueza passou, então, a determinar privilégios, abrindo espaço para a ascensão política dos ricos demiurgos. Além disso, criou a Bulé, ou, Conselho dos Quatrocentos, da qual participavam elementos das quatro tribos em que estava dividida a ática; a Eclésia, assembléia popular que aprovava as medidas da Bulé; e os Helieu, tribunal de justiça aberto a todos os cidadãos. As reformas de Sólon desagradaram os aristocratas que perderam parte de seus privilégios oligárquicos, e o povo, que esperava reformas mais extensas e profundas. A conturbação política que se seguiu a reforma de Sólon permitiu o surgimento dos tiranos, ditadores que usurparam o poder. O primeiro foi Pisístrato, que governou Atenas de 561 a.C. a 527 a.C. e procurou amenizar os confrontos sociais, patrocinando várias obras públicas, gerando emprego a thetas e georgois descontentes. Uma das primeiras medidas de Clistenes foi a redivisão de Atenas em dez tribos, em lugar das quatro anteriores. Dessa forma, foi neutralizada a influência dos eupátridas, eliminando-se o papel político tradicional de genos, tribos e fratrias.Procedendo a reorganização dos órgãos públicos, a Bule passou a contar com quinhentos membros (cinquenta por tribo), os quais se revezavam no governo da polis; ao colégio de nove arcontes foi acrescentado um secretário (dez membros), um eleito de cada tribo. A Eclésia, assembleia popular composta por seis mil HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 15 - GRÉCIA: ATENAS Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 62 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” cidadãos de todas as classes, teve seus poderes decisórios ampliados, fiscalizando a atuação das demais instituições políticas e votando as propostas da Bule. A Eclésia tinha também o poder de votar o ostracismo – exílio por um período de dez anos – contra todos os que pusessem em perigo a democracia ateniense. O exilado não perdia suas propriedades, que lhe eram instituídos juntamente com seus direitos civis, ao retornar a cidade. É importante lembrar que a democracia instituída pelas reformas de Clistenes era um sistema político do qual participavam todos os cidadãos atenienses, adultos, filhos de pai e mãe atenienses. Este, entretanto, constituía uma minoria da qual estavam excluídos os estrangeiros (metecos), os escravos e as mulheres. Clistenes foi denominado o “pai da democracia” e suas reformas trouxeram a estabilidade social que permitiu a expansão econômica ateniense. Atenas era, assim, o reverso político de Esparta. Essa oposição seria marcante na história grega, ficando agrupadas em torno de várias cidades-estados gregas. Entretanto, durante o século V a.C., essas diferenças ficariam obscurecidas pelo esforço conjunto contra o avanço dos persas sobre as colônias gregas orientais e, posteriormente, sobre a própria península balcânica. BUSCANDO CONHECIMENTO Documentário: ATENAS - Grandes Tesouros da Arqueologia. Disponível em < http://www.youtube.com/watch?v=ENwXwYwWmWo> Acesso em 23 de junho de 2014. Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/ef2/grecia/p3.php> Acesso em 23 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 16 - Grécia: período clássico e helenístico (V a.C. – IV a.C.) Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 63 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar as principais características dos períodos clássico e helenístico. Identificar os fatores que promoveram a decadência da civilização grega. ESTUDANDO E REFLETINDO Após algum tempo de submissão as regiões de Mileto, Efeso e as ilhas de Samos e Lesbos rebelaram-se e Atenas enviou navios e tropas em seu auxílio. Entretanto, esses esforços foram insuficientes, permitindo que os persas destruíssem Mileto e iniciassem seu avanço sobre a Grécia. Era o início das Guerras Médicas. Fonte: http://www.fjavier.com/mapas/mapa13medicas.jpg. Acessado em 23/05/10. A primeira expedição enviada por Dario I foi desbaratada em Maratona (490 a.C.), numa batalha em que os gregos, apesar da inferioridade numérica, acabaram vitoriosos. Nos anos seguintes, Atenas reforçou sua marinha e as cidades gregas puderam preparar-se para enfrentar os novos ataques persas. Entretanto, quando Xerxes, sucessor de Dario, deu início à segunda investida contra o território grego, esteve muito próximo de estender seu domínio sobre toda a Grécia. Após derrotar um exército espartano, comandado por Leônidas, no desfiladeiro das Termópilas, chegou a invadir e incendiar Atenas. Todavia, os persas acabaram por ver malograr seus intentos com a derrota na batalha naval de Salamina. Sem suprimentos ou HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 16 - Grécia: período clássico e helenístico (V a.C. – IV a.C.) Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 64 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Soldo ‐ antiga moeda romana de ouro criada por Constantino em 309 d.C. reforços, o exército de Xerxes recuou para a Ásia menor e foi derrotado na batalha de Plateia (479 a.C.), por forças atenienses e espartanas, sob o comando de Pausanias e Aristides. A luta com os persas, porém, não estava encerrada. Em meio à guerra, forjou-se a união militar das polis gregas, denominada Confederação de Delos. Cada cidade-estado deveria contribuir com navios ou dinheiro, a serem depositados na ilha de Delos. Quase todos os Estados grego do mar Egeu aliaram- se, comandados por Atenas, que tomou definitivamente a ofensiva contra os persas, libertando algumas províncias da Ásia menor e vencendo a decisiva batalha do rio Eurimedon, em 468 a.C. Finalmente, em 449 a.C., foi assinada a Paz de Calias ou Paz de Cimon, pela qual os persas comprometiam-se a abandonar o mar Egeu. O mediterrâneo oriental via-se, assim, aberto à frota ateniense, que, sem rivais, pode expandir o comércio e o poderio da cidade-estado, que se encontrava em seu período de maior prosperidade. Paralelamente a isso, as cidades gregas estavam militarmente fortalecidas. O período compreendido entre os anos de 461 a.C. e 429 a.C. é considerado a “idade de ouro” de Atenas, quando a cidade viveu o seu auge econômico, militar, político e cultural. Nesse período, Atenas foi governada por Péricles e tornou-se a cidade mais importante da Grécia, graças às reformas implantadas tanto no nível político, aperfeiçoando-se a democracia, quanto no cultural, produzindo-se obras-primas, até hoje modelos de beleza. Embora aristocrata de nascença, Péricles deu maior amplitude à democracia ateniense, permitindo o ingresso e a participação política de parcelas da população antes excluídas. Ateniense de baixa renda, envolvidos no trabalho constante para garantir a sobrevivência, não poderiam dedicar-se à participação política. Entre as reformas políticas estão o soldo para os integrantes do exército, assim como uma pequena remuneração para as funções e cargos públicos, o que possibilitou maior participação popular. Péricles retirou também diversas outras restrições a cidadania, embora os cidadãos ainda constituíssem uma minoria. Nessa época, Atenas possuía quatro mil cidadãos que somados as suas famílias, completavam um total de 150 mil indivíduos. Os metecos (estrangeiros, filhos de não-nascidos em Atenas) chegavam HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 16 - Grécia: período clássico e helenístico (V a.C. – IV a.C.) Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 65 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” a cinquenta mil e os escravos perto de 120 mil. Assim, de uma população estimada em 320 mil pessoas, apenas quarenta mil participavam da democracia ateniense. Com o passar do tempo, o predomínio de Atenas na confederação de Delos transformou-se em imperialismo: havia interferência ateniense na política e sociedade dos demais aliados. Após as pressões, o tesouro de Delos foi transferido para Atenas; quando alguns estados-membros quiseram se retirar, Atenas obrigou- os a permanecerem, por meio da força, transformando-os em aliados que eram em Estados que lhe pagavam tributos. Se Péricles era democrata em Atenas, em relação aos outros Estados era imperialista. Em troca dessas imposições, oferecia- lhes proteção contra invasões marítimas e vantagens comerciais. Assim, o desenvolvimento e a manutenção da democracia ateniense dependiam desse imperialismo, do intenso comércio, dos tributos cobrados das outras polis, além da prata extraída das minas do Laurio. Era com recurso advindo da dominação interna, com a escravidão, e da dominação externa, com o imperialismo, que os atenienses ostentavam o status de cidadãos e garantiam o esplendor econômico e cultural do século de ouro. As demais cidades-estados que haviam permanecido aristocráticas, representadas especialmente por Esparta, opunham-se ao expansionismo ateniense, considerando-o um perigo econômico e político. Assim, organizaram, sob a liderança espartana, a sua própria liga – a Confederação do Peloponeso. Diante desse quadro, qualquer incidentecolocaria frente a frente os dois blocos rivais. E foi o que aconteceu. Em 431 a.C., as duas cidades rivais entraram em conflito frontal devido a uma disputa comercial entre Atenas e Corinto, velha aliada de Esparta. Esta tinha grande poderio terrestre enquanto Atenas dominava os mares, Esparta obteve vantagem logo no início, arrasando os campos da Ática e obrigando seus habitantes a se refugiarem dentro das muralhas atenienses. A superpopulação ajudou a propagar uma epidemia que atingiu, inclusive, Péricles. A partir daí, foi uma guerra de desgaste: durante 10 anos, os conflitos se estenderam sem que houvesse vitórias ou derrotas decisivas. Em 421 a.C. foi assinada a Paz de Nicias, rompida por Atenas sete anos depois, reiniciando as lutas que só se encerraram com a vitória espartana na batalha de Egos Potamos (404 a.C.). Atenas foi obrigada a entregar seus navios, demolir suas fortificações e renunciar ao império. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 16 - Grécia: período clássico e helenístico (V a.C. – IV a.C.) Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 66 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Iniciou-se o período da hegemonia espartana, com a ascensão dos governos oligárquicos e o fim da democracia ateniense. O sistema democrático até então vigente em Atenas foi substituído por trinta atenienses aristocráticos (governo dos Trinta tiranos), ocorrendo o mesmo em outras cidades gregas de sistema democrático. O imperialismo e a democracia ateniense, desta forma, sucumbiram juntos, cabendo à guerra do Peloponeso o papel de desfecho final. Mas o domínio espartano que se iniciou, durou pouco tempo. A cidade de Tebas, localizada no estreito de Corinto, projetava-se crescentemente como grande potência militar da Grécia, quando se iniciou a hegemonia espartana. Tebas opôs-se a Esparta e, graças à tática militar de dois excelentes generais, Epaminondas e Pelópidas, os tebanos venceram a batalha de Leutras (371 a.C.) e iniciara sua supremacia, que foi também de curta duração. Na prática, essas guerras constantes enfraqueceram os gregos e, a partir de meados do século IV a.C., nenhuma das cidades tinha condições para se sobrepor as outras. Enquanto isso ocorria, a Macedônia – ao norte da Grécia – expandia-se e fortalecia-se, tornando inevitável seu avanço sobre a Grécia. BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÕES Para ler mais a respeito sobre do período helenístico acesse o site Disponível em: <http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=541> Acesso em 15 de junho de 2014. Além disso, outros sites para aprofundamento: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_helen%C3%ADstica> Acesso em 10 de junho de 2014. Disponível em:<http://plato.if.usp.br/1-2003/fmt0405d/apostila/mediev11/node2.html> Acesso em 10 de junho de 2014. Documentário: Construindo um Império - Grécia. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=nwD2F7v67PI> Acesso em 15 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 17 - Roma: da monarquia a república Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 67 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Conhecer as características que promoveram o surgimento e desenvolvimento da civilização romana; analisar os aspectos econômicos, sociais e políticos dos períodos da monarquia e da república em Roma. ESTUDANDO E REFLETINDO Roma foi fundada no Lácio, por volta do ano 1000 a.C., ao que tudo indica, foi unicamente um centro de defesa contra os ataques constantes dos etruscos. Tem-se, todavia, a versão lendária da fundação de Roma, relatada por Tito Lívio em sua História de Roma e reforçada na obra Eneida, pelo poeta romano Virgilio. Nessa versão, Enéias, principal troiano, filho de Vênus, fugido de tal cidade, destruída pelos gregos, chegou ao Lácio e se casou com um a filha de um rei latino. Seus descendentes, Rômulo e Remo, foram jogados por Amúlio, rei de Alba Longa, no Tibre. Mas foram salvos por uma loba que os amamentou, tendo em seguida sido encontrados por camponeses. Conta-se a lenda que, quando adultos, os dois irmãos voltaram e depuseram Amúlio e, em seguida fundaram, Roma, em 753 a.C. Após desentendimento entretanto, Rômulo matou o irmão e se transformou no primeiro rei de Roma. Estátua da loba amamentando os irmaos Romulo e Remulo Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Capitoline_she-wolf_Musei_Capitolini_MC1181.jpg Monarquia (fundação até 509 a.C.) A documentação desse período é precária, até mesmo os nomes dos reis são desconhecidos, citando-se apenas os reis lendários, apresentados nas obras de Virgilio e Tito Lívio. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 17 - Roma: da monarquia a república Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 68 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Durante esse período, o rei acumulava as funções executiva, judicial e religiosa, embora seus poderes fossem limitados na área legislativa, já que o senado, ou Conselho dos Anciãos, tinha o direito de veto e sanção das leis apresentadas pelo rei. A ratificação dessas leis era feita pela Assembléia ou Cúria, composta por todos os cidadãos em idade militar. Na fase final da realeza, a partir do fim do século VII a.C., Roma conheceu um período de domínio etrusco, que coincidiu com o início de sua expansão comercial No período monárquico, a sociedade romana estava dividida em praticamente quatro classes: Patrícios– cidadãos de Roma, possuidores de terra e gado, que constituíam aristocracia. Plebeus – parcela da população que passara para o domínio romano durante as primeiras conquistas; eram livres, mas não participavam do Senado, nem podiam formar famílias legalmente reconhecidas. Clientes– indivíduos subordinados a alguma família patrícia, cumpridores de diversas obrigações econômicas, morais e religiosas. O patrício era seu patrono, um “protetor” econômico, político e jurídico; em troca, os clientes seguiam as decisões políticas de seus patronos, cumprindo o obsequium (submissão política), além de dedicar jornadas de trabalho para o seu senhor. Eram, enfim, os dependentes, alguns de origem estrangeira, outros, de origem plebéia que, para sobreviver, buscavam a proteção dos abastados e poderosos patrícios. Escravos– população recrutada entre os derrotados de guerra, considerados instrumentos de trabalho, sem nenhum direito político. Ao que parece, durante a monarquia, o escravismo não possuiu grande significação, ganhando importância somente com a expansão territorial do período republicano. Na verdade, durante a monarquia surgiram condições para a sua instalação, tendo o escravismo se transformado, logo a seguir, no modo de produção predominante, em detrimento de todas as outras formas de trabalho produtivo. A República (509 a.C. – 27 a.C.) Em 509 a.C., o rei Tarquínio, o soberbo, de origem etrusca, foi derrubado por uma conjuração patrícia do Senado, que queria por fim a interferência real no poder legislativo. Tarquínio governava de forma despótica, anulando, desse modo, HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 17 - Roma: da monarquia a república Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 69 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” os anseios patrícios de participação política. Terminou, assim, a realeza romana e em seu lugar surgia uma nova estrutura administrativa, na qual o poder do Senado sobrepunha-se aos demais. O senado era um órgão Máximo da república, controlava toda a administração, as finanças, além de decidir pela guerra ou pela paz. Somente os patrícios tinham acesso a esse órgão legislativo. O poder executivo, por sua vez, ficara a cargo das seguintes magistraturas: Cônsules, Pretor, Censor, Edil, Questor, Ditador. As funções religiosas cabiam a um conselho de pontífices. Existiam ainda três assembleias, completando as instituições políticas republicanas:Assembleia centurial, assembleia curial e assembleia tribal. A grande parcela da sociedade romana, durante a república, era constituída pelos plebeus, que viviam marginalizados politicamente, mesmo que enriquecessem através do comércio. Quando um plebeu, por exemplo, tornava-se insolvente, sem condições de pagar suas dívidas, tinha de se submeter ao nexum – instituição que colocava o devedor subordinado ao credor até a total extinção da dívida, criando-se uma servidão que chegava a durar toda uma vida. A marginalização e o descontentamento, do início do período republicano, levaram ao agravamento das lutas de classe em Roma. Em 494 a.C., os plebeus, em sinal de protesto, retiraram-se para o monte sagrado, exigindo representação política. Como sua participação na economia e no exército de Roma era de extrema importância, os patrícios concordaram em atender aos plebeus, que ganharam representações de dois tribunos da plebe (em 471 a.C. passaram a ser dez). Os tribunos conquistaram também o direito a veto sobre as decisões do Senado e eram considerados intocáveis (imunidade). Os tribunos podiam ser procurados por qualquer pessoa que se julgasse injustiçada, daí suas casas ficarem abertas dia e noite. Em 450 a.C., outras revoltas plebeias existiram fazendo com que os patrícios convocassem os decênviros - dez juristas nomeados para redigir um código de leis. O resultado foi a elaboração da Lei das Doze Tábuas, primeira compilação escrita das leis romanas. Em 367 a.C., foram adotadas a Leis Licínias, que possibilitaram aos plebeus partilhar as terras conquistadas, além de estabelecer que um dos cônsules seria HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 17 - Roma: da monarquia a república Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 70 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” sempre um plebeu. A Lei Canuleia também favoreceu os plebeus, pois permitiu o casamento entre estes e os patrícios. Acabaram-se as distinções sociais tradicionais, mas mantinha-se a distinção econômico-militar, entre ricos e pobres, altas patentes e simples soldados. Um dos fatores que permitiu manter essa situação foi o nacionalismo surgido com as guerras e a expansão territorial. Do século V a.C. ao III a.C., Roma empenhou-se em conquistar a península itálica, devido à necessidade de obter gêneros para o abastecimento essencial, bem como de por fim as ameaças de invasão dos povos da região. Em 272 a.C., Roma alcançou o extremo sul, conquistando Tarento, na região da Magna Grécia. A expansão deu dinâmica própria a estrutura escravista que, estabelecida, passou a exigir novas conquistas para aumentar o número de cativos, os quais cada vez mais passavam a ser indispensáveis a estrutura socioeconômica do mundo romano. Estimando-se que, somente no século IV a.C., a população de escravos somou não menos que quarenta mil indivíduos. Embora tivesse conquistado a península itálica, a hegemonia cartaginesa no mediterrâneo impedia a expansão romana na região. A cidade de Cartago, fundada por fenícios, com cerca de 250 mil habitantes, localizava-se ao norte da África, mas possuía inúmeras posses na Córsega, Sardenha, Sicília e península ibérica. A disputa pela posse da Sicília originou guerras entre Roma e Cartago que se estenderam de 264 a.C. a 146 a.C. e ficaram conhecidas como Guerras Púnicas. Os romanos viveram momentos de grande tensão quando o general cartaginês Aníbal atravessou Gibraltar, os Pireneus e os Alpes para atacar Roma, embora não tivesse obtido sucesso, tendo sido obrigado a regressar a Cartago. Aníbal foi derrotado em Zama, ao sul de Cartago, pelo general romano Cipião, o Africano. Em 146 a.C., entretanto, Roma conseguiu arrasar definitivamente Cartago, dizimando sua população, e continuou sua expansão, dominando todo o mar Mediterrâneo, que passou a se chamar de mare nostrum (nosso mar). BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÃO: Discovery na Escola - Roma Antiga: Ascensão ao Poder. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=Z5ag8UaRbEE> Acesso em 20 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 18 - As transformações na república romana Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 71 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Conhecer as principais transformações políticas e sociais ocorridas durante a república romana. ESTUDANDO E REFLETINDO Durante o período de conquistas, a sociedade romana transformou-se profundamente devido ao clima Imperialista que subsistia, favorecendo o modo de produção escravista, que se efetivou com a derrota de Cartago. As causas das mudanças sociais deveram-se: Ao grande fluxo de riqueza para Roma, provenientes das conquistas; A ruína do pequeno lavrador, impossibilitado de concorrer com a produção de latifúndios trabalhados por escravos; Ao aumento da escravidão; Ao êxodo rural, gerando o empobrecimento da plebe; Ao surgimento de novas classes sociais: camada senatorial (aristocratas), classe equestre (mercadores, banqueiros ou homens novos), clientes (agregados, dependentes dos patrícios), e trabalhadores (plebeus miseráveis, cuja única posse era uma prole numerosa). Em 326 a.C., aboliu-se a submissão servil por dívidas, o que tornou a mão de obra escrava (os vencidos) de importância vital para a produtividade rural da elite romana. A ampla utilização da mão de obra escrava, entretanto, trouxe ao Estado romano inúmeras rebeliões de cativos, entre as quais a mais significativa foi comandada pelo Tracio Spartacus, de 73 a.C. a 71 a.C., que chegou a ameaçar a própria cidade de Roma. Escapando de Cápua, cidade ao sul de Roma, 74 gladiadores refugiaram-se próximo ao vulcão Vesúvio, onde se reuniram mais de 120 mil soldados. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 18 - As transformações na república romana Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 72 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Estatua de Spartacus Fonte:http://listverse.files.wordpress.com/2007/09/450px-spartacus1.jpg A revolta de Spartacus foi o último grande movimento rebelde contra Roma, o que não significou, apesar da repressão e ameaças, o fim das sublevações escravas, as quais continuaram até o final de história romana. As lutas civis Frente à crise geral por que passavam os pequenos agricultores, alguns grupos mobilizaram-se na busca de reformas. Destacaram-se, nesse período, dois tribunos da plebe, Tibério e Caio Graco. Tibério, eleito tribuno da plebe em 133 a.C., propôs uma lei pela qual quem tivesse mais de 310 acres de terras deveria doar o excedente para o Estado, a fim de que este as arrendasse aos cidadãos pobres. O senado opôs-se a tais medidas e, numa tumultuada sessão no recinto do próprio senado, Tibério e mais de trezentos de seus adeptos foram assassinados. Caio Graco foi eleito tribuno em 123 a.C., dez anos depois do assassinato de seu irmão Tibério. Caio elaborou leis para melhorar as condições de vida da plebe, como a Lei frumentária, que determinava a distribuição de trigo a baixo preço aos plebeus, além da reforma agrária. Os aristocratas reagiram contra Graco e seus seguidores, o que resultou em vários confrontos armados, até que, cercado numa das colinas romana, Caio ordenou a um escavo que o matasse. O escravo suicidou- se em seguida. Após a morte dos Gracos, houve a polarização política seguida da radicalização nas lutas governamentais, e a república romana entrou em crise, de um lado estavam os aristocratas, preocupados com a manutenção da ordem existente; de outro, os populares, ansiosos por reformas. Destacaram-se nesse HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 18 - As transformações na república romana Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 73 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” período o general Mario, defensor da plebe, e o general Silas, que defendia os conservadores.Mario chegou a ser eleito cônsul por seis vezes consecutivas, conseguindo transformar o exército, cujos postos eram privilegiados dos cidadãos, em um exército popular, composto por assalariados. Os soldados passaram a receber um soldo de participação nos espólios e, ao cabo de 25 anos de carreira, direito a um pedaço de terra. Com a morte de Mario, em 86 a.C., Silas estabeleceu uma ditadura militar e perseguiu violentamente os antigos seguidores de seu antecessor, conseguindo desarticular os grupos políticos populares. Em 79 a.C., Silas, já velho, abdicou e o poderio que se seguiu foi de aparente calma, pois novos líderes aristocráticos, como Pompeu e Crasso, despontavam. Pompeu conseguiu abafar, na Espanha, uma revolta popular comandada por Sertório (78 a.C. – 72 a.C.), enquanto Crasso reprimiu a revolta dos escravos, liderada por Spartacus (73 a.C.– 71 a.C.), em Cápua. O prestígio militar alcançado pelos dois generais aproximava-os da política, na qual já se destacava Julio César. O clima de insatisfação perdurava, havendo nova tentativa de golpe político, dessa vez, por parte de um patrício, Catilina, que tencionava tomar o poder e assassinar os magistrados. Essa conjura foi delatada e evitada por Cícero, destacado orador, eleito cônsul. Os cidadãos de Roma disputaram o controle do Estado, ativando a instabilidade política que caracterizou o final da república romana. Busto de Júlio César. Fonte: http://www.blogdacomunicacao.com.br/wp-content/uploads/2009/06/julio-cesar.jpg HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 18 - As transformações na república romana Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 74 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Contudo, em 54 a.C, Crasso morreu combatendo na Pérsia e, dois anos depois, Pompeu foi proclamado cônsul único destituindo Cesar do comando militar da Gália. Ao receber a mensagem senatorial de sua destituição, César, entretanto, resolveu lutar e avançar para o sul. Foi nesse momento que César, atravessou o rio Rubicão, fronteira entre sua província e a Gáia, teria dito “a sorte esta lançada” e dirigiu-se para Roma, causando a fuga de Pompeu. César assumiu imediatamente o poder romano, mas só iria derrotar Pompeu, definitivamente, na Grécia, em Farsália, em 49 a.C. Pompeu escapou ileso e fugiu para o Egito, onde acabou sendo assassinado. Os triunviratos Em 60 a.C., o senado acabou elegendo três fortes líderes políticos ao consulado: Julio César, Pompeu e Crasso governaram juntos no chamado Primeiro Triunvirato, dividindo entre si os domínios romanos. Nessa época, crescia no Egito a disputa pelo poder entre o faraó Ptolomeu e sua irmã Cleópatra. Julio César foi para Alexandria, apoiou Cleópatra e colocou-a no poder. Em seguida, dirigiu a Ásia menor, onde aniquilou as tropas Sírias inimigas. Retornando a Roma, Julio César foi proclamado ditador vitalício, em clara oposição ao senado, que havia organizado uma conspiração contra ele. Em 44 a.C., foi assassinado a punhaladas em pleno senado. Sua morte gerou uma grande revolta na população, fato habilmente explorado por Marco Antonio, um dos fortes generais de Julio César que, juntamente com Otavio e Lépido, formou o segundo triunvirato. Após eliminarem os opositores de César, os novos triunviros iniciaram suas disputas internas. Otavio, aproveitando-se da ausência de Marco Antonio, que se encontrava no Egito, tentou ampliar seus poderes. Desconsiderou Lépido e declarou guerra a Marco Antonio, o qual foi derrotado na batalha naval de Actium, em 31 a.C. Em seguida, Otávio recebeu do senado o título de príncipe (primeiro cidadão), primeira etapa para obter o título de imperator (o supremo). Otávio tornou- se progressivamente senhor absoluto de Roma, recebendo, além dos dois títulos, o de augustus (o divino), até então inédito entre os governantes romanos. BUSCANDO CONHECIMENTO HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 18 - As transformações na república romana Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 75 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” INDICAÇÃO: Documentário - JÚLIO CÉSAR: "NÃO SOU REI. SOU CÉSAR!”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7ctlUeMB_Vw> Acesso em: 21 de junho de 2014. Aprofunde seu conhecimento nos sites abaixo: Disponível em: < http://www.starnews2001.com.br/historia/ancient_rome.html> Acesso em 21 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 19 - IMPÉRIO ROMANO: ascensão e queda Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 76 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar aspectos da Roma Imperial em seu auge e queda. Roma, um mundo de domínio feito ao longo de séculos que aos poucos se deteriora drasticamente em sua má administração. ESTUDANDO E REFLETINDO Com o advento do Império romano, reorganizou-se a estrutura política, concentrando-se toda a autoridade nas mãos do imperador. Esse último período que iremos estudar apresenta duas etapas distintas: o Alto Império (século I a.C. a III d.C.) e o Baixo Império (século III a V d.C.). Roma atingiu o seu grande apogeu, durante o alto império, devido, principalmente, ao desenvolvimento sem precedentes do modo de produção escravista que se fazia em sua sociedade, além das conquistas territoriais perpetradas, alcançando o esplendor da uma vasta riqueza e poder como nenhuma outra civilização já viu. Ao Imperador, sempre mandatário, cabia basicamente exercer por si só o controle político, sobrepondo-se ao senado. Este, no Império, já não teria mais uma forte presença. A ele competia nomear magistrados, controlar os exércitos, interferindo, até mesmo, nas questões religiosas. Com a plena centralização, conseguia-se a estabilidade, anulando os tradicionais conflitos que por um acaso viessem a ocorrer entre os vários grupos políticos dominantes. O império foi, contudo, uma forma de se solucionar governamentalmente para por fim ao descontrole da política republicana. Otávio Augusto, o primeiro imperador (27 a.C.-14 d.C.), preocupou-se com as obras públicas, sendo que estas vieram a mostrar o poder dessa época onde se arquitetava muitas das magníficas construções, cujas construções atualmente em ruínas podem ser vistas ainda hoje em Roma. Para cuidar da sua segurança, cria-se a Guarda Pretoriana, cuja principal função era defender o império e vigiar a capital. Ao mesmo tempo, Otavio Augusto, distribuía trigo à população e organizava sistematicamente grandes espetáculos públicos de circo, a chamada política do pão e circo, ampliando muito a sua popularidade. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 19 - IMPÉRIO ROMANO: ascensão e queda Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 77 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Administrativamente, foi criada uma nova estrutura, que visava a modificar, desde a forma de cobrança de tributos, pondo fim ao usual arrendamento da arrecadação, até as divisões possíveis e a convocação de homens para o exército. O funcionalismo público também foi ampliado, sendo o consequente aumento de despesas coberto pelos crescentes fluxos de riqueza. Para uma população imperial de quase 60 milhões de habitantes, a sociedade romana passou a ser dividida em cidadãos, cerca de 5, 5 milhões de pessoas e provinciais. Os cidadãos eram hierarquizados de acordo com suas fortunas: no topo da escala social ficava a ordem senatorial, um conjunto a aproximado de duas mil pessoas, os possuidores de mais de 1 milhão de sestércios (moeda de prata); em seguida, vinha ordem equestre, cerca de vinte mil indivíduos com fortuna superior a 400 mil sestércios; e finalmente abaixo, ficava a ordem plebeia. No plano militar, Otavio Augusto organizou um poderoso exército com mais de 300 mil homens, dividido em 25 legiões (cada uma com 5620 combatentes), compostas por cidadãos e tropas auxiliares das províncias, cujos membrossó recebiam a cidadania pelo serviço militar. Foi graças ao poder e à estabilidade iniciada por augusto, que Roma pode desfrutar de um período de grande prosperidade, constituindo a Pax Romana, que duraria pelo menos mais dois séculos após o seu governo. Durante o governo de Otavio, nasceu Jesus, que pouco a pouco foi ganhando seguidores em todo império. Com a morte de Otavio, o alto império, passou por diversas dinastias: de 14 a 68, o governo coube as dinastias Júlio- claudiana, seguida pela dos Flávios, que perdurou ate 96, vindo em seguida a dos Antoninos, que governaria ate 192. A última dinastia foi a dos Severos, que estiveram no poder de 193 a 235. Os sucessores de Augusto desestruturaram o governo, minando o modo de produção escravista, fator de riqueza para o Império, além de favorecerem o descontrole político com as constantes intrigas palacianas, as crises sucessórias e a imoralidade em nível não só pessoal, mas também administrativo. De maneira geral, essa situação se agravou com os imperadores Tibério (14-37), Calígula (37-41) e Nero (54 -68). Tibério desmoralizou o governo, e acabou sendo transferido para Capri, onde morreu assassinado. Calígula, famoso por sua imoralidade e despotismo inconsequente, chegou a nomear o cavalo Incitatus, HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 19 - IMPÉRIO ROMANO: ascensão e queda Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 78 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” cônsul romano. Foi também Calígula quem mandou cortar a cabeça das estátuas dos deuses em Roma, substituindo-as por seu próprio rosto como modelo. Já Nero, celebrizou-se pelas perseguições aos cristãos, que se negavam a cultuá-lo como divindade. Para incriminá-los e reprimi-los com mais violência, Nero mandou incendiar a cidade de Roma. Busto de Calígula Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Caligula_bust.jpg Com a dinastia dos Antoninos, Roma voltou a ter relativa estabilidade e prosperidade, pois a habilidade administrativa de imperadores como Trajano e Marco Aurélio amenizou temporariamente as dificuldades do império. Durante o governo de Trajano, o império atingiu a sua maior extensão territorial e com Marco Aurélio, um enorme reerguimento cultural. No final do período Antonino, entretanto, delineou-se os contornos que poriam fim ao escravismo e ao mundo romano. No governo da dinastia dos Severos, a fragilidade romana não poderia mais reverter a sua decadência, crescendo a pressão dos povos vizinhos que avançavam em hordas sobre o interior do Império, iniciando o baixo império romano. O baixo império romano foi marcado pela decadência, pelas grandes crises e pela anarquia, devidas principalmente a interrupção das conquistas, o que arruinou a economia imperial baseada no trabalho escravo e na exploração das províncias, escasseando os tributos impostos aos vencidos, Roma caminhou para o progressivo esgotamento econômico. Merecem destaque os seguintes imperadores do baixo império: HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 19 - IMPÉRIO ROMANO: ascensão e queda Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 79 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Diocleciano (284 - 305), na tentativa de salvar o império da falência, baixou o edito máximo, fixando preços para as mercadorias e salários, sendo os infratores condenado a morte. A medida não surtiu efeito, pois as mercadorias desapareceram, enquanto só os preços continuaram a subir descontroladamente. Outra decisão importante de Diocleciano foi a criação da tetrarquia – divisão do império entre quatro generais buscando conseguir a paz social e o controle político perdido. Constantino (313 - 337), através do edito de Milão, concedeu liberdade de culto aos cristãos, já importantes em número e influência. Buscou também estabilizar a produção rural frente à escassez de mão de obra decretando, com a Lei do Colonato, a obrigatoriedade de fixação do colono na terra em que trabalhava. Era a intensificação do uso do trabalho servil em substituição ao trabalho escravo. Outra medida de destaque tomada por Constantino foi a fundação de uma segunda capital do império – Istambul hoje – situada no Oriente, com a finalidade de garantir a proteção da fronteira do leste. Teodósio (378-395) oficializou o cristianismo e, em 395, dividiu o império romano em dois, do oriente, Constantinopla e ocidente, Roma. Ao final de seu governo, os bárbaros conseguiram se infiltrar por todo o império. O que culminou nas invasões e na queda definitiva do império ocidental, em 476, quando a tribo dos hérulos, chefiada por Odoacro, derrubou o último Imperador romano, Rômulo Augusto. Foram diversos os fatores que causaram a decadência romana, destacando- se o imperialismo, as guerras civis, a anarquia militar, a crise do escravismo, a ascensão do cristianismo e as invasões bárbaras. O imperialismo romano e as guerras civis internas foram responsáveis pela ampliação do aparelho militar e burocrático, bem como pela instabilidade política. As sucessivas lutas pelo poder geraram corrupção, descontrole político, queda de valores tradicionais, desencadeando uma séria crise moral. No século III, impôs-se a anarquia militar: as legiões entronavam e destronavam imperadores segundo interesses imediatos (de 211 a 284, cerca de 20 imperadores). A crise do escravismo, ocasionada pelo fim das guerras de conquistas e que fez escassear o número de prisioneiros, tornou-se um obstáculo para a produção, HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 19 - IMPÉRIO ROMANO: ascensão e queda Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 80 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” baseada, fundamentalmente, na escravidão. Os proprietários foram então obrigados a arrendar suas terras a camponeses, que se sujeitavam a pagar quaisquer tributos que lhes fossem cobrados. Substituía-se o escravismo pela servidão rural. O crescimento do cristianismo foi outro fator de desagregação do império, pois se opunha a estrutura militar e escravocrata, sustentáculo do Império romano. A crise econômica, advinda da crise escravista, resultou a diminuição de receitas para cobrir os gastos com a manutenção da burocracia e do exército. Ao lado disso, houve uma nítida diminuição de áreas cultivadas, devido à falta de mão de obra, o que veio a encarecer os produtos. Ao mesmo tempo, estava desvalorizada a moeda, devido à diminuição de metais nobres, como ouro e prata, único meio de que dispunha para saldar seus compromissos. Houve como consequência, uma inflação crescente, que resultou num caos monetário, no início do século III, e que acelerou a decadência econômica. A volta para uma economia rural de subsistência fez com que a população rural se isolasse em vilas autossuficientes e autônomas, para poder enfrentar a crise geral do Império. Finalmente, as invasões bárbaras minaram as forças imperiais, já agonizantes, tomando pouco a pouco seu território e pondo fim ao Império romano em 476. BUSCANDO CONHECIMENTO INDICAÇÕES Aprofunde seus conhecimentos nos sites abaixo: Disponível em: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/gladiadores.htm> Acesso em 24 de junho de 2014. Disponível em: <http://www.lmc.ep.usp.br/people/hlinde/Estruturas/coliseu.htm> Acesso em 24 de junho de 2014. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 20 - CIVILIZAÇÕES INDIANA E CHINESA NA ANTIGUIDADE Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 81 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Analisar aspectos elementares, tais como: sociais, políticos e culturais da civilização indiana e chinesa durante a antiguidade. ESTUDANDO E REFLETINDO Escavações no vale do Rio Indo, realizadas especialmente na década de 1920, ampliaram os conhecimentos sobre as cidades de Mohenjo-Daro e Harappa. A região pertenceu a Índia e hoje está no território do Paquistão, criadoem 1947. As descobertas mostraram que as civilizações que antes eram denominadas “civilizações do Indo” se estendiam muito além do vale desse rio. As duas cidades, distantes 600 quilômetros entre si, foram erigidas em 3000 a.C. Possuíam canalização de água e esgoto, com algum tratamento, distribuição das edificações em forma de um tabuleiro de xadrez e um governo centralizado; um grande sinal de desenvolvimento urbano para a época. Ruínas de Mohenjo-Daro. Fonte: http://www.historiazine.com/2009/07/os-harappeanos.html. Acesso em 28 de junho de 2014. A civilização desenvolvida nesta área, ficou conhecida como dravidiana, em referência aos drávidas, grupo étnico que habitava o sul da Índia e comunicavam-se através de idiomas que não pertenciam às línguas indo-europeias. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 20 - CIVILIZAÇÕES INDIANA E CHINESA NA ANTIGUIDADE Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 82 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Ainda não se compreende como a civilização dravidiana desapareceu, supõe-se condições climáticas adversas severas. No decorrer do segundo milênio antes da era Cristã, de forma lenta, com imigrações e invasões, a região registra a chegada de povos seminômades indo- europeus, chamados de ários ou arianos. Dominando a escrita, os ários descreveram sangrentos conflitos por meio dos quais teriam se instalado no vale do Rio Indo. Esses textos, que forma escritos em sânscrito, são conhecidos como Vedas, que significa “conhecimento”. Por isso a civilização que surge nesse momento é chamada de védica. A civilização védica está na base histórica da Índia como hoje a conhecemos. Sua cultura foi compartilhada pelos diversos reinos que se formaram na região. Caracterizava-se pela religião – hinduísmo (adoração de várias divindades, inclusive animais e a crença na reencarnação, onde o objetivo principal é alcançar a plena purificação – o chamado nirvana) e, posteriormente, o bramanismo – e pela forma de organização social – o sistema de castas (domínio dos guerreiros e dos sacerdotes sobre os demais grupos sociais). A China antiga Aproximadamente em 1700 a.C. encontramos no norte da China suas primeiras cidades, no vale do Rio Amarelo. Os reis da dinastia Chang criaram, com base na unificação de várias cidades e suas áreas de influencia, um grande Estado que teve continuidade até aproximadamente 1100 a.C. O que se sabe sobre a dinastia Chang vem de objetos rituais, como cascas de bambu, ossos e cascos de tartaruga, e textos escritos em ideogramas encontrados em escavações realizadas entre 1920 e 1930. A capital do reino Chang foi mudada algumas vezes, mas se estabeleceu em Yin. A rica cultura material incluía a criação de vasos de bronze decorados com imagens de seres míticos e animais, esculturas em jade e instrumentos musicais. Ergueram-se palácios, tumbas e fortificações, envolvendo o trabalho de milhares de camponeses e escravos. Línguas indo‐europeias: grupo linguístico que inclui, por exemplo, latim, russo, polonês e uma série de dialetos. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 20 - CIVILIZAÇÕES INDIANA E CHINESA NA ANTIGUIDADE Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 83 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Uma invasão de povos vindos de um reino a oeste, os Chou (ou Zhou), por volta de 1100 a.C., derrubou a dinastia Chang. Foi durante a dinastia Chou que se firmou a denominação Reino do Meio, atribuída pelos próprios chineses, que acreditavam ser o centro do mundo. Houve nesse período um grande impulso cultural, muitas vezes lembrado como Idade de Ouro da filosofia chinesa. Uma das fontes importantes para o conhecimento desse período da história da China são os escritos de Confúcio, que viveu no século Vl a.C. Ele deixou uma grande obra, reunindo muitos textos antigos por seu valor moral, sem se preocupar com a veracidade histórica. HISTÓRIA ANTIGA UNIDADE 20 - CIVILIZAÇÕES INDIANA E CHINESA NA ANTIGUIDADE Thiago Thomaz Garcia Wagner Montanhini 84 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Disponível em: <http://www.historiazine.com/2009/07/os-harappeanos.html> Acesso em 29 de junho de 2014. Disponível em: <http://discoverybrasil.uol.com.br/china_antiga/dinastias_chinesas/dinastia_shang/> Acesso em 29 de junho de 2014. Documentário – Construindo um império: China. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=gxaLsQq9cyY> Acesso em 28 de junho de 2014. Av. Ernani Lacerda de Oliveira, 100 Bairro: Pq. Santa Cândida CEP: 13603-112 Araras / SP (19) 3321-8000 ead@unar.edu.br Rua Américo Gomes da Costa, 52 / 60 Bairro: São Miguel Paulista CEP: 08010-112 São Paulo / SP (11) 2031-6901 eadsp@unar.edu.br www.unar.edu.br 0800-772-8030 POLOS EAD http://www.unar.edu.br http://www.unar.edu.br http://www.unar.edu.br http://www.unar.edu.br Capa Unid 01 Unid 02 Unid 03 Unid 04 Unid 05 Unid 06 Unid 07 Unid 08 Unid 09 Unid 10 Unid 11 Unid 12 Unid 13 Unid 14 Unid 15 Unid 16 Unid 17 Unid 18 Unid 19 Unid 20 Capa